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Disponível em . Acesso em 12 fev. 2026. Texto 2 No campo da educação com jovens e adultos, tomar Paulo Freire como um educador inclusivo significa, dentre outros aspectos, construir conhecimentos que considerem a diversidade de visões de mundo dos sujeitos envolvidos e que possibilitem o processo de humanização. Não se trata, conforme Freire (2013), de dar consciência aos oprimidos, pelo contrário, eles mesmos a tomam ao examinar e criticar os atos do seu cotidiano, por meio de “um conhecimento tanto quanto possível cada vez mais crítico do momento histórico em que se dá a ação, da visão do mundo que tenham ou estejam tendo as massas populares” (FREIRE, 2013, p.182). Para Paulo Freire, o conhecimento crítico e reflexivo permite a criação. Nessa perspectiva, o conhecimento do passado e o conhecimento do presente dos oprimidos determinam as alternativas de seu futuro e podem proporcionar a condução da sua vida no sentido de seus interesses, e não daqueles da sociedade opressora. Como crítico às práticas opressoras que dificultam a construção do conhecimento crítico e reflexivo, Freire utiliza o termo “concepção bancária da educação”. A narração, de que o educador é o sujeito, conduz os educandos à memorização mecânica do conteúdo narrado. Mais ainda, a narração os transforma em “vasilhas”, em recipientes a serem “enchidos” pelo educador. Quanto mais for “enchendo” os recipientes com seus “depósitos”, tanto melhor educador será. Quanto mais se deixem docilmente “encher”, tanto melhores educandos serão. Desta maneira, a educação se torna um ato de depositar, em que os educandos são os depositários e o educador o depositante. Em lugar de comunicar-se, o educador faz “comunicados” e depósitos que os educandos, meras incidências, recebem pacientemente, memorizam e repetem. Eis aí a concepção “bancária” da educação, em que a única margem de ação que se oferece aos educandos é a de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-los. Margem para serem colecionadores ou fichadores das coisas que arquivam. MORAIS, J. M. O.; OLIVEIRA, F. T. C.; NÓBREGA-THERRIEN, S. M.; SOUZA, S. G. Contribuições de Paulo Freire para a Educação de Jovens e Adultos: uma revisão narrativa. Educ. Rev. 39, 2023. Disponível em . Acesso em 14 fev. 2026. Um professor realizou um projeto em uma turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA) sobre histórias familiares dos seus antepassados. Ao longo do projeto, os estudantes deveriam produzir um cordel. Durante o processo de investigação para a sua elaboração, os estudantes buscaram informações a respeito das histórias dos seus pais e dos seus avós, o que permitiu a ampliação da compreensão do universo sociocultural e da trajetória histórico-temporal. Nessa situação, e tendo em vista o que foi apresentado nos textos 1 e 2, essa atividade de produção de um cordel a. ilustra a intenção de infantilização do adulto na EJA, situação análoga à retratada na charge (texto 1). b. reflete uma atividade “bancária” na qual os alunos recebem passivamente o que o professor expõe, “deposita”. c. articula vivências de mundo e possibilita que os estudantes aprendam que as significações são construídas a partir das suas experiências. d. garante a inclusão de uma atividade prática que, indiretamente, treina os alunos para as atividades relativas ao mundo do trabalho.
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Antonio Garcia da Cunha

ontem

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ontem

Vamos analisar as alternativas com base no texto e na perspectiva de Paulo Freire sobre a educação de jovens e adultos (EJA): a) ilustra a intenção de infantilização do adulto na EJA, situação análoga à retratada na charge (texto 1). — Incorreto. O projeto valoriza a história e a experiência dos estudantes, o que é contrário à infantilização, que desconsidera a autonomia e a experiência do adulto. b) reflete uma atividade “bancária” na qual os alunos recebem passivamente o que o professor expõe, “deposita”. — Incorreto. A atividade descrita envolve investigação, produção e reflexão, o que foge da concepção bancária, que é passiva. c) articula vivências de mundo e possibilita que os estudantes aprendam que as significações são construídas a partir das suas experiências. — Correto. O projeto permite que os estudantes conectem suas histórias pessoais e culturais, construindo conhecimento crítico e reflexivo, conforme a proposta de Paulo Freire. d) garante a inclusão de uma atividade prática que, indiretamente, treina os alunos para as atividades relativas ao mundo do trabalho. — Incorreto. Embora seja uma atividade prática, o foco principal é a construção do conhecimento crítico e da identidade cultural, não o treinamento para o trabalho. Portanto, a alternativa correta é: c. articula vivências de mundo e possibilita que os estudantes aprendam que as significações são construídas a partir das suas experiências.

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