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Vestibulares Classes Relacionais GR0316 - (Fuvest) Uma obra de arte é um desafio; não a explicamos, ajustamo-nos a ela. Ao interpretá-la, fazemos uso dos nossos próprios obje�vos e esforços, dotamo-la de um significado que tem sua origem nos nossos próprios modos de viver e de pensar. Numa palavra, qualquer gênero de arte que, de fato, nos afete, torna-se, deste modo, arte moderna. As obras de arte, porém, são como al�tudes inacessíveis. Não nos dirigimos a elas diretamente, mas contornamo-las. Cada geração as vê sob um ângulo diferente e sob uma nova visão; nem se deve supor que um ponto de vista mais recente é mais eficiente do que um anterior. Cada aspecto surge na sua altura própria, que não pode ser antecipada nem prolongada; e, todavia, o seu significado não está perdido porque o significado que uma obra assume para uma geração posterior é o resultado de uma série completa de interpretações anteriores. Arnold Hauser, Teorias da arte. Adaptado. No trecho “Numa palavra, qualquer gênero de arte que, de fato, nos afete, torna-se, deste modo, arte moderna” (itálico), as expressões sublinhadas podem ser subs�tuídas, sem prejuízo do sen�do do texto, respec�vamente, por a) realmente; portanto. b) invariavelmente; ainda. c) com efeito; todavia. d) com segurança; também. e) possivelmente; até. GR0403 - (Unesp) Leia a crônica “Seu ‘Afredo’”, de Vinicius de Moraes (1913-1980). Seu Afredo (ele sempre subtraía o “l” do nome, ao se apresentar com uma ligeira curvatura: “Afredo Paiva, um seu criado...”) tornou-se inesquecível à minha infância porque tratava-se muito mais de um linguista que de um encerador. Como encerador, não ia muito lá das pernas. Lembro-me que, sempre depois de seu trabalho, minha mãe ficava passeando pela sala com uma flanelinha debaixo de cada pé, para melhorar o lustro. Mas, como linguista, cultor do vernáculo1 e aplicador de su�lezas grama�cais, seu Afredo estava sozinho. Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespeitador, mas em quem a preocupação linguís�ca perturbava às vezes a colocação pronominal. Um dia, numa fila de ônibus, minha mãe ficou ligeiramente ressabiada2 quando seu Afredo, casualmente de passagem, parou junto a ela e perguntou-lhe à queima-roupa, na segunda do singular: – Onde vais assim tão elegante? Nós lhe dávamos uma bruta corda. Ele falava horas a fio, no ritmo do trabalho, fazendo os mais deliciosos pedan�smos que já me foi dado ouvir. Uma vez, minha mãe, em meio à lide3 caseira, queixou-se do fa�gante ramerrão4 do trabalho domés�co. Seu Afredo virou-se para ela e disse: – Dona Lídia, o que a senhora precisa fazer é ir a um médico e tomar a sua quilometragem. Diz que é muito bão. De outra feita, minha �a Graziela, recém-chegada de fora, cantarolava ao piano enquanto seu Afredo, acocorado perto dela, esfregava cera no soalho. Seu Afredo nunca �nha visto minha �a mais gorda. Pois bem: chegou-se a ela e perguntou-lhe: – Cantas? Minha �a, meio surpresa, respondeu com um riso amarelo: – É, canto às vezes, de brincadeira... Mas, um tanto formalizada, foi queixar-se a minha mãe, que lhe explicou o temperamento do nosso encerador: – Não, ele é assim mesmo. Isso não é falta de respeito, não. É excesso de... gramá�ca. Conta ela que seu Afredo, mal viu minha �a sair, chegou-se a ela com ar disfarçado e falou: – Olhe aqui, dona Lídia, não leve a mal, mas essa menina, sua irmã, se ela pensa que pode cantar no rádio 1@professorferretto @prof_ferretto com essa voz, ‘tá redondamente enganada. Nem em programa de calouro! E, a seguir, ponderou: – Agora, piano é diferente. Pianista ela é! E acrescentou: – Eximinista pianista! (Para uma menina com uma flor, 2009.) 1 vernáculo: a língua própria de um país; língua nacional. 2 ressabiado: desconfiado. 3 lide: trabalho penoso, labuta. 4 ramerrão: ro�na. Em “Conta ela que seu Afredo, mal viu minha �a sair, chegou-se a ela com ar disfarçado e falou [...]” (12º parágrafo), a conjunção destacada pode ser subs�tuída, sem prejuízo para o sen�do do texto, por: a) assim como. b) logo que. c) enquanto. d) porque. e) ainda que. GR0298 - (Unesp) Trecho do livro A solidão dos moribundos, do sociólogo alemão Norbert Elias. Não mais consideramos um entretenimento de domingo assis�r a enforcamentos, esquartejamentos e suplícios na roda. Assis�mos ao futebol, e não aos gladiadores na arena. Se comparados aos da An�guidade, nossa iden�ficação com outras pessoas e nosso compar�lhamento de seus sofrimentos e morte aumentaram. Assis�r a �gres e leões famintos devorando pessoas vivas pedaço a pedaço, ou a gladiadores, por astúcia e engano, mutuamente se ferindo e matando, dificilmente cons�tuiria uma diversão para a qual nos prepararíamos com o mesmo prazer que os senadores ou o povo romano. Tudo indica que nenhum sen�mento de iden�dade unia esses espectadores àqueles que, na arena, lutavam por suas vidas. Como sabemos, os gladiadores saudavam o imperador ao entrar com as palavras “Morituri te salutant” (Os que vão morrer te saúdam). Alguns dos imperadores sem dúvida se acreditavam imortais. De todo modo, teria sido mais apropriado se os gladiadores dissessem “Morituri moriturum salutant” (Os que vão morrer saúdam aquele que vai morrer). Porém, numa sociedade em que �vesse sido possível dizer isso, provavelmente não haveria gladiadores ou imperadores. A possibilidade de se dizer isso aos dominadores — alguns dos quais mesmo hoje têm poder de vida e morte sobre um sem-número de seus semelhantes — requer uma desmitologização da morte mais ampla do que a que temos hoje, e uma consciência muito mais clara de que a espécie humana é uma comunidade de mortais e de que as pessoas necessitadas só podem esperar ajuda de outras pessoas. O problema social da morte é especialmente di�cil de resolver porque os vivos acham di�cil iden�ficar-se com os moribundos. A morte é um problema dos vivos. Os mortos não têm problemas. Entre as muitas criaturas que morrem na Terra, a morte cons�tui um problema só para os seres humanos. Embora compar�lhem o nascimento, a doença, a juventude, a maturidade, a velhice e a morte com os animais, apenas eles, dentre todos os vivos, sabem que morrerão; apenas eles podem prever seu próprio fim, estando cientes de que pode ocorrer a qualquer momento e tomando precauções especiais — como indivíduos e como grupos — para proteger- se contra a ameaça da aniquilação. (A solidão dos moribundos, 2001.) Em “Embora compar�lhem o nascimento, a doença, a juventude, a maturidade, a velhice e a morte com os animais, apenas eles, dentre todos os vivos, sabem que morrerão” (2º parágrafo), o termo sublinhado pode ser subs�tuído, sem prejuízo para o sen�do do texto, por: a) A menos que. b) Mesmo que. c) Desde que. d) Uma vez que. e) Contanto que. GR0366 - (Uerj) PESCANDO NA MARGEM DO RIO Era um homem muito velho, que cada manhã acordava certo de que aquela seria a úl�ma. E porque seria a úl�ma, pegava o caniço, a la�nha de iscas, e ia pescar na beira do rio. As poucas pessoas que ainda se ocupavam dele reclamaram, a princípio. Que aquilo era perigoso, que ficava muito só, que poderia ter um mal súbito. Depois, considerando que um mal súbito seria solução para vários problemas, deixaram que fosse, e logo deixaram de reparar quando ia. O velho entrou, assim, na categoria dos ausentes. Ausente para os outros, con�nuava docemente presente para si mesmo. Ia ao rio com a alma fresca como a manhã. Demorava um pouco a chegar porque seus passos eram lentos, mas, não tendo pressa alguma, o caminho lhe era só prazer. Não havia nada ali que não conhecesse, as pedras, as poças, as árvores, e até o sapo que saltava na poça e as aves que cantavam nos galhos, tudo lhe era familiar. E embora a natureza não se curvasse para cumprimentá-lo, sabia-se bem-vindo. O dia escorria mais lento que a água. Quando algum peixe �nha a delicadeza de morder o seu anzol, ele 2@professorferretto @prof_ferretto o limpava ali mesmo, cuidadoso, e o assava sobre um fogo de gravetos. Quando nenhuma presença es�cava a linha do caniço, comia o pãoamarelo, melancólico, avaro; 17@professorferretto @prof_ferretto • Homo sapiens afer: negro, impassível, preguiçoso; • Homo sapiens americanus: vermelho, mal-humorado, violento. Observe o leitor que as raças de Linnaeus con�nham traços peculiares fixos, ou seja, havia a expecta�va de todos os europeus serem “brancos, sérios e fortes”. Assim, teríamos de esperar que as pessoas negras ao redor de nós �vessem tendências “impassíveis e preguiçosas”, e que as de olhos puxados fossem predispostas a “melancolia e avareza”. Esse é um exemplo do absurdo da perspec�va essencialista ou �pológica de raças humanas. Nesse paradigma, o indivíduo não pode simplesmente ter a pele mais ou menos pigmentada, ou o cabelo mais ou menos crespo – ele tem de ser definido como “negro” ou “branco”, rótulo determinante de sua iden�dade. Esse �po de associação fixa de caracterís�cas �sicas e psicológicas, que incrivelmente ainda persiste na atualidade, não faz absolutamente nenhum sen�do do ponto de vista gené�co e biológico! O genoma humano tem cerca de 20 mil genes e sabemos que poucas dúzias deles controlam a pigmentação da pele e a aparência �sica dos humanos. Está 100% estabelecido que esses genes não têm nenhuma influência sobre qualquer traço comportamental ou intelectual. SÉRGIO DANILO PENA. Adaptado de cienciahoje.org.br, 11/07/2008. Está 100% estabelecido que esses genes não têm nenhuma influência sobre qualquer traço comportamental ou intelectual. (úl�mo parágrafo, sublinhado) Para introduzir a frase acima, mantendo a coerência com a que a precede, pode ser u�lizada a seguinte expressão: a) ou seja b) além disso c) em resumo d) por exemplo GR0118 - (Fgv) Leia o seguinte texto, que é parte de uma entrevista concedida por Érico Veríssimo a Clarice Lispector: – Érico, por que você acha que não agrada aos crí�cos e aos intelectuais? – Para começo de conversa, devo confessar que não me considero um escritor importante. Não sou um inovador. Nem mesmo um homem inteligente. Acho que tenho alguns talentos que uso bem... mas que acontece serem os talentos menos apreciados pela chamada “cri�ca séria”, como, por exemplo, o de contador de histórias. Os livros que me deram opularidade, como “Olhai os lírios do campo”, são romances medíocres. Nessa altura me pespegaram* no lombo literário vários rótulos: escritor para mocinhas, superficial etc... O que vem depois dessa primeira fase é bastante melhor mas, que diabo! pouca gente (refiro-me aos crí�cos apressados) se dá ao trabalho de revisar opiniões an�gas e alheias. Por outro lado, existem os “grupos”. Os esquerdistas sempre me acharam “acomodado”. Os direi�stas me consideram comunista. Os moralistas e reacionários me acusam de imoral e subversivo. Havia ainda essa história cre�na de “norte contra sul”. E ainda essa natural má vontade que cerca todo escritor que vende livro, a ideia de que best-seller tem de ser necessariamente um livro inferior. Some tudo isto, Clarice, e você não terá ainda uma resposta sa�sfatória à sua pergunta. Mas devo acrescenta que há no Brasil vários crí�cos que agora me levam a sério, principalmente depois que publiquei O tempo e o vento. (Bons sujeitos!) Clarice Lispector. Entrevistas. Rio de Janeiro: Rocco, 2007. * “pespegaram”: aplicaram. Se a oração sublinhada no trecho “Os livros que me deram popularidade são romances medíocres” for subs�tuída por outra do mesmo �po sintá�co, o uso de preposição antes do pronome “que” con�nuaria a ser desnecessário apenas em: a) que me tornei conhecido. b) que também me orgulho. c) que procuro valorizar. d) que tanto lutei. e) que me refiro. GR0117 - (Fgv) A ideia de que as letras se des�nam, exclusivamente, à mo�vação de fatos emocionais ou ao prazer lúdico do homem domina o juízo comum a respeito. No entanto, isso é um grande erro. As letras enriquecem o conhecimento com a mesma força, ainda que sob ângulos diversos, com que se apresentam os recursos cien�ficos e os aperfeiçoamentos tecnológicos. Hoje, o estudo das letras se coloca na mesma posição intelectual que faz a justa glória dos pesquisadores e professores da área cien�fica. Afrânio Cou�nho Considerado o contexto, na oração “com que se apresentam os recursos cien�ficos e os aperfeiçoamentos tecnológicos”, pode-se usar a preposição “de” em lugar de “com”, se o verbo for subs�tuído por 18@professorferretto @prof_ferretto a) se revestem. b) se exibem. c) se mostram. d) se manifestam. e) se dão a conhecer. GR0617 - (Ufam) Indique as circunstâncias expressas pelos adjuntos adverbiais destacados nas frases a seguir, usando este código: C – Causa I – Instrumento M – Modo S – Concessão T – Intensidade (__) O desastre não aconteceu, mas o carro ia em alta velocidade. (__) Apesar das dificuldades financeiras, Nonato consegue se ves�r muito bem. (__) Todos nós ficamos muito alegres com as promessas do novo governador. (__) Nosso amigo interpretou bem o papel de Hamlet. (__) Ontem, por descuido, feri-me com uma faca. (__) Ninguém observa que aqui o trabalho é excessivamente puxado. Assinale a alterna�va que preenche CORRETAMENTE os parênteses, de cima para baixo: a) M – T – C – T – I – S. b) M – I – C – S – T – T. c) M – S – C – M – I – T. d) C – S – M – M – T – I. e) C – T – M – S – T – I. GR0630 - (Uece) A ARMADILHA DOS VAPES No Brasil, 20% dos jovens adultos já experimentaram. Nos EUA, virou um problema de saúde pública grave¹. Entenda em que pé se encontra a febre dos cigarros eletrônicos — que têm se mostrado tão perigosos quanto os convencionais. 7 a 19 segundos. É o tempo que a nico�na do cigarro leva para chegar ao cérebro. Lá dentro², ela a�va o principal neurotransmissor do prazer. E dá-lhe prazer: comer chocolate eleva em 55% a liberação de dopamina; fazer sexo, 100%. A nico�na? 150%. Com o tempo, essas doses con�nuas de prazer acostumam o cérebro, que passa a precisar de doses maiores para se sa�sfazer. Instaura-se um vício. E não é só a descarga de dopamina que importa aí. É também a velocidade com a qual você obtém o efeito. Cocaína inalável, por exemplo, sobe os níveis de dopamina em 400%, mas essa descarga vem só 3 minutos após o consumo. Já o cigarro, embora³ não cause tanta disrupção neuronal, tem efeito pra�camente instantâneo. Isso torna a nico�na no mínimo tão viciante quanto cocaína, heroína ou metanfetaminas. Com uma perversidade adicional: ela não altera nosso estado consciente, então⁴ o usuário pode passar o dia inteiro mimando⁵ os neurônios. Disponível em: h�ps://super.abril.com.br. No trecho: “Já o cigarro, embora não cause tanta disrupção neuronal, tem efeito pra�camente instantâneo. Isso torna a nico�na no mínimo tão viciante quanto cocaína, heroína ou metanfetaminas” (ref. 3). A relação que o elemento destacado estabelece é de a) condição. b) concessão. c) adição. d) alternância. GR0631 - (Uece) A ARMADILHA DOS VAPES No Brasil, 20% dos jovens adultos já experimentaram. Nos EUA, virou um problema de saúde pública grave¹. Entenda em que pé se encontra a febre dos cigarros eletrônicos — que têm se mostrado tão perigosos quanto os convencionais. 7 a 19 segundos. É o tempo que a nico�na do cigarro leva para chegar ao cérebro. Lá dentro², ela a�va o principal neurotransmissor do prazer. E dá-lhe prazer: comer chocolate eleva em 55% a liberação de dopamina; fazer sexo, 100%. A nico�na? 150%. Com o tempo, essas doses con�nuas de prazer acostumam o cérebro, que passa a precisar de doses maiores para se sa�sfazer. Instaura-se um vício. E não é só a descarga de dopamina que importa aí. É também a velocidade com a qual você obtém o efeito. Cocaína inalável, por exemplo, sobe os níveis de dopamina em 400%, mas essa descarga vem só 3 minutos após o consumo. Já o cigarro, embora³ não cause tanta disrupção neuronal, tem efeito pra�camente instantâneo. Isso torna a nico�na no mínimo tão viciante quanto cocaína, heroína ou metanfetaminas. Com uma perversidade adicional: ela não altera nosso estado consciente, então⁴ o usuário pode passar o dia inteiro mimando⁵ os neurônios. Disponível em: h�ps://super.abril.com.br.Em “Com uma perversidade adicional: ela não altera nosso estado consciente, então o usuário pode passar o 19@professorferretto @prof_ferretto dia inteiro mimando os neurônios” (ref. 4), o termo destacado estabelece, entre as orações, uma relação de a) adversidade. b) alternância. c) condição. d) conclusão. GR0636 - (Unifor) Na �rinha, a preposição “com”, em “Um patrão faz assim com o indicador...”, assume valor semân�co de a) causa. b) instrumento. c) finalidade. d) modo. e) direção. GR0640 - (Ifpe) COMO DESENVOLVER UMA CULTURA DE COOPERAÇÃO E AFASTAR O BULLYING (1) O desenvolvimento de uma cultura de cooperação está diretamente relacionado ao combate ao bullying. Isso porque entender o processo educacional como uma prá�ca que conduza à cooperação e ao respeito mútuo ataca a raiz dessa violência. Mas quais métodos podem ser adotados para se posicionar contra o bullying? Qual o papel da escola na consolidação dos valores entre seus alunos? (2) O desenvolvimento de uma cultura de cooperação, nas ins�tuições de ensino, relaciona-se com o entendimento do espaço escolar não apenas como um local de ensino formal, mas, também, de formação do jovem como cidadão. Em outras palavras, a escola tem papel fundamental no desenvolvimento dos valores dos jovens, estabelecendo conceitos relacionados aos seus direitos e deveres, à cooperação, ao respeito e à solidariedade. Nesse contexto, o bullying vem sendo tratado com cada vez mais seriedade pela comunidade escolar e pelo governo de diversos países. No Brasil, inclusive, já existe uma lei an�bullying. (3) Apesar de não haver uma fórmula pronta para garan�r a não ocorrência dessa prá�ca, algumas medidas para o desenvolvimento de uma cultura de cooperação podem contribuir para evitar esse �po de violência. (4) Nessa perspec�va, é importante que a escola ofereça oportunidades para que os jovens entendam os bene�cios do trabalho em equipe e a contribuição de cada um para o sucesso de a�vidades assim. Os jogos coopera�vos são uma excelente ferramenta. Consistem em a�vidades nas quais é necessário um esforço conjunto para se a�ngir um obje�vo comum, contrariando a estrutura compe��va e incen�vando a par�cipação total dos alunos. Desenvolver projetos e trabalhos em conjunto também é uma boa alterna�va. Em um projeto anual ou semestral, é possível delegar funções e permi�r que os alunos tomem responsabilidades diferentes. (5) O mais importante desses processos é o desenvolvimento da comunicação, das trocas de ideias e das bagagens de conhecimento. É nessas trocas do trabalho cole�vo que os alunos começam a perceber o impacto de suas diferenças na cons�tuição de um objeto maior. (6) Há, ainda, a importância do relacionamento com os alunos, em que professores e gestores podem oferecer oportunidades de diálogo que es�mulem a abertura de um relacionamento de confiança e de cooperação. Nesse sen�do, é imprescindível que a escola trabalhe temas como bullying e respeito às diferenças em campanhas com apoio da coordenação pedagógica. Aulas exposi�vas, debates, palestras e outras a�vidades podem compor a ação. (7) Além disso, a comunicação deve ser estendida aos pais, fundamentais para a resolução dos problemas relacionados à educação, cuja par�cipação é imprescindível para o sucesso das prá�cas adotadas. Os pais devem se envolver a�vamente, aproximando-se das ações da escola, entendendo a importância e a necessidade de atuarem junto aos seus filhos no processo educacional. Disponível em: . Acesso em: 27 nov. 2019 (adaptado). 20@professorferretto @prof_ferretto Releia o seguinte trecho, transcrito do 3° parágrafo do texto 1: “Apesar de não haver uma fórmula pronta para garan�r a não ocorrência dessa prá�ca, algumas medidas para o desenvolvimento de uma cultura de cooperação podem contribuir para evitar esse �po de violência.” (3° parágrafo) Nele, os elementos destacados estabelecem, entre as orações do período, uma relação sintá�co-semân�ca de? a) proporção. b) causa. c) tempo. d) condição. e) concessão. GR0642 - (Uece) Comida Titãs Bebida é água Comida é pasto Você tem sede de quê? Você tem fome de quê? (23) A gente não quer só comida A gente quer comida, diversão e arte A gente não quer só comida A gente quer saída para qualquer parte (22) A gente não quer só comida A gente quer bebida, diversão, balé A gente não quer só comida A gente quer a vida como a vida quer Bebida é água Comida é pasto (24) Você tem sede de quê? Você tem fome de quê? (21) A gente não quer só comer A gente quer comer e quer fazer amor A gente não quer só comer A gente quer prazer pra aliviar a dor A gente não quer só dinheiro A gente quer dinheiro e felicidade A gente não quer só dinheiro A gente quer inteiro e não pela metade Diversão e arte para qualquer parte diversão, balé como a vida quer... Desejo, necessidade, vontade necessidade, desejo necessidade, vontade necessidade! ANTUNES, Arnaldo; FROMER, Marcelo; BRITO, Sergio. Comida. Intérprete: Titãs. In: Titãs. Jesus não tem dentes no país dos banguelas. Rio de Janeiro: WEA. 1 disco sonoro (LP). Lado A, faixa 2. 1987. Considere os seguintes versos da canção: “A gente não quer só comida / A gente quer saída para qualquer parte” (22). É possível reescrever estes versos de diversas maneiras, mantendo a equivalência de sen�do, com exceção da forma como está estruturada no seguinte enunciado? a) A gente não quer só comida porque a gente quer também saída para qualquer parte. b) Da mesma forma que a gente quer comida, a gente quer também saída para qualquer parte. c) Além de comida, a gente quer ainda saída para qualquer parte. d) Não só comida mas também a gente quer saída para qualquer parte. GR0680 - (Espm) (...) Esta casa do Engenho Novo, conquanto reproduza a de Mata-cavalos, apenas me lembra aquela, e mais por efeito de comparação e de reflexão que de sen�mento. Já disse isto mesmo. Hão de perguntar-me por que razão, tendo a própria casa velha, na mesma rua an�ga, não impedi que a demolissem e vim reproduzi-la nesta. A pergunta devia ser feita a princípio, mas aqui vai a resposta. A razão é que, logo que minha mãe morreu, querendo ir para lá, fiz primeiro uma longa visita de inspeção por alguns dias, e toda a casa me desconheceu. No quintal a aroeira e a pitangueira, o poço, a caçamba velha e o lavadouro, nada sabia de mim. A casuarina era a mesma que eu deixara ao fundo, mas o tronco, em vez de reto, como outrora, �nha agora um ar de ponto de interrogação; naturalmente pasmava do intruso. (...) Tudo me era estranho e adverso. Deixei que demolissem a casa, e, mais tarde, quando vim para o Engenho Novo, lembrou-me fazer esta reprodução por explicações que dei ao arquiteto, segundo contei em tempo. (Machado de Assis, Dom Casmurro, Capítulo CXLIV) No trecho: Esta casa do Engenho Novo, conquanto reproduza a de Mata-cavalos, apenas me lembra aquela..., o termo em destaque pode ser subs�tuído sem prejuízo semân�co por: 21@professorferretto @prof_ferretto a) porquanto (relação de causa). b) entretanto (relação de oposição de ideias que se anulam). c) embora (relação de oposição de ideias que coexistem). d) uma vez que (relação de causa). e) à medida que (relação de proporcionalidade). GR0682 - (Espm) A Raiz da Corrupção O tema da corrupção e de seu suposto combate volta à pauta com intensidade de tempos em tempos e deverá ser recorrente neste ano eleitoral. Ainda que debater a corrupção seja de extrema importância, é essencial que façamos, enquanto sociedade, uma discussão atualizada e realista de suas implicações e que saibamos iden�ficar onde ela de fato reside. Antes, é preciso dizer que a corrupção é um fenômeno milenarmente presente na vida social. Surge com o sen�do atual que conhecemos, de apropriação privada de patrimônio público, a par�r da modernidade, quando o patrimônio do soberano, que se confundia com o Estado, deixa de exis�r, e o patrimônio do Estado passa a ser visto como propriedadepública. No campo teórico, a corrupção não é só um conceito jurídico e penal, mas também uma ideia que pertence ao âmbito filosófico-polí�co e de Jus�ça. Trata-se de uma iniquidade no plano moral e polí�co porque destrói a capacidade de inves�mento no serviço público. Na atualidade, o enfrentamento à corrupção é quase sempre associado à ideia de combate, e não de controle. A suposta guerra contra a corrupção é meramente retórica, pois o Estado não pode entrar em guerra contra seus próprios cidadãos. A história mostra que as tenta�vas de controle da corrupção por parte do Estado, valendo-se de seus aparelhos de inves�gação, capturam hoje a corrupção de ontem. Os grandes agentes de corrupção sistêmica são pegos quando não têm mais força relevante nos sistemas polí�co e econômico. A Lava Jato, que levou essa ideia de combate à corrupção ao ápice, com todos os seus abusos, fisgou corrupções pra�cadas por empreiteiros num momento em que estes não �nham mais tanto relevo na economia e na polí�ca. Pouco se fala, mas a principal fonte das prá�cas corruptas hoje, no mundo inteiro, é o mercado financeiro. A corrupção, não no sen�do jurídico-penal, mas como iniquidade moral, espraia-se por esse ambiente de formas menos evidentes do que a corrupção da obra superfaturada. (Pedro Serrano, revista Carta Capital, 9 de fevereiro de 2022, p.31.) Na frase: “Ainda que debater a corrupção seja de extrema importância,...”(1º par.), o elemento coesivo em negrito pode ser subs�tuído, sem prejuízo semân�co, por: a) Uma vez que, por traduzir ideia de causa. b) Todavia, por estabelecer ideia de adversidade. c) À medida que, por estabelecer ideia de proporcionalidade. d) Desde que, por estabelecer ideia de condição. e) Mesmo que, por estabelecer ideias opostas coexistentes. GR0699 - (Unicamp) O texto a seguir é um trecho da canção Pantanal, que foi tema de abertura da novela com o mesmo nome, exibida originalmente pela TV Manchete em 1990 e regravada pela TV Globo em 2022. Lendas de raças, cidades perdidas nas selvas do coração do Brasil. Contam os índios de deuses que descem do espaço no coração do Brasil. Redescobrindo as Américas quinhentos anos depois, Lutar com unhas e dentes pra termos direito a um depois. Fim do milênio, resgate da vida, do sonho, do bem. A terra é tão verde e azul. Os filhos dos filhos dos filhos dos nossos filhos verão. Pantanal, letra de Marcus Viana, gravada pelo grupo Sagrado Coração da Terra na coletânea em LP Sagrado – Farol da Liberdade, lançada em 1991 pelo selo Sonhos & Sons) Nesse trecho da canção, podemos iden�ficar a) repe�ção de advérbios que indicam as mesmas circunstâncias de tempo e de lugar, para produzir um efeito de redundância a respeito da luta pela terra. b) indeterminação de sujeito com verbo na terceira pessoa do plural, para produzir um efeito de incerteza quanto ao papel das futuras gerações. c) atribuição de caracterís�cas posi�vas por meio de substan�vos que indicam cores, para produzir um efeito de o�mismo na preservação da natureza. d) encadeamento sucessivo de termos ligados por preposição, para produzir um efeito de con�nuidade temporal quanto à condição do planeta. GR0707 - (Unifenas) HQ sobre Covid-19 no corpo humano criada pelo curso de Medicina Campus Toledo é premiada pelo Ins�tuto Butantan Superintendência de Comunicação Social 15 de setembro de 2020 - 16h10 22@professorferretto @prof_ferretto Uma história em quadrinhos (HQ) do projeto extensionista “Coronavírus – Chega de Fake News”, do curso de Medicina do Campus Toledo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), ficou em segundo lugar no concurso “Micróbios em Tirinhas”, do Museu de Microbiologia do Ins�tuto Butantan, em São Paulo. A �rinha “A Saga do COVID no corpo humano” foi divulgada pelas redes sociais do Museu nesta semana. Colorida, didá�ca, com traços cômicos �picos da HQ e linguagem acessível, a história elaborada pelo projeto da UFPR tem 13 páginas detalhando como o coronavírus se comporta dentro do corpo humano, além das respostas imunológicas e a função específica de cada agente até que o vírus seja neutralizado e expelido pelo organismo. (...) A professora relata que, ao tomar conhecimento do concurso do Ins�tuto Butantan, percebeu que havia uma sintonia de obje�vos e decidiu realizar a inscrição. “É uma oportunidade para expor ações educa�vas e a�ngir uma das metas da nossa extensão: divulgar informações sobre o coronavírus baseadas em conhecimento cien�fico, com linguagem simples e ilustra�va, para o maior número de pessoas possível”, acrescenta. Conhecimento cien�fico acessível à população A estudante do quinto ano do curso Brenda Malucelli Rocha, de 20 anos, foi uma das integrantes da equipe que ajudou o projeto na conquista do segundo lugar com habilidades ar�s�cas e conhecimento acadêmico. “Sempre gostei de desenhar, mas não �nha experiência com o es�lo de HQ e menos ainda com arte digital. Tive que aprender do zero e foi bastante gra�ficante ver o resultado final. Pude par�cipar da criação de um modo de (sic) fornecer conhecimento cien�fico de um jeito simples para a população. Foi incrível proporcionar essa vitória aos colegas e professores envolvidos na criação do projeto, bem como agregar à UFPR Toledo”, pontua. No segundo ano de Medicina, Lucas Augusto Marcon, de 21 anos, atuou na elaboração dos esboços dos quadrinhos, bem como na digitalização e na arte final da �rinha, e o sen�mento após o concurso é de dever cumprido. “Quando criamos um projeto desse, que envolve tantas coisas a serem criadas e adaptadas, surge o medo de não conseguir ser claro na proposta ou de não conseguir conquistar quem lê. Ter ficado em segundo no concurso do Museu de Microbiologia dá um recado tranquilizador para nós. É o sinal de que o projeto tem tudo para cumprir com seu obje�vo. É muito sa�sfatório”, conclui. (...) Por Matheus Dias. Edição: Chirlei Kohls. Parceria Superintendência de Comunicação e Marke�ng (Sucom) e Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Cien�fica e Cultural da UFPR (Disponível em: h�ps://www.ufpr.br/portalufpr/no�cias/hq-sobre-covid- 19-no-corpo-humano-do-curso-de-medicina-docampus- toledo-e-premiada-pelo-ins�tuto-butantan/) Marque a alterna�va em que não há correlação devida entre o elemento grama�cal em destaque e sua implicação semân�ca no trecho: a) “É uma oportunidade para expor ações educa�vas e a�ngir uma das metas da nossa extensão: divulgar informações sobre o coronavírus (...).” (finalidade) b) “Sempre gostei de desenhar, mas não �nha experiência com o es�lo de HQ e menos ainda com arte digital.” (concessão) c) “No segundo ano de Medicina, Lucas Augusto Marcon, de 21 anos, atuou na elaboração dos esboços dos quadrinhos, bem como na digitalização (...).” (adição) d) “Quando criamos um projeto desse, que envolve tantas coisas a serem criadas e adaptadas, surge o medo de não conseguir ser claro (...).” (tempo) e) “(...) surge o medo de não conseguir ser claro na proposta ou de não conseguir conquistar quem lê.” (alternância) GR0708 - (Unifenas) EMPATIA EM TEMPOS DE CRISE DO CORONAVÍRUS Para a ciência, empa�a é uma habilidade socioemocional de múl�plas faces. Tem um lado biológico e hereditário, determinado por sequências do genoma humano já iden�ficadas. Os bebês desde muito cedo conseguem discernir o sorriso do pranto, imitando- os para refle�r a emoção que observaram. A expressão da empa�a é interpessoal: o sorriso do bebê acompanha o sorriso da mãe. Ambos vivenciam a mesma emoção. A empa�a pode ser modulada pela sociedade, capaz de ensinar as pessoas a calibrar a vivência emocional compar�lhada com outros. Para os profissionais de saúde, essa habilidade calibrada — o chamado controle execu�vo da empa�a — é essencial para o bem cuidar. Os pacientes se sentem acolhidos quando percebem o compar�lhamento solidário de suas dores por parte dos médicos, enfermeiros e outros cuidadores. No entanto, raramente os currículos escolares incluem habilidades socioemocionais como essa. E nem sempre as faculdades da área da saúde ensinamaos estudantes as técnicas de modular a empa�a no nível necessário para melhor atender os pacientes. Há estudos que mostram melhores níveis de glicemia e colesterol em pacientes diabé�cos tratados por médicos empá�cos, e 23@professorferretto @prof_ferretto aumento da imunidade de pacientes com quadros gripais severos quando percebem o compar�lhamento emocional dos profissionais de saúde com as suas dores. Uma recente revisão dos estudos sobre empa�a esclarece os mecanismos neurais subjacentes. Quando um médico interage com um paciente em sofrimento, ambos a�vam as vias neurais da dor de modo semelhante — dos neurônios sensoriais que inervam os pulmões, por exemplo, até as regiões perceptuais do córtex cerebral. Mas há um momento em que a percepção dolorosa tem que gerar comportamentos. (...) Em momentos de crise como o que vivemos, tudo se subverte. O sofrimento das pessoas é extremo, e a pressão empá�ca sobre os profissionais de saúde pode se tornar insustentável, transformando-se em estresse e burnout. Os momentos de crise revelam também as pessoas desprovidas de empa�a. Forme-se um grupo familiar conduzido sem empa�a, ou pior, com frieza e crueldade, e os comportamentos desviantes se tornam prevalentes. Se forem pessoas públicas, como ocorre atualmente no Brasil, o estrago polí�co e social passa a ser enorme. Esse é outro ensinamento que poderemos levar da crise que nos assola, para melhor conduzir a reconstrução que nos aguarda. Precisamos inserir as habilidades socioemocionais na educação de nossas crianças e jovens, inclusive os profissionais de saúde. E fomentar a pesquisa cien�fica à altura da importância que a empa�a tem para nossa vida. (LENT, Roberto. Disponível em: h�ps://blogs.oglobo.globo.com/a-hora-da- ciencia/post/amp/empa�a-em-tempos-decrise-do- coronavirus.html. Acesso em: 17 mai. 20. Adapt.) Marque a alterna�va em que não há correlação devida entre o elemento grama�cal em destaque e sua implicação semân�ca no trecho: a) “Esse é outro ensinamento que poderemos levar da crise que nos assola, para melhor conduzir a reconstrução que nos aguarda.” – finalidade. b) “Mas há um momento em que a percepção dolorosa tem que gerar comportamentos.” – adversidade. c) “No entanto, raramente os currículos escolares incluem habilidades socioemocionais como essa.” – concessão. d) “Os momentos de crise revelam também as pessoas desprovidas de empa�a.” – adição. e) “Se forem pessoas públicas, como ocorre atualmente no Brasil, o estrago polí�co e social passa a ser enorme. – condicionalidade. GR0714 - (Famerp) A propósito das botas Meu pai, que não me esperava, abraçou-me cheio de ternura e agradecimento. “— Agora é deveras?, disse ele. Posso enfim...?” Deixei-o nessa re�cência, e fui descalçar as botas, que estavam apertadas. Uma vez aliviado, respirei à larga, e deitei-me a fio comprido, enquanto os pés, e todo eu atrás deles, entrávamos numa rela�va bem-aventurança. Então considerei que as botas apertadas são uma das maiores venturas da Terra, porque, fazendo doer os pés, dão azo ao prazer de as descalçar. Mor�fica os pés, desgraçado, desmor�fica-os depois, e aí tens a felicidade barata, ao sabor dos sapateiros e de Epicuro1. [...] Quatro ou cinco dias depois, saboreava esse rápido, inefável e incoercível momento de gozo, que sucede a uma dor pungente, a uma preocupação, a um incômodo... Daqui inferi eu que a vida é o mais engenhoso dos fenômenos, porque só aguça a fome, com o fim de deparar a ocasião de comer, e não inventou os calos, senão porque eles aperfeiçoam a felicidade terrestre. Em verdade vos digo que toda a sabedoria humana não vale um par de botas curtas. Tu, minha Eugênia, é que não as descalçaste nunca; foste aí pela estrada da vida, manquejando da perna e do amor, triste como os enterros pobres, solitária, calada, laboriosa, até que vieste também para esta outra margem... (Memórias póstumas de Brás Cubas, 2008.) 1Epicuro: Filósofo grego (341 a.C.-271 a.C.). “Daqui inferi eu que a vida é o mais engenhoso dos fenômenos, porque só aguça a fome, com o fim de deparar a ocasião de comer” (2º parágrafo) Em relação ao trecho que a precede, a palavra sublinhada introduz uma oração que expressa a) uma finalidade. b) uma explicação. c) uma condição. d) uma conclusão. e) uma consequência. GR0715 - (Famema) “Levantei-me com a taça de champanha e declarei que, acompanhando as ideias pregadas por Cristo, res�tuía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as minhas ideias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus, que os homens não podiam roubar sem pecado.” (Machado de Assis, Diálogos e Reflexões de um Relojoeiro.) 24@professorferretto @prof_ferretto Se colocarmos a forma verbal “Levantei-me” no plural, mantendo-se o mesmo tempo verbal e a mesma pessoa, a forma adequada será a) Levantamos-nos. b) Levantar-nos-emos. c) Levantamo-nos. d) Levantemos-nos. e) Levantemo-nos. GR0719 - (Famerp) A ciência e a tecnologia não são apenas cornucópias1 despejando dádivas sobre o mundo. Os cien�stas não só conceberam as armas nucleares; eles também pegaram os líderes polí�cos pela lapela, argumentando que a sua nação �nha que ser a primeira a fabricar uma dessas armas. E assim eles produziram mais de 60 mil armas nucleares. Durante a Guerra Fria, os cien�stas nos Estados Unidos, na União Sovié�ca, na China e em outras nações estavam dispostos a expor os seus conterrâneos à radiação — na maioria dos casos, sem o conhecimento deles — a fim de se preparar para a guerra nuclear. A nossa tecnologia produziu a talidomida, os CFCs, o agente laranja, os gases que atacam o sistema nervoso, a poluição do ar e da água, as ex�nções de espécies, e indústrias tão poderosas que podem arruinar o clima do planeta. Aproximadamente metade dos cien�stas na Terra dedica parte de seu tempo de trabalho para fins militares. Embora alguns cien�stas ainda sejam vistos como estranhos ao sistema, cri�cando corajosamente os males da sociedade e dando os primeiros avisos sobre catástrofes tecnológicas potenciais, muitos são considerados oportunistas submissos ou uma fonte complacente de lucros empresariais e de armas de destruição em massa — não importa quais sejam as consequências a longo prazo. Os perigos tecnológicos que a ciência apresenta, seu desafio implícito ao conhecimento recebido e sua visível dificuldade são razões para que as pessoas, desconfiadas, a evitem. Existe uma razão para as pessoas ficarem nervosas a respeito da ciência e da tecnologia. (O Mundo Assombrado pelos Demônios, 2006. Adaptado.) 1 – Cornucópia: vaso em forma de chifre, com frutas e flores que dele extravasam profusamente, an�go símbolo da fer�lidade, riqueza, abundância. “Embora alguns cien�stas ainda sejam vistos como estranhos ao sistema, cri�cando corajosamente os males da sociedade e dando os primeiros avisos sobre catástrofes tecnológicas potenciais, muitos são considerados oportunistas submissos ou uma fonte complacente de lucros empresariais e de armas de destruição em massa — não importa quais sejam as consequências a longo prazo.” No contexto em que se encontra, o trecho sublinhado expressa ideia de a) consequência. b) concessão. c) causa. d) comparação. e) condição. GR0731 - (Faminas) Os termos destacados na frase da �rinha “Se a vida fosse como a Internet” expressam, respec�vamente, ideias de a) hipótese e oposição. b) oposição e condição. c) comparação e hipótese. d) condição e comparação. GR0732 - (Faminas) Trecho de uma entrevista concedida por Jonathan Go�schall, pesquisador e professor de literatura inglesa na Universidade Washington e Jefferson, Pensilvânia. Veja – O que o senhor diria aos pais que se preocupam com filhos que evitam os livros e desperdiçam seu tempo com videogames e outros gadgets? Go�schall – Os jovens e as pessoas em geral estão lendo cada vez menos, sem dúvida. Isso não significa, no entanto, que eles estão se afastando das histórias e da ficção. A leitura deixou de ser prioritária porquefoi sendo subs�tuída pouco a pouco pelas outras formas de narra�va trazidas pela revolução digital. Um americano médio assiste ao menos cinco horas de TV por dia e gasta cada vez mais tempo imerso na realidade virtual dos videogames. A ficção, que acredito ser a principal responsável pelo desenvolvimento e pelo bem-estar psicológico do ser humano, vai con�nuar a fazer parte de nossa vida. (...) Nos jogos virtuais, a pessoa é o personagem principal e não diz “ele morreu”, mas sim “eu morri”. E isso faz toda a diferença. (Veja, Edição nº 2.268, 09/05/2012). 25@professorferretto @prof_ferretto A expressão “no entanto” em “Isso não significa, no entanto, que eles estão se afastando das histórias e da ficção.” pode ser subs�tuída, preservando-se o sen�do original, por a) todavia. b) portanto. c) deste modo. d) por conseguinte. GR0740 - (Espcex) Isoladamente, as preposições são palavras vazias de sen�do, se bem que algumas delas contenham uma vaga noção de tempo e lugar. Na frase, porém, exprimem relações as mais diversas, tais como: assunto, causa, companhia. A relação expressa pela preposição sublinhada no trecho "espumas são leves, não são feitas de nada." é a mesma da preposição destacada na frase: a) Ao longe era possível avistar a casa de Joana. b) Certamente não suspeita de que um desconhecido o admira. c) Não sei por que mo�vo aquela menina só falava de natação. d) A rede estava presa nas colunas de madeira da varanda. e) Mais uns cinquenta metros, e o perderei de vista. GR0751 - (Fcmscsp) Leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997. Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da jus�ça como na da é�ca médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por par�cipação em a�vidades de genocídio. O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnós�co de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele �nha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da jus�ça israelense. Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazistas haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores. O Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consen�mento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos). Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quan�dade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sen�do, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que pra�caram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo. Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano. (Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.) Retoma uma expressão mencionada anteriormente no texto a palavra sublinhada em: a) “Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano” (5º parágrafo). b) “Que os doutores tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação” (3º parágrafo). c) “Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consen�mento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento” (3º parágrafo). d) “Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência” (3º parágrafo). e) “para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios” (3º parágrafo). GR0752 - (Fcmscsp) 26@professorferretto @prof_ferretto Leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997. Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da jus�ça como na da é�ca médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por par�cipação em a�vidades de genocídio. O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnós�co de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele �nha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da jus�ça israelense. Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazistas haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores. O Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consen�mento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos). Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quan�dade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sen�do, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que pra�caram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo. Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano. (Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.) Em “Importante, contudo, foi a sentença.” (3ºparágrafo), o termo sublinhado pode ser subs�tuído, sem prejuízo para o sen�do do texto, por: a) não obstante. b) nesse caso. c) por isso. d) além disso. e) por conseguinte. GR00755 - (Albert Einstein) Leia a crônica “A decadência do Ocidente”, de Luis Fernando Verissimo. O doutor ganhou uma galinha viva e chegou emcasa com ela, para alegria de toda a família. O filho mais moço, inclusive, nunca �nha visto uma galinha viva de perto. Já �nha até um nome para ela – Margarete – e planos para adotá-la, quando ouviu do pai que a galinha seria, obviamente, comida. — Comida?! — Sim, senhor. — Mas se come ela? — Ué. Você está cansado de comer galinha. — Mas a galinha que a gente come é igual a esta aqui? — Claro.. Na verdade o guri gostava muito de peito, de coxa e de asa, mas nunca �nha ligado as partes ao animal. Ainda mais aquele animal vivo ali no meio do apartamento. O doutor disse que queria a galinha ao molho pardo. Há anos que não comia uma galinha ao molho pardo. A empregada sabia como se preparava galinha ao molho pardo? A mulher foi consultar a empregada. Dali a pouco o doutor ouviu um grito de horror vindo da cozinha. Depois veio a mulher dizer que ele esquecesse a galinha ao molho pardo. — A empregada não sabe fazer? — Não só não sabe fazer, como quase desmaiou quando eu disse que precisava cortar o pescoço da galinha. Nunca cortou um pescoço de galinha. Era o cúmulo. Então a mulher que cortasse o pescoço da galinha. — Eu?! Não mesmo! O doutor lembrou-se de uma velha empregada da sua mãe. A Dona Noca. Não só cortava pescoços de galinhas, como fazia isto com uma certa alegria assassina. A solução era a Dona Noca. — A Dona Noca já morreu — disse a mulher. — O quê?! — Há dez anos. — Não é possível! A úl�ma galinha ao molho pardo que eu comi foi feita por ela. 27@professorferretto @prof_ferretto — Então faz mais de dez anos que você não come galinha ao molho pardo. Alguém no edi�cio se disporia a degolar a galinha. Fizeram uma rápida enquete entre os vizinhos. Ninguém se animava a cortar o pescoço da galinha. Nem o Rogerinho do 701, que fazia coisas inomináveis com gatos. — Somos uma civilização de frouxos! — sentenciou o doutor. Foi para o poço do edi�cio e repe�u: — Frouxos! Perdemos o contato com o barro da vida! E a Margarete só olhando. Luis Fernando Verissimo. A mãe do Freud, 1997. No período composto “Não só cortava pescoços de galinhas, como fazia isto com uma certa alegria assassina.” (14º parágrafo), há duas orações conectadas por uma relação de a) adição. b) condição. c) tempo. d) proporção. e) comparação. GR0776 - (Fuvest) Há uma língua sendo gestada no Brasil que não se pretende correta, autên�ca ou mesmo eficiente. É apenas novidadeira – “trendy" ou ”fashion", como ela própria se definiria. Nessa nova língua, não se diz mais que tal ou qual coisa é an�ga, vinda do passado. Diz-se que é “vintage" - embora “vintage” (ao pé da letra, “vindima”) se aplique, em inglês, ao que pertence a uma dada safra, ao que vem auten�camente de uma época. Mas é sempre assim, não? Por leveza ou ligeireza dos usuários, certas palavras, ao serem transplantadas à força de uma língua para outra, podem ter o seu sen�do original alterado. Daí que, na nova língua que se pra�ca aqui, e mais ainda no mundo da moda, algo corriqueiro, vulgar, normal, que não se afasta dos padrões estabelecidos, é agora chamado de “mainstream”. Em inglês, “mainstream" é o curso d’água ou corrente principal e se refere a um rio, mas pode se aplicar também a um es�lo dominante na literatura, na música, no cinema. Entre nós, meio que vem subs�tuir o que, até há pouco, costumava se chamar de - como era mesmo? – “básico". A secretária de um médico acaba de me telefonar marcando um “apontamento” para a semana. Isso era algo que, no passado, dizíamos de farra: “Vou te dar um anel para marcar um apontamento”. Quis rir, mas me con�ve a tempo. A moça estava falando a sério. (Ruy Castro, Folha de S.Paulo, 09/10/2010. Adaptado). A expressão que permite transformar em um só os dois úl�mos períodos do texto “Quis rir, mas me con�ve a tempo. A moça estava falando a sério.” sem alterar o sen�do, é a) no entanto. b) uma vez que. c) se bem que. d) tanto que. e) por conseguinte. GR0828 - (Fmj) Leia um trecho do tratado Da maneira de dis�nguir o bajulador do amigo, do historiador e filósofo grego Plutarco, para responder às questões de 07 a 10. Quando um homem dá sem cessar, em palavras, provas de amor-próprio, meu caro An�oco Filopapo, Platão observa que todos o desculpam; mas esse sen�mento, acrescenta ele, entre uma pletora de vícios muito diferentes, contém um muito importante que impede que ele tenha sobre si mesmo um julgamento íntegro e imparcial. “Com efeito, o amante é cego a respeito do que ele ama”, a menos que tenha aprendido, por um estudo especial, a habituar-se a apreciar e procurar o belo, de preferência ao inato e ao familiar. No seio da amizade eis que se abre ao bajulador um vasto campo de ação: nosso amor-próprio é para ele um terreno de acesso inteiramente propício à inves�gação sobre nós; por causa desse sen�mento, cada um de nós é o primeiro e o maior adulador de si próprio, não hesitando em confiar no bajulador estranho de quem espera ter a aprovação para confirmar suas crenças e desejos. Com efeito, aquele que é acusado de gostar da bajulação não passa de um homem perdidamente enamorado de si, que, pela paixão que a si mesmo dedica, deseja e crê possuir todas as qualidades; ora, se o desejo é natural, a crença é, entretanto, arriscada e reclama bastante circunspecção. Mas, supondo-se que a verdade seja divina e seja, segundo Platão, o princípio “de todos os bens para os deuses e de todos os bens para os homens”, o bajulador está muito arriscado a ser inimigo dos deuses e sobretudo do deus Pí�co, pois não deixa de estar em contradição com o “conhece-te a � mesmo”, iludindo cada um quanto à sua própria pessoa e tornando-o cego, no que diz respeito a si mesmo, e às virtudes e aos vícios que lhe concernem, pois torna as primeiras imperfeitas e inacabadas, os outros, totalmente incuráveis. (Plutarco. Como �rar proveito de seus inimigos / Da maneira de dis�nguir o bajulador do amigo, 2011. 28@professorferretto @prof_ferretto Adaptado.) “‘Com efeito, o amante é cego a respeito do que ele ama’, a menos que tenha aprendido, por um estudo especial, a habituar-se a apreciar e procurar o belo, de preferência ao inato e ao familiar.” Em relação ao trecho que o antecede, o trecho em negrito expressa ideia de a) consequência. b) comparação. c) conclusão. d) condição. e) causa. GR0923 - (Uece) Disponível em h�ps:oabce.org.br. Acesso em: 6 de out.de 2022 (adaptado). 29@professorferretto @prof_ferretto No trecho: “As agressões não se coadunam com os ideais de solidariedade, serenidade, civilidade e bom senso que deveriam orientar a sociedade para a construção de um país fraterno, justo e inclusivo” (linhas 21-24), a relação estabelecida pelo elemento destacado ao conectar as orações é de a) adição. b) contradição. c) finalidade. d) dúvida. GR0935 - (Cecierj) Sujeito de Sorte (Belchior) Presentemente eu posso me Considerar um sujeito de sorte Porque apesar de muito moço Me sinto são, e salvo, e forte. E tenho comigo pensado Deus é brasileiro e anda do meu lado E assim já não posso sofrer No ano passado. Tenho sangrado demais Tenho chorado pra cachorro Ano passado eu morri Mas esse ano eu não morro (...) Disponível em: h�ps://www.letraz.com.br/belchior/sujeito-de-sorte/. “Me sinto são, e salvo, e forte.” No verso em destaque, percebe-se a repe�ção da conjunção “e”. Tal recurso linguís�co tem uma função dentro do texto II, que se traduz como o obje�vo de se a) convencer o leitor sobre a negligência do eu lírico, ainda que o texto demonstre o contrário. b) promover autoconfiança por parte do coenunciador, apesar do contexto em discussão. c) impor as caracterís�cas do coenunciador, embora o quadro não valorize esses aspectos sen�mentais. d) reforçar as sensações do eu lírico, mesmo que o contexto traga à tona muitas dificuldades. GR0936 - (Cecierj) Sujeito de Sorte (Belchior) Presentemente eu posso me Considerar um sujeito de sorte Porque apesar de muito moço Me sinto são, e salvo, e forte. E tenho comigo pensado Deus é brasileiro e anda do meu lado E assim já não possosofrer No ano passado. Tenho sangrado demais Tenho chorado pra cachorro Ano passado eu morri Mas esse ano eu não morro (...) Disponível em: h�ps://www.letraz.com.br/belchior/sujeito-de-sorte/. “Ano passado eu morri Mas esse ano eu não morro.” A relação entre os versos destacados do texto II, com base na presença da conjunção “mas”, define um valor semân�co de a) oposição. b) adição. c) consequência. d) tempo. GR0970 - (Ita) Carta para o Brasil 10 de setembro de 2020. Caro Brasil, Das minhas muitas viagens à América do Sul, nunca �ve a oportunidade de visitar você. A maioria delas teve como des�no a Cordilheira dos Andes, com o obje�vo de observar o magnífico céu do hemisfério sul através de telescópios de alta tecnologia de um consórcio internacional. Mas, mesmo assim, tenho pensado em você com bastante frequência. Como na�vo dos Estados Unidos da América, sei em que costumamos pensar quando se trata de você. Não seguindo uma ordem específica, você possui a maior e mais importante floresta tropical do mundo. Você abriga o maior rio do mundo, que, a cada minuto que passa, escoa para o oceano Atlân�co um volume de água que daria para encher um estádio de futebol. E, sim, nós sabíamos da existência de seu rio e de sua floresta tropical muito antes de a Amazon.com1 pegar o nome emprestado. Quer mais? Não há quem não goste de castanha-do- brasil2. Na verdade, nos EUA, nós precisamos pagar pelo pacote “premium” para que elas venham incluídas em nossos mix de castanhas. E mesmo aqueles de nós que 30@professorferretto @prof_ferretto quase não acompanham futebol sabem da existência de seus �mes famosos, ficando na maior expecta�va de ver você na final da Copa do Mundo a cada quatro anos. Também sabemos das suas praias deslumbrantes pelas músicas que as cantam — a “Garota de Ipanema” sendo uma delas. Sabemos de suas festas populares, principalmente o Carnaval, e tentamos imitar a intensidade e a alegria dessas celebrações — com dança e música — aqui no nosso hemisfério. Sabemos do seu café. E eu, par�cularmente, amo a sua bandeira. Há um pedaço do céu noturno estampado nela; mais de duas dezenas de estrelas retraçam constelações autên�cas, incluindo o Cruzeiro do Sul. Então, se você perguntasse a qualquer um de nós nos EUA o que vem à nossa cabeça quando seu nome é mencionado, normalmente selecionaríamos algo a par�r dessa lista. Você sabe do que nós não nos damos conta? Metade das vezes que embarcamos em voos domés�cos, da American Airlines ou de outras companhias aéreas, viajamos num avião da Embraer. Tudo bem, o folheto com instruções de segurança traz impresso nele o nome Embraer. Nós podemos até achar Embraer escrito em letras miúdas em algum lugar da fuselagem. Mas quase nenhum de nós sabe que a aeronave é projetada e fabricada no Brasil. Você poderia alardear “Tecnologia Brasileira”, mas não o faz. Por que não? A Alemanha não hesita em se gabar da dela. Nada mais justo, claro. Todo mundo conhece a qualidade dos produtos fabricados na Alemanha, que, por sua vez, permeiam sua economia aeroespacial, a terceira maior do mundo. Mas, espere. Um dos grandes pioneiros nos primórdios da aviação era brasileiro. Engenheiro brilhante e inven�vo, altamente condecorado, Alberto Santos Dumont liderou a transição mundial do transporte aéreo mais leve que o ar para o mais pesado que o ar. O valor de uma semente cultural como essa, plantada no nascimento de uma indústria, é incalculável. Um século depois, você se tornou líder em tecnologias de biocombus�veis — um passo fundamental em direção a uma economia verde onde nossa harmonia com a natureza vai determinar se iremos prosperar, sobreviver ou nos ex�nguir. Você também possui uma ambiciosa agência espacial, além de ser a sexta maior indústria aeroespacial do mundo. Na América La�na, você também é líder em Tecnologia da Informação. E num país famoso por sua agricultura, quase um terço de sua economia se apoia num setor produ�vo impregnado de tecnologia. Então talvez seja a hora de o mundo saber mais a respeito disso. Talvez seja a hora de os brasileiros saberem mais sobre isso. Talvez esteja mais do que na hora de você exibir produtos que declarem: “Fabricado no Brasil.” Seja o que mais for, ou não, verdade no mundo, as economias de crescimento do futuro — mesmo as que possam ser puramente agrícolas — vão girar em torno dos inves�mentos feitos hoje em ciência, tecnologia, engenharia e matemá�ca. Numa democracia, esses inves�mentos fluem de um eleitorado letrado cien�ficamente, que elege líderes esclarecidos e que entendem o valor da educação, das pesquisas e das descobertas. Sem essas perspec�vas, ainda estaríamos vivendo em cavernas, com alguns de nós resmungando: “Você não pode explorar o mundo exterior. Primeiro precisa resolver os problemas da nossa caverna.” Para que ninguém se esqueça, o primeiro (e único) astronauta sul-americano foi um engenheiro aeronáu�co brasileiro. E quando se deu o lançamento de sua missão? Em 2006, ano do centenário do primeiro avião bem- sucedido de Santos Dumont. E o que ele levou para o espaço? Uma bandeira do Brasil e uma camisa da seleção brasileira de futebol. Os países que mais passam por dificuldades no mundo tendem a ser aqueles com baixos níveis de instrução e com ausência de STEM3 em sua cultura. Você tem os recursos e o legado para liderar toda a América La�na, se não o mundo, no que um país do futuro deveria ser — no que um país do futuro deveria aspirar ser. Se você abraçar e apoiar suas indústrias STEM — e o setor de tecnologia inteiro — então os sonhos dos alunos em toda a cadeia educacional não terão limites, conforme eles forem introduzidos num mundo em que foguetes são o que alimentam as ambições das pessoas que saem pela porta da caverna. Atenciosamente, Neil deGrasse Tyson Fonte: TYSON, Neil deGrasse. Respostas de um astro�sico. Tradução de Nicolas Pe�engill; revisão técnica de Alexandre Cherman. 1. ed. Rio de Janeiro: Record, 2020. Recurso eletrônico disponível em: h�ps://neildegrassetyson.com/le�ers/2020-09-10-le�er- to-brazil/portuguese-version. 1 Amazon é a palavra em inglês tanto para Amazonas, quanto para amazônica. 2 Também chamada de castanha-do-pará. 3 STEM é a sigla em inglês para Science, Technology, Engineering e Mathema�cs (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemá�ca). Historicamente, a carta é um dos principais meios de comunicação interpessoal; ela pode conter mensagens pessoais, profissionais, intelectuais e até cons�tuir-se uma forma de comunicação ar�s�ca. Esta carta do astro�sico americano Neil deGrasse Tyson não foi escrita para uma única pessoa, mas para um país inteiro. Sua abordagem personifica o país ao tratá-lo por “você”, principalmente nos primeiros parágrafos, mas vai paula�namente desenvolvendo uma abordagem argumenta�va. Tyson já apresentou vários programas de 31@professorferretto @prof_ferretto televisão; é um autor reconhecido na divulgação e popularização da Ciência e sua carta ao Brasil, publicada no lançamento de seu livro Respostas de um astro�sico (2020), representa suas convicções. Além de adicionar uma informação, a conjunção adi�va “e” funciona como elemento de ênfase e qualificação em: a) “Você abriga o maior rio do mundo, que, a cada minuto que passa, escoa para o oceano Atlân�co um volume de água que daria para encher um estádio de futebol. E, sim, nós sabíamos da existência de seu rio [...]”. b) “Na verdade, nos EUA, nós precisamos pagar pelo pacote “premium” para que elas venham incluídas em nossos mix de castanhas. E mesmo aqueles de nós que quase não acompanham futebol sabem da existência de seus �mes famosos [...]”. c) “Sabemos do seu café. E eu, par�cularmente, amo a sua bandeira.” d) “Engenheiro brilhante e inven�vo, altamente condecorado, Alberto Santos Dumont liderou a transição mundial do transporte aéreo [...]”. e) “Para que ninguém se esqueça, o primeiro (e único) astronauta sul-americano foi um engenheiro aeronáu�co brasileiro.” 32@professorferretto @prof_ferrettoque havia trazido, molhado no rio para não ferir as gengivas desguarnecidas. À noite, em casa, ninguém lhe perguntava como havia sido o seu dia. Fazia-se mais fraco, porém. E chegou a manhã em que, debruçando-se sobre a água antes mesmo de prender a isca na barbela afiada, viu faiscar um brilho novo. Apertou as pálpebras para ver melhor, não era um peixe. Movido pela correnteza, um anzol bem maior do que o seu agitava-se, sem isca. Por mais que se esforçasse, não conseguiu ver a linha, enxergava cada vez menos. Nem havia qualquer pescador por perto. O velho não descalçou as sandálias, as pedras da margem eram ásperas. Entrou na água devagar, evitando escorregar. Não chegou a perceber o frio, o tempo das percepções havia acabado. Alongou-se na água, mordeu o anzol que havia vindo por ele, e deixou-se levar. Ausente para os outros, con�nuava docemente presente para si mesmo. (2º parágrafo, sublinhado) Uma reformulação que mantém sen�do equivalente ao da frase acima é: a) Con�nuava docemente presente para si mesmo, porque ausente para os outros. b) Con�nuava docemente presente para si mesmo, quando ausente para os outros. c) Con�nuava docemente presente para si mesmo, embora ausente para os outros. d) Con�nuava docemente presente para si mesmo, portanto ausente para os outros. GR0369 - (Uerj) ABRIR-SE AO NOVO Imagino qual não teria sido a surpresa causada por um rinoceronte em plena Europa do século XVI. O ganda foi dado de presente pelo Sultão de Cambaia ao Vice-Rei da Índia, que o repassou ao Rei Dom Manuel I que, por sua vez, quis dá-lo de presente para o Papa Leão X. Durante a festa da San�ssima Trindade de 1515, Dom Manuel organizou, em plena Lisboa, o combate entre um de seus elefantes e o rinoceronte. O elefante, ao enxergar o rinoceronte, fugiu em desabalada carreira, levando tudo e todos por diante. Resultado do combate: o ganda foi aclamado vencedor. E de Lisboa se irradiou a narra�va que converteu o rinoceronte em patrono da boa blindagem e da bravura dos militares. Após o espetáculo, o rinoceronte foi enviado ao Papa, mas a embarcação que o levava naufragou na costa da Itália. Do pobre ganda só sobraram histórias. O pintor Albrecht Dürer, sem jamais ter visto o rinoceronte, o desenhou em 1515, acrescentando detalhes insólitos como um chifre no dorso, carapaças de crustáceo e escamas de rép�l nas patas. Esta obra fixa a aparência de um rinoceronte até fins do século XVIII. A admiração esté�ca é com frequência provocada pelo inedi�smo. A nomeação do desconhecido opera para torná-lo assimilável a um entendimento que procura recobrar-se de uma comoção. Os efeitos angus�antes do inusitado são tranquilizados por um nome. Entretanto, a ânsia de assimilação do extraordinário ao ro�neiro leva a tropeços classificatórios. Algo semelhante se passou no século XIII com Marco Polo quando, em Java, ele se deparou com um rinoceronte e relatou então ter visto um unicórnio, lamentando porém que ele fosse tão feio e agressivo, muito mais próximo de um grande búfalo do que de um cavalo, com patas de elefante, pelagem de búfalo e cabeça de javali. Na classificação e na nomeação de um ente, muitas vezes somos levados a distorcer seus atributos cons�tu�vos indispensáveis, exatamente aqueles que fazem de uma coisa ela mesma e não outra, segundo o princípio aristotélico da iden�dade: A=A. Há uma espécie de resistência mental em se abrir uma nova rubrica no nosso esquema compreensivo movido por estoques de analogias, assim como uma certa relutância em se perceber o inédito a par�r dele mesmo, da sua singularidade ou excepcionalidade. Ver, interpretar, descrever e nomear não são atos mentais automá�cos e dependentes de alguma verdade substancial, mas sim construções conjecturais da precária relação entre o mundo e a linguagem. MARCUS FABIANO GONÇALVES. Adaptado de insigh�nteligencia.com.br. Resultado do combate: o ganda foi aclamado vencedor. E de Lisboa se irradiou a narra�va que converteu o rinoceronte em patrono da boa blindagem e da bravura dos militares. (1º parágrafo, itálico) 3@professorferretto @prof_ferretto A frase sublinhada estabelece com a anterior uma relação de: a) condição b) finalidade c) comparação d) consequência GR0309 - (Unesp) Leia o trecho de um ensaio de Michel de Montaigne (1533-1592). Há alguma razão em fazer o julgamento de um homem pelos aspectos mais comuns de sua vida; mas, tendo em vista a natural instabilidade de nossos costumes e opiniões, muitas vezes me pareceu que mesmo os bons autores estão errados em se obs�narem em formar de nós uma ideia constante e sólida. (...) Em toda a An�guidade é di�cil escolher uma dúzia de homens que tenham ordenado sua vida num projeto definido e seguro, que é o principal obje�vo da sabedoria. Pois para resumi-la por inteiro numa só palavra e abranger em uma só todas as regras de nossa vida, “a sabedoria”, diz um an�go, “é sempre querer a mesma coisa, é sempre não querer a mesma coisa”, “eu não me dignaria”, diz ele, “a acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível que sempre seja uma só e a mesma.” Na verdade, aprendi outrora que o vício é apenas o desregramento e a falta de moderação; e, por conseguinte, é impossível o imaginarmos constante. É uma frase de Demóstenes, dizem, que “o começo de toda virtude são a reflexão e a deliberação, e seu fim e sua perfeição, a constância”. Se, guiados pela reflexão, pegássemos certa via, pegaríamos a mais bela, mas ninguém pensa antes de agir: “O que ele pediu, desdenha; exige o que acaba de abandonar; agita-se e sua vida não se dobra a nenhuma ordem.” (Michel de Montaigne. Os ensaios: uma seleção, 2010. Adaptado.) Em “eu não me dignaria [...] a acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível que sempre seja uma só e a mesma.” (2º parágrafo), a locução sublinhada pode ser subs�tuída, sem prejuízo para o sen�do do texto, por: a) visto que. b) assim que. c) desde que. d) ainda que. e) de modo que. GR0265 - (Unesp) Algumas pessoas tornam-se heróis contra sua própria vontade. Mesmo que elas tenham ideias realmente (ou potencialmente) revolucionárias, muitas vezes não as reconhecem como tais, ou não acreditam no seu próprio potencial. Divididas entre enfrentar sua insegurança expondo suas ideias à opinião dos outros, ou manter-se na defensiva, elas preferem a segunda opção. O mundo está cheio de poemas e teorias escondidos no porão. Copérnico é, talvez, o mais famoso desses relutantes heróis da história da ciência. Ele foi o homem que colocou o Sol de volta no centro do Universo, ao mesmo tempo fazendo de tudo para que suas ideias não fossem difundidas, possivelmente com medo de crí�cas ou perseguição religiosa. Foi quem colocou o Sol de volta no centro do Universo, mo�vado por razões erradas. Insa�sfeito com a falha do modelo de Ptolomeu, que aplicava o dogma platônico do movimento circular uniforme aos corpos celestes, Copérnico propôs que o equante fosse abandonado e que o Sol passasse a ocupar o centro do cosmo. Ao tentar fazer com que o Universo se adaptasse às ideias platônicas, ele retornou aos pitagóricos, ressuscitando a doutrina do fogo central, que levou ao modelo heliocêntrico de Aristarco dezoito séculos antes. Seu pensamento reflete o desejo de reformular as ideias cosmológicas de seu tempo apenas para voltar ainda mais no passado; Copérnico era, sem dúvida, um revolucionário conservador. Ele jamais poderia ter imaginado que, ao olhar para o passado, estaria criando uma nova visão cósmica, que abriria novas portas para o futuro. Tivesse vivido o suficiente para ver os frutos de suas ideias, Copérnico decerto teria odiado a revolução que involuntariamente causou. Entre 1510 e 1514, compôs um pequeno trabalho resumindo suas ideias, in�tulado Commentariolus (Pequeno comentário). Embora na época fosse rela�vamente fácil publicar um manuscrito, Copérnico decidiu não publicar seu texto, enviando apenas algumas cópias para uma audiência seleta. Ele acreditava piamente no idealpitagórico de discrição; apenas aqueles que eram iniciados nas complicações da matemá�ca aplicada à astronomia �nham permissão para compar�lhar sua sabedoria. Certamente essa posição eli�sta era muito peculiar, vinda de alguém que fora educado durante anos dentro da tradição humanista italiana. Será que Copérnico estava tentando sen�r o clima intelectual da época, para ter uma ideia do quão “perigosas” eram suas ideias? Será que ele não acreditava muito nas suas próprias ideias e, portanto, queria evitar qualquer �po de crí�ca? Ou será que ele estava tão imerso nos ideais pitagóricos que realmente não �nha o menor interesse em tornar populares suas 4@professorferretto @prof_ferretto ideias? As razões que possam jus�ficar a a�tude de Copérnico são, até hoje, um ponto de discussão entre os especialistas. (A dança do universo, 2006. Adaptado.) Em “Mesmo que elas tenham ideias realmente (ou potencialmente) revolucionárias, muitas vezes não as reconhecem como tais, ou não acreditam no seu próprio potencial” (1º parágrafo), a locução conjun�va sublinhada pode ser subs�tuída, sem prejuízo para o sen�do do texto, por: a) À medida que. b) Ainda que. c) Desde que. d) Visto que. e) A menos que. GR0119 - (Famerp) Leia o trecho do conto “As caridades odiosas”, de Clarice Lispector, para responder à questão. Foi uma tarde de sensibilidade ou de susce�bilidade? Eu passava pela rua depressa, emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes acontece. Foi quando meu ves�do me reteve: alguma coisa se enganchara na minha saia. Voltei-me e vi que se tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom quente de pele. O menino estava de pé no degrau da grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição. Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de compreender o seu sen�do concreto. Um pouco aturdida eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança o que me ceifara os pensamentos. – Um doce, moça, compre um doce para mim. Acordei finalmente. O que es�vera eu pensando antes de encontrar o menino? O fato é que o pedido deste pareceu cumular uma lacuna, dar uma resposta que podia servir para qualquer pergunta, assim como uma grande chuva pode matar a sede de quem queria uns goles de água. Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete, entrei, fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe explicar: um doce para o menino. (A descoberta do mundo, 1999.) “Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete”. A preposição destacada assume valor semân�co semelhante ao que se verifica na frase: a) A crí�ca tem Machado de Assis por um grande autor. b) Há ainda algumas questões por fazer. c) Ficaremos na Europa por cinco dias. d) As tropas cercaram os inimigos por terra e por mar. e) Muitas pessoas vão cedo para casa por medo. GR0343 - (Pucrj) Como formular o problema da arte contemporânea — por meio de um manifesto? De um lamento? Minha intenção nestas notas é mais modesta. Gostaria de refle�r a respeito do que é essa arte e quais “ideias de arte” ela implica ou inventa. Espero assim formular melhor as questões com as quais a arte contemporânea nos confronta. Interessa-me acima de tudo elaborar mais detalhadamente o problema mais amplo das “ideias de arte” e das “ideias nas artes”. Ele faz parte daquilo que chamo de “a reeste�zação do pensar” ou a reinvenção do pensamento nas artes. A filosofia oferece muitos exemplos das relações entre pensamento e arte; creio ser necessário, no entanto, evitar dois extremos na formulação desse problema: a relação “didá�ca”, pela qual a arte simplesmente ilustra dada teoria, e a relação “român�ca”, pela qual a arte se torna refúgio de algo que não pode ser pensado de forma alguma. Precisamos dar mais atenção a como os ar�stas realmente pensam nas e com as artes — as novas ideias que lhes ocorrem, incluindo novas “ideias de arte” ou ideias a respeito de suas a�vidades, de seus próprios materiais ou ins�tuições —, e depois a como essas ideias se enquadram em campos mais amplos, que envolvem muitos outros discursos: as ciências, a polí�ca e até a própria filosofia. RAJCHMAN, John. O pensamento na arte contemporânea. Novos estudos CEBRAP [on-line]. Em “A filosofia oferece muitos exemplos das relações entre pensamento e arte; creio ser necessário, no entanto, evitar dois extremos na formulação desse problema”, a expressão sublinhada pode ser subs�tuída, sem alteração do sen�do do texto, por a) entretanto. b) por conseguinte. c) portanto. d) dessa forma. GR0292 - (Unesp) Ar�go “Pó de pirlimpimpim”, do neurocien�sta brasileiro Sidarta Ribeiro. Alcançar o aprendizado instantâneo é um desejo poderoso, pois o cérebro sem informação é pouco mais que estofo de macela 1. Emília, a sabida boneca de 5@professorferretto @prof_ferretto Monteiro Lobato, aprendeu a falar copiosamente após engolir uma pílula, adquirindo de supetão todo o vocabulário dos seres humanos ao seu redor. No filme Matrix (1999), a ingestão de uma pílula colorida faz o personagem Neo descobrir que todo o mundo em que sempre viveu não passa de uma simulação chamada Matriz, dentro da qual é possível programar qualquer coisa. Poucos instantes depois de se conectar a um computador, Neo desperta e profere estupefato: “I know kung fu”. Entretanto, na matriz cerebral das pessoas de carne e osso, vale o dito popular: “Urubu, pra cantar, demora.” O aprendizado de comportamentos complexos é di�cil e demorado, pois requer a alteração massiva de conexões neuronais. Há consenso hoje em dia de que o conteúdo dos nossos pensamentos deriva dos padrões de a�vação de vastas redes neuronais, impossibilitando a aquisição instantânea de memórias intrincadas. Mas nem sempre foi assim. Há meio século, experimentos realizados na Universidade de Michigan pareciam indicar que as planárias, vermes aquá�cos passíveis de condicionamento clássico, eram capazes de adquirir, mesmo sem treinamento, associações es�mulo- resposta por ingestão de um extrato de planárias já condicionadas. O resultado, aparentemente revolucionário, sugeria que os substratos materiais da memória são moléculas. Contudo, estudos posteriores demonstraram que a ingestão de planárias não condicionadas também acelerava o aprendizado, revelando um efeito hormonal genérico, independente do conteúdo das memórias presentes nas planárias ingeridas. A ingestão de memórias é impossível porque elas são estados complexos de redes neuronais, não um quantum de significado como a pílula da Emília. Por outro lado, é sim possível acelerar a consolidação das memórias por meio da o�mização de variáveis fisiológicas envolvidas no processo. Uma linha de pesquisa importante diz respeito ao sono, cujo bene�cio à consolidação de memórias já foi comprovado. Em 2006, pesquisadores alemães publicaram um estudo sobre os efeitos mnemônicos da es�mulação cerebral com ondas lentas (0,75 Hz) aplicadas durante o sono por meio de um es�mulador elétrico. Os resultados mostraram que a es�mulação de baixa frequência é suficiente para melhorar o aprendizado de diferentes tarefas. Ao que parece, as oscilações lentas do sono são puro pó de pirlimpimpim. (Sidarta Ribeiro. Limiar: ciência e vida contemporânea, 2020.) 1 macela: planta herbácea cujas flores costumam ser usadas pela população como estofo de travesseiros. Em “Contudo, estudos posteriores demonstraram que a ingestão de planárias não condicionadas também acelerava o aprendizado” (3º parágrafo), o termo sublinhado pode ser subs�tuído, sem prejuízo para o sen�do do texto, por: a) Por conseguinte. b) Inclusive. c) Todavia. d) Além disso. e) Conquanto. GR0363 - (Uerj) Violência e psiquiatria O �po de violência que aqui considerarei pouco tem a ver com pessoas que u�lizam martelos para golpear a cabeça de outras, nem se aproximará muitodo que se supõe façam os doentes mentais. Se se quer falar de violência em psiquiatria, a violência que brada, que se proclama em tão alta voz que raramente é ouvida, é a su�l, tortuosa violência perpetrada pelos outros, pelos “sadios”, contra os rotulados de “loucos”. Na medida em que a psiquiatria representa os interesses ou pretensos interesses dos sadios, podemos descobrir que, de fato, a violência em psiquiatria é sobretudo a violência da psiquiatria. Quem são porém as pessoas sadias? Como se definem a si próprias? As definições de saúde mental propostas pelos especialistas ou estabelecem a necessidade do conformismo a um conjunto de normas sociais arbitrariamente pressupostas, ou são tão convenientemente gerais – como, por exemplo, “a capacidade de tolerar conflitos” – que deixam de fazer sen�do. Fica-se com a lamentável reflexão de que os sadios serão, talvez, todos aqueles que não seriam admi�dos na enfermaria de observação psiquiátrica. Ou seja, eles se definem pela ausência de certa experiência. Sabe-se, porém, que os nazistas asfixiaram com gás dezenas de milhares de doentes mentais, assim como dezenas de milhares de outros �veram seus cérebros mu�lados ou danificados por sucessivas séries de choques elétricos: suas personalidades foram deformadas, de modo sistemá�co, pela ins�tucionalização psiquiátrica. Como podem fatos tão concretos emergir na base de uma ausência, de uma nega�vidade – a compulsiva não loucura dos sadios? De fato, toda a área de definição de sanidade mental e loucura é tão confusa, e os que se arriscam dentro dela são tão aterrorizados pela ideia do que possam encontrar, não só nos “outros” como também em si mesmos, que se deve considerar seriamente a renúncia ao projeto. DAVID COOPER. Adaptado de Psiquiatria e an�psiquiatria. São Paulo: Perspec�va, 1967. 6@professorferretto @prof_ferretto a violência em psiquiatria é sobretudo a violência da psiquiatria. (1º parágrafo, itálico) A relação entre “violência” e “psiquiatria” é destacada pelos dois termos sublinhados, que expressam, respec�vamente, as noções de: a) substância e causa b) posse e matéria c) foco e assunto d) área e agente GR0547 - (Uerj) A QUESTÃO REFERE-SE AO ROMANCE O MEU AMIGO PINTOR, DE LYGIA BOJUNGA (Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 2015). Nas prá�cas primi�vas, solidariedade é par�lhar pão, manta e sêmen. Sou do tempo moderno. Prefiro dar a minha vida e o meu sangue a quem deles precisa. (cap. 4) A escrita do romance é bastante marcada por frases mais breves, que se aproximam da oralidade. Entre essas frases, mesmo sem a presença de conectores, é possível recuperar relações de sen�do. No fragmento citado, entre a primeira frase e a segunda, e entre a segunda e a terceira, iden�ficam-se, respec�vamente, relações de: a) adversidade e consequência. b) comparação e alternância. c) adição e conformidade. d) condição e finalidade. GR0271 - (Unesp) Leia o trecho do romance Quincas Borba, de Machado de Assis, publicado originalmente em 1891. — […] O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é condição da sobrevivência da outra, e a destruição não a�nge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo mo�vo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo mo�vo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas. [...] Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um bene�cio, não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da droga cura�va. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho. (Quincas Borba, 2016.) Em “mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é condição da sobrevivência da outra” e “As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos”, os termos sublinhados estabelecem relação, respec�vamente, de a) consequência e conformidade. b) causa e conformidade. c) conformidade e consequência. d) causa e finalidade. e) consequência e finalidade. GR0329 - (Fuvest) E Sofia? interroga impaciente a leitora, tal qual Orgon: Et Tartufe? Ai, amiga minha, a resposta é naturalmente a mesma, – também ela comia bem, dormia largo e fofo, – coisas que, aliás, não impedem que uma pessoa ame, quando quer amar. Se esta úl�ma reflexão é o mo�vo secreto da vossa pergunta, deixai que vos diga que sois muito indiscreta, e que eu não me quero senão com dissimulados. Repito, comia bem, dormia largo e fofo. Chegara ao fim da comissão das Alagoas, com elogios da imprensa; a Atalaia chamou-lhe “o da consolação”. E não se pense que este nome a alegrou, posto que a lisonjeasse; ao contrário, resumindo em Sofia toda a ação da caridade, podia mor�ficar as novas amigas, e fazer-lhe perder em um dia o trabalho de longos meses. Assim se explica o ar�go que a mesma folha trouxe no número seguinte, nomeando, par�cularizando e glorificando as outras comissárias – “estrelas de primeira grandeza”. Machado de Assis, Quincas Borba. Considerando o contexto, o trecho “E não se pense que este nome a alegrou, posto que a lisonjeasse” (sublinhado) pode ser reescrito, sem prejuízo de sen�do, da seguinte maneira: E não se pense que este nome a alegrou, 7@professorferretto @prof_ferretto a) apesar de lisonjeá-la. b) antes a lisonjeou. c) porque a lisonjeava. d) a fim de lisonjeá-la. e) tanto quanto a lisonjeava. GR0256 - (Unesp) Leia o soneto “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia”, do poeta Gregório de Matos (1636-1696). Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em con�nuas tristezas a alegria. Porém, se acaba o Sol, por que nascia? Se é tão formosa a Luz, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza, Na formosura não se dê constância, E na alegria sinta-se tristeza. Começa o mundo enfim pela ignorância, E tem qualquer dos bens por natureza A firmeza somente na inconstância. (Poemas escolhidos, 2010.) Em “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,” (1ª estrofe), a conjunção adi�va “e” assume valor a) causal. b) alterna�vo. c) conclusivo. d) adversa�vo. e) explica�vo. GR0339 - (Fuvest) A escrita faz de tal modo parte de nossa civilização que poderia servir de definição dela própria. A história da humanidade se divide em duas imensas eras: antes e a par�r da escrita. Talvez venha o dia de uma terceira era — depois da escrita. Vivemos os séculos da civilização escrita. Todas as nossas sociedades baseiam-se no escrito. A lei escrita subs�tui a lei oral, o contrato escrito subs�tui a convenção verbal, a religião escrita se seguiu à tradição lendária. E sobretudo não existe história que não se funde sobre textos. Charles Higounet. A história da escrita. Adaptado. A locução conjun�va “de tal modo…que” e o advérbio “sobretudo”, respec�vamente, expressam noção de: a) conformidade e dúvida. b) consequência e realce. c) condição e negação. d) consequência e negação. e) condição e realce. GR0404 -(Unesp) Leia o soneto “Alma minha gen�l, que te par�ste”, do poeta português Luís de Camões (1525?-1580). Alma minha gen�l, que te par�ste tão cedo desta vida descontente, repousa lá no Céu eternamente, e viva eu cá na terra sempre triste. Se lá no assento etéreo, onde subiste, memória desta vida se consente, não te esqueças daquele amor ardente que já nos olhos meus tão puro viste. E se vires que pode merecer-te alguma coisa a dor que me ficou da mágoa, sem remédio, de perder-te, roga a Deus, que teus anos encurtou, que tão cedo de cá me leve a ver-te, quão cedo de meus olhos te levou. (Sonetos, 2001.) Assento etéreo: assento espiritual, céu Consente: permite “Se lá no assento etéreo, onde subiste, memória desta vida se consente,” (2ª estrofe) Os termos destacados cons�tuem a) pronomes. b) conjunções. c) uma conjunção e um advérbio, respec�vamente. d) um pronome e uma conjunção, respec�vamente. e) uma conjunção e um pronome, respec�vamente. GR0342 - (Fuvest) Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu lado E assim já não posso sofrer no ano passado 8@professorferretto @prof_ferretto Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro Belchior. “Sujeito de sorte”. Leia as seguintes afirmações a respeito da letra da música: I. Os adjuntos adverbiais temporais remetem a um contraste entre passado e presente, o que reforça o caráter metafórico do texto. II. A locução “apesar de” contribui para a expressão de um sen�mento inesperado em relação ao sen�do de “muito moço”. III. As formas verbais “morri” e “morro”, embora se refiram a momentos dis�ntos, apresentam sen�do denota�vo. Está correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. GR0380 - (Unicamp) O telejornalismo é um dos principais produtos televisivos. Sejam as no�cias boas ou ruins, ele precisa garan�r uma experiência este�camente agradável para o espectador. Em suma, ser um “infotenimento”, para atrair pres�gio, anunciante e rentabilidade. Porém, a atmosfera pesada do início do ano baixou nos telejornais: Brumadinho, jovens atletas mortos no incêndio do CT do Flamengo, no�cias diárias de feminicídios, de valentões armados matando em brigas de trânsito e supermercados. Conjunções adversa�vas e adjuntos adverbiais já não dão mais conta de neutralizar o tsunami de tragédias e violência, e de amenizar as más no�cias para garan�r o “infotenimento”. No jornal, é apresentada matéria sobre uma mulher brutalmente espancada, internada com diversas fraturas no rosto. Em frente ao hospital, uma repórter fala: “mas a boa no�cia é que ela saiu da UTI e não precisará mais de cirurgia reparadora na face...”. Agora, repórteres repetem a expressão “a boa no�cia é que...”, buscando alguma brecha de esperança no “outro lado” das más no�cias. (Adaptado de Wilson R. V. Ferreira, Globo adota “a boa no�cia é que...” para tentar se salvar do baixo astral nacional. Disponível em h�ps://cinegnose. Blogs pot.com/2019/02/globo-adotaboa-no�cia-eque- para.html. Acessado em 01/03 /2019.) Considerando a matéria apresentada no jornal, o uso da conjunção adversa�va seguido da expressão “a boa no�cia é que” permite ao jornalista a) apontar a gravidade da no�cia e compensá-la. b) expor a neutralidade da no�cia e reforçá-la. c) minimizar a relevância da no�cia e acentuá-la. d) revelar a importância da no�cia e enfa�zá-la. GR0116 - (Ufsm) Super-heróis ajudam crianças a aceitar quimioterapia Hospital cria tratamento infan�l com acessórios da Liga da Jus�ça e oferece gibi sobre a luta do Batman contra o câncer como inspiração a crianças com a doença. Batman está com câncer, mas os vilões nem �veram tempo de comemorar a revelação feita na edição extra da história em quadrinhos (HQ). Logo após o diagnós�co, o herói mascarado já começou a receber uma "Superfórmula" contra a doença e, apesar de ter perdido cabelo e emagrecido um pouco, está forte para voltara combater o mal. Na vida real, todos os pacientes infan�s atendidos no Centro de Referência AC.Camargo, em São Paulo, também passaram a ter acesso ao tratamento que, no gibi, promete salvar a vida do homem-morcego. Parceria firmada há 20 dias entre o AC. Camargo, a Warner e a agência JWT transformou o 6º andar da unidade hospitalar na nova sede da Liga da Jus�ça. O QG de super-heróis instalado no hospital tem 15 vagas ocupadas por heróis mirins que precisam de uma ajudinha externa da medicina para voltar à a�va. Natan Henrique Roseno, 7 anos, e Porthos Mar�nez, 13, são os integrantes mais recentes da ala infan�l. Após lerem a HQ com a trajetória vitoriosa de Batman, os meninos estavam confiantes de que a Superfórmula também vai ajudá-los a vencera leucemia diagnos�cada em ambos. [...] Todos os quartos e acessórios u�lizados no tratamento dos pacientes da oncologia pediátrica receberam a adaptação em cores, símbolos e adereços de personagens como Mulher-Maravilha, Batman, Lanterna Verde e Superman. A chefe da oncologia pediátrica do AC.Camargo, Cecília Maria de Lima da Costa, explica que usar os adereços é uma fórmula de apresentar o câncer 30 às crianças de uma maneira lúdica e didá�ca, já que elas precisam entender o tratamento para aceitá-lo melhor. "A quimioterapia tem efeitos colaterais que não são agradáveis (como enjoos, ape�te desregulado, queda de cabelos). Se a criança não entende que o medicamento é um bene�cio, apesar de todos esses sintomas, pode ficar confusa e resistente", afirma a especialista. Enxergar a vilã quimioterapia como a mocinha Superfórmula faz toda a diferença para os meninos e as meninas, dizem os próprios heróis-mirins. [...] "Fica menos confuso na cabeça da gente. Porque às vezes eu 9@professorferretto @prof_ferretto não gosto dos remédios, dá um nó no estômago. Mas sei que eles vão me ajudar e saber disso ajuda", diz um dos garotos. Fonte: ARANHA, Fernanda. Minha Saúde. iG São Paulo. Disponível em: Acesso em: 06. jun. 2013. (adaptado). Assinale a alterna�va correta quanto ao papel semân�co exercido pela preposição no excerto em destaque, tendo em vista o contexto em que foi empregada no texto. a) "Superfórmula contra a doença" - proximidade b) "a HQ com a trajetória vitoriosa" - companhia c) "oncologia pediátrica do AC.Camargo" - posse d) "apresentar o câncer às crianças" - causa e) "faz toda a diferença para os meninos e as meninas" - lugar GR0394 - (Fuvest) CONFIDÊNCIAS DO ITABIRANO Alguns anos vivi em Itabira. Principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas. E esse alheamento do que na vida é [porosidade e comunicação. A vontade de amar, que me paralisa o trabalho, vem de Itabira, de suas noites brancas, [sem mulheres e sem horizontes. E o hábito de sofrer, que tanto me diverte, é doce herança itabirana. De Itabira trouxe prendas que ora te ofereço: este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval; esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil; este couro de anta, estendido no sofá da sala de [visitas; este orgulho, esta cabeça baixa... Tive ouro, �ve gado, �ve fazendas. Hoje sou funcionário público. Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói! Carlos Drummond de Andrade, Sen�mento do Mundo Na úl�ma estrofe, a expressão que jus�fica o uso da conjunção sublinhada no verso “Mas como dói!” é: a) “Hoje”. b) “funcionário público”. c) “apenas”. d) “fotografia”. e) “parede”. GR0534 - (Unifesp) O principal enfoque em O erro de Descartes é a relação entre emoção e razão. Baseado em meu estudo de pacientes neurológicos que apresentavam deficiências na tomada de decisão e distúrbios da emoção, construí a hipótese de que a emoção era parte integrante do processo de raciocínio e poderia auxiliar esse processoao invés de, como se costumava supor, necessariamente perturbá-lo. Hoje em dia essa ideia já não causa espécie, mas na época em que a apresentei muita gente estranhou, e mesmo a recebeu com certo ce�cismo. Tudo sopesado, a ideia, em grande medida, foi aceita e até, em certos casos, acolhida com tanta sofreguidão que acabou deturpada. Por exemplo, nunca afirmei que a emoção era um subs�tuto para a razão, mas em algumas versões superficiais depreendia-se que minha ideia era que se você seguisse o coração em vez da razão tudo daria certo. Na verdade, em certas ocasiões a emoção pode ser um subs�tuto para a razão. O programa de ação emocional que denominamos medo pode afastar rapidamente do perigo a maioria dos seres humanos com pouca ou nenhuma ajuda da razão. Um esquilo ou um pássaro não pensa para reagir a uma ameaça, e o mesmo pode acontecer a um humano. Aí é que está a beleza no modo como a emoção tem funcionado no decorrer da evolução: ela abre a possibilidade de levar seres vivos a agir de maneira inteligente sem precisar pensar com inteligência. Acontece que, nos humanos, essa história tornou-se mais complexa, para o bem e para o mal. O raciocínio faz o que fazem as emoções, mas alcança o resultado conscientemente. O raciocínio nos dá a opção de pensar com inteligência antes de agir de maneira inteligente, e isso é bom: descobrimos que muitos dos problemas que encontramos em nosso complexo ambiente podem ser resolvidos apenas com emoções, porém não todos, e nestas ocasiões as soluções que a emoção oferece são, na realidade, contraproducentes. Mas como evoluiu nas espécies complexas o sistema de raciocínio inteligente? A proposta inovadora em O erro de Descartes é que o sistema de raciocínio evoluiu como uma extensão do sistema emocional automá�co, com a emoção desempenhando vários papéis no processo de raciocínio. (O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano, 2012. Adaptado) 10@professorferretto @prof_ferretto O termo sublinhado em “nunca afirmei que a emoção era um subs�tuto para a razão” (1º parágrafo) pertence à mesma classe grama�cal do termo sublinhado em: a) “na época em que a apresentei muita gente estranhou” (1º parágrafo). b) “O raciocínio nos dá a opção de pensar com inteligência” (2º parágrafo). c) “a hipótese de que a emoção era parte integrante do processo de raciocínio” (1º parágrafo). d) “com a emoção desempenhando vários papéis no processo de raciocínio” (3º parágrafo). e) “Um esquilo ou um pássaro não pensa para reagir a uma ameaça” (2º parágrafo). GR0390 - (Fuvest) 1 Tornando da malograda espera do �gre, 2 alcançou o capanga um casal de velhinhos, que 3 seguiam diante dele o mesmo caminho e conversa- 4 vam acerca de seus negócios par�culares. Das 5 poucas palavras que apanhara, percebeu Jão Fera 6 que des�navam eles uns cinquenta mil-réis, tudo 7 quanto possuíam, à compra de man�mentos, a fim 8 de fazer um moquirão*, com que pretendiam abrir 9 uma boa roça. 10 — Mas chegará, homem? perguntou a velha. 11 — Há de se espichar bem, mulher! 12 Uma voz os interrompeu: 13 — Por este preço dou eu conta da roça! 14 — Ah! É nhô Jão! 15 Conheciam os velhinhos o capanga, a quem 16 �nham por homem de palavra, e de fazer o que 17 prome�a. Aceitaram sem mais hesitação; e foram 18 mostrar o lugar que estava des�nado para o roçado. 19 — Acompanhou-os Jão Fera; porém, mal seus 20 olhos descobriram entre os utensílios a enxada, a 21 qual ele esquecera um momento no afã de ganhar a 22 soma precisa, que sem mais deu costas ao par de 23 velhinhos e foi-se deixando-os embasbacados. (José de Alencar, Til.) * moquirão = mu�rão (mobilização cole�va para auxílio mútuo, de caráter gratuito) Considerada no contexto, a palavra sublinhada no trecho “mal seus olhos descobriram entre os utensílios a enxada” (L. 19-20) expressa ideia de a) tempo. b) qualidade. c) intensidade. d) modo. e) negação. GR0371 - (Uerj) Ideias para adiar o fim do mundo Quando se completaram quinhentos anos da travessia de Cabral e companhia, recusei um convite para vir a Portugal. Eu disse: “Essa é uma �pica festa portuguesa, vocês vão celebrar a invasão do meu canto do mundo. Não vou, não”. Porém, não transformei isso numa rixa e pensei: “Vamos ver o que acontece no futuro”. Em 2017, ano em que Lisboa foi capital ibero- americana de cultura, ocorreu um ciclo de eventos muito interessante, com performances de teatro, mostra de cinema e palestras. Fui convidado a par�cipar, e, dessa vez, nosso amigo Eduardo Viveiros de Castro faria uma conferência no teatro Maria Matos, chamada “Os involuntários da pátria”. Então, pensei: “Esse assunto me interessa, vou também”. No dia seguinte ao da fala do Eduardo, �ve a oportunidade de encontrar muita gente que se interessou pela estreia do documentário Ailton Krenak e o sonho da pedra, dirigido por Marco Altberg. O filme é uma boa introdução ao tema de que quero tratar: como é que, ao longo dos úl�mos 2 mil ou 3 mil anos, nós construímos a ideia de humanidade? Será que ela não está na base de muitas das escolhas erradas que fizemos, jus�ficando o uso da violência? (...) AILTON KRENAK. Adaptado de Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019 Nas prá�cas primi�vas, solidariedade é par�lhar pão, manta e sêmen. Sou do tempo moderno. Prefiro dar a minha vida e o meu sangue a quem deles precisa. (cap. 4) A escrita do romance é bastante marcada por frases mais breves, que se aproximam da oralidade. Entre essas frases, mesmo sem a presença de conectores, é possível recuperar relações de sen�do. No fragmento citado, entre a primeira frase e a segunda, e entre a segunda e a terceira, iden�ficam-se, respec�vamente, relações de: a) adversidade e consequência b) comparação e alternância c) adição e conformidade d) condição e finalidade GR0367 - (Uerj) CREONTE: Esperem um pouco Eu preciso de alguém pra refle�r comigo se eu estou caduco, louco, ou o mundo está ficando esquisito... Fazem baderna, chiam, quebram trem, Quebram estação, muito bem, bonito 11@professorferretto @prof_ferretto E a gente inda tem que dizer amém (...) JASÃO: Não discuto quebrar... Agora quem às três da manhã tá de olho aberto, se espreme pra chegar no emprego às sete, lá passa o dia todo, volta às onze da noite pra acordar a canivete de novo às três, �nha que ser de bronze pra fazer isso sempre, todo dia (...) Na resposta de Jasão a Creonte, o uso da palavra “agora”, sublinhada acima, possui função argumenta�va, expressando sen�do de: a) condição b) oposição c) conclusão d) explicação GR0115 - (Fgv) Foi exatamente durante o almoço que se deu o fato. Almira con�nuava a querer saber por que Alice viera atrasada e de olhos vermelhos. Aba�da, Alice mal respondia. Almira comia com avidez e insis�a com os olhos cheios de lágrimas. – Sua gorda! disse Alice de repente, branca de raiva. Você não pode me deixar em paz?! Almira engasgou-se com a comida, quis falar, começou a gaguejar. Dos lábios macios de Alice haviam saído palavras que não conseguiam descer com a comida pela garganta de Almira G. de Almeida. – Você é uma chata e uma introme�da, rebentou de novo Alice. Quer saber o que houve, não é? Pois vou lhe contar, sua chata: é que Zequinha foi embora para Porto Alegre e não vai mais voltar! Agora está contente, sua gorda? Na verdade Almira parecia ter engordado mais nos úl�mos momentos, e com comida ainda parada na boca. Foi então que Almira começou a despertar. E, como se fosse uma magra, pegou o garfo e enfiou-o no pescoço de Alice. O restaurante, ao que se disse no jornal, levantou-se como uma só pessoa. Mas a gorda, mesmo depois de ter feito o gesto, con�nuou sentada olhando para o chão, sem ao menos olhar o sangue da outra. Alice foi ao pronto-socorro, de onde saiu com cura�vos e os olhos ainda regalados de espanto. Almira foi presa em flagrante. Na prisão, Almira comportou-se com delicadeza e alegria, talvez melancólica, mas alegria mesmo. Fazia graças para as companheiras. Finalmente �nha companheiras. Ficou encarregada da roupa suja, e dava-se muito bem com as guardiãs, que vez por outra lhe arranjavam uma barra de chocolate. (Clarice Lispector. A Legião Estrangeira, 1964. Adaptado) Assinale a alterna�va em que a preposição “de” forma uma expressão indica�va de causa. a) ... por que Alice viera atrasada e de olhos vermelhos. b) ... e insis�a com os olhos cheios de lágrimas. c) – Sua gorda! disse Alice de repente, branca de raiva. d) ... pegou o garfo e enfiou-o no pescoço de Alice. e) Mas a gorda, mesmo depois de ter feito o gesto... GR0345 - (Pucrj) Sendo principalmente um jogo com limites, a arte contemporânea rompe tanto com a arte clássica quanto com a moderna. Uma "instalação", ou "performance", não se enquadra mais na concepção clássica ou moderna de uma obra de arte, ou seja, de uma pintura enquadrada ou de uma escultura num pedestal. Não demonstra mais nenhum vínculo entre a obra de arte e a interioridade, ou até mesmo o corpo do ar�sta; e a ironia e a jocosidade são mais importantes do que a seriedade. Mediações técnicas ou sociais se tornam necessárias, juntamente com técnicas especiais como fotografia ou vídeo para garan�r a durabilidade da obra. Além do mais, essas técnicas fogem, muitas vezes, às regras dos museus, a ro�nas econômicas, a restrições de transporte e de seguro ou a técnicas de restauração. Em virtude de tudo isso, a arte contemporânea é mais do que um novo período ar�s�co e mais do que uma nova categoria esté�ca. Trata-se de um novo paradigma, que transforma completamente o mundo da arte. Na arte contemporânea, a transgressão mais importante dos critérios comuns usados para definir a arte é que a obra de arte já não consiste exclusivamente no objeto proposto pelo ar�sta, mas em todo o conjunto de operações, ações, interpretações etc. provocadas por sua proposição. A transgressão dos limites da arte significa também o emprego de novos �pos de materiais ou modos de apresentação. Instalações, performances, land art, arte corporal, vídeo, fotografias em cores em grande escala, mul�mídia e arte ciberné�ca fazem parte do vocabulário básico do ar�sta contemporâneo. Esta é outra grande diferença em relação à arte clássica e moderna, pois durante séculos, até o início da década de 1960, as artes visuais eram produzidas com um pequeno número de materiais bem definidos: óleo, pastel, aquarela, lápis, carvão, água-forte; papel, tela, gesso, 12@professorferretto @prof_ferretto madeira ou pedra, argila, madeira, bronze... Agora, tudo mudou. Mesmo sem ver a obra, você consegue adivinhar que se trata de arte contemporânea apenas lendo sua descrição, como: "latão", "feltro e graxa", "telas de TV", "corais e pão", "módulos acús�cos", ou, em termos mais amplos, "materiais variados" ou "dimensões variáveis". HEINICH, Nathalie. Prá�cas da Arte Contemporânea: uma abordagem pragmá�ca a um novo paradigma ar�s�co. v.4, n.2. p. 373-390. 2014. Disponível em: h�ps://doi.org/10.1590/2238-38752014v424. Acesso em: 21 ago. 2021. Adaptado. Nos seguintes trechos do texto, o sen�do expresso pelo termo sublinhado está corretamente indicado entre parênteses em: a) Mediações técnicas ou sociais se tornam necessárias, juntamente com técnicas especiais como fotografia ou vídeo para garan�r a durabilidade da obra. (causalidade) b) Além do mais, essas técnicas fogem, muitas vezes, às regras dos museus, a ro�nas econômicas, a restrições de transporte e de seguro ou a técnicas de restauração. (atenuação) c) Em virtude de tudo isso, a arte contemporânea é mais do que um novo período ar�s�co e mais do que uma nova categoria esté�ca. (consequência) d) Mesmo sem ver a obra, você consegue adivinhar que se trata de arte contemporânea apenas lendo sua descrição. (concessão) GR0106 - (Mackenzie) "O resultado é que endureci, calejei, e não é um arranhão que penetra esta casca espessa.” A conjunção e do período acima pode ser corretamente subs�tuída, sem prejuízo do sen�do original, por: a) mas. b) portanto. c) pois. d) por que. e) no entanto. GR0357 - (Uerj) Três teses sobre o avanço da febre amarela 1 Como a febre amarela rompeu os limites da Floresta Amazônica e alcançou o Sudeste, a�ngindo os grandes centros urbanos? A par�r do ano passado, o número de casos da doença alcançou níveis sem precedentes nos úl�mos cinquenta anos. Desde o início de 2017, foram confirmados 779 casos, 262 deles resultando em mortes. Trata-se do maior surto da forma silvestre da doença já registrado no país1. Outros 435 registros ainda estão sob inves�gação. 2 Como tudo começou? Os navios portugueses vindos da África nos séculos XVII e XVIII não trouxeram ao Brasil somente escravos e mercadorias. Dois inimigos silenciosos vieram junto: o vírus da febre amarela e o mosquito Aedes aegyp�. A consequência foi uma série de surtos de febre amarela urbana no Brasil, com milhares de mortos2. Por volta de 1940, a febre amarela urbana foi erradicada. Mas o vírus migrou, pelo trânsito de pessoas infectadas, para zonas de floresta na região Amazônica. No início dos anos 2000, a febre amarela ressurgiu em áreas da Mata Atlân�ca. Três teses tentam explicar o fenômeno. 3 Segundo o professor Aloísio Falqueto, da Universidade Federal do Espírito Santo, “uma pessoa pegou o vírus na Amazônia e entrou na Mata Atlân�ca depois, possivelmente na altura de Montes Claros, em Minas Gerais, onde surgiram casos de macacos e pessoas infectadas”. O vírus teria se espalhado porque os primatas da mata eram vulneráveis: como o vírus desaparece da região na década de 1940, não desenvolveram an�corpos. Logo os macacos passaram a ser mortos por seres humanos que temem contrair a doença. O massacre desses bichos, porém, é um “�ro no pé”, o que faz crescer a chance de contaminação de pessoas. Sem primatas para picar na copa das árvores, os mosquitos procuram sangue humano3. 4 De acordo com o pesquisador Ricardo Lourenço, do Ins�tuto Oswaldo Cruz, os mosquitos transmissores da doença se deslocaram do Norte para o Sudeste, voando ao longo de rios e corredores de mata. Es�ma-se que um mosquito seja capaz de voar 3 km por dia. Tanto o homem quanto o macaco, quando picados, só carregam o vírus da febre amarela por cerca de três dias. Depois disso, o organismo produz an�corpos4. Em cerca de dez dias, primatas e humanos ou morrem ou se curam, tornando-se imunes à doença. 5 Para o infectologista Eduardo Massad, professor da Universidade de São Paulo, o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana (MG), em 2015, teve papel relevante na disseminação acelerada da doença no Sudeste. A destruição do habitat natural de diferentes espécies teria reduzido significa�vamente os predadores naturais dos mosquitos. A tragédia ambiental ainda teria afetado o sistema imunológico dos macacos, tornando-os mais susce�veis ao vírus. 6 Por que é importante determinar a “viagem” do vírus? Basicamente, para orientar as campanhas de vacinação. Em 2014, Eduardo Massad elaborou um plano de imunização depois que 11 pessoas morreram ví�mas de febre amarela em Botucatu (SP): “Eu fiz cálculos matemá�cos para determinar qual seria a proporção da população nas áreas não vacinadas que deveria ser imunizada, considerando os riscos de efeitos adversos da 13@professorferretto @prof_ferretto vacina. Infelizmente, a Secretaria de Saúde não adotou essa estratégia. Os casos acontecem exatamente nas áreas onde eu havia recomendado a vacinação. A Secretaria está correndo atrás do prejuízo”. Desde julho de 2017, mais de 100 pessoas foram contaminadas em São Paulo e mais de 40 morreram. 7 O Ministério da Saúde afirmou em nota que, desde 2016, os estados e municípios vêm sendo orientados para a necessidade de intensificar as medidas de prevenção. A orientação é que pessoas em áreas de risco se vacinem. NATHALIA PASSARINHO. Adaptado de bbc.com, 06/02/2018 A frase que contém uma explicação do conteúdo da frase anterior está sublinhada em: a) Desde o início de 2017, foram confirmados 779 casos, 262 deles resultando em mortes. Trata-se do maior surto da forma silvestreda doença já registrado no país. (1º itálico) b) Dois inimigos silenciosos vieram junto: o vírus da febre amarela e o mosquito Aedes aegyp�. A consequência foi uma série de surtos de febre amarela urbana no Brasil, com milhares de mortos. (2º itálico) c) O massacre desses bichos, porém, é um “�ro no pé”, o que faz crescer a chance de contaminação de pessoas. Sem primatas para picar na copa das árvores, os mosquitos procuram sangue humano. (3º itálico) d) Tanto o homem quanto o macaco, quando picados, só carregam o vírus da febre amarela por cerca de três dias. Depois disso, o organismo produz an�corpos. (4º itálico) GR0107 - (Uemg) Luz em resistência Estou sentada em minha cama, em semiobscuridade e me percebo com a cabeça entre as mãos, tenho a compulsão de me ajoelhar e prostrar-me, é dramá�co o que faço. Me sento de novo e de novo ponho a cabeça entre as mãos. Será possível que estou representando e representando pra Deus? Quero ficar natural, estou sozinha, não dá pra enganar ninguém, mas tenho um corpo e de algum modo ele se coloca no espaço, impossível não perceber a importância essencial do corpo, preciso da língua pra falar. Mas não é porque estou sozinha que vou dizer olha eu aqui, Deus, baratear o texto. Falo assim: eis-me aqui, dá um jeito do Franz aparecer em nossa casa, enquanto o Miguel es�ver viajando. Percebo — ai que nojo, percebo demais — que disse ‘eis-me’ e depois ‘dá’ no lugar de dai, mas não é desrespeito, é fluxo de sen�mento que não tolera preocupação com a gramá�ca e — percebo de novo — faço isso desde o primário, se corrigir �ra a seiva da coisa. Gosto de pérola barroca e cerâmica torta, só não gosto de ter tomado consciência de meus lapsos grama�cais. “A língua fala dos tesouros do coração?”. Então este é o meu tesouro desejo, vou falar com força e pausadamente: Deus faz eu ficar com o Franz sozinha, por uma hora inteira — uma hora só, não, passa muito depressa —, duas horas, só conversando, só isso que eu quero, me dá esta graça, meu Pai. Acho que hoje escandalizei a Ester, não acontecerá mais. Não sei o que fazer com a Sabina que nos interroga como se fôssemos culpadas das estranhezas da Bíblia. Ninguém sabe que o Franz está em Riachinho e desta vez não é pra fazer ponte nenhuma, veio só pra me ver, eu sei, veio por minha causa, o bacana. Quando as duas chegarem na segunda-feira, informo assim bem casual: amigo nosso passou por aqui, etc. e etc., não saberão do que se trata. Ao fim do rosário faço o agradecimento pela enormíssima graça recebida que é esta — sei que falo como se o Senhor fosse se esquecer, mas sou humana — a graça, dada pelo Senhor, de ter �do duas horas inteiras para ficar com o Franz. Mãe de Deus, pede por mim. Perhaps Love, gravar uma fita só com esta música começando e acabando e começando de novo e acabando e começando. Julinha me surpreendeu decorando e falou: tadinha. E eu sei que não foi por causa do meu inglês deficitário, ficou com pena é da minha menopausa em flor. Em qual dos dois espelhos acredito, no que me põe melhor ou no que me dá vontade de nunca mais sair de casa? Mãe de Deus, minha saudade do Franz é no corpo mas é ilocalizável. Ah, estou com saudade dele é na alma, Franz Bota, até o apelido dele é precioso, quero o precioso, meu deus, me ajuda a ver aquele homem. Se isso fosse teatro, acabava com Perhaps Love. PRADO, 2011, 2014, p. 17-19. Ao longo do texto, nota-se que a narradora se vê envolvida em uma série de conflitos. Uma das estratégias que a língua tem de expressar ideias conflitantes é o uso das conjunções adversa�vas, como a conjunção “mas” (“adverso” equivale a “oposto”, “contrário”). De acordo com o linguista Oswald Ducrot, as ideias adversas ar�culadas por “mas” geralmente estão subentendidas. Exemplo: “Está chovendo, mas vou sair”. Nota-se que o ato de “chover”, em si, não é oposto ao de “sair”. O que ocorre é que, quando se diz “está chovendo”, conclui-se, implicitamente, que não se deve sair. Essa conclusão é que se opõe, de fato, à segunda oração. Com base nessa explicação, assinale a única opção em que a conjunção “mas” ar�cula ideias explicitamente opostas: 14@professorferretto @prof_ferretto a) “Quero ficar natural, estou sozinha, não dá pra enganar ninguém, mas tenho um corpo e de algum modo ele se coloca no espaço”. b) “Percebo — ai que nojo, percebo demais — que disse ‘eis-me’ e depois ‘dá’ no lugar de dai, mas não é desrespeito.” c) “sei que falo como se o Senhor fosse se esquecer, mas sou humana” d) “Mãe de Deus, minha saudade do Franz é no corpo, mas é ilocalizável.” GR0399 - (Unicamp) Em sua versão benigna, a valorização da malandragem corresponde ao elogio da cria�vidade adapta�va e da predominância da especificidade das circunstâncias e das relações pessoais sobre a frieza reducionista e generalizante da lei. Em sua versão maximalista e maligna, porém, a valorização da malandragem equivale à negação dos princípios elementares de jus�ça, como a igualdade perante a lei, e ao descrédito das ins�tuições democrá�cas. (Adaptado de Luiz Eduardo Soares, Uma interpretação do Brasil para contextualizar a violência, em C. A. Messeder Pereira, Linguagens da violência. Rio de Janeiro: Rocco, 2000, p. 23-46.) Considerando as posições expressas no texto em relação à valorização da malandragem, é correto afirmar que: a) O verbo “equivale” relaciona a valorização da malandragem à negação da jus�ça, da igualdade perante a lei e das ins�tuições democrá�cas. b) Entre os pares de termos “benigna/maligna” e “maximalista/reducionista” estabelece-se no texto uma relação semân�ca de equivalência. c) O elogio da malandragem reside na valorização da cria�vidade adapta�va e da sensibilidade em contraposição à fria aplicação da lei. d) O ar�culador discursivo “porém” introduz um argumento que se contrapõe à proposta de valorização da malandragem. GR0108 - (Ita) Assinale a opção em que o termo grifado é conjunção integrante. a) José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde ficam os imigrantes logo que chegam. (linha 1) b) As pessoas que ele encontrou não eram agricultores e técnicos, gente capaz de ser ú�l. (linhas 2 e 3) c) Mas eu peço licença para ficar imaginando uma porção de coisas vagas, ao olhar essas belas fotografias que ilustram a reportagem. (linhas 7 e 8) d) [...] e quem nos garante que uma legislação exemplar de imigração não teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio, [...] (linhas 25 e 26) e) [...] o grande homem do Brasil de amanhã pode descender de um clandes�no que neste momento está saltando assustado na praça Mauá, [...] (linhas 28 e 29) GR0299 - (Unesp) Trecho do livro A solidão dos moribundos, do sociólogo alemão Norbert Elias. 15@professorferretto @prof_ferretto Não mais consideramos um entretenimento de domingo assis�r a enforcamentos, esquartejamentos e suplícios na roda. Assis�mos ao futebol, e não aos gladiadores na arena. Se comparados aos da An�guidade, nossa iden�ficação com outras pessoas e nosso compar�lhamento de seus sofrimentos e morte aumentaram. Assis�r a �gres e leões famintos devorando pessoas vivas pedaço a pedaço, ou a gladiadores, por astúcia e engano, mutuamente se ferindo e matando, dificilmente cons�tuiria uma diversão para a qual nos prepararíamos com o mesmo prazer que os senadores ou o povo romano. Tudo indica que nenhum sen�mento de iden�dade unia esses espectadores àqueles que, na arena, lutavam por suas vidas. Como sabemos, os gladiadores saudavam o imperador ao entrar com as palavras “Morituri te salutant” (Os que vão morrer te saúdam). Alguns dos imperadores sem dúvida se acreditavam imortais. De todo modo, teria sido mais apropriado se os gladiadores dissessem “Morituri moriturum salutant” (Os que vão morrer saúdam aquele que vai morrer). Porém, numa sociedade em que �vesse sido possível dizer isso, provavelmente não haveria gladiadores ou imperadores. A possibilidade de se dizer isso aos dominadores — alguns dos quais mesmo hoje têm poder de vida e morte sobre um sem-número de seus semelhantes — requer uma desmitologização damorte mais ampla do que a que temos hoje, e uma consciência muito mais clara de que a espécie humana é uma comunidade de mortais e de que as pessoas necessitadas só podem esperar ajuda de outras pessoas. O problema social da morte é especialmente di�cil de resolver porque os vivos acham di�cil iden�ficar-se com os moribundos. A morte é um problema dos vivos. Os mortos não têm problemas. Entre as muitas criaturas que morrem na Terra, a morte cons�tui um problema só para os seres humanos. Embora compar�lhem o nascimento, a doença, a juventude, a maturidade, a velhice e a morte com os animais, apenas eles, dentre todos os vivos, sabem que morrerão; apenas eles podem prever seu próprio fim, estando cientes de que pode ocorrer a qualquer momento e tomando precauções especiais — como indivíduos e como grupos — para proteger- se contra a ameaça da aniquilação. (A solidão dos moribundos, 2001.) Em “De todo modo, teria sido mais apropriado se os gladiadores dissessem ‘Morituri moriturum salutant’ (Os que vão morrer saúdam aquele que vai morrer)” (1º parágrafo), o termo sublinhado pertence à mesma classe grama�cal do termo sublinhado em a) “Não mais consideramos um entretenimento de domingo assis�r a enforcamentos, esquartejamentos e suplícios na roda.” (1º parágrafo) b) “Porém, numa sociedade em que �vesse sido possível dizer isso, provavelmente não haveria gladiadores ou imperadores.” (1º parágrafo) c) “Alguns dos imperadores sem dúvida se acreditavam imortais.” (1º parágrafo) d) “as pessoas necessitadas só podem esperar ajuda de outras pessoas.” (1º parágrafo) e) “Entre as muitas criaturas que morrem na Terra, a morte cons�tui um problema só para os seres humanos.” (2º parágrafo) GR0324 - (Fuvest) I. Diante da dificuldade, municípios de diferentes regiões do país realizaram um segundo “dia D” neste sábado. O primeiro ocorreu em 18 de agosto. A adesão, no entanto, ainda ficou abaixo do esperado. Agora, a recomendação é que estados e municípios façam busca a�va para garan�r que todo o público-alvo da campanha seja vacinado. Folha de S. Paulo. São Paulo. 03/09/2018. II. Pensar sobre a vaga, buscar conhecer a empresa e o que ela busca já faz de você alguém especial. Muitos que procuram o balcão de emprego não compreendem que os detalhes são fundamentais para conseguir a recolocação. Agora, não pense que você vai conseguir na primeira inves�da, a busca por um novo emprego requer paciência e persistência, tenha você 20 anos ou 50. Balcão de Emprego. Disponível em: O termo “Agora” pode ser subs�tuído, respec�vamente, em I e II e sem prejuízo de sen�dos nos dois textos, por a) Neste momento; Por conseguinte. b) Neste ínterim; De fato. c) Portanto; Ademais. d) Todavia; Então. e) Doravante; Mas. GR0114 - (Fgv) Vários estudos têm alertado que tanto a população da Terra quanto os níveis de consumo crescem mais rapidamente do que a capacidade de regeneração dos sistemas naturais. Um dos mais recentes, o relatório Planeta Vivo elaborado pela ONG internacional WWF, es�ma que atualmente três quartos da população mundial vivem em países que consomem mais recursos do que conseguem repor. 16@professorferretto @prof_ferretto Só Estados Unidos e China consomem, cada um, 21% dos recursos naturais do planeta. Até 1960, a maior parte dos países vivia dentro de seus limites ecológicos. Em poucas décadas do atual modelo de produção e consumo, a humanidade exauriu 60% da água disponível e dizimou um terço das espécies vivas do planeta. "O argumento de que o crescimento econômico é a solução já não basta. Não há recursos naturais para suportar o crescimento constante. A Terra é finita e a economia clássica sempre ignorou essa verdade elementar", afirma o ecoeconomista Hugo Penteado. Ele não está sozinho. A urgência dos problemas ambientais e suas implicações para a economia das nações têm sido terreno fér�l para o desenvolvimento da ecoeconomia, ou economia ecológica, que não é exatamente nova. Seus principais expoentes começaram a surgir na década de 1960. Hoje, estão paula�namente ganhando projeção graças à visibilidade que o tema sustentabilidade conquistou. Para essa escola, as novas métricas para medir o crescimento não bastam, embora sejam bem-vindas em um processo de transição. Para a ecoeconomia, é preciso parar de crescer em níveis exponenciais e reproduzir – ou "biomime�zar" – os ciclos da natureza: para ser sustentável, a economia deve caminhar para ser cada vez mais parecida com os processos naturais. "A economia baseada no mecanicismo não oferece mais respostas. É preciso encontrar um novo modelo, que dê respostas a questões como geração de empregos, desenvolvimento com qualidade e até mesmo uma desmaterialização do sistema. Vender serviços, não apenas produtos, e também produzir em ciclos fechados, sem desperdício", afirma o professor Paulo Durval Branco, da Escola Superior de Conservação Ambiental. De acordo com ele, embora as empresas venham repe�ndo a palavra sustentabilidade como um mantra, são pouquíssimas as que fizeram mudanças efe�vas em seus modelos de negócio. O desperdício de matérias-primas, o es�mulo ao consumismo e a obsolescência programada (bens fabricados com data certa para serem subs�tuídos) ainda ditam as regras. (Texto adaptado do ar�go de Andrea Vialli. O Estado de S. Paulo, H4 Especial, Vida &Sustentabilidade, 15 de maio de 2009) O mesmo �po de conjunção que subs�tui os dois pontos em - E, apesar das promessas de que o crescimento do PIB reduziria a pobreza, as desigualdades econômicas se mantêm: a cada US$ 160 milhões produzidos no mundo, só US$ 0,60 chega efe�vamente aos mais pobres. - pode ser aplicado em: a) Os ecoeconomistas só alimentam um propósito: poupar os recursos ambientais. b) Hugo Penteado disse: “a Terra é finita e a economia clássica sempre ignorou essa verdade elementar”. c) Os ecoeconomistas apontam os vícios das empresas: o desperdício de matérias-primas, o es�mulo ao consumismo e a obsolescência programada. d) A ecoeconomia não é exatamente nova: seus princípios exponenciais começaram a surgir na década de 70. e) Paulo Durval Branco foi enfá�co ao afirmar: “as empresas vêm repe�ndo a palavra sustentabilidade como um mantra.” GR0362 - (Uerj) O DNA do racismo Proponho ao leitor um simples experimento. Dirija-se a um local bastante movimentado e observe cuidadosamente as pessoas ao redor. Deverá logo saltar aos olhos que somos todos muito parecidos e, ao mesmo tempo, muito diferentes. Realmente, podemos ver grandes similaridades no plano corporal, na postura ereta, na pele fina e na falta rela�va de pelos, caracterís�cas da espécie humana que nos dis�nguem dos outros primatas. Por outro lado, serão evidentes as extraordinárias variações morfológicas entre as diferentes pessoas: sexo, idade, altura, peso, massa muscular, cor e textura dos cabelos, cor e formato dos olhos, cor da pele etc. A priori, não existe absolutamente nenhuma razão para valorizar mais uma ou outra dessas caracterís�cas no exercício de inves�gação. Nem todos esses traços têm a mesma relevância. Há caracterís�cas que podem nos fornecer informações sobre a origem geográfica ancestral das pessoas: uma pele negra pode nos levar a inferir que a pessoa tem ancestrais africanos, olhos puxados evocam ancestralidade oriental etc. E isso é tudo: não há absolutamente mais nada que possamos captar à flor da pele. Pense bem. O que têm a pigmentação da pele, o formato e a cor dos olhos ou a textura do cabelo a ver com as qualidades humanas singulares que definam uma individualidade existencial? Em ní�do contraste com as conclusões do experimento de observação empírica acima, está a rigidez da classificação da humanidade feita pelo naturalista sueco Carl Linnaeus, em 1767. Ele apresentou, pela primeira vez na esfera cien�fica, uma categorização da espécie humana, dis�nguindo quatro raças principais e qualificando-as de acordo com o que ele considerava suas caracterís�cas principais: • Homo sapiens europaeus: branco, sério, forte; • Homo sapiens asia�cus: