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AJUSTAGEM
BÁSICA
SENAI-RJ • Mecânica
versão preliminar
AJUSTAGEM
BÁSICA
versão preliminar
Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro
Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira
Presidente
Diretoria Corporativa Operacional
Augusto Cesar Franco de Alencar
Diretor
Diretoria Regional do SENAI-RJ
Fernando Sampaio Alves Guimarães
Diretor
Diretoria de Educação
Andréa Marinho de Souza Franco
Diretora
AJUSTAGEM
BÁSICA
SENAI-RJ • Mecânica
Rio de Janeiro
2003
versão preliminar
Ajustagem Básica
2003
SENAI-Rio de Janeiro
Diretoria de Educação
FICHA TÉCNICA
Gerência de Educação Profissional Luis Roberto Arruda
Gerência de Produto Darci Pereira Garios
Produção Editorial Vera Regina Costa Abreu
Coordenação Alda Maria da Glória Lessa Bastos
Revisão Técnica Ézio Zerbone
Revisão Editorial Taís Monteiro
Projeto Gráfico Original Artae Design & Criação
Programação Visual e Diagramação In-Fólio – Produção Editorial, Gráfica e
Programação Visual
Edição revista da apostila Ajustagem Básica do
convênio SENAI-RJ / Michelin.
SENAI-RJ
GEP – Gerência de Educação Profissional
Rua Mariz e Barros, 678 – Tijuca
20270-903 – Rio de Janeiro
Tel.:(0xx21)2587.1116
Fax:(0xx21)2254.2884
GEP@rj.senai.br
http://www.firjan.org.br
APRESENTAÇÃO................................................... 11
UMA PALAVRA INICIAL ........................................ 13
FERRAMENTAS DE CORTE MANUAIS .................... 17
Ferramentas de corte manuais ................................................ 19
Limas.................................................................................... 19
Verificação de superfícies ....................................................... 25
Serras .................................................................................. 27
Ferramentas de talhar ............................................................ 31
TRAÇAGEM........................................................... 35
Traçagem .............................................................................. 37
Acessórios: desempenos ........................................................ 39
Cantoneiras e cubos de traçagem ........................................... 41
Morsas ................................................................................. 43
FURAÇÃO ............................................................. 45
Furação ................................................................................ 47
Brocas helicoidais .................................................................. 47
ESTUDO COMPLEMENTAR .................................... 75
Roscas ................................................................................. 77
Cotagem funcional ................................................................. 91
Sumário
1
2
3
4
Prezado aluno,
Quando você resolveu fazer um curso em nossa instituição, talvez não soubesse que, desse
momento em diante, estaria fazendo parte do maior sistema de educação profissional do país:
o SENAI. Há mais de 60 anos, estamos construindo uma história de educação voltada para o
desenvolvimento tecnológico da indústria brasileira e para a formação profissional de jovens
e adultos.
Devido às mudanças ocorridas no modelo produtivo, o trabalhador não pode continuar
com uma visão restrita dos postos de trabalho. Hoje, o mercado exigirá de você, além do domí-
nio do conteúdo técnico de sua profissão, competências que lhe permitam decidir com auto-
nomia, proatividade, capacidade de análise, solução de problemas, avaliação de resultados e
propostas de mudanças no processo do trabalho. Você deverá estar preparado para o exercício
de papéis flexíveis e polivalentes, assim como para a cooperação e a interação, o trabalho em
equipe e o comprometimento com os resultados.
Soma-se a isso o fato de que a produção constante de novos conhecimentos e tecnologias
exigirá de você a atualização contínua de seus conhecimentos profissionais, evidenciando a ne-
cessidade de uma formação consistente que lhe proporcione maior adaptabilidade e instrumen-
tos essenciais à auto-aprendizagem.
Essa nova dinâmica do mercado de trabalho vem requerendo que os sistemas de educação
se organizem de forma flexível e ágil, motivo esse que levou o SENAI a criar uma estrutura edu-
cacional com o propósito de atender às novas necessidades da indústria, estabelecendo uma
formação flexível e modularizada.
Essa formação flexível tornará possível a você, aluno do sistema, voltar e dar continuidade
à sua educação, criando seu próprio percurso. Além de toda a infra-estrutura necessária a seu
desenvolvimento, você poderá contar com o apoio técnico-pedagógico da equipe de educação
dessa escola do SENAI para orientá-lo em seu trajeto.
Mais do que formar um profissional, estamos buscando formar cidadãos.
Seja bem-vindo!
Andréa Marinho de Souza Franco
Diretora de Educação
Ajustagem Básica
SENAI-RJ 11
A dinâmica social dos tempos de globalização exige dos profissionais atualização constan-
te. Mesmo as áreas tecnológicas de ponta ficam obsoletas em ciclos cada vez mais curtos, tra-
zendo desafios renovados a cada dia, e tendo como conseqüência para a educação a necessida-
de de encontrar novas e rápidas respostas.
Nesse cenário, impõe-se a educação continuada, exigindo que os profissionais busquem
atualização constante durante toda sua vida – e os docentes e alunos do SENAI-RJ incluem-se
nessas novas demandas sociais.
É preciso, pois, promover, tanto para os docentes como para os alunos da educação profis-
sional, as condições que propiciem o desenvolvimento de novas formas de ensinar e aprender,
favorecendo o trabalho de equipe, a pesquisa, a iniciativa e a criatividade, entre outros aspec-
tos, ampliando suas possibilidades de atuar com autonomia e de forma competente .
Apresentação
Ajustagem Básica
SENAI-RJ 13
Meio ambiente...
Saúde e segurança no trabalho...
O que nós temos a ver com isso?
Antes de iniciarmos o estudo deste material, há dois pontos que merecem destaque: a rela-
ção entre o processo produtivo e o meio ambiente; e a questão da saúde e segurança no trabalho.
As indústrias e os negócios são a base da economia moderna. Produzem os bens e serviços
necessários e dão acesso a emprego e renda, mas para atender a essas necessidades, precisam usar
recursos e matérias-primas. Os impactos no meio ambiente muito freqüentemente decorrem do
tipo de indústria existente no local, do que ela produz e, principalmente, de como produz.
Assim sendo, é preciso entender que todas as atividades humanas transformam o ambien-
te. Estamos sempre retirando materiais da natureza, transformando-os e depois jogando o que
“sobra” de volta ao ambiente natural. Ao retirar do meio ambiente os materiais necessários à
produção de bens, altera-se o equilíbrio dos ecossistemas e arrisca-se ao esgotamento de diver-
sos recursos naturais que não são renováveis ou, quando o são, têm sua renovação prejudicada
pela velocidade da extração, quase sempre superior à capacidade da natureza de se recompor.
Torna-se necessário, portanto, traçar planos de curto e longo prazo, a fim de diminuir os impac-
tos que o processo produtivo causa na natureza. Além disso, as indústrias precisam se preocu-
par com a recomposição da paisagem e ter em mente a saúde tanto dos seus trabalhadores como
da população que vive ao redor dessas indústrias.
Podemos concluir, então, que com o crescimento da industrialização e sua concentração
em determinadas áreas, o problema da poluição se intensificou demasiadamente. A questão da
poluição do ar e da água é bastante complexa, pois as emissões poluentes se espalham de um
ponto fixo para uma grande região, dependendo dos ventos, do curso da água e das demais con-
dições ambientais, tornando difícil a localização precisa da origem do problema. No entanto, é
importante repetir que, quando as indústrias depositam no solo os resíduos, quando lançam
efluentes sem tratamento em rios, lagoas e demais corposhídricos, causam danos às vezes irre-
versíveis ao meio ambiente.
Uma palavra inicial
Ajustagem Básica
14 SENAI-RJ
O uso indiscriminado dos recursos naturais e a contínua acumulação de lixo mostram a falha
básica de nosso sistema produtivo: ele opera em linha reta. Extraem-se as matérias-primas atra-
vés de processos de produção desperdiçadores e que produzem subprodutos tóxicos. Fabricam-
se produtos de utilidade limitada que, finalmente, viram lixo, o qual se acumula nos aterros. Pro-
duzir, consumir e dispensar bens desta forma, obviamente, não são atitudes sustentáveis.
Enquanto os resíduos naturais (que não podem, propriamente, ser chamados de “lixo”) são
absorvidos e reaproveitados pela natureza, a maioria dos resíduos deixados pelas indústrias não
tem aproveitamento para qualquer espécie de organismo vivo e, para alguns, pode até ser fatal.
O meio ambiente pode absorver resíduos, redistribuí-los e transformá-los. Mas, da mesma forma
que a Terra possui uma capacidade limitada de produzir recursos renováveis, sua capacidade de
receber resíduos também é restrita, e a de receber resíduos tóxicos praticamente não existe.
Ganha força, atualmente, a idéia de que as empresas devem ter procedimentos éticos que
considerem a preservação do ambiente como uma parte de sua missão. Isso quer dizer que se
devem adotar práticas que incluam tal preocupação, introduzindo-se processos que reduzam o
uso de matérias-primas e energia, diminuam os resíduos e impeçam a poluição.
Cada indústria tem suas próprias características. Mas já sabemos que a conservação de
recursos é importante. Deve haver, portanto, uma crescente preocupação acerca da qualidade,
durabilidade, possibilidade de conserto e vida útil dos produtos. As empresas precisam não só
continuar reduzindo a poluição, como também buscar novas formas de economizar energia,
melhorar os efluentes, reduzir a poluição, o lixo, o uso de matérias-primas. Reciclar e conservar
energia são atitudes essenciais no mundo contemporâneo.
É difícil, no entanto, ter uma visão única que seja útil para todas as empresas. Cada uma
enfrenta desafios diferentes e pode se beneficiar de sua própria visão de futuro. Ao olhar para o
amanhã, nós (o público, as empresas, as cidades e as nações) podemos decidir quais alternati-
vas são mais eficientes e, a partir daí, trabalhar com elas.
Infelizmente, tanto os indivíduos como as instituições só mudarão suas práticas quando
acreditarem que seu novo comportamento lhes trará benefícios – sejam estes financeiros, para
sua reputação ou para sua segurança. Apesar disso, a mudança nos hábitos não é uma coisa que
possa ser imposta. Deve ser uma escolha de pessoas bem-informadas a favor de bens e serviços
sustentáveis. A tarefa é criar condições que melhorem a capacidade de as pessoas escolherem,
usarem e disporem de bens e serviços de forma sustentável.
Além dos impactos causados na natureza, diversos são os malefícios à saúde humana pro-
vocados pela poluição do ar, dos rios e mares, assim como são inerentes aos processos produ-
tivos alguns riscos à saúde e segurança do trabalhador. Atualmente, os acidentes de trabalho
são uma questão que preocupa os empregadores, empregados e governantes, e as conseqüên-
cias acabam afetando a todos.
Sabendo disso, podemos afirmar que, de um lado, é necessário que os empregados adotem
um comportamento seguro no trabalho, usando os equipamentos de proteção individual e co-
letiva, e de outro, cabe aos empregadores prover a empresa com esses equipamentos, orientar
Ajustagem Básica
SENAI-RJ 15
quanto a seu uso, fiscalizar as condições da cadeia produtiva e a adequação dos equipamentos
de proteção. A redução do número de acidentes só será possível à medida que cada um – traba-
lhador, patrão e governo – assuma, em todas as situações, atitudes preventivas, capazes de res-
guardar a segurança de todos.
Deve-se considerar, também, que cada indústria possui um sistema produtivo próprio, e,
portanto, é necessário analisá-lo em suas especificidades, para determinar seu impacto sobre o
meio ambiente, sobre a saúde e os riscos que o sistema oferece à segurança dos trabalhadores,
propondo alternativas que possam levar a melhores condições de vida para todos.
Da conscientização, partimos para a ação: cresce, cada vez mais, o número de países,
empresas e indivíduos que, já estando conscientizados acerca dessas questões, vêm desenvol-
vendo ações que contribuem para proteger o meio ambiente e cuidar da nossa saúde. Mas isso
ainda não é suficiente. É preciso ampliar tais ações, e a educação é um valioso recurso que pode
e deve ser usado em tal direção. Assim, iniciamos este material conversando com você sobre o
meio ambiente, saúde e segurança no trabalho, lembrando que, no seu exercício profissional
diário, você deve agir de forma harmoniosa com o ambiente, zelando também pela segurança e
saúde de todos no trabalho.
Tente responder à pergunta que inicia este texto: meio ambiente, saúde e segurança no
trabalho – o que eu tenho a ver com isso? Depois, é partir para a ação. Cada um de nós é respon-
sável. Vamos fazer a nossa parte?
Ferramentas de corte manuais
Limas
Verificação de superfícies
Serras
Ferramentas de talhar
Ferramentas de
corte manuais
1
Nesta seção...
SENAI-RJ 19
Ajustagem Básica – Ferramentas de corte manuais
Embora os processos de fabricação tenham evoluído muito nos últimos tempos, não podemos
desprezar os processos manuais, que são de grande utilidade nos reparos de peças e nos ajustes.
Limas
Conceito de limar
É a operação que tem por finalidade desgastar, ras-
par ou polir um material mediante a ação de uma lima.
Definição de lima
As limas são ferramentas manuais usadas para re-
duzir a dimensão de peças, cortando o metal cada vez
que se executa um passe. São construídas com aço
temperado e sua dureza varia entre 50 e 60HRC. Veja
nas páginas seguintes sua classificação e suas formas.
Ferramentas de
corte manuais
Ponta
EspigaCorpo
Anel metálico
Cabo de madeiraTalão
FacesPicadoBorda
Características
das limas
1. O comprimento total ou
comercial é composto pelo
comprimento com o qual se
trabalha a peça e pelo
comprimento do talão
(entre 75 e 400mm).
2. O picado é a distância
entre dois dentes consecutivos.
3. A profundidade dos dentes
varia de acordo com o tipo de
picado.
4. A forma da lima é dada pela
sua seção transversal.
20 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Ferramentas de corte manuais
Classificação do tipo de picado
Classificação do picado Tipo de picado
Lima de desbastar (rufo) Picado simples – metais macios
Picado de
aprox. 1,5mm
Lima bastarda Picado cruzado – o mais comum
Picado de
aprox. 1mm
Lima bastardinha Picado cruzado – lima amendoada
lima meia-cana ou
lima redonda
Picado de
aprox. 0,6mm
Lima murça Grosa – chumbo ou madeira
Picado de
aprox. 0,5mm
Lima murça-fina
(possibilita ótima qualidade
de acabamento)
Picado fresado simples e inclinado –
metais macios
Picado de
aprox. 0,4mm
Lima extramurça
(para acabamentos muito especiais)
Picado fresado simples e curvado
Picado de
aprox. 0,2mm
SENAI-RJ 21
Ajustagem Básica – Ferramentas de corte manuais
Formas de lima
Lima meia-cana
Lima triangular
Lima chata
Lima quadrada
Lima redonda
Lima barrete-fina
Lima barrete
Lima amêndoa
Lima faca
Limas para ferramenteiros
22 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Ferramentas de corte manuais
Escolha da lima
Sempre escolhemos a forma da lima mais adequada à superfície que será trabalhada.
45º / Â45º / Â45º / Â45º / Â45º / Ângulo 60ºngulo 60ºngulo 60ºngulo 60ºngulo 60º
Limando superfícies curvas
Limando ângulos interiores
Limando superfície planas
60º / Ângulo 90º Ângulo 90º
Lima chata de dois gumes
ou lima barrete
SENAI-RJ 23
Ajustagem Básica – Ferramentas de corte manuais
Limas especiais
Comprimento comercial
� Limas de ourives – Utilizam-se num trabalho de precisão (gravadores, joalheiros, relojoeiros,
fabricantes de moldes).
Comprimento com que setrabalha
Comprimento total ou comprimento comercialEspiga afilada,
recozida a fim
de ser menos
quebradiça
Os perfis e as seções das limas especiais são similares aos das
limas já descritas.
24 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Ferramentas de corte manuais
Colocação de cabo na lima
Como colocar o cabo corretamente
• • • • • O eixo da lima deve coincidir com o eixo do cabo. Para cumprir essa determinação,
execute vários furos, como mostra o desenho acima.
• • • • • Estando a espiga introduzida no cabo, segure a lima firmemente,
no meio do seu comprimento, e bata o cabo várias vezes bem verticalmente,
numa superfície limpa, para que a lima fique bem fixa.
Bucha
Furos de
diâmetros diferentes
Espiga Lima
15mm aprox.
Conservação das limas
Para uma boa conservação das limas,
é necessário:
� Evitar choques.
� Protegê-las contra a umidade, a fim de evitar
oxidação.
� Evitar contato entre limas, para que seu
picado não se estrague.
� Evitar contato entre limas e outras ferramentas.
� Limpá-las com escova de fios de aço.
Cabo
 A dimensão do cabo
varia de acordo com o
comprimento da lima
• Cada vez que se
utilizar uma lima,
deve-se verificar se o
cabo está bem fixado,
porque se ele se
soltar durante o
trabalho um acidente
grave poderá acontecer.
• Nunca utilize uma
lima sem cabo.
SENAI-RJ 25
Ajustagem Básica – Ferramentas de corte manuais
Quando as superfícies usinadas são executadas com o uso de ferramentas manuais, é ne-
cessário que se faça um controle durante as fases de fabricação e o final. Esses controles dizem
respeito à verificação de:
� Planicidade.
� Esquadria.
� Angularidade.
� Paralelismo.
� Raios.
� Perfis especiais.
Nesta apostila só veremos a verificação de planicidade e de paralelismo.
Verificação de planicidade
O instrumento utilizado para essa tarefa é a régua de controle. Essas réguas são feitas de aço
duro tratado e são usadas em pequenas superfícies.
Como utilizar uma régua de controle
Verificação de superfícies
Ao longo
da outra diagonal
Paralela
ao comprimento
Paralela
à largura
Ao longo
da diagonal
26 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Ferramentas de corte manuais
Verificação de paralelismo
� Ajuste o paquímetro (conforme a figura) na peça até obter um deslizamento suave.
� Explore toda a peça.
� As regiões em que o paquímetro deslizar com dificuldade indicam que aí se formou uma ele-
vação e que, portanto, deve ser retirada uma certa quantidade de metal.
SENAI-RJ 27
Ajustagem Básica – Ferramentas de corte manuais
As operações de corte de material podem ser feitas manual ou mecanicamente (utilizan-
do-se a serra de fita, a serra alternativa, a serra circular, a serra tico-tico etc).
Serra manual
Serrar manualmente é uma operação comum quando o número de peças a serem cortadas
não justifica a utilização de uma serra mecânica, ou quando o setor de trabalho não a possui.
Para isso usamos uma serra manual, que é composta de lâmina e arco.
Serras
Lâmina
Material:
� Aço carbono � metais macios
� Aço rápido � aços em geral
28 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Ferramentas de corte manuais
Detalhe dos dentes
Características
1. Comprimento comercial
Distância de centro a centro dos furos na lâmina (250-300 ou 500mm).
2. Largura
A largura da lâmina mede geralmente 13 ou 16mm.
3. Espessura
Deve ser medida na borda superior da lâmina.
4 – Número de dentes por polegada
18 dentes / 1” – usada em materiais moles.
24 dentes / 1” – usada em materiais duros.
32 dentes / 1” – usada em materiais muito duros.
A
A
Seção AA
O atrito lateral de uma lâmina em um rasgo
ou em uma fenda pode provocar um engripamen-
to e, assim, impedir o movimento da lâmina.
A fim de vencer essas dificuldades, os den-
tes da serra possuem travas, que são deslocamen-
tos laterais em forma alternada. Os dentes são in-
clinados lateralmente. Esta inclinação lateral
tem como fim a produção de um rasgo de espes-
sura maior que a da lâmina.
Espessura
Trava
Trava de uma lâmina
SENAI-RJ 29
Ajustagem Básica – Ferramentas de corte manuais
Condições de uso de uma lâmina de serra
Da dureza do metal
Dentes grossos Metais
macios
�����
Dentes finos Metais
duros�����
A fim de evitar a quebra dos dentes, o bom rendimento de uma lâmina de serra depende da
sua escolha adequada, de acordo com o trabalho a ser executado.
Velocidade de corte
� Sessenta golpes por minuto, utilizando-se o comprimento total da lâmina.
Arcos de serra
Mecanismo ajustável
Porca borboleta
Cabo de madeira
Pino Lâmina de serra Suporte fixo
Arcos especiais
30 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Ferramentas de corte manuais
A escolha do tipo de serra mecânica depende da espessura da peça a ser
serrada. O ideal é ter, no mínimo, três dentes em contato com o material.
Lâmina de serra
(dentes por centímetros)
Serra mecânica
Quando há necessidade de se cortar grande quantidade de peças, as operações de corte são
efetuadas em uma serra mecânica.
Utilizando-se essas máquinas-ferramenta, conseguem-se cortar:
� Cantoneiras, perfilados e tubos.
� Trabalhos de contornar.
SENAI-RJ 31
Ajustagem Básica – Ferramentas de corte manuais
Servem para cortar chapas, retirar excesso de material ou abrir rasgos. Essas operações de
desbaste podem ser efetuadas com as ferramentas apropriadas e de formas diferentes.
Ferramentas de talhar
Lâmina Corpo Cabeça
Ligeiramente convexa
Lâmina Corpo Cabeça
Cunha reta
Bedame meia-cana
Tipos
••••• A talhadeira chata cuja cunha é convexa.
••••• O bedame cuja cunha é reta.
••••• O bedame cuja cunha é côncava.
Como segurar
um bedame
Talhadeira chata
32 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Ferramentas de corte manuais
Bedame com cunha côncava
Serve para retirar o excesso de material depois de se ter realizado uma série de furos na oca-
sião de uma operação de desbaste.
Ângulo da ponta
O ângulo de cunha varia de acordo com o material a ser trabalhado. Quanto mais duro for
o material, tanto maior será o ângulo de cunha �.
Cabeça
Corpo
Ponta
�
� � � � � = 30º a 85º
SENAI-RJ 33
Ajustagem Básica – Ferramentas de corte manuais
Ao se utilizar uma talhadeira ou um bedame, devem-se tomar certos
cuidados a fim de proteger os colegas de trabalho e a si
próprio contra acidentes:
• Usar óculos de proteção.
• Erguer uma proteção em frente da morsa.
• Nunca utilizar um bedame mal-afiado ou cuja cabeça
tenha rebarbas, porque a parte da ferramenta que recebe os
golpes de martelo pode fragmentar-se, ferindo assim o trabalhador
ou os que estão perto dele.
Bedame meia-cana
É usado para estriar (triangular ou retangularmente) ou para cortar canais de lubrificação.
A forma do ângulo de cunha varia de acordo com o trabalho a ser executado.
O bedame meia-cana é
freqüentemente usado para
realizar canais de lubrificação
côncavos, como casquilhos.
Traçagem
2
Traçagem
Acessórios: desempenos
Cantoneiras e cubos de traçagem
Morsas
Nesta seção...
SENAI-RJ 37
Ajustagem Básica – Traçagem
A traçagem é uma operação executada antes de se proceder à operação de usinagem, e con-
siste em marcar na peça os seus contornos e também inserções de retas (centro dos furos).
Para traçar, um profissional precisa de ferramentas e instrumentos adequados.
Traçagem
20º
Riscador
O material de fabricação de um riscador é aço fundido e temperado a 800o e revenido
a 225o.
Como segurar o riscador
O riscador é a ferramenta básica, e é utilizado nas superfícies brutas ou usinadas.
Esse estilete deve ser duro, com pontas temperadas e aguçadas, para que o traçado possa
ser claramente visível.
20º 20º
Régua
38 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Traçagem
Punção de centrar e punção de marcar
• Para superfícies usinadas e traçagem
de precisão é utilizado o chamado
traçador de altura, cuja aferição
antes de qualquer traçagem é
fundamental para o êxito da operação.
• Depois de traçar as peças é
indispensável conferir toda a traçagem.
Paquímetro de altura equipado
com ponta para traçagem
São confeccionados em aço fundido com a ponta temperadaa 800o e revenida a 225o. Não
se deve confundir o punção de centrar com o de marcar, que tem o ângulo da ponta medindo
de 30 a 60o. Este serve para marcar pontos sobre uma linha já riscada. Já o punção de centrar
serve para indicar o centro em que se coloca uma broca para iniciar um furo (furação com
máquinas portáteis).
• Na ocasião da furação, certifique-se de que a ponta esteja bem centrada.
• No caso de uma furação de precisão (em furadeiras de bancada ou
radiais), não se deve de maneira nenhuma puncionar a peça. A ferramenta
correta para esse caso é a chamada ponta de centrar, que é fixa no
mandril da furadeira e garante maior precisão.
Punção de centrar Punção de marcar
60º a 70º 30º a 60º
SENAI-RJ 39
Ajustagem Básica – Traçagem
O desempeno é usado para indicar as regiões defeituosas de uma peça. As imperfeições são
materializadas por regiões coloridas. Também serve para a traçagem de peças.
Acessórios: desempenos
Região oca
Região colorida
Ponto brilhante
Verificação de peças utilizando-se
desempenos
1. Um tubo de zarcão ou similar deve estar à mão.
2. Utilize um pano limpo para esfregar o desempeno e a peça a ser verificada.
3. Cubra o desempeno com uma camada fina e regular de zarcão. Se a espessura da camada for
excessiva, a verificação da peça será falsa.
4. Deslize a peça suavemente sobre a superfície do desempeno sem iniciá-la, mesmo que haja
empenamento ou abaulamento.
5. Remova a peça do desempeno. Os pontos altos são brilhantes e circundados por uma região
colorida; as regiões ocas são de cor clara; e o desempeno indica as regiões defeituosas de uma
peça. As imperfeições são materializadas por regiões coloridas.
40 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Traçagem
O ajustador mecânico deve simplesmente limar os pontos brilhantes, até que se obtenha
uma superfície plana.
Face de controle (plano retificado)
Elemento de controle
Os desempenos possuem superfícies de referência rasqueteadas (tipo de acabamento), so-
bre as quais qualquer instrumento de traçagem deve ser colocado.
Aconselha-se a não dar pancadas ou causar impactos violentos à superfície de referên-
cia. Não deixe cair sobre ela qualquer objeto pesado que possa danificar a superfície perfeita-
mente plana.
Após o uso devemos cobrir o desempeno com uma fina película de óleo.
Verificação de ângulos
SENAI-RJ 41
Ajustagem Básica – Traçagem
Cantoneiras
Feitas de ferro fundido, são usinadas no exterior e nas extremidades. Em alguns tipos, as
faces são rasqueteadas.
Cubos de traçagem
São cubos ocos e de ferro fundido, com faces e extremidades usinadas e rasqueteadas. Pos-
sibilitam assim o posicionamento da peça em três direções diferentes, perpendiculares umas
às outras no espaço.
Cantoneiras e
cubos de traçagem
• A fixação das peças na cantoneira ou cubos é feita por meio de
grampos especiais ou por parafusos e porcas.
Cantoneiras ajustáveis
Sua parte superior é móvel. Utilizando-se essas cantoneiras pode-se posicionar uma peça
num plano que forma qualquer ângulo com o desempeno.
SENAI-RJ 43
Ajustagem Básica – Traçagem
Para trabalhar superfícies manualmente, utilizamos também as morsas.
Existem dois tipos principais:
Morsas
Essas morsas são feitas de ferro fundido ou aço moldado.
Visto que os mordentes são paralelos, as peças podem ser fixadas de uma maneira muito
mais lógica. Peças largas podem ser fixadas facilmente.
Os ajustadores mecânicos apreciam muito esse tipo de morsa.
Morsa
Torninho de base fixa
Morsa
Torninho de base giratória
44 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Traçagem
Mordentes de proteção
Quando qualquer face de uma peça está acabada, deve-se evitar danificá-la. Conseqüente-
mente, a face acabada deve ser protegida contra os mordentes da morsa. Para isso, basta inserir
entre as faces e o mordente um material mais macio, que pode ser chumbo, alumínio, cobre,
latão ou plástico.
Conservação que deve ser praticada nas morsas:
• Lubrificação periódica, usando-se uma graxa consistente no parafuso
e em seu alojamento e nas arruelas esféricas, evitando-se, assim, a oxidação
das peças.
• Não se devem dar golpes de martelo nas mandíbulas.
• Numa peça fixada em ângulo, a superfície estriada dos mordentes
pode ser danificada.
Furação
3
Furação
Brocas helicoidais
Nesta seção...
SENAI-RJ 47
Ajustagem Básica – Furação
É uma operação que consiste na execução de furos cilíndricos numa peça. Para fazer isso, precisa-
se de uma ferramenta denominada broca e de um dispositivo de fixação denominado furadeira.
Brocas helicoidais
Atualmente as que são mais comumente usadas são feitas de aço rápido, às quais é permi-
tida uma velocidade de corte superior à das feitas de aço carbono. Também encontramos no
mercado as brocas de carboneto de tungstênio, que suportam altíssimas velocidade de corte.
Furação
Haste cilíndricaHaste cilíndricaHaste cilíndricaHaste cilíndricaHaste cilíndrica CorpoCorpoCorpoCorpoCorpo
Haste cônicaHaste cônicaHaste cônicaHaste cônicaHaste cônica
(cone morse)(cone morse)(cone morse)(cone morse)(cone morse)
CorpoCorpoCorpoCorpoCorpo
RebaixoRebaixoRebaixoRebaixoRebaixoEspigaEspigaEspigaEspigaEspiga
Componentes da broca
Haste
Serve para prender a braça no mandril, para centrar a broca e para arrastá-la.
Até 5mm, a broca é cilíndrica. De 5 a 12mm é cilíndrica ou cônica. Superior a esta dimen-
são é cônica com uma espiga. Visto que, ao ser cortada, a broca deve suportar grandes esforços,
a haste de arrastar freqüentemente possui um rebaixo para melhorar o assento, seja no eixo porta-
broca, seja no cone de redução. Na haste deve estar marcado o diâmetro da broca.
48 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Furação
Corpo
a) É um cilindro no qual foram usinados dois sulcos helicoidais. Esses sulcos servem para pro-
porcionar as saídas dos cavacos.
O passo da hélice é igual a aproximadamente seis vezes o diâmetro da ferramenta, em
brocas normais.
Para evitar o excesso de atrito, somente as margens ou guias ficam paralelas às hélices. São
faixas estreitas e salientes usinadas no corpo da broca, ao longo do lado da entrada de cada sul-
co. São destinadas a servir de guias e à raspagem do material.
As guias determinam o diâmetro da broca e diminuem ligeiramente à medida que elas se
aproximam da haste.
b) O núcleo ou alma é a coluna central da broca – compreendida entre os furos dos sulcos –,
que se estende da ponta à haste e cuja espessura aumenta daquela para esta.
A
D 1
E 1
Seção AA
B
D
E
Seção BB
E 1 > E
SENAI-RJ 49
Ajustagem Básica – Furação
c) A extremidade da broca.
Ponta
É formada pelo núcleo, que é a primeira superfície que entra em contato com o material,
comprimindo-o e assim o empurrando em direção às arestas cortantes.
Arestas cortantes
São determinadas pelos sulcos helicoidais e pela boa afiação da broca.
A fim de facilitar a penetração da ponta da broca, é possível aguçar o núcleo na ponta.
Quando, na execução de furos de grandes diâmetros, o núcleo aguçado não é suficiente, deve-se
executar um furo de guia quatro vezes menor do que o diâmetro final a ser executado.
O aguçamento do núcleo feito num esmeril deve ser
cuidadosamente executado, devendo-se retirar rigorosamente a mesma
espessura dos dois canais ou sulcos.
Núcleo adelgaçadoNúcleo adelgaçadoNúcleo adelgaçadoNúcleo adelgaçadoNúcleo adelgaçado
MargensMargensMargensMargensMargens
ou guiasou guiasou guiasou guiasou guias
A afiação correta de uma broca
É uma operação delicada, que só pode ser feita de maneira satisfatória em máquinas apro-
priadas. Porém, com a prática podemos obter bons resultados afiando uma broca no esmeril.
Devemos ter alguns cuidados, que serão enumerados a seguir.
50 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Furação
O ângulo da ponta
É o menor ângulo formado pelas arestas cortantes.
Ângulo de corte transversal
Este ângulo é muito importante. Quanto mais se aproxima do núcleo, mais ele deve diminuir.
O ângulo pode variar entre 12° e 15° na região de periferia, isto é, perto das margens ou guias.
As duas arestas cortantesdevem:
• Formar exatamente o mesmo
ângulo com o eixo da broca.
• Ter exatamente o mesmo
comprimento.
• Ter o mesmo ângulo de corte
transversal.
60º 60º
120º
A
B C
Mais
 de 130º
Demasiado
ângulo
de corte
transversal
Nenhum
ângulo
de corte
transversal
Aresta cortante
frágil, quebra-se
facilmente
O acalcanhamento
da broca ocasiona
sua quebra
Menos
 de 130º
Este ângulo depende do material a ser usinado:
• 120° para aços comuns
• 90° até 100° para ferro fundido
• 60° para materiais macios
Como verificar o ângulo da ponta
SENAI-RJ 51
Ajustagem Básica – Furação
Ângulo de saída
É formado pela face de saída e por um plano paralelo ao eixo da broca. Na periferia, con-
funde-se com o ângulo da hélice. O ângulo de saída é uma função da hélice.
Causas freqüentes da má furação
Afiação da broca
As causas mais freqüentes da má furação provêm de uma broca mal-afiada.
Uma só face que corta
Ambas as faces de
corte não têm
a mesma inclinação
A broca não corta no seu eixo
Aresta cortante
não-centralizada
Flexão da broca em todas as direções
Ambas as faces de
corte não têm
a mesma inclinação
e a aresta cortante
não é centralizada
52 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Furação
Conseqüências da má furação
1. Arestas cortantes cegas: a broca não corta bem, o furo tem mau aspecto e o diâmetro do furo
é maior que o normal.
2. Alma demasiadamente delgada: penetração fora de alinhamento, a broca corta mal e pode
quebrar.
Diferentes tipos de broca
Hélice normal
Usada para cortar materiais tais como ferro fundido e aços.
� Ângulo da ponta: 120° � Ângulo de saída: 28°
Broca curta com haste cilíndrica
Broca com haste cilíndrica série média
Broca com haste cilíndrica série extralonga
Broca com haste cilíndrica série longa
Broca com haste cônica série extralonga
SENAI-RJ 53
Ajustagem Básica – Furação
Hélice pequena
Usam-se estas brocas para cortar metais macios, tais como alumínio e cobre. Quando são
utilizadas formam um só cavaco longo.
O fundo dos sulcos deve ser retificado e polido, para permitir a ejeção fácil dos cavacos.
Hélice grande
Este tipo de broca é usado para furar metais macios, tais como bronze e latão, e também
materiais de cavacos curtos.
Broca de centro
É responsável pela boa centragem em furação, além de ser bastante utilizada pelos tornei-
ros mecânicos na execução de furos de centro como meio de fixação de peças.
Escariadores paralelos
São ferramentas de corte de formato cilíndrico, cônico ou esférico, construídas com aço de car-
bono rápido e temperadas. Possuem arestas destinadas a fazer rebaixos ou escariados em furos.
54 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Furação
Brocas com haste cônica
Sempre que se fixarem brocas num mandril, devem ser tomados os seguintes cuidados:
� A ferramenta deve ter espiga de arrasto.
� A ferramenta deve ser perfeitamente centrada.
� A extração da ferramenta deve ser fácil.
Fixação de brocas
Brocas com haste cilíndrica
Mandril com três castanhas
De aperto rápido
Mandril com três castanhas
Apertado por
uma chave
Nº do cone morse � das brocas
1 4 até 14
2 14 até 23
3 23 até 32
4 32 até 50
5 50 até 75
6 75 até 100
Haste cônica
Morse Nº 1
SENAI-RJ 55
Ajustagem Básica – Furação
Antes de se usar uma furadeira manual, é preciso tomar os seguintes
cuidados:
• Verificar se os fios estão desencapados.
• Conectar o fio de terra, se necessário.
• Com uma alimentação de 110V ou 220V, usar equipamento para
isolar-se do chão (sapatos de segurança, pranchas etc).
• Certificar-se de que os condutores de alimentação não sejam
cortados nem danificados por veículos passantes. Para isso devem-se:
a) Pendurar ou suspender os condutores.
b) Colocar os condutores entre pranchas para protegê-los.
• Enrolar o comprimento do fio desnecessário.
• Não colocar os fios sobre superfícies quentes ou aguçadas.
Bucha cônica de redução
Quando uma broca tiver haste cônica morse cujo número seja inferior ao do eixo porta-
ferramenta, há necessidade de se usar uma bucha cônica de redução que seja retificada interna
e externamente, a fim de se obter uma concentricidade perfeita.
As buchas de redução identificam-se pela numeração que corresponde a elas, ao cone ex-
terior (macho) e ao cone interior (fêmea), formando jogos de cones de redução cuja numeração
completa é: 2-1, 3-2, 4-2, 4-3, 5-3, 5-4, 6-4, 6-5.
Cunha para
extrair broca
Extensões para buchas
cônicas de redução
56 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Furação
Operação de furação (furadeiras manuais)
1. É preferível, quando possível, utilizarem-se brocas curtas, a fim de evitar a flexão e a quebra
da broca.
2. A broca, ao ser utilizada, pode ser modificada para um ângulo da ponta de 90° ou 100°, em vez
de 120°; isso melhora a penetração e, conseqüentemente, a broca passa mais suavemente atra-
vés da peça.
3. O furo que for executado deve ser bem marcado pelo punção de centrar.
4. A broca deve ser inserida de tal modo que a haste esteja bem apoiada contra o fundo do man-
dril, evitando-se, assim, todas as possibilidades de deslizamento e quebra durante a operação.
5. Coloque a ponta da broca na pequena depressão feita pelo punção de centrar. Certifique-se
de que sua broca esteja vertical em dois planos.
6. Ative o gatilho da furadeira e imediatamente exerça a pressão na peça; de outro modo a broca
saltará da marca do punção de centrar e danificará a peça.
7. Exerça a pressão pelo eixo da broca e mantenha a posição inicial, caso contrário:
• O furo pode tornar-se irregular.
• A broca pode prender-se e quebrar.
• A broca pode enganchar-se, fazendo a furadeira soltar das mãos do operador.
8. Quando se romper a peça, deve-se diminuir a pressão sobre a broca para evitar parti-la, de-
vendo-se também retirá-la do furo enquanto ainda estiver rodando.
9. Ajuste a pressão sobre a máquina de furar prestando atenção ao ruído e à saída dos cavacos.
Segurança durante a operação de furação
1. Durante toda a operação de furação, o dedo deve permanecer no gatilho para que a máquina
possa ser parada de repente.
2. Em qualquer atividade, você deve estar numa posição confortável para não cair ou perder o
equilíbrio.
SENAI-RJ 57
Ajustagem Básica – Furação
É o número de rotações
por minuto efetuadas
em um ponto qualquer da
circunferência da broca.
RPM da broca (N)
3. Sempre que estiver furando numa posição vertical, use óculos protetores para que cavacos
não caiam nos seus olhos. Nesse caso também é necessária a utilização de luvas para proteger
as mãos contra queimaduras.
4. Evite que sua cabeça esteja à mesma al-
tura que a broca (acidentes envolvendo os
olhos muitas vezes acontecem devido a
brocas quebradas).
5. Quando o trabalho durar muito tempo,
utilize uma montagem de andaimes. Você
estará melhor assentado e poderá trabalhar
com maior segurança.
Velocidade de corte
É a distância percorrida pela ferramenta em um período de um minuto, e é usada para se
definir a rotação da broca.
• Em furadeiras radiais,
de bancada, de torno,
fresadoras ou plainas não é
permitido usar luvas com a
máquina em operação.
• Não faça esforço
desnecessário, pois músculos
fatigados exercem mau controle.
Metais para
serem furados
Aço macio
Aço médio
Aço duro
Aço fundido
Ferro fundido
Ferramentas
de aço rápido
24 a 30
18 a 24
12 a 18
8 a 6
10 a 22
Dados
usuais
28
22
16
9
22
Para furar no
torno ou na
fresadora,
devemos
empregar as
mesmas
velocidades de
corte que estão
contidas na
tabela ao lado.
Bronze 12 a 24 22
Latão 40 a 60 44
50 a 70 66
Velocidade de corte em metros por minuto
Alumínio
N = Número de rotações por minuto
Vc = Velocidade de corte especificada em m/min.
� = Diâmetro da broca em milímetros
1000 = Constante para passar de m para mm
� = 3,14
 Vc x 318
�
N = Vc x 1000
� �
N = �
58 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Furação
=
Avanço
É a distância percorrida pela árvore da furadeira andando para baixo, cada vez que a broca
faz uma rotação (aproximadamente 1/100 do diâmetro da broca).
É especificadaem mm/rotação e o seu símbolo é a.
Exemplo
Qual é o número de RPM de
uma broca de �10mm
trabalhando em aço macio?
 Vc x 318
�
NNNNN = = = = =
Solução
A velocidade de corte para aço macio é
28m/min. Aplicando a fórmula, temos:
 28 x 318
10
N = 8.904
10
= ~ 890 RPM
L = = = = = Espessura a ser furada mais a ponta
da broca (em mm)
a = = = = = Avanço (em mm / rot)
N = = = = = Número de rotações por minuto
L
a x N
T =
Como ilustração,
podemos destacar a
fórmula para
calcular o tempo
gasto na furação.
Lubrificação
O uso de lubrificantes ou fluido de corte aumenta a duração da ferramenta e possibilita maior
velocidade de corte.
Metais para
serem furados
Aço
Ferro fundido
Bronze-latãoBronze-latãoBronze-latãoBronze-latãoBronze-latão
Duralumínio
Lubrificantes para
serem usados
Óleo solúvel
A seco
A seco ou a óleo
Querosene ou óleo solúvel
Quando se utilizar uma
broca de carboneto de
tungstênio, o trabalho poderá
ser feito sem lubrificação.
SENAI-RJ 59
Ajustagem Básica – Furação
A furadeira
O insucesso na operação de furar pode ser devido a uma série de razões.
1. O mandril (árvore)
Se o mandril não estiver bem centralizado ou se houver folga demasiada, isso pode ocasionar
uma flexão ou quebra da broca.
2. O número de RPM
Se o número de RPM não for apropriado, os gumes se tornarão cegos, e se o número de RPM
estiver demasiadamente baixo, pode-se provocar facilmente a quebra de pequenas brocas.
3. Avanço
Não exerça pressão demasiada na alavanca quando furar, pois se o avanço for acima do normal,
as arestas cortantes podem ser danificadas.
4. Quando for necessário, lubrifique o metal que vai ser furado, visto que isso:
• Reduz o atrito.
• Melhora o acabamento.
• Evita que se quebrem as arestas cortantes.
• Evita que os cavacos se soltem nas arestas cortantes.
• Facilita a evacuação dos cavacos.
• Possibilita aumentar a velocidade de corte.
Cuidados ao se fixar a broca no mandril
Antes de furar, assegure-se de que a posição da broca no mandril esteja certa e bem centra-
lizada. No caso de hastes cônicas, os cones devem estar perfeitamente limpos e sem rebarbas.
Antes de furar, confira:
• O diâmetro da broca,
com um paquímetro.
• As condições de afiação da broca.
• A velocidade de corte adequada.
• A centragem da broca no mandril.
• A fixação da peça.
Cuidados ao se fixar a peça
A peça deve ser cuidadosamente fixada, caso
contrário haverá uma variação da posição do eixo
do furo a ser executado (furo grande demais).
No caso de existirem furos passantes, di-
minua a pressão quando estiver a ponto de ter-
minar o furo, caso contrário os sulcos helicoi-
dais provocarão uma penetração rápida da bro-
ca, podendo ocasionar sua quebra.
60 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Furação
Alargadores
São ferramentas empregadas na execução de furos calibrados. A diferença entre o furo alar-
gado e o do alargador não deve exceder 0,25mm (sobremetal).
Diâmetro do
furo alargado
Diâmetro
da broca
6
5,8
8
7,8
10
9,75
12
11,75
16
15,75
20
19,75
Relação dos diâmetros do furo alargado e o da broca em mm
Aspectos práticos de alargadores de máquina
Velocidade de corte
Entre um terço, e a mesma velocidade que a de furação (1/3N).
Avanço
Duas vezes a velocidade de furação, isto é, 2/100 do diâmetro do alargador.
Lubrificação
Fluido de corte apropriado ao metal que será usinado.
Diâmetro de furação
Expresso pela fórmula
Para alargar um furo à
dimensão máxima
• Aumente o número de
rotações por minuto.
• Reduza o avanço de corte.
Para alargar à
dimensão mínima
• Reduza o número de
rotações por minuto.
• Aumente o avanço de corte.
� nominal = Diâmetro do alargador
Furação = � nominal – 0,25 mm
SENAI-RJ 61
Ajustagem Básica – Furação
Fixação de peças
Diferentes dispositivos de fixação
� Num torno de bancada.
� Na mesa de uma máquina.
� Sobre suportes.
� Sobre placas magnéticas.
Fixação de uma peça no torno de bancada
Mordentes com
rasgos retos
F M
F M
Mordentes com
rasgos em “V”
Faces usinadasFaces usinadasFaces usinadasFaces usinadasFaces usinadas
F M
F= Mandíbula fixa
M= Mandíbula móvel
Métodos diferentes
F M F M
Paralelos idênticosParalelos idênticosParalelos idênticosParalelos idênticosParalelos idênticos Pedaço de barra redondaPedaço de barra redondaPedaço de barra redondaPedaço de barra redondaPedaço de barra redonda
62 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Furação
Fixação de peças sobre as mesas de máquinas
Geralmente, quando as dimensões da peça excluírem todas as possibilidades de uso da
morsa, a peça poderá ser fixada diretamente na mesa, mediante acessórios próprios.
Chapa de fixação
Peça
Paralelo
Parafuso com cabeça em “T”
Arruela
Bloco escalonado
h
A B
h1
Para se fixar uma peça corretamente em posição é preciso ter:
A menor que B h menor que h1 desde 1 até 2mm
Maneira correta de se fixar uma peça
Montagem
combinada
Montagem
com garra
e parafuso
Montagem para
fresagem de superfície
Existem diferentes tipos de grampos
de fixação:
• Chapa chata escalonada
• Chapa em U com espiga
• Chapa chata
• Chapa em U
SENAI-RJ 63
Ajustagem Básica – Furação
Cubos de traçagem
Fixação de peças em cubos e cantoneiras
(sobre suportes)
As cantoneiras e os cubos de traçagem são utilizados para a fixação de peças a serem traça-
das ou usinadas em planos diferentes, sem remover a obra do seu suporte.
Nesses casos, os dispositivos seguintes podem ser utilizados.
� Cubos de traçagem.
� Cantoneiras em ângulo reto, ou cantoneiras graduadas.
Fixação através de gabaritos
Quando for necessário usinar peças em série, é preferível fazer um gabarito para tal fim.
O objetivo desse acessório é ganhar tempo na usinagem.
64 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Furação
5 filetes
ConicidadeMacho nº 1
Desbastador
Exemplo
Furação de várias cantoneiras.
Machos
Essas ferramentas servem para cortar ranhuras helicoidais, de formas e dimensões padro-
nizadas, no interior de um furo cilíndrico que tenha um diâmetro exato.
Essa operação pode ser executada manualmente, quando a quantidade de peças for pe-
quena, e também na recuperação de peças defeituosas. Pode também ser executada numa má-
quina para trabalhos de produção em série, com machos apropriados para máquinas.
Machos manuais
Jogo com três machos feitos normalmente de aço rápido. Com esse jogo passa a existir a
facilidade de guiamento e centragem.
As diferenças de diâmetro, o comprimento da conicidade e as variações de espessura
dos dentes devem ser levados em consideração para que o torque exercido em cada macho
seja idêntico.
Como a superfície cortante varia de acordo com o macho
SENAI-RJ 65
Ajustagem Básica – Furação
Macho nº 3
Acabador
Jogo de dois machos para tubos
3 1/2 filetes
ConicidadeMacho nº 2
Intermediário
Aspectos práticos
Diâmetro de furação
Teórico = diâmetro nominal – (1,0825 x passo)
2 filetes
Conicidade
66 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Furação
Na oficina, empregue:
Diâmetro da broca = diâmetro nominal – passo
Como cortar filetes em um furo cego
O furo cego é aquele que não passa através da peça.
Não se esqueça de retirar o macho freqüentemente para extrair os cavacos que se acumu-
lam no fundo do furo, para que ele não se quebre.
Exemplo
Para efetuar um furo roscado M10, observe a tabela abaixo.
Diâmetro
nominal
3
4
5
6
8
10
Passos comuns ISO
Passo
0,5
0,7
0,8
1
1,25
1,5
Diâmetro
nominal
12
14
16
18
20
22
Passo
1,75
2
2
2,5
2,5
2,5
Escareamento a
120o para evitar a
formação de rebarbas
SENAI-RJ 67
Ajustagem Básica – Furação
1. Consulte na tabela da página ao lado quanto vale o passo de uma rosca M10.
2. Aplique diretamente a fórmula:
3. Então teremos:
Deve-se furar com uma broca com diâmetro de 8,5mm.
Cuidados na abertura de roscas manuais
Sempre utilizar os machos por ordem numérica:
1. Desbastador 2. Intermediário 3. Acabador
• Posicione o macho, com o auxílio do esquadro, a 90º em relação a dois planos perpendiculares
entre si.
• Para quebrar o cavacoe facilitar a penetração do lubrificante, o macho deve ser trabalhado
girando-se uma volta para a direita, na direção do corte, e ¼ de volta para a esquerda, para a
retirada do cavaco.
• Para girar um macho, utilize um desandador com dois cabos de comprimento idênticos.
Como extrair um macho quebrado
1. Se o macho quebrado sobressair da peça, pode ser extraído com um alicate.
2. Se o macho quebrado ficar faceando com a peça, pode-se tentar extraí-lo com um toca-pino,
tendo o cuidado de não danificar os filetes.
3. Se a parte quebrada do macho ficar no fundo do furo, a extração torna-se ligeiramente mais difícil.
a) Coloque querosene no furo e, utilizando o bico de ar comprimido, tente expelir a quantidade
máxima de cavacos.
Se for possível, vire a peça de cabeça para baixo a fim de que os cavacos caiam de dentro do furo.
Diâmetro da broca = Diâmetro nominal – passo
Diâmetro da broca = 10 – 1,5 = 8,5
68 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Furação
b) Utilize um sacador ou um removedor, mas tenha cuidado com esse tipo de dispositivo, pois
ele é frágil e não muito prático.
Se todos os métodos sobrecitados não conseguirem extrair o macho, ainda há duas soluções.
• Amoleça a região central do macho com um maçarico e deixe resfriar, tomando o cuidado de
protegê-la contra a atmosfera.
• Destrua o macho completamente com um desintegrador elétrico de machos.
Removedor de machos
Desintegrador elétrico de machos
Dentro deste material – Ajustagem Básica –, vimos a necessidade
de acrescentar conhecimentos sobre rosca e cotagem funcional,
pois temos a certeza de que eles irão ajudá-lo durante o exercício
de sua profissão.
O conteúdo de cotagem funcional facilitará o entendimento de
determinadas tolerâncias expressas nos desenhos para praticar um
ajuste entre peças que trabalhem em conjunto.
SENAI-RJ 69
Ajustagem Básica – Furação
Vamos praticar?
1. Cite três tipos de picado que encontramos nas limas.
2. Cite uma aplicação para a lima redonda.
3. Cite uma aplicação para a lima de ourives.
4. Que tratamento térmico é aplicado na espiga da lima? Qual seu objetivo?
5. Que cuidados de conservação devemos ter com uma lima?
70 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Furação
6. Cite as características da serra manual.
7. Necessita-se serrar uma chapa cuja espessura mede 3mm. Qual a serra
adequada?
8. Que cuidados devemos ter quando estamos utilizando uma talhadeira?
9. Qual o objetivo de um desempeno de precisão na oficina de ajustagem?
10. Que cuidado principal devemos ter na utilização de um instrumento
de precisão?
SENAI-RJ 71
Ajustagem Básica – Furação
11. O que devemos observar para a boa afiação de uma broca?
12. Qual o objetivo do aguçamento do núcleo ou alma de uma broca?
13. O que acontece quando uma broca possui uma navalha maior que a outra?
14. Qual a função de uma broca de centro?
15. Cite no mínimo cinco normas de segurança no uso de uma furadeira de bancada.
72 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Furação
16. Qual a importância da velocidade adequada de corte no
uso de uma broca?
17. Cite a velocidade de corte adequada para se furar um aço de média dureza.
18. Necessita-se furar uma chapa de aço doce, onde o furo deverá ter um
diâmetro de 10mm. Que RPM devemos colocar na furadeira?
19. Qual o objetivo do uso do óleo solúvel na furação?
20. Que aspectos devemos observar antes de furar uma peça?
SENAI-RJ 73
Ajustagem Básica – Furação
21. Qual a função de um alargador?
22. Que critério devemos considerar na execução de um furo calibrado?
23. Que meios de fixação de peças temos em nossa oficina?
24. Que ferramentas temos disponíveis para a abertura de roscas
manuais?
74 SENAI-RJ
Ajustagem Básica – Furação
25. Qual deverá ser o diâmetro de furação para a abertura de uma rosca M8?
26. Que cuidados devemos ter para evitar a quebra de um macho?
27. Que meios nos são disponíveis para a retirada de um macho quebrado
de uma peça?
Anotações

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