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HISTÓRIA DO DIREITO 
 
Prof.ª M.ª Yolanda Maria de Menezes Speranza 
 
 
 
Prof. Guilherme Bernardes Filho 
Diretor Presidente 
Prof. Aderbal Alfredo Calderari Bernardes 
Diretor Tesoureiro 
Prof. Frederico Ribeiro Simões 
Reitor 
 
UNISEPE – EaD 
Prof. Me. Alexander Lopes Neves 
Coordenador EaD de área 
Prof. Dr. Renato de Araújo Cruz 
Coordenador Núcleo de Ensino a distância (NEAD) 
 
Material Didático – EaD 
Equipe editorial: 
Fernanda Pereira de Castro - CRB-8/10395 
Isis Gabriel Alves 
Laura Lemmi Di Natale 
Pedro Ken-Iti Torres Omuro 
Prof. Dr. Renato de Araújo Cruz – Editor Responsável 
Apoio técnico: 
Alexandre Meanda Neves 
Anderson Francisco de Oliveira 
Douglas Panta dos Santos Galdino 
Fabiano de Oliveira Albers 
Gustavo Batista Bardusco 
Kelvin Komatsu de Andrade 
Matheus Eduardo Souza Pedroso 
Vinícius Capela de Souza 
 
Revisão: Miriam da Costa Leite, Maria Ferreira da Conceição. 
 
Diagramação: Diego Macedo Pedroso, Hilário Alves Raimundo 
 
 
 
 
SOBRE A AUTORA: 
Advogada. Professora supervisora de estágio acadêmico no Juizado Especial Cível - Anexo 
Unisantos (2016). Bacharel em Direito (2008) e Mestra em Direito Internacional pela Universidade 
Católica de Santos (2019). Conciliadora e mediadora judicial capacitada pelo NUPEMEC-TJ/SP 
(2013), com atividade no anexo do Juizado Especial Cível - Anexo Unisantos. Mediadora certificada 
pelo Instituto de Certificação e Formação de Mediadores Lusófonos (ICFML). Integrante do grupo de 
pesquisa em Direitos Humanos e Vulnerabilidades, coordenado pela Prof. Dra. Liliana Lyra Jubilut. 
Professora do curso de Direito da Universidade Católica de Santos na disciplina de Conciliação, 
Mediação e Arbitragem. 
SOBRE A DISCIPLINA: 
A disciplina História do Direito cuida da retrospectiva histórica das bases fundamentais do Direito, 
procurando formular o alicerce de estudos como matéria propedêutica essencial ao bacharel em 
Direito com vias à habilitação profissional e formação sólida. 
A disciplina tem como ementa: 
O Direito: origem e conceito. Significados múltiplos do termo direito. O Direito na Grécia e em Roma. 
Os antecedentes das Instituições Jurídicas. O Direito Germânico. O Direto Feudal. O Direito 
Canônico: Noções Básicas e Normas Gerais. O Código de Direito Canônico. O Direito e Formação 
do Estado Moderno. O Direito e a Ascensão da Burguesia. O Direito Natural. Sistemas jurídicos 
comparados. O desenvolvimento do Direito brasileiro. O pensamento jurídico contemporâneo. 
Pluralismo jurídico. O contexto histórico para a inserção da proteção jurídica às minorias étnico-
raciais. 
A ementa é construída através da cronologia histórica e da evolução dos períodos que marcam a 
formação do Direito enquanto ciência e enfatiza o seu desenvolvimento social ao longo dos séculos 
de evolução humana. 
 
 
 
 
 
Os ÍCONES são elementos gráficos utilizados para ampliar as formas de linguagem 
e facilitar a organização e a leitura hipertextual. 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
UNIDADE II ............................................................................................. 05 
3º Renascimento e iluminismo....................................................... 05 
4º O surgimento do constitucionalismo.......................................... 16 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE II 
CAPÍTULO 3 – RENASCIMENTO E ILUMINISMO 
 
No término deste capítulo, você deverá saber: 
✓ O Renascimento e surgimento da Idade Moderna; 
✓ Racionalismo de Descartes; 
✓ Rompimento do Poder da Igreja; 
✓ O Tratado de Westfália; 
✓ O Iluminismo e a crise do Absolutismo. 
Introdução 
O fim da Idade Média, marcado pelo assolamento da população pela Peste Negra, bem como pelo 
declínio da crença na Igreja, devido ao avanço da praga sobre o clero, colocou o Homem em uma 
época de reabertura do pensamento e retomada da filosofia e das ciências. 
Iniciou-se, assim, a era Moderna, e, com ela, o forte avanço das ciências Humanas e Sociais. 
Esse período foi marcado pela retomada do pensamento científico, pela reabertura do mundo às 
novas ideias e avanços tecnológicos, compreendendo todo o período do Renascimento e as 
influências do Iluminismo, bem como compreende toda a evolução dos Direitos Humanos e das 
Garantias Fundamentais. 
Neste contexto histórico, o homem ressurgiu filosoficamente como ser pensante, se desenvolveu 
através das ciências, distanciando-se das crenças religiosas e dogmas impostos pela Igreja. 
A Igreja, nesse contexto, também sofreu certo declínio, inclusive com a cisão da Igreja Católica com 
a Reforma Protestante. 
Também, é nesse período de ampliação da ciência que, por buscas econômicas, começaram as 
grandes navegações, na busca de rotas comerciais eficazes para a Índia, cuja necessidade emerge 
do fim das rotas terrestres em razão da existência das Cruzadas. 
Com as navegações, o novo continente foi descoberto, formando-se colônias, que, em seguida, 
iniciaram suas lutas pela independência. 
Foi no contexto dos descobrimentos que novos avanços para a História do Direito emergiram, com 
o reconhecimento dos direitos dos nativos, bem como pelas cartas de independência e processos 
de libertação das colônias, sobretudo, das colônias inglesas, que resultaram na formação dos 
Estados Unidos da América. 
3.1 O Renascimento e o surgimento da Idade Moderna 
Com o fim da Idade Média, emergiu no poder político e econômico dos Estados a classe da 
burguesia, tendo como berço do nascimento o movimento renascentista da Itália que migrou de um 
sistema de riqueza baseado no domínio da terra para um conceito relacionado à riqueza proveniente 
do comércio. 
 
 
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O Renascimento surgiu como uma retomada do pensamento Grego da Antiguidade, desvinculando 
o domínio sobre o conhecimento do monopólio do clero e forçando-o a migrar para as mãos do 
Estado com maior difusão para o povo. 
Neste contexto, surgiu o pensamento que reconhece o homem como centro das coisas e afasta, em 
partes, o Teocentrismo, para colocar o Homem como centro do pensamento e do universo, através 
das doutrinas de Antropocentrismo e Humanismo. 
Com o fortalecimento da Burguesia, neste momento histórico, nasceram também as correntes do 
capitalismo e o fortalecimento da economia e do poder dos comerciantes, que exerciam, também, 
forte influência nas artes, tornando-se patrocinadores dos artistas (mecenas) que passaram a custear 
as artes desvinculadas da égide religiosa. 
Para o Direito, surgia, historicamente pela primeira vez, a discussão sobre o primordial Direito 
Humano intrínseco, a Dignidade da Pessoa Humana, por Pico dela Mirandola, colocando o ser 
humano como centro do Direito e da proteção Estatal. 
O ensino, não só de outras ciências, mas também do Direito passou a ser exercido também pelas 
Faculdades do Estado, e não mais apenas pelo monopólio da Igreja, fortalecendo conceitos mais 
livres e desvinculados dos dogmas religiosos, embora eles não tenham sido descartados. 
Evidentemente que os Tribunais Eclesiásticos ainda exerciam domínio nas relações científicas e 
culturais, porém, com cada vez menos controle sobre as doutrinas científicas que se desenvolviam. 
Por fim, durante o Renascimento as questões de territorialidade, como as relacionadas ao Direito 
Comercial, assumiram uma força maior e mais relevante, em decorrência das grandes navegações, 
que, inclusive, levaram Portugal e a Espanha a se tornarem grandes potências econômicas. 
Foi no momento do Renascimento que as potências em navegação espalharam seus conteúdos 
jurídicos ao Novo Mundo, como visto no capítulo anterior, entregando os conceitos já formados e 
consolidados em suas ordenações ao Novo Mundo. 
A questão da territorialidade surgiu também neste contexto, com a descoberta das novas terras e a 
celebração de tratados, dentre os quais o famoso Tratado de Tordesilhas, que impôs limites de 
dominaçãosobre o Novo Mundo, dividindo o novo continente entre Portugal e Espanha. 
Neste contexto, também surgiram os conceitos de tráfico negreiro, bem como a comercialização 
humana que, posteriormente, foram combatidos por todos os Estados, repercutindo em reflexos 
jurídicos encontrados nos Estados modernos até os dias atuais. 
3.2 Racionalismo de Descartes 
O racionalismo de René Descartes surgiu no contexto do Renascimento e fortalece o rompimento do 
pensamento religioso, chamando à razão e à ciência desvinculada da fé a incumbência do 
conhecimento e da busca pela verdade dos conceitos universais. 
Dentre as premissas de Descartes, houve a desconstituição das verdades impostas pelo clero, ou 
até mesmo, das verdades popularmente conhecidas, partindo-se para a confirmação das 
 
 
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informações através de métodos de raciocínio lógico que impulsionaram todo o desenvolvimento 
científico do Direito atual. 
Pelo método do racionalismo de Descartes, questionou-se todas as verdades impostas não só pela 
Igreja como também por toda a sociedade, de forma que se colocou em dúvida todas as informações 
que existiam sobre determinados temas. 
O método ainda acrescentou a compartimentalização e individualização máximas das verdades em 
análise, tentando-se uma aproximação melhor sobre os temas, sem a aplicação da lógica sobre o 
todo, mas sim sobre as partes individualizadas do conhecimento. 
A partir do método de Descartes se reconheceu a construção dos raciocínios lógicos dedutivos e 
indutivos, como forma de melhor apreensão da verdade dos dados em questão. 
No racionalismo, emergiu a necessidade de se contestar dogmas, verdades e conceitos antes 
controlados pelo clero e pela Igreja, como medida de necessidade para a construção das demais 
ciências, pondo o debate amplo como centro de pensamento da época, em lugar do cumprimento 
impensado dos dogmas religiosos. 
A sociedade migrou de um sistema de respeito irrestrito aos dogmas, para um sistema de 
questionamento e avanço da razão, o que proporcionou uma desvinculação, principalmente do 
Direito, em relação à crença de punições divinas. 
Concedeu um aspecto prático e social ao Direito que outrora era controlado pela Igreja Católica. 
Foi com o racionalismo de Descartes, entre outros fatores, que os Estados passaram a adotar um 
modelo mais laico, embora não totalmente desvinculado dos dogmas cristãos, dissociando o poder 
político do poder religioso, ou pelo menos assegurando uma ruptura na estrutura medieval de 
domínio da Igreja sobre o poderio estatal. 
Com o racionalismo também surgiu o fim do sistema inquisitorial imposto pela Igreja, com o repúdio 
à tortura e maior preservação dos Direitos Humanos. 
Foi neste contexto e através do pensamento racionalista que surgiu para o Direito uma nova estrutura 
intimamente ligada ao Direito Penal, que impunha o rompimento da inquisição, como dito, bem como 
fez emergir corolários universais do Direito, como o devido processo legal, a individualização e 
proporcionalidade das penas, como também a igualdade de tratamento aos jurisdicionados, a 
taxatividade da previsão dos delitos (hoje ligadas ao princípio da legalidade penal), bem como a 
irretroatividade, com fundamento na segurança jurídica. 
Além disso, por essa corrente filosófica, Montesquieu também desempenhou seu papel fundamental 
com a teoria da tripartição do Poder, que, como visto, já foi esboçada pelos povos antigos, mas em 
reformulação, ganhou força com o Renascimento e com o Racionalismo, de forma que a estrutura 
estatal passou a ser baseada na construção dos chamados freios e contrapesos do Poder, de tal 
forma que pela tripartição tornou-se possível a limitação do Poder, pelo próprio Poder, em favor do 
povo. 
 
 
 
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3.3 Rompimento do poder da Igreja 
Durante o Renascimento a Igreja Católica Apostólica Romana, além de enfrentar a perda do 
monopólio do conhecimento e enfraquecimento de seu poder político, sofreu as cismas com a 
formação de outras variações do cristianismo e a fundação de outras correntes dogmáticas cristãs. 
Inicialmente, o momento de rompimento da Igreja nasceu com Martinho Lutero, como se sabe, que 
iniciou a Reforma Protestante ao se insurgir contra a cobrança das indulgências como perdão divino 
pautado para aqueles que contribuíssem financeiramente com a Igreja. 
Diante dessa insurgência, o então padre foi excomungado (expulso da Igreja) e tornou-se recluso, 
para evitar a perseguição católica. 
Em ato contínuo tornou a leitura da bíblia e dos textos sagrados popular, realizando as primeiras 
traduções do latim original, antes em domínio completo da Igreja Católica Apostólica Romana, 
passando o conhecimento das escrituras sagradas ao povo em geral. 
Com a Reforma Protestante iniciada por Lutero, que pretendia o retorno da fé católica às suas origens 
e dogmas baseados na humildade e renúncia as riquezas, vários outros movimentos de reforma se 
sucederam, não só na Alemanha (com Lutero), como na França, com Calvino, que fundou nova 
religião baseada em sua interpretação sobre os dogmas cristãos, bem como na Inglaterra, com o 
surgimento do Anglicanismo. 
É neste último, o Anglicanismo, que se tem a formação da fé cristã atrelada ao domínio do monarca 
inglês, uma vez que fora criada pelo Rei Henrique VIII e instituída como religião oficial na Inglaterra, 
à época, o que causou, necessariamente, grande impacto sobre o domínio da Igreja Católica 
Apostólica Romana. 
Após a cisma da Igreja e a formação de outras lideranças religiosas, a Igreja Católica iniciou, 
também, no momento histórico seguinte, as incursões das Cruzadas ou das guerras santas, para 
proporcionar a expansão de seus domínios sobre os povos (sobretudo, os muçulmanos), em 
detrimento de suas fés e domínios territoriais. 
Neste contexto de declínio do poder religioso, surgiu a corrente filosófica que defendia que o Poder 
Estatal deveria ser concentrado nas mãos dos governantes e desvinculado da Igreja, emergindo os 
conceitos de laicização dos Estados, tal qual existe atualmente. 
Neste contexto histórico, pensadores como Maquiavel, defensor do Absolutismo e concentração do 
Poder nas mãos do Monarca, como também Hugo Grotius, que enfatizou a laicização dos Estados 
e, jurista que era, proporcionou o entendimento amplo sobre os conceitos de Soberania estatal e 
enfatizou a necessidade de respeito mútuo entre os Estados na ordem internacional. 
Marcando esse contexto e com destaque singular, surgiram as teorias contratualistas, nas quais o 
povo deveria ceder ao Estado e ao Governante os poderes soberanos de governo para que se 
pudesse manter a paz social e o bem-estar. 
 
 
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Nas teorias contratualistas, destaca-se a teoria de Thomas Hobbes, que colocava o Estado como 
um monstro mítico (O Leviatã), mas necessário para o controle da natureza intrínseca autopredatória 
do ser humano. 
Apenas através do contrato social o Estado poderia evitar que o homem se autodestruísse, dada a 
sua natureza eminentemente maléfica. 
3.4 O Tratado de Westfalia 
Foi no momento de declínio do poder da Igreja sobre os Estados e reafirmação da soberania que 
surgiu o Tratado de Westfália, pautado pela laicização dos Estados e pela afirmação da Soberania 
estatal e mútuo respeito entre nações. 
Assim, com a elaboração desse tratado, surgiram os Estados Modernos e, com eles, a liberdade de 
culto, a desvinculação da religião individual com a religião do governante, visto que os Estados como 
entes jurídicos não professariam fé imposta aos governados. 
Além disso, no Tratado de Westfalia alguns pontos centrais do Direito Internacional foram 
estabelecidos, como o respeito à soberania interna e o princípio da não-intervenção, em que não 
caberia a um Estado intervir no que competiria a soberania do outro. 
Com isso, neste momento histórico as doutrinas contratualistas surgiram com força, assegurando ao 
Estado a formação do caráter de ente jurídico próprio,independente da pessoa do governante ou 
daqueles que trabalhassem em seu desenvolvimento. 
Neste contexto também surgiram os conceitos de nação e os aspectos pautados pela identidade 
nacional como a união de pessoas que se juntam para o bem comum e através de crenças e culturas 
próprias e com aspectos comuns ao todo unido formador da nação. 
Surgiram também as ideias do Direito Natural e das questões humanitárias que seriam de interesse 
transnacional, emergindo, inclusive, como fator legitimador das guerras a manutenção da condição 
humana que fosse violada pelo exercício do poder soberano por algum governante. 
Neste ponto, surgiu a ideia não só dos conceitos de soberania interna, como externa, reconhecido 
de um país para outros, porém, subordinada às exigências da condição humana e preservação da 
humanidade. 
O momento histórico é marcado pela presença dos Estados Absolutistas, que viviam às custas do 
sistema tributário e dos processos de arrecadação de riquezas da burguesia, que, através do 
comércio, forneciam ao Estado os insumos necessários ao desenvolvimento de sua atividade de 
governo e sustento dos Monarcas. 
3.5 O Iluminismo e a crise do Absolutismo 
Com a concentração do Poder nas mãos do Governante absoluto e a insatisfação da burguesia em 
relação à alta tributação que sofria em suas atividades comercias que sustentavam diretamente não 
só as estruturas do Estado, mas também todos os envolvidos no governo, surgiu o declínio do 
Absolutismo, começando pela Inglaterra e terminando pela derrocada do então forte Absolutismo 
francês. 
 
 
10 
 
Além disso, o período de crise do Absolutismo foi marcado por custosas campanhas militares que 
resultaram no desenvolvimento da insatisfação popular com os governantes, bem como em uma 
grave crise financeira que assolou o mundo moderno da época. 
Neste contexto de declínio dos regimes absolutistas, surgiu o Iluminismo, marcado pela Revolução 
Francesa e pelo rompimento do Estado absolutista francês, que foi precedido das sérias restrições 
impostas à monarquia inglesa, alguns anos antes. 
Notadamente, nessa época, a Inglaterra já vivia um estado de Direito Constitucional, marcado pela 
restrição do poder absoluto do Estado, como visto anteriormente, pela assinatura da Carta Magna 
por João sem Terra, porém, inúmeros outros atos legais foram também publicados no panorama 
inglês e ecoaram por toda a Europa absolutista. 
Já na França, a Revolução Francesa, que se verá no capítulo seguinte, foi marcada pela insatisfação 
das classes burguesas com os altos gastos e a forte ingerência do Monarca francês, forçando o 
rompimento do Estado absolutista então vigente e pela institucionalização de um estado 
democrático, cujo poder, embora cedido pelo povo ao governante, era exercido por via de contrato 
social e de acordo com os anseios de seu titular. 
Com o Iluminismo rompe-se o paradigma da concentração de poderes nas mãos dos monarcas e 
institucionaliza o que hoje se tem por estado democrático, cujo povo é o detentor e destinatário de 
todo o poder do Estado. 
Vale mencionar que os ideais do Iluminismo repercutiram não só na criação dos Estados 
democráticos e na queda dos regimes absolutistas, como também na independência das colônias 
no novo mundo. 
Os modelos impostos pelo Iluminismo e pela Revolução Francesa ecoaram pela história de todas as 
nações do globo, dando início não só ao mundo moderno atual, pela doutrina democrática, como 
também enfatizaram a condição humana e a necessidade de preservação de direitos fundamentais 
replicados por todos os Estados modernos e referendados pelos novos Estados que surgiram com a 
independência das colônias no novo e novíssimo mundos. 
Considerações Finais 
Após o declínio da Idade Média, surge na Europa a era moderna, com o desenvolvimento dos 
Estados e das sociedades da época pautados pela busca da razão e aprimoramento das ciências, 
sobremaneira, do Direito, com o reconhecimento dos princípios de formação dos Estados e da 
preservação dos Direitos Humanos Fundamentais. 
Foi durante o Renascimento que a Igreja perdeu seu domínio sobre os Estados e também o 
monopólio sobre o saber, de tal sorte que os Governos começaram a difundir o conhecimento entre 
seus povos e proporcionar o maior avanço do saber científico. 
Com a desvinculação da Igreja do domínio estatal também houve a derrocada dos procedimentos 
inquisitoriais e o surgimento dos princípios de resguardo relativos e basilares ao moderno Direito 
Penal, como a legalidade penal, a isonomia, individualização das penas e demais garantias aos 
acusados contra a tortura ou práticas antes corriqueiras na inquisição. 
 
 
11 
 
Assim, o fortalecimento dos Estados e o surgimento das estruturas contratualistas básicas 
fomentaram o surgimento de Estados Absolutos e dos conceitos de soberania e nacionalidade, 
intimamente ligados à laicização dos governos e desvinculação da fé dos atos políticos. 
Com isso, o conhecimento científico se distanciou da imposição dogmática católica e os métodos 
científicos se alavancaram, com o predomínio da razão e da manutenção da condição humana com 
centro de preocupações científicas na época. 
O Direito Internacional surgiu com ênfase na era moderna, impulsionado por guerras e pelos avanços 
das navegações e comércio internacional, enraizando os conceitos de soberania estatal e não-
intervenção nos Estados modernos. 
Também é durante o Renascimento e o desenvolvimento para o Iluminismo que tivemos o 
fortalecimento do contratualismo e o surgimento dos Estados democráticos de direito, que 
decorreram da queda dos modelos absolutistas que entraram em crise devido às campanhas 
militares custosas e insatisfação da burguesia com os gastos altíssimos dos governantes 
absolutistas. 
A era moderna foi de contribuição singular para o Direito tal qual existe nos dias atuais, pois foi nessa 
era, de Renascimento e reabertura do pensamento humano que surgiu a expansão dos conceitos 
jurídicos basilares do Direito moderno, bem como foi o período que marcou não só a construção do 
Estado Democrático de Direito, como também foi o período responsável pela consciência jurídica 
humana sobre a sua condição de dignidade e de direitos fundamentais. 
 
Com o fim da Idade Média, emergiu no poder político e econômico dos Estados a classe da burguesia, tendo 
como berço do nascimento o movimento renascentista da Itália que surgiu como uma retomada do pensamento 
Grego da Antiguidade, desvinculando o domínio sobre o conhecimento do monopólio do clero e forçando-o a 
migrar para as mãos do Estado com maior difusão para o povo. 
Neste contexto, surgiu o pensamento que reconheceu o homem como centro das coisas, e afastou, em partes, 
o Teocentrismo, para colocar o Homem como centro do pensamento e do universo, através das doutrinas de 
antropocentrismo e humanismo, colocando o ser humano como centro do Direito e da proteção Estatal. 
O racionalismo de René Descartes surgiu no contexto do Renascimento e fortaleceu o rompimento do 
pensamento religioso, chamando à razão e à ciência desvinculada da fé a incumbência do conhecimento e da 
busca pela verdade dos conceitos universais. 
Durante o Renascimento a Igreja Católica Apostólica Romana, além de enfrentar a perda do monopólio do 
conhecimento e enfraquecimento de seu poder político, sofreu as cismas, com a formação de outras variações 
do cristianismo e a fundação de outras correntes dogmáticas cristãs. Neste contexto histórico, pensadores 
como Maquiavel, defensor do Absolutismo e concentração do Poder nas mãos do Monarca, como também 
Hugo Grotius, que enfatizou a laicização dos Estados e, jurista que era, proporcionou o entendimento amplo 
sobre os conceitos de Soberania estatal e enfatizou a necessidade de respeito mútuo entre os Estados na 
ordem internacional. Surgiram também as teorias contratualistas como a de Thomas Hobbes, que colocava o 
Estado como um monstro mítico (O Leviatã), mas necessáriopara o controle da natureza intrínseca 
autopredatória do ser humano. 
 
 
12 
 
Foi no momento de declínio do poder da Igreja sobre os Estados e reafirmação da soberania que surgiu o 
Tratado de Westfália, pautado pela laicização dos Estados, e pela afirmação da Soberania estatal e mútuo 
respeito entre nações. 
Com a concentração do Poder nas mãos do Governante absoluto e a insatisfação da burguesia em relação à 
alta tributação que sofria em suas atividades comercias que sustentavam diretamente não só as estruturas 
do Estado, mas também todos os envolvidos no governo, surgiu o declínio do Absolutismo, começando pela 
Inglaterra, e terminando pela derrocada do então forte Absolutismo francês. 
Com o Iluminismo, rompeu-se o paradigma da concentração de poderes nas mãos dos monarcas e se 
institucionalizou o que hoje se tem por Estado democrático, cujo povo é o detentor e destinatário de todo o 
poder do Estado. 
Os modelos impostos pelo Iluminismo e pela Revolução Francesa ecoaram pela história de todas as nações 
do globo, dando início não só ao mundo moderno atual, pela doutrina democrática, como também enfatizaram 
a condição humana e a necessidade de preservação de direitos fundamentais replicados por todos os Estados 
modernos e referendados pelos novos Estados que surgiram com a independência das colônias no novo e 
novíssimo mundos. 
 
 
Com o fortalecimento da Burguesia, neste momento histórico nascem também as correntes do capitalismo e o 
fortalecimento da economia e do poder dos comerciantes, que exercem, também, forte influência nas artes, 
tornando-se patrocinadores dos artistas (mecenas) que passaram a custear as artes desvinculadas da égide 
religiosa. 
Reflita sobre como a burguesia, no domínio do poder econômico, pôde ser capaz de fomentar a 
reabertura do pensamento, desvinculando o poder político da Igreja, na época do Renascimento. 
 
 
Com o Renascimento, o centro do pensamento humano passa a ser o próprio Homem em lugar do que antes 
era o pensamento religioso, colocando Deus acima de tudo, como começo, meio e fim da razão. Isso 
proporcionou o avanço das ciências em geral, e em especial do Direito, que passou a ser necessário como 
meio de pacificação social, migrando as punições por condutas inadequadas da reprovação divina para a 
punibilidade pelo homem. 
 
 
 
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Mesmo com o Renascimento, Racionalismo e Antropocentrismo dele decorrentes, a laicização dos Estados 
tem como marco jurídico o Tratado de Westfália. Lembrando que a laicização é a desvinculação da fé ao poder 
político, sendo que a liberdade de culto toma seu lugar e os Estados passam a não professar fé oficial e 
impositiva. 
 
 
Convido você a pesquisar um pouco mais sobre o Absolutismo francês, principalmente o datado da época de 
Luiz XV, conhecido como o Rei Sol, e perceber, com sua investigação, a força da Monarquia francesa vigente, 
e o tamanho do poder abusivo exercido pela realeza. 
 
 
Que tal conhecer um pouco mais sobre a Guerra dos 30 anos que levou à criação do Tratado de Westfália? 
Acesse o link: https://www.dw.com/pt-br/1648-paz-da-vestf%C3%A1lia-encerrava-guerra-dos-trinta-anos/a-
660411 
 
 
QUESTÃO: O racionalismo, inaugurado por René Descartes, no início do Renascimento ficou conhecido como 
o movimento de reabertura da razão e predomínio da mesma sobre todos os aspectos do conhecimento. 
Tomando essa informação de base, assinale a alternativa que contém as contribuições do racionalismo para 
os métodos de raciocínio: 
a) Institui a percepção do conhecimento pelos métodos dedutivo e indutivo; 
b) Institui a percepção do conhecimento pelos métodos da interpretação bíblica; 
c) Institui a percepção do conhecimento pelos métodos de raciocínio baseados na fé; 
d) Institui a percepção do conhecimento pelos métodos de interpretação sistêmica da bíblia; 
e) Institui a percepção do conhecimento pelos métodos da verdade sabida imposta pela Igreja; 
 
 
 
14 
 
Pela questão, percebe-se que o método do racionalismo se apresenta em contraposição às verdades impostas 
pelo clero no período da Idade Média, baseando-se em sistemas de raciocínio pautados pela dúvida universal. 
Por tal motivo, as alternativas b, c, d e e se apresentam incorretas, pois repostam ao panorama de 
conhecimento imposto pela Igreja. Além disso, a alternativa “a” é a única que traz as contribuições reais do 
racionalismo, com a imposição dos métodos de raciocínio lógico, baseados na dúvida, quais sejam, os métodos 
dedutivos, que parte de generalizações para uma premissa específica; e o método indutivo, que parte de 
premissas específicas para generalizações. 
 
 
Além do assolamento da peste, assinale a alternativa que contém fatores que contribuíram para o declínio do 
poder da Igreja sobre os Estados na era moderna: 
 
a) A Primeira e Segunda Grandes Guerras; 
b) A Primeira Guerra Mundial; 
c) A cisma e as cruzadas; 
d) O Absolutismo francês; 
e) A queda do Absolutismo; 
 
GABARITO: C 
 
Questão Discursiva 
Retrate, em poucas palavras, qual foi a contribuição de Hugo Grotius para o pensamento absolutista da época. 
 
 
Obra: CARVALHO, Salo de. Da desconstrução do modelo jurídico inquisitorial. In: WOLKMER, Antonio 
Carlos. Fundamentos de história de direito. 3. ed. 2.tir. rev. e ampla. Belo Horizonte: Del Rey, 2006. 
No capítulo o autor aborda os motivos que levaram ao fim do sistema inquisitorial no decorrer do Renascimento, 
abordando as questões de mudança, bem como o pensamento revolucionário que trouxe ao cabo a atuação 
inquisitorial da Igreja. 
Nesse capítulo também é possível ver a abordagem do humanismo como centro do pensamento renascentista 
que marcou a época e a forte influência que deteve sobre a sociedade e o fim do modelo inquisitorial. 
 
 
 
15 
 
 
• Assolamento – aniquilação 
• Emerge – surge 
• Teocentrismo – Deus como centro dos pensamentos 
• Mecenas – burgueses que patrocinavam artistas 
• Égide – domínio 
• Laico – que não professa religião oficial 
• Atrelada – vinculada 
• Declínio – decadência 
 
 
ALBERGARIA, Bruno. Histórias do direito: evolução das leis, fatos e pensamentos. 3. ed. São Paulo: 
Kindle, 2019. 
WOLKMER, Antônio Carlos (Org.). FUNDAMENTOS de história do direito. 8.ed. Belo Horizonte: Del Rey, 
2015. 
ALVES, José Carlos Moreira. Direito romano. 16.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2014. 
WOLKMER, Antônio Carlos. História do direito no Brasil. 5.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011. 
WOLKMER, Antônio Carlos. Pluralismo jurídico: fundamentos de uma nova cultura no direito. São Paulo: 
Alfa Omega, 1997. 
 
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UNIDADE II 
CAPÍTULO 4 – O SURGIMENTO DO CONSTITUCIONALISMO 
 
No término deste capítulo, você deverá saber: 
✓ Declaração de Direitos na Inglaterra; 
✓ Declaração da Independência dos Estados Unidos da América; 
✓ Revolução Francesa e a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão; 
✓ Das Convenções de Genebra à Declaração Universal de Direitos Humanos; 
✓ Código Civil de Napoleão. 
Introdução 
Com o Iluminismo e as grandes navegações, inúmeros diplomas legais de suma importância 
surgiram no contexto histórico do Direito e que devem ser levados em consideração para a formação 
dos sistemas jurídicos atuais. 
O surgimento desses diplomas de maior relevância decorreu da mudança do panorama estatal então 
vigente que migrou do sistema absolutista para um sistema de governo democrático, em que o 
Estado Monárquico cedeu poderes ao povo contra o abuso. 
Diante desta situação, há que se destacar a formação das Constituições da Inglaterra, dos Estados 
Unidos da América e a Constituição Francesa, que trazem o conteúdo basilar relacionado aos 
Direitos Humanos fundamentais e que servem, atualmente, como a estrutura mestra dos Direitos 
Fundamentais internos dos países pelo mundo. 
Além disso, durante o período da era moderna, com o mundo assolado nos pós-guerras, e após a 
independência das colônias, novos contextos jurídicos se apresentaram e a necessidade de um 
direito mais sólido com elesemergiu. 
Dessa necessidade de uniformização do Direito, na França, surgiu, após a Revolução Francesa, o 
Código Civil de Napoleão, como marco histórico das codificações, sendo que, na história, foi o 
primeiro diploma legal a unificar a legislação especifica de um único sistema jurídico, qual seja, o 
Direito Civil. 
Notadamente, é na era moderna que os maiores avanços na ciência do Direito são realizados em 
aspectos normativos e inerentes ao reconhecimento de Direitos do Homem. Tais avanços 
repercutem na sociedade moderna até os dias atuais e tornam o Direito um instrumento válido de 
pacificação social, tal qual idealizado desde as eras antigas. 
4.1 Declaração de Direitos na Inglaterra 
A Inglaterra, além da Carta Magna, trouxe ao panorama histórico do Direito mais evolução, em 1628, 
com a Petição de Direitos (Petition of Rights) promulgada pelo parlamento inglês que trazia em seu 
contexto inúmeros direitos e garantias individuais a serem asseguradas ao cidadão pelo Estado 
britânico. 
 
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O documento trouxe em seu bojo direitos importantes e com aplicação em todo o mundo, como a 
medida de que ninguém poderá ser preso sem a devida sentença condenatória que observe as leis 
do país (RAMOS, 2018). 
Tal documento ainda inspirou a criação do devido processo legal, bem como deu seguimento ao 
surgimento de outro ato importante, o Habeas Corpus Act, que consagra a medida garantidora da 
liberdade individual, utilizada amplamente até os dias atuais, inclusive no Estado brasileiro. 
Em seguida, dois anos depois, ainda na Inglaterra, foi promulgado pelo parlamento a Bill of Rights, 
também conhecida como Declaração Inglesa de Direitos, que consagrou e reafirmou o poder do povo 
limitando a atuação dos monarcas, quase que removendo todo o poder que antes possuíam. 
A declaração expressa em duas partes consagrou, na primeira, os motivos de relevância da 
normativa, expondo a situação abusiva da monarquia inglesa, trazendo à tona a violação de direitos 
humanos basilares da vida, elencando as restrições para as ações do Monarca em medidas de evitar 
o abuso de seu poder. 
Já a segunda parte, trouxe em si os direitos a serem assegurados ao cidadão, bem como a estrutura 
de representação no parlamento inglês, consagrando assim, os direitos fundamentais e humanos 
básicos a serem respeitados por todos os Monarcas que se sucedessem no trono. 
Com isso, percebe-se que as normativas inglesas, sobretudo a Bill of Rights trouxe ao contexto da 
história do Direito, verdadeiro marco em relação ao reconhecimento dos direitos do povo frente ao 
Estado, reconhecendo a limitação dos poderes e da Soberania Estatal em relação ao Poder, coibindo 
sua prática abusiva. 
4.2 Declaração da independência dos Estados unidos da América 
Seguindo a forma inglesa, o Constitucionalismo surge com maior força e reconhecimento com a 
consagração dos direitos humanos e garantias individuais, com a Revolução Norte Americana e a 
declaração de independência dos Estados Unidos da América. 
Com a independência, surge a Constituição norte americana e a Bill of Rights desse país, que 
consagra, como marco histórico, direitos individuais de extrema importância, com um marco de 
libertação e estímulo à vida digna e livre. 
4.3 Revolução Francesa e a declaração de Direitos do Homem e do Cidadão 
Voltando ao panorama europeu na evolução histórica, sem dúvida a Revolução Francesa rompe com 
o modelo de monarquia absolutista existente na França. Vale ressaltar que a monarquia francesa, 
historicamente, foi o modelo mais puro e concentrador de poder dentro do Absolutismo europeu. 
Esse rompimento com o padrão absolutista francês refletiu a evidente busca do ser humano por 
melhores condições de vida digna, com mais liberdade e a garantia de direitos humanos básicos, 
que, na monarquia absolutista, restavam diminuídos, ou suprimidos. 
Ramos (2018) retratou o panorama histórico da Revolução Francesa de forma bastante elucidativa, 
a saber: 
 
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Já a “Revolução Francesa” gerou um marco para a proteção de direitos humanos no 
palco nacional: A Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão, 
adotada pela Assembleia Nacional Constituinte francesa em 27 de agosto de 1789. 
A Declaração Francesa é fruto de um giro copernicano nas relações sociais na 
França e, logo depois, em vários países. O Estado francês pré-Revolução era 
ineficiente, caro e incapaz de organizar minimamente a economia de modo a atender 
as necessidades de uma população cada vez maior. As elites religiosas e da nobreza 
também se mostraram insensíveis a qualquer alteração do status quo capitaneada 
pela monarquia. Esse impasse político na cúpula dirigente associado à crescente 
insatisfação popular foi o caldo de cultura para a ruptura, que se iniciou na 
autoproclamação de uma “Assembleia Nacional Constituinte”, em junho de 1789, 
pelos representantes dos Estados Gerais (instituição representativa dos três 
estamentos da França pré-Revolução: nobreza, clero e um “terceiro estado” que 
aglomerava a grande e pequena burguesia, bem como a camada urbana sem 
posses). Em 12 de julho de 1789, iniciaram-se os motins populares em Paris (capital 
da França), que culminaram, em 14 de julho de 1789, na tomada da Bastilha (prisão 
quase desativada), cuja queda é, até hoje, o símbolo maior da Revolução Francesa. 
Assim, com a Revolução Francesa e o surgimento do Constitucionalismo francês nasceu a 
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, ou apenas Declaração Francesa de Direitos. 
Tal declaração inspirou o surgimento da Declaração Universal de Direitos Humanos, aprovada pela 
Assembleia Geral da ONU após a Segunda Grande Guerra, juntamente com a Declaração Inglesa 
de Direitos. 
Todavia, a Revolução Francesa e a Declaração trouxeram para a disciplina de Direitos Humanos os 
ideais da Revolução, quais sejam, a liberdade, igualdade e fraternidade, que, até os dias atuais, 
norteiam o desenvolvimento dos Direitos Humanos. 
No texto da Declaração, em destaque, estão os direitos de liberdade e igualdade (artigo 1º), 
segurança e proteção contra a opressão (artigo 2º), in verbis: 
Os representantes do povo francês, reunidos em Assembleia Nacional, tendo em 
vista que a ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos direitos do homem são as 
únicas causas dos males públicos e da corrupção dos Governos, resolveram declarar 
solenemente os direitos naturais, inalienáveis e sagrados do homem, a fim de que 
esta declaração, sempre presente em todos os membros do corpo social, lhes 
lembrem permanentemente seus direitos e seus deveres; a fim de que os atos do 
Poder Legislativo e do Poder Executivo, podendo ser a qualquer momento 
comparados com a finalidade de toda a instituição política, sejam por isso mais 
respeitados; a fim de que as reivindicações dos cidadãos, doravante fundadas em 
princípios simples e incontestáveis, se dirijam sempre à conservação da Constituição 
e à felicidade geral. 
Em razão disto, a Assembleia Nacional reconhece e declara, na presença e sob a 
égide do Ser Supremo, os seguintes direitos do homem e do cidadão: 
Art. 1º. Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só 
podem fundamentar-se na utilidade comum. 
Art. 2º. A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais 
e imprescritíveis do homem. Esses direitos são a liberdade, a propriedade a 
segurança e a resistência à opressão. 
 
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Assim, percebe-se, desde já, a determinação dos Direitos Humanos, com seu núcleo central, 
reforçando-se o ideal de vida digna, que deve ser preservado sob todas as formas. 
4.4 Das Convenções de Genebra à Declaração Universal de Direitos Humanos 
Após a Revolução Francesa, outro marco para os Direitos Humanos foram as Convenções de 
Genebra, que somam quatro Convenções e três Protocolos suplementares. 
A primeira Convenção de Genebra, na Suíça, foi criada pela união de diversos Estados europeus 
que tinham o escopo de regulamentarcom maior preservação da dignidade humana as condições 
dos soldados feridos em campanhas militares, estabelecendo regras básicas sanitárias e de saúde. 
Com essa Convenção, nasceu a Cruz Vermelha, que apenas veio a ser utilizada na Primeira Guerra 
Mundial, fazendo valer melhores condições de amparo aos feridos, trazendo maior humanidade ao 
evento catastrófico da guerra. 
Em 1906, surge a segunda Convenção de Genebra, com o fito de estender a proteção dos feridos 
militares para os náufragos de guerra e a terceira Convenção, em 1929, que tratou especificamente 
dos presos de guerra e seus direitos. 
Com destaque, a quarta Convenção de Genebra, que ficou conhecida apenas como Convenção de 
Genebra, foi o documento internacional, pós-Segunda Guerra, que estabeleceu a ajuda humanitária 
ao cidadão de países envolvidos em guerra, regras sobre os abusos humanos, bem como realizou a 
revisão das demais convenções, tendo total vigência até a atualidade. 
Os três protocolos, respectivamente, adotaram: inclusão dos conflitos racistas e coloniais nos 
conflitos internacionais; proteção das vítimas de guerras civis; inclusão do cristal vermelho como 
símbolo de proteção das vítimas de guerra. 
Por fim, dentro da evolução histórica dos Direitos Humanos e sua proteção, encontra-se a Declaração 
Universal de Direitos Humanos, bem como os Pactos Internacionais de Direitos Civis e Políticos, e, 
Econômicos, Culturais e Sociais. 
A Declaração Universal de Direitos Humanos, surgida no pós-Segunda Grande Guerra, como reação 
aos horrores do evento mundial mencionado, marcado pelo holocausto e genocídio, trouxe ao 
cenário internacional o reconhecimento dos direitos mais basilares do homem e garantidores da 
dignidade humana. 
O documento surgiu em 1948, e tem o escopo de declarar, ou seja, reconhecer por escrito, os Direitos 
Humanos já existentes e inatos de todo ser, de forma que a Declaração Universal de Direitos 
Humanos não cria direitos, apenas reconhece e cataloga os existentes. 
Tal ideologia parte da premissa que todo ser humano nasce com esses direitos básicos e que 
nenhum dele é criação humana, devendo ser respeitado desde sempre, por todos. 
Sendo assim, a Declaração, atrelada à Carta das Nações Unidas, não se apresenta como pacto e 
não possui a força vinculante de um tratado, todavia, importa respeito por todos os países do planeta, 
por ser representativa de direitos inerentes à vida humana. 
 
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Tal assertiva pode ser confirmada pela leitura do preâmbulo da Declaração Universal de Direitos 
Humanos: 
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da 
família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, 
da justiça e da paz no mundo, 
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em 
atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um 
mundo em que todos gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de 
viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta 
aspiração do homem comum, 
Considerando ser essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo império 
da lei, para que o ser humano não seja compelido, como último recurso, à rebelião 
contra tirania e a opressão, 
Considerando ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas 
entre as nações, 
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta da ONU, sua 
fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor do ser humano e na 
igualdade de direitos entre homens e mulheres, e que decidiram promover o 
progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla, 
Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a promover, em 
cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos humanos e 
liberdades fundamentais e a observância desses direitos e liberdades, 
Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais 
alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso, 
A ASSEMBLEIA GERAL proclama a presente DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS 
DIRETOS HUMANOS como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas 
as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo 
sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, 
por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas 
progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento 
e a sua observância universal e efetiva, tanto entre os povos dos próprios Estados-
Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. 
Seguindo a Declaração Universal de Direitos do Homem, surge o Pacto Internacional de Direitos 
Civis e Políticos e o Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, cada um 
carregado de parte do texto da Declaração Universal, mas reunindo as características vinculantes 
dos tratados, trazendo ao texto declarado, agora, vinculação expressa das soberanias estatais 
Evidentemente todas as citadas normativas não resultam no rol taxativo ou limitador da evolução dos 
Direitos Humanos, sendo meramente exemplificativo, uma vez que não há limite para a 
regulamentação dos Direitos Humanos. 
Ainda, como Direitos de suma importância e inerentes à condição humana, devem acompanhar toda 
a evolução social do homem, com todo seu desenvolvimento mental e tecnológico, devendo, sempre, 
abranger os direitos essenciais à manutenção da condição humana. 
 
21 
 
4.5 Código Civil de Napoleão 
Após a Revolução Francesa, surgiu, durante o império napoleônico, a primeira codificação específica 
da história do Direito, consubstanciada no Código Civil Francês. 
O Diploma Civil Francês surgiu em um contexto de pressão política exercida pela burguesia, sobre 
o governo francês da época decorrente da enorme diversidade de sistemas normativos existentes 
para regular as relações de comércio e da vida em sociedade. 
Essa diversidade de normas causava no sistema francês uma enorme insegurança jurídica, pois o 
Direito Civil da nação acabava por ter normas diferentes para cada região, bem como sistemas 
costumeiros que não eram comuns a todo o território nacional, o que dificultava, naturalmente, a 
aquisição de terras, bem como o desenvolvimento de atividades comerciais. 
Assim, para unificar toda a normativa civil, o Código Civil instituiu como única fonte do Direito a Lei, 
abandonando todo e qualquer sistema costumeiro. 
Além disso, o sistema tornou-se referência à codificação moderna por se tratar de um diploma que 
tratava exclusivamente de uma seara jurídica, não confundindo normas de Direito Civil e Penal, por 
exemplo. 
O Código Civil Francês trouxe em seu conteúdo uma vasta normativa sobre a vida das pessoas em 
sociedade, transações comerciais, surgimento de personalidade, aspectos patrimoniais, entre outros, 
todos de caráter puramente civil, sem mencionar em seu conteúdo caracteres normativos referentes 
ao Estado ou, até mesmo, sobre o Direito Penal. 
Surgiu como a primeira codificação específica em matéria civil na história e instituiu o sistema jurídico 
do Civil Law, no qual, inclusive, o Direito Civil Brasileiro é pautado, abandonando a formação 
costumeira do Direito (Common Law), presente nos países de origem Anglo-saxã. 
Por fim, há que mencionar que o Código Civil de Napoleão trouxe aos sistemas jurídicos o 
fortalecimento do Poder Legislativo, como o único capaz de alterar a lei, não permitindo a alteração 
pelo desuso ou pela prática dos costumes. 
Considerações Finais 
Como visto, foi durante a era moderna que o Estado Constitucionalista se expandiu, contando com 
o reforço da burguesia na necessidade de contenção do poderio estatal concentrado nas mãos dos 
então monarcas. 
O Estado Constitucionalista trouxe em seu conteúdo uma série de limitações ao exercício do Poder 
Estatal em resguardo aos direitos egarantias fundamentais dos cidadãos, pautando-se pela 
intervenção mínima e controlada do Estado na vida privada. 
Com isso, e, acompanhando os ideais da Revolução Francesa, surgiram as primeiras constituições 
e, com elas, os Direitos Humanos enquanto disciplina jurídica. 
 
22 
 
Aliado a isso, com o intuito de melhor regulamentar as relações interpessoais e fazer com que o 
Estado desempenhasse as suas funções de forma a alcançar os desígnios do povo, surgiram 
também as primeiras codificações, com ênfase no Código Civil de Napoleão, como marco do sistema 
Civil Law, utilizado atualmente inclusive pelo estado brasileiro. 
Vale mencionar que a era moderna foi marcada pela guerra, não só pelas campanhas militares 
desenvolvidas pelos Monarcas antigos logo quando do fim da Idade Média, como também pela 
Primeira e Segunda Grandes Guerras Mundiais. 
Além disso, os conflitos voltados para a libertação das colônias provenientes das expansões das 
navegações também marcaram o período. 
Assim, o que se tem de conclusão é que o grande avanço histórico do Direito foi marcado não só 
pela abertura dos comércios e pela expansão naval, como, em verdade, pelas guerras que assolaram 
a humanidade. 
Por tal motivo, percebe-se a íntima relação entre o Direito, historicamente considerado, com a 
existência de crises a serem superadas pelas civilizações no avanço histórico, criando assim um 
vasto conteúdo normativo sempre com vias à garantia da condição humana. 
Por fim, há que se enfatizar que o desenvolvimento normativo que evoluiu ao longo da era moderna 
repercute nos moldes atuais, com a construção de direitos que não serão mais suprimidos ou 
esquecidos, posto que marcados com o sangue e a luta de civilizações inteiras. 
A construção histórica dos direitos alcançados na era moderna não encontra qualquer precedente e 
serve de alavanca para impulsionar a dilatação dos conceitos jurídicos atuais e movimentar todos os 
sistemas político-normativos vigentes. 
 
A Inglaterra, além da Carta Magna, trouxe ao panorama histórico do Direito mais evolução, em 1628, com a 
Petição de Direitos (Petition of Rights) promulgada pelo parlamento inglês que trazia em seu contexto inúmeros 
direitos e garantias individuais a serem asseguradas ao cidadão pelo Estado britânico. 
O citado documento ainda inspirou a criação do devido processo legal e deu origem ao Habeas Corpus Act, 
que consagra a medida garantidora da liberdade individual, utilizada amplamente até os dias atuais, inclusive 
no Estado brasileiro. 
Ainda na Inglaterra foi promulgada pelo parlamento a Bill of Rights, também conhecida como Declaração 
Inglesa de Direitos, que consagra e reafirma o poder do povo limitando a atuação dos monarcas, quase que 
removendo todo o poder que antes possuíam. 
Seguindo a forma inglesa, o Constitucionalismo surgiu com maior força e reconhecimento, com a consagração 
dos direitos humanos e garantias individuais, com a Revolução Norte Americana e a declaração de 
independência dos Estados Unidos da América. 
 
23 
 
A Revolução Francesa, que rompe com o modelo de monarquia absolutista existente na França, que, 
historicamente, foi o modelo mais puro e concentrador de poder dentro do Absolutismo europeu, gerou o 
surgimento do Constitucionalismo francês, de onde emergiu a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão 
ou apenas Declaração Francesa de Direitos. 
Tal declaração inspirou o surgimento da Declaração Universal de Direitos Humanos, aprovada pela Assembleia 
Geral da ONU após a Segunda Grande Guerra, juntamente com a Declaração Inglesa de Direitos. 
Após a Revolução Francesa, outro marco para os Direitos Humanos foram as Convenções de Genebra, que 
somam quatro Convenções e três Protocolos suplementares. 
A Declaração Universal de Direitos Humanos, datada de 1948, surgida no pós-Segunda Grande Guerra, como 
reação aos horrores do evento mundial mencionado, marcado pelo holocausto e genocídio, trouxe ao cenário 
internacional o reconhecimento dos direitos mais basilares do homem e garantidores da dignidade humana. 
Seguindo a Declaração Universal de Direitos do Homem, surgiu o Pacto Internacional de Direitos Civis e 
Políticos e o Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, cada um carregado de parte do 
texto da Declaração Universal. 
Após a Revolução Francesa, surgiu, durante o império napoleônico, a primeira codificação específica da 
história do Direito, consubstanciada no Código Civil Francês para unificar toda a normativa civil, o Código Civil 
instituiu como única fonte do Direito a Lei, abandonando todo e qualquer sistema costumeiro. 
Surgiu como a primeira codificação específica em matéria civil na história e institui o sistema jurídico do Civil 
Law, no qual, inclusive, o Direito Civil Brasileiro é pautado, abandonando a formação costumeira do Direito 
(Common Law), presente nos países de origem Anglo-saxã. 
 
 
Com o fim da Idade Média, as grandes navegações tiveram início, e, com elas, o descobrimento do novo 
mundo, conhecido como o continente americano. Assim, instituíram-se as colônias no novo mundo e, com o 
avanço das ideias do Renascimento e do Iluminismo, repercutiram na independência dessas colônias com a 
formação de novos Estados. 
Assim, tomando por base esse momento histórico, reflita sobre como a Revolução Francesa teve 
influência nos movimentos de independência, e quais foram os ideais que marcaram esses 
movimentos. 
 
 
 
 
24 
 
 
Com o declínio do absolutismo, o movimento constitucionalista teve uma ampla difusão não só pelo mundo 
antigo como pelo mundo novo, recém-descoberto, gerando a formação de novos Estados desvinculados da 
coroa, bem como pautados pela preservação da liberdade e dos Direitos Humanos. 
 
 
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o país se viu palco de um conflito de proporções inimagináveis, o que 
gerou a destruição dos preceitos iniciados durante o Renascimento, que deu origem às primeiras construções 
sobre os Direitos Humanos. Em razão disso, há uma necessária reconstrução desses Direitos, como base 
fundamental das relações jurídicas e estatais, de forma que as Nações Unidas se viram compelidas a formar 
a Declaração Universal de Direitos Humanos, que é o documento responsável por reconhecer a existência 
desses Direitos Fundamentais como inerentes à condição humana. Para tanto, percebe-se que após um forte 
rompimento, as normativas internacionais caminharam no mesmo sentido da Declaração, para dar força 
vinculante à necessidade de respeito a esses direitos. 
 
 
Procure saber mais sobre o Código Civil Francês, da época de Napoleão Bonaparte e como ele influenciou 
uma série de legislações civis pelo mundo, com efeitos que duram até a presente data, inclusive com forte 
influência sobre o Direito Civil Brasileiro. 
 
 
Leia o texto integral da Declaração Universal de Direitos Humanos para ter a percepção de quais são 
considerados os Direitos Humanos Fundamentais, e, principalmente, os motivos que levaram à sua 
constituição. Para isso, acesse: 
https://www.ohchr.org/EN/UDHR/Pages/Language.aspx?LangID=por 
 
 
25 
 
 
São ideais da Revolução Francesa que nortearam a criação da Declaração de Direitos do Homem e do 
Cidadão: 
a) Igualdade e fraternidade, apenas; 
b) Liberdade, apenas; 
c) Fraternidade, apenas; 
d) Igualdade, fraternidade e liberdade; 
e) Igualdade, apenas; 
 
A Revolução Francesa, como se sabe, foi o movimento que surgiu no Renascimento e sob influência do 
Iluminismo geraram o rompimento do padrão absolutista francês, pautando as relações jurídicas pela garantia 
de Direitos ao Homem. Os ideais dessa Revolução eram a Igualdade, estabelecendo a ausência de distinção 
entre os cidadãos por motivação política, de gênero ou classe social; a Fraternidade, marcando a necessidade 
de solidariedade entre os homens, unidos pelo bem comum; e a Liberdade, com a abordagem das garantias 
do Homem contra o poder abusivo dos governantes. 
Com isso, verifica-se queapenas a alternativa d contém todos os ideais corretos, sendo que todas as demais 
apresentam apenas parcela dos ideais. 
 
 
Questão Objetiva 
O Código Civil Francês, como primeira codificação historicamente reconhecida pela reunião dos aspectos 
legais de apenas uma seara do Direito, marcou a origem de todo um sistema jurídico, que é o sistema da: 
a) Common law; 
b) Civil law; 
c) Imperative law; 
d) Penal law; 
e) Administrative law; 
 
GABARITO: B 
 
Questão Discursiva 
Aponte os motivos históricos que levaram ao surgimento da Declaração Universal de Direitos Humanos. 
 
 
26 
 
 
RAMOS, André de Carvalho. Curso de direitos humanos. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018, ebook. 
O livro retrata, em sua narrativa histórica de formação dos Direitos Humanos, o contexto histórico do pós-
Segunda Grande Guerra e quais foram os fatores que levaram a reconstrução dos Direitos Humanos. 
Com ênfase nos horrores do Holocausto, o autor narra a retomada pelos pensadores e juristas da necessidade 
de reafirmação ao respeito dos Direitos Humanos Fundamentais, o que motivou a criação da Declaração 
Universal de Direitos Humanos, em resguardo das garantias do ser humano contra as perseguições e atos que 
reduzam a sua condição humana central. 
 
 
Suma importância – alta importância 
Bojo – conteúdo, corpo 
Fito – objetivo 
Escopo – objetivo 
Atrelada – relacionada, unida 
 
 
MACIEL, José Fabio Rodrigues; AGUIAR, Renan. História do direito. 6.ed. São Paulo: Saraiva, 2014. 
LOPES, José Reinaldo de Lima. O Direito na história: lições introdutórias. 5.ed. São Paulo: Max Limonad, 2014. 
RAMOS, André de Carvalho. Curso de direitos humanos. 5. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018, ebook. 
WOLKMER, Antônio Carlos (Org.). FUNDAMENTOS de história do direito. 8.ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2015. 
WOLKMER, Antônio Carlos. História do direito no Brasil. 5.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011.