Logo Passei Direto
Buscar

questions_gramatica_classes-relacionais_Vestibulares

User badge image
emoli7

em

Ferramentas de estudo

Questões resolvidas

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Questões resolvidas

Prévia do material em texto

Vestibulares
Classes Relacionais
GR0316 - (Fuvest)
Uma obra de arte é um desafio; não a
explicamos, ajustamo-nos a ela. Ao interpretá-la, fazemos
uso dos nossos próprios obje�vos e esforços, dotamo-la
de um significado que tem sua origem nos nossos
próprios modos de viver e de pensar. Numa palavra,
qualquer gênero de arte que, de fato, nos afete, torna-se,
deste modo, arte moderna.
As obras de arte, porém, são como al�tudes
inacessíveis. Não nos dirigimos a elas diretamente, mas
contornamo-las. Cada geração as vê sob um ângulo
diferente e sob uma nova visão; nem se deve supor que
um ponto de vista mais recente é mais eficiente do que
um anterior.
Cada aspecto surge na sua altura própria, que
não pode ser antecipada nem prolongada; e, todavia, o
seu significado não está perdido porque o significado que
uma obra assume para uma geração posterior é o
resultado de uma série completa de interpretações
anteriores.
Arnold Hauser, Teorias da arte. Adaptado.
 
No trecho “Numa palavra, qualquer gênero de arte que,
de fato, nos afete, torna-se, deste modo, arte moderna”
(itálico), as expressões sublinhadas podem ser
subs�tuídas, sem prejuízo do sen�do do texto,
respec�vamente, por
a) realmente; portanto.
b) invariavelmente; ainda.
c) com efeito; todavia.
d) com segurança; também.
e) possivelmente; até.
GR0403 - (Unesp)
Leia a crônica “Seu ‘Afredo’”, de Vinicius de Moraes
(1913-1980).
Seu Afredo (ele sempre subtraía o “l” do nome, ao
se apresentar com uma ligeira curvatura: “Afredo Paiva,
um seu criado...”) tornou-se inesquecível à minha
infância porque tratava-se muito mais de um linguista
que de um encerador. Como encerador, não ia muito lá
das pernas. Lembro-me que, sempre depois de seu
trabalho, minha mãe ficava passeando pela sala com uma
flanelinha debaixo de cada pé, para melhorar o lustro.
Mas, como linguista, cultor do vernáculo1 e aplicador de
su�lezas grama�cais, seu Afredo estava sozinho.
Tratava-se de um mulato quarentão,
ultrarrespeitador, mas em quem a preocupação
linguís�ca perturbava às vezes a colocação pronominal.
Um dia, numa fila de ônibus, minha mãe ficou
ligeiramente ressabiada2 quando seu Afredo,
casualmente de passagem, parou junto a ela e
perguntou-lhe à queima-roupa, na segunda do singular:
– Onde vais assim tão elegante?
Nós lhe dávamos uma bruta corda. Ele falava horas a
fio, no ritmo do trabalho, fazendo os mais deliciosos
pedan�smos que já me foi dado ouvir. Uma vez, minha
mãe, em meio à lide3 caseira, queixou-se do fa�gante
ramerrão4 do trabalho domés�co. Seu Afredo virou-se
para ela e disse:
– Dona Lídia, o que a senhora precisa fazer é ir a um
médico e tomar a sua quilometragem. Diz que é muito
bão.
De outra feita, minha �a Graziela, recém-chegada de
fora, cantarolava ao piano enquanto seu Afredo,
acocorado perto dela, esfregava cera no soalho. Seu
Afredo nunca �nha visto minha �a mais gorda. Pois bem:
chegou-se a ela e perguntou-lhe:
– Cantas?
Minha �a, meio surpresa, respondeu com um riso
amarelo:
– É, canto às vezes, de brincadeira...
Mas, um tanto formalizada, foi queixar-se a minha
mãe, que lhe explicou o temperamento do nosso
encerador:
– Não, ele é assim mesmo. Isso não é falta de
respeito, não. É excesso de... gramá�ca.
Conta ela que seu Afredo, mal viu minha �a sair,
chegou-se a ela com ar disfarçado e falou:
– Olhe aqui, dona Lídia, não leve a mal, mas essa
menina, sua irmã, se ela pensa que pode cantar no rádio
1@professorferretto @prof_ferretto
com essa voz, ‘tá redondamente enganada. Nem em
programa de calouro!
E, a seguir, ponderou:
– Agora, piano é diferente. Pianista ela é!
E acrescentou:
– Eximinista pianista!
(Para uma menina com uma flor, 2009.)
 
1 vernáculo: a língua própria de um país; língua nacional.
2 ressabiado: desconfiado.
3 lide: trabalho penoso, labuta.
4 ramerrão: ro�na.
 
Em “Conta ela que seu Afredo, mal viu minha �a sair,
chegou-se a ela com ar disfarçado e falou [...]” (12º
parágrafo), a conjunção destacada pode ser subs�tuída,
sem prejuízo para o sen�do do texto, por:
a) assim como.
b) logo que.
c) enquanto.
d) porque.
e) ainda que.
GR0298 - (Unesp)
Trecho do livro A solidão dos moribundos, do sociólogo
alemão Norbert Elias.
Não mais consideramos um entretenimento de
domingo assis�r a enforcamentos, esquartejamentos e
suplícios na roda. Assis�mos ao futebol, e não aos
gladiadores na arena. Se comparados aos da An�guidade,
nossa iden�ficação com outras pessoas e nosso
compar�lhamento de seus sofrimentos e morte
aumentaram. Assis�r a �gres e leões famintos devorando
pessoas vivas pedaço a pedaço, ou a gladiadores, por
astúcia e engano, mutuamente se ferindo e matando,
dificilmente cons�tuiria uma diversão para a qual nos
prepararíamos com o mesmo prazer que os senadores ou
o povo romano. Tudo indica que nenhum sen�mento de
iden�dade unia esses espectadores àqueles que, na
arena, lutavam por suas vidas. Como sabemos, os
gladiadores saudavam o imperador ao entrar com as
palavras “Morituri te salutant” (Os que vão morrer te
saúdam). Alguns dos imperadores sem dúvida se
acreditavam imortais. De todo modo, teria sido mais
apropriado se os gladiadores dissessem “Morituri
moriturum salutant” (Os que vão morrer saúdam aquele
que vai morrer). Porém, numa sociedade em que �vesse
sido possível dizer isso, provavelmente não haveria
gladiadores ou imperadores. A possibilidade de se dizer
isso aos dominadores — alguns dos quais mesmo hoje
têm poder de vida e morte sobre um sem-número de
seus semelhantes — requer uma desmitologização da
morte mais ampla do que a que temos hoje, e uma
consciência muito mais clara de que a espécie humana é
uma comunidade de mortais e de que as pessoas
necessitadas só podem esperar ajuda de outras pessoas.
O problema social da morte é especialmente di�cil de
resolver porque os vivos acham di�cil iden�ficar-se com
os moribundos.
A morte é um problema dos vivos. Os mortos
não têm problemas. Entre as muitas criaturas que
morrem na Terra, a morte cons�tui um problema só para
os seres humanos. Embora compar�lhem o nascimento,
a doença, a juventude, a maturidade, a velhice e a morte
com os animais, apenas eles, dentre todos os vivos,
sabem que morrerão; apenas eles podem prever seu
próprio fim, estando cientes de que pode ocorrer a
qualquer momento e tomando precauções especiais —
como indivíduos e como grupos — para proteger- se
contra a ameaça da aniquilação.
(A solidão dos moribundos, 2001.)
 
Em “Embora compar�lhem o nascimento, a doença, a
juventude, a maturidade, a velhice e a morte com os
animais, apenas eles, dentre todos os vivos, sabem que
morrerão” (2º parágrafo), o termo sublinhado pode ser
subs�tuído, sem prejuízo para o sen�do do texto, por:
a) A menos que.
b) Mesmo que.
c) Desde que.
d) Uma vez que.
e) Contanto que.
GR0366 - (Uerj)
PESCANDO NA MARGEM DO RIO
Era um homem muito velho, que cada manhã
acordava certo de que aquela seria a úl�ma. E porque
seria a úl�ma, pegava o caniço, a la�nha de iscas, e ia
pescar na beira do rio. As poucas pessoas que ainda se
ocupavam dele reclamaram, a princípio. Que aquilo era
perigoso, que ficava muito só, que poderia ter um mal
súbito. Depois, considerando que um mal súbito seria
solução para vários problemas, deixaram que fosse, e
logo deixaram de reparar quando ia. O velho entrou,
assim, na categoria dos ausentes.
Ausente para os outros, con�nuava docemente
presente para si mesmo. Ia ao rio com a alma fresca
como a manhã. Demorava um pouco a chegar porque
seus passos eram lentos, mas, não tendo pressa alguma,
o caminho lhe era só prazer. Não havia nada ali que não
conhecesse, as pedras, as poças, as árvores, e até o sapo
que saltava na poça e as aves que cantavam nos galhos,
tudo lhe era familiar. E embora a natureza não se
curvasse para cumprimentá-lo, sabia-se bem-vindo.
O dia escorria mais lento que a água. Quando
algum peixe �nha a delicadeza de morder o seu anzol, ele
2@professorferretto @prof_ferretto
o limpava ali mesmo, cuidadoso, e o assava sobre um
fogo de gravetos. Quando nenhuma presença es�cava a
linha do caniço, comia o pãoamarelo, melancólico, avaro;
17@professorferretto @prof_ferretto
• Homo sapiens afer: negro, impassível, preguiçoso;
• Homo sapiens americanus: vermelho, mal-humorado,
violento.
 
Observe o leitor que as raças de Linnaeus
con�nham traços peculiares fixos, ou seja, havia a
expecta�va de todos os europeus serem “brancos, sérios
e fortes”. Assim, teríamos de esperar que as pessoas
negras ao redor de nós �vessem tendências “impassíveis
e preguiçosas”, e que as de olhos puxados fossem
predispostas a “melancolia e avareza”.
Esse é um exemplo do absurdo da perspec�va
essencialista ou �pológica de raças humanas. Nesse
paradigma, o indivíduo não pode simplesmente ter a pele
mais ou menos pigmentada, ou o cabelo mais ou menos
crespo – ele tem de ser definido como “negro” ou
“branco”, rótulo determinante de sua iden�dade.
Esse �po de associação fixa de caracterís�cas
�sicas e psicológicas, que incrivelmente ainda persiste na
atualidade, não faz absolutamente nenhum sen�do do
ponto de vista gené�co e biológico! O genoma humano
tem cerca de 20 mil genes e sabemos que poucas dúzias
deles controlam a pigmentação da pele e a aparência
�sica dos humanos. Está 100% estabelecido que esses
genes não têm nenhuma influência sobre qualquer traço
comportamental ou intelectual.
SÉRGIO DANILO PENA. Adaptado de cienciahoje.org.br,
11/07/2008.
 
Está 100% estabelecido que esses genes não têm
nenhuma influência sobre qualquer traço
comportamental ou intelectual. (úl�mo parágrafo,
sublinhado)
 
Para introduzir a frase acima, mantendo a coerência com
a que a precede, pode ser u�lizada a seguinte expressão:
a) ou seja
b) além disso
c) em resumo
d) por exemplo
GR0118 - (Fgv)
Leia o seguinte texto, que é parte de uma entrevista
concedida por Érico Veríssimo a Clarice Lispector:
– Érico, por que você acha que não agrada aos
crí�cos e aos intelectuais?
– Para começo de conversa, devo confessar que
não me considero um escritor importante. Não sou um
inovador. Nem mesmo um homem inteligente. Acho que
tenho alguns talentos que uso bem... mas que acontece
serem os talentos menos apreciados pela chamada
“cri�ca séria”, como, por exemplo, o de contador de
histórias. Os livros que me deram opularidade, como
“Olhai os lírios do campo”, são romances medíocres.
Nessa altura me pespegaram* no lombo literário vários
rótulos: escritor para mocinhas, superficial etc... O que
vem depois dessa primeira fase é bastante melhor mas,
que diabo! pouca gente (refiro-me aos crí�cos
apressados) se dá ao trabalho de revisar opiniões an�gas
e alheias. Por outro lado, existem os “grupos”. Os
esquerdistas sempre me acharam “acomodado”. Os
direi�stas me consideram comunista. Os moralistas e
reacionários me acusam de imoral e subversivo. Havia
ainda essa história cre�na de “norte contra sul”. E ainda
essa natural má vontade que cerca todo escritor que
vende livro, a ideia de que best-seller tem de ser
necessariamente um livro inferior. Some tudo isto,
Clarice, e você não terá ainda uma resposta sa�sfatória à
sua pergunta. Mas devo acrescenta que há no Brasil
vários crí�cos que agora me levam a sério,
principalmente depois que publiquei O tempo e o vento.
(Bons sujeitos!)
Clarice Lispector. Entrevistas. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.
 
* “pespegaram”: aplicaram.
Se a oração sublinhada no trecho “Os livros que me
deram popularidade são romances medíocres” for
subs�tuída por outra do mesmo �po sintá�co, o uso de
preposição antes do pronome “que” con�nuaria a ser
desnecessário apenas em:
a) que me tornei conhecido.
b) que também me orgulho.
c) que procuro valorizar.
d) que tanto lutei.
e) que me refiro.
GR0117 - (Fgv)
A ideia de que as letras se des�nam, exclusivamente, à
mo�vação de fatos emocionais ou ao prazer lúdico do
homem domina o juízo comum a respeito. No entanto,
isso é um grande erro. As letras enriquecem o
conhecimento com a mesma força, ainda que sob
ângulos diversos, com que se apresentam os recursos
cien�ficos e os aperfeiçoamentos tecnológicos. Hoje, o
estudo das letras se coloca na mesma posição intelectual
que faz a justa glória dos pesquisadores e professores da
área cien�fica.
Afrânio Cou�nho
 
Considerado o contexto, na oração “com que se
apresentam os recursos cien�ficos e os aperfeiçoamentos
tecnológicos”, pode-se usar a preposição “de” em lugar
de “com”, se o verbo for subs�tuído por
18@professorferretto @prof_ferretto
a) se revestem.
b) se exibem.
c) se mostram.
d) se manifestam.
e) se dão a conhecer.
GR0617 - (Ufam)
Indique as circunstâncias expressas pelos adjuntos
adverbiais destacados nas frases a seguir, usando este
código:
 
C – Causa
I – Instrumento
M – Modo
S – Concessão
T – Intensidade
 
(__) O desastre não aconteceu, mas o carro ia em alta
velocidade.
(__) Apesar das dificuldades financeiras, Nonato
consegue se ves�r muito bem.
(__) Todos nós ficamos muito alegres com as promessas
do novo governador.
(__) Nosso amigo interpretou bem o papel de Hamlet.
(__) Ontem, por descuido, feri-me com uma faca.
(__) Ninguém observa que aqui o trabalho é
excessivamente puxado.
 
Assinale a alterna�va que preenche CORRETAMENTE os
parênteses, de cima para baixo:
a) M – T – C – T – I – S.
b) M – I – C – S – T – T.
c) M – S – C – M – I – T.
d) C – S – M – M – T – I.
e) C – T – M – S – T – I.
GR0630 - (Uece)
A ARMADILHA DOS VAPES
No Brasil, 20% dos jovens adultos já experimentaram.
Nos EUA, virou um problema de saúde pública grave¹.
Entenda em que pé se encontra a febre dos cigarros
eletrônicos — que têm se mostrado tão perigosos quanto
os convencionais.
7 a 19 segundos. É o tempo que a nico�na do cigarro
leva para chegar ao cérebro. Lá dentro², ela a�va o
principal neurotransmissor do prazer. E dá-lhe prazer:
comer chocolate eleva em 55% a liberação de dopamina;
fazer sexo, 100%. A nico�na? 150%. Com o tempo, essas
doses con�nuas de prazer acostumam o cérebro, que
passa a precisar de doses maiores para se sa�sfazer.
Instaura-se um vício. E não é só a descarga de dopamina
que importa aí. É também a velocidade com a qual você
obtém o efeito.
Cocaína inalável, por exemplo, sobe os níveis de
dopamina em 400%, mas essa descarga vem só 3 minutos
após o consumo. Já o cigarro, embora³ não cause tanta
disrupção neuronal, tem efeito pra�camente
instantâneo. Isso torna a nico�na no mínimo tão viciante
quanto cocaína, heroína ou metanfetaminas. Com uma
perversidade adicional: ela não altera nosso estado
consciente, então⁴ o usuário pode passar o dia inteiro
mimando⁵ os neurônios.
Disponível em: h�ps://super.abril.com.br.
 
No trecho: “Já o cigarro, embora não cause tanta
disrupção neuronal, tem efeito pra�camente
instantâneo. Isso torna a nico�na no mínimo tão viciante
quanto cocaína, heroína ou metanfetaminas” (ref. 3). A
relação que o elemento destacado estabelece é de
a) condição.
b) concessão.
c) adição.
d) alternância.
GR0631 - (Uece)
A ARMADILHA DOS VAPES
No Brasil, 20% dos jovens adultos já experimentaram.
Nos EUA, virou um problema de saúde pública grave¹.
Entenda em que pé se encontra a febre dos cigarros
eletrônicos — que têm se mostrado tão perigosos quanto
os convencionais.
7 a 19 segundos. É o tempo que a nico�na do cigarro
leva para chegar ao cérebro. Lá dentro², ela a�va o
principal neurotransmissor do prazer. E dá-lhe prazer:
comer chocolate eleva em 55% a liberação de dopamina;
fazer sexo, 100%. A nico�na? 150%. Com o tempo, essas
doses con�nuas de prazer acostumam o cérebro, que
passa a precisar de doses maiores para se sa�sfazer.
Instaura-se um vício. E não é só a descarga de dopamina
que importa aí. É também a velocidade com a qual você
obtém o efeito.
Cocaína inalável, por exemplo, sobe os níveis de
dopamina em 400%, mas essa descarga vem só 3 minutos
após o consumo. Já o cigarro, embora³ não cause tanta
disrupção neuronal, tem efeito pra�camente
instantâneo. Isso torna a nico�na no mínimo tão viciante
quanto cocaína, heroína ou metanfetaminas. Com uma
perversidade adicional: ela não altera nosso estado
consciente, então⁴ o usuário pode passar o dia inteiro
mimando⁵ os neurônios.
Disponível em: h�ps://super.abril.com.br.Em “Com uma perversidade adicional: ela não altera
nosso estado consciente, então o usuário pode passar o
19@professorferretto @prof_ferretto
dia inteiro mimando os neurônios” (ref. 4), o termo
destacado estabelece, entre as orações, uma relação de
a) adversidade.
b) alternância.
c) condição.
d) conclusão.
GR0636 - (Unifor)
 
 
Na �rinha, a preposição “com”, em “Um patrão faz assim
com o indicador...”, assume valor semân�co de
a) causa.
b) instrumento.
c) finalidade.
d) modo.
e) direção.
GR0640 - (Ifpe)
COMO DESENVOLVER UMA CULTURA DE COOPERAÇÃO E
AFASTAR O BULLYING
(1) O desenvolvimento de uma cultura de cooperação
está diretamente relacionado ao combate ao bullying.
Isso porque entender o processo educacional como uma
prá�ca que conduza à cooperação e ao respeito mútuo
ataca a raiz dessa violência. Mas quais métodos podem
ser adotados para se posicionar contra o bullying? Qual o
papel da escola na consolidação dos valores entre seus
alunos?
(2) O desenvolvimento de uma cultura de cooperação,
nas ins�tuições de ensino, relaciona-se com o
entendimento do espaço escolar não apenas como um
local de ensino formal, mas, também, de formação do
jovem como cidadão. Em outras palavras, a escola tem
papel fundamental no desenvolvimento dos valores dos
jovens, estabelecendo conceitos relacionados aos seus
direitos e deveres, à cooperação, ao respeito e à
solidariedade. Nesse contexto, o bullying vem sendo
tratado com cada vez mais seriedade pela comunidade
escolar e pelo governo de diversos países. No Brasil,
inclusive, já existe uma lei an�bullying.
(3) Apesar de não haver uma fórmula pronta para
garan�r a não ocorrência dessa prá�ca, algumas medidas
para o desenvolvimento de uma cultura de cooperação
podem contribuir para evitar esse �po de violência.
(4) Nessa perspec�va, é importante que a escola
ofereça oportunidades para que os jovens entendam os
bene�cios do trabalho em equipe e a contribuição de
cada um para o sucesso de a�vidades assim. Os jogos
coopera�vos são uma excelente ferramenta. Consistem
em a�vidades nas quais é necessário um esforço
conjunto para se a�ngir um obje�vo comum,
contrariando a estrutura compe��va e incen�vando a
par�cipação total dos alunos. Desenvolver projetos e
trabalhos em conjunto também é uma boa alterna�va.
Em um projeto anual ou semestral, é possível delegar
funções e permi�r que os alunos tomem
responsabilidades diferentes.
(5) O mais importante desses processos é o
desenvolvimento da comunicação, das trocas de ideias e
das bagagens de conhecimento. É nessas trocas do
trabalho cole�vo que os alunos começam a perceber o
impacto de suas diferenças na cons�tuição de um objeto
maior.
(6) Há, ainda, a importância do relacionamento com
os alunos, em que professores e gestores podem oferecer
oportunidades de diálogo que es�mulem a abertura de
um relacionamento de confiança e de cooperação. Nesse
sen�do, é imprescindível que a escola trabalhe temas
como bullying e respeito às diferenças em campanhas
com apoio da coordenação pedagógica. Aulas
exposi�vas, debates, palestras e outras a�vidades podem
compor a ação.
(7) Além disso, a comunicação deve ser estendida aos
pais, fundamentais para a resolução dos problemas
relacionados à educação, cuja par�cipação é
imprescindível para o sucesso das prá�cas adotadas. Os
pais devem se envolver a�vamente, aproximando-se das
ações da escola, entendendo a importância e a
necessidade de atuarem junto aos seus filhos no
processo educacional.
Disponível em: . Acesso em: 27 nov. 2019 (adaptado).
 
20@professorferretto @prof_ferretto
Releia o seguinte trecho, transcrito do 3° parágrafo do
texto 1:
“Apesar de não haver uma fórmula pronta para garan�r a
não ocorrência dessa prá�ca, algumas medidas para o
desenvolvimento de uma cultura de cooperação podem
contribuir para evitar esse �po de violência.” (3°
parágrafo)
 
Nele, os elementos destacados estabelecem, entre as
orações do período, uma relação sintá�co-semân�ca de?
a) proporção.
b) causa.
c) tempo.
d) condição.
e) concessão.
GR0642 - (Uece)
Comida
Titãs
Bebida é água
Comida é pasto
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê? (23)
 
A gente não quer só comida
A gente quer comida, diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída para qualquer parte (22)
 
A gente não quer só comida
A gente quer bebida, diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida como a vida quer
 
Bebida é água
Comida é pasto (24)
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê? (21)
 
A gente não quer só comer
A gente quer comer e quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer pra aliviar a dor
 
A gente não quer só dinheiro
A gente quer dinheiro e felicidade
A gente não quer só dinheiro
A gente quer inteiro e não pela metade
 
Diversão e arte
para qualquer parte
diversão, balé
como a vida quer...
Desejo, necessidade, vontade
necessidade, desejo
necessidade, vontade
necessidade!
ANTUNES, Arnaldo; FROMER, Marcelo; BRITO, Sergio.
Comida. Intérprete: Titãs. In: Titãs. Jesus não tem dentes
no país dos banguelas. Rio de Janeiro: WEA. 1 disco
sonoro (LP). Lado A, faixa 2. 1987.
 
Considere os seguintes versos da canção: “A gente não
quer só comida / A gente quer saída para qualquer parte”
(22). É possível reescrever estes versos de diversas
maneiras, mantendo a equivalência de sen�do, com
exceção da forma como está estruturada no seguinte
enunciado?
a) A gente não quer só comida porque a gente quer
também saída para qualquer parte.
b) Da mesma forma que a gente quer comida, a gente
quer também saída para qualquer parte.
c) Além de comida, a gente quer ainda saída para
qualquer parte.
d) Não só comida mas também a gente quer saída para
qualquer parte.
GR0680 - (Espm)
(...) Esta casa do Engenho Novo, conquanto reproduza
a de Mata-cavalos, apenas me lembra aquela, e mais por
efeito de comparação e de reflexão que de sen�mento.
Já disse isto mesmo.
Hão de perguntar-me por que razão, tendo a própria
casa velha, na mesma rua an�ga, não impedi que a
demolissem e vim reproduzi-la nesta. A pergunta devia
ser feita a princípio, mas aqui vai a resposta. A razão é
que, logo que minha mãe morreu, querendo ir para lá, fiz
primeiro uma longa visita de inspeção por alguns dias, e
toda a casa me desconheceu. No quintal a aroeira e a
pitangueira, o poço, a caçamba velha e o lavadouro, nada
sabia de mim. A casuarina era a mesma que eu deixara
ao fundo, mas o tronco, em vez de reto, como outrora,
�nha agora um ar de ponto de interrogação;
naturalmente pasmava do intruso. (...)
Tudo me era estranho e adverso. Deixei que
demolissem a casa, e, mais tarde, quando vim para o
Engenho Novo, lembrou-me fazer esta reprodução por
explicações que dei ao arquiteto, segundo contei em
tempo.
(Machado de Assis, Dom Casmurro, Capítulo CXLIV)
 
No trecho: Esta casa do Engenho Novo, conquanto
reproduza a de Mata-cavalos, apenas me lembra
aquela..., o termo em destaque pode ser subs�tuído sem
prejuízo semân�co por:
21@professorferretto @prof_ferretto
a) porquanto (relação de causa).
b) entretanto (relação de oposição de ideias que se
anulam).
c) embora (relação de oposição de ideias que coexistem).
d) uma vez que (relação de causa).
e) à medida que (relação de proporcionalidade).
GR0682 - (Espm)
A Raiz da Corrupção
O tema da corrupção e de seu suposto combate volta
à pauta com intensidade de tempos em tempos e deverá
ser recorrente neste ano eleitoral. Ainda que debater a
corrupção seja de extrema importância, é essencial que
façamos, enquanto sociedade, uma discussão atualizada
e realista de suas implicações e que saibamos iden�ficar
onde ela de fato reside.
Antes, é preciso dizer que a corrupção é um
fenômeno milenarmente presente na vida social. Surge
com o sen�do atual que conhecemos, de apropriação
privada de patrimônio público, a par�r da modernidade,
quando o patrimônio do soberano, que se confundia com
o Estado, deixa de exis�r, e o patrimônio do Estado passa
a ser visto como propriedadepública.
No campo teórico, a corrupção não é só um conceito
jurídico e penal, mas também uma ideia que pertence ao
âmbito filosófico-polí�co e de Jus�ça. Trata-se de uma
iniquidade no plano moral e polí�co porque destrói a
capacidade de inves�mento no serviço público. Na
atualidade, o enfrentamento à corrupção é quase sempre
associado à ideia de combate, e não de controle. A
suposta guerra contra a corrupção é meramente retórica,
pois o Estado não pode entrar em guerra contra seus
próprios cidadãos.
A história mostra que as tenta�vas de controle da
corrupção por parte do Estado, valendo-se de seus
aparelhos de inves�gação, capturam hoje a corrupção de
ontem. Os grandes agentes de corrupção sistêmica são
pegos quando não têm mais força relevante nos sistemas
polí�co e econômico. A Lava Jato, que levou essa ideia de
combate à corrupção ao ápice, com todos os seus
abusos, fisgou corrupções pra�cadas por empreiteiros
num momento em que estes não �nham mais tanto
relevo na economia e na polí�ca.
Pouco se fala, mas a principal fonte das prá�cas
corruptas hoje, no mundo inteiro, é o mercado
financeiro. A corrupção, não no sen�do jurídico-penal,
mas como iniquidade moral, espraia-se por esse
ambiente de formas menos evidentes do que a corrupção
da obra superfaturada.
(Pedro Serrano, revista Carta Capital, 9 de fevereiro de
2022, p.31.)
 
Na frase: “Ainda que debater a corrupção seja de
extrema importância,...”(1º par.), o elemento coesivo em
negrito pode ser subs�tuído, sem prejuízo semân�co,
por:
a) Uma vez que, por traduzir ideia de causa.
b) Todavia, por estabelecer ideia de adversidade.
c) À medida que, por estabelecer ideia de
proporcionalidade.
d) Desde que, por estabelecer ideia de condição.
e) Mesmo que, por estabelecer ideias opostas
coexistentes.
GR0699 - (Unicamp)
O texto a seguir é um trecho da canção Pantanal, que foi
tema de abertura da novela com o mesmo nome, exibida
originalmente pela TV Manchete em 1990 e regravada
pela TV Globo em 2022.
 
Lendas de raças, cidades perdidas nas selvas do coração
do Brasil. Contam os índios de deuses que descem do
espaço no coração do Brasil.
Redescobrindo as Américas quinhentos anos depois,
Lutar com unhas e dentes pra termos direito a um
depois. Fim do milênio, resgate da vida, do sonho, do
bem.
A terra é tão verde e azul.
Os filhos dos filhos dos filhos dos nossos filhos verão.
Pantanal, letra de Marcus Viana, gravada pelo grupo
Sagrado Coração da Terra na coletânea em LP Sagrado –
Farol da Liberdade, lançada em 1991 pelo selo Sonhos &
Sons)
 
Nesse trecho da canção, podemos iden�ficar
a) repe�ção de advérbios que indicam as mesmas
circunstâncias de tempo e de lugar, para produzir um
efeito de redundância a respeito da luta pela terra.
b) indeterminação de sujeito com verbo na terceira
pessoa do plural, para produzir um efeito de incerteza
quanto ao papel das futuras gerações.
c) atribuição de caracterís�cas posi�vas por meio de
substan�vos que indicam cores, para produzir um
efeito de o�mismo na preservação da natureza.
d) encadeamento sucessivo de termos ligados por
preposição, para produzir um efeito de con�nuidade
temporal quanto à condição do planeta.
GR0707 - (Unifenas)
HQ sobre Covid-19 no corpo humano criada pelo curso
de Medicina Campus Toledo é premiada pelo Ins�tuto
Butantan
Superintendência de Comunicação Social
15 de setembro de 2020 - 16h10
22@professorferretto @prof_ferretto
Uma história em quadrinhos (HQ) do projeto
extensionista “Coronavírus – Chega de Fake News”, do
curso de Medicina do Campus Toledo da Universidade
Federal do Paraná (UFPR), ficou em segundo lugar no
concurso “Micróbios em Tirinhas”, do Museu de
Microbiologia do Ins�tuto Butantan, em São Paulo. A
�rinha “A Saga do COVID no corpo humano” foi divulgada
pelas redes sociais do Museu nesta semana.
Colorida, didá�ca, com traços cômicos �picos da HQ e
linguagem acessível, a história elaborada pelo projeto da
UFPR tem 13 páginas detalhando como o coronavírus se
comporta dentro do corpo humano, além das respostas
imunológicas e a função específica de cada agente até
que o vírus seja neutralizado e expelido pelo organismo.
(...)
A professora relata que, ao tomar conhecimento do
concurso do Ins�tuto Butantan, percebeu que havia uma
sintonia de obje�vos e decidiu realizar a inscrição. “É
uma oportunidade para expor ações educa�vas e a�ngir
uma das metas da nossa extensão: divulgar informações
sobre o coronavírus baseadas em conhecimento
cien�fico, com linguagem simples e ilustra�va, para o
maior número de pessoas possível”, acrescenta.
Conhecimento cien�fico acessível à população
A estudante do quinto ano do curso Brenda Malucelli
Rocha, de 20 anos, foi uma das integrantes da equipe que
ajudou o projeto na conquista do segundo lugar com
habilidades ar�s�cas e conhecimento acadêmico.
“Sempre gostei de desenhar, mas não �nha experiência
com o es�lo de HQ e menos ainda com arte digital. Tive
que aprender do zero e foi bastante gra�ficante ver o
resultado final. Pude par�cipar da criação de um modo
de (sic) fornecer conhecimento cien�fico de um jeito
simples para a população. Foi incrível proporcionar essa
vitória aos colegas e professores envolvidos na criação do
projeto, bem como agregar à UFPR Toledo”, pontua.
No segundo ano de Medicina, Lucas Augusto Marcon,
de 21 anos, atuou na elaboração dos esboços dos
quadrinhos, bem como na digitalização e na arte final da
�rinha, e o sen�mento após o concurso é de dever
cumprido. “Quando criamos um projeto desse, que
envolve tantas coisas a serem criadas e adaptadas, surge
o medo de não conseguir ser claro na proposta ou de não
conseguir conquistar quem lê. Ter ficado em segundo no
concurso do Museu de Microbiologia dá um recado
tranquilizador para nós. É o sinal de que o projeto tem
tudo para cumprir com seu obje�vo. É muito
sa�sfatório”, conclui.
(...)
Por Matheus Dias. Edição: Chirlei Kohls. Parceria
Superintendência de Comunicação e Marke�ng (Sucom)
e Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação
Cien�fica e Cultural da UFPR
(Disponível em:
h�ps://www.ufpr.br/portalufpr/no�cias/hq-sobre-covid-
19-no-corpo-humano-do-curso-de-medicina-docampus-
toledo-e-premiada-pelo-ins�tuto-butantan/)
 
Marque a alterna�va em que não há correlação devida
entre o elemento grama�cal em destaque e sua
implicação semân�ca no trecho:
a) “É uma oportunidade para expor ações educa�vas e
a�ngir uma das metas da nossa extensão: divulgar
informações sobre o coronavírus (...).” (finalidade)
b) “Sempre gostei de desenhar, mas não �nha
experiência com o es�lo de HQ e menos ainda com
arte digital.” (concessão)
c) “No segundo ano de Medicina, Lucas Augusto Marcon,
de 21 anos, atuou na elaboração dos esboços dos
quadrinhos, bem como na digitalização (...).” (adição)
d) “Quando criamos um projeto desse, que envolve
tantas coisas a serem criadas e adaptadas, surge o
medo de não conseguir ser claro (...).” (tempo)
e) “(...) surge o medo de não conseguir ser claro na
proposta ou de não conseguir conquistar quem lê.”
(alternância)
GR0708 - (Unifenas)
EMPATIA EM TEMPOS DE CRISE DO CORONAVÍRUS
Para a ciência, empa�a é uma habilidade
socioemocional de múl�plas faces. Tem um lado
biológico e hereditário, determinado por sequências do
genoma humano já iden�ficadas. Os bebês desde muito
cedo conseguem discernir o sorriso do pranto, imitando-
os para refle�r a emoção que observaram. A expressão
da empa�a é interpessoal: o sorriso do bebê acompanha
o sorriso da mãe. Ambos vivenciam a mesma emoção.
A empa�a pode ser modulada pela sociedade, capaz
de ensinar as pessoas a calibrar a vivência emocional
compar�lhada com outros. Para os profissionais de
saúde, essa habilidade calibrada — o chamado controle
execu�vo da empa�a — é essencial para o bem cuidar.
Os pacientes se sentem acolhidos quando percebem o
compar�lhamento solidário de suas dores por parte dos
médicos, enfermeiros e outros cuidadores.
No entanto, raramente os currículos escolares
incluem habilidades socioemocionais como essa. E nem
sempre as faculdades da área da saúde ensinamaos
estudantes as técnicas de modular a empa�a no nível
necessário para melhor atender os pacientes. Há estudos
que mostram melhores níveis de glicemia e colesterol em
pacientes diabé�cos tratados por médicos empá�cos, e
23@professorferretto @prof_ferretto
aumento da imunidade de pacientes com quadros gripais
severos quando percebem o compar�lhamento
emocional dos profissionais de saúde com as suas dores.
Uma recente revisão dos estudos sobre empa�a
esclarece os mecanismos neurais subjacentes. Quando
um médico interage com um paciente em sofrimento,
ambos a�vam as vias neurais da dor de modo
semelhante — dos neurônios sensoriais que inervam os
pulmões, por exemplo, até as regiões perceptuais do
córtex cerebral. Mas há um momento em que a
percepção dolorosa tem que gerar comportamentos.
(...)
Em momentos de crise como o que vivemos, tudo se
subverte. O sofrimento das pessoas é extremo, e a
pressão empá�ca sobre os profissionais de saúde pode se
tornar insustentável, transformando-se em estresse e
burnout.
Os momentos de crise revelam também as pessoas
desprovidas de empa�a. Forme-se um grupo familiar
conduzido sem empa�a, ou pior, com frieza e crueldade,
e os comportamentos desviantes se tornam prevalentes.
Se forem pessoas públicas, como ocorre atualmente no
Brasil, o estrago polí�co e social passa a ser enorme.
Esse é outro ensinamento que poderemos levar da
crise que nos assola, para melhor conduzir a
reconstrução que nos aguarda. Precisamos inserir as
habilidades socioemocionais na educação de nossas
crianças e jovens, inclusive os profissionais de saúde. E
fomentar a pesquisa cien�fica à altura da importância
que a empa�a tem para nossa vida.
(LENT, Roberto. Disponível em:
h�ps://blogs.oglobo.globo.com/a-hora-da-
ciencia/post/amp/empa�a-em-tempos-decrise-do-
coronavirus.html. Acesso em: 17 mai. 20. Adapt.)
 
Marque a alterna�va em que não há correlação devida
entre o elemento grama�cal em destaque e sua
implicação semân�ca no trecho:
a) “Esse é outro ensinamento que poderemos levar da
crise que nos assola, para melhor conduzir a
reconstrução que nos aguarda.” – finalidade.
b) “Mas há um momento em que a percepção dolorosa
tem que gerar comportamentos.” – adversidade.
c) “No entanto, raramente os currículos escolares
incluem habilidades socioemocionais como essa.” –
concessão.
d) “Os momentos de crise revelam também as pessoas
desprovidas de empa�a.” – adição.
e) “Se forem pessoas públicas, como ocorre atualmente
no Brasil, o estrago polí�co e social passa a ser
enorme. – condicionalidade.
GR0714 - (Famerp)
A propósito das botas
Meu pai, que não me esperava, abraçou-me cheio de
ternura e agradecimento. “— Agora é deveras?, disse ele.
Posso enfim...?”
Deixei-o nessa re�cência, e fui descalçar as botas, que
estavam apertadas. Uma vez aliviado, respirei à larga, e
deitei-me a fio comprido, enquanto os pés, e todo eu
atrás deles, entrávamos numa rela�va bem-aventurança.
Então considerei que as botas apertadas são uma das
maiores venturas da Terra, porque, fazendo doer os pés,
dão azo ao prazer de as descalçar. Mor�fica os pés,
desgraçado, desmor�fica-os depois, e aí tens a felicidade
barata, ao sabor dos sapateiros e de Epicuro1. [...] Quatro
ou cinco dias depois, saboreava esse rápido, inefável e
incoercível momento de gozo, que sucede a uma dor
pungente, a uma preocupação, a um incômodo... Daqui
inferi eu que a vida é o mais engenhoso dos fenômenos,
porque só aguça a fome, com o fim de deparar a ocasião
de comer, e não inventou os calos, senão porque eles
aperfeiçoam a felicidade terrestre. Em verdade vos digo
que toda a sabedoria humana não vale um par de botas
curtas.
Tu, minha Eugênia, é que não as descalçaste nunca;
foste aí pela estrada da vida, manquejando da perna e do
amor, triste como os enterros pobres, solitária, calada,
laboriosa, até que vieste também para esta outra
margem...
(Memórias póstumas de Brás Cubas, 2008.)
 
1Epicuro: Filósofo grego (341 a.C.-271 a.C.).
 
“Daqui inferi eu que a vida é o mais engenhoso dos
fenômenos, porque só aguça a fome, com o fim de
deparar a ocasião de comer” (2º parágrafo)
 
Em relação ao trecho que a precede, a palavra sublinhada
introduz uma oração que expressa
a) uma finalidade.
b) uma explicação.
c) uma condição.
d) uma conclusão.
e) uma consequência.
GR0715 - (Famema)
“Levantei-me com a taça de champanha e declarei
que, acompanhando as ideias pregadas por Cristo,
res�tuía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que
entendia que a nação inteira devia acompanhar as
minhas ideias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a
liberdade era um dom de Deus, que os homens não
podiam roubar sem pecado.”
(Machado de Assis, Diálogos e Reflexões de um
Relojoeiro.)
24@professorferretto @prof_ferretto
 
Se colocarmos a forma verbal “Levantei-me” no plural,
mantendo-se o mesmo tempo verbal e a mesma pessoa,
a forma adequada será
a) Levantamos-nos.
b) Levantar-nos-emos.
c) Levantamo-nos.
d) Levantemos-nos.
e) Levantemo-nos.
GR0719 - (Famerp)
A ciência e a tecnologia não são apenas cornucópias1
despejando dádivas sobre o mundo. Os cien�stas não só
conceberam as armas nucleares; eles também pegaram
os líderes polí�cos pela lapela, argumentando que a sua
nação �nha que ser a primeira a fabricar uma dessas
armas. E assim eles produziram mais de 60 mil armas
nucleares. Durante a Guerra Fria, os cien�stas nos
Estados Unidos, na União Sovié�ca, na China e em outras
nações estavam dispostos a expor os seus conterrâneos à
radiação — na maioria dos casos, sem o conhecimento
deles — a fim de se preparar para a guerra nuclear. A
nossa tecnologia produziu a talidomida, os CFCs, o
agente laranja, os gases que atacam o sistema nervoso, a
poluição do ar e da água, as ex�nções de espécies, e
indústrias tão poderosas que podem arruinar o clima do
planeta. Aproximadamente metade dos cien�stas na
Terra dedica parte de seu tempo de trabalho para fins
militares. Embora alguns cien�stas ainda sejam vistos
como estranhos ao sistema, cri�cando corajosamente os
males da sociedade e dando os primeiros avisos sobre
catástrofes tecnológicas potenciais, muitos são
considerados oportunistas submissos ou uma fonte
complacente de lucros empresariais e de armas de
destruição em massa — não importa quais sejam as
consequências a longo prazo. Os perigos tecnológicos
que a ciência apresenta, seu desafio implícito ao
conhecimento recebido e sua visível dificuldade são
razões para que as pessoas, desconfiadas, a evitem.
Existe uma razão para as pessoas ficarem nervosas a
respeito da ciência e da tecnologia.
(O Mundo Assombrado pelos Demônios, 2006.
Adaptado.)
 
1 – Cornucópia: vaso em forma de chifre, com frutas e
flores que dele extravasam profusamente, an�go símbolo
da fer�lidade, riqueza, abundância.
 
“Embora alguns cien�stas ainda sejam vistos como
estranhos ao sistema, cri�cando corajosamente os males
da sociedade e dando os primeiros avisos sobre
catástrofes tecnológicas potenciais, muitos são
considerados oportunistas submissos ou uma fonte
complacente de lucros empresariais e de armas de
destruição em massa — não importa quais sejam as
consequências a longo prazo.”
No contexto em que se encontra, o trecho sublinhado
expressa ideia de
a) consequência.
b) concessão.
c) causa.
d) comparação.
e) condição.
GR0731 - (Faminas)
Os termos destacados na frase da �rinha “Se a vida
fosse como a Internet” expressam, respec�vamente,
ideias de
a) hipótese e oposição.
b) oposição e condição.
c) comparação e hipótese.
d) condição e comparação.
GR0732 - (Faminas)
Trecho de uma entrevista concedida por Jonathan
Go�schall, pesquisador e professor de literatura inglesa
na Universidade Washington e Jefferson, Pensilvânia.
Veja – O que o senhor diria aos pais que se preocupam
com filhos que evitam os livros e desperdiçam seu tempo
com videogames e outros gadgets?
Go�schall – Os jovens e as pessoas em geral estão lendo
cada vez menos, sem dúvida. Isso não significa, no
entanto, que eles estão se afastando das histórias e da
ficção. A leitura deixou de ser prioritária porquefoi sendo
subs�tuída pouco a pouco pelas outras formas de
narra�va trazidas pela revolução digital. Um americano
médio assiste ao menos cinco horas de TV por dia e gasta
cada vez mais tempo imerso na realidade virtual dos
videogames. A ficção, que acredito ser a principal
responsável pelo desenvolvimento e pelo bem-estar
psicológico do ser humano, vai con�nuar a fazer parte de
nossa vida. (...) Nos jogos virtuais, a pessoa é o
personagem principal e não diz “ele morreu”, mas sim
“eu morri”. E isso faz toda a diferença.
(Veja, Edição nº 2.268, 09/05/2012).
 
25@professorferretto @prof_ferretto
A expressão “no entanto” em “Isso não significa, no
entanto, que eles estão se afastando das histórias e da
ficção.” pode ser subs�tuída, preservando-se o sen�do
original, por
a) todavia.
b) portanto.
c) deste modo.
d) por conseguinte.
GR0740 - (Espcex)
Isoladamente, as preposições são palavras vazias de
sen�do, se bem que algumas delas contenham uma vaga
noção de tempo e lugar. Na frase, porém, exprimem
relações as mais diversas, tais como: assunto, causa,
companhia. A relação expressa pela preposição
sublinhada no trecho "espumas são leves, não são
feitas de nada." é a mesma da preposição destacada na
frase:
a) Ao longe era possível avistar a casa de Joana.
b) Certamente não suspeita de que um desconhecido o
admira.
c) Não sei por que mo�vo aquela menina só falava de
natação.
d) A rede estava presa nas colunas de madeira da
varanda.
e) Mais uns cinquenta metros, e o perderei de vista.
GR0751 - (Fcmscsp)
Leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar,
publicada originalmente no jornal Zero Hora, em
20.08.1997.
 
Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes
no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de
agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma
decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na
história da jus�ça como na da é�ca médica. Naquela data
o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas
por par�cipação em a�vidades de genocídio.
O número não chega a ser impressionante. E os réus
eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por
exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos
de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que
matou uma criança com suas próprias mãos para
confirmar o diagnós�co de tuberculose, posto em dúvida
por colegas. Como outros, ele �nha escapado — para ser
alcançado depois pelo longo braço da jus�ça israelense.
Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a
ela, estava um documento que depois se tornaria
conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa,
os médicos nazistas haviam alegado que estavam agindo
em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa
alegação servisse de desculpa em crimes posteriores. O
Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que
hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só
pode ser feito com o consen�mento da pessoa; deve
proporcionar resultados que beneficiem a humanidade;
deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores
nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a
que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só
eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos
deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com
sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada
(um conhecimento, diga-se de passagem, há muito
registrado nos manuais clínicos).
Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e
Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o
antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas
esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram
monstros. Diante da enorme quan�dade de pessoas
indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das
experiências sem sen�do, da tortura impiedosa, das
câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da
ditadura, por exemplo, herdaram e que pra�caram —
inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.
Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de
Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a
medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o
ser humano. Qualquer ser humano.
(Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
 
Retoma uma expressão mencionada anteriormente no
texto a palavra sublinhada em:
a) “Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de
Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que
a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar
o ser humano” (5º parágrafo).
b) “Que os doutores tenham violado princípios tão
básicos mostra a que ponto chegaram em sua
degradação” (3º parágrafo).
c) “Que hoje nos parecem óbvios: um experimento
médico só pode ser feito com o consen�mento da
pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem
a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento” (3º
parágrafo).
d) “Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que
estavam agindo em nome da ciência” (3º parágrafo).
e) “para evitar que essa afrontosa alegação servisse de
desculpa em crimes posteriores, o Código de
Nuremberg estabeleceu vários princípios” (3º
parágrafo).
GR0752 - (Fcmscsp)
26@professorferretto @prof_ferretto
Leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar,
publicada originalmente no jornal Zero Hora, em
20.08.1997.
 
Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes
no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de
agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma
decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na
história da jus�ça como na da é�ca médica. Naquela data
o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas
por par�cipação em a�vidades de genocídio.
O número não chega a ser impressionante. E os réus
eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por
exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos
de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que
matou uma criança com suas próprias mãos para
confirmar o diagnós�co de tuberculose, posto em dúvida
por colegas. Como outros, ele �nha escapado — para ser
alcançado depois pelo longo braço da jus�ça israelense.
Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a
ela, estava um documento que depois se tornaria
conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa,
os médicos nazistas haviam alegado que estavam agindo
em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa
alegação servisse de desculpa em crimes posteriores. O
Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que
hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só
pode ser feito com o consen�mento da pessoa; deve
proporcionar resultados que beneficiem a humanidade;
deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores
nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a
que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só
eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos
deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com
sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada
(um conhecimento, diga-se de passagem, há muito
registrado nos manuais clínicos).
Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e
Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o
antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas
esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram
monstros. Diante da enorme quan�dade de pessoas
indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das
experiências sem sen�do, da tortura impiedosa, das
câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da
ditadura, por exemplo, herdaram e que pra�caram —
inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.
Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de
Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a
medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o
ser humano. Qualquer ser humano.
(Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
 
Em “Importante, contudo, foi a sentença.” (3ºparágrafo),
o termo sublinhado pode ser subs�tuído, sem prejuízo
para o sen�do do texto, por:
a) não obstante.
b) nesse caso.
c) por isso.
d) além disso.
e) por conseguinte.
GR00755 - (Albert Einstein)
Leia a crônica “A decadência do Ocidente”, de Luis
Fernando Verissimo.
 
O doutor ganhou uma galinha viva e chegou emcasa
com ela, para alegria de toda a família. O filho mais
moço, inclusive, nunca �nha visto uma galinha viva de
perto. Já �nha até um nome para ela – Margarete – e
planos para adotá-la, quando ouviu do pai que a galinha
seria, obviamente, comida.
— Comida?!
— Sim, senhor.
— Mas se come ela?
— Ué. Você está cansado de comer galinha.
— Mas a galinha que a gente come é igual a esta
aqui?
— Claro..
Na verdade o guri gostava muito de peito, de coxa e
de asa, mas nunca �nha ligado as partes ao animal. Ainda
mais aquele animal vivo ali no meio do apartamento.
O doutor disse que queria a galinha ao molho pardo.
Há anos que não comia uma galinha ao molho pardo. A
empregada sabia como se preparava galinha ao molho
pardo?
A mulher foi consultar a empregada. Dali a pouco o
doutor ouviu um grito de horror vindo da cozinha. Depois
veio a mulher dizer que ele esquecesse a galinha ao
molho pardo.
— A empregada não sabe fazer?
— Não só não sabe fazer, como quase desmaiou
quando eu disse que precisava cortar o pescoço da
galinha. Nunca cortou um pescoço de galinha.
Era o cúmulo. Então a mulher que cortasse o pescoço
da galinha.
— Eu?! Não mesmo!
O doutor lembrou-se de uma velha empregada da sua
mãe. A Dona Noca. Não só cortava pescoços de galinhas,
como fazia isto com uma certa alegria assassina. A
solução era a Dona Noca.
— A Dona Noca já morreu — disse a mulher.
— O quê?!
— Há dez anos.
— Não é possível! A úl�ma galinha ao molho pardo
que eu comi foi feita por ela.
27@professorferretto @prof_ferretto
— Então faz mais de dez anos que você não come
galinha ao molho pardo.
Alguém no edi�cio se disporia a degolar a galinha.
Fizeram uma rápida enquete entre os vizinhos. Ninguém
se animava a cortar o pescoço da galinha. Nem o
Rogerinho do 701, que fazia coisas inomináveis com
gatos.
— Somos uma civilização de frouxos! — sentenciou o
doutor.
Foi para o poço do edi�cio e repe�u:
— Frouxos! Perdemos o contato com o barro da vida!
E a Margarete só olhando.
Luis Fernando Verissimo. A mãe do Freud, 1997.
 
No período composto “Não só cortava pescoços de
galinhas, como fazia isto com uma certa alegria
assassina.” (14º parágrafo), há duas orações conectadas
por uma relação de
a) adição.
b) condição.
c) tempo.
d) proporção.
e) comparação.
GR0776 - (Fuvest)
 
Há uma língua sendo gestada no Brasil que não se
pretende correta, autên�ca ou mesmo eficiente. É
apenas novidadeira – “trendy" ou ”fashion", como ela
própria se definiria.
 Nessa nova língua, não se diz mais que tal ou qual
coisa é an�ga, vinda do passado. Diz-se que é “vintage" -
embora “vintage” (ao pé da letra, “vindima”) se aplique,
em inglês, ao que pertence a uma dada safra, ao que vem
auten�camente de uma época. Mas é sempre assim,
não? Por leveza ou ligeireza dos usuários, certas palavras,
ao serem transplantadas à força de uma língua para
outra, podem ter o seu sen�do original alterado.
 Daí que, na nova língua que se pra�ca aqui, e mais
ainda no mundo da moda, algo corriqueiro, vulgar,
normal, que não se afasta dos padrões estabelecidos, é
agora chamado de “mainstream”. Em inglês,
“mainstream" é o curso d’água ou corrente principal e se
refere a um rio, mas pode se aplicar também a um es�lo
dominante na literatura, na música, no cinema. Entre
nós, meio que vem subs�tuir o que, até há pouco,
costumava se chamar de - como era mesmo? – “básico".
A secretária de um médico acaba de me telefonar
marcando um “apontamento” para a semana. Isso era
algo que, no passado, dizíamos de farra: “Vou te dar um
anel para marcar um apontamento”. Quis rir, mas me
con�ve a tempo. A moça estava falando a sério.
(Ruy Castro, Folha de S.Paulo, 09/10/2010.
Adaptado).
 
A expressão que permite transformar em um só os dois
úl�mos períodos do texto “Quis rir, mas me con�ve a
tempo. A moça estava falando a sério.” sem alterar o
sen�do, é
a) no entanto.
b) uma vez que.
c) se bem que.
d) tanto que.
e) por conseguinte. 
GR0828 - (Fmj)
Leia um trecho do tratado Da maneira de dis�nguir o
bajulador do amigo, do historiador e filósofo grego
Plutarco, para responder às questões de 07 a 10.
 
Quando um homem dá sem cessar, em palavras,
provas de amor-próprio, meu caro An�oco Filopapo,
Platão observa que todos o desculpam; mas esse
sen�mento, acrescenta ele, entre uma pletora de vícios
muito diferentes, contém um muito importante que
impede que ele tenha sobre si mesmo um julgamento
íntegro e imparcial. “Com efeito, o amante é cego a
respeito do que ele ama”, a menos que tenha aprendido,
por um estudo especial, a habituar-se a apreciar e
procurar o belo, de preferência ao inato e ao familiar. No
seio da amizade eis que se abre ao bajulador um vasto
campo de ação: nosso amor-próprio é para ele um
terreno de acesso inteiramente propício à inves�gação
sobre nós; por causa desse sen�mento, cada um de nós é
o primeiro e o maior adulador de si próprio, não
hesitando em confiar no bajulador estranho de quem
espera ter a aprovação para confirmar suas crenças e
desejos. Com efeito, aquele que é acusado de gostar da
bajulação não passa de um homem perdidamente
enamorado de si, que, pela paixão que a si mesmo
dedica, deseja e crê possuir todas as qualidades; ora, se o
desejo é natural, a crença é, entretanto, arriscada e
reclama bastante circunspecção. Mas, supondo-se que a
verdade seja divina e seja, segundo Platão, o princípio
“de todos os bens para os deuses e de todos os bens para
os homens”, o bajulador está muito arriscado a ser
inimigo dos deuses e sobretudo do deus Pí�co, pois não
deixa de estar em contradição com o “conhece-te a �
mesmo”, iludindo cada um quanto à sua própria pessoa e
tornando-o cego, no que diz respeito a si mesmo, e às
virtudes e aos vícios que lhe concernem, pois torna as
primeiras imperfeitas e inacabadas, os outros, totalmente
incuráveis.
(Plutarco. Como �rar proveito de seus inimigos / Da
maneira de dis�nguir o bajulador do amigo, 2011.
28@professorferretto @prof_ferretto
Adaptado.)
 
“‘Com efeito, o amante é cego a respeito do que ele
ama’, a menos que tenha aprendido, por um estudo
especial, a habituar-se a apreciar e procurar o belo, de
preferência ao inato e ao familiar.”
 
Em relação ao trecho que o antecede, o trecho em
negrito expressa ideia de
a) consequência.
b) comparação.
c) conclusão.
d) condição.
e) causa.
GR0923 - (Uece)
Disponível em h�ps:oabce.org.br. Acesso em: 6 de out.de
2022 (adaptado).
 
29@professorferretto @prof_ferretto
No trecho: “As agressões não se coadunam com os ideais
de solidariedade, serenidade, civilidade e bom senso que
deveriam orientar a sociedade para a construção de um
país fraterno, justo e inclusivo” (linhas 21-24), a relação
estabelecida pelo elemento destacado ao conectar as
orações é de
a) adição.
b) contradição.
c) finalidade.
d) dúvida.
GR0935 - (Cecierj)
Sujeito de Sorte (Belchior)
 
Presentemente eu posso me
Considerar um sujeito de sorte
Porque apesar de muito moço
Me sinto são, e salvo, e forte.
 
E tenho comigo pensado
Deus é brasileiro e anda do meu lado
E assim já não posso sofrer
No ano passado.
 
Tenho sangrado demais
Tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri
Mas esse ano eu não morro
(...)
Disponível em:
 h�ps://www.letraz.com.br/belchior/sujeito-de-sorte/.
 
“Me sinto são, e salvo, e forte.”
 
No verso em destaque, percebe-se a repe�ção da
conjunção “e”.
Tal recurso linguís�co tem uma função dentro do texto II,
que se traduz como o obje�vo de se
a) convencer o leitor sobre a negligência do eu lírico,
ainda que o texto demonstre o contrário.
b) promover autoconfiança por parte do coenunciador,
apesar do contexto em discussão.
c) impor as caracterís�cas do coenunciador, embora o
quadro não valorize esses aspectos sen�mentais.
d) reforçar as sensações do eu lírico, mesmo que o
contexto traga à tona muitas dificuldades.
GR0936 - (Cecierj)
Sujeito de Sorte (Belchior)
 
Presentemente eu posso me
Considerar um sujeito de sorte
Porque apesar de muito moço
Me sinto são, e salvo, e forte.
 
E tenho comigo pensado
Deus é brasileiro e anda do meu lado
E assim já não possosofrer
No ano passado.
 
Tenho sangrado demais
Tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri
Mas esse ano eu não morro
(...)
Disponível em:
 h�ps://www.letraz.com.br/belchior/sujeito-de-sorte/.
 
“Ano passado eu morri Mas esse ano eu não morro.”
 
A relação entre os versos destacados do texto II, com
base na presença da conjunção “mas”, define um valor
semân�co de
a) oposição.
b) adição.
c) consequência.
d) tempo.
GR0970 - (Ita)
Carta para o Brasil
10 de setembro de 2020.
 
Caro Brasil,
Das minhas muitas viagens à América do Sul, nunca
�ve a oportunidade de visitar você. A maioria delas teve
como des�no a Cordilheira dos Andes, com o obje�vo de
observar o magnífico céu do hemisfério sul através de
telescópios de alta tecnologia de um consórcio
internacional. Mas, mesmo assim, tenho pensado em
você com bastante frequência.
Como na�vo dos Estados Unidos da América, sei em
que costumamos pensar quando se trata de você. Não
seguindo uma ordem específica, você possui a maior e
mais importante floresta tropical do mundo. Você abriga
o maior rio do mundo, que, a cada minuto que passa,
escoa para o oceano Atlân�co um volume de água que
daria para encher um estádio de futebol. E, sim, nós
sabíamos da existência de seu rio e de sua floresta
tropical muito antes de a Amazon.com1 pegar o nome
emprestado.
Quer mais? Não há quem não goste de castanha-do-
brasil2. Na verdade, nos EUA, nós precisamos pagar pelo
pacote “premium” para que elas venham incluídas em
nossos mix de castanhas. E mesmo aqueles de nós que
30@professorferretto @prof_ferretto
quase não acompanham futebol sabem da existência de
seus �mes famosos, ficando na maior expecta�va de ver
você na final da Copa do Mundo a cada quatro anos.
Também sabemos das suas praias deslumbrantes pelas
músicas que as cantam — a “Garota de Ipanema” sendo
uma delas. Sabemos de suas festas populares,
principalmente o Carnaval, e tentamos imitar a
intensidade e a alegria dessas celebrações — com dança
e música — aqui no nosso hemisfério. Sabemos do seu
café. E eu, par�cularmente, amo a sua bandeira. Há um
pedaço do céu noturno estampado nela; mais de duas
dezenas de estrelas retraçam constelações autên�cas,
incluindo o Cruzeiro do Sul. Então, se você perguntasse a
qualquer um de nós nos EUA o que vem à nossa cabeça
quando seu nome é mencionado, normalmente
selecionaríamos algo a par�r dessa lista.
Você sabe do que nós não nos damos conta? Metade
das vezes que embarcamos em voos domés�cos, da
American Airlines ou de outras companhias aéreas,
viajamos num avião da Embraer. Tudo bem, o folheto
com instruções de segurança traz impresso nele o nome
Embraer. Nós podemos até achar Embraer escrito em
letras miúdas em algum lugar da fuselagem. Mas quase
nenhum de nós sabe que a aeronave é projetada e
fabricada no Brasil. Você poderia alardear “Tecnologia
Brasileira”, mas não o faz. Por que não? A Alemanha não
hesita em se gabar da dela. Nada mais justo, claro. Todo
mundo conhece a qualidade dos produtos fabricados na
Alemanha, que, por sua vez, permeiam sua economia
aeroespacial, a terceira maior do mundo.
Mas, espere. Um dos grandes pioneiros nos
primórdios da aviação era brasileiro. Engenheiro
brilhante e inven�vo, altamente condecorado, Alberto
Santos Dumont liderou a transição mundial do transporte
aéreo mais leve que o ar para o mais pesado que o ar. O
valor de uma semente cultural como essa, plantada no
nascimento de uma indústria, é incalculável. Um século
depois, você se tornou líder em tecnologias de
biocombus�veis — um passo fundamental em direção a
uma economia verde onde nossa harmonia com a
natureza vai determinar se iremos prosperar, sobreviver
ou nos ex�nguir. Você também possui uma ambiciosa
agência espacial, além de ser a sexta maior indústria
aeroespacial do mundo. Na América La�na, você também
é líder em Tecnologia da Informação. E num país famoso
por sua agricultura, quase um terço de sua economia se
apoia num setor produ�vo impregnado de tecnologia.
Então talvez seja a hora de o mundo saber mais a
respeito disso. Talvez seja a hora de os brasileiros
saberem mais sobre isso. Talvez esteja mais do que na
hora de você exibir produtos que declarem: “Fabricado
no Brasil.”
Seja o que mais for, ou não, verdade no mundo, as
economias de crescimento do futuro — mesmo as que
possam ser puramente agrícolas — vão girar em torno
dos inves�mentos feitos hoje em ciência, tecnologia,
engenharia e matemá�ca. Numa democracia, esses
inves�mentos fluem de um eleitorado letrado
cien�ficamente, que elege líderes esclarecidos e que
entendem o valor da educação, das pesquisas e das
descobertas. Sem essas perspec�vas, ainda estaríamos
vivendo em cavernas, com alguns de nós resmungando:
“Você não pode explorar o mundo exterior. Primeiro
precisa resolver os problemas da nossa caverna.”
Para que ninguém se esqueça, o primeiro (e único)
astronauta sul-americano foi um engenheiro aeronáu�co
brasileiro. E quando se deu o lançamento de sua missão?
Em 2006, ano do centenário do primeiro avião bem-
sucedido de Santos Dumont. E o que ele levou para o
espaço? Uma bandeira do Brasil e uma camisa da seleção
brasileira de futebol.
Os países que mais passam por dificuldades no
mundo tendem a ser aqueles com baixos níveis de
instrução e com ausência de STEM3 em sua cultura. Você
tem os recursos e o legado para liderar toda a América
La�na, se não o mundo, no que um país do futuro
deveria ser — no que um país do futuro deveria aspirar
ser.
Se você abraçar e apoiar suas indústrias STEM — e o
setor de tecnologia inteiro — então os sonhos dos alunos
em toda a cadeia educacional não terão limites,
conforme eles forem introduzidos num mundo em que
foguetes são o que alimentam as ambições das pessoas
que saem pela porta da caverna.
Atenciosamente,
Neil deGrasse Tyson
 
Fonte: TYSON, Neil deGrasse. Respostas de um
astro�sico. Tradução de Nicolas Pe�engill; revisão
técnica de Alexandre Cherman. 1. ed. Rio de Janeiro:
Record, 2020. Recurso eletrônico disponível em:
h�ps://neildegrassetyson.com/le�ers/2020-09-10-le�er-
to-brazil/portuguese-version.
 
1 Amazon é a palavra em inglês tanto para Amazonas,
quanto para amazônica.
2 Também chamada de castanha-do-pará.
3 STEM é a sigla em inglês para Science, Technology,
Engineering e Mathema�cs (Ciência, Tecnologia,
Engenharia e Matemá�ca).
 
Historicamente, a carta é um dos principais meios de
comunicação interpessoal; ela pode conter mensagens
pessoais, profissionais, intelectuais e até cons�tuir-se
uma forma de comunicação ar�s�ca. Esta carta do
astro�sico americano Neil deGrasse Tyson não foi escrita
para uma única pessoa, mas para um país inteiro. Sua
abordagem personifica o país ao tratá-lo por “você”,
principalmente nos primeiros parágrafos, mas vai
paula�namente desenvolvendo uma abordagem
argumenta�va. Tyson já apresentou vários programas de
31@professorferretto @prof_ferretto
televisão; é um autor reconhecido na divulgação e
popularização da Ciência e sua carta ao Brasil, publicada
no lançamento de seu livro Respostas de um astro�sico
(2020), representa suas convicções.
 
Além de adicionar uma informação, a conjunção adi�va
“e” funciona como elemento de ênfase e qualificação em:
a) “Você abriga o maior rio do mundo, que, a cada
minuto que passa, escoa para o oceano Atlân�co um
volume de água que daria para encher um estádio de
futebol. E, sim, nós sabíamos da existência de seu rio
[...]”.
b) “Na verdade, nos EUA, nós precisamos pagar pelo
pacote “premium” para que elas venham incluídas em
nossos mix de castanhas. E mesmo aqueles de nós que
quase não acompanham futebol sabem da existência
de seus �mes famosos [...]”.
c) “Sabemos do seu café. E eu, par�cularmente, amo a
sua bandeira.”
d) “Engenheiro brilhante e inven�vo, altamente
condecorado, Alberto Santos Dumont liderou a
transição mundial do transporte aéreo [...]”.
e) “Para que ninguém se esqueça, o primeiro (e único)
astronauta sul-americano foi um engenheiro
aeronáu�co brasileiro.”
32@professorferretto @prof_ferrettoque havia trazido, molhado
no rio para não ferir as gengivas desguarnecidas.
À noite, em casa, ninguém lhe perguntava como
havia sido o seu dia. Fazia-se mais fraco, porém. E chegou
a manhã em que, debruçando-se sobre a água antes
mesmo de prender a isca na barbela afiada, viu faiscar
um brilho novo. Apertou as pálpebras para ver melhor,
não era um peixe. Movido pela correnteza, um anzol bem
maior do que o seu agitava-se, sem isca. Por mais que se
esforçasse, não conseguiu ver a linha, enxergava cada vez
menos. Nem havia qualquer pescador por perto. O velho
não descalçou as sandálias, as pedras da margem eram
ásperas. Entrou na água devagar, evitando escorregar.
Não chegou a perceber o frio, o tempo das percepções
havia acabado. Alongou-se na água, mordeu o anzol que
havia vindo por ele, e deixou-se levar.
 
Ausente para os outros, con�nuava docemente presente
para si mesmo. (2º parágrafo, sublinhado)
 
Uma reformulação que mantém sen�do equivalente ao
da frase acima é:
a) Con�nuava docemente presente para si mesmo,
porque ausente para os outros.
b) Con�nuava docemente presente para si mesmo,
quando ausente para os outros.
c) Con�nuava docemente presente para si mesmo,
embora ausente para os outros.
d) Con�nuava docemente presente para si mesmo,
portanto ausente para os outros.
GR0369 - (Uerj)
ABRIR-SE AO NOVO
Imagino qual não teria sido a surpresa causada
por um rinoceronte em plena Europa do século XVI. O
ganda foi dado de presente pelo Sultão de Cambaia ao
Vice-Rei da Índia, que o repassou ao Rei Dom Manuel I
que, por sua vez, quis dá-lo de presente para o Papa Leão
X. Durante a festa da San�ssima Trindade de 1515, Dom
Manuel organizou, em plena Lisboa, o combate entre um
de seus elefantes e o rinoceronte. O elefante, ao enxergar
o rinoceronte, fugiu em desabalada carreira, levando
tudo e todos por diante. Resultado do combate: o ganda
foi aclamado vencedor. E de Lisboa se irradiou a narra�va
que converteu o rinoceronte em patrono da boa
blindagem e da bravura dos militares.
Após o espetáculo, o rinoceronte foi enviado ao
Papa, mas a embarcação que o levava naufragou na costa
da Itália. Do pobre ganda só sobraram histórias. O pintor
Albrecht Dürer, sem jamais ter visto o rinoceronte, o
desenhou em 1515, acrescentando detalhes insólitos
como um chifre no dorso, carapaças de crustáceo e
escamas de rép�l nas patas. Esta obra fixa a aparência de
um rinoceronte até fins do século XVIII.
 
 
A admiração esté�ca é com frequência
provocada pelo inedi�smo. A nomeação do
desconhecido opera para torná-lo assimilável a um
entendimento que procura recobrar-se de uma comoção.
Os efeitos angus�antes do inusitado são tranquilizados
por um nome. Entretanto, a ânsia de assimilação do
extraordinário ao ro�neiro leva a tropeços
classificatórios. Algo semelhante se passou no século XIII
com Marco Polo quando, em Java, ele se deparou com
um rinoceronte e relatou então ter visto um unicórnio,
lamentando porém que ele fosse tão feio e agressivo,
muito mais próximo de um grande búfalo do que de um
cavalo, com patas de elefante, pelagem de búfalo e
cabeça de javali. Na classificação e na nomeação de um
ente, muitas vezes somos levados a distorcer seus
atributos cons�tu�vos indispensáveis, exatamente
aqueles que fazem de uma coisa ela mesma e não outra,
segundo o princípio aristotélico da iden�dade: A=A.
Há uma espécie de resistência mental em se
abrir uma nova rubrica no nosso esquema compreensivo
movido por estoques de analogias, assim como uma
certa relutância em se perceber o inédito a par�r dele
mesmo, da sua singularidade ou excepcionalidade. Ver,
interpretar, descrever e nomear não são atos mentais
automá�cos e dependentes de alguma verdade
substancial, mas sim construções conjecturais da precária
relação entre o mundo e a linguagem.
MARCUS FABIANO GONÇALVES. Adaptado de
insigh�nteligencia.com.br.
 
Resultado do combate: o ganda foi aclamado vencedor. E
de Lisboa se irradiou a narra�va que converteu o
rinoceronte em patrono da boa blindagem e da bravura
dos militares. (1º parágrafo, itálico)
 
3@professorferretto @prof_ferretto
A frase sublinhada estabelece com a anterior uma
relação de:
a) condição
b) finalidade
c) comparação
d) consequência
GR0309 - (Unesp)
Leia o trecho de um ensaio de Michel de Montaigne
(1533-1592).
Há alguma razão em fazer o julgamento de um
homem pelos aspectos mais comuns de sua vida; mas,
tendo em vista a natural instabilidade de nossos
costumes e opiniões, muitas vezes me pareceu que
mesmo os bons autores estão errados em se obs�narem
em formar de nós uma ideia constante e sólida.
(...)
Em toda a An�guidade é di�cil escolher uma
dúzia de homens que tenham ordenado sua vida num
projeto definido e seguro, que é o principal obje�vo da
sabedoria. Pois para resumi-la por inteiro numa só
palavra e abranger em uma só todas as regras de nossa
vida, “a sabedoria”, diz um an�go, “é sempre querer a
mesma coisa, é sempre não querer a mesma coisa”, “eu
não me dignaria”, diz ele, “a acrescentar ‘contanto que a
tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é
impossível que sempre seja uma só e a mesma.” Na
verdade, aprendi outrora que o vício é apenas o
desregramento e a falta de moderação; e, por
conseguinte, é impossível o imaginarmos constante. É
uma frase de Demóstenes, dizem, que “o começo de toda
virtude são a reflexão e a deliberação, e seu fim e sua
perfeição, a constância”. Se, guiados pela reflexão,
pegássemos certa via, pegaríamos a mais bela, mas
ninguém pensa antes de agir: “O que ele pediu,
desdenha; exige o que acaba de abandonar; agita-se e
sua vida não se dobra a nenhuma ordem.”
(Michel de Montaigne. Os ensaios: uma seleção, 2010.
Adaptado.)
 
Em “eu não me dignaria [...] a acrescentar ‘contanto que
a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é
impossível que sempre seja uma só e a mesma.” (2º
parágrafo), a locução sublinhada pode ser subs�tuída,
sem prejuízo para o sen�do do texto, por:
a) visto que.
b) assim que.
c) desde que.
d) ainda que.
e) de modo que.
GR0265 - (Unesp)
Algumas pessoas tornam-se heróis contra sua
própria vontade. Mesmo que elas tenham ideias
realmente (ou potencialmente) revolucionárias, muitas
vezes não as reconhecem como tais, ou não acreditam no
seu próprio potencial. Divididas entre enfrentar sua
insegurança expondo suas ideias à opinião dos outros, ou
manter-se na defensiva, elas preferem a segunda opção.
O mundo está cheio de poemas e teorias escondidos no
porão.
Copérnico é, talvez, o mais famoso desses
relutantes heróis da história da ciência. Ele foi o homem
que colocou o Sol de volta no centro do Universo, ao
mesmo tempo fazendo de tudo para que suas ideias não
fossem difundidas, possivelmente com medo de crí�cas
ou perseguição religiosa. Foi quem colocou o Sol de volta
no centro do Universo, mo�vado por razões erradas.
Insa�sfeito com a falha do modelo de Ptolomeu, que
aplicava o dogma platônico do movimento circular
uniforme aos corpos celestes, Copérnico propôs que o
equante fosse abandonado e que o Sol passasse a ocupar
o centro do cosmo. Ao tentar fazer com que o Universo
se adaptasse às ideias platônicas, ele retornou aos
pitagóricos, ressuscitando a doutrina do fogo central, que
levou ao modelo heliocêntrico de Aristarco dezoito
séculos antes.
Seu pensamento reflete o desejo de reformular
as ideias cosmológicas de seu tempo apenas para voltar
ainda mais no passado; Copérnico era, sem dúvida, um
revolucionário conservador. Ele jamais poderia ter
imaginado que, ao olhar para o passado, estaria criando
uma nova visão cósmica, que abriria novas portas para o
futuro. Tivesse vivido o suficiente para ver os frutos de
suas ideias, Copérnico decerto teria odiado a revolução
que involuntariamente causou.
Entre 1510 e 1514, compôs um pequeno
trabalho resumindo suas ideias, in�tulado
Commentariolus (Pequeno comentário). Embora na
época fosse rela�vamente fácil publicar um manuscrito,
Copérnico decidiu não publicar seu texto, enviando
apenas algumas cópias para uma audiência seleta. Ele
acreditava piamente no idealpitagórico de discrição;
apenas aqueles que eram iniciados nas complicações da
matemá�ca aplicada à astronomia �nham permissão
para compar�lhar sua sabedoria. Certamente essa
posição eli�sta era muito peculiar, vinda de alguém que
fora educado durante anos dentro da tradição humanista
italiana. Será que Copérnico estava tentando sen�r o
clima intelectual da época, para ter uma ideia do quão
“perigosas” eram suas ideias? Será que ele não
acreditava muito nas suas próprias ideias e, portanto,
queria evitar qualquer �po de crí�ca? Ou será que ele
estava tão imerso nos ideais pitagóricos que realmente
não �nha o menor interesse em tornar populares suas
4@professorferretto @prof_ferretto
ideias? As razões que possam jus�ficar a a�tude de
Copérnico são, até hoje, um ponto de discussão entre os
especialistas.
(A dança do universo, 2006. Adaptado.)
 
Em “Mesmo que elas tenham ideias realmente (ou
potencialmente) revolucionárias, muitas vezes não as
reconhecem como tais, ou não acreditam no seu próprio
potencial” (1º parágrafo), a locução conjun�va
sublinhada pode ser subs�tuída, sem prejuízo para o
sen�do do texto, por:
a) À medida que.
b) Ainda que.
c) Desde que.
d) Visto que.
e) A menos que.
GR0119 - (Famerp)
Leia o trecho do conto “As caridades odiosas”, de Clarice
Lispector, para responder à questão.
Foi uma tarde de sensibilidade ou de
susce�bilidade? Eu passava pela rua depressa,
emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes
acontece. Foi quando meu ves�do me reteve: alguma
coisa se enganchara na minha saia. Voltei-me e vi que se
tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um
menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom
quente de pele. O menino estava de pé no degrau da
grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras
meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição.
Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de
compreender o seu sen�do concreto. Um pouco aturdida
eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança o
que me ceifara os pensamentos.
– Um doce, moça, compre um doce para mim.
Acordei finalmente. O que es�vera eu pensando
antes de encontrar o menino? O fato é que o pedido
deste pareceu cumular uma lacuna, dar uma resposta
que podia servir para qualquer pergunta, assim como
uma grande chuva pode matar a sede de quem queria
uns goles de água.
Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem
querer espiar as mesas da confeitaria onde
possivelmente algum conhecido tomava sorvete, entrei,
fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe
explicar: um doce para o menino.
(A descoberta do mundo, 1999.)
 
“Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer
espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum
conhecido tomava sorvete”. A preposição destacada
assume valor semân�co semelhante ao que se verifica na
frase:
a) A crí�ca tem Machado de Assis por um grande autor. 
b) Há ainda algumas questões por fazer. 
c) Ficaremos na Europa por cinco dias. 
d) As tropas cercaram os inimigos por terra e por mar. 
e) Muitas pessoas vão cedo para casa por medo.
GR0343 - (Pucrj)
Como formular o problema da arte contemporânea —
por meio de um manifesto? De um lamento? Minha
intenção nestas notas é mais modesta. Gostaria de
refle�r a respeito do que é essa arte e quais “ideias de
arte” ela implica ou inventa. Espero assim formular
melhor as questões com as quais a arte contemporânea
nos confronta. Interessa-me acima de tudo elaborar mais
detalhadamente o problema mais amplo das “ideias de
arte” e das “ideias nas artes”. Ele faz parte daquilo que
chamo de “a reeste�zação do pensar” ou a reinvenção do
pensamento nas artes. A filosofia oferece muitos
exemplos das relações entre pensamento e arte; creio ser
necessário, no entanto, evitar dois extremos na
formulação desse problema: a relação “didá�ca”, pela
qual a arte simplesmente ilustra dada teoria, e a relação
“român�ca”, pela qual a arte se torna refúgio de algo que
não pode ser pensado de forma alguma. Precisamos dar
mais atenção a como os ar�stas realmente pensam nas e
com as artes — as novas ideias que lhes ocorrem,
incluindo novas “ideias de arte” ou ideias a respeito de
suas a�vidades, de seus próprios materiais ou
ins�tuições —, e depois a como essas ideias se
enquadram em campos mais amplos, que envolvem
muitos outros discursos: as ciências, a polí�ca e até a
própria filosofia.
RAJCHMAN, John. O pensamento na arte
contemporânea. Novos estudos CEBRAP [on-line].
 
Em “A filosofia oferece muitos exemplos das relações
entre pensamento e arte; creio ser necessário, no
entanto, evitar dois extremos na formulação desse
problema”, a expressão sublinhada pode ser subs�tuída,
sem alteração do sen�do do texto, por
a) entretanto.
b) por conseguinte.
c) portanto.
d) dessa forma.
GR0292 - (Unesp)
Ar�go “Pó de pirlimpimpim”, do neurocien�sta brasileiro
Sidarta Ribeiro.
Alcançar o aprendizado instantâneo é um desejo
poderoso, pois o cérebro sem informação é pouco mais
que estofo de macela 1. Emília, a sabida boneca de
5@professorferretto @prof_ferretto
Monteiro Lobato, aprendeu a falar copiosamente após
engolir uma pílula, adquirindo de supetão todo o
vocabulário dos seres humanos ao seu redor. No filme
Matrix (1999), a ingestão de uma pílula colorida faz o
personagem Neo descobrir que todo o mundo em que
sempre viveu não passa de uma simulação chamada
Matriz, dentro da qual é possível programar qualquer
coisa. Poucos instantes depois de se conectar a um
computador, Neo desperta e profere estupefato: “I know
kung fu”.
Entretanto, na matriz cerebral das pessoas de
carne e osso, vale o dito popular: “Urubu, pra cantar,
demora.” O aprendizado de comportamentos complexos
é di�cil e demorado, pois requer a alteração massiva de
conexões neuronais. Há consenso hoje em dia de que o
conteúdo dos nossos pensamentos deriva dos padrões de
a�vação de vastas redes neuronais, impossibilitando a
aquisição instantânea de memórias intrincadas.
Mas nem sempre foi assim. Há meio século,
experimentos realizados na Universidade de Michigan
pareciam indicar que as planárias, vermes aquá�cos
passíveis de condicionamento clássico, eram capazes de
adquirir, mesmo sem treinamento, associações es�mulo-
resposta por ingestão de um extrato de planárias já
condicionadas. O resultado, aparentemente
revolucionário, sugeria que os substratos materiais da
memória são moléculas. Contudo, estudos posteriores
demonstraram que a ingestão de planárias não
condicionadas também acelerava o aprendizado,
revelando um efeito hormonal genérico, independente
do conteúdo das memórias presentes nas planárias
ingeridas.
A ingestão de memórias é impossível porque elas
são estados complexos de redes neuronais, não um
quantum de significado como a pílula da Emília. Por outro
lado, é sim possível acelerar a consolidação das
memórias por meio da o�mização de variáveis
fisiológicas envolvidas no processo. Uma linha de
pesquisa importante diz respeito ao sono, cujo bene�cio
à consolidação de memórias já foi comprovado. Em 2006,
pesquisadores alemães publicaram um estudo sobre os
efeitos mnemônicos da es�mulação cerebral com ondas
lentas (0,75 Hz) aplicadas durante o sono por meio de um
es�mulador elétrico. Os resultados mostraram que a
es�mulação de baixa frequência é suficiente para
melhorar o aprendizado de diferentes tarefas. Ao que
parece, as oscilações lentas do sono são puro pó de
pirlimpimpim.
(Sidarta Ribeiro. Limiar: ciência e vida contemporânea,
2020.)
 
1 macela: planta herbácea cujas flores costumam ser
usadas pela população como estofo de travesseiros.
 
Em “Contudo, estudos posteriores demonstraram que a
ingestão de planárias não condicionadas também
acelerava o aprendizado” (3º parágrafo), o termo
sublinhado pode ser subs�tuído, sem prejuízo para o
sen�do do texto, por:
a) Por conseguinte.
b) Inclusive.
c) Todavia.
d) Além disso.
e) Conquanto.
GR0363 - (Uerj)
Violência e psiquiatria
O �po de violência que aqui considerarei pouco
tem a ver com pessoas que u�lizam martelos para
golpear a cabeça de outras, nem se aproximará muitodo
que se supõe façam os doentes mentais. Se se quer falar
de violência em psiquiatria, a violência que brada, que se
proclama em tão alta voz que raramente é ouvida, é a
su�l, tortuosa violência perpetrada pelos outros, pelos
“sadios”, contra os rotulados de “loucos”. Na medida em
que a psiquiatria representa os interesses ou pretensos
interesses dos sadios, podemos descobrir que, de fato, a
violência em psiquiatria é sobretudo a violência da
psiquiatria. 
Quem são porém as pessoas sadias? Como se
definem a si próprias? As definições de saúde mental
propostas pelos especialistas ou estabelecem a
necessidade do conformismo a um conjunto de normas
sociais arbitrariamente pressupostas, ou são tão
convenientemente gerais – como, por exemplo, “a
capacidade de tolerar conflitos” – que deixam de fazer
sen�do. Fica-se com a lamentável reflexão de que os
sadios serão, talvez, todos aqueles que não seriam
admi�dos na enfermaria de observação psiquiátrica. Ou
seja, eles se definem pela ausência de certa experiência. 
Sabe-se, porém, que os nazistas asfixiaram com
gás dezenas de milhares de doentes mentais, assim como
dezenas de milhares de outros �veram seus cérebros
mu�lados ou danificados por sucessivas séries de
choques elétricos: suas personalidades foram
deformadas, de modo sistemá�co, pela
ins�tucionalização psiquiátrica. Como podem fatos tão
concretos emergir na base de uma ausência, de uma
nega�vidade – a compulsiva não loucura dos sadios? De
fato, toda a área de definição de sanidade mental e
loucura é tão confusa, e os que se arriscam dentro dela
são tão aterrorizados pela ideia do que possam
encontrar, não só nos “outros” como também em si
mesmos, que se deve considerar seriamente a renúncia
ao projeto.
DAVID COOPER. Adaptado de Psiquiatria e
an�psiquiatria. São Paulo: Perspec�va, 1967.
 
6@professorferretto @prof_ferretto
a violência em psiquiatria é sobretudo a violência da
psiquiatria. (1º parágrafo, itálico)
 
A relação entre “violência” e “psiquiatria” é destacada
pelos dois termos sublinhados, que expressam,
respec�vamente, as noções de:
a) substância e causa
b) posse e matéria
c) foco e assunto
d) área e agente
GR0547 - (Uerj)
A QUESTÃO REFERE-SE AO ROMANCE O MEU AMIGO
PINTOR, DE LYGIA BOJUNGA (Rio de Janeiro: Casa Lygia
Bojunga, 2015).
 
Nas prá�cas primi�vas, solidariedade é par�lhar pão,
manta e sêmen. Sou do tempo moderno. Prefiro dar a
minha vida e o meu sangue a quem deles precisa. (cap. 4)
 
A escrita do romance é bastante marcada por frases mais
breves, que se aproximam da oralidade. Entre essas
frases, mesmo sem a presença de conectores, é possível
recuperar relações de sen�do. No fragmento citado,
entre a primeira frase e a segunda, e entre a segunda e a
terceira, iden�ficam-se, respec�vamente, relações de:
a) adversidade e consequência.
b) comparação e alternância.
c) adição e conformidade.
d) condição e finalidade.
GR0271 - (Unesp)
Leia o trecho do romance Quincas Borba, de Machado de
Assis, publicado originalmente em 1891.
— […] O encontro de duas expansões, ou a
expansão de duas formas, pode determinar a supressão
de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há
vida, porque a supressão de uma é condição da
sobrevivência da outra, e a destruição não a�nge o
princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e
benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e
duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para
alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para
transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há
batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem
em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se
suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse
caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das
tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a
alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas
públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a
guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam
a dar-se, pelo mo�vo real de que o homem só comemora
e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo mo�vo
racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que
virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão;
ao vencedor, as batatas. [...] Aparentemente, há nada
mais contristador que uma dessas terríveis pestes que
devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto
mal é um bene�cio, não só porque elimina os organismos
fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à
observação, à descoberta da droga cura�va. A higiene é
filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de
corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho.
(Quincas Borba, 2016.)
 
Em “mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque
a supressão de uma é condição da sobrevivência da
outra” e “As batatas apenas chegam para alimentar uma
das tribos”, os termos sublinhados estabelecem relação,
respec�vamente, de
a) consequência e conformidade.
b) causa e conformidade.
c) conformidade e consequência.
d) causa e finalidade.
e) consequência e finalidade.
GR0329 - (Fuvest)
E Sofia? interroga impaciente a leitora, tal qual Orgon: Et
Tartufe? Ai, amiga minha, a resposta é naturalmente a
mesma, – também ela comia bem, dormia largo e fofo, –
coisas que, aliás, não impedem que uma pessoa ame,
quando quer amar. Se esta úl�ma reflexão é o mo�vo
secreto da vossa pergunta, deixai que vos diga que sois
muito indiscreta, e que eu não me quero senão com
dissimulados.
Repito, comia bem, dormia largo e fofo. Chegara ao fim
da comissão das Alagoas, com elogios da imprensa; a
Atalaia chamou-lhe “o da consolação”. E não se pense
que este nome a alegrou, posto que a lisonjeasse; ao
contrário, resumindo em Sofia toda a ação da caridade,
podia mor�ficar as novas amigas, e fazer-lhe perder em
um dia o trabalho de longos meses. Assim se explica o
ar�go que a mesma folha trouxe no número seguinte,
nomeando, par�cularizando e glorificando as outras
comissárias – “estrelas de primeira grandeza”.
Machado de Assis, Quincas Borba.
 
Considerando o contexto, o trecho “E não se pense que
este nome a alegrou, posto que a lisonjeasse”
(sublinhado) pode ser reescrito, sem prejuízo de sen�do,
da seguinte maneira: E não se pense que este nome a
alegrou,
7@professorferretto @prof_ferretto
a) apesar de lisonjeá-la.
b) antes a lisonjeou.
c) porque a lisonjeava.
d) a fim de lisonjeá-la.
e) tanto quanto a lisonjeava.
GR0256 - (Unesp)
Leia o soneto “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia”,
do poeta Gregório de Matos (1636-1696).
 
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em con�nuas tristezas a alegria.
 
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
 
Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
 
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
(Poemas escolhidos, 2010.)
 
Em “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,” (1ª
estrofe), a conjunção adi�va “e” assume valor
a) causal.
b) alterna�vo.
c) conclusivo.
d) adversa�vo.
e) explica�vo.
GR0339 - (Fuvest)
A escrita faz de tal modo parte de nossa civilização que
poderia servir de definição dela própria. A história da
humanidade se divide em duas imensas eras: antes e a
par�r da escrita. Talvez venha o dia de uma terceira era
— depois da escrita. Vivemos os séculos da civilização
escrita. Todas as nossas sociedades baseiam-se no
escrito. A lei escrita subs�tui a lei oral, o contrato escrito
subs�tui a convenção verbal, a religião escrita se seguiu à
tradição lendária. E sobretudo não existe história que não
se funde sobre textos.
Charles Higounet. A história da escrita. Adaptado.
 
A locução conjun�va “de tal modo…que” e o advérbio
“sobretudo”, respec�vamente, expressam noção de:
a) conformidade e dúvida.
b) consequência e realce.
c) condição e negação.
d) consequência e negação.
e) condição e realce.
GR0404 -(Unesp)
Leia o soneto “Alma minha gen�l, que te par�ste”, do
poeta português Luís de Camões (1525?-1580).
 
Alma minha gen�l, que te par�ste
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.
 
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.
 
E se vires que pode merecer-te
alguma coisa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder-te,
 
roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver-te,
quão cedo de meus olhos te levou.
(Sonetos, 2001.)
 
Assento etéreo: assento espiritual, céu
Consente: permite
 
“Se lá no assento etéreo, onde subiste, memória desta
vida se consente,” (2ª estrofe)
Os termos destacados cons�tuem
a) pronomes.
b) conjunções.
c) uma conjunção e um advérbio, respec�vamente.
d) um pronome e uma conjunção, respec�vamente.
e) uma conjunção e um pronome, respec�vamente.
GR0342 - (Fuvest)
Presentemente eu posso me considerar um sujeito de
sorte
Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e
forte
E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do
meu lado
E assim já não posso sofrer no ano passado
8@professorferretto @prof_ferretto
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro
Belchior. “Sujeito de sorte”.
 
Leia as seguintes afirmações a respeito da letra da
música:
I. Os adjuntos adverbiais temporais remetem a um
contraste entre passado e presente, o que reforça o
caráter metafórico do texto.
II. A locução “apesar de” contribui para a expressão de
um sen�mento inesperado em relação ao sen�do de
“muito moço”.
III. As formas verbais “morri” e “morro”, embora se
refiram a momentos dis�ntos, apresentam sen�do
denota�vo.
 
Está correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.
GR0380 - (Unicamp)
O telejornalismo é um dos principais produtos
televisivos. Sejam as no�cias boas ou ruins, ele precisa
garan�r uma experiência este�camente agradável para o
espectador. Em suma, ser um “infotenimento”, para atrair
pres�gio, anunciante e rentabilidade. Porém, a atmosfera
pesada do início do ano baixou nos telejornais:
Brumadinho, jovens atletas mortos no incêndio do CT do
Flamengo, no�cias diárias de feminicídios, de valentões
armados matando em brigas de trânsito e
supermercados. Conjunções adversa�vas e adjuntos
adverbiais já não dão mais conta de neutralizar o tsunami
de tragédias e violência, e de amenizar as más no�cias
para garan�r o “infotenimento”. No jornal, é apresentada
matéria sobre uma mulher brutalmente espancada,
internada com diversas fraturas no rosto. Em frente ao
hospital, uma repórter fala: “mas a boa no�cia é que ela
saiu da UTI e não precisará mais de cirurgia reparadora
na face...”. Agora, repórteres repetem a expressão “a boa
no�cia é que...”, buscando alguma brecha de esperança
no “outro lado” das más no�cias.
(Adaptado de Wilson R. V. Ferreira, Globo adota “a boa
no�cia é que...” para tentar se salvar do baixo astral
nacional. Disponível em h�ps://cinegnose. Blogs
pot.com/2019/02/globo-adotaboa-no�cia-eque-
para.html. Acessado em 01/03 /2019.)
 
Considerando a matéria apresentada no jornal, o uso da
conjunção adversa�va seguido da expressão “a boa
no�cia é que” permite ao jornalista
a) apontar a gravidade da no�cia e compensá-la.
b) expor a neutralidade da no�cia e reforçá-la.
c) minimizar a relevância da no�cia e acentuá-la.
d) revelar a importância da no�cia e enfa�zá-la.
GR0116 - (Ufsm)
Super-heróis ajudam crianças a aceitar quimioterapia
Hospital cria tratamento infan�l com acessórios da Liga
da Jus�ça e oferece gibi sobre a luta do Batman contra o
câncer como inspiração a crianças com a doença.
 
Batman está com câncer, mas os vilões nem
�veram tempo de comemorar a revelação feita na edição
extra da história em quadrinhos (HQ). Logo após o
diagnós�co, o herói mascarado já começou a receber
uma "Superfórmula" contra a doença e, apesar de ter
perdido cabelo e emagrecido um pouco, está forte para
voltara combater o mal.
Na vida real, todos os pacientes infan�s
atendidos no Centro de Referência AC.Camargo, em São
Paulo, também passaram a ter acesso ao tratamento que,
no gibi, promete salvar a vida do homem-morcego.
Parceria firmada há 20 dias entre o AC. Camargo,
a Warner e a agência JWT transformou o 6º andar da
unidade hospitalar na nova sede da Liga da Jus�ça. O QG
de super-heróis instalado no hospital tem 15 vagas
ocupadas por heróis mirins que precisam de uma
ajudinha externa da medicina para voltar à a�va. Natan
Henrique Roseno, 7 anos, e Porthos Mar�nez, 13, são os
integrantes mais recentes da ala infan�l.
Após lerem a HQ com a trajetória vitoriosa de
Batman, os meninos estavam confiantes de que a
Superfórmula também vai ajudá-los a vencera leucemia
diagnos�cada em ambos. [...]
Todos os quartos e acessórios u�lizados no
tratamento dos pacientes da oncologia pediátrica
receberam a adaptação em cores, símbolos e adereços
de personagens como Mulher-Maravilha, Batman,
Lanterna Verde e Superman.
A chefe da oncologia pediátrica do AC.Camargo,
Cecília Maria de Lima da Costa, explica que usar os
adereços é uma fórmula de apresentar o câncer 30 às
crianças de uma maneira lúdica e didá�ca, já que elas
precisam entender o tratamento para aceitá-lo melhor.
"A quimioterapia tem efeitos colaterais que não
são agradáveis (como enjoos, ape�te desregulado, queda
de cabelos). Se a criança não entende que o
medicamento é um bene�cio, apesar de todos esses
sintomas, pode ficar confusa e resistente", afirma a
especialista.
Enxergar a vilã quimioterapia como a mocinha
Superfórmula faz toda a diferença para os meninos e as
meninas, dizem os próprios heróis-mirins. [...] "Fica
menos confuso na cabeça da gente. Porque às vezes eu
9@professorferretto @prof_ferretto
não gosto dos remédios, dá um nó no estômago. Mas sei
que eles vão me ajudar e saber disso ajuda", diz um dos
garotos.
Fonte: ARANHA, Fernanda. Minha Saúde. iG São Paulo.
Disponível em:
 Acesso
em: 06. jun. 2013. (adaptado).
 
Assinale a alterna�va correta quanto ao papel semân�co
exercido pela preposição no excerto em destaque, tendo
em vista o contexto em que foi empregada no texto.
a) "Superfórmula contra a doença" - proximidade 
b) "a HQ com a trajetória vitoriosa" - companhia
c) "oncologia pediátrica do AC.Camargo" - posse 
d) "apresentar o câncer às crianças" - causa 
e) "faz toda a diferença para os meninos e as meninas" -
lugar
GR0394 - (Fuvest)
CONFIDÊNCIAS DO ITABIRANO
Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é
[porosidade e comunicação.
 
A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas,
[sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.
 
De Itabira trouxe prendas que ora te ofereço:
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de
[visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...
 
Tive ouro, �ve gado, �ve fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!
Carlos Drummond de Andrade, Sen�mento do Mundo
 
Na úl�ma estrofe, a expressão que jus�fica o uso da
conjunção sublinhada no verso “Mas como dói!” é:
a) “Hoje”.
b) “funcionário público”.
c) “apenas”.
d) “fotografia”.
e) “parede”.
GR0534 - (Unifesp)
O principal enfoque em O erro de Descartes é a
relação entre emoção e razão. Baseado em meu estudo
de pacientes neurológicos que apresentavam deficiências
na tomada de decisão e distúrbios da emoção, construí a
hipótese de que a emoção era parte integrante do
processo de raciocínio e poderia auxiliar esse processoao
invés de, como se costumava supor, necessariamente
perturbá-lo. Hoje em dia essa ideia já não causa espécie,
mas na época em que a apresentei muita gente
estranhou, e mesmo a recebeu com certo ce�cismo.
Tudo sopesado, a ideia, em grande medida, foi aceita e
até, em certos casos, acolhida com tanta sofreguidão que
acabou deturpada. Por exemplo, nunca afirmei que a
emoção era um subs�tuto para a razão, mas em algumas
versões superficiais depreendia-se que minha ideia era
que se você seguisse o coração em vez da razão tudo
daria certo.
Na verdade, em certas ocasiões a emoção pode ser
um subs�tuto para a razão. O programa de ação
emocional que denominamos medo pode afastar
rapidamente do perigo a maioria dos seres humanos com
pouca ou nenhuma ajuda da razão. Um esquilo ou um
pássaro não pensa para reagir a uma ameaça, e o mesmo
pode acontecer a um humano. Aí é que está a beleza no
modo como a emoção tem funcionado no decorrer da
evolução: ela abre a possibilidade de levar seres vivos a
agir de maneira inteligente sem precisar pensar com
inteligência. Acontece que, nos humanos, essa história
tornou-se mais complexa, para o bem e para o mal. O
raciocínio faz o que fazem as emoções, mas alcança o
resultado conscientemente. O raciocínio nos dá a opção
de pensar com inteligência antes de agir de maneira
inteligente, e isso é bom: descobrimos que muitos dos
problemas que encontramos em nosso complexo
ambiente podem ser resolvidos apenas com emoções,
porém não todos, e nestas ocasiões as soluções que a
emoção oferece são, na realidade, contraproducentes.
Mas como evoluiu nas espécies complexas o sistema
de raciocínio inteligente? A proposta inovadora em O
erro de Descartes é que o sistema de raciocínio evoluiu
como uma extensão do sistema emocional automá�co,
com a emoção desempenhando vários papéis no
processo de raciocínio.
(O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro
humano, 2012. Adaptado)
 
10@professorferretto @prof_ferretto
O termo sublinhado em “nunca afirmei que a emoção era
um subs�tuto para a razão” (1º parágrafo) pertence à
mesma classe grama�cal do termo sublinhado em:
a) “na época em que a apresentei muita gente
estranhou” (1º parágrafo). 
b) “O raciocínio nos dá a opção de pensar com
inteligência” (2º parágrafo). 
c) “a hipótese de que a emoção era parte integrante do
processo de raciocínio” (1º parágrafo). 
d) “com a emoção desempenhando vários papéis no
processo de raciocínio” (3º parágrafo). 
e) “Um esquilo ou um pássaro não pensa para reagir a
uma ameaça” (2º parágrafo).
GR0390 - (Fuvest)
1 Tornando da malograda espera do �gre,
2 alcançou o capanga um casal de velhinhos, que
3 seguiam diante dele o mesmo caminho e conversa-
4 vam acerca de seus negócios par�culares. Das
5 poucas palavras que apanhara, percebeu Jão Fera
6 que des�navam eles uns cinquenta mil-réis, tudo
7 quanto possuíam, à compra de man�mentos, a fim
8 de fazer um moquirão*, com que pretendiam abrir
9 uma boa roça.
10 — Mas chegará, homem? perguntou a velha.
11 — Há de se espichar bem, mulher!
12 Uma voz os interrompeu:
13 — Por este preço dou eu conta da roça!
14 — Ah! É nhô Jão!
15 Conheciam os velhinhos o capanga, a quem
16 �nham por homem de palavra, e de fazer o que
17 prome�a. Aceitaram sem mais hesitação; e foram
18 mostrar o lugar que estava des�nado para o roçado.
19 — Acompanhou-os Jão Fera; porém, mal seus
20 olhos descobriram entre os utensílios a enxada, a
21 qual ele esquecera um momento no afã de ganhar a
22 soma precisa, que sem mais deu costas ao par de
23 velhinhos e foi-se deixando-os embasbacados.
(José de Alencar, Til.)
* moquirão = mu�rão (mobilização cole�va para auxílio
mútuo, de caráter gratuito)
 
Considerada no contexto, a palavra sublinhada no trecho
“mal seus olhos descobriram entre os utensílios a
enxada” (L. 19-20) expressa ideia de
a) tempo.
b) qualidade.
c) intensidade.
d) modo.
e) negação.
GR0371 - (Uerj)
Ideias para adiar o fim do mundo
Quando se completaram quinhentos anos da
travessia de Cabral e companhia, recusei um convite para
vir a Portugal. Eu disse: “Essa é uma �pica festa
portuguesa, vocês vão celebrar a invasão do meu canto
do mundo. Não vou, não”. Porém, não transformei isso
numa rixa e pensei: “Vamos ver o que acontece no
futuro”.
Em 2017, ano em que Lisboa foi capital ibero-
americana de cultura, ocorreu um ciclo de eventos muito
interessante, com performances de teatro, mostra de
cinema e palestras. Fui convidado a par�cipar, e, dessa
vez, nosso amigo Eduardo Viveiros de Castro faria uma
conferência no teatro Maria Matos, chamada “Os
involuntários da pátria”. Então, pensei: “Esse assunto me
interessa, vou também”. No dia seguinte ao da fala do
Eduardo, �ve a oportunidade de encontrar muita gente
que se interessou pela estreia do documentário Ailton
Krenak e o sonho da pedra, dirigido por Marco Altberg. O
filme é uma boa introdução ao tema de que quero tratar:
como é que, ao longo dos úl�mos 2 mil ou 3 mil anos,
nós construímos a ideia de humanidade? Será que ela
não está na base de muitas das escolhas erradas que
fizemos, jus�ficando o uso da violência?
(...)
AILTON KRENAK. Adaptado de Ideias para adiar o fim do
mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019
 
Nas prá�cas primi�vas, solidariedade é par�lhar pão,
manta e sêmen. Sou do tempo moderno. Prefiro dar a
minha vida e o meu sangue a quem deles precisa. (cap. 4)
 
A escrita do romance é bastante marcada por frases mais
breves, que se aproximam da oralidade. Entre essas
frases, mesmo sem a presença de conectores, é possível
recuperar relações de sen�do. No fragmento citado,
entre a primeira frase e a segunda, e entre a segunda e a
terceira, iden�ficam-se, respec�vamente, relações de:
a) adversidade e consequência
b) comparação e alternância
c) adição e conformidade
d) condição e finalidade
GR0367 - (Uerj)
CREONTE:
Esperem um pouco
Eu preciso de alguém pra refle�r
comigo se eu estou caduco, louco,
ou o mundo está ficando esquisito...
Fazem baderna, chiam, quebram trem,
Quebram estação, muito bem, bonito
11@professorferretto @prof_ferretto
E a gente inda tem que dizer amém
(...)
 
JASÃO:
Não discuto quebrar... Agora
quem às três da manhã tá de olho aberto,
se espreme pra chegar no emprego às sete,
lá passa o dia todo, volta às onze
da noite pra acordar a canivete
de novo às três, �nha que ser de bronze
pra fazer isso sempre, todo dia
(...)
 
Na resposta de Jasão a Creonte, o uso da palavra “agora”,
sublinhada acima, possui função argumenta�va,
expressando sen�do de:
a) condição
b) oposição
c) conclusão
d) explicação
GR0115 - (Fgv)
Foi exatamente durante o almoço que se deu o
fato.
Almira con�nuava a querer saber por que Alice
viera atrasada e de olhos vermelhos. Aba�da, Alice mal
respondia. Almira comia com avidez e insis�a com os
olhos cheios de lágrimas.
– Sua gorda! disse Alice de repente, branca de
raiva. Você não pode me deixar em paz?!
Almira engasgou-se com a comida, quis falar,
começou a gaguejar. Dos lábios macios de Alice haviam
saído palavras que não conseguiam descer com a comida
pela garganta de Almira G. de Almeida.
– Você é uma chata e uma introme�da, rebentou
de novo Alice. Quer saber o que houve, não é? Pois vou
lhe contar, sua chata: é que Zequinha foi embora para
Porto Alegre e não vai mais voltar! Agora está contente,
sua gorda?
Na verdade Almira parecia ter engordado mais
nos úl�mos momentos, e com comida ainda parada na
boca.
Foi então que Almira começou a despertar. E,
como se fosse uma magra, pegou o garfo e enfiou-o no
pescoço de Alice. O restaurante, ao que se disse no
jornal, levantou-se como uma só pessoa. Mas a gorda,
mesmo depois de ter feito o gesto, con�nuou sentada
olhando para o chão, sem ao menos olhar o sangue da
outra.
Alice foi ao pronto-socorro, de onde saiu com
cura�vos e os olhos ainda regalados de espanto. Almira
foi presa em flagrante.
Na prisão, Almira comportou-se com delicadeza
e alegria, talvez melancólica, mas alegria mesmo. Fazia
graças para as companheiras. Finalmente �nha
companheiras. Ficou encarregada da roupa suja, e dava-se muito bem com as guardiãs, que vez por outra lhe
arranjavam uma barra de chocolate.
(Clarice Lispector. A Legião Estrangeira, 1964. Adaptado)
 
Assinale a alterna�va em que a preposição “de” forma
uma expressão indica�va de causa.
a) ... por que Alice viera atrasada e de olhos vermelhos. 
b) ... e insis�a com os olhos cheios de lágrimas. 
c) – Sua gorda! disse Alice de repente, branca de raiva. 
d) ... pegou o garfo e enfiou-o no pescoço de Alice. 
e) Mas a gorda, mesmo depois de ter feito o gesto... 
GR0345 - (Pucrj)
Sendo principalmente um jogo com limites, a
arte contemporânea rompe tanto com a arte clássica
quanto com a moderna. Uma "instalação", ou
"performance", não se enquadra mais na concepção
clássica ou moderna de uma obra de arte, ou seja, de
uma pintura enquadrada ou de uma escultura num
pedestal. Não demonstra mais nenhum vínculo entre a
obra de arte e a interioridade, ou até mesmo o corpo do
ar�sta; e a ironia e a jocosidade são mais importantes do
que a seriedade. Mediações técnicas ou sociais se
tornam necessárias, juntamente com técnicas especiais
como fotografia ou vídeo para garan�r a durabilidade da
obra. Além do mais, essas técnicas fogem, muitas vezes,
às regras dos museus, a ro�nas econômicas, a restrições
de transporte e de seguro ou a técnicas de restauração.
Em virtude de tudo isso, a arte contemporânea é mais do
que um novo período ar�s�co e mais do que uma nova
categoria esté�ca. Trata-se de um novo paradigma, que
transforma completamente o mundo da arte.
Na arte contemporânea, a transgressão mais
importante dos critérios comuns usados para definir a
arte é que a obra de arte já não consiste exclusivamente
no objeto proposto pelo ar�sta, mas em todo o conjunto
de operações, ações, interpretações etc. provocadas por
sua proposição.
A transgressão dos limites da arte significa
também o emprego de novos �pos de materiais ou
modos de apresentação. Instalações, performances, land
art, arte corporal, vídeo, fotografias em cores em grande
escala, mul�mídia e arte ciberné�ca fazem parte do
vocabulário básico do ar�sta contemporâneo. Esta é
outra grande diferença em relação à arte clássica e
moderna, pois durante séculos, até o início da década de
1960, as artes visuais eram produzidas com um pequeno
número de materiais bem definidos: óleo, pastel,
aquarela, lápis, carvão, água-forte; papel, tela, gesso,
12@professorferretto @prof_ferretto
madeira ou pedra, argila, madeira, bronze... Agora, tudo
mudou. Mesmo sem ver a obra, você consegue adivinhar
que se trata de arte contemporânea apenas lendo sua
descrição, como: "latão", "feltro e graxa", "telas de TV",
"corais e pão", "módulos acús�cos", ou, em termos mais
amplos, "materiais variados" ou "dimensões variáveis".
HEINICH, Nathalie. Prá�cas da Arte Contemporânea: uma
abordagem pragmá�ca a um novo paradigma ar�s�co.
v.4, n.2. p. 373-390. 2014. Disponível em:
h�ps://doi.org/10.1590/2238-38752014v424. Acesso
em: 21 ago. 2021. Adaptado.
 
Nos seguintes trechos do texto, o sen�do expresso pelo
termo sublinhado está corretamente indicado entre
parênteses em:
a) Mediações técnicas ou sociais se tornam necessárias,
juntamente com técnicas especiais como fotografia ou
vídeo para garan�r a durabilidade da obra.
(causalidade)
b) Além do mais, essas técnicas fogem, muitas vezes, às
regras dos museus, a ro�nas econômicas, a restrições
de transporte e de seguro ou a técnicas de
restauração. (atenuação)
c) Em virtude de tudo isso, a arte contemporânea é mais
do que um novo período ar�s�co e mais do que uma
nova categoria esté�ca. (consequência)
d) Mesmo sem ver a obra, você consegue adivinhar que
se trata de arte contemporânea apenas lendo sua
descrição. (concessão)
GR0106 - (Mackenzie)
"O resultado é que endureci, calejei, e não é um arranhão
que penetra esta casca espessa.”
 
A conjunção e do período acima pode ser corretamente
subs�tuída, sem prejuízo do sen�do original, por:
a) mas.
b) portanto.
c) pois.
d) por que.
e) no entanto.
GR0357 - (Uerj)
Três teses sobre o avanço da febre amarela
1 Como a febre amarela rompeu os limites da
Floresta Amazônica e alcançou o Sudeste, a�ngindo os
grandes centros urbanos? A par�r do ano passado, o
número de casos da doença alcançou níveis sem
precedentes nos úl�mos cinquenta anos. Desde o início
de 2017, foram confirmados 779 casos, 262 deles
resultando em mortes. Trata-se do maior surto da forma
silvestre da doença já registrado no país1. Outros 435
registros ainda estão sob inves�gação.
2 Como tudo começou? Os navios portugueses
vindos da África nos séculos XVII e XVIII não trouxeram
ao Brasil somente escravos e mercadorias. Dois inimigos
silenciosos vieram junto: o vírus da febre amarela e o
mosquito Aedes aegyp�. A consequência foi uma série de
surtos de febre amarela urbana no Brasil, com milhares
de mortos2. Por volta de 1940, a febre amarela urbana foi
erradicada. Mas o vírus migrou, pelo trânsito de pessoas
infectadas, para zonas de floresta na região Amazônica.
No início dos anos 2000, a febre amarela ressurgiu em
áreas da Mata Atlân�ca. Três teses tentam explicar o
fenômeno.
3 Segundo o professor Aloísio Falqueto, da
Universidade Federal do Espírito Santo, “uma pessoa
pegou o vírus na Amazônia e entrou na Mata Atlân�ca
depois, possivelmente na altura de Montes Claros, em
Minas Gerais, onde surgiram casos de macacos e pessoas
infectadas”. O vírus teria se espalhado porque os
primatas da mata eram vulneráveis: como o vírus
desaparece da região na década de 1940, não
desenvolveram an�corpos. Logo os macacos passaram a
ser mortos por seres humanos que temem contrair a
doença. O massacre desses bichos, porém, é um “�ro no
pé”, o que faz crescer a chance de contaminação de
pessoas. Sem primatas para picar na copa das árvores, os
mosquitos procuram sangue humano3.
4 De acordo com o pesquisador Ricardo Lourenço,
do Ins�tuto Oswaldo Cruz, os mosquitos transmissores
da doença se deslocaram do Norte para o Sudeste,
voando ao longo de rios e corredores de mata. Es�ma-se
que um mosquito seja capaz de voar 3 km por dia. Tanto
o homem quanto o macaco, quando picados, só
carregam o vírus da febre amarela por cerca de três dias.
Depois disso, o organismo produz an�corpos4. Em cerca
de dez dias, primatas e humanos ou morrem ou se
curam, tornando-se imunes à doença.
5 Para o infectologista Eduardo Massad, professor
da Universidade de São Paulo, o rompimento da
barragem da Samarco, em Mariana (MG), em 2015, teve
papel relevante na disseminação acelerada da doença no
Sudeste. A destruição do habitat natural de diferentes
espécies teria reduzido significa�vamente os predadores
naturais dos mosquitos. A tragédia ambiental ainda teria
afetado o sistema imunológico dos macacos, tornando-os
mais susce�veis ao vírus.
6 Por que é importante determinar a “viagem” do
vírus? Basicamente, para orientar as campanhas de
vacinação. Em 2014, Eduardo Massad elaborou um plano
de imunização depois que 11 pessoas morreram ví�mas
de febre amarela em Botucatu (SP): “Eu fiz cálculos
matemá�cos para determinar qual seria a proporção da
população nas áreas não vacinadas que deveria ser
imunizada, considerando os riscos de efeitos adversos da
13@professorferretto @prof_ferretto
vacina. Infelizmente, a Secretaria de Saúde não adotou
essa estratégia. Os casos acontecem exatamente nas
áreas onde eu havia recomendado a vacinação. A
Secretaria está correndo atrás do prejuízo”. Desde julho
de 2017, mais de 100 pessoas foram contaminadas em
São Paulo e mais de 40 morreram.
7 O Ministério da Saúde afirmou em nota que,
desde 2016, os estados e municípios vêm sendo
orientados para a necessidade de intensificar as medidas
de prevenção. A orientação é que pessoas em áreas de
risco se vacinem.
NATHALIA PASSARINHO. Adaptado de bbc.com,
06/02/2018
 
A frase que contém uma explicação do conteúdo da frase
anterior está sublinhada em:
a) Desde o início de 2017, foram confirmados 779 casos,
262 deles resultando em mortes. Trata-se do maior
surto da forma silvestreda doença já registrado no
país. (1º itálico)
b) Dois inimigos silenciosos vieram junto: o vírus da febre
amarela e o mosquito Aedes aegyp�. A consequência
foi uma série de surtos de febre amarela urbana no
Brasil, com milhares de mortos. (2º itálico)
c) O massacre desses bichos, porém, é um “�ro no pé”, o
que faz crescer a chance de contaminação de pessoas.
Sem primatas para picar na copa das árvores, os
mosquitos procuram sangue humano. (3º itálico)
d) Tanto o homem quanto o macaco, quando picados, só
carregam o vírus da febre amarela por cerca de três
dias. Depois disso, o organismo produz an�corpos. (4º
itálico)
GR0107 - (Uemg)
Luz em resistência
Estou sentada em minha cama, em
semiobscuridade e me percebo com a cabeça entre as
mãos, tenho a compulsão de me ajoelhar e prostrar-me,
é dramá�co o que faço. Me sento de novo e de novo
ponho a cabeça entre as mãos. Será possível que estou
representando e representando pra Deus? Quero ficar
natural, estou sozinha, não dá pra enganar ninguém, mas
tenho um corpo e de algum modo ele se coloca no
espaço, impossível não perceber a importância essencial
do corpo, preciso da língua pra falar. Mas não é porque
estou sozinha que vou dizer olha eu aqui, Deus, baratear
o texto. Falo assim: eis-me aqui, dá um jeito do Franz
aparecer em nossa casa, enquanto o Miguel es�ver
viajando. Percebo — ai que nojo, percebo demais — que
disse ‘eis-me’ e depois ‘dá’ no lugar de dai, mas não é
desrespeito, é fluxo de sen�mento que não tolera
preocupação com a gramá�ca e — percebo de novo —
faço isso desde o primário, se corrigir �ra a seiva da
coisa. Gosto de pérola barroca e cerâmica torta, só não
gosto de ter tomado consciência de meus lapsos
grama�cais. “A língua fala dos tesouros do coração?”.
Então este é o meu tesouro desejo, vou falar com força e
pausadamente: Deus faz eu ficar com o Franz sozinha,
por uma hora inteira — uma hora só, não, passa muito
depressa —, duas horas, só conversando, só isso que eu
quero, me dá esta graça, meu Pai. Acho que hoje
escandalizei a Ester, não acontecerá mais. Não sei o que
fazer com a Sabina que nos interroga como se fôssemos
culpadas das estranhezas da Bíblia. Ninguém sabe que o
Franz está em Riachinho e desta vez não é pra fazer
ponte nenhuma, veio só pra me ver, eu sei, veio por
minha causa, o bacana. Quando as duas chegarem na
segunda-feira, informo assim bem casual: amigo nosso
passou por aqui, etc. e etc., não saberão do que se trata.
Ao fim do rosário faço o agradecimento pela
enormíssima graça recebida que é esta — sei que falo
como se o Senhor fosse se esquecer, mas sou humana —
a graça, dada pelo Senhor, de ter �do duas horas inteiras
para ficar com o Franz. Mãe de Deus, pede por mim.
Perhaps Love, gravar uma fita só com esta música
começando e acabando e começando de novo e
acabando e começando. Julinha me surpreendeu
decorando e falou: tadinha. E eu sei que não foi por
causa do meu inglês deficitário, ficou com pena é da
minha menopausa em flor. Em qual dos dois espelhos
acredito, no que me põe melhor ou no que me dá
vontade de nunca mais sair de casa? Mãe de Deus, minha
saudade do Franz é no corpo mas é ilocalizável. Ah, estou
com saudade dele é na alma, Franz Bota, até o apelido
dele é precioso, quero o precioso, meu deus, me ajuda a
ver aquele homem. Se isso fosse teatro, acabava com
Perhaps Love. 
PRADO, 2011, 2014, p. 17-19.
 
Ao longo do texto, nota-se que a narradora se vê
envolvida em uma série de conflitos. Uma das estratégias
que a língua tem de expressar ideias conflitantes é o uso
das conjunções adversa�vas, como a conjunção “mas”
(“adverso” equivale a “oposto”, “contrário”). De acordo
com o linguista Oswald Ducrot, as ideias adversas
ar�culadas por “mas” geralmente estão subentendidas.
Exemplo: “Está chovendo, mas vou sair”. Nota-se que o
ato de “chover”, em si, não é oposto ao de “sair”. O que
ocorre é que, quando se diz “está chovendo”, conclui-se,
implicitamente, que não se deve sair. Essa conclusão é
que se opõe, de fato, à segunda oração.
Com base nessa explicação, assinale a única opção em
que a conjunção “mas” ar�cula ideias explicitamente
opostas:
14@professorferretto @prof_ferretto
a) “Quero ficar natural, estou sozinha, não dá pra
enganar ninguém, mas tenho um corpo e de algum
modo ele se coloca no espaço”.
b) “Percebo — ai que nojo, percebo demais — que disse
‘eis-me’ e depois ‘dá’ no lugar de dai, mas não é
desrespeito.”
c) “sei que falo como se o Senhor fosse se
esquecer, mas sou humana”
d) “Mãe de Deus, minha saudade do Franz é no
corpo, mas é ilocalizável.”
GR0399 - (Unicamp)
Em sua versão benigna, a valorização da malandragem
corresponde ao elogio da cria�vidade adapta�va e da
predominância da especificidade das circunstâncias e das
relações pessoais sobre a frieza reducionista e
generalizante da lei. Em sua versão maximalista e
maligna, porém, a valorização da malandragem equivale
à negação dos princípios elementares de jus�ça, como a
igualdade perante a lei, e ao descrédito das ins�tuições
democrá�cas.
(Adaptado de Luiz Eduardo Soares, Uma interpretação do
Brasil para contextualizar a violência, em C. A. Messeder
Pereira, Linguagens da violência. Rio de Janeiro: Rocco,
2000, p. 23-46.)
 
Considerando as posições expressas no texto em relação
à valorização da malandragem, é correto afirmar que:
a) O verbo “equivale” relaciona a valorização da
malandragem à negação da jus�ça, da igualdade
perante a lei e das ins�tuições democrá�cas.
b) Entre os pares de termos “benigna/maligna” e
“maximalista/reducionista” estabelece-se no texto
uma relação semân�ca de equivalência.
c) O elogio da malandragem reside na valorização da
cria�vidade adapta�va e da sensibilidade em
contraposição à fria aplicação da lei.
d) O ar�culador discursivo “porém” introduz um
argumento que se contrapõe à proposta de
valorização da malandragem.
GR0108 - (Ita)
 
Assinale a opção em que o termo grifado é conjunção
integrante.
a) José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde
ficam os imigrantes logo que chegam. (linha 1)
b) As pessoas que ele encontrou não eram agricultores e
técnicos, gente capaz de ser ú�l. (linhas 2 e 3)
c) Mas eu peço licença para ficar imaginando uma porção
de coisas vagas, ao olhar essas belas
fotografias que ilustram a reportagem. (linhas 7 e 8)
d) [...] e quem nos garante que uma legislação exemplar
de imigração não teria feito Roberto Burle Marx
nascer uruguaio, [...] (linhas 25 e 26)
e) [...] o grande homem do Brasil de amanhã pode
descender de um clandes�no que neste momento
está saltando assustado na praça Mauá, [...] (linhas 28
e 29)
GR0299 - (Unesp)
Trecho do livro A solidão dos moribundos, do sociólogo
alemão Norbert Elias.
15@professorferretto @prof_ferretto
Não mais consideramos um entretenimento de
domingo assis�r a enforcamentos, esquartejamentos e
suplícios na roda. Assis�mos ao futebol, e não aos
gladiadores na arena. Se comparados aos da An�guidade,
nossa iden�ficação com outras pessoas e nosso
compar�lhamento de seus sofrimentos e morte
aumentaram. Assis�r a �gres e leões famintos devorando
pessoas vivas pedaço a pedaço, ou a gladiadores, por
astúcia e engano, mutuamente se ferindo e matando,
dificilmente cons�tuiria uma diversão para a qual nos
prepararíamos com o mesmo prazer que os senadores ou
o povo romano. Tudo indica que nenhum sen�mento de
iden�dade unia esses espectadores àqueles que, na
arena, lutavam por suas vidas. Como sabemos, os
gladiadores saudavam o imperador ao entrar com as
palavras “Morituri te salutant” (Os que vão morrer te
saúdam). Alguns dos imperadores sem dúvida se
acreditavam imortais. De todo modo, teria sido mais
apropriado se os gladiadores dissessem “Morituri
moriturum salutant” (Os que vão morrer saúdam aquele
que vai morrer). Porém, numa sociedade em que �vesse
sido possível dizer isso, provavelmente não haveria
gladiadores ou imperadores. A possibilidade de se dizer
isso aos dominadores — alguns dos quais mesmo hoje
têm poder de vida e morte sobre um sem-número de
seus semelhantes — requer uma desmitologização damorte mais ampla do que a que temos hoje, e uma
consciência muito mais clara de que a espécie humana é
uma comunidade de mortais e de que as pessoas
necessitadas só podem esperar ajuda de outras pessoas.
O problema social da morte é especialmente di�cil de
resolver porque os vivos acham di�cil iden�ficar-se com
os moribundos.
A morte é um problema dos vivos. Os mortos
não têm problemas. Entre as muitas criaturas que
morrem na Terra, a morte cons�tui um problema só para
os seres humanos. Embora compar�lhem o nascimento,
a doença, a juventude, a maturidade, a velhice e a morte
com os animais, apenas eles, dentre todos os vivos,
sabem que morrerão; apenas eles podem prever seu
próprio fim, estando cientes de que pode ocorrer a
qualquer momento e tomando precauções especiais —
como indivíduos e como grupos — para proteger- se
contra a ameaça da aniquilação.
(A solidão dos moribundos, 2001.)
 
Em “De todo modo, teria sido mais apropriado se os
gladiadores dissessem ‘Morituri moriturum salutant’ (Os
que vão morrer saúdam aquele que vai morrer)” (1º
parágrafo), o termo sublinhado pertence à mesma classe
grama�cal do termo sublinhado em
a) “Não mais consideramos um entretenimento de
domingo assis�r a enforcamentos, esquartejamentos e
suplícios na roda.” (1º parágrafo)
b) “Porém, numa sociedade em que �vesse sido possível
dizer isso, provavelmente não haveria gladiadores ou
imperadores.” (1º parágrafo)
c) “Alguns dos imperadores sem dúvida se acreditavam
imortais.” (1º parágrafo)
d) “as pessoas necessitadas só podem esperar ajuda de
outras pessoas.” (1º parágrafo)
e) “Entre as muitas criaturas que morrem na Terra, a
morte cons�tui um problema só para os seres
humanos.” (2º parágrafo)
GR0324 - (Fuvest)
I. Diante da dificuldade, municípios de diferentes regiões
do país realizaram um segundo “dia D” neste sábado. O
primeiro ocorreu em 18 de agosto. A adesão, no entanto,
ainda ficou abaixo do esperado. Agora, a recomendação é
que estados e municípios façam busca a�va para garan�r
que todo o público-alvo da campanha seja vacinado.
Folha de S. Paulo. São Paulo. 03/09/2018.
 
II. Pensar sobre a vaga, buscar conhecer a empresa e o
que ela busca já faz de você alguém especial. Muitos que
procuram o balcão de emprego não compreendem que
os detalhes são fundamentais para conseguir a
recolocação. Agora, não pense que você vai conseguir na
primeira inves�da, a busca por um novo emprego requer
paciência e persistência, tenha você 20 anos ou 50.
Balcão de Emprego. Disponível em:
 
O termo “Agora” pode ser subs�tuído, respec�vamente,
em I e II e sem prejuízo de sen�dos nos dois textos, por
a) Neste momento; Por conseguinte.
b) Neste ínterim; De fato.
c) Portanto; Ademais.
d) Todavia; Então.
e) Doravante; Mas.
GR0114 - (Fgv)
Vários estudos têm alertado que tanto a
população da Terra quanto os níveis de consumo crescem
mais rapidamente do que a capacidade de regeneração
dos sistemas naturais. Um dos mais recentes, o relatório
Planeta Vivo elaborado pela ONG internacional WWF,
es�ma que atualmente três quartos da população
mundial vivem em países que consomem mais recursos
do que conseguem repor.
16@professorferretto @prof_ferretto
Só Estados Unidos e China consomem, cada um,
21% dos recursos naturais do planeta. Até 1960, a maior
parte dos países vivia dentro de seus limites ecológicos.
Em poucas décadas do atual modelo de produção e
consumo, a humanidade exauriu 60% da água disponível
e dizimou um terço das espécies vivas do planeta.
"O argumento de que o crescimento econômico
é a solução já não basta. Não há recursos naturais para
suportar o crescimento constante. A Terra é finita e a
economia clássica
sempre ignorou essa verdade elementar", afirma o
ecoeconomista Hugo Penteado. Ele não está sozinho. A
urgência dos problemas ambientais e suas implicações
para a economia das nações têm sido terreno fér�l para o
desenvolvimento da ecoeconomia, ou economia
ecológica, que não é exatamente nova. Seus principais
expoentes começaram a surgir na década
de 1960. Hoje, estão paula�namente ganhando projeção
graças à visibilidade que o tema sustentabilidade
conquistou.
Para essa escola, as novas métricas para medir o
crescimento não bastam, embora sejam bem-vindas em
um processo de transição. Para a ecoeconomia, é preciso
parar de crescer em níveis exponenciais e reproduzir – ou
"biomime�zar" – os ciclos da natureza: para ser
sustentável, a economia deve caminhar para ser cada vez
mais parecida com os processos naturais.
"A economia baseada no mecanicismo não
oferece mais respostas. É preciso encontrar um novo
modelo, que dê respostas a questões como geração de
empregos, desenvolvimento com qualidade e até mesmo
uma desmaterialização do sistema. Vender serviços, não
apenas produtos, e também produzir em ciclos fechados,
sem desperdício", afirma o professor Paulo Durval
Branco, da Escola Superior de Conservação Ambiental. De
acordo com ele, embora as empresas venham repe�ndo
a palavra sustentabilidade como um mantra, são
pouquíssimas as que fizeram mudanças efe�vas em seus
modelos de negócio. O desperdício de matérias-primas, o
es�mulo ao consumismo e a obsolescência programada
(bens fabricados com data certa para serem subs�tuídos)
ainda ditam as regras.
(Texto adaptado do ar�go de Andrea Vialli. O
Estado de S. Paulo, H4 Especial, Vida &Sustentabilidade,
15 de maio de 2009)
 
O mesmo �po de conjunção que subs�tui os dois pontos
em - E, apesar das promessas de que o crescimento do
PIB reduziria a pobreza, as desigualdades econômicas se
mantêm: a cada US$ 160 milhões produzidos no mundo,
só US$ 0,60 chega efe�vamente aos mais pobres. - pode
ser aplicado em:
a) Os ecoeconomistas só alimentam um propósito:
poupar os recursos ambientais.
b) Hugo Penteado disse: “a Terra é finita e a economia
clássica sempre ignorou essa verdade elementar”.
c) Os ecoeconomistas apontam os vícios das empresas: o
desperdício de matérias-primas, o es�mulo ao
consumismo e a obsolescência programada.
d) A ecoeconomia não é exatamente nova: seus
princípios exponenciais começaram a surgir na década
de 70.
e) Paulo Durval Branco foi enfá�co ao afirmar: “as
empresas vêm repe�ndo a palavra sustentabilidade
como um mantra.”
GR0362 - (Uerj)
O DNA do racismo
Proponho ao leitor um simples experimento.
Dirija-se a um local bastante movimentado e observe
cuidadosamente as pessoas ao redor. Deverá logo saltar
aos olhos que somos todos muito parecidos e, ao mesmo
tempo, muito diferentes.
Realmente, podemos ver grandes similaridades
no plano corporal, na postura ereta, na pele fina e na
falta rela�va de pelos, caracterís�cas da espécie humana
que nos dis�nguem dos outros primatas. Por outro lado,
serão evidentes as extraordinárias variações morfológicas
entre as diferentes pessoas: sexo, idade, altura, peso,
massa muscular, cor e textura dos cabelos, cor e formato
dos olhos, cor da pele etc. A priori, não existe
absolutamente nenhuma razão para valorizar mais uma
ou outra dessas caracterís�cas no exercício de
inves�gação.
Nem todos esses traços têm a mesma relevância.
Há caracterís�cas que podem nos fornecer informações
sobre a origem geográfica ancestral das pessoas: uma
pele negra pode nos levar a inferir que a pessoa tem
ancestrais africanos, olhos puxados evocam
ancestralidade oriental etc. E isso é tudo: não há
absolutamente mais nada que possamos captar à flor da
pele. Pense bem. O que têm a pigmentação da pele, o
formato e a cor dos olhos ou a textura do cabelo a ver
com as qualidades humanas singulares que definam uma
individualidade existencial?
Em ní�do contraste com as conclusões do
experimento de observação empírica acima, está a
rigidez da classificação da humanidade feita pelo
naturalista sueco Carl Linnaeus, em 1767. Ele apresentou,
pela primeira vez na esfera cien�fica, uma categorização
da espécie humana, dis�nguindo quatro raças principais
e qualificando-as de acordo com o que ele considerava
suas caracterís�cas principais:
 
• Homo sapiens europaeus: branco, sério, forte;
• Homo sapiens asia�cus:

Mais conteúdos dessa disciplina