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MORFOLOGIA DA LÍNGUA INGLESA Camila Motta Avila Análise morfológica OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: > Descrever os passos para a análise morfológica. > Identificar morfemas da língua inglesa. > Definir as diferentes classes morfológicas. Introdução Neste capítulo, você verá de que forma as palavras e os morfemas se constituem e se organizam na língua inglesa. Além disso, verá como funciona a análise mor- fológica nesse sistema linguístico. Por fim, conhecerá os conceitos de palavra e morfema, bem como as classes morfológicas envolvidas no estudo de formação de palavras em inglês. Análise morfológica: o que é e como se faz Todas as línguas são organizadas em módulos gramaticais, isto é, categorias de agrupamento que consideram o modo de funcionamento e as características das unidades que as compõem. Os módulos gramaticais são constituídos pela fonologia, sintaxe, semântica e morfologia, esta última sendo o foco de análise deste capítulo. A morfologia (do grego mόρφω – morfo = forma + λόγος – logos = estudo de) é a área da linguística responsável por estudar a forma das palavras, a maneira como elas são compostas, constituídas, combinadas e transformadas de acordo com as contingências necessárias (p. ex., desinências) em cada língua. Ao contrário de como se faz na sintaxe, por exemplo, na morfologia, as palavras e os morfemas são analisados de forma isolada, ou seja, não são, primariamente, as funções de cada uma dessas unidades dentro de uma oração ou frase que se tornam o foco de análise morfológica (ainda que, algumas vezes, seja importante conhecer a sua função para determinar a classe gramatical adequada, a fim de uma análise precisa da palavra e dos morfemas que a constituem). Embora o foco de análise de cada grande área se debruce sobre uma fresta científica com fronteiras aparentemente restritas, não se pode esquecer que é a partir da junção de todos os achados de estudos acadêmicos, conside- rados em conjunto, que se forma o saber científico. Assim, considerando-se a morfologia, há algumas áreas de intersecção, como a morfologia e a mor- fossintaxe, por exemplo, que se dedicam a analisar todas as relações entre a morfologia e os módulos gramaticais em questão. De forma individual, a morfologia se dedica a estudar a formação e a classificação das palavras nas línguas. Para que a classificação das palavras seja organizada, faz-se necessário considerar de que forma a categorização das palavras se dá. Para isso, é preciso compreender o que são e como funcionam as classes gramaticais. Categorização das palavras de uma língua: as classes gramaticais As palavras das línguas não são todas iguais, uma vez que elas se formam e operam por princípios diferentes entre si. Há, porém, algumas similaridades entre elas, e é por meio dessas características de formação e funcionamento mais ou menos semelhantes que o agrupamento delas se faz possível, origi- nando as classes gramaticais. Entende-se por classe gramatical um conjunto que compreende a classificação de uma determinada palavra, baseando-se na sua formação e no seu funcionamento (BECHARA, 2009; CARTHER; McCAR- THY, 2002; CASTILHO, 2016; CELCE-MURCIA; LARSEN-FREEMAN, 1999; CUNHA; CINTRA, 2016; LUFT, 2002; MURPHY, 2004). As classes gramaticais em inglês e português se assemelham, e podem ser divididas como nas categorias demonstradas no Quadro 1. Análise morfológica2 Quadro 1. Classes de palavras em inglês e português: definição e categorização Classe gramatical (português) Word class ou parts of speech (english) Definição Adjetivo Adjective Atribui características a seres, objetos e condições. Advérbio Adverb Atribui características a verbos, adjetivos e outros advérbios. Pode descrever modo, tempo, espaço, lugar ou a maneira como se dá o funcionamento de uma ação. O advérbio nunca modifica um substantivo. Artigo Article Define a natureza de um substantivo, determinando-o como definido ou indefinido, masculino ou feminino, singular ou plural. Conjunção Conjunction Palavras que funcionam discursivamente na junção ou composição de ideias, orações, frases e sentenças. É a partir do funcionamento das conjunções que se estabelecem as relações de coordenação e subordinação sintáticas, por exemplo. Interjeição Interjection Palavras que expressam emoção, estado emocional, ordens ou apelo. Com frequência onomatopeicas, essas palavras também se caracterizam por carregar uma apropriação semântica complexa, e, por isso, podem substituir construções sintáticas maiores. Numeral Numeral Classe de palavras que compreende a quantificação de seres e objetos, além de caracterizar a nomenclatura dos números. Preposição Preposition Palavras que estabelecem relações gramaticais desempenhadas entre substantivos, adjetivos, verbos e advérbios. São as preposições, também, que determinam as relações sintáticas de subordinação. Pronome Pronoun Palavras que retomam, modificam ou substituem substantivos. (Continua) Análise morfológica 3 Classe gramatical (português) Word class ou parts of speech (english) Definição Substantivo Noun Classe de palavras responsável por determinar nomes a seres, objetos e ideias (sejam eles concretos ou abstratos). Verbo Verb Palavras que exprimem a ação ou o funcionamento de um determinado procedimento. Como o nome sugere, as classes de palavra são grupos que compreendem palavras. Embora essa definição pareça bastante óbvia, cabe a reflexão: como você definiria o que é uma palavra? Quando somos bebês, nossas primeiras produções orais, como “mamãe” e “papai”, são reconhecidas como nossas primeiras palavras. No entanto, em termos linguísticos e gramaticais, essas unidades podem, além de palavras, ser definidas como frases, por exemplo. Por que, então, as chamamos de palavras? Em termos teóricos, existe mais de um tipo de definição para esse conceito, porém a apropriação semântica geralmente adotada não precisa ser considerada equivocada, devido ao fato de haver outras definições possíveis. A seguir, será descrito de que forma esse conceito pode ser explorado e como se procede a análise morfológica. O que é uma palavra e como analisá-la A morfologia é a área da linguística que estuda a formação das palavras e dos morfemas de uma língua. As palavras podem ser consideradas uni- dades de sentido, unidades da estrutura de uma frase, blocos de sentido pronunciáveis por meio de uma forma, unidades de formação advindas de outras unidades, entre outras possibilidades (CARSTAIRS-MCCARTHY, 2002). Entenda-se, aqui, como palavra, a seguinte definição: parte integrante da sintaxe e organização sintática de um determinado sistema linguístico; unidade portadora de significado imotivado pelo seu signo gráfico; bloco individual composto por sons (representados por grafemas) com uma apro- priação semântica individual, por meio da qual se pode depreender desde a estrutura de funcionamento até a história de uma língua, por meio de investigações morfoetimológicas. (Continuação) Análise morfológica4 Cabe salientar que se utiliza, aqui, a noção de grafema, em detri- mento de letra, por se tratar da unidade discursiva em questão, e não, necessariamente, da unidade gráfica, já que a escrita é uma habilidade menos natural do que a habilidade de produção oral nos seres humanos. No entanto, grafema e letra podem ser termos utilizados de forma intercambiável sem grandes prejuízos sob um prisma didático e metodológico em questão. É importante ressaltar que os significados das palavras não estão presos à sua forma. Embora haja algumas visões teóricas com abordagens dife- rentes entre si em alguns aspectos, considera-se que não haja uma relação diretamente motivada entre o que Saussure (1916) chamou de signo, signifi- cante e significado. O signo linguístico é constituído a partir de significante e significado, sendo estes dois últimos metaforizados como os doislados de uma moeda (i.e., são interdependentes), os quais, por constituírem uma unidade completa, são indivisíveis e igualmente valorosos. Entende-se por significante a imagem acústica do signo, ou seja, a cadeia de sons dentro de um determinado sistema linguístico que corresponde a um significado: o conteúdo de sentido compreendido para determinado signo. A Figura 1, a seguir, apresenta uma representação para essa esquematização. Deve-se considerar a elipse completa como o signo, a palavra tree como o significante e o conceito de árvore (representado pela imagem) como o significado. Embora possa se considerar a existência de signos semimotivados (p. ex., em palavras como dezenove, que seria a junção de dez e nove) ou se alegue algo similar em casos como onomatopeias, deve-se considerar que inclusive esses tipos de signos variam de acordo com as línguas. Por exemplo, se a forma de representar um latido de cachorro ou o miado de um gato, embora Figura 1. A constituição do signo e sua arbitrariedade, de acordo com Saussure. Fonte: Tree (2004, documento on-line). Análise morfológica 5 tenha a pretensão de se assemelhar aos sons produzidos por esses animais em sua realização física, fosse, de fato, motivada linguisticamente, não teria oscilação de signo entre diferentes sistemas linguísticos, já que miados e latidos não mudam entre as diferentes línguas humanas. Assim, para realizar a análise morfológica, faz-se necessário entender de que forma as palavras são formadas, e, para isso, é preciso conhecer as unidades de estudo da morfologia: as palavras (words) e os morfemas (morphemes). Considera-se o morfema a menor unidade de análise das lín- guas que carrega significado (diferentemente de um fonema, por exemplo, que não compreende um significado intrínseco). Em língua portuguesa, consideram-se morfemas: afixo, desinência, radical, raiz, tema, vogal temática. Como exemplos de morfemas da língua portuguesa, tem-se -inho, -zinho, -mente, para indicar, respectivamente, ideia de diminutivo e formação de advérbios. Em língua inglesa, os morfemas possuem a mesma definição para análise que em língua portuguesa, uma vez que a unidade de estudo e seu conceito são cientificamente genéricos na linguística. Todavia, o funcionamento de diferentes sistemas linguísticos difere, e, por isso, os princípios de análise e funcionamento podem variar entre as línguas. A seguir, serão apresentados os morfemas constitutivos do módulo grama- tical morfológico em língua inglesa. Conhecendo os morfemas da língua inglesa Os morfemas podem ser divididos em duas naturezas: presos e livres. Os morfemas presos podem se subdividir em afixo e raiz; o afixo, por sua vez, pode ser dividido em flexional (p. ex., desinências -er de comparativo, -s da conjugação de terceira pessoa do singular em língua portuguesa e -ed como morfema de verbos regulares no passado em inglês) e derivacional (p. ex., morfemas un-, -ness e -ify). Os morfemas livres, por sua vez, podem ser divididos em duas classes: abertos e fechados. Os morfemas de classe aberta são aqueles que operam ou se constituem de forma independente (p. ex., substantivos, verbos e ad- jetivos). Já os morfemas de classe fechada não podem operar com a mesma autonomia, pois dependem de outros morfemas e constituintes para operarem na língua (p. ex., conjunções, preposições e determinantes). Análise morfológica6 A classe dos determinantes compreende morfemas que funcionam de forma adjacente ao sintagma nominal ao qual estão relacionados, geralmente o antecedendo. Os determinantes concordam em gênero e número com o sintagma nominal e se encontram nas seguintes classes: artigo definido, artigo indefinido, pronomes possessivos, pronomes demonstrativos, pronomes indefinidos, pronomes interrogativos e numerais. Para melhor compreensão dessas subdivisões acerca dos tipos de mor- femas e sua natureza, a Figura 2, a seguir, apresenta os tipos de morfemas da língua inglesa organizados em níveis. Figura 2. Os tipos de morfema na língua inglesa. Fonte: Adaptada de Carstairs-Mccarthy (2002). Análise morfológica 7 Como visto, a língua inglesa é formada por diferentes tipos de morfemas, de modo que reconhecer a natureza deles permite uma análise morfológica adequada por parte do estudioso de linguística. Para isso, parte-se, então, para a noção acerca de root (radical) e affix (afixo) para amparar a apre- sentação das apropriações semânticas ou desinenciais que cada morfema carrega, a fim de finalizar a explanação sobre análise morfológica nas classes de palavras compreendidas para cada morfema. De acordo com Carstairs- -McCarthy (2002), o morfema deve ser entendido a partir de dois princípios: (a) ser identificável a partir de uma palavra para outra; (b) contribuir de alguma forma para o significado da palavra como um todo. As palavras são formadas por pequenas partículas que determinam o seu sentido principal e a sua função gramatical. Como análise basilar, devem-se considerar os dois morfemas presos que constituem o sistema linguístico do inglês: o radical e o afixo. O radical (root) é a partícula que traz o conteúdo significativo (core) da palavra (feeling – feel / ing) e é invariável, ou seja, não sofre mudanças mesmo que seja aplicado a outras palavras derivadas. O afixo (affix), por sua vez, compreende partículas móveis que auxiliam não só na mudança de sentido das palavras, mas também na determinação de sua classe gramatical. Os afixos podem ser de dois tipos: prefixos (que, como o nome sugere, precedem o radical; p. ex., pleasant → unpleasant) e os sufixos (que sucedem o radical; p. ex., meaning → meaningless). Cairstairs- -McCarthy (2002) atenta para o fato de que apenas os morfemas do tipo raiz podem ser livres, e, assim, os afixos são necessariamente presos (já que não podem funcionar de forma isolada e independente de um morfema raiz; p. ex., -ful e -ness em helpfulness). A título de curiosidade, o autor também menciona que a abundância de sufixos é bem maior do que a de prefixos em língua inglesa. Essa produtividade pode se dar devido a questões históricas, formais e funcionais da língua. Dentro da categoria dos afixos, consideram-se duas subdivisões: afixos flexionais e afixos derivacionais. Os afixos flexionais são morfemas que funcionam como partículas responsáveis por modificar a raiz em termos de flexão, que pode se dar em gênero, número, grau e característica verbal, por exemplo. Em língua inglesa, a flexão de grau pode se dar no caso comparativo ou no caso superlativo. O caso comparativo é caracterizado pelo morfema -er, ao passo que o caso superlativo é caracterizado pelo morfema -est. Essa flexão ocorre em adjetivos regulares, e àqueles que extrapolam essa classificação são dedicados outros tipos de modificações. As partículas -er e -est são consideradas morfemas presos, ou seja, não operam sozinhos e sempre estão ligados a um morfema raiz ou sintagma. Confira os exemplos Análise morfológica8 a seguir (observe que, por motivações de cunho ortográfico, algumas modi- ficações de escrita podem ocorrer, a fim de que se façam adaptações para que o morfema possa ser adequadamente acrescentado). I like your car. It is big. In fact, it is much bigger than mine. My house is large, but it is not the largest one on the street. Outra forma de flexão pode ser conferida em verbos. O uso dos morfemas -s (para conjugação da terceira pessoa do singular no presente simples) e -ed (para conjugação de verbos regulares no passado simples) representa a forma de flexão verbal por meio de modificações morfológicas. Eles são morfemas presos e se juntam às formas verbais para operar as conjunções, conforme os exemplos a seguir. I eat an apple everyday but she eats bananas. I worked in a school in 2010. A flexão em número ocorre de forma similar em português e inglês para substantivos regulares. Assim, verifica-se a flexão entre singular e plural por meio do acréscimo do morfema -spara indicar a forma plural, conforme o exemplo a seguir. They have a house and I have two houses. Essas atribuições, como indicar plural, conjugar verbos na terceira pessoa do singular no presente simples, conjugar verbos regulares no passado sim- ples, constituem sentido aos morfemas flexionais apresentados. Há, também, os morfemas derivacionais, que, como o nome indica, operam nos processos de derivação de palavras. Os processos de derivação das palavras em língua inglesa podem se dar por diferentes princípios, como o de formação de pala- vras, por exemplo. A seguir, será descrito o que são morfemas derivacionais e como eles atribuem significado às palavras. Atribuindo significado a unidades derivacionais Uma das formas mais produtivas de se formar palavras em língua inglesa se dá por meio da operação de afixos (prefixos e sufixos). Tais morfemas, quando acoplados à uma palavra de conteúdo, podem transformar ou adaptar o seu sentido e a sua classe gramatical de diferentes formas: expressando seu Análise morfológica 9 contrário, a ideia de ausência, de excesso, de reforço, entre outras possibili- dades. O Quadro 2, a seguir, apresenta os principais afixos da língua inglesa, seguidos da apropriação de sentido que carregam e um exemplo para cada palavra formada a partir dos processos de afixação. Leia-se os afixos com traço precedente como um -prefixo, e os com um traço subsequente, como sufixo-. Quadro 2. Afixos da língua inglesa: apropriações semânticas e exemplos Prefixo Sentido Exemplo Anti- Contra Antivirus, antibiotics, anti bomb Bi- Duplo Bidirectional, bicarbonate, biannual De- Oposto Deactivation, dehumidify, depersonalize Dis- Oposto, não Dislike, disappear, disagree Ex- Antigo, passado Ex-boyfriend, exclude, exile Fore- Antes, na frente Forecast, forehead, forerunner In-, Im-, Ir- Não Impossible, irrespective, irresponsible Inter- Entre Interact, interchange, international Mid- Meio Midday, midway, midweek Mis- De forma incorreta Misunderstood, misbehave, misspell Non- Não Nonallergic, nonsense, nonprofit Pre- Antes Preschool, pre-order, prefix Re- Mais uma vez, novamente Reabsorb, remember, rewind Semi- Metade Semiprofessional, semicircle, semiarid Sub- Abaixo de, inferior Subconscious, subway, substitute Trans- Através Transatlantic, translate, transfer Un- Não Unhappy, uncomfortable, uncertain Under- Embaixo Undersea, underground, undertaking (Continua) Análise morfológica10 Sufixo Sentido Exemplo -er Alguém que faz Teacher, maker, toaster -ly Forma como procede Beautifully, decently, kindly -able, -ible Capaz ou merecedor de Comfortable, honorable, responsible -hood Condição de ser algo Childhood, brotherhood, statehood -ful Cheio de/que contém Beautiful, wonderful, lovefull -less Sem Hopeless, thoughtless, fearless -ish Algo como Childish, foolish, snobbish -ic Relacionado a Energetic, historic, volcanic -ist Alguém que Pianist, balloonist, specialist -ian Alguém que Librarian, historian, magician -or, -eer Alguém que Governor, editor, operator, engineer, muskiteer -ship Habilidade de/ condição de Leadership, citizenship, companionship -age Resultado de uma ação Marriage, acreage, pilgrimage -ment Estado ou ação de Payment, basement, improvement -ize, -ise Fazer Hypnotize, fertilize, advise, advertise -ation Ação ou condição Starvation, condensation -ity Estado ou qualidade de Prosperity, equality, security -ism Prática ou crença Feudalism, racism, monotheism Fonte: Adaptado de Ebbers (2010). (Continuação) Análise morfológica 11 Tendo em vista uma lista abreviada dos afixos mais produtivos e abun- dantes em processos em língua inglesa, parte-se para a forma como as combinações entre os morfemas podem ocorrer para o processo de forma- ção de palavras. É a partir das combinações entre raiz e morfemas que tais processos se realizam. Raiz e afixos: processos de formação de palavras Existem dois tipos de palavras, levando-se em consideração a natureza das suas formações: palavras primitivas e palavras derivadas. As palavras primitivas não possuem morfemas oriundos de outras palavras em sua com- posição (car, house, cat). Já as palavras derivadas possuem derivação de outras palavras para que se componha a sua formação (p. ex., teacher, que deriva do verbo teach e é acrescida do morfema -er). Existem três processos principais de formação de palavras: � Affixation (afixação): processo que consiste na adição de prefixos e sufixos (p. ex., pleasant – unpleasant | meaning – meaningful – mea- ningless) A afixação, muito comum na língua inglesa, trata-se de um processo muito produtivo linguisticamente. O inglês sofreu influência latina, germânica e francesa na sua origem, e, por isso, é possível encontrar muitos afixos oriundos dessas línguas na língua inglesa. � Conversion (conversão): esse processo consiste na adoção da palavra em mais de uma categoria gramatical sem qualquer transformação (p. ex., drive [verbo] — drive [substantivo]). � Compounding (composição/justaposição): nesse processo, há uma junção de duas palavras para formar uma terceira, que, por sua vez, ganha um sentido novo, diferente do sentido específico das palavras que foram uti- lizadas em sua formação. Existem três tipos diferentes de compounding: ■ Open compound (aberta): nesse processo, as palavras são utilizadas de forma composta, ou seja, formando uma expressão que traz um sentido novo, mas mantêm uma grafia separada (p. ex., salad dressing). ■ Hyphenated compound (hifenização): o processo de composição é o mesmo, mas, nesse caso, as palavras são agregadas umas às outras através do hífen (p. ex., mother-in-law). ■ Solid compound (sólida): nesse caso, o processo é apenas de junção das palavras, que ficam unidas, dando origem a um novo sentido (keyboard). Análise morfológica12 A Figura 3, a seguir, apresenta um gráfico arbóreo demonstrando como se organizam os dois tipos de processos de formação de palavras em língua inglesa, com o acréscimo dos processos menos recorrentes. Classes de palavras: indo mais além Como visto, as palavras pertencentes aos sistemas linguísticos se organizam em diferentes classes gramaticais. Para se trazer essa noção, buscou-se a categorização das classes de palavras a partir das suas características de funcionamento. Indo além, elas também podem ser organizadas a partir das suas características de formação. Ou seja, os morfemas que formam as palavras também podem determinar o seu pertencimento a uma classe gramatical, principalmente quando se trata de sufixos (morfemas que se alocam após os radicais das palavras). Figura 3. Organização dos processos de formação de palavras em língua inglesa. Fonte: Adaptada de Mendekenova ([201?]). There are two types of word formation in English language shortening blendingaffixation conversion sound imitation distinctive stress sound interchange compounding back formation Major Minor Análise morfológica 13 Identificando as classes a partir dos morfemas Algumas vezes, ao se deparar com palavras novas, geralmente em textos escritos, é possível que haja desconhecimento de algum termo ou item lexical em específico. O reconhecimento dos processos de formação das palavras e das raízes e morfemas da língua inglesa pode ser um aliado considerável na compreensão de palavras desconhecidas, já que um morfema específico (em particular, os sufixos) pode determinar o tipo de formação da palavra em funcionamento, bem como a classe gramatical do item lexical em ques- tão. A seguir, são apresentados os sufixos mais produtivos e quais tipos de transformação de classe gramatical estão associados a esses morfemas. � -able, -ible: sufixos que transformam verbos em adjetivos (drink drinkable). � -ful: transforma substantivos em adjetivos (beauty beautiful). � -hood, -ship: sufixos que criam substantivos abstratos, geralmente a partir de outros substantivos (child childhood). � -ness: morfema que cria substantivosabstratos a partir de adjetivos (happy happiness). � -less: transforma substantivos em adjetivos (end endless). � -ly: morfema que transforma palavras em advérbios (quick quickly). Compreender as regras de funcionamento e formação de palavras é um conhecimento relevante e edificante para qualquer estudioso de sistemas linguísticos. Além disso, ter a visão de que as palavras da língua inglesa são resultado de inúmeros processos, sejam eles oriundos de questões históricas, culturais ou linguísticas, instrumentaliza o aprendiz e agrega conhecimento de relevância ao estudo formal das línguas. Por isso, a partir deste capí- tulo, propôs-se que o estudante tivesse contato com conceitos básicos da morfologia, para que fosse capaz de percorrer e compreender as etapas envolvidas na análise morfológica, além de poder identificar quais morfemas constituem o sistema linguístico e, consequentemente, as diferentes classes morfológicas da língua inglesa. Todavia, neste capítulo, não foi possível abranger o conteúdo de morfologia em sua totalidade e, certamente, há ainda outros prismas teóricos e meto- dológicos que podem ser abordados pelo estudante, que, com a autonomia sobre o seu caminho intelectual e acadêmico, deve se sentir motivado para iniciar sempre novas pesquisas na área. Análise morfológica14 Referências BECHARA, E. Moderna gramática portuguesa. 37. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009. CARSTAIRS-MCCARTHY, A. An introduction to english morphology: words and their structure. Edimburgo: Edinburgh University Press, 2002. CARTHER, R.; MCCARTHY, M. Cambridge grammar of english: a comprehensive guide. Cambridge: Cambridge University Press, 2010. CASTILHO, A. T. Nova gramática do português brasileiro. São Paulo: Contexto, 2016. CELCE-MURCIA, M.; LARSEN-FREEMAN, D. The grammar book: an ESL/EFL teacher’s course. Boston: Heinle Cengage Learning, 1999. CUNHA, C.; CINTRA, L. Nova gramática do português contemporâneo. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016. EBBERS, S. M. Vocabulary Through Morphemes: suffixes, prefixes, and roots for grades. 2nd. ed. [S. l.]: Sopris West, 2010. LUFT, C. P. Moderna gramática brasileira. São. Paulo: Globo, 2002. MENDEKENOVA, A. Morphology as a parto f grammar. [S. l.: s. n., 201-?]. 22 slides. Dispo- nível em: https://en.ppt-online.org/embed/516800. Acesso em: 7 ago. 2020. MURPHY, R. English grammar in use. 3rd. ed. Cambridge: CUP, 2004. SAUSSURE, F. Curso de linguística geral. São Paulo: Cultrix, 1916. TREE. In: WIKIMEDIA. [S. l.: s. n.], 2004. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/ wiki/File:Tree.gif. Acesso em: 7 ago. 2020. Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. 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