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AULA 3 GESTÃO ESTRATÉGICA DE PREÇOS Profª Elaine Cristina Hobmeir 2 INTRODUÇÃO Olá, tudo bem com você? Nesta etapa, abordaremos temas que nos remetem à análise da precificação. Com isso, é importante entender a diferença que há entre o valor percebido pelo cliente e o preço em si; neste quesito, nem sempre o preço é o mais importante, mas sim o valor que ele representa. Além disso, para o preço estar nos padrões internos e externos da organização, é necessário identificar quais são os custos referentes a essa precificação. Buscando uma melhor estratégia para o preço do produto/serviço, além da análise dos custos, é necessário entender qual é o comportamento de compras dos clientes e o seu impacto para a organização. Com isso, podemos compreender as particularidades da demanda e como é a sensibilidade em relação ao preço, analisando a disposição da elasticidade- preço da demanda. TEMA 1 – VALOR PERCEBIDO E AS DIFERENTES FORMAS DE PRECIFICAÇÃO As organizações normalmente se deparam com inúmeros problemas ao longo de sua existência, mas um dos principais desafios é com relação à criação de valor para o cliente. Como mostrar ao cliente que aquele produto ou serviço é a solução para o seu problema? Ou é o que ele deseja? Ou como aumentar o valor entregue ao cliente? Quando a empresa opta pela estratégia de valor percebido, ela está buscando a precificação não em função do custo, nem em relação ao mercado, mas sim, em razão da percepção que o consumidor tem do bem ofertado. O valor percebido baseia-se nas características totais de funcionamento do objeto pretendido, nas percepções psicológicas e nos serviços da oferta. Dessa forma, os componentes básicos do valor percebido, para o consumidor, são: • desempenho total do produto; • percepções psicológicas; • serviço de venda e pós-venda. (Bertó, 2013, p. 333) Mas como funciona esta precificação, já que os consumidores têm percepções diferentes em relação ao produto/serviço? Em princípio, a 3 organização precisa realizar uma pesquisa com os clientes, com indicativos de valores procurados por eles. Outro fator importante é a classificação de atividades da cadeia de valor que não agregam importância ao processo; essas atividades devem ser reduzidas ou até mesmo eliminadas, para que a organização consiga baixar o custo ao máximo. Para Bertó (2013, p. 334), “uma análise detalhada permite visualizar quatro dimensões no valor percebido: conveniência; disponibilidade; funcionalidade e relacionamento”. Quando falamos em conveniência, o propósito é alinhar o produto/serviço com relação aos atributos desejados pelos consumidores, em que se harmonizam componentes e insumos com benefícios agregados. As compras on-line facilitaram muito a vida dos consumidores, esse fácil acesso às informações, baixo custo de logística, frete grátis, acessibilidade ao bem ou serviço na hora desejada e na quantidade solicitada fizeram com que a dimensão de disponibilidade fosse uma das mais importantes. Muitas vezes, o cliente efetuava uma compra na loja física (em horário comercial), tendo todo um deslocamento para isso, além da pesquisa de preços que normalmente fazia em várias lojas, e ainda corria o risco de não levar o produto na hora. Atualmente, ele pode estar no conforto de sua casa, no horário que desejar, fazendo uma cotação de preços on-line e ainda escolhendo de onde comprar, qual frete pagar e qual dia receberá. A dimensão de funcionalidade remete a como será utilizado, se ele possui mais de uma função, se o manuseio é fácil, se a aplicação é tranquila, se sua consulta e usabilidade estão de acordo com o esperado e se ele satisfaz as necessidades para que foi destinado. A última dimensão é o relacionamento, este quesito é determinado pela comunicação entre o cliente e a empresa, em que se demonstra a segurança e credibilidade com relação à assistência técnica e interação com o fabricante caso algo aconteça. Com relação às formas de precificação, elas ocorrem de uma maneira diferente no caso do preço baseado no valor percebido, normalmente as empresas levam em consideração 5 etapas para se chegar a uma precificação clássica. Para Borges (2019, p. 1), elas são: 4 1. Levantamento de custos; 2. Análise de ponto de equilíbrio; 3. Definição do modelo de negócio; 4. Análise da concorrência; 5. Posicionamento e estratégia. Para a precificação baseada no valor percebido, as etapas um e dois são praticamente desconsideradas, e a organização enfatizará as três seguintes. Com isso, tenta entender o que o cliente deseja e quanto ele está disposto a pagar. Churchill e Peter (2000, p. 327) mencionam que Os clientes compram com base no valor, ou seja, a diferença entre os benefícios e custos percebidos de uma troca. Assim, o valor para o consumidor é algo perceptivo, multidimensional e contextual ao longo das dimensões econômicas, funcionais, técnicas e psicológicas. O valor só existe quando ele é percebido pelos consumidores. Por isso é fundamental que a empresa influencie tanto as percepções de valor de uso como as de valor de transação. Fatores como embalagem, marca, promoções, publicações sobre o produto/serviço, propaganda, venda pessoal, prestação de serviços, entre outros, influenciam a percepção dos consumidores. Isso ocorre porque o cliente não compra apenas o produto ou o serviço, mas sim a experiência. Ele não compra apenas a diária no quarto de hotel, mas os benefícios agregados (localização, limpeza, café da manhã, mimos). Figura 1 – Dimensões da relação entre preço e valor percebido Fonte: Beulke e Bertó, 2013, p. 82. 5 A relação entre empresa, consumidor e mercado forma as dimensões do valor percebido, e ela delimita a busca dos objetivos pelos clientes em um processo contínuo. TEMA 2 – IDENTIFICANDO OS CUSTOS PARA A PRECIFICAÇÃO Vocês já notaram que a precificação é a base para o sucesso de uma organização e que existem vários métodos para se chegar ao preço desejado? Para se ter uma estratégia efetiva de preço, é necessário considerar vários fatores, mas o mais relevante são os custos. Ao precificar de maneira correta, há a redução da probabilidade da empresa perder clientes, há o equilíbrio financeiro, a empresa se torna competitiva no mercado e possibilita estratégias de marketing mais agressivas. Se a organização obtém o ponto de equilíbrio financeiro, seus custos se igualam com a receita e a partir daí a empresa começa a lucrar. Mas devemos nos atentar a alguns fatores que afetam a precificação dos produtos ou serviços. Dentre eles, temos os impostos, o valor praticado no mercado, a diferenciação entre a precificação de produtos e a precificação de serviços e os custos de produção ou de compra. Além dos impostos, outros elementos que deverão ser considerados, durante a fase que redundará na formação dos preços dos produtos, são os custos que a empresa deverá arcar durante o processo de fabricação e comercialização dos seus produtos. (Dubois, 2019, p. 223) Quando uma indústria quer produzir e/ou vender um produto, ela obrigatoriamente deve levar em consideração seus custos para poder apurar seu preço de venda. Neste momento, abordaremos a identificação dos custos para a precificação, que são compostos pelo valor dos insumos ou matérias-primas, embalagem, fretes, brindes, descontos ou cupons, salários e comissões dos funcionários, impostos, tributos, entre outros. Mas, antes, precisamos diferenciar custos de despesas. Os custos são todos os gastos despendidos com relação à atividade em si. Já as despesas são os gastos que dão suporte à organização. O primeiro custo a ser considerado é o estoque. Qual será o processo de obtenção de matéria-prima, ou mesmo a compra de um produto acabado para a revenda?6 Este custo deve englobar todos os custos de aquisição e também da transformação dos insumos, além dos custos que ocorrem no transporte do fornecedor até a empresa e depois da empresa até o cliente. Os custos de aquisição englobam o preço da compra dos insumos ou matéria-prima, os impostos e tributos da importação (caso haja), os custos que envolvem o transporte, o seguro e o manuseio relativos aos produtos acabados, aos materiais e aos serviços. Para Leone (2000), custo de produção é o gasto total aplicado na produção de um bem ou produto. São considerados gastos de produção tudo aquilo que é adquirido para a elaboração do referido bem, como os salários e encargos sociais do pessoal aplicados na produção, matéria- prima, insumos, energia, água, impostos e material de embalagem. (Silva, 2022, p. 7) O custo de produção, ou de transformação dos estoques em produtos acabados, está ligado às unidades produzidas, à linha de produção e à mão de obra direta. Neste contexto, temos os custos fixos e variáveis. Dentro dos fixos, podemos citar a manutenção dos edifícios e instalações fabris, a depreciação dos bens, os equipamentos e as máquinas e todos os ativos utilizados na produção dos bens. Com relação aos custos variáveis, podemos afirmar que são os que variam diretamente com a produção e o volume produzido. Nesta situação, estão incluídos os materiais indiretos e a mão de obra indireta. Ainda com relação aos custos de produção, temos os custos com mão de obra direta e indireta. Para Bruni e Famá (2019, p. 51), A mão de obra direta, ou simplesmente MOD, corresponde aos esforços produtivos das equipes relacionadas à produção dos bens comercializados ou dos serviços prestados. Refere-se apenas ao pessoal que trabalha diretamente sobre o produto em elaboração, desde que seja possível a mensuração do tempo despendido e a identificação de quem executou o trabalho, sem necessidade de qualquer apropriação indireta ou rateio. Essa mão de obra direta, basicamente, é o trabalho executado dentro da linha ou processo de produção para a fabricação de um bem. A mão de obra indireta são as atividades desenvolvidas pelos funcionários na área de supervisão e apoio da produção direta. A mão de obra indireta não está ligada diretamente ao serviço, mas é necessária para a fabricação ou a comercialização do produto ou do serviço. Além 7 do custo de mão de obra, temos os encargos sobre a folha, que também fazem parte dos custos. Os encargos podem ser divididos em sociais e trabalhistas. Os encargos sociais são os custos que incidem sobre a folha de pagamento dos funcionários. Esses encargos estão previstos na Constituição Federal de 1988 e são provenientes da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), além de compor as Convenções Coletivas de Trabalho. Fazem parte dos encargos sociais a Previdência Social, o Imposto de Renda e o FGTS. O FGTS é o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e é referente a 8% do salário bruto mensal do trabalhador, valor depositado todo mês em uma poupança desde seu contrato. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é um encargo obrigatório descontado na folha de pagamento do trabalhador e serve de subsídio para as aposentadorias, licenças, afastamentos e outros benefícios previdenciários. O INSS é recolhido de acordo com a faixa salarial do funcionário, em que o desconto pode ser de 7,5% até 14% dependendo da renda, e diferente do FGTS, ele não pode ser sacado, mas pode ser solicitado em alguns casos de auxílio. Os encargos trabalhistas são compostos pelas férias, décimo terceiro, licenças, insalubridade, periculosidade, adicional noturno e vale-transporte. As férias que o colaborador tem direito a cada período de 12 meses. O décimo terceiro salário está previsto na Lei n. 4.090, de julho de 1962. As licenças remuneradas que o trabalhador tem direito em casos de licença maternidade ou paternidade, luto, licença médica ou militar obrigatória. A insalubridade é um direito do trabalhador quando está exposto a riscos durante o seu trabalho, tais como agentes nocivos à saúde. A periculosidade é aplicada ao trabalhador devido a ameaças mais acentuadas, como risco de morte. O adicional noturno é pago aos funcionários que trabalham em jornadas noturnas entre as 22 horas e 5 horas da manhã. E temos também o vale- transporte, que é pago antecipadamente ao trabalhador para que ele possa se deslocar ao ambiente de trabalho. Todos esses encargos são obrigatórios e estão previstos na CLT, além de que impactam diretamente sobre os custos da folha de pagamento, tanto na mão de obra direta como indireta. É importante que a empresa esteja ciente de todos os custos envolvidos na formação dos preços, para conseguir escolher a melhor estratégia de precificação e se mantenha de maneira competitiva no mercado. 8 TEMA 3 – O COMPORTAMENTO DE COMPRAS DOS CLIENTES Uma das funções do marketing para o desenvolvimento do planejamento estratégico é entender o comportamento de compras de seus clientes. E isso não é uma tarefa tão fácil, pois depende muito do comportamento humano. O comportamento do ser humano é ditado pela razão, mas ele também pode ser influenciado pelos sentimentos conscientes e inconscientes e ainda pode ser movido pelas regras no grupo no qual está inserido (Giglio, 2012). Banov (2017, p. 2) explica que O estudo do comportamento do consumidor é uma área multidisciplinar que recebe contribuições de um conjunto de ciências, como a psicologia, com seus estudos sobre percepção, motivação, emoções, aprendizagem, atitudes; a Sociologia, com suas pesquisas sobre fatos sociais e grupos; a antropologia, com seus estudos culturais; a política, com suas pesquisas sobre o poder; a economia, com seus estudos de produção, distribuição e consumo. Além da interferência das demais ciências, o comportamento do consumidor também é afetado pelo cenário, onde macrofatores, relacionados ao ambiente social e aos microfatores, associados às características próprias do indivíduo, interferem no processo de decisão de compra. Além disso, ao longo dos anos, o consumidor mudou seu comportamento, passando de um mercado monopolizado para um mercado de massa, buscando produtos com identidade própria. Essa mudança fez com que as empresas desenvolvessem produtos e serviços conforme a orientação para o cliente, focando nas necessidades, expectativas de qualidade, motivações, entre outros. Um dos principais fatores para o comportamento é a motivação dos consumidores. Para Merlo e Ceribeli (2013, p. 9), A motivação define basicamente (1) a direção dos esforços individuais, que expressa o objetivo para o qual o comportamento será direcionado; (2) a duração desses esforços, que expressa o horizonte temporal no qual os esforços manter-se-ão; e (3) a intensidade desses esforços, que expressa o quanto o indivíduo irá se esforçar para atingir o objetivo para o qual as ações estão direcionadas, ou seja, a quantidade de esforços que serão despendidos individualmente para atingir o objetivo. Alguns estudiosos desenvolveram teorias no que diz respeito à motivação para a compra. Dentre eles, temos: Maslow, McClelland, Dichter, Sheth, Newman, Gross e Tauber. 9 Um dos precursores da teoria da motivação humana é Abraham Maslow, e seu conteúdo é a base para diversos estudos motivacionais. O modelo proposto pelo estudioso é a pirâmide de Maslow ou a Hierarquia das Necessidades. Figura 2 – Hierarquia das necessidades humanas Créditos: PCH.VECTOR/Shutterstock. Na Figura 2, temos a pirâmide de Maslow, onde na base da pirâmide trazemos as necessidades fisiológicas, em seguida as necessidades de segurança, depois as necessidades sociais, as necessidades de estima e por último as necessidades de autorrealização. Nesta pirâmide, o consumidor procura a etapa seguinte ao identificar que está realizado na faseem que se encontra. Então, a partir de ter atendido as necessidades mais básicas (fome, moradia, sono, sede etc.), ele parte para a necessidade de segurança. Num próximo momento, ele procura as necessidades sociais se inserindo em grupos específicos, buscando a aceitação dos membros, comprando bens semelhantes e frequentando os mesmos lugares, o que proporciona um senso de pertencimento. 10 Quase no topo da pirâmide, temos a necessidade de estima, a obtenção do status ou o reconhecimento dos membros da sociedade, a busca por marcas de luxo para demonstrar o poder de consumo. O último é a autorrealização, buscando a satisfação pessoal. Após conhecermos os agentes que motivam a compra dos consumidores, é importante ressaltar que toda compra tem um processo de início, meio e fim, devido a isso, é importante conhecer cada uma destas fases. Quando a pessoa inicia um processo de compra, vários agentes surgem para a sua motivação e possível conclusão. Esse processo é dividido em passos, cada um destes passos deve ser analisado de maneira criteriosa pela organização. Figura 3 – Modelo-síntese do comportamento do consumidor Fonte: Merlo e Ceribeli, 2013, p. 6. O processo citado na Figura 3 pode ser seguido tanto pelos consumidores pessoais quanto pelos organizacionais. Os consumidores pessoais são aqueles que compram os produtos para seu uso pessoal. Este tipo de consumidor é conhecido como consumidor final e ele pode estar comprando itens para ele ou para familiares. Os consumidores organizacionais são as empresas que adquirem produtos. 11 Para que a identificação do comportamento do consumidor seja decisiva, o departamento de marketing precisa entender quais as necessidades dos consumidores pessoais e organizacionais e, porque algumas vezes, elas não foram satisfeitas, a fim de que, com isso, consiga criar um plano de contingência. TEMA 4 – PARTICULARIDADES DA DEMANDA E A SENSIBILIDADE AO PREÇO A relação entre a oferta e a demanda é o que norteia a economia e explica a determinação dos preços em um sistema de mercado. “O modelo de oferta e demanda foi criado para explicar como os preços são determinados em mercados perfeitamente competitivos” (Hall e Lieberman, 2012, p. 60). A relação se dá da seguinte maneira: a demanda sinaliza o que os compradores querem comprar e a oferta são os itens que os vendedores colocam à disposição para a venda. É importante que entendamos que a demanda, por sua vez, “são desejos por produtos específicos apoiados pela capacidade de comprá-los”, conforme Kotler e Keller (2006, p. 22). A demanda regula, além do que os clientes estão dispostos a comprar, o que eles podem pagar para satisfazer suas necessidades. Por isso a importância da sensibilidade ao preço, às vezes eu quero comprar, mas o preço está além das minhas possibilidades. Além disso, a demanda também deve ser analisada em um determinado período, que varia com sua natureza. Temos bens e serviços que precisam ser consumidos imediatamente e outros que são duráveis, com uma demanda definida para um período maior. A demanda pode ser afetada por diversos fatores, para Vasconcelos e Braga (2023, p. 27): Preço do bem ou serviço; Preços de outros bens ou serviços; Renda (e sua distribuição); Riqueza ou patrimônio (e sua distribuição); Fatores climáticos e sazonais; Localização; Propaganda; Hábitos, gostos, preferências dos consumidores; 12 Expectativas sobre o futuro; Facilidades de crédito (disponibilidade, taxa de juros, prazos). Mas cada mercado pode ter suas particularidades com relação às variáveis, o que acaba afetando ou não a demanda, ou ainda, podem surgir novas variáveis que não constam desta relação, tais como a localização dos consumidores ou fatores sazonais (Vasconcelos; Braga, 2023). Não há como falar da demanda sem conhecermos a oferta, para Vasconcelos e Braga (2023, p. 35), “oferta é a quantidade de determinado bem ou serviço que os produtores e vendedores desejam vender em determinado período”. A oferta, assim como a demanda, é intenção ou um plano, não a venda efetiva do produto ou serviço e também é evidenciada em um certo período. Tanto a demanda como a oferta afetam diretamente o preço dos produtos ou serviços, interferindo assim no planejamento estratégico da empresa. Por isso, dá importância na análise da sensibilidade ao preço. Esta sensibilidade é o que pode garantir excelentes vendas e dar margem para o negócio. O perfil do consumidor mudou, por isso, há uma nova tomada de decisão com relação a gastar menos e economizar mais. Em marketing, a sensibilidade ao preço é uma métrica que indica quanto o consumidor está disposto a pagar para adquirir um produto ou serviço. Mas isso não quer dizer que é o preço que precisa ser aplicado, mas sim o que deve ser analisado. O valor que o cliente está disposto a pagar depende de alguns fatores que devem ser analisados, dentre eles temos o poder aquisitivo do consumidor, os gostos pessoais, escolha pela marca, localização e entrega etc. Mas nem sempre o shopper1 escolhe o menor preço, muitas vezes ele é influenciado por alguns fatores. O primeiro fator é o preço de referência dos produtos ou serviços, em que analisamos os valores de acordo com a concorrência para chegarmos a melhor opção. Ele é chamado de preço de referência, porque os consumidores analisam todas as possibilidades e benefícios entre os produtos da marca A ou B, para a sua compra. 1 Shopper é o nome dado à pessoa que reflete e decide sobre uma compra. Shopper marketing é focado em ações no ponto de venda. 13 As organizações utilizam esta tática para a ancoragem de preço, aproveitando o preço de um produto como referência para os demais. A segunda tática é a de comparação e essa confrontação é feita, às vezes, de maneira inconsciente. Os consumidores têm à disposição várias marcas e modelos, o que muitas vezes os confundem na hora da compra. Essa saturação de produtos acaba fazendo com que o consumidor migre de uma marca para a outra com muita facilidade e sem nenhum custo de mudança. Um exemplo bem simples, nas prateleiras dos supermercados a quantidade de marcas de sabonetes que existem, diferentes embalagens, fragrâncias, preços, marcas, mas todos com o mesmo objetivo. Como a concorrência é inevitável, as organizações precisam pensar em estratégias que as diferenciem das demais, cores distintas nas embalagens, tamanhos diferentes, um preço mais atrativo e buscar mais qualidade. E a qualidade é a terceira tática que deve ser aplicada, porque a qualidade do produto ou serviço é um diferencial competitivo. A equação qualidade versus valor pago é muito forte na tomada de decisão. Quantas vezes nos indagamos se o produto é mesmo de qualidade, já que o preço dele é muito abaixo do valor dos concorrentes. Esse fator psicológico afeta muito na hora da efetivação da compra. E o oposto também é percebido, a Apple oferece produtos com a qualidade semelhante à de seus concorrentes diretos, mas a estratégia de diferenciação que eles criaram e a força da marca fazem com que a percepção de seus clientes seja de que seus produtos são os melhores. A última tática é a da justiça, na qual os clientes esperam que os valores ofertados pelas empresas estejam atrelados à coerência com relação ao preço atual e preço anterior e com relação a produtos similares. Para a empresa conseguir avaliar se o preço é o ideal, é importante analisar a frequência de consumo do produto ou serviço, se o preço realmente é o ideal, se o cliente percebe o valor daquele bem e se o produto apresenta diferenciais nos quais o cliente pense que ele é indispensável em sua vida. TEMA 5 – DISPOSIÇÃO DA ELASTICIDADE-PREÇO DA DEMANDA Ao apresentarmos as particularidades da demanda e a sensibilidade ao preço, notamos que os fatorespsicológicos interferem na tomada de decisão. 14 Quando o cliente acha que um produto é muito caro, ele pode não consumi-lo devido ao alto valor e à falta de poder aquisitivo. Os produtos de alto custo normalmente têm diferenciais agregados, mas sua compra deve ser analisada devido aos altos valores no futuro com relação à assistência e manutenção. Os produtos ou serviços baratos são os mais procurados pelos clientes. Agora, os produtos “muito” baratos são a grande incógnita, o porquê do preço tão baixo é a questão que deixa muitos consumidores receosos, normalmente acreditando que não apresentam a qualidade esperada. Portanto, mudar esse paradigma é função da empresa. Os fatores citados demonstram a sensibilidade versus elasticidade de preço da demanda. Para Silva (2017, p. 160), Curva de demanda: é a representação gráfica das diferentes quantidades de um bem que os consumidores estão dispostos a comprar aos diferentes preços por unidade de tempo. Lei da demanda: expressa a relação inversa existente entre a quantidade demandada de um bem e seu preço. Indica que, quanto maior o preço de um bem, menor será a quantidade demandada desse bem. Também é chamada de lei da procura. Na curva de demanda, há a relação entre os bens adquiridos, com relação a preços distintos em um tempo predeterminado. Já a lei da demanda indica uma relação inversa em que, quanto maior o preço, menor a quantidade vendida, o que também é denominada de lei da procura. Figura 4 – Oferta e procura Créditos: Natykach Nataliia/Shutterstock. 15 A economia clássica explica essa relação como a lei da oferta e procura criada por Adam Smith e traz a explicação de como funciona o mercado. Essa relação influencia o mercado e sugere o controle de preços. Saiba mais O preço de mercado de uma mercadoria específica é regulado pela proporção entre a quantidade que é efetivamente colocada no mercado [oferta] e a demanda daqueles que estão dispostos a pagar o preço natural da mercadoria, ou seja, o valor total da renda fundiária, do trabalho e do lucro que devem ser pagos para levá-la ao mercado2. Pode-se observar como funciona esta relação na Figura 5, cujo gráfico demonstra que se o preço for mais alto, a quantidade vendida é menor; agora, quando o preço é menor, aumenta a quantidade vendida. Figura 5 – Curva de demanda Fonte: Silva, 2017, p. 159. Mas a lei de demanda precisa ser operacionalizada para apresentar uma utilização prática. Ao comprarmos um ventilador no verão, pagaremos mais caro do que se comprássemos no inverno, quando sua demanda é menor. Mas quanto mais caro ou mais barato seria este bem? Aí entra o conceito de elasticidade, de acordo com Silva (2017, p. 161-162): Para resolver esse problema, nós temos o conceito de elasticidade, que diz qual foi a reação dos consumidores em relação a um aumento no preço de um bem. Formalmente, a elasticidade-preço da demanda de 2 Disponível em: . Acesso em: 14 out. 2023. 16 um bem é a razão entre a variação percentual verificada na quantidade demandada de um bem e a variação percentual no preço desse bem. A elasticidade mede esta reação do consumidor com relação às variações nos preços com percentuais. Isso é importante para notarmos que bens de consumo essenciais à subsistência têm uma demanda inelástica, o que evidencia que, mesmo havendo o aumento dos preços, os clientes não reduzem drasticamente o seu consumo. No caso de um produto com uma demanda elástica, os consumidores reduzem o seu consumo proporcionalmente mais do que o aumento do preço. Isso ocorre por considerá-lo supérfluo, fazendo com que esse bem seja substituído. É importante que a empresa entenda a teoria do consumidor, em que se criam hipóteses sobre as escolhas dos clientes, principalmente sobre os bens e o que a sua renda permite adquirir. As respostas a essas hipóteses auxiliam as organizações a criarem estratégias de precificação. 17 REFERÊNCIAS BANOV, M. R. Comportamento do consumidor: vencendo desafios. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2017. BERTO, D. J.; BEULKE, R. Precificação: sinergia do marketing e das finanças. 1. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. BORGES, L. O que é precificação baseada em valor. Disponível em: . Acesso em: 13 out. 2023. BRUNI, A. L.; FAMÁ, R. Série Finanças na Prática: gestão de custos e formação de preço. 7. ed. São Paulo: Grupo GEN, 2019. CHURCHILL, G. A.; PETER J. P. Marketing: criando valor para os clientes. São Paulo, Saraiva, 2000. DUBOIS, A. Gestão de custos e formação de preços: conceitos, modelos e ferramentas. São Paulo: Grupo GEN, 2019. GIGLIO, E. M. O comportamento do consumidor. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2012. HALL, R. E.; LIEBERMAN, M. Macroeconomia: princípios e aplicações. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2012. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de marketing. 12. ed. São Paulo: Person Education do Brasil, 2006. MERLO, E. M.; CERIBELI, H. B. Comportamento do consumidor. São Paulo: Grupo GEN, 2013. SILVA, C. R. L. da; LUIZ, S. Economia e mercados: introdução à economia. São Paulo: Saraiva, 2017. VASCONCELLOS, M. A. S. de; BRAGA, M. B. Economia micro e macro: teoria, exercícios e casos. São Paulo: Grupo GEN, 2023. INTRODUÇÃO TEMA 1 – VALOR PERCEBIDO E AS DIFERENTES FORMAS DE PRECIFICAÇÃO TEMA 2 – IDENTIFICANDO OS CUSTOS PARA A PRECIFICAÇÃO TEMA 3 – O COMPORTAMENTO DE COMPRAS DOS CLIENTES TEMA 4 – PARTICULARIDADES DA DEMANDA E A SENSIBILIDADE AO PREÇO TEMA 5 – DISPOSIÇÃO DA ELASTICIDADE-PREÇO DA DEMANDA REFERÊNCIAS