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MORFOLOGIA DA 
LÍNGUA INGLESA
Camila Motta Avila
Análise 
morfológica
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 > Descrever os passos para a análise morfológica.
 > Identificar morfemas da língua inglesa.
 > Definir as diferentes classes morfológicas. 
Introdução
Neste capítulo, você verá de que forma as palavras e os morfemas se constituem 
e se organizam na língua inglesa. Além disso, verá como funciona a análise mor-
fológica nesse sistema linguístico. Por fim, conhecerá os conceitos de palavra e 
morfema, bem como as classes morfológicas envolvidas no estudo de formação 
de palavras em inglês.
Análise morfológica: o que é e como se faz
Todas as línguas são organizadas em módulos gramaticais, isto é, categorias de 
agrupamento que consideram o modo de funcionamento e as características 
das unidades que as compõem. Os módulos gramaticais são constituídos 
pela fonologia, sintaxe, semântica e morfologia, esta última sendo o foco 
de análise deste capítulo. A morfologia (do grego mόρφω – morfo = forma 
+ λόγος – logos = estudo de) é a área da linguística responsável por estudar 
a forma das palavras, a maneira como elas são compostas, constituídas, 
combinadas e transformadas de acordo com as contingências necessárias 
(p. ex., desinências) em cada língua.
Ao contrário de como se faz na sintaxe, por exemplo, na morfologia, as 
palavras e os morfemas são analisados de forma isolada, ou seja, não são, 
primariamente, as funções de cada uma dessas unidades dentro de uma 
oração ou frase que se tornam o foco de análise morfológica (ainda que, 
algumas vezes, seja importante conhecer a sua função para determinar a 
classe gramatical adequada, a fim de uma análise precisa da palavra e dos 
morfemas que a constituem).
Embora o foco de análise de cada grande área se debruce sobre uma fresta 
científica com fronteiras aparentemente restritas, não se pode esquecer que 
é a partir da junção de todos os achados de estudos acadêmicos, conside-
rados em conjunto, que se forma o saber científico. Assim, considerando-se 
a morfologia, há algumas áreas de intersecção, como a morfologia e a mor-
fossintaxe, por exemplo, que se dedicam a analisar todas as relações entre 
a morfologia e os módulos gramaticais em questão. De forma individual, a 
morfologia se dedica a estudar a formação e a classificação das palavras 
nas línguas. Para que a classificação das palavras seja organizada, faz-se 
necessário considerar de que forma a categorização das palavras se dá. 
Para isso, é preciso compreender o que são e como funcionam as classes 
gramaticais.
Categorização das palavras de uma língua: 
as classes gramaticais
As palavras das línguas não são todas iguais, uma vez que elas se formam e 
operam por princípios diferentes entre si. Há, porém, algumas similaridades 
entre elas, e é por meio dessas características de formação e funcionamento 
mais ou menos semelhantes que o agrupamento delas se faz possível, origi-
nando as classes gramaticais. Entende-se por classe gramatical um conjunto 
que compreende a classificação de uma determinada palavra, baseando-se 
na sua formação e no seu funcionamento (BECHARA, 2009; CARTHER; McCAR-
THY, 2002; CASTILHO, 2016; CELCE-MURCIA; LARSEN-FREEMAN, 1999; CUNHA; 
CINTRA, 2016; LUFT, 2002; MURPHY, 2004). As classes gramaticais em inglês 
e português se assemelham, e podem ser divididas como nas categorias 
demonstradas no Quadro 1.
Análise morfológica2
Quadro 1. Classes de palavras em inglês e português: definição e categorização
Classe 
gramatical 
(português)
Word class ou 
parts of speech 
(english) Definição
Adjetivo Adjective Atribui características a seres, objetos e 
condições.
Advérbio Adverb Atribui características a verbos, adjetivos 
e outros advérbios. Pode descrever modo, 
tempo, espaço, lugar ou a maneira como 
se dá o funcionamento de uma ação. O 
advérbio nunca modifica um substantivo.
Artigo Article Define a natureza de um substantivo, 
determinando-o como definido ou 
indefinido, masculino ou feminino, singular 
ou plural.
Conjunção Conjunction Palavras que funcionam discursivamente 
na junção ou composição de ideias, 
orações, frases e sentenças. É a partir do 
funcionamento das conjunções que se 
estabelecem as relações de coordenação e 
subordinação sintáticas, por exemplo.
Interjeição Interjection Palavras que expressam emoção, 
estado emocional, ordens ou apelo. Com 
frequência onomatopeicas, essas palavras 
também se caracterizam por carregar 
uma apropriação semântica complexa, e, 
por isso, podem substituir construções 
sintáticas maiores.
Numeral Numeral Classe de palavras que compreende a 
quantificação de seres e objetos, além de 
caracterizar a nomenclatura dos números.
Preposição Preposition Palavras que estabelecem relações 
gramaticais desempenhadas entre 
substantivos, adjetivos, verbos e 
advérbios. São as preposições, também, 
que determinam as relações sintáticas de 
subordinação.
Pronome Pronoun Palavras que retomam, modificam ou 
substituem substantivos.
(Continua)
Análise morfológica 3
Classe 
gramatical 
(português)
Word class ou 
parts of speech 
(english) Definição
Substantivo Noun Classe de palavras responsável por 
determinar nomes a seres, objetos e ideias 
(sejam eles concretos ou abstratos).
Verbo Verb Palavras que exprimem a ação ou o 
funcionamento de um determinado 
procedimento.
Como o nome sugere, as classes de palavra são grupos que compreendem 
palavras. Embora essa definição pareça bastante óbvia, cabe a reflexão: como 
você definiria o que é uma palavra? Quando somos bebês, nossas primeiras 
produções orais, como “mamãe” e “papai”, são reconhecidas como nossas 
primeiras palavras. No entanto, em termos linguísticos e gramaticais, essas 
unidades podem, além de palavras, ser definidas como frases, por exemplo. 
Por que, então, as chamamos de palavras? Em termos teóricos, existe mais 
de um tipo de definição para esse conceito, porém a apropriação semântica 
geralmente adotada não precisa ser considerada equivocada, devido ao fato 
de haver outras definições possíveis. A seguir, será descrito de que forma 
esse conceito pode ser explorado e como se procede a análise morfológica.
O que é uma palavra e como analisá-la
A morfologia é a área da linguística que estuda a formação das palavras 
e dos morfemas de uma língua. As palavras podem ser consideradas uni-
dades de sentido, unidades da estrutura de uma frase, blocos de sentido 
pronunciáveis por meio de uma forma, unidades de formação advindas de 
outras unidades, entre outras possibilidades (CARSTAIRS-MCCARTHY, 2002). 
Entenda-se, aqui, como palavra, a seguinte definição: parte integrante da 
sintaxe e organização sintática de um determinado sistema linguístico; 
unidade portadora de significado imotivado pelo seu signo gráfico; bloco 
individual composto por sons (representados por grafemas) com uma apro-
priação semântica individual, por meio da qual se pode depreender desde 
a estrutura de funcionamento até a história de uma língua, por meio de 
investigações morfoetimológicas. 
(Continuação)
Análise morfológica4
Cabe salientar que se utiliza, aqui, a noção de grafema, em detri-
mento de letra, por se tratar da unidade discursiva em questão, e 
não, necessariamente, da unidade gráfica, já que a escrita é uma habilidade 
menos natural do que a habilidade de produção oral nos seres humanos. No 
entanto, grafema e letra podem ser termos utilizados de forma intercambiável 
sem grandes prejuízos sob um prisma didático e metodológico em questão.
É importante ressaltar que os significados das palavras não estão presos 
à sua forma. Embora haja algumas visões teóricas com abordagens dife-
rentes entre si em alguns aspectos, considera-se que não haja uma relação 
diretamente motivada entre o que Saussure (1916) chamou de signo, signifi-
cante e significado. O signo linguístico é constituído a partir de significante 
e significado, sendo estes dois últimos metaforizados como os doislados 
de uma moeda (i.e., são interdependentes), os quais, por constituírem uma 
unidade completa, são indivisíveis e igualmente valorosos. Entende-se por 
significante a imagem acústica do signo, ou seja, a cadeia de sons dentro 
de um determinado sistema linguístico que corresponde a um significado: 
o conteúdo de sentido compreendido para determinado signo. A Figura 1, a 
seguir, apresenta uma representação para essa esquematização. Deve-se 
considerar a elipse completa como o signo, a palavra tree como o significante 
e o conceito de árvore (representado pela imagem) como o significado.
Embora possa se considerar a existência de signos semimotivados (p. ex., 
em palavras como dezenove, que seria a junção de dez e nove) ou se alegue 
algo similar em casos como onomatopeias, deve-se considerar que inclusive 
esses tipos de signos variam de acordo com as línguas. Por exemplo, se a 
forma de representar um latido de cachorro ou o miado de um gato, embora 
Figura 1. A constituição do signo e sua arbitrariedade, de acordo com Saussure.
Fonte: Tree (2004, documento on-line).
Análise morfológica 5
tenha a pretensão de se assemelhar aos sons produzidos por esses animais 
em sua realização física, fosse, de fato, motivada linguisticamente, não teria 
oscilação de signo entre diferentes sistemas linguísticos, já que miados e 
latidos não mudam entre as diferentes línguas humanas.
Assim, para realizar a análise morfológica, faz-se necessário entender 
de que forma as palavras são formadas, e, para isso, é preciso conhecer 
as unidades de estudo da morfologia: as palavras (words) e os morfemas 
(morphemes). Considera-se o morfema a menor unidade de análise das lín-
guas que carrega significado (diferentemente de um fonema, por exemplo, 
que não compreende um significado intrínseco). Em língua portuguesa, 
consideram-se morfemas: afixo, desinência, radical, raiz, tema, vogal 
temática. Como exemplos de morfemas da língua portuguesa, tem-se 
 -inho, -zinho, -mente, para indicar, respectivamente, ideia de diminutivo 
e formação de advérbios. 
Em língua inglesa, os morfemas possuem a mesma definição para 
análise que em língua portuguesa, uma vez que a unidade de estudo 
e seu conceito são cientificamente genéricos na linguística. Todavia, o 
funcionamento de diferentes sistemas linguísticos difere, e, por isso, os 
princípios de análise e funcionamento podem variar entre as línguas. A 
seguir, serão apresentados os morfemas constitutivos do módulo grama-
tical morfológico em língua inglesa.
Conhecendo os morfemas da língua inglesa
Os morfemas podem ser divididos em duas naturezas: presos e livres. Os 
morfemas presos podem se subdividir em afixo e raiz; o afixo, por sua vez, 
pode ser dividido em flexional (p. ex., desinências -er de comparativo, -s da 
conjugação de terceira pessoa do singular em língua portuguesa e -ed como 
morfema de verbos regulares no passado em inglês) e derivacional (p. ex., 
morfemas un-, -ness e -ify). 
Os morfemas livres, por sua vez, podem ser divididos em duas classes: 
abertos e fechados. Os morfemas de classe aberta são aqueles que operam 
ou se constituem de forma independente (p. ex., substantivos, verbos e ad-
jetivos). Já os morfemas de classe fechada não podem operar com a mesma 
autonomia, pois dependem de outros morfemas e constituintes para operarem 
na língua (p. ex., conjunções, preposições e determinantes).
Análise morfológica6
A classe dos determinantes compreende morfemas que funcionam 
de forma adjacente ao sintagma nominal ao qual estão relacionados, 
geralmente o antecedendo. Os determinantes concordam em gênero e número 
com o sintagma nominal e se encontram nas seguintes classes: artigo definido, 
artigo indefinido, pronomes possessivos, pronomes demonstrativos, pronomes 
indefinidos, pronomes interrogativos e numerais. 
Para melhor compreensão dessas subdivisões acerca dos tipos de mor-
femas e sua natureza, a Figura 2, a seguir, apresenta os tipos de morfemas 
da língua inglesa organizados em níveis.
Figura 2. Os tipos de morfema na língua inglesa.
Fonte: Adaptada de Carstairs-Mccarthy (2002).
Análise morfológica 7
Como visto, a língua inglesa é formada por diferentes tipos de morfemas, 
de modo que reconhecer a natureza deles permite uma análise morfológica 
adequada por parte do estudioso de linguística. Para isso, parte-se, então, 
para a noção acerca de root (radical) e affix (afixo) para amparar a apre-
sentação das apropriações semânticas ou desinenciais que cada morfema 
carrega, a fim de finalizar a explanação sobre análise morfológica nas classes 
de palavras compreendidas para cada morfema. De acordo com Carstairs-
-McCarthy (2002), o morfema deve ser entendido a partir de dois princípios: (a) 
ser identificável a partir de uma palavra para outra; (b) contribuir de alguma 
forma para o significado da palavra como um todo.
As palavras são formadas por pequenas partículas que determinam o seu 
sentido principal e a sua função gramatical. Como análise basilar, devem-se 
considerar os dois morfemas presos que constituem o sistema linguístico do 
inglês: o radical e o afixo. O radical (root) é a partícula que traz o conteúdo 
significativo (core) da palavra (feeling – feel / ing) e é invariável, ou seja, 
não sofre mudanças mesmo que seja aplicado a outras palavras derivadas. 
O afixo (affix), por sua vez, compreende partículas móveis que auxiliam 
não só na mudança de sentido das palavras, mas também na determinação 
de sua classe gramatical. Os afixos podem ser de dois tipos: prefixos (que, 
como o nome sugere, precedem o radical; p. ex., pleasant → unpleasant) e os 
sufixos (que sucedem o radical; p. ex., meaning → meaningless). Cairstairs-
-McCarthy (2002) atenta para o fato de que apenas os morfemas do tipo raiz 
podem ser livres, e, assim, os afixos são necessariamente presos (já que 
não podem funcionar de forma isolada e independente de um morfema raiz; 
p. ex., -ful e -ness em helpfulness). A título de curiosidade, o autor também 
menciona que a abundância de sufixos é bem maior do que a de prefixos em 
língua inglesa. Essa produtividade pode se dar devido a questões históricas, 
formais e funcionais da língua. 
Dentro da categoria dos afixos, consideram-se duas subdivisões: afixos 
flexionais e afixos derivacionais. Os afixos flexionais são morfemas que 
funcionam como partículas responsáveis por modificar a raiz em termos de 
flexão, que pode se dar em gênero, número, grau e característica verbal, por 
exemplo. Em língua inglesa, a flexão de grau pode se dar no caso comparativo 
ou no caso superlativo. O caso comparativo é caracterizado pelo morfema 
-er, ao passo que o caso superlativo é caracterizado pelo morfema -est. 
Essa flexão ocorre em adjetivos regulares, e àqueles que extrapolam essa 
classificação são dedicados outros tipos de modificações. As partículas -er 
e -est são consideradas morfemas presos, ou seja, não operam sozinhos e 
sempre estão ligados a um morfema raiz ou sintagma. Confira os exemplos 
Análise morfológica8
a seguir (observe que, por motivações de cunho ortográfico, algumas modi-
ficações de escrita podem ocorrer, a fim de que se façam adaptações para 
que o morfema possa ser adequadamente acrescentado).
I like your car. It is big. In fact, it is much bigger than mine. 
My house is large, but it is not the largest one on the street.
Outra forma de flexão pode ser conferida em verbos. O uso dos morfemas 
-s (para conjugação da terceira pessoa do singular no presente simples) e 
-ed (para conjugação de verbos regulares no passado simples) representa 
a forma de flexão verbal por meio de modificações morfológicas. Eles são 
morfemas presos e se juntam às formas verbais para operar as conjunções, 
conforme os exemplos a seguir.
I eat an apple everyday but she eats bananas.
I worked in a school in 2010.
A flexão em número ocorre de forma similar em português e inglês para 
substantivos regulares. Assim, verifica-se a flexão entre singular e plural 
por meio do acréscimo do morfema -spara indicar a forma plural, conforme 
o exemplo a seguir.
They have a house and I have two houses.
Essas atribuições, como indicar plural, conjugar verbos na terceira pessoa 
do singular no presente simples, conjugar verbos regulares no passado sim-
ples, constituem sentido aos morfemas flexionais apresentados. Há, também, 
os morfemas derivacionais, que, como o nome indica, operam nos processos 
de derivação de palavras. Os processos de derivação das palavras em língua 
inglesa podem se dar por diferentes princípios, como o de formação de pala-
vras, por exemplo. A seguir, será descrito o que são morfemas derivacionais 
e como eles atribuem significado às palavras.
Atribuindo significado a unidades derivacionais
Uma das formas mais produtivas de se formar palavras em língua inglesa se 
dá por meio da operação de afixos (prefixos e sufixos). Tais morfemas, quando 
acoplados à uma palavra de conteúdo, podem transformar ou adaptar o seu 
sentido e a sua classe gramatical de diferentes formas: expressando seu 
Análise morfológica 9
contrário, a ideia de ausência, de excesso, de reforço, entre outras possibili-
dades. O Quadro 2, a seguir, apresenta os principais afixos da língua inglesa, 
seguidos da apropriação de sentido que carregam e um exemplo para cada 
palavra formada a partir dos processos de afixação. Leia-se os afixos com traço 
precedente como um -prefixo, e os com um traço subsequente, como sufixo-.
Quadro 2. Afixos da língua inglesa: apropriações semânticas e exemplos
Prefixo Sentido Exemplo
Anti- Contra Antivirus, antibiotics, anti bomb
Bi- Duplo Bidirectional, bicarbonate, biannual
De- Oposto Deactivation, dehumidify, depersonalize
Dis- Oposto, não Dislike, disappear, disagree
Ex- Antigo, passado Ex-boyfriend, exclude, exile
Fore- Antes, na frente Forecast, forehead, forerunner
In-, Im-, Ir- Não Impossible, irrespective, irresponsible
Inter- Entre Interact, interchange, international
Mid- Meio Midday, midway, midweek
Mis- De forma incorreta Misunderstood, misbehave, misspell
Non- Não Nonallergic, nonsense, nonprofit
Pre- Antes Preschool, pre-order, prefix
Re- Mais uma vez, 
novamente
Reabsorb, remember, rewind
Semi- Metade Semiprofessional, semicircle, semiarid
Sub- Abaixo de, inferior Subconscious, subway, substitute
Trans- Através Transatlantic, translate, transfer
Un- Não Unhappy, uncomfortable, uncertain
Under- Embaixo Undersea, underground, undertaking
(Continua)
Análise morfológica10
Sufixo Sentido Exemplo
-er Alguém que faz Teacher, maker, toaster
-ly Forma como 
procede
Beautifully, decently, kindly
-able, -ible Capaz ou merecedor 
de
Comfortable, honorable, responsible
-hood Condição de ser 
algo
Childhood, brotherhood, statehood
-ful Cheio de/que 
contém
Beautiful, wonderful, lovefull
-less Sem Hopeless, thoughtless, fearless
-ish Algo como Childish, foolish, snobbish
-ic Relacionado a Energetic, historic, volcanic
-ist Alguém que Pianist, balloonist, specialist
-ian Alguém que Librarian, historian, magician
-or, -eer Alguém que Governor, editor, operator, engineer, 
muskiteer
-ship Habilidade de/ 
condição de
Leadership, citizenship, companionship
-age Resultado de uma 
ação
Marriage, acreage, pilgrimage
-ment Estado ou ação de Payment, basement, improvement
-ize, -ise Fazer Hypnotize, fertilize, advise, advertise
-ation Ação ou condição Starvation, condensation
-ity Estado ou qualidade 
de
Prosperity, equality, security
-ism Prática ou crença Feudalism, racism, monotheism
Fonte: Adaptado de Ebbers (2010).
(Continuação)
Análise morfológica 11
Tendo em vista uma lista abreviada dos afixos mais produtivos e abun-
dantes em processos em língua inglesa, parte-se para a forma como as 
combinações entre os morfemas podem ocorrer para o processo de forma-
ção de palavras. É a partir das combinações entre raiz e morfemas que tais 
processos se realizam. 
Raiz e afixos: processos de formação de palavras
Existem dois tipos de palavras, levando-se em consideração a natureza 
das suas formações: palavras primitivas e palavras derivadas. As palavras 
primitivas não possuem morfemas oriundos de outras palavras em sua com-
posição (car, house, cat). Já as palavras derivadas possuem derivação de 
outras palavras para que se componha a sua formação (p. ex., teacher, que 
deriva do verbo teach e é acrescida do morfema -er). Existem três processos 
principais de formação de palavras:
 � Affixation (afixação): processo que consiste na adição de prefixos e 
sufixos (p. ex., pleasant – unpleasant | meaning – meaningful – mea-
ningless) A afixação, muito comum na língua inglesa, trata-se de um 
processo muito produtivo linguisticamente. O inglês sofreu influência 
latina, germânica e francesa na sua origem, e, por isso, é possível 
encontrar muitos afixos oriundos dessas línguas na língua inglesa.
 � Conversion (conversão): esse processo consiste na adoção da palavra 
em mais de uma categoria gramatical sem qualquer transformação (p. 
ex., drive [verbo] — drive [substantivo]).
 � Compounding (composição/justaposição): nesse processo, há uma junção 
de duas palavras para formar uma terceira, que, por sua vez, ganha um 
sentido novo, diferente do sentido específico das palavras que foram uti-
lizadas em sua formação. Existem três tipos diferentes de compounding:
 ■ Open compound (aberta): nesse processo, as palavras são utilizadas 
de forma composta, ou seja, formando uma expressão que traz 
um sentido novo, mas mantêm uma grafia separada (p. ex., salad 
dressing).
 ■ Hyphenated compound (hifenização): o processo de composição é o 
mesmo, mas, nesse caso, as palavras são agregadas umas às outras 
através do hífen (p. ex., mother-in-law).
 ■ Solid compound (sólida): nesse caso, o processo é apenas de junção 
das palavras, que ficam unidas, dando origem a um novo sentido 
(keyboard).
Análise morfológica12
A Figura 3, a seguir, apresenta um gráfico arbóreo demonstrando como 
se organizam os dois tipos de processos de formação de palavras em língua 
inglesa, com o acréscimo dos processos menos recorrentes.
Classes de palavras: indo mais além
Como visto, as palavras pertencentes aos sistemas linguísticos se organizam 
em diferentes classes gramaticais. Para se trazer essa noção, buscou-se a 
categorização das classes de palavras a partir das suas características de 
funcionamento. Indo além, elas também podem ser organizadas a partir 
das suas características de formação. Ou seja, os morfemas que formam 
as palavras também podem determinar o seu pertencimento a uma classe 
gramatical, principalmente quando se trata de sufixos (morfemas que se 
alocam após os radicais das palavras).
Figura 3. Organização dos processos de formação de palavras em língua inglesa.
Fonte: Adaptada de Mendekenova ([201?]).
There are two types of word formation in
English language
shortening
blendingaffixation
conversion
sound
imitation
distinctive
stress
sound
interchange
compounding
back
formation
Major Minor
Análise morfológica 13
Identificando as classes a partir dos morfemas
Algumas vezes, ao se deparar com palavras novas, geralmente em textos 
escritos, é possível que haja desconhecimento de algum termo ou item lexical 
em específico. O reconhecimento dos processos de formação das palavras 
e das raízes e morfemas da língua inglesa pode ser um aliado considerável 
na compreensão de palavras desconhecidas, já que um morfema específico 
(em particular, os sufixos) pode determinar o tipo de formação da palavra 
em funcionamento, bem como a classe gramatical do item lexical em ques-
tão. A seguir, são apresentados os sufixos mais produtivos e quais tipos de 
transformação de classe gramatical estão associados a esses morfemas.
 � -able, -ible: sufixos que transformam verbos em adjetivos (drink 
drinkable).
 � -ful: transforma substantivos em adjetivos (beauty beautiful).
 � -hood, -ship: sufixos que criam substantivos abstratos, geralmente a 
partir de outros substantivos (child childhood).
 � -ness: morfema que cria substantivosabstratos a partir de adjetivos 
(happy happiness).
 � -less: transforma substantivos em adjetivos (end endless).
 � -ly: morfema que transforma palavras em advérbios (quick quickly).
Compreender as regras de funcionamento e formação de palavras é um 
conhecimento relevante e edificante para qualquer estudioso de sistemas 
linguísticos. Além disso, ter a visão de que as palavras da língua inglesa são 
resultado de inúmeros processos, sejam eles oriundos de questões históricas, 
culturais ou linguísticas, instrumentaliza o aprendiz e agrega conhecimento 
de relevância ao estudo formal das línguas. Por isso, a partir deste capí-
tulo, propôs-se que o estudante tivesse contato com conceitos básicos da 
morfologia, para que fosse capaz de percorrer e compreender as etapas 
envolvidas na análise morfológica, além de poder identificar quais morfemas 
constituem o sistema linguístico e, consequentemente, as diferentes classes 
morfológicas da língua inglesa. 
Todavia, neste capítulo, não foi possível abranger o conteúdo de morfologia 
em sua totalidade e, certamente, há ainda outros prismas teóricos e meto-
dológicos que podem ser abordados pelo estudante, que, com a autonomia 
sobre o seu caminho intelectual e acadêmico, deve se sentir motivado para 
iniciar sempre novas pesquisas na área.
Análise morfológica14
Referências
BECHARA, E. Moderna gramática portuguesa. 37. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
CARSTAIRS-MCCARTHY, A. An introduction to english morphology: words and their 
structure. Edimburgo: Edinburgh University Press, 2002.
CARTHER, R.; MCCARTHY, M. Cambridge grammar of english: a comprehensive guide. 
Cambridge: Cambridge University Press, 2010.
CASTILHO, A. T. Nova gramática do português brasileiro. São Paulo: Contexto, 2016.
CELCE-MURCIA, M.; LARSEN-FREEMAN, D. The grammar book: an ESL/EFL teacher’s 
course. Boston: Heinle Cengage Learning, 1999.
CUNHA, C.; CINTRA, L. Nova gramática do português contemporâneo. 2. ed. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 2016.
EBBERS, S. M. Vocabulary Through Morphemes: suffixes, prefixes, and roots for grades. 
2nd. ed. [S. l.]: Sopris West, 2010.
LUFT, C. P. Moderna gramática brasileira. São. Paulo: Globo, 2002.
MENDEKENOVA, A. Morphology as a parto f grammar. [S. l.: s. n., 201-?]. 22 slides. Dispo-
nível em: https://en.ppt-online.org/embed/516800. Acesso em: 7 ago. 2020.
MURPHY, R. English grammar in use. 3rd. ed. Cambridge: CUP, 2004.
SAUSSURE, F. Curso de linguística geral. São Paulo: Cultrix, 1916.
TREE. In: WIKIMEDIA. [S. l.: s. n.], 2004. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/
wiki/File:Tree.gif. Acesso em: 7 ago. 2020.
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Análise morfológica 15

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