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Caderno de Questões – FGV
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1182. 1182. (FGV/2023/DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO/DPE-RJ/DEFENSOR 
PÚBLICO DE CLASSE INICIAL) Na ação penal n. xxxx-xxx-xx, Maria da Graça, 52 anos, foi 
denunciada pelo Ministério Público pelo crime de estelionato (Art. 171, caput, do Código 
Penal), em razão de ser a responsável pela empresa de móveis pré-moldados Novotrato 
Ltda. Narra a inicial acusatória que a denunciada, em 08/02/2016, foi procurada por Elias 
de Lima, que, após pesquisa de mercado sobre o melhor preço, intencionou adquirir bens 
no valor total de R$ 2.600,00 no referido estabelecimento comercial. Apesar do pagamento 
da contrapartida, os móveis não foram entregues no prazo estipulado, razão pela qual Elias 
decidiu desfazer o negócio, porquanto se sentiu lesado enquanto consumidor. De acordo 
com as declarações prestadas perante a autoridade policial, a suposta vítima, ao entrar 
em contato com Maria da Graça para desfazer o contrato em razão do inadimplemento 
da empresa, recebeu três cheques. Entretanto, ao tentar sacar os valores, estes não 
possuíam provisão de fundos, motivo pelo qual realizou o Boletim de Ocorrência. Instaurado 
o inquérito policial, foram juntados documentos e ouvida Maria da Graça, que confirmou as 
informações prestadas pela vítima, justificando que não dispunha do valor para pagamento, 
pois investira o dinheiro na produção dos móveis do contrato cancelado pelo ofendido. 
Ainda assim, antes da deflagração da ação penal, Maria da Graça devolveu a Elias o valor 
de R$ 1.600,00. A denúncia foi apresentada em 15/03/2016 e a ré, citada pessoalmente, 
recusou a proposta de sursis (Art. 89 da Lei n. 9.099/1995). Assim, recebida a embrionária 
acusatória em 25/05/2016, foi realizada a instrução processual, na qual Elias reiterou a 
versão prestada no inquérito policial e ratificou seu desejo na continuidade da persecução 
penal. A denunciada não foi interrogada e qualificada na instrução por não ter sido localizada 
no endereço dos autos para intimação da audiência, razão pela qual foi declarada revel. A 
instrução se encerrou em 20/06/2022. O Ministério Público apresentou alegações finais 
pela condenação, lastreando sua manifestação no depoimento da vítima, no depoimento 
da ré prestado no procedimento extrajudicial e na documentação aduanada nos autos. 
Encerrada a instrução, foram os autos à defesa técnica para memoriais escritos.
Diante dessa situação problema, sua defesa técnica deverá arguir:
a) preliminarmente a nulidade da declaração de revelia de Maria da Graça, pois não foi intimada 
pessoalmente da audiência de instrução e julgamento. No mérito, requer desclassificação 
para o delito de apropriação indébita, em razão da ausência de fraude, haja vista que a 
Súmula do Supremo Tribunal Federal n. 246 orienta que, comprovado não ter havido fraude, 
não se configura o crime de emissão de cheques sem fundo;
b) processo regularmente instruído sem preliminares de nulidade. No mérito, sustentar 
que o caso narrado se trata de fato atípico, pois não se configura o crime de estelionato 
quando não há engodo preordenado, emprego doloso de meio fraudulento para iludir a 
vítima a prejuízo, obtendo vantagem ilícita;

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