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Teorias da globalização A lógica da aldeia global e seus desafios, a inclusão digital e as relações sociais no mundo pós-moderno, a ação comunicativa na construção de uma nova coletividade, a globalização × o globalismo e a pós- verdade. Profª Flavia Ribeiro Veras 1. Itens iniciais Propósito Compreender o conceito de globalização e seus efeitos no mundo contemporâneo. Objetivos Definir o conceito de globalização na construção da Nova Ordem Mundial. Descrever efeitos da globalização da vida social na pós-modernidade. Reconhecer os efeitos da globalização no tempo presente. Introdução O assunto do qual trataremos aqui é muito presente em nosso cotidiano e, com certeza, nossa vida seria bem diferente se não estivéssemos em mundo globalizado. Mas o que significa viver em um mundo globalizado? O que seria globalização do ponto de vista acadêmico? E em quem ela operou? Globalização pode ser entendida como um processo de integração de pessoas, de mercados e de culturas, por meio da tecnologia e da comunicação. Considerando o mundo em que vivemos, os efeitos dessa integração são sentidos na maior agilidade dos processos de tomadas de decisão de empresas e dos Estados, também no trato pessoal entre os indivíduos e nas questões da vida privada. Nesse sentido, a globalização fundamentou grandes transformações, criou concepções sobre as relações de trabalho e as formas de produção de mercadorias, diversificou as possibilidades de serviços e promoveu o encontro e o diálogo entre pessoas em situações e em lugares muito diferentes. Exploraremos a seguir o conceito de globalização e suas transformações sociais. Primeiramente, introduziremos o tema da globalização na Nova Ordem Mundial. Em seguida, abordaremos seus efeitos na vida social da pós-modernidade. Por fim, discutiremos suas repercussões atuais, promovendo uma visão crítica e contextualizada do fenômeno. • • • 1. Globalização e a construção da Nova Ordem Mundial O que é a globalização? Vamos começar pela prática? Afinal, todos já ouviram falar em globalização. Podemos perceber os efeitos da globalização na nossa vida pessoal pelas possibilidades de criar laços afetivos com pessoas ao redor do mundo usando as redes sociais. Ao mesmo tempo que estamos fisicamente muito distantes, o acesso à informação e a possibilidade de comunicação nos aproximam. Conversas com familiares em outros estados e países, com amigos que viajaram a trabalho, ou mesmo o compartilhamento das fotos turísticas em tempo real nas redes sociais são corriqueiros e mostram nossa capacidade de estabelecer diálogo a distância. Porém, vamos considerar um caso mais complexo. Imaginem que, por conta de interesses comuns, como um jogo, trabalho ou mesmo estudo, tenhamos tido contato por redes sociais com alguém que viva em Tóquio. Considerem que, certa vez, vendo televisão, descobrimos que houve um grande terremoto na cidade em que nosso colega mora. Imediatamente, tentaremos estabelecer contato através de uma série de aplicativos pelos quais poderemos mandar uma mensagem, fazer uma ligação ou mesmo uma chamada de vídeo. Instantaneamente, ficaremos a par de tudo o que se passou e saberemos como está nosso colega. Esse contato poderá não custar nada, ou muito pouco, caso optemos por usar aplicativos pagos. De qualquer forma, conseguiremos estabelecer diálogo imediato com qualidade, independentemente da distância. Da mesma forma que isso ocorre em nossa vida pessoal, as tecnologias da comunicação também são aplicadas às questões econômicas, financeiras e de produção, gerando muitos impactos no mundo dos negócios. Confira algumas mudanças ocorridas nesse novo cenário. Remodelagem do sistema de produção na era digital Informações privilegiadas nas bolsas de valores, assinaturas digitais, transações bancárias com um clique, contratos firmados por e-mail, a força da robótica na produção industrial gerando desemprego estrutural, as possibilidades de armazenamento e a disponibilidade de dados na nuvem, entre tantas outras facilidades, remodelaram o sistema de produção na era digital (ou era da informação) e modificaram profundamente a forma de organização da vida em sociedade. Internet e ciberespaço A conexão à internet e o uso do ciberespaço estão muito presentes na nossa vida cotidiana: o álbum de família que tinha as fotos cuidadosamente arrumadas em um livro disposto na sala de estar foi substituído por inúmeras pastas de fotos na nuvem; o diário antes secreto está agora publicado em blogues ou fotos com pequenos textos nas redes sociais; as cartas foram substituídas por e- mails; os ingressos de shows e tíquetes de viagens que eram guardados como lembrança viraram códigos QR. Curiosidade Na remodelagem do sistema de produção, dois conceitos merecem ser mencionados: desemprego estrutural e era digital. Chamamos de desemprego estrutural aquele causado por reestruturações da economia. O trabalhador perde sua função seja devido a uma nova tecnologia que tornou seu trabalho obsoleto, seja por um redirecionamento econômico que acabe com a sua função. O uso de uma linha do tempo em eras ou períodos é típico da tentativa do homem de organizar o tempo. A era digital, portanto, teria se iniciado na década de 1970 com as transformações das telecomunicações e se consolida nos anos 1990. No trabalho, essas mudanças também podem ser observadas. Os pontos eletrônicos substituem a assinatura em cadernos de presença, a digitalização de documentos torna mais acessível e dinâmico o acesso às informações, as cobranças por e-mail e grupos de WhatsApp aumentam a carga de trabalho, ao mesmo tempo que possibilitam a resolução instantânea de problemas. Contudo, as câmeras de segurança, o reconhecimento facial, os detectores de metais, a possibilidade de rastreio de celulares e cartões de crédito, sob o signo da segurança, colocam-nos em uma situação bastante controversa entre a privacidade e as facilidades do universo digital. A maneira como organizamos a nossa vida, nosso tempo, nossa rede de afetos e moldamos nossas expectativas para o futuro é intermediada tanto pelas possibilidades de comunicação quanto pela estrutura econômica e produtiva do mundo no qual estamos imersos. Tal como nós podemos nos comunicar imediatamente com qualquer lugar do mundo através da internet, um executivo na Europa consegue em poucos minutos encomendar peças e insumos na Argentina e na Índia, que serão levados à China para montagem de um produto, cuja venda será feita nos Estados Unidos, por exemplo. Ou um historiador no Brasil pode solicitar licenças para acessar arquivos em bibliotecas ao redor do mundo com a finalidade de escrever seu trabalho de final de curso. Um motorista de aplicativo consegue, pelo GPS, escolher entre seguir pelo caminho com menos trânsito ou pelo mais seguro. Tudo isso é possível por estarmos conectados às redes de informações. Os aparatos tecnológicos e virtuais ganharam tamanha importância na sociedade contemporânea que se constituíram como instrumentos fundamentais para os indivíduos se entenderem na coletividade. Saiba mais Para saber mais sobre essa forma horizontalizada e flexível de produzir no contexto informacional, leia o livro A sociedade em rede, de Manuel Castells. Quando a globalização começou? O termo globalização é muito utilizado por todos, mas poucos sabem explicar quando e onde tal expressão surgiu. Para saber mais sobre o assunto, assista ao vídeo a seguir. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Quais as premissas da globalização no contexto da crise da modernidade? O novo equilíbrio da balança de poder imposto pelo fim da Guerra Fria apresentava o nascimento de uma Nova Ordem Mundial, com ampla permeabilidade ao outro. Não existia mais um inimigo externo a combater e, do ponto de vista dos vencedores, as bases para a construção de um novo mundo estavam lançadas, tendo por pressuposto a ideia da liberdade. Nesse contexto, a sustentabilidade se tornou a palavra de ordem dosnovos tempos. Conceitualmente, a globalização é responsável por redefinir a moral e a ética baseadas no diálogo e na diversidade. Ela significa o compromisso de produzir com a preocupação de não comprometer as gerações futuras, garantindo recursos e pluralidades. Após os desastres nucleares, o uso de armas químicas e biológicas, que foram dramaticamente acompanhadas através de programas de rádio, fotos e até vídeos, era tempo de pensar novas formas de cuidar do hábitat humano. Aprofundava-se amplo debate público mediado por oligopólios (grandes grupos empresariais), representantes de comunidades, ativistas, poderes públicos, minorias, entre outros agentes sociais. O eurocentrismo e as noções unidirecionais de progresso e desenvolvimento, tão marcantes na modernidade, deram espaço ao exercício de desconstrução dos valores europeus, cristãos e ocidentais, substituindo pela reconstrução de tradições, outras formas de poder e organização social. Esse fenômeno pode ser chamado de pensamento decolonial, no qual saberes e técnicas de grupos até então entendidos como inferiores foram valorizados. Pensamento decolonial Conceito sociológico que fundamenta a Europa como o centro de todo conhecimento, cultura e tradições. Ex.: a tradição de expor o mapa-múndi com a Europa representada no centro e na parte de cima. Boaventura de Sousa Santos (2010), à luz dos trabalhos de muitos pesquisadores africanos, asiáticos e latino- americanos, denunciou a violência epistêmica que os espaços periféricos sofreram pela imposição de uma modernidade aos moldes europeus. Ele propõe a valorização e o reconhecimento dos saberes e das práticas tradicionais desses espaços com valor em si, ou seja, uma forma completa de entendimento da realidade. Como um desdobramento no campo intelectual das demandas dos países não alinhados, na segunda metade do século XX as universidades dos Estados Unidos e da Europa começaram a trazer pensadores de espaços considerados periféricos. Foi nessa conjuntura que Edward Said publicou seu livro Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente, uma referência para os estudos subalternos. Paulatinamente, pensadores da África, como Frantz Fanon e Achille Mbembe, e da América Latina, como Fernando Henrique Cardoso, Néstor Canclini e Ángel Rama, também ganharam fama internacional e levaram para o cenário intelectual mundial os questionamentos e os conceitos construídos a partir de seus olhares na periferia do globo. Do ponto de vista organizativo, o mundo pós-Guerra Fria estava conectado não apenas entre os países centrais, mas também em relação aos periféricos ‒ de acordo com Amin (2003), O IBAS e o BRICS são dois exemplos da articulação entre países periféricos pelo desenvolvimento econômico mútuo. Na década de 1990, muitos blocos econômicos criavam regras especiais para os países-membros no que dizia respeito à circulação de pessoas e de mercadorias, criando múltiplos centros de poder. Blocos econômicos Grupos de países que, através de pactos, passam a compartilhar fronteiras, acordos econômicos e até cidadania. Ex.: União Europeia e Mercosul. Confira alguns exemplos. Mercosul O Mercado Comum do Sul é uma organização intergovernamental fundada a partir do Tratado de Assunção de 1991. Os países vão e vem, e têm até núcleos duros, como o Mercosul tem Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Nafta O Acordo de Livre Comércio da América do Norte é um acordo econômico e comercial formado por Estados Unidos, Canadá e México. Criado em 1994, tem como objetivo o fortalecimento das relações comerciais entre esses países. União Europeia É o maior bloco econômico do mundo, conhecido pela livre circulação de bens, pessoas e mercadorias e pela adoção de uma moeda única: o euro. Reúne 27 países e tem França, Alemanha e Itália como seu núcleo mais histórico. Com os blocos econômicos, novas concepções de cidadania, representatividade e Estado Nacional estavam sendo lançadas. Essa realidade era bastante diferente da ordem bipolar que entre 1945 até 1991 opôs Estados Unidos e União Soviética como centros do poder mundial. As preocupações de cunho ambiental surgiram como pauta internacional, tendo como marco o encontro da ECO-92 no Rio de Janeiro. ECO 92 Foi a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento que se realizou entre 3 e 14 de junho de 1992 no Rio de Janeiro. Debateu-se sobre o aquecimento global e foi afirmada a importância da sustentabilidade. Como resultado, foi aprovada a Agenda 21, que consistia em um plano de ação internacional para os países membros da ONU, que orientava o desenvolvimento para o século XXI. No âmbito das relações internacionais, consolidava-se a multipolaridade como estratégia de investimento e cooperação entre os Estados, visto que existiam vários polos de poder. A crença em organizações intergovernamentais como a Organização das Nações Unidas (ONU), o Banco Mundial (BIRD) e a Organização Mundial do Comércio (OMC) como agentes de resolução dos conflitos e promotores do desenvolvimento era uma marca dos novos tempos. Organizações intergovernamentais Organizações criadas por países mediante a tratados internacionais. O terceiro setor, por sua vez, através de organizações não governamentais (ONGs), deveria atuar em setores específicos, como no combate à fome, no acesso democratizado à educação, na preservação ambiental, entre outras causas, promovendo, a partir da sociedade civil, uma agenda de transformações positivas. Terceiro setor Organizações e empresas de atividades sem fins lucrativos. Enquanto isso, às empresas seria dada a responsabilidade de promover o desenvolvimento atrelando o lucro às responsabilidades no seu entorno. Assim, o Estado passaria a ter a função de gestor, enquanto os cidadãos e as cidadãs seriam convidados a participar como agentes através do consumo consciente. consumo consciente É um contraponto ao consumismo entendido como base no modelo do capital. Ao invés de estimular o consumo como forma de crescimento econômico, ter como foco o sujeito, o meio ambiente e a mediação de excessos para garantir que mais gente tenha acesso aos bens de consumo. Aldeia global: agir localmente, pensar globalmente Os pontos que discutimos até aqui sobre os significados da transformação da globalização em um mundo marcado pela internet e pela convergência entre tecnologia e informação levaram a um lema que inspirou acordos políticos internacionais, programas sociais e definiu missões de instituições empresariais e do terceiro setor: agir localmente e pensar globalmente. Esse lema remete a duas frentes de ação. Confira! Local Reflete sobre o local, que pode ser uma comunidade, um bairro, uma cidade, o entorno de uma fábrica, enfim, um espaço delimitado onde seja necessário pensar soluções de problemas e propostas de intervenções considerando as especificidades sociais, culturais e econômicas estabelecidas nesse ambiente. Global Remete a todo o planeta, considerando que estamos conectados e inevitavelmente gerando impactos que podem ser sentidos coletivamente. O lema animou, por exemplo, a Conferência ECO-92, da qual tratamos anteriormente. Um dos assuntos mais debatidos nessa conferência foi o aquecimento global e seus impactos combinados com o efeito estufa e a destruição da camada de ozônio. Esses temas afetam todo o globo. A alteração climática pode trazer, além de desgraças naturais e extinção de parte da fauna e da flora, mudanças nos regimes de colheitas. O derretimento das geleiras pode fazer com que áreas habitadas sejam inundadas. Apesar de o problema ser coletivo, alguns países participavam com maior número de emissão de gases poluentes, justamente os mais desenvolvidos e economicamente mais ricos. Assim, com base nessas ameaças coletivas, os representantes dos países da ONU discutiram estratégias, embora não sem controvérsias, para tentar contornar os problemas ambientais considerando o desenvolvimento econômico e a preservação dos recursos naturais. ONU Organização das NaçõesUnidas é uma organização intergovernamental criada para promover a cooperação internacional. Fonte: (INSTITUTO FONTE, 2020) A Agenda 21, compromisso firmado após a Conferência ECO-92, ratificava o comprometimento com a sustentabilidade e deixava claro o reconhecimento da necessidade de ações locais que precisavam ser incentivadas de forma coletiva. As possíveis consequências em cadeia de desastres ambientais expunham a profunda conexão que extrapolava as fronteiras nacionais e as diferenças culturais. Mas como ficaria a questão cultural em meio a esse fluxo tão intenso de informações? Como o campo das artes e da cultura popular poderia se comportar ante essa nova forma de agir no mundo? Teríamos impulso a um processo de homogeneização ou seria possível manter a diversidade? Essa foi uma questão que perturbou muitos analistas do processo de globalização. Uma impressão bastante pessimista sobre as mídias e as propagandas era levantada, apontando que os meios de comunicação mundializados poderiam criar uma falsa noção de liberdade, na qual o ser humano teria seus próprios desejos manipulados. Saiba mais Herbert Marcuse, nos anos 1960, ofereceu uma visão crítica da sociedade globalizada, apontando que ela era composta por ambiguidades e contradições. Para ele, a liberdade e a mídia levavam a um tipo de controle social que fazia o indivíduo pensar que agia livremente quando na verdade estava tendo suas ações e emoções induzidas e camufladas pelo consumo. Para caracterizar essa relação, ele criou o conceito de Homem Unidimensional. Além de Marcuse, outro conhecido autor que entende as múltiplas possibilidades da sociedade globalizada como controle, inclusive usando a metáfora da prisão no estilo panóptico, é Michel Foucault. Será, então, que a popularização da tecnologia como entretenimento poderia fazer com que rendeiras esquecessem seus pontos, que as crianças abandonassem as brincadeiras tradicionais ou que comunidades indígenas deixassem de falar sua língua nativa? Quais questionamentos e dúvidas o futuro guardaria sobre a globalização? Hibridização Através do conceito de hibridização, foi lançada uma concepção mais animadora sobre as trocas culturais em um mundo globalmente conectado. Elas provocariam um processo de mescla, que não resultaria necessariamente em perda, mas na criação de algo novo. Podcast Você sabe o que é hibridização? Ouça a explicação do professor Rodrigo Rainha sobre o assunto. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Acredita-se que as culturas tradicionais e subalternas poderiam usar os meios digitais e as redes de comunicação para aumentar seu alcance e mobilizar suas causas em espaços até então inacessíveis. Por exemplo, na música, não é raro ouvirmos em festas das classes médias e altas os ritmos da periferia como o funk, o rap ou o samba. Esses ritmos romperam os limites das zonas pobres da cidade e passaram a ser ouvidos por variados setores sociais, inclusive no exterior. Com a atuação de membros dessas comunidades, chamados de influencers (pessoa capaz de influenciar o comportamento e a opinião de milhares e até milhões de pessoas por meio do conteúdo que publica em seus canais de comunicação, como Facebook, Instagram, X e YouTube), e através da intermediação da produção técnica de empresas radiofônicas e gravadoras, a produção cultural de setores subalternos teve visibilidade e retorno econômico. O funk, o rap ou mesmo o samba gravado e transformado em cultura de massa não são os mesmos produzidos em seu berço, mas um produto mesclado entre o gosto do consumidor final e do produtor. O mesmo efeito poderia ser visto no artesanato de populações tradicionais. O seu valor, apesar de culturalmente inestimável, não tem relevância comercial se permanece isolado nas comunidades ou é vendido em feiras ao ar livre. Quando uma joalheria compra e revende essas peças evidenciando aos consumidores a história da comunidade e seus desafios, é agregado àquele produto um novo valor, que não o faz perder todas as suas características, mas atribui novas, e assim o transforma. O conceito de hibridização leva a debates muito atuais anunciados por grupos subalternos como o da aculturação e da apropriação cultural, embora o conceito de hibridização nos incline a pensar que a aculturação não existe, visto que não há ser humano sem cultura, e que a apropriação cultural, posto que mediada por membros dos grupos tradicionais ou subalternos, não seria necessariamente uma tomada epistemologicamente violenta, mas um processo de negociação. Contudo, um dos pontos frágeis desse conceito está na necessidade de não negligenciar a existência de grupos hegemônicos que provocam certa desigualdade nesse processo de troca. Ou seja, entendendo a hibridização como uma criação em mão dupla entre diversos grupos sociais com poderes econômicos diferentes, o fluxo resultante dessas trocas é desigual. Em ambos os casos, percebemos que sujeitos subalternos, através da cultura de massa, fizeram-se visíveis, exportaram seus produtos culturais além das fronteiras nacionais e, assim, tornaram públicos problemas e questões que dificilmente seriam de conhecimento geral sem a intermediação das redes. Curiosidade Você sabe a diferença entre aculturação e apropriação cultural? A aculturação é o conceito que nega ao outro a sua cultura. Quando é entendido que indígenas estão em território nacional (comum a todos os nativos e habitantes) e será dado a eles aquilo que é previsto pela cidadania no território, com o argumento de que todos são iguais e de que eles precisam se integrar, está-se retirando seu direito de comungar com uma cultura diferente. A apropriação cultural, por sua vez, é tomar a cultura do outro de forma descontextualizada para autopromoção ou modismo. Quando eu me visto de indígena, sem perceber o que aquelas representações significam para aqueles grupos, estou me apropriando culturalmente. Verificando o aprendizado Questão 1 A globalização é um fenômeno que incide em elementos sociais, econômicos e políticos, entre outros. Essa inserção tende a ser subestimada. Assinale entre as opções abaixo aquela que contém uma afirmação falsa sobre o tema da globalização. A A globalização está intimamente ligada à tecnologia da informação, promovendo maior integração entre pessoas e mercados que, ainda que marcados por polêmicas, acabaram por modificar as dinâmicas mundiais de consumo. B A era digital é marcada pelo uso da internet e do ciberespaço como forma de conectar pessoas e empresas e se integrar a movimentos mais antigos, mas que tinham o mesmo sentido, como jornais, rádios e televisão, sendo considerada uma continuidade da revolução da informação. C Meios de entretenimento, como Facebook, WhatsApp, Instagram e outras mídias sociais, não participam economicamente da integração de mercado global, uma vez que visam ao sujeito, não à economia. D O processo de globalização tem sido estudado por muitos pesquisadores das ciências humanas na tentativa de entender as transformações do mundo contemporâneo. Apesar de esse processo ser compreendido como um novo meio, na prática a dinâmica social permanece viva sobre as interações humanas. A alternativa C está correta. As mídias sociais citadas têm grande importância econômica, seja do ponto de vista da propaganda de produtos e serviços, seja também para forjar modelos de consumo e identidades. Apesar de muitas vezes ter sido negada a ideia de que o entretenimento tenha participado dessa inserção, na prática ele acaba sendo um dos mais polêmicos aspectos por fornecer informações e dados de consumo atuais. Questão 2 A Nova Ordem Mundial é uma terminologia assumida em especial após a Queda do Muro de Berlim. Suas mudanças dialogam fortemente com a globalização. Assinale a seguir o conceito que não é característico da teoria da globalização nos anos 1990. A Aldeia global B Hibridização C Sustentabilidade D Modernidade A alternativa D está correta. Apesar da existência de conflitos,as premissas teóricas apontavam para uma progressiva abertura à liberdade e à convivência pacífica com as diferenças. A modernidade e os preceitos históricos vinculados à modernidade passam a ser entendidos como velhos e precisam ser abandonados. De fato, dialoga com o processo, mas é sua antagonista, o conjunto de práticas e ideias a ser superado. 2. Globalização na pós-modernidade As fronteiras do mundo digital De maneira mais intensa do que outros meios tecnológicos de fazer circular a informação — como o rádio ou a televisão —, o uso da internet se configurou na década de 1990 como um instrumento radical de mudança. Na visão de alguns intelectuais, é radical a ponto de fundar uma nova fase, a pós-modernidade. Conheça algumas das suas características. Impacto das redes de comunicação As redes de comunicação que passaram a conectar as pessoas, criando uma ideia de aldeia global, afetaram de forma avassaladora os negócios, os mundos do trabalho e os relacionamentos interpessoais e afetivos. Aceleração digital Considerando o tempo das transformações globais, o mundo digital entrou muito rapidamente nas nossas casas e suas transformações foram sendo incorporadas de maneira igualmente veloz. Desigualdade digital A falta de acesso às tecnologias da informação de uma grande massa da população, no entanto, acaba por aumentar o abismo social, dificultando o acesso a empregos, benefícios sociais e uma série de outras oportunidades. Exclusão digital A exclusão digital de grande parcela da população mundial levou à diferenciação entre indivíduos locais, ou seja, aqueles que não estão participando ativamente da sociedade em rede, e os globais, que conseguem se conectar acessando as possibilidades de trabalho, informação e novas formas de interação que transcendem seu espaço físico. Nota-se que, da mesma maneira que na era digital as distâncias foram estreitadas, houve segregação daqueles que não conseguiram ter acesso às transformações informacionais e tecnológicas que agilizavam o tempo e mudavam as lógicas de coesão social. É sobre o funcionamento dessa dinâmica atual da globalização de que trataremos daqui por diante. Confira os dados do Censo de 2010 em relação ao acesso à internet no Brasil. Com a popularização dos smartphones, evidentemente, em dez anos esse quadro mudou, e muitos estudos têm surgido para repensarmos as ações em prol da inclusão digital e como os novos usuários têm se comportado na rede. Dados de 2017 mostram um grande avanço no número de usuários, sobretudo por causa dos telefones móveis. A maior função da internet para eles seria a troca de mensagens. Apesar do incremento, nas áreas rurais e nas localidades mais carentes das regiões Norte e Nordeste, ainda há um grande trabalho a ser feito. É necessário não apenas democratizar o acesso, mas também promover educação digital com a finalidade de ensinar aos novos usuários como atuar de forma segura e diversificada na rede. Espaços físicos e espaços virtuais: a liquidez Os espaços que ocupamos, na internet e fora dela, são constantemente transformados e causam impactos em nossas vidas. Vamos refletir sobre nosso comportamento individual e coletivo nas redes sociais e nos lugares por onde passamos com frequência. Para saber mais sobre o assunto, assista ao vídeo a seguir. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vimos que as relações na rede virtual e no mundo físico transbordam mutuamente e, de uma forma geral, tendemos a buscar formas comuns de resolver os conflitos. Assim, sem o contraditório, anulado por nossas próprias ações, acabamos vendo nos que estão à nossa volta um espelho de nós mesmos, fazendo as relações pessoais efêmeras e descartáveis. O sistema e o mundo da vida: ação comunicativa Quando problematizamos a sociedade em que vivemos, percebemos que as horas gastas no celular produzem certo isolamento; não lembramos do rosto da atendente da padaria que frequentamos todos os dias; ou mesmo que, tal como muitas outras pessoas, pegamos o transporte público no mesmo horário para ir para o trabalho e não nos conhecemos. Com acesso Cerca de 50% da população tinha acesso à internet em casa, no trabalho, em telecentros ou outros espaços. Sem acesso A face oposta desse dado é que os outros 50% de nossa população não tinha acesso à internet. Seria possível citar diversos outros exemplos que sugerem que a tecnologia nos afasta mais do que nos aproxima. Ao mesmo tempo, é impossível negar que ela tenha trazido benefícios inestimáveis. Apesar de todas as promessas de integração e democratização no mundo globalmente integrado, de uma forma geral, será que podemos dizer que estamos felizes? Através dos estudos de Jürgen Habermas (filósofo alemão e um dos mais influentes sociólogos do pós-guerra, conhecido por suas teorias sobre a razão comunicativa), é possível indicar que a anomia entre os indivíduos, tal como as reflexões sobre como as redes sociais operam para o isolamento social — ao contrário de contribuir contundentemente para a integração dos indivíduos —, é resultado de uma interferência sistemática dos negócios e do dinheiro nas relações que deveriam ser intermediadas por valores morais, pela cultura e pela tradição. Anomia Termo cunhado pelo sociólogo Émile Durkheim (1858-1917). Ausência de lei ou de regra, desvio das leis naturais; anarquia, desorganização. Nas palavras de Habermas, diríamos que “o sistema colonizou o mundo da vida”. Confira os conceitos relacionados a essa afirmação. Quando é colocado que “o sistema colonizou o mundo da vida”, significa dizer que o dinheiro, os negócios e a visão para o sucesso deixaram de ser pressupostos do espaço público e adentraram as relações e as esferas Sistema Tem a ver com a produção material de riqueza, como uma força que impulsiona ao sucesso e à competição, corporificados no dinheiro e nos negócios. Mundo da vida É o espaço da interação humana mediada pela cultura, pela vida comunitária e pela capacidade dos indivíduos de argumentar racionalmente. privadas, fazendo com que o mundo da vida, ou seja, nossas questões enquanto seres humanos em coletividade, passassem a responder como demandas de cunho econômico e produtivo. Podemos perceber a tomada do sistema pelo mundo da vida em muitas oportunidades. Um exemplo aparentemente simples, mas muito corriqueiro, está nas agências de turismo. Quando planejamos uma viagem e temos todo o roteiro traçado pela empresa, perdemos a possibilidade de planejar de acordo com nossas próprias intenções e desejos. O que deveria ser um passeio, que nos possibilitaria conhecer lugares e pessoas diferentes a partir do nosso próprio olhar, estaria subordinado aos negócios da agência, dada a sua mediação. Nossa experiência, que poderia ser transcendental do ponto de vista humano, torna-se uma mera transação financeira. A solução proposta por Habermas (1989) para solucionar esse problema, que também aparece no trato com o Estado — uma vez que as tomadas de decisões não se baseariam em um acordo mútuo, mas na imposição —, está no estabelecimento de diretrizes no diálogo racional, simétrico e honesto entre os indivíduos. O entendimento entre os sujeitos na comunidade seria o pressuposto fundamental para a democracia. Essa conversa intermediada pela razão e pelo abandono das paixões não inviabiliza as redes sociais, mas reivindica que o ser humano — seja como indivíduo, seja como representante de Estados Nacionais nas relações entre países — mantenha uma postura ética. Essa conversa em busca do entendimento mútuo, que pode se dar por quaisquer meios, é o que se chama de agir comunicativo ou conceito de Habermas (análise teórica e epistêmica da racionalidade como sistema operante da sociedade). A exclusão do sistema marca a anulação do mundo da vida, então subjugado às relações econômicas. Por isso, a sobreposição do sistema ao mundo da vida inviabiliza o agir comunicativo, tal como a democracia. Ou seja, na ideia de Habermas, é preciso pensar açõesno sentido de separar essas duas esferas, devolvendo aos indivíduos a coesão social e a capacidade de se comunicar mediante a razão. O globalismo e a pós-verdade Como temos visto através dos meios de comunicação e dos embates políticos atuais, no bojo das mazelas do mundo globalizado atual foram reacendidas discussões críticas sobre a globalização e seus impactos econômicos e políticos. Lembremos que contestamos os desafios e questionamentos da globalização no futuro. Agora vamos tratar de pontos fundamentais desses novos desafios e fronteiras. Aproveite para autoavaliar a sua postura diante do que você acessa e reproduz na internet. Cabe-nos, primeiramente, localizar o contexto do surgimento das ideias que nos levam a discutir o globalismo e a pós-verdade (a verdade no âmbito dos meus interesses e observações imediatas e possíveis, desconsiderando o conhecimento debatido e sistematizado), pois é preciso evidenciar que não se trata de algo absolutamente novo. Podcast Vamos ouvir agora o que o professor Rodrigo Rainha nos diz sobre a pós-verdade. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Globalismo é um viés da crítica à globalização, distante da elaboração rebuscada da liquidez proposta por Zygmunt Bauman e da colonização do mundo da vida pelo sistema apontado por Habermas. Têm ganhado popularidade as chamadas teses antiglobalistas. Do ponto de vista da literatura das relações internacionais e mesmo da sociologia e da história, o termo globalismo não é usado, não caracterizando, por isso, uma categoria acadêmica e científica, mas que do ponto de vista do amplo debate social não deve ser ignorado. Com forte teor conspiratório, o termo globalismo surge denotando, pelo uso do sufixo -ismo, uma constituição ideológica ou mesmo uma doença. O cerne da constituição desse pensamento está na negação da reflexão conjunta internacional sobre como lidar com os problemas de ordem global. Assim, com lemas fortemente nacionalistas, seus adeptos se colocam como defensores das tradições e do conservadorismo, não condenando, contudo, a economia de mercado globalizada e suas mazelas. A globalização, como conceito academicamente estudado e fruto da confluência entre tecnologia e informação, transformou sensivelmente todo o globo ao conectá-lo. Isso trouxe novas formas indissociáveis de pensar negócios e culturas, como também questões que não respeitam as fronteiras imaginadas das nações, como a radiação, o efeito estufa e até mesmo os movimentos imigratórios forçados. Reflexão Poderia cada Estado Nacional decidir sozinho sobre questões que não respeitam as fronteiras imaginadas das nações? E o quão racional seria impor um discurso soberano sobre tais questões, que transbordam essas fronteiras, posto que a fumaça de uma floresta queimando na Austrália pode chegar na América Latina? Da mesma forma, como poderíamos nos conectar e buscar consenso entre pessoas ao redor do mundo, com tão diferentes culturas e credos, se não procurássemos vias seculares e argumentos em uma base comum de valores? Veja um exemplo que ilustra o potencial das redes. Boato viral No início de 2020, por meio de áudio e fotos no aplicativo de WhatsApp, uma barista criticou a qualidade do café brasileiro, apontando que seria tão ruim quanto o vinho da marca Sangue de Boi. Algum tempo depois, foi veiculada a notícia de que o café em pó brasileiro seria feito com sangue de boi coagulado para aumentar o peso do produto. Desinformação e desconfiança Embora a Anvisa, agência reguladora que faz o controle sanitário dos produtos nacionais e importados comercializados no Brasil, proíba o uso de qualquer produto animal na fabricação do café e as marcas tenham certificação, muitos compartilharam essa notícia e certamente algumas pessoas realmente desconfiaram do inocente café. Reação ao boato A Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) teve que vir a público desmentir a acusação. Esse caso, embora quase bobo, mostra-nos que muitas pessoas não entendem o Estado, nem as suas agências ou a iniciativa privada como instituições confiáveis. O selo da Anvisa, tal como o da ABIC, não garante para esses consumidores que eles não estão tomando café com sangue de boi. Muitas pessoas podem chegar a rir do exemplo do WhatsApp, mas as fake news podem tomar proporções graves e ameaçar a democracia, a saúde pública e tantas outras instituições extremamente necessárias para a reprodução da vida. Lembremos da atuação de grupos antivacina que produzem enunciados compartilhados nas redes, tanto pelas mídias sociais como também por canais no YouTube, blogues e outros meios. A grande oferta de enunciados faz com que se torne difícil discernir entre o verdadeiro e o falso. De forma geral, os indivíduos acabam abraçando como verdadeiros os enunciados que desejam que sejam verídicos, causem medo ou que sirvam para manter a fidelidade a determinado grupo. Recentemente, foi divulgada a informação falsa de que a vacina tríplice viral causaria autismo em crianças. A base dessa fake news é um artigo de Andrew Wakefield publicado em 1998, cujo estudo foi refutado diversas vezes. O próprio pesquisador se retratou por erros metodológicos e perdeu a licença de trabalho. A viralização dessa notícia teve impactos negativos em todo o mundo. No Brasil, fez com que o sarampo, que estava erradicado desde 2016, tornasse a fazer vítimas. Nesse contexto, a descrença na ciência, a vontade de crer em certos materiais apresentados, o medo e a incapacidade de duvidar confundem e alarmam os indivíduos. A proliferação de enunciados distorcidos, compartilhados sistematicamente com o objetivo de moldar a opinião e a percepção dos indivíduos, é um fenômeno que mobiliza a opinião pública, causando impactos na economia, na política, na saúde e na vida social. Esse processo é tão alarmante que o termo pós-verdade, que caracteriza tal fenômeno, foi escolhido pela Universidade de Oxford como a palavra do ano de 2016. Verificando o aprendizado Questão 1 Marque a alternativa que não contém uma característica de pós-verdade. A É consequência da legislação em prol da liberdade de expressão. B Pode ser fruto da manipulação de uma informação. C Tem impactos nas instituições públicas e privadas. D Mobiliza a opinião pública com base na insegurança e na incerteza. A alternativa A está correta. A liberdade de expressão não corrobora com a disseminação de informações falsas que possa levar a danos a terceiros, difamação ou outros crimes previstos nos meios cabíveis, como a constituição ou o código penal. Questão 2 Assinale a alternativa que contém um conceito que não ajuda a explicar a organização social no contexto da pós-modernidade: A Mundo da vida B Estabilidade C Redes sociais D Não lugares A alternativa B está correta. A estabilidade seja do ponto de vista emocional ou de planos profissionais para o futuro é algo extremamente difícil no contexto de muitos fluxos de informação e mobilidade gerando corriqueiramente diferentes expectativas pessoais. O modelo de trabalhar a opção excludente vem da ideia de fortalecer os elementos que norteiam o estudo sobre o assunto descrito. 3. Globalização no tempo presente Mundos do trabalho e a economia no contexto digital Para aprofundar nossa reflexão, devemos pensar os mundos do trabalho como uma questão transversal para analisar as guinadas e as redefinições de rota que aparecem no século XXI. Tanto os trabalhadores qualificados quanto aqueles que exercem funções que não demandam muita instrução têm lidado com questões como insegurança, falta de perspectivas para planejar o futuro e por um processo de se transformar em empresa. Ou seja, o indivíduo passa a administrar por sua conta e risco o oferecimento de seus serviços, habilidades e saberes no mercado. Xabier Arrizabalo (2004) defende que esse processo de transformar-se em empresa é relacionado à globalização e à expansão do sistema financeiro global, que através de suas crises diminuiu progressivamente o valor dopara a desumanização das relações econômicas e nos levam a pensar em outro conceito fundamental que, coligado ao da precarização, tem fornecido uma base de reflexão crítica do mundo atual, a necropolítica. Nessa articulação, a produção da morte se tornou uma política, ou seja, uma ação do Estado capturado pelos agentes econômicos no sentido de desaparecer com os indesejáveis. A morte deixa de ser uma tragédia e passa a ser parte da reprodução do sistema. Aqueles que não teriam como pagar por serviços de saúde, comida, água potável, entre outros serviços fundamentais, não teriam serventia; logo, poderiam (ou até deveriam) morrer. Assim, as prisões, as favelas, os campos de refugiados seriam lugares de excelência, porém não exclusivos, para observarmos a necropolítica. Da denúncia das ações que levam à precarização e à necropolítica surgem tentativas de refinar as pautas de lutas dos amplos movimentos de ocupação por todo o mundo. A descrença com a política institucional, a alta taxa de abstenções e a crise econômica levaram ao crescimento da extrema direita. Nesse cenário, começamos a assistir a uma nova forma de ação coletiva baseada na construção de movimentos identitários, como grupos feministas, LGBTQ+, indígenas, negros, entre outros. Os grupos citados anunciam, respectivamente, propostas de lutas centralizadas, como o combate ao feminicídio, a criminalização da homofobia, contra a expansão de madeireiros e seringueiros e de combate ao racismo. Claro que o universo de pautas é muito maior e mais diversificado do que citamos aqui, mas a intenção é perceber que não se trata mais simplesmente de lutar contra o capitalismo. As pautas identitárias colocaram objetivos reais de luta para pessoas extremamente diversas que se encontram e conectam pelas redes, usando hashtags que geram manifestações de massas, tais como: #BlackLivesMetters, #EleNao, #NingunAMenos. As guerras híbridas e os novos desafios para a segurança nacional no ciberespaço Se no plano da vida social a era digital despertou desafios no sentido do estabelecimento de um parâmetro novo de coesão social, as transformações também podem ser sentidas com as relações entre os Estados Nacionais. O caso de Edward Snowden, que em 2013 se tornou público, divulgou informações que o governo norte-americano usava empresas como Google, Apple, Facebook, Microsoft e outras para monitorar a população, como também outros países. Isso acendeu a discussão sobre segurança na web, proteção de dados e espionagem internacional. Entre os líderes monitorados estavam a então presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e representantes europeus. Apesar de isso contrariar muitos dos pressupostos éticos internacionais sobre o uso da internet, podemos entender que, em meio a disputas comerciais e hegemônicas corriqueiras na política externa, a espionagem internacional seja algo tentador. Mas por que monitorarmos também? O que nós, pessoas comuns e anônimas, poderíamos fazer para despertar tamanho interesse? Por um lado, o monitoramento da população poderia identificar com antecedência atos terroristas ou até mesmo evitar crimes. Por outro, nossos dados, desejos e preferências são materiais importantes para aqueles que vendem serviços e mercadorias. Quantas vezes, apenas por curiosidade, procuramos algo no Google, por exemplo, uma barraca de camping, e começamos a sistematicamente receber uma série de anúncios de barracas? As questões que mobilizam o nosso monitoramento, na maioria das vezes, têm razões diferentes daquelas que motivam a espionagem internacional, algo que, por sinal, é crime! Legislações nacionais e internacionais têm sido criadas para regular essas questões que se mostram muito problemáticas, seja por pontos mais simples e pessoais, como clonagem de cartões de crédito, seja por graves problemas diplomáticos. As tensões internacionais, sobretudo com relação à oposição Ocidente × Oriente, no caso atual opondo Estados Unidos a China e Rússia em um discurso de luta por hegemonia. Após a publicação de suas denúncias, Snowden recebeu asilo político na Rússia. A situação levou a novas teorias sobre a atuação da realpolitik nas relações internacionais. As grandes manifestações, ocorridas em 2011 e que foram chamadas de Primavera Árabe, após algum tempo haviam se revelado sangrentas e destruidoras. Realpolitik Palavra em alemão para se referir à política real, não a discursiva, a do espetáculo, mas a feita no cotidiano, com as trocas e as complexas teias de poder. A dramática crise migratória pela qual passamos tem suas raízes nos desdobramentos desses conflitos. Recentes estudos feitos na Rússia apontam que os eventos da Primavera Árabe teriam sido mais do que uma manifestação espasmódica da população cansada do autoritarismo e que pela primeira vez podia ser observada por todo o mundo através das redes sociais. Podcast Fazemos parte dessa guerra híbrida? Vamos ouvir a explicação do professor Rodrigo Rainha. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. O intelectual russo Andrew Korybko cunhou o termo guerras híbridas ou revoluções coloridas para caracterizar o esforço de setores da inteligência dos Estados Unidos de incentivar, através das redes sociais, convulsões que viessem a desestabilizar governos que não fossem de sua simpatia, com vista em sua troca. Quando a mudança de governo não fosse bem- sucedida, a guerra aberta e a completa desestabilização tomariam o lugar da até então aparente mobilização democrática, através de golpes de Estado, como aconteceu na Síria. Atualmente, analistas políticos usam o conceito de guerra híbrida para explicar uma série de convulsões sociais e políticas também fora do mundo árabe. Do movimento que levou à caída de Evo Morales na Bolívia até os recentes protestos em Hong Kong, a coisa tem sido interpretada a partir dessa lente de análise. O que está sendo teorizado por esse conceito são os novos desafios colocados para a segurança internacional no contexto da era da informação e do uso do ciberespaço. No entanto, a retórica da ameaça terrorista tem justificado o discurso nacionalista que se corporifica no projeto de construção de muros e políticas de restrição à imigração, recriando a oposição entre nós (países centrais) e eles (periferia perigosa). O uso da internet e da inteligência artificial não é um privilégio de um ou outro país, tal como os meios empregados para monitorar a população. Sabemos que, por meio de rastreamentos de celulares, câmeras com reconhecimento facial e outros aparatos tecnológicos, a privacidade dos indivíduos sofre fortes interferências. Contudo, no que diz respeito a Estados e relações internacionais, o que se coloca em debate é a viabilidade do próprio sistema democrático. Muitas ambições nutridas nos anos 1990 tiveram um complicado desenrolar. A luta interna entre países da União Europeia, os conflitos em torno da política climática e a continuidade das guerras e das crises econômicas mostram que não superamos muitos dos desafios que nos eram postos na década de 1990, como também mudamos substancialmente nossas formas de nos relacionar e de nos colocar diante da tecnologia. Hábitos simples, como fazer compras, estudar, conversar com amigos e fazer reuniões de trabalho, ganharam novas dimensões, e seus impactos, ao mesmo tempo que são calculados, passam por processos constantes de crítica e redefinições. Verificando o aprendizado Questão 1 Selecione a expressão que preenche corretamente a lacuna do texto: “_______________________ é um conceito desenvolvido pelo filósofo negro, historiador, teórico político e professor universitário camaronense Achille Mbembe que, em 2003, escreveu um ensaio questionando os limites da soberania quando o Estado escolhe quem deve viver e quem deve morrer. Segundo Mbembe, quando se nega a humanidade do outro, qualquer violência se torna possível, de agressões até morte” (Ferrari, 2019). A Agir comunicativo B Revolução colorida C Necropolítica D EmpreendedorismoA alternativa C está correta. Necropolítica é a categoria elaborada por Achille Mbembe para designar ações do Estado que descuidam da assistência básica para pessoas em condição subalterna, levando-as à impossibilidade de viver. Questão 2 “A escravidão foi abolida há dois séculos, mas de fato nunca tivemos tanta escravidão como hoje, e nunca os escravos custaram tão pouco; a vida humana vale menos” (Bottani, 2017). Qual conceito é mais bem adequado para explicar a frase acima? A Metodologias ativas B Precarização C Inclusão digital D Terrorismo A alternativa B está correta. A precarização problematiza diretamente as condições de vida e trabalho no contexto contemporâneo. Metodologias ativas e inclusão digital são fenômenos que podemos reconhecer, mas caracterizam-se como tentativa de solução diante dos processos. Terrorismo é entendido como consequência, já precarização é componente analítico para analisar fenômenos que estamos debatendo na sociedade contemporânea. 4. Conclusão Considerações finais Globalização é um tema vasto, complexo e polêmico, gerador de muitas paixões. E, por falar em paixões, crise da modernidade, pós-modernidade, pós-verdade, Nova Ordem Mundial, quer gostemos ou não, são fatos. Precisamos aprender, apreender, saber e questionar, desafiar, independentemente de ias e ismos, crenças, classes, povos, nações, etnias e lugares de fala. Aqui conseguimos arranhar a superfície da questão. Demos um breve passeio pelo panorama, mas o suficiente para observar muitos fatos e, a partir dessa observação, formular novas questões, necessárias: afinal de contas, somos todos atores desse fantástico drama, que continua sendo encenado, ininterruptamente, infinito, ao contrário do que imaginaram os fukuyamas do mundo — que bom para nós, por mais complicado que seja. Podcast Ouça como podemos viver em um mundo globalizado, considerando tanto os seus desafios como os seus benefícios. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore+ Para saber mais sobre os assuntos tratados neste tema, leia: Ação comunicativa, José Marcelino de Rezende Pinto, A teoria da ação comunicativa de Jürgen Habermas: conceitos básicos e possibilidades de aplicação à administração escolar, José Marcelino de Rezende Pinto. Paideia, Ribeirão Preto, n. 8-9, p. 77-96, ago. 1995. Scielo. Consultado em meio eletrônico em: 8 maio 2020. Café com sangue de boi é fake news, nota de esclarecimento publicada no portal da ABIC. Jornal do Café. Consultado em meio eletrônico em: 8 maio 2020. Ciberespaço e terrorismo, Marco A. C. Cepik. A securitização do ciberespaço e o terrorismo: uma abordagem crítica. In: Mello e Souza, André de Nasser; Reginaldo Mattar, Moraes; Rodrigo Fracalossi de (orgs). Do 11 de setembro de 2001 à guerra ao terror: reflexões sobre o terrorismo no século XXI. Brasília: Ipea, 2014. Edward Snowden, Pedro Henrique Oliveira Frazão, Um Big Brother Global? Os programas de vigilância da NSA à luz da securitização dos espaços sociotecnológicos. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais da Universidade Estadual da Paraíba (PPGRI- UEPB). Entrevista com Achille Mbembe: A era do humanismo está terminando, publicada na Revista IHU On- line, Instituto Humanitas Unisinos. Publicado em: 24 jan. 2017. Entrevista com Matthew Connelly, Revista Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 33, n. 69, jan./abr. 2020. Entrevista com Néstor Canclini, por Alberto Dines, Observatório da imprensa. Publicada em: 20 nov. 2015. • • • • • • • Era digital: como as mídias sociais têm transformado o mundo contemporâneo, de Henry Jenkins, Cultura da convergência, São Paulo: Aleph, 2009. Miríades por toda eternidade: a atualidade de E. P. Thompson, de Alexandre Fortes, publicado na Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 18, n. 1, 2006, p. 197-215. Exclusão digital, Marcelo Côrtes, Mapa da exclusão digital. Rio de Janeiro: FGV/IBRE, CPS, 2003. Fake news nas eleições peruanas, J. Fowks. Mecanismos de la posverdad. Peru: Fondo de Cultura Economica, 2017 Fim da História, Francis Fukuyama, O fim da história e o último homem. Rio de Janeiro: Rocco, 1992. Globalismo e influência na política externa brasileira, Quem tem medo do globalismo, David Magalhães, publicado na Carta Maior, em: 19 nov. 2018. Jürgen Habermas, Dilva Frazão. EBiografias. Publicado em: 26 abr. 2016. Mapa da exclusão digital, de Marcelo Côrtes. Mapa da exclusão digital. Rio de Janeiro: FGV/IBRE, CPS, 2003 Necropolítica, de Achille Mbembe. Artes e Ensaios, Rio de Janeiro, n. 32, p. 123 151, dez. 2016 Vacinas não causam autismo: o mais amplo estudo do tema sai na Dinamarca, de Carolina García. El País, 6. mar. 2019. Publicado em: 6 mar. 2020. Assista aos filmes e vídeos: Adeus, Lênin!, direção Wolfgang Becker, 2004. Fonte: Filmow. Alberto Manguel — Multiculturalismo: benção ou maldição?, Canal Fronteiras do Pensamento, YouTube. Publicado em: 27 fev. 201 Amor sem escalas, direção Jason Reitman, 2009. Fonte: Filmow. Diálogos com Zygmunt Bauman, Instituto CPFL. Publicado em: 16 ago. 2011 Encontro com Milton Santos: o mundo global visto do lado de cá, YouTube. Publicado em: 21 mar. 2015. Globalismo vs. Globalização, episódio com David Magalhães, Canal Em Dupla, com Consulta, YouTube. Publicado em 11 fev. 2019. Marshall McLuhan, Maria Isabel Moura Nascimento, Revista Educação, Unicamp, n. 46, out. 2001. Metodologias ativas para educar, Canal Futura, YouTube. Publicado em 11 jan. 2018. Vidas entregues (curta), direção Renata Prata Biar, 2019. Fonte: ABET. Referências AMIN, S. Refundar a solidariedade dos povos do sul. In: SANTOS, T. dos (coord.). Os impasses da globalização-hegemonia e contra-hegemonia. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2003. v. 1. ANTUNES, R. Adeus ao trabalho? 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Rio de Janeiro: PUC- Rio, 2003. v. 1. THOMPSON, E. P. Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial. In: Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial. Costumes em comum. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. UNÍVOCO. In: DICIO — Dicionário Online de Português. Consultado em meio eletrônico em: 11 maio 2020. VAÏSSE, M. As relações internacionais a partir de 1945. São Paulo: Martins Fontes, 2013. ZUBER, V. A laicidade republicana em França ou os paradoxos de um processo histórico de laicização (séculos XVIII-XXI). Ler História, n. 59, p. 161-180, 2010. Teorias da globalização 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Globalização e a construção da Nova Ordem Mundial O que é a globalização? Vamos começar pela prática? Afinal, todos já ouviram falar em globalização. Remodelagem do sistema de produção na era digital Internet e ciberespaço Curiosidade Saiba mais Quando a globalização começou? Conteúdo interativo Quais as premissas da globalização no contexto da crise da modernidade? Não existia mais um inimigo externo a combater e, do ponto de vista dos vencedores, as bases para a construção de um novo mundo estavam lançadas, tendo por pressuposto a ideia da liberdade. Mercosul Nafta União Europeia Aldeia global: agir localmente, pensar globalmente Local Global Saiba mais Hibridização Podcast Conteúdo interativo Curiosidade Verificando o aprendizado 2. Globalização na pós-modernidade As fronteiras do mundo digital Impacto das redes de comunicação Aceleração digital Desigualdade digital Exclusão digital Espaços físicos e espaços virtuais: a liquidez Conteúdo interativo O sistema e o mundo da vida: ação comunicativa O globalismo e a pós-verdade Podcast Conteúdo interativo Reflexão Boato viral Desinformação e desconfiança Reação ao boato Verificando o aprendizado 3. Globalização no tempo presente Mundos do trabalho e a economia no contexto digital A educação e o foco no aluno Conteúdo interativo Da precarização à necropolítica: as mobilizações e a luta pela visibilidade Reflexão As guerras híbridas e os novos desafios para a segurança nacional no ciberespaço Podcast Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore+ Para saber mais sobre os assuntos tratados neste tema, leia: ReferênciasSão Paulo: Expressão Popular, 2018. MARCUSE, H. O homem unidimensional. 1. ed. São Paulo: Edipro, 2015. MBEMBE, A. Necropolítica. Artes e Ensaios, Rio de Janeiro, n. 32, p. 123‑ 151, dez. 2016. MCLUHAN, M. Os meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo: Cultrix, 1969. MELLO E SOUZA, A. de; NASSER, R. M.; MORAES, R. F. de (orgs.). Do 11 de setembro de 2001 à guerra ao terror: reflexões sobre o terrorismo no século XXI. Brasília: Ipea, 2014. MORÁN, J. Mudando a educação com metodologias ativas. In: SOUZA, C. A. de; MORALES, O. E. T. (orgs.). Convergências midiáticas, educação e cidadania: aproximações jovens. Ponta Grossa: Foca Foto-PROEX/ UEPG, 2015. v. 2. (Coleção Mídias Contemporâneas). SANTOS, B. de S.; MENESES, M. P. (orgs.). Epistemologias do sul. São Paulo: Cortez, 2010. SANTOS, T. dos (coord.). Os impasses da globalização-hegemonia e contra-hegemonia. Rio de Janeiro: PUC- Rio, 2003. v. 1. THOMPSON, E. P. Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial. In: Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial. Costumes em comum. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. UNÍVOCO. In: DICIO — Dicionário Online de Português. Consultado em meio eletrônico em: 11 maio 2020. VAÏSSE, M. As relações internacionais a partir de 1945. São Paulo: Martins Fontes, 2013. ZUBER, V. A laicidade republicana em França ou os paradoxos de um processo histórico de laicização (séculos XVIII-XXI). Ler História, n. 59, p. 161-180, 2010. Teorias da globalização 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Globalização e a construção da Nova Ordem Mundial O que é a globalização? Vamos começar pela prática? Afinal, todos já ouviram falar em globalização. Remodelagem do sistema de produção na era digital Internet e ciberespaço Curiosidade Saiba mais Quando a globalização começou? Conteúdo interativo Quais as premissas da globalização no contexto da crise da modernidade? Não existia mais um inimigo externo a combater e, do ponto de vista dos vencedores, as bases para a construção de um novo mundo estavam lançadas, tendo por pressuposto a ideia da liberdade. Mercosul Nafta União Europeia Aldeia global: agir localmente, pensar globalmente Local Global Saiba mais Hibridização Podcast Conteúdo interativo Curiosidade Verificando o aprendizado 2. Globalização na pós-modernidade As fronteiras do mundo digital Impacto das redes de comunicação Aceleração digital Desigualdade digital Exclusão digital Espaços físicos e espaços virtuais: a liquidez Conteúdo interativo O sistema e o mundo da vida: ação comunicativa O globalismo e a pós-verdade Podcast Conteúdo interativo Reflexão Boato viral Desinformação e desconfiança Reação ao boato Verificando o aprendizado 3. Globalização no tempo presente Mundos do trabalho e a economia no contexto digital A educação e o foco no aluno Conteúdo interativo Da precarização à necropolítica: as mobilizações e a luta pela visibilidade Reflexão As guerras híbridas e os novos desafios para a segurança nacional no ciberespaço Podcast Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore+ Para saber mais sobre os assuntos tratados neste tema, leia: Referências