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AULA 1 GESTÃO ESTRATÉGICA DE PREÇOS Profª Elaine Cristina Hobmeir 2 INTRODUÇÃO Ao longo dos anos, vimos a evolução da indústria e a modificação do comportamento dos consumidores. Com isso, algumas organizações que tinham a vantagem de ser um monopólio passaram a ter concorrentes diretos, o que fez com que se pensasse em uma gestão estratégica de preços. Quando efetuamos uma compra, um dos principais diferenciais é o preço praticado pela empresa. Isso compreende diferenciar o preço e o valor e estar disposto a gastar com aquele bem. É importante que saibamos as diferenças entre preço, custo, valor, gasto e despesa para que possamos compreender os princípios da precificação e a importância das definições do preço. Com isso, compreendemos como é o processo da definição e do alinhamento da política de preços. TEMA 1 – GESTÃO ESTRATÉGICA DE PREÇOS O ambiente organizacional sofreu alterações ao longo dos anos. Tínhamos empresas tradicionais de diversos tamanhos e passamos a novos modelos de negócios, com diversas abordagens estratégicas e inovações atípicas. Isso nos mostra que a estrutura concorrencial que havia até os anos 80 deu lugar a configuração baseada na alta qualidade, em operações em rede, na interação e nas inovações radical, disruptiva e tecnológica. Para Bernardi (2017, p. 32): A velha e tradicional matriz de posicionamento de produtos e serviços “preço/ qualidade”, isoladamente não é mais definitiva, pois além da qualidade em si há muitos outros fatores, tangíveis e intangíveis, que devem ser levados em consideração na elaboração da estratégia de precificação, inclusive variáveis sociais, ambientais e ecológicas. Nesse processo, ao falarmos sobre preço, é necessário entendermos que precificar um produto ou serviço não é algo fácil e depende de diversos fatores e algumas técnicas para se definir o preço final que gere lucro para o negócio. Antes de entrarmos na precificação, é importante que entendam o que significa a estratégia: “A gestão estratégica é o conjunto de decisões estratégicas que determinam o desempenho de uma empresa a longo prazo. Inclui a estratégia de formulação, implementação, avaliação e controle” (Gonçalves; Castro; Felício, 2017, p. 140). 3 Faz parte da estratégia das empresas as estratégias de preço, que são embasadas em dados e pesquisas, utilizando estudos de mercado para que se encontre a estratégia mais efetiva para a organização. “Diante deste mercado cada vez mais competitivo em que as empresas estão inseridas, é necessário encontrar a forma mais conveniente de formar o preço de venda sem perder a competitividade e obter a margem de lucro desejada.” (Sepp et al., 2005, p. 105). Então, podemos afirmar que planejar a precificação de um produto/ serviço é um dos fatores mais importantes das organizações. Neste planejamento, é necessário identificar inicialmente quais são os aspectos internos e externos que podem, de maneira direta, interferir no preço. A questão que guia o planejamento de formação de preços é: como vender um bem, ou prestar um serviço de qualidade, com o preço justo para todos os envolvidos? Esta questão só pode ser respondida mediante a análise de diversos fatores que impactam diretamente a gestão estratégica de preços, conforme a realidade atual. Para Bernardi (2017, p. 15), os negócios da atualidade são impactados pela “globalização dos mercados, a revolução digital, as novas tecnologias, a volatilidade, as mudanças e a rapidez com que ocorrem ensejaram uma concorrência acirrada, diversificada e sem fronteiras”. Não podemos esquecer também que o perfil dos clientes mudou. Hoje há possibilidade de escolha, variedade de informações e abertura do mercado às novas alternativas e marcas. Esses fatores fazem com que o consumidor opte por produtos com uma qualidade diferenciada, preço justo, conveniência com relação a personalização e atendimento, rapidez na entrega e compras tanto on-line como off-line1. Todos os aspectos citados interferem diretamente na estratégia de preços, visto que a empresa precisa se adequar aos fatores externos, tais como desejo dos clientes, concorrentes, oferta e demanda, diversidade do mercado, entre outros. Além disso, a organização deve analisar os fatores internos para que a estratégia de preços seja efetiva. Esses itens, tais como salários dos 1 Uma realidade a qual o consumidor pode pedir pela internet e receber o produto em casa, fazer o pedido online e buscar na loja, pedir na loja e receber em casa no dia e horário que desejar. Disponível em: . Acesso em: 9 out. 2023. 4 colaboradores, custo da produção ou do serviço, despesas, margem de lucro etc., influenciam a formação do preço. E não são só os fatores internos e externos que podem afetar a estratégia de preço, temos ainda os tangíveis e intangíveis, tais como: posicionamento da marca e do produto; experiência do consumidor; tendências culturais, sociais e de consumo; contexto do mercado; entre outros. Figura 1 – Esquema orientador genérico para o processo de gestão estratégica de preços Fonte: Bernardi, 2017, p. 33. Como vimos até agora, a gestão de preços é uma questão estratégica e vital para as organizações. A figura 1 mostra um esquema genérico para o entendimento do processo, sendo que este esquema pode ser adaptável a situações particulares. 5 Após a empresa determinar seus objetivos e sua estratégia de preços, é necessário delinear qual a linha estratégica que será escolhida de acordo com seus benefícios e suas utilidades. Conforme Bernardi (2017, p. 38), esses preços podem ser: Preço em níveis superiores ou inferiores. Preço com base no ciclo de vida do produto ou baseado na curva de experiência. Preços médios, com todos os riscos inerentes de segmentação, clientes e outros fatores diferenciadores. Preços para pacotes como alternativa, tendo produtos e serviços complementares ou sinérgicos. Preços personalizados, de acordo com o histórico de seus clientes, muito utilizado. Preços de momento de consumo e experiência. Qualquer que seja a estratégia escolhida, dependerá diretamente dos objetivos definidos pela organização, pensando sempre de fora para dentro da empresa. Para uma melhor compreensão da gestão estratégica de preços, alguns conceitos devem ser apresentados, lembrando que eles têm significados diferentes, mas podem ser confundidos. Então, vamos entender cada um deles no tópico a seguir. TEMA 2 – DIFERENCIAÇÃO ENTRE PREÇO, CUSTO, VALOR, GASTO, DESPESA E DESEMBOLSO Quando falamos de preço, algumas definições nos vêm à cabeça, mas será que estamos utilizando-as da maneira adequada? Qual a diferença entre os termos gasto e despesa? Ou valor e preço? Ou, ainda, gasto e desembolso? Cada um deles possui o seu significado, e eles não podem ser confundidos; muito longe disso, dependendo de como você se expressar, pode até levar uma negociação ao fracasso. Para que essa confusão não aconteça, vamos entender cada um deles e sua aplicabilidade na gestão estratégica de preço. Essas terminologias foram criadas para que cada termo tivesse seu próprio conceito, seguindo os métodos contábeis e a gestão das empresas. 6 2.1 Desembolso O termo desembolso é utilizado quando há um pagamento pela aquisição de um bem, que pode ser produto ou serviço, e pode ocorrer simultâneo ao gasto (pagamento a vista) ou poder ocorrer após (pagamento a prazo). Para Dubois (2019, p. 15): “Desembolso é todo valor que a empresa paga resultante da aquisição de um produto ou serviço. Esse desembolso poderá ocorrer antes, no ato ou posteriormente às aquisições, dependendo da forma em que foi contratado.” Então, o desembolsonada mais é do que retirar o dinheiro do bolso ou sacar um montante do caixa para pagar algo que foi adquirido, podendo ser um bem ou um serviço. 2.2 Gasto Quando fazemos uma aquisição de um bem ou um serviço, geramos um desembolso para a empresa. Ao fazer o pagamento deste bem adquirido, ele passa a ser de direito da empresa, e esta concretização da aquisição é o chamado gasto. Para Martins (2001, p. 25): “Gasto – Sacrifício financeiro com que a entidade arca para a obtenção de um produto ou serviço qualquer, sacrifício esse representado por entrega ou promessa de entrega de ativos (normalmente dinheiro)”. Podemos citar como exemplos os gastos com aluguéis, com a aquisição de matéria-prima, com mercadorias para revenda, com mão de obra. Este gasto pode ser classificado em investimento, custo, despesa, perda e desperdício, de acordo com a figura 2. Figura 2 – Elementos fundamentais dos gastos Crédito: Arte/UT. Fonte: Dubois, 2019, p. 16. 7 Agora vamos conhecer cada um dos gastos citados. 2.2.1 Investimento Começamos com o investimento, que é um gasto que tem como finalidade adquirir algo que será incorporado ao patrimônio da organização. Para Dubois (2019, p. 16): “É todo gasto ocorrido na aquisição de bens que serão estocados pela empresa até o momento da sua utilização, isto é, do seu consumo. Também são considerados investimentos os valores que a empresa gasta na aquisição de bens patrimoniais, como máquinas, equipamentos, instalações etc.” O investimento sofre depreciação, que é a desvalorização devido ao uso, à obsolescência etc. Ao assumir este gasto, a empresa tem a esperança de que o investimento em algum momento proporcione algum tipo de retorno para a organização. Quando a organização compra a matéria-prima para a produção dos bens, está investindo e pensando no retorno que esta aquisição trará a partir do momento que os produtos acabados sejam vendidos. Este investimento é diferente do que é realizado na aquisição de equipamentos, veículos, máquinas ou imóveis, em que são desenvolvidos estudos relacionados às vantagens proporcionadas pela compra. 2.2.2 Custo Quando falamos em custo, remetemo-nos a algum bem ou serviço que está ligado diretamente à produção, portanto só há custo se houver atividade produtiva. Para Martins (2001, p. 27), custo é o “Gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços”. Deste modo, os gastos que não fazem parte da produção não devem ser alocados como custos. Dubois (2019, p. 17) descreve que: [...] só devem ser incluídos no custo dos produtos ou serviços os insumos necessários à elaboração desses elementos, isto é, sem os quais seria impossível produzi-los. A título de exemplo, são considerados custos os seguintes gastos: matéria-prima utilizada no processo produtivo; salários, encargos e benefícios sociais da mão de obra que trabalha na fábrica; aluguel da fábrica; e depreciação das máquinas e equipamentos referentes à produção. 8 2.2.3 Despesa A despesa é o gasto relativo à estrutura organizacional, não utilizada nas atividades produtivas. Para facilitar a diferenciação entre custo e despesa, podemos seguir uma regra: todos os gastos que ocorrem até que o produto ou serviço esteja pronto é custo; a partir deste momento, é despesa. Temos como exemplo de despesas o aluguel e a energia elétrica do administrativo, as comissões sobre as vendas, os salários, os encargos e os benefícios do administrativo, entre outros. 2.2.4 Perda As perdas são os gastos imprevistos que ocorrem e não geram nenhum retorno a empresa. Para Dubois (2019, p. 18), “É todo gasto no qual a empresa incorre quando certo bem ou serviço é consumido de maneira anormal às suas atividades, como inundações, incêndios, greves etc.”. Podemos citar como exemplos: acidentes de trabalho, quebra nos veículos ou produtos vencidos. 2.2.5 Desperdício Para a empresa, o desperdício é o valor que é gasto de forma desnecessária ou até excessiva e que poderia ter sido utilizado de uma maneira útil. Para Dubois (2019, p. 18): “É um gasto que a empresa apresenta pelo fato de não ocorrer o aproveitamento normal de todos os seus recursos. A título de exemplo: uma produtividade menor que a normal; vendedor com tempo ocioso após cumprir sua quota de vendas.” 2.2.6 Diferença entre preço e valor Muitos confundem os conceitos de preço e valor. O valor depende do grau de utilidade do bem. Para uma pessoa que está no deserto, o valor de um copo de água é muito alto; já para uma pessoa que está em uma fonte de água pura, não terá o mesmo valor. O preço reflete a eficiência dos bens e serviços fabricados e são recursos contábeis. Podemos falar que o preço é uma medida monetária que é obtida por meio de uma estratégia de precificação. 9 TEMA 3 – PRINCÍPIOS DA PRECIFICAÇÃO A precificação é o método pelo qual a empresa determina o preço do produto ou do serviço, tendo como base os dados referentes aos custos e a margem de lucro esperada. A precificação é um dos processos mais importantes das organizações. Se ela não for planejada de maneira estratégica, pode prejudicar todos os demais processos. No processo de precificação, dois fatores são primordiais: o primeiro é o preço que determina a aplicação da estratégia de preços da empresa, o segundo que é o valor do produto ou serviço. Já vimos que o valor é relativo e depende da necessidade, demanda e percepção do cliente com relação ao produto ou ao serviço, mas também pode influenciar no preço. Precisamos compreender que o preço de venda “trata-se da quantia em moeda que deve ser entregue em troca de um produto ou serviço” (Cruz, 2013, p. 17). Ao compreendermos os conceitos e a complexidade que é a precificação, percebemos o desafio imposto aos gestores, para o equilíbrio das variáveis apresentadas para o preço de venda. Estabelecer o valor correto do preço envolve a determinação da demanda, a análise do preço dos concorrentes e a estimativa de custos, o que certos autores costumam chamar de os três Cs — consumo, concorrência e custo. Outros autores classificam os componentes que influenciam a fixação dos preços em dois grupos: componentes internos da organização; componentes ambientais externos. (Bertó, 2013, p. 8) Não existe uma fórmula padrão para a precificação, mas podemos seguir algumas etapas. Primeiro, precisamos conhecer o bem o serviço e suas características; depois há a identificação das variáveis relativas ao bem ou serviço. Em seguida, analisa-se estas variáveis e seus impactos na formação do preço para, então, estabelecer o preço de venda, conforme a figura 3. 10 Figura 3 – Fluxo inicial de precificação Crédito: Arte/UT. Fonte: Cruz, 2013, p.18. Ao buscarmos o entendimento com relação ao produto ou serviço, precisamos esquematizar as características referentes ao ramo de atuação, às características técnicas, ao público-alvo, ao segmento de mercado, à funcionalidade do produto ou serviço e principalmente à relação entre oferta e demanda. Então, seguimos com a identificação das variáveis que serão analisadas. Esta etapa é uma das mais importantes, pois ela norteia o sucesso ou insucesso da organização. As variáveis podem ser econômicas (câmbio, política de crédito, nível de emprego etc.), de custos (esforços operacionais e gestão voltada à produção), mercadológicas (concorrência, clientes, fornecedores etc.), societárias e tributarias (fornecimento, intermediação e compra). O passo seguinte é a análise das variáveis de precificação, em que a empresa desenvolve uma matriz, identificando as variáveis e estabelecendo o impacto que elas podem causar na precificação. Depois da análise, partimos para a formação do preço de venda. Este passo é fundamental para que o preço a ser aplicado esteja alinhado com as estratégias da empresa, buscandoo posicionamento e a integração entre os ambientes internos e externos da organização. 11 Figura 4 – Etapas do processo de formação de preços Fonte: Cruz, 2013, p. 25. As organizações possuem estratégias diferentes para a precificação, mesmo sendo do mesmo setor. Logo, não há como aplicar a mesma tática em todas, pois elas possuem características diferentes. Figura 5 – Estratégias genéricas Vantagem estratégica Unicidade observada pelo cliente Posição de baixo custo Al vo e st ra té gi co No âmbito de toda a indústria Diferenciação Liderança em custo Apenas um segundo Foco Kotler afirma que as estratégias genéricas são: a diferenciação, a liderança em custo e o foco. Para que a empresa possa precificar um produto ou serviço, o gestor precisa entender quem é o seu público-alvo e qual o seu posicionamento, com base nas necessidades e desejos dos clientes. A escolha do posicionamento na precificação leva em consideração a vantagem estratégica e o alvo. Se a empresa optar pela diferenciação, deve 12 entender que a inovação precisa ser constante, em processos, serviços, tecnologias etc. Caso busque o foco, devem se especializar em um nicho de mercado, sabendo que o comportamento dos consumidores muda ao longo do tempo, conhecendo as necessidades, os desejos e as tendências de mercado. Ao buscar a liderança em custos, a empresa precisa controlar os custos fixos e variáveis, enxugando custos com mão de obra e evitando desperdícios, baixando, assim, o preço de venda. As organizações devem estar atentas à concorrência e aos demais fatores externos. É importante que se conheçam as estratégias e os preços dos concorrentes, os objetivos e o mix de marketing escolhidos pela empresa e o mercado e a demanda reais. TEMA 4 – A IMPORTÂNCIA DAS DEFINIÇÕES DO PREÇO O objetivo principal das organizações é a obtenção do lucro. Para que isso seja possível, elas devem estar atentas à definição do preço de venda. E a questão é: como ser a escolha do cliente em um mercado tão competitivo? Sabemos que o preço é um dos fatores que influenciam os compradores de maneira direta na hora da compra. Por isso, as empresas precisam oferecer a melhor oferta em um mercado competitivo e, ainda, sem perder a lucratividade. Mas baixar os preços, de maneira aleatória, só para não perder clientes não é a melhor solução. Esse evento, muitas vezes, pode inviabilizar o negócio. Por isso, a empresa deve criar uma estratégia para a definição do preço, pela qual alcance as metas financeiras, maximize os lucros e aumente a participação no mercado. O desafio de formar preços se torna cada dia mais complexo à medida que as barreiras concorrenciais diminuem e os mercados nacionais interagem com maior facilidade. Nesse sentido, a compreensão e a identificação do preço justo, que possibilitam gerar vantagem econômica e expansão de mercado, tornam-se fruto da operacionalização de um processo de formação de preços. (Cruz, 2013, p. 26) Esta definição do preço não é fácil de ser estabelecida: se o preço for muito alto, afasta os compradores; se for muito baixo, os consumidores podem questionar a qualidade do produto ou do serviço. 13 Portanto, ao se criar uma estratégia de preços, deve-se levar em consideração os custos do produto e a demanda do mercado, fatores estes incontestáveis para um planejamento efetivo. Um crescente número de empresas baseia seus preços no valor percebido pelo cliente. Vê as percepções de valor dos clientes, e não o custo do vendedor, como a chave para a determinação de preço. Utiliza os outros elementos do mix de marketing2, como propaganda e força de vendas, para aumentar o valor percebido pelo cliente. (Kotler; Armstrong, 2014, p. 487) O preço de venda pode ser definido de acordo com vários fatores, sendo o principal com base nos custos do produto ou serviço, mas podemos, também, levar em consideração o valor percebido pelo cliente. Mas, para que esta estratégia seja aplicada, a empresa precisa conhecer seu público-alvo – suas necessidades e seus desejos. Além disso, o produto precisa ter um diferencial competitivo, aquele algo a mais que justifique o preço aplicado. No contexto padrão das organizações, a tríade que compõe a estratégia de determinação do preço engloba as percepções de valor do cliente, os custos da empresa e as estratégias da concorrência. Figura 6 – Preço e valor Crédito: docstockmedia/Shutterstock. 2 Mix de marketing é um conjunto de ferramentas de marketing que a empresa utiliza para perseguir seus objetivos de marketing no mercado-alvo (Souza, 2013, p. 112). 14 Esses fatores nos fazem chegar ao preço que deve ser cobrado pelo bem, levando em consideração o posicionamento da empresa no mercado, o que é considerado valor para o cliente e para o segmento, as variáveis que podem afetar de maneira direta esta precificação e o que o produto oferece. O mercado mudou, os clientes também. Hoje eles recebem muito mais informações e ofertas, têm à disposição várias marcas disponíveis etc. Além disso, os consumidores possuem menos tempo disponível e procuram mais rapidez e facilidade no atendimento. Isso fez com que a concorrência buscasse diferenciais, oferecendo mais modelos no mercado; o atendimento passasse do off-line para o on-line; houvesse mudança de produtos de massa para personalizados; entre outros fatores. Com isso, as organizações buscaram reestruturar seus processos para atender esta demanda. “O consumidor compra valor, imagem, atendimento, produtos e serviços que reconhece, estima e aprecia, o que é muito mais amplo do que preço. Preço é o que se pretende cobrar e valor é o quanto o consumidor acredita que vale a pena pagar.” (Bernardi, 2017, p. 20). Bernardi acredita de que, além do preço, o cliente procura diferenciais que antigamente não existiam devido ao menor número de concorrentes. Então, ao se adquirir um produto ou um serviço, devemos pensar no valor que a empresa agrega ao perfil do consumidor, ao contato com o cliente e a seu posicionamento no mercado. TEMA 5 – PROCESSO DA DEFINIÇÃO E DO ALINHAMENTO DA POLÍTICA DE PREÇOS Um dos maiores desafio das organizações é determinar a estratégia e o alinhamento da política de preços. Para Bernardi (2017, p. 41): Estabelecer uma política de preços bem-sucedida é assunto de vital importância, de grande complexidade e responsabilidade. O número de variáveis qualitativas e quantitativas, incertezas, probabilidades e eventos a considerar e ponderar, para sua definição, é extenso, abrangendo aspectos internos e externos, interdependências e interações sistêmicas, por vezes caóticas. Há uma pressão em identificar os impactos da política de preços com relação a sua imagem, à reputação, ao posicionamento da marca, à marca em si, à capacidade de produção, à participação de mercado e ao resultado esperado. 15 Todos estes fatores englobam as variáveis internas e externas que interferem diretamente no preço do produto. As variáveis internas podem ser controladas, mas as externas não há nenhuma possibilidade. Não há como a empresa interferir diretamente nos concorrentes, na reação dos clientes, nos hábitos de consumo, no aumento de produtos substitutos ou nos padrões de valores. Sendo assim, compõem a política de preços, mas são fatores controláveis, dados como: custo da produção, de transporte e estocagem; investimento em marketing; margem de lucro e custos de distribuição. A estratégia da política de preços é uma ferramenta utilizada para o cálculo dos elementos que determinam o preço. Como ela é influenciada pelos fatores internos e externos, a organização precisa analisar o melhor cenário para que o documento seja efetivado. Figura 7 – Fatores da política de preços Crédito: EtiAmmos/Shutterstock. Cada organização possui a sua estratégia de política depreços, analisando seu posicionamento no mercado, as vantagens que podem ser exploradas, a força e o valor da marca, a qualidade apresentada e, é claro, o preço. Se marca já é um diferencial de mercado – como Apple, Porsche, Chanel, Rolex, Ferrari, entre outras –, a empresa pode posicionar os seus produtos pela qualidade apresentada e pelo valor da marca, o que possibilita os preços mais elevados. Agora, se a empresa é um concorrente direto, mas não tem esta força no mercado, deve lutar para explorar o diferencial com um preço mais baixo e produtos similares. 16 Para Bernardi (2017, p. 42): Estruturar uma política de preços, na atualidade, significa um constante desafio aos hábitos, usos e costumes, aos pressupostos e ao status quo. O foco muda, de posições conservadoras para posições agressivas, de banco de dados para “garimpo” de dados (data mining), de posições defensivas e conservadoras para a busca de oportunidades, por meio de políticas eficazes e preços eficientes. Então, para a estrutura da política de preços, alguns fatores devem ser analisados criteriosamente, um deles é composto de marketing, no qual cada um dos seus quatro elementos (preço, praça, promoção e produto) deve ser verificado para a viabilidade da estratégia. As decisões de compra também devem ser avaliadas. Por exemplo, há uma diferença entre o consumidor comprar uma pasta de dentes e um carro. essas diferenças significativas precisam ser estruturadas para sua eficiência. Outra equação que precisa ser resolvida é preço x valor. O preço é o valor definido para um produto; o valor está relacionado a diferentes fatores, tais como benefícios, categorias, necessidade, posicionamento da marca etc., e a organização precisa fazer com que o cliente entenda esta diferença. A concorrência é o motor que impulsiona as organizações, e a dinâmica, a estrutura, a dominância, a fragmentação de mercado e as capacidades reativas são fatores que devem ser analisados periodicamente. Ao analisarmos de maneira holística a própria organização, devemos chegar no posicionamento ou na segmentação que esperamos. O produto/ serviço ofertado é de alta qualidade, para um segmento de luxo? Neste caso, o preço é alto. No caso de um produto com média qualidade, um preço médio é razoável nesta situação. Mas, se o produto for de baixa qualidade, o cliente espera um preço mais baixo, o que normalmente pode gerar uma falsa economia, com a sua substituição a curto prazo. Para a definição do preço, é importante que a empresa identifique qual método de precificação se adequa a seu produto/ serviço. A empresa pode optar melo mark-up (com base em tributos, custos, despesas e fator), pelo preço de retorno desejado, de valor ou de mercado. Essa escolha do método de precificação é importante, porque o preço influencia no processo da compra, no qual identificamos as variações de preços 17 para produtos similares ou descontos e promoções, o que nos faz escolher pelo produto A em vez do B. E mais um fator essencial, no processo da definição e do alinhamento da política de preços, é diferença entre os preços nos comércios físicos e on-line. O comércio físico possui um custo operacional mais alto do que uma loja virtual. A loja física agrega custos com aluguel, energia elétrica, água, internet, vendedores e comissões, segurança, entre outros, enquanto uma loja virtual não possui muitos destes custos. Então, cabe à empresa estudar uma política de preços que desenvolva estratégias para que o cliente opte por uma ou outra, mas da mesma marca, não deixando que este consumidor procure a concorrência. 18 REFERÊNCIAS BERNARDI, L. A. Formação de preços – estratégias, custos e resultados. 5. ed. São Paulo: Grupo GEN, 2017. BERTO, D. J.; BEULKE, R. Precificação: sinergia do marketing e das finanças. São Paulo: Saraiva, 2013. CRUZ, J. A. W. et al. Formação de preços: mercado e estrutura de custos. Curitiba: Intersaberes, 2013. DUBOIS, A. Gestão de custos e formação de preços – conceitos, modelos e ferramentas. São Paulo: Grupo GEN, 2019. GONÇALVES, V. C.; CASTRO, L. M.; FELÍCIO, J A. Gestão Estratégica. Coimbra, Portugal: Almedina, 2017. KOTLER, P.; ARMSTRONG, G. Princípios de marketing. 15. ed. 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