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CONCURSO: ITAQUAQUECETUBA - Professor
Titular de Educação Especial (PTEE)CONCURSO:
ITAQUAQUECETUBA - Professor Titular de
Educação Especial (PTEE)
"Inclusão na prática: estratégias
para uma educação inclusiva"
RAMOS, Rossana. Inclusão na prática: estratégias eficazes para a Educação Inclusiva. 2ª
ed. São Paulo: Summus, 2010
O livro é dividido em oito
capítulos e encerra-se com um
conto da autora que fala de um
dia muito especial de uma
pessoa com deficiência. É
importante salientar que a
escrita de Rossana é lógica e
chama a atenção do leitor com
os exemplos que faz questão
de elucidar dentro de cada
tema que aborda. Logo, a
leitura torna-se prazerosa e
muito rica, pois os
testemunhos são
motivacionais e dinâmicos.
No Capítulo 1, Considerações Iniciais,
Ramos explica ao leitor que o livro
discute as questões teóricas e legais da
Educação Especial Inclusiva,
correlacionando tais temas à vasta
experiência adquirida na Escola Viva,
fundada por ela na cidade de Cotia/SP.
Nesse capítulo, a autora assevera que a
escola brasileira recebe alunas/alunos
com deficiência por causa da legislação;
contudo, as práticas pedagógicas ainda
precisam caminhar muito para que a
inclusão se efetive no meio escolar, uma
vez que ainda há muitos profissionais
reticentes quanto à acolhida e à
permanência dessas/desses
alunas/alunos nas escolas regulares.
No Capítulo 2, Ramos conta
um pouco de sua trajetória e
como a inclusão se tornou a
tônica do seu trabalho
educativo. É importante citar
que a Escola Viva é uma
instituição que acolhe todo e
qualquer tipo de aluno; não é
considerada uma instituição
de ensino especializado, mas
uma escola que se preocupa
e efetiva a inclusão
educacional.
Fica evidente que a autora é uma grande
defensora da ideia de que as escolas e
instituições destinadas unicamente ao
acolhimento e socialização de pessoas com
deficiência se tornou algo ultrapassado e
que vai de encontro à inclusão educacional.
Dentro desse capítulo, Ramos menciona
uma fala que ouviu em uma palestra sobre a
questão de extinguir essas instituições que
atendem somente pessoas com deficiência e
que tocou fundo em sua prática pedagógica,
motivando-a a buscar mais conhecimentos
para romper tais paradigmas antiquados.
O processo inclusivo aconteceu quando a
mãe de uma menina com síndrome de
Down a procurou desejando que a filha de
sete anos pudesse estudar em sua
escola. Rossana Ramos percebeu que
aquele era o momento oportuno para que
a inclusão pudesse ser concretizada. Dali
para a frente, a Escola Viva tornou-se um
importante nome dentro de inclusão
educacional de pessoas com deficiência,
mas não se dedica somente à
escolarização dessas/desses
alunas/alunos.
No Capítulo 3, Fundamentos históricos
e filosóficos, é discutida a cronologia do
atendimento oferecido às pessoas com
deficiência. Para isso, Ramos (2016, p.
25) pontua que, "vivendo em uma
sociedade de resultados, podemos dizer
que a deficiência é exatamente o que
não se quer, porque não combina com as
leis biológicas, sociais, políticas,
econômicas e religiosas". Isto é, as
diferenças, de qualquer natureza,
sempre estiveram associadas a algo
vergonhoso e que precisava ser
escondido.
Todavia, a humanidade
foi evoluindo e
percebendo que tais
questões não poderiam
mais ser escondidas, mas
reveladas e destacadas,
uma vez que é a partir
das diferenças que
valores como respeito e
empatia podem ser
compreendidos.
Nesse terceiro capítulo, Ramos ainda
estabelece uma comparação com os
contos de fadas, exemplificando que a
questão de diferença e deficiência foi,
por muito tempo, algo escondido e
temido. Ela utiliza o clássico conto dos
Irmãos Grimm, Branca de Neve e os Sete
Anões, para ilustrar como a deficiência
foi algo posto fora do cerco social. Como
no conto de fadas citado, os anões
moravam na floresta, fora dos muros do
reino, porque eram vistos como seres
diferentes e não poderiam estar no
mesmo cenário social que as pessoas
vistas como normais.
Esse terceiro capítulo é muito
importante para situar o leitor
dentro da temática, propiciando
reflexões relevantes que
ajudam a entender que o
processo de inclusão de
alunas/alunos deficientes
precisa ser estimulado, a fim de
criar poderosas mudanças
sociais a longo prazo.
A Lei de Diretrizes e Bases de
1996 apontou para o
processo de inclusão dos
deficientes em escolas
regulares e, já naquela
época, contribuições teóricas
passaram a circular nos
meios educacionais, entre as
quais destaco as da
professora doutora Maria
Tereza Égler Mantoan, da
Universidade de Campinas
(Ramos, 2016, p. 27).
Com essa fala, Ramos se mostra alinhada
ao pensamento inclusivo existente no
Brasil, pois referencia um dos principais
mecanismos legais da Educação, a Lei de
Diretrizes Bases da Educação Nacional
(LDBEN, Lei nº 9.394/96), e um dos
nomes mais respeitados no campo da
inclusão educacional, o da professora
Maria Tereza. Cabe destacar que, a partir
da LDBEN, o acolhimento de
alunas/alunos deficientes passa a ser
encarado de outra forma na escola
regular, uma vez que essa lei dedica um
capítulo a dissertar sobre esse processo
educacional. Assim, pode-se afirmar que
um importante passo foi dado lá em
1996.
No quarto capítulo, a
autora se preocupa em
trazer testemunhos que
comprovem ações
concretas e significativas
da inclusão escolar
ocorridas na Escola Viva,
além de apresentar pontos
relevantes para tal prática
e que possam ajudar o
leitor a entender melhor o
assunto.
Nesse capítulo, Ramos (2016) explana
alguns tópicos como: a conscientização
da comunidade acerca da inclusão, a
filosofia construtivista, formas de preparo
da equipe escolar, a importância da
aprendizagem de vida e o plano didático
baseado na realidade do aluno, dentre
outros temas que dialogam com as
alternativas eficazes para o processo de
inclusão escolar. Cabe destacar que a
formação da autora e sua trajetória
profissional e pessoal foram muito
importantes para traçar soluções que
visassem o melhor atendimento para
as/os alunas/alunos.
Logo no início do Capítulo 4,
Ramos afirma que
equivocadamente há um
pensamento de que "as PNEs
atrapalham a aprendizagem das
outras crianças" (2016, p. 34),
concretizando-se como um
discurso preconceituoso e que
necessita ser combatido com mais
conhecimento e modelos
verdadeiramente inclusivos, no
qual a individualidade de todo e
qualquer aluna/aluno possa ser
compreendida.
Continuando a leitura desse
capítulo, fica evidente que a
autora tem imensa
preocupação em apresentar
temas inclusivos que sejam
relevantes e que podem
fazer parte de inúmeros
modelos pedagógicos
Brasil afora, englobando
família, escola e sociedade.
A conscientização da inclusão é
também um trabalho que deve ser
feito com os pais dos deficientes. O
medo, a vergonha, a superproteção
são os principais sentimentos que
fazem as famílias das crianças com
deficiência terem atitudes anti-
inclusivas. Nesses casos, a escola
precisa fortalecer os laços de
confiança, garantindo que o
deficiente não será discriminado ou
passará por qualquer tipo de
violência dentro da instituição
(Ramos, 2016, p. 42).
Para que esses pontos
possam acontecer, a equipe
escolar precisa estar bem
alinhada de modo que a
família sinta confiança e dê
credibilidade ao processo
educativo que será
ofertado. Caso contrário, a
inclusão continuará sendo
um sonho distante e
utópico.
Outro ponto que merece atenção e que
foi bem destacado pela autora no
quarto capítulo é a questão do
planejamento e da adaptação curricular
que considerem as especificidades do
aluno. Assim como em qualquer caso, a
individualidade precisa ser considerada
ao planejar uma ideia para ser
implementada com as/os alunas/alunos
deficientes. Segundo Ramos (2016, p.
48), "emerge a necessidade premente
de pensar a educação como algo que
atenda de fato à realidade. Ou seja, que
observe o que se passa na sala de aula,
bem como na escola".
Encerrando esse capítulo, a autora retoma
a ideia da inclusão escolar, postulando que
a "interação socialé o recurso fundamental
para o desenvolvimento das PNE" (Ramos,
2016, p. 56), combatendo, sobretudo, a
ideia de mera integração ou segregação em
escolas e classes unicamente especiais.
Fica claro que a pessoa com deficiência
necessita de interação e convívio com seus
pares, pois desse modo poderá crescer e se
desenvolver humanamente.
O quinto capítulo, "Mitos, enganos e
equívocos na inclusão", discorre sobre
alguns processos de inclusão escolar
que podem tender ao fracasso, pois os
objetivos não se tornam coerentes e
mensuráveis para determinado tipo de
aluna/aluno. O primeiro ponto de vista
que a autora aborda e problematiza é a
afirmativa que diz que "as PNE têm de
frequentar escolas especiais" (Ramos,
2016, p. 62).
Desde os capítulos iniciais, a autora
deixa claro o seu posicionamento
quanto a esse processo, que pode ser
visto como uma exclusão assistida,
isto é, na qual a pessoa com
deficiência é privada do contato com
pessoas da mesma idade e que são
diferentes. Ramos (2016, p. 63) afirma
que "a queda de braço entre a escola
especial e os inclusivistas só
terminará quando o próprio Estado
intervier legalmente nesse tipo de
segregação".
Além desse ponto de vista, Ramos (2016)
trata da questão da sexualidade da
pessoa com deficiência, o que merece
um olhar especial, a fim de desmistificar
o senso comum, de que a sexualidade do
deficiente é mais aflorada do que em
outras pessoas. Tal fala, além de ser
preconceituosa, pode colocar em risco o
processo de inclusão escolar. Assim, é
importante que a criança deficiente
tenha convívio com outras pessoas para
que possa se preservar, se cuidar e
aprender a controlar seus impulsos
sexuais.
O sexto capítulo é o mais rico, pois traz
muitos relatos experimentados pela
autora na Escola Viva. São exemplos e
testemunhos que preservam a
identidade dos sujeitos e que podem
orientar educadores na implementação
de práticas inclusivas em suas escolas.
Fica claro, nos exemplos apresentados,
que, para o sucesso da inclusão
educacional, é necessário o olhar
sensível por parte da escola e o apoio
incondicional da família. Toda mudança
gera profundas marcas na escola, na
família e, consequentemente, na
sociedade.
O sétimo capítulo da obra aponta caminhos
para a avaliação da/do aluna/aluno
deficiente. É sabido que todo processo
educativo precisa ser avaliado, a fim de
apontar novos rumos, confirmar passos
certeiros ou servir de ferramenta para
implementar modificações na estrutura
escolar. Num modelo inclusivo, a
ferramenta avaliativa vai muito além de
simplesmente fornecer subsídios para
aprovação ou reprovação das/dos
alunas/alunos; ela aponta pontos frágeis e
pontos já solidificados na adaptação
curricular que essas/esses alunas/alunas
têm garantidos por lei.
De acordo com Ramos
(2016, p. 104), "o
momento de avaliar não
pode ter dia e hora para
acontecer. Ao contrário,
precisa ser contínuo para
professores e alunos. [...]
Deve valer-se de critérios
múltiplos, bem como
considerar a
subjetividade".
Dessa forma, Ramos traz um processo
avaliativo dividido em duas etapas e
que, ao final, gera um relatório e uma
nota. Cabe destacar que a nota dada ao
aluno não deve ser considerada o único
critério para julgar sua aptidão, mas a
nota simboliza muitas coisas, como a
assiduidade da/do aluna/aluno, a
responsabilidade no cumprimento das
tarefas propostas, os avanços nas
áreas intelectual e psicomotora, as
relações sociais e o cuidado com os
materiais próprios e da escola.
Todos esses pontos
precisam estar bem claros
na mente do educador
responsável pela avaliação,
pois, como ratifica a autora,
"a escola não é uma corrida
para ver quem chega
primeiro, mas uma
oportunidade que todos
devem ter de desenvolver-
se" (Ramos, 2016, p. 111).
Nas Considerações Finais de
sua obra, a autora reassume o
compromisso de dizer que a
inclusão transpassa a questão
de ser um processo de mera
assistência. A inclusão torna-se
um processo efetivo de
desenvolver ações humanas e
sociais em prol de mudanças
significativas no trato social,
visando o bem comum e a
democracia real.
Ao fim de sua obra, Ramos traz
um conto intitulado "Naquele
dia", que conta a rotina e os
passos de uma menina no dia do
seu transplante de córnea,
permitindo que ela enxergasse a
vida com cor e alegria. O conto vai
se desenrolando com um tom
enigmático que nutre a
curiosidade do leitor até o fim, de
modo que se surpreenda com o
desfecho.
OBRIGADO...
Prof. Marcos

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