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Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil Autor: Ricardo Torques 22 de Abril de 2023 39471799600 - Naldira Luiza Vieria Ricardo Torques Aula 14 Índice ..............................................................................................................................................................................................1) Execução - Teoria Geral da Execução 6 ..............................................................................................................................................................................................2) Execução - Espécies de Execução-Disposições Gerais 49 ..............................................................................................................................................................................................3) Execução - Execução para entregar Coisa 56 ..............................................................................................................................................................................................4) Execução - Execução para Obrigação de Fazer e Não-Fazer 61 ..............................................................................................................................................................................................5) Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa 64 ..............................................................................................................................................................................................6) Execução - Execução contra Fazenda Pública 124 ..............................................................................................................................................................................................7) Execução - Execução de Alimentos 127 ..............................................................................................................................................................................................8) Execução - Embargos à Execução 129 ..............................................................................................................................................................................................9) Execução - Suspensão e Extinção da Execução 143 ..............................................................................................................................................................................................10) Questões Comentadas - Execução - Teoria Geral da Execução - CEBRASPE 148 ..............................................................................................................................................................................................11) Questões Comentadas - Execução - Teoria Geral da Execução - CONSULPLAN 157 ..............................................................................................................................................................................................12) Questões Comentadas - Execução - Teoria Geral da Execução - FCC 161 ..............................................................................................................................................................................................13) Questões Comentadas - Execução - Teoria Geral da Execução - FGV 167 ..............................................................................................................................................................................................14) Questões Comentadas - Execução - Teoria Geral da Execução - VUNESP 176 ..............................................................................................................................................................................................15) Questões Comentadas - Execução - Teoria Geral da Execução - OUTRAS BANCAS 183 ..............................................................................................................................................................................................16) Questões Comentadas - Execução - Espécies de Execução-Disposições Gerais - CEBRASPE 210 ..............................................................................................................................................................................................17) Questões Comentadas - Execução - Espécies de Execução-Disposições Gerais - FCC 211 ..............................................................................................................................................................................................18) Questões Comentadas - Execução - Espécies de Execução-Disposições Gerais - VUNESP 215 ..............................................................................................................................................................................................19) Questões Comentadas - Execução - Espécies de Execução-Disposições Gerais - OUTRAS BANCAS 217 ..............................................................................................................................................................................................20) Questões Comentadas - Execução - Execução para entregar Coisa - OUTRAS BANCAS 223 ..............................................................................................................................................................................................21) Questões Comentadas - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - CEBRASPE 224 ..............................................................................................................................................................................................22) Questões Comentadas - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - CONSULPLAN 231 ..............................................................................................................................................................................................23) Questões Comentadas - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - FCC 247 ..............................................................................................................................................................................................24) Questões Comentadas - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - FGV 271 ..............................................................................................................................................................................................25) Questões Comentadas - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - VUNESP 278 ..............................................................................................................................................................................................26) Questões Comentadas - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - OUTRAS BANCAS 282 ..............................................................................................................................................................................................27) Questões Comentadas - Execução - Execução contra Fazenda Pública - CEBRASPE 297 ..............................................................................................................................................................................................28) Questões Comentadas - Execução - Execução contra Fazenda Pública - CONSULPLAN 301 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 2 488 Ricardo Torques Aula 14 Índice ..............................................................................................................................................................................................29) Questões Comentadas -Se o título for pautado preferencialmente para o conteúdo, pelo ato, podemos executá-lo por cópia. Ao passo que, quando o título estiver relacionado com o documento, ligado ao seu aspecto formal, não é admissível a execução com cópia. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 27 488 Por exemplo, notas promissórias, cheques, duplicadas (inc. I, do art. 784, do CPC) somente podem ser executados por intermédio do documento original, de forma que o título vale pelo que ele é. Por outro lado, um contrato ou uma sentença podem ser executados por cópia, pois, nesse caso, prepondera o conteúdo do documento. Vamos em frente! Veja, na sequência, quais são as espécies de títulos executivos: Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque; II - a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; III - o documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas) testemunhas; IV - o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública, pela Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou mediador credenciado por tribunal; V - o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e aquele garantido por caução; VI - o contrato de seguro de vida em caso de morte; VII - o crédito decorrente de foro e laudêmio; VIII - o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio; IX - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei; X - o crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de condomínio edilício, previstas na respectiva convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde que documentalmente comprovadas; XI - a certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de emolumentos e demais despesas devidas pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas estabelecidas em lei; XII - todos os demais títulos aos quais, por disposição expressa, a lei atribuir força executiva. § 1o A propositura de qualquer ação relativa a débito constante de título executivo não inibe o credor de promover-lhe a execução. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 28 488 Antes de analisarmos cada uma das hipóteses acima, é importante deixar claro que esse rol é exemplificativo, embora somente possa ser fixado por lei. Desse modo, outros títulos executivos não podem ser criados por uma interpretação extensiva do aplicador do direito, contudo, o legislador poderá criar outras hipóteses de títulos executivos extrajudiciais. Nesse contexto, cuidado com afirmações rasas no sentido de que o rol é taxativo ou números clausus. Na realidade, o rol é fixado por lei, porém, não imutável. Assim, o mais correto é afirmar que o rol do art. 784 é aberto. Isso ocorre porque a possibilidade de diretamente ingressar com a execução em face de um ato ou de um documento revela o exercício da soberania e também da possibilidade de se invadir a esfera jurídica patrimonial de outra pessoa sem uma ação de conhecimento prévio. Portanto, somente são considerados títulos executivos extrajudiciais aqueles que constarem em lei, entre os quais estão os previstos no art. 784, do CPC. Antes de analisarmos os incisos dos dispositivos acima, é importante um aprofundamento: Há doutrina sustentando que as partes podem fixar títulos executivos extrajudiciais. A partir da prerrogativa conferida às partes de formulação de negócios jurídicos processuais (art. 190, do CPC), desde que as partes sejam capazes e tratem de direitos disponíveis (ou que admitam autocomposição). Isso evidenciaria uma forma de neoliberalismo no direito processual brasileiro. Essa posição, contudo, não possui muita relevância, pois entre as hipóteses de títulos executivos extrajudiciais está o contrato formulado pelas partes e assinado por duas testemunhas. Isso nada mais é do que uma espécie de negócio jurídico processual firmado pelas partes, em uma relação privada, sem interferência do Estado. Vamos às hipóteses legais?! 1) Letra de câmbio, nota promissória, duplicata, debênture e cheque. O rol acima traz os denominados títulos de crédito. Para a prova em Direito Processual Civil é suficiente que você saiba o conceito de cada um deles: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 29 488 Vamos aprofundar um pouco?! A Súmula STF 387 estabelece que, quando a nota promissória for assinada em branco, poderá o credor finalizar o preenchimento antes da execução. Súmula STF 387 A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto. Em determinadas situações, a nota promissória pode ser emitida como garantia do cumprimento de outro contrato. Em razão disso, foi editada a Súmula STJ 258 para vedar a utilização da nota promissória em branco como garantia de cumprimento de contrato de abertura de crédito. Súmula STJ 258 A nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito não goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a originou. Além disso, as Súmulas STJ 233 e 247 afirmam que o contrato de abertura de conta corrente, ainda que acompanhado do extrato, não é título executivo extrajudicial. Em decorrência disso, o cheque especial TÍ TU LO D E C R ÉD IT O letra de câmbio documento emitido pelo credor com ordem de pagamento, à vista ou a prazo, para o devedor pagar quantia certa. nota promissória promessa de pagamento de quantia certa emitida pelo devedor a determinada pessoa. duplicata documento pelo qual o comprador se vincula ao pagamento do valor descrito na fatura em determinado prazo. debêntures título de crédito de longo prazo no qual o emitente faz empréstimo de valores. cheque ordem dirigida à instituição financeira para pagamento à vista de determinado valor ao portador. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 30 488 também não é título executivo extrajudicial. Esse valor apontado pelo banco como devido em cheque especial é unilateral, o que retira a liquidez do título, uma vez que os valores estarão simplesmente apontados em extratos bancários. Súmula STJ 233 O contrato de abertura de crédito, ainda que acompanhado de extrato da conta corrente, não é título executivo. Súmula STJ 247 O contrato de abertura de crédito em conta corrente, acompanhado do demonstrativo de débito, constitui documento hábil para o ajuizamento da ação monitória. A Súmula STJ 504 fixa o tempo para cobrança do débito a partir da prescrição da nota promissória. Embora não seja possível efetuar a execução com fundamento no título de crédito, porque já prescrito, nada impede que a pessoa se valha do título como prova documental da dívida. Nesse contexto, o STJ fixou prazo de 5 anos para ajuizamento da ação de conhecimento (no caso, a ação monitória) a contar do vencimento do título. Súmula STJ 504 O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de nota promissória sem força executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte ao vencimento do título. Em relação à duplicata, é importante destacar que, ao recebê-la, o devedor poderá: 1 – receber e devolver a duplicata aceita.Nesse caso, teremos constituído o título executivo. 2 e 3 – receber a duplicata e não aceitar ou receber e não devolver. Nesses casos, o credor poderá fazer o protesto por indicação, apresentando cópia da mercadoria ou do serviço. A partir do protesto, há formação do título executivo extrajudicial. Em relação ao cheque, vamos tecer algumas observações: O devedor do cheque é o subscritor, independentemente de a conta de origem do cheque ser conjunta. A solidariedade entre os titulares da conta conjunta não admite que ambos sejam executados. A solidariedade é em relação ao banco, não em face do cheque expedido. O cheque é ordem de pagamento à vista. Contudo, é corriqueira a utilização do que chefe pós-datado. Não obstante, um cheque pós-datado não tira a exigibilidade do título de crédito. Ademais, a Súmula STJ 370 estabelece que o descumprimento do pós-datamento (entendido como uma cláusula adicional do cheque) pode implicar indenização por dano moral. Súmula STJ 370 Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 31 488 Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado. O cheque poderá ser cobrado se não prescrito, observando o prazo de 6 meses. Passado o prazo, o cheque deixa de ser título executivo extrajudicial, contudo, poderá ser usado, por exemplo, para utilização do cheque para ação de cobrança, a exemplo da ação de cobrança. Nesse contexto, veja a Súmula STJ 299: Súmula STJ 299 É admissível a ação monitória fundada em cheque prescrito. Além disso, de acordo com a Súmula STJ 503, por se tratar de documento escrito sem eficácia de título executivo, porque prescrito o cheque, o prazo prescricional da dívida é de 5 anos, a contar do dia seguinte da data da emissão do cheque. Veja: Súmula STJ 503 O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de cheque sem força executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte à data de emissão estampada na cártula Sigamos! 2) Escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor. A escritura pública constitui modalidade especial de negócio que exige a lavratura em cartório por agente público (tabelião), como condição para lhe conferir validade. Além disso, por documento público assinado pelo devedor devemos compreender o documento produzido por autoridade, ou em sua presença, com a respectiva chancela, desde que tenha competência para tanto4. 3) Documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas. Note que o documento exige a assinatura de duas pessoas que, evidentemente, não podem ter interesse no negócio jurídico, ainda que tenham assinado o documento posteriormente a sua confecção. 4 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 853. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 32 488 No rol dos documentos particulares está o instrumento de confissão de dívida, conforme explicita a Súmula STJ 300: Súmula STJ 300 O instrumento de confissão de dívida, ainda que originário de contrato de abertura de crédito, constitui título executivo extrajudicial. Esse documento nada mais é do que uma declaração expressa, definitiva e irretratável do devedor que reconhece que deve determinado valor a outrem. Sigamos! 4) Instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública, pela Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou mediador credenciado por tribunal. Trata-se de novidade no CPC, decorrente da importância que se concede às formas autocompositivas de solução de conflitos. Trata-se do instrumento de acordo referendado. Será considerado título executivo desde que seja referendado pela autoridade habilitada: MP; Defensoria Pública; advogado público; advogados; e conciliadores ou mediadores. 5) Contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e aquele garantido por caução. São contratos assegurados por direitos reais de garantia que permitem diretamente a execução para satisfação da obrigação pactuada. 6) Contrato de seguro de vida em caso de morte. Com falecimento da pessoa que instituiu o seguro de vida, admite-se a execução direta do prêmio constante do seguro. A morte é o evento que confere certeza, exigibilidade e liquidez à obrigação. 7) Crédito decorrente de foro e laudêmio. O foro é uma taxa exigida pelo domínio útil de terras pertencentes à marinha, ao passo que o laudêmio é a taxa paga em razão da transferência desses imóveis pertencentes à marinha. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 33 488 8) Crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio. O contrato de locação constitui título executivo extrajudicial. 9) Certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei. As denominadas CDAs (Certidões de Título da Dívida) de qualquer dos entes da federação constituem título executivos extrajudiciais. 10) Crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de condomínio edilício, previstas na respectiva convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde que documentalmente comprovadas. Se documentalmente comprovadas, as despesas condominiais podem ser executadas diretamente, contra quem estiver ocupando o imóvel (proprietário, locatário, comodatário ou qualquer outro tipo de possuidor). 11) Certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de emolumentos e demais despesas devidas pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas estabelecidas em lei. Os atos praticados pelos notários são dotados de presunção de veracidade e legitimidade de modo que a certidão decorrente dos atos por eles praticados podem ser executados diretamente. 12) Todos os demais títulos aos quais, por disposição expressa, a lei atribuir força executiva. Com base nessa última hipótese, permite-se que a lei crie outras proposições de títulos executivos extrajudiciais. Cita-se, como exemplo, o contrato de honorários advocatícios (art. 24, da Lei nº 8.906/1994) ou termo de ajustamento de conduta do ECA (art. 211). Analisadas as hipóteses de título executivo extrajudicial, cumpre finalizar com o estudo dos §§ 2º e 3º que tratam dos títulos executivos extrajudiciais estrangeiros. Uma sentença estrangeira, para que tenha validade em nosso território e, portanto, possa ser executada na qualidade de título executivo judicial, depende de homologação do STJ. Isso não ocorre em relação aos títulos executivos extrajudiciais estrangeiros. Veja: § 2o Os títulos executivos extrajudiciais oriundos de país estrangeiro NÃO dependem de homologação para serem executados. § 3o O título estrangeiro só terá eficácia executiva quando satisfeitos os requisitos de formação exigidos pela lei do lugar de sua celebração e quando o Brasil for indicado como o lugar de cumprimento da obrigação. Em relação a um título executivo extrajudicial estrangeiro, para a execução, exige-se a presença dos requisitos de formação exigidos pela lei do local em que fora celebrado o título e a referência de que será executado no Brasil. Portanto: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 34 488Por exemplo, o contrato alemão deve seguir as regras do direito alemão e constar que aqui será cumprido. Importante registrar que, para execução interna perante o Poder Judiciário, faz-se necessária a tradução juramentada. Confira uma questão de prova: (CRAISA de Santo André-SP - 2016) Assinale a alternativa incorreta. São títulos executivos extrajudiciais: a) a sentença arbitral e o acordo extrajudicial de qualquer natureza, homologado judicialmente. b) a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque. c) a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; o documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas; o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública ou pelos advogados dos transatores. d) o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e aquele garantido por caução. Comentários O art. 784, do CPC, elenca quais são os títulos executivos extrajudiciais. A sentença arbitral é título executivo judicial, conforme prevê o 515, VII, da Lei nº 13.105/15. Portanto, a alternativa A é a incorreta e, portanto, gabarito da questão. Vamos em frente! O art. 785, do CPC, é muito relevante. Ele prevê que, embora a parte tenha a posse de algum os títulos executivos extrajudiciais acima elencados, nada impede que ela ingresse com uma ação de conhecimento. Confira: • obedeça aos requisitos do local de sua formação. • Brasil indicado como local de cumprimento NÃO HÁ NECESSIDADE DE HOMOLOGAÇÃO de título executivo extrajudicial estrangeiro no Brasil, podendo aqui ser executado, DESDE QUE: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 35 488 Art. 785. A existência de título executivo extrajudicial NÃO impede a parte de optar pelo processo de conhecimento, a fim de obter título executivo judicial. Isso ocorre porque, no curso do cumprimento da sentença, as possibilidades de defesa do executado são menores. Ao chegar na fase de cumprimento de sentença, o executado somente poderá impugnar na forma do art. 525, §1º, do CPC. Além disso, será intimado o executado a efetuar o pagamento sob pena de multa e de acréscimo dos valores referentes aos honorários advocatícios. Já nos embargos à execução, as possibilidades de alegações do executado são maiores. Embora menos célere, poderá a parte optar por manejar ação de conhecimento ainda que tenha título executivo extrajudicial em mãos. Por exemplo, a parte que possui um cheque poderá promover diretamente a execução desse cheque, espécie de título extrajudicial. Por outro lado, poderá ajuizar uma ação de conhecimento, no qual o cheque será utilizado como prova escrita em um procedimento especial tal como uma ação de cobrança ou ação monitória. Nesses casos, o interesse processual da parte se revela no fato de que o cumprimento de sentença é mais efetivo que a execução de título executivo extrajudicial. Sigamos! Ainda em relação a esse tópico, cumpre analisar o art. 788, do CPC: Art. 788. O credor NÃO poderá iniciar a execução ou nela prosseguir se o devedor cumprir a obrigação, mas poderá recusar o recebimento da prestação se ela não corresponder ao direito ou à obrigação estabelecidos no título executivo, caso em que poderá requerer a execução forçada, ressalvado ao devedor o direito de embargá-la. O dispositivo acima estabelece que, uma vez paga a obrigação, não faz sentido iniciar ou prosseguir com a execução. De todo modo, a parte exequente poderá recursar o recebimento dos valores pagos caso não corresponda ao estabelecido na execução. Para encerrar, os REQUISITOS PARA QUALQUER EXECUÇÃO: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 36 488 ==1365fc== Características do título executivo Vimos acima os requisitos da execução. Nesse ponto, vamos estudar as características do próprio título executivo. Tecnicamente falando, trataremos das características da obrigação que devem estar representadas no título para que possamos promover a execução. Mas, quais são essas características? • não satisfação de obrigação certa, líquida e exigível. • em obrigações bilaterais, o credor somente poderá exigir do devedor quando cumprir com a sua parte. INADIMPLEMENTO (situação de fato) • 1) Letra de câmbio, nota promissória, duplicata, debênture e cheque. • 2) Escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor. • 3) Documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas. • 4) Instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública, pela Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou mediador credenciado por tribunal. • 5) Contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e aquele garantido por caução. • 6) Contrato de seguro de vida em caso de morte. • 7) Crédito decorrente de foro e laudêmio. • 8) Crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio. • 9) Certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei. • 10) Crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de condomínio edilício, previstas na respectiva convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde que documentalmente comprovadas. • 11) Certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de emolumentos e demais despesas devidas pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas estabelecidas em lei. • 12) Todos os demais títulos aos quais, por disposição expressa, a lei atribuir força executiva. TÍTULO EXECUTIVO (situação de direito) - ato ou fato a quem a lei atribui eficácia executiva. CARACTERÍSTICAS DO TÍTULO EXECUTIVO certeza liquidez exigibilidade Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 37 488 A CERTEZA constitui o atributo da obrigação em que há a indicação precisa do sujeito e do objeto da obrigação. Para saber se o título é certo devemos efetuar alguns questionamentos: Se essas quatro perguntas forem passíveis de resposta, o título será certo! Se não for possível responder aos questionamentos acima a partir do título, ainda que ele esteja previsto no rol do art. 784, do CPC, será necessário ajuizar uma ação de conhecimento que fixe esses pontos. A LIQUIDEZ se revela nas obrigações de pagar quantia. Cuidado para não confundir com a entrega de obrigação de entregar coisa certa. Quando a parte postula execução para entrega de determinado bem específico, não temos liquidez, mas determinação da prestação. Tanto é assim que, quando estamos diante de obrigação de entregar coisa incerta, não há liquidação, mas temos o incidente de concentração, que está disciplinado no art. 498, parágrafo único do CPC. Sigamos! A liquidez envolve o seguinte questionamento: Na prática, é possível que tenhamos títulos executivos extrajudiciais cuja liquidez não é aparente. Embora seja determinável, pode ser necessária a realização de cálculos aritméticos para a fixação precisa do valor devido. Por exemplo, podemos estar diante de um título em que consta a afirmação de que o valor devido levará em consideração o valor dos orçamentos, atualizado segundo algum índice inflacionário. Esse título é líquido, embora não determinado. Assim, faz-se necessário efetuar alguns cálculos matemáticos para que saibamos – em reais – o valor devido. Quem deve? Para quem deve? Como deve? O que deve? Quanto deve? RicardoTorques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 38 488 É isso que temos previsto no art. 786, parágrafo único, em relação ao processo de execução, e no art. 509, §2º, do CPC, referente à parte de liquidação de sentença. No caso do art. 509, §2º, temos um procedimento simplificado para determinação do valor devido: Parágrafo único. A necessidade de simples operações aritméticas para apurar o crédito exequendo não retira a liquidez da obrigação constante do título. § 2º Quando a apuração do valor depender apenas de cálculo aritmético, o credor poderá promover, desde logo, o cumprimento da sentença. Aqui cabe um aprofundamento... Se o título for ilíquido, ele não poderá ser executado e, portanto, não será considerado título executivo, ainda que conste do rol do art. 784, do CPC. Desse modo, não temos no processo de execução o incidente de liquidação. Somente títulos líquidos podem ser executados. Há, entretanto, uma exceção. Nas obrigações de fazer ou dar que não forem adimplidas, há possibilidade de incidente de liquidação na execução, a fim de apurar eventuais perdas e danos. Em frente! A EXIGIBILIDADE se relaciona com o interesse processual. De todo modo, o questionamento a se fazer é o seguinte: Há uma observação importante! Temos títulos executivos que são ordens de pagamento à vista (por exemplo, cheque), outros, entretanto, constituem ordem de pagamento a prazo (por exemplo, nota promissória). Desse modo, essas condições que possam eventualmente constar do título devem ser consideradas. Nesse contexto, os arts. 798, I, “c” e 514, ambos do CPC, tratam das obrigações sujeitas a condição ou termo. Nesses casos, o vencimento depende da ocorrência da condição, ou do termo, fixado no título. A partir desse momento, caracteriza-se a exigibilidade da obrigação, passível, portanto, de execução. Já venceu? Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 39 488 Responsabilidade patrimonial Para começar o estudo de responsabilidade patrimonial, é importante que você saiba que esse assunto se aplica também ao cumprimento de sentença. Veja o dispositivo inicial da matéria: Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, SALVO as restrições estabelecidas em lei. A partir desse dispositivo, vamos estabelecer duas premissas básicas para falar de responsabilidade patrimonial: 1ª premissa: a regra geral é que a responsabilidade seja do devedor. É a situação na qual o responsável é o próprio devedor. 2ª premissa: a responsabilidade é patrimonial (presente e futuro), embora ainda existam alguns resquícios da responsabilização pessoal do devedor. Um dos exemplos de responsabilização pessoal ainda existente é a possibilidade da prisão civil do devedor de alimentos. A partir dessas premissas, vamos analisar os bens que poderão ser chamados a responder pela execução. Bens passíveis de execução Nem todos os bens podem ser utilizados como pagamento em uma execução. Temos várias limitações e flexibilizações que devem ser bem estudadas. A primeira limitação que temos é de natureza lógica e está disciplinada no art. 836, do CPC: Art. 836. NÃO se levará a efeito a penhora quando ficar evidente que o produto da execução dos bens encontrados será totalmente absorvido pelo pagamento das custas da execução. § 1º Quando não encontrar bens penhoráveis, independentemente de determinação judicial expressa, o oficial de justiça descreverá na certidão os bens que guarnecem a residência ou o estabelecimento do executado, quando este for pessoa jurídica. § 2º Elaborada a lista, o executado ou seu representante legal será nomeado depositário provisório de tais bens até ulterior determinação do juiz. Trata-se da execução ou penhora frustradas. De acordo com o dispositivo, não se levará a efeito a penhora quando ficar evidente que os valores dos bens do executado não são suficientes para pagar nem mesmo as custas da execução. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 40 488 A segunda limitação é denominada de limitação política e envolve as impenhorabilidades. No art. 833, do CPC, temos a relação das impenhorabilidades absolutas, ao passo que, no art. 834, há fixado o rol das impenhorabilidades relativas. Temos, ainda, a Lei do Bem de Família (Lei nº 8.009/90) e o art. 100, do CC. A terceira limitação é a possibilidade de renúncia voluntária, embora esse assunto ainda não esteja bem definido na jurisprudência. À luz do art. 190, do CPC, há que afirme que é possível, por exemplo, abrir mão de um bem de família para realizar um empréstimo. Fora as limitações acima, todos os bens do devedor podem ser executados. Como sabemos, a execução tem cunho patrimonial, assim, a pessoa não responde pela execução, mas pelos seus bens. Esses bens passíveis de execução estão disciplinados no art. 790, do CPC. Vejamos: Art. 790. São sujeitos à execução os bens: I - do sucessor a título singular, tratando-se de execução fundada em direito real ou obrigação reipersecutória; II - do sócio, nos termos da lei; III - do devedor, ainda que em poder de terceiros; IV - do cônjuge ou companheiro, nos casos em que seus bens próprios ou de sua meação respondem pela dívida; V - alienados ou gravados com ônus real em fraude à execução; VI - cuja alienação ou gravação com ônus real tenha sido anulada em razão do reconhecimento, em ação autônoma, de fraude contra credores; VII - do responsável, nos casos de desconsideração da personalidade jurídica. Façamos, inicialmente, um aprofundamento doutrinário: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 41 488 De acordo com a doutrina, o estudo da responsabilidade remete à compreensão da dualidade entre shuld e haltung5: Os bens de terceiros, por vezes, sujeitam-se à execução por dívida alheia. Há aí responsabilidade (Haftung) sem débito (Shuld). Quando a responsabilidade patrimonial recai sobre aquele a quem se imputa o débito, há responsabilidade primária; do contrário, quando se imputa responsabilidade a quem não tem o débito, há responsabilidade secundária. Feito esse parêntese, vamos analisar cada um dos incisos?! De acordo com o inc. I, os bens do sucessor a título singular responderão pela dívida quando se tratar de execução de direito real ou fundada em obrigação reipersecutória. Dito de outro modo, quem for sujeito ativo do direito real ou de uma obrigação reipersecutória (direito de sequela) pode perseguir o bem onde quer que ele se encontre para integrá-lo ao seu patrimônio. Assim, se ocorrer sucessão desse bem, o sucessor será responsável (o executado) na ação de execução. De acordo com o inc. II, os bens do sócio podem responder pela dívida, quando envolver a responsabilidade tributária e a desconsideração da pessoa jurídica, por exemplo. Embora a dívida seja da pessoa jurídica, haverá responsabilidade dos sócios. Evidentemente que o sócio poderá se valer do benefício da ordem, que está disciplinado no art. 795, do CPC. Art. 795. Os bens particulares dos SÓCIOS NÃO RESPONDEM PELAS DÍVIDAS DA SOCIEDADE, senão nos casos previstos em lei. § 1o O sócio réu, quando responsável pelo pagamento da dívida da sociedade, tem o direito de exigir que primeiro sejam excutidos os bens da sociedade. § 2o Incumbe ao sócio que alegar o benefício do § 1o nomear quantos bens da sociedade situados na mesma comarca, livres e desembargados, bastem para pagar o débito. § 3oO sócio que pagar a dívida poderá executar a sociedade nos autos do mesmo processo. § 4o Para a desconsideração da personalidade jurídica é obrigatória a observância do incidente previsto neste Código. O art. 795, do CPC, fixa os parâmetros para a responsabilidade dos sócios. A regra é a irresponsabilidade dos bens do sócio em face de dívidas da empresa. 5 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 859. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 42 488 Para que haja responsabilização é necessário o trâmite do incidente de desconsideração de personalidade jurídica a fim de avaliar a possibilidade de responsabilização do sócio. Ainda que fixada a responsabilização, há de se observar o benefício de ordem, ou seja, o sócio tem o direito de exigir que, primeiramente, sejam utilizados os bens da empresa. No que restar, o patrimônio do sócio será atingido. Para o exercício do benefício de ordem, ao argui-lo, o sócio deverá indicar os bens da sociedade que: estejam na mesma comarca; e estejam livres e desembaraçados para a execução. Sigamos com a análise dos demais incisos que tratam dos bens passíveis de execução. No inc. III temos a possibilidade de o bem do devedor responder, ainda que esteja em poder de terceiros. Dito de outro modo, não interessa se o bem está ou não em poder de terceiro para que haja a execução. De acordo com o inc. IV temos a possibilidade de responsabilidade dos bens do cônjuge ou companheiro em razão da dívida. Nesse caso, se as dívidas foram contraídas a bem da economia doméstica, o cônjuge poderá ser executado. Importante registrar, embora não seja objeto direto de nossa análise nesse momento, que nos casamentos em comunhão universal e em comunhão parcial, as dívidas que forem contraídas a favor do casal são garantidas pelo patrimônio comum de ambos, ainda que realizada por apenas um deles. Além disso, é importante que você conheça o teor da Súmula STJ 251: Súmula STJ 251 A meação só responde pelo ato ilícito quando o credor, na execução fiscal, provar que o enriquecimento dele resultante aproveitou ao casal. O STJ impõe ao credor a prova de que a dívida favoreceu à família na execução fiscal. Vamos em frente! Temos também a possibilidade de bens alienados ou gravados responderem pela dívida, quando essa estiver gravada com ônus real ou em casos de fraude à execução. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 43 488 No inc. VI, por sua vez, há atribuição de responsabilidade sob os bens cuja alienação, ou gravação, com ônus real, tenha sido anulada em razão do reconhecimento, em ação autônoma, de fraude contra credores. Por fim, nos termos do inc. VII, serão considerados para quitar a dívida os bens do responsável, nos casos de desconsideração da personalidade jurídica. Na sequência, vamos analisar o art. 791. No dispositivo citado do CPC, temos uma regra específica tratando do direito de superfície. De acordo com a doutrina6, destacado o direito de superfície do direito de propriedade, pode cada um deles ser objeto autônomo de responsabilidade patrimonial, que responderá pelas dívidas do respectivo titular. Trata-se de hipótese específica que, se cobrada, explorará a literalidade. Veja: Art. 791. Se a execução tiver por objeto obrigação de que seja sujeito passivo o proprietário de terreno submetido ao regime do direito de superfície, ou o superficiário, responderá pela dívida, exclusivamente, o direito real do qual é titular o executado, recaindo a penhora ou outros atos de constrição exclusivamente sobre o terreno, no primeiro caso, ou sobre a construção ou a plantação, no segundo caso. § 1o Os atos de constrição a que se refere o caput serão averbados separadamente na matrícula do imóvel, com a identificação do executado, do valor do crédito e do objeto sobre o qual recai o gravame, devendo o oficial destacar o bem que responde pela dívida, se o terreno, a construção ou a plantação, de modo a assegurar a publicidade da responsabilidade patrimonial de cada um deles pelas dívidas e pelas obrigações que a eles estão vinculadas. § 2o Aplica-se, no que couber, o disposto neste artigo à enfiteuse, à concessão de uso especial para fins de moradia e à concessão de direito real de uso. O art. 792, do CPC, trata da fraude à execução. Segundo a doutrina: A fraude à execução constitui ato atentatório à dignidade da Justiça e ilícito penal. Trata- se de manobra do executado que visa a subtrair à execução bem de seu patrimônio. Se 6 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 862. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 44 488 reconhecida, a alienação ou oneração realizada em fraude à execução considera-se ineficaz com relação ao exequente. Assim, toda vez que o executado procurar, por meios ilegais, evitar a expropriação de bens a fim de quitar o que deve, temos a configuração da fraude à execução. Vejamos as hipóteses listadas no dispositivo do Código: Art. 792. A alienação ou a oneração de bem É CONSIDERADA FRAUDE À EXECUÇÃO: I - quando sobre o bem pender ação fundada em direito real ou com pretensão reipersecutória, desde que a pendência do processo tenha sido averbada no respectivo registro público, se houver; II - quando tiver sido averbada, no registro do bem, a pendência do processo de execução, na forma do art. 828; III - quando tiver sido averbado, no registro do bem, hipoteca judiciária ou outro ato de constrição judicial originário do processo onde foi arguida a fraude; IV - quando, ao tempo da alienação ou da oneração, tramitava contra o devedor ação capaz de reduzi-lo à insolvência; V - nos demais casos expressos em lei. O rol do art. 792 é exemplificativo na medida em que o inc. V viabiliza a possibilidade de que a lei crie outras hipóteses de fraude à execução. Uma observação inicial. Para a caracterização da fraude contra credores é necessária a configuração da litispendência ao tempo da alienação ou oneração do bem passível de execução. Dito de outro modo, configura-se a fraude à execução quanto ao tempo da prática dos atos pelo executado já existia processo de execução em trâmite. No caso da fraude à execução é desnecessária a prova do “consilium fraudis”. Segundo a doutrina, não é necessária a prova da intenção de fraudar para que se configure a fraude à execução. Desse modo, o exequente não é obrigado a prova do consilium fraudis, basta a configuração das hipóteses abaixo descritas. Sigamos para as hipóteses legais nas quais temos a configuração da fraude à execução: Alienação ou oneração de bem quando já houver averbação da existência de ação envolvendo direito real ou pretensão reipersecutória. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 45 488 Ä Averbação de certidão de que a execução foi admitida pelo juiz no registro de imóveis, de veículos ou registro de outros bens sujeitos à penhora. Nesse caso, a alienação ou oneração na pendência de processo de execução é fraude à execução. Alienação ou oneração após averbação de hipoteca judiciária ou ato de constrição judicial originário do processo em que fora arguida a fraude. Alienação ou oneração de bens quandotramitava contra o credor ação capaz de reduzi- lo à insolvência. Conforme visto no conceito, se configurada algumas das hipóteses acima, a alienação ou oneração não possui qualquer eficácia perante o exequente: § 1o A alienação em fraude à execução é ineficaz em relação ao exequente. Essa ineficácia se dá apenas em relação ao exequente. Significa dizer que a venda é válida para todos os efeitos, contudo, ineficaz em relação ao exequente. De forma objetiva, a venda é válida, mas o juiz poderá determinar a constrição sobre o bem. O resultado disso é que, se, após a alienação do bem, restar algum valor, esse valor será do terceiro adquirente. É justamente em face disso que o §4º, abaixo citado, estabelece que o juiz, antes de declarar a fraude à execução, deverá intimar o terceiro adquirente para que tenha ciência do processo e para que, no prazo de 15 dias, oponha embargos de terceiro. § 4o Antes de declarar a fraude à execução, o juiz deverá intimar o terceiro adquirente, que, se quiser, poderá opor embargos de terceiro, no PRAZO DE 15 (QUINZE) DIAS. Em relação a bens que não dependam de registro, o terceiro, para provar a boa-fé, se valerá de outros documentos hábeis que demonstrem que a compra foi efetuada sem conhecimento da fraude. Poderá utilizar, como prevê o §2º, certidões a serem obtidas no domicílio do devedor e no local onde se encontra os bens. Essa necessidade diz respeito apenas a bens que não necessitam de registro. Quando o bem exigir o registro, a presunção da fraude contra credores é absoluta, ao passo que, no caso de bens móveis e semoventes, por exemplo – que não dependem de registro – deve-se provar o desconhecimento da execução pendente com certidões. Veja: § 2o No caso de aquisição de bem não sujeito a registro, o terceiro adquirente tem o ônus de provar que adotou as cautelas necessárias para a aquisição, mediante a exibição das certidões pertinentes, obtidas no domicílio do vendedor e no local onde se encontra o bem. Por fim, veja o §3º, cuja leitura é o suficiente: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 46 488 § 3o Nos casos de desconsideração da personalidade jurídica, a fraude à execução verifica- se a partir da citação da parte cuja personalidade se pretende desconsiderar. Confira uma questão de prova: (TJ-AM - 2016) Acerca da execução, julgue: Iniciada a execução de título extrajudicial, a fraude contra credores poderá ser reconhecida em embargos de terceiro, com a consequente anulação do ato jurídico. Comentários A assertiva está incorreta. De acordo com a súmula nº 375, do STJ, o reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente. O art. 793, do CPC, trata da possibilidade de retenção de bem pelo executado. O direito de retenção é uma forma de proteção exercida pelo exequente para recebimento dos valores devidos. Se isso correr, prevê o dispositivo abaixo que o exequente não poderá promover a execução sobre outros bens a não ser que abra mão da retenção exercida. Art. 793. O exequente que estiver, por direito de retenção, na posse de coisa pertencente ao devedor NÃO poderá promover a execução sobre outros bens senão depois de excutida a coisa que se achar em seu poder. O art. 794, do CPC, trata da situação do fiador na execução de título executivo extrajudicial. Na fiança, um terceiro assume a garantia da obrigação por dívida de outro no momento da elaboração do contrato. Caso o devedor não cumpra a obrigação, o fiador será o responsável patrimonial. O fiador, portanto, poderá ser responsabilizado pela execução, mesmo não sendo o devedor. De acordo com o caput do dispositivo abaixo, ele poderá exigir o respeito ao benefício de ordem, exceto se renunciar a esse benefício. Desse modo, antes de serem executados seus bens, devem ser executados os bens do devedor desde que estejam: na mesma comarca; livres; e desembaraçados. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 47 488 Assim, uma vez demandado o fiador, ele deverá indicar os bens da mesma comarca, livres e desembaraçados de forma pormenorizada. Se não houver bens do devedor principal ou esses sejam insuficientes, teremos a execução dos bens do fiador. Se houver a execução dos bens do fiador, ele poderá, após o pagamento da dívida, promover a execução contra o devedor principal nos mesmos autos do processo. Veja: Art. 794. O fiador, quando executado, tem o direito de exigir que primeiro sejam executados os bens do devedor situados na mesma comarca, livres e desembargados, indicando-os pormenorizadamente à penhora. § 1o Os bens do fiador ficarão sujeitos à execução se os do devedor, situados na mesma comarca que os seus, forem insuficientes à satisfação do direito do credor. § 2o O fiador que pagar a dívida poderá executar o afiançado nos autos do mesmo processo. § 3o O disposto no caput não se aplica se o fiador houver renunciado ao benefício de ordem. Como o art. 795, do CPC, já foi estudado, vamos analisar brevemente o dispositivo final desse capítulo: Art. 796. O espólio responde pelas dívidas do falecido, mas, feita a partilha, cada herdeiro responde por elas dentro das forças da herança e na proporção da parte que lhe coube. Esse dispositivo trata da responsabilidade patrimonial do espólio de dívidas do falecido. O importante dessa regra é destacar que, se já houve partilha dos bens entres os herdeiros, a responsabilidade recairá sobre eles até o limite do quinhão que tenha recebido. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 48 488 ESPÉCIES DE EXECUÇÃO Disposições Gerais Como forma de compelir o devedor a cumprir com as mais diversas obrigações, temos a disciplina de procedimentos específicos. Assim, se a obrigação é de dar, temos o procedimento de execução para entrega de coisa; se a obrigação é de fazer ou não fazer, temos um procedimento específico para executá-las, que visa preferencialmente à prestação da tutela específica; e se a obrigação é pecuniária, temos a execução por quantia certa. Paralelamente, o CPC disciplina também formas específicas de execução: contra a Fazenda Pública e de alimentos. Antes de estudarmos as hipóteses específicas, vamos analisar os arts. 797 a 805, do CPC, que trazem conceitos gerais relativos às diversas espécies de execução. Vamos lá! O art. 797 já foi estudado, pois explicita o princípio da máxima efetividade da execução. Vamos citá-lo novamente: Art. 797. Ressalvado o caso de insolvência do devedor, em que tem lugar o concurso universal, realiza-se a execução no interesse do exequente que adquire, pela penhora, o direito de preferência sobre os bens penhorados. Parágrafo único. Recaindo mais de uma penhora sobre o mesmo bem, cada exequente conservará o seu título de preferência. No art. 798, do CPC, temos uma regra procedimental que orienta o exequente no ajuizamento da ação de execução. Essa ação deverá ser instruída com uma série de documentos e informações específicas. Leia com atenção: Art. 798. Ao propor a execução, incumbe ao exequente: I - INSTRUIR A PETIÇÃO INICIAL com: a) o título executivo extrajudicial; b) o demonstrativo do débito atualizado até a data de propositura da ação, quando se tratar de execução por quantia certa; c) a prova de que se verificou a condição ou ocorreu o termo, se for o caso; Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 49 488 d) aprova, se for o caso, de que adimpliu a contraprestação que lhe corresponde ou que lhe assegura o cumprimento, se o executado não for obrigado a satisfazer a sua prestação senão mediante a contraprestação do exequente; II - INDICAR: a) a espécie de execução de sua preferência, quando por mais de um modo puder ser realizada; b) os nomes completos do exequente e do executado e seus números de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica; c) os bens suscetíveis de penhora, sempre que possível. Parágrafo único. O demonstrativo do débito deverá conter: I - o índice de correção monetária adotado; II - a taxa de juros aplicada; III - os termos inicial e final de incidência do índice de correção monetária e da taxa de juros utilizados; IV - a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso; V - a especificação de desconto obrigatório realizado. Ao apresentar a petição, o exequente deverá: instruí-la com o título executivo extrajudicial, com demonstrativo do débito atualizado na data da propositura. O demonstrativo de débito deve conter uma série de informações detalhadas. De acordo com o parágrafo único, do art. 798, deverá indicar: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 50 488 Além disso, se a obrigação envolver condição ou termo, deve o exequente provar o seu acontecimento, sob pena do título não ser exigível. Se a relação entre credor e devedor depender de ato a ser praticado pelo exequente (relações bilaterais), ele deverá comprovar o cumprimento da sua parte. indicar a espécie de execução (execução de obrigação de fazer, quantia certa...), qualificação das partes e os bens suscetíveis de penhora. O art. 799, do CPC, trata da intimação de terceiros que podem ser afetados pela execução e, em razão disso, devem ser intimados para além do executado. A leitura atenta é o suficiente. Para a prova objetiva você não precisa se preocupar com todos esses conceitos, basta saber a literalidade do dispositivo. Além disso, esses conceitos são estudados no Direito Civil: Art. 799. INCUMBE AINDA AO EXEQUENTE: I - requerer a intimação do credor pignoratício, hipotecário, anticrético ou fiduciário, quando a penhora recair sobre bens gravados por penhor, hipoteca, anticrese ou alienação fiduciária; II - requerer a intimação do titular de usufruto, uso ou habitação, quando a penhora recair sobre bem gravado por usufruto, uso ou habitação; III - requerer a intimação do promitente comprador, quando a penhora recair sobre bem em relação ao qual haja promessa de compra e venda registrada; IV - requerer a intimação do promitente vendedor, quando a penhora recair sobre direito aquisitivo derivado de promessa de compra e venda registrada; V - requerer a intimação do superficiário, enfiteuta ou concessionário, em caso de direito de superfície, enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de uso, quando a penhora recair sobre imóvel submetido ao regime do direito de superfície, enfiteuse ou concessão; DEVE CONSTAR DO DEMONSTRATIVO DE DÉBITO índice de correção monetária, com termos inicial e final de incidência taxa de juros, com termos inicial e final de incidência periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso especificação do desconto obrigatório realizado Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 51 488 VI - requerer a intimação do proprietário de terreno com regime de direito de superfície, enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de uso, quando a penhora recair sobre direitos do superficiário, do enfiteuta ou do concessionário; VII - requerer a intimação da sociedade, no caso de penhora de quota social ou de ação de sociedade anônima fechada, para o fim previsto no art. 876, § 7o; VIII - pleitear, se for o caso, medidas urgentes; IX - proceder à averbação em registro público do ato de propositura da execução e dos atos de constrição realizados, para conhecimento de terceiros. X - requerer a intimação do titular da construção-base, bem como, se for o caso, do titular de lajes anteriores, quando a penhora recair sobre o direito real de laje; XI - requerer a intimação do titular das lajes, quando a penhora recair sobre a construção- base. Nas hipóteses acima, se não houver a intimação, a alienação do bem será considerada ineficaz em relação ao terceiro, conforme expõe o dispositivo abaixo. As pessoas citadas no art. 799 precisam ser intimadas da alienação para que sofram seus efeitos. Como elas possuem um direito sobre a coisa, a intimação da alienação é obrigatória, sob pena de ser ineficaz em relação ao terceiro. Art. 804. A alienação de bem gravado por penhor, hipoteca ou anticrese será ineficaz em relação ao credor pignoratício, hipotecário ou anticrético não intimado. § 1o A alienação de bem objeto de promessa de compra e venda ou de cessão registrada será ineficaz em relação ao promitente comprador ou ao cessionário não intimado. § 2o A alienação de bem sobre o qual tenha sido instituído direito de superfície, seja do solo, da plantação ou da construção, será ineficaz em relação ao concedente ou ao concessionário não intimado. § 3o A alienação de direito aquisitivo de bem objeto de promessa de venda, de promessa de cessão ou de alienação fiduciária será ineficaz em relação ao promitente vendedor, ao promitente cedente ou ao proprietário fiduciário não intimado. § 4o A alienação de imóvel sobre o qual tenha sido instituída enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de uso será ineficaz em relação ao enfiteuta ou ao concessionário não intimado. § 5o A alienação de direitos do enfiteuta, do concessionário de direito real de uso ou do concessionário de uso especial para fins de moradia será ineficaz em relação ao proprietário do respectivo imóvel não intimado. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 52 488 § 6o A alienação de bem sobre o qual tenha sido instituído usufruto, uso ou habitação será ineficaz em relação ao titular desses direitos reais não intimado. Na sequência das regras gerais, vamos analisar o art. 800, que trata das obrigações alternativas. Essas obrigações se caracterizam pela existência de uma unidade de vínculo e pluralidade de prestação, liberando- se o obrigado mediante o adimplemento de uma só delas1. Há, portanto, duas ou mais formas de cumprir a obrigação. Em regra, o devedor irá escolher entre as formas de prestá-la. Contudo, se ela couber ao credor ou se o devedor não o fizer no prazo de 10 dias – ou outro que conste do contrato – cabe ao devedor fazê-lo. Veja: Art. 800. Nas obrigações alternativas, quando a escolha couber ao devedor, esse será citado para exercer a opção e realizar a prestação dentro de 10 (DEZ) DIAS, se outro prazo não lhe foi determinado em lei ou em contrato. § 1o Devolver-se-á ao credor a opção, se o devedor NÃO a exercer no prazo determinado. § 2o A escolha será indicada na petição inicial da execução quando couber ao credor exercê- la. Assim... O art. 801, do CPC, trata do direito à emenda a fim de evitar o indeferimento da petição inicial de execução, caso o juiz verifique alguma irregularidade ou a falta de algum documento indispensável (por exemplo, o título executivo extrajudicial). Assim, em nome do princípio da cooperação e da impossibilidade de decisões surpresas, o magistrado intimará a parte autora para, no prazo de 15 dias, emendar a petição. 1 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, SérgioCruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 874. EXECUÇÃO DE OBRIGAÇÃO ALTERNATIVA regra: escolha pelo devedor exceção: se o devedor não indicar no prazo (10 dias ou que prever o contrato) ou se couber ao credor Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 53 488 ==1365fc== Art. 801. Verificando que a petição inicial está incompleta ou que não está acompanhada dos documentos indispensáveis à propositura da execução, o juiz determinará que o exequente a corrija, no PRAZO DE 15 (QUINZE) DIAS, sob pena de indeferimento. O art. 802, do CPC, por sua vez, fixa que a ordem judicial para citação interrompe a prescrição e será considerada a partir da propositura da ação, ainda que o despacho emane de juízo incompetente. Por exemplo, a parte ingressa com a ação em 01/02/2017 e o despacho ordenador é publicado em 05/02/2017. Nesse caso, independentemente de o despacho ter sido lançado pelo juízo efetivamente competente, considera-se interrompida a prescrição desde dia 01/02/2017. É isso que descreve o art. 802, do CPC: Art. 802. Na execução, o despacho que ordena a citação, desde que realizada em observância ao disposto no § 2o do art. 240, interrompe a prescrição, ainda que proferido por juízo incompetente. Parágrafo único. A interrupção da prescrição retroagirá à data de propositura da ação. Ainda sobre o art. 802, do CPC, veja o que nos ensina a doutrina2: Um dos efeitos da propositura da ação de execução é a interrupção da prescrição, desde que a inicial seja deferida pelo juiz e que a citação do devedor seja promovida em dez dias, isto é, providenciada, com o fornecimento do endereço do devedor, o pagamento da diligência e outras providências a cargo do exequente. Existem algumas situações que obstam a execução. Assim, considera-se o procedimento nulo. Confira: Art. 803. É NULA a execução se: I - o título executivo extrajudicial NÃO corresponder a obrigação certa, líquida e exigível; II - o executado NÃO for regularmente citado; III - for instaurada antes de se verificar a condição ou de ocorrer o termo. Parágrafo único. A nulidade de que cuida este artigo será pronunciada pelo juiz, de ofício ou a requerimento da parte, independentemente de embargos à execução. Antes de analisarmos as três hipóteses de nulidade previstas acima, fixe: 2 DONIZETTI, Elpídio. Curso Didático de Direito Processual Civil. 19ª edição, rev. e atual., São Paulo: Editora Atlas S/A, 2016, p. 1131. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 54 488 Podem ser pronunciadas de ofício ou a requerimento do executado; e Quando ocorrer a requerimento do executado, pode ser requerido por simples petição, sendo desnecessário oposição de embargos à execução. O primeiro inciso trata da ausência das características que permitem a execução de determinado título extrajudicial. Assim, se incerta, ilíquida ou inexigível, a obrigação é nula à execução. A segunda hipótese retrata problema na integração do réu à lide, o que fulmina a validade do procedimento pelo completo prejuízo ao exercício do contraditório. A terceira hipótese envolve títulos executivos extrajudiciais que dependem de implemento do termo ou condição para que possam se tornar exigíveis. Enquanto não ocorrer o termo ou for implementada a condição prevista, não há como executar o título por ausência de exigibilidade. Para a prova... Nesses casos, de acordo com a doutrina, admite-se a utilização da exceção de pré-executividade. Já analisamos o art. 804 acima, assim como o art. 805, que arrola o princípio do menor sacrifício para o credor. Com isso, finalizamos as regras gerais das execuções em espécie. NULIDADE DA EXECUÇÃO Hipóteses: Obrigação incerta, ilíquida ou inexigível. Irregularidade de citação. Não ocorrência de termo ou condição do título. Pronunciamento de ofício ou a requerimento (independe de embargos) Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 55 488 EXECUÇÃO PARA A ENTREGA DE COISA Essa espécie de execução abrange duas subespécies. Entrega de Coisa Certa Em relação à execução para entrega de coisa certa, temos a disciplina dos arts. 806 a 810, do CPC. A coisa certa, segundo a doutrina1, é a coisa previamente determinada e perfeitamente identificada pelas suas características. De acordo com o art. 806, do CPC, o executado será citado para, no prazo de 15 dias, efetuar a entrega do bem. Caso a obrigação não seja cumprida no prazo, no próprio mandado de citação, o magistrado deixará fixada a aplicação de multa que possa incentivar o executado a cumprir com a entrega no prazo fixado. Além disso, constará também do mandado ordem para imissão de posse (bem imóvel) ou de busca e apreensão (bem móvel). Art. 806. O devedor de obrigação de entrega de coisa certa, constante de título executivo extrajudicial, será citado para, em 15 (QUINZE) DIAS, satisfazer a obrigação. § 1º Ao despachar a inicial, o juiz poderá fixar multa por dia de atraso no cumprimento da obrigação, ficando o respectivo valor sujeito a alteração, caso se revele insuficiente ou excessivo. § 2º Do mandado de citação constará ordem para imissão na posse ou busca e apreensão, conforme se tratar de bem imóvel ou móvel, cujo cumprimento se dará de imediato, se o executado não satisfizer a obrigação no prazo que lhe foi designado. A ideia de, no próprio mandato de citação, constar a previsão de multa de ordem de imissão de posse ou de busca e apreensão é “incentivar” o executado a cumprir “voluntariamente”, sob pena de serem desencadeadas outras consequências negativas para o executado. 1 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 877. EXECUÇÃO PARA ENTREGA DE COISA certa incerta Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 56 488 Assim, citado, o executado pode: entregar a coisa, situação em que aplicamos a regra do art. 807, abaixo; apresentar embargos à execução (que remete ao estudo dos arts. 914 e seguintes do CPC); ou não se manifestar, hipótese em que será executada a ordem de imissão de posse ou de busca e apreensão. Citado, se o executado efetuar a entrega, será lavrado termo declarando satisfeita a obrigação. A execução somente prosseguirá para cobrança de eventuais frutos do bem ou de ressarcimento de prejuízos, se existirem. Confira: Art. 807. Se o executado entregar a coisa, será lavrado o termo respectivo e considerada satisfeita a obrigação, prosseguindo-se a execução para o pagamento de frutos ou o ressarcimento de prejuízos, se houver. O art. 808, do CPC, prevê a possibilidade de o exequente reclamar o bem contra terceiros, no caso de alienação de coisa já litigiosa. O importante desse dispositivo para a nossa prova é a previsão de que somente será ouvido o terceiro se depositar a coisa em juízo. Art. 808. Alienada a coisa quando já litigiosa, será expedido mandado contra o terceiro adquirente, que SOMENTE será ouvido após depositá-la. O que o art. 808, do CPC, estabelece é a possibilidade de o réu ingressar ou não contra terceiro. Caso não opte por reclamar o bem contra terceiro, o exequente poderá requerer indenização. Além disso, nem sempre o recebimento da coisa será possível. O art. 809, doCPC, esclarece que, nas situações em que houver deterioração do bem, ele não for entregue, não for encontrada ou o exequente não a reclamar contra terceiro, o exequente poderá optar pelo recebimento do valor da coisa além de perdas e danos. Confira: Art. 809. O exequente tem direito a receber, além de perdas e danos, o valor da coisa, quando essa se deteriorar, não lhe for entregue, não for encontrada ou não for reclamada do poder de terceiro adquirente. § 1º NÃO constando do título o valor da coisa e sendo impossível sua avaliação, o exequente apresentará estimativa, sujeitando-a ao arbitramento judicial. § 2º Serão apurados em liquidação o valor da coisa e os prejuízos. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 57 488 ==1365fc== Assim: O art. 810, do CPC, por sua vez, prevê a possibilidade de indenização de benfeitorias que tenham sido acrescidas ao imóvel pelo executado ou por terceiros. De acordo com a doutrina2: Se houver benfeitorias a serem indenizadas, terá o devedor direito à retenção, hipótese em que a execução só prosseguirá depois do depósito do valor daquelas. Apurado saldo em favor do executado ou de terceiros, o credor deverá depositá-lo em juízo para que possa levantar a coisa. Já se o saldo for favorável ao exequente, o credor, este poderá cobrá-lo nos autos da execução. Confira o dispositivo: Art. 810. Havendo benfeitorias indenizáveis feitas na coisa pelo executado ou por terceiros de cujo poder ela houver sido tirada, a liquidação prévia é obrigatória. Parágrafo único. Havendo saldo: I - em favor do executado ou de terceiros, o exequente o depositará ao requerer a entrega da coisa; II - em favor do exequente, esse poderá cobrá-lo nos autos do mesmo processo. As benfeitorias constituem toda obra realizada no bem com a finalidade de conservá-lo, incrementá-lo ou embelezá-lo. Prevê o dispositivo acima que o exequente terá que depositar em favor do executado ou de terceiro o valor referente às benfeitorias a fim de que possa receber o bem requerido. 2 DONIZETTI, Elpídio. Curso Didático de Direito Processual Civil. 19ª edição, rev. e atual., São Paulo: Editora Atlas S/A, 2016, p. 1134. RECEBIMENTO DO VALOR DA COISA + PERDAS E DANOS deterioração da coisa não entrega da coisa não for encontrada a coisa não for reclamada a coisa em poder de terceiro Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 58 488 Entrega de Coisa Incerta Os arts. 811 a 813 tratam especificamente da entrega de coisa incerta, compreendida3 como aquela determinável ao tempo do adimplemento pelo gênero e pela quantidade. É o exemplo de obrigação assumida de entregar um boi de determinada raça. Nesses casos, o executado será citado para que entregue a coisa individualizada se a obrigação lhe competir. Por outro lado, se a individualização da coisa couber ao exequente, ele deverá fazê-lo na petição inicial. Art. 811. Quando a execução recair sobre coisa determinada pelo gênero e pela quantidade, o executado será citado para entregá-la individualizada, se lhe couber a escolha. Parágrafo único. Se a escolha couber ao exequente, esse deverá indicá-la na petição inicial. Independentemente de quem for o responsável pela individualização da coisa incerta, uma vez indicada, corre prazo de 15 dias para impugnar a indicação efetuada. Assim, se a individualização ficar a cargo do exequente, o executado terá prazo de 15 dias para impugnar. Caso o executado seja citado para individualizar o bem, o exequente terá 15 dias para impugnar a individualização. Art. 812. Qualquer das partes poderá, no PRAZO DE 15 (QUINZE) DIAS, impugnar a escolha feita pela outra, e o juiz decidirá de plano ou, se necessário, ouvindo perito de sua nomeação. Uma vez individualizado o bem, teremos seguimento da execução, de acordo com as regras que vimos em relação à entrega de coisa certa. Art. 813. Aplicar-se-ão à execução para entrega de coisa incerta, no que couber, as disposições da Seção I deste Capítulo. Para a prova.... 3 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 877. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 59 488 • O executado será citado para entregar no prazo de 15 dias. • Citado, o executado poderá: • A) entregar a coisa, hipótese em que haverá execução de frutos, ou eventuais ressarcimentos; • B) apresentar embargos à execução; ou • C) não se manifestar, hipótese em que será executada a ordem de imissão de posse ou de busca e apreensão. • Benfeitorias devem ser indenizadas pelo exequente, podendo o executado exercer o direito de retenção. EXECUÇÃO DE COISA CERTA • Faz-se necessário, previamente, a individualização da coisa que, se for pelo réu, deve ocorrer na petição inicial ou, pelo executado, após a citação. • Admite-se a impugnação – pelo exequente ou executado – no prazo de 15 dias. • Individualizado, o procedimento segue a execução de coisa certa. EXECUÇÃO DE COISA INCERTA Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 60 488 EXECUÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER OU DE NÃO FAZER Vamos começar com um conceito doutrinário1: Obrigação de fazer é aquela em que o devedor se comprometeu a prestar um ato positivo, por exemplo, construir um muro, escrever um livro. Obrigação de não fazer é aquela em que o devedor assume o compromisso de se abster de praticar determinado ato, como não construir edifício com mais de três andares, não impedir a passagem do vizinho. Assim, ajuizada ação de execução de obrigação de fazer ou não fazer em face de terminado título executivo extrajudicial, a prestação da tutela jurisdicional se dará por intermédio de multa, que tem por finalidade propiciar que a obrigação seja cumprida ou não. Art. 814. Na execução de obrigação de fazer ou de não fazer fundada em título extrajudicial, ao despachar a inicial, o juiz fixará multa por período de atraso no cumprimento da obrigação e a data a partir da qual será devida. Parágrafo único. Se o valor da multa estiver previsto no título e for excessivo, o juiz poderá reduzi-lo. A multa constitui espécie de ordem (natureza mandamental), a fim de que seja atendida a obrigação. Obrigação de Fazer No caso específico de obrigação de fazer, o magistrado citará o executado para que cumpra a obrigação no prazo fixado, sob pena de multa. Art. 815. Quando o objeto da execução for obrigação de fazer, o executado será citado para satisfazê-la no prazo que o juiz lhe designar, se outro não estiver determinado no título executivo. Uma vez citado, o executado poderá efetuar a obrigação na forma descrito no título ou apresentar embargos à execução no prazo e 15 dias. Art. 816. Se o executado NÃO satisfizer a obrigação no prazo designado, é lícito ao exequente, nos próprios autos do processo, requerer a satisfação da obrigação à custa do executado ou perdas e danos, hipótese em que se converterá em indenização. 1 DONIZETTI, Elpídio. Curso Didático de Direito Processual Civil. 19ª edição, rev. e atual., São Paulo: Editora Atlas S/A, 2016, p. 1136. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 61 488 Parágrafo único. O valor das perdas e danos será apurado em liquidação,seguindo-se a execução para cobrança de quantia certa. Art. 817. Se a obrigação puder ser satisfeita por terceiro, é lícito ao juiz autorizar, a requerimento do exequente, que aquele a satisfaça à custa do executado. Parágrafo único. O exequente adiantará as quantias previstas na proposta que, ouvidas as partes, o juiz houver aprovado. Caso não seja atendida a ordem judicial de cumprimento, o exequente poderá: requerer conversão da obrigação em perdas e danos, na forma do art. 816, do CPC; ou requerer que seja determinado o fazimento da obrigação à custa do executado, na forma do art. 817, do CPC: O art. 818, do CPC, por sua vez, trata do cumprimento da obrigação. Nesses casos, se a parte executada cumprir com a obrigação de fazer, ambos serão intimados a se manifestarem para apresentar eventuais impugnações no prazo de 10 dias. Sem qualquer irresignação, os autos serão extintos com a declaração de cumprimento. Art. 818. Realizada a prestação, o juiz ouvirá as partes no PRAZO DE 10 (DEZ) DIAS e, não havendo impugnação, considerará satisfeita a obrigação. Parágrafo único. Caso haja impugnação, o juiz a decidirá. Caso a responsabilidade por executar a obrigação seja transferida a terceiro, e esse não a cumprir no prazo determinado ou cumprir, porém, de modo incompleto ou defeituoso, o exequente poderá requerer ao juiz que, no prazo de 10 dias, autorize a conclusão à custa do contratante. Art. 819. Se o terceiro contratado não realizar a prestação no prazo ou se o fizer de modo incompleto ou defeituoso, poderá o exequente requerer ao juiz, no PRAZO DE 15 (QUINZE) DIAS, que o autorize a concluí-la ou a repará-la à custa do contratante. Parágrafo único. Ouvido o contratante no PRAZO DE 15 (QUINZE) DIAS, o juiz mandará avaliar o custo das despesas necessárias e o condenará a pagá-lo. A situação acima aplica-se, portanto, nas hipóteses em que o executado contrata terceiro para que execute a obrigação constante do título executivo extrajudicial. É possível, entretanto, que a execução se dê por conta do exequente. Nesse caso, ele irá controlar a execução dos trabalhos necessários. O art. 820, do CPC, prevê que, se o executado pretender a utilização de terceiros para execução da obrigação de fazer, o exequente terá direito de preferência para optar pela execução ou determinação de quem faça, podendo exercer tal opção no prazo de cinco dias. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 62 488 ==1365fc== Art. 820. Se o exequente quiser executar ou mandar executar, sob sua direção e vigilância, as obras e os trabalhos necessários à realização da prestação, terá preferência, em igualdade de condições de oferta, em relação ao terceiro. Parágrafo único. O direito de preferência deverá ser exercido no prazo de 5 (cinco) dias, após aprovada a proposta do terceiro. Por fim, se a obrigação de fazer for pessoal, o juiz irá assinalar prazo para o cumprimento pelo próprio executado. Em não sendo cumprida, converte-se a obrigação em perdas e danos, que passará a ser executada como obrigação de pagar quantia certa. Art. 821. Na obrigação de fazer, quando se convencionar que o executado a satisfaça pessoalmente, o exequente poderá requerer ao juiz que lhe assine prazo para cumpri-la. Parágrafo único. Havendo recusa ou mora do executado, sua obrigação pessoal será convertida em perdas e danos, caso em que se observará o procedimento de execução por quantia certa. Obrigação de Não Fazer Em relação à obrigação de não fazer, temos dois dispositivos no CPC. Confira: Art. 822. Se o executado praticou ato a cuja abstenção estava obrigado por lei ou por contrato, o exequente requererá ao juiz que assine prazo ao executado para desfazê-lo. Art. 823. Havendo recusa ou mora do executado, o exequente requererá ao juiz que mande desfazer o ato à custa daquele, que responderá por perdas e danos. Parágrafo único. NÃO sendo possível desfazer-se o ato, a obrigação resolve-se em perdas e danos, caso em que, após a liquidação, se observará o procedimento de execução por quantia certa. O cumprimento da obrigação de não fazer abrange também a de desfazer. Assim, caso haja receio de que a parte irá efetuar a prestação quando não o pode fazer em face de um título perante a parte, o interessado poderá ingressar com a tutela em juízo. Caso haja execução, incide a multa. Por outro lado, caso executado, o magistrado poderá impor multa para que a parte desfaça. Se a parte não desfizer, podemos ter a determinação para que haja desfazimento à custa do executado ou conversão em perdas e danos. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 63 488 EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA Introdução A partir desse ponto da aula nossa ocupação será a compreensão da execução de uma obrigação de dar específica: a entrega de dinheiro. Essa obrigação, por envolver a prestação de dinheiro – bem fungível por excelência –, é a mais comum no Direito Processual Civil. Em face disso, a execução por quantia certa recebe a disciplina mais detalhada dos procedimentos de execução. Para que você tenha ideia, vamos abranger, neste capítulo, o estudo dos arts. 824 a 909, todos do CPC. Além disso, essa extensa regrativa se aplica também aos demais procedimentos de forma subsidiária. Podemos extrair de todo o procedimento de execução por quantia certa, quatro fases bem delimitadas: Antes de iniciarmos o estudo de cada uma dessas fases, segundo a disciplina do Código, vejamos alguns dispositivos gerais. Disposições Gerais O art. 824, do CPC, enuncia a FINALIDADE da execução por quantia certa: prover tutela jurisdicional consistente em pagar dinheiro, a partir daquilo que consta do título executivo extrajudicial. Desse modo, realiza-se a execução pela expropriação: 1ª fase • proposição 2ª fase • apreensão de bens 3ª fase • expropriação 4ª fase • pagamento Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 64 488 Art. 824. A execução por quantia certa realiza-se pela expropriação de bens do executado, ressalvadas as execuções especiais. De acordo com a doutrina1: A expropriação é um conjunto de técnicas processuais que visa a retirar do patrimônio do executado valores que sirvam para satisfação do exequente. Consiste na adjudicação (arts. 825, I, 876 e 877, CPC), na alienação por iniciativa particular ou em leilão público (arts. 825, II, e 879 e ss., CPC) ou na apropriação de frutos e rendimentos (art. 825, III e 866-869, CPC). Em síntese, a expropriação consiste no conjunto de atos processuais praticados na execução para, com o patrimônio do executado, satisfazer o crédito do exequente. O art. 825, do CPC, estabelece três formas de expropriação: Art. 825. A expropriação consiste em: I - adjudicação; II - alienação; III - apropriação de frutos e rendimentos de empresa ou de estabelecimentos e de outros bens. Segundo o CPC: 1 DONIZETTI, Elpídio. Curso Didático de Direito Processual Civil. 19ª edição, rev. e atual., São Paulo: Editora Atlas S/A, 2016, p. 1145. FORMAS DE EXPROPRIAÇÃO adjudicação alienação apropriação de frutos e rendimentos Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 65 488 Vamos desenvolver cada uma dessas formas de expropriação ao longo do nosso estudo. Contudo, é fundamental que você, desde já, se ambiente com os conteúdos. A alienação e a apropriação de frutos e rendimento são conceitos que não geram dificuldades. Mas o que é adjudicação?Execução - Execução contra Fazenda Pública - FCC 302 ..............................................................................................................................................................................................30) Questões Comentadas - Execução - Execução contra Fazenda Pública - VUNESP 304 ..............................................................................................................................................................................................31) Questões Comentadas - Execução - Execução contra Fazenda Pública - OUTRAS BANCAS 307 ..............................................................................................................................................................................................32) Questões Comentadas - Execução - Execução de Alimentos - CEBRASPE 312 ..............................................................................................................................................................................................33) Questões Comentadas - Execução - Execução de Alimentos - FCC 314 ..............................................................................................................................................................................................34) Questões Comentadas - Execução - Execução de Alimentos - OUTRAS BANCAS 318 ..............................................................................................................................................................................................35) Questões Comentadas - Execução - Embargos à Execução - CEBRASPE 323 ..............................................................................................................................................................................................36) Questões Comentadas - Execução - Embargos à Execução - CONSULPLAN 324 ..............................................................................................................................................................................................37) Questões Comentadas - Execução - Embargos à Execução - FCC 328 ..............................................................................................................................................................................................38) Questões Comentadas - Execução - Embargos à Execução - FGV 338 ..............................................................................................................................................................................................39) Questões Comentadas - Execução - Embargos à Execução - VUNESP 341 ..............................................................................................................................................................................................40) Questões Comentadas - Execução - Embargos à Execução - OUTRAS BANCAS 349 ..............................................................................................................................................................................................41) Questões Comentadas - Execução - Suspensão e Extinção da Execução - FCC 358 ..............................................................................................................................................................................................42) Questões Comentadas - Execução - Suspensão e Extinção da Execução - OUTRAS BANCAS 359 ..............................................................................................................................................................................................43) Lista de Questões - Execução - Teoria Geral da Execução - CEBRASPE 367 ..............................................................................................................................................................................................44) Gabarito - Execução - Teoria Geral da Execução - CEBRASPE 370 ..............................................................................................................................................................................................45) Lista de Questões - Execução - Teoria Geral da Execução - CONSULPLAN 371 ..............................................................................................................................................................................................46) Gabarito - Execução - Teoria Geral da Execução - CONSULPLAN 373 ..............................................................................................................................................................................................47) Lista de Questões - Execução - Teoria Geral da Execução - FCC 374 ..............................................................................................................................................................................................48) Gabarito - Execução - Teoria Geral da Execução - FCC 377 ..............................................................................................................................................................................................49) Lista de Questões - Execução - Teoria Geral da Execução - FGV 378 ..............................................................................................................................................................................................50) Gabarito - Execução - Teoria Geral da Execução - FGV 381 ..............................................................................................................................................................................................51) Lista de Questões - Execução - Teoria Geral da Execução - VUNESP 382 ..............................................................................................................................................................................................52) Gabarito - Execução - Teoria Geral da Execução - VUNESP 384 ..............................................................................................................................................................................................53) Lista de Questões - Execução - Teoria Geral da Execução - OUTRAS BANCAS 385 ..............................................................................................................................................................................................54) Gabarito - Execução - Teoria Geral da Execução - OUTRAS BANCAS 395 ..............................................................................................................................................................................................55) Lista de Questões - Execução - Espécies de Execução-Disposições Gerais - CEBRASPE 396 ..............................................................................................................................................................................................56) Gabarito - Execução - Espécies de Execução-Disposições Gerais - CEBRASPE 397 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 3 488 Ricardo Torques Aula 14 Índice ..............................................................................................................................................................................................57) Lista de Questões - Execução - Espécies de Execução-Disposições Gerais - FCC 398 ..............................................................................................................................................................................................58) Gabarito - Execução - Espécies de Execução-Disposições Gerais - FCC 400 ..............................................................................................................................................................................................59)A adjudicação, na realidade, é a passagem dos bens do devedor para o credor como forma de quitação dos bens penhorados para satisfação do crédito. Trata-se, a grosso modo, de uma alienação específica para o credor dos bens do devedor. Conceituado o instituto, confira, na sequência, o art. 826, do CPC: Art. 826. Antes de adjudicados ou alienados os bens, o executado pode, a todo tempo, remir a execução, pagando ou consignando a importância atualizada da dívida, acrescida de juros, custas e honorários advocatícios. Remir significa pagar! Remir a execução é o ato pelo qual o executado efetua o pagamento ou a consignação integral do crédito e das despesas processuais (juros, custas e honorários). Além disso, é importante ter em mente que o instituto da remição somente poderá ser utilizado até a adjudicação ou a alienação dos bens. Portanto, quando os bens forem repassados ao credor ou vendidos a terceiros, não há possibilidade de remição da execução pelo executado. Para a prova... Citação do Devedor e do Arresto Nesse ponto, vamos iniciar a primeira fase: proposição. REMIÇÃO Ato pelo qual o executado paga ou consigna em pagamento o montante da execução (valor devido, juros, custas e honorários) é admissível ATÉ a adjudicação ou alienação. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 66 488 Honorários do advogado A proposição se dá com o ajuizamento da ação de execução. Como o título é executivo e podemos pressupor que a parte está devendo, o juiz, ao despachar a inicial, traz um “incentivo” para que o executado efetue o pagamento da dívida. Assim, o juiz, ao citar o executado, já informa, de antemão, a cobrança de honorários em 10% sobre o valor da execução. Esse percentual, contudo, poderá ser reduzido para 5% (metade) se o executado efetuar o pagamento em TRÊS DIAS. Se ele não pagar nesse prazo, o oficial fará a penhora dos bens conforme informação do exequente, na forma do art. 829, do CPC. Dessa citação, o executado poderá opor os embargos à execução, no prazo de 15 dias, contudo, ficará ciente de que, se esses embargos forem rejeitados, a condenação em honorários poderá atingir 20% do valor da execução. A ideia, portanto, é que, dada a pressuposição de higidez e validade do título, o devedor pague logo! Veja: Art. 827. Ao despachar a inicial, o juiz fixará, de plano, os honorários advocatícios de dez por cento, a serem pagos pelo executado. § 1o No caso de integral pagamento no prazo de 3 (TRÊS) DIAS, o valor dos honorários advocatícios será REDUZIDO PELA METADE. § 2o O valor dos honorários poderá ser elevado até vinte por cento, quando rejeitados os embargos à execução, podendo a majoração, caso não opostos os embargos, ocorrer ao final do procedimento executivo, levando-se em conta o trabalho realizado pelo advogado do exequente. Para a prova... Averbação da execução nos registros Uma vez admitida a execução, haverá o seu processamento para busca dos bens do devedor. Assim, a fim de evitar que o devedor se desfaça de eventuais bens que possua, o exequente poderá obter uma certidão que informe basicamente a execução contra o devedor, a identificação das partes e o valor da causa. Com • Pode pagar em três dias, hipótese em que os honorários serão de 5%. • Pode não pagar, hipótese em que os honorários serão de 10%. • Pode apresentar embargos à execução no prazo de 15 dias, hipótese em que, se rejeitados os embargos, os honorários poderão atingir 20%. CITADO, O EXECUTADO: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 67 488 essa certidão, o exequente poderá averbá-la nos registros de imóveis, de veículos e de outros bens passíveis de penhora, arresto ou indisponibilidade de forma a dar ciência ampla e geral de que há uma execução contra os bens daquela pessoa. Eventual alienação ou oneração de bens, após a averbação, presume-se realizada com fraude contra a execução de forma que esse ato é ineficaz em relação ao exequente. Uma vez efetuada a averbação da execução perante os registros, o exequente deve informar no processo, no prazo de 10 dias. Isso é importante, pois se houver penhora de bens, cancelamento da execução por qualquer motivo, tais averbações devem ser desfeitas. Assim, estabelece o dispositivo abaixo que, se for determinada a penhora de bens, o exequente tem 10 dias para efetuar o cancelamento da averbação. Caso não o faça no prazo, o próprio magistrado determinará o cancelamento de ofício. Todas essas informações constam do art. 828, do CPC: Art. 828. O exequente poderá obter certidão de que a execução foi admitida pelo juiz, com identificação das partes e do valor da causa, para fins de averbação no registro de imóveis, de veículos ou de outros bens sujeitos a penhora, arresto ou indisponibilidade. § 1o No PRAZO DE 10 (DEZ) DIAS de sua concretização, o exequente deverá comunicar ao juízo as averbações efetivadas. § 2o Formalizada penhora sobre bens suficientes para cobrir o valor da dívida, o exequente providenciará, no PRAZO DE 10 (DEZ) DIAS, o cancelamento das averbações relativas àqueles não penhorados. § 3o O juiz determinará o cancelamento das averbações, de ofício ou a requerimento, caso o exequente não o faça no prazo. § 4o PRESUME-SE em fraude à execução a alienação ou a oneração de bens efetuada após a averbação. § 5o O exequente que promover averbação manifestamente indevida ou não cancelar as averbações nos termos do § 2o indenizará a parte contrária, processando-se o incidente em autos apartados. De tudo isso, tome nota do essencial: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 68 488 Veja, o art. 829, já analisado: Art. 829. O executado será citado para pagar a dívida no PRAZO DE 3 (TRÊS) DIAS, contado da citação. § 1o Do mandado de citação constarão, também, a ordem de penhora e a avaliação a serem cumpridas pelo oficial de justiça tão logo verificado o não pagamento no prazo assinalado, de tudo lavrando-se auto, com intimação do executado. § 2o A penhora recairá sobre os bens indicados pelo exequente, SALVO se outros forem indicados pelo executado e aceitos pelo juiz, mediante demonstração de que a constrição proposta lhe será menos onerosa e não trará prejuízo ao exequente. É importante, ainda, uma referência ao §2º do artigo. Esse dispositivo prevê que a regra é a penhora sobre os bens apresentados pelo exequente. Contudo, o executado poderá indicar outros bens que serão objeto de análise e aceitação pelo juiz. Caso o oficial de justiça compareça para citar o executado e não o encontre, poderá arrestar os seus bens tantos quantos forem necessários para garantir a execução. O arresto trata-se de uma “pré-penhora”, ou seja, uma medida preventiva que implica a apreensão dos bens do devedor, pelo oficial de justiça, capazes de fazer frente ao valor devido. Após a realização do arresto, o oficial de justiça deverá comparecer novamente ao endereço do executado, por duas vezes em dias distintos, com a finalidade de citá-lo da execução. Caso não o encontre, temos duas possibilidades: Se houver suspeita de que o executado esteja se ocultando, o oficial de justiça poderá citá-lo com hora certa; ou Se for desconhecido o seu paradeiro, o exequente será intimado para indicar novo endereço ou requerer a citação por edital. • Fornecimento de certidão ao exequente para averbar a pendência de execução contra o devedor. • O exequente deve informar nos autos as averbações efetuadas no prazo de 10 dias. • A partir da averbação, da alienação ou da oneração a terceiros presume-se feita com fraude. • Coma penhora do valor suficiente para quitar o débito, as averbações devem ser canceladas pelo exequente em relação aos bens não penhorados no prazo de 10 dias (se não cumprir, o juiz determina de ofício). ADMITIDA A EXECUÇÃO Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 69 488 Ocorrida a citação e decorrido o prazo de 3 dias para pagamento, teremos a conversão desse arresto em penhora. Essas informações constam do art. 830, abaixo destacado: Art. 830. Se o oficial de justiça NÃO encontrar o executado, arrestar-lhe-á tantos bens quantos bastem para garantir a execução. § 1o Nos 10 (DEZ) DIAS seguintes à efetivação do arresto, o oficial de justiça procurará o executado 2 (duas) vezes em dias distintos e, havendo suspeita de ocultação, realizará a citação com hora certa, certificando pormenorizadamente o ocorrido. § 2o Incumbe ao exequente requerer a citação por edital, uma vez frustradas a pessoal e a com hora certa. § 3o Aperfeiçoada a citação e transcorrido o prazo de pagamento, o arresto converter-se- á em penhora, independentemente de termo. Para a prova, é fundamental memorizar... Assim, com a citação temos o fim da primeira fase da execução, que envolve proposição. ARRESTO medida preventiva de apreensão judicial de bens do devedor (pré- penhora) com o arresto, o oficial de justiça deverá retornar ao endereço por duas vezes em horários distintos a fim de intimar o executado Havendo suspeita de ocultação, o oficial de justiça fará a citação por hora certa. Não havendo suspeita de ocultação, o exequente poderá requerer a citação por edital Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 70 488 Penhora, Depósito e Avaliação Objeto da Penhora A constrição dos bens do executado, por intermédio da penhora, deve recair sobre o conjunto de bens necessários para o pagamento do valor da execução, que engloba o valor do principal atualizado, os juros, as custas e os honorários do advogado. Desse modo... Veja: Art. 831. A penhora deverá recair sobre tantos bens quantos bastem para o pagamento do principal atualizado, dos juros, das custas e dos honorários advocatícios. Nem todos os bens do devedor podem ser executados. A regra é que todos os seus bens respondam pela dívida. Contudo, existem alguns bens que a legislação considera impenhoráveis ou inalienáveis. Art. 832. NÃO estão sujeitos à execução os bens que a lei considera impenhoráveis ou inalienáveis. Impenhorabilidade e inalienabilidade são conceitos distintos. A inalienabilidade constitui uma qualidade jurídica imposta por lei ou por contrato para que um determinado bem não possa ser transferido para outra pessoa e também não seja submetido a ônus real. A impenhorabilidade, por seu turno, constitui um benefício concedido pela lei a determinados bens em específicos, os quais não ficam sujeitos à penhora. A PENHORA DEVE “COBRIR” valor do principal atualizado juros custas honorários do advogado Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 71 488 Segundo a doutrina2: A inalienabilidade abrange a impenhorabilidade. Todo bem inalienável é também impenhorável; a recíproca, entretanto, não é verdadeira, porquanto há bens que, embora impenhoráveis, são passíveis de alienação. Quanto à inalienabilidade: Quanto à impenhorabilidade devemos observar as regras previstas no art. 833 e 834, abaixo analisados. O art. 833 trata dos bens absolutamente impenhoráveis. O art. 834, do CPC, por sua vez, trata dos bens relativamente impenhoráveis. A diferença básica entre ambos é que, embora os bens relativamente impenhoráveis também não possam ser alienados ou gravados com ônus real, é admissível que haja expropriação dos seus frutos e rendimentos, caso o devedor não possua outros bens que possam ser utilizados para quitar a dívida. De todo modo, vamos iniciar com a análise detalhada dos bens absolutamente impenhoráveis. O art. 833 prevê doze hipóteses, contudo, antes de estudar cada uma delas é fundamental que você compreenda que existem várias flexibilizações. Em determinadas situações, ou sob determinadas condições, bens absolutamente penhoráveis podem ser penhorados. São as exceções ao dispositivo! Para você entender: por exemplo, os bens que guarnecem a residência do executado, em regra, não serão penhoráveis. Mas se nessa residência houver um quadro famoso, de alto valor, esse quadro poderá ser objeto de penhora. Feito o alerta, vamos analisar o dispositivo: Art. 833. SÃO IMPENHORÁVEIS: I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução; II - os móveis, os pertences e as utilidades domésticas que guarnecem a residência do executado, SALVO os de elevado valor ou os que ultrapassem as necessidades comuns correspondentes a um médio padrão de vida; 2 DONIZETTI, Elpídio. Curso Didático de Direito Processual Civil. 19ª edição, rev. e atual., São Paulo: Editora Atlas S/A, 2016, p. 1149. INALINENABILIDADE Não podem ser vendidos os bens que, determinados por lei, ou gravados por cláusula, não possam ser vendidos ou gravados com ônus real Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 72 488 III - os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, SALVO se de elevado valor; IV - os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as remunerações, os proventos de aposentadoria, as pensões, os pecúlios e os montepios, bem como as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e de sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal, RESSALVADO o § 2o [pagamento de obrigação alimentícia e valores superiores a 50 salários mínimos]; V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício da profissão do executado; VI - o seguro de vida; VII - os materiais necessários para obras em andamento, SALVO se essas forem penhoradas; VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, DESDE QUE trabalhada pela família; IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória em educação, saúde ou assistência social; X - a quantia depositada em caderneta de poupança, até o limite de 40 (quarenta) salários- mínimos; XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos por partido político, nos termos da lei; XII - os créditos oriundos de alienação de unidades imobiliárias, sob regime de incorporação imobiliária, vinculados à execução da obra. Vamos destrinchar objetivamente cada uma das situações descritas acima, com as particularidades e exceções?! SÃO ABSOLUTAMENTE IMPENHORÁVEIS OS BENS INALIENÁVEIS E AQUELES DECLARADOS POR ATO VOLUNTÁRIO. O bem que estiver gravado com a cláusula de inalienabilidade, na forma descrita nos arts. 1.711 a 1.722 do CPC, não podem penhorados. Nesse inc. I está o bem de família que recebe, por intermédio da Lei nº 8.009/1990, a proteção legal da impenhorabilidade absoluta. Um exemplo de inalienabilidade por ato voluntário é o caso de testamento, no qual a pessoa transfere a herança com cláusula de impossibilidade de venda do bem. SÃO ABSOLUTAMENTE IMPENHORÁVEIS OS BENS DE USO PESSOAL, EXCETO OS DE ALTO VALOR. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria73 488 SÃO ABSOLUTAMENTE IMPENHORÁVEIS OS MÓVEIS, PERTENCES E UTILIDADES DOMÉSTICAS QUE GUARNECEM A RESIDÊNCIA DO EXECUTADO. Esses bens móveis aderem ao bem de família e, em razão disso, são impenhoráveis. Há, entretanto, uma mitigação. Se considerados de grande valor, esses bens podem ser penhorados. A legislação não fixou o que entende por “alto valor” de forma que o juiz fará tal análise de acordo com critérios de razoabilidade, a fim de determinar a penhorabilidade, ou não, dos bens que guarnecem a residência do executado. SÃO ABSOLUTAMENTE IMPENHORÁVEIS OS VESTUÁRIOS, SOLDO, REMUNERAÇÃO, PROVENTOS DE APOSENTADORIA, PENSÕES, PECÚLIO E MONTEPIOS E QUANTIAS RECEBIDAS POR LIBERALIDADE DE TERCEIROS DESTINADAS AO SUSTENTO DO EXECUTADO E DE SUA FAMÍLIA. A impenhorabilidade abrange o vestuário e aquilo que o devedor recebe a título de contraprestação em face do seu trabalho, que é destinado para o seu sustento e o sustento de sua família. O importante é você não esquecer que há duas exceções à impenhorabilidade da renda do trabalho. ➢ Quando o executado for devedor de obrigação alimentícia; e ➢ Quando o rendimento mensal for acima de 50 salários mínimos mensais. É ABSOLUTAMENTE IMPENHORÁVEL O SEGURO DE VIDA. SÃO ABSOLUTAMENTE IMPENHORÁVEIS OS MATERIAIS NECESSÁRIOS À OBRA EM ANDAMENTO. Há uma relativização nesse caso. Se a própria obra estiver penhorada, os materiais para nela serem empregados também serão penhoráveis. É ABSOLUTAMENTE IMPENHORÁVEL A PEQUENA PROPRIEDADE RURAL. Em relação à pequena propriedade rural, a impenhorabilidade somente existe se configuradas algumas condições: ➢ Deve ser usada pela família como tal; ➢ Deve observar as delimitações de lei específica, a Lei nº 8.629/1993, cuja área é entre 1 e 4 módulos. Essa mesma impenhorabilidade já é prevista no art. 5º, XXVI, da CF: XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento; SÃO ABSOLUTAMENTE IMPENHORÁVEIS OS RECURSOS PÚBLICOS DESTINADOS À APLICAÇÃO EM ÁREA DE EDUCAÇÃO, SAÚDE OU ASSISTÊNCIA SOCIAL. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 74 488 De acordo com a doutrina3: Atendidos os requisitos legais, instituições privadas que atuem em atividades típicas do Estado, como educação, saúde e assistência social podem receber recursos públicos. Tais recursos, até em razão de sua natureza (públicos), são impenhoráveis, embora já liberados pelo poder público e creditado na conta bancária da instituição. SÃO ABSOLUTAMENTE IMPENHORÁVEIS OS RECURSOS DE POUPANÇA NO LIMITE DE 40 SALÁRIOS MÍNIMOS. Essa impenhorabilidade independe do número de poupanças que eventualmente o executado possua, se não ultrapassar a 40 salários mínimos somadas, não será penhorável. Além disso, é importante destacar que a impenhorabilidade se estende também a aplicações financeiras como fundos de investimentos, segundo a jurisprudência do STJ. SÃO ABSOLUTAMENTE IMPENHORÁVEIS RECURSOS PÚBLICOS DO FUNDO PARTIDÁRIO. Por força do art. 17, §3º, da CF, esses recursos constituem uma garantia constitucional ao partido político de forma que não podem ser penhorados. São recursos que possuem aplicação vinculada. SÃO ABSOLUTAMENTE IMPENHORÁVEIS OS CRÉDITOS ORIUNDOS DE UNIDADES IMOBILIÁRIA, SOB REGIME DE INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA, VINCULADOS À EXECUÇÃO DE OBRA. De acordo com esse inciso, o patrimônio de afetação não é passível de penhora, sob pena de desconfigurar a própria finalidade, que é garantir a entrega das unidades imobiliárias aos futuros adquirentes. Essa regra impenhorabilidade, contudo, comporta três exceções: ➢ Dívida relativa ao próprio bem; ➢ Quando o executado for devedor de obrigação alimentícia; e ➢ Quando o rendimento mensal for acima de 50 salários mínimos mensais. Para a prova... 3 DONIZETTI, Elpídio. Curso Didático de Direito Processual Civil. 19ª edição, rev. e atual., São Paulo: Editora Atlas S/A, 2016, p. 1155. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 75 488 Assim, ao ser efetuada a penhora, os bens acima devem ser desconsiderados. Além disso, diante de um conjunto de bens que possam responder pelo débito do executado, o CPC estabelece, no art. 835, uma ordem preferencial de penhora. Leia com atenção: Art. 835. A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ordem: I - dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira; II - títulos da dívida pública da União, dos Estados e do Distrito Federal com cotação em mercado; III - títulos e valores mobiliários com cotação em mercado; IV - veículos de via terrestre; V - bens imóveis; VI - bens móveis em geral; VII - semoventes; VIII - navios e aeronaves; IX - ações e quotas de sociedades simples e empresárias; X - percentual do faturamento de empresa devedora; • Os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução. • Os bens que guarnecem a residência, exceto os de “alto valor”. • Os bens de uso pessoal do executado, exceto os de “alto valor”. • Os rendimentos da pessoa, exceto para pagamento de obrigação alimentícia e valores mensais superiores a 50 salários mínimos. • Os bens necessários ou úteis ao exercício da profissão do executado. • O seguro de vida. • Os materiais necessários para obras em andamento, exceto se a obra estiver penhorada. • A pequena propriedade rural (conforme lei e para ser usada pela família). • Os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória em educação, saúde ou assistência social. • A quantia depositada em caderneta de poupança até 40 salários-mínimos. • Os recursos públicos do fundo partidário recebidos por partido político. • Os créditos oriundos de alienação de unidades imobiliárias, sob regime de incorporação imobiliária, vinculados à execução da obra. SÃO ABSOLUTAMENTE IMPENHORÁVEIS Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 76 488 XI - pedras e metais preciosos; XII - direitos aquisitivos derivados de promessa de compra e venda e de alienação fiduciária em garantia; XIII - outros direitos. Essa ordem não tem caráter absoluto, como consta do caput ela é preferencial, de forma que algumas circunstâncias devem ser levadas em consideração, tal como a vantagem para o executado e a ausência de prejuízo para o exequente. Nesse contexto, está, inclusive, a Súmula STJ 417: Súmula STJ 417 Na execução civil, a penhora de dinheiro na ordem de nomeação de bens não tem caráter absoluto. Veja, ainda, o §1º abaixo: § 1o É prioritária a penhora em dinheiro, podendo o juiz, nas demais hipóteses, alterar a ordem prevista no caput de acordo com as circunstâncias do caso concreto. Não parece haver uma contradição? O entendimento que tem se formado é no sentido de que o dinheiro deve ser considerado como prioritário para realização da penhora. Contudo, em circunstâncias excepcionais é admissível que essa prioridade seja flexibilizada, de modo que não é absoluta a regra. O §2º, abaixo citado, prevê que a substituição da penhora pode se dar por fiança bancária e seguro garantia são equiparados ao dinheiro, desde que o valor não seja inferior ao valor devido mais 30. § 2o Para fins de substituição da penhora, equiparam-se a dinheiro a fiança bancária e o seguro garantia judicial, desde que em valor NÃO inferior ao do débito constante da inicial, acrescido de trinta por cento. A fiança bancária é uma espécie decontrato por intermédio do qual o banco, na qualidade de fiador, garante o cumprimento de uma obrigação do seu cliente, o afiançado. O seguro garantia judicial é modalidade de contrato de seguro, por intermédio do qual o potencial devedor contrata serviço a fim de garantir o pagamento dos valores necessários no trâmite de determinado processo judicial. Desse modo, se determinada pessoa deve R$ 100.000,00, ela poderá pedir em substituição a uma penhora de aplicação de fundos, a penhora de fiança bancária ou de seguro garantia real, desde que eles atinjam montante igual ou superior a R$ 130.000,00. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 77 488 A fiança bancária e o seguro garantia judicial constituem opções eficientes sob o prisma da análise econômica do direito, de modo reduzir eventuais efeitos prejudiciais da penhora, na medida em que desonera os ativos de sociedades empresárias que estejam submetidas à execução. Por outro lado, a substituição não altera a condição do credor, dado que a eficácia tanto da fiança bancária como do seguro garantia judicial é equivalente ao dinheiro, de modo que o exequente receberá a soma pretendida. Segundo o STJ4, “por serem automaticamente conversíveis em dinheiro ao final do feito executivo, a fiança bancária e o seguro garantia judicial acarretam a harmonização entre o princípio da máxima eficácia da execução para o credor e o princípio da menor onerosidade para o executado”. Veja, ainda, o §3º, cuja leitura é o suficiente: § 3o Na execução de crédito com garantia real, a penhora recairá sobre a coisa dada em garantia, e, se a coisa pertencer a terceiro garantidor, este também será intimado da penhora. O art. 836 já foi analisado. Ele prevê que, nas hipóteses em que o valor dos bens passíveis de penhora não for suficiente para pagar nem mesmo as custas da execução, a penhora não deve ser efetuada. Art. 836. NÃO se levará a efeito a penhora quando ficar evidente que o produto da execução dos bens encontrados será totalmente absorvido pelo pagamento das custas da execução. § 1o Quando não encontrar bens penhoráveis, independentemente de determinação judicial expressa, o oficial de justiça descreverá na certidão os bens que guarnecem a residência ou o estabelecimento do executado, quando este for pessoa jurídica. § 2o Elaborada a lista, o executado ou seu representante legal será nomeado depositário provisório de tais bens até ulterior determinação do juiz. Vejamos um esquema para memorizar a ordem preferencial da penhora: 4 REsp 1.691.748/PR, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, 3ª Turma, DJe 17/11/2017. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 78 488 Documentação da Penhora, de seu Registro e do Depósito Nos arts. 837 a 844, do CPC, temos a disciplina procedimental referente à documentação da penhora, do registro e do depósito. São dispositivos que não iremos trazer maiores peculiaridades, pelo que faremos uma análise objetiva. De toda sorte, é fundamental a leitura atenta desses artigos. O art. 837, do CPC, prevê a possibilidade de comunicação eletrônica da penhora: Art. 837. Obedecidas as normas de segurança instituídas sob critérios uniformes pelo Conselho Nacional de Justiça, a penhora de dinheiro e as averbações de penhoras de bens imóveis e móveis podem ser realizadas por meio eletrônico. Trata-se de instrumento que viabiliza a penhora de dinheiro ou de bens pela via eletrônica. A penhora sempre será realizada por auto ou termo, contudo, na praxe forense essa modalidade é denominada de “penhora eletrônica”, tal como a penhora on-line, via BACEN-JUD, de recursos do executado. A forma de realização da penhora consta, justamente, do art. 838, do CPC, a ser analisado na sequência: O R D EM P R EF ER EN C IA L D E P EN H O R A dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira títulos da dívida pública da União, dos Estados e do Distrito Federal com cotação em mercado títulos e valores mobiliários com cotação em mercado veículos de via terrestre bens imóveis bens móveis em geral semoventes navios e aeronaves ações e quotas de sociedades simples e empresárias percentual do faturamento de empresa devedora pedras e metais preciosos direitos aquisitivos derivados de promessa de compra e venda e de alienação fiduciária em garantia outros direitos Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 79 488 Art. 838. A penhora será realizada mediante auto ou termo, que conterá: I - a indicação do dia, do mês, do ano e do lugar em que foi feita; II - os nomes do exequente e do executado; III - a descrição dos bens penhorados, com as suas características; IV - a nomeação do depositário dos bens. O dispositivo acima descreve o que deve constar da documentação da penhora. Note que é necessário descrever de forma pormenorizada o ato e as indicações das partes e do depositário. Após a apreensão e documentação da penhora, temos o depósito. Art. 839. Considerar-se-á feita a penhora mediante a apreensão e o depósito dos bens, lavrando-se um só auto se as diligências forem concluídas no mesmo dia. Parágrafo único. Havendo mais de uma penhora, serão lavrados autos individuais. O depósito envolve a escolha de uma pessoa a quem será confiada a guarda do bem durante o processo de execução. Esse depositário deverá guardar e zelar pela conservação do bem. O art. 840, do CPC, estabelece quem deverá ser o depositário em face da variedade de bens que podem ser penhorados. Leia com atenção: Art. 840. Serão preferencialmente depositados: I - as quantias em dinheiro, os papéis de crédito e as pedras e os metais preciosos, no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal ou em banco do qual o Estado ou o Distrito Federal possua mais da metade do capital social integralizado, ou, na falta desses estabelecimentos, em qualquer instituição de crédito designada pelo juiz; II - os móveis, os semoventes, os imóveis urbanos e os direitos aquisitivos sobre imóveis urbanos, em poder do depositário judicial; III - os imóveis rurais, os direitos aquisitivos sobre imóveis rurais, as máquinas, os utensílios e os instrumentos necessários ou úteis à atividade agrícola, MEDIANTE CAUÇÃO IDÔNEA, em poder do executado. Algumas observações, que constam dos §§: Ä Caso não haja depositário judicial, os móveis, os semoventes e os imóveis urbanos penhorados ficam sob o encargo do exequente. Os móveis ficarão depositados com o executado quando for de difícil remoção. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 80 488 Pedras e metais precisos devem ser depositados com registro do valor estimado de resgate. Veja: § 1o No caso do inciso II do caput, se não houver depositário judicial, os bens ficarão em poder do exequente. § 2o Os bens poderão ser depositados em poder do executado nos casos de difícil remoção ou quando anuir o exequente. § 3o As joias, as pedras e os objetos preciosos deverão ser depositados com registro do valor estimado de resgate. Em síntese... Dinheiro, crédito, pedras e metais preciosos Banco público Móveis, semoventes e imóveis urbanos Depositário judicial (se não houver, fica com o exequente) Imóveis rurais e maquinário agrícola Executado (mediante caução) * móveis e semoventes podem ficar com o executado se forem de difícil remoção. Quanto ao art. 841, do CPC, é importante saber que, após formalizada a penhora, deve ser intimado o executado:Art. 841. Formalizada a penhora por qualquer dos meios legais, dela será imediatamente intimado o executado. § 1o A intimação da penhora será feita ao advogado do executado ou à sociedade de advogados a que aquele pertença. § 2o Se não houver constituído advogado nos autos, o executado será intimado pessoalmente, de preferência por via postal. § 3o O disposto no § 1o NÃO se aplica aos casos de penhora realizada na presença do executado, que se reputa intimado. § 4o Considera-se realizada a intimação a que se refere o § 2o quando o executado houver mudado de endereço sem prévia comunicação ao juízo, observado o disposto no parágrafo único do art. 274. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 81 488 O art. 842, do CPC, é importante! Prevê o dispositivo que, em relação à penhora de bens imóveis ou garantia real sobre bens imóveis, há a necessidade de intimação do cônjuge, por se tratar de bem comum ao casal. Tal intimação apenas não ocorrerá em caso de casamento em regime de separação absoluta de bens. Art. 842. Recaindo a penhora sobre bem imóvel ou direito real sobre imóvel, será intimado também o cônjuge do executado, SALVO se forem casados em regime de separação absoluta de bens. O art. 843, do CPC, trata da execução de bem indivisível. Por exemplo, temos um imóvel que é de copropriedade de cinco irmãos. Um deles é executado e o único bem passível de penhora é esse imóvel. Trata-se de um bem indivisível e, portanto, algumas particularidades devem ser observadas: Em caso de alienação para utilização da quota-parte para pagar o débito, os demais coproprietários ou cônjuge têm preferência na arrematação. Não se admite alienação em valor inferior ao da avaliação, sob pena de prejudicar os demais coproprietários ou cônjuges alheios à execução. Veja: Art. 843. Tratando-se de penhora de bem indivisível, o equivalente à quota-parte do coproprietário ou do cônjuge alheio à execução recairá sobre o produto da alienação do bem. § 1o É reservada ao coproprietário ou ao cônjuge não executado a preferência na arrematação do bem em igualdade de condições. § 2o NÃO será levada a efeito expropriação por preço inferior ao da avaliação na qual o valor auferido seja incapaz de garantir, ao coproprietário ou ao cônjuge alheio à execução, o correspondente à sua quota-parte calculado sobre o valor da avaliação. Por fim, o art. 844, do CPC, estabelece que, a fim de conferir presunção absoluta de conhecimento da penhora, há a necessidade de que o exequente promova a averbação do arresto ou penhora. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 82 488 Art. 844. Para presunção absoluta de conhecimento por terceiros, cabe ao exequente providenciar a averbação do arresto ou da penhora no registro competente, mediante apresentação de cópia do auto ou do termo, independentemente de mandado judicial. Lugar de Realização da Penhora Em relação ao local de realização da penhora, a regra é que ela ocorra onde estiverem os bens do executado. Há, entretanto, duas particularidades: 1ª – no caso de penhora de imóveis, ou de veículos, admite-se que ela ocorra por intermédio de termo nos autos, com a indicação aos respectivos registros. 2ª – se estiverem fora da circunscrição do juiz da execução e não for possível a realização da penhora por termo nos autos, haverá expedição de carta precatória. Confira: Art. 845. Efetuar-se-á a penhora onde se encontrem os bens, ainda que sob a posse, a detenção ou a guarda de terceiros. § 1o A penhora de imóveis, independentemente de onde se localizem, quando apresentada certidão da respectiva matrícula, e a penhora de veículos automotores, quando apresentada certidão que ateste a sua existência, serão realizadas por termo nos autos. § 2o Se o executado NÃO tiver bens no foro do processo, não sendo possível a realização da penhora nos termos do § 1o, a execução será feita por carta, penhorando-se, avaliando- se e alienando-se os bens no foro da situação. Para encerrar esse tópico, confira o art. 846, do CPC, que trata do arrombamento. Art. 846. Se o executado fechar as portas da casa a fim de obstar a penhora dos bens, o oficial de justiça comunicará o fato ao juiz, solicitando-lhe ordem de arrombamento. § 1o Deferido o pedido, 2 (dois) oficiais de justiça cumprirão o mandado, arrombando cômodos e móveis em que se presuma estarem os bens, e lavrarão de tudo auto circunstanciado, que será assinado por 2 (duas) testemunhas presentes à diligência. § 2o Sempre que necessário, o juiz requisitará força policial, a fim de auxiliar os oficiais de justiça na penhora dos bens. § 3o Os oficiais de justiça lavrarão em duplicata o auto da ocorrência, entregando uma via ao escrivão ou ao chefe de secretaria, para ser juntada aos autos, e a outra à autoridade policial a quem couber a apuração criminal dos eventuais delitos de desobediência ou de resistência. § 4o Do auto da ocorrência constará o rol de testemunhas, com a respectiva qualificação. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 83 488 ==1365fc== O arrombamento poderá ser determinado toda vez que o executado se opor à abertura do imóvel para a penhora de bens. Se isso ocorrer, o oficial de justiça informará ao magistrado que poderá expedir a ordem de arrombamento. De posse dessa ordem: dois oficiais de justiça se dirigem ao local para entrada forçada; o juiz poderá requisitar força policial para auxílio dos oficiais; todos os atos serão lavrados em auto circunstanciado assinado por duas pessoas. Sigamos! Modificações da Penhora Intimado da formalização da penhora, o executado poderá requerer a substituição do bem. Para tanto, é necessária a observância de alguns requisitos. Primeiro, o executado deve demonstrar que a substituição do bem será menos onerosa e, ainda, não trará prejuízos ao exequente. Segundo, deve indicar o bem de forma detalhada, com todas as suas características, a fim de possibilitar a decisão do magistrado. Art. 847. O executado pode, no PRAZO DE 10 (DEZ) DIAS contado da intimação da penhora, requerer a substituição do bem penhorado, desde que COMPROVE QUE LHE SERÁ MENOS ONEROSA E NÃO TRARÁ PREJUÍZO AO EXEQUENTE. § 1o O juiz SÓ AUTORIZARÁ a substituição se o executado: I - comprovar as respectivas matrículas e os registros por certidão do correspondente ofício, quanto aos bens imóveis; II - descrever os bens móveis, com todas as suas propriedades e características, bem como o estado deles e o lugar onde se encontram; III - descrever os semoventes, com indicação de espécie, de número, de marca ou sinal e do local onde se encontram; IV - identificar os créditos, indicando quem seja o devedor, qual a origem da dívida, o título que a representa e a data do vencimento; e V - atribuir, em qualquer caso, valor aos bens indicados à penhora, além de especificar os ônus e os encargos a que estejam sujeitos. Além disso, prevê o §2º que o executado deverá, ainda: indicar onde se encontram os bens para substituição; Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 84 488 provar a propriedade com as certidões necessárias; e não promover atitudes que possam dificultar ou embaraçar a realização da penhora. Confira: § 2o Requerida a substituição do bem penhorado, o executado deve indicar onde se encontram os bens sujeitos à execução, exibir a prova de sua propriedade e a certidão negativa ou positiva de ônus, bem como abster-sede qualquer atitude que dificulte ou embarace a realização da penhora. Reunindo todos os requisitos... Para encerrar esse dispositivo, veja os §§ 3º e 4º: § 3o O executado somente poderá oferecer bem imóvel em substituição caso o requeira com a expressa anuência do cônjuge, SALVO se o regime for o de separação absoluta de bens. PARA A MODIFICAÇÃO DA PENHORA requerimento no prazo de 10 dias a contar da formalização da penhora demonstrar que a substituição resultará em execução menos onerosa demonstrar que a substituição não trará prejuízos indicar pormenorizadamente o bem substituto indicar onde se encontram os bens para substituição prova a propriedade com as certidões necessárias não promover atitudes que possam dificultar ou embaraçar a realização da penhora. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 85 488 § 4o O juiz intimará o exequente para manifestar-se sobre o requerimento de substituição do bem penhorado. O primeiro parágrafo exige a intimação do cônjuge quando o bem ofertado for imóvel, exceto se casados em regime de separação absoluta. Essa é uma regra geral! Além disso, antes de analisar o mérito do requerimento o magistrado deverá ouvir o exequente. O art. 848, do CPC, por sua vez, estabelece um regramento geral para a substituição de penhora, que pode ocorrer tanto a requerimento do executado quanto do exequente. Ao contrário do que vimos no art. 847, do CPC, as hipóteses aqui descritas são objetivas e visam tornar a execução menos onerosa. Art. 848. As PARTES poderão requerer a substituição da penhora se: I - ela NÃO obedecer à ordem legal; II - ela NÃO incidir sobre os bens designados em lei, contrato ou ato judicial para o pagamento; III - havendo bens no foro da execução, outros tiverem sido penhorados; IV - havendo bens livres, ela tiver recaído sobre bens já penhorados ou objeto de gravame; V - ela incidir sobre bens de baixa liquidez; VI - fracassar a tentativa de alienação judicial do bem; ou VII - o executado não indicar o valor dos bens ou omitir qualquer das indicações previstas em lei. Parágrafo único. A penhora pode ser substituída por fiança bancária ou por seguro garantia judicial, em valor não inferior ao do débito constante da inicial, acrescido de trinta por cento. Vamos analisar cada uma das hipóteses: Se não for observada a ordem legal de penhora prevista no art. 835, do CPC, as partes podem pedir substituição da penhora a fim de atender à ordem legal. É o caso, por exemplo, de penhora de bens móveis, quando há valores depositados no banco em favor do executado. Se a penhora não incidir sobre bens designados por lei, contrato ou ato judicial para o pagamento do saldo devedor, admite-se o requerimento de substituição. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 86 488 Se a penhora recair sobre bens fora da circunscrição do juízo da execução e existirem bens na circunscrição, admite-se o requerimento de substituição. Por exemplo, o executado possui dois imóveis livres e desembaraçados, um deles fora da comarca e o outro no juízo da execução. Admite-se o requerimento para substituição do bem penhorado, com vistas a facilitar os atos executórios. Se a penhora recair sobre bens com gravames, não obstante exigir bens livres, é possível pleitear a substituição da penhora. É a situação na qual o bem sobre o qual recaiu a penhora já está penhorado por outra dívida ou contém alguma garantia para pagamento de débitos. Nesse caso, existindo outros bens livres de ônus, admite-se o requerimento de substituição da penhora. Se a penhora incidir sobre bens de baixa liquidez, há a possibilidade de requerer a substituição do bem penhorado. Por exemplo, na hipótese de penhora de ações, se o ato constritivo recair sobre ações de menor expressão, muito embora o réu possua ações do índice IBOVESPA, que representa as ações mais negociadas e com melhor liquidez de mercado, admite-se a substituição da penhora pelas ações de melhor liquidez. Caso reste fracassada a tentativa de alienação judicial admite-se a substituição da penhora por outro bem. Por exemplo, não houve interessado em adquirir imóvel levado a leilão para, com o produto da venda, pagar o saldo devedor. Nesses casos, haverá substituição da penhora. Também se admite o requerimento de substituição da penhora se o executado não indicar o valor dos bens ou omitir qualquer uma das indicações previstas em lei. Sem ter a ciência exata do valor do bem, admite-se postular a substituição da penhora a fim de se garantir o pleno atendimento do débito. Em síntese... Se o juiz deferir a substituição do bem penhorado, novo termo será lavrado: • NÃO obedecer à ordem legal • NÃO incidir sobre os bens designados em lei, contrato ou ato judicial para o pagamento • havendo bens no foro da execução, outros tiverem sido penhorados • havendo bens livres, ela tiver recaído sobre bens já penhorados ou objeto de gravame • incidir sobre bens de baixa liquidez • fracassar a tentativa de alienação judicial do bem • o executado não indicar o valor dos bens ou omitir qualquer das indicações previstas em lei ADMITE-SE O REQUERIMENTO DE SUBSTITUIÇÃO DA PENHORA, SE Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 87 488 Art. 849. Sempre que ocorrer a substituição dos bens inicialmente penhorados, será lavrado novo termo. O art. 850, do CPC, trata da possibilidade de redução ou de ampliação do objeto da penhora. Art. 850. Será admitida a redução ou a ampliação da penhora, bem como sua transferência para outros bens, se, no curso do processo, o valor de mercado dos bens penhorados sofrer alteração significativa. O art. 851, do CPC, por sua vez, prevê três situações excepcionais nas quais podemos ter a realização de segunda penhora. Veja: É isso que temos descrito no art. 851, do CPC: Art. 851. NÃO se procede à segunda penhora, SALVO SE: I - a primeira for anulada; II - executados os bens, o produto da alienação não bastar para o pagamento do exequente; III - o exequente desistir da primeira penhora, por serem litigiosos os bens ou por estarem submetidos a constrição judicial. O art. 852 prevê a possibilidade de alienação antecipada. Em termos gerais, após a realização da penhora, podemos ter impugnações, avaliação, arrematação, alienação etc. Esse procedimento todo é demorado e, em face disso, o objeto da penhora pode ser prejudicado financeiramente. Em razão disso, com a finalidade de minorar os prejuízos do tempo sobre determinados bens, o art. 852, do CPC, prevê a possibilidade de alienação antecipada em algumas situações: ➢ veículos automotores; ➢ pedras e metais preciosos; e ➢ móveis sujeitos à depreciação ou à deterioração. Além desses três casos, admite-se a alienação antecipada em situação justamente inversa à prevista acima. HIPÓTESES EM QUE HAVERÁ NOVA PENHORA anulação da anterior fruto da alienação não for suficiente exequente desistir da primeira penhora realizada Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 88 488 Por exemplo, ações com cotação em bolsa. Podemos ter a situação em que os valores custodiados estejam com um excelente preço e haja perspectiva de queda no mercado de valores mobiliários. Nesse caso, revela- se a alienação com manifesta vantagem à execução, pelo que poderá ser autorizada. Assim... Veja o dispositivo do CPC: Art. 852. O juiz determinará a alienação antecipada dos bens penhorados quando: I- se tratar de veículos automotores, de pedras e metais preciosos e de outros bens móveis sujeitos à depreciação ou à deterioração; II - houver manifesta vantagem. Para encerrar, confirma o art. 853, que trata do contraditório ao longo dos atos de penhora: Art. 853. Quando uma das partes requerer alguma das medidas previstas nesta Subseção, o juiz ouvirá sempre a outra, no prazo de 3 (três) dias, antes de decidir. Parágrafo único. O juiz decidirá de plano qualquer questão suscitada. Com isso, finalizamos as “regras gerais” sobre a penhora de bens. Na sequência, vamos explorar vários assuntos específicos em face do bem a ser penhorado. Veremos, assim: Como esses assuntos são específicos e, se cobrados em prova teremos a abordagem literal dos dispositivos, vamos citá-los e grifá-los e, ao final de cada tópico, destacaremos as informações mais relevantes de modo que você possa reforçar a memorização para a prova. ADMITE-SE ALIENAÇÃO ANTECIPADA veículos automotores pedras e metais preciosos móveis sujeitos à depreciação ou à deterioração manifesta vantagem • penhora de dinheiro em depósito ou aplicação financeira • penhora de créditos • penhora de quotas ou das ações de sociedades personificadas • penhora de empresa, de outros estabelecimentos e de semoventes • penhora de frutos e rendimento de coisa móvel ou imóvel REGRAS ESPECÍFICAS DE PENHORA Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 89 488 Penhora de Dinheiro em Depósito ou em Aplicação Financeira Art. 854. Para possibilitar a penhora de dinheiro em depósito ou em aplicação financeira, o juiz, a requerimento do exequente, sem dar ciência prévia do ato ao executado, determinará às instituições financeiras, por meio de sistema eletrônico gerido pela autoridade supervisora do sistema financeiro nacional, que torne indisponíveis ativos financeiros existentes em nome do executado, limitando-se a indisponibilidade ao valor indicado na execução. § 1o No prazo de 24 (VINTE E QUATRO) HORAS a contar da resposta, de ofício, o juiz determinará o cancelamento de eventual indisponibilidade excessiva, o que deverá ser cumprido pela instituição financeira em igual prazo. § 2o Tornados indisponíveis os ativos financeiros do executado, este será intimado na pessoa de seu advogado ou, não o tendo, pessoalmente. § 3o Incumbe ao executado, no PRAZO DE 5 (CINCO) DIAS, comprovar que: I - as quantias tornadas indisponíveis são impenhoráveis; II - ainda remanesce indisponibilidade excessiva de ativos financeiros. § 4o Acolhida qualquer das arguições dos incisos I e II do § 3o, o juiz determinará o cancelamento de eventual indisponibilidade irregular ou excessiva, a ser cumprido pela instituição financeira em 24 (vinte e quatro) horas. § 5o Rejeitada ou não apresentada a manifestação do executado, converter-se-á a indisponibilidade em penhora, sem necessidade de lavratura de termo, devendo o juiz da execução determinar à instituição financeira depositária que, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, transfira o montante indisponível para conta vinculada ao juízo da execução. § 6o Realizado o pagamento da dívida por outro meio, o juiz determinará, imediatamente, por sistema eletrônico gerido pela autoridade supervisora do sistema financeiro nacional, a notificação da instituição financeira para que, em até 24 (VINTE E QUATRO) HORAS, cancele a indisponibilidade. § 7o As transmissões das ordens de indisponibilidade, de seu cancelamento e de determinação de penhora previstas neste artigo far-se-ão por meio de sistema eletrônico gerido pela autoridade supervisora do sistema financeiro nacional. § 8o A instituição financeira será responsável pelos prejuízos causados ao executado em decorrência da indisponibilidade de ativos financeiros em valor superior ao indicado na execução ou pelo juiz, bem como na hipótese de não cancelamento da indisponibilidade no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, quando assim determinar o juiz. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 90 488 § 9o Quando se tratar de execução contra partido político, o juiz, a requerimento do exequente, determinará às instituições financeiras, por meio de sistema eletrônico gerido por autoridade supervisora do sistema bancário, que tornem indisponíveis ativos financeiros somente em nome do órgão partidário que tenha contraído a dívida executada ou que tenha dado causa à violação de direito ou ao dano, ao qual cabe exclusivamente a responsabilidade pelos atos praticados, na forma da lei. Dos dispositivos acima... PENHORA DE DIREITO EM DEPÓSITO OU EM APLICAÇÃO FINANCEIRA Admite-se a indisponibilidade desses valores sem a prévia ciência do executado. Uma vez realizado o bloqueio, o juiz tem 24 horas para determinar o cancelamento do valor excessivo. Com a indisponibilidade, o executado será intimado para, no prazo de 5 dias: a) Arguir a impenhorabilidade, se for o caso; ou b) Alegar e comprovar eventual excesso de execução. O juiz decidirá no prazo de 24 horas. Após, a indisponibilidade converte-se em penhora, sem a necessidade de lavratura de termo. Comunica-se a instituição financeira que, no prazo de 24 horas, irá transferir os valores para a conta vinculada ao juízo da execução. Se houver pagamento, o juiz expedirá determinação de imediato cancelamento da indisponibilidade para que a instituição bancária cumpra no prazo de 24 horas. Em relação ao bloqueio de valores de partidos políticos, a indisponibilidade poderá ocorrer tão somente em relação ao órgão partidário que contraiu a dívida (órgão nacional, estadual ou local). Penhora de Créditos Leia os dispositivos referentes à penhora de créditos: Art. 855. Quando recair em crédito do executado, enquanto não ocorrer a hipótese prevista no art. 856, considerar-se-á feita a penhora pela intimação: I - ao terceiro devedor para que não pague ao executado, seu credor; II - ao executado, credor do terceiro, para que não pratique ato de disposição do crédito. Art. 856. A penhora de crédito representado por letra de câmbio, nota promissória, duplicata, cheque ou outros títulos far-se-á pela apreensão do documento, esteja ou não este em poder do executado. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 91 488 § 1o Se o título não for apreendido, mas o terceiro confessar a dívida, será este tido como depositário da importância. § 2o O terceiro só se exonerará da obrigação depositando em juízo a importância da dívida. § 3o Se o terceiro negar o débito em conluio com o executado, a quitação que este lhe der caracterizará fraude à execução. § 4o A requerimento do exequente, o juiz determinará o comparecimento, em audiência especialmente designada, do executado e do terceiro, a fim de lhes tomar os depoimentos. Art. 857. Feita a penhora em direito e ação do executado, e não tendo ele oferecido embargos ou sendo estes rejeitados, o exequente ficará sub-rogado nos direitos do executado até a concorrência de seu crédito. § 1o O exequente pode preferir, em vez da sub-rogação, a alienação judicial do direito penhorado, caso em que declarará sua vontade no PRAZO DE 10 (DEZ) DIAS contado da realização da penhora. § 2o A sub-rogação não impede o sub-rogado, se não receber o crédito do executado, de prosseguir na execução, nos mesmos autos, penhorando outros bens. Art. 858. Quando a penhora recair sobre dívidas de dinheiro a juros, de direito a rendas ou de prestações periódicas, o exequente poderá levantar os juros, os rendimentos ou as prestações à medida que forem sendo depositados, abatendo-se do créditoas importâncias recebidas, conforme as regras de imputação do pagamento. Art. 859. Recaindo a penhora sobre direito a prestação ou a restituição de coisa determinada, o executado será intimado para, no vencimento, depositá-la, correndo sobre ela a execução. Art. 860. Quando o direito estiver sendo pleiteado em juízo, a penhora que recair sobre ele será averbada, com destaque, nos autos pertinentes ao direito e na ação correspondente à penhora, a fim de que esta seja efetivada nos bens que forem adjudicados ou que vierem a caber ao executado. Para a prova... Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 92 488 PENHORA DE CRÉDITOS Se o executado tiver algum crédito a receber de terceiro, admite-se a penhora por intimação. Nesse caso, o terceiro será intimado para pagar ao exequente (não ao executado) e o executado será intimado para não dispor do crédito. A penhora sobre títulos de crédito (letra de câmbio, nota promissória, duplicata ou cheque) se faz com a apreensão do documento. A) Se não for possível apreender o documento, mas o terceiro confessar que o executado possui direito a um crédito, o terceiro somente ficará desonerado na execução se depositar o montante que deve ao executado em juízo. B) Se o terceiro agir em conluio com o executado, será considerado fraude. A penhora poderá ocorrer sobre o direito que decorrer de eventual ação promovida pelo executado contra terceiro. Nesse caso, o exequente: A) ficará sub-rogado nos direitos do executado na ação contra terceiro; ou B) se preferir, poderá requerer a alienação judicial do direito no prazo de 10 dias. No caso de penhora sobre dívidas de dinheiro a juros, de direito a rendas ou de prestações periódicas, o exequente poderá levantar os valores à medida que forem sendo depositados, abatendo-se do crédito as importâncias recebidas. No caso de penhora sobre direito à prestação ou à restituição de coisa determinada, o executado será intimado para, no vencimento, depositá-la, correndo sobre ela a execução. Penhora das Quotas ou das Ações de Sociedades Personificadas Art. 861. Penhoradas as quotas ou as ações de sócio em sociedade simples ou empresária, o juiz assinará prazo razoável, não superior a 3 (TRÊS) MESES, para que a sociedade: I - apresente balanço especial, na forma da lei; II - ofereça as quotas ou as ações aos demais sócios, observado o direito de preferência legal ou contratual; III - não havendo interesse dos sócios na aquisição das ações, proceda à liquidação das quotas ou das ações, depositando em juízo o valor apurado, em dinheiro. § 1o Para evitar a liquidação das quotas ou das ações, a sociedade poderá adquiri-las sem redução do capital social e com utilização de reservas, para manutenção em tesouraria. § 2o O disposto no caput e no § 1o não se aplica à sociedade anônima de capital aberto, cujas ações serão adjudicadas ao exequente ou alienadas em bolsa de valores, conforme o caso. § 3o Para os fins da liquidação de que trata o inciso III do caput, o juiz poderá, a requerimento do exequente ou da sociedade, nomear administrador, que deverá submeter à aprovação judicial a forma de liquidação. § 4o O prazo previsto no caput poderá ser ampliado pelo juiz, se o pagamento das quotas ou das ações liquidadas: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 93 488 I - superar o valor do saldo de lucros ou reservas, exceto a legal, e sem diminuição do capital social, ou por doação; ou II - colocar em risco a estabilidade financeira da sociedade simples ou empresária. § 5o Caso não haja interesse dos demais sócios no exercício de direito de preferência, não ocorra a aquisição das quotas ou das ações pela sociedade e a liquidação do inciso III do caput seja excessivamente onerosa para a sociedade, o juiz poderá determinar o leilão judicial das quotas ou das ações. Para a prova... PENHORA DE QUOTAS OU AÇÕES O juiz assinará prazo não superior a 3 meses para que a empresa apresente o balanço, ofereça as quotas aos demais sócios (direito de preferência) ou processe a liquidação. Penhora de Empresa, de Outros Estabelecimentos e de Semoventes Art. 862. Quando a penhora recair em estabelecimento comercial, industrial ou agrícola, bem como em semoventes, plantações ou edifícios em construção, o juiz nomeará administrador-depositário, determinando-lhe que apresente em 10 (DEZ) DIAS o plano de administração. § 1o Ouvidas as partes, o juiz decidirá. § 2o É lícito às partes ajustar a forma de administração e escolher o depositário, hipótese em que o juiz homologará por despacho a indicação. § 3o Em relação aos edifícios em construção sob regime de incorporação imobiliária, a penhora somente poderá recair sobre as unidades imobiliárias ainda não comercializadas pelo incorporador. § 4o Sendo necessário afastar o incorporador da administração da incorporação, será ela exercida pela comissão de representantes dos adquirentes ou, se se tratar de construção financiada, por empresa ou profissional indicado pela instituição fornecedora dos recursos para a obra, devendo ser ouvida, neste último caso, a comissão de representantes dos adquirentes. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 94 488 Art. 863. A penhora de empresa que funcione mediante concessão ou autorização far-se- á, conforme o valor do crédito, sobre a renda, sobre determinados bens ou sobre todo o patrimônio, e o juiz nomeará como depositário, de preferência, um de seus diretores. § 1o Quando a penhora recair sobre a renda ou sobre determinados bens, o administrador- depositário apresentará a forma de administração e o esquema de pagamento, observando-se, quanto ao mais, o disposto em relação ao regime de penhora de frutos e rendimentos de coisa móvel e imóvel. § 2o Recaindo a penhora sobre todo o patrimônio, prosseguirá a execução em seus ulteriores termos, ouvindo-se, antes da arrematação ou da adjudicação, o ente público que houver outorgado a concessão. Art. 864. A penhora de navio ou de aeronave não obsta que continuem navegando ou operando até a alienação, mas o juiz, ao conceder a autorização para tanto, não permitirá que saiam do porto ou do aeroporto antes que o executado faça o seguro usual contra riscos. Art. 865. A penhora de que trata esta Subseção somente será determinada se não houver outro meio eficaz para a efetivação do crédito. Para a prova... PENHORA DE EMPRESA, DE ESTABELECIMENTO OU DE SEMOVENTES Na penhora de estabelecimento, de semoventes, de plantações e de edifícios em construção haverá nomeação de depositório que apresentará plano de administração no prazo de 10 dias. Na penhora sobre empresas que atuem mediante concessão ou autorização, a incidência se dá sobre rendas, determinados bens ou todo o patrimônio. Na penhora sobre navio ou aeronave, permite-se o uso do bem desde que haja seguro. Penhora de Percentual de Faturamento de Empresa Art. 866. Se o executado não tiver outros bens penhoráveis ou se, tendo-os, esses forem de difícil alienação ou insuficientes para saldar o crédito executado, o juiz poderá ordenar a penhora de percentual de faturamento de empresa. § 1o O juiz fixará percentual que propicie a satisfação do crédito exequendo em tempo razoável, mas que não torne inviável o exercício da atividade empresarial. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 95 488 § 2o O juiz nomeará administrador-depositário, o qual submeterá à aprovaçãojudicial a forma de sua atuação e prestará contas mensalmente, entregando em juízo as quantias recebidas, com os respectivos balancetes mensais, a fim de serem imputadas no pagamento da dívida. § 3o Na penhora de percentual de faturamento de empresa, observar-se-á, no que couber, o disposto quanto ao regime de penhora de frutos e rendimentos de coisa móvel e imóvel. Para a prova... PENHORA DE PERCENTUAL DE FATURAMENTO Na hipótese de o executado não ter outros bens, ou forem bens de difícil alienação, ou insuficientes para saldar o crédito, admite-se a penhora sobre faturamento da empresa. Será fixado percentual capaz de atender à quitação progressiva da dívida e que, ao mesmo tempo, não afete a atividade empresarial. Há nomeação de administrador-depositário. Penhora de Frutos e Rendimentos de Coisa Móvel ou Imóvel Art. 867. O juiz pode ordenar a penhora de frutos e rendimentos de coisa móvel ou imóvel quando a considerar mais eficiente para o recebimento do crédito e menos gravosa ao executado. Art. 868. Ordenada a penhora de frutos e rendimentos, o juiz nomeará administrador- depositário, que será investido de todos os poderes que concernem à administração do bem e à fruição de seus frutos e utilidades, perdendo o executado o direito de gozo do bem, até que o exequente seja pago do principal, dos juros, das custas e dos honorários advocatícios. § 1o A medida terá eficácia em relação a terceiros a partir da publicação da decisão que a conceda ou de sua averbação no ofício imobiliário, em caso de imóveis. § 2o O exequente providenciará a averbação no ofício imobiliário mediante a apresentação de certidão de inteiro teor do ato, independentemente de mandado judicial. Art. 869. O juiz poderá nomear administrador-depositário o exequente ou o executado, ouvida a parte contrária, e, NÃO havendo acordo, nomeará profissional qualificado para o desempenho da função. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 96 488 § 1o O administrador submeterá à aprovação judicial a forma de administração e a de prestar contas periodicamente. § 2o Havendo discordância entre as partes ou entre essas e o administrador, o juiz decidirá a melhor forma de administração do bem. § 3o Se o imóvel estiver arrendado, o inquilino pagará o aluguel diretamente ao exequente, salvo se houver administrador. § 4o O exequente ou o administrador poderá celebrar locação do móvel ou do imóvel, ouvido o executado. § 5o As quantias recebidas pelo administrador serão entregues ao exequente, a fim de serem imputadas ao pagamento da dívida. § 6o O exequente dará ao executado, por termo nos autos, quitação das quantias recebidas. Para a prova... PENHORA DE FRUTOS E RENDIMENTOS DE COISA MÓVEL OU IMÓVEL Utiliza-se essa modalidade de penhora quando mais eficiente e menos gravosa for para o executado. Será nomeado administrador-depositário, o qual que será responsável pela administração dos bens. a) Pode ser o executado ou o exequente e, caso não haja acordo, será um administrador profissional. b) A administração se submete à aprovação judicial. O executado perde a fruição de seus frutos e utilidades até o pagamento do principal, juros, custas e honorários advocatícios. Essa penhora é eficaz contra terceiros a partir da decisão (com averbação, se tratar de bens imóveis). Encerramos uma parte muito densa do nosso estudo. A penhora é um procedimento técnico e formal que envolve uma série de regras específicas. Por um lado, temos a dificuldade pelo volume de informações, por outro, a vantagem de que a cobrança é “superficial”. Não obstante, finalizada essa parte relativa à penhora, passamos a estudar a avaliação, rumo ao final da segunda fase do procedimento de execução por quantia certa. Lembre-se de que já estudamos a proposição e, nesse momento, nos debruçamos sobre a apreensão dos bens. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 97 488 Avaliação A avaliação tem por finalidade determinar o valor do bem. Com a determinação do valor do bem apreendido, é possível saber se aquele valor é, ou não, suficiente para cobrir a dívida do executado. É a partir da avaliação que podemos determinar a necessidade de reforço ou de redução da penhora. Segundo a doutrina5, a avaliação constitui o dimensionamento econômico do bem penhorado. A avaliação da penhora é efetuada, em regra, pelo oficial de justiça. Contudo, quando são necessários conhecimentos especializados e se tratar de execução de grande valor, o juiz nomeará um avaliador que entregará o laudo de avaliação no prazo de 10 dias. Art. 870. A avaliação será feita pelo oficial de justiça. Parágrafo único. Se forem necessários conhecimentos especializados e o valor da execução o comportar, o juiz nomeará avaliador, fixando-lhe prazo NÃO superior a 10 (DEZ) DIAS para entrega do laudo. Para a prova... Existem situações, contudo, que a avaliação do bem é desnecessária. Isso ocorre nas hipóteses do art. 871, do CPC: Art. 871. NÃO se procederá à avaliação quando: I - uma das partes aceitar a estimativa feita pela outra; II - se tratar de títulos ou de mercadorias que tenham cotação em bolsa, comprovada por certidão ou publicação no órgão oficial; 5 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 928. AVALIADOR regra: oficial de justiça exceção: avaliador conhecimentos especializados valor da execução comportar 10 dias para entregar o laudo Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 98 488 III - se tratar de títulos da dívida pública, de ações de sociedades e de títulos de crédito negociáveis em bolsa, cujo valor será o da cotação oficial do dia, comprovada por certidão ou publicação no órgão oficial; IV - se tratar de veículos automotores ou de outros bens cujo preço médio de mercado possa ser conhecido por meio de pesquisas realizadas por órgãos oficiais ou de anúncios de venda divulgados em meios de comunicação, caso em que caberá a quem fizer a nomeação o encargo de comprovar a cotação de mercado. Parágrafo único. Ocorrendo a hipótese do inciso I deste artigo, a avaliação poderá ser realizada quando houver fundada dúvida do juiz quanto ao real valor do bem. Assim, se uma das partes apresentar uma estimativa do valor do bem penhorado e a outra parte concordar, não há a necessidade de penhora, a não ser que haja alguma dúvida, situação em que o juiz determinará a avaliação a fim de que seja explicitado o valor real do bem. Fora a hipótese subjetiva acima, temos três outras situações em que não ocorrerá a avaliação por razões objetivas: títulos ou mercadorias com cotação em bolsa; Por exemplo, valor de “commodities”. títulos da dívida pública, ações de sociedade e títulos de crédito negociáveis em bolsa. Por exemplo, ações de empresas custodiadas na BOVESPA. veículos automotores e bens cujo preço médio seja aferido por pesquisa de mercado. Em relação aos veículos, sabe-se o preço de antemão pela tabela FIPE. No caso de bens, por exemplo, cita-se um estoque de bebidas que é facilmente consultado o preço médio praticado. Enfim, em tais situações, é desnecessária a realização da avaliação: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 99 488 O art. 782, do CPC, discrimina o procedimento de avaliação com as informações que devem constardo laudo. A leitura atenta é o suficiente para a prova: Art. 872. A avaliação realizada pelo oficial de justiça constará de vistoria e de laudo anexados ao auto de penhora ou, em caso de perícia realizada por avaliador, de laudo apresentado no prazo fixado pelo juiz, devendo-se, em qualquer hipótese, especificar: I - os bens, com as suas características, e o estado em que se encontram; II - o valor dos bens. § 1o Quando o imóvel for suscetível de cômoda divisão, a avaliação, tendo em conta o crédito reclamado, será realizada em partes, sugerindo-se, com a apresentação de memorial descritivo, os possíveis desmembramentos para alienação. § 2o Realizada a avaliação e, sendo o caso, apresentada a proposta de desmembramento, as partes serão ouvidas no prazo de 5 (cinco) dias. A realização de uma segunda avaliação é admitida apenas nas hipóteses do art. 873, do CPC. São as seguintes situações: arguição fundamentada da ocorrência de erro na avaliação ou dolo do avaliador; constatação de que houve majoração ou diminuição posterior no valor do bem; ou dúvida fundada do juiz em relação ao valor atribuído na primeira avaliação. Confira: Art. 873. É admitida nova avaliação quando: I - qualquer das partes arguir, fundamentadamente, a ocorrência de erro na avaliação ou dolo do avaliador; DESNECESSÁRIA A AVALIAÇÃO estimativa aceita pela parte contrária título ou mercadorias com cotação em bolsa títulos da dívida pública, ações de sociedade e títulos de crédito negociáveis em bolsa veículos automotores e bens cujo preço médio possa ser extraído em pesquisa de mercado Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 100 488 II - se verificar, posteriormente à avaliação, que houve majoração ou diminuição no valor do bem; III - o juiz tiver fundada dúvida sobre o valor atribuído ao bem na primeira avaliação. Parágrafo único. Aplica-se o art. 480 à nova avaliação prevista no inciso III do caput deste artigo. Definida a avaliação, se necessário, o juiz poderá determinar a redução ou o reforço da penhora na forma do art. 874: Art. 874. Após a avaliação, o juiz poderá, a requerimento do interessado e ouvida a parte contrária, mandar: I - reduzir a penhora aos bens suficientes ou transferi-la para outros, se o valor dos bens penhorados for consideravelmente superior ao crédito do exequente e dos acessórios; II - ampliar a penhora ou transferi-la para outros bens mais valiosos, se o valor dos bens penhorados for inferior ao crédito do exequente. Finalizada a avaliação, encerra-se a fase de apreensão e passa-se à terceira fase da execução consubstanciada na expropriação dos bens. Art. 875. Realizadas a penhora e a avaliação, O JUIZ DARÁ INÍCIO AOS ATOS DE EXPROPRIAÇÃO DO BEM. Expropriação de Bens A expropriação, segundo a doutrina6: consiste no ato pelo qual o Estado-juízo, para satisfação do direito de crédito, desapossa o devedor de seus bens, converte esses bens em dinheiro ou simplesmente transfere o domínio deles ao credor. A expropriação abrange a adjudicação e a alienação, disciplinados nos arts. 876 a 903, todos do CPC. Ingressamos, portanto, na terceira fase da execução. Adjudicação A adjudicação é a transferência do bem penhorado ao exequente como forma de satisfação do crédito. 6 DONIZETTI, Elpídio. Curso Didático de Direito Processual Civil. 19ª edição, rev. e atual., São Paulo: Editora Atlas S/A, 2016, p. 1194. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 101 488 Esse ato expropriatório depende de requerimento do exequente. Se ele manifestar interesse e, desde que pretenda fazê-lo por valor não inferior à avaliação do bem, o juiz determinará a intimação do executado e, após, decidirá. Art. 876. É lícito ao exequente, oferecendo preço não inferior ao da avaliação, requerer que lhe sejam adjudicados os bens penhorados. § 1o Requerida a adjudicação, o executado será intimado do pedido: I - pelo Diário da Justiça, na pessoa de seu advogado constituído nos autos; II - por carta com aviso de recebimento, quando representado pela Defensoria Pública ou quando não tiver procurador constituído nos autos; III - por meio eletrônico, quando, sendo o caso do § 1o do art. 246, não tiver procurador constituído nos autos. § 2o Considera-se realizada a intimação quando o executado houver mudado de endereço sem prévia comunicação ao juízo, observado o disposto no art. 274, parágrafo único. § 3o Se o executado, citado por edital, não tiver procurador constituído nos autos, é dispensável a intimação prevista no § 1o. Para a adjudicação: Se o bem a ser adjudicado for superior ao valor da execução, o exequente deverá depositar imediatamente a diferença, que ficará à disposição do executado e, caso seja inferior, prossegue-se com a execução pelo valor remanescente. § 4o Se o valor do crédito for: I - inferior ao dos bens, o requerente da adjudicação depositará de imediato a diferença, que ficará à disposição do executado; ADJUDICAÇÃO depende de requerimento do exequente não pode ser por valor inferior ao da avaliação depende de intimação do executado depende decisão judicial Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 102 488 II - superior ao dos bens, a execução prosseguirá pelo saldo remanescente. A adjudicação é realizada, em regra, pelo exequente. Contudo, prevê o §5º, do art. 876, a possibilidade de adjudicação pelo: Veja: § 5o Idêntico direito pode ser exercido por aqueles indicados no art. 889, incisos II a VIII, pelos credores concorrentes que hajam penhorado o mesmo bem, pelo cônjuge, pelo companheiro, pelos descendentes ou pelos ascendentes do executado. Em relação ao extenso rol de pessoas que podem pretender a adjudicação, a depender da situação, podemos ter várias pessoas interessadas nos bens e nos direitos do executado. Se isso ocorrer, determina o §6º, abaixo citado, que será realizada licitação entre os múltiplos interessados, conferindo-se preferência àquele que ofertar o maior valor. Caso seja ofertado o mesmo valor, prevalecerá a oferta do cônjuge ou companheiro, dos ascendentes ou dos descendentes do executado. § 6o Se houver mais de um pretendente, proceder-se-á a licitação entre eles, tendo preferência, em caso de igualdade de oferta, o cônjuge, o companheiro, o descendente ou o ascendente, nessa ordem. • coproprietário de bem indivisível, quando há penhora de fração ideal; • titular de usufruto, uso, habitação, enfiteuse, direito de superfície, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de uso, quando a penhora recair sobre bem gravado com tais direitos reais; • proprietário do terreno submetido ao regime de direito de superfície, enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de uso, quando a penhora recair sobre tais direitos reais; • credor pignoratício, hipotecário, anticrético, fiduciário ou com penhora anteriormente averbada, quando a penhora recair sobre bens com tais gravames, caso não seja o credor, de qualquer modo, parte na execução; • promitente comprador, quando a penhora recair sobre bem em relação ao qual haja promessa de compra e venda registrada; • promitente vendedor, quando a penhora recair sobre direito aquisitivo derivado de promessa de compra e venda registrada; • a União, o Estado e o Município, no caso de alienação de bem tombado; • pelos demais credores concorrentes; • pelo cônjuge ou companheiro; e • pelos descendentes (filhos) ou pelos ascendentes (pais, avós) do executado. ADMITE-SE A ADJUDICAÇÃO POR: Ricardo TorquesLista de Questões - Execução - Espécies de Execução-Disposições Gerais - VUNESP 401 ..............................................................................................................................................................................................60) Gabarito - Execução - Espécies de Execução-Disposições Gerais - VUNESP 402 ..............................................................................................................................................................................................61) Lista de Questões - Execução - Espécies de Execução-Disposições Gerais - OUTRAS BANCAS 403 ..............................................................................................................................................................................................62) Gabarito - Execução - Espécies de Execução-Disposições Gerais - OUTRAS BANCAS 405 ..............................................................................................................................................................................................63) Lista de Questões - Execução - Execução para entregar Coisa - OUTRAS BANCAS 406 ..............................................................................................................................................................................................64) Gabarito - Execução - Execução para entregar Coisa - OUTRAS BANCAS 407 ..............................................................................................................................................................................................65) Lista de Questões - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - CEBRASPE 408 ..............................................................................................................................................................................................66) Gabarito - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - CEBRASPE 411 ..............................................................................................................................................................................................67) Lista de Questões - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - CONSULPLAN 412 ..............................................................................................................................................................................................68) Gabarito - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - CONSULPLAN 418 ..............................................................................................................................................................................................69) Lista de Questões - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - FCC 419 ..............................................................................................................................................................................................70) Gabarito - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - FCC 427 ..............................................................................................................................................................................................71) Lista de Questões - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - FGV 428 ..............................................................................................................................................................................................72) Gabarito - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - FGV 431 ..............................................................................................................................................................................................73) Lista de Questões - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - VUNESP 432 ..............................................................................................................................................................................................74) Gabarito - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - VUNESP 434 ..............................................................................................................................................................................................75) Lista de Questões - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - OUTRAS BANCAS 435 ..............................................................................................................................................................................................76) Gabarito - Execução - Execução para Pagamento de Quantia Certa - OUTRAS BANCAS 440 ..............................................................................................................................................................................................77) Lista de Questões - Execução - Execução contra Fazenda Pública - CEBRASPE 441 ..............................................................................................................................................................................................78) Gabarito - Execução - Execução contra Fazenda Pública - CEBRASPE 443 ..............................................................................................................................................................................................79) Lista de Questões - Execução - Execução contra Fazenda Pública - CONSULPLAN 444 ..............................................................................................................................................................................................80) Gabarito - Execução - Execução contra Fazenda Pública - CONSULPLAN 445 ..............................................................................................................................................................................................81) Lista de Questões - Execução - Execução contra Fazenda Pública - FCC 446 ..............................................................................................................................................................................................82) Gabarito - Execução - Execução contra Fazenda Pública - FCC 447 ..............................................................................................................................................................................................83) Lista de Questões - Execução - Execução contra Fazenda Pública - VUNESP 448 ..............................................................................................................................................................................................84) Gabarito - Execução - Execução contra Fazenda Pública - VUNESP 449 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 4 488 Ricardo Torques Aula 14 Índice ..............................................................................................................................................................................................85) Lista de Questões - Execução - Execução contra Fazenda Pública - OUTRAS BANCAS 450 ..............................................................................................................................................................................................86) Gabarito - Execução - Execução contra Fazenda Pública - OUTRAS BANCAS 452 ..............................................................................................................................................................................................87) Lista de Questões - Execução - Execução de Alimentos - CEBRASPE 453 ..............................................................................................................................................................................................88)Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 103 488 Definida a ordem de preferência, o bem será adjudicado a quem requerer ou tiver preferência. Por fim, se envolver pretensão de adjudicação de parte do capital social de empresa ou de ações de sociedade anônima fechada, antes de se atribuir o produto da penhora ao pretendente, é necessário intimar os sócios sobre a penhora, pois, de acordo com o Direito Empresarial, eles possuem preferência na aquisição de tais quotas ou ações. § 7o No caso de penhora de quota social ou de ação de sociedade anônima fechada realizada em favor de exequente alheio à sociedade, esta será intimada, ficando responsável por informar aos sócios a ocorrência da penhora, assegurando-se a estes a preferência. Confira uma questão de prova: (TJ-MG - 2015) Durante a execução judicial de título extrajudicial o julgador defere, mediante iniciativa do exequente, a adjudicação do bem que se encontra penhorado. Sobre esse assunto, julgue: A adjudicação apenas poderia ocorrer com a expressa concordância do executado. Comentários A assertiva está incorreta. De acordo com o art. 876, do CPC, é lícito ao exequente requerer que lhe sejam adjudicados os bens penhorados. Havendo interessados e definido o adjudicante, o executado será intimado. Se não se manifestar no prazo de 5 dias, o juiz ordenará a lavratura da carta de adjudicação. LICITAÇÃO ENTRE ADJUDICANTES maior lance se iguais, prevalece: 1º - cônjuge/companheiro; após 2ª – descendentes; após 3º - ascendentes Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 104 488 Essa carta será assinada: pelo juiz; pelo adjudicatário; pelo chefe de secretaria (ou escrivão); e pelo executado, se estiver presente. Leia o dispositivo: Art. 877. Transcorrido o PRAZO DE 5 (CINCO) DIAS, contado da última intimação, e decididas eventuais questões, o juiz ordenará a lavratura do auto de adjudicação. § 1o Considera-se perfeita e acabada a adjudicação com a lavratura e a assinatura do auto pelo juiz, pelo adjudicatário, pelo escrivão ou chefe de secretaria, e, se estiver presente, pelo executado, expedindo-se: I - a carta de adjudicação e o mandado de imissão na posse, quando se tratar de bem imóvel; II - a ordem de entrega ao adjudicatário, quando se tratar de bem móvel. § 2o A carta de adjudicação conterá a descrição do imóvel, com remissão à sua matrícula e aos seus registros, a cópia do auto de adjudicação e a prova de quitação do imposto de transmissão. Ainda em relação ao dispositivo, é importante que conheçamos os §§ 3º e 4º. O primeiro deles prevê a possibilidade de remição do bem imóvel que esteja penhorado. Na realidade, constitui a aquisição do bem já “vendido” pelo executado, desde que o faça no preço da licitação ou da avaliação. O §4º prevê que, no caso de falência ou de insolvência do devedor de hipoteca, a remição poderá ser exercida pela massa falida ou pelos credores. Veja: § 3o No caso de penhora de bem hipotecado, o executado poderá remi-lo até a assinatura do auto de adjudicação, oferecendo preço igual ao da avaliação, se não tiver havido licitantes, ou ao do maior lance oferecido. § 4o Na hipótese de falência ou de insolvência do devedor hipotecário, o direito de remição previsto no § 3o será deferido à massa ou aos credores em concurso, não podendo o exequente recusar o preço da avaliação do imóvel. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 105 488 O art. 878, do CPC, traz uma regra específica. Vimos que, após a formalização da penhora, ingressamos na terceira fase da execução, a expropriação. Primeiramente, temos a possibilidade de adjudicação, caso infrutífera, teremos a ocorrência da alienação judicial. Se frustrada a alienação, explicita o dispositivo abaixo que haverá abertura de novo prazo para verificar se há, eventualmente, novos interessados na adjudicação, com possibilidade de se pleitear nova avaliação dos bens em face do insucesso da primeira tentativa de expropriação. Art. 878. Frustradas as tentativas de alienação do bem, será reaberta oportunidade para requerimento de adjudicação, caso em que também se poderá pleitear a realização de nova avaliação. Confira uma questão de prova: (TJ-MG - 2015) Durante a execução judicial de título extrajudicial o julgador defere, mediante iniciativa do exequente, a adjudicação do bem que se encontra penhorado. Sobre esse assunto, julgue: A decisão que defere a adjudicação é, por excelência, uma sentença que encerra o processo de execução. Por quanto, o recurso cabível contra a mesma é a apelação. Comentários A assertiva está incorreta. Essa decisão é considerada uma decisão interlocutória. A decisão que defere a adjudicação não põe fim ao processo, não podendo ser considerada uma sentença, por excelência. Alienação A outra forma de expropriação, e que acaba sendo mais utilizada na prática, é a alienação. Isso ocorre porque a adjudicação depende do interesse dos legitimados nos bens penhorados. Assim, frustrada a adjudicação, passamos para a alienação, que está disciplinada no CPC nos arts. 879 a 903, do CPC. A alienação constitui venda dos bens penhorados para satisfazer o valor devido. De acordo com o art. 879, do CPC, ela pode ocorrer por iniciativa particular ou por leilão. Art. 879. A alienação far-se-á: I - por iniciativa particular; II - em leilão judicial eletrônico ou presencial. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 106 488 De acordo com a doutrina7: A alienação de bens pode ocorrer por iniciativa particular ou em leilão judicial. A diferença, basicamente, está na maior ou menor participação da estrutura judicial na alienação do bem. Enquanto na alienação por iniciativa particular a participação do juízo se limita a estabelecer os parâmetros da alienação, controlando eventuais desvios ou excessos, o leilão judicial ocorre perante a estrutura do próprio Estado-jurisdição. O leilão judicial pode ser presencial ou ocorrer por meio eletrônico. Em termos simples: no primeiro caso, o juiz delimita os parâmetros para a alienação, no segundo, a alienação ocorre perante o Poder Judiciário. Vamos analisar ambas as espécies de alienação?! O art. 880, do CPC, trata da alienação por iniciativa particular: Art. 880. Não efetivada a adjudicação, o exequente poderá requerer a alienação por sua própria iniciativa ou por intermédio de corretor ou leiloeiro público credenciado perante o órgão judiciário. § 1o O juiz fixará o prazo em que a alienação deve ser efetivada, a forma de publicidade, o preço mínimo, as condições de pagamento, as garantias e, se for o caso, a comissão de corretagem. § 2o A alienação será formalizada por termo nos autos, com a assinatura do juiz, do exequente, do adquirente e, se estiver presente, do executado, expedindo-se: I - a carta de alienação e o mandado de imissão na posse, quando se tratar de bem imóvel; II - a ordem de entrega ao adquirente, quando se tratar de bem móvel. § 3o Os tribunais poderão editar disposições complementares sobre o procedimento da alienação prevista neste artigo, admitindo, quando for o caso, o concurso de meios eletrônicos, e dispor sobre o credenciamento dos corretores e leiloeiros públicos, os quais deverão estar em exercício profissional por não menos que 3 (TRÊS) ANOS. § 4o Nas localidades em que não houver corretor ou leiloeiro público credenciado nos termos do § 3o, a indicação será de livre escolha do exequente.A alienação por iniciativa particular poderá ser efetuada: por corretor contratado; ou 7 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 936. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 107 488 Ä por leiloeiro público credenciado. Os responsáveis pela alienação são pessoas privadas. Ao Poder Judiciário compete a fixação de parâmetros para a alienação, quais sejam: Forma de publicidade; Preço mínimo; Condições de pagamento; Garantias; e Comissão de corretagem. Observados esses parâmetros, e ocorrida a alienação dos bens do executado, haverá a formalização do mandado de imissão de posse (para imóveis) ou a ordem de entrega (bens móveis) ou a carta de alienação (demais bens). Essas são as normas do leilão por iniciativa particular, que constitui a regra da alienação. Ensina a doutrina8: A alienação em leilão judicial presencial ou eletrônico é, por sua vez, meio subsidiário de satisfação da execução. Nos termos do art. 881, essa forma de alienação somente será realizada quando a adjudicação ou a alienação por iniciativa particular não tiver sido efetivada. Assim, frustrada a possibilidade de adjudicação e de alienação por iniciativa particular, com finalidade de converter os bens penhorados em dinheiro, outro caminho não resta senão o leilão ou, dependente das circunstâncias, apropriação de frutos e rendimentos de empresas, de estabelecimentos ou de outros bens. Veja: Art. 881. A alienação far-se-á em leilão judicial se não efetivada a adjudicação ou a alienação por iniciativa particular. § 1o O leilão do bem penhorado será realizado por leiloeiro público. § 2o RESSALVADOS os casos de alienação a cargo de corretores de bolsa de valores, todos os demais bens serão alienados em leilão público. Segundo o dispositivo acima, o encargo ficará com leiloeiro público, a não ser que se trate de alienação de ativos da bolsa de valores, hipótese em que o leilão ficará sob o encargo de corretores. 8 DONIZETTI, Elpídio. Curso Didático de Direito Processual Civil. 19ª edição, rev. e atual., São Paulo: Editora Atlas S/A, 2016, p. 1202. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 108 488 Ainda no que diz respeito às regras iniciais do leilão judicial, leia o art. 882, do CPC: Art. 882. Não sendo possível a sua realização por meio eletrônico, o leilão será presencial. § 1o A alienação judicial por meio eletrônico será realizada, observando-se as garantias processuais das partes, de acordo com regulamentação específica do Conselho Nacional de Justiça. § 2o A alienação judicial por meio eletrônico deverá atender aos requisitos de ampla publicidade, autenticidade e segurança, com observância das regras estabelecidas na legislação sobre certificação digital. § 3o O leilão presencial será realizado no local designado pelo juiz. O dispositivo estabelece que será realizado, preferencialmente, o leilão eletrônico ao presencial. De acordo com o art. 883, do CPC, o leiloeiro será designado pelo juiz, admitindo-se que o exequente o indique. O art. 844, por sua vez, estabelece as incumbências do leiloeiro público: publicar o edital anunciando o leilão; realizar o leilão onde estiverem os bens ou no local em que for designado pelo magistrado; expor bens e mercadorias aos possíveis compradores; receber e depositar, no prazo de um dia, o produto da alienação; e prestar contas nos 2 dias seguintes ao depósito do leilão executado. Vejamos como se torna mais fácil a compreensão da hipótese com um exemplo: Ocorrido o leilão e declarada a alienação, o leiloeiro tem prazo de um dia para receber o produto da venda e depositar na conta vinculada ao juízo da execução. Nos dois dias seguintes deverá efetuar a prestação de contas do procedimento nos autos. Visto isso, vamos aos dispositivos pertinentes do CPC: Art. 883. Caberá ao juiz a designação do leiloeiro público, que poderá ser indicado pelo exequente. Art. 884. Incumbe ao leiloeiro público: I - publicar o edital, anunciando a alienação; II - realizar o leilão onde se encontrem os bens ou no lugar designado pelo juiz; Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 109 488 III - expor aos pretendentes os bens ou as amostras das mercadorias; IV - receber e depositar, dentro de 1 (um) dia, à ordem do juiz, o produto da alienação; V - prestar contas nos 2 (dois) dias subsequentes ao depósito. Parágrafo único. O leiloeiro tem o direito de receber do arrematante a comissão estabelecida em lei ou arbitrada pelo juiz. O art. 855, do CPC, trata da fixação de preço mínimo para a realização do leilão, que será fixado pelo juiz. Art. 885. O juiz da execução estabelecerá o preço mínimo, as condições de pagamento e as garantias que poderão ser prestadas pelo arrematante. O art. 886, do CPC, trata do edital do leilão. Esse edital conterá todos os requisitos necessários para identificação dos bens (com referência a eventuais ônus), valor de avaliação, local em que se encontram os bens, local onde ocorrerá o leilão (que poderá ser na internet, nesse caso, indica-se o site), local, dia e horário do procedimento. Art. 886. O leilão será precedido de publicação de edital, que conterá: I - a descrição do bem penhorado, com suas características, e, tratando-se de imóvel, sua situação e suas divisas, com remissão à matrícula e aos registros; II - o valor pelo qual o bem foi avaliado, o preço mínimo pelo qual poderá ser alienado, as condições de pagamento e, se for o caso, a comissão do leiloeiro designado; III - o lugar onde estiverem os móveis, os veículos e os semoventes e, tratando-se de créditos ou direitos, a identificação dos autos do processo em que foram penhorados; IV - o sítio, na rede mundial de computadores, e o período em que se realizará o leilão, salvo se este se der de modo presencial, hipótese em que serão indicados o local, o dia e a hora de sua realização; V - a indicação de local, dia e hora de segundo leilão presencial, para a hipótese de não haver interessado no primeiro; VI - menção da existência de ônus, recurso ou processo pendente sobre os bens a serem leiloados. Parágrafo único. No caso de títulos da dívida pública e de títulos negociados em bolsa, constará do edital o valor da última cotação. Note que o CPC traz disciplina detalhada sobre o leilão. Primeiro, temos a escolha e designação do leiloeiro, fixação de parâmetros do leilão pelo juiz e elaboração do edital. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 110 488 Feito isso, temos a fixação de regras para divulgação do procedimento. A ideia por trás da divulgação é dar ampla publicidade a fim de que compareçam o máximo de interessados nos bens do executado, para que a venda ocorra e não destoe dos valores praticados no mercado. Assim, estabelece o art. 877, do CPC, que o edital do leilão deve ser publicado com, pelo menos, 5 dias de antecedência do ato, com veiculação na internet e em locais comumente divulgados no foro. Art. 887. O leiloeiro público designado adotará providências para a ampla divulgação da alienação. § 1o A publicação do edital deverá ocorrer PELO MENOS 5 (CINCO) DIAS ANTES DA DATA MARCADA PARA O LEILÃO. § 2o O edital será publicado na rede mundial de computadores, em sítio designado pelo juízo da execução, e conterá descrição detalhada e,sempre que possível, ilustrada dos bens, informando expressamente se o leilão se realizará de forma eletrônica ou presencial. § 3o Não sendo possível a publicação na rede mundial de computadores ou considerando o juiz, em atenção às condições da sede do juízo, que esse modo de divulgação é insuficiente ou inadequado, o edital será afixado em local de costume e publicado, em resumo, pelo menos uma vez em jornal de ampla circulação local. § 4o Atendendo ao valor dos bens e às condições da sede do juízo, o juiz poderá alterar a forma e a frequência da publicidade na imprensa, mandar publicar o edital em local de ampla circulação de pessoas e divulgar avisos em emissora de rádio ou televisão local, bem como em sítios distintos do indicado no § 2o. § 5o Os editais de leilão de imóveis e de veículos automotores serão publicados pela imprensa ou por outros meios de divulgação, preferencialmente na seção ou no local reservados à publicidade dos respectivos negócios. § 6o O juiz poderá determinar a reunião de publicações em listas referentes a mais de uma execução. O art. 888, do CPC, prevê que, se o leilão não ocorrer, haverá transferência da data. Além disso, estabelece o dispositivo que deve ser averiguada a responsabilidade pelo cancelamento. Em caso de dolo do chefe de secretaria (ou escrivão) ou do leiloeiro, eles serão responsabilizados pelas custas da transferência e, em relação ao leiloeiro, ele poderá ser suspenso de atividades pelo prazo de cinco dias a três meses. Veja: Art. 888. NÃO se realizando o leilão por qualquer motivo, o juiz mandará publicar a transferência, observando-se o disposto no art. 887. Parágrafo único. O escrivão, o chefe de secretaria ou o leiloeiro que culposamente der causa à transferência responde pelas despesas da nova publicação, podendo o juiz aplicar- lhe a pena de suspensão por 5 (cinco) dias a 3 (três) meses, em procedimento administrativo regular. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 111 488 Tal como vimos em relação ao art. 799, do CPC, no art. 889 temos a previsão de intimação de terceiros que possuam algum direito em face dos bens do executado como forma de garantir a validade do leilão. Em relação a essas intimações, que deverão ocorrer com antecedência de 5 dias, basta uma leitura atenta ao rol de terceiros descritos no dispositivo: Art. 889. Serão cientificados da alienação judicial, com pelo menos 5 (cinco) dias de antecedência: I - o executado, por meio de seu advogado ou, se não tiver procurador constituído nos autos, por carta registrada, mandado, edital ou outro meio idôneo; II - o coproprietário de bem indivisível do qual tenha sido penhorada fração ideal; III - o titular de usufruto, uso, habitação, enfiteuse, direito de superfície, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de uso, quando a penhora recair sobre bem gravado com tais direitos reais; IV - o proprietário do terreno submetido ao regime de direito de superfície, enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de uso, quando a penhora recair sobre tais direitos reais; V - o credor pignoratício, hipotecário, anticrético, fiduciário ou com penhora anteriormente averbada, quando a penhora recair sobre bens com tais gravames, caso não seja o credor, de qualquer modo, parte na execução; VI - o promitente comprador, quando a penhora recair sobre bem em relação ao qual haja promessa de compra e venda registrada; VII - o promitente vendedor, quando a penhora recair sobre direito aquisitivo derivado de promessa de compra e venda registrada; VIII - a União, o Estado e o Município, no caso de alienação de bem tombado. Parágrafo único. Se o executado for revel e não tiver advogado constituído, não constando dos autos seu endereço atual ou, ainda, não sendo ele encontrado no endereço constante do processo, a intimação considerar-se-á feita por meio do próprio edital de leilão. Com isso, chegamos ao leilão, especificamente às regras que disciplinam o leilão, que ocorrerá no dia, em horário e em local designados no edital. O art. 890 arrola que todos que estiverem na livre administração dos seus bens poderão oferecer lance para arrematar os bens do devedor. Há, entretanto, um extenso rol de exceções. Essas exceções estão ligadas pela vinculação da pessoa com a execução ou com os procedimentos do leilão. Além disso, aqueles que, de algum modo, forem responsáveis pela administração de bens que estejam em leilão não poderão participar. Veja: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 112 488 Art. 890. Pode oferecer lance quem estiver na livre administração de seus bens, com EXCEÇÃO: I - dos tutores, dos curadores, dos testamenteiros, dos administradores ou dos liquidantes, quanto aos bens confiados à sua guarda e à sua responsabilidade; II - dos mandatários, quanto aos bens de cuja administração ou alienação estejam encarregados; III - do juiz, do membro do Ministério Público e da Defensoria Pública, do escrivão, do chefe de secretaria e dos demais servidores e auxiliares da justiça, em relação aos bens e direitos objeto de alienação na localidade onde servirem ou a que se estender a sua autoridade; IV - dos servidores públicos em geral, quanto aos bens ou aos direitos da pessoa jurídica a que servirem ou que estejam sob sua administração direta ou indireta; V - dos leiloeiros e seus prepostos, quanto aos bens de cuja venda estejam encarregados; VI - dos advogados de qualquer das partes. Assim, se a parte for administradora dos bens executados não poderá participar do leilão. Mesma situação temos em relação ao juiz, ao membro do MP ou da Defensoria Pública e aos servidores que estejam atuando no juízo da execução. Para a prova, procure memorizar: NÃO PODEM OFERECER LANCE NO LEILÃO tutor, curador, testamenteiro, administrador ou liquidante * em relação aos bens que estejam sob sua responsabilidade. mandatário * em relação ao bem que administra. juiz, MP, DP e servidores * em relação aos bens, cuja execução atuem. leiloeiros e prepostos * em relação aos bens que estejam sob responsabilidade para o leilão. advogados * se atuarem em favor de alguma das partes Fora o rol acima, todas as pessoas que estivem em condições de administrar bens podem oferecer lances para arrematar os bens do executado em leilão. A regra é simples: quem oferecer o maior lance arrematará o bem vendido. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 113 488 O art. 891, do CPC, nesse contexto, estabelece que não será admitido lance com “preço vil”. O que significa “preço vil”? É um valor mínimo para ser oferecido pelo pretendente no procedimento licitatório. Não tínhamos definição do valor no CPC73. No CPC, temos um parâmetro objetivo, que segue o entendimento do STJ sobre o assunto. Assim, considera-se “vil”, o lance inferior ao estipulado pelo juiz e constante do edital, ou abaixo da metade do valor da avaliação. Veja: Art. 891. NÃO será aceito lance que ofereça preço vil. Parágrafo único. Considera-se vil o preço inferior ao mínimo estipulado pelo juiz e constante do edital, e, não tendo sido fixado preço mínimo, considera-se vil o preço inferior a cinquenta por cento do valor da avaliação. Para a prova... Não sendo preço vil, quem oferecer o maior valor vencerá o procedimento licitatório. De acordo com o art. 892, do CPC, a regra é que o depósito do valor ocorra de imediato por aquele que ofertar o maior lance, o arrematante. A depender de circunstâncias do caso concreto, poderá omagistrado fixar no edital prazo para o depósito. Art. 892. SALVO pronunciamento judicial em sentido diverso, o pagamento deverá ser realizado de imediato pelo arrematante, por depósito judicial ou por meio eletrônico. O §1º traz uma regra específica: arrematação em leilão pelo exequente. Veja: § 1o Se o exequente arrematar os bens e for o único credor, não estará obrigado a exibir o preço, mas, se o valor dos bens exceder ao seu crédito, depositará, dentro de 3 (três) dias, a diferença, sob pena de tornar-se sem efeito a arrematação, e, nesse caso, realizar-se-á novo leilão, à custa do exequente. O exequente, antes mesmo de chegar ao leilão, poderá adjudicar o bem pelo preço da avalição, conforme vimos anteriormente. Contudo, caso não o faça, poderá participar do leilão. O dispositivo acima traz a PREÇO VIL valor inferior a 50% do valor indicado no edital ou na avaliação. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 114 488 possibilidade de o exequente arrematar o bem e não informar publicamente o valor arrematado, desde que seja o único credor. Cuidado! O §2º estabelece que, havendo dois pretendentes com lances iguais, confere-se preferência ao cônjuge, ao companheiro, ao descendente ou ao ascendente. § 2o Se houver mais de um pretendente, proceder-se-á entre eles à licitação, e, no caso de igualdade de oferta, terá preferência o cônjuge, o companheiro, o descendente ou o ascendente do executado, nessa ordem. Já o §3º prevê a preferência aos entes da Administração Pública Direta no caso de leilão de bens tombados. § 3o No caso de leilão de bem tombado, a União, os Estados e os Municípios terão, nessa ordem, o direito de preferência na arrematação, em igualdade de oferta. O art. 893, do CPC, concede preferência a quem arrematar todos os bens em conjunto, quando vários bens foram postos em leilão. Art. 893. Se o leilão for de diversos bens e houver mais de um lançador, terá preferência aquele que se propuser a arrematá-los todos, em conjunto, oferecendo, para os bens que não tiverem lance, preço igual ao da avaliação e, para os demais, preço igual ao do maior lance que, na tentativa de arrematação individualizada, tenha sido oferecido para eles. O art. 894, do CPC, prevê a possibilidade de divisão de bem imóvel para o leilão, quando isso for possível, tal como um terreno. Art. 894. Quando o imóvel admitir cômoda divisão, o juiz, a requerimento do executado, ordenará a alienação judicial de parte dele, desde que suficiente para o pagamento do exequente e para a satisfação das despesas da execução. § 1o Não havendo lançador, far-se-á a alienação do imóvel em sua integridade. SE O EXEQUENTE ARREMATAR O BEM DEVERÁ DEPOSITAR A DIFERENÇA, CASO O BEM LEILOADO SEJA SUPERIOR AO VALOR DA EXECUÇÃO, NO PRAZO DE 3 DIAS! Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 115 488 § 2o A alienação por partes deverá ser requerida a tempo de permitir a avaliação das glebas destacadas e sua inclusão no edital, e, nesse caso, caberá ao executado instruir o requerimento com planta e memorial descritivo subscritos por profissional habilitado. No art. 895, do CPC, temos a previsão da arrematação parcelada de bem colocado a leilão. Esse requerimento deve ser, sempre, formulado antes de iniciado o leilão. De acordo com o dispositivo, podemos ter a realização de dois leilões. Um primeiro, cujo valor mínimo será o valor da avaliação. Se ninguém arrematar o bem por, pelo menos, o valor da avaliação, teremos uma segunda tentativa de leilão, hipótese em que as propostas não podem ser vis. Vale dizer, não podem ser inferiores a 50% do valor da avaliação. Em um ou outro caso, quem pretender arrematar o bem por intermédio de pagamento parcelado, deverá efetuar a proposta antes de iniciado o leilão. Independentemente de requerimento de pagamento parcelado, haverá o leilão para arrematação à vista. Caso alguém ofereça lance à vista, superior ao preço da avaliação (em primeiro leilão), terá preferência sobre a proposta parcelada. Não havendo interessados na arrematação à vista, quem efetuou o pedido parcelado irá arrematar o bem. Em relação a esse parcelamento, o art. 895, do CPC, traça algumas regras: é necessário pagar 25% à vista; o restante poderá ser parcelado até 30 meses. o preço ofertado não pode ser inferior ao da avaliação em primeiro leilão. é necessário conceder caução (bem móvel) ou hipoteca (bem imóvel). Se estiver dentro dessas condições, o juiz autorizará a arrematação parcelada. Caso haja mais de um interessado na aquisição do bem de forma parcelada, o juiz irá analisar a proposta mais vantajosa, considerando sempre a de maior valor. Caso ambas as propostas sejam do mesmo valor com iguais condições de pagamento, o juiz irá escolher aquele que ofertou por primeiro. Caso não haja interessado, tanto para o pagamento à vista como para pagamento parcelado, procede-se o segundo leilão. Novamente, os interessados devem ofertar a pretensão de pagamento parcelado antes de iniciar os lances à vista. A diferença, contudo, está no fato de que o limite para o segundo leilão será o “preço vil”. Se houver arrematante à vista, ele terá preferência. Contudo, não havendo interessado, serão consideradas as propostas de aquisição parcelada, com as mesmas regras de pagamento e de desempate que vimos acima. Todas essas informações que procuramos trazer de forma didática, constam do dispositivo abaixo: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 116 488 Art. 895. O interessado em adquirir o bem penhorado em prestações poderá apresentar, por escrito: I - até o início do primeiro leilão, proposta de aquisição do bem por valor não inferior ao da avaliação; II - até o início do segundo leilão, proposta de aquisição do bem por valor que não seja considerado vil. § 1o A proposta conterá, em qualquer hipótese, oferta de pagamento de pelo menos vinte e cinco por cento do valor do lance à vista e o restante parcelado em até 30 (trinta) meses, garantido por caução idônea, quando se tratar de móveis, e por hipoteca do próprio bem, quando se tratar de imóveis. § 2o As propostas para aquisição em prestações indicarão o prazo, a modalidade, o indexador de correção monetária e as condições de pagamento do saldo. § 3o (VETADO). § 4o No caso de atraso no pagamento de qualquer das prestações, incidirá MULTA DE DEZ POR CENTO sobre a soma da parcela inadimplida com as parcelas vincendas. § 5o O inadimplemento autoriza o exequente a pedir a resolução da arrematação ou promover, em face do arrematante, a execução do valor devido, devendo ambos os pedidos ser formulados nos autos da execução em que se deu a arrematação. § 6o A apresentação da proposta prevista neste artigo não suspende o leilão. § 7o A proposta de pagamento do lance à vista sempre prevalecerá sobre as propostas de pagamento parcelado. § 8o Havendo mais de uma proposta de pagamento parcelado: I - em diferentes condições, o juiz decidirá pela mais vantajosa, assim compreendida, sempre, a de maior valor; II - em iguais condições, o juiz decidirá pela formulada em primeiro lugar. § 9o No caso de arrematação a prazo, os pagamentos feitos pelo arrematante pertencerão ao exequente até o limite de seu crédito, e os subsequentes, ao executado. Em relação aos imóveis de incapaz, temos uma outra regra específica. Confira: Art. 896. Quando o imóvel de incapaz NÃO alcançar em leilão pelo menos oitenta por cento do valor da avaliação, o juiz o confiará à guarda e à administração de depositário idôneo, adiando a alienação por prazo nãosuperior a 1 (UM) ANO. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 117 488 § 1o Se, durante o adiamento, algum pretendente assegurar, mediante caução idônea, o preço da avaliação, o juiz ordenará a alienação em leilão. § 2o Se o pretendente à arrematação se arrepender, o juiz impor-lhe-á multa de vinte por cento sobre o valor da avaliação, em benefício do incapaz, valendo a decisão como título executivo. § 3o Sem prejuízo do disposto nos §§ 1o e 2o, o juiz poderá autorizar a locação do imóvel no prazo do adiamento. § 4o Findo o prazo do adiamento, o imóvel será submetido a novo leilão. Atenção! O dispositivo acima aplica-se apenas ao leilão de bens IMÓVEIS e cujo executado seja INCAPAZ. Nesse caso, se os lances ofertados no leilão forem inferiores a 80% do valor da avaliação do bem, o juiz determinará o adiamento do leilão por prazo não superior a um ano. Ao longo desse período, eventuais interessados podem arrematar o bem pelo valor da avaliação. Contudo, caso se arrependam da aquisição após apresentarem a proposta, sofrerão multa no importe de 20% sobre o valor do imóvel avaliado, que será revertida em proveito do incapaz. Após o decurso do prazo, caso não haja arrematação, o bem será novamente submetido à leilão. O art. 897, do CPC, prevê que, se o arrematante não pagar no prazo estabelecido, perderá o valor dado a título de caução e não poderá participar do novo leilão que será realizado. Art. 897. Se o arrematante ou seu fiador NÃO pagar o preço no prazo estabelecido, o juiz impor-lhe-á, em favor do exequente, a perda da caução, voltando os bens a novo leilão, do qual NÃO serão admitidos a participar o arrematante e o fiador remissos. Relacionado com o dispositivo anterior, leia: Art. 898. O fiador do arrematante que pagar o valor do lance e a multa poderá requerer que a arrematação lhe seja transferida. O art. 899, do CPC, citado na sequência, prevê a possibilidade da interrupção do leilão caso o valor do débito seja atingido com o valor parcial. Isso ocorre quando os bens arrematados são vendidos com preço superior ao da avaliação inicial. Se isso ocorrer e o valor total da condenação for atingido, suspende-se o leilão, sem incluir os demais bens do executado. Art. 899. Será suspensa a arrematação logo que o produto da alienação dos bens for suficiente para o pagamento do credor e para a satisfação das despesas da execução. Confira, ainda, o art. 900: Art. 900. O leilão prosseguirá no dia útil imediato, à mesma hora em que teve início, independentemente de novo edital, se for ultrapassado o horário de expediente forense. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 118 488 Finalizado o leilão será confeccionado o auto de arrematação, que conterá um relatório de todos os atos que foram praticados no leilão. Após a confecção do documento, será necessário colher a assinatura do leiloeiro, do serventuário de justiça e do juiz. Art. 901. A arrematação constará de auto que será lavrado de imediato e poderá abranger bens penhorados em mais de uma execução, nele mencionadas as condições nas quais foi alienado o bem. § 1o A ordem de entrega do bem móvel ou a carta de arrematação do bem imóvel, com o respectivo mandado de imissão na posse, será expedida depois de efetuado o depósito ou prestadas as garantias pelo arrematante, bem como realizado o pagamento da comissão do leiloeiro e das demais despesas da execução. § 2o A carta de arrematação conterá a descrição do imóvel, com remissão à sua matrícula ou individuação e aos seus registros, a cópia do auto de arrematação e a prova de pagamento do imposto de transmissão, além da indicação da existência de eventual ônus real ou gravame. Na sequência, vejamos o art. 902, do CPC: Art. 902. No caso de leilão de bem hipotecado, o executado poderá remi-lo até a assinatura do auto de arrematação, oferecendo preço igual ao do maior lance oferecido. Parágrafo único. No caso de falência ou insolvência do devedor hipotecário, o direito de remição previsto no caput defere-se à massa ou aos credores em concurso, não podendo o exequente recusar o preço da avaliação do imóvel. O dispositivo prevê que, em relação ao bem hipotecado, é possível a remição do bem imóvel. Na realidade, constitui a aquisição do bem já “vendido” pelo executado, desde que o faça no mesmo preço ou superior ao do maior lance oferecido. O parágrafo único, por sua vez, estabelece que, no caso de falência ou insolvência do devedor de hipoteca, a remição poderá ser exercida pela massa falida ou pelos credores. De acordo com a doutrina9: A assinatura do auto pelo juiz, pelo arrematante e pelo leiloeiro torna perfeita, acabada e irretratável a arrematação (art. 903, CPC). Nesse caso, tendo em conta a proteção ao arrematante terceiro de boa-fé, ainda que os embargos do executado ou a ação autônoma de invalidação venham a ser julgado procedentes, a arrematação se mantém válida e eficaz. 9 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 951. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 119 488 É justamente isso que fica patente da análise do art. 903, do CPC: Art. 903. Qualquer que seja a modalidade de leilão, assinado o auto pelo juiz, pelo arrematante e pelo leiloeiro, A ARREMATAÇÃO SERÁ CONSIDERADA PERFEITA, acabada e irretratável, ainda que venham a ser julgados procedentes os embargos do executado ou a ação autônoma de que trata o § 4o deste artigo, assegurada a possibilidade de reparação pelos prejuízos sofridos. Não obstante o fato de a arrematação ser irretratável, ela poderá ser: invalidada, se: ➢ Realizada por preço vil; ➢ Realizada com outro vício. ineficaz, se não houver intimação de terceiros que possuam algum tipo de gravame sobre o bem; ou resolvida, se: ➢ Não for pago o preço; ou ➢ Não prestada a caução. Veja: § 1o Ressalvadas outras situações previstas neste Código, a arrematação poderá, no entanto, ser: I - invalidada, quando realizada por preço vil ou com outro vício; II - considerada ineficaz, se não observado o disposto no art. 804; III - resolvida, se não for pago o preço ou se não for prestada a caução. Em relação aos demais parágrafos, leia com atenção: § 2o O juiz decidirá acerca das situações referidas no § 1o, se for provocado em até 10 (dez) dias após o aperfeiçoamento da arrematação. § 3o Passado o prazo previsto no § 2o sem que tenha havido alegação de qualquer das situações previstas no § 1o, será expedida a carta de arrematação e, conforme o caso, a ordem de entrega ou mandado de imissão na posse. § 4o Após a expedição da carta de arrematação ou da ordem de entrega, a invalidação da arrematação poderá ser pleiteada por ação autônoma, em cujo processo o arrematante figurará como litisconsorte necessário. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 120 488 § 5o O arrematante poderá desistir da arrematação, sendo-lhe imediatamente devolvido o depósito que tiver feito: I - se provar, nos 10 (dez) dias seguintes, a existência de ônus real ou gravame não mencionado no edital; II - se, antes de expedida a carta de arrematação ou a ordem de entrega, o executado alegar alguma das situações previstas no § 1o; III - uma vez citado para responder a ação autônoma de que trata o § 4o deste artigo, desde que apresente a desistência no prazode que dispõe para responder a essa ação. § 6o Considera-se ato atentatório à dignidade da justiça a suscitação infundada de vício com o objetivo de ensejar a desistência do arrematante, devendo o suscitante ser condenado, sem prejuízo da responsabilidade por perdas e danos, ao pagamento de multa, a ser fixada pelo juiz e devida ao exequente, em montante não superior a vinte por cento do valor atualizado do bem. Os parágrafos acima explicitam as impugnações após o aperfeiçoamento da arrematação, que ocorre com a lavratura do auto. Lavrado o auto, aguarda-se o curso do prazo de 10 dias, a fim de que sejam resolvidas alegações de invalidade, de ineficácia ou de resolução da arrematação. Resolvidas as impugnações ou no caso de não existirem impugnações no prazo de 10 dias, será expedida carta de arrematação. A partir da expedição desse documento, não há mais possibilidade de, no mesmo processo, buscar a invalidação, suscitar a ineficácia ou a resolução da arrematação. Eventual prejudicado deverá propor nova ação judicial. Ocorrerá a desistência pelo arrematante, dento do prazo de 10 dias: nos casos de invalidação e ineficácia se assim arguir; no caso de não pagamento ou não prestação da caução; se for citado em ação autônoma para discutir a invalidação da arrematação, desde que o faça no prazo da contestação. Com isso, após várias páginas sobre o assunto, finalizamos o estudo da expropriação. Resta analisar a quarta fase do processo de exceção, o pagamento. Satisfação do Crédito O pagamento poderá ocorrer de duas formas. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 121 488 A primeira delas é pela adjudicação do bem pelo executado. Nesse caso, antes da alienação, o exequente deve requerer a transferência do bem como forma de pagamento do débito. A segunda forma de satisfação do crédito ocorre com a entrega do produto arrecadado no leilão. Veja: Art. 904. A satisfação do crédito exequendo far-se-á: I - pela entrega do dinheiro; II - pela adjudicação dos bens penhorados. Para a prova... Veja, ainda, o art. 905, cuja leitura é suficiente para a prova. Art. 905. O juiz autorizará que o exequente levante, até a satisfação integral de seu crédito, o dinheiro depositado para segurar o juízo ou o produto dos bens alienados, bem como do faturamento de empresa ou de outros frutos e rendimentos de coisas ou empresas penhoradas, quando: I - a execução for movida só a benefício do exequente singular, a quem, por força da penhora, cabe o direito de preferência sobre os bens penhorados e alienados; II - não houver sobre os bens alienados outros privilégios ou preferências instituídos anteriormente à penhora. Parágrafo único. Durante o plantão judiciário, veda-se a concessão de pedidos de levantamento de importância em dinheiro ou valores ou de liberação de bens apreendidos. O art. 906, do CPC, estabelece que o exequente dará quitação nos autos do valor devido. O PAGAMENTO OCORRE QUANDO HÁ... adjudicação do bem entrega do dinheiro obtido no leilão Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 122 488 Art. 906. Ao receber o mandado de levantamento, o exequente dará ao executado, por termo nos autos, quitação da quantia paga. Parágrafo único. A expedição de mandado de levantamento poderá ser substituída pela transferência eletrônica do valor depositado em conta vinculada ao juízo para outra indicada pelo exequente. De acordo com o art. 907, do CPC, eventuais sobras – após pagos o principal, juros, custas e honorários – serão devolvidas ao executado. Art. 907. Pago ao exequente o principal, os juros, as custas e os honorários, a importância que sobrar será restituída ao executado. O art. 908, por seu turno, estabelece que a distribuição do produto arrecadado será efetuada de acordo com o quinhão e ordem preferencial de recebimento que cada um tem direito nos autos e, em relação aos executados na hipótese de sobras, do mesmo modo serão distribuídos de forma proporcional. Art. 908. Havendo pluralidade de credores ou exequentes, o dinheiro lhes será distribuído e entregue consoante a ordem das respectivas preferências. § 1o No caso de adjudicação ou alienação, os créditos que recaem sobre o bem, inclusive os de natureza propter rem, sub-rogam-se sobre o respectivo preço, observada a ordem de preferência. § 2o Não havendo título legal à preferência, o dinheiro será distribuído entre os concorrentes, observando-se a anterioridade de cada penhora. Para encerrar, o art. 909, do CPC, prevê o caso em que há vários credores. Nessa situação, eles formularão as pretensões nos autos a fim de que o juiz decida como se dará a distribuição dos valores. Art. 909. Os exequentes formularão as suas pretensões, que versarão unicamente sobre o direito de preferência e a anterioridade da penhora, e, apresentadas as razões, o juiz decidirá. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 123 488 EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA A execução de título executivo extrajudicial contra a Fazenda Pública apresenta uma forma específica, particular, de cumprimento dos débitos pecuniários da Fazenda. Temos, na Constituição (art. 100), delineado o procedimento de precatórios e requisições de pequeno valor para pagamento desses débitos. Além disso, pelo estudo de Direito Constitucional e de Direito Administrativo sabemos que os bens públicos, porque se encontram vinculados ao princípio da finalidade pública, são inalienáveis. Logo, não podem ser penhorados. Ainda que se trate de bens penhoráveis, denominados de “bens dominicais”, há um regime jurídico próprio para a execução forçada. Registre-se também que, embora na regência do CPC73 houvesse alguma dúvida quanto à possibilidade de execução de título executivo extrajudicial contra a Fazenda Pública, no CPC temos disposição expressa. Além disso, a Súmula STJ 279 já admitia tal possibilidade. Súmula STJ 279 É cabível execução por título extrajudicial contra a Fazenda Pública. Não vamos, nesse tópico e nesse ponto da aula, analisar o regramento específico que passa pela Constituição e pela Lei nº 6.830/1980 (Lei de Execução Fiscal). Vamos apenas tecer algumas considerações gerais e compreender bem a redação do art. 910, do CPC. O que se entende por Fazenda Pública? Vamos considerar dentro do conceito de Fazenda Pública: União; Estados; Município; Autarquias; e Fundações Públicas. No conceito de Fazenda Pública NÃO entram as sociedades de economia mista e as empresas públicas. Assim... Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 124 488 Dessa forma, quando o credor tiver um título executivo extrajudicial em face dos órgãos públicos conforme esquema acima, ele poderá requerer a execução. Ao receber a petição inicial, ao invés da ordem para pagar a dívida no prazo de 3 dias, a Fazenda Pública será citada para opor embargos no PRAZO DE 30 DIAS. Veja: Art. 910. Na execução fundada em título extrajudicial, a FAZENDA PÚBLICA será citada para opor embargos em 30 (TRINTA) DIAS. Assim, citada, a Fazenda Pública poderá: Opor os embargos, que seguirá o seu trâmite regular. Não opor os embargos. Nas hipóteses acima, se forem rejeitados os embargos ou não forem opostos no prazo, o juiz determinará a expedição de precatória ou a expedição de requisição de pequeno valor, que segue o art. 100, da CF. FAZENDA PÚBLICA abrange União Estados Municípios AutarquiasFundações Públicas não abrange Sociedades de economia mista Empresas públicas Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 125 488 ==1365fc== § 1º NÃO opostos embargos ou transitada em julgado a decisão que os rejeitar, EXPEDIR- SE-Á PRECATÓRIO OU REQUISIÇÃO DE PEQUENO VALOR em favor do exequente, observando-se o disposto no art. 100 da Constituição Federal. Confira o §2º: § 2º Nos embargos, a Fazenda Pública poderá alegar qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa no processo de conhecimento. O dispositivo acima prevê que o órgão processual da Fazenda Pública terá ampla liberdade para alegar qualquer matéria relevante, e que seja pertinente, nos embargos à execução. Por fim, consigne-se que as regras referentes ao cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública, previstos nos arts. 534 e 535, do CPC, são aplicados à execução de título executivo extrajudicial contra a Fazenda. § 3º Aplica-se a este Capítulo, no que couber, o disposto nos artigos 534 e 535. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 126 488 EXECUÇÃO DE ALIMENTOS Nos arts. 911 a 913 do CPC temos regras relativas à execução de alimentos. Caso o título executivo extrajudicial traga a obrigação de pagar alimentos e não seja cumprido, o alimentado poderá ajuizar ação de execução de título extrajudicial com base nas regras que veremos aqui. Antes, uma observação. Sigamos! O procedimento de execução inicia-se mediante apresentação de petição inicial para citação do executado para pagamento no prazo de 3 dias, conforme prevê o art. 911 do CPC: Art. 911. Na execução fundada em título executivo extrajudicial que contenha obrigação alimentar, o juiz mandará citar o executado para, em 3 (três) dias, efetuar o pagamento das parcelas anteriores ao início da execução e das que se vencerem no seu curso, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de fazê-lo. Parágrafo único. Aplicam-se, no que couber, os §§ 2º a 7º do art. 528. O dispositivo acima prevê algumas possibilidades de condutas do executado logo que citado. 1) poderá adimplir a obrigação; Nessa hipótese, sentenciará com a extinção do procedimento de execução. 2) justificar e comprovar a impossibilidade de absoluta de efetuar o pagamento; Nesse caso, o juiz avaliará a justificativa. Se as aceitar, não haverá decreto de prisão. Caso contrário, se o débito de alimentos for atual, determinará a prisão. Se o débito não for atual, segue com a expropriação mediante quantia certa. 3) manter-se inerte. Nesse caso vamos diretamente para a verificação da atualidade do débito. Se atual: prisão; caso contrário, procede-se à execução como quantia certa. O questionamento natural, a partir dos três itens acima, é: O que é débito atual? Alimentante: é quem está obrigado a fornecer alimentos a outrem. Alimentado é a pessoa que tem direito a receber alimentos de outra pessoa. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 127 488 De acordo com redação dada pela Súmula STJ 309 (que foi trazida para o CPC no art. 528, §7º), considera-se débito atual aquele que tem por causa de pedir o inadimplemento das três parcelas vencidas antes do ajuizamento dada execução e das que se vencerem no curso do processo. Possibilita-se a prisão nesse caso como uma forma de induzir o rápido cumprimento de dever de alimentar uma vez que os alimentos são devidos para fazer frente às necessidades cotidianas da vida do beneficiado. Logo, há urgência. Assim, admite-se a prisão. Por outro lado, se o débito é antigo, natural pressupor que o alimentado encontrou meios de sobrevivência até então e somente agora decidiu exercer a pretensão que lhe é conferida. Desse modo, não havendo urgência, procede-se à execução tal como quantia certa. A prisão se dará pelo período de 1 a 3 meses em regime fechado e em separado dos demais presos (aqueles decorrentes da prática de crimes). Na hipótese de pagamento pelo executado, a prisão será relaxada. Na hipótese de a prisão não surtir efeitos ou caso se trate de débitos antigos, prossegue com a execução por quantia certa. O art. 912 do CPC prevê a possibilidade de desconto em folha para quem possuir remuneração periódica. Confira: Art. 912. Quando o executado for funcionário público, militar, diretor ou gerente de empresa, bem como empregado sujeito à legislação do trabalho, o exequente poderá requerer o desconto em folha de pagamento de pessoal da importância da prestação alimentícia. § 1º Ao despachar a inicial, o juiz oficiará à autoridade, à empresa ou ao empregador, determinando, sob pena de crime de desobediência, o desconto a partir da primeira remuneração posterior do executado, a contar do protocolo do ofício. § 2º O ofício conterá os nomes e o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas do exequente e do executado, a importância a ser descontada mensalmente, a conta na qual deve ser feito o depósito e, se for o caso, o tempo de sua duração. A ordem judicial para desconto em folha, como consta acima, é direcionada diretamente ao empregador, à autoridade ou à empresa. Inclusive se não for cumprida, o terceiro ficará sujeito à pena de desobediência, prevista no art. 330 do Código Penal. Esse desconto em folha poderá ser feito sempre que houver débito e, mesmo que o executado oponha embargos à execução, prevê o art. 913 do CPC que não terá efeito suspensivo. Vale a pena frisar que, como regra, a concessão de efeitos suspensivo aos embargos à execução é a exceção. Mesmo nessa hipótese excepcional, continuará válida e dotada de eficácia a decisão judicial para os descontos mensais na folha de pagamento durante o trâmite da ação defensiva do executado. Veja o dispositivo: Art. 913. Não requerida a execução nos termos deste Capítulo, observar-se-á o disposto no art. 824 e seguintes, com a ressalva de que, recaindo a penhora em dinheiro, a concessão de efeito suspensivo aos embargos à execução não obsta a que o exequente levante mensalmente a importância da prestação. Com isso, encerramos os dispositivos relacionados à execução de alimentos. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 128 488 ==1365fc== EMBARGOS À EXECUÇÃO Introdução O processo de execução pressupõe a certeza do direito. Assim, de posse do título executivo, promove-se a execução. Dessa forma, a ideia da execução não é certificar o direito (objetivo do processo de conhecimento), trata-se de atividade que tem por finalidade realizar o direito ou satisfazê-lo. Essa realidade traz uma série de consequências para o processo de execução, inclusive limitando o exercício do contraditório. Isso porque o direito já está certificado, portanto, a defesa do executado será voltada para aspectos formais do título e do processo. Contudo, na prática e a depender da espécie de execução, há a possibilidade de prejuízo à esfera jurídica do executado por irregularidades ou ilicitudes. Nesse contexto, segundo a doutrina1: Para resguardar os interesses do executado, o Código contempla uma ação autônoma de conhecimento, denominada de embargos do executado. Não se trata de defesa ou contestação, exercitada no bojo da execução, mas sim de ação autônoma, de natureza constitutiva, cuja finalidade é a desconstituição ou depuração do título que lastreia o processo executivo ou simplesmente a desconstituição do ato expropriatório. O título executivo extrajudicial expressa certeza, mas não é imutávele indiscutível. Presume-se que o negócio jurídico que deu origem àquele título observou todos os seus requisitos de validade e que não existe qualquer fato superveniente que seja capaz de retirar a validade dos seus efeitos. Essa presunção, que milita a favor do exequente, poderá ser desconstituída por intermédio dos embargos à execução. Assim, os embargos à execução nada mais são do que uma ação de conhecimento. NÃO É DEFESA NO PROCESSO DE EXECUÇÃO, NEM MESMO UMA ESPÉCIE DE CONTESTAÇÃO AO PROCEDIMENTO EXECUTÓRIO. É AÇÃO! Desse modo, é uma ação que decorre do processo de execução, que não ocorre dentro do processo de execução. Trata-se, portanto, de uma ação em paralelo que visa desconstituir o título executivo, que pressupõe a certeza do direito. Como o processo de execução e os embargos à execução são fundados no mesmo título, caminharão vinculados ou apensos. 1 DONIZETTI, Elpídio. Curso Didático de Direito Processual Civil. 19ª edição, rev. e atual., São Paulo: Editora Atlas S/A, 2016, p. 1262. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 129 488 Ajuizamento De acordo com o art. 914, do CPC, o executado pode opor os embargos independentemente de penhora, no prazo de 15 dias, a contar da intimação. Veja: Art. 914. O executado, INDEPENDENTEMENTE DE PENHORA, depósito ou caução, poderá se opor à execução por meio de embargos. § 1o Os embargos à execução serão distribuídos por dependência, autuados em apartado e instruídos com cópias das peças processuais relevantes, que poderão ser declaradas autênticas pelo próprio advogado, sob sua responsabilidade pessoal. Veja, ainda, o art. 915, do CPC. Art. 915. Os embargos serão oferecidos no PRAZO DE 15 (QUINZE) DIAS, contado, conforme o caso, na forma do art. 231. Portanto: Os embargos à execução podem ser opostos no juízo onde tramitar a execução. Contudo, é possível que, em determinadas situações, os embargos se voltem contra atos constritivos realizados fora da Comarca, como a penhora de algum bem imóvel. Assim, os embargos podem ser ajuizados de duas formas: 1ª forma (regra): os embargos são opostos no juízo da execução e distribuídos por dependência. Nesse caso, tal como referido, os autos tramitarão vinculados (processo judicial) ou apensos (processo físico). 2ª forma (exceção): caso haja penhora, avaliação ou alienação executada por carta precatória, os embargos podem ser ajuizados: a) no juízo deprecante (juízo da execução); ou EMBARGOS À EXECUÇÃO independem de garantia do juízo devem ser opostos no prazo de 15 dias Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 130 488 ==1365fc== b) no juízo deprecado (juízo que processa a penhora, a avaliação ou a alienação). Essa dupla possibilidade de ajuizamento no caso de expedição de carta está disciplinada no §2º: § 2o Na execução por carta, os embargos serão oferecidos no juízo deprecante ou no juízo deprecado, mas a competência para julgá-los é do juízo deprecante, salvo se versarem unicamente sobre vícios ou defeitos da penhora, da avaliação ou da alienação dos bens efetuadas no juízo deprecado. Note que, embora o ajuizamento possa se dar no juízo deprecado, o juízo responsável pelo julgamento é o juízo da execução, ou seja, o juízo que deprecou (enviou) a carta precatória. Há, contudo, uma exceção. Será julgado no juízo deprecado (que é o juízo que recebeu a precatória) quando envolver vícios ou defeitos na penhora, avaliação ou alienação dos bens efetuadas no próprio juízo deprecado. Parece difícil, mas não é! Essas irregularidades formais foram praticadas pelo juízo deprecado que está executando o ato de cooperação requerido pelo juízo da execução. Nesse caso, se os embargos versarem sobre esses aspectos, serão ajuizados, processados e julgados perante o juízo deprecado. Contagem do prazo O prazo para opor os embargos é de 15 dias! Nesse tópico vamos analisar os detalhes referentes ao início da contagem do prazo para oposição dos embargos. Como temos a possibilidade de que a execução seja oposta, em regra, no juízo da execução, mas excepcionalmente, no juízo deprecado, a nossa análise será dividida. Quando envolver ajuizamento perante o juízo da execução devemos observar as regras de intimação descritas no art. 231. A citação do executado pode ocorrer de diversas formas no processo, em razão disso, temos momentos distintos para que o prazo se inicie. Abaixo descrevemos as hipóteses trazidas no dispositivo: FORMA COMEÇO DO PRAZO Pelos Correios Juntada aos Autos do Aviso de Recebimento. Por oficial de Justiça Juntada aos Autos do Mandato Cumprido Por ato do escrivão ou do chefe de secretaria Na data atestada. Por edital Dia útil seguinte ao fim da dilação assinada pelo Juiz. Via eletrônica Dia útil seguinte à consulta ou ao término do prazo para consultar (10 dias). Por Diário de Justiça Data da publicação. Por retirada dos autos de cartório. Dia da carga. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 131 488 Portanto, seguindo a regra, com a juntada aos autos do comprovante de citação, considera-se o começo do prazo, iniciando-se a contagem no dia útil seguinte. Algumas regras específicas: Quando houver mais de um executado, o prazo para cada um opor embargos é individual. A execução é uma ação autônoma, que se volta contra o patrimônio de cada executado individualmente. Há, apenas, uma única flexibilização. O final do §1º prevê que, nas execuções contra cônjuges, como o patrimônio do casal responde pelas dívidas a bem da família, o prazo começa com a juntada do comprovante do último citado. Veja: § 1o Quando houver mais de um executado, o prazo para cada um deles embargar conta- se a partir da juntada do respectivo comprovante da citação, SALVO no caso de cônjuges ou de companheiros, quando será contado a partir da juntada do último. Essas regras aplicam-se, portanto, quando a oposição de embargos se dá em face de citação promovida pelo juízo da execução. No caso de oposição de embargos à execução por carta devemos considerar a intimação conforme descrito no §2ª abaixo: § 2o Nas execuções por carta, o prazo para embargos será CONTADO: I - da juntada, na carta, da certificação da citação, quando versarem unicamente sobre vícios ou defeitos da penhora, da avaliação ou da alienação dos bens; II - da juntada, nos autos de origem, do comunicado de que trata o § 4o deste artigo [comunicado de realização da citação] ou, não havendo este, da juntada da carta devidamente cumprida, quando versarem sobre questões diversas da prevista no inciso I deste parágrafo. § 4o Nos atos de comunicação por carta precatória, rogatória ou de ordem, a realização da citação será imediatamente informada, por meio eletrônico, pelo juiz deprecado ao juiz deprecante. Assim, se a parte pretender embargar a execução por vícios ou irregularidades na penhora, avaliação ou alienação de bens, hipótese em que os embargos serão da competência do Juízo deprecado, o prazo de 15 dias é contato a partir da certidão de citação juntado na carta precatória. Por outro lado, fora a hipótese acima, como os embargos serão julgados pelo juízo de execução (ou juízo deprecante da carta), a contagem do prazo leva em consideração a comunicação de citação no processo de origem ou, se não houver comunicação, da data da juntada da carta precatória cumprida no juízo de origem. Sintetizando... Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 132488 Em relação ao prazo para embargos, por se tratar de ação individual para cada executado, ainda que exista pluralidade de executados, não se aplica o prazo em dobro para litisconsortes com diferentes procuradores de escritórios distintos. Logo, o prazo será de 15 dias! § 3o Em relação ao prazo para oferecimento dos embargos à execução, NÃO SE APLICA o disposto no art. 229 [regra do prazo em dobro para litisconsortes com diferentes procuradores de escritórios distintos]. Assim: Vistas as regras específicas, sigamos! Parcelamento da execução O art. 916 trata da possibilidade de parcelamento da execução. Antes de começar, embora vários dispositivos estudados na parte de execução de título executivo extrajudicial sejam aplicáveis ao cumprimento de sentença, O ART. 916, DO CPC, NÃO É APLICÁVEL AO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. Dito isso, para o parcelamento devem ser observadas as regras a seguir citadas. • Considera-se começo do prazo de 15 dias da juntada aos autos do comprovante de citação cumprido. EMBARGOS AO PROCESSO DE EXECUÇÃO • Considera-se o começo do prazo de 15 dias, quando a competência for do juízo deprecante, da comunicação nos autos de origem da citação ou, caso não haja tal comunicação, da juntada dos autos de precatória no processo de execução. • Considera-se o começo do prazo de 15 dias, quando a competência para julgar for do juízo deprecado (irregularidade ou vícios na penhora, avaliação ou alienação) a comunicação de realização da citação nos autos da carta precatória. EMBARGOS AO PROCESSO DE EXECUÇÃO POR CARTA O prazo de Embargos à Execução NÃO é contado em dobro para os litisconsortes com diferentes procuradores Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 133 488 Primeiro, o executado deve requerer o parcelamento no prazo que teria para opor os embargos de execução. Assim, ao invés de embargar, ele apresenta petição requerendo o parcelamento. Note que o parcelamento é substitutivo dos embargos. Assim, a petição de parcelamento importa renúncia ao direito de embargar. Além disso, no ato de apresentação do requerimento, a parte deverá efetuar o pagamento de 30% do valor atualizado do débito, acrescido de custas e de honorários do advogado. Quanto aos 70% restantes, a parte poderá requerer o parcelamento em 6 vezes, acrescido de correção monetária e juros. Apresentada a petição, o juiz determinará a oitiva da parte contrária e, na sequência, decidirá no prazo de 5 dias. A decisão poderá ser... Pelo deferimento, situação em que o exequente fará o levantamento dos 30%. O executado deverá efetuar o pagamento mensal de forma rigorosa sob pena de: A) vencimento das prestações subsequentes e continuidade do processo de execução em relação ao valor remanescente. B) multa de 10% sobre o valor das prestações não pagas. Pelo indeferimento, hipótese em que os 30% depositados serão convertidos em penhora e a execução prosseguirá pelo restante. Confira: Art. 916. No prazo para embargos, RECONHECENDO o crédito do exequente e COMPROVANDO o depósito de TRINTA POR CENTO do valor em execução, acrescido de custas e de honorários de advogado, o executado poderá requerer que lhe seja permitido pagar o restante em até 6 (seis) parcelas mensais, acrescidas de correção monetária e de juros de um por cento ao mês. § 1o O exequente será intimado para manifestar-se sobre o preenchimento dos pressupostos do caput, e o juiz decidirá o requerimento em 5 (CINCO) DIAS. § 2o Enquanto não apreciado o requerimento, o executado terá de depositar as parcelas vincendas, facultado ao exequente seu levantamento. § 3o Deferida a proposta, o exequente levantará a quantia depositada, e serão suspensos os atos executivos. § 4o INDEFERIDA a proposta, seguir-se-ão os atos executivos, mantido o depósito, que será convertido em penhora. § 5o O NÃO pagamento de qualquer das prestações acarretará cumulativamente: I - o vencimento das prestações subsequentes e o prosseguimento do processo, com o imediato reinício dos atos executivos; Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 134 488 II - a imposição ao executado de multa de dez por cento sobre o valor das prestações não pagas. § 6o A opção pelo parcelamento de que trata este artigo importa renúncia ao direito de opor embargos. § 7o O disposto neste artigo NÃO SE APLICA AO CUMPRIMENTO DA SENTENÇA. Em síntese... Matérias arguíveis O art. 917, do CPC, trata das matérias que podem ser arguidas em embargos à execução. Atenção! Art. 917. Nos embargos à execução, o executado poderá ALEGAR: I - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; II - penhora incorreta ou avaliação errônea; III - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções; IV - retenção por benfeitorias necessárias ou úteis, nos casos de execução para entrega de coisa certa; • Não se aplica ao cumprimento de sentença. • Requerimento: deposita 30% do débito atualizado com custas e honorários e requere o parcelamento do restante em 6 vezes mensais, com correção monetária e juros de 1%. • A decisão poderá ser... ➢Pelo deferimento, situação em que o exequente fará o levantamento dos 30%. O executado deverá efetuar o pagamento mensal de forma rigorosa sob pena de: • A) vencimento das prestações subsequentes e continuidade do processo de execução em relação ao valor remanescente. • B) multa de 10% sobre o valor das prestações não pagas. ➢Pelo indeferimento, hipótese em que os 30% depositados serão convertidos em penhora e a execução prosseguirá pelo restante. PARCELAMENTO DA EXECUÇÃO Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 135 488 V - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução; VI - qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa em processo de conhecimento. Vamos analisar objetivamente cada uma das hipóteses previstas acima. O executado poderá arguir a inexequibilidade do título ou a inexigibilidade da obrigação. Por exemplo, pretende-se a execução de um documento que não é considerado hipótese de título executivo extrajudicial, tal como o cheque especial (inexequível) ou a obrigação está sob condição suspensiva não implementada (inexigível). A parte executada poderá alegar, ainda, penhora incorreta ou avaliação errônea. Caberá embargos à oposição, se a penhora não obedecer aos requisitos substanciais ou formais, como a penhora de bem de família ou avaliação em valor manifestamente inferior ao praticado no mercado. Importante registrar que não será necessário opor embargos à execução quando houver apenas incorreção nos cálculos da penhora ou da avaliação. Nesses casos, basta ao executado demonstrar a incorreção por petição, no prazo de 15 dias a contar da ciência do fato, para que haja retificação. É isso que explicita o §1º abaixo citado: § 1o A incorreção da penhora ou da avaliação poderá ser impugnada por simples petição, no prazo de 15 (quinze) dias, contado da ciência do ato. Em frente! O excesso de execução configura-se quando o exequente pretende valor superior ao que consta do título executivo extrajudicial ou execução de coisa diversa daquela declara no título. Por exemplo, inserção no cálculo do débito de parcela não declarada no título constitui matéria embargável por excesso de execução. A fim de facilitar a compreensão do que seja excesso de execução, temos o §2º abaixo: inexequível é o título que não preenche as características de um título executivo extrajudicial inexigível é a obrigação que não é líquida ou ainda não é exigível Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular(Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 136 488 § 2o Há excesso de execução quando: I - o exequente pleiteia quantia superior à do título; II - ela recai sobre coisa diversa daquela declarada no título; III - ela se processa de modo diferente do que foi determinado no título; IV - o exequente, sem cumprir a prestação que lhe corresponde, exige o adimplemento da prestação do executado; V - o exequente não prova que a condição se realizou. Ainda em relação à hipótese na qual o executado alega excesso de execução, temos que nos atentar para um detalhe importante. Na petição de embargos, o executado deverá indicar o valor do excesso e o valor que entende devido, com apresentação de demonstrativo discriminado e atualizado do débito. Se o executado não indicar o valor que entende correto ou não apresentar os demonstrativos, os embargos restarão prejudicados em relação a esses pontos. Assim, se o excesso de execução for o único argumento, os embargos serão extintos sem resolução de mérito. Ao passo que se houver outros fundamentos, os embargos serão processados, mas o juiz não examinará a alegação de excesso de execução. Confira: § 3o Quando alegar que o exequente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior à do título, o embargante declarará na petição inicial o valor que entende correto, apresentando demonstrativo discriminado e atualizado de seu cálculo. § 4o Não apontado o valor correto ou não apresentado o demonstrativo, os embargos à execução: I - serão liminarmente rejeitados, sem resolução de mérito, se o excesso de execução for o seu único fundamento; II - serão processados, se houver outro fundamento, mas o juiz não examinará a alegação de excesso de execução. Vejamos um esquema para fixas as hipóteses de excesso de execução: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 137 488 Sigamos com a análise das demais hipóteses: Poderá o executado arguir a retenção por benfeitorias necessárias ou úteis, nos casos de execução para entrega de coisa certa. Temos uma situação específica que permite ao executado – quando possuidor de boa-fé, obter o direito à indenização de benfeitorias necessárias, úteis e voluptuárias que eventualmente não tenham sido pagas. Por exemplo, o executado é locatário do exequente. Ao longo do contrato de locação promoveu diversas benfeitorias úteis e necessárias no imóvel, por exemplo, troca de janelas enferrujadas, colocação de portão eletrônico etc. Essas benfeitorias, contudo, não foram ressarcidas pelo locador. Em eventual execução para entrega do imóvel devido ao atraso reiterado nos aluguéis, o executado poderá embargar para exercer o direito de retenção a fim de que tais benfeitorias sejam pagas ou compensadas do montante devido. Sobre essa hipótese, o §5º prevê a possibilidade de compensação, tal como consta do exemplo. § 5o Nos embargos de retenção por benfeitorias, o exequente poderá requerer a compensação de seu valor com o dos frutos ou dos danos considerados devidos pelo executado, cumprindo ao juiz, para a apuração dos respectivos valores, nomear perito, observando-se, então, o art. 464. Já o §6º prevê a possibilidade de o exequente promover a retirada do executado da posse, não obstante o exercício do direito de retenção, mediante prestação de caução ou depósito do valor devido a título de benfeitorias. § 6o O exequente poderá a qualquer tempo ser imitido na posse da coisa, prestando caução ou depositando o valor devido pelas benfeitorias ou resultante da compensação. Sigamos! O executado poderá embargar a execução sob a alegação de incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução, que seguirá a disciplina dos arts. 146 e 148, do CPC. § 7o A arguição de impedimento e suspeição observará o disposto nos arts. 146 e 148. Por fim, constitui matéria embargável na execução tudo aquilo que poderia ser arguido pelo réu em matéria de defesa no processo de conhecimento. • o exequente pleiteia quantia superior à do título; • ela recai sobre coisa diversa daquela declarada no título; • ela se processa de modo diferente do que foi determinado no título; • o exequente, sem cumprir a prestação que lhe corresponde, exige o adimplemento da prestação do executado; • o exequente não prova que a condição se realizou. O EXCESSO DE EXECUÇÃO OCORRE QUANDO: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 138 488 Sobre essa hipótese, é muito importante ler a doutrina2 abaixo: Nos embargos à execução fundada e título executivo extrajudicial, exatamente porque o direito não foi acertado em processo judicial, o executado poderá alegar toda e qualquer matéria que lhe será lícito deduzir como defesa no processo de conhecimento. Esse entendimento se aplica tanto aos embargos à execução proposta contra o particular quanto contra a Fazenda Pública (art. 910, §2º). Essa hipótese deixa evidente que os embargos constituem uma ação autônoma, o que permite ao executado impugnar a relação jurídica, trazendo toda a matéria que poderia alegar na fase de defesa do processo de conhecimento. Rejeição liminar dos embargos O art. 918, do CPC, trata das hipóteses de rejeição liminar dos embargos à execução. Uma vez apresentados os embargos, o juiz irá verificar se a petição apresenta os pressupostos e requisitos processuais, se não houver a prescrição da pretensão executiva ou a decadência de opor os embargos, eles serão liminarmente rejeitados. Veja: Art. 918. O juiz REJEITARÁ LIMINARMENTE OS EMBARGOS: I - quando intempestivos; II - nos casos de indeferimento da petição inicial e de improcedência liminar do pedido; III - manifestamente protelatórios. Parágrafo único. CONSIDERA-SE CONDUTA ATENTATÓRIA À DIGNIDADE DA JUSTIÇA O OFERECIMENTO DE EMBARGOS MANIFESTAMENTE PROTELATÓRIOS. Em relação à hipótese descrita no inc. III, além da rejeição liminar dos embargos, o parágrafo único explicita que tal conduta será considerada ato atentatório à dignidade da justiça, sujeitando o executado à multa de até 20% sobre o valor atualizado do débito que será cobrada nos próprios autos de execução e revertida em benefício do exequente. Para a prova... 2 DONIZETTI, Elpídio. Curso Didático de Direito Processual Civil. 19ª edição, rev. e atual., São Paulo: Editora Atlas S/A, 2016, p. 1270. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 139 488 Efeitos dos embargos recebidos Se não for o caso de rejeição liminar, os embargos serão tramitados. Caso haja pedido de concessão de efeito suspensivo, o juiz irá apreciar o pedido formulado pelo executado. Para a concessão do efeito suspensivo, há de se verificar se: há preenchimento dos requisitos para concessão de tutela provisória, quais sejam: a) “perigo de dano”; b) “risco ao resultado útil do processo”; ou c) “perigo da demora” (periculum in mora). houve a realização de penhora, depósito ou caução em valor suficiente. Sem o preenchimento dos requisitos acima, não há a possibilidade de concessão judicial do efeito suspensivo (ope judicis). Art. 919. Os embargos à execução NÃO TERÃO EFEITO SUSPENSIVO. § 1o O juiz poderá, a requerimento do embargante, atribuir efeito suspensivo aos embargos quando verificados os requisitos para a concessão da tutela provisória e DESDE QUE a execução já esteja garantida por penhora, depósito ou caução suficientes. Em relação aos demais §§, a leitura atenta é o suficiente: § 2o Cessando as circunstâncias que a motivaram, a decisão relativa aos efeitos dos embargosGabarito - Execução - Execução de Alimentos - CEBRASPE 454 ..............................................................................................................................................................................................89) Lista de Questões - Execução - Execução de Alimentos - FCC 455 ..............................................................................................................................................................................................90) Gabarito - Execução - Execução de Alimentos - FCC 457 ..............................................................................................................................................................................................91) Lista de Questões - Execução - Execução de Alimentos - OUTRAS BANCAS 458 ..............................................................................................................................................................................................92) Gabarito - Execução - Execução de Alimentos - OUTRAS BANCAS 460 ..............................................................................................................................................................................................93) Lista de Questões - Execução - Embargos à Execução - CEBRASPE 461 ..............................................................................................................................................................................................94) Gabarito - Execução - Embargos à Execução - CEBRASPE 462 ..............................................................................................................................................................................................95) Lista de Questões - Execução - Embargos à Execução - CONSULPLAN 463 ..............................................................................................................................................................................................96) Gabarito - Execução - Embargos à Execução - CONSULPLAN 465 ..............................................................................................................................................................................................97) Lista de Questões - Execução - Embargos à Execução - FCC 466 ..............................................................................................................................................................................................98) Gabarito - Execução - Embargos à Execução - FCC 470 ..............................................................................................................................................................................................99) Lista de Questões - Execução - Embargos à Execução - FGV 471 ..............................................................................................................................................................................................100) Gabarito - Execução - Embargos à Execução - FGV 473 ..............................................................................................................................................................................................101) Lista de Questões - Execução - Embargos à Execução - VUNESP 474 ..............................................................................................................................................................................................102) Gabarito - Execução - Embargos à Execução - VUNESP 477 ..............................................................................................................................................................................................103) Lista de Questões - Execução - Embargos à Execução - OUTRAS BANCAS 478 ..............................................................................................................................................................................................104) Gabarito - Execução - Embargos à Execução - OUTRAS BANCAS 482 ..............................................................................................................................................................................................105) Lista de Questões - Execução - Suspensão e Extinção da Execução - FCC 483 ..............................................................................................................................................................................................106) Gabarito - Execução - Suspensão e Extinção da Execução - FCC 484 ..............................................................................................................................................................................................107) Lista de Questões - Execução - Suspensão e Extinção da Execução - OUTRAS BANCAS 485 ..............................................................................................................................................................................................108) Gabarito - Execução - Suspensão e Extinção da Execução - OUTRAS BANCAS 487 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 5 488 TEORIA GERAL DA EXECUÇÃO Introdução Vamos iniciar o estudo da execução de títulos extrajudiciais. Contudo, antes de começarmos a análise dos dispositivos do CPC, é importante uma observação: as regras que estudaremos aqui podem ser aplicadas ao cumprimento de sentença, o que torna ainda mais importante esse assunto. Princípios Os princípios, como sabemos, possuem dupla finalidade: normatizar determinadas situações e constituir um parâmetro ou vetor interpretativo dentro da legislação como um todo. Dito isso, são vários os princípios da execução. Vamos destacar os principais para fins de prova. Princípio da nulla executio sine título Esse princípio vem expressamente mencionado no CPC, nos seguintes dispositivos: art. 783, do CPC: Art. 783. A execução para cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título de obrigação certa, líquida e exigível. art. 803, I, do CPC: Art. 803. É nula a execução se: I - o título executivo extrajudicial não corresponder a obrigação certa, líquida e exigível; (...) Esses dispositivos explicitam uma regra clara: NÃO EXISTE EXECUÇÃO SEM TÍTULO EXECUTIVO Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 6 488 Além disso, alguns conceitos são importantes (que adiante serão mais bem desenvolvidos): A obrigação é certa quando é existente, não havendo dúvida de que há um título. A obrigação é líquida quando possui objeto determinado. A obrigação é exigível (ou atual) quando pode ser imediatamente imposta. Importante registrar que não se discute mais a inexistência de título na execução de tutela provisória. No CPC73, tínhamos um dispositivo que dava a entender que a execução de tutela provisória antecipada era execução sem título (art. 475-N, do CPC). Segundo a normativa anterior, apenas a sentença era considerada título. Decisões interlocutórias, segundo alguns, não seria um título executivo. No CPC, em face do art. 515, I, ficou claro que a execução de tutelas provisórias antecipadas é fundada em decisão, considerada também como título executivo. Hoje, tal dúvida não mais subsiste. Princípio da máxima efetividade da execução Esse princípio está descrito no art. 797, caput, do CPC, e prevê: Art. 797. Ressalvado o caso de insolvência do devedor, em que tem lugar o concurso universal, realiza-se a execução no interesse do exequente que adquire, pela penhora, o direito de preferência sobre os bens penhorados. A execução se realiza em favor (ou no interesse) dopoderá, a requerimento da parte, ser modificada ou revogada a qualquer tempo, em decisão fundamentada. HIPÓTESES DE REJEIÇÃO LIMINAR DOS EMBARGOS intempestivos indeferimento da petição inicial improcedência liminar manifestamente protelatórios Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 140 488 § 3o Quando o efeito suspensivo atribuído aos embargos disser respeito apenas a parte do objeto da execução, esta prosseguirá quanto à parte restante. § 4o A concessão de efeito suspensivo aos embargos oferecidos por um dos executados não suspenderá a execução contra os que não embargaram quando o respectivo fundamento disser respeito exclusivamente ao embargante. § 5o A concessão de efeito suspensivo não impedirá a efetivação dos atos de substituição, de reforço ou de redução da penhora e de avaliação dos bens. Confira uma questão de prova: (TRE-PI - 2016) Relativamente ao cumprimento de sentença e ao processo de execução de título executivo extrajudicial, julgue: Em ação de execução de título executivo extrajudicial na qual o devedor ofereça embargos à execução no prazo legal, objetivando desconstituir a pretensão executiva, caso haja indícios do cumprimento da obrigação, o juiz poderá, de ofício, conceder efeito suspensivo aos embargos. Comentários A assertiva está incorreta. De acordo com o art. 919, §1º, do CPC, os embargos à execução não terão efeito suspensivo. O juiz poderá, a requerimento do embargante, atribuir efeito suspensivo aos embargos. Contraditório, instrução e julgamento Para encerrar o estudo dos embargos, veja o art. 920, do CPC: Art. 920. Recebidos os embargos: I - o exequente será ouvido no prazo de 15 (quinze) dias; II - a seguir, o juiz julgará imediatamente o pedido ou designará audiência; III - encerrada a instrução, o juiz proferirá sentença. Esse dispositivo sintetiza o procedimento de embargos após a determinação do processamento e eventual análise de efeito suspensivo. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 141 488 Determinado o processamento, intima-se o exequente (e embargado) para impugnar os embargos no prazo de 15 dias. Na sequência, será julgado o pedido ou, se necessária a produção de provas, haverá designação de audiência de instrução com posterior sentença. Com isso, finalizamos o estudo dos embargos à execução. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 142 488 SUSPENSÃO E EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO Suspensão da Execução Para encerrar o estudo relativo ao processo execução, cumpre analisar as situações nas quais temos a suspensão e a extinção da execução. A suspensão da execução ocorre nas hipóteses descritas no art. 921, do CPC: Art. 921. SUSPENDE-SE a execução: I - nas hipóteses dos arts. 313 e 315, no que couber; II - no todo ou em parte, quando recebidos com efeito suspensivo os embargos à execução; III - quando não for localizado o executado ou bens penhoráveis; (Redação dada pela Lei nº 14.195, de 2021) IV - se a alienação dos bens penhorados não se realizar por falta de licitantes e o exequente, em 15 (quinze) dias, não requerer a adjudicação nem indicar outros bens penhoráveis; V - quando concedido o parcelamento de que trata o art. 916. § 1o Na hipótese do inciso III, o juiz suspenderá a execução pelo prazo de 1 (um) ano, durante o qual se suspenderá a prescrição. § 2o Decorrido o prazo máximo de 1 (um) ano sem que seja localizado o executado ou que sejam encontrados bens penhoráveis, o juiz ordenará o arquivamento dos autos. § 3o Os autos serão desarquivados para prosseguimento da execução se a qualquer tempo forem encontrados bens penhoráveis. § 4º O termo inicial da prescrição no curso do processo será a ciência da primeira tentativa infrutífera de localização do devedor ou de bens penhoráveis, e será suspensa, por uma única vez, pelo prazo máximo previsto no § 1º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 14.195, de 2021) § 4º-A A efetiva citação, intimação do devedor ou constrição de bens penhoráveis interrompe o prazo de prescrição, que não corre pelo tempo necessário à citação e à intimação do devedor, bem como para as formalidades da constrição patrimonial, se necessária, desde que o credor cumpra os prazos previstos na lei processual ou fixados pelo juiz. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 143 488 § 5º O juiz, depois de ouvidas as partes, no prazo de 15 (quinze) dias, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição no curso do processo e extingui-lo, sem ônus para as partes. (Redação dada pela Lei nº 14.195, de 2021) § 6º A alegação de nulidade quanto ao procedimento previsto neste artigo somente será conhecida caso demonstrada a ocorrência de efetivo prejuízo, que será presumido apenas em caso de inexistência da intimação de que trata o § 4º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) § 7º Aplica-se o disposto neste artigo ao cumprimento de sentença de que trata o art. 523 deste Código. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021). Vamos analisar brevemente as hipóteses?! 1ª hipótese: no primeiro inciso temos referência às situações que determinam a suspensão do processo de conhecimento que, se se adequarem ao processo de execução, podem implicar também suspensão. Veja: A outra circunstância trazida no primeiro incisos é a suspensão para apuração de fatos na esfera criminal. Relembre: • Suspende-se o processo quando houver morte ou perda da capacidade processual das partes, do representante legal e do advogado. • Suspende-se o processo por convenção das partes (máximo de 6 meses, podendo ser sucessivamente convencionado). • Suspende-se o processo por impedimento ou suspeição. • Suspende-se o processo por admissão do incidente de resolução de demandas repetitivas. • Suspende-se o processo por prejudicidade ou preliminaridade de processos (subordinação entre processos) • Suspende-se o processo por questões preliminares por, no máximo, 1 ano (verificação de fato ou produção de provas). • Suspende-se o processo em razão de força maior. • Suspende-se o processo quando se discutir questão decorrente de acidente e fatos da navegação de competência do Tribunal Marítimo. • Suspende-se o processo nas demais hipóteses previstas no CPC. SUSPENSÃO DO PROCESSO Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 144 488 2ª hipótese: recebimento dos embargos à execução com efeito suspensivo. 3ª hipótese: executado não encontrado ou sem bens penhoráveis, suspende-se a execução pelo prazo de 1 ano. Nesse caso, opera-se pode operar a prescrição intercorrente. A prescrição intercorrente é aquela que decorre da demora exagerada para o efetivo cumprimento de sentença ou a execução. Quando chegamos a essa fase do processo, é comum haver dificuldade para encontrar o devedor ou seus bens do devedor. Atualmente, essa realidade assola os tribunais. Muitos processos estão parados, dependendo de andamento ou de alguma ação na fase executiva. Diante desse cenário, a tese da prescrição intercorrente tornou-se importante para limpar processos que estão parados sem solução e sem qualquer perspectiva de andar. O art. 921 do CPC define o procedimento para a suspensão da execução, quando o prazo da prescrição intercorrente irá iniciar. A prescriçãointercorrente, pela nova regra do CPC, se dá a partir da primeira tentativa infrutífera de encontrar o devedor ou seus bens. O CPC prevê, ainda, que a partir desse momento, a parte credora poderá suspender essa prescrição por uma única vez, pelo prazo de 1 ano. Após, volta a correr a prescrição. Assim, haverá suspensão da execução caso: não seja encontrado o devedor; não sejam encontrados bens do devedor. A partir dessa suspensão, começa a correr a prescrição intercorrente. Por exemplo, houve uma primeira tentativa de encontrar bens do executado que restou inexitosa: inicia-se a prescrição intercorrente. 6 meses depois, o credor encontra alguns bens e tenta penhorá-los e vendê-los. Essa tentativa leva 3 meses. Após, resta algum crédito, seja porque não conseguiu vender o bem que encontrou ou porque não foi suficiente, inicia novamente a prescrição intercorrente. Caso o juiz identifique a prescrição intercorrente, deve intimar as partes para se manifestarem no prazo de 15 dias. Após, ele extinguirá o cumprimento de sentença ou a execução, sem ônus para as partes. 4ª hipótese: se a alienação dos bens penhorados não se realizar por falta de licitantes e o exequente, em 15 dias, não requerer a adjudicação nem indicar outros bens penhoráveis. SUSPENSÃO DO PROCESSO ATÉ PRONUNCIAMENTO DA JUSTIÇA CRIMINAL Suspensão por ação prejudicial Suspensão por 3 meses para ajuizamento da ação penal Suspensão por 1 ano para julgamento da ação penal Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 145 488 5ª hipótese: aquisição parcelada. O art. 922, do CPC, prevê a possibilidade de suspensão da obrigação por acordo entre as partes. Art. 922. Convindo as partes, o juiz declarará suspensa a execução durante o prazo concedido pelo exequente para que o executado cumpra voluntariamente a obrigação. Parágrafo único. Findo o prazo sem cumprimento da obrigação, o processo retomará o seu curso. Por fim, prevê o art. 923, do CPC, que durante o prazo de suspensão da execução não podem ser praticados atos processuais, com exceção dos atos urgentes. Art. 923. Suspensa a execução, não serão praticados atos processuais, podendo o juiz, entretanto, salvo no caso de arguição de impedimento ou de suspeição, ordenar providências urgentes. Extinção do processo de execução O art. 924, do CPC, por sua vez, sintetiza as hipóteses em que teremos a extinção da execução: Art. 924. Extingue-se a execução quando: I - a petição inicial for indeferida; II - a obrigação for satisfeita; III - o executado obtiver, por qualquer outro meio, a extinção total da dívida; IV - o exequente renunciar ao crédito; V - ocorrer a prescrição intercorrente. Contudo, para que produza efeitos é necessária a declaração por sentença da extinção do procedimento de execução: Art. 925. A extinção só produz efeito quando declarada por sentença. Em síntese... Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 146 488 ==1365fc== Com isso, encerramos o conteúdo referente ao processo de execução. EXTINGUE-SE A EXECUÇÃO, SE a petição inicial for indeferida a obrigação for satisfeita o executado obtiver, por qualquer outro meio, a extinção total da dívida o exequente renunciar ao crédito ocorrer a prescrição intercorrente Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 147 488 QUESTÕES COMENTADAS 1. (CESPE/TJ-SC - 2019) O CPC considera título executivo extrajudicial I o instrumento de transação referendado por conciliador credenciado por tribunal, após homologação pelo juiz. II o contrato celebrado por instrumento particular, garantido por direito real de garantia, independentemente de ter sido assinado por duas testemunhas. III o contrato celebrado por instrumento particular, garantido por fiança, desde que assinado por duas testemunhas. IV o crédito de contribuição extraordinária de condomínio edilício, aprovada em assembleia geral e documentalmente comprovada. Estão certos apenas os itens 784 a) I e III. b) I e IV. c) II e IV. d) I, II e III. e) II, III e IV. Comentários A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. Vejamos cada item: O Item I está incorreto. De acordo com o art. 784, IV do Código de Processo Civil: "São títulos executivos extrajudiciais: o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública, pela Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou mediador credenciado por tribunal." Não é exigida, portanto, a homologação do juiz para que o instrumento de transação seja considerado título executivo extrajudicial. O Item II está correto. Nos termos do art. 784, V do CPC: "São títulos executivos extrajudiciais: o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e aquele garantido por caução." O Item III está incorreto. Prevê o art. 784, III do Código que o documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas é título executivo extrajudicial. Nesse caso, não é exigida fiança. O Item IV está correto. O art. 784, X do CPC positiva: "São títulos executivos extrajudiciais: o crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de condomínio edilício, previstas Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 148 488 na respectiva convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde que documentalmente comprovadas." 2. (CESPE/TJDFT - 2019) A propósito de fraude à execução, assinale a opção correta. a) A alienação de bem é considerada fraude à execução se sobre o bem pender ação fundada em direito real, independentemente de averbação desse bem em registro público. b) A oneração de bem é considerada fraude à execução se tiver sido averbada a pendência do processo de execução no registro do bem sujeito à penhora, arresto ou indisponibilidade. c) O terceiro adquirente de bem não sujeito a registro tem o ônus de provar que adotou as cautelas necessárias para a sua aquisição por qualquer meio em direito admitido. d) Após declarar a fraude à execução, o juiz deverá intimar o terceiro adquirente para que se manifeste no prazo de quinze dias. e) A alienação em fraude à execução é nula em relação ao exequente. Comentários A alternativa A está incorreta. O inciso I do art. 792 exige a averbação: "A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: quando sobre o bem pender ação fundada em direito real ou com pretensão reipersecutória, desde que a pendência do processo tenha sido averbada no respectivo registro público, se houver." A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. A resposta está fundamentada no art. 792, II do Código de Processo Civil: Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: II - quando tiver sido averbada, no registro do bem, a pendência do processo de execução, na forma do art. 828; Art. 828. § 4º Presume-se em fraude à execução a alienação ou a oneração de bens efetuada após a averbação. A alternativa C está incorreta. A prova deverá ser por meio de certidões, como disposto no §2º do art. 792 do CPC: "No caso de aquisição de bem não sujeito a registro, o terceiro adquirente tem o ônus de provar que adotou as cautelas necessárias para a aquisição, mediante a exibição das certidões pertinentes, obtidas no domicílio do vendedor e no local onde se encontra o bem." A alternativa D está incorreta. O §4º do art. 792 prevê que a intimação do terceiroadquirente deverá ser antes da declaração de fraude à execução: "Antes de declarar a fraude à execução, o juiz deverá intimar o terceiro adquirente, que, se quiser, poderá opor embargos de terceiro, no prazo de 15 (quinze) dias." Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 149 488 A alternativa E está incorreta. Nos termos do §1º do art. 792 do CPC: "A alienação em fraude à execução é ineficaz em relação ao exequente." 3. (CESPE/Pref Boa Vista - 2019) O item a seguir é apresentada uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada a respeito de processo de execução e ação popular. A pedido do exequente, o juízo deferiu a penhora de um imóvel de propriedade do executado. No entanto, o exequente não procedeu à averbação do ato no respectivo cartório de registro de imóveis. Após a penhora, o executado alienou o imóvel penhorado. Nessa situação, o ato de alienação do imóvel caracteriza fraude à execução. Comentários A assertiva está incorreta. Para que fosse caracterizada a fraude à execução, seria necessária a averbação, como prevê o art. 792, II do Código de Processo Civil (que deve ser lido em conjunto com o art. 828). No mesmo sentido é o teor da Súmula 375 do Superior Tribunal de Justiça. Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: II - quando tiver sido averbada, no registro do bem, a pendência do processo de execução, na forma do art. 828. Art. 828. O exequente poderá obter certidão de que a execução foi admitida pelo juiz, com identificação das partes e do valor da causa, para fins de averbação no registro de imóveis, de veículos ou de outros bens sujeitos a penhora, arresto ou indisponibilidade. § 1º No prazo de 10 (dez) dias de sua concretização, o exequente deverá comunicar ao juízo as averbações efetivadas. § 2º Formalizada penhora sobre bens suficientes para cobrir o valor da dívida, o exequente providenciará, no prazo de 10 (dez) dias, o cancelamento das averbações relativas àqueles não penhorados. § 3º O juiz determinará o cancelamento das averbações, de ofício ou a requerimento, caso o exequente não o faça no prazo. § 4º Presume-se em fraude à execução a alienação ou a oneração de bens efetuada após a averbação. STJ - Súmula 375 – O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora no bem alienado ou da prova da má-fé do terceiro adquirente. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 150 488 ==1365fc== 4. (CESPE/TCE-MG - 2018) Se, em sentença transitada em julgado, for declarada inexistente a obrigação que ensejou a execução, o exequente a) será advertido por praticar ato atentatório à dignidade da justiça. b) será alvo de comunicação à OAB, a ser determinada pelo juiz. c) ressarcirá o executado dos danos a este causados. d) responderá por litigância de má-fé. e) pagará multa por deslealdade processual. Comentários A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. De acordo com o art. 776 do Código de Processo Civil: "O exequente ressarcirá ao executado os danos que este sofreu, quando a sentença, transitada em julgado, declarar inexistente, no todo ou em parte, a obrigação que ensejou a execução." As alternativas A, B, D e E estão incorretas pois não correspondem ao tratamento legal dado ao tema. 5. (CESPE/TJ-AM - 2019) Acerca do disposto no Código de Processo Civil (CPC) sobre as normas processuais civis, os deveres das partes e dos procuradores, a intervenção de terceiros e a forma dos atos processuais, julgue o item a seguir. Em observância ao princípio da economia processual, a fundamentação de decisão que não admite recurso pode limitar-se à mera indicação de precedente com força vinculante ou persuasiva reconhecida pelo CPC. Comentários A assertiva está incorreta. De acordo com o art. 489, §1º, não se considera fundamentada toda e qualquer decisão judicial aquela que “se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos”. 6. (CESPE/MPE-PI - 2018) Julgue o item seguinte, a respeito da intervenção de terceiros e do processo de execução. De acordo com o STF, em razão do regime constitucional fixado para a execução de quantia certa contra a fazenda pública, não devem incidir juros moratórios no intervalo de tempo compreendido entre a data da realização dos cálculos e a da requisição ou do precatório. Comentários Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 151 488 De acordo com o art. 100, §§3º e 4º, da CF/88, a execução de quantia certa contra a Fazenda Pública será realizada por meio de Requisição de Pequeno Valor ou Precatório, a depender do valor objeto da execução. Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim. § 3º O disposto no caput deste artigo relativamente à expedição de precatórios não se aplica aos pagamentos de obrigações definidas em leis como de pequeno valor que as Fazendas referidas devam fazer em virtude de sentença judicial transitada em julgado. § 4º Para os fins do disposto no § 3º, poderão ser fixados, por leis próprias, valores distintos às entidades de direito público, segundo as diferentes capacidades econômicas, sendo o mínimo igual ao valor do maior benefício do regime geral de previdência social. Além disso, segundo o STF, incidem os juros da mora no período compreendido entre a data da realização dos cálculos e a da requisição ou do precatório. Portanto, incorreta a assertiva. 7. (CESPE/DPU - 2017) Tendo em vista que uma das funções primordiais do STJ é a sistematização e uniformização da jurisprudência relativa à legislação processual, julgue o próximo item à luz do entendimento desse tribunal. Nos processos coletivos contra a União, o beneficiário de sentença coletiva procedente que for promover, individualmente, a execução da parte a que tiver direito deverá observar prazo prescricional de cinco anos, contado a partir do início da execução coletiva. Comentários A assertiva está incorreta. O prazo prescricional para a execução individual é contado do trânsito em julgado da sentença coletiva, sendo desnecessária a publicação de editais convocando eventuais beneficiários. 8. (CESPE/TJ-PR - 2017) Assinale a opção correta de acordo com as normas referentes ao cumprimento de sentença, ao procedimento monitório e ao processo de execução. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 152 488 a) As defesas processuais relativas ao controle da regularidade dos atos executórios no procedimento do cumprimento de sentença somente podem ser arguidas por meio de impugnação ao cumprimento de sentença. b) A existência de título executivo extrajudicial não é óbice ao ajuizamento de ação condenatória, podendo ainda o credor optar pelo ajuizamento de ação monitória, a despeito da possibilidade de utilização da via executória. c) É incompatível com o regime de cumprimento provisório da sentença a multa de 10% prevista como sanção ao executado que, devidamente intimado, deixa de adimplir voluntariamente a condenação em quantia certa.d) O protesto da decisão que determine a prestação de alimentos somente poderá ser feito após o trânsito em julgado da decisão, devendo o autor se valer de outros meios coercitivos para a efetivação de decisão interlocutória que fixe alimentos. Comentários A alternativa A está incorreta. De acordo com o art. 518, da Lei nº 13.105/15, todas as questões relativas à validade do procedimento de cumprimento da sentença e dos atos executivos subsequentes poderão ser arguidas pelo executado nos próprios autos e nestes serão decididas pelo juiz. A alternativa B está correta e é o gabarito da questão, pois é o que dispõe o art. 785, da referida Lei: Art. 785. A existência de título executivo extrajudicial não impede a parte de optar pelo processo de conhecimento, a fim de obter título executivo judicial. A alternativa C está incorreta, haja vista o que está disciplinado no art. 523, §1º, do CPC: § 1º Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput, o débito será acrescido de multa de dez por cento e, também, de honorários de advogado de dez por cento. A alternativa D está incorreta, pois não é necessário aguardo trânsito em julgado para que haja possibilidade do protesto. É o que se extrai do art. 528, §1º, do CPC: § 1º Caso o executado, no prazo referido no caput, não efetue o pagamento, não prove que o efetuou ou não apresente justificativa da impossibilidade de efetuá- lo, o juiz mandará protestar o pronunciamento judicial, aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 517. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 153 488 9. (CESPE/PGE-AM - 2016) Com relação aos procedimentos especiais e ao processo de execução no âmbito do processo civil, julgue o próximo item. É cabível, segundo o STJ, o ajuizamento de ação monitória contra a fazenda pública, com o objetivo de receber nota promissória prescrita, emitida por ente público e vencida há quatro anos. Comentários De acordo com a súmula nº 339, do STJ, é cabível ação monitória contra a Fazenda Pública. Ademais, a súmula nº 504, estabelece que o prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de nota promissória sem força executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte ao vencimento do título. Desse modo, a assertiva está correta. 10. (CESPE/TRE-MT - 2015) No tocante à execução e ao cumprimento de sentença, assinale a opção correta. a) Havendo desistência da execução pelo credor, a extinção dos embargos que versarem apenas sobre questões processuais independe da concordância do embargante. b) Transitada em julgado a sentença que condena ao pagamento de determinada quantia, o devedor deverá ser citado para cumpri-la em até quinze dias, sob pena de incidência de multa de 10% sobre o montante da condenação. c) A sentença arbitral constitui título executivo extrajudicial, uma vez que oriunda da atividade de um árbitro escolhido pelas partes. d) Para a oposição de embargos à execução fundada em título extrajudicial, o devedor deverá tornar seguro o juízo mediante penhora, depósito ou caução. e) Os embargos opostos pelo devedor à execução fundada em título extrajudicial terão, em regra, efeito suspensivo, cabendo ao julgador, em caso de requerimento da parte, fundamentar a decisão que lhes afastar esse efeito. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão, conforme prevê o art. 775, do CPC. Note que, quando os embargos versarem apenas sobre questões processuais e houver desistência da execução pelo credor, não é necessária a concordância do embargante. Art. 775. O exequente tem o direito de desistir de toda a execução ou de apenas alguma medida executiva. Parágrafo único. Na desistência da execução, observar-se-á o seguinte: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 154 488 I - serão extintos a impugnação e os embargos que versarem apenas sobre questões processuais, pagando o exequente as custas processuais e os honorários advocatícios; II - nos demais casos, a extinção dependerá da concordância do impugnante ou do embargante. A alternativa B está incorreta. De acordo com o art. 523, §1º, do CPC, no caso de condenação em quantia certa, o executado será intimado para pagar o débito, no prazo de 15 dias. Não ocorrendo o pagamento voluntário, o débito será acrescido de multa de dez por cento e, também, de honorários de advogado de dez por cento. Art. 523. No caso de condenação em quantia certa, ou já fixada em liquidação, e no caso de decisão sobre parcela incontroversa, o cumprimento definitivo da sentença far-se-á a requerimento do exequente, sendo o executado intimado para pagar o débito, no prazo de 15 (quinze) dias, acrescido de custas, se houver. § 1o Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput, o débito será acrescido de multa de dez por cento e, também, de honorários de advogado de dez por cento. A alternativa C está incorreta. A sentença arbitral constitui título executivo judicial. Vejamos o art. 515, I, da referida Lei. Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: VII - a sentença arbitral; A alternativa D está incorreta. Segundo o art. 914, da Lei nº 13.105/15, o executado, independentemente de penhora, depósito ou caução, poderá se opor à execução por meio de embargos. Art. 914. O executado, independentemente de penhora, depósito ou caução, poderá se opor à execução por meio de embargos. A alternativa E está incorreta. Com base no art. 919, §1º, do CPC, o juiz poderá atribuir efeito suspensivo aos embargos quando verificados os requisitos para a concessão da tutela provisória e desde que a execução já esteja garantida por penhora, depósito ou caução suficientes. Art. 919. Os embargos à execução não terão efeito suspensivo. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 155 488 § 1o O juiz poderá, a requerimento do embargante, atribuir efeito suspensivo aos embargos quando verificados os requisitos para a concessão da tutela provisória e desde que a execução já esteja garantida por penhora, depósito ou caução suficientes. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 156 488 QUESTÕES COMENTADAS 1. (CONSULPLAN/TJ-MG - 2019) De acordo com as normas e princípios contidos no Código de Processo Civil, analise as afirmativas a seguir. I. São títulos executivos judiciais somente as sentenças condenatórias proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obrigação de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa. II. A instauração do cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de fazer ou não fazer e de entregar coisa certa se dará de ofício, pelo juiz, ou a requerimento da parte. III. O credor, munido de título executivo extrajudicial, está impedido de optar pelo processo de conhecimento, como, por exemplo, a ação de cobrança. IV. Informam a execução forçada, dentre outros, o princípio de que a finalidade primeira do processo de execução é a plena satisfação do credor e o princípio de que a execução deve realizar- se da forma o menos prejudicial ao devedor. Estão corretas as afirmativas a) I, II, III e IV. b) II e IV, apenas. c) I, II e III, apenas. d) I, III e IV, apenas. Comentários A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Vamos analisar cada afirmativa: A afirmativa I é incorreta. O art. 515 apresenta os títulos executivos judiciais em 9 incisos;"as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obrigação de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa" representam apenas o primeiro inciso. Note que o examinador utilizou uma expressão restritiva: "somente", desconsiderando todas as demais espécies de títulos executivos judiciais. Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: I - as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obrigação de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa; II - a decisão homologatória de autocomposição judicial; Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 157 488 III - a decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de qualquer natureza; IV - o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal; V - o crédito de auxiliar da justiça, quando as custas, emolumentos ou honorários tiverem sido aprovados por decisão judicial; VI - a sentença penal condenatória transitada em julgado; VII - a sentença arbitral; VIII - a sentença estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça; IX - a decisão interlocutória estrangeira, após a concessão do exequatur à carta rogatória pelo Superior Tribunal de Justiça; A afirmativa II é correta. O art. 523 do Código de Processo Civil manifesta expressamente a necessidade de requerimento do exequente para que ocorra o cumprimento definitivo de sentença que reconhece a obrigação de pagar quantia. A doutrina entende que o silêncio do Código quanto às obrigações de fazer, não fazer e entregar coisa significa a possibilidade de o juiz poder iniciar de ofício seu cumprimento definitivo. Art. 536. No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de fazer ou de não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento, para a efetivação da tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente, determinar as medidas necessárias à satisfação do exequente. A afirmativa III é incorreta. O art. 785 do CPC prevê o oposto: "A existência de título executivo extrajudicial não impede a parte de optar pelo processo de conhecimento, a fim de obter título executivo judicial." A afirmativa IV é correta. A doutrina nomeia os princípios apresentados como Princípio da Efetividade da Execução Forçada (Princípio do Exato Adimplemento) e Princípio da Menor Onerosidade (Menor Sacrifício Possível do Executado). 2. (CONSULPLAN/TRF2ª R - 2017) Com a entrada em vigor do Novo Código de Processo Civil (Lei Federal nº 13.105 de 2015) foram introduzidas diversas novidades na sistemática processual civil. Ainda que, em sede executiva, tais alterações tenham sido observadas com menor intensidade, podemos observar algumas mudanças operadas com o propósito de imprimir maior rapidez na perseguição do crédito, tornando tão célere quanto possível a satisfação do credor. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 158 488 Em relação ao processo de execução e à fase de cumprimento de sentença, assinale a alternativa INCORRETA. A) Revela-se incabível a apresentação de impugnação no cumprimento provisório da sentença. B) A decisão judicial transitada em julgado poderá ser levada a protesto, nos termos da lei, depois de transcorrido o prazo para pagamento voluntário. C) O Código de Processo Civil de 2015 permite que o nome do devedor executado seja incluído pelo juiz, a requerimento do exequente, em cadastro de inadimplentes. D) O crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio, configura título executivo extrajudicial. Comentários Vejamos cada uma das alternativas. A alternativa A está incorreta e é o gabarito da questão, pois o art. 520, §1º, prevê expressamente a possibilidade de impugnação à sentença em cumprimento provisório. A alternativa B está correta, pois reproduz exatamente o que prevê o caput do art. 517, do CPC. A alternativa C está correta e de acordo com o art. 782, §3º, do CPC. A alternativa D está correta e traz justamente o inc. VIII do art. 784 do CPC. 3. (CONSULPLAN/TJ-MG - 2015) NÃO pode, em hipótese alguma, ser considerado título executivo extrajudicial, nos termos do CPC: a) Escritura pública devidamente assinada pelo devedor. b) Formal e certidão de partilha. c) Contratos garantidos por hipoteca. d) Crédito de perito médico, mesmo se os honorários não forem aprovados por decisão judicial. Comentários O art. 784, do CPC, estabelece quais são os títulos executivos extrajudiciais. Vejamos: Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: II - a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; [ALTERNATIVA A] Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 159 488 ==1365fc== V - o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e aquele garantido por caução; [ALTERNATIVA C] XI - a certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de emolumentos e demais despesas devidas pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas estabelecidas em lei; [ALTERNATIVA D] Formal e certidão de partilha são títulos executivos judiciais, não podendo ser, então, considerados títulos executivos extrajudiciais. Portanto, a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. 4. (CONSULPLAN/TJ-MG - 2015) São títulos executivos extrajudiciais, EXCETO: a) O crédito de serventuário de justiça, de perito, de intérprete, ou de tradutor quando as custas, emolumentos ou honorários não forem contestados pelas partes, após a apresentação nos autos. b) Os contratos garantidos por hipoteca, penhor, anticrese e caução, bem como os de seguro de vida. c) A certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei. d) O crédito decorrente de foro e laudêmio. Comentários O art. 784, do CPC, prevê quais são os títulos executivos extrajudiciais. Vejamos: Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: V - o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e aquele garantido por caução; [ALTERNATIVA B] VII - o crédito decorrente de foro e laudêmio; [ALTERNATIVA D] IX - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei; [ALTERNATIVA C] Não é título executivo extrajudicial o crédito de serventuário de justiça, de perito, de intérprete, ou de tradutor, quando as custas, os emolumentos ou os honorários não forem contestados pelas partes, após a apresentação nos autos. Portando, a alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 160 488 QUESTÕES COMENTADAS 1. (FCC/Prefeitura de Teresina-PI - 2016) A respeito da execução em geral, considere: I. A necessidade de simples operações aritméticas para apurar o crédito exequendo não retira a liquidez da obrigação constante do título executivo. II. Recaindo mais de uma penhora sobre o mesmo bem, cada exequente conservará o seu título de preferência. III. Feita a partilha, cada herdeiro responde solidariamente pelatotalidade das dívidas do falecido, dentro das forças da herança. Está correto o que se afirma APENAS em a) I e III. b) I e II. c) II e III. d) II. e) III. Comentários Vamos analisar cada um dos itens. O item I está correto, com base no parágrafo único, do art. 786, do CPC. O item I está correto, com base no parágrafo único, do art. 797, do CPC. O item III está incorreto. De acordo com o art. 796, da referida Lei, o espólio responde pelas dívidas do falecido, mas, feita a partilha, cada herdeiro responde por elas dentro das forças da herança e na proporção da parte que lhe coube. Assim, a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. 2. (FCC/Prefeitura de Campinas-SP - 2016) “O fiador, quando executado, tem o direito de exigir que primeiro sejam executados os bens do devedor situados na mesma comarca, livres e desembargados, indicando-os pormenorizadamente à penhora”. Esse enunciado refere-se ao a) direito de imputação do devedor, passível de renúncia pelo fiador, por se tratar de direito disponível. b) direito de preleção ou preferência, que é passível de renúncia pelo fiador. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 161 488 c) benefício de ordem, que é passível de renúncia pelo fiador. d) benefício de ordem, que é insuscetível de renúncia pelo fiador. e) direito de preleção ou preferência, que é insuscetível de renúncia pelo fiador. Comentários O enunciado diz respeito ao art. 794, do CPC, que trata da possibilidade de alegação de benefício de ordem pelo fiador. Art. 794. O fiador, quando executado, tem o direito de exigir que primeiro sejam executados os bens do devedor situados na mesma comarca, livres e desembargados, indicando-os pormenorizadamente à penhora. A indicação dos bens do devedor para serem executados em ordem é um direito que a lei lhe assegura, mas este direito pode ser renunciado pelo fiador. De acordo com o §3º, desse mesmo artigo, o disposto não se aplica se o fiador houver renunciado ao benefício de ordem. § 3o O disposto no caput não se aplica se o fiador houver renunciado ao benefício de ordem. Dessa forma, a alternativa C está correta e é o gabarito da questão. 3. (FCC/TRT-14ªR - 2016) Paula ajuizou ação de indenização contra Maria postulando uma indenização no importe equivalente a R$ 300.000,00, decorrente de dano causado em imóvel residencial. A ação é julgada procedente e o pedido inicial integralmente acolhido. Iniciada a fase de cumprimento de sentença, não são localizados bens passíveis de constrição judicial em nome da devedora Maria, que possui apenas um bem imóvel em seu nome, exatamente onde reside com a família. Inconformada Paula começa a diligenciar e apura que durante o trâmite da ação indenizatória Maria vendeu para terceiros um imóvel e um veículo. Neste caso, noticiado o fato no processo com comprovação documental, o Magistrado deverá reconhecer a fraude à execução e considerar o ato da executada como atentatório à dignidade da justiça, condenando-a ao pagamento de multa, exigível na própria execução, NÃO superior a a) 5% do valor atualizado do débito em execução, revertida em proveito do credor. b) 1% do valor atualizado do débito em execução, revertida em proveito do credor. c) 10% do valor atualizado do débito em execução, revertida em proveito do credor. d) 20% do valor atualizado do débito em execução, revertida em proveito do credor. e) 30% do valor atualizado do débito em execução, revertida em proveito do credor. Comentários Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 162 488 Conforme art. 774, do CPC, o Magistrado deverá reconhecer a fraude à execução e considerar o ato da executada como atentatório à dignidade da justiça, condenando-a ao pagamento de multa, exigível na própria execução, não superior a 20% do valor atualizado do débito em execução, revertida em proveito do credor. Art. 774. Considera-se atentatória à dignidade da justiça a conduta comissiva ou omissiva do executado que: I - frauda a execução; II - se opõe maliciosamente à execução, empregando ardis e meios artificiosos; III - dificulta ou embaraça a realização da penhora; IV - resiste injustificadamente às ordens judiciais; V - intimado, não indica ao juiz quais são e onde estão os bens sujeitos à penhora e os respectivos valores, nem exibe prova de sua propriedade e, se for o caso, certidão negativa de ônus. Parágrafo único. Nos casos previstos neste artigo, o juiz fixará multa em montante não superior a vinte por cento do valor atualizado do débito em execução, a qual será revertida em proveito do exequente, exigível nos próprios autos do processo, sem prejuízo de outras sanções de natureza processual ou material. Dessa forma, a alternativa D está correta e é o gabarito da questão. 4. (FCC/TRT-14ªR - 2016) No que se refere à alienação em hasta pública na execução de quantia certa contra devedor solvente é INCORRETO afirmar: a) Se ou o leilão for de diversos bens e houver mais de um lançador, será preferido aquele que se propuser a arrematá-los em conjunto, oferecendo para os que não tiverem lance preço igual ao da avaliação e para os demais o de maior lance. b) O edital será afixado no local do costume e publicado, em resumo, com antecedência mínima de 5 dias, pelo menos uma vez em jornal de ampla circulação local. c) Tratando-se de bem imóvel, quem estiver interessado em adquiri-lo em prestações poderá apresentar por escrito sua proposta, nunca inferior à avaliação, com oferta de, no mínimo, 50% à vista, sendo o restante garantido por hipoteca sobre o próprio imóvel. d) Se o arrematante ou seu fiador não pagar o preço no prazo estabelecido, o juiz impor-lhe-á, em favor do exequente, a perda da caução, voltando os bens a nova praça ou leilão, dos quais não serão admitidos a participar o arrematante e o fiador remissos. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 163 488 ==1365fc== e) Quando o imóvel de incapaz não alcançar em praça, pelo menos, 80% do valor da avaliação, o juiz o confiará à guarda e administração de depositário idôneo, adiando a alienação por prazo não superior a 1 ano. Comentários A alternativa A está correta, conforme prevê o art. 893, da Lei nº 13.105/15. Art. 893. Se o leilão for de diversos bens e houver mais de um lançador, terá preferência aquele que se propuser a arrematá-los todos, em conjunto, oferecendo, para os bens que não tiverem lance, preço igual ao da avaliação e, para os demais, preço igual ao do maior lance que, na tentativa de arrematação individualizada, tenha sido oferecido para eles. A alternativa B está correta, com base nos §§1º e 3º, do art. 887, do CPC. § 1o A publicação do edital deverá ocorrer pelo menos 5 (cinco) dias antes da data marcada para o leilão. § 3o Não sendo possível a publicação na rede mundial de computadores ou considerando o juiz, em atenção às condições da sede do juízo, que esse modo de divulgação é insuficiente ou inadequado, o edital será afixado em local de costume e publicado, em resumo, pelo menos uma vez em jornal de ampla circulação local. A alternativa C está incorreta e é o gabarito da questão. De acordo com o §1º, do art. 895, da referida Lei, quando se tratar de móveis, a proposta conterá oferta de pagamento de, pelo menos, 25% do valor do lance à vista. § 1o A proposta conterá, em qualquer hipótese, oferta de pagamento de pelo menos vinte e cinco por cento do valor do lance à vista e o restante parcelado em até 30 (trinta) meses, garantido por caução idônea, quandose tratar de móveis, e por hipoteca do próprio bem, quando se tratar de imóveis. A alternativa D está correta, com base no art. 897, da Lei nº 13.105/15. Art. 897. Se o arrematante ou seu fiador não pagar o preço no prazo estabelecido, o juiz impor-lhe-á, em favor do exequente, a perda da caução, voltando os bens a novo leilão, do qual não serão admitidos a participar o arrematante e o fiador remissos. A alternativa E está correta, pois diz respeito ao art. 896, do CPC: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 164 488 Art. 896. Quando o imóvel de incapaz não alcançar em leilão pelo menos oitenta por cento do valor da avaliação, o juiz o confiará à guarda e à administração de depositário idôneo, adiando a alienação por prazo não superior a 1 (um) ano. 5. (FCC/TRT-9ªR - 2015) De acordo com o Código de Processo Civil, o credor pode ajuizar execução se o devedor: a) por negligência, imprudência ou imperícia, causar dano, material ou moral, a ser provado durante a instrução do feito. b) não satisfizer obrigação certa, líquida e exigível, consubstanciada em título executivo. c) inadimplir o pagamento de obrigação certa, líquida e exigível contida em documento escrito que possua ou não força executiva. d) inadimplir o pagamento de obrigação certa e exigível, ainda que ilíquida, contida em documento escrito que possua ou não força executiva. e) inadimplir o pagamento de obrigação certa e exigível, ainda que ilíquida, contida em documento escrito que possua força executiva. Comentários Questão fácil que cobra a literalidade da lei. De acordo com o art. 786, do CPC, o credor pode ajuizar execução se o devedor não satisfizer obrigação certa, líquida e exigível, consubstanciada em título executivo. Art. 786. A execução pode ser instaurada caso o devedor não satisfaça a obrigação certa, líquida e exigível consubstanciada em título executivo. Parágrafo único. A necessidade de simples operações aritméticas para apurar o crédito exequendo não retira a liquidez da obrigação constante do título. Portanto, a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. 6. (FCC/TRT-4ªR - 2015) Em execução de título executivo extrajudicial movida por Cláudio, Marcelo apresentou embargos versando apenas sobre questões processuais. Após a apresentação dos embargos, Cláudio houve por bem desistir da execução. Tal desistência a) depende de concordância do devedor, devendo o credor pagar as custas e honorários advocatícios. b) não é possível porque já apresentados embargos do devedor. c) independe de concordância do devedor, devendo o credor pagar as custas e honorários advocatícios. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 165 488 d) depende de concordância do devedor, devendo este pagar as custas e honorários advocatícios. e) independente de concordância do devedor, devendo este pagar as custas e honorários advocatícios. Comentários A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. Essa desistência, independe de concordância do devedor, contudo, o exequente deve pagar as custas e os honorários advocatícios. Vejamos o art. 775, parágrafo único, I, do CPC. Art. 775. O exequente tem o direito de desistir de toda a execução ou de apenas alguma medida executiva. Parágrafo único. Na desistência da execução, observar-se-á o seguinte: I - serão extintos a impugnação e os embargos que versarem apenas sobre questões processuais, pagando o exequente as custas processuais e os honorários advocatícios; II - nos demais casos, a extinção dependerá da concordância do impugnante ou do embargante. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 166 488 QUESTÕES COMENTADAS 1. (FGV/TJ-AL - 2018) No curso de um processo autônomo de execução, o devedor é intimado e não informa ao juiz onde se encontra seu automóvel de luxo, cuja penhora fora requerida pelo credor. Por entender ser esta uma conduta atentatória à dignidade da justiça, o executado está sujeito à multa em montante não superior a: a) dez por cento do valor atualizado do débito em execução, a qual será revertida em proveito do exequente, exigível nos próprios autos do processo, sem prejuízo de outras sanções de natureza processual ou material; b) vinte por cento do valor atualizado do débito em execução, a qual será inscrita como dívida ativa da União ou do Estado, exigível nos próprios autos do processo, sem prejuízo de outras sanções de natureza processual ou material; c) dez por cento do valor atualizado do débito em execução, a qual será inscrita como dívida ativa da União ou do Estado, exigível nos próprios autos do processo, sem prejuízo de outras sanções de natureza processual ou material; d) vinte por cento do valor atualizado do débito em execução, a qual será revertida em proveito do exequente, exigível nos próprios autos do processo, sem prejuízo de outras sanções de natureza processual ou material; e) vinte por cento do valor atualizado do débito em execução, a qual será inscrita como dívida ativa da União ou do Estado, exigível em autos apartados, sem prejuízo de outras sanções de natureza processual ou material. Comentários A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. O art. 774 do Código de Processo Civil apresenta as situações atentatórias à dignidade da justiça na fase de execução. O parágrafo único, em seguida, apresenta a previsão da multa: "Nos casos previstos neste artigo, o juiz fixará multa em montante não superior a vinte por cento do valor atualizado do débito em execução, a qual será revertida em proveito do exequente, exigível nos próprios autos do processo, sem prejuízo de outras sanções de natureza processual ou material." As alternativas A, B, C e E estão incorretas pois não correspondem ao tratamento legal dado à multa por ato atentatório à dignidade da justiça. 2. (FGV/TJ-AL - 2018) O exequente obteve uma certidão de que a execução por ele proposta foi admitida pelo juiz. Ato contínuo, averbou a referida certidão no registro de imóveis, onde consta inscrito um apartamento do devedor. Antes da sua citação no processo, o executado alienou a propriedade do referido bem para um terceiro. No curso do processo, percebe-se que Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 167 488 esse apartamento, que fora indicado pelo exequente para penhora, não pertencia mais ao patrimônio do devedor. Nesse contexto: a) a alienação não configura fraude à execução, pois o executado não tinha ciência do processo; b) a alienação é eficaz, pois o registro é ato capaz de ensejar a ciência do processo; c) a alienação efetuada após a averbação é presumida em fraude à execução; d) a averbação é indevida, pois não se admite emissão de certidão para esse fim; e) a averbação é indevida, pois só se a admite após a extinção da execução. Comentários A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. Trata-se da previsão contida no art. 792, II e no art. 828, ambos do Código de Processo Civil: Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: II - quando tiver sido averbada, no registro do bem, a pendência do processo de execução, na forma do art. 828. Art. 828. O exequente poderá obter certidão de que a execução foi admitida pelo juiz, com identificação das partes e do valor da causa, para fins de averbação no registro de imóveis, de veículos ou de outros bens sujeitos a penhora, arresto ou indisponibilidade.§ 1º No prazo de 10 (dez) dias de sua concretização, o exequente deverá comunicar ao juízo as averbações efetivadas. § 2º Formalizada penhora sobre bens suficientes para cobrir o valor da dívida, o exequente providenciará, no prazo de 10 (dez) dias, o cancelamento das averbações relativas àqueles não penhorados. § 3º O juiz determinará o cancelamento das averbações, de ofício ou a requerimento, caso o exequente não o faça no prazo. § 4º Presume-se em fraude à execução a alienação ou a oneração de bens efetuada após a averbação. § 5º O exequente que promover averbação manifestamente indevida ou não cancelar as averbações nos termos do § 2º indenizará a parte contrária, processando-se o incidente em autos apartados. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 168 488 A alternativa A está incorreta. O marco inicial não é a citação do executado, mas a averbação no registro público para que a alienação seja considerada como fraude à execução. De acordo com o art. 792, inciso II do CPC: "A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: quando tiver sido averbada, no registro do bem, a pendência do processo de execução, na forma do art. 828." A alternativa B está incorreta. Nos termos do §1º do art. 792 do Código, a alienação em fraude à execução é ineficaz em relação ao exequente. As alternativas D e E estão incorretas pois o caput do art. 828 do CPC assegura a obtenção de certidão para fins de averbação no registro: "O exequente poderá obter certidão de que a execução foi admitida pelo juiz, com identificação das partes e do valor da causa, para fins de averbação no registro de imóveis, de veículos ou de outros bens sujeitos a penhora, arresto ou indisponibilidade." 3. (FGV/TJ-SC - 2018) Não constitui título executivo: a) a nota promissória; b) o contrato de seguro de vida, no caso de óbito; c) o documento particular, desde que assinado pelo devedor e por uma testemunha; d) o crédito referente a contribuições de condomínio edilício, previstas na convenção ou aprovadas em assembleia, desde documentalmente comprovados; e) a certidão de Dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei. Comentários A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. De acordo com o art. 784, III, do CPC, o documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas é considerado título executivo extrajudicial. As alternativas A, B, D e E estão incorretas, pois são títulos executivos extrajudiciais, previstos no art. 784: Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque; VI - o contrato de seguro de vida em caso de morte; X - o crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de condomínio edilício, previstas na respectiva convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde que documentalmente comprovadas; Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 169 488 XI - a certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de emolumentos e demais despesas devidas pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas estabelecidas em lei; 4. (FGV/ALERJ - 2017) Determinada empresa propõe execução de título extrajudicial em face da Fazenda Pública estadual, afirmando-se credora da quantia representada no contrato de fornecimento de produtos, exibindo a prova de sua entrega. Nesse caso, é correto afirmar que: a) não é cabível a via processual eleita, porquanto a Constituição Federal exige que a execução contra a Fazenda Pública seja precedida de decisão judicial transitada em julgado; b) a execução não pode estar aparelhada com contrato que preveja obrigações sinalagmáticas, pois a exigibilidade do crédito exequendo depende da prova do cumprimento da obrigação correspondente, o que exige atividade de conhecimento; c) o credor que dispõe de título executivo extrajudicial não pode se valer da ação de conhecimento para cobrança do crédito, por falta de interesse, vez que já tem o título que lhe permite requerer diretamente a atividade jurisdicional executiva; d) uma vez oferecidos os embargos à execução pela Fazenda Pública e julgados improcedentes pelo Juízo de origem, já será possível dar início à expedição de precatório ou do ofício requisitório, tendo em vista que o recurso cabível contra a sentença não tem efeito suspensivo; e) tendo a Fazenda Pública alegado a nulidade do título executivo nos embargos à execução, fica a parte exequente impedida de desistir unilateralmente da execução, não obstante manifeste expressamente a sua concordância com o pagamento de todas as verbas de sucumbência. Comentários A alternativa A está incorreta. De acordo com o art. 910, do CPC, é admissível a execução de título extrajudicial em face da Fazenda Pública. Art. 910. Na execução fundada em título extrajudicial, a Fazenda Pública será citada para opor embargos em 30 (trinta) dias. A alternativa B está incorreta. Com base no art. 798, I, “a” e “d”, da referida Lei, a prova do cumprimento da obrigação não exige um processo de conhecimento, esta prova pode estar pré- constituída e acompanhar a petição que dá início à execução do título extrajudicial. Art. 798. Ao propor a execução, incumbe ao exequente: I - instruir a petição inicial com: a) o título executivo extrajudicial; Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 170 488 d) a prova, se for o caso, de que adimpliu a contraprestação que lhe corresponde ou que lhe assegura o cumprimento, se o executado não for obrigado a satisfazer a sua prestação senão mediante a contraprestação do exequente; A alternativa C está incorreta. Surgindo o interesse de transformar um título extrajudicial em um título judicial, o credor poderá optar pelo ajuizamento de uma ação sob o procedimento comum. Vejamos o art. 785, da Lei nº 13.105/15: Art. 785. A existência de título executivo extrajudicial não impede a parte de optar pelo processo de conhecimento, a fim de obter título executivo judicial. A alternativa D está incorreta. Segundo o caput do art. 910 e §1º, da referida Lei, o precatório somente será expedido após o trânsito em julgado da decisão que rejeitar os embargos e não a partir da data do julgamento dos mesmos. Art. 910. Na execução fundada em título extrajudicial, a Fazenda Pública será citada para opor embargos em 30 (trinta) dias. § 1o Não opostos embargos ou transitada em julgado a decisão que os rejeitar, expedir-se-á precatório ou requisição de pequeno valor em favor do exequente, observando-se o disposto no art. 100 da Constituição Federal. A alternativa E está correta e é o gabarito da questão, pois é o que dispõe o art. 775, do CPC: Art. 775. O exequente tem o direito de desistir de toda a execução ou de apenas alguma medida executiva. Parágrafo único. Na desistência da execução, observar-se-á o seguinte: I - serão extintos a impugnação e os embargos que versarem apenas sobre questões processuais, pagando o exequente as custas processuais e os honorários advocatícios; II - nos demais casos, a extinção dependerá da concordância do impugnante ou do embargante. 5. (FGV/Prefeitura de Paulínia-SP - 2016) A respeito do processo de execução, assinale a afirmativa incorreta. a) A escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor, o documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas) testemunhas e o contrato de seguro de vida em caso de morte são títulos executivos extrajudiciais.Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 171 488 ==1365fc== b) O exequente pode cumular várias execuções, ainda que fundadas em títulos diferentes, quando o executado for o mesmo e desde que, para todas elas, seja competente o mesmo juízo e idêntico o procedimento. c) A necessidade de simples operações aritméticas para apurar o crédito exequendo retira a liquidez da obrigação constante do título. d) A existência de título executivo extrajudicial não impede a parte de optar pelo processo de conhecimento, a fim de obter título executivo judicial. e) Considera-se atentatória à dignidade da Justiça a conduta comissiva ou omissiva do executado que, intimado, não indica ao juiz quais são e onde estão os bens sujeitos à penhora e os respectivos valores, nem exibe prova de sua propriedade. Comentários A alternativa A está correta. De acordo com o art. 784, do CPC, estes são títulos executivos extrajudiciais. Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: II - a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; III - o documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas) testemunhas; VI - o contrato de seguro de vida em caso de morte; A alternativa B está correta, pois reproduz o art. 780, da Lei nº 13.105/15. Art. 780. O exequente pode cumular várias execuções, ainda que fundadas em títulos diferentes, quando o executado for o mesmo e desde que para todas elas seja competente o mesmo juízo e idêntico o procedimento. A alternativa C está incorreta e é o gabarito da questão. O parágrafo único, do art. 786, da referida Lei, estabelece que a necessidade de simples operações aritméticas para apurar o crédito exequendo não retira a liquidez da obrigação constante do título. Parágrafo único. A necessidade de simples operações aritméticas para apurar o crédito exequendo não retira a liquidez da obrigação constante do título. A alternativa D está correta, com base no art. 785, do CPC: Art. 785. A existência de título executivo extrajudicial não impede a parte de optar pelo processo de conhecimento, a fim de obter título executivo judicial. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 172 488 A alternativa E está correta, conforme prevê o art. 774, V, da referida Lei. Art. 774. Considera-se atentatória à dignidade da justiça a conduta comissiva ou omissiva do executado que: V - intimado, não indica ao juiz quais são e onde estão os bens sujeitos à penhora e os respectivos valores, nem exibe prova de sua propriedade e, se for o caso, certidão negativa de ônus. 6. (FGV/CODEBA - 2016) A respeito do processo de execução, assinale a afirmativa incorreta. a) A execução pode ser instaurada caso o devedor não satisfaça a obrigação certa, líquida e exigível, consubstanciada em título executivo. b) Os contratos garantidos por hipoteca, penhor, anticrese, ou outro direito real de garantia e aquele garantido por caução são títulos executivos extrajudiciais. c) O credor, que estiver, por direito de retenção, na posse de coisa pertencente ao devedor, não poderá promover a execução sobre outros bens senão depois de excutida a coisa que se achar em seu poder. d) Somente podem promover a execução forçada, o credor, a quem a lei confere título executivo, e o Ministério Público, nos casos prescritos em lei. e) O espólio responde pelas dívidas do falecido, mas, feita a partilha, cada herdeiro responde por elas dentro das forças da herança e na proporção da parte que lhe coube Comentários De acordo com o art. 778, do CPC, a execução forçada pode ser promovida pelo credor a quem a lei confere título executivo. Art. 778. Pode promover a execução forçada o credor a quem a lei confere título executivo. Porém, o §1º, do mesmo dispositivo legal, estabelece que poderão promovê-la ou nela prosseguir, em sucessão ao exequente originário, o Ministério Público, o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, o cessionário e o sub-rogado. § 1o Podem promover a execução forçada ou nela prosseguir, em sucessão ao exequente originário: I - o Ministério Público, nos casos previstos em lei; II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre que, por morte deste, lhes for transmitido o direito resultante do título executivo; Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 173 488 III - o cessionário, quando o direito resultante do título executivo lhe for transferido por ato entre vivos; IV - o sub-rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional. Portanto, a alternativa D está incorreta e é o gabarito da questão. As demais alternativas estão corretas. Vejamos o fundamento: A alternativa A está correta com base no art. 786, do CPC: Art. 786. A execução pode ser instaurada caso o devedor não satisfaça a obrigação certa, líquida e exigível consubstanciada em título executivo. A alternativa B está correta, tendo em vista o art. 784, inciso V, do CPC: Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: V - o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e aquele garantido por caução; A alternativa C está correta, pois reproduz o art. 793, do CPC. A alternativa E está correta, pois traz o texto do art. 796, do CPC. 7. (FGV/TJ-RO - 2015) É exemplo de execução indireta a: a) imposição de multa em desfavor do executado, a fim de pressioná-lo ao cumprimento da obrigação; b) retirada da coisa do patrimônio do devedor e a sua alienação judicial, para fins de entrega do produto da venda ao credor; c) imposição a que terceiro cumpra a obrigação, às expensas do devedor; d) adjudicação do bem do devedor ao patrimônio do exequente; e) determinação de incidência de desconto em folha de pagamento, a fim de se assegurar o cumprimento de obrigação alimentar. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Na execução indireta, criam-se medidas coercitivas que servirão de estímulo para que o devedor cumpra a prestação devida. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 174 488 Já na execução direta, são criados meios alternativos à vontade do devedor, que, caso não aja de certa maneira, sofrerá as consequências, que serão levadas a efeito, mesmo contra sua vontade. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 175 488 QUESTÕES COMENTADAS 1. (VUNESP/PGE-SP - 2018) Em relação à fraude de execução, assinale a alternativa correta. a) É sempre do exequente o ônus da prova da fraude de execução quando ocorrer a venda de bens não sujeitos a registro após a citação, na execução civil, ou após a intimação, no caso do cumprimento de sentença. b) O simples fato de alguém ter alienado seus bens após a citação, no processo de conhecimento, já caracteriza plenamente a fraude de execução, sejam os bens passíveis de registro ou não. c) Quanto aos bens imóveis, o ônus de provar sua existência pode ser satisfeito mediante averbação na matrícula do imóvel, prévia à alienação, da existência de uma ação, ainda que de natureza penal, dentre outras, que pode reduzir o devedor à insolvência. d) Caracteriza-se exclusivamente quando, após o início do cumprimento de sentença ou da execução civil, ocorre a alienação de bens por parte do executado, dispensados outros requisitos. e) Os atos praticados em fraude de execução são juridicamenteinexistentes, independentemente de o executado ter ficado insolvente ou não. Comentários A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. A alternativa faz a combinação do inciso II do art. 792 e o art. 828, ambos do Código de Processo Civil. Vejamos: Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: II - quando tiver sido averbada, no registro do bem, a pendência do processo de execução, na forma do art. 828. Art. 828. O exequente poderá obter certidão de que a execução foi admitida pelo juiz, com identificação das partes e do valor da causa, para fins de averbação no registro de imóveis, de veículos ou de outros bens sujeitos a penhora, arresto ou indisponibilidade. § 1º No prazo de 10 (dez) dias de sua concretização, o exequente deverá comunicar ao juízo as averbações efetivadas. § 2º Formalizada penhora sobre bens suficientes para cobrir o valor da dívida, o exequente providenciará, no prazo de 10 (dez) dias, o cancelamento das averbações relativas àqueles não penhorados. § 3º O juiz determinará o cancelamento das averbações, de ofício ou a requerimento, caso o exequente não o faça no prazo. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 176 488 § 4º Presume-se em fraude à execução a alienação ou a oneração de bens efetuada após a averbação. § 5º O exequente que promover averbação manifestamente indevida ou não cancelar as averbações nos termos do § 2º indenizará a parte contrária, processando-se o incidente em autos apartados. A alternativa A está incorreta. De acordo com o art. §2º do art. 792 do CPC, caberá ao terceiro adquirente provar que adotou as cautelas necessárias: "No caso de aquisição de bem não sujeito a registro, o terceiro adquirente tem o ônus de provar que adotou as cautelas necessárias para a aquisição, mediante a exibição das certidões pertinentes, obtidas no domicílio do vendedor e no local onde se encontra o bem." A alternativa B está incorreta. A simples alienação após a citação, no processo de conhecimento, não caracteriza plenamente a fraude de execução. Nesse caso, é necessário que a alienação seja capaz de reduzir o alienante à insolvência, como prevê o art. 792, IV do CPC. A alternativa D está incorreta. O art. 792 do Código de Processo Civil apresenta, em rol não exaustivo, as situações caracterizadoras da fraude à execução. Além disso, a Súmula 375 do STJ apresenta outros requisitos: "O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente." Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: I - quando sobre o bem pender ação fundada em direito real ou com pretensão reipersecutória, desde que a pendência do processo tenha sido averbada no respectivo registro público, se houver; II - quando tiver sido averbada, no registro do bem, a pendência do processo de execução, na forma do art. 828; III - quando tiver sido averbado, no registro do bem, hipoteca judiciária ou outro ato de constrição judicial originário do processo onde foi arguida a fraude; IV - quando, ao tempo da alienação ou da oneração, tramitava contra o devedor ação capaz de reduzi-lo à insolvência; V - nos demais casos expressos em lei. A alternativa E está incorreta. De acordo com o §1º do art. 792 do CPC, a alienação em fraude à execução é ineficaz em relação ao exequente. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 177 488 2. (VUNESP/FAPESP - 2018) São títulos executivos extrajudiciais que dão margem a execução por quantia certa: a) a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture, ação com cotação em bolsa e o cheque. b) o documento particular assinado pelo devedor. c) o instrumento de transação referendado por mediador credenciado ou não por tribunal. d) a certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de emolumentos e demais despesas devidas pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas estabelecidas em lei. e) o crédito referente às contribuições ordinárias de condomínio edilício, mas não o referente às extraordinárias. Comentários A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. Os títulos executivos extrajudiciais estão elencados nos incisos do art. 784 do Código de Processo Civil: Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque; II - a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; III - o documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas) testemunhas; IV - o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública, pela Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou mediador credenciado por tribunal; V - o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e aquele garantido por caução; VI - o contrato de seguro de vida em caso de morte; VII - o crédito decorrente de foro e laudêmio; VIII - o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio; IX - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei; Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 178 488 ==1365fc== X - o crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de condomínio edilício, previstas na respectiva convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde que documentalmente comprovadas; XI - a certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de emolumentos e demais despesas devidas pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas estabelecidas em lei; XII - todos os demais títulos aos quais, por disposição expressa, a lei atribuir força executiva. A alternativa A está incorreta. A ação com cotação na bolsa não é título executivo extrajudicial, como depreende-se da leitura do inciso I do art. 784. A alternativa B está incorreta. De acordo com o inciso III, são exigidas duas testemunhas. A alternativa C está incorreta. Como previsto no inciso IV, é necessário que o conciliador ou mediador seja credenciado pelo tribunal. A alternativa E está incorreta. As contribuições extraordinárias estão incluídas no inciso X do art. 784. 3. (VUNESP/TJ-SP - 2018) Em matéria de competência, é correto afirmar: a) na execução fundada em título extrajudicial, é concorrentemente competente o foro da situação dos bens sujeitos a constrição. b) a regra de competência estabelecida para quando o réu for incapaz, conforme critério territorial, é inderrogável e sua inobservância gera incompetência absoluta. c) para ação fundada em direito real, em regra, será competente o foro da situação da coisa, móvel ou imóvel. d) no cumprimento de precatória, se o juiz deprecado reconhecer sua incompetência territorial, deverá devolver a carta ao juiz deprecante. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. A alternativa apresenta-se em conformidade com o inciso I do art. 781 do Código de Processo Civil: "A execução fundada em título extrajudicial será processada perante o juízo competente, observando-se o seguinte: a execução poderá ser proposta no foro de domicílio do executado, de eleição constante do título ou, ainda, de situação dos bens a ela sujeitos." Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processualcredor. Assim, a ideia por trás da execução é que os atos sejam praticados em favor do credor e para satisfação do seu crédito. Isso fica patente no CPC, a partir de vários exemplos, tais como: Ä o art. 774, do CPC, ao tratar dos atos considerados atentatórios à dignidade da justiça na execução, prevê que apenas o executado poderá incorrer nas hipóteses descritas nos incisos. o art. 840, §1º, do CPC, ao falar da figura do depositário, prescreve que os bens não poderão ser depositados em benefício do executado (salvo nas hipóteses de difícil remoção do bem). Ao passo que o credor poderá ser nomeado depositário. Confira uma questão de prova: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 7 488 (TRE-PI - 2016) Relativamente ao cumprimento de sentença e ao processo de execução de título executivo extrajudicial, julgue: Em ação de execução por quantia certa, caso o devedor não cumpra a obrigação, o juiz poderá mandar intimar o executado para, caso existam bens disponíveis, indicar quais são e onde se encontram, sob pena de se caracterizar ato atentatório à dignidade da justiça e sujeitar o executado ao pagamento de multa que será revertida em favor do exequente. Comentários A assertiva está correta e é o gabarito da questão, conforme prevê o art. 774, V, da referida Lei. Sigamos! Princípio do menor sacrifício para o devedor Esse princípio está previsto no art. 805, do CPC: Art. 805. Quando por vários meios o exequente puder promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o executado. Parágrafo único. Ao executado que alegar ser a medida executiva mais gravosa incumbe indicar outros meios mais eficazes e menos onerosos, sob pena de manutenção dos atos executivos já determinados. Esse princípio constitui uma contraposição ao princípio da máxima efetividade, mas está subordinado a esse. Prevê o princípio em comento que, quando, por mais de um meio igualmente vantajoso para o credor, for possível efetuar a execução, essa deverá ser feita pelo meio menos gravoso ao executado. Além disso, caso o executado alegue existir meio menos oneroso, mas igualmente efetivo de cumprimento da execução, deverá indicar expressamente esse meio, sob pena não ser considerado o requerimento. Assim... PARA TROCAR O ATO EXECUTIVO O BEM INDICADO FOR igualmente vantajoso causar menor onerosidade o juiz irá autorizar, se Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 8 488 Princípio da atipicidade dos meios executivos Veja o art. 536, §1º, e o art. 139, IV, do CPC: art. 536, §1º, do CPC: § 1º Para atender ao disposto no caput, o juiz poderá determinar, entre outras medidas, a imposição de multa, a busca e apreensão, a remoção de pessoas e coisas, o desfazimento de obras e o impedimento de atividade nociva, podendo, caso necessário, requisitar o auxílio de força policial. art. 139, IV, do CPC: Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe: IV - determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária; (...) Esses dois dispositivos fundamentam o princípio da atipicidade dos meios executivos. Esse princípio implica a afirmação de que o juiz poderá adotar as medidas que estão previstas no CPC e também outras que possam ser necessárias para o bom cumprimento da obrigação. Por exemplo, o devedor foi condenado a entregar o veículo ao credor em razão do não pagamento dos valores acordados. Não obstante a condenação, o devedor não efetua a entrega do veículo e não possui outros bens a fim de compensar o valor devido pelo carro. Nesse caso, esgotadas as medidas típicas, nada impede que o magistrado determine a suspensão da CNH do devedor até a entrega do veículo. Princípio da especificidade da execução Esse princípio se aplica às obrigações de fazer, de não fazer e às obrigações de dar. Em relação às obrigações de pagar quantia, a obrigação é naturalmente específica, pois a regra é o devedor pagar em dinheiro e, caso não tenha dinheiro, serão alienados os seus bens, justamente com a pretensão de transformá-los em dinheiro. No caso das obrigações de fazer, de não fazer e de dar, a especificidade se aplica, pois o interesse do credor é exatamente a prestação pretendida. A ideia é que o juiz utilize os meios indutivos, coercitivos, mandamentais ou sub-rogatórios a fim de cumpri-la efetivamente. É o que ocorre, por exemplo, na obrigação de entregar algum bem específico. A parte não pretende outro bem sucedâneo, nem mesmo a conversão em perdas e danos, mas o bem específico que lhe fora pretendido. Com fundamento no princípio da especificidade da execução, o juiz deverá impor todos os meios necessários a fim de que seja cumprida especificamente a obrigação. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 9 488 Somente se despendido todos os esforços e mesmo assim não for possível a prestação da obrigação específica, deixa-se de aplicar o princípio da especificidade, abrindo espaço para a conversão da obrigação em perdas e danos. É o que se extrai dos arts. 499 e 500, do CPC: Art. 499. A obrigação SOMENTE será convertida em perdas e danos se o autor o requerer ou se impossível a tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente. Art. 500. A indenização por perdas e danos dar-se-á sem prejuízo da multa fixada periodicamente para compelir o réu ao cumprimento específico da obrigação. Além disso, temos o art. 809, caput, do CPC, que fala da obrigação de entrega de título extrajudicial: Art. 809. O exequente tem direito a receber, além de perdas e danos, o valor da coisa, quando essa se deteriorar, não lhe for entregue, não for encontrada ou não for reclamada do poder de terceiro adquirente. Temos, ainda, o art. 814 e seguintes do CPC, em relação à obrigação de fazer ou de não fazer. Princípio da responsabilidade objetiva Esse princípio tem previsão nos arts. 776 e 520, I, do CPC: art. 776, do CPC: Art. 776. O exequente ressarcirá ao executado os danos que este sofreu, quando a sentença, transitada em julgado, declarar inexistente, no todo ou em parte, a obrigação que ensejou a execução. art. 520, I, do CPC: Art. 520. O cumprimento provisório da sentença impugnada por recurso desprovido de efeito suspensivo será realizado da mesma forma que o cumprimento definitivo, sujeitando-se ao seguinte regime: I - corre por iniciativa e responsabilidade do exequente, que se obriga, se a sentença for reformada, a reparar os danos que o executado haja sofrido; (...) O exequente, independentemente de ser execução definitiva ou provisória, tem o dever de reparar todos os danos que, por ventura, causar ao executado em razão do processo de execução. Essa responsabilização é objetiva, de forma que independe de culpa ou de dolo do exequente. Basta ao executado provar os danos que sofreu e o nexo de causalidade para que seja ressarcido. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 10 488 Confira uma questão de prova: (TJ-MG - 2015) Durante a execução judicial de título extrajudicial o julgador defere, mediante iniciativa do exequente, a adjudicação do bem que se encontra penhorado. Sobre esse assunto, julgue: Contra a decisão que defere a adjudicação de um bem, por determinação expressa do Código de ProcessoCivil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 179 488 A alternativa B está incorreta. De fato, quando o réu é incapaz, a competência é baseada no critério territorial e, assim, é incorreto afirmar que a sua inobservância gera a incompetência absoluta. A alternativa C está incorreta. De acordo com o caput do art. 47 do CPC: "Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro de situação da coisa." A alternativa D está incorreta. As hipóteses de recusa ao cumprimento da precatória estão no art. 267 do CPC e a incompetência territorial não figura como tal. Vejamos: Art. 267. O juiz recusará cumprimento a carta precatória ou arbitral, devolvendo- a com decisão motivada quando: I - a carta não estiver revestida dos requisitos legais; II - faltar ao juiz competência em razão da matéria ou da hierarquia; III - o juiz tiver dúvida acerca de sua autenticidade. Parágrafo único. No caso de incompetência em razão da matéria ou da hierarquia, o juiz deprecado, conforme o ato a ser praticado, poderá remeter a carta ao juiz ou ao tribunal competente. 4. (VUNESP/TJ-RS - 2018) Em relação à ação de obrigação de fazer, para o fornecimento de medicamento à pessoa hipossuficiente, promovida em face da Fazenda Pública, e a imposição de multa diária, assinale a alternativa correta. a) O valor e a periodicidade da multa não poderão ser modificados, exceto por recurso das partes. b) A multa depende de requerimento da parte e somente pode ser aplicada após a sentença. c) É permitida a imposição de multa diária para compelir o cumprimento de ofício. d) O ente estatal não está sujeito à multa diária cominatória. e) O valor da multa será devido ao Fundo de Assistência Judiciária. Comentários A alternativa A está incorreta. Tanto o valor quanto a periodicidade poderão ser modificados pelo juiz, de ofício ou a requerimento, como prevê o §1º do art. 537 do CPC: Art. 537. § 1º O juiz poderá, de ofício ou a requerimento, modificar o valor ou a periodicidade da multa vincenda ou excluí-la, caso verifique que: I - se tornou insuficiente ou excessiva; Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 180 488 II - o obrigado demonstrou cumprimento parcial superveniente da obrigação ou justa causa para o descumprimento. A alternativa B está incorreta. Como visto nos comentários da alternativa C, a multa poderá ser imposta de ofício pelo magistrado. Ademais, como previsto no caput do art. 537 do CPC, a multa poderá ser aplicada na fase de conhecimento, em tutela provisória, na sentença ou na fase de execução. A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. Nos termos do caput do art. 536 e seu §1º, a imposição de multa poderá ocorrer de ofício ou a requerimento da parte: Art. 536 No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de fazer ou de não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento, para a efetivação da tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente, determinar as medidas necessárias à satisfação do exequente. § 1º Para atender ao disposto no caput, o juiz poderá determinar, entre outras medidas, a imposição de multa, a busca e apreensão, a remoção de pessoas e coisas, o desfazimento de obras e o impedimento de atividade nociva, podendo, caso necessário, requisitar o auxílio de força policial. A alternativa D está incorreta. O STJ pacificou o tema no REsp 1.474.665/RS, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, estabelecendo que é possível a fixação de multa diária contra ente público em caso de descumprimento de determinação judicial de fornecimento de medicamentos ou tratamento de saúde. Nesse sentido, foi firmada a Tese 98 do STJ: "Possibilidade de imposição de multa diária (astreintes) a ente público, para compeli-lo a fornecer medicamento à pessoa desprovida de recursos financeiros." A alternativa E está incorreta. De acordo com o §2º do art. 537 do CPC, a multa será devida ao exequente: Art. 537. A multa independe de requerimento da parte e poderá ser aplicada na fase de conhecimento, em tutela provisória ou na sentença, ou na fase de execução, desde que seja suficiente e compatível com a obrigação e que se determine prazo razoável para cumprimento do preceito. § 2º O valor da multa será devido ao exequente. 5. (VUNESP/TJ-SP - 2015) No que se refere à execução de título extrajudicial, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a) o instrumento de confissão de dívida originária de contrato de abertura de crédito em conta corrente não constitui título executivo. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 181 488 b) o contrato de abertura de crédito em conta corrente é título executivo quando acompanhado do respectivo extrato. c) a nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito em conta corrente não goza de autonomia. d) o contrato de abertura de crédito em conta corrente é título executivo. Comentários A alternativa A está incorreta. De acordo com a súmula nº 300, do STJ, o instrumento de confissão de dívida, ainda que originário de contrato de abertura de crédito, constitui título executivo extrajudicial. SÚMULA 300 - O instrumento de confissão de dívida, ainda que originário de contrato de abertura de crédito, constitui título executivo extrajudicial. A alternativa B está incorreta. O contrato de abertura de crédito não é título executivo, ainda que acompanhado de extrato. Vejamos a súmula nº 233, do STJ. SÚMULA 233 - O contrato de abertura de crédito, ainda que acompanhado de extrato da conta corrente, não é título executivo. A alternativa C está correta e é o gabarito da questão, pois é o que dispõe a súmula nº 258, do STJ. SÚMULA 258 - A nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito não goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a originou. A alternativa D está incorreta. Conforme súmula nº 233, já mencionada, o contrato de abertura de crédito não é título executivo. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 182 488 QUESTÕES COMENTADAS 1. (NC-UFPR/Pref Matinhos - 2019) Nos termos do Código de Processo Civil, são condutas do executado consideradas atentatórias à dignidade da justiça, EXCETO: a) fraude à execução. b) oposição maliciosa à execução, por meio de ardis e meios artificiosos. c) resistência justificada às ordens judiciais. d) embaraço ou não facilitação da realização da penhora. e) não indicação bens à penhora e os respectivos valores, apesar de intimado, nem exibir prova de sua propriedade e, se for o caso, certidão negativa de ônus. Comentários A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. Em se tratando de execução, as condutas atentatórias à dignidade da justiça estão previstas no art. 774 do Código de Processo Civil. O inciso IV enquadra a resistência injustificada às ordens judiciais como uma dessas práticas. Art. 774. Considera-se atentatória à dignidade da justiça a conduta comissiva ou omissiva do executado que: I - frauda a execução; II - se opõe maliciosamente à execução, empregando ardis e meios artificiosos; III - dificulta ou embaraça a realização da penhora; IV - resiste injustificadamente às ordens judiciais; V - intimado, não indica ao juiz quais são e onde estão os bens sujeitos à penhora e os respectivos valores, nem exibe prova de sua propriedade e, se for o caso, certidão negativa de ônus. As alternativas A, B, D e E estão incorretas pois correspondem às hipóteses apresentadas pelos incisos I, II, III e V doCivil, não cabem embargos de declaração. Comentários A assertiva está incorreta. No CPC, não há qualquer vedação a que sejam opostos embargos de declaração em face de decisão judicial que defere a adjudicação de um bem. Disposições Gerais do CPC Após a análise dos princípios que informam o processo de execução, vamos iniciar os dispositivos do CPC. A matéria é regulada legislativamente a partir do art. 771, do CPC, sob a rubrica de “disposições gerais”. São regras introdutórias, a serem estudadas dentro da teoria geral do processo de execução. Toda a execução está topologicamente organizada no Livro II (Processo de Execução), que compreende a seguinte estrutura: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 11 488 É uma disciplina bastante complexa e estruturada! Vamos iniciar: Art. 771. Este Livro regula o procedimento da execução fundada em título extrajudicial, e suas disposições aplicam-se, também, no que couber, aos procedimentos especiais de execução, aos atos executivos realizados no procedimento de cumprimento de sentença, bem como aos efeitos de atos ou fatos processuais a que a lei atribuir força executiva. Parágrafo único. Aplicam-se subsidiariamente à execução as disposições do Livro I da Parte Especial. Note que o dispositivo acima prevê que as regras se aplicam: ao processo de execução de título extrajudicial; aos procedimentos especiais em execução; e aos procedimentos de cumprimento de sentença. Execução em Geral Disposições Gerais Partes Competência Requisitos Necessários para a Realização de Qualquer Execução Responsabilidade Patrimonial Diversas Espécies de Execução Disposições Gerais Execução para Entrega de Coisa Execução das Obrigações de Fazer e Não Fazer Execução por Quantia Certa Execução contra a Fazenda Pública Execução de Alimentos Embargos à Execução Suspensão e Extinção do Processo de Execução Suspensão do Processo de Execução Extinção do Processo de Execução Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 12 488 O art. 772, na sequência do CPC, prevê que, no curso do procedimento de execução, o juiz poderá determinar o comparecimento das partes para eventual diligência ou esclarecimento, poderá também advertir o executado caso ele esteja praticando alguma ilegalidade que possa configurar ato atentatório à dignidade da justiça e poderá, ainda, requisitar informações necessárias à execução. Veja: Art. 772. O juiz pode, em QUALQUER MOMENTO do processo: I - ordenar o comparecimento das partes; II - advertir o executado de que seu procedimento constitui ato atentatório à dignidade da justiça; III - determinar que sujeitos indicados pelo exequente forneçam informações em geral relacionadas ao objeto da execução, tais como documentos e dados que tenham em seu poder, assinando-lhes prazo razoável. Esse dispositivo evidencia, portanto, os poderes do juiz na administração da execução ao determinar o comparecimento e advertir eventuais pretensões e práticas ilícitas, bem como o poder de exigir a cooperação das partes no fornecimento de informações. Assim... No exercício do dever de colaborar com a execução, o art. 773, do CPC, estabelece regra de entrega de documentos e dados sigilosos, os quais devem ser mantidos de forma confidencial pelo Juízo. Art. 773. O juiz poderá, de ofício ou a requerimento, determinar as medidas necessárias ao cumprimento da ordem de entrega de documentos e dados. PODERES DO JUIZ NA EXECUÇÃO ordenar o comparecimento advertir a prática de ato atentatório à dignidade da justiça ordenar a colaboração com a execução Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 13 488 Parágrafo único. Quando, em decorrência do disposto neste artigo, o juízo receber dados sigilosos para os fins da execução, o juiz adotará as medidas necessárias para assegurar a confidencialidade. Ainda tratando do art. 772, do CPC, vimos no inc. II que o juiz advertirá a prática de ato atentatório à dignidade da Justiça. Primeiramente, cumpre observar que essa modalidade de ilícito não se confunde com as hipóteses que estudamos em deveres das partes (art. 77, do CPC). As situações que veremos aqui aplicam- se exclusivamente ao processo de execução, ao passo que aquelas se aplicam a todos os procedimentos e fases, indistintamente. Essas hipóteses estão previstas no art. 774, do CPC: Art. 774. Considera-se atentatória à dignidade da justiça a conduta comissiva ou omissiva do executado que: I - frauda a execução; II - se opõe maliciosamente à execução, empregando ardis e meios artificiosos; III - dificulta ou embaraça a realização da penhora; IV - resiste injustificadamente às ordens judiciais; V - intimado, não indica ao juiz quais são e onde estão os bens sujeitos à penhora e os respectivos valores, nem exibe prova de sua propriedade e, se for o caso, certidão negativa de ônus. A grande diferença que temos do ato atentatório à dignidade da justiça da fase de conhecimento para o que estudamos aqui é o direcionamento da multa. Quem pratica as ilicitudes acima está desafiando a soberania estatal e está prejudicando fortemente o credor, que necessitou exigir judicialmente o que lhe é devido e, ainda assim, encontra dificuldades para obtenção do seu crédito. Em face disso, prevê o parágrafo único que o valor da multa será revertido em benefício do credor e será executada no próprio processo de execução. Essa multa será calculada em percentual não superior a 20% sobre o valor atualizado do débito. Veja: • Fraude à execução. • Oposição maliciosa à execução, empregando ardis e meios artificiosos. • Dificultar ou embaraçar a realização da penhora. • Resistência injustificada às ordens judiciais. • Não indicar os bens passíveis de penhora, valores ou não exigir prova de propriedade, quando intimado pelo Juiz para fazê-lo. ATOS ATENTATÓRIOS À DIGNIDADE DA JUSTIÇA Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 14 488 Parágrafo único. Nos casos previstos neste artigo, o juiz fixará MULTA em montante não superior a vinte por cento do valor atualizado do débito em execução, a qual será revertida em proveito do exequente, exigível nos próprios autos do processo, sem prejuízo de outras sanções de natureza processual ou material. Para a prova... O art. 775, do CPC, trata do direito de desistir da execução. Esse direito não significa desistência do direito de executar, mas do procedimento de execução desenvolvido. A desistência da execução, contudo, opera um efeito importante: eventuais impugnações ou embargos decorrentes do processo de execução poderão ser extintos: Haverá extinção automática da impugnação e dos embargos quando envolver questões processuais. Quando a impugnação ou embargos envolverem outros assuntos, que não aspectos processuais, será necessária a concordância da parte impugnante ou embargante. A TO A TE N TA TÓ R IO À D IG N ID A D E D A EX EC U Ç Ã O Hipóteses Fraude à execução Oposição maliciosa à execução, empregando ardis e meios artificiosos Dificultar ou embaraçar a realização da penhora Resistência injustificada às ordens judiciais Não indicar os bens passíveis de penhora, valores ou não exigir prova de propriedade quando intimado pelo Juiz para fazê-lo Consequência Multa revertida para o exequente não superior a 20% calculado sobre o valor atualizado o débito Ricardo Torques Aula 14 TJs - CursoRegular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 15 488 De todo modo, em um ou em outro caso, o exequente será responsável por pagar as custas processuais e os honorários advocatícios da parte contrária. Além disso, essa extinção se opera de forma automática, de forma que não depende de concordância do impugnante ou do embargante. Essas regras estão previstas no art. 775, do CPC: Art. 775. O exequente tem o direito de desistir de toda a execução ou de apenas alguma medida executiva. Parágrafo único. Na desistência da execução, observar-se-á o seguinte: I - serão extintos a impugnação e os embargos que versarem apenas sobre questões processuais, pagando o exequente as custas processuais e os honorários advocatícios; II - nos demais casos, a extinção dependerá da concordância do impugnante ou do embargante. Já estudamos o art. 776 na parte dos princípios, portanto, para finalizar a parte relativa às “disposições gerais”, vejamos o art. 777: Art. 777. A cobrança de multas ou de indenizações decorrentes de litigância de má-fé ou de prática de ato atentatório à dignidade da justiça será promovida nos próprios autos do processo. O dispositivo acima repete, em parte, a norma do art. 774, do CPC, ao explicitar que a condenação por ato atentatório à dignidade da justiça ou litigância de má-fé na execução serão executadas nos próprios autos. Confira uma questão de prova: (TRT-8ªR-PA - 2016) Acerca da liquidação de sentença e da execução no processo civil. Os atos executórios tratados pelo CPC não possuem natureza jurisdicional, motivo pelo qual não há necessidade de observância ao princípio do contraditório no processo de execução. Comentários A assertiva está incorreta. Há, sim, a necessidade de observância ao princípio do contraditório, não só no processo de execução, como em todas as etapas do processo. Vejamos mais uma questão sobre esse assunto: Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 16 488 (TJ-AM - 2016) Acerca da execução, julgue: Tratando-se de execução de título extrajudicial, a fixação de multa para cumprimento de obrigação específica pelo devedor e a sua conversão em perdas e danos dependem de requerimento do credor. Comentários A assertiva está incorreta. O juiz pode fixar de ofício as multas para cumprimento. Mais uma questãozinha: (TJ-AM - 2016) Acerca da execução, julgue: A citação por hora certa, por ser incompatível com o rito, é vedada no processo de execução, consoante entendimento sumulado pelo STJ. Comentários A assertiva está incorreta. Segundo a súmula nº 196, do STJ, ao executado que, citado por edital ou por hora certa, permanecer revel, será nomeado curador especial, com legitimidade para apresentação de embargos. Legitimidade As partes no processo de execução são aquelas que constam do título executivo. Se o título informa duas pessoas como credor e devedor, elas serão o exequente e o executado, respectivamente, no processo de execução. Isso não ocorre em relação ao processo de conhecimento, pois, muitas vezes, quando ainda pairam dúvidas sobre as situações jurídicas discutidas, não se sabe ao certo quem são os autores e os réus. Não obstante, temos legitimados ativos e passivos na execução, cuja disciplina, no CPC, abrange os arts. 778 a 780. De acordo com a doutrina1: Partes na execução é quem pede e contra quem se pede a tutela jurisdicional executiva. Credor e devedor são conceitos de direito material e, como tais, devem ser evitados para designar exequente e executado, na medida em que a incerteza é inerente ao direito litigioso – ainda que essa sua característica apareça de maneira mais atenuada na execução, haja vista a presunção de certeza da obrigação consubstanciada no título executivo. 1 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 846. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 17 488 Legitimidade Ativa Os legitimados ativos são classificados em: ordinários; ordinários derivada ou supervenientemente; e extraordinários. Esses três legitimados estão disciplinados no art. 778, do CPC: Art. 778. Pode promover a execução forçada o credor a quem a lei confere título executivo [legitimado ordinário]. § 1º Podem promover a execução forçada ou nela prosseguir, em sucessão ao exequente originário [legitimado derivado ou superveniente]: I - o Ministério Público, nos casos previstos em lei; II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre que, por morte deste, lhes for transmitido o direito resultante do título executivo; III - o cessionário, quando o direito resultante do título executivo lhe for transferido por ato entre vivos; IV - o sub-rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional. § 2º A sucessão prevista no § 1º independe de consentimento do executado. O legitimado ativo ordinário é o CREDOR. A legitimidade ativa do credor atinge, também, o credor solidário que não participou da relação processual. De acordo com a doutrina2, se a sentença é fundada em questões comuns a todos os credores solidários e 2 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 848. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 18 488 não disser respeito a questões específicas ou pessoais daquele que promoveu a ação, admite-se a execução pelo credor solidário. Sigamos! O legitimado ordinário derivado ou superveniente é aquele que RECEBEU O CRÉDITO POR SUCESSÃO, causa mortis ou inter vivos. É o caso dos filhos que herdam o crédito do pai falecido. Outro exemplo é o endosso do título em favor de terceiro, que o torna credor superveniente ou derivado e, portanto, legitimado a requerer a execução. Cumpre registrar que, de acordo com a legislação civil, o devedor não poderá discordar ou se contrapor à cessão do crédito a terceiros. O que se exige nos arts. 286 e seguintes do CC é que o devedor seja informado da cessão, até mesmo para que ele possa efetuar o pagamento de forma correta. O legitimado extraordinário é aquele que, em NOME PRÓPRIO, COBRA CRÉDITO ALHEIO, tal como ocorre em relação ao Ministério Público, expressamente autorizado pelo art. 18, do CPC. Isso ocorre, por exemplo, no caso de Lei de Ação Civil Pública (Lei nº 7.437/1985) que concede legitimidade ao Ministério Público para que promova a execução de direitos concedidos em sede de ação civil pública, quando o autor não promover a execução do prazo de 60 dias (art. 15, a Lei nº 7.347/1985). Sintetizando... Legitimidade Passiva Tanto quanto a legitimidade ativa, temos três modelos de legitimidade passiva descritos no CPC. ordinária; LEGITIMIDADE ATIVA NA EXECUÇÃO legitimado ordinário credor legitimado derivado ou superveniente recebeu o crédito por cessão legitimado extraordinário em nome próprio cobra crédito alheio Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 19 488 Ä derivada ou superveniente; e responsável tributário. Vamos analisar cada uma dessas hipóteses: A legitimidade passiva ordinária está prevista no art. 779, I, do CPC: Art. 779. A execução pode ser promovida contra:I - o devedor, reconhecido como tal no título executivo; (...). Aquele que constar no título executivo como DEVEDOR será considerado legitimado passivo ordinário. Os legitimados passivos derivados ou supervenientes são aqueles que receberam o débito por sucessão (inter vivos ou causa mortis). Essas hipóteses estão descritas nos incs. II a V, do art. 779, do CPC: Art. 779. A execução pode ser promovida contra: (...) II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor; III - o novo devedor que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação resultante do título executivo; IV - o fiador do débito constante em título extrajudicial; V - o responsável titular do bem vinculado por garantia real ao pagamento do débito; (...). Portanto, o ESPÓLIO, os HERDEIROS ou os SUCESSORES poderão ser considerados réus, respondendo pela dívida do devedor originário. Aqui é importante trazer uma observação: a responsabilidade dos herdeiros e dos sucessores está limitada ao quinhão da herança. Vejamos um exemplo: Determinada pessoa possuía o equivalente a R$ 50.000,00 e R$ 100.000,00 em dívidas. Com o falecimento dessa pessoa, os seus filhos responderão com os bens herdados pela dívida. Os bens pessoais dos filhos herdeiros não podem ser utilizados para pagar o restante da dívida da pessoa que faleceu (que, no exemplo, é de R$ 50.000,00), pois os débitos passam dos bens deixados pela pessoa que faleceu. A outra hipótese é a figura da CESSÃO DE DÉBITO (ou assunção de débito). Na parte referente à legitimidade ativa, vimos a cessão de crédito e, lá, estudamos que a cessão independe da concordância da pessoa devedora, desde que seja notificado o devedor. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 20 488 Na cessão de débito, temos um tratamento diferenciado. De acordo com o art. 299 a 303, todos do CC, a cessão de débito depende da concordância do credor. No inc. IV, temos a legitimidade passiva derivada do FIADOR, que constitui a pessoa que garante a satisfação ao credor de uma obrigação assumida pelo devedor, caso ele não a cumpra. Em relação ao fiador, cumpre um esclarecimento: a responsabilidade direta e objetiva do fiador somente é possível nos casos em que ele foi constituído judicialmente. O fiador convencional ou legal somente poderá ser responsabilizado se tiver sido réu na ação, hipótese em que, contra ele, será formado também o título executivo, tal como consta expressamente do art. 515, §3º, do CPC, e da Súmula STJ 268. Súmula STJ 268 O fiador que não integrou a relação processual na ação de despejo não responde pela execução do julgado. Sigamos! No inc. V temos a responsabilidade derivada da CONCESSÃO DE BEM DE TERCEIRO COMO GARANTIA REAL do pagamento da dívida do devedor. Se o devedor não quitar a dívida, o bem do garantidor poderá ser utilizado para quitar o montante. Por fim, podemos ter a legitimação passiva do responsável tributário nos termos do inc. VI. Em regra, temos dois institutos que tratam da responsabilidade patrimonial. O primeiro deles é o débito, o outro é a responsabilidade. Geralmente, o débito e a responsabilidade são acumulados na mesma pessoa. Dito de forma simples: quem deve paga. Contudo, existem alguns casos em que esses institutos não estão concentrados na mesma pessoa. Nesses casos: quem deve não é necessariamente quem paga. Entre as hipóteses previstas temos os arts. 134 e 135, do CTN, que disciplinam o responsável tributário. Nesses casos, há o débito conferido a uma pessoa, mas a responsabilidade pelo pagamento é atribuída a outra. Isso ocorre em relação a pessoas jurídicas que são as devedoras, contudo, como o administrador agiu com excesso de poder e com violação da lei, o responsável pelo pagamento será o sócio. É a mesma situação aplicada às hipóteses de desconsideração da personalidade jurídica. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 21 488 Cumulação subjetiva na execução A cumulação subjetiva nada mais é do que o litisconsórcio, ou seja, a reunião de mais de uma pessoa em um dos polos da execução. Não há qualquer impedimento para que legitimados ativos ou passivos se reúnam em um dos polos da execução. Desse modo, as regras estudadas no art. 113 e seguintes do CPC podem ser aplicadas à execução. Assim... Cumulação objetiva na execução A cumulação objetiva, como o nome indica, constitui o acúmulo de um ou mais objetos na mesma ação de execução. Questiona-se: pode o exequente promover a execução de dois ou mais títulos executivos contra o mesmo réu, no mesmo procedimento de execução? LEGITIMIDADE PASSIVA ordinária: devedor, que consta do título derivado ou superveniente: a) espólio, herdeiro ou sucessores b) cessão de débito c) fiador d) concessão de bem de terceiro com garantia real responsável tributário Admite-se a formação de litisconsórcio no procedimento de execução. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 22 488 Segundo a doutrina3, admite-se a cumulação de execuções desde que observada a tríplice identidade de partes, juízo e forma do processo. O art. 780, do CPC, estabelece que, se o exequente pretender ingressar com execução de mais um título, deverá observar as seguintes condições: 1ª CONDIÇÃO: mesmo executado; 2º CONDIÇÃO: competência do juiz para todas as execuções; e 3º CONDIÇÃO: igualdade de procedimento. Essas condições são extraídas do art. 780, do CPC: Art. 780. O exequente pode cumular várias execuções, AINDA QUE fundadas em títulos diferentes, quando o executado for o mesmo e desde que para todas elas seja competente o mesmo juízo e idêntico o procedimento. Por exemplo, poderá o exequente promover um único procedimento de execução para cobrar 5 cheques contra o mesmo réu, pois se trata do mesmo executado, execuções com identifica competência e mesmo procedimento. O que não se admite, por exemplo, é a execução de um cheque cumulada objetivamente com uma execução de obrigação de fazer, cujos procedimentos são distintos. Atente-se que a cumulação de execuções já era um entendimento encampado pelo STJ: Súmula STJ 27 Pode a execução fundar-se em mais de um título extrajudicial relativos ao mesmo negócio. Intervenção de terceiros Como a intervenção de terceiros não convém para a formação de título executivo, no regime do CPC73, havia regra prevendo a impossibilidade de utilização do instituto no procedimento de execução. Com o CPC temos uma regra diferente: 3 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 849. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 23 488 Com o incidente de desconsideração da personalidade jurídica, mais especificament, o art. 134, do CPC, há regra expressa no sentido de que essa modalidade de intervenção de terceiros é admissível em TODAS as fases do processo, incluída a execução. Competência O CPC traz regras objetivas que definem quem será o juízo competente para promover a execução de títulos executivos extrajudiciais. O art. 781, do CPC, estabelece as regras referentes à competência para a execução: Art. 781. A execução fundada em título extrajudicial será processada perante o juízo competente, observando-se o seguinte: I - a execução poderá ser proposta no foro de domicílio do executado, de eleição constante do título ou, ainda, de situação dos bensa ela sujeitos; II - tendo mais de um domicílio, o executado poderá ser demandado no foro de qualquer deles; III - sendo incerto ou desconhecido o domicílio do executado, a execução poderá ser proposta no lugar onde for encontrado ou no foro de domicílio do exequente; IV - havendo mais de um devedor, com diferentes domicílios, a execução será proposta no foro de qualquer deles, à escolha do exequente; V - a execução poderá ser proposta no foro do lugar em que se praticou o ato ou em que ocorreu o fato que deu origem ao título, mesmo que nele não mais resida o executado. Note que temos três possibilidades gerais de ajuizamento da ação de execução: 1 – domicílio do executado; 2 – domicílio de eleição conforme constar do título; 3 – situação dos bens executados. Esses três domicílios ficam à escolha do exequente, segundo prevê o inc. I acima. Há, entretanto, algumas regras específicas: a primeira delas se aplica ao foro do domicílio do executado e à segurança para a prática de atos ou fatos que deram origem à execução. Caso escolhido o foro do domicílio do executado e esse tiver mais de um domicílio, o exequente poderá optar por qualquer um deles. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 24 488 No caso de o domicílio ser incerto ou desconhecido, o exequente poderá ingressar com a execução no lugar onde for encontrado o executado ou no próprio domicílio (ou seja, domicílio do próprio exequente). Se houver vários devedores e eles possuírem domicílios diferentes, o exequente poderá escolher, entre esses domicílios, em qual deles pretende manejar a execução. Na hipótese em que a prática de determinado ato ou fato deu origem ao título executivo extrajudicial, a ação poderá ser proposta no local de origem do ato ou fato, ainda que não mais seja o domicílio do executado. Não obstante as regras acima, entende-s;ave que o exequente poderá optar pelos foros descritos no inc. I. Para a prova... Para encerrar as regras de competência, confira o art. 782, do CPC: Art. 782. Não dispondo a lei de modo diverso, o juiz determinará os atos executivos, e o oficial de justiça os cumprirá. § 1o O oficial de justiça poderá cumprir os atos executivos determinados pelo juiz também nas comarcas contíguas, de fácil comunicação, e nas que se situem na mesma região metropolitana. § 2o Sempre que, para efetivar a execução, for necessário o emprego de força policial, o juiz a requisitará. § 3o A requerimento da parte, o juiz pode determinar a inclusão do nome do executado em cadastros de inadimplentes. § 4o A inscrição será cancelada imediatamente se for efetuado o pagamento, se for garantida a execução ou se a execução for extinta por qualquer outro motivo. § 5o O disposto nos §§ 3o e 4o aplica-se à execução definitiva de título judicial. Desse dispositivo, duas informações são importantes: JUÍZO COMPETENTE PARA A EXECUÇÃO foro do domicílio do executado foro de eleição foro dos bens executados Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 25 488 1ª REGRA: o oficial, responsável pelo cumprimento dos atos executivos, poderá praticá-los sob determinação do juiz, não apenas na comarca sob jurisdição do juiz a que está vinculado, mas também em comarcas contíguas e de fácil comunicação. 2ª REGRA: o juiz poderá determinar a inclusão do executado no cadastro de inadimplentes, que será imediatamente cancelado no caso de pagamento e de garantia da execução ou extinção. Requisitos Vamos analisar aqui os requisitos para realização da execução, que vale tanto para a execução de título extrajudicial quanto para a execução de títulos judiciais (tecnicamente, o cumprimento de sentença). De acordo com o CPC, são dois os requisitos: 1º REQUISITO: inadimplemento (situação de fato) 2º REQUISITO: título executivo (situação de direito) O inadimplemento será aferido a partir do caso concreto, razão pela qual constitui uma situação de fato. Sobre esse primeiro requisito devemos conhecer os arts. 786 e 787, do CPC: Art. 786. A execução pode ser instaurada caso o devedor NÃO satisfaça a obrigação certa, líquida e exigível consubstanciada em título executivo. Parágrafo único. A necessidade de simples operações aritméticas para apurar o crédito exequendo não retira a liquidez da obrigação constante do título. Assim, se não for satisfeita a obrigação que é certa, líquida e exigível, configura-se a inadimplência que autoriza a execução. Esse requisito, contudo, poderá não se verificar nas situações em que não obstante a existência da dívida, faltar contraprestação do credor. Se isso ocorrer na prática, a execução somente se torna exigível quando o credor provar que adimpliu a contraprestação. É isso que temos disciplinado no art. 786, do CPC: Art. 787. Se o devedor não for obrigado a satisfazer sua prestação senão mediante a contraprestação do credor, este deverá provar que a adimpliu ao requerer a execução, sob pena de extinção do processo. Parágrafo único. O executado poderá eximir-se da obrigação, depositando em juízo a prestação ou a coisa, caso em que o juiz não permitirá que o credor a receba sem cumprir a contraprestação que lhe tocar. De acordo com a doutrina, esse dispositivo traz a disciplina contratual da exceção do contrato não cumprido. Quando houver obrigação bilateral, o credor somente poderá exigir do devedor quando já tiver cumprido com a sua parte. Ricardo Torques Aula 14 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 26 488 Por exemplo, em um contrato de compra e venda, o adquirente do veículo não poderá executar o contrato requerendo a entrega do veículo se ainda não efetuou o pagamento da forma acordada. Somente haverá inadimplemento se o credor comprovar que cumpriu com a sua parte. Além disso, de acordo com o parágrafo único acima, o devedor poderá se eximir do devido com depósito judicial do valor. Contudo, para levantamento do valor, o credor deverá provar nos autos que cumpriu o que devia. O título executivo, que constitui situação de direito, está disciplinado nos art. 783 e 784, ambos do CPC. Veja, inicialmente, o art. 783: Art. 783. A execução para cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título de obrigação certa, líquida e exigível. Temos títulos executivos judiciais, ou seja, que decorrem de processo judicial ou de juízo arbitral, e títulos executivos extrajudiciais, que representam relações jurídicas que se formam independentemente da atuação do poder judiciário, mas que a lei confere o poder de títulos executivos. O título executivo constitui um ato ou fato documentado ao qual a lei atribui eficácia executiva. Dito de forma simples, o título executivo é o documento (em papel!) ao qual a lei confere poder de ser exigido judicialmente por intermédio de um procedimento de execução. Adotamos, no direito brasileiro, a teoria segundo a qual o título é, ao mesmo tempo, um documento e um ato. É um documento capaz de demonstrar a existência de um crédito para que seja executado e, também, um ato, na medida em que constitui manifestação concreta da pretensão sancionatória do estado. Desse modo, o título indica a legitimidade, o objetivo e os limites da execução. Ao considerarmos o título um ato, ele valerá o que estiver representado no título, o seu conteúdo. Ao passo que se considerarmos o título um documento, o que interessa é a forma do título. Na prática, temos alguns títulos que a natureza do documento fica mais aparente, em outros, a natureza do ato se sobressai. A relevância dessa distinção está na possibilidade de execução de títulos com base em cópias (xerox).