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Engenharia e desenvolvimento
Prof. Luiz Gil Solon Guimarães
Descrição
Conceito de engenharia e a sua influência na construção e no
desenvolvimento da civilização ocidental, análise dos seus impactos na
organização de países e impérios, bem como seu possível papel como
agente estratégico de desenvolvimento de um país.
Propósito
Identificar a essência da profissão, por meio da sua importância
histórica e futura, como elemento motivador, para ter, ao longo do curso
e da carreira, uma postura ativa diante das oportunidades de construção
das habilidades e competências inerentes ao exercício pleno da
engenharia.
Objetivos
Módulo 1
Engenharia na construção da
civilização ocidental
Identificar o papel da engenharia na construção da civilização
ocidental.
Módulo 2
Processo evolutivo da
industrialização
Reconhecer o papel da engenharia formal no processo evolutivo da
industrialização.
Módulo 3
A engenharia e o desenvolvimento
Analisar as relações entre a engenharia e o desenvolvimento.
Módulo 4
A atuação do engenheiro e o
mercado de trabalho
Identificar as possibilidades de atuação dos engenheiros, suas
competências e responsabilidades.
Introdução
Olá! Antes de começarmos, assista ao vídeo e entenda sobre os
principais aspectos da engenharia e seu desenvolvimento.

1 - Engenharia na construção da civilização
ocidental
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car o papel da engenharia
na construção da civilização ocidental.
Conceitos de engenharia
Neste vídeo, você compreenderá o conceito de engenharia e seus
marcos históricos. Assista!
Construção de um conceito para a engenharia
A etimologia (estudo da origem das palavras) nos fornece bases para
compreender a adoção e a manutenção da palavra engenharia para
denominar a profissão ao longo de tantos anos.
Saiba mais
A palavra latina ingenium, associada a significados como talento e
inteligência, características inatas, originou a palavra engenhosidade.
Dessa forma, entende-se que a engenharia seja uma profissão que
carrega em si um forte viés de criação direcionada para a inovação
(engenhosidade).
Ao se apresentar como engenheiro, o profissional gera uma expectativa
de ser uma pessoa engenhosa, criativa, com grande capacidade
intelectual e prática, voltada para a solução de problemas.
Agora, vamos listar algumas definições conhecidas para a engenharia:
 1920
S. E. Lindsay
Engenharia é a prática da aplicação segura e
econômica das leis científicas que governam as
forças e materiais da natureza, por meio da
organização, do design e da construção, para o
benefício da humanidade.
 1939
Vannevar Bush
Engenharia, em um sentido amplo, é a aplicação da
ciência de maneira econômica para as
necessidades da humanidade.
 1941
T. J. Hoover e J. C. L. Fish
Engenharia é a aplicação profissional e sistemática
da ciência para a utilização eficiente dos recursos
naturais a fim de produzir riqueza.
 1963
John C. Calhoun Jr.
É responsabilidade do engenheiro estar atento às
necessidades sociais e decidir como as leis da
ciência podem ser mais bem adaptadas por meio
da engenharia a fim de cumprir essas
necessidades.
 1982
Comitê de Certi�cação de Engenharia e
Tecnologia dos Estados Unidos
Engenharia é a profissão na qual o conhecimento
das ciências matemáticas e naturais, obtido
mediante o estudo, a experiência e a prática, é
aplicado com julgamento no desenvolvimento de
novos meios de utilizar, economicamente, os
materiais e as forças da natureza para o benefício
da humanidade.
Saiba mais
Após tantas definições, convido você a um exercício de reflexão.
Construa uma versão inicial e pessoal do seu entendimento de
engenharia.
Se, ocasionalmente, você revisitar esse conceito, certamente ele haverá
se transformado e evoluído. Obter o real entendimento da profissão que
escolheu seguramente fará de você um profissional melhor.
Engenhosidade e história
Como já é possível calcular a dimensão do significado da engenharia,
podemos pensar na sua participação na história das civilizações.
Proponho, como exercício inicial, que você pense no seu dia a dia e que
elimine, um por um, os recursos de que dispomos que sejam
relacionados à engenharia.
Digamos que eliminássemos os celulares e, na sequência, os
computadores pessoais de nossas vidas. Seria um retrocesso de 40
anos. Agora, imagine o fim da aviação e dos automóveis; da tecnologia
associada à saúde e da energia elétrica. Nesse sentido, já teríamos
retrocedido mais de um século, e se pensarmos nas grandes
edificações e no saneamento, rapidamente chegaríamos à Idade Média.
Saiba mais
Formalmente focada em ensinos técnicos, a primeira escola de
engenharia surgiu na França, em 1747, com o nome de École des Ponts
et Chaussées. Em 1774, foi fundada a École Polytechnique com forte
fundamentação teórica e, em sequência, escolas de engenharia foram
surgindo em vários países. Não é coincidência a Revolução Industrial ter
se desenvolvido a partir de 1760, ao longo de aproximadamente 80
anos.
Vamos finalmente iniciar nosso passeio pela história, destacando e
analisando fatos relevantes da civilização ocidental e suas relações com
a engenharia, ou com a engenhosidade, em uma linha do tempo de
início indefinido até a formalização universitária da profissão. É muito
difícil dissociar a história da humanidade da engenharia, visto que o ser
humano busca soluções engenhosas para resolver seus problemas
desde sempre.
Engenharia no Egito
Confira neste vídeo as contribuições e invenções do Egito para a
engenharia.
Egito
Considera-se que o primeiro engenheiro foi Imhotep, responsável por
projetar e construir a primeira pirâmide do Egito, em degraus, para
abrigar o túmulo do Faraó Djoser (2630–2611 AEC). No entanto, o uso
da denominação engenheiro começou a ser utilizada somente no século
XI para definir alguém que atuava com criatividade para resolver
problemas práticos com invenções engenhosas.
AEC
A sigla "AEC" significa Antes da Era Cristã.
Sakkara.
A engenhosidade foi responsável por produzir diversos artefatos que
modificaram substancialmente a nossa história, bem como objetos
cortantes de pedra lascada que permitiram a caça e a introdução da
proteína como alimentação, além do uso da pele como proteção.
Faca com lâmina de sílex.
A relevância do arado
O arado é um dos artefatos mais revolucionários da história da
humanidade, pois permitiu que os grupos humanos deixassem de ser
nômades e se fixassem à terra, o que impactou de forma relevante a
produtividade agrícola. Os excedentes de produção e a capacidade de
armazenar alimentos provocaram o surgimento das comunidades, das
primeiras vilas e das cidades, bem como de trabalhos especializados,
por exemplo, construtores, artesãos, médicos e comerciantes
Arado com tração animal no antigo Egito.
Surgimento do arado
A di d h id l d

Acredita-se que o arado tenha surgido ao sul da
Mesopotâmia, em torno de 4500 AEC+, a partir da
iniciativa de um homem arrastar uma vara pelo
chão para abrir um sulco no solo, de modo a
facilitar o depósito das sementes. O
aperfeiçoamento do artefato, de forma a permitir a
adoção da tração animal, trouxe evolução ao
possibilitar um salto de produtividade, visto que os
bois conseguiam trabalhar todos os dias sem se
cansarem, ao contrário do homem.
 Utilização de animais
A utilização de animais também viabilizou a prática
do arado em solos não arenosos e que exigiam um
esforço maior. Os chineses desenvolveram
soluções típicas de engenharia para aperfeiçoar o
arado ao substituírem a madeira por ponteiras de
rocha pontiagudas que, além de facilitar o trabalho
em qualquer tipo de solo, possibilitavam a abertura
de sulcos mais profundos, mesmo em solos não
arenosos.
 Criação da aiveca
A capacidade de abertura de sulcos mais profundos
deflagrou um novo problema, porque após a
passagem do arado, parte do solo escavado caía
novamente no sulco aberto, exigindo a remoção
posterior.causada pela
falta de saneamento, pelos resíduos sólidos e efluentes; a
contaminação do solo e do lençol freático, todas essas modificações
impõem um reposicionamento do equilíbrio dos sistemas do planeta,
trazendo consequências indesejáveis a todos e que também impactam
negativamente o desenvolvimento.
Os processos antigos devem ser revistos com o olhar do impacto
ambiental, transformando-se em novas oportunidades de inovação. Os
processos novos devem ter como variável relevante o impacto
ambiental. Aspectos como consumo de energia para produzir um
material passam a ser um atributo de valor. As questões ambientais são
tratadas pela engenharia cada vez com maior naturalidade pelas
mudanças na formação acadêmica do profissional engenheiro, mas
também pela atualização da legislação.
Comentário
A engenharia consegue trabalhar com novos materiais, consumir menos
energia em seus processos, reduzir os desperdícios racionalizando
processos, gerar energia cada vez mais limpa, mas não impede a ação
de pessoas mal-intencionadas. Para isso, é preciso a ação fiscalizadora
do Estado. No entanto, algumas vezes o próprio Estado pode estar no
lado errado da história, assim como nos casos em que as próprias
empresas estatais levam esgoto in natura aos corpos hídricos.
Falamos muito até aqui de desenvolvimento e engenharia. Quando
acrescentamos a temática ambiental e as questões de sustentabilidade,
surgem o desenvolvimento sustentável e a engenharia sustentável, que
merecem reflexões mais aprofundadas.
Qualidade de vida
Para fecharmos nossa reflexão, vamos falar do que mais nos interessa:
a qualidade de vida. Afinal, o que podemos esperar mais da vida do que
viver bem?
É claro que viver bem é um conceito muito relativo e individual. Todavia,
a qualidade de vida é um parâmetro que deve ser medido para que
possamos lutar para promover ações que possam melhorar os
indicadores, sejam eles quais forem.
A intenção de se medir é ter a possibilidade de comparar e implantar
melhorias. Existe um padrão internacional que define um indicador
denominado IDH (índice de desenvolvimento humano) que permite que
se chegue a um número que tem significado associado ao grau de
desenvolvimento humano e que permite a comparação e a classificação
dos países em três categorias: desenvolvidos, em desenvolvimento e
subdesenvolvidos.
O IDH é calculado a partir de três dimensões:

Índice 1
Expectativa de vida ao nascer.

Índice 2
PPC (PIB per capita).

Índice 3
Educação (relação entre anos médios de estudo e anos esperados de
escolaridade).
O IDH é uma composição normalizada das 3 dimensões, o que faz com
que seja um número entre 0 e 1. O processo é muito criticado por gerar
distorções.
Em 2019, o IDH do Brasil foi 0,761, considerado alto, que coloca o Brasil
em 79º lugar em uma lista de 189 países.
Em um mundo cada vez mais globalizado e competitivo, a tecnologia é o
maior recurso que um país pode ter para se reposicionar no cenário.
Não há receita pronta e cada país deve encontrar seu caminho. Como
certeza, apenas que é um processo que demora pelo menos de uma a
duas gerações e que passa pela educação e pela engenharia.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A forma adotada para se medir a qualidade de vida da população é
o índice de desenvolvimento humano (IDH). Tendo como meta
aumentar o IDH, considere as ações à seguir:
I. Investimento em saneamento.
II. Ações para que todas as crianças tenham acesso à escola.
III. Ações para reduzir a evasão escolar.
IV. Oferta de crédito para aumento do consumo.
V. Investimento em saúde.
São ações efetivas as abordadas nos itens
A I, II e III.
B II, III e IV.
C I, II, IV e V.
Parabéns! A alternativa D está correta.
O investimento em saneamento melhora em muito a questão da
saúde e, consequentemente, a expectativa de vida. Crianças em
idade escolar fora da escola impactam fortemente o indicador da
relação entre anos médios de estudo e anos esperados de
escolaridade. Do mesmo modo, diminuir a evasão eleva a relação
entre anos médios de estudo e anos esperados de escolaridade,
pois aproxima os números. A saúde da população é um critério para
avaliação do IDH pois, nessa avaliação, é analisada a taxa de
expectativa de vida da população, por meio da facilidade ou não de
acesso aos recursos médicos. O incentivo ao consumo pela
facilidade do crédito estimula a produção porque as vendas
aumentam, mas o efeito é localizado e provoca o endividamento
das famílias, tornando essa ação a menos efetiva entre as
fornecidas.
Questão 2
Para que o Brasil experimente um período de desenvolvimento
econômico relevante e sustentável, precisamos, entre outras coisas,
investir em inovação tecnológica para nos tornarmos mais
competitivos no mundo globalizado. Assinale a opção que indica a
área em que há menos necessidade de investimento.Para que o
Brasil experimente um período de desenvolvimento econômico
relevante e sustentável, precisamos, entre outras coisas, investir em
inovação tecnológica para nos tornarmos mais competitivos no
D I, II, III e V.
E II, III, IV e V.
mundo globalizado. Assinale a opção que indica a área em que há
menos necessidade de investimento.
Parabéns! A alternativa A está correta.
Como foi visto, a engenharia é a solucionadora de problemas, de
forma que cada obstáculo pode ser visto como uma oportunidade
de inovação. Se o engenheiro possuir o olhar crítico para os
problemas da sua região, oportunidades não faltarão. A
universidade deve ser o elo entre as novas tecnologias e os
problemas da sociedade.
Todas as outras alternativas exigem investimentos e tempo de
retorno, pois:
- Mudar a cultura empreendedora pode custar mais de uma
geração.
- Melhorar a educação exige mais tempo ainda.
- Mudar a legislação tributária e com possibilidades de incentivo a
novas empresas também exige tempo e recursos.
A Oportunidades para inovação (temas)
B Cultura empreendedora
C Educação
D Legislação
E Infraestrutura
- A melhoria da infraestrutura requer investimentos por parte dos
governos em âmbitos federal, estadual e municipal.
4 - A atuação do engenheiro e o mercado de
trabalho
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as possibilidades de
atuação dos engenheiros, suas competências e responsabilidades.
Áreas de atuação dos
engenheiros
Neste vídeo, serão apresentadas as áreas de atuação das modalidades
de engenharia. Assista!
Você já deve ter se perguntado por que existem tantas divisões na
engenharia. Provavelmente, já teve a curiosidade de saber como atua
um engenheiro de controle e automação ou um engenheiro nuclear, por
exemplo. Vamos explorar, a seguir, as atribuições dos engenheiros em
diversas especialidades.
Engenheira nuclear.
É preciso compreender que o engenheiro, independentemente da área
escolhida, deve ter o mesmo perfil de formação, que é generalista,
humanista, crítica e reflexiva, que capacita o profissional formado a
absorver, desenvolver novas tecnologias e solucionar problemas.
Em todos os cursos de engenharia, há um conjunto básico de
conhecimentos compartilhados em todas as especializações. O núcleo
comum de conhecimento básico abrange os que são aplicáveis a todos
os ramos da engenharia. Isso significa que, durante as disciplinas desse
núcleo, estudantes de diferentes especializações, como engenharia
elétrica ou bioquímica, podem compartilhar a mesma sala de aula. Essa
interação entre diferentes perfis é produtiva porque proporciona
oportunidades para os alunos conhecerem colegas que poderão ser
seus parceiros de trabalho no futuro.
As Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em
Engenharia (DCNs de Engenharia) foram atualizadas em 2019 e revistas
em 2021 pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), substituindo a
versão anterior, de 2002. Sendo assim, o curso de engenharia deve
conter uma estrutura que atenda às novas exigências. Veja!
Núcleo básico
Englobaos conhecimentos comuns a todas as áreas da engenharia.
Núcleo pro�ssionalizante
Foca em aspectos específicos da prática profissional.
Núcleo especí�co
Concentra-se nos conhecimentos específicos da área de especialização
escolhida.
Destaca-se, ainda, a necessidade de promoção pelas instituições de
atividades práticas e de laboratório.
Pode ser natural questionar a relevância de disciplinas como química ou
de áreas de estudo das humanas em cursos de engenharia civil,
mecânica ou produção, por exemplo. No entanto, esses conhecimentos
e habilidades devem compor o perfil do engenheiro moderno.
Pessoa operando equipamento em uma fábrica de produtos químicos.
A química permite aos estudantes compreender os princípios básicos
que fundamentam muitos processos industriais e tecnológicos. Isso
pode auxiliar o desenvolvimento e a aplicação de materiais, além de ser
relevante em áreas como controle de qualidade, sustentabilidade e
segurança ambiental.
Quanto às disciplinas da área de humanas, elas têm o propósito de
ampliar a formação do engenheiro, tornando-o mais capacitado para
lidar não apenas com aspectos técnicos, mas também com questões
sociais, éticas e de gestão, além de desenvolver habilidades
comportamentais. O engenheiro precisa ser capaz de comunicar-se
eficazmente, trabalhar em equipe, entender o contexto social e legal de
seus projetos, e tomar decisões que considerem o impacto humano e
ambiental.
Sobre a diversidade de áreas na engenharia, isso reflete a complexidade
e a amplitude das atividades que os engenheiros podem desempenhar.
Cada área tem suas próprias demandas técnicas, tecnológicas e
contextuais.
Exemplo
Um engenheiro mecânico pode estar envolvido na concepção de
máquinas, enquanto um engenheiro civil pode focar a construção de
infraestruturas.
A especialização permite que os profissionais adquiram competências
específicas necessárias para atender às demandas de suas respectivas
áreas de atuação.
Além disso, é importante ressaltar que as atribuições dos engenheiros
não são estritamente limitadas pelo título do curso. O Conselho Federal
de Engenharia e Agronomia (Confea) estabelece as atribuições por
áreas. Contudo, há flexibilidade para que os engenheiros ampliem suas
competências por meio de pós-graduações ou até mesmo de uma
segunda graduação. Isso possibilita que um engenheiro, mesmo
formado em uma área específica, atue em diferentes campos, desde
que adquira as habilidades necessárias.
Um exemplo prático é a aplicação da Resolução nº 1.010/2005. Se um
profissional se formar em engenharia civil e, posteriormente, realizar
uma pós-graduação em segurança do trabalho, poderá exercer
atribuições relacionadas à segurança do trabalho, sem a necessidade de
cursar uma graduação específica em engenharia de segurança do
trabalho.
A tabela de títulos profissionais do Confea, na Resolução nº 473/02, nos
apresenta as áreas de atuação dos engenheiros:
Engenheiro acústico.
Engenheiro aeroespacial.
Engenheiro aeronáutico.
Engenheiro agrícola.
Engenheiro agrícola e ambiental.
Engenheiro agrimensor.
Engenheiro agrimensor e cartógrafo.
Engenheiro agroindustrial.
Engenheiro agrônomo.
Engenheiro ambiental.
Engenheiro automotivo.
Engenheiro biomédico.
Engenheiro bioquímico.
Engenheiro cartógrafo.
Engenheiro civil.
Engenheiro de agronegócios.
Engenheiro de alimentos.
Engenheiro de aquicultura.
Engenheiro de bioprocessos e biotecnologia.
Engenheiro de computação.
Engenheiro de comunicações.
Engenheiro de controle e automação.
Engenheiro de energia.
Engenheiro de exploração e produção de petróleo.
Engenheiro de fortificação e construção.
Engenheiro de geodésia.
Engenheiro de infraestrutura aeronáutica.
Engenheiro de materiais.
Engenheiro de minas.
Engenheiro de pesca.
Engenheiro de petróleo.
Engenheiro de plástico.
Engenheiro de produção.
Engenheiro de saúde e segurança.
Engenheiro de segurança do trabalho.
Engenheiro de software.
Engenheiro de telecomunicações.
Engenheiro de transmissão.
Engenheiro de transportes.
Engenheiro eletricista.
Engenheiro em eletrônica.
Engenheiro em eletrotécnica.
Engenheiro em topografia rural.
Engenheiro ferroviário e de logística.
Engenheiro ferroviário e metroviário.
Engenheiro florestal.
Engenheiro geógrafo.
Engenheiro geólogo.
Engenheiro hídrico.
Engenheiro mecânico.
Engenheiro mecânico e de armamento.
Engenheiro mecânico e de automóvel.
Engenheiro mecânico eletricista.
Engenheiro mecatrônico.
Engenheiro metalurgista.
Engenheiro militar.
Engenheiro naval.
Engenheiro nuclear.
Engenheiro químico.
Engenheiro sanitarista.
Engenheiro sanitarista e ambiental.
Engenheiro têxtil.
Engenheiro topógrafo.
Várias áreas de atuação apresentadas ainda podem conter uma
subdivisão, como mostra a tabela a seguir.
Código Título
111-01-00 Engenheiro(a) ambiental
111-01-01
Engenheiro(a) ambiental e da
sustentabilidade
111-01-02
Engenheiro(a) ambiental e energias
renováveis
111-01-03 Engenheiro(a) ambiental e sanitarista
111-01-04 Engenheiro(a) ambiental e urbana
111-01-05
Engenheiro(a) de recursos hidricos e
do meio ambiente
111-02-00 Engenheiro(a) civil
111-02-01
Engenheiro(a) civil costeiro(a) e
portuário(a)
111-02-02 Engenheiro(a) civil da mobilidade
Código Título
111-02-03 Engenheiro(a) civil de infraestrutura
111-02-04 Engenheiro(a) civil e ambiental
111-02-05 Engenheiro(a) civil empresarial
Tabela: Títulos profissionais.
Resolução nº 473/2002 - Confea (2002).
São muitas as áreas da engenharia disponíveis para quem quer seguir
nessa profissão. Vale a pena pesquisar a que melhor se encaixa no seu
perfil e está alinhada aos seus sonhos e desejos profissionais.
Competências dos
engenheiros
Conheça neste vídeo as principais competências e habilidades exigidas
dos engenheiros pelo mercado de trabalho.
Engenheiros desenvolvem competências a partir das quais poderão
liderar equipes em diversos segmentos industriais, trabalhar em grupos
multidisciplinares, ter uma visão holística e estratégica acerca de
projetos e processos e aprender de maneira autônoma.
Cabe ao engenheiro especificar, prever e avaliar os resultados obtidos
em seu ramo de atuação para a sociedade e o meio ambiente, com base
em conhecimentos matemáticos, de física, de ciências humanas e
sociais, atrelados aos princípios e métodos de análise e projeto da
engenharia.
O engenheiro deve analisar a viabilidade econômica, aspectos políticos,
sociais, éticos e de segurança durante sua atuação, além de executar e
fiscalizar projetos e serviços técnicos, emitindo pareceres e laudos a
partir de perícias e avaliações.
Engenheiros analisando projetos.
No capítulo 2 da Resolução CNE/CES nº 2/2019, o art. 3º versa sobre
perfil e competências esperadas de um egresso dos cursos de
engenharia:
Ter visão holística e humanista, além de ser crítico, reflexivo,
criativo, cooperativo e ético, com forte formação técnica.
Estar apto a pesquisar, desenvolver, adaptar e utilizar novas
tecnologias, com atuação inovadora e empreendedora.
Ser capaz de reconhecer as necessidades dos usuários e formular,
analisar e resolver, de forma criativa, os problemas de engenharia.
Adotar perspectivas multidisciplinares e transdisciplinares em sua
prática cotidiana.
Considerar aspectos globais, políticos, econômicos, sociais,
ambientais, culturais e de segurança e saúde no trabalho.
Atuar com isenção e comprometimento com a responsabilidade
social e o desenvolvimento sustentável.
No mesmo capítulo, o art. 4º prevê que o curso de engenharia deve
proporcionar aos seus egressos, ao longo da formação, as seguintes
competências gerais:
Formular e conceber soluções desejáveis de engenharia, analisando
e compreendendo os usuários dessas soluções e seu contexto.
Analisar e compreender fenômenos físicos e químicos por meio de
modelos simbólicos e outros, verificados e validados por
experimentação.
Conceber, projetar e analisar sistemas, produtos (bens e serviços),
componentes ou processos.Implantar, supervisionar e controlar soluções de engenharia.
Comunicar-se eficazmente nas formas escrita, oral e gráfica.
Trabalhar e liderar equipes multidisciplinares.
Conhecer e aplicar, com ética, a legislação e os atos normativos no
exercício da profissão.
Aprender de forma autônoma e lidar com situações e contextos
complexos, atualizando-se em relação aos avanços da ciência, da
tecnologia e dos desafios da inovação.
Após um extenso processo de consulta e debate envolvendo diversas
entidades representativas acadêmicas, industriais e profissionais –
como a Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge), a
Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Conselho Federal de
Engenharia e Agronomia (Confea) –, as Diretrizes Curriculares Nacionais
(DCNs) para os cursos de Engenharia foram revisadas em 2019. Essa
atualização resultou em mudanças consideráveis nos projetos
pedagógicos, adotando uma abordagem baseada em competências em
vez de uma simples transmissão de conteúdo.
As novas DCNs enfatizam a importância da prática, estimulando a
criatividade e a inovação, a utilização de metodologias de aprendizado
ativo, uma variedade de métodos de avaliação, bem como o apoio e a
orientação aos estudantes iniciantes.
Além disso, reconheceu-se a necessidade de investir na formação e
valorização de docentes, entre outras preocupações levantadas durante
o processo de revisão.
Atribuições do Conselho
Regional de Engenharia e
Agronomia (Crea)
Neste vídeo, você verá as atribuições gerais do engenheiro segundo o
sistema Crea/Confea. Assista!
O controle do exercício profissional no Brasil se dá pela regulamentação
da profissão pela legislação federal. Dois conselhos fazem a gestão
profissional: o Confea e o Crea.
O sistema Confea é uma instituição federal com sede em Brasília,
responsável pela fiscalização e regulamentação das profissões de
engenharia, agronomia, geografia, geologia e meteorologia. Sua criação
data de 1966, por meio da Lei Federal nº 5.194, de 24 de dezembro de
1966, sancionada pelo presidente da República.
As atribuições do Confea incluem a elaboração de
resoluções e decisões, que têm caráter de lei. Uma das
resoluções mais significativas é a anotação de
responsabilidade técnica (ART), que define a
responsabilidade técnica legal em relação às
atividades profissionais. De acordo com o art. 2º dessa
resolução, a ART deve ser emitida sempre que um
serviço profissional for prestado, independentemente
de haver um contrato formal.
As taxas relacionadas à ART são estabelecidas pelo próprio Confea,
conforme especificado no art. 2º, parágrafo 2º. A ausência da ART
sujeita o profissional ou a empresa a multas e outras penalidades,
conforme previsto no art. 73 da Lei nº 5.194/1966.
O sistema Crea complementa o Confea em âmbito estadual, existindo
um conselho em cada estado da federação. Cada Crea pode criar sua
própria legislação específica.
Exemplo
O Crea-SP tem normativos que abordam questões como a expedição de
acervo técnico, fiscalização de serviços técnicos, celebração de
contratos com entidades de classe, entre outros.
As atribuições do Crea incluem a fiscalização do exercício profissional e
o registro profissional de engenheiros e agrônomos em cada estado.
Conforme a legislação do Confea, a emissão da ART só é possível para
profissionais registrados no estado em que estão atuando.
A fiscalização é realizada por fiscais que verificam a regularidade do
exercício profissional, tanto em empresas privadas quanto públicas,
assegurando o cumprimento das responsabilidades técnicas das
atividades em curso.
Caso seja constatada alguma irregularidade, como a falta de
responsável técnico ou a ausência de registro no Crea, são lavradas
notificações – e, se necessário, autos de infração, dando início a
processos administrativos para correção das irregularidades.
Fiscalização de obras.
Vamos analisar um caso sobre a atuação do Confea e do Crea.
Você é um engenheiro designado para prestar consultoria em
uma indústria que está passando por um processo de
adequação em suas instalações. Durante uma inspeção, você
descobre que não há um responsável técnico pelo
gerenciamento da execução do projeto, como exigido pelos
órgãos de classe. O diretor da empresa argumenta que o simples
atendimento à notificação de fiscalização seria suficiente,
dispensando a necessidade de acompanhamento técnico das
atividades.
Considerando que a profissão de engenheiro é regulamentada
por lei, qual seria a abordagem correta a adotar diante dessa
situação?
Como engenheiro, sua responsabilidade é garantir o
cumprimento de leis e regulamentos que regem a profissão. É
importante destacar que a Lei nº 5.194/1966 estabelece que o
exercício das atividades dessas profissões é garantido apenas
para aqueles devidamente registrados nos conselhos regionais.
Além disso, o art. 6º da mesma lei determina que é considerado
exercício ilegal da profissão realizar atos ou prestar serviços
públicos ou privados sem o devido registro nos conselhos
regionais.
A Lei nº 6.496/1977, por sua vez, estabelece a obrigatoriedade
da ART para contratos de execução de obras ou prestação de
serviços profissionais relacionados à engenharia e à agronomia,
sejam verbais ou escritos.
Portanto, diante da falta de um responsável técnico e tendo em
vista as exigências legais, negar o pedido do diretor da empresa
Exemplo 
é a abordagem correta. Você deve então elaborar uma proposta
técnica detalhada, contemplando a responsabilidade pela
execução dos serviços e garantir a emissão da ART respectiva.
Uma vez aprovada a proposta, é obrigatório formalizar a
atividade por meio de um contrato, especificando claramente as
atividades a ser realizadas pelo profissional.
Ao agir de acordo com leis e regulamentos, você assegura a
conformidade legal e a qualidade técnica do trabalho,
protegendo tanto os interesses da empresa quanto sua própria
reputação profissional.
Código de ética
Conheça neste vídeo os códigos de ética do engenheiro.
A ética é um elemento que deve ser considerado em todas as esferas
sociais, incluindo o mundo profissional. Os profissionais dessa área
precisam aderir a um código de conduta que não apenas estabelece
obrigações, mas também protege seus direitos específicos.
A falta de um responsável técnico durante a execução
de projetos pode ser uma violação ética, de acordo
com leis e regulamentos que regem a profissão. É
dever dos engenheiros respeitar o código de ética
profissional e garantir que suas ações estejam
alinhadas com os padrões éticos estabelecidos.
O código de ética profissional da engenharia, conforme estabelecido
pela Resolução nº 1.002/2002 (Confea, 2002), adota o Código de Ética
Profissional da Engenharia, da Arquitetura, da Agronomia, da Geologia,
da Geografia e da Meteorologia, abordando uma série de princípios,
deveres, condutas vedadas, direitos e infrações éticas que os
engenheiros devem observar em sua prática profissional.
O art. 8º da resolução cita que a prática da profissão é fundada em
determinados princípios éticos nos quais o profissional deve pautar sua
conduta, como veremos a seguir.
Do objetivo da profissão:
I - A profissão é bem social da
humanidade e o profissional é o
agente capaz de exercê-la, tendo
como objetivos maiores a
preservação e o desenvolvimento
harmônico do ser humano, de seu
ambiente e de seus valores;
Da natureza da profissão:
II – A profissão é bem cultural da
humanidade construído
permanentemente pelos
conhecimentos técnicos e
científicos e pela criação artística,
manifestando-se pela prática
tecnológica, colocado a serviço da
melhoria da qualidade de vida do
homem;
Da honradez da profissão:
III - A profissão é alto título de honra
e sua prática exige conduta honesta,
digna e cidadã;
Da eficácia profissional:
IV - A profissão realiza-se pelo
cumprimento responsável e
competente dos compromissos
profissionais, munindo-se de
técnicas adequadas, assegurando
os resultados propostose a
qualidade satisfatória nos serviços e
produtos e observando a segurança
nos seus procedimentos;
Do relacionamento profissional:
V - A profissão é praticada através
do relacionamento honesto, justo e
com espírito progressista dos
profissionais para com os gestores,
ordenadores, destinatários,
beneficiários e colaboradores de
seus serviços, com igualdade de
tratamento entre os profissionais e
com lealdade na competição;
Da intervenção profissional
sobre o meio:
VI - A profissão é exercida com base
nos preceitos do desenvolvimento
sustentável na intervenção sobre os
ambientes natural e construído e da
incolumidade das pessoas, de seus
bens e de seus valores;
Da liberdade e segurança
profissionais:
VII - A profissão é de livre exercício
aos qualificados, sendo a segurança
de sua prática de interesse coletivo.
(Resolução nº 1.002/2002)
A ética na engenharia não se limita apenas ao cumprimento das leis e
regulamentos, mas também se estende ao comportamento responsável,
à integridade e ao compromisso com o bem-estar humano e com o
desenvolvimento sustentável.
Você já ouviu falar do juramento da engenharia? É uma promessa solene
que os engenheiros fazem ao se formar, algo que vai além do simples
exercício da profissão. O exemplo citado a seguir é o mais utilizado.
Embora a autoria do texto original não seja conhecida, inúmeras vezes
ele é citado como juramento na formatura dos cursos de engenharia:
“Prometo que, no cumprimento do meu dever de engenheiro, não me
deixarei cegar pelo brilho excessivo da tecnologia, de forma a não me
esquecer de que trabalho para o bem do homem e não da máquina.
Respeitarei a natureza, evitando projetar ou construir equipamentos que
destruam o equilíbrio ecológico ou poluam, além de colocar todo o meu
conhecimento científico a serviço do conforto e desenvolvimento da
humanidade. Assim sendo, estarei em paz comigo e com Deus”.
Engenheiro fazendo juramento com mão no peito e palma da mão aberta.
Essas palavras nos lembram da responsabilidade que temos como
engenheiros, não apenas em relação aos projetos técnicos, mas
também ao impacto que eles têm nas pessoas e no mundo ao nosso
redor. É uma inspiração constante para nos mantermos fiéis aos mais
altos padrões éticos e morais em nossa prática profissional.
Documentação técnica de
responsabilidade do
engenheiro
Neste vídeo, serão discutidos alguns dos documentos técnicos emitidos
pelos engenheiros. Assista!
No exercício da engenharia, é responsabilidade do engenheiro redigir
documentos, como laudos, pareceres técnicos e relatórios técnicos,
especificamente no campo da engenharia diagnóstica, que se dedica à
avaliação de processos. Seu objetivo é identificar a origem de
fenômenos ou anomalias, com base em causas específicas observadas
durante vistorias técnicas.
É importante ressaltar que o termo perícia é frequentemente utilizado de
forma equivocada para qualquer atividade de vistoria.
A engenharia diagnóstica consiste na avaliação e produção de
recomendações com base em análises, utilizando conhecimentos
técnicos e científicos para atender a um padrão de qualidade ou
desempenho de referência. São empregados diversos termos e
definições específicos para atender às diferentes necessidades
técnicas.
Homem segurando uma prancheta no campo.
Pareceres técnicos ou relatórios técnicos são ferramentas importantes
para atividades de vistoria e elaboração de documentos, sendo
utilizados em diversas situações, como avaliação técnica ou financeira
de projetos, construções, imóveis, entre outras atividades de engenharia.
Documentos com finalidade jurídica, inseridos na engenharia legal,
devem apresentar conteúdo objetivo, com propósito claro de elucidar
questões definidas pelo juiz ao perito.
Documentos em uma mesa ao lado do martelo do juiz.
As principais vertentes da engenharia legal incluem avaliações periciais
e a engenharia diagnóstica, especialmente no que diz respeito a
patologias construtivas. O laudo técnico é considerado prova técnica em
processos judiciais e serve como referência para a sentença do juiz.
Após a emissão do laudo, os assistentes técnicos nomeados pelas
partes envolvidas no processo podem emitir pareceres técnicos,
também considerados provas e utilizados na sentença. Em casos raros,
o laudo pode ser inconclusivo, exigindo uma nova perícia determinada
pelo juiz.
Comentário
Além do Crea e das ABNT, há outras entidades relevantes para o
desenvolvimento da engenharia diagnóstica, como o Instituto Brasileiro
de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape), fundado em 1979 em
São Paulo. É uma entidade sem fins lucrativos composta por
engenheiros, agrônomos e arquitetos que atuam nas áreas de avaliação,
perícias de engenharia e inspeções prediais, buscando padronizar,
normatizar e disseminar conhecimento nesse campo.
Para a produção desses documentos, é necessário realizar uma vistoria
detalhada com o objetivo de identificar a origem de determinado evento.
De acordo com a NBR nº 13.752/1996 (Perícias de engenharia na
construção civil), vistoria e perícia se diferenciam pelos seguintes
aspectos. Vejamos!
Vistoria
Envolve a análise
minuciosa dos
elementos constituintes
para caracterizar
aspectos como tipo,
conservação, padrão,
idade, vícios ou
anomalias.
Perícia
É definida como uma
atividade técnica
realizada por
profissional qualificado
para investigar e
esclarecer fatos, avaliar
bens e determinar
causas de eventos
específicos.
A engenharia diagnóstica oferece oportunidades de trabalho tanto no
âmbito judicial quanto extrajudicial. No Brasil, é comum tentar resolver
questões de forma extrajudicial, em que a avaliação técnica é
frequentemente necessária por meio de pareceres técnicos elaborados
por especialistas. Se não houver acordo entre as partes, o processo
pode seguir para o campo judicial, envolvendo a nomeação de um perito
pelo juiz para elaborar um laudo técnico, bem como pareceres dos
assistentes técnicos das partes envolvidas.
A distinção entre os termos "técnico" e "de avaliações" é importante,
sendo definida pelas normas técnicas da ABNT, especialmente

relacionadas à engenharia de avaliações e à avaliação pericial. Veja a
seguir os tipos de pareceres.
 Laudo
Esse termo é reservado para o trabalho do perito no
campo da engenharia legal, ligado ao direito e
utilizado para esclarecer aspectos técnico-legais
em demandas judiciais.
 Laudos de avaliações
São elaborados para classificar bens tangíveis e
intangíveis, incluindo imóveis, máquinas, veículos,
entre outros. Esses documentos devem seguir
recomendações importantes, como a capacitação
profissional adequada, o sigilo dos resultados, a
utilização correta de métodos e a coleta precisa de
dados.
 Laudos de técnicos
Devem seguir as diretrizes estabelecidas pela NBR
13.752, incluindo a identificação das partes
envolvidas, a descrição dos requisitos atendidos, o
relato da vistoria, o diagnóstico da situação
encontrada, entre outros aspectos.
Com o avanço da engenharia legal, surgem outras formas de relatórios
técnicos, como os resultantes de vistorias cautelares de vizinhança e os
procedimentos técnicos de recebimento de obras.
Tais documentos são encomendados por construtoras, condomínios e
associações de moradores para avaliar condições de imóveis, identificar
vícios construtivos e verificar conformidade com normas técnicas
vigentes.
A linguagem da documentação
Nos documentos técnicos, a linguagem utilizada deve ser clara, objetiva
e direta. Embora termos técnicos sejam comuns, é importante facilitar o
entendimento por meio de explicações e ferramentas de linguagem,
permitindo que até mesmo pessoas sem domínio da especialidade
compreendam os conceitos e fenômenos técnicos.
 Relatório técnico
É produzido a partir de um levantamento completo
da inspeção de uma edificação e é destinado ao
requerente ou solicitante.
 Parecer técnico
É uma opinião ou esclarecimento emitido por um
profissional legalmentehabilitado sobre um
assunto de sua especialidade. Ambos devem
obedecer às normas técnicas e às diretrizes
estabelecidas pela NBR 13.752.
A norma NBR 13.752 estabelece diretrizes para perícias na construção
civil e a NBR 14.653-1 define procedimentos gerais para a avaliação de
bens. Essa padronização visa garantir a clareza e a consistência dos
documentos, facilitando sua compreensão e utilização.
Além disso, todo documento técnico, como relatórios, pareceres ou
laudos, deve conter a data, o local e a assinatura do profissional
responsável por sua elaboração. Isso legitima o documento,
especialmente em processos judiciais.
A emissão da ART também é obrigatória e deve constar no documento,
garantindo a responsabilidade do profissional pela sua elaboração.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Considerações �nais
Neste material, vimos o papel da engenharia na construção da
civilização ocidental até o processo evolutivo da industrialização atual e
sua importância como agente estratégico de desenvolvimento de um
país. Assim, podemos concluir que a engenharia e o desenvolvimento
são indissociáveis e que os desafios são infinitos.
Que isso sirva como elemento motivador e de orgulho para que, ao
longo de toda a formação e atuação profissional, você tenha uma
postura ativa diante das oportunidades de aprendizagem e de
transformação da sociedade!
Podcast
Para finalizar, confira agora um apanhado geral do conteúdo abordado.

Explore +
Confira as indicações que separamos especialmente para você!
Para saber mais sobre os assuntos explorados neste tema,
assista: Inteligência Artificial – IBM, Discovery Brasil.
Para saber mais sobre os assuntos explorados neste material, leia:
História dos engenheiros e da engenharia, parte de A
Engenharia e os Engenheiros ao Longo da História, de
Estéfano Viszconde Veraszto e colaboradores (2003).
Indústria 4.0, publicação da Firjan (2016) dentro da coleção
de Cadernos Senai de Inovação.
Indústria 4.0 pede engenheiro empreendedor e
comunicativo, reportagem publicada no portal do Instituto de
Engenharia, São Paulo, 2018.
Entenda mais o impacto da inteligência artificial na sociedade
lendo o artigo Inteligência artificial e sociedade: avanços e riscos,
de Jaime Simão Sichman, publicado na revista Estudos
Avançados, v. 35, n. 101, em 2021.
Leia também o artigo Inteligência artificial, o futuro da medicina e
a educação médica, de Luiz Carlos Lobo, publicado na Revista
Brasileira de Educação Médica, v. 42, n. 3, em 2018.
Referências
AGENDA brasileira para a Indústria 4.0. Indústria 4.0. Brasília, DF, s.d.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MANTENEDORAS DE ENSINO SUPERIOR.
ABMES. Diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em
engenharia. Brasília, DF: ABMES, 2019.
BRASIL. Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966. Regula o exercício
das profissões de Engenheiro, Arquiteto e Engenheiro-Agrônomo, e dá
outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1966.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação.
Câmara de Educação Superior. Resolução nº 2, de 24 de abril de 2019.
Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em
Engenharia. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2019.
BURNS, E. M. História da civilização ocidental: do homem das cavernas
até a bomba atômica – o drama da raça humana. Rio de Janeiro: Globo,
1975.
CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA. CONFEA.
Resolução nº 473, de 26 de novembro de 2002. Institui tabela de títulos
profissionais do Sistema Confea/Crea e dá outras providências. Brasília,
DF: Confea, 2002ª.
CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA. CONFEA.
Resolução nº 1.002, de 26 de novembro de 2002. Adota o código de
ética profissional da engenharia, da arquitetura, da agronomia, da
geologia, da geografia e da meteorologia e dá outras providências.
Brasília, DF: Confea, 2002b.
CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA. CONFEA.
Resolução nº 1.010, de 22 de agosto de 2005. Dispõe sobre a
regulamentação da atribuição de títulos profissionais, atividades,
competências e caracterização do âmbito de atuação dos profissionais
inseridos no Sistema Confea/Crea, para efeito de fiscalização do
exercício profissional. Brasília, DF: Confea, 2005.
FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.
FIRJAN. Indústria 4.0. Rio de Janeiro: Firjan, 2016. (Cadernos Senai de
Inovação).
HOLTZAPPLE, M. T.; REECE, W. D. Introdução à engenharia. Rio de
Janeiro: LTC, 2006.
MATIAS, L. Indústria 4.0 pede engenheiro empreendedor e
comunicativo. Folha de São Paulo, 5 dez. 2018. Consultada na internet
em: 7 maio 2024.
SACOMANO, J. B. et al. Indústria 4.0: conceitos e fundamentos. São
Paulo: Blücher, 2018.
VOLPATO, N. (org.). Manufatura aditiva: tecnologias e aplicações da
impressão 3D. São Paulo: Blücher, 2018.
VERASZTO, E. V. et al. A engenharia e os engenheiros ao longo da
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31., Rio de Janeiro. Anais [...] Rio de Janeiro: Abenge, 2003.
ZANINI, A. Sistemas cyber-físicos e cidades inteligentes. New York:
Developer Works- IBM, 2015.
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O surgimento dos metais
O uso dos metais propiciou o desenvolvimento e o aperfeiçoamento de
ferramentas e armas. A chamada Idade dos Metais, última etapa do
Período Neolítico, teve início com o uso do cobre e, em seguida, do
estanho. Por volta de 3000 AEC, a união desses dois metais deu origem
ao bronze. O uso do ferro, iniciado em torno de 1500 AEC na Ásia Menor,
por exigir técnicas de manipulação mais sofisticadas, demorou a se
difundir.
O cobre
O cobre, material dúctil, pode ser trabalhado a frio e a quente, quando
são necessários fornos para liquefazer o metal e depositá-lo em
moldes. O processo é relativamente simples, mas exige temperatura
elevada conseguida por meio da injeção de ar pelo sopro. Como o cobre
pode ser refundido, surgiram os lingotes.
pela criação da aiveca, uma placa que impedia que
o solo arado retornasse à fenda, forçando o
depósito lateral.
 Arados em ferro
A última inovação consistia em permitir que o arado
pudesse ser ajustado para abrir diferentes
profundidades de sulcos para o uso em diferentes
tipos de solo. Apesar disso, esses aprimoramentos
somente chegaram ao mundo ocidental no século
XVII e apenas no fim do século XVIII foram
produzidos arados em ferro, com partes
substituíveis, permitindo o uso da lâmina adequada
para cada tipo de solo.
Dúctil
Capacidade de se deformar sem romper.
Lingotes
São massas de metal ou de um material condutor que, após terem sido
aquecidas a uma temperatura superior ao seu ponto de fusão, são vertidas
em um molde, assumindo uma forma que torna mais fácil o seu
manuseamento, geralmente uma barra ou um bloco.
Metalúrgicos egípcios
Pepita de cobre nativo
Lingote de cobre
O bronze é resultado da adição do estanho ao cobre, em proporções que
variam de 3% a 25% na liga, resultando em um material com
características mecânicas mais interessantes do que o cobre em muitas
situações, sendo menos maleável e mais resistente e com ponto de
fusão mais baixo. Os moldes, em geral, eram de cerâmica e se perdiam
a cada moldagem.
Espada de dois fios em bronze.
O ferro
Os primeiros a dominar a produção do ferro foram os hititas, que
monopolizaram o processo até serem derrotados pelos assírios, fato
que dispersou os ferreiros, possibilitando que as técnicas fossem
difundidas.
A fabricação do ferro não é similar ao processo do cobre e do bronze, já
que o material não se liquefaz. Os fornos devem ter capacidade para
altas temperaturas, obtidas mediante grandes quantidades de carvão e
lenha e insuflados por oxigênio continuamente.
Após um preaquecimento em forno, o material deve receber muitos
golpes, processo que elimina uma série de impurezas. Em seguida, deve
ser aquecido em um segundo forno até ficar incandescente para,
novamente, receber golpes. O processo repetitivo de martelagem a
quente e aquecimento leva a uma barra forjada bem pura e maleável.
A têmpera é um processo importante para
determinadas funções como armas e algumas
ferramentas, sendo obtida por meio do rápido
resfriamento com uso de água, que favorecia a
absorção do carbono, e algumas modificações na
estrutura molecular, que provocavam o aumento da
resistência.
Como material, o ferro é superior ao bronze em algumas funções,
principalmente para armas e ferramentas. Apesar do processo de
obtenção mais complexo, a abundância do material na natureza e o
melhor desempenho para as referidas funções fizeram do ferro uma
importante e relevante inovação da metalurgia.
Machado de ferro da Idade do Ferro sueca.
A invenção da roda
A roda é uma das maiores invenções da história da humanidade, cujo
registro mais antigo data de 3500 AEC, em uma placa de argila, que
mostra a roda sendo utilizada para transporte humano. A roda
possibilitou o transporte de carga em longa distância, abrindo várias
possibilidades, inclusive para o comércio.
Possível esquema de desenvolvimento da roda para deslocar cargas pesadas.
Grécia Antiga e as primeiras
cidades
Assista ao vídeo e conheça as contribuições e invenções da Grécia
Antiga para a engenharia.
A capacidade de construir permitiu que surgissem as primeiras cidades
mais complexas próximas ao rio Nilo, no Egito, e na China, por volta de
2000 AEC. Por falar em cidades, vamos dar um salto até a Grécia Antiga
e conhecer um pouco de suas cidades-estados (poleis).
Vamos nos concentrar em Atenas, que representou um modelo em
pleno século IV AEC que, não à toa, transformou-se no berço da
democracia, da cidadania e da base filosófica de toda a civilização
ocidental, incluindo a concepção da escola, responsável pela
transmissão do conhecimento, na Academia de Platão e no Liceu de
Aristóteles.
Saiba mais
O projeto de Atenas favoreceu fortemente para tamanho sucesso, pois o
urbanismo foi fundamentado na participação ativa dos cidadãos na vida
pública. As vias eram distribuídas em uma malha ortogonal, e a
organização do espaço urbano se baseava em pequenos núcleos com
funções específicas. Uma elevação natural foi destinada às práticas
religiosas (acrópole) com vários templos, com destaque para o
Partenon.
Na região onde se localizavam os prédios públicos, havia uma praça
(ágora) reservada para se desenvolver a vida política. Também havia os
ginásios, as arenas e os teatros que ofereciam entretenimento e
reflexão. Os bairros residenciais, dos artesãos e dos comerciantes
ficavam mais afastados do centro.
Legenda
As áreas de cultivo e o porto ficavam do lado externo da cidade, que era
cercada por um grande muro. Aliás, o porto de Pireu foi determinante
para a expansão comercial marítima, fundamental para a ampliação dos
seus domínios e estabelecimento do poderio político e econômico.
Registra-se, aqui, outra grande contribuição da engenharia na área de
transporte marítimo e instalações portuárias.
A preocupação ambiental na Grécia Antiga
Um aspecto muito interessante ocorrido na Grécia Antiga consistia no
registro do que talvez tenha sido a primeira preocupação com o impacto
ambiental. Com a multiplicação das construções e o uso intensivo da
madeira, que também era utilizada nas embarcações e como carvão
vegetal nas fundições de bronze, chumbo, cobre, estanho e,
principalmente, ferro, as florestas gregas começaram a ficar escassas.
Em determinado momento, Atenas proibiu a exportação de madeira para
construção e o uso de madeira de oliveira para produzir carvão. Em
outros locais, a madeira foi taxada, e o Estado passou a controlar a
venda de carvão.
A engenharia reagiu aumentando o uso de alvenaria como alternativa
construtiva para diminuir o uso da madeira e começou o que podemos
chamar de construções sustentáveis, já que os projetistas
desenvolveram uma técnica em que as paredes absorviam o calor do
sol e liberavam gradualmente o calor durante a noite, diminuindo a
necessidade de calefação. O posicionamento da edificação em relação
ao sol também foi estudado de forma a aproveitar o sol do inverno.
Assim, segundo Aristóteles, nascia a edificação racional.
Invenções do Império
Macedônico e Romano
Confira neste vídeo as contribuições e invenções dos romanos para a
engenharia.
Império Macedônico
A sequência histórica nos leva ao rápido Império Macedônico, que
atingiu seu ápice com Alexandre, o Grande, tutelado por ninguém menos
que Aristóteles, e tornando-se um dos maiores gênios militares da
história. Em apenas 13 anos (336–323 AEC), Alexandre criou o maior
império do mundo, à época, dominando toda a Pérsia e chegando até o
Egito.
Alexandre foi o principal responsável por disseminar a cultura helênica
pelo mundo, por meio da filosofia, da matemática, do teatro e da
literatura.
Aristóteles
Os principais trabalhos de Aristóteles, conhecidos até hoje, foram
desenvolvidos durante o período de Alexandre.
A cidade egípcia de Alexandria tornou-se, à época, o principal centro de
ciências do mundo com a criação do Museu de Alexandria que, na
verdade, tratava-se de uma instituiçãocom ênfase na investigação da
natureza com recursos inimagináveis até então, como laboratórios de
pesquisa, jardim botânico, zoológico, salas de dissecação, observatório
astronômico e uma grande biblioteca.
São figuras proeminentes do Museu de Alexandria o matemático grego
Euclides, que fundou o estudo da geometria consolidado no famoso
tratado Os elementos, e Arquimedes, que inventou o chamado parafuso
de Arquimedes e formulou o princípio da alavanca e do empuxo, bem
como projetou várias armas de guerra.
Império Romano
Com a morte de Alexandre, o império subdividiu-se e somente em 27
AEC se estabeleceu o Império Romano, considerado o maior da história
da civilização ocidental, conectando a Europa, a Ásia e a África. Tal
impédio perdurou até 475 EC, marcando o fim da Idade Antiga e o início
da Idade Média, período este muito fértil para a engenharia, com muitas
inovações e aperfeiçoamentos.
Aquedutos
A seguir, vamos conhecer e entender melhor algumas engenharias
desenvolvidas pelo Império Romano.
Antigo aqueduto romano
Roma possuía um consumo de água per capita similar ao atual,
sendo alimentada por 14 aquedutos a um volume diário de 10 mil
metros cúbicos. Os aquedutos podiam medir até 100
quilômetros, captando a água e transportando-a até os
reservatórios próximos da cidade.
Roda d’água
Os romanos foram precursores na utilização da água como fonte
de energia, que movimentava as chamadas rodas d'água,
principalmente para moer grãos, ideia muito difundida pela costa
do Mediterrâneo.
Complexo de Barbegal
Em Barbegal, França, os romanos construíram, no século IV, um
inacreditável complexo de rodas d´água alimentado por um único
aqueduto de 2 metros de largura, com uma inclinação de 30°, que
alimentava um conjunto de 8 pares de rodas d’água para moer.
O complexo de Barbegal tinha uma capacidade para produzir até 2,8
toneladas diárias de farinha que, em grande parte, era embarcada no
porto de Arles para Roma. A água também era conduzida e armazenada
em reservatórios para a chamada mineração hidráulica. Os romanos
desenvolveram uma técnica denominada ruina montium que se mostrou
devastadora como o próprio nome sugere (destruição da montanha). A
ideia baseava-se em utilizar a força hidráulica de grandes volumes de
água desviada, que forçavam a erosão e o carreamento de grandes
volumes de sedimentos que eram minuciosamente manipulados, para
procurar pepitas e resíduos de ouro.
Os romanos não pouparam esforços para que, ao longo de 2 séculos,
cerca de 60 mil trabalhadores retirassem mais de 1,5 toneladas de ouro
das minas de Las Médulas, região da Espanha que abrigava fabulosos
veios de ouro. Para isso, foram utilizados complexos sistemas de
aquedutos e canais, incluindo o armazenamento em grandes tanques a
uma cota de aproximadamente 250 metros acima do nível das minas,
gerando poderosa pressão hidráulica para o desmonte das rochas.
A mina de ouro romana de Las Médulas.
Com o andamento dos trabalhos, novos túneis eram cavados para
direcionar o fluxo da água em alta pressão em novas áreas de interesse,
e o rastro de destruição se formava. Talvez esse processo tenha sido o
primeiro grande impacto ambiental localizado causado pela ação
humana.
Pontes
Os romanos construíram muitas pontes entre as maiores já construídas
até então, sempre utilizando o arco como recurso e, muitas vezes, um
núcleo de concreto.
Represas
Os romanos construíram muitas represas para armazenar água para
abastecimento e mineração. A represa de Proserpina, na Espanha, já
possui 2 mil anos e ainda abastece a região para irrigação.
Estradas
Pode-se dizer que a rede de estradas romanas foi o maior legado do
império, visto que, além dos exércitos e mercadorias, também passaram
ideias e influências culturais, filosóficas e religiosas, incluindo o
cristianismo.
A gigantesca rede atingiu cerca de 80 mil quilômetros no auge do
império (117 EC) e conectou a Europa, o Oriente Médio e o Norte da
África, numa área hoje ocupada por mais de 30 países. Inicialmente,
serviam para o transporte das tropas e suprimentos e se tornaram rotas
de comércio e de mensagens. Ao analisarmos, essa rede explica a
gigantesca Igreja Católica Apostólica Romana e expressões como
“Todos os caminhos levam a Roma” e “Quem tem boca vai a Roma”.
Diversas vias importantes saíam de Roma. A via Ápia, a mais
importante, ia até Brindisi, cidade portuária com saída para o leste. As
vias Salária e Flamínia seguiam na direção do Mar Adriático, dando
acesso aos Bálcãs e às regiões cruzadas pelos rios Reno e Danúbio. A
via Aurélia dava acesso à Península Ibérica, e a via Ostiense levava até
Óstia, porto com acesso mais fácil para viagens à África.
EC
A sigla "EC" significa Era Cristã.
Rede de estradas do Império Romano.
As estradas romanas eram cuidadosamente projetadas
e construídas para serem duradouras. Seus traçados
privilegiavam trechos retilíneos e, quando tinham que
acompanhar os contornos do terreno, procuravam
manter a horizontalidade.
O processo construtivo tinha início com a escavação de duas valas
paralelas, geralmente com distância de 4 metros. Na sequência, a região
central era escavada até que se encontrasse solo firme, como se fosse
uma espécie de canal.
A região escavada era preenchida por camadas de diferentes materiais.
A primeira era de pedregulhos ou entulho, seguida por pedras pequenas
ou achatadas, eventualmente ligadas por argamassa. Por fim, uma
camada de cascalho ou pedra britada.
A superfície variava entre o cascalho compactado e uma pavimentação
com grandes placas lisas de pedra, sempre mais altas no centro, com
um leve caimento lateral para as bordas da via, para que as águas
provenientes da chuva escorressem lateralmente. Esse processo foi tão
bem-sucedido, que algumas estradas estão em uso até hoje.
Já falamos das pontes romanas, mas ainda não falamos dos túneis, um
desafio para os recursos da época. Um belo exemplo é o túnel do
desfiladeiro Furlo, na via Flamínia (78 EC). Com 5 metros de largura e
também 5 de altura, o túnel se estende por 40 metros escavados em
rocha maciça. Desse modo, a rede de estradas romanas se constitui em
um dos maiores empreendimentos da humanidade.
Trecho da via Flamínia próximo de Roma.
Construções
A arquitetura e as construções romanas formam um capítulo à parte,
mas não há como não se mencionar o Coliseu e o Pantheon.
Construído em 8 anos, o Coliseu, com capacidade de até 80 mil
pessoas, foi concluído em 80 EC. Maior anfiteatro já arquitetado, era
utilizado para combates de gladiadores e para espetáculos públicos,
como encenações, execuções, simulações de batalhas famosas e
dramas da mitologia clássica. Atualmente, é considerado uma das 7
maravilhas do mundo moderno.
Interior do Coliseu
Fachada do Coliseu
O Pantheon é um edifício muito especial, sendo uma das estruturas
mais bem preservadas da Roma Antiga. De planta circular, possui um
grande pórtico na entrada, que conduz a um ambiente coberto por uma
cúpula de concreto, que por sua vez contém uma abertura central e que
permite a iluminação natural. Trata-se da maior cúpula de concreto não
armado da história. O diâmetro, de 43,3 metros, tem a mesma dimensão
da altura da abertura (óculo).
Cúpula de concreto
com a abertura
central
Pantheon


Dicionário Enciclopédico Brockhaus e Efron.
Engenharia após Império
Romano
Conheça neste vídeo as contribuições e invenções na engenharia após o
Império Romano.
Idade Média
O fim do Império Romano marcou o começo da Idade Média, período
que teve início em 476 e foi até 1453, com a conquista de
Constantinopla pelos turcos-otomanos.
A ruptura ocorrida na Europa alterou o ritmo do desenvolvimento local,
mas a preservação do Império Bizantino manteve a efervescência.
Enquanto a Europa experimentava tempos de estagnação, os árabes
desenvolviam conhecimento até o século XII. Trata-se de um período
denominado Alta Idade Média.
Saiba mais
No mundo antigo, o grego era o idioma da ciência.Com o crescimento
do Império Romano, o conhecimento era extraído e traduzido para o
latim. No entanto, na transição para a Idade Média, o conhecimento
grego foi se tornando restrito, uma vez que a Igreja Católica passou a
reter o conhecimento em um período entre os séculos V e XVII,
constituindo o que poderia ser chamado de monopólio do saber.
Nos séculos XI e XII, os dois mundos voltaram a interagir por meio dos
mercadores árabes do Mediterrâneo. Várias inovações foram
incorporadas e impactaram a produção agrícola e artesanal.
Técnicas como plantação em curvas de nível, rodízio de culturas,
técnicas hidráulicas, uso correto do cavalo, moinhos de vento,
aperfeiçoamento do tear, evolução nas embarcações, uso da bússola, do
papel, da pólvora e do canhão, bem como o posterior surgimento da
imprensa impactaram de forma significativa.
Catedral de Notre-Dame, Paris, 1163 a 1245.
Tal fato ocasionou um crescimento sem precedentes na produção
agrícola e no intercâmbio de produtos, o que alterou as relações sociais
e econômicas da Europa, que partiram da Península Ibérica até o centro
da Europa. Os entrepostos comerciais se fortaleceram e deram origem a
uma nova classe, os burgueses.
Surgiram as grandes catedrais e as primeiras universidades que
necessitaram se alimentar dos sábios do oriente como primeiros
professores. Muitos vieram de Alexandria, local que preservou os
conhecimentos da Grécia Antiga.
O final da Idade Média é um período de profundas contradições. Quando
a peste negra de 1347 desintegrou cidades política e economicamente,
coube à Igreja o papel de coordenar os trabalhos de restauração
meidante a autoridade do papa.
A Europa entra em um período de vazio intelectual até ter início a
Renascença, centrada na Itália, primeira região a se recuperar da peste
negra. Conforme sua localização estratégica, a Itália tornou-se o centro
do tráfego entre Europa e o Oriente Médio.
Nesse período, houve um rápido desenvolvimento de sistemas
administrativos, práticas bancárias e conhecimentos financeiros em
geral. A matemática (álgebra, geometria e trigonometria) começou a ser
utilizada na construção, na navegação, na cartografia e no levantamento
topográfico. As artes começaram a florescer e as instituições de ensino
começaram a conquistar autonomia em relação à Igreja.
Curiosidade
Outro feito relevante da engenharia se encontra na área naval, pois a
evolução das embarcações permitiu às grandes navegações a
descoberta das Américas e a sua incorporação em forma de colônia.
A ciência também se desenvolve com Copérnico, que conclui que a
Terra gira em torno do Sol, e com Kepler, ao unir a astronomia e a física,
excluindo o divino e estabelecendo as leis do movimento planetário. Por
sua vez, Galileu deu continuidade à obra de Kepler e organizou o ramo
da mecânica na física, escrevendo a obra O ensaiador, que trata do
método científico.
No ano da morte de Galileu, nasce Isaac Newton que, após se formar,
em apenas 18 meses de reclusão por causa da peste bubônica,
elaborou as chamadas leis de Newton, as quais deram início à ciência
moderna. Assim, a grande revolução se deu por meio do
desenvolvimento de modelos matemáticos capazes de representar o
comportamento físico e encontrar valores experimentais.
Após retornar a Cambridge, publicou suas ideias somente 17 anos
depois, em 1684, no livro denominado Principia, considerada a mais
influente obra escrita por uma única pessoa em toda a história da
humanidade. Foi a consolidação da ciência moderna com Newton e do
método científico, que deram suporte à ideia de que não bastava
entender o mundo: era preciso modificá-lo.
O método científico estabeleceu as bases da ciência moderna e
proporcionou a formação científica que dá sustentação à engenharia.
Vimos que, ao longo de alguns milhares de anos, a engenharia vem se
desenvolvendo com muita intuição e engenhosidade, mas sem muita
organização e método, apesar das fantásticas realizações.
O que esperar da engenharia sustentada pela
ciência moderna?
Vamos entrar na Era da Industrialização, com o primeiro grande salto
promovido pela Revolução Industrial.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A engenhosidade humana, que mais tarde se transformou
formalmente na engenharia, sempre esteve presente desde a pedra
lascada. Em alguns momentos da história, essa engenhosidade
criou condições para que modelos e conceitos fundamentais para a
civilização ocidental, como a democracia, surgissem e fossem até
efetivamente implementados. Qual das construções abaixo pode
ser associada a esta afirmação?
Parabéns! A alternativa C está correta.
O projeto da cidade de Atenas reservava áreas para funções
específicas e favorecia a participação ativa dos cidadãos na vida
pública. Dessa forma, a cidade promoveu o desenvolvimento do
conhecimento, colaborando para que se tornasse a base da
civilização ocidental, nos campos da filosofia e da cidadania,
transformando-a no berço da democracia.
Questão 2
A
A pirâmide de Djoser, no Egito, projetada por
Imhotep, tido como o primeiro engenheiro.
B
A cidade de Roma, centro do Império Romano,
responsável pelo período mais fértil da
engenhosidade humana.
C
A cidade de Atenas, com o projeto que associou
arquitetura funcional e engenharia.
D
A cidade de Paris, que reuniu tantas condições
relativas à engenhosidade que sediou a primeira
escola de engenharia.
E
O Pantheon, uma das estruturas mais bem
preservadas da Roma Antiga.
A engenhosidade humana sempre se preocupou com a
produtividade do trabalho, criando inovações que facilitassem a
execução das atividades mediante ferramentas específicas ou pela
criação de máquinas que substituíssem os humanos no trabalho.
Aponte, entre as inovações listadas, a responsável por um impacto
ambiental relevante.
Parabéns! A alternativa D está correta.
O direcionamento do fluxo da água sob pressão destruía os
maciços de terra para viabilizar a mineração, e o rastro de
destruição se transformou em um grande impacto ambiental
causado pela ação humana.
A O arado associado à tração animal.
B A roda d’água associada em série para moer trigo.
C
A técnica romana para a construção de sua
gigantesca rede de estradas.
D A mineração hidráulica.
E A construção de pontes.
2 - Processo evolutivo da industrialização
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer o papel da
engenharia formal no processo evolutivo da industrialização.
Formalização do estudo de
engenharia
Conheça neste vídeo a história da engenharia no Brasil e como o estudo
de engenharia evoluiu.
Foi a partir da consolidação da ciência moderna que surgiram as
escolas formais de engenharia no final do século XVIII e teve início a
chamada Revolução Industrial, a partir da máquina a vapor de James
Watt.
O Brasil foi pioneiro, uma vez que a primeira escola de engenharia foi
fundada na França em 1747 e, em 1792, foi fundada no Rio de Janeiro,
onde hoje se encontra o Museu Histórico Nacional, a Real Academia de
Artilharia, Fortificação e Desenho, a primeira escola de formação de
engenheiros das Américas. A primeira escola norte-americana foi a
Academia Militar de West Point, em 1802.
Motor a vapor.
Após sucessivas transformações na Real Academia, duas escolas
surgiram. Em 1839, surgiu a Escola Militar, que deu origem ao IME, e em
1858, surgiu a Escola Central, para formação de engenheiros civis, que
deu origem à atual Escola Politécnica da UFRJ. Os cursos sempre
possuíram base científica na sua formação, assim permanecendo até
hoje.
Instituto Militar de Engenharia - IME
Toda essa evolução tecnológica só foi possível porque os processos de
fabricação evoluíram com a criação das chamadas máquinas
ferramentas, e muitas delas se beneficiaram do acoplamento de uma
máquina a vapor. Estamos falando de tornos mecânicos, fresadora
mecânica, esmeril, plaina mecânica, processos de soldagem, furadeira,
serra mecânica, laminadores, trefiladorae extrusora.
As ciências econômicas e o sistema capitalista nasceram desse ciclo
produtivo. A base conceitual já havia sido descrita por Adam Smith em
seu célebre livro denominado Uma investigação da natureza e as causas
da riqueza das nações, publicado em 1776. Essa obra ficou conhecida
como A riqueza das nações e ressaltava a importância do trabalho
humano, embora defendesse que a divisão social do trabalho seria a
chave para a produtividade e, consequentemente, para a geração de
riqueza do país.
Adam Smith.
Adam Smith
Foi o primeiro filósofo moral a reconhecer que as ações de mercado
mereciam um estudo cuidadoso e em tempo integral numa moderna
disciplina das ciências sociais. Aos 14 anos, Smith foi para a Universidade
de Glasgow, onde se tornou mestre e fascinou-se pelas ideias do professor
Francis Hutcheson, aprendendo Liberalismo Clássico, Direito Natural e
Economia Política.
Em seu livro é desenvolvido um estudo de caso de fabricação de
alfinetes. Se um operário tiver que, sozinho, fabricar um alfinete, tendo
que ele mesmo ir buscar a matéria-prima e produzi-lo, teria uma
produtividade baixíssima se comparada a um sistema industrial, em que
cada operário é responsável por uma etapa da fabricação. Em uma
análise detalhada, são listadas 18 atividades distintas que devem ser
divididas por 10 funcionários.
Adam Smith evidencia que a organização da divisão social do trabalho,
limitada pelo tamanho do mercado, passa a ser a chave da riqueza de
uma nação e não mais a quantidade de ouro, como pregava o
mercantilismo. Nessa fase, o mercado entra como limitador da riqueza,
já que de nada adianta aumentar a produção se não houver para quem
vender.
O mercado se baseia em forças opostas. De um lado, o produtor quer
vender o máximo possível pelo maior preço e, de outro, o consumidor,
que busca o menor preço. Embora em um primeiro momento possa
parecer uma contradição caótica, na verdade representa a ordem natural
do sistema econômico, que se equilibra na concorrência e na livre
iniciativa.
Smith era contra qualquer intervenção do governo, seja para garantir
monopólio ou subsídios, e considerou que o ideal seria uma atuação
limitada do setor público, que deveria estimular o comércio e a
educação, incluindo saneamento, rodovias, ferrovias, portos, correios,
escolas e igrejas, e via a educação pública e gratuita como uma garantia
de crescimento da produtividade do trabalho e, consequentemente, da
riqueza daquela nação. O Estado também deveria proteger a sociedade
de ataques externos, estabelecer e criar leis de justiça e utilizar as
instituições públicas como reguladores do excesso de lucro,
estimulando a concorrência entre as empresas.
Os cientistas e engenheiros eram considerados
fundamentais para as invenções, mas a observação do
sistema de produção era primordial para importantes
melhorias.
A industrialização gerou muitos impactos sociais. A busca por emprego
provocou o êxodo rural e o crescimento da vida urbana, transformando
as cidades em centros de produção e consumo e reposicionando o
campo em uma situação economicamente secundária.
De 17 mil para 180 mil
A cidade de Manchester, por exemplo, experimentou um crescimento
populacional de 17 mil habitantes em 1760 para 180 mil em 1830.
300 mil
Muitos locais chegaram a 300 mil habitantes na metade do século XIX,
como Birmingham, Bradford, Bristol, Leeds, Liverpool e Sheffield.
4 milhões
Em 1880, Londres chegou a 4 milhões de habitantes.
A distribuição foi alterada de tal forma que, em 1850, a Inglaterra
possuía 52% de população rural, percentual que caiu para 31% em 1880
e para 22% em 1910.
O início da industrialização trouxe tempos difíceis para a população,
com altos custos sociais para a classe trabalhadora, que era vista como
um acessório das máquinas que representavam a modernidade e o
capital, pois eram os principais recursos do novo processo produtivo.
Curiosidade
O excesso de trabalho trouxe jornadas diárias de até 16 horas em 6 dias
por semana, e o crescimento acelerado das cidades tornou precárias as
condições habitacionais, ocasionando o surgimento de cortiços.
Como não poderia deixar de ser, cresceu o movimento sindical, que
obteve as seguintes conquistas:

1833
A jornada de trabalho diminuiu para 12 horas nas indústrias têxteis.

1842
Foi proibido o trabalho infantil e de mulheres nas minas de carvão.

1847
A jornada de mulheres e crianças foi limitada a 10 horas.
A sociedade se reorganizou e o poder absolutista do mercantilismo foi
perdendo o controle diante do crescimento da classe burguesa e do
fortalecimento do liberalismo econômico como previu Adam Smith.
Mais uma vez, vemos a engenharia modificando substancialmente a
forma de vida das pessoas.
O mundo observou a transformação da Inglaterra em uma potência
baseada em um fenômeno tecnológico que trouxe a industrialização,
ampliou mercados, alterou de forma significativa a relação capital-
trabalho e promoveu o capitalismo como forma de organização política
e econômica.
Segunda Revolução
Industrial
Descubra neste vídeo as inovações trazidas pela Segunda Revolução
Industrial para a engenharia. Assista!
Muitas inovações foram atribuídas à Segunda Revolução Industrial, mas
algumas não podem deixar de serem citadas:
A siderurgia evoluiu com os novos processos para a produção do
aço, viabilizando a construção de pontes e edifícios, além de
melhorar a produção de máquinas, trilhos e ferramentas.
Os meios de transporte evoluíram de tal forma que, além da
ampliação das ferrovias, surgiram os automóveis e os aviões.
A invenção da lâmpada incandescente.
O desenvolvimento e a infraestrutura para geração, produção e
distribuição da energia elétrica e as bases da engenharia elétrica.
A invenção dos meios de comunicação (telégrafo, telefone,
cinema, rádio e televisão).
A invenção da geladeira.
A evolução da química aplicada, com a descoberta de novos
materiais e do múltiplo uso do petróleo, e as bases da engenharia
química.
A invenção de novos armamentos, como metralhadoras.
O avanço da medicina, com a invenção de antibióticos, vacinas,
conhecimentos sobre novas doenças e técnicas cirúrgicas.
Quando falamos das ideias de Adam Smith sobre o capitalismo, vimos
que a livre iniciativa e a livre concorrência são condições fundamentais
para regular e equilibrar o mercado, de forma que produtores e
consumidores possam conviver em um ponto de equilíbrio que seja bom
para os dois lados. Não pode ser o mais caro possível como é desejo do
produtor, tampouco o mais barato possível, como é desejo do
consumidor.
Existem ações que podem burlar esse equilíbrio, aumentando o preço
dos produtos por meio da diminuição da concorrência. Como empresas
e indústrias podem concentrar capital, é possível que as grandes
consigam comprar as menores, ficando sozinhas no mercado e
eliminando a concorrência, o que chamamos de monopólio.
Holdings, trustes e cartéis são formas distintas de
união de empresários com interesses comuns para,
contra os consumidores, aumentarem seus lucros.
Holdings
As holdings podem ser entendidas como empresas distintas com o
mesmo dono. Na prática, podem se estabelecer por meio de
empresários poderosos que compram ações e controlam empresas do
mesmo ramo, transformando a livre concorrência em uma farsa.
Truste
Os trustes são formados por empresas que surgem a partir da fusão de
empresas do mesmo ramo. Ao invés das empresas A e B competirem,
elas se fundem e seus donos viram sócios, diminuindo a concorrência.
Dependendo da parcela de mercado de cada uma, a fusão pode
aproximá-las do domínio do mercado, ou até mesmo do monopólio.
Cartel
No que diz respeito ao cartel, trata-se de uma união secreta de
empresas do mesmo ramo, que combinam e praticam o mesmo preço
final ao consumidor, eliminando a livre concorrência.
Saiba mais
Atualmente, o Brasil possui leis que proíbem trustes e cartéis, sendo o
controle feito pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica(Cade). No entanto, as holdings são difíceis de serem combatidas, pois
são operações de compras de ações nas bolsas de valores.
Como já vimos, a evolução da engenharia é constante e gradativamente
vai aumentando de complexidade e especificidade. Essa evolução
também ocorre na formação do engenheiro, que começa a ter que
atender a essas questões e refleti-las. Repare que, aqui nesse texto, já
mencionamos as engenharias civil, mecânica, elétrica, química e de
produção.
Terceira Revolução Industrial
Explore neste vídeo as inovações da Terceira Revolução Industrial.
O trabalho na indústria mais uma vez é reestruturado com a adoção de
um método polivalente, flexível, menos hierarquizado e integrado em
equipes, num sistema em que a criatividade individual dos trabalhadores
é valorizada. A relação entre produção e consumo é refletida no modelo
just in time da Toyota, que preconiza o estoque mínimo e o máximo de
racionalização para evitar desperdícios. Dessa forma, a mão de obra não
qualificada vai sendo marginalizada do mercado de trabalho na
indústria.
Nesse período, também vimos a exploração espacial, o crescimento da
informática, a internet, a telefonia celular, a biotecnologia, a
nanotecnologia, o sensoriamento remoto, o GPS e tantas outras
tecnologias que fazem parte do nosso dia a dia.
Atualmente, temos um mundo globalizado em que novas regiões
industriais de alta tecnologia unem centros produtores de tecnologias e
centros de pesquisa, formando tecnopolos, como o Vale do Silício
(Califórnia, EUA), a Route 128 (Boston, EUA), Tóquio-Yokohama (Japão),
o corredor M4 (Londres), entre tantos outros. No Brasil, temos o eixo
São Paulo–Campinas–São Carlos, que reúne a USP e a Unicamp.
Introdução à Indústria 4.0
Neste vídeo, você compreenderá a importância e as inovações da
Quarta Revolução Industrial. Assista!
Surgido na Alemanha em 2011, o termo Indústria 4.0 está associado à
digitalização, automação e interconexão de processos de fabricação.
Países como Alemanha, China, Estados Unidos e Japão foram pioneiros
no desenvolvimento e adoção da Indústria 4.0, impulsionando a
inovação e a competitividade em diversos setores.
A Indústria 4.0 não se tratava de uma iniciativa isolada, mas sim parte
de dez projetos da Alemanha para moldar seu futuro em várias áreas,
nas seguintes temáticas:
Energias renováveis.
Restauração na geração de energia.
Medicina individualizada.
Melhoria na saúde por meio de medidas preventivas.
Vida independe para idosos.
Mobilidade sustentável.
Smart Service World (serviços impulsionados por tecnologias
avançadas).
Indústria 4.0.
Identidades seguras.
Cidade futura, neutra em CO2, energeticamente eficiente e adaptada
ao clima.
Indústria 4.0 e Quarta Revolução Industrial são termos frequentemente
usados de forma intercambiável, mas pode haver uma sutil distinção
entre eles. Acompanhe!
Indústria 4.0
Refere-se
especificamente à
aplicação de
tecnologias digitais e
conectividade na
indústria. O foco
principal está na criação
de fábricas inteligentes
e na otimização da
produção por meio da
integração de
tecnologias digitais.
Quarta Revolução
Industrial
É um conceito mais
amplo que engloba não
apenas a
transformação digital
da indústria, mas
também mudanças
sociais, econômicas e
culturais decorrentes da
convergência de
tecnologias
emergentes.
A base para a transformação digital e a automação avançada na
indústria está em nove tecnologias habilitadoras da Indústria 4.0 que
costumam ser chamadas de Pilares da Indústria 4.0. Veja!
Robôs autônomos (robôs colaborativos)

São máquinas capazes de realizar tarefas sem intervenção
humana direta. Equipados com sensores, sistemas de
percepção e algoritmos de tomada de decisão que lhes
permitem navegar em ambientes complexos, interagir com
objetos e realizar tarefas variadas, como montagem, inspeção,
transporte e até mesmo interação social em alguns casos.
Simulação digital
Envolve o uso de modelos computacionais para representar e
simular o comportamento de sistemas físicos, processos ou
fenômenos. Na indústria, a simulação digital é utilizada para
projetar e testar produtos, processos de fabricação e sistemas
de controle antes de sua implementação física, reduzindo
custos e tempo de desenvolvimento.
Integração de sistemas
Envolve a conexão e coordenação de diferentes sistemas de
informação e controle dentro de uma organização ou entre
organizações, visando melhorar a comunicação, a eficiência
operacional e a tomada de decisões. Isso inclui a integração de
sistemas de produção, logística, gestão de inventário, entre
outros.
Internet das coisas (IoT)
É a interconexão de dispositivos físicos, máquinas e objetos a
partir da internet, permitindo a coleta, troca e análise de dados
em tempo real. Esses dispositivos incluem desde
eletrodomésticos e veículos até sensores industriais e
equipamentos de produção, possibilitando uma série de
aplicações, como monitoramento remoto, manutenção
preditiva e automação de processos.
Cibersegurança
São práticas, tecnologias e medidas adotadas para proteger
sistemas de computador, redes e dados contra ataques
cibernéticos, roubo de informações, acesso não autorizado e
outras ameaças à segurança digital. Na indústria, a
cibersegurança visa garantir integridade, confidencialidade e
disponibilidade de dados críticos e sistemas de controle.
Computação na nuvem
Refere-se à entrega de serviços de computação, como
armazenamento de dados, processamento e software, através
da internet em vez de utilizar recursos locais, como servidores
físicos ou infraestrutura de TI. Oferece escalabilidade,
flexibilidade e acesso sob demanda a recursos de computação,
permitindo que empresas e organizações reduzam custos,
aumentem a eficiência e inovem com mais rapidez.
Manufatura aditiva (ou impressão 3D)
É o processo de fabricação que constrói objetos
tridimensionais camada por camada a partir de materiais como
plástico, metal ou cerâmica. Diferentemente dos métodos
tradicionais de fabricação, que envolvem a remoção de
material, oferece maior liberdade de design, personalização e
redução de resíduos, além de facilitar a prototipagem rápida e a
produção sob demanda.
Realidade aumentada (RA)
É a tecnologia que combina elementos virtuais com o mundo
real, tornando possível visualizar informações digitais
sobrepostas ao ambiente físico em tempo real. Na indústria, é
usada para fornecer instruções de trabalho, suporte à
manutenção, visualização de dados de sensores e outras
informações úteis diretamente nos locais de trabalho,
melhorando a eficiência, a precisão e a segurança das
operações.
Big data
Tem a ver com o volume, a velocidade e a variedade de dados
gerados continuamente em diversas fontes, como transações
comerciais, interações em mídias sociais, dispositivos IoT e
sensores industriais. O termo também inclui tecnologias e
técnicas utilizadas para coletar, armazenar, processar e
analisar dados, visando extrair insights, identificar padrões e
tomar decisões informadas em tempo hábil.
A pesquisa sobre a Indústria 4.0 revela uma transformação substancial
nos processos industriais, impulsionada por tecnologias e inovações
que estão criando fábricas inteligentes e sistemas de produção
altamente eficientes, flexíveis e conectados, com impacto em toda a
cadeia de valor.
Contudo, a adoção bem-sucedida requer não apenas investimentos em
tecnologia, mas também mudanças organizacionais e culturais. As
empresas que se adaptam a essas mudanças têm o potencial de
impulsionar a inovação, aumentar a competitividade e criar
oportunidades de negócios, enquanto enfrentam desafios como
cibersegurança, integração de sistemas e capacitação de funcionários.
A Indústria 4.0 representa não apenas uma evolução nos processos
industriais, mas também uma revolução na forma como interagimos
com o mundo ao nosso redor, com potencial para impulsionar o
crescimento econômico e o progresso socialem escala global.
Aplicações e impactos da
Indústria 4.0
Conheça neste vídeo os casos de sucesso e os impactos da Indústria
4.0.
Veja a seguir aplicações e impactos sobre as tecnologias da Indústria
4.0.
Manufatura aditiva (impressão 3D)
O uso de impressoras 3D tem aumentado essa manufatura. A ideia do
processo também conhecido como fabricação digital é criar um objeto
real a partir de um modelo digital 3D elaborado em um tipo de software
denominado modelador de sólidos.
A técnica utilizada consiste no depósito de camadas de material, de
forma repetitiva, até que o objeto se forme. Pensar em uma impressora
doméstica nos leva a uma situação de criação de protótipos plásticos,
muitas vezes em escala reduzida.
Saiba mais
A manufatura aditiva oferece várias vantagens, como prototipagem
rápida, baixo custo para pequenas quantidades, liberdade de formas e
complexidade com customização, além de sustentabilidade ao
minimizar resíduos e consumo de material e energia.
Existem algumas tecnologias diferentes de manufatura aditiva, sendo as
principais FDM, a mais difundida, SLA e SLS.
Modelagem por fusão e deposição (fused deposition modeling -
FDM): Como tecnologia mais acessível, é também a mais popular.
Trata-se do uso de insumo plástico em forma de fio, que alimenta a
impressora que o derrete (fusão) e cuidadosamente acrescenta
camada por camada, em alta precisão, até imprimir o objeto por
completo.
Estereografia (service level agreement - SLA): Essa técnica utiliza
resina como insumo. O processo também consiste no depósito
repetitivo de camadas, mas a resina é solidificada pela ação de um
feixe de laser ultravioleta. É muito precisa e possui acabamento
superior mesmo em peças pequenas, sendo bastante utilizada na
criação de moldes.
Sinterização seletiva a laser (selective laser sintering - SLS): Esse
processo utiliza insumo em forma de pó, normalmente polímeros.
Se dá por meio de laser de alta potência, que aglutina as camadas
do material na impressão do objeto.
Já existem processos de manufatura aditiva em metal, como a
sinterização direta de metal a laser (DMLS), um processo bem
semelhante ao SLS, mas que utiliza como insumos titânio e aço em pó.
Outras tecnologias, como selective laser melting e binderjetting ainda
têm custo muito elevado e, por isso, só empresas de alto investimento
em pesquisa e desenvolvimento (P&D) as utilizam.
Inteligência arti�cial (IA)
Grande estrela da Quarta Revolução Industrial, a IA não é um recurso
recente. Engana-se quem pensa que seu início se desenrolou nas
plataformas que geram textos automaticamente.
O computador sempre foi visto como um possível substituto da nossa
inteligência, o cérebro eletrônico. Como ciência, pode-se dizer que a IA
teve início na década de 1950, com Alan Turing, e desde então vem
evoluindo lado a lado com os computadores.
Vejamos um pouco mais sobre essa linha do tempo:
 1956
D d fi i l f ê i d
Data do marco zero oficial, na conferência de
Dartmouth, onde todos os pensadores do tema
estavam presentes e o campo da pesquisa foi
batizado.
 1957
Frank Rosenblatt apresenta uma máquina chamada
Mark 1, que utilizava um algoritmo denominado
perceptron, baseado em uma rede neural de uma
camada que classificava resultados. No ano
seguinte, surge a linguagem de programação LISP,
que virou padrão em IA.
 1959
Surge o termo machine learning, que descreve um
sistema que daria aos computadores a capacidade
de aprender algumas funções sem terem sido
programados diretamente para isso.
 1964
Nasce ELIZA, o primeiro chatbot do mundo.
Tratava-se de uma psicanalista virtual que
conversava automaticamente, utilizando respostas
baseadas em palavras-chave em estruturas
sintáticas.
 1969
Surge o Robô Shakey, apresentando mobilidade e
alguma autonomia de ação e fala. Apesar das
falhas, teve a sua funcionalidade.
 1980
Surgem os sistemas especialistas, que realizam
atividades complexas específicas de um campo do
conhecimento, superando os humanos em
velocidade de raciocínio e base de conhecimento.
 1990
A explosão da internet comercial na segunda
metade da década trouxe a necessidade da IA para
aperfeiçoar os buscadores que vasculhavam a rede
automaticamente em busca de informações
adequadas.
 1997
Derrota do campeão mundial de xadrez Garry
Kasparov para o Deep Blue, da IBM, um marco da
IA
IA.
 2005
A Boston Dynamics apresenta o Big Dog, um robô
com formas inspiradas nos cachorros e
especializado em se movimentar em terrenos de
difícil acesso para humanos. Surgem também os
veículos autônomos, outra evolução relevante, um
caso bastante complexo de gerenciamento de
vários sensores. Sem dúvida, um dos destaques da
Quarta Revolução Industrial.
 2011
É a vez do processamento da linguagem natural
com o reconhecimento de voz e o surgimento de
assistentes virtuais como a Siri da Apple, a Alexa da
Amazon, a Cortana da Microsoft e o Google
Assistente. O Watson da IBM começou a ganhar
fama e ser aplicado em vários campos, como
direito e saúde. No mesmo ano, um projeto de
curso on-line gratuito de inteligência artificial de
Sebastian Thrun e de Peter Norvig, na Universidade
de Stanford, teve grande sucesso, com mais de 160
mil alunos de 190 países. A partir daí, surgiu a
Udacity, uma universidade focada em tecnologia
prática, barata, acessível e eficaz para o mundo.
 2012
A Google dá mais um salto em pesquisa em vídeos
utilizando o deep learning, que pode ser aplicado
em visão computacional, permitindo que o sistema
lide com a compreensão das imagens obtidas por
meio de câmeras.
 2014
O Facebook introduz o DeepFace, um sistema de
reconhecimento facial que alcançou níveis de
precisão comparáveis aos dos humanos.
 2016
O AlphaGo, um programa de IA desenvolvido pela
DeepMind, empresa do Google, derrota o campeão
mundial de Go, considerado um dos jogos mais
complexos do mundo. Há avanços no
desenvolvimento de veículos autônomos, com
empresas como a Tesla, Google e Uber realizando
testes extensivos de carros sem motorista.
 2018
A O AI l G i P i d
A inteligência artificial continuará a ser integrada em diversos produtos
e serviços, desde assistentes virtuais e dispositivos domésticos
inteligentes até sistemas de saúde e veículos autônomos. Espera-se que
a IA continue a evoluir em direção a sistemas mais sofisticados e
autônomos, com foco crescente na ética e na governança, para garantir
seu uso responsável e benéfico para a sociedade.
Big data
O termo se consolidou como denominação para a área que trata de
grandes conjuntos de dados que devem ser armazenados e
processados.
O volume de dados produzidos cresceu vertiginosamente. Para termos
mais noção desse aumento, um levantamento de 2019 mostra que
metade da população mundial está conectada. Com toda essa gente, o
que acontece em 1 minuto?
3,8 milhões de buscas no Google.
40 milhões de mensagens (Facebook + WhatsApp)
4,5 milhões de vídeos sendo visualizados no YouTube.
390 mil aplicativos baixados na Google Play e na Apple Store.
A quantidade de dados é absurda, mas essa não é a única variável
relevante. São três os pilares do big data:
Volume
A OpenAI lança o Generative Pre-trained
Transformer (GPT), um modelo de linguagem
baseado em IA capaz de gerar texto semelhante ao
humano.
A quantidade é tão grande que é difícil ter a noção da ordem de
grandeza.
Velocidade
A importância da velocidade é associada ao tempo de resposta, mas,
quanto maior a extensão da pesquisa, mais demorada será a resposta.
Na prática, quanto mais próximo do tempo real, melhor.
Variedade
Os dados não estão organizados e estruturados. São textos, sensores,
áudios, vídeos, buscas, catracas etc.
Internet das coisas (IOT)
A internet of things (IoT) pode ser vista como uma forma de
comunicação entre objetos ou entre objetos e pessoas. Algumas
situações simples e corriqueiras podem esclarecer sua utilidade.
Situações simples podem esclarecer a utilidade.
Exemplo
Imagineuma prateleira de supermercado que vai se esvaziando à
medida que as pessoas retiram determinado produto. Essa prateleira
pode ser inteligente e avisar que está na hora de repor. Para isso, basta
instalar um sensor que tenha essa percepção e envie determinado tipo
de sinal para o sistema interpretar a necessidade de reposição.
É algo similar ao que ocorre com nosso próprio corpo. Quando damos
uma topada, sofremos um corte ou vemos e ouvimos algo, nossos
sensores avisam ao cérebro, que processa a informação.
Dessa forma, podemos ter uma rede tão complexa quanto quisermos,
atuando em casa, em um carro, em um edifício, em um hospital, em uma
indústria, em toda uma cidade.
Computação em nuvem
No início da computação, os chamados computadores de grande porte
eram acessados por terminais utilizados por usuários que
compartilhavam recursos de armazenamento e processamento do
computador. Com o passar do tempo, surgiram os computadores
pessoais (PCs) e as pessoas passaram a administrar seus próprios
recursos, tanto de espaço de armazenamento quanto de
processamento, bem como os programas instalados.
Com a internet, em um primeiro momento, os sites ficavam
armazenados em algum servidor, assim como os bancos de dados e
nossos e-mails. Os dados costumavam fluir muito mais da web para
nossa máquina do que o contrário. Em geral, carregávamos informações
para a internet a fim de enviá-las por e-mail. Passados mais alguns anos,
já tínhamos espaço de armazenamento na chamada nuvem, onde
guardamos fotos, mensagens, agenda de telefone do celular etc.
O barateamento dos recursos e o aumento da velocidade e estabilidade
da rede viabilizaram o uso de software instalado em servidores, em vez
de na máquina pessoal. Isso eliminou a necessidade de recursos
avançados no computador, que se torna uma espécie de terminal
conectado a serviços com capacidades quase infinitas.
Sistemas ciber-físicos (CPS)
Os dispositivos inteligentes estão se sofisticando e tendo suas
capacidades ampliadas a baixo custo. Atuam no ambiente em que estão
instalados, coletando informações por meio de sensores ou operando
modificações pelos chamados atuadores.
As redes sem fio de alta velocidade e de sinal 4G permitem a atuação
colaborativa entre dispositivos, estabelecendo um sistema.
A conjugação desses recursos torna possível que um ambiente seja
virtualizado a partir da criação de um tipo de computação em nuvem
que gerencie a comunicação entre os dispositivos instalados no
ambiente físico de interesse e os dispositivos externos.
Os chamados sistemas ciberfísicos (cyber-physical systems – CPS)
atuam promovendo a sinergia entre os mundos virtual e físico em um
tipo de colaboração que permite tanto o monitoramento quanto a
modificação remota do ambiente físico. Quanto maior a inteligência
distribuída, mais profundo será o conhecimento do sistema,
possibilitando ações mais precisas.
A princípio, não há limitações para a aplicação dos CPS, já tendo sido
utilizados nos sistemas produtivos industriais, em hospitais, na gestão
de eficiência energética, em edifícios inteligentes, na agricultura e em
sistemas de transportes, entre outras tantas possibilidades. Em um nível
mais complexo, os CPS atuarão futuramente na gestão das cidades
inteligentes.
Conclusão
Vimos que a engenharia vem modificando e moldando a civilização com
suas conquistas e realizações. São inúmeras conquistas em todas as
áreas, mas também muitos problemas, principalmente ambientais.
No final do século XX, a condição do meio ambiente atingiu níveis
alarmantes e a palavra sustentabilidade passou a fazer parte do
vocabulário comum. Recuperar o meio ambiente se tornou um problema
global.
O mundo ainda está dividido entre países desenvolvidos, em
desenvolvimento e subdesenvolvidos. No entanto, é difícil separar o
social do ambiental, o que levou ao surgimento da responsabilidade
socioambiental. Assim, a engenharia se humanizou. Embora sempre
tenha sido um vetor de desenvolvimento, agora o desenvolvimento
tornou-se um desafio para a engenharia.
Mas, afinal, o que pode ser considerado desenvolvimento? Para
desenvolver um país, certamente são necessários crescimento
econômico e geração de riqueza, mas agora a medida do
desenvolvimento inclui indicadores sociais, uma vez que miséria e
desenvolvimento não se misturam.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A história nos mostra que, desde sempre, o ser humano procura
formas de facilitar seu trabalho e incrementar sua produtividade.
São as chamadas inovações tecnológicas que modificam a forma
de viver com suas novas ferramentas, equipamentos e processos. A
engenharia civil se desenvolveu antes da formalização da profissão
e a engenharia mecânica, por meio da máquina a vapor, tornou-se a
base da Primeira Revolução Industrial. Vimos também que
podemos associar a engenharia elétrica à Segunda Revolução
Industrial e a engenharia de controle e automação à Terceira. Essa
busca pela produtividade lançou as bases da engenharia de
produção. Dentro desse contexto evolutivo da engenharia de
produção pode-se afirmar:
A
No desenvolvimento da engenharia de produção,
assim como no desenvolvimento da Engenharia
Civil, não houveram fatos marcantes. Já que, desde
a Idade da Pedra Lascada, o homem busca
produtividade nas suas atividades.
B
A engenheira de produção surgiu de forma
espontânea e natural, com as indústrias iniciais da
Primeira Revolução Industrial.
C
As principais bases da segunda revolução industrial,
que culminaram na engenharia de produção, foram
o Talylorismo e Fordismo que marcaram a
organização do processo industrial.
D
A engenharia de produção surgiu conceitualmente
com as ideias de Adam Smith, que pregava a livre
concorrência e a competitividade como base para a
riqueza das nações.
E
e)A engenharia de produção surgiu com a escola
militar que deu origem ao IME.
Parabéns! A alternativa C está correta.
A energia elétrica (Segunda Revolução Industrial) trouxe diversas
possiblidades e a sua geração se deu a partir de motores a
gasolina, de hidrelétricas e, mais tarde, de motores nucleares, por
exemplo, trazendo a indústria do petróleo, a nuclear, as
telecomunicações, a eletrônica etc. Dessa forma, as engenharias
começaram a se multiplicar no período da Segunda Revolução
Industrial, o que gerou a necessidade de gerenciar todas essas
tarefas de engenharia, ideias surgiram em prol de melhorar e
organizar o processo produtivo, surgindo assim a necessidade da
formação dos engenheiros de produção.
Questão 2
Após a formalização da profissão de engenheiro e a proliferação
das escolas de engenharia, entramos em um período contínuo de
desenvolvimento tecnológico, que foi marcado por algumas
inovações disruptivas e que, por isso, foi identificado como sendo
composto por quatro revoluções industriais. Assinale a alternativa
que melhor se encaixa como o período em que as diversas
habilitações de engenharia começaram a surgir.
A
Movimento natural a partir da propagação das
escolas de engenharia.
B
O capitalismo e o livre mercado a partir das ideias
de Adam Smith.
C A máquina a vapor.
Parabéns! A alternativa D está correta.
A energia elétrica (Segunda Revolução Industrial) trouxe diversas
possiblidades e a sua geração se deu a partir de motores a
gasolina, de hidrelétricas e, mais tarde, de motores nucleares, por
exemplo, trazendo a indústria do petróleo, a nuclear, as
telecomunicações, a eletrônica etc. Dessa forma, as engenharias
começaram a se multiplicar no período da Segunda Revolução
Industrial.
3 - A engenharia e o desenvolvimento
D
A energia elétrica, marco da Segunda Revolução
Industrial.
E A manufatura aditiva.
Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar as relações entre a
engenharia e o desenvolvimento.
Desenvolvimento e
crescimento
Assista ao vídeo e compreenda a relação entre desenvolvimento
econômico e crescimento econômico.
Desenvolvimentoeconômico X Crescimento
econômico
A complexidade do tema desenvolvimento tem início no seu próprio
escopo. No contexto da engenharia, a abordagem mais óbvia é a do
desenvolvimento tecnológico, que mesmo não sendo mencionado
explicitamente, é plenamente percebido.
De uma forma mais genérica, podemos pensar nos países
desenvolvidos e nos chamados países em desenvolvimento. A primeira
coisa que vem à cabeça da maioria das pessoas, ao pensar em um país
desenvolvido, é se tratar de um país rico. Em sequência, temos que
pensar em desenvolvimento econômico e em crescimento econômico,
que seriam formas de entrar no clube dos desenvolvidos.
Você acredita que as inovações tecnológicas
implantadas pela engenharia promovem o crescimento
econômico?
Para começar, o que pode ser considerado uma inovação tecnológica?
Vamos construir esse conceito.
Pode-se classificar a inovação em três dimensões:

Primeira
Quanto ao objeto (produto ou processo).

Segunda
Quanto ao impacto causado no mercado.

Terceira
Quanto ao modelo de negócios.
Vamos imaginar inicialmente a inovação no âmbito de uma empresa.
Parece muito claro que uma inovação bem-sucedida possa trazer
crescimento econômico para uma empresa, uma vez que pode
alavancar suas vendas e aumentar sua participação no mercado.
E se pensarmos em termos de país?
Ao pensarmos somente no mercado interno, o reposicionamento de
uma empresa no mercado pode apenas redistribuir as participações dos
concorrentes. Eventualmente, o mercado pode até se ampliar, mas o que
é fundamental para o país é criar uma efervescência capaz de trazer
investimentos externos e aumentar as exportações, alavancando o
crescimento econômico.
Agora, podemos responder positivamente. As inovações tecnológicas
são fundamentais para promover o crescimento econômico.
E o desenvolvimento econômico?
Já vimos que o crescimento econômico é fundamental para o
desenvolvimento econômico, mas o salto do crescimento para o
desenvolvimento é complexo, uma vez que não é natural e normalmente
depende de políticas de Estado para que seja acelerado.
Comentário
Obviamente, existe uma série de acontecimentos que podem ser
desencadeados naturalmente a partir do crescimento econômico que
favorecem o desenvolvimento. O crescimento econômico gera
empregos e renda, o que aumenta o consumo e o bem-estar, eleva a
arrecadação de impostos, e todos os índices que medem o
desenvolvimento podem melhorar, gerando uma tendência ao
progresso.
Ao pensarmos no complexo contexto brasileiro, que envolve dimensões
continentais e disparidades sociais gigantescas, seria necessário um
período de crescimento econômico de quanto tempo para naturalmente
equilibrarmos socialmente o país?
Muito difícil responder a essa pergunta, mas apesar da lógica desse
raciocínio, fica claro que, havendo o crescimento econômico, é preciso
política de Estado que promova o desenvolvimento, com investimentos
em infraestrutura que tanto favoreçam a população diretamente quanto
gerem condições de sustentação para o crescimento econômico. Por
infraestrutura, entende-se saneamento, escolas, hospitais, estradas,
portos, aeroportos, habitação etc.
Já podemos responder à pergunta positivamente, mas com ressalvas:
as inovações tecnológicas implantadas pela Engenharia promovem o
crescimento econômico, criando todas as condições para o
desenvolvimento do país, desde que haja política de Estado adequada a
esSe propósito.
Como podemos relacionar a engenharia ao
desenvolvimento?
Vimos que o mundo evoluiu ao longo da história e os países foram se
desenvolvendo com mais ou menos sucesso, de acordo com as
inovações tecnológicas que implantavam. Vamos pensar em uma
missão hipotética de desenvolver o Brasil.
Segundo o nosso raciocínio, precisamos criar condições que favoreçam
o surgimento das inovações tecnológicas.
Quais são os nossos pontos fracos?
Precisamos muito de engenheiros, de profissionais de informática,
de pesquisa científica nas áreas de física, química e biologia, bem
como de pesquisa aplicada em engenharia e TI.
Precisamos de políticas que favoreçam a inovação.
Precisamos de cultura empreendedora e de políticas de incentivo.
Comentário
Muitos profissionais só pensam em emprego ou concurso. Os dois
estão escassos e não possuem o potencial transformador da inovação.
Quem emprega um engenheiro? Essa resposta é fácil: outro engenheiro.
Se inundarmos o mercado de engenheiros, precisaremos de muitas
pequenas empresas de sucesso.
Como podemos iniciar esse processo?
O começo e a sustentação certamente passam por uma revolução na
educação, que deve ser iniciada no ensino fundamental. E quem não é
criança? Nós que não somos mais crianças temos que nos adaptar para
sobreviver. Lembre-se de que, em um mundo dinâmico e de grandes
mudanças, o sucesso está bem mais próximo da capacidade de
adaptação do que da força.
Diante de uma visão macro, a engenharia nos dá três grandes áreas de
atuação dentro de cada habilitação (ambiental, civil, computação,
controle e automação, elétrica, mecânica, petróleo, produção, química,
telecomunicações etc.):
Área 1
Projeto de produtos, sistemas e processos produtivos.
Área 2
Atuação no ciclo de vida do empreendimento, inclusive em sua gestão e
manutenção.
Área 3
Atuação na formação de novos engenheiros.
Por enquanto, ainda não podemos formular a resposta, mas já sabemos
que precisamos reunir condições que favoreçam a formação maciça de
profissionais ligados à tecnologia para que possamos promover
conhecimento e inovação.
Algum país já fez isso com sucesso?
Sim, a Coreia do Sul investiu massivamente na formação e teve um
retorno espetacular em tempo reduzido.
Talvez você já esteja até pensando em inovar, mas logo vem à cabeça a
figura do inventor, daquela pessoa genial que cria algo que vai
revolucionar o mundo. No entanto, não é por aí.
Em primeiro lugar, somos ou seremos engenheiros. Enquanto as
pessoas fogem dos problemas, eles são a nossa razão de ser e caso
não tenhamos nenhum problema a ser resolvido, estaremos
perigosamente sem serviço, principalmente nesses tempos de
inteligência artificial.
Dica
É necessário ter em mente que cada problema representa uma
oportunidade, e que um mesmo problema pode ser atacado de forma
diferenciada, dependendo de características regionais, seja por soluções
inéditas ou por aperfeiçoamentos ou adaptações.
Devemos inundar o país de profissionais competentes, criativos,
inovadores e empreendedores para que, a partir de uma atmosfera
propícia à inovação tecnológica, seja possível de fato gerar e operar o
desenvolvimento do país. Como não poderia deixar de ser, trata-se de
uma parceria entre a população e o Estado com um objetivo comum. De
qualquer forma, antes de essa parceria acontecer, temos que fazer
nossa parte e atuar com esse espírito. Além de ser um bom caminho
para o sucesso individual ou de um pequeno grupo de pessoas, será
mais uma contribuição para que a transformação global aconteça.
Vamos continuar nossa conversa com outra visão a respeito da
evolução e das inovações históricas que já vimos.
Engenharia mais consciente
Entenda neste vídeo o conceito de engenharia sustentável e os seus
impactos na qualidade de vida.
Engenharia sustentável
Em mais de uma oportunidade, foi comentado o impacto ambiental
gerado pelo processo de mineração adotado pelo Império Romano. De
forma simplória, podemos dizer que, em uma história linda de mais de 2
mil anos, maltratamos tanto o planeta em aproximadamente um século,
que nos assustamos e reagimos.
As soluções de engenharia muitas vezes trouxeram problemas novos,
principalmente os relacionados aos impactos ambientais, antes
desprezados. Normalmente, os insumos são recursos naturais que
foram consumidos de forma quase compulsiva, incluindo o
desmatamento pela exploração da madeira.
A poluição atmosférica causada pela industrialização, pelos transportes
e pela geração de energia; a poluição dos corpos hídricos

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