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N O ÇÕ ES D E D IR EI TO C O N ST IT U CI O N A L 1 1.000 QUESTÕES PARA O ?caderno de QQUUEESSTTÕÕEESS?caderno de QQUUEESSTTÕÕEESS PU TÉCNICO - ADMINISTRAÇÃO NV-LV195-25-1000-QUESTOES-MPU-TEC-ADM Cód.: 7908428811181 2 SUMÁRIO NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL ..........................................................1 Æ DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA CONSTITUIÇÃO (ARTS. 1º A 4º DA CF/1988) ........................................1 Æ DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS (ART. 5º DA CF/1988) ....................................................1 Æ DIREITOS SOCIAIS E DOS TRABALHADORES (ARTS. 6º E 7º DA CF/1988) ...........................................................2 Æ DIREITOS COLETIVOS DOS TRABALHADORES (ARTS. 8º A 11 DA CF/1988) .......................................................2 Æ ESPÉCIES DE NACIONALIDADE (BRASILEIROS NATOS E NATURALIZADOS) .....................................................3 Æ DISTINÇÕES CONSTITUCIONAIS ENTRE BRASILEIROS NATOS E NATURALIZADOS ........................................3 Æ PERDA DA NACIONALIDADE ......................................................................................................................................3 Æ EXTRADIÇÃO, DEPORTAÇÃO, EXPULSÃO E BANIMENTO (DA NACIONALIDADE) ...........................................3 Æ SOBERANIA POPULAR (VOTO, PLEBISCITO, REFERENDO, INICIATIVA POPULAR), ALISTAMENTO E ELEGIBILIDADE ..............................................................................................................................................................4 Æ INELEGIBILIDADES (DIREITOS POLÍTICOS) ...............................................................................................................4 Æ PERDA E SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS ...................................................................................................4 Æ DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA (ARTS. 18 E 19 DA CF/1988) ..................................................5 Æ UNIÃO: BENS E COMPETÊNCIAS EXCLUSIVAS, PRIVATIVAS, COMUNS E CONCORRENTES (ARTS. 20 A 24 DA CF/1988).........................................................................................................................................................10 Æ ESTADOS FEDERADOS - ORGANIZAÇÃO, COMPETÊNCIAS, BENS (ARTS. 25 A 28 DA CF/1988) ...................10 Æ MUNICÍPIOS - ORGANIZAÇÃO E COMPETÊNCIAS (ARTS. 29 A 31 DA CF/1988) ..............................................11 Æ DISPOSIÇÕES GERAIS (ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA - ARTS. 37 E 38 DA CF/1988) ...........................................12 Æ DOS SERVIDORES PÚBLICOS (ARTS. 39 A 41 DA CF/1988) ..................................................................................12 Æ DO CONGRESSO NACIONAL (ARTS. 44 A 47 DA CF/1988) ..................................................................................13 Æ DAS ATRIBUIÇÕES DO CONGRESSO NACIONAL (ARTS. 48 A 50 DA CF/1988) ................................................13 Æ DA CÂMARA DOS DEPUTADOS (ART. 51 DA CF/1988) .........................................................................................14 Æ DO SENADO FEDERAL (ART. 52 DA CF/1988) .........................................................................................................14 Æ DO PRESIDENTE E VICE PRESIDENTE DA REPÚBLICA (ARTS. 76 A 83 DA CF/1988) ........................................14 Æ DAS ATRIBUIÇÕES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA (ART. 84 DA CF/1988) .....................................................15 Æ ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO (ART. 92 DA CF/1988) ......................................................................................16 Æ DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF (ARTS. 101 A 103 DA CF/1988) .........................................................16 Æ DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA - CNJ (ART. 103-B DA CF/1988) ...........................................................16 Æ DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ (ARTS. 104 E 105 DA CF/1988) ......................................................16 Æ DISPOSIÇÕES GERAIS (SEGURIDADE SOCIAL, ARTS. 194 E 195 DA CF/1988) ..................................................17 Æ DA PREVIDÊNCIA SOCIAL (ARTS. 201 E 202 DA CF/1988) ....................................................................................17 Æ GABARITO ....................................................................................................................................................................17 N O ÇÕ ES D E D IR EI TO C O N ST IT U CI O N A L 1 NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Æ DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA CONSTITUIÇÃO (ARTS. 1º A 4º DA CF/1988) 1. (FGV — 2024) O texto constitucional previu a existência de alguns objetivos fundamentais para nortear as ações da Repú- blica Federativa do Brasil, a exemplo de a) solucionar de forma pacífica os conflitos. b) garantir o desenvolvimento nacional. c) fomentar o pluralismo político. d) erradicar as desigualdades sociais e regionais e reduzir a pobreza e a marginalização. 2. (FGV — 2014) Analise as afirmativas a seguir. I. A soberania, a cidadania e a proteção à propriedade privada constituem fundamentos da República Federativa do Brasil. II. A República Federativa do Brasil rege-se, em suas relações internacionais, pela autodeterminação dos povos e pela não intervenção. III. A Constituição da República Federativa do Brasil erige a livre iniciativa como um princípio fundamental. Assinale: a) se somente a afirmativa I estiver correta. b) se somente a afirmativa II estiver correta. c) se somente a afirmativa III estiver correta. d) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. e) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. Æ DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS (ART. 5º DA CF/1988) 3. (FGV — 2021) A associação de moradores do Bairro Alfa pas- sou a defender posturas consideradas juridicamente ilícitas pelo Poder Executivo do Município Beta, sendo que essa conclu- são se mostrava correta considerando a legislação municipal. À luz dessa constatação e após regular processo administrativo, o prefeito municipal decidiu pela dissolução compulsória da referida associação. Essa decisão se mostra: a) ilícita, pois a dissolução compulsória de associações somente pode ser determinada por decisão judicial, sendo exigido o trânsito em julgado; b) lícita, pois, uma vez observado o devido processo legal, o Poder Executivo pode decidir pela dissolução compulsória da associação; c) lícita, desde que tenha sido observado o devido processo legal e realizado o prévio chamamento público da coletividade; d) ilícita, pois a ordem constitucional veda, em termos peremptórios, a dissolução compulsória de associações; e) ilícita, desde que a sanção de dissolução compulsória tenha sido cominada pela legislação municipal. 4. (FGV — 2019) Com vistas a permitir que as pessoas se defen- dam do crescimento vertiginoso da violência na Cidade Alfa, algumas dezenas de pessoas decidem criar, com esse objetivo social, a Associação Beta. Foram estabelecidos como requisi- tos, para o ingresso na associação, que a pessoa tivesse direito ao porte de arma, que seria usada diariamente nas atividades internas e externas dos associados, e aceitasse vestir o unifor- me da associação. Considerando a sistemática constitucional, a Associação Beta: a) não poderia funcionar, em razão do seu nítido caráter paramilitar; b) só poderia funcionar mediante prévia autorização do Poder Público; c) poderia funcionar independentemente de prévia autoriza- ção, pois é assegurada a liberdade de associação; d) não poderia funcionar, pois a ordem constitucional atual- mente não reconhece o direito de associação; e) só poderia funcionar caso fosse previamente editada lei disciplinando o funcionamento de associações como essa. 5. (FGV — 2017) Osmar estava em sua residência e foi informado de que deveria permitirque relacionadas ao exercí- cio do mandato; c) não pode ser responsabilizada, em nenhuma hipótese, por suas palavras e opiniões, relacionadas, ou não, ao exercício do mandato; d) pode ser responsabilizada por suas palavras e opiniões, sempre que identificada a sua dissonância da juridicidade; e) pode ser responsabilizada por suas palavras e opiniões, nas circunstâncias indicadas na narrativa. 67. (FGV — 2014) Determinada Constituição Estadual, com o objetivo de zelar pelo princípio constitucional da eficiência, determinou que toda a Administração Pública municipal, direta e indireta, criasse um órgão de controle interno que monitoras- se os gastos realizados pelos órgãos administrativos, devendo, obrigatoriamente, realizar pesquisa de preços e aferir o tempo de execução dos contratos. É possível afirmar que a norma da Constituição Estadual que assim dispôs está em: a) harmonia com a Constituição da República, pois os Estados têm competência para editar as suas próprias Constituições; b) desacordo com a Constituição da República, pois disciplina matéria afeta à autonomia municipal; c) harmonia com a Constituição da República, pois os Estados devem observar os princípios nela estabelecidos, dentre os quais está o da eficiência; d) desacordo com a Constituição da República, pois a norma afronta a autonomia da União para disciplinar a matéria de modo uniforme; e) harmonia com a Constituição da República, pois a função da Constituição Estadual é uniformizar a disciplina normativa no âmbito do respectivo Estado. 12 Æ DISPOSIÇÕES GERAIS (ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA - ARTS. 37 E 38 DA CF/1988) 68. (FGV — 2024) A análise da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal indica o reconhecimento de um princípio implícito na Constituição da República, consectário do Estado Democrático de Direito, que corresponde à dimensão subjetiva da segurança jurídica, de grande relevância no âmbito da ativi- dade de controle administrativo, sendo correto afirmar que se trata do princípio da: a) eficiência; b) efetividade; c) proteção da confiança; d) supremacia do interesse público; e) indisponibilidade do interesse público. 69. (FGV — 2023) Marcos, servidor público ocupante de cargo efetivo de nível superior, cujo exercício exige conhecimentos técnicos específicos e habilitação legal, de uma agência regu- ladora estadual, exerce, cumulativamente, cargo público remu- nerado de professor em uma universidade pública federal. Sobre o caso apresentado, de acordo com a Constituição Fede- ral de 1988, assinale a afirmativa correta. a) É vedada a Marcos tal acumulação remunerada de car- gos públicos, mesmo quando houver compatibilidade de horários. b) É permitida a Marcos a acumulação remunerada desses cargos públicos, desde que haja compatibilidade de horá- rios, devendo, em qualquer caso, optar pela remuneração integral de um dos cargos e por 70% do valor da remunera- ção do outro cargo. c) A Constituição Federal de 1988 somente permite a acumu- lação de dois cargos ou empregos privativos de profissio- nais de saúde, com profissões regulamentadas, o que não é o caso de Marcos. d) A vedação à acumulação remunerada de cargos públicos aplica-se apenas às entidades da administração pública direta, não abrangendo servidores de autarquias como Marcos. e) É permitida a Marcos tal acumulação remunerada, por se tratar de acumulação de um cargo de professor com outro técnico ou científico, desde que haja compatibilidade de horários. 70. (FGV — 2023) Considere que o prefeito João dos Brócolis, de Piraporinha do Norte, município hipotético brasileiro, seja um grande incentivador do esporte como ferramenta de desen- volvimento social. Tendo isso em vista, como obra de final de mandato, ele decide construir um ginásio poliesportivo com tecnologia de ponta, visando a transformar o município em uma referência esportiva no país. Além disso, buscando esta- belecer seu nome na história do município, o prefeito decide nomear o ginásio de Complexo Brócolis, em homenagem a seu nome de família. Acerca da situação apresentada, e considerando, ainda, os prin- cípios explícitos e implícitos que regem a atividade da admi- nistração pública dispostos na Constituição Federal, é correto afirmar que houve uma clara e direta afronta ao Princípio da a) Segurança Jurídica. b) Sindicabilidade. c) Impessoalidade. d) Eficiência. 71. (FGV — 2016) Dentre os princípios expressos na Constitui- ção Federal/88, temos o Princípio da Moralidade, que determi- na as regras a serem seguidas na prática da boa administração. Caso a prática administrativa incorra na violação da ordem institucional, do bem comum e dos princípios de justiça e equi- dade, cabe à própria administração invalidá-la, por ofender a moralidade administrativa. A finalidade do Princípio da Mora- lidade é evitar o desvio de poder. Assinale a opção que apresenta as duas formas de desvio de poder combatidas pelo Princípio da Moralidade. a) Desrespeito aos princípios legais e desvio de finalidade. b) Excesso de poder e desvio de finalidade. c) Conduta corrupta e conduta ineficiente. d) Conduta ineficiente e abuso de autoridade. e) Desvio de finalidade e conduta corrupta. 72. (FGV — 2014) Pedro, após anos de estudo e reflexão, decidiu ingressar na carreira pública, mais especificamente em um cargo cujo regime jurídico lhe oferecia diversos benefícios fun- cionais. Submeteu-se ao respectivo concurso público, foi apro- vado e tomou posse no cargo. Ocorre que, após 1 (um) ano, a legislação foi alterada e os benefícios do respectivo regime jurí- dico, sensivelmente reduzidos, isso sem que houvesse redução dos seus vencimentos. Pedro não foi ouvido e não lhe foi asse- gurado qualquer direito de opção. À luz desse quadro, é correto afirmar que a alteração promovida na legislação é: a) constitucional, pois somente os servidores estáveis têm direito adquirido ao regime jurídico; b) inconstitucional, já que violados os princípios do contradi- tório e da ampla defesa; c) constitucional, pois não se pode falar em direito adquirido a regime jurídico; d) inconstitucional, já que violado o ato jurídico perfeito, decorrente da posse no cargo público e da correlata inci- dência do respectivo regime jurídico; e) constitucional, pois o ato jurídico perfeito, acarretando a imutabilidade do regime jurídico, somente se aperfeiçoa após 3 (três) anos de efetivo exercício funcional. Æ DOS SERVIDORES PÚBLICOS (ARTS. 39 A 41 DA CF/1988) 73. (FGV — 2019) Antônio, após anos de estudos, logrou êxito em ser aprovado em concurso público de provas e títulos e tomou posse em um cargo de provimento efetivo. Como o seu objetivo sempre foi o de ter segurança jurídica, ficou aliviado com a con- quista, já que servidor público estável “não pode ser demitido”. Para sua surpresa, o Departamento de Recursos Humanos lhe informou que, de acordo com a sistemática constitucional, ele poderia perder o cargo: a) em virtude de sentença judicial transitada em julgado, pro- cesso administrativo ou, na forma de lei complementar, mediante procedimento de avaliação de desempenho; b) em virtude de sentença judicial transitada em julgado ou processo administrativo, desde que tenha praticado crime incompatível com o exercício da função; c) em virtude de decisão fundamentada do superior hierár- quico ou, caso tenha mais de três anos de efetivo exercí- cio funcional, apenas por sentença judicial transitada em julgado; d) caso as despesas com pessoal superassem os limites legais ou em razão de decisão proferida em processo administra- tivo, vedada a intervenção do Poder Judiciário; e) apenas em virtude de sentença judicial transitada em julga- do, quando tiver completado 3 (três) anos de efetivo exercí- cio funcional. N O ÇÕ ES D E D IR EI TO C O N ST IT U CI O N A L 13 74. (FGV — 2014) Sandra é servidora públicado Poder Executivo tendo sido nomeada para cargo de provimento efetivo em vir- tude de concurso público de provas e títulos. De acordo com as normas da Constituição Federal, sua estabili- dade no cargo ocorrerá após três anos de efetivo exercício e ela só poderá perder o cargo após a) decisão liminar em ação coletiva. b) decisão política de órgão do Poder Legislativo. c) julgamento administrativo sumário. d) sentença judicial transitada em julgado. e) decisão administrativa do Poder Judiciário. Æ DO CONGRESSO NACIONAL (ARTS. 44 A 47 DA CF/1988) 75. (FGV — 2024) Maria, professora de ciência política, questio- nou João, seu aluno, a respeito do processo de escolha de Depu- tados Federais e Senadores, mais especificamente em relação ao sistema de escolha e ao número de legislaturas pelas quais se estendem os mandatos. João respondeu corretamente que a) Deputados Federais são escolhidos pelo sistema majoritá- rio, e os Senadores pelo sistema proporcional, sendo que o mandato de ambos se estende por período equivalente a uma legislatura. b) Deputados Federais e Senadores são escolhidos pelo sis- tema majoritário, sendo que o mandato dos primeiros se estende por período equivalente a duas legislaturas e o dos últimos por período equivalente a três legislaturas. c) Deputados Federais e Senadores são escolhidos pelo sis- tema proporcional, sendo que o mandato dos primeiros se estende por período equivalente a quatro legislaturas e o dos últimos por período equivalente a oito legislaturas. d) todos os parlamentares, em qualquer nível federativo, são escolhidos pelo sistema proporcional, sendo que o manda- to se estende por uma legislatura, havendo renovações par- ciais do Senado Federal, a cada eleição, em um terço e em dois terços, alternadamente. e) Deputados Federais são escolhidos pelo sistema propor- cional, e Senadores, pelo sistema majoritário, sendo que o mandato dos primeiros se estende por período equivalente a uma legislatura e o dos últimos, por período equivalente a duas legislaturas. 76. (FGV — 2014) No que concerne à organização dos poderes disciplinada na Constituição Brasileira de 1988, assinale a afir- mativa correta. a) O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, composto pela Câmara dos Deputados, pelo Senado Federal e pelo Tribunal de Contas da União. b) Os representantes do povo são eleitos para a Câmara dos Deputados pelo sistema majoritário. c) Os representantes dos Estados e do Distrito Federal são eleitos, pelo sistema proporcional, para o Senado Federal. d) Cada legislatura terá duração de quatro anos, sendo os Deputados Federais eleitos para mandato de 4 anos e os Senadores, para mandato de 8 anos. e) A representação por Estado na Câmara dos Deputados não poderá ser inferior a 3 Deputados e nem superior a 55 Deputados. Æ DAS ATRIBUIÇÕES DO CONGRESSO NACIONAL (ARTS. 48 A 50 DA CF/1988) 77. (FGV — 2023) Após a assinatura do Presidente da República, o Congresso Nacional ratificou determinada Convenção Inter- nacional que estabelecia regras tributárias diferenciadas para os países signatários. Após alguns anos em vigor no direito interno, o Poder Executi- vo passou a entender que o ajuste gerava um desequilíbrio nas contas públicas, decidindo que a denúncia era a medida que melhor atendia aos interesses nacionais. À luz da sistemática estabelecida na Constituição da República de 1988, é correto afirmar que a referida denúncia a) exige a anuência do Congresso Nacional, para que produza efeitos na ordem jurídica interna. b) somente exigirá a anuência do Congresso Nacional se acar- retar efeitos gravosos para o Brasil. c) por não se tratar de ajuste afeto aos direitos humanos, não é necessária a anuência do Congresso Nacional. d) é ato privativo do Congresso Nacional, considerando a pari- dade das formas em relação ao ato de celebração. e) é ato do Presidente da República, que tem competência pri- vativa para representar a União nas relações internacionais. 78. (FGV — 2023) O Congresso Nacional, a partir de provocação de um legitimado, decidiu que os Artigos 2o e 3o do Decreto no X, editado pelo Presidente da República, exorbitavam do poder regulamentar e não mais deveriam produzir efeitos. Apesar de essa afirmação se mostrar correta em relação ao Art. 2o, o mesmo não podia ser dito quanto ao Art. 3o, já que se limitava a reproduzir o teor da Lei no Y. Em relação ao ato do Congresso Nacional, especificamente na parte direcionada ao Art. 3o do Decreto no X, à luz da sistemáti- ca constitucional, assinale a afirmativa correta. a) Por se tratar de ato hierarquicamente inferior à Lei no Y, não produzirá efeitos, pois isto importaria na supressão da eficácia da própria lei. b) A normatividade do ato do Congresso Nacional descrito na narrativa é inerente a todos os atos emanados dessa estru- tura de poder. c) Ao contrapor-se à generalidade e à abstração do Decre- to no X, o ato do Congresso Nacional apresenta caráter normativo. d) Por estar situado no plano da eficácia, não no da validade, não apresenta contornos normativos. e) É ato hierarquicamente superior ao Decreto no X, logo, deve prevalecer em relação a ele. 79. (FGV — 2018) O Governador de determinado Estado solicitou informações à sua assessoria a respeito do órgão competente para julgar suas contas de governo anuais. Considerando a sistemática estabelecida na Constituição da República, a assessoria respondeu corretamente que esse órgão é o a) Tribunal de Contas, com recurso para a Assembleia Legislativa. b) Assembleia Legislativa, com recurso para o Tribunal de Justiça. c) Tribunal de Contas, com recurso para o Tribunal de Justiça. d) Assembleia Legislativa, que julga em caráter definitivo. e) Tribunal de Contas, que julga em caráter definitivo. 14 Æ DA CÂMARA DOS DEPUTADOS (ART. 51 DA CF/1988) 80. (FGV — 2023) Em determinada legislatura, o Presidente da República foi informado por um assessor de que, apesar de já se encontrarem no dia 31 de março do ano X, suas contas de gover- no correspondentes ao exercício anterior ainda não tinham sido encaminhadas ao Congresso Nacional. Surpreso com a informação, o Chefe do Poder Executivo, no mesmo momento, questionou seu assessor em relação às medidas passíveis de serem adotadas pelo Poder Legislativo para que as contas fos- sem prestadas. Considerando os balizamentos da narrativa, à luz da Constitui- ção da República de 1988, o assessor respondeu corretamente que a) o Senado Federal deve proceder à tomada de contas. b) a Câmara dos Deputados deve proceder à tomada de contas. c) não há nenhuma medida passível de ser adotada pelo Poder Legislativo. d) o Congresso Nacional pode requisitar que o Tribunal de Contas proceda à tomada de contas especial. e) o Chefe do Poder Executivo será intimado pela Câmara dos Deputados e, caso persista a omissão, proceder-se-á à tomada de contas. 81. (FGV — 2015) O Presidente da República, transcorridos 90 (noventa) dias após o início da sessão legislativa, ainda não tinha apresentado suas contas anuais ao Congresso Nacional e não tinha perspectivas de fazê-lo tão cedo. Em situações dessa natureza, a ordem constitucional prevê que a) o Chefe do Executivo será intimado pelo Congresso Nacio- nal a fazê-lo em 30 (trinta) dias. b) o Senado Federal procederá à tomada de contas especial. c) o Tribunal de Contas da União procederá à tomada de con- tas especial. d) o Chefe do Executivo será imediatamente submetido a jul- gamento, por crime de responsabilidade, perante o Senado. e) a Câmara dos Deputados procederá à tomada de contas especial. Æ DO SENADO FEDERAL (ART. 52 DA CF/1988) 82. (FGV — 2022) Para permitir a ingerência do Poder Legislativo na escolha dos titulares dos cargos que integram os órgãos de cúpula de determinadas autarquias especiais, foi aprovadaa Lei federal nº XX. De acordo com esse diploma normativo, o Senado Federal deve- ria aprovar previamente a escolha desses agentes, que seria realizada pelo Presidente da República. A Lei federal nº XX é a) constitucional, pois a lei ordinária pode dispor sobre os car- gos cujos titulares devem ser previamente aprovados pela referida Casa Legislativa. b) inconstitucional, pois somente a lei complementar pode dispor sobre os cargos cujos titulares devem ser previa- mente aprovados pela referida Casa Legislativa. c) inconstitucional, pois, embora a lei ordinária possa dispor sobre a matéria, a competência para aprovar a escolha des- ses agentes é do Congresso Nacional, não de uma de suas Casas. d) inconstitucional, por afronta à separação dos poderes, pois, com exceção das situações expressamente previstas na ordem constitucional, compete privativamente ao Pre- sidente da República realizar as nomeações, sem prévia aprovação. e) constitucional, pois a Lei federal nº XX tão somente repro- duziu, em parte, a Constituição de 1988, já que qualquer nomeação para órgãos de cúpula da administração indireta deve ser previamente aprovada pelo Senado Federal. 83. (FGV — 2022) João, Antônio e Pedro travaram intenso debate em relação à participação do Poder Legislativo nas nomeações de ocupantes de cargos públicos realizadas pelo Presidente da República. João defendia que tanto a Câmara dos Deputados como o Senado Federal receberam a incumbência de aprovar as nomeações para certos cargos, conforme rol não exaustivo previsto na Constituição da República, que pode ser ampliado. Antônio, por sua vez, defendia que essa incumbência foi outor- gada ao Senado Federal, não sendo possível que a lei ordinária amplie o rol de nomeações a serem previamente aprovadas. Por fim, Pedro, embora reconhecesse que essa incumbência foi atribuída ao Senado Federal, tendo a ordem constitucional con- templado um rol não exaustivo de nomeações a serem aprova- das, passível de ser ampliado pela lei ordinária, ressaltava que a aprovação somente era necessária em relação a certas autori- dades do Poder Executivo e do Poder Judiciário. Considerando os balizamentos estabelecidos pela ordem cons- titucional, é possível afirmar que a) João está certo e Antônio e Pedro estão parcialmente certos. b) Antônio está certo e João e Pedro estão parcialmente certos. c) Pedro está certo e João e Antônio estão parcialmente certos. d) Pedro somente está errado em relação às autoridades cuja nomeação pressupõe aprovação. e) João apenas está errado em relação à menção à existência de um rol não exaustivo das nomeações que exigem aprovação. 84. (FGV — 2021) Pedro, estudante de direito, questionou seu professor de direito constitucional a respeito de diversos aspectos relacionados ao órgão competente para processar e julgar o Presidente da República, caso ele seja acusado da práti- ca de crime de responsabilidade. O professor respondeu corretamente que esse órgão é o(a) a) Senado Federal. b) Congresso Nacional. c) Câmara dos Deputados. d) Supremo Tribunal Federal. e) Conselho Nacional de Justiça. Æ DO PRESIDENTE E VICE PRESIDENTE DA REPÚBLICA (ARTS. 76 A 83 DA CF/1988) 85. (FGV — 2022) O Presidente e o Vice-Presidente da República se encontravam em missão oficial no exterior, daí decorrendo a necessidade de que outra autoridade assumisse o exercício da Presidência. À luz da sistemática constitucional, a autoridade referida na narrativa será a) aquela que venha a ser livremente escolhida pelo Presiden- te da República. b) aquela escolhida pelo Presidente da República entre os Presidentes do Supremo Tribunal Federal, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. c) o Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Fede- ral ou o do Supremo Tribunal Federal, nessa ordem, que serão chamados ao exercício da Presidência. d) aquela que venha a ser livremente escolhida pelo Presiden- te da República, entre os Presidentes do Supremo Tribunal Federal, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. N O ÇÕ ES D E D IR EI TO C O N ST IT U CI O N A L 15 e) o Presidente do Congresso Nacional, o da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal ou o do Supremo Tribunal Federal, nessa ordem, que serão chamados ao exercício da Presidência. 86. (FGV — 2022) Conforme fora amplamente divulgado pelos meios de comunicações social, em determinada legislatura, já sob a égide da Constituição da República de 1988, o Presiden- te da República, desacompanhado do Vice-Presidente, decidiu realizar uma viagem ao continente europeu, com a duração de vinte dias, durante a qual seria negociada a celebração de diver- sos tratados de interesse para o País. À luz da sistemática constitucional, a referida viagem do Presi- dente da República a) não dependia de prévia autorização do Congresso Nacional, já que o Vice-Presidente da República permaneceu no ter- ritório brasileiro. b) dependia de prévia autorização, de competência exclusiva do Congresso Nacional, o que significa dizer que não preci- sava ser veiculada em lei. c) somente dependeria de autorização prévia do Congresso Nacional caso o Presidente da República se ausentasse do território nacional por lapso superior a trinta dias. d) deveria apenas resultar na apresentação de relatório, a pos- teriori, ao Congresso Nacional, não se exigindo autoriza- ção prévia para a viagem, o que afrontaria a separação dos poderes. e) dependia de prévia autorização do Congresso Nacional, pois o Presidente da República, ainda que desacompanhado do Vice-Presidente, sempre necessita de autorização para se ausentar do território brasileiro. 87. (FGV — 2014) Imagine a hipótese na qual o avião presiden- cial sofre um acidente, vindo a vitimar o Presidente da Repú- blica e seu Vice, após a conclusão do terceiro ano de mandato. A partir da hipotese apresentada, assinale a afirmativa correta. a) O Presidente do Senado Federal assume o cargo e completa o mandato. b) O Presidente da Câmara dos Deputados assume o cargo e convoca eleições que realizar-se-ão noventa dias depois de abertas as vagas. c) O Presidente do Congresso Nacional assume o cargo e com- pleta o mandato. d) O Presidente da Câmara dos Deputados assume o cargo e convoca eleições que serão realizadas trinta dias após a abertura das vagas, pelo Congresso Nacional, na forma da lei. Æ DAS ATRIBUIÇÕES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA (ART. 84 DA CF/1988) 88. (FGV — 2024) O Presidente da República dispôs, mediante decreto, sobre a organização e o funcionamento da administra- ção federal, sem implicar em aumento de despesa, tampouco em criação ou extinção de órgãos públicos. Após tomar ciência sobre os fatos, um parlamentar da oposição procurou auxílio da sua assessoria jurídica, indagando-a sobre a validade da medi- da adotada. Nesse cenário, considerando as disposições da Constituição Federal de 1988 e o entendimento doutrinário e jurisprudencial dominantes, é correto afirmar que o Presidente da República a) pode, mediante decreto, dispor sobre a organização e fun- cionamento da administração federal, desde que não haja aumento de despesa, tampouco criação ou extinção de órgãos públicos, com base no poder normativo. b) pode, mediante decreto, dispor sobre a organização e fun- cionamento da administração federal, desde que não haja aumento de despesa, tampouco criação ou extinção de órgãos públicos, com base no poder disciplinar. c) não pode, mediante decreto, dispor sobre a organização e funcionamento da administração federal, porquanto o poder disciplinar permite, apenas, a edição de atos norma- tivos infralegais, para garantir a fiel execução da lei. d) não pode, mediante decreto, dispor sobre a organização e funcionamento da administração federal, porquanto o poder normativo permite, apenas, a edição de atos norma- tivos infralegais, para garantir a fiel execução da lei. e) pode, mediantedecreto, dispor sobre a organização e funcionamento da administração federal, ainda que haja aumento de despesa, criação ou extinção de órgãos públi- cos, com base no poder normativo. 89. (FGV — 2023) O Presidente da República, com o objetivo de aumentar a eficiência da atuação das estruturas que lhe esta- vam diretamente subordinadas, editou o Decreto no X, por meio do qual: (1) realocou determinados órgãos administrati- vos, reorganizando-os no âmbito da estrutura da Presidência da República; (2) extinguiu vinte cargos públicos de provimento efetivo, de denominação WW, que se encontravam vagas; (3) extinguiu vinte funções de confiança, de denominação YY, não preenchidas; e (4) extinguiu uma classe de determinada carrei- ra dos servidores públicos federais. O Decreto no X foi muito criticado por determinado sindicato de servidores, que solici- tou a análise por sua assessoria. A assessoria concluiu corretamente, em relação às quatro medidas adotadas pelo Decreto no X, que a) todas estão em harmonia com a ordem constitucional. b) apenas as medidas 1, 2 e 3 estão em harmonia com a ordem constitucional. c) apenas as medidas 2, 3 e 4 estão em harmonia com a ordem constitucional. d) apenas as medidas 2 e 4 estão em harmonia com a ordem constitucional. e) apenas as medidas 1 e 3 estão em harmonia com a ordem constitucional. 90. (FGV — 2022) O presidente da República, com o objetivo de conter o crescimento da despesa pública, consultou sua asses- soria a respeito do procedimento a ser observado para se extin- guir determinado quantitativo de cargos. Foi corretamente informado ao chefe do Poder Executivo que os cargos: a) podem ser extintos por decreto e, em se tratando de cargos ocupados, os servidores serão postos em disponibilidade; b) vagos ou ocupados podem ser extintos por decreto, desde que haja autorização legal específica; c) em obediência ao princípio da paridade das formas, somen- te podem ser extintos por lei; d) uma vez criados, em obediência ao ato jurídico perfeito, não podem ser extintos; e) podem ser extintos por decreto, desde que se encontrem vagos. 16 Æ ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO (ART. 92 DA CF/1988) 91. (FGV — 2022) São órgãos do Poder Judiciário: a) o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justi- ça, o Tribunal Superior do Trabalho, os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais, os Tribunais e Juízes do Trabalho, os Tribunais e Juízes Eleitorais, os Tribunais e Juízes Milita- res, bem como os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distri- to Federal e Territórios; b) o Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Jus- tiça, o Superior Tribunal de Justiça, o Tribunal Superior do Trabalho, os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais, os Tribunais e Juízes do Trabalho, os Tribunais e Juízes Elei- torais, os Tribunais e Juízes Militares, bem como os Tribu- nais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios; c) o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justi- ça, o Tribunal Superior do Trabalho, os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais, os Tribunais e Juízes do Trabalho, os Tribunais e Juízes Eleitorais, os Tribunais de Contas, os Tribunais e Juízes Militares, bem como os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios; d) o Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Jus- tiça, o Superior Tribunal de Justiça, o Tribunal Superior do Trabalho, os Tribunais Regionais Federais e Juízes Fede- rais, os Tribunais e Juízes do Trabalho, os Tribunais e Juí- zes Eleitorais, os Tribunais de Contas, os Tribunais e Juízes Militares, bem como os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios; e) o Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Jus- tiça, o Superior Tribunal de Justiça, o Tribunal Superior do Trabalho, os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais, os Tribunais e Juízes do Trabalho, os Tribunais e Juízes Elei- torais, os Tribunais de Contas, os Tribunais Marítimos, os Tribunais e Juízes Militares, bem como os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios. 92. (FGV — 2019) Compõem o Sistema de Justiça no Brasil: a) Ministério Público, Promotoria e Defensoria Pública; b) Tribunal de Justiça, Varas Especiais e Código Penal; c) Ministério Público, Tribunal de Justiça e Defensoria Pública; d) Código Penal, Defensoria Pública e Promotoria; e) Conselho Nacional de Justiça, Procuradoria-Geral da Repú- blica e Ministério Público. Æ DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF (ARTS. 101 A 103 DA CF/1988) 93. (FGV — 2021) Pedro ajuizou ação ordinária em face do Estado Alfa, sendo o pedido julgado improcedente em primeira e em segunda instâncias, situação que permaneceu inalterada até o exaurimento das instâncias ordinárias. Segundo o advogado de Pedro, o resultado lhe foi desfavorável por ter sido julgada váli- da lei local que ele contestara em face de lei federal. Com esse fundamento, uma vez preenchidos os demais requi- sitos exigidos, é possível a interposição de a) reclamação, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal. b) recurso especial, a ser julgado pelo Superior Tribunal de Justiça. c) recurso ordinário, a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal. d) recurso ordinário, a ser julgado pelo Superior Tribunal de Justiça. e) recurso extraordinário, a ser julgado pelo Supremo Tribu- nal Federal. Æ DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA - CNJ (ART. 103-B DA CF/1988) 94. (FGV — 2024) O Conselho Nacional de Justiça compõe-se de 15 (quinze) membros com mandato de 2 (dois) anos, admitida 1 (uma) recondução. As opções a seguir apresentam membros que participam desse Conselho, à exceção de uma. Assinale-a. a) Um juiz de Tribunal Regional Federal, indicado pelo Supe- rior Tribunal de Justiça. b) Um juiz de Tribunal Regional do Trabalho, indicado pelo Tri- bunal Superior do Trabalho. c) Dois cidadãos, de notável saber jurídico e reputação iliba- da, indicados um pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal. d) Um juiz do Tribunal Regional Eleitoral, indicado pelo Supre- mo Tribunal Federal. e) Um membro do Ministério Público estadual, escolhido pelo Procurador-Geral da República dentre os nomes indicados pelo órgão competente de cada instituição estadual. 95. (FGV — 2015) A reforma do Judiciário, realizada por meio da Emenda Constitucional nº 45/2004, instituiu o Conselho Nacio- nal de Justiça, que tem composição plural de quinze membros. De acordo com o texto constitucional: a) incumbe ao Conselho promover processos disciplinares contra magistrados, vedada, contudo, a revisão de casos já julgados pelo tribunal de origem, em qualquer caso; b) o Conselho deve representar à Defensoria Pública, para as providências criminais, no caso de delito contra a adminis- tração pública ou de abuso de autoridade; c) cabe ao Conselho receber e conhecer das reclamações con- tra membros ou órgãos do Poder Judiciário, exceto contra seus serviços auxiliares, serventias e órgãos prestadores de serviços notariais e de registro; d) compete ao Conselho o controle da atuação administrati- va e financeira do Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes; e) um Ministro do Supremo Tribunal Federal que inte- gre o Conselho exercerá obrigatoriamente a função de Ministro-Corregedor. Æ DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ (ARTS. 104 E 105 DA CF/1988) 96. (FGV — 2024) Após robusta investigação realizada pelo Ministério Público, descobriu-se que o Governador do Estado Alfa teria desviado valores pecuniários no âmbito de um con- trato administrativo celebrado com uma entidade privada, visando à aquisição de equipamentos para aparelhar, adequa- damente, o sistema prisional estadual. Registre-se que o crime perpetrado tem relação com o exercício das funções por parte do agente político, existindo, ainda, contemporaneidade. Nesse cenário, considerando as disposições da Constituição Federal, é corretoafirmar que o Governador do Estado Alfa será processa- do e julgado, na esfera criminal, junto ao a) Tribunal de Justiça do Estado do Estado Alfa, de forma originária. b) Superior Tribunal de Justiça, de forma originária. c) juízo de primeira instância, em âmbito estadual. d) Supremo Tribunal Federal, de forma originária. e) juízo de primeira instância, em âmbito federal. N O ÇÕ ES D E D IR EI TO C O N ST IT U CI O N A L 17 97. (FGV — 2015) Augusto, devidamente representado por advogado, com observância das normas afetas à competên- cia jurisdicional, impetrou mandado de segurança contra ato de determinada autoridade perante o Tribunal de Justiça do seu Estado. O Tribunal, após regular tramitação do feito, jul- gou improcedente o pedido sob o argumento de não ter sido demonstrada a lesão a direito líquido e certo. Irresignado, Augusto decide recorrer. Considerando os dados do problema e à luz da sistemática constitucional, é correto afirmar ser cabível a interposição de recurso: a) ordinário, endereçado ao Superior Tribunal de Justiça; b) especial, endereçado ao Supremo Tribunal Federal; c) ordinário, endereçado ao Supremo Tribunal Federal; d) extraordinário, endereçado ao Superior Tribunal de Justiça; e) de reclamação, endereçado ao Superior Tribunal de Justiça. Æ DISPOSIÇÕES GERAIS (SEGURIDADE SOCIAL, ARTS. 194 E 195 DA CF/1988) 98. (FGV — 2022) A Constituição Federal de 1988, ao instituir a Seguridade Social, inaugura uma política pública estatal abran- gente de proteção social para a população brasileira. Em seu Art. 194, estabelece que a Seguridade Social compreende a) um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social; b) um sistema híbrido de projetos e programas do Ministério da Saúde em conjunto com a sociedade civil, destinado a asse- gurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistên- cia social; c) um complexo descentralizado de iniciativas do setor público em parceria com o terceiro setor, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social; d) uma agregação de normas da lavra do Executivo Federal, destinadas a assegurar os programas relativos à saúde, à previdência e à assistência social; e) um compósito público estatal de regras destinadas a assegu- rar os programas relativos à saúde, à previdência e à assis- tência social. 99. (FGV — 2015) Instituída pela Constituição Federal de 1988, a Seguridade Social tem como um de seus pressupostos: a) os mínimos sociais; b) a exclusividade das políticas sociais públicas estatais; c) o compromisso prioritário com a classe trabalhadora; d) a não vinculação entre benefício e contribuição; e) as parcerias público-privadas. Æ DA PREVIDÊNCIA SOCIAL (ARTS. 201 E 202 DA CF/1988) 100. (FGV — 2024) Um dos princípios constitucionais que regula a Seguridade Social é a seletividade e distributividade, ou seja, em algumas hipóteses a Lei restringirá o recebimento de benefícios previdenciários às pessoas de baixa renda, assim definidas em Lei. Das opções abaixo indicadas, marque aquela que, de acordo com a Constituição Federal, contempla dois benefícios previ- denciários que observam esse princípio. a) Aposentadoria especial e Auxílio-reclusão. b) Auxílio-acidente e Salário-família. c) Salário maternidade e Pensão por morte. d) Auxílio-acidente e Aposentadoria especial. e) Salário-família e Auxílio-reclusão. Æ GABARITO 1 B 46 C 2 E 47 D 3 A 48 A 4 A 49 A 5 D 50 E 6 A 51 D 7 C 52 D 8 D 53 E 9 A 54 C 10 D 55 D 11 A 56 D 12 A 57 D 13 E 58 E 14 D 59 E 15 B 60 E 16 E 61 B 17 B 62 D 18 E 63 E 19 D 64 E 20 A 65 A 21 D 66 E 22 D 67 B 23 B 68 C 24 C 69 E 25 A 70 C 26 A 71 B 27 B 72 C 28 B 73 A 29 D 74 D 30 B 75 E 31 B 76 D 32 B 77 A 33 C 78 C 34 E 79 D 35 B 80 C 36 B 81 E 37 E 82 A 38 D 83 D 39 D 84 A 40 D 85 C 41 A 86 B 42 B 87 D 43 B 88 A 44 A 89 B 45 B 90 E 18 91 B 96 B 92 C 97 A 93 E 98 A 94 D 99 D 95 D 100 E ANOTAÇÕESa entrada de um policial que estava por- tando um mandado judicial de busca e apreensão, a ser cum- prido justamente em sua residência. À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar que o ingresso na residência de Osmar, sem o seu consentimento, para o cumprimento do referido mandado: a) poderia ocorrer em qualquer dia ou horário; b) deveria ocorrer em certo horário, que deve ser indicado pela autoridade judicial; c) deveria ocorrer à noite, se autorizado pela autoridade judicial; d) não poderia ser realizado à noite, ainda que Osmar seja muito perigoso; e) não poderia ocorrer no final de semana. 6. (FGV — 2015) O princípio constitucional do juiz natural iden- tifica o juiz competente para o julgamento da causa com base em regras estabelecidas previamente à ocorrência do fato em questão. Esse princípio garante a imparcialidade da própria pessoa do juiz. Nesse sentido, o nosso ordenamento jurídico: a) proíbe a instituição de juízo ou tribunal de exceção; b) admite que se escolha o juízo da causa por foro de eleição; 2 c) proíbe que se ajuíze novamente uma mesma demanda quando a primeira foi extinta por carência de ação; d) proíbe a criação de varas especializadas nas comarcas; e) admite que os juízes sejam substituídos, de ofício, pelo Pre- sidente do Tribunal para julgar as demandas, em casos de repercussão nacional. 7. (FGV — 2015) Pedro e Marcelo travaram intensa discussão a respeito da garantia constitucional da irretroatividade da lei, que não pode retroagir para prejudicar “o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. É correto afirmar que: a) somente é considerado adquirido o direito que já foi fruído pelo seu titular; b) a coisa julgada é formada no momento em que é publicada a decisão judicial sobre certa matéria; c) o direito adquirido é aquele que já foi incorporado à esfera jurídica do seu titular, ainda que não tenha sido fruído; d) o ato jurídico perfeito é aquele que a Justiça declara como tal; e) a coisa julgada diz respeito à impossibilidade de retirar do proprietário a coisa que recebeu por decisão judicial. Æ DIREITOS SOCIAIS E DOS TRABALHADORES (ARTS. 6º E 7º DA CF/1988) 8. (FGV — 2024) O instituto da cidadania estabelece direitos e deveres para os indivíduos pertencentes à determinada socie- dade. Esses direitos podem ser divididos em civis, políticos e sociais. Assinale a opção que exemplifica corretamente os direitos sociais. a) Direito à vida e à liberdade. b) Direito à representação política. c) Direito à propriedade privada. d) Direito à saúde e à moradia. 9. (FGV — 2024) Assinale a alternativa que apresenta apenas direitos sociais previstos expressamente da Constituição Fede- ral de 1988. a) Trabalho, lazer e transporte. b) Moradia, previdência social e família. c) Alimentação, meio- ambiente e maternidade. d) Esporte, educação e segurança. 10. (FGV — 2014) Os direitos sociais constitucionais são normas de ordem pública, sendo invioláveis pela vontade individual. Segundo o Art. 7º, da CRFB, que discorre sobre direitos dos tra- balhadores urbanos e rurais, assinale a afirmativa correta. a) Possibilita a redução do salário, por motivo de força maior. b) Estabelece a participação nos lucros ou resultados, vincula- da à remuneração. c) Determina o valor do salário-família, pago em razão dos dependentes de qualquer faixa de renda. d) Estabelece a proporcionalidade do piso salarial em relação à extensão e à complexidade do trabalho. e) Equipara a remuneração do trabalho noturno à do diurno. Æ DIREITOS COLETIVOS DOS TRABALHADORES (ARTS. 8º A 11 DA CF/1988) 11. (FGV — 2024) Embora a liberdade de associação seja um direito constitucional, e vedada a interferência e a intervenção por parte do Poder Público na organização sindical, algumas restrições foram impostas nesse sentido. Assinale a alternativa que apresenta uma dessas restrições. a) A criação de mais de uma organização sindical, represen- tativa de categoria, na mesma base territorial, não podendo ser inferior à área de um Município. b) A participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho. c) O filiado aposentado assumir cargos eletivos nas organiza- ções sindicais. d) Uma organização sindical seja criada e entre em funciona- mento sem autorização do Poder Público, conforme previs- to nas leis estaduais. 12. (FGV — 2020) Joana, servidora ocupante de cargo de provi- mento efetivo no âmbito do Poder Judiciário de determinado Estado da Federação, foi comunicada pelo sindicato da catego- ria que seriam iniciadas as negociações coletivas de trabalho e era obrigatória a participação do sindicato. Por tal razão, era igualmente obrigatória a filiação de todos os servidores ao sin- dicato, de modo que a categoria não fosse sub-representada em seus interesses. A narrativa afigura-se: a) incorreta em relação a Joana, pois a filiação é facultativa, e correta quanto ao sindicato, pois a sua participação é imposta pela Constituição; b) correta em relação a Joana, por força do princípio da soli- dariedade social, e incorreta quanto ao sindicato, por ferir o princípio da liberdade de gestão; c) correta em relação a Joana, já que a filiação dos servidores do Poder Judiciário é obrigatória, e incorreta quanto ao sin- dicato, que tem autonomia gerencial; d) incorreta em relação a Joana, pois os servidores do Poder Judiciário não podem filiar-se a sindicato, e correta quanto ao sindicato, desde que haja determinação judicial; e) incorreta em relação a Joana, que somente pode ser obri- gada a exercer cargo de direção no sindicato, não a sindi- calizar-se, e correta quanto ao sindicato, que defende a categoria. 13. (FGV — 2014) No que tange à liberdade de associação profis- sional ou sindical, assinale a afirmativa correta. a) É livre a criação de mais de uma organização sindical repre- sentativa de categoria profissional ou econômica na mes- ma base territorial. b) Uma vez aposentado, o indivíduo, ainda que filiado, não tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais. c) É vedada a dispensa do empregado sindicalizado somen- te a partir da posse no cargo de direção ou representação sindical. d) Ninguém pode ser obrigado a filiar-se a sindicato, mas, uma vez filiado, será obrigado a manter-se filiado até a aposentadoria. e) A lei não poderá exigir autorização do Estado para a funda- ção de sindicato, ressalvado o registro no órgão competen- te, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical. N O ÇÕ ES D E D IR EI TO C O N ST IT U CI O N A L 3 Æ ESPÉCIES DE NACIONALIDADE (BRASILEIROS NATOS E NATURALIZADOS) 14. (FGV — 2024) João, filho de Johan, alemão naturalizado bra- sileiro, e de Maria, espanhola naturalizada brasileira, nasceu quando seus pais se encontravam em solo belga a serviço da embaixada da França. Logo após alcançar a maioridade, ainda em solo belga, João consultou a Constituição da República Fede- rativa do Brasil para verificar se teria a nacionalidade brasileira. Ao fim de suas reflexões, João concluiu corretamente que: a) é brasileiro nato; b) é brasileiro naturalizado; c) pode se naturalizar brasileiro caso comprove a residência no território brasileiro por um ano ininterrupto; d) pode optar pela nacionalidade brasileira a qualquer tempo, desde que venha a residir no território brasileiro; e) somente será considerado brasileiro nato se tiver sido registrado em repartição brasileira em solo belga. 15. (FGV — 2018) Peter nasceu na Áustria no período em que sua mãe, Maria, brasileira nata, servidora da União, fora designa- da para trabalhar na embaixada brasileira naquele país. Como Maria era casada com Hans, de nacionalidade austríaca, Peter também tinha a nacionalidade do pai, jamais tendo residido no território brasileiro. Ao completar trinta anos de idade,Peter consultou um advoga- do sobre a possibilidade de se candidatar a um mandato eletivo no Brasil, na eleição a ser realizada no ano seguinte, tendo sido informado, corretamente, que a) os estrangeiros, como Peter, não podem concorrer a um mandato eletivo. b) sendo brasileiro nato, pode concorrer aos cargos eletivos privativos de brasileiro nato. c) somente teria nacionalidade brasileira se a lei da Áustria não reconhecesse a sua nacionalidade austríaca originária. d) pode optar pela nacionalidade brasileira caso venha a resi- dir no país, podendo concorrer a todos os cargos eletivos. e) caso venha a se naturalizar brasileiro, poderá concorrer a todos os cargos eletivos não privativos de brasileiro nato. Æ DISTINÇÕES CONSTITUCIONAIS ENTRE BRASILEIROS NATOS E NATURALIZADOS 16. (FGV — 2024) São privativos de brasileiro nato os seguintes cargos, à exceção de um. Assinale-o. a) Presidente e Vice-Presidente da República. b) Presidente da Câmara dos Deputados. c) Presidente do Senado Federal. d) Ministro do Supremo Tribunal Federal. e) Governador de Estado. 17. (FGV — 2023) Maria, de nacionalidade espanhola, residia no território brasileiro há mais de quinze anos ininterruptos, com uma reputação ilibada, jamais tendo sofrido qualquer espécie de sanção do Estado brasileiro. Por se identificar com a reali- dade brasileira, decidiu iniciar uma carreira política. À luz da sistemática constitucional, Maria: a) não terá direitos políticos, que são privativos dos brasileiros natos, mesmo que se naturalize brasileira; b) é considerada brasileira naturalizada, desde que o requeira, e terá capacidade eleitoral ativa idêntica à dos brasileiros natos; c) somente irá adquirir direitos políticos cinco anos após a aquisição da nacionalidade brasileira, caso venha a se naturalizar; d) ainda não pode se naturalizar brasileira, considerando o período em que reside no território nacional, o que a impe- de de ter direitos políticos; e) será considerada brasileira naturalizada, caso o seu reque- rimento seja deferido, e terá capacidade eleitoral ativa e passiva idêntica à dos brasileiros natos. Æ PERDA DA NACIONALIDADE 18. (FGV — 2024) Maria, brasileira nata, e Joana, brasileira natu- ralizada, formaram uma união estável e passaram a residir no país X. Após mais de uma década sem retornar ao território brasileiro, decidiram obter a nacionalidade do país X, o que foi deferido. Alguns anos depois, em razão das contingências da vida, decidiram retornar ao Brasil e exercer determinado direi- to privativo de brasileiros. Em relação à Maria e à Joana, considerando os balizamentos estabelecidos pela sistemática constitucional, assinale a afir- mativa correta. a) Ao obterem a nacionalidade do país X, perderam a naciona- lidade brasileira, logo, não podem exercer o referido direito. b) Apenas Joana, ao obter a nacionalidade do país X, perdeu a nacionalidade brasileira, logo, não pode exercer o referido direito. c) A nacionalidade brasileira é irrenunciável, logo, Maria e Joana não poderiam perdê-la, indicativo de que podem exercer o referido direito. d) Apesar de terem obtido a nacionalidade do país X, Maria e Joana apenas perderão a nacionalidade brasileira após o trânsito em julgado da sentença proferida em processo próprio. e) O fato de terem obtido a nacionalidade do país X, ainda que o objetivo não tenha sido o exercício de direitos civis, não acarreta a perda da nacionalidade brasileira, logo, podem exercer o referido direito. Æ EXTRADIÇÃO, DEPORTAÇÃO, EXPULSÃO E BANIMENTO (DA NACIONALIDADE) 19. (FGV — 2024) Maria nasceu em território brasileiro quando seus pais, Andrea e Patrícia, cidadãos italianos, aqui se encon- travam a serviço de uma multinacional italiana. Logo após o nascimento, Maria dirigiu-se com a família para o exterior, vin- do a renunciar à cidadania brasileira. Após esses acontecimen- tos, Maria foi acusada da prática de crime em determinado país europeu, tendo fugido para o Brasil, o que levou o referido país a requerer a sua extradição. Considerando os balizamentos dessa narrativa, é correto afir- mar, na perspectiva exclusivamente da Constituição da Repú- blica, que: a) Maria somente pode ser extraditada caso seja acusada de atos de terrorismo ou de tráfico ilícito de entorpecentes; b) como o crime foi praticado no exterior, a extradição é possí- vel independentemente da nacionalidade de Maria; c) como Maria jamais foi brasileira, não poderia renunciar a essa nacionalidade, sendo possível a sua extradição; d) a reaquisição da nacionalidade brasileira é possível, desde que sejam observados os termos da lei; e) a cidadania brasileira é irrenunciável, logo, Maria não pode ser extraditada em nenhuma hipótese. 20. (FGV — 2024) Maria nasceu no território brasileiro quando seus pais, Juan e Ane, de cidadania espanhola, ali se encontravam a ser- viço da embaixada espanhola. Após ter vivido por cinco anos no Brasil, mudou-se para a Austrália juntamente com seus pais, que 4 passaram a atuar na iniciativa privada. Logo após atingir a maiori- dade, o que ocorreu em território australiano, foi condenada pela prática do crime de tráfico ilícito de substâncias entorpecentes, tendo fugido para o Brasil. Essa conduta redundou na formulação do seu pedido de extradição pelo governo australiano. À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar que Maria é: a) estrangeira, sendo possível o deferimento da extradição; b) brasileira nata, o que obsta o deferimento da extradição; c) estrangeira, mas, caso se naturalize brasileira, não será possível a extradição; d) brasileira nata, mas a natureza do crime pelo qual foi con- denada permite a sua extradição; e) estrangeira, salvo se optar pela nacionalidade brasileira, o que impedirá a extradição. Æ SOBERANIA POPULAR (VOTO, PLEBISCITO, REFERENDO, INICIATIVA POPULAR), ALISTAMENTO E ELEGIBILIDADE 21. (FGV — 2024) Maria, por ter preenchido os requisitos exigi- dos pela ordem jurídica, se naturalizou brasileira. Ato contínuo, consultou um especialista na área para saber se poderia con- correr a um mandato eletivo nas eleições que seriam realizadas no mesmo ano. Foi corretamente informado a Maria que, na perspectiva de sua nacionalidade a) ela pode concorrer a qualquer cargo eletivo. b) ela pode concorrer a qualquer cargo eletivo, ressalvado o de Presidente da República. c) somente os brasileiros natos podem concorrer a mandatos eletivos, não os naturalizados. d) ela pode concorrer a qualquer cargo eletivo, ressalvados os de Presidente e Vice-Presidente da República. e) ela pode concorrer a qualquer cargo eletivo, ressalvados os de Presidente e Vice-Presidente da República, e de Senador. 22. (FGV — 2022) Maria, de nacionalidade brasileira nata, e João, de nacionalidade alemã nata, mas que estava residindo no ter- ritório brasileiro, travaram intenso debate a respeito dos direi- tos de cada qual perante a Constituição da República de 1988. Ao final, concluíram, corretamente, que: a) somente Maria é cidadã, requisito para a fruição dos direi- tos fundamentais; b) somente Maria possui direitos fundamentais e pode ter direitos políticos; c) João tem direitos idênticos aos de Maria, desde que haja reciprocidade na Alemanha; d) somente Maria pode ter direitos políticos, embora ela e João possuam direitos fundamentais; e) Maria e João possuem direitos idênticos sob o prisma cons- titucional, mas a lei pode restringir os direitos de João. Æ INELEGIBILIDADES (DIREITOS POLÍTICOS) 23. (FGV — 2023) Após o devido processo legal, Pedro foi conde- nado em sentença transitada em julgado pela prática de crime. Avaliando os efeitos dessa condenação sobre os direitos de Pedro, enquanto durassem os seus efeitos, assinale a afirma- tiva correta. a) Ele não pode votar ou ser votado, mas nenhum outro direito fundamental é afetado pela condenação, salvo decisão judi- cial em sentidodiverso. b) Ele não pode votar ou ser votado, sendo-lhe ainda vedado o exercício de direito fundamental que pressuponha a condi- ção de cidadão. c) Ele não pode se alistar, votar ou ser votado, mas pode exer- cer em sua plenitude a totalidade dos direitos fundamentais. d) Ele está provisoriamente alijado do exercício de direitos fundamentais e de direitos políticos. e) Ele apenas está inelegível para concorrer a um cargo eletivo. 24. (FGV — 2022) Maria e Joana travaram intenso debate a res- peito do conceito de cidadania, mais especificamente sobre os requisitos a serem preenchidos para a aquisição dessa situação jurídica e daqueles que não podem possuí-la. Ao final, concluí- ram que a) brasileiros natos a adquirem com o nascimento, e os natu- ralizados com o deferimento do pedido de naturalização. b) brasileiros, natos e naturalizados, e estrangeiros que se encontrem no território nacional, a possuem. c) os conscritos, durante o período de serviço militar obrigató- rio, não a possuem. d) os analfabetos e os estrangeiros não a possuem. e) somente os brasileiros natos a possuem. Æ PERDA E SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS 25. (FGV — 2024) Maria, servidora pública federal, foi condenada, em sentença transitada em julgado, pela prática de infração penal. No momento em que o regime de cumprimento da pena passou para o aberto, procurou se informar em relação aos atos que pode- ria, ou não, praticar enquanto estivesse cumprindo a pena. Ao final, Maria concluiu corretamente que, na perspectiva das eleições para cargos dos Poderes Executivo e Legislativo: a) não pode votar nem concorrer a cargo eletivo; b) pode votar, mas não pode concorrer a cargo eletivo; c) pode votar e concorrer apenas a cargos eletivos do Poder Executivo, não do Legislativo; d) pode votar e concorrer a cargo eletivo, apenas não podendo deixar o distrito da culpa; e) pode votar e concorrer apenas a cargos eletivos do Poder Legislativo, não do Executivo. 26. (FGV — 2023) João, cidadão muito engajado politicamente, foi condenado, em sentença transitada em julgado, à pena de detenção, substituída por pena restritiva de direitos, por ter praticado um crime contra o patrimônio. Enquanto a pena restritiva de direitos produzia efeitos, João ajui- zou ação popular em defesa do meio ambiente, isso em razão de um loteamento clandestino que fora criado em uma área de preservação ambiental de caráter permanente. Para surpresa de João, o processo foi extinto sem resolução de mérito sob o argu- mento de que os seus direitos políticos estavam suspensos em razão dos efeitos produzidos pela condenação criminal. À luz da ordem constitucional, é correto afirmar que a extinção do processo, nas circunstâncias indicadas, foi: a) certa, pois, enquanto a pena restritiva de direitos produzir efeitos, os direitos políticos estarão suspensos; b) errada, pois os direitos políticos de João não foram res- tringidos pela sentença, o que lhe permitia ajuizar a ação popular; c) errada, pois os direitos políticos de João somente estariam suspensos caso estivesse cumprindo pena privativa de liberdade; N O ÇÕ ES D E D IR EI TO C O N ST IT U CI O N A L 5 d) certa, pois os direitos políticos de João permanecerão sus- pensos nos cinco anos subsequentes ao trânsito em julgado da sentença criminal transitada em julgado; e) errada, pois a suspensão dos direitos políticos pressupõe a instauração de processo próprio, perante a Justiça Eleitoral, não decorrendo diretamente da condenação criminal. Æ DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA (ARTS. 18 E 19 DA CF/1988) 27. (FGV — 2024) Lei do Estado Gama estabeleceu que as uni- dades escolares da rede estadual de ensino e as bibliotecas públicas estaduais ficam obrigadas a manter em seus acervos ao menos um exemplar da Bíblia Sagrada e que os respectivos exemplares deverão ser colocados à disposição de alunos, pro- fessores e demais usuários, em local visível e de fácil acesso. A norma observou, entretanto, que a obrigatoriedade previs- ta não implica restrição ou impedimento para a manutenção, nos acervos públicos, de livros sagrados de outras tradições religiosas. Diante do exposto e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que a referida Lei é a) constitucional, pois tal previsão observa os princípios da laicidade estatal, da liberdade religiosa e da isonomia entre os cidadãos. b) inconstitucional, pois tal previsão ofende os princípios da laicidade estatal, da liberdade religiosa e da isonomia entre os cidadãos. c) constitucional, pois tal previsão garante a efetividade do acesso ao direito fundamental à educação a todos os cidadãos. d) inconstitucional, pois tal previsão ofende a competência privativa da União para legislar sobre normas gerais de educação. e) inconstitucional, pois observa o preâmbulo da Constitui- ção, que não é dotado de força normativa, como as demais normas constitucionais e não pode servir de parâmetro de controle. 28. (FGV — 2024) O Município Beta se notabilizou como impor- tante polo turístico de uma região brasileira, fazendo que o ensino profissionalizante fosse direcionado ao atendimento dessa importante atividade econômica. Com o objetivo de rea- lizar o aproveitamento dessa mão de obra especializada, de modo a alcançar o pleno emprego, foi editada a Lei no Y, dis- pondo que as sociedades empresárias, que admitissem pessoas residentes no Município Beta há mais de 5 (cinco) anos, recebe- riam benefícios fiscais. Irresignado com o teor da Lei no Y, Antônio consultou o seu advogado a respeito da compatibilidade desse diploma norma- tivo com a Constituição da República, sendo-lhe corretamente informado que esse diploma normativo a) afronta a competência concorrente da União e dos Estados para legislar sobre turismo. b) estabelece preferência indevida entre brasileiros, o que é vedado pela ordem constitucional. c) foi editado com base na competência do Município Beta para legislar sobre assuntos de interesse local. d) somente será considerada constitucional caso a sua edi- ção tenha sido antecedida de prévio estudo de impacto financeiro. e) somente será considerado constitucional caso esteja las- treado nas normas gerais sobre interesse local editadas pela União. 29. (FGV — 2024) Um forte movimento popular passou a defen- der a necessidade de criação do Município Alfa, o que deveria ocorrer a partir de desmembramento de parte do território do Município Beta. De acordo os defensores dessa tese, o território que seria integrado ao futuro Município Alfa, apesar de contar com um importante polo industrial, vinha recebendo pouca atenção dos poderes constituídos. Ao consultar um especialista na matéria, foi corretamente informado ao líder do grupo que a) com a reforma constitucional de 1996, ocorreu a esta- bilização federativa, sendo vedada a alteração dos entes federados. b) essa criação estaria condicionada apenas à consulta às populações interessadas, ao estudo de viabilidade munici- pal e à edição de lei estadual. c) não é possível cogitar a criação de Alfa sem que, antes, a Constituição Estadual seja objeto de emenda, ampliando o número de Municípios situados em seu território. d) além da consulta às populações interessadas e da elabora- ção de estudos de viabilidade municipal, ainda seria neces- sária a edição de diplomas normativos pela União e pelo Estado. e) o processo de criação de Alfa somente pode ser deflagrado após a edição de lei estadual que disponha nesse sentido, sendo esse diploma normativo de iniciativa privativa do Governador do Estado. 30. (FGV — 2024) João questionou o seu professor em relação às características da organização político-administrativa dos entes federativos; mais especificamente em relação à possi- bilidade, ou não, de o ente maior editar as normas básicas de organização política (separação dos poderes, processolegisla- tivo etc.) a serem observadas pelos entes menores, vale dizer, a União em relação aos estados e aos municípios e o estado em relação aos municípios situados em seu território. O professor respondeu corretamente que: a) embora não seja obrigatório, o ente maior tem a faculdade de editar as normas básicas de organização política a serem observadas pelos entes menores; b) apesar de o ente maior não poder editar as normas básicas de organização política dos entes menores, estes últimos estão obrigados a seguir os princípios afetos às normas básicas do ente maior; c) a edição de normas básicas de organização política, pelo ente maior, a serem observadas pelos entes menores, não afasta a possibilidade de estes últimos virem a suplemen- tá-las, o que deve ser referendado pelo ente maior; d) a autonomia política dos entes federados se manifesta apenas na execução das normas básicas de organização política previstas na Constituição da República, não sendo possível que os entes menores tenham normas próprias; e) em razão da autonomia política dos entes federativos, o ente maior não pode editar normas básicas de organiza- ção política dos entes menores, os quais também não estão obrigados a seguir os princípios afetos às normas básicas do ente maior. 31. (FGV — 2024) O Município Alfa surgiu a partir de desmem- bramento do Município Beta, estando ambos situados no ter- ritório do Estado Sigma. Como o referido desmembramento foi realizado no ano de 2006, sem que a população interessada fosse consultada ou mesmo que houvesse lei complementar federal dispondo sobre o período em que essa forma de mobi- lidade intrínseca da federação seria admitida, um contribuinte que residia no território de Alfa sustentou que esse ente federa- tivo não teria legitimidade para a cobrança do imposto predial e territorial urbano sobre o seu imóvel. Considerando os balizamentos estabelecidos pela Constituição da República, é correto afirmar que 6 a) eventuais vícios ocorridos no desmembramento de Alfa foram convalidados pela Emenda Constitucional nº 57/2008. b) a Emenda Constitucional nº 57/2008 não convalidou o vício decorrente da ausência de consulta à população interessada. c) à época do surgimento de Alfa não era exigida lei comple- mentar federal sobre a temática nem a realização de con- sulta à população interessada. d) à época do surgimento de Alfa não era exigida lei comple- mentar federal sobre a temática, mas deveria ter sido reali- zada consulta à população interessada. e) a ausência de consulta à população interessada foi conva- lidada pelo decurso do tempo, sendo exigida apenas a juri- dicidade formal, que decorre da lei complementar estadual autorizadora do desmembramento. 32. (FGV — 2023) O Estado Alfa, a partir de uma união de esfor- ços dos setores público e privado, logrou êxito em instalar um grande polo industrial em seu território. A medida era particu- larmente necessária em razão do elevado nível de desemprego, sensivelmente superior àquele verificado nos demais Estados da federação. Ocorre que, mesmo após o início da plena opera- ção das indústrias que ali se instalaram, o nível de desemprego não foi reduzido, já que os postos de trabalho estavam sendo preenchidos com pessoas oriundas de outras regiões do país, que migraram para esse local. Para obstar a sedimentação des- se quadro, o Estado Alfa aprovou a Lei nº X, segundo a qual as indústrias situadas no referido polo somente poderiam con- tratar trabalhadores brasileiros que fossem naturais de outros Estados caso nenhum trabalhador natural de Alfa se apresen- tasse por ocasião da divulgação da vaga existente. À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar, sob a perspectiva do conteúdo veiculado, que a Lei nº X é: a) constitucional, pois é dever do Estado Alfa conferir posições preferentes àqueles que sejam naturais do seu território; b) inconstitucional, pois é vedado ao Estado Alfa conferir posi- ção preferente aos brasileiros nascidos em seu território; c) constitucional, pois o Estado Alfa tem a faculdade de confe- rir posições preferentes àqueles que sejam naturais do seu território; d) inconstitucional, salvo se a medida for proporcional, con- siderando o nível de desemprego verificado nas demais regiões do país; e) inconstitucional, salvo se a União tiver editado lei comple- mentar autorizando que os demais entes federativos ado- tem esse critério de preferência. 33. (FGV — 2023) O Partido Político XX iniciou um grande movi- mento no Município Beta visando ao desmembramento de sua região norte, com a consequente criação do Município Delta. Instado a se manifestar, um dos líderes partidários afirmou corretamente que, em situações dessa natureza, entre outros requisitos a serem preenchidos, a criação de Delta pressupõe a edição de normas, pelo Poder Legislativo: a) nos planos federal, estadual e municipal; b) apenas nos planos federal e municipal; c) apenas nos planos federal e estadual; d) apenas no plano municipal; e) apenas no plano estadual. 34. (FGV — 2023) A Constituição do Estado Alfa, com o objeti- vo de ampliar os níveis de controle popular sobre as decisões políticas do Chefe do Poder Executivo, foi reformada e passou a dispor que todas as nomeações para secretarias de governo, no âmbito do Estado Alfa e dos Municípios situados em seu ter- ritório, deveriam ser previamente aprovadas pelo Poder Legis- lativo, vale dizer, pela Assembleia Legislativa ou pela Câmara Municipal, conforme o caso. Ao tomar conhecimento da reforma promovida na Constitui- ção Estadual, o Prefeito do Município Beta determinou que sua assessoria analisasse a compatibilidade da reforma com a Constituição da República, sendo-lhe corretamente informado que ela é a) constitucional, já que a Constituição Estadual é a sedes materiae para a disciplina do exercício do poder no âmbito estadual e municipal. b) constitucional, já que a Constituição Estadual se limita a integrar a eficácia de norma programática já prevista na Constituição da República. c) constitucional apenas em relação ao Estado Alfa, mas inconstitucional ao estender esse comando aos Municípios, isto por violar a sua autonomia. d) inconstitucional, já que a Constituição da República limita a chancela, pelo Poder Legislativo, à aprovação dos ocupantes dos órgãos de cúpula da Administração Indireta. e) inconstitucional, já que a reforma afronta a separação dos poderes ao estabelecer indevida ingerência do Poder Legis- lativo em atividade própria do Executivo. 35. (FGV — 2023) O Deputado Federal João, com o objetivo de honrar compromisso assumido junto à sua base eleitoral, soli- citou que sua assessoria analisasse a possibilidade de a região norte do Estado-membro Alfa ser desmembrada e formar um novo Estado-membro da federação brasileira. Após alentada pesquisa, a assessoria concluiu corretamente que o almejado desmembramento da região norte de Alfa, à luz da Constituição da República, a) não é possível, considerando a indissolubilidade da federa- ção brasileira. b) é possível, desde que haja aprovação da população direta- mente interessada e do Congresso Nacional, por meio de lei complementar. c) é possível, desde que o desmembramento seja acolhido em plebiscito pela população de Alfa e a Constituição Estadual seja alterada para modificar os limites do seu território. d) não é possível, considerando que a mobilidade da federação, no plano endógeno, está adstrita aos Municípios, e, no plano exógeno, pressupõe a incorporação de novos territórios. e) é possível, sendo necessário o referendo da proposta pela população da região norte de Alfa, conforme normas esta- belecidas pelo Congresso Nacional e a edição de lei comple- mentar estadual. 36. (FGV — 2023) O Município Alfa, de grande potencial turísti- co, com o objetivo de estimular o desenvolvimento de uma cul-tura “municipalista”, editou a Lei municipal nº X, dispondo que as empresas da área de turismo somente poderiam contratar pessoas residentes há mais de dez anos no referido Município. Essa vedação somente seria excepcionada caso demonstrada a inexistência de pessoas que preenchessem esse requisito. À luz da sistemática estabelecida na Constituição da República de 1988, a Lei municipal nº X é: a) constitucional, considerando que os Municípios devem legislar sobre os interesses locais; b) inconstitucional, pois é vedado aos entes federativos criar quaisquer preferências entre brasileiros; c) constitucional, considerando que cada ente federativo é livre para estabelecer as distinções que mais se ajustem aos interesses da respectiva população; d) constitucional, considerando que a Lei municipal nº X limi- tase a reproduzir o comando constitucional que excepciona a igualdade formal para alcançar a igualdade material; e) inconstitucional, pois o tratamento diferenciado só é possí- vel em relação a brasileiros residentes em regiões diferen- tes, face à obrigação de reduzir as desigualdades regionais. N O ÇÕ ES D E D IR EI TO C O N ST IT U CI O N A L 7 37. (FGV — 2023) O Município Alfa foi criado, em momento pos- terior à promulgação da Emenda Constitucional no 15/1997, mais especificamente em 2007, com base exclusivamente em permissivo da Lei no X, do Estado Alfa, em cujo território estava localizado, e sem a realização de consulta prévia às populações diretamente interessadas. Em demanda na qual se opuseram os Municípios Alfa e Beta, este último, do qual Alfa fora des- membrado, argumentava que a referida criação era inconsti- tucional, logo, não poderia realizar o lançamento do imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (IPTU) dos imó- veis situados no território que fora ilicitamente atribuído a Alfa. Afinal, a competência tributária seria de Beta, pois o seu terri- tório não fora desmembrado de forma válida. Alfa, por sua vez, argumentava que sua criação, promovida por lei publicada em 2007, foi posteriormente convalidada pela Emenda Constitu- cional no 57/2008, logo, fazia jus ao IPTU. À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar que a criação de Alfa: a) embora tenha sido irregular, foi convalidada pela Emenda Constitucional no 57/2008. b) por ter decorrido da prática de ato inconstitucional, não poderia ser convalidado em momento posterior. c) não foi convalidada pela Emenda Constitucional no 57/2008, apenas porque a lei de criação foi publicada em momento inadequado. d) não foi convalidada pela Emenda Constitucional no 57/2008, apenas porque não fora ouvida, mediante plebis- cito, a população diretamente interessada. e) não foi convalidada pela Emenda Constitucional no 57/2008, já que a lei de criação foi publicada em momento inadequa- do e não fora ouvida, mediante plebiscito, a população dire- tamente interessada. 38. (FGV — 2023) Com o objetivo de viabilizar a mobilidade intrínseca da federação, o Presidente da República editou a Medida Provisória no XX, disciplinando o período em que é pos- sível a criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios. Essa Medida Provisória recebeu parecer de uma Comissão Mista de Deputados e Senadores, sendo apreciada, ato contínuo, em sessão conjunta das duas Casas do Congresso Nacional. Por fim, foi convertida, sem alterações, na Lei no YY, promulgada diretamente pela Mesa do Congresso Nacional. À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar que a referida narrativa a) não apresenta irregularidade. b) somente apresenta irregularidade em relação à promulga- ção direta pela Mesa do Congresso Nacional. c) somente apresenta irregularidade em relação à forma de apreciação pelas Casas do Congresso Nacional. d) somente apresenta irregularidade em relação ao objeto da Medida Provisória e à forma de apreciação pelas Casas do Congresso Nacional. e) somente apresenta irregularidade em relação à apreciação pela Comissão Mista e à promulgação direta pela Mesa do Congresso Nacional. 39. (FGV — 2023) Após ampla mobilização popular, que almeja- va a contenção do crescimento do gasto público, a Constituição do Estado Beta foi emendada, passando a estabelecer limitado- res para o quantitativo de secretarias nos Municípios situados no território do referido Estado. O quantitativo, fixado de modo objetivo, variava conforme a população e a arrecadação de cada Município. Irresignados com a inovação, que, ao seu ver, preju- dicaria a sua atuação, um grupo de Prefeitos Municipais con- sultou um advogado a respeito da temática. Foi corretamente esclarecido ao grupo de Prefeitos que, na perspectiva da Constituição da República, a emenda à Consti- tuição Estadual é a) constitucional, pois os Municípios devem observar as nor- mas da Constituição Estadual. b) constitucional, pois o limitador já está previsto na Consti- tuição da República. c) inconstitucional, pois somente lei complementar nacional poderia incursionar na matéria. d) inconstitucional, pois a Constituição Estadual não pode reduzir a autonomia política dos Municípios. e) inconstitucional, pois o Estado Beta somente poderia ter tratado da matéria se tivesse recebido delegação da União. 40. (FGV — 2022) João e Maria travaram intenso debate a respei- to da existência, ou não, de mobilidade intrínseca da federação brasileira, tendo concluído, corretamente, à luz da ordem cons- titucional, que: a) é possível que se tenha mobilidade máxima, de modo que Estados se separem da Federação, desde que haja deci- são da população diretamente interessada por meio de plebiscito; b) a Federação é caracterizada justamente pela ausência da referida mobilidade, já que os entes federativos não podem ser objeto de fusão ou desmembramento; c) os Municípios, como entes federativos menores, podem ser redesenhados, nos planos territorial e político, por decisão do Estado em que estejam inseridos; d) tal mobilidade torna possível a incorporação, a subdivisão ou o desmembramento dos Estados para se anexarem a outros ou formarem novos Estados; e) é possível apenas a incorporação e o desmembramento de Municípios, não de Estados, que são caracterizados pela imobilidade. 41. (FGV — 2022) Em razão de calamidade da natureza, de gran- des proporções, que assolou o Estado Beta, foi promulgada a Lei estadual nº XX, autorizando que o poder público subvencionas- se as organizações religiosas que se encontravam instaladas no local por ocasião da referida calamidade. O objetivo era asse- gurar o seu funcionamento, de modo que pudessem oferecer o apoio espiritual necessário aos fiéis. À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar que a Lei estadual nº XX é: a) inconstitucional, pois é vedado, em qualquer hipótese, que os entes federativos subvencionem as organizações religio- sas em geral; b) constitucional, pois o apoio espiritual deve ser visto na perspectiva mais ampla de preservação da dignidade da pessoa humana, sendo dever do Estado oferecê- lo; c) constitucional, não só porque o Estado Beta detém compe- tência legislativa na matéria, como a manutenção das orga- nizações religiosas é a prioridade da atuação estatal; d) inconstitucional, pois compete privativamente à União definir as situações em que as organizações religiosas devem ser subvencionadas, exigindo-se tratamento nacio- nal uniforme; e) inconstitucional, já que as subvenções, por força do prin- cípio da isonomia, não poderiam ser direcionadas, ape- nas, às organizações religiosas que já estivessem em funcionamento. 42. (FGV — 2022) João, destacado líder sindical do Estado Alfa, iniciou uma intensa campanha junto à população, visando à criação do Estado Beta a partir do desmembramento de parte do território de Alfa. Logo no início dessa campanha, foi orien- tado a se consultar com um advogado a respeitodos requisitos a serem observados para que isto fosse possível. O advogado consultado respondeu corretamente que 8 a) deve prevalecer a autonomia política do Estado Alfa, exigin- do-se apenas a edição de lei complementar estadual auto- rizando o desmembramento. b) o desmembramento, com a formação do Estado Beta, exige aprovação da população diretamente interessada, por meio de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar. c) deve prevalecer a autonomia política do Estado Alfa, exi- gindo-se a aprovação da população diretamente interessa- da e a edição de lei complementar estadual autorizando o desmembramento. d) o desmembramento exige aprovação da população direta- mente interessada, por meio de plebiscito, e a promulgação de emenda constitucional, de modo que o Estado Beta seja inserido na federação. e) o desmembramento exige a aprovação da população direta- mente interessada, a edição de lei complementar estadual autorizando-o e a promulgação de emenda constitucional alterando a composição da federação. 43. (FGV — 2022) O Prefeito do Município Beta, com o objetivo de assegurar à população local o direito ao lazer, editou decre- to dispondo que, nos finais de semana, os locais de diversão do Município, incluindo restaurantes, cinemas e teatros, somente poderiam ser frequentados pelos moradores de Beta. A justifi- cativa apresentada foi a de que os moradores dos Municípios vizinhos se deslocavam para o Município Beta nos finais de semana e geravam uma grande lotação no local. À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar que o decreto do Prefeito do Município Beta é a) inconstitucional, pois restrição dessa natureza somente poderia ser criada por lei. b) inconstitucional, pois o Prefeito do Município Beta não pode instituir esse tratamento diferenciado. c) constitucional, desde que os motivos invocados sejam ver- dadeiros, não meramente idealizados. d) constitucional, pois as autoridades públicas têm a prerro- gativa de disciplinar o exercício de direitos. e) inconstitucional, pois a ordem constitucional somente per- mite a previsão de restrição dessa natureza nos dias úteis. 44. (FGV — 2022) A Lei nº XX, do Estado Beta, com o objetivo de uniformizar procedimentos, dispôs que os documentos públi- cos produzidos por outros entes federativos deveriam ser obje- to de ratificação perante as repartições públicas competentes de Beta. Com isso, ainda de acordo com a lei, esses documentos passariam a ter uma presunção de veracidade. A Lei nº XX é: a) inconstitucional, pois é vedado ao Estado Beta recusar fé a esses documentos; b) constitucional, pois os documentos públicos somente têm fé perante os órgãos do ente federativo que os produziu; c) constitucional, pois compete ao Estado Beta definir a forma como os documentos públicos devem ser utilizados em seu território; d) constitucional, pois a aquisição da presunção de veracidade é pré-requisito para que o documento público tenha sua fé reconhecida por um ente federativo; e) inconstitucional, pois compete privativamente à União indicar os documentos públicos, produzidos por um ente federativo, que devem ter a fé reconhecida por outro. 45. (FGV — 2022) Um agente público federal, em entrevista a jornal de grande circulação, expressou sua insatisfação com o baixo índice de desenvolvimento econômico e social de aproxi- madamente 25 por cento do amplo território ocupado pelo Esta- do Alfa, mais precisamente da parte sul do Estado. Por entender que a autoridade estadual não possui os recursos necessários para implementar políticas que desenvolvam essa região, afir- ma que faz parte da agenda do governo federal transformar a referida área em território federal. O Governador de Alfa, preo- cupado com o teor do pronunciamento, solicita que os procura- dores do Estado informem se tal medida é possível, segundos os parâmetros estabelecidos na Constituição Federal de 1988. O corpo jurídico, então, responde que a) embora na atual configuração da República Federativa do Bra- sil não conste nenhum território federal, caso venha a ser cria- do, constituirá um ente dotado de autonomia política plena. b) embora não exista território federal na atual configuração da República Federativa do Brasil, a Constituição Federal de 1988 prevê, expressamente, a possibilidade de sua criação. c) em respeito ao princípio da autonomia estadual, somente seria possível a criação de território pelo Governador de Alfa, a quem caberia a responsabilidade pela gestão. d) ainda que o Brasil já tenha tido territórios federais, a Consti- tuição Federal não prevê tal modalidade, o que afasta a pos- sibilidade de sua criação. 46. (FGV — 2022) No que tange à organização político-adminis- trativa da República Federativa do Brasil, as regras da Constitui- ção da República de 1988 sobre distribuição de competências são alicerces do federalismo e consagram a fórmula de divisão de centros de poder no Estado de Direito, sendo guiadas pelo denominado princípio da: a) legalidade; b) boa-fé; c) predominância do interesse; d) moralidade; e) subsidiariedade. 47. (FGV — 2022) Maria, jovem estudante de direito, questio- nou o seu professor sobre a situação jurídica dos Territórios no âmbito da federação brasileira. O Professor respondeu corretamente que a) o único Território existente possui plena autonomia políti- ca, integrando a federação brasileira. b) os dois Territórios existentes fazem parte da União, não sendo considerados entes federativos. c) os territórios, que atualmente não existem na realidade brasileira, são nivelados aos Estados e ao Distrito Federal. d) apesar de não existir nenhum território na realidade brasi- leira, caso venham a existir, não serão considerados entes federativos. e) os territórios, que atualmente não existem na realidade brasileira, devem ser considerados entes politicamente autônomos, que resultam da reunião dos Municípios. 48. (FGV — 2022) A região norte do Município Alfa tinha gran- de potencial turístico, enquanto a região sul era um importante polo industrial. Por entenderem que as obras de infraestrutura construídas pelo Município atendiam mais aos interesses da região sul, os moradores da região norte iniciaram forte cam- panha para que a região norte fosse incorporada pelo Município Beta, também com elevado potencial turístico. Os líderes do movimento procuraram um advogado e o con- sultaram em relação à forma de sacramentar a alvitrada incor- poração. Foi-lhes corretamente informado que, entre outros requisitos, a incorporação seria efetivada mediante a) lei estadual, no período estabelecido por lei complementar federal. b) lei do Município Alfa, no período determinado em lei esta- dual, atendidos os requisitos fixados em lei complementar federal. N O ÇÕ ES D E D IR EI TO C O N ST IT U CI O N A L 9 c) leis dos Municípios Alfa e Beta, no período determinado em lei estadual, atendidos os requisitos fixados em lei comple- mentar federal. d) emenda à Constituição Estadual, com base em leis dos Municípios Alfa e Beta, que homologassem às consultas realizadas às respectivas populações, nos termos de lei complementar federal. e) alteração das leis orgânicas dos Municípios Alfa e Beta, nos termos da lei estadual, no período estabelecido por lei com- plementar federal. 49. (FGV — 2021) Com o objetivo de estimular a abertura de igre- jas, o que, ao ver dos idealizadores do projeto, contribuiria para aumentar o bem-estar da população, o Estado Alfa editou a Lei nº XX. De acordo com esse diploma normativo, as igrejas que preen- chessem os requisitos exigidos teriam subvencionadas 50% de suas despesas regulares. Considerando a sistemática constitucional, é correto afirmar que a Lei nº XX é a) inconstitucional, em razão do caráter laico dos entes federativos. b) constitucional, em razão do elevado interesse público a ser atendido com a iniciativa.c) constitucional, pois é dever do Estado prestigiar a liberdade de crença, subvencionando as igrejas. d) inconstitucional, salvo se for assegurado que a subvenção alcance, de forma igualitária, todas as religiões. e) inconstitucional, pois a subvenção foi parcial e as entidades sem fins lucrativos devem recebê-la de modo integral. 50. (FGV — 2018) A população do norte do estado Alfa, insatis- feita com a grave crise econômica e a notória incompetência do governador do estado, aprovou, em plebiscito, o desmembra- mento do referido território do estado Alfa e sua incorporação ao estado Beta, o que também foi aprovado pela população des- te último. Ato contínuo, os governadores dos estados Alfa e Beta editaram ato conjunto sacramentando o desmembramento e a correlata incorporação. À luz da sistemática constitucional, o referido procedimento está a) incorreto, pois o princípio da indissolubilidade da Federa- ção afasta qualquer mobilidade interna, de ordem territo- rial, entre os estados. b) correto, pois as populações interessadas foram ouvidas, e sua vontade foi chancelada por agentes democraticamente legitimados. c) incorreto, pois a questão federativa é estranha à vontade popular e deve ser integralmente resolvida no âmbito do Senado, que conta com representação paritária dos estados. d) correto, desde que, após a aprovação pelas populações inte- ressadas e a edição do ato conjunto, cada Assembleia Legis- lativa edite a lei de sua competência. e) incorreto, pois, além da aprovação pela população direta- mente interessada, é necessária a aprovação do Congresso Nacional, por lei complementar, não dos governadores. 51. (FGV — 2018) A federação é a forma de Estado composta pela associação de múltiplas entidades territoriais autônomas, dotadas de governo próprio, que dividem responsabilidades em diferentes âmbitos. De acordo com o texto constitucional, o Brasil, considerado um exemplo de Estado federado, não inclui como ente da federação a) o Distrito Federal b) os Estados c) os Municípios d) os Territórios federais e) a União 52. (FGV — 2015) A ordem constitucional de 1988, mantendo a tradição brasileira, seguiu o sistema federativo. Assim, a exis- tência de uma Constituição Federal denota que: a) todos os entes federados estão submetidos aos comandos estatuídos pela União, somente podendo legislar quando autorizados por esta; b) a união dos entes federados é provisória, podendo ser dis- solvida sempre que for o desejo do povo, que pode ser con- sultado em plebiscito; c) todos os entes federados contam com os Poderes Legisla- tivo, Executivo e Judiciário, independentes e harmônicos entre si; d) existe uma descentralização política entre os entes federa- dos, que exercem as competências ali previstas; e) existe uma união indissolúvel entre Estados, Municípios, Territórios e o Distrito Federal. 53. (FGV — 2015) A Constituição da República Federativa do Bra- sil adotou, como forma de Estado, a federação. A existência des- sa federação é caracterizada pela: a) subordinação dos Estados, do Distrito Federal e dos Muni- cípios à União, nos termos da Constituição da República Federativa do Brasil; b) autonomia política da União, dos Estados, do Distrito Fede- ral, dos Territórios e dos Municípios, nos termos da Consti- tuição da República Federativa do Brasil; c) subordinação dos Municípios aos Estados e ao Distrito Federal, nos termos da Constituição da República Federati- va do Brasil; d) concentração da autonomia política na União, que repre- senta o Poder Público nas relações internas e internacionais; e) autonomia política da União, dos Estados, do Distrito Fede- ral e dos Municípios, nos termos da Constituição da Repú- blica Federativa do Brasil. 54. (FGV — 2015) A parte da população do Estado V situada ao sul do seu território, insatisfeita com a pouca atenção que vem recebendo dos últimos governos, organiza-se e dá início a uma campanha para promover a criação de um novo Estadomem- bro da República Federativa do Brasil – o Estado N, que passaria a ocupar o território situado na parte sul do Estado V. O tema desperta muita discussão em todo o Estado, sendo que alguns argumentos favoráveis e outros contrários ao desmembramen- to começam a ganhar publicidade na mídia. Reconhecido constitucionalista analisa os argumentos listados a seguir e afirma que apenas um deles pode ser referendado pelo sistema jurídico-constitucional brasileiro. Assinale-o. a) O desmembramento não poderia ocorrer, pois uma das características fundamentais do Estado Federal é a impos- sibilidade de ocorrência do chamado direito de secessão. b) O desmembramento poderá ocorrer, contanto que haja aprovação, por via plebiscitária, exclusivamente por parte da população que atualmente habita o território que for- maria o Estado N. c) Além de aprovação pela população interessada, o desmem- bramento também pressupõe a edição de lei complemen- tar pelo Congresso Nacional com esse objeto. d) Além de manifestação da população interessada, o siste- ma constitucional brasileiro exige que o desmembramen- to dos Estados seja precedido de divulgação de estudos de viabilidade. 10 55. (FGV — 2014) José é cidadão do município W, onde está loca- lizado o distrito de B. Após consultas informais, José verifica o desejo da população distrital de obter a emancipação do distrito em relação ao município de origem. De acordo com as normas constitucionais federais, dentre outros requisitos para legitimar a criação de um novo Municí- pio, são indispensáveis: a) lei estadual e referendo. b) lei municipal e plebiscito. c) lei municipal e referendo. d) lei estadual e plebiscito. 56. (FGV — 2014) Sobre a organização político-administrativa do Estado brasileiro, analise as afirmativas a seguir. I. O Estado brasileiro divide-se em entes federativos de três diferentes níveis organizados hierarquicamente. II. Os Municípios podem legislar de forma suplementar sobre matérias elencadas pela Constituição de 1988 como sendo de competência legislativa concorrente. III. A competência legislativa sobre assuntos de interesse local é privativa dos Municípios. Assinale: a) se somente a afirmativa I estiver correta. b) se somente a afirmativa III estiver correta. c) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. e) se todas as afirmativas estiverem corretas. 57. (FGV — 2014) Nos termos da Constituição Federal de 1988, a criação de um município ocorre mediante autorização expres- sa em lei estadual. Além disso, a criação de um município dependerá a) da mobilização dos movimentos sociais. b) de audiência pública prévia. c) de avaliação popular. d) de consulta prévia plebiscitária. e) de referendo político-partidário. 58. (FGV — 2014) Sobre a organização político-administrativa da República Federativa do Brasil, assinale a afirmativa correta. a) Compete aos Estados assegurar a defesa nacional. b) É permitido à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios criar distinções entre brasileiros. c) São bens da União os recursos minerais, exceto os do subsolo. d) Incluem-se entre os bens dos Estados todas as terras devolutas. e) Compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos da Constituição. Æ UNIÃO: BENS E COMPETÊNCIAS EXCLUSIVAS, PRIVATIVAS, COMUNS E CONCORRENTES (ARTS. 20 A 24 DA CF/1988) 59. (FGV — 2023) Em razão de ampla mobilização popular, o Estado Alfa, com o objetivo de proteger as vítimas e as testemu- nhas de infrações penais, editou a Lei nº XX, a partir de projeto de lei de iniciativa parlamentar, estatuindo o sigilo no boletim de ocorrência e no inquérito policial no âmbito do referido ente federativo. Por entender que a Lei nº XX era flagrantemente prejudicial à sua atividade, a associação dos veículos de comunicação social solicitou que sua assessoriajurídica analisasse a compatibili- dade desse diploma normativo com a ordem constitucional. A assessoria respondeu corretamente que a Lei nº XX é a) inconstitucional, por violar a liberdade de informação. b) inconstitucional, pois está presente o vício de iniciativa. c) constitucional, por se enquadrar no âmbito da competência legislativa residual dos Estados. d) inconstitucional, por violar a competência privativa da União para legislar sobre processo penal. e) constitucional, por se ajustar à competência concorren- te entre a União e os Estados para legislar sobre matéria procedimental. 60. (FGV — 2023) O Estado Alfa, com o objetivo de preservar o equilíbrio de um importante ecossistema existente em seu ter- ritório, editou a Lei nº X e criou o serviço de controle e preserva- ção ambiental. Além disso, o mesmo diploma normativo inseriu, entre as fontes de custeio desse serviço, taxa correspondente a um percentual da arrecadação das sociedades empresárias que atuam na geração de energia elétrica, realizando o aproveita- mento energético dos cursos de água existentes no território de Alfa, atividade considerada potencialmente poluidora. À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar que a Lei nº X é: a) inconstitucional, pois compete privativamente à União legislar sobre proteção do meio ambiente; b) constitucional, pois, por se tratar de curso de água perten- cente a Alfa, cabe a esse ente legislar sobre a matéria. c) constitucional, considerando a aderência da atividade ao território de Alfa e a competência legislativa concorrente; d) inconstitucional, pois a fixação de taxa em percentual da receita das sociedades empresárias tem efeito de confisco; e) inconstitucional, por se tratar de intervenção indevida do Estado em atividade econômica explorada pela União. 61. (FGV — 2021) A Assembleia Legislativa do Estado Alfa, com o objetivo de disciplinar alguns aspectos formais afetos à ela- boração das leis orçamentárias de cada exercício financeiro, começou a discutir o Projeto de Lei nº ZZ, o que foi objeto de dúvidas em alguns ciclos, já que a matéria era de competência legislativa concorrente com a União. Com os olhos voltados a essa narrativa e à sistemática constitu- cional, é correto afirmar que o Projeto de Lei nº ZZ: a) afronta a competência da União para legislar sobre orçamento; b) deve observar as normas gerais editadas pela União a res- peito da matéria; c) somente produzirá efeitos quando sobrevierem as normas gerais editadas pela União; d) deve ter sido antecedido de lei complementar da União, autorizando a edição de lei estadual; e) pode dispor livremente sobre a matéria, tendo preferência, no território do Estado, sobre as normas da União. Æ ESTADOS FEDERADOS - ORGANIZAÇÃO, COMPETÊNCIAS, BENS (ARTS. 25 A 28 DA CF/1988) 62. (FGV — 2023) Em razão dos numerosos problemas ocorri- dos na prestação do serviço local de gás canalizado, o Município Alfa editou a Lei nº XX, dispondo que a sua exploração deveria ocorrer com estrita observância dos padrões de ordem admi- nistrativa estabelecidos nesse diploma normativo. N O ÇÕ ES D E D IR EI TO C O N ST IT U CI O N A L 11 A respeito da compatibilidade da Lei nº XX com a Constituição da República de 1988, assinale a afirmativa correta. a) Ela é constitucional, por se tratar de matéria de interesse local, de competência legislativa dos Municípios b) Ela é constitucional, por se tratar de matéria de competên- cia legislativa comum entre todos os entes federativos. c) Ela é inconstitucional, por se tratar de serviço de compe- tência da União, o que impede que a Lei nº XX incursione na temática. d) Ela é inconstitucional, por se tratar de serviço de compe- tência do Estado, o que impede que a Lei nº XX incursione na temática. e) Ela é constitucional, desde que a Lei nº XX somente produ- za efeitos no território do Município Alfa e não destoe das normas editadas pela União. 63. (FGV — 2022) A Constituição do Estado Alfa foi recentemente alterada pela Emenda Constitucional nº XX, sendo estabelecida uma ordem de prioridade das políticas públicas de interesse local a serem implementadas pelos Municípios situados em seu território. Como um dos Municípios alcançados por essa medida era dominado por forças políticas de oposição àquelas que capi- tanearam a reforma da Constituição Estadual, um advogado foi consultado a respeito da correção desse proceder, tendo respondido corretamente que o estabelecimento da referida ordem de prioridades é a) inconstitucional, pois a Constituição Estadual não projeta a sua força normativa sobre os Municípios, apenas sobre o Estado. b) constitucional, pois a Constituição Estadual deve dispor sobre todas as matérias afetas aos Municípios situados em seu território. c) constitucional, pois a Constituição Estadual, enquanto cópia exata da Constituição da República, é vinculante para os Municípios. d) constitucional, pois a Constituição Estadual deve discipli- nar a promoção das políticas públicas municipais, de modo a assegurar maiores níveis de eficiência. e) inconstitucional, pois a Constituição Estadual não pode reduzir a autonomia política dos Municípios para além dos balizamentos estabelecidos pela Constituição da República. 64. (FGV — 2015) Na medida em que a República Federativa do Brasil encontra-se organizada sob a forma de uma Federação, formada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios, é correto afirmar, em relação à divisão de compe- tências legislativas, que: a) todos os entes federativos podem legislar sobre qualquer matéria; b) os Estados e o Distrito Federal somente podem legislar se autorizados pela União; c) os Municípios somente podem legislar se autorizados pelo Estado em que inseridos; d) a ordem constitucional não previu qualquer hipótese de competência concorrente; e) existem matérias sujeitas à competência privativa de deter- minado ente federativo. Æ MUNICÍPIOS - ORGANIZAÇÃO E COMPETÊNCIAS (ARTS. 29 A 31 DA CF/1988) 65. (FGV — 2024) Após ampla mobilização popular, o Municí- pio Alfa editou a Lei no X, vedando a participação em proces- sos licitatórios e a realização de contratos administrativos com o município, de detentores de mandato eletivo municipal no âmbito desse ente federativo. Apesar da aceitação popular, a Lei no X foi duramente criticada pelos agentes que tiveram sua esfera jurídica restringida por esse diploma normativo. Considerando a divisão de competências estabelecida pela Constituição da República, é correto afirmar que a Lei no X a) foi editada no exercício da competência legislativa suple- mentar do Município. b) invadiu a competência privativa da União para legislar sobre licitações e contratos administrativos. c) foi editada no exercício da competência legislativa privativa do Município, por versar sobre interesse local. d) invadiu a competência privativa da União para legislar sobre direito civil, isto por versar sobre capacidade civil. e) somente será constitucional se tiver sido editada lei com- plementar da União autorizando o seu exercício. 66. (FGV — 2021) Joana, vereadora do Município Alfa, situado na região sul do país, viajou a Brasília em missão oficial. Em visita ao Congresso Nacional, fez um duro pronunciamento contra a gestão do Prefeito Municipal, qualificando-o com adjetivos que seriam conceitualmente enquadrados sob a epígrafe dos cri- mes contra a honra. Ao tomar conhecimento das palavras de Joana, o Prefeito Municipal consultou o seu advogado sobre a possibilidade de responsabilizá-la, sendo informado, corretamente, de que a referida vereadora: a) pode ser responsabilizada por suas palavras e opiniões, sal- vo se o objetivo da missão oficial fosse o de criticar a gestão do Prefeito Municipal; b) não pode ser responsabilizada, em nenhuma hipótese, por suas palavras e opiniões, desde