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Departamento de Engenharia do Produto
CENTRO DE TREINAMENTO TÉCNICO
Curso de Válvulas de Controle - CVA
VÁLVULAS DE CONTROLE
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Sumário:
1-Introdução
2-Componentes principais
3-Classificação das Válvulas de Controle
4-Principais Tipos de Válvulas de Controle:
1. Válvula globo de sede simples
2. Válvula globo de sede dupla
3. Válvula globo gaiola
4. Válvula globo micro-fluxo
5. Válvula globo angular
6. Válvula globo três vias
7. Válvula de diafragma
8. Válvula sanitária
9. Válvula borboleta
10.Válvula de obturador rotativo excêntrico
11.Válvula esfera
5-Materiais de Construção
6-Curvas Características de Vazão
7-Atuadores Pneumáticos
8-Acessórios para válvulas
3
Curso Válvulas de Controle
Spirax Sarco
1-Introdução
A válvula de controle tem a função de
manipular a vazão de um fluido (líquido,
gás ou vapor) que escoa através de um
conduto fechado.
Pertencente ao grupo dos Elementos
Finais de Controle, aválvula é um
dispositivo que opera normalmente em
conjunto com outros instrumentos de
medição e controle, de modo a executar
a regulagem automática do fluxo.
A regulagem do fluxo é feita através da
variação da área de passagem da
válvula, em resposta ao posicionameno
relativo de seus internos (obturador e
sede).
Para que uma válvula de controle possa operar corretamente é fundamental
fazer um criterioso levantamento técnico das condições operacionais do
processo a ser controlado, e a seguir o dimensionamento e a especificação da
mesma.
Fig. 1.1 – Diagrama esquemático de um sistema de controle por realimentação.
Válvula de
Controle
Atuador
Controlador
Processo
Sensor
4
Fig. 1.2 – Malha de controle de temperatura por realimentação.
Existem dois tipos de controle em que a válvula pode operar:
(a)Controle de duas posições
Neste tipo de controle a válvula pode assumir somente duas posições ou
aberturas. Por exemplo, totalmente aberta ou totalmente fechada (conhecido
como controle “on-off”) ou ainda 25% e 75% do curso.
Este tipo de controle causa oscilações na variável controlada, sendo
utilizado em processos que utilizam controle de nível, aquecimento de
fluidos, autoclaves de indústrias alimentícias, etc).
(b) Controle modulante
Neste caso a válvula pode assumir infinitas posições ou aberturas
intermediárias, incluindo as posições totalmente aberta e totalmente
fechada. O controle modulante é o que mais exige de uma válvula, tendo em
vista que a mesma opera a maior parte do tempo em aberturas parciais,
estando sujeita a aumentos de velocidades, aumentos de diferenciais de
pressão, que não raro causam erosão, vibração, ruído e cavitação.
5
Fig. 1.3 – Curva de resposta da variável controlada, em função do tempo.
2-Componentes principais da válvula de controle
Corpo
É o componente da válvula que contém a pressão do fluido e também onde
estão localizados os elementos de vedação, isto é, o obturador e a sede.
As suas extremidades para conexão ao processo são normalmente flangeadas,
roscadas ou soldadas.
Classificação dos corpos:
Corpo de sede simples
Tipo de construção em que o como possui apenas um orifício de passagem e
um elemento de vedação.
Corpo de sede dupla
Tipo de construção em que o como possui dois orifícios de passagem e um
duplo elemento de vedação.
Corpo de duas vias
Este tipo de como é fabricado com duas conexões, sendo uma para entrada e
outra para saída do fluxo. As conexões podem ser construídas em linha,
permitindo fluxo de passagem reta ou construída em planos ortogonais,
permitindo fluxo de passagem angular.
Corpo de três vias
Neste modelo o corpo é dotado de três conexões, sendo duas em linha e uma
em plano ortogonal. Podemos ter: fluxo convergente (válvula misturadora)- duas
entradas e uma saída; e fluxo divergente (válvula distribuidora) - uma entrada e
duas saídas.
Temperatura
B - Modulante
A - ”On-Off”
C - Modulante,
grande “off-set”
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Castelo
O castelo é a parte da válvula onde estão montados a haste ou o eixo do
obturador, bem como o sistema de engaxetamento. Serve também como
suporte para fixação do atuador através de conexões flangeadas ou em alguns
casos soldadas, O castelo esta sujeito às mesmas condições de pressão e
temperatura atuantes no corpo, e deve ser especificado com o mesmo critério.
Classificação dos castelos
Castelo normal
É o castelo padrão utilizado em aplicações gerais com temperaturas máximas de
operação de até 250ºC, considerando-se as gaxetas tipo anéis de teflon PTFE
(seção em “V”, com mola de compensação de desgaste). Para temperaturas de
250ºC e até 426ºC, utiliza-se engaxetamento de grafite com espaçador sólido.
Fig. 1.4 – Curva de resposta da variável controlada, em função do tempo.
Castelo extendido
Possui uma altura maior que o normal, de tal forma que a caixa de gaxetas fica
bastante afastada em relação a área de escoamento do fluido.
Ao longo do castelo extendido ocorre uma transferência de energia térmica,
permitindo a utilização de um mesmo material de gaxetas para operar com
fluidos de temperaturas extremas (de -196 a 5380C).
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Castelo com fole de selagem
Possui um fole de metálico soldado que veda totalmente a passagem do fluido
em direção a caixa de gaxetas, evitando assim quaisquer vazamentos para o
meio ambiente. É especificado em aplicações específicas, envolvendo fluidos
tóxicos, radioativos ou explosivos (de -196 a 3000C).
Quando se utiliza o fole de selagem, tanto o castelo como a caixa de gaxetas
ficam isolados da ação corrosiva do fluido, podendo assim serem construídos
com materiais de menor custo.
Atuador
O atuador é o dispositivo responsável pelo fornecimento da força motriz
necessária para acionar a válvula ao longo do seu curso útil. Deve proporcionar
uma operação estável e manter a posição do obturador apesar das forças
estáticas e dinâmicas do fluido que tendem a deslocá-lo. Na condição de
fechamento (‘shutt-off”) deve ser capaz de suportar o máximo diferencial de
pressão e garantir a vedação requerida na válvula. Os atuadores podem ser
pneumáticos, elétricos ou hidráulicos.
3-Classificação das Válvulas de Controle
3.1-Válvulas lineares
• Válvula globo sede simples
• Válvula globo sede dupla
• Válvula globo micro-fluxo
• Válvula globo gaiola
• Válvula globo angular
• Válvula globo de três vias
• Válvula de diafragma
Série KE71B;
73B e 43B. Máx. 300 ºC
@ 20 Kgf/cm²
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3.2-Válvulas rotativas
• Válvula borboleta
• Válvula de obturador rotativo excêntrico
• Válvula esfera
• Válvula esfera caracterizada
Nas válvulas lineares o elemento de vedação é acionado por uma haste
deslizante e movimenta-se linearmente em direção à sede.
Nas válvulas rotativas o elemento de vedação é acionado por um eixo rotativo e
descreve um movimento giratório em direção à sede.
4-Principais tipos de válvulas
4.1-Globo Sede Simples – Guia Superior
Neste tipo de válvula de globo o fluido escoa através de um único orifício de
passagem.
Acima do obturador existe um sistema de guia cuja função é garantir o correto
alinhamento do conjunto haste-obturador ao longo do curso da válvula.
Fig. 4.1.1 - Vista em corte de uma válvula globo LE (sede simples)
9
As principais características da válvula globo sede simples são:
(a) Boa vedação devido a facilidade de ajuste e acabamento das superfícies de
vedação. Classes de vedação (conforme a norma ANSI B 16.104): classe IV
(0,01% Cv) e classe VI (“tight shut-off’).
(b) Obturador desbalanceado. O fluxo deve ser orientado no sentido de abrir a
válvula, ou seja entrando por baixo do obturador. O fluxo por cima deve ser
evitado pois ele pode ocasionar instabilidades e batimentos do obturador
contra a sede (“chattering”), principalmente em pequenas aberturas.
Fig. 4.1.2PSIA
Pressão a Juntante, P2 .........................................................................................100 PSIA
Temperatura, T1 ...................................................................................................370 ºF
Peso Molecular, M ................................................................................................18,02
Pressão Critica .................................................................................................3.208,2 PSIA
Temperatura Critica, PC... .....................................................................................705,5 ºF
Razão dos Calores Específicos, K...........................................................................1,33
Diâmetro da Tubulação ..........................................................................................6 Pol.
Tipo de Válvula ...............................................................................................Globo Gaiola
Sentido de Fluxo .......................................................................................Fluxo–Para-Abrir
Resolução
1º Passo – Selecionar a Formula
)1/().(18 ZTMXYPCFNW VP ⋅⋅⋅⋅⋅=
Onde:
3,198 =N
2º Passo – Verificar o Tipo de Fluxo
( ) ( ){ }
70,0
74,0)4,1/33,1(/
41,0170/)100170(/)( 121
=⋅
==⋅
=−=−=
TK
TArVaporTK
XF
XKKXF
PPPX
Como X⎝
⎛ −
=
a
dPR
Pv1P
PSE
(*) Cv, N1, dV são valores obtidos no cálculo da vazão da válvula (ver ISA 75.01).
Considerando cones de redução/expansão - Fator Pipe
Caso existe cones de redução e expansão na válvula, a equação abaixo deve ser utilizada:
( )
⎟
⎟
⎠
⎞
⎜
⎜
⎝
⎛
⋅
⋅+
+σ⋅=σ
4
2
v
2
P
dV2N
Cv1Kb1K
Fp
Onde Pσ é o sigma genérico final resultante.
(*) Fp, K1, Kb1, Cv, N2 e dV são valores obtidos no cálculo da vazão da válvula (ver ISA
75.01).
4. Sigma considerando P2 no cálculo
Outra forma conhecida de sigma é através de P2 ao invés de P1. Assim:
2P1P
Pv2P
2 −
−
=σ (Equação 2)
73
Para relacionar 2σ com sigma σ basta subtrair, assim:
1
2P1P
2P1P
2P1P
Pv2PPv1P
2P1P
Pv2P
2P1P
Pv1P
2 =
−
−
=
−
+−−
=
−
−
−
−
−
=σ−σ
Conclui-se então que: 12 +σ=σ
Muitas literaturas ainda trazem 2σ como valor de referência de sigmas máximos recomendados
pelo fabricante.
74
75
76- forças atuantes na válvula globo sede simples
Quando a válvula esta totalmente fechada, temos P2=O, e a queda de pressão
AP = P1 - P2 = P1 - 0 = P1.
A força resultante F, atua no sentido de levantar o obturador e é transmitida
através da haste.
Por exemplo: Considerar P1 = 70 Kg/cm2 e d=4 polegadas
F= P 1 . π.(d)²
4
F= 70 [4.(2,54)]² F = 5.675Kgf
4
10
Quanto maior for a pressão de entrada e também o diâmetro da sede da válvula
maior será a força de atuação requerida ao atuador. Em muitos casos isto
significa especificar um atuador de maior tamanho que o padrão, resultando em
maior custo inicial.
Fig. 4.1.3 - Aplicação de válvula globo em controle de vazão.
A válvula globo sede simples se aplica ao contrôle modulante de líquidos, gases
e vapores nas mais severas condições de temperatura e pressao.
Devido ao perfil de escoamentodo fluido no seu interior (em forma de “S”), a
válvula globo pode absorver grandes perdas de carga, sendo ideal por exemplo
para estações redutoras de pressão em sistemas de vapor.
As válvulas globo estão disponíveis nos seguintes diâmetros: 1/2’, 3/4”, 1”,
1.1/4”, 1.1/2”, 2”, 3”, 4”, 6”, 8”, 10”, e 12”. Classes de pressão: 150#, 300#, 600#,
900#, e 1500#.
Estes modelos por serem mais compactos, oferecem solução bastante
econômica para controle modulado ou “on-off” de fluidos como água, ar, vapor e
outros.
11
Fig. 4.1.4 - Válvula globo modelo
KE, com sede simples, guias
superior e na sede.
Equipada com atuador reversível,
com diafragma rolante (área
constante) e sistema multi-molas
(compacto).
Posicionador modelo EP5
eletropneumático .
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4.2-Válvula Globo Sede Dupla
A válvula globo sede dupla, possui dois orifícios de passagem para o
escoamento do fluido.
A principal vantagem da sede dupla é o seu balanceamento, ou seja, o equilíbrio
das forças estáticas que atuam sobre o obturador. O obturador com sede dupla
opera com menores forças de acionamento, permitindo um controle mais suave
e mais estável sob altos diferenciais de pressão.
Fig. 4.2.1 - Vista dos internos da válvula sede dupla
A principal limitação da válvula globo sede dupla é que quando na posição
fechada apresentam um alto índice de vazamento, correspondente a classe II
(0,5% Cv) da norma ANSI B16.104.
Existe uma impossibilidade técnica para se assentar corretamente os dois
obturadores nas respectivas sedes. Isto porque o obturador superior possui um
diâmetro ligeiramente maior que o inferior, sofrendo dilatações térmicas
diferentes quando em operação.
No passado, a válvula globo sede dupla teve larga aplicação em indústrias de
petróleo, químicas e petroquímicas, porém tornou-se inviável devido ao seu alto
custo de aquisição e manutenção.
Hoje em dia existem outros tipos de válvulas mais competitivas e com melhor
desempenho quanto a vedação.
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Classe de
Vedação
Máximo vazamento aceitável através da
sede
Especificação KE/LE
Classe I Versão modificada das Classes II, III ou IV, na
qual existe um acordo entre o fornecedor e o
cliente, não requer teste.
Classe II 0.5% da capacidade especificada
(típica de válvulas globo
sede dupla e válvula globo
gaiola balanceada)
Classe III 0.1% da capacidade especificada
Classe IV 0.01% da capacidade especificada
Sim - Padrão metal – metal
Teste com ar, 50 psi.
Classe V 5x10-4 ml por minuto de água, por polegada do
diâmetro do orifício, por psi diferencial.
Sim – Assento macio.
Teste específico com água
na pressão máx. trabalho
ou 100 psi (por acordo).
Classe VI Diâmetro orifício passagem Nº Bolhas/min.
(pol.)
1 1
1.1/2 2
2 3
2.1/2 4
3 6
4 11
6 27
8 45
Sim – Assento macio.
Nota:
O assento macio propor-
ciona um vedação
praticamente estanque,
“bubble-tight shut off”.
CCllaasssseess ddee VVeeddaaççããoo ppaarraa vváállvvuullaass ddee ccoonnttrroollee,,
ccoonnffoorrmmee aa nnoorrmmaa AANNSSII //FFCCII 7700--22 11997766::
14
4.3-Válvula Globo Gaiola
Este tipo de válvula vem sendo aperfeiçoado nos últimos anos face a sua
crescente utilização na maioria dos processos industriais.
A principal diferença da globo gaiola em relação a globo convencional, esta no
projeto inédito dos internos, o qual proporciona as seguintes vantagens:
(a) Facilidade de remoção das partes internas, pois estas são simplesmente
encaixadas no como da válvula (não há roscas);
(b) grande estabilidade operacional proporcionada pelo sistema de guia do
obturador. A área de guia de uma globo gaiola é cerca de 30% superior a
área de guia da globo sede dupla.
(c) maior capacidade de vazão do que as globo convencionais.
(d) obturador de menor peso, o que reduz a tendência a vibração horizontal e
desgaste mecânico.
(e) maior versatilidade: ampla variedade de internos anticavitantes e baixo
ruído.
Tipos Construtivos dos Internos
• Válvula Globo Gaiola Desbalanceada
• Válvula Globo Gaiola Balanceada
4.3.1-Válvula Globo Gaiola Balanceada
Fig. 4.3.1 - Válvula globo gaiola balanceada
15
A gaiola é uma peça cilíndrica montada sobre a sede, no Interior da qual desliza
o obturador balanceado. A gaiola possui janelas ou aberturas laterais as quais
são cuidadosamente projetadas de modo a produzir a curva de vazão desejada
e garantir uma larga faixa de trabalho (“rangeability”).
O obturador balanceado possui orifícios internos que equalizam a pressão em
ambos os lados do obturador, promovendo assim o equilíbrio das forças
atuantes sobre o mesmo. Dessa forma toma-se possível manipular maiores
quedas de pressão, sem a necessidade de aumentar-se o tamanho do atuador.
Fig. 4.3.2-Válvula globo gaiola balanceada
SERIE C .
A direita vemos o detalhe do obturador
balanceado, com 4 furos de equalização de
pressão.
Este obturador é indicado para operar com
altos diferenciais de pressão, com excelente
estabilidade de controle.
A série C esta disponível em diâmetros de até 12”, nas classes de pressão
150, 300, 600, 1500 e 2500 libras.
16
4.3.2-Válvula Globo Gaiola Desbalanceada
Este tipo é bastante semelhante a globo sede simples, exceto que a sede é
fixada ao corpo através da própria gaiola e não através de roscas.
Podemos notar que o obturador ao movimentar-se, é guiado pela parte interna
da gaiola, semelhante ao movimento de um pistão de motor Isto melhora
consideravelmente sua resistência a fluidos sujos e corrosivos.
A válvula globo gaiola desbalanceada se presta ao controle de fluidos com
pressões moderadas de operação, proporcionando boa vedação e uma ampla
variedade de internos tais como:
internos padrão (Cv= 1.0 — 400), internos reduzidos (Cv= 0,25 a 5), internos
micro-fluxo, (Cv= 0,0025 — 0,20).
Fig. 4.3.3 - Válvula globo gaiola desbalanceada
4.4-Válvula globo micro-fluxo
Trata-se de uma variação construtiva da válvula globo sede simples, em que a
área de passagem (entre sede e obturador) é bastante reduzida quando
comparada aos internos “padrão” para um mesmo tamanho do corpo.
É fabricada nos diâmetros nominais de 1/2’, ¾”, 1”, 1.1/4”, 1.1/2”, 2” com Cv’s
disponíveis nos seguintes padrões:
• 0,15 / 0,25 / 0,40 / 0,50 / 0,85 / 1,0 / 1,2 / 1,9 / 2,0 / 2,5 / 3,4 / 4,5 / 5,5 / 7,0 / 8,0
/ 10,6 / 11,0 / 13,0 e 14,017
É largamente utilizada em indústrias de química fina, petroquímicas,
alimentícias, farmacêuticas, e onde se necessita manipular pequenas vazões ou
dosagens de aditivos, catalizadores, reagentes e outros fluidos de processo.
Quanto a vedação podem construídas com sede metálica (classe IV) ou sede
resiliente (classe VI).
4.5-Válvula globo angular
Nste tipo construtivo o corpo é fabricado com duas conexões, dispostas em
planos ortogonais, estabelecendo assim uma passagem angular de 90º. Por
apresentar autodrenagem constante e uma passagem mais livre que as globo
convencionais, é indicada para operar com fluidos lamacentos (“slurries”), fluidos
erosivos e fluidos em vaporização (“flashing”).
4.6-Válvula globo três vias
Fig. 4.6.1-Válvula tipo três vias
Trata-se de uma válvula globo em que o corpo possui três vias para
escoamento, podendo ser utilizada para misturar ou separar fluidos de processo.
Quando esta válvula é usada para misturar fluidos, temos um fluxo convergente,
e quando é usada para separar fluidos, temos um fluxo divergente.
Notar que esta válvula não serve para bloqueio, já que com o obturador
totalmente levantado o fluxo passa de “A” para “C”, e com o obturador
totalmente baixado o fluxo passa de “B’ para “C”.
18
Fig. 4.6.2 – Válvula misturadora, fluxo convergente.
Fig. 4.6.2 – Válvula separadora, fluxo divergente.
C A
B
C A
B
19
4.7-Válvula de Diafragma
Este modelo de válvula utiliza como elemento de vedação um diafragma
prensado, normalmente fabricado em borracha (EPDM, até 650C) ou plástico
(teflon, até 1750C).
O diafragma além de produzir uma vedação totalmente estanque, também
protege o mecanismo de acionamento em relação ao fluido de processo,
dispensando assim a utilização de juntas e gaxetas no castelo.
Fig. 4.7.1 - Vista em corte de uma válvula diafragma, corpo em ferro fundido,
com acionamento manual, extremidades flangeadas e indicador de curso.
Outra característica muito importante desta válvula é que o corpo é possui as
paredes internas revestidas com materiais resistentes a corrosão, tais como,
borracha (dura ou macia), neoprene, vidro, teflon, entre outros.
Esta última característica aliada ao seu perfil de escoamento desobstruído,
permite a manipulação fluidos com sólidos em suspensão, massa de papel (até
5% de consistência), fluidos viscosos e fluidos lamacentos.
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4.7.1-Componentes principais
• Corpo - É fabricado normalmente em ferro fundido e depois revestido com
material apropriado ao fluido do processo. Exemplo de materiais de
revestimento: borracha natural, vidro, ebonite. teflon, chumbo, etc.
• Castelo - É o conjunto formado pela tampa, haste e compressor. Ao girar-se o
volante no sentido horário, a haste e o compressor movimentam-se para baixo
O compressor comprime o diafragma contra a sede da válvula, efetuando a
vedação.
• Diafragma - É o elemento que desempenha o papel de obturador da válvula. O
diafragma é constituído por uma peça de borracha prensada, sendo montado
sob o compressor. Pode ser confeccionado em diversos materiais: neoprene,
borracha nítrica (buna-N), viton, teflon, borracha natural, etc.
• Extremidades - Tipo flangeada, roscada e solda de encaixe.
A curva característica de vazão da válvula diafragma é extremamente limitada
para serviços com contrôle modulante, sendo mais utilizada em contrôle “on-off”.
requeridas na partida do mesmo.
4.8-Válvula sanitária
A válvula sanitária possui um corpo
angular, com auto-drenagem, projetado
especialmente para atender as normas
que regulamentam as aplicações em
processos sanitários. As partes internas
da válvula, em contato com o fluido, são
fabricadas em aço inoxidável 316L, com
fino acabamento superficial (polimento
0,4 microns), de modo a não acumular
quaisquer partículas ou fibras que
certamente iriam contaminar o processo
na próxima batelada.
O corpo é dotado de conexões integrais
do tipo conexão rápida, totalmente livre
de fendas ou aberturas. Isto permite
uma fácil remoção da válvula e a necessária limpeza interna após o término da
produçao.
A válvula sanitária é bastante utilizada em indústrias de laticínios, de extração de
sucos, farmacêuticas, etc.
21
4.9 -Válvula Borboleta
Trata-se de um dos tipos mais comuns de válvulas de deslocamento rotativo.
Possui um desenho construtivo simples, que consiste de um como tipo anel
circular, no interior do qual tem-se um disco apoiado por dois mancais. Este
disco possui movimento rotativo e pode deslocar-se em um ângulo de até 90
graus, desempenhando assim a função do obturador da válvula.
A sede é constituída pela própria parede interna do corpo, que na maior parte
das aplicações é revestida (ou encamisada) com material resiliente (macio) de
modo a garantir uma vedação totalmente estanque (classe VI -“bubble tight”).
fig. 4.9.1 - Válvula borboleta, classe 125#, revestida com EPDM, extremidades
tipo “wafer”, semi-lug, acionamento tipo volante com caixa de redução e cilindro
pneumático.
O corpo da válvula borboleta geralmente é do tipo sem flanges, também
conhecido como tipo “wafer”, admitindo o fluxo nos dois sentidos.
São geralmente fabicadas diâmetros de 2”a 24” (corpo tipo “wafer”) e de 30” a
60” (corpo flangeado).
Existe uma grande quantidade de fabricantes e também uma enorme variedade
de modelos construtivos, porém são de especial interesse para aplicações em
indústrias, aqueles com extremidades tipo “lug” e “semi-Iug”.
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A extremidade tipo “semi-lug” possui dois furos que auxiliam a montagem da
válvula. Se adaptam facilmente aos flanges padrão ANSI ou flanges padrão
DIN.
A extremidade tipo “lug” possui furação idêntica a dos flanges entre os quais
será instalada. Pode ser especificada com ou sem rosca. Este tipo garante a
correta centralização do corpo da válvula em relação a tubulação.
4.9.1 - Análise das forças estáticas e dinâmicas na válvula borboleta
Fig. 4.9.2 - Torque dinâmico em válvulas borboleta.
Quando a válvula esta fechada ou completamente aberta podemos observar no
gráfico que não há resultante de força torsora atuando sobre o disco. Isto ocorre
devido a simetria do mesmo e ao balanceamento das forças exercidas pela
pressão do fluido.
Porém, quando o disco se desloca, assumindo diferentes aberturas parciais, tal
balanceamento (equilíbrio) não existe mais. Surgem então forças resultantes
que tendem sempre a fechar a válvula, qualquer que seja a direção do fluido.
Este efeito é semelhante ao que ocorre na asa de um avião, ou seja, a
velocidade do fluxo na primeira borda é menor que a velocidade encontrada
na segunda borda, o que gera uma distribuição desigual da pressão estática
ao longo da superfície do disco.
A força resultante da pressão estática é que produz um torque (força x distância)
no sentido de fechar a válvula.
A partir de 40 graus, podemos observar que o torque dinâmico cresce
rapidamente atingindo o seu valor máximo a 70 graus.
Por isso que válvulas tipo borboleta operando em torno de 70 graus podem
23
ocasionar instabilidades no controle, seja este manual ou automático.
Recomenda-se em aplicações com controle modulante, que o curso máximo
seja de 60 graus.
4.9.2 - Válvula borboleta revestida internamente
Fig. 4.9.3 - Válvula borboleta revestida internamente, corpo em aço carbono,
revestimento de buna N, extremidades semi-lug, com volante e caixa de
engrenagens.
Pode-se afirmar que este modelo é
o preferido pela maioria dos
usuários pela excelente vedação
que proporciona e também por ter
uma grande resistência a fluidos
corrosivos.
A borracha é vulcanizada no anel
metálico (este conjunto é conhecido
como carretel), o qual pode ser
substituído sempre que houver
desgaste ou vazamentos. O disco
metálico ao fechar, se encaixa
totalmente no interior do carretel
para promover avedação.
24
É bastante utilizada em serviços com líquidos (inclusive corrosivos ou com
partículas em suspensão), gases e vapores, em indústrias químicas,
petroquímicas, alimentícias, usinas de álcool e açúcar, entre outras.
Para aplicação na indústria alimentícia, por exemplo na fabricação de suco de
laranja concentrado, para atender aos requisitos de não-contaminação, o disco é
fabricado em aço inoxidável (ASTM-A351-Grau CF8M) e depois totalmente
polido. Isto garante que o mesmo não irá reter quaisquer partículas do produto,
após a limpeza da linha.
As limitações quanto a temperatura devem ser verificadas em função do tipo de
elastômero ou qualquer outro revestimento utilizado pelo fabricante (ex: Buna N,
Viton, Teflon, etc.).
4.10 - Válvula Esfera
A válvula esfera é constituída basicamente por um obturador rotativo, com o
formato de uma esfera oca, montado no interior de um corpo, onde também
estão instaladas as duas sedes da válvula. Devido ao seu sistema de
assentamento, proporciona uma vedação excelente, mesmo com sedes
metálicas. Apresenta elevada capacidade de vazão quando comparada com os
demais tipos de válvulas, além de ser aplicável tanto em bloqueio como em
controle modulante (sua curva característica de vazão é do tipo igual
percentagem.
Fig.10.1 - Válvula esfera com atuador
pneumático , retorno por mola.
A válvula esfera possui na verdade dois
pontos de controle de fluxo. A medida que a
esfera é fechada, a pressão de entrada vai
sendo reduzida em dois estágios: na entrada
e na saída.
25
Fig. 4.10.2 - Vista em corte de uma válvula esfera típica, com passagem integral.
Corpo tipo bipartido, fabricado em aço inoxidável 316, com sedes de Teflon.
4.10.1 - Componentes principais
A válvula esfera é constituída de uma série de componentes, que poderão variar
um pouco, conforme o fabricante:
1-esfera
2-haste de acionamento
3-corpo
4-sedes (metálicas ou resilientes)
5-preme gaxetas
6-cruzeta
26
4.10.2 - Tipos de esfera
• Esfera de passagem integral -“full ball”
A área de passagem é totalmente livre e praticamente igual a área de passagem
do corpo da válvula. Isto propicia máxima capacidade de vazão, mínima
tendência a obstrução, sendo também adequada para passagem de “pigs”
(sistema de limpeza de dutos de transferência e estucagem).
Fig. 4.10.3 – Componentes de uma válvula esfera, corpo tipo monobloco, com
acionamento manual.
• Esfera de passagem reduzida -“reduced ball”
Neste caso a esfera oferece uma área de passagem menor do que a “full ball”,
em torno de 40% da capacidade de vazão. Possui um custo menor que o
modelo integral.
4.10.3 - Sistemas de guia da esfera
• Esfera pendular
Neste sistema as sedes suportam a esfera formando um conjunto auto-centrante
com boa eficiência de vedação.
Quando a válvula é fechada, a pressão estática do fluido à montante empurra a
esfera contra a sede, num movimento pendular. Assim, a vedação é feita
sempre na sede à jusante da válvula, independente do sentido de fluxo.
27
Este sistema é indicado para serviços de bloqueio e controle de processos,
desde aplicações gerais com pressões moderadas, até fluidos viscosos,
incrustantes ou com sólidos em suspensão.
Importante: Ressaltamos que se uma esfera pendular for submetida a grandes
diferenciais de pressão, o torque requerido para acionamento será muito maior,
face ao aumento da força de atrito entre a esfera e a sede (válvula fechada).
Dessa forma deve-se evitar a sua utilização em linhas de alta pressão.
Classes de pressão típicas (ANSI B16.34): 150# e 300#.
•Esfera flutuante
O princípio de funcionamento é semelhante ao da esfera pendular, ou seja, a
pressão do fluido empurra a esfera contra a sede quando a válvula é fechada.
Porém, o movimento não é pendular porque a haste é apenas encaixada na
esfera através de uma fenda apropriada. Dessa forma fica eliminado qualquer
esforço cortante sobre a haste de acionamento, e a esfera pode mover-se
livremente para se ajustar na sede. Isto propicia uma vedação eficiente a partir
de diferenciais de pressão bem reduzidos, não induzindo histerese de
acionamento.
A esfera flutuante é suportada apenas pelas sedes da válvula, formando um
conjunto auto-centrante.
O corpo geralmente é forjado ou laminado, possibilitando a especificação de
uma enorme variedade de materiais para atender a virtualmente qualquer
processo industrial que envolva fluidos agressivos.
Classes de pressão típicas para a válvula esfera flutuante (ANSI B16.34): 150#,
300# e 600# (alguns fabricantes 900# e 1500#).
Esfera “trunnion”
A esfera é suportada por dois mancais de boa eficiência, o que redunda em
baixos torques de acionamento da válvula, mesmo sob elevados diferenciais de
pressão. Ao contrário do sistema pendular, a vedação é obtida através de sedes
móveis que são pressionadas contra a esfera por molas instaladas entre como e
sedes. Deste modo a esfera gira sempre em relação a mesma linha de centro,
sem qualquer deslocamento lateral. Este sistema assegura um duplo bloqueio
do fluido. Por se tratar de uma válvula robusta é amplamente utilizada na
indústria de petróleo (produção e refino), gás natural (produção, compressão e
distribuição), bem como indústrias químicas e petroquímicas. Também é
indicada para manipular a vazão de gases com baixa pressão, já que para vedar
não dependem da pressão do fluido. Classes de pressão típicas (ANSI Bl6.34):
150#, 300# e 600#.
28
4.4.4 - Tipos de corpos
O corpo da válvula é onde estão alojadas a esfera, mancais, haste e sedes de
vedação. Podem ser construídos em 3 (três) tipos básicos:
•Monobloco: Construção compacta. Utiliza a válvula com extremidades roscadas
ou flangeadas.
•Bipartido: Basicamente a válvula é dividida em 2 (duas) partes, que podem ser
simétricas (duas partes iguais) ou assimétricas. Este tipo é geralmente fabricado
com extremidades roscadas ou flangeadas.
Tripartido: Construção de fácil manutenção, pois é possível retirar apenas o
corpo da válvula, enquanto as extremidades permanecem roscadas ou soldadas
à tubulação
4.10.5 - Tipos de sede
A construção da sede quanto ao projeto em si, pode ser do tipo sede fixa ou
sede móvel (auto-ajustável) dependendo do modelo da válvula. Quanto ao tipo
de material podemos ter:
•Sede resiliente ou “soft seat”
É fabricada teflon-PTFE, que é um tipo de fluorcarbono bastante utilizado,
podendo inclusive ser reforçado com carga de grafite ou com pó de bissulfêto de
molibdênio (MoS2).
A carga de grafite (MoS2) apresenta boas propriedades de deslizamento, baixo
coeficiente de atrito, resistência à abrasão e suporta altas pressões de trabalho.
A sede resiliente apresenta vedação totalmente estanque, sendo bastante
indicada para aplicações de bloqueio. Possuem também excelente resistência a
fluidos corrosivos e um limite de aplicação da ordem de 2300C.
Importante: No caso de operação com aberturas parciais, pode ocorrer uma
deformação da sede de teflon, tendo em vista o aumento localizado da
velocidade de escoamento.
•Sede metálica
E confeccionada com aço inoxidável, com revestimento de “stellite”, ou com ligas
especiais. Suporta temperaturas acima de 2300C e também altos diferenciais de
pressão. São aplicáveis não apenas em serviços de bloqueio, como também em
controle modulante.
29
5-Materiais de Construção
É muito importante que os profissionais envolvidos com a especificação de
válvulas de controle, estejam familiarizados com os diversos materiais de
construção, inclusive com as especificações ASTM e os padrões ANSI de
classes de pressão.
Isto pode ser útil não apenas na especificação de válvulas como também numa
situação de emergência em que se necessite remanejar ou substituir uma
válvula do processo. Nestes casos é importante lembrar que uma válvula de
material mais nobre pode substituir uma de material menos nobre.
Classificação
GeralMATERIAIS
FORJADOS
MATERIAIS
FUNDIDOS
Limites de
Temperatura
•Ferro fundido ASTM-A.126 Cl.B -10ºC a 232ºC
•Ferro dúctil ASTM-A-395 -10ºC a 232ºC
•Aço carbono ASTM-A-105 ASTM-A-216 Gr.WCB -10ºC a 426ºC
•Aço liga Cromo-
Molibdênio
5%Cr-1/2%Mo
ASTM-A-182
Gr. F5a
ASTM-A-217 Gr.C5 -10ºC a 538ºC
•Aço inox. 304 ASTM-A-182
Gr. F304
ASTM-A-351 Gr.CF8 -254ºC a 815ºC
•Aço inox. 304L ASTM-A-182
Gr. F304L
ASTM-A-351Gr. CF3 -254ºC a 815ºC
•Aço inox. 316 ASTM-A-182
Gr. F316
ASTM-A-351
Gr. CF8M
-254ºC a 815ºC
•Aço inox. 316L ASTM-A-182
Gr. F316L
ASTM-A-351
Gr. CF3M
-254ºC a 815ºC
•Bronze ASTM-B62 -198ºC a 288ºC
•Monel ASTM-A-296 M35 -198ºC a 482ºC
Tabela 5.1 - Materiais para fabricação de corpos de válvulas conforme a norma
ASTM.
Por exemplo: uma válvula de aço liga C5 (5% Cr e 1/2% Mo) pode substituir uma
de WCB (aço carbono). Uma válvula de CF8M (Inox 316) pode substituir uma de
WC (aço carbono).
Mas em todos os casos, estas substituições caracterizam não conformidades e
como tal precisam ter aprovação prévia dos órgãos de manutenção/inspeção e
precisam estar identificadas e serem desfeitas na primeira oportunidade.
Os principais materiais utilizados na construção de corpos de válvulas, sejam
eles forjados, laminados ou fundidos, são normalizados pela ASTM-American
Society for Testing and Materials”.
30
5.1 - Classe de Pressão
O primeiro passo para selecionar-se o material de fabricação do corpo da
válvula é levantar cuidadosamente as condições de operação determinadas pelo
processo. Por condições de operação, entendemos os seguintes ítens:
(a) Tipo do fluido (gás/vapor/líquido) a ser manipulado;
(b) Pressão máxima e pressão mínima de operação;
(c) Temperatura máxima e mínima de operação;
(d) O fluido é corrosivo ou abrasivo?
Com estas informações o pessoal de engenharia pode selecionar o material de
fabricação da válvula, determinando também qual a classe de pressão requerida
pelo processo.
Para determinar-se qual a classe de pressão da válvula, utiliza-se a combinação
pressão-temperatura, juntamente com o tipo de material (ver pág. 83 - Anexo I).
Observando as tabelas do Anexo I, podemos verificar que a maioria dos
materiais apresentam uma sensível redução na sua resistência mecânica, a
medida que se eleva a temperatura de operação.
As classes de pressão mais utilizadas para válvulas em indústrias em geral, são:
Classes 150# , 300#, 600#, 900# e 1500#.
Existem também outras classes intermediárias que podem ser especificadas:
Classes 125#, 200#, 400#, e outras, dependendo do modelo de válvula.
5.2 - Material dos Internos
As partes internas, isto é, constituídas de sedes, obturador, buchas e hastes,
estão sujeitas a maiores esforços mecânicos (principalmente em aberturas
parciais) bem como maior desgaste por erosão, abrasão e cavitação.
Por esta razão deve-se redobrar os cuidados na seleção dos materiais
construtivos dos mesmos.
Na tabela (6.2) , na página seguinte, vemos as principais características dos
materiais utilizados para a fabricação de internos de válvulas:
31
Material
dos
Internos
Limite
de
tempera-
tura (ºC)
Dureza
Rockwell
C
Resistência
a Corrosão
Resistência
a Erosão
Aplicações
Típicas
•Bronze
-273 a
232
(60 BNH)
Moderada
Fraca
Água, ar, gases
e vapor. Quedas
de pressão de
até 50 psi.
•Aço Inox.
316
-254 a
315
8
Excelente
Moderada
Vapor, água,
óleo e gases até
200 psi de
queda de
pressão.
•Aço Inox.
420
-100 a
427
40
Moderada
Boa
Serviços
erosivos. Altas
quedas de
pressão.
•Aço Inox.
431
-100 a
427
44
Moderada
Boa/
Excelente
Serviços
erosivos. Altas
quedas de
pressão.
•Aço Inox.
440C
-46 a
427
55-60
Moderada
Excelente
Serviços
altamente
erosivos, ou
cavitantes.
•Stellite nº6
-254 a
815
44
Excelente
Boa
Serviços
erosivos. Altas
quedas de
pressão.
•Monel K
-240 a
315
32
Boa a
excelente
Moderada a
Boa
Serviços
altamente
corrosivos:
álcalis, sais,
produtos
alimentícios
Tabela 5.2 - Materiais utilizados para a fabricação dos internos de
válvulas e suas características.
32
6-Curvas Características de Vazão
O que vem a ser uma curva caraterística de vazão? Quando em uma válvula
qualquer (posição fechada), desloca-se gradualmente o obturador no sentido de
abertura, tem-se um aumento progressivo da área de passagem. E quanto
maior for a área de passagem, maior será a vazão do fluido de processo através
da válvula.
A curva característica de vazão é a relação entre a percentagem de abertura e
a respectiva vazão produzida.
6.1-Curva Característica de Vazão Inerente
Fig. 6.1.1 - Curvas características de vazão inerente
33
6.1- Curva característica inerente
É a curva característica de vazão obtida, com uma queda de pressão constante
durante a abertura da válvula. Os fabricantes de válvulas apresentam sempre
curvas características do tipo inerente, as quais são levantadas em laboratório
específico para testes hidrodinâmicos.
O que define a curva característica de vazão é não só o tipo de válvula (globo,
borboleta, diafragma, etc) mas também o perfil do seu obturador.
6.2-Curva Característica de Vazão Instalada
É a curva característica de vazão obtida sob condições de operação no campo,
onde a queda de pressão varia, conforme a vazão e as demais condições do
processo. Pode-se dizer em última análise, que é a curva real de vazão através
da válvula, no processo onde esta instalada. Esta curva não é fornecida pelo
fabricante da válvula e deve sempre que for necessário ser levantada no campo.
6.3-Tipos de Curva Característica de Vazão Inerente:
•Tipo Abertura Rápida
Produz grandes variações de vazão no inicio da abertura, estabilizando a partir
de 60% do curso.
O fato desta curva apresentar um ganho inicial muito elevado, ocasiona
instabilidades e oscilações quando utilizada para controle modulante. Indicada
apenas para serviços de bloqueio (totalmente aberta ou totalmente fechada).
Válvulas com característica semelhante a abertura rápida: válvula gaveta,
válvula macho e válvula de diafragma.
•Tipo Linear
Produz uma variação de vazão constante ao longo da abertura da válvula.
É utilizada para controle de processos em geral (líquidos, gases e vapor) onde a
pressão da linha apresenta pouca variação. Válvulas com característica
semelhante a linear: mais comuns são as válvulas globo com internos tipo
linear e válvula de obturador rotativo excêntrico.
•Tipo Igual Porcentagem
No início tem-se uma pequena variação de vazão para um grande percentual de
abertura. Entretanto, a medida que aumenta-se a abertura da válvula, há m
aumento progressivo da vazão.
Indicada para controle de processos onde ocorrem grandes variações de
pressão, ou seja, a queda de pressão sobre a válvula não é mantida constante.
Válvulas com característica semelhante a igual porcentagem: válvulas borboleta,
válvulas esfera e válvulas globo com internos do tipo igual porcentagem.
34
Fig. 6.1.2 - Tipos de válvulas x Curvas características de vazão.
Fig. 6.1.3 - Tipos de obturadores x Curvas características de vazão.
35
7- Atuadores Pneumáticos
O atuador é o equipamento responsável por fornecer a força motriz necessária
ao funcionamento da válvula de controle. É selecionado de modo a proporcionar
um controle estável e suave, superando a ação das forças estáticas e dinâmicas
do fluido que atuam na válvula de controle.
A função do atuador é movimentar o elemento de vedação da válvula, em
resposta ao sinal de comando do controlador.
Principais tipos:
• Pneumático a mola e diafragma;
• Pneumático a pistão;
• Elétrico.
7.1- Atuador pneumático tipo mola e diafragmaEste tipo de atuador utiliza um diafragma flexível de neoprene, sobre o qual age
uma pressão de carga variável em oposição à força produzida por uma mola. O
diafragma é alojado entre dois tampos, formando duas câmaras, sendo uma
delas totalmente estanque por onde entra o sinal de pressão do ar de
acionamento. A força motriz é obtida pelo produto da pressão de carga vezes a
área efetiva do diafragma.
A faixas de pressão mais comuns são:
de 0,2 a 1,0 bar
de 0,4 a 2,0 bar
de 0,8 a 1,5 bar
Assim, por exemplo, uma válvula montada com atuador de ação direta
recebendo 0,2 bar sobre o diafragma, estará 100% aberta. E quando for
pressurizada com 1,0 bar estará 100% fechada.
Ação direta
Ar para Fechar
36
Ação Reversa
Ar para Abrir
7.2 - Atuador pneumático tipo pistão
Este tipo de atuador utiliza um pistão metálico montado no interior de um cilindro
para converter a pressão do ar em força motriz.
A medida que a pressão do ar aumenta no interior do cilindro, o pistão
movimenta-se e empurra (ou gira, no caso de válvulas rotativas) o obturador da
válvula de controle.
A principal vantagem deste tipo de atuador é que ele suporta maiores níveis de
pressão de ar e portanto é capaz de gerar maiores forças ou torques de
acionamento.
É largamente utilizado em válvulas rotativas como por exemplo a borboleta e a
esfera.
Como desvantagem podemos citar o fato de ter
uma velocidade de acionamento muito rápida, fato
que pode gerar oscilações e até golpes de aríete
na tubulação em que opera. Neste caso devemos
utilizar válvulas de fluxo (“speed control”) para
reduzir a velocidade de acionamento da válvula.
Podem ser fabricados com retorno por mola ou na
versão dupla ação ( ar para abrir e ar para fechar).
37
8- Acessórios para válvulas
Acessórios são dispositivos utilizados na válvula com o objetivo de melhorar o
seu desempenho, coletar informações e também auxiliar as ações de controle. A
seguir relacionamos os principais tipos de acessórios:
• Filtro de ar
• Filtro-regulador
• Válvulas solenóides
• Chaves fim-de-curso
• Conversores eletropneumático
• Posicionadores
• Transmissores de posição
• “Boosters’ de volume
• Volantes manuais
8.1 - Filtro de ar
É utilizado para eliminar umidade e impurezas da linha de ar comprimido que
alimenta um instrumento ou um acessório pneumático.
É muito comum especificar um filtro de ar na linha de suprimento de um
posicionador eletropneumático, evitando assim o acúmulo de gotículas de água,
óleo ou partículas no seu interior.
8.2 - Filtro-regulador de ar
Utilizado para filtrar e regular a pressão
do ar de suprimento.
Neste caso o filtro de ar possui um
regulador de pressão incorporado e um
manômetro para monitorar a pressão de
saída (ex.: O-3Opsi., 0-2bar).
A máxima pressão de entrada no filtro
regulador é da ordem de 10 bar ou 150
psi.
Opcionalmente por razões econômicas,
pode ser fornecido sem o manômetro.
38
8.3 - Válvulas solenóides
Uma válvula solenóide é uma combinação de dois dispositivos: um solenóide
(eletromagnético) com seu núcleo; e uma válvula contendo um orifício no qual
um disco de vedação é posicionado para interromper ou liberar a passagem de
fluido. A válvula é aberta ou fechada através do movimento do núcleo
magnético, o qual é atraído pelo solenóide sempre que a bobina for energizada.
Apresenta uma grande variedade de tensões AC/DC (por ex.: 24 VCC, 110 VCA
e 220 VCA) podendo ser fornecidas com invólucros à prova de explosão ou à
prova de água e pó.
As bobinas, encapsuladas em epóxi sob pressão, são projetadas para operar em
várias faixas de temperatura:
• Classe F: trabalho contínuo até 155 0C;
• Classe H: trabalho contínuo até 180 0C.
Dependendo da aplicação podemos ter:
• Válvulas solenóides de 2 vias:
São válvulas de fechamento rápido, com uma conexão de entrada e outra de
saída. Podem ser do tipo normalmente abertas ou normalmente fechadas.
• Válvulas solenóides de 3 vias:
Possuem três conexões e dois orifícios (quando um orifício abre o outro fecha).
Émuito utilizada em contrôles “on-off”, para pressurizar atuadores tipo diafragma
de simples ação.
• Válvulas solenóides de 4 vias:
Possuem quatro ou cinco conexões: uma entrada, duas saídas e um ou dois
escapes. E normalmente utilizada para operar atuadores tipo cilindro de tipo
dupla ação. Na posição desemegizada a pressão de entrada é api.icada a um
dos lado do cilindro, enquanto o outro é exaurido para a atmosfera, e vice-versa.
8.4 - Chaves fim-de-curso
As chaves fim-de-curso fornecem um sinal elétrico para indicação remota da
posição da válvula (aberta ou fechada). Geralmente são constituídas de chaves
rotativas com dois polos simples de 16 A, SPDT, totalmente ajustáveis ao curso
da válvula. Disponíveis também em DPDT e com sensores de proximidade
(magnético).
São montadas em caixas à prova d’água ou à prova de explosão, sendo
fornecidas com suportes para montagem no atuador da válvula.
39
8.5 - Conversor eletro-pneumático
A sua função básica é converter sinais de
corrente ou tensão em sinal pneumático. Os
conversores de uso mais comum convertem
um sinal elétrico de 4-20 mA em um sinal
pneumático de 3 a 15 psi.
Podem ser montados junto à válvula ou à
distância, evitando por exemplo a presença de
sinais de corrente elétrica em uma área
classificada e também vibrações sobre o
instrumento.
Os invólucros dos conversores também estão
disponíveis em vários tipos de proteçao.
8.6 - Posicionadores
Em resposta ao sinal de comando do controlador, garante o posicionamento
exato da válvula, compensando as forças dinâmicas do fluido e o atrito das
partes deslizantes da válvula. Também aumenta a força de assentamento na
válvula, tendo em vista que possui alimentação própria.
Permite inversão de ação de controle e melhora o tempo de resposta da válvula.
É o principal acessório utilizado nos sistemas de acionamento.
Fig. 8.6.1 – Posicionador Pneumático EP5.Posicionador EP5
40
Fig. 8.6.2 – Esquema de funcionamento de um posicionador
O modelo EP5 possui duas versões: Pneumático e eletro-pneumático, podendo
ainda ser instalado em atuadores do tipo simples ação (retorno por mola) ou em
atuadores tipo dupla ação (ar para abrir e ar para fechar).
Possui uma alavanca deslizante com parafuso trava, que permite o ajuste do
curso tanto para ação direta como para ação reversa. É possível também ajustar
a velocidade de acionamento do atuador (ajuste de amortecimento).
Recomenda-se que o mesmo seja especificado sempre com bloco de
manômetros, pois isto facilita os procedimentos de calibração e inspeção do
conjunto atuador - posicionador.
Fig. 8.6.3 – Vista interna do posicionador eletro-pneumático EP5.
41
Posicionador Eletro-pneumático inteligente SP2
O SP2 amplia as vantagens e benefícios inerentes a um posicionador comum,
por oferecer uma qualidade inteligente para o controle pneumático. Com uma
interface de fácil manuseio, o SP2 possui muitas funções configuráveis através
do seu “software” integrado. Entre as principais funções estão o auto-ajuste na
partida, medição da performance da válvula, indicação digital da abertura da
válvula, status do sinal de entrada, e outros informados no manual de instruções.
Fig. 8.6.3 - Posicionador SP2: Indicação digital da abertura da válvula, teclado
incorporado para ajuste de funções, “software” incluso com auto-diagnóstico,
curso auto-ajustável na partida da válvula, tempo de abertura/fechamento
ajustável, com três tipos de curvas características (linear, igual percentagem e
abertura rápida). Pode ser fornecido com transmissor de posição 4- 20 mA.
42
ANEXO I - TABELAS TÉCNICAS PARA CLASSES DE
PRESSÃO, CONFORME A NORMA ANSI B 16.34
Tabela I.1:
MATERIAIS
Tempe-
ratura
ASTM-A-126 ASTM-A-
105
ASTM-A-216WCB
(1)
ºF
Classe 125
PSI
Classe
800
PSI
Classe
150
PSI
Classe
300
PSI
Classe
600
PSI
ø2”a 12” ø14”a 24”
-20 a 100 - - 2.000 285 740 1.480
-20 a 150 200 150 1.970 - - -
200 190 135 1.940 260 675 1.350
225 180 130 - - - -
250 175 125 1.915 - - -
275 170 120 - - - -
300 165 110 1.895 230 655 1.315
325 155 105 - - - -
350 150 100 1.875 - - -
375 145 - - - - -
400 140 - 1.850 200 635 1.270
425 130 - - - - -
450 125 - 1.810 - - -
500 - - 1.735 170 600 1.200
550 - - 1.640 - - -
600 - - 1.540 140 550 1.095
650 - - 1.430 125 535 1.075
700 - - 1.305 110 535 1.065
750 - - 1.180 95 505 1.010
800 - - 1.015 80 410 825
850 - - 800 65 270 535
900 - - 600 50 170 345
950 - - 425 35 105 205
1000 - - 235 20 50 105
(1) Ver nota 1, na página seguinte.
43
Tabela I.2:
MATERIAIS
Tempe-
ratura
ASTM-A-352-LC3
(2)
ASTM-A-352-LCB
(3)
ºF Classe
150
PSI
Classe
300
PSI
Classe
600
PSI
Classe
150
PSI
Classe
300
PSI
Classe
600
PSI
-20 a 100 290 750 1.500 265 695 1.390
200 260 750 1.500 250 655 1.315
300 230 730 1.455 230 640 1.275
400 200 705 1.410 200 620 1.235
500 170 665 1.330 170 585 1.165
600 140 605 1.210 140 535 1.065
650 125 590 1.175 125 525 1.045
700 110 570 1.135 110 520 1.035
750 95 505 1.010 95 475 945
800 80 410 825 80 390 780
850 65 270 535 65 270 535
900 50 170 345 50 170 345
950 35 105 205 35 105 205
1000 20 50 105 20 50 105
Notas:
1)Uso prolongado acima de 800ºF (426ºC) , permitido mas não recomendado.
2)Não deve ser utilizado acima de 650ºF (343ºC). Para trabalho a baixa
temperatura o limite é de -150ºF (-101ºC).
3)Não deve ser utilizado acima de 650ºF (343ºC). Para trabalho a baixa
temperatura o limite é de -50ºF (-45ºC).
44
Tabela I.3:
MATERIAIS
Tempe-
ratura
ASTM-A-217-C5 ASTM-A-217-WC1
(1)
ºF Classe
150
PSI
Classe
300
PSI
Classe
600
PSI
Classe
150
PSI
Classe
300
PSI
Classe
600
PSI
-20 a 100 290 750 1.500 265 695 1.390
200 260 750 1.500 260 680 1.360
300 230 730 1.455 230 655 1.305
400 200 705 1.410 200 640 1.280
500 170 665 1.330 170 620 1.245
600 140 605 1.210 140 605 1.210
650 125 590 1.175 125 590 1.175
700 110 570 1.135 110 570 1.135
750 95 530 1.065 95 530 1.065
800 80 500 995 80 510 1.015
850 65 440 880 65 485 975
900 50 355 705 50 450 900
950 35 260 520 35 280 560
1000 20 190 385 20 165 330
1050 *20 140 280 - - -
1100 *20 105 205 - - -
1150 *20 70 140 - - -
1200 *20 45 90 - - -
Notas:
1)Uso prolongado acima de 850ºF (454ºC), permitido mas não recomendado.
*Somente para válvulas com extremidades para solda.
45
Tabela I.4:
MATERIAIS
Tempe-
ratura
ASTM-A-351-CF8 ASTM-A-351-CF8M
ºF Classe
150
PSI
Classe
300
PSI
Classe
600
PSI
Classe
150
PSI
Classe
300
PSI
Classe
600
PSI
-20 a 100 275 720 1.440 275 720 1.440
200 235 600 1.200 240 620 1.240
300 205 530 1.055 215 560 1.120
400 180 470 940 195 515 1.030
500 170 435 875 170 480 955
600 140 415 830 140 450 905
650 125 410 815 125 445 890
700 110 405 805 110 430 865
750 95 400 795 95 425 845
800 80 395 790 80 415 830
850 65 390 780 65 405 810
900 50 385 770 50 395 790
950 35 375 750 35 385 775
1000 20 325 645 20 365 725
1050 *20 310 620 *20 360 720
1100 *20 260 515 *20 325 645
1150 *20 195 390 *20 275 550
1200 *20 155 310 *20 205 410
1250 *20 110 220 *20 180 365
1300 *20 85 165 *20 140 275
1350 *20 60 125 *20 105 205
1400 *20 50 95 *20 75 150
1450 *15 35 70 *20 60 115
1500 *10 25 50 *15 40 85
*Somente para válvulas com extremidades para solda.
46
Departamento de Engenharia do Produto
CENTRO DE TREINAMENTO TÉCNICO
Dimensionamento de Válvulas de Controle
47
Dimensionamento de Válvulas de Controle
1)Cálculo do Coeficiente de Vazão - Cv
1.1) lntrodução
A correta especificação do diâmetro nominal de uma válvula de
controle, requer inicialmente o cálculo do coeficiente de vazão,
denominado Cv. Este coeficiente esta relacionado diretamente ao tipo de
válvula e a sua área de passagem e basicamente exprime a sua
capacidade de vazão.
Quanto maior for o coeficiente de vazão de uma válvula, maior a
sua capacidade de vazão quando instalada em um processo.
Para calcular o coeficiente de vazão devemos fazer um criterioso le-
vantamento das variáveis de processo, o mais próximo possível das
condições reais em que a válvula irá operar.
Ressaltamos que, de nada adianta utilizar um método de cálculo de
alta precisão, como o que será apresentado, sem que os dados necessá-
rios tenham sido corretamente obtidos.
1.2)Dados necessários para o cálculo
As informações necessárias para o dimensionamento de uma válvula de
controle, podem ser divididas em três grupos
a)Dados quanto ao fluxo:
• Vazão (máxima, normal e mínima);
• Pressão à montante (Pl) e à jusante (P2) para a vazão máxima,
normal e mínima; e
• Temperatura do fluxo.
b)Dados quanto ao fluido:
• Identificação do fluido;
• Estado de fase do fluido (líquido ou gasoso); densidade. peso
48
específico ou peso molecular;
• Viscosidade;
• Pressão de vaporização
c)Dados quanto à influência da tubulação:
• Diâmetro da tubulação de entrada e saída.
1.3)Análise dinâmica do fluxo através da válvula
Analisando o escoamento de um fluido incompressível que escoa através
de uma válvula de controle, podemos afirmar que:
• O fluido ao entrar no interior da válvula de controle passa por um
processo de transformação de energia, o qual segue os princípios
físicos da conservação da massa e da energia.
• Considerando que o nosso fluido de processo é um líquido (fluido
incompressível), podemos verificar que quando o mesmo passa
através de uma restrição, a sua velocidade de escoamento aumenta.
• Esta energia adicional surgida durante a passagem do fluxo pela
sede da válvula, deve-se à transformação da pressão estática do
fluido, a qual diminui a medida em que a velocidade aumenta.
• Após o escoamento do fluido pela sede, a velocidade retorna ao
seu valor original, enquanto que a pressão estática recupera-se um
pouco, porém mantendo-se a um valor inferior ao que apresentava
antes na entrada da válvula.
• A esta diferença entre a pressão a montante (P 1) e a pressão a
jusante (P2), dá-se o nome de diferencial de pressão ou queda de
pressão.
49
Figura 1.1: ESQUEMA DO COMPORTAMENTO DA PRESSAO E DA VELOCIDADE DE
UM LÍQUIDO ESCOANDO ATRAVÉS DA VÁLVULA DE CONTROLE
1-4) Coeficiente de vazão, Cv
O Cv é definido como “o número de galões por minuto de água à
temperatura de 60ºF que passa através da válvula, considerando-se uma
queda de pressão de 1 PSI”.
Este coeficiente é obtido experimentalmente pelos fabricantes e
listado em tabelas com os respectivos diâmetros nominais das válvulas.
Apresentamos abaixo a equação básica de dimensionamento para
líquidos, padronizada pelo “Flow Controls Institute FCI”, em 1962.
Q = C v G
P∆
Atualmente, são utilizadas várias equações para cálculo do Cv, que
levam em conta o estado fisico do fluido e uma série de fatores não
50
considerados na fórmula acima.
Para selecionar-se uma válvula, deve-se inicialmente, calcular o Cv
requerido, selecionando na tabela do fabricante um Cv nominal sempre
maior que o calculado.
1.5)Dimensionamento para líquidos (fluidos incompressíveis)
“segundo a norma ANSI/ISA S75. 01”
A vazão de um líquido newtoniano, pode ser calculada de acordo com a
seguinte equação geral:
Q = N1FP.FR.CV G
P∆
Onde:
∆P = Queda de pressão ou diferencia! de pressão na válvula;
G = Densidade relativa @ temperatura de operação;
Q = Vazão volumétrica do líquido;
Cv = Coeficiente de vazão;
Fp = Fator de geometria da tubulação adjacente; e
FR = Fator do número de Reynoldsna válvula.
1.5.1) N1 - Constantes numéricas
As constantes numéricas N, dependem das unidades utilizadas.
Os valores de N, são dados na tabela 1.1, a seguir:
51
N Q W P T d,D
N1 = 1
N1 = 0,865
GPM
M3/H
psia
bar abs.
N2 = 890
N2 = 0,002
Polegada
milímetro
N4 = 1730
N4 = 7620
GPM
M3/H
Polegada
milímetro
N6 = 63,3
N6 = 27,3
Lbs/H
Kg/H
psia
bar abs.
N7 = 1360
N7 = 417
SCFH
NM3/H
psia
bar abs.
[R]
[K]
N8 = 19,3
N8 = 94,8
Lbs/H
Kg/H
psia
bar abs.
[R]
[K]
N9 = 7320
N9 = 2240
SCFH
NM3/H
psia
bar abs.
[R]
[K]
1 .5.2) Fp - Fator de geometria da tubulação adjacente
A introdução do fator de correção Fp, deve-se ao efeito dos cones de
redução e/ou expansão, utilizados para a instalação da válvula no
processo.
Figura 1.2: ESQUEMA DE MONTAGEM DE VÁLVULAS
Na maioria das aplicações em processos, o diâmetro nominal da
válvula é menor que o diâmetro da tubulação na qual será instalada. Por
este motivo, torna-se necessário um arranjo especial, conforme o
esquema da figura 1.2.
A utilização de cones de redução na tubulação altera a capacidade de
52
vazão da válvula, por causa da perda adicional de pressão estática nestes
dispositivos.
Em outras palavras, à medida que a área de passagem diminui, há uma
transformação da energia de pressão em energia cinética, aumentando assim
a velocidade do fluido e reduzindo a sua pressão estática.
Assim, a pressão real de entrada na válvula será fatalmente menor que a
pressão fornecida para efeito de cálculo (existente na entrada do cone de
redução).
TIPOS DA
VÁLVULA
DIÂMETRO
DO CORPO d/D
0,5 0,6 0,7 0,8 0,9
VÁLVULAS ¾" – 1" 0,85 0,88 0,92 0,96 0,99
GLOBO SEDE
SIMPLES
1.½ " - 4" 0,92 0,94 0,96 0,98 /0,99
OU GAIOLA 6" - 16" 0,95 0,96 0,98 0,99 0,99
MICRO-FLUXO ¼" - 1" 0,95 0,96 0,97 0,98 0,99
VÁLVULA 2" - 3" 0,84 0,87 0,91 0,95 0,98
BORBOLETA 4" - 10" 0,76 0,81 0,87 0,92 0,97
12" - 24" 0,66 0,71 0,79 0,87 0,96
VÁLVULA 1" – 1. ½" 0,31 0,35 0,43 0,56 0,79
ESFERA 2" - 16" 0,37 0,42 0,50 0,63 0,84
Tabela 1.2: Valores de Fp para válvulas instaladas entre cones iguais (de redução e
expansão).
Os valores apresentados acima estão de acordo com a fórmula abaixo,
extraída da norma ANSI/ISA S75.01. Esta equação permite calcular
o fator Fp, para qualquer configuração dos redutores e expansores
utilizados na instalação da válvula.
Fórmula para cálculo de Fp:
FP =
⎟⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎝
⎛Σ
+ 2
2
2
1
1
d
C
N
K V
O termo K representa a soma algébrica dos coeficientes de resistência da
pressão dinâmica, introduzidos pelas reduções e expansões, sendo obtido
através das seguintes equações:
53
∑K = K
1
+ K
2
+ K
B1
– K
B2
Sendo:
d- diâmetro nominal da válvula de controle;
D- diâmetro nominal da tubulação de entrada/saída;
k- coeficiente de resistência da pressão dinâmica.
Caso os cones de redução e expansão sejam iguais, isto é, a tubula-ção
de entrada tenha o mesmo diâmetro da tubulação de saída, a
equação(1.3) fica reduzida a:
∑k =K
1
+ K
2
2
221 )1(5,1
2
D
dKK −=+
1.5.3) ∆P - Queda de pressão através da válvula.
Também chamado de diferencial de pressão, é igual a diferença de
pressão P1-P2.
Para efeito de cálculo, deve-se considerar o menor valor entre:
)( 1
2
21
VFLM PFPFP
PPP
⋅−⋅=∆⋅
−=∆⋅
Onde:
MP∆ - Máxima queda de pressão capaz de produzir vazão, na condição
de fluxo crítico.
FL - Fator de recuperação de pressão do líquido (tabelado pelo
fabricante).
FF - Fator da razão de queda de pressão crítica do líquido.
54
Pv - Pressão de vapor do líquido à temperatura de operação.
1.5.4) FL - Fator de recuperação de pressão
O fator FL , é um coeficiente experimental e adimensional, definido
matematicamente por:
VC
L PP
PPF
−
−
=
1
21
Figura 1.3: Perfil da pressão estática em uma válvula de controle.
O fator FL é influenciado principalmente pelo perfil de escoamento do
fluido no interior do corpo da válvula.
Este fator é determinado pelo fabricante em laboratórios específicos para
ensaios hidrodinâmicos.
Na prática uma válvula com um valor baixo para o fator FL , absorve
pouca queda de pressão e apresenta uma alta recuperação de pressão.
Isto significa que a válvula irá desenvolver altas velocidades de
escoamento e conseqüentemente grande capacidade de vazão. Este seria
o caso das válvulas tipo borboleta, esfera e de disco excêntrico.
P1
∆ P
P2
Recuperação de pressão
PVC
55
Ao contrário, se uma válvula apresenta um valor alto para o fator FL,
significa que a mesma poderá absorver grandes quedas de pressão com
uma baixa recuperação de pressão, proporcionando assim uma menor
capacidade de vazão. Exemplos deste tipo de válvula:
Globo convencional sede simples e sede dupla, globo gaiola, válvulas
tipo baixo ruído, etc.
Tipo de
Válvula
e de Internos
Sentido
de Fluxo
Fator
FL
Fator
XT
Fator
Kc
Fator
Fd
Globo Sede
Simples:
-Contorno
-Contorno
-Em “V”
-Gaiola
-Gaiola
Abre
Fecha
Qualquer
Abre
Fecha
0.91
0.89
0.97
0.90
0.87
0.70
0.63
0.79
0.75
0.70
0.65
0.68
0.80
0.65
0.64
1.0
1.0
1.0
1.0
1.0
Globo Sede
Dupla:
-Contorno
-Em “V”
Único
Único
0.89
0.97
0.70
0.79
0.70
0.80
0.71
0.71
Angular:
-Gaiola
-Gaiola
Abre
Fecha
0.85
0.80
0.65
0.59
0.65
0.54
1.0
1.0
Obturador
Rotativo
Excêntrico
Abre
Fecha
0.86
0.76
0.62
0.49
0.61
0.37
0.71
0.71
Esfera Fecha 0.55 0.15 0.28 1.0
Borboleta –
90º
Fecha 0.63 0.33 0.30 0.71
Tabela 1.3: Valores Típicos de FL, XT, KC e Fd.
(Extraídos do “Handbook of Control Valves – ISA).
1.5.5) Fp - Fator da Razão de Pressão Crítica do Líquido
Trata-se também de um fator adimensional e define-se como sendo a
razão entre a pressão na “vena contracta” (Pvc) sob condições de fluxo
crítico e a pressão do vapor do liquido (Fv) na temperatura de entrada.
V
VC
F P
PF =
56
Da equação (1.11) temos que:
VFVC PFP ⋅=
que é o valor estimado da pressão mínima no interior da válvula sob
condições de fluxo crítico ou vazão bloqueada.
Este fator é utilizado no cálculo da máxima queda de pressão MP∆ .
O fator é obtido por meio da seguinte equação:
C
V
F P
PF 28,096,0 −=
*Sendo Pc a pressão critica do líquido, obtido em tabelas especificas.
1.5.6)FR - Fator do número de Reynolds na válvula
O Fluxo Não-Turbulento, em válvulas de controle, ocorre normalmente
com fluidos de alta viscosidade e/ou baixa velocidade, podendo ser do
tipo Laminar ou de Transição, de acordo com o valor calculado para o
número de Reynolds da válvula (Rev).
Nesta condição, a capacidade de vazão de uma válvula de controle, pode
ser muito menor do que a esperada para um escoamento do tipo
Turbulento. Daí a necessidade de introduzir se um fator de correção.
O número de Reynolds é a relação adimensional entre as forças
de inércia e as de origem viscosa. Quanto menor for o seu valor, maior
será a influência das forças de origem viscosa e portanto, menos
turbulento será o escoamento.
Para otermos o fator de correção FR , devemos inicialmente calcular o
número de Reynolds da válvula, a través da equação:
57
VL
d
EV
CF
G
QFNR
⋅
⋅⋅
=
υ
4
Onde:
FR = Número de Reynolds na válvula;
Fd = Fator modificador do número de Reynolds
µ = Viscosidade absoluta, em Centipoise
G = Densidade relativa do fluido à temperatura de operação.
Gráfico 1 .2: FATOR DO NÚMERO DE REYNOLDS-FR
Rev - Número de Reynolds da Válvula
De acordo com a norma ANSI/ISA-S75.O1-1985 (FIow Equations For
Sizing Control Valves) temos a seguinte classificação:
Rev Tipo de Fluxo
40.000 Turbulento
58
Notas:
1)Se “Rev’” formenor que 56, o valor de FR poderá ser obtido tanto
pelo gráfico, como também pela equação a seguir:
[ ] 67,0019,0 evR RF ⋅=
2)Se “Rev” estiver entre 56 e 40.000, pode-se utilizar o gráfico 1.2 ou os
valores apresentados na tabela abaixo:
FR REV
0.284 56
0.32 66
0.36 79
0.40 94
0.44 110
0.48 130
0.52 154
0.56 188
0.60 230
0.64 278
0.68 340
0.72 471
0.76 620
0.80 980
0.84 1560
0.88 2470
0.92 4600
0.96 10200
1.00 40000
3)Finalmente, se Rev for maior que 40.000, teremos um fluxo turbulento
e neste caso, FR=l.
1.5.7)Fator modificador do número de Reynolds-Fd
Este fator corrige o número de Reynolds em função da geometria interna
da válvula.
59
Através de experiências chegou-se a conclusão de que o coeficiente Fd é
proporcional a 1/n. Onde n é o número de passagens (ou fluxos) no
interior da válvula.
Na tabela 1.3 são fornecidos os valores do fator Fd.
60
Exemplo de Dimensionamento com Líquidos
Dados:
Fluido .......................................................................................................Benzeno (C6H6)
Vazão........................................................................................................160 GPM
Pressão a Montante, P1 ............................................................................150 PSIA
Pressão a Juntante, P2 ..............................................................................120 PSIA
Temperatura, T1 .......................................................................................200ºF
Densidade Relativa ...................................................................................0,879 a T1
Pressão de Vapor, PV ...............................................................................25 PSIA
Pressão Critica ..........................................................................................701 PSIA
Diâmetro da Tubulação .............................................................................3 Pol.
Tipo de Válvula ........................................................................................Globo Gaiola
Sentido de Fluxo .......................................................................................Fluxo–Para
Abrir
Tipo de Fluxo ............................................................................................Turbulento
(FR=1)
G
PCFFNQ VRP
∆
⋅⋅⋅= 1
[ ]VFLM PFPFP
psiPPP
⋅−=∆•
=−=−=∆•
1
2
21 30120150
91,0
701
2528,096,0
28,096,0
=−=
−=
F
C
V
F
F
P
P
F
[ ] psiPM 07,10325.91,01509,0 2 =−=∆•
Como ∆P