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Ciência Política e 
Teoria Geral do Estado 
 
Prof. Renaldo Rodrigues Junior 
 
Prof. Guilherme Bernardes Filho 
Diretor Presidente 
Prof. Aderbal Alfredo Calderari Bernardes 
Diretor Tesoureiro 
Prof. Frederico Ribeiro Simões 
Reitor 
 
UNISEPE – EaD 
Prof. Me. Alexander Neves Lopes 
Coordenador EaD de área 
Prof. Dr. Renato de Araújo Cruz 
Coordenador Núcleo de Ensino a distância (NEAD) 
 
Material Didático – EaD 
Equipe editorial: 
Fernanda Pereira de Castro - CRB-8/10395 
Isis Gabriel Alves 
Laura Lemmi Di Natale 
Pedro Ken-Iti Torres Omuro 
Prof. Dr. Renato de Araújo Cruz – Editor Responsável 
Apoio técnico: 
Alexandre Meanda Neves 
Anderson Francisco de Oliveira 
Douglas Panta dos Santos Galdino 
Fabiano de Oliveira Albers 
Gustavo Batista Bardusco 
Kelvin Komatsu de Andrade 
Matheus Eduardo Souza Pedroso 
Vinícius Capela de Souza 
 
Revisão: Vinicius Guimarães Rodrigues 
 
Diagramação: Hilário Alves Raimundo 
 
 
 
 
 
Apresentação da Disciplina 
 
A Teoria Geral do Estado é um importante instrumento de compreensão das ciências políticas. Partindo da sua 
premissa, analisa os seus contextos histórico-evolutivos, sem esquecer, contudo, das suas questões de 
ponderação quanto às mudanças e aos aprimoramentos que fizeram com que os três pilares da nossa 
compreensão sobre “ser Estado” fossem efetivamente absorvidos: o que fomos, o que somos e o que 
necessitamos ser ou ter para que tenhamos um Estado forte, capaz de atender às necessidades de seu povo. 
Tal como ressalta Sahid Maluf, “as relações indivíduo-Estado” (ou liberdade) representam, sem dúvida, um dos 
mais complexos problemas da ciência política. Cabe ao Estado, por intermédio de seus gestores, buscar a 
virtude aristotélica do “meio termo”, que permite ter como alvo as necessidades primárias sem, contudo, perder 
o foco da limitação e da obrigação de suprir outras carências. 
Sabemos que, quando tratamos o Estado sob o contexto político, é certo que alguns conceitos pré-concebidos 
e um tanto pejorativos advêm à mente muito antes de termos a exata compreensão do termo em sua forma, e, 
sobretudo, quanto à importância que ele possui. 
Necessitamos compreender, também, qual é a importância de analisarmos a interdependência dos ramos do 
direito com as Ciências Políticas, principalmente porque, sob o aspecto constitucional, o Artigo 37 da Carta 
Magna estabelece que a Administração deve se pautar pela legalidade. Assim sendo, é imprescindível a 
verificação do tema, analisado sob os prismas existentes. 
É sabido que a história brasileira é, de certa forma, curta em comparação com as de outras nações. Todavia, 
também sabemos que ela não foi menos intensa que as demais e, sob um ângulo mais amplo, é necessário 
que tenhamos a compreensão das formas de Estado e dos regimes representativos para que entendamos 
exatamente qual o sistema aplicado cotidianamente. 
A análise da política se justifica pela compreensão de Aristóteles, pois, segundo o filósofo grego, os objetos da 
política são os princípios e as causas dela como ciência. 
Ainda que tenhamos outras áreas do Direito que são importantes para a compreensão das nossas legislações 
e das formas de governo admitidas atualmente, é importante saber que as Ciências Políticas são capazes de 
extrair conceitos de grande importância, tanto sob a ótica filosófica, como é o caso de Carl Schimitt, em “Teoria 
da Constituição”, ao considerar a Carta Magna ser uma decisão político fundamental; quanto sob o conceito 
da sociologia política de Max Weber. 
Assim, pode-se afirmar que as Ciências Políticas se encontram em constantes adaptações diante das 
novas realidades da sociedade sem, contudo, olvidar-se de suas questões históricas. 
Diante de tais informações que, de modo geral, abrangem as ideias que serão abordadas nessa 
disciplina, consideramos que os objetivos desta disciplina são os seguintes: 
• Introduzir o aluno ao estudo e a compreensão das Ciências Políticas e da Teoria Geral do Estado, 
sob os aspectos teóricos e práticos do tema; 
• Apresentar a evolução histórica, as afetações aos dias atuais e quais são as vertentes da 
interdependência dos ramos do direito; 
• Inserir a compreensão do operador do Direito sobre as premissas das Ciências Políticas sob o 
aspecto prático; 
• Realizar o estudo das atualidades das Ciências Políticas, inclusive sob o aspecto do Direito 
Internacional Público. 
 
Neste sentido, apresentaremos os pontos mais relevantes da Teoria Geral do Estado, traçando um paralelo 
com os dias atuais, de modo a aproximar o estudante à compreensão da matéria de modo a aclarar a sua 
extensão e complexidade. 
Apresentamos, doravante, o presente livro-texto, para traçar uma linha de compreensão conforme o transcorrer 
do conteúdo da Disciplina de Ciência Política e Teoria Geral do Estado, tão relevante para o exercício do 
Direito, nas suas mais variadas áreas e vertentes. Por último, considera-se imprescindível a análise técnica do 
conteúdo, desprovida de um posicionamento filosófico específico ou de ideologias político-partidárias, 
sobretudo porque tais parâmetros têm que ser analisados de maneira isenta, do modo como requer a análise 
acadêmica da matéria em questão. 
Os ÍCONES são elementos gráficos utilizados para ampliar as formas de linguagem 
e facilitar a organização e a leitura hipertextual. 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
UNIDADE III ...................................................................................................05 
9º A opinião pública e as ações estatais........................................................05 
10º O Estado e a Sociedade...........................................................................09 
11º Eleições e a forma de Governo................................................................11 
12º Sistema eleitoral.......................................................................................14 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
UNIDADE III 
CAPÍTULO 9 - A OPINIÃO PÚBLICA E AS AÇÕES ESTATAIS 
 
 
Introdução 
 
Com o dinamismo na qual as informações se projetam, os dias atuais estão diretamente influenciados 
pelas informações e opiniões divulgadas na mídia. O debate político recebeu um grande fomento, 
pois as informações são projetadas e refletidas de maneira imediata. Com o advento da internet, 
aumentou-se sobremaneira a quantidade de influenciadores sobre os mais variados temas, dentre 
os quais podemos citar os influenciadores políticos, que tomaram uma grande parcela do espaço 
conforme a afinidade política de cada um dos receptores da informação. 
Essa discussão, no entanto, não é recente. Embora os seus efeitos se tornem muito evidentes 
atualmente, Habermas considera que a definição de opinião pública remete ao liberalismo. Em 
primeiro plano, o autor destaca que essa definição está situada no fato de que os representantes 
públicos são convertidos em formadores de opinião. Outra definição apresentada por Jürgen 
Habermas é de que, sob uma visão institucionalista, que embora um tanto quanto falha por não 
considerar critérios como o de racionalidade e representatividade, demostra que a figura dominante 
de poder, que está ligada à gestão, é a detentora máxima da opinião pública, que se apresenta sob 
uma roupagem institucional. 
Sob a visão de Habermas, considera-se que a opinião pública possui impacto direto nas 
atividades das pessoas, enquanto elas fizerem parte de um grupo social. Isto também implica os 
chamados cidadãos secularizados que, por sua vez, não poderão ignorar o fato de que os aspectos 
religiosos, sobretudo quanto às suas linguagens, também contribuem para as discussões públicas e 
que estas opiniões também deverão ser contextualizadas, diante da sua relevante contribuição de 
ordem cultural. 
 Atualmente, as informações passam por um processo de interatividade, em que as ações 
estatais estão em imediata discussão, fazendopara o partido 
será refletido por intermédio da indicação partidária de uma lista com o nome dos representantes do 
partido, sendo que no caso do candidato do distrito, ele terá a incumbência de representar 
especificamente aqueles que o elegeram. 
No sistema de votação misto, o eleitor dará dois votos, sendo o primeiro para aquele que 
postula uma vaga de representação para o seu distrito eleitoral e o outro para uma determinada lista 
de candidatos preestabelecidos pelo partido político. Os candidatos distritais se limitarão a esta 
função, assim como os nomes determinados pelo partido estarão sujeitos a todas as questões 
27 
 
inerentes à fidelidade partidária, dado o fato que o voto não é considerado individual, mas, sim, para 
a legenda partidária representada. 
Trata-se de uma forma de fortalecimento das regiões mais longínquas e que são, de certa 
forma, menos representadas no âmbito do Legislativo. Os distritos serão particionados e fortalecidos 
conforme a densidade demográfica de determinada região. Com base nessas informações é que se 
poderá analisar quantos representantes são necessários para cada região. 
Considera-se que este método, que tem um representante especificamente para uma 
determinada região, fortalece o vínculo do eleitor com o candidato eleito. Tal aproximação faz com 
que o político eleito para o cargo eletivo possa ser cobrado quanto às necessidades da região, assim 
como facilita para que ele também possa apresentar os trabalhos efetuados e fazer a “prestação de 
contas” de seu mandato. Não haverá mais escusas para que uma determinada região esteja 
desguarnecida de representantes e que a resolução das suas necessidades possa ocorrer de modo 
mais efetivo e célere. 
Para aqueles que consideram essa a forma ideal de votação, esse sistema permite que ocorra 
uma eleição mais ponderada e exercida com maior cautela, tanto pelo eleitor quanto pelos 
candidatos, pois essa aproximação fortalece os laços entre as partes interessadas, como também 
para os eleitores que poderão aproximar as suas reivindicações do Estado, e finalmente tenham 
suas necessidades atendidas. 
Mesmo após o pleito eleitoral, esta relação continua e há uma maior condição de fiscalização 
do mandato, que poderá ser alvo de cobranças e fará com que o parlamentar exerça a sua função 
com mais cautela quanto às ações desempenhadas. Isto facilita sobremaneira, sendo inclusive um 
modo de limitação a condutas antiéticas, desabonadoras ou que não justifiquem a permanência do 
parlamentar neste ofício, podendo o eleitor corrigir a questão nas próximas eleições. 
Outra justificativa é que esse método considera que o eleitor não está votando em um 
determinado candidato, mas, frente a outro, fará com que o candidato derrotado se torne um fiscal 
deste parlamentar, coibindo a existência de casos de corrupção ou de mau uso das funções 
parlamentares. Trata-se de uma fiscalização qualificada, pois aquele que outrora fora candidato se 
torna um eficiente analista das ações, pois ele conhece sobremaneira a realidade daquela região e 
sabe quais as ações são urgentes e aquelas que são absolutamente desnecessárias. 
Outra questão que favorece esse método é que o parlamentar, para ser eleito, deverá ter a 
maior quantidade de votos, o que faz com que os candidatos façam uma defesa eficiente aos 
interesses da população, abafando os extremismos ideológicos. Todavia, acredita-se que este 
método reduz a possibilidade dos grupos organizados e aqueles que representam as chamadas 
minorias, de conseguirem a representação necessária. 
 
12.11 Tendências Atuais 
O Estado brasileiro, há longa data, discute qual a melhor forma de escolha de seus representantes. 
Primeira e historicamente, com a Proclamação da República, iniciou-se o primeiro ensaio de que a 
escolha de representantes, afastado de todas as ideias que eram muito latentes na monarquia, era 
imprescindível para um Estado verdadeiramente forte e próspero. 
Após toda a construção de uma história, que desaguou na Constituição de Federal de 1988 e 
em todas as outras legislações que vieram após a promulgação da Carta Magna, teve como escopo 
a promoção do Estado Democrático de Direito e da representação embasada na soberania popular. 
28 
 
Sabemos que há um excesso de partidos políticos, muitos deles sem qualquer 
representatividade. O próprio processo eleitoral é mais pautado por controvérsias do que 
necessariamente pelo ajuntamento de ideias e soluções para um país continental, que é o Brasil, e 
que enfrenta inúmeros desafios. 
Por outro lado, a possibilidade de alterações, tais como ocorreram na EC 97/2017, que 
limitaram a possibilidade de coligações para os cargos eletivos majoritários, fará com que os partidos 
se reestruturem de modo a não perder o foco de que o fortalecimento de sua estrutura é 
imprescindível até mesmo para a sua manutenção enquanto partido político. 
Mesmo com as regras anteriormente existentes, ocorreram algumas fusões e incorporações 
de legendas partidárias, fato este que poderá se repetir atualmente, diante das novas regras. Por um 
lado, isso polariza a disputa apenas considerando os nomes em mais evidências, ignorando muitas 
vezes as pautas que estes verdadeiramente defendem. 
Os esforços para uma efetiva atualização das leis eleitorais derivam justamente da mudança 
de mentalidade da população que, com simultaneidade do processamento e divulgação de 
informações, estão cada vez mais engajados a construir uma sociedade afastada de atos de 
improbidade, corrupções e de excessos, seja de influências ou de ações injustificadas, seja por parte 
do Poder Executivo, do Poder Legislativo e, inclusive, do Poder Legislativo e do Ministério Público, 
pauta cada vez mais em voga nos tempos atuais. 
O voto distrital, por exemplo, possui francos defensores nos partidos chamados de Direita, tais 
como o PSD e o PSDB. Contudo, diante da falta de apoio de outras legendas, esta pauta está cada 
vez mais esquecida no Congresso Nacional, visto que a pulverização de representação, como já 
relatado anteriormente, também não é bem vista e bem quista pelos atuais congressistas. 
A política brasileira, no cenário atual, encontra-se numa fase em que todas as movimentações, 
independentemente de qual lado seja, é constantemente vigiada, seja pelo meio digital ou pela 
imprensa. As ações e as reações são evidenciadas de maneira mais efetiva e, por outro lado, as 
consequências são sentidas de modo muito dinâmicas. 
Estamos numa fase de nosso país que as ações desempenhadas pelos políticos possuem 
uma imediatidade de repercussão, que muitas das mudanças não passam dos atos preparatórios. 
Por um lado, se evita que algumas ações que não estão realmente maduras ou planejadas, sejam 
abortadas de imediato. Entretanto, por uma razão de falta de apoio político, algumas ações também 
são descartadas por simplesmente não receberem sustentação por terem sido criadas por desafetos 
políticos, apequenando ainda mais as discussões. 
Considera-se que o momento em que o Brasil e outros Estados estão vivendo serve de 
aprendizado e estímulo para analisarmos os modelos mais adequados e quais são as formas de 
gestão que mais se adequam à realidade social e econômica. Temos países, como os vizinhos 
Uruguai e Argentina, que fizeram mudanças em seu perfil de gestão e inclusive de forma antagônica 
entre eles. Caberá, como o tempo, analisar qual a efetividade e a evolução que cada país teve, 
incluindo-se também o Brasil, e quais serão as lições que cada um desses Estados conseguirá extrair 
destes novos tempos políticos que cada um estarão a vivenciar. 
 
29 
 
As formações dos governos eram determinadas conforme a peculiaridade de cada Estado., A partir da 
concepção de que há de se estabelecer a forma de governo conforme quem está no poder, a classificação de 
Aristóteles propõe a seguinte dicotomia: a aristocracia é o governo de poucos e a democracia é o governodo 
povo. Já sob a ótica de Nicolau Maquiavel, a sistemática é mudada para o contexto dos principados e das 
repúblicas, distinguindo-se pela figura que está sob poder, que, nos principados, é a realeza; já a república 
poderá ser aristocrática ou democrática. Por fim, Montesquieu estabeleceu novamente a análise sob três 
formas de governo: o republicano, formado por uma parcela do povo; a monarquia, na qual apenas uma pessoa 
governa, dentro de um sistema legal preexistente e fixo; por fim, os déspotas, formados a partir de uma só 
vontade e sem qualquer responsabilidade quanto à obediência às leis e regras. 
Nos estados contemporâneos, há basicamente duas formas de governo: a República e a Monarquia. 
Compreende-se como sistema eleitoral como sendo a estruturação de ações e procedimentos em que 
se definem as formas de apuração dos votos, em sua contagem e agregação dos votos e a sua consequente 
conversão em mandato eletivo. 
O sistema eleitoral é definido por intermédio de uma legislação e a forma de decisão ocorre mediante 
o voto. É por meio de um processo, definido pela sistemática que está estruturada pela legislação eleitoral, que 
se dá a escolha dos cargos públicos. 
A função do sistema eleitoral é organizar as eleições a fim de que, do seu produto, possa se extrair os 
votos que serão convertidos em mandatos eletivos. Este sistema tem que ser estruturado de modo a dar 
confiabilidade, segurança e para que a sua imparcialidade possa ser manifesta, dando legitimidade aos 
mandados concebidos por esse pleito. 
Embora esse sistema, dentro do contexto democrático, tem que estar em consonância com a legislação 
e com a Carta Magna, há uma contínua mudança e atualização que vem sendo entronizadas no sistema 
legislativo conforme a necessidade de atualização, evolução e necessidade redução de possíveis conflitos. 
A viga-mestra do sistema eleitoral é a Constituição Federal. Por consequência, a evolução 
constitucional está intimamente ligada à evolução histórica das eleições que, conforme as peculiaridades que 
são inerentes às épocas e aos momentos históricos, sempre dispuseram sobre a matéria. 
Quanto às legislações, considera-se que antes de 1822, com a independência de Portugal, nossas 
legislações se limitavam basicamente às Ordenações do Reino de 1603, que tinham o escopo de regular as 
escolhas dos Conselhos Municipais. Além delas, é considerado como fonte eleitoral histórico o Alvará de 12 
de novembro de 1611, que também regeu a questão eleitoral na época colonial. 
Com o estabelecimento de um novo Império, em 1822, o Brasil passou a produzir as suas próprias 
legislações. Destaca-se aqui o Decreto de 26 de março de 1824, que trata das eleições paroquiais para o 
Senado, Câmara e Conselhos Provinciais. 
O sistema de votação consiste na forma como se procede a escolha de uma quantidade de opções 
existentes em um determinado pleito baseando-se na quantidade de votos obtidos. Neste cenário, a forma 
mais usual é a do uso do voto propriamente dito, na qual os candidatos são escolhidos conforme a quantidade 
de votos nominais, sejam eles diretamente ou mediante a uma fórmula legalmente estabelecida. 
Trata-se de um modo no qual os cidadãos poderão depositar a sua demonstração de confiança em 
determinado candidato ou pauta defendida. As regras de votação dependem da formulação efetuada por cada 
Estado. Via de regra, opta-se pelo método da maioria dos votos, que considera a regra da metade mais um 
voto. 
Cada país se utiliza de um sistema de votação, que é fruto de um amadurecimento da sociedade no 
tocante à realidade social de cada Estado, a concepção do que se espera num determinado pleito. Há Estados 
que se utilizam, por exemplo, do momento eleitoral para analisar determinadas questões de ordem social e 
econômica, para fins de se criar um planejamento de governo, considerando-se os anseios da sociedade e os 
problemas que eles apontam. Para isto, há sistemas que são mais abrangentes, utilizando-se outros métodos 
de escolha desta maioria de votos, fazendo uso de sistemas de votação mais amplos. 
30 
 
A formação institucional da política, para fins de disputa de um governo ou de uma posição político-
legislativa, passa mediante o ajuntamento de pessoas por intermédio da criação dos partidos políticos. 
Segundo Max Weber, os partidos possuem um “fim deliberado, seja ele ‘objetivo’ como a realização de 
um plano com intuitos mateais ou ideais, seja ‘pessoal’, isto é, destinado a obter benefícios, poder e, 
consequentemente, glória para os chefes e sequazes, ou então voltado para todos esses objetivos 
conjuntamente”. 
Sob esse contexto, considera-se que o fim associativo dos partidos, sob o escopo da reunião de ideias 
e objetivos que coadunem com o pensamento de disputa do poder político e as suas motivações, é o que 
justifica a criação dos partidos políticos. Sob o contexto da chamada “democracia representativa”, os partidos 
possuem papel de grande importância. 
A função do partido político na aglutinação de pessoas que possuem o mesmo ideal e, dentro desta 
concordância de pensamentos, une forças para colocar em prática o que entende como sendo o melhor para 
o Estado. Não é uma entidade criada a partir de uma imposição, mas, sim, por intermédio de uma 
conscientização de uma determinada parcela da sociedade. Tal concepção de ideias pode ser motivada por 
vários aspectos: sociais, econômicos, filosóficos, religiosos, dentre outros. 
As Coligações partidárias são formações criadas a partir de uma união de esforços e cooperação entre 
partidos políticos que possuem a duração de um período eleitoral. A sua fundação não está condicionada à 
autorização da Justiça Eleitoral, bastando que seja aprovada nas suas respectivas convenções partidárias. 
A concepção de uma coligação partidária se dá com a articulação política entre a junção de planos de 
governo e a união de forças para a implementação de uma mesma pauta política. Os partidos coligados, a 
partir do momento em que se juntam, passam a versar sobre uma mesma causa e lutarão pelas mesmas 
políticas para a unidade federativa que disputarão. 
Destaca-se que a coligação é uma forma de junção de forças quando os partidos participantes, tendo 
chegado a um consenso, compreendem que a união será a melhor forma de terem mais chance de alcançarem 
êxito no pleito eleitoral. Isso trará um novo cenário político que, com a aglutinação de partidos, fará com que 
se considere como se fosse um partido mais forte e com um quadro mais robusto. Além do mais, os apoiadores 
dos partidos coligados seus quadros para determinados candidatos que, se não fosse pela coligação, 
certamente não ocorreria. 
O mandato eletivo é exercido como forma de afirmação da soberania popular, princípio fundamental do 
Estado Democrático de Direito. É a consequência da escolha popular, pelo sufrágio universal, na forma do voto 
direto, secreto e igualitário. 
O mandato pertence ao povo e o exercício deste poder é depositado mediante o voto depositado e a 
consequente habilitação para o exercício do mandato eletivo. Trata-se de uma demonstração de confiança, 
boa-fé e aceitação da pauta defendida por um determinado postulante a cargo eletivo. 
Não há como tratarmos sobre este tema e não nos remetermos ao Artigo 1º da nossa Constituição 
Federal, que estabelece que o poder emana do povo, por intermédio de seus representantes eleitos ou 
diretamente. O nascedouro dos mandatos eletivos é justamente o primeiro artigo da nossa Carta Magna, que 
estabelece quem é o detentor do poder: o povo. 
O quociente eleitoral é um reflexo do trabalho do jurista belga Victor D´Hondt, que considerou o método 
a partir de uma forma matemática, criada para efetuar o cálculo da distribuição dos mandatos por intermédio 
de listas. O método utilizado toma por base a forma de atribuição dos mandatos. Assim, a proporção entre os 
votos recebidos pela lista de candidatos é levada em conta, dando aos candidatos com menor probabilidade 
de eleição umachance de vitória, em uma situação clara de que se não fosse por este meio, talvez não 
conseguissem ser eleitos. 
Alguns fenômenos eleitorais de votação, como ocorreram nos casos dos Deputados Federal Enéas 
Carneiro (PRONA/SP) e Tiririca (PR/SP), fizeram com que vários outros candidatos, dos mesmos partidos e 
que tiveram votações ínfimas sob o critério da proporcionalidade, fossem eleitos. 
O método do voto proporcional é utilizado no Brasil para as eleições proporcionais, nas quais a 
representação política ocorre de modo que seja distribuída proporcionalmente entre os partidos políticos. 
Toma-se, por base, a quantidade de votos obtidos, e a quantidade de votos do partido. Este método é utilizado 
para a eleição dos candidatos do Poder Legislativo, mais especificamente para os Deputados Federais, 
Estaduais, Distritais e os Vereadores. Consideram-se eleitos aqueles que possuírem, em ordem sucessiva, a 
maior quantidade de votos até o limite que aquele determinado partido conseguir. 
31 
 
O Código Eleitoral estabelece, entre os Artigos 105 a 113, a forma do voto proporcional e qual a sua 
aplicação. Considera-se que a forma de aplicação tem, como base, o número de vagas existentes com base 
no quociente partidário que, como já relatado, toma por base a quantidade de votos válidos que o partido 
obteve, devendo ser dividido pelo quociente eleitoral. A quantidade de cadeiras a serem preenchidas é 
justamente o resultado desta conta. 
O voto distrital é um sistema eleitoral em que se considera a chamada maioria simples. Nesse sistema, 
os candidatos são eleitos de modo individual de acordo com sua localização geográfica, determinada legal e 
previamente. Os partidos, por sua vez, são setorizados conforme a quantidade de distritos eleitorais previstos 
em lei, e serão eleitos para o Poder Legislativo, a fim de representar uma determinada área. 
Trata-se de um método em que se considera a maioria simples de votos. Os membros de um 
determinado parlamento são eleitos conforme a separação efetuada, mediante o estabelecimento de distritos 
eleitorais, que são geográficas regionalizadas, definidas com base na quantidade de população existente. 
O Brasil, por sua vez, nunca adotou este sistema. Seus defensores argumentam que o Brasil é um país 
demograficamente gigante, e há inúmeras comunidades e regiões que não são efetivamente representadas. A 
possibilidade de estruturação dos distritos eleitorais faria com que ocorresse uma aproximação das regiões. 
Assim, o reconhecimento do parlamento quanto às necessidades regionais e o retorno das providências, de 
modo mais rápido, faz com que algumas populações, historicamente esquecidas, pudessem ser 
definitivamente enxergadas pelo Estado. 
O voto distrital misto é considerado como uma junção do voto proporcional e do voto majoritário. Por 
este sistema, considera-se a aplicação de dois votos, sendo o primeiro para o candidato especificamente de 
um distrito e outro voto especificamente para o partido político. O voto encaminhado para o partido será refletido 
por intermédio da indicação partidária de uma lista com o nome dos representantes do partido, sendo que no 
caso do candidato do distrito, este terá a incumbência de representar especificamente aqueles que o elegeram. 
No sistema de votação misto, o eleitor dará dois votos, sendo o primeiro para aquele que postula uma 
vaga de representação para o seu distrito eleitoral e o outro para uma determinada lista de candidatos 
preestabelecidos pelo partido político. Os candidatos distritais se limitarão a essa função, assim como os 
nomes determinados pelo partido estarão sujeitos a todas as questões inerentes à fidelidade partidária, dado 
o fato de que o voto não é considerado individual, mas, sim, para a legenda partidária representada. 
 
 
1. Quais são as formas de governo estabelecidas por Montesquieu: 
 
A. Executivo, Legislativo e Judiciário; 
B. Moderador, Executivo e Monarquia; 
C. Legislativo, República e Totalitarismo; 
D. Monarquia, República e Despotismo; 
E. Executivo, Legislativo e Moderador. 
 
2. Não é considerado integrante do sistema eleitoral: 
A. Proporcional. 
B. Majoritário. 
C. Indireta. 
D. Distrital puro 
E. Distrital misto 
 
3. Qual o fato considerado para a estipulação do turno único em uma eleição? 
A. Limitação de candidatos; 
B. Voto útil; 
C. Otimização de tempo; 
D. Redução de custos; 
E. Alternância de poder. 
 
32 
 
 
4. É considerado o autor das leis sociológicas que estruturou a sistemática eleitoral: 
A. Maurice Duverger; 
B. Émile Durkheim; 
C. Max Weber; 
D. Miguel Reale; 
E. Jürgen Habermas. 
 
5. Qual foi a primeira Constituição brasileira a tratar sobre matéria eleitoral? 
A. 1988; 
B. 1934; 
C. 1824; 
D. 1967; 
E. 1937. 
 
6. Qual foi a Constituição que extinguiu a Justiça Eleitoral? 
A. 1988; 
B. 1934; 
C. 1824; 
D. 1967; 
E. 1937. 
 
7. Quais eventos podem ser considerados como os nascedouros dos Partidos Políticos? 
A. Guerra das Malvinas e Guerra dos Jacobinos; 
B. Revolução Francesa e Revolução Russa; 
C. Revolução Gloriosa inglesa e Revolução Farroupilha; 
D. Revolução Francesa e Revolução Gloriosa inglesa; 
E. Revolução Farroupilha e Guerra dos Jacobinos. 
 
8. Nos termos da Emenda Constitucional 97/2017, estão proibidas: 
A. Coligações Majoritárias; 
B. Coligações Proporcionais; 
C. Propaganda em Internet; 
D. Propaganda em Panfleto; 
E. Programa de Rádio e Televisão. 
 
9. Qual o cargo pertencente ao Poder Legislativo que não está sujeito ao voto proporcional? 
A. Senador; 
B. Deputado Distrital; 
C. Vereador; 
D. Deputado Federal; 
E. Deputado Estadual. 
 
 
 
 
33 
 
 
10. (ENADE 2012) Direito 
 
HAVERSON, B. Disponível em . Acesso em: 09 jul. 2012. 
 
No diálogo entre Calvin e seu pai reproduzido acima, a discussão dos personagens pode ser 
relacionada a temas da filosofia do Direito. Assim, considerando-se uma suposta norma que houvesse 
instituído o mandato de pai, 
 
A) a afirmação de Calvin acerca da necessidade de um novo pai suscita a questão da validade da 
norma. 
B) a resposta do pai de Calvin, que nega o término de seu mandato, constitui questão referente à 
vigência da norma. 
C) a afirmação do pai de Calvin sobre a impossibilidade de votos evoca um problema de eficácia da 
norma. 
D) a pergunta feita por Calvin sobre a autoria da “Constituição” levanta questões acerca da eficácia da 
norma. 
E) a informação de que a mãe de Calvin teria participado da redação da “Constituição” evoca questão 
acerca da vigência da norma. 
 
Questão discursiva– UNIDADE 3 
 
1) Qual é a função do sistema eleitoral? 
 
Gabarito 
1. Resposta correta – Alternativa D: Monarquia, República e Despotismo; 
2. Resposta correta – Alternativa C: Indireta; 
3. Resposta correta – Alternativa B: Voto Útil; 
4. Resposta correta – Alternativa A: Maurice Duverger. 
5. Resposta correta – Alternativa C: 1824. 
6. Resposta correta – Alternativa E: 1937. 
7. Resposta correta – Alternativa D: Revolução Francesa e Revolução Gloriosa inglesa; 
8. Resposta correta – Alternativa B: Coligações Proporcionais; 
9. Resposta correta – Alternativa A: Senador; 
10. Resposta correta – Alternativa B: a resposta do pai de Calvin, que nega o término de seu mandato, 
constitui questão referente à vigência da norma 
 
Questão Discursiva – Resposta 
R: A função do sistema eleitoral é organizar as eleições de modo que, do seu produto, possa se extrair os votos 
que serão convertidos em mandatos eletivos. Este sistema tem que ser estruturado de modo a dar 
confiabilidade, segurança e que a imparcialidade de todo este sistema possa ser manifesta de modo que estes 
mandatos concebidos por este pleito possam ser legitimados por todos os participantes. 
 
Comentário sobre a problematização apresentada no início da unidade 
R: Para aqueles que consideram a forma ideal de votação, este sistema permite que ocorra uma eleição mais 
ponderadae exercida com maior cautela, tanto pelo eleitor quanto pelos candidatos, pois esta aproximação 
fortalece os laços entre as partes interessadas, como também para os eleitores que poderão aproximar as 
suas reivindicações ao Estado, para que as suas necessidades sejam alcançadas. 
Mesmo após o pleito eleitoral, esta relação continua e há uma maior condição de fiscalização do 
mandato, que poderá ser alvo de cobranças e fará com que o parlamentar exerça a sua função de modo a ter 
34 
 
mais cautela quanto as ações desempenhadas. Isto facilita sobremaneira, sendo inclusive um modo de 
limitação a condutas antiéticas, desabonadoras ou que não justifiquem a permanência do parlamentar neste 
ofício, podendo o eleitor corrigir esta questão nas próximas eleições. 
Outra justificativa é que este método considera que o eleitor não está votando em um determinado 
candidato, mas, frente a outro, fará com que o candidato derrotado se torne um fiscal deste parlamentar, 
coibindo a existência de casos de corrupção ou de mau uso das funções parlamentares. Trata-se de uma 
fiscalização qualificada, pois aquele que outrora fora candidato se torna um eficiente analista das ações, pois 
ele conhece sobremaneira a realidade daquela região e sabe quais as ações são urgentes e aquelas que 
absolutamente desnecessárias. 
 
 
 
 
AZAMBUJA. Darcy. Teoria Geral do Estado. São Paulo: Globo, 2003. 
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Acesso em: 27 dez. 2019. 
 
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WEFFORT, Francisco. Os clássicos da política. Vols. I e II. São Paulo: Ática. 2006. 
 
WEBER, Max. Ensaios de Sociologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Zahar. 1982.com que inclusive algumas medidas impopulares 
possam ser revistas até na fase de maturação da ideia. Isto leva a antecipar a discussão antes de 
se concluir o processo de elaboração da ação governamental na qual basta apenas que uma 
determinada antecipação de ideias já seja o suficiente para que se faça uma aferição de valores 
acerca do tema, o que leva muitas vezes a uma postura precipitada acerca da sua análise. 
Em nenhuma outra fase da época contemporânea a sociedade teve tanto acesso às 
informações, algumas isentas de deturpações e outras já nem tanto, mas que possuem a condição 
de análise, conforme o jogo do discernimento do receptor da informação. 
Este fenômeno da disseminação da informação é global e afeta as ações políticas em quase 
todos os Estados, excetuados aqueles em que há um rígido controle das mídias, como acontece em 
Cuba e na Coreia do Norte, onde a fonte de publicação de notícias do Estado é a única forma de 
divulgação de informação em massa. 
Nos Estados onde a democracia está verdadeiramente estruturada, a difusão de informações 
também possui consequências de ordem eleitoral, atuando diretamente no processo eleitoral, tanto 
para propagação das propagandas oficiais, como também para fins de divulgação de informações 
de apoiadores. As duas eleições presidenciais americanas tiveram uma forte influência das mídias 
digitais, sendo que a última, a que elegeu o Presidente Donald Trump, foi maculada com uma série 
de denúncias de espionagem digital e de acusações de que a Rússia teria atuado, interferindo 
6 
 
externamente, para os resultados da eleição americana. No Brasil, durante a disputa presidencial, a 
polarização de ataques entre os apoiadores do candidato Jair Bolsonaro e dos apoiadores do 
candidato Fernando Haddad, também ditaram as conduções das informações em mídias sociais. 
Vivemos numa nova etapa, da qual as redes sociais e os aplicativos de mensagens 
instantâneas já são considerados as mais importantes ferramentas de disseminação de informações. 
Isto traz uma importante consequência, sobretudo quanto ao apoio que um determinado gestor ou 
uma pauta específica. 
Neste compasso, as ações políticas têm sido constantemente influenciadas pelas constantes 
alterações da opinião pública. Isso afeta tanto as ações governamentais propriamente ditas, como 
também os processos legislativos em pautas em que haja consequência direta no dia a dia da 
população ou que existam polos divergentes. 
As consequências do apoio de uma parcela da opinião pública traduzem diretamente nas 
estratégias governamentais e, consequentemente, desaguam exatamente na popularidade da 
gestão e, também, do legislativo. Isto tem ditado, ao longo dos anos, os rumos de determinadas 
pautas e do apreço de alguns gestores. 
Concernente a estas situações, podemos considerar as afetações da opinião pública e as 
ações públicas nos Poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário), assim como também as 
consequências que são afetas ao Estado. 
 
9.1 Nos Poderes 
A avaliação dos Poderes são está intimamente ligada à valoração das pautas apresentadas e da 
quantidade de apoiadores que os representantes possuem, que podem sofrer uma grande variação 
ao longo do mandato. 
Com a efusividade das mídias, física e digital, que possuem um contínuo trabalho de divulgar 
o dia a dia dos governantes, há uma contínua mudança quanto à opinião pública frente, que variam 
conforme a estabilidade política e econômica do país. 
Quanto ao Poder Executivo, sabemos que as ações do governo se difundem nas mais várias 
áreas, e o Chefe do Poder e seus auxiliares estão em contínua avaliação. Assuntos como 
previdência, economia, educação e segurança pública são, por exemplo, fatores que influenciam 
fortemente a opinião pública quanto a um determinado governo. Por outro lado, o desempenho do 
Executivo possui variantes que independem de suas ações. Essa dinâmica afeta a opinião pública, 
que pode ser tanto influenciada por fatos internos do Executivo, como também por fatos externos, 
podendo influenciar diretamente a gestão. Fatos envolvendo corrupção são, nos dias de hoje, alguns 
dos que mais pesam em um governo e se refletem diretamente a confiabilidade de uma determinada 
gestão ou partido político. 
Já ao Poder Legislativo, a opinião pública avaliará as ações dos representantes conforme as 
posições adotadas em determinadas pautas, sobretudo aquelas que recebem maior apreço ou 
repulsa dos cidadãos. A opinião pública desfavorável a alguma postura do legislador ou o seu 
envolvimento, direta ou indiretamente, a alguma situação ética ou moralmente reprovável cairá 
diretamente aos maus olhos da opinião pública, que fará com que tais fatos não sejam caídos ao 
esquecimento. 
Outra questão bastante em voga é a avaliação do Poder Judiciário pela opinião pública. O que 
era incólume e acima de qualquer crítica, o Poder Judiciário, passou a ser alvo diário e predileto de 
uma parcela da opinião pública. As críticas são as mais variadas, que vão desde ao posicionamento 
7 
 
do magistrado quanto a um voto ou uma declaração em específico, como também, as acusações de 
participação em esquemas ilícitos de “venda de sentenças” ou de decisões conforme a conveniência 
de um determinado beneficiário. 
Em nenhum outro tempo da história, os jornalistas que assessoram os poderes tiveram um 
papel de tamanha importância. A aproximação entre os poderes e a população se concentrou muito 
mais a partir do momento em que as informações e, muitas vezes, as explicações quanto às 
informações divulgadas. O trabalho destes profissionais permite que os Poderes se tornem ainda 
mais acessíveis e próximos do cidadão. 
A formação de opinião passou a ser um exercício diário e contínuo. A mídia, por sua vez, tem 
a função de coletar as informações e trazê-las de modo isento de posições políticas ou ideológicas, 
comportando-se de modo a não induzir uma opinião, mas de capacitar o receptor de modo a ele 
mesmo formar a sua opinião, o que se encontra cada vez mais distorcido nos dias de hoje. Contudo, 
a mídia ainda pode ser considerada como um importante instrumento de influência do cidadão quanto 
ao sistema político, pois alcança de maneira eficaz a opinião pública, embora deva-se ponderar que 
as motivações e finalidades com as quais esse instrumento é utilizado sejam a principal razão de 
descrédito de alguns meios de imprensa atualmente. 
 
9.2 No Estado 
A opinião pública, sem sombra de dúvidas, possui uma parcela importante na influência das ações 
estatais. Não se trata, por sua vez, de considerá-la como sendo um resultado de opiniões não 
maturadas, pois deve-se considerar apenas aquilo que realmente haja uma consciência de 
necessidade, sobretudo para fins de esclarecimento de conscientização. 
A volatidade das ações estatais se justifica pelo dinamismo que elas carecem. Nos dias atuais, 
dada a contínua mudança da sociedade e a sua velocidade, é imprescindível que o Estado esteja 
atento e compreendendo que deve manter as ações de modo a acompanhar as situações que 
ocorrem. 
O Brasil é um exemplo de que as ações estatais possuem clara influência da opinião pública. 
Antes da existência da chamada “mídia de massa”, as influências estatais eram as famílias 
oligárquicas e a Igreja. 
A sociedade brasileira, durante muito tempo, teve as suas ações estatais pautadas para a 
satisfação das oligarquias. No auge do período do café, o Estado Brasileiro mantinha estoques do 
produto apenas para satisfazer a necessidade de manutenção do preço no cenário internacional, 
fazendo com que os produtores pudessem impor os seus preços, muitas vezes altíssimos. 
O movimento de redemocratização do Brasil, ocorrido na década de 1980, popularmente 
conhecido como “Diretas Já” é outro exemplo típico de movimento que ganhou a pauta da mídia após 
a sua popularização, de modo que não pôde ser ignorado diante da proporção tomada. 
A adoção deações púbicas para a redução de condutas antissociais, por exemplo, tem sido 
amplamente propagada pela opinião pública, como podemos exemplificar nos casos de injúria racial, 
violência contra as mulheres e membros da comunidade LGBTQ. As ações estatais para a prevenção 
de crimes de corrupção constituem outra questão muito focada pela opinião pública e que passou, 
nos últimos anos, por profundas discussões e mudanças. 
Habermas considera que a comunicação é essencial para as ações de políticas deliberativas, 
permitindo que se corrijam os chamados déficits democráticos e que a opinião pública pode ser alvo 
de manipulação, mas, assim mesmo, é considerado um importante liame para a construção de uma 
8 
 
coerência entre o que é legítimo e o que é ilegítimo sob a ordem política. Nesse cenário, a opinião 
pública perante o Estado possui uma importante relevância no cenário capitalista atual, pois, ausente 
da figura da centralização estatal, os esforços são para o fortalecimento da economia de modo que 
tal situação seja de grande interesse estatal. 
Duro crítico quanto ao tema “opinião pública”, Habermas considera que só podemos ser 
definidos sob o contexto da chamada manipulação, ao considerar que aqueles que estão sob a posse 
do poder político se utilizam para fins de harmonização das situações políticas, de modo a aplicar a 
sua doutrina e ter o resultado de modo que lhe convêm. No caso em tela, o autor considera o tema 
de modo amplo, utilizando-se de um conceito em que a formação da opinião pública é considerada 
sob três modos. 
1º) No primeiro aspecto, considera-se as chamadas opiniões informais e não verbais, que são 
advindas de um processo de constatação cultural não debatido. Muitas vezes por serem rígidos e 
delicados, não se abre uma ampla discussão sobre o tema. Dá-se, como exemplo, temas como pena 
de morte e aborto. 
2º) Sob o segundo prisma, consideram-se os temas gerados por situações que, até um 
primeiro momento eram inexistentes, mas que vêm à baila pela manifestação de vontades ou por 
demandas específicas. Nesse caso, exemplificamos as ações para melhorias no sistema de 
segurança pública em função do aumento da violência. 
3º) Por fim, o autor considera como a terceira hipótese as situações que são francamente 
discutidas e analisadas e que provêm da cultura, que podem ser mudadas durante o tempo dada a 
sua característica flexível. 
Considera-se que o papel da mídia e da opinião pública no século XX desviou totalmente do 
que anteriormente era considerado, fazendo com que ambas tivessem um importante papel nas 
ações estatais. O dinamismo na qual as informações são geradas e difundidas, mesmo aquelas que 
não condizem com a verdade, faz com que o Estado tenha a necessidade de manter-se vigilante 
quanto às ações que necessitam ser desempenhadas, tomando o zelo inclusive de antecipá-las 
antes que se tornem pauta de críticos. 
 
 
9 
 
UNIDADE III 
CAPÍTULO 10 - O ESTADO E A SOCIEDADE 
 
 
Introdução 
A Sociedade, enquanto instrumento de relação entre os homens e seus semelhantes, unidos por 
interesses e vontades, organizados por esforços contínuos, tem no Estado a sua forma de 
organização melhor consolidada. 
Contudo, é importante que ressaltemos que não há sinonímia entre a Sociedade e Estado. A 
Sociedade antecede a formação estatal. O Estado surge da reunião das instituições públicas, das 
suas relações em âmbito social e delimitado por um território, conforme o estabelecimento prévio de 
uma ordem jurídica. 
 O que temos como ações estatais são aquelas que, mediante atos normativos ou 
administrativos, as ações da administração pública. Também é por este instrumento que nascem as 
legislações que garantem as liberdades individuais e as tutelas de direitos básicos. 
A formação e consolidação estatal é um processo compreendido em algumas teorias criadas 
conforme a análise histórica, da qual compreende-se as seguintes modalidades: o Estado 
Absolutista, o Estado Liberal-Democrático, o Estado Totalitário e o Estado de Bem-Estar Social. 
a) Estado Absolutista: nessa modalidade, o monarca possui poderes absolutos, justificados 
pela centralização de poderes, que surgiu após a fragmentação dos feudos, mediante a concentração 
de poder dos territórios. Nesta modalidade, conforme os estudos filosóficos de Jean Bodin, Tomas 
Hobbes e Jean Jacques Rousseau, é que se considerou o conceito de soberania. 
b) Estado Liberal-Democrático: com a definição dos direitos civis e políticos, que rompeu com 
a condição absolutista dos monarcas, e posterior criação de um Parlamento e da regulamentação de 
Constituições, o Estado passou a ter uma nova forma de governança. O controle das ações 
monárquicas era realizado por Carta Magna. Como marco desse novo regime, a Bill of Rights e a 
Declaração da Independência americana foram as legislações, de modo diferenciado à época, que 
garantiram os direitos e as liberdades individuais, compondo o que hoje conhecemos como Estado 
Democrático de Direito. 
c) Estado Totalitário: compreende-se como Estado Totalitário aquele que, sob a justificativa de 
proteção dos direitos e liberdades individuais, concentra a gestão em uma pessoa ou em um grupo 
específico, tal como ocorreu na Alemanha de Hitler e na Itália de Mussolini. 
d) Estado de Bem-Estar Social: surge com a intenção de preencher a ausência estatal que os 
liberais-democráticos deixaram, pois, ao tutelar diversos direitos civis e políticos, esqueceram de 
direitos básicos e que são imprescindíveis, tais como o pleno emprego, a educação e a saúde. Nesta 
modalidade, o Estado aplica ações que garantam a implementação de projetos de ordem social, 
tratando isso como sendo uma política estatal. 
 
 
 
 
 
 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Declara%C3%A7%C3%A3o_de_Direitos_de_1689
10 
 
 
 
QUADRO SINÓTICO 8 
 
 
 
 
 
O Estado Brasileiro, desde o momento em que passou de uma importante colônia à capital do 
Reino, após a transferência da colônia portuguesa para o Brasil em 1808, justificada pela invasão de 
Napoleão Bonaparte, transitou por todas estas formas de Estado. O absolutismo foi experimentado 
no governo monárquico, que perdurou até o momento em que o Brasil se tornou República, em 1889. 
Até o período de expansão inicial da nova República, que vai até 1930, o Brasil experimentou 
aquele que seria a fase embrionária do Liberal-Republicano. Um período de grandes transformações, 
sobretudo numa nova forma de gestão até então não planejada nem sequer por aqueles que 
participaram da Proclamação da República. 
Durante a Era Vargas, considera-se que o Brasil, de uma certa forma, se aproximou do 
totalitarismo, na qual Getúlio Dornelles Vargas, ao defender a manutenção de um Estado Brasileiro 
distante do discurso comunista, mas que acabou tomando com mão de ferro as diretrizes do país, 
sufocando a oposição e as opiniões divergentes. 
Mesmo durante o período Vargas, houve um crescimento importante do país, com criação de 
empresas estatais nos ramos da siderurgia e petróleo. O Brasil passou por um período de 
desenvolvimento industrial e, consequentemente, de um endividamento sem precedentes. 
Como consectário de um ciclo de investimentos sem a devida previsão de uma austeridade 
econômica, restou aos governos do período pós-ditadura a estruturação econômica e social, de 
modo a permitir um desenvolvimento também calcado na estabilidade e na austeridade econômica. 
Podemos considerar, inclusive, que a Lei de Responsabilidade Fiscal também tem um papel de 
grande destaque e importância neste sentido. 
 
 
 
 
 
 
 
Estados: 
Modalidades
Absolutista
Liberal-
Democrático
Totalitário
Bem-estar Social
11 
 
UNIDADE III 
CAPÍTULO 11 – ELEIÇÕES E FORMA DE GOVERNO 
 
No término deste capítulo, você deverá saber: 
✓ Eleições e forma de governo 
 
11.1 Eleições e forma de governo 
A formação dos governos era definida conforme a peculiaridade de cada Estado. Segundoa 
classificação de Aristóteles, com base na concepção de que há que se estabelecer a forma de 
governo conforme quem está no poder, existe a seguinte dicotomia: a aristocracia é o governo de 
poucos e a democracia é o governo do povo. Para Nicolau Maquiavel, a sistemática é mudada para 
o contexto dos principados e das repúblicas, distinguindo-se pela figura que está sob poder: nos 
principados, é a realeza; já a república poderá ser aristocrática ou democrática. Por fim, Montesquieu 
estabeleceu novamente a análise sob três formas de governo: o republicano, formado por uma 
parcela do povo; a monarquia, a qual apenas uma pessoa governa, mediante um sistema legal 
preexistente e fixo; e, por fim, os déspotas, formados a partir de uma só vontade e sem qualquer 
responsabilidade quanto à obediência a leis e regras. 
Nos estados contemporâneos, há basicamente duas formas de governo: a República e a 
Monarquia. Estas duas formas de governo são as que se consolidaram através do tempo, sobretudo 
por sua funcionalidade. Entretanto, sabemos que muitas adaptações e melhorias foram efetuadas 
ao longo da história, fatos estes que inclusive o Brasil vivenciou, ao substituir a Monarquia pela 
República. 
A monarquia é uma das formas mais antigas, sendo que o fortalecimento do capitalismo foi 
um dos maiores responsáveis pela crise ocorrida e pelo fim de alguns sistemas monárquicos 
históricos, principalmente nas Monarquias absolutistas. Nos tempos atuais, muitas monarquias 
optaram pelo sistema em que há uma separação entre a representação do Estado e do Governo, 
sendo este último de atribuição do Gabinete de Ministros. 
 
QUADRO SINÓTICO 9 
 
 
Monarquia 
(características)
Vitaliciedade
Hereditariedade
Irresponsabilidade
12 
 
A República, por sua vez, tem uma estrutura distinta da monarquia: a soberania está no povo 
e não é concentrada em uma pessoa ou família. Há uma aproximação entre os conceitos da república 
e da democracia, pois as bases de ambos são: a participação popular, governantes com poder e 
tempo de governo limitados. Como antagonista da Monarquia, as características da República são 
uma antítese do que se apresentou no contexto anterior: 
 
QUADRO SINÓTICO 10 
 
 
 
No Estado republicano, o exercício do mandato eletivo é a expressão da vigência da norma 
eleitoral, consubstanciada na determinação de um período de mandato especificado, o que afasta 
este modelo do chamado Totalitarismo. O mandato eletivo deve ser respeitado, em seu prazo de 
validade, excetuadas as hipóteses legais de afastamento e impedimento ao cargo. 
As temáticas acerca do processo eleitoral têm, como nascedouro, o processo democrático de 
escolha dos representantes estatais. Como mencionado anteriormente, o Direito Eleitoral pertence 
ao Direito Público, na medida em que é o Estado quem deve apresentar todas as regras necessárias 
para que haja uma escolha de representantes pautada por critérios que se justifiquem e se evitem 
conflitos ou, que possa solucioná-los de maneira efetiva. 
Para a fiel execução do processo eleitoral é imprescindível que existam: 
1) Normas eleitorais preexistentes; 
2) Candidatos devidamente habilitados; 
3) Ministério Público Eleitoral; 
4) Justiça Eleitoral. 
 
Em especial, no que concerne às normas eleitorais, a preexistência considerada para a 
aplicação da norma numa determinada eleição obedecerá ao princípio da anualidade, razão pela 
qual uma determinada norma somente alcançará a sua aplicação no processo eleitoral vindouro se 
ela obedecer a regra de existência a um ano antes do pleito, conforme previsão do Artigo 16 da 
Constituição Federal. 
República 
(características)
Temporariedade
Eletividade
Responsabilidade
13 
 
Dentro do contexto da sociedade democrática, considera-se que a legitimidade de um governo 
está embasada na escolha popular e no consentimento de que aquele governo é o escolhido pela 
maioria. Há Estados que admitem apenas a escolha por intermédio de partidos políticos e outros, 
como ocorre nos Estados Unidos, que permitem o lançamento da candidatura de maneira 
independente. 
Neste contexto, o Direito Eleitoral possui uma dupla função: permitir que ocorra o efetivo 
exercício da capacidade eleitoral ativa, que consiste no exercício do direito de votar, assim como 
também no exercício da chamada legitimidade passiva, que consiste na possibilidade de ser votado. 
Outro aspecto de suma importância são as chamadas causas de inelegibilidade, que se 
referem à condição de ser candidato e exercer a sua condição de cidadão. Trata-se de uma tutela 
quanto a ações que influenciem o pleito utilizando-se do chamado abuso do poder econômico ou 
funcional. 
Por sua vez, o Direito Eleitoral tem o seu nascedouro na Constituição Federal e lhe confere 
estrita obediência. A Carta Magna contém as suas principais bases; é sua fonte primária. Além dela, 
também consideramos como fonte secundária as resoluções do Tribunal Superior Eleitoral, as 
legislações eleitorais, além das jurisprudências. 
Considera-se como formas de governo a estrutura organizacional de um Estado para qual ele 
exerce o seu poder perante a uma determinada sociedade. Conforme cada forma de governo, as 
eleições poderão ser limitadas ou ampliadas a todos os cargos. 
À exceção do Vaticano, que respeita a eleição do Sumo Pontífice, que, por seu turno, disporá 
de cargo de natureza vitalícia, as Monarquias geralmente possuem natureza hereditária. Contudo, 
no caso da monarquia parlamentarista, há uma escolha indireta do Primeiro Ministro. 
No caso das repúblicas presidencialistas, trata-se da forma de governo em que o sistema 
eletivo é mais efetivo, na medida em que são escolhidos os representantes dos Poderes Legislativo 
e Executivo, de modo a considerar a possibilidade de escolha e o critério para eleição conforme a 
norma eleitoral pré-definida. 
 
 
 
O processo eleitoral é o modo pelo qual, mediante a um estado democrático, se escolhe os representantes 
para determinadas funções de caráter público, transitório, remunerado e mediante a limitação de ações 
descritas pela Constituição Federal. 
Trata-se de um reflexo da democracia representativa, que define os representantes em obedecimento à 
soberania popular; os eleitos serão habilitados a representar o Estado nas respectivas esferas para as quais 
forem eleitos. 
 
 
 
 
 
 
14 
 
UNIDADE III 
CAPÍTULO 12 - SISTEMA ELEITORAL 
 
 
Introdução 
Compreende-se o sistema eleitoral como um conjunto de ações e procedimentos em que se definem 
as formas de apuração dos votos, sua contagem e agregação e a consequente conversão em 
mandato eletivo. 
O sistema eleitoral é definido por intermédio de uma legislação e a forma de decisão ocorre 
mediante o voto. É por meio de um processo, definido pela sistemática que está estruturada pela 
legislação eleitoral, que se define a escolha dos cargos públicos. 
A função do sistema eleitoral é organizar as eleições de modo que, do seu produto, possa se 
extrair os votos que serão convertidos em mandatos eletivos. Este sistema tem que ser estruturado 
de modo a dar confiabilidade, segurança e que a imparcialidade de todo este sistema possa ser 
manifestada de modo que estes mandatos concebidos por este pleito possam ser legitimados por 
todos os participantes. 
Embora este sistema, dentro do contexto democrático, tenha que estar em consonância com 
a legislação e com a Carta Magna, também sabemos que há contínuas mudança e atualização, que 
vem sendo elevadas no sistema legislativo conforme a necessidade de atualização, evolução e para 
redução de possíveis conflitos. 
O Direito Eleitoral comporta os seguintes sistemas eleitorais: o majoritário, o proporcional e o 
distrital misto. Dentre estes sistemas, apenas o sistema distrital misto não é aplicado no Brasil, 
embora haja uma antiga discussão acerca da necessidade de implementá-lo. 
 
QUADRO SINÓTICO 11 
 
 
 
Maurice Duverger, no anode 1951, criou algumas considerações acerca do sistema eleitoral, 
considerando as seguintes constatações: 
I. A sistemática eleitoral baseada na representação proporcional encaminha ao 
pluripartidarismo com partidos rígidos, estáveis e independentes; 
Sistemas 
Eleitorais
Majoritário
Proporcional
Distrital Distrital Misto
15 
 
II. Na sistemática da representação majoritária absoluta, aplicando-se um segundo turno, 
há uma tendência a um pluripartidarismo com eleições flexíveis, dependentes e 
relativamente estáveis; 
III. Por fim, o sistema de representação majoritária relativa, leva a um bipartidarismo 
formado por partidos grandes, independentes e que se alternam. 
 
Todas estas lógicas partem do aspecto sociológico, sob a análise dos grupos políticos 
formados a partir da estrutura partidária e dos efeitos jurídicos e políticos por elas geradas. Nota-se 
que esta formação é justamente a que vemos aplicar no sistema eleitoral brasileiro, onde se pode 
dividir também em três etapas: 
I. Eleições majoritárias entabuladas em um único turno; 
II. Eleições majoritárias entabuladas em dois turnos; 
III. Eleições aplicadas em fórmulas proporcionais. 
 
A ideia de estabelecimento de uma eleição em turno único consiste no fator psicológico do 
voto útil, considerando-se que se deve votar em quem aparentemente possua maiores chances de 
vitória, devendo-se afastar do voto por sentimentalismo, sendo esse um “voto perdido”. Tal lógica 
certamente encaminha a aplicação de um bipartidarismo, à medida em que se aplica o ideal de 
utilidade do voto, reservando-se os votos àqueles que possuem maiores chances na corrida eleitoral. 
Outro aspecto também tratado é a sistemática do voto majoritário em dois turnos que permite 
a concepção de um pluripartidarismo, flexibilizando as eleições, tornando-as dependentes e, de certo 
modo, estáveis. No primeiro turno, há uma maior liberdade de escolha, na qual se consegue uma 
maior possibilidade de vitória, sem necessariamente polarizar em uma disputa entre dois candidatos, 
fato este que necessariamente ocorre num segundo turno de votação, onde há uma polarização 
necessária entre dois postulantes. 
Por fim, esse sistema de representação majoritária relativa, formado por um bipartidarismo em 
que há alternância, retrata exatamente como funciona o sistema americano eleitoral, onde até se 
admite as candidaturas independentes, mas que não se compara a polarização entre os Democratas 
e os Republicanos. 
Este sistema, conhecido como as leis sociológicas de Duverger, é adotado em vários países, 
em especial, no Brasil, onde se pode constatar, por exemplo, a representação proporcional e o 
quadro multipartidário que, inclusive, está se acentuando com o passar dos anos com a criação de 
mais partidos políticos. O exemplo disso é que, nas Eleições de 1988, a formação da Câmara dos 
Deputados se deu por intermédio de 18 (dezoito) partidos políticos. No final de 2019, a Câmara dos 
Deputados era formada por 26 (vinte e seis) partidos políticos. Tais informações confirmam a 
fragmentação do sistema partidário brasileiro, afetando diretamente o sistema eleitoral. 
 
12.1 Evolução Histórica no Brasil 
Como relatado acima, a viga-mestra do sistema eleitoral é a Constituição Federal. Por consequência, 
a evolução constitucional está intimamente ligada à evolução histórica das eleições que, conforme 
as peculiaridades que são inerentes às épocas e aos momentos históricos, as Constituições sempre 
dispuseram sobre a matéria. 
16 
 
Quanto às legislações, considera-se que antes de 1822, com a independência de Portugal, 
nossas legislações se limitavam basicamente às Ordenações do Reino de 1603, que tinham o escopo 
de regular as escolhas dos Conselhos Municipais. Além dela, são consideradas como fontes 
eleitorais históricas o Alvará de 12 de novembro de 1611, que também regeu a questão eleitoral na 
época colonial. 
Com o estabelecimento de um novo Império, em 1822, o Brasil passou a produzir as suas 
próprias legislações. Destaca-se, neste caso, o Decreto de 26 de março de 1824, que travam sobre 
as eleições paroquiais, para o Senado, Câmara e Conselhos Provinciais. 
Na Constituição Imperial de 1824, consagraram-se as chamadas eleições indiretas para as 
funções de deputados e senadores, que formariam a Assembleia Geral e os Conselhos Gerais das 
Províncias. Definiu, também, quem poderia votar ou não nas chamadas Assembleias Paroquiais. 
Lembrando que, naquela Constituição Federal, a religião oficial era a Católica Apostólica Romana, 
ainda não se aplicando o contexto de estado laico atualmente utilizado. 
Em 1842, o Decreto nº. 157 aboliu a possibilidade de votação por intermédio de procuração. 
Em 1875, o Decreto nº, 2.675 instituiu o título eleitoral e fez reconhecer questões pertinentes a 
primeira e segunda fase do processo eleitoral. Por fim, em 1847, tratou-se sobre a modificação do 
processo eleitoral das Assembleias Legislativas Provinciais e das Câmaras de Vereadores, naquela 
que seria a última legislação imperial. 
Já a Constituição de 1891, que é a primeira em um contexto republicano, foi a primeira a 
prever o chamado “sufrágio direto da nação e maioria absoluta de votos”, para Presidente e Vice-
Presidente da República. 
No início do período republicano, a primeira lei que tratou sobre a matéria eleitoral foi a Lei 
35/1892, que estabeleceu os critérios de federalização das eleições. A Lei 1269/1904, conhecida 
com o Lei Rosa e Silva, revogou a Lei 35/1892 e estabeleceu regras para a apuração de votos, por 
intermédio das chamadas “Mesas Receptoras”, e é aplicável em alguns delitos de ordem eleitoral. 
Foi considerado um verdadeiro Código Eleitoral, mantendo-se em vigência até o 1930. 
O ano de 1932 foi o ano que marcou como o ano da inserção do primeiro Código Eleitoral, 
legislação elaborada com fins específicos de regular a normativa eleitoral. Trata-se do Decreto nº. 
21.076/1932. 
A Constituição de 1934, já sob o governo Vargas, inseriu em seu bojo a existência de um 
Código Eleitoral, que já havia sido criado dois anos antes (Decreto nº. 21.076/1932), inserindo 
inclusive a criação de um órgão judiciário especializado, a Justiça Eleitoral, criando-se uma 
competência privativa e a estruturação dos processos de eleições municipais, estaduais e federais, 
inclusive para os órgãos de representação profissional. Previu, também, as condições de 
inelegibilidades, o gozo dos direitos políticos e as condições de alistamento eleitoral. 
Com a Constituição de 1937, agora mediante a ditadura de Getúlio Vargas, houve um 
significativo retrocesso, com a extinção da Justiça Eleitoral, embora ainda previsse os direitos 
políticos, as inelegibilidades. Essa medida, a de extinção, foi reconsiderada em 1945, com o Decreto-
Lei nº. 7.586/45, que recriou a Justiça Eleitoral, inserindo-o como órgão autônomo do Poder 
Judiciário. 
As Constituições de 1946, 1967 e 1969 também mantiveram a Justiça Eleitoral, sob a órbita 
federal, sendo que a 1946 foi a que atribuiu à União a competência privativa para legislar sobre o 
tema eleitoral. 
17 
 
O Código Eleitoral de 1965, embora tenha sofrido alteração de diversos dispositivos, 
atualmente é o que rege o tema. 
A Constituição Cidadã de 1988, por fim, foi quem definitivamente estabeleceu o Direito 
Eleitoral dentro do contexto eleitoral, abrangendo-o em várias partes do seu texto. Aprofundou sobre 
o tema dos direitos políticos, regulando-o nos Artigos 14 a 16, dispôs sobre os Partidos Políticos no 
Artigo 17, além de manter a Justiça Eleitoral, como justiça especializada e de âmbito federal. 
Considera-se que os principais avanços que a legislação eleitoral sofreu, nos últimos anos, foi 
a informatização integral do processo eleitoral, que vai desde o registro da candidatura até a 
apuração e divulgação dos eleitos e habilitados. 
 
12.2 Sistema de Votação 
O sistema de votação consiste na forma como se procede aescolha de uma quantidade de opções 
existentes num determinado pleito baseando-se na quantidade de votos obtidos. Nesse cenário, a 
forma mais usual é a do uso do voto propriamente dito, que permite que os candidatos sejam 
escolhidos conforme a quantidade de votos nominais, seja diretamente, seja com base em uma 
fórmula legalmente estabelecida. 
Trata-se de um modo em que os cidadãos poderão depositar a sua demonstração de 
confiança em determinado candidato ou pauta defendida. As regras de votação dependem da 
formulação efetuada por cada Estado. Via de regra, opta-se pelo método da maioria dos votos, que 
considera a regra da metade mais um voto. 
Cada país se utiliza de um sistema de votação, que é fruto de um amadurecimento da 
sociedade em relação à realidade social de cada Estado. É a concepção do que se espera num 
determinado pleito. Há Estados que se utilizam, por exemplo, do momento eleitoral para analisarem 
determinadas questões de ordem social e econômica e criarem um planejamento de governo, em 
face dos anseios da sociedade e os problemas que eles apontam. 
Há sistemas de votação mais abrangentes que utilizam outros métodos de escolha da maioria. 
Essas formas vão desde o sistema prático de estipulação de voto em uma cédula de votação com 
vários candidatos, onde deve-se indicar apenas aquele que fora escolhido pelo votante ou o sistema 
de indicação de vários candidatos, como é o caso da votação por aprovação ou, até mesmo, a 
indicação do mesmo candidato mais de uma vez, tal como ocorre na votação cumulativa. Já na 
chamada votação por nota, o votante seleciona conforme uma escala de preferência. 
É sabido que há um empenho para que os sistemas de votação sejam efetivamente 
aprimorados, tais como ocorreram no Brasil em que, para o depósito do voto, o eleitor tem que efetuá-
lo mediante a digitação de uma combinação de números que corresponderão a um candidato, sem 
que isto possa fazer com que haja a revelação de quem, efetivamente, depositou aquele determinado 
voto, garantindo o sigilo do voto. 
Usualmente no Brasil, o método de votação em dois turnos já está estruturado de modo a ser 
utilizado conforme os critérios legais. Nas eleições do Poder Legislativo, utiliza-se apenas o critério 
da eleição em turno único. Contudo, no Poder Executivo a eleição em duplo turno será aplicada se 
o primeiro candidato não obtiver mais de 50% (cinquenta por cento) dos votos válidos, habilitando-
se os dois candidatos que tiverem a maior votação para uma nova rodada eleitoral. No caso das 
cidades, o critério é exatamente o mesmo. Entretanto, apenas haverá segundo turno nas cidades 
que tiverem mais de 250.000 eleitores. 
 
18 
 
12.3 Partidos Políticos 
A formação institucional da política, para fins de disputa de um governo ou de uma posição político-
legislativa, passa mediante o ajuntamento de pessoas por intermédio da criação dos partidos 
políticos. 
Segundo Max Weber, os partidos possuem um “fim deliberado, seja ele ‘objetivo’ como a 
realização de um plano com intuitos mateais ou ideais, seja ‘pessoal’, isto é, destinado a obter 
benefícios, poder e, consequentemente, glória para os chefes e sequazes, ou então voltado para 
todos esses objetivos conjuntamente”. 
Sob este contexto, considera-se que a finalidade associativa dos partidos, sob o escopo da 
reunião de ideias e objetivos que coadunem com o pensamento de disputa do poder político e as 
suas motivações, é o que justifica a criação dos partidos políticos. Sob o contexto da chamada 
“democracia representativa”, os partidos possuem papel de grande importância. 
A função do partido político é a aglutinação de pessoas que possuem o mesmo ideal e, dentro 
desta concordância de pensamentos, unem forças para colocar em prática o que entendem como 
sendo o melhor para o Estado. Não é uma entidade criada a partir de uma imposição, mas, sim, por 
intermédio de uma conscientização de uma determinada parcela da sociedade. Esta concepção de 
ideias pode ser motivada por vários aspectos: sociais, econômicos, filosóficos, religiosos, dentre 
outros. 
Historicamente, a formação embrionária do que hoje denominamos como partidos políticos 
surgiu entre os séculos XVII e XVIII, podendo ser destacado o ano de 1688, com a Revolução 
Gloriosa inglesa, em que as atividades se concentraram entre conservadores e liberais. Nos Estados 
Unidos, com o advento da independência, também houve uma cisão política entre os federalistas e 
os republicanos. Por fim, na Revolução Francesa, isso ocorreu entre jacobinos e girondinos. 
De fato, a formação propriamente dita iniciou-se apenas no século XIX. Até então, o que 
existiam eram os chamados grupos políticos. A formação foi, de uma certa forma, bastante incipiente, 
de modo que a criação dos partidos tinha fins duração específicos para aquele pleito eleitoral. 
Nos dias atuais, os partidos políticos são imprescindíveis no contexto democrático. Nos termos 
do Artigo 1º da Lei 9.096/95, “o partido político, pessoa jurídica de direito privado, destina-se a 
assegurar, no interesse do regime democrático, a autenticidade do sistema representativo e a 
defender os direitos fundamente ais definidos na Constituição Federal”. 
Consideram-se como características dos partidos políticos: 
a) São livres para serem criados, fundidos, incorporados ou extintos, desde que haja uma 
vinculação a preceitos legais; 
b) Devem preservar a soberania nacional; 
c) Devem respeitar o regime democrático; 
d) Devem respeitar o pluripartidarismo; 
e) Não podem receber doações de organizações estrangeiras; 
f) Devem prestar contas à Justiça Eleitoral; 
g) Devem ter caráter nacional; 
h) Não poderão ter fins paramilitares; 
i) Devem respeitar e obedecer aos seus respectivos Estatutos e os respectivos regramentos. 
19 
 
 
A Constituição Federal, em seu Artigo 17, tratou acerca da liberdade sobre a fundação dos 
partidos políticos, estabelecendo que se trata de um direito subjetivo de cidadania. A criação dos 
partidos políticos deve ser motivada pela reunião das classes sociais dentro do contexto da 
sociedade atual, dentro de um contexto de vontade popular. 
A sua forma de criação é complexa, sendo que, primeiramente, o processo se inicia com o 
registro do requerimento de criação do partido junto ao Cartório de Registro Civil de Pessoas 
Jurídicas da Capital Federal, devendo efetivar a sua criação também por intermédio da criação dos 
diretórios estaduais e municipais. Neste requerimento deverá constar quem serão os dirigentes 
provisórios. Após o registro para fim civil, o partido político deverá ser registrado em cada estado e, 
após isto, deverá ser registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral – TSE. 
Nesta etapa, há a possibilidade de requerimento de impugnação por qualquer filiado ou partido 
político. Após o registro junto ao TSE, o partido estará devidamente habilitado para efetuar o 
credenciamento dos delegados junto ao Juízo Eleitoral, perante o Tribunal Regional Eleitoral e, 
também no Tribunal Superior Eleitoral. Delegados representarão os partidos nos respectivos 
Tribunais. 
No Poder Legislativo, os partidos políticos serão concentrados em bancadas, conforme a 
orientação partidária e as respectivas normas regimentais de cada Casa de Leis. Sob esse contexto 
e mediante a forma de eleição sob o sistema proporcional, o mandato estará devidamente vinculado 
ao partido político ao qual aquele parlamentar estiver devidamente filiado. Os casos de infidelidade 
partidária, salvo algumas exceções, poderão ensejar a perda do mandato eletivo e a consequente 
assunção do respectivo suplente. 
Consideram-se exceção à regra da infidelidade partidária as ações da liderança do partido 
que estejam em conflito com a linha política ou programática do partido, a discriminação injustificada 
pela diretiva partidária, a criação de nova sigla partidária ou não concordar com a incorporação ou 
fusão com outra legenda.12.4 Coligações 
As Coligações partidárias são formações criadas a partir de uma união de esforços e cooperação 
entre partidos políticos que possuem a duração de um período eleitoral. A sua fundação não está 
condicionada à autorização da Justiça Eleitoral, bastando que seja aprovada nas suas respectivas 
convenções partidárias. 
A concepção de uma coligação partidária se dá com a articulação política entre a junção de 
planos de governo e a união de forças para a implementação de uma mesma pauta política. Os 
partidos coligados, a partir do momento em que se juntam, passam a versar sobre uma mesma causa 
e lutarão pelas mesmas políticas para a unidade federativa que disputarão. 
Destaca-se que a coligação é uma forma de junção de forças quando os partidos participantes, 
em um consenso, compreendem que a união será a melhor forma de terem mais chance de 
alcançarem êxito no pleito eleitoral. Essa união de forças trará um novo cenário político que, com a 
aglutinação de partidos, fará com que isso se considere como se fosse um partido mais forte e com 
um quadro mais robusto. Por conseguinte, isso leva, os apoiadores dos partidos coligados a 
aumentarem o quadro total de apoiadores para determinados candidatos, o que, se não fosse pela 
coligação, certamente não ocorreria. 
20 
 
Por muito tempo, as coligações foram parte importante do cenário político brasileiro. Muitas 
delas reuniam inúmeros partidos políticos, muitos deles sem expressão alguma. Com estas 
coligações partidárias, embora fosse possível que partidos inexpressivos pudessem eleger 
representantes, estas entidades dificilmente conseguiam representatividade. A falta de espaço 
quanto ao diálogo com outras legendas e, muitas vezes, até mesmo com aqueles que outrora 
estiveram coligados eram grandes dificultadores para que estes partidos ganhassem mais espaço. 
Diante da ineficiência das coligações, principalmente no âmbito do legislativo nas eleições em 
que o sistema de votação é o proporcional, a Emenda Constitucional nº. 97 de 2017 limitou as 
coligações para as eleições majoritárias, estipulando a vedação para as eleições proporcionais no 
Artigo 17, §1º, da Constituição Federal, sob o texto da emenda acima descrita. 
Considera-se que a aprovação da referida EC nº. 97/2017 demandará um novo planejamento, 
fazendo com que os partidos políticos tenham que se reestruturar, fortalecendo os seus quadros para 
que o fim das coligações proporcionais possa ter o mínimo de impacto, a começar pelas Eleições 
Municipais de 2020, que será a primeira que ocorrerá sob esta nova regra. 
Destaca-se que a limitação das coligações apenas na hipótese da candidatura majoritária, 
que será em 2020 para Prefeito Municipal, limitará os partidos quanto aos quadros do legislativo, 
fazendo com que os partidos tenham a obrigação de reforçar os seus quadros para que tenham 
condições de lançar candidatos aptos a atingir uma votação que permita alcançar o coeficiente 
eleitoral para a eleição do máximo de representantes possíveis. Por outro lado, o que poderá ocorrer 
é a pulverização das vagas no Legislativo para vários partidos, o que fará com que a base de apoio 
do Executivo se torne ainda menor, fato este que exigirá uma articulação política ainda maior por 
parte dos Prefeitos Municipais. 
Os partidos políticos terão que sobreviver ao tornar-se mais forte ou com mais condições para 
se manter, com destaque e com serviço prestado. Isto fará com que os partidos, se conseguirem 
sobreviver, saiam ainda mais fortalecidos. Outro caminho que alguns partidos poderão escolher é a 
fusão ou incorporação, que tem basicamente a mesma concepção da coligação; no entanto, ela 
possui um caráter não transitório. 
 
12.5 Mandato 
O mandato eletivo é exercido como forma de afirmação da soberania popular, princípio fundamental 
do Estado Democrático de Direito. É a consequência da escolha popular, mediante o sufrágio 
universal e do voto direto, secreto e igualitário. 
O mandato pertence ao povo e o exercício deste poder é depositado mediante o voto 
depositado e a consequente habilitação para o exercício do mandato eletivo. Trata-se de uma 
demonstração de confiança, boa-fé e aceitação da pauta defendida por um determinado postulante 
a cargo eletivo. 
Não há como tratarmos sobre este tema e não nos remetermos ao Artigo 1º da nossa 
Constituição Federal, que estabelece que o poder emana do povo, por intermédio de seus 
representantes eleitos ou diretamente. O nascedouro dos mandatos eletivos é justamente o primeiro 
artigo da nossa Carta Magna, que estabelece quem é o detentor do poder: o povo. 
Segundo o glossário eleitoral brasileiro, trata-se do “exercício das prerrogativas e o 
cumprimento de determinados cargos por um período legalmente determinado. A habilitação para 
investidura e posse no cargo eletivo se efetiva pela vitória em uma eleição”. 
 
http://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2019/Abril/glossario-eleitoral-explica-o-que-e-mandato-eletivo-plebiscito-e-referendo
21 
 
QUADRO SINÓTICO 12 
 
 
 
A habilitação concedida pela Justiça Eleitoral se dá por intermédio da diplomação, que é um 
ato administrativo formal, em que se atesta quem são os candidatos eleitos e seus respectivos 
suplentes, com a entrega do diploma devidamente assinado pelo Juiz Eleitoral. A Diplomação 
permite, inclusive, que o eleito possa exercer as funções para as quais fora eleito, mesmo que 
existam recursos pendentes de julgamento. Esse ato, embora formal, independe da presença do 
eleito na solenidade para se efetivar, assim como o recebimento do diploma também não é 
indispensável para que o ato surta os efeitos legalmente previstos. O ato de diplomação é a última 
fase do processo eleitoral sob o contexto administrativo. 
A representação do povo, nos termos do artigo precitado, se dá por intermédio dos mandatos 
eletivos e essa é a forma de representação do povo, por intermédio de representantes que são eleitos 
para este fim. Trata-se do exercício temporário das funções temporárias de um cargo de agente 
político. 
O mandato deve ser exercido durante o período legalmente previsto para este fim, sendo que 
a fixação de quem exercerá o mandato obedecerá aos trâmites pertinentes ao processo eleitoral 
destinado a eleger os representantes, seja para o Poder Legislativo ou Executivo nos âmbitos da 
União, Estados, Distrito Federal e Município. 
O tempo de mandato eletivo no Brasil, geralmente, é de quatro anos. A única exceção a essa 
regra é o mandato do Senador, que é de oito anos. No Poder Executivo, a recondução do exercício 
da função política, que é precedida da reeleição ao cargo ocupado, poderá ocorrer apenas em uma 
oportunidade, fato este que não ocorre no Legislativo, pois não há limitação de reconduções ao 
mandato para os Vereadores, Deputados e Senadores. Para essas funções, o exercente receberá 
um subsídio previamente fixado em lei. 
 
 
 
 
 
Mandato Eletivo 
(características)
Prerrogativa condicionada à 
habilitação concedida pela 
Justiça Eleitoral
Temporário
Intransferível
Inamovibilidade
22 
 
 
 
Se tratamos sobre o mandato eletivo e o seu efetivo cumprimento, é imprescindível que saibamos quais as 
possibilidades da perda dos mandatos e das respectivas funções públicas, que poderá ocorrer mediante a 
duas possibilidades: a cassação e a extinção, sendo que esta última poderá ocorrer mediante renúncia, morte, 
perda da capacidade civil mediante interdição, abandono das funções e aquisição, mediante naturalização 
voluntária, de outra nacionalidade e a consequente perda da nacionalidade brasileira. Declarada a vacância 
do cargo, deverá ser efetivada a convocação do suplente ou do vice, a depender do cargo a ser exercido. 
 
A diplomação tem grande relevância, sob o aspecto processual, pois há prazos que se iniciam e que terminam, 
para fins processuais, tomando por base a data da diplomação, por exemplo, a diplomação poderá ser 
impugnada porintermédio da Ação de Investigação Judicial – AIJE, podendo ser proposta até a data de 
celebração deste ato, em face ao candidato eleito, nos termos do Artigo 22 da Lei Complementar nº. 64/1990. 
Também poderá ser proposto, no prazo de três dias após a data da diplomação, o Recurso Contra a Expedição 
de Diploma – RCED, nos termos do Artigo 262 do Código Eleitoral. 
 
12.6 Espécies de sistema de votação 
O sistema de votação é o método adotado para fins de eleição de representantes e de governantes. 
Este método é legalmente previsto e poderá haver diferenças, conforme o cargo envolvido. 
A aplicação destes métodos é de prerrogativa da Justiça Eleitoral, que o fará de modo 
informatizado, conforme determina a lei eleitoral. A Constituição Federal, no Artigo 17, estabelece 
dois sistemas: as eleições proporcionais, que são aplicadas exclusivamente para o Poder 
Legislativo, excetuado o Senado Federal; e as eleições majoritárias, aplicáveis ao Poder Executivo 
e ao Senado Federal. 
A regra do Artigo 14 da Constituição Federal estabelece que o exercício da soberania popular 
se dá por meio do sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos. O 
sistema de votação é quem define a forma pelo qual o voto será considerado. 
Dentro do contexto do sufrágio acima descrito é bom que seja estabelecido alguns critérios 
quanto ao voto no Brasil. Considera-se obrigatório o voto para o cidadão maior de 18 (dezoito) anos 
e menor de 70 (setenta) anos. Já os analfabetos, maiores de 70 (setenta) anos e os maiores de 16 
(dezesseis) anos e menores de 18 (dezoito) anos, o voto é facultativo. 
 
QUADRO SINÓTICO 13 
 
 
Voto
Obrigatório
+ de 18 Anos
- de 70 anos
Facultativo
+ de 16 Anos e -de 
18 Anos
+ de 70 Anos
Analfabetos
23 
 
Quanto às candidaturas, é imprescindível que a filiação partidária tenha ocorrido no prazo 
mínimo de 06 (seis) meses antes do pleito, que o candidato tenha a nacionalidade brasileira, que 
seja alfabetizado, que esteja quites com o alistamento militar, tenha domicílio eleitoral no território da 
eleição, atenda aos critérios de idade mínima que são definidos em lei e não esteja sob suspensão 
ou perda dos direitos políticos. As Coligações apenas poderão ser efetuadas para as eleições 
majoritárias, sendo vedadas as coligações nas eleições proporcionais. Essa regra valerá a partir das 
eleições municipais de 2020. 
Nos dias atuais, o Brasil adota o método de informatização do voto e do processamento dos 
dados eleitorais. Este processo de informatização iniciou-se em 1986, em que se efetivou o 
recadastramento de aproximadamente 70 milhões de eleitores. Para uma época em que a 
informatização ainda era bastante tímida e a Internet era incipiente, esses atos foram avanços 
significativos para a estruturação do sistema eletrônico de votação e apuração que conhecemos 
atualmente. O Tribunal Superior Eleitoral investiu recursos humanos e financeiros para que as 
eleições pudessem se tornar um ato célere, confiável e seguro. 
Em 1994, o Tribunal Superior Eleitoral passou a contabilizar os votos das eleições por meio 
de computadores centrais. Isso facilitou a contabilização dos votos, conferindo mais agilidade à 
divulgação dos resultados. 
Em 1996, esse processo foi utilizado pela primeira vez, nas eleições municipais no Rio de 
Janeiro. Foi, de uma certa forma, uma pequena demonstração do que seria a implementação da urna 
eletrônica em larga escala, antes de ser aprimorada sua forma de uso. 
Em 1998, nas eleições nacionais e estaduais, a urna eletrônica foi utilizada por dois terços 
dos eleitores da época. Por fim, a partir de 2006, a totalidade dos eleitores já tinham acesso ao voto 
por intermédio da urna eletrônica. 
Não há dúvidas que a urna eletrônica trouxe rapidez ao processo eleitoral, fazendo com que 
o sistema de votação pudesse ser aplicado de modo mais eficiente e dinâmico, reduzindo a espera 
pelos resultados das eleições a apenas poucas horas, o que antes levava dias para a sua finalização. 
 
12.7 Quociente Eleitoral 
Para se conhecer os eleitos, no Poder Legislativo sob a forma de eleição proporcional, é 
imprescindível conhecer como é concebida a eleição destes novos representantes. Tal forma de 
eleição, que difere para o Poder Executivo, sempre causa muitas dúvidas e, principalmente, 
questionamentos quanto aos critérios e métodos utilizados para se chegar ao eleito. 
 Quando tratamos sobre quociente eleitoral, nos referimos a formas aritméticas, equações 
matemáticas que transformarão a quantidade de cadeiras disponíveis para aquela determinada Casa 
Legislativa, juntamente com a quantidade de votos e convertê-los em mandatos eletivos. Serão estes 
procedimentos que estabelecerão o encerramento de uma das fases do processo eleitoral e 
determinarão os representantes. Esta técnica é adotada no Brasil desde o ano de 1932. Considera-
se que esta forma, de uma certa forma, privilegia os partidos de maior expressão, dado o fato de que 
as chamadas sobras fazem com que estes partidos sejam mais privilegiados, com uma quantidade 
maior de cadeiras restantes. 
O quociente eleitoral é um reflexo do trabalho do jurista belga Victor D´Hondt, que considerou 
o método a partir de uma forma matemática, criada para efetuar o cálculo da distribuição dos 
mandatos por intermédio de listas. O método utilizado toma por base a forma de atribuição dos 
mandatos de modo que a proporção de votos recebida pela lista de candidatos seja considerado, 
24 
 
fazendo com que os candidatos com menor probabilidade de eleição tenham chance, numa situação 
clara de que se não fosse por este meio, talvez não conseguisse ser eleito. 
Alguns fenômenos eleitorais de votação, como ocorreram nos casos dos Deputados Federal 
Enéas Carneiro (PRONA/SP) e Tiririca (PR/SP), fizeram com que vários outros candidatos, dos 
mesmos partidos e que tiveram votações ínfimas, sob o critério da proporcionalidade, fossem eleitos. 
O outro método, não aplicado no Brasil, mas que apresenta certa similaridade com o método 
acima descrito, é o Método de Sainte-Lagüe, criado pelo matemático André Sainte-Lagüe. Por este 
método, deve ser considerada as mesmas bases que o Método D´Hondt, considerando-se que a 
somatória de votos recebidos pelo partido deve ser dividida sucessivamente por números ímpares. 
O Brasil, atualmente, utiliza-se do método D´Hondt e do Método de Jefferson, que se utiliza das 
mesmas bases. 
Para tanto, é imprescindível que se conheçam os chamados quocientes eleitoral (QE) e 
partidário (QP). O resultado dessa operação determinará aqueles que serão considerados eleitos ou 
suplentes. 
O quociente eleitoral pode ser considerado a partir do somatório dos votos considerados 
válidos, que são aqueles exercidos pela indicação de uma legenda (voto de legenda) ou da indicação 
de um candidato específico (voto nominal), além da exclusão dos votos considerados brancos e dos 
nulos. A soma destes valores deve ser dividida pela quantidade de cadeiras existentes. 
Já o chamado quociente partidário deve ser levado em consideração a partir da quantidade 
de votos válidos que o partido obteve, devendo ser dividido pelo quociente eleitoral. A quantidade de 
cadeiras a serem preenchidas é justamente o resultado desta conta. 
Também devemos considerar a chamada cláusula de barreira, que consiste na forma que 
deve ser aplicada, após a constatação do quociente partidário, em que serão subtraídas do partido 
as cadeiras dos candidatos que, em tese, não possuam no mínimo 10% do quociente eleitoral. As 
cadeiras que são retiradas do partido formaram uma parcela de cadeiras que serão realocadas por 
meio de uma nova etapa, na qual serão considerados os cálculos de média. 
Esta fórmula tem a função de evitar que determinados candidatos, na sombra de outro 
postulante que é considerado como o “puxador de votos” seja eleito com uma quantidade ínfima de 
votos. O Artigo 108 do Código Eleitoralestipula que “estarão eleitos, entre os candidatos os 
candidatos registrados por um partido ou coligação que tenham obtido votos em número igual ou 
superior a 10% (dez por cento) do quociente eleitoral, tantos quantos o respectivo quociente 
partidário indicar, na ordem da votação nominal que cada um tenha recebido”. 
Os votos de legenda e nominal possuíam uma grande interferência sob o contexto da 
coligação proporcional. Contudo, após a EC 97/2017, essa realidade mudou. As coligações 
proporcionais estão proibidas e isto mudará consideravelmente o cenário político, pois demandará 
uma restruturação dos quadros partidários de modo a dependem apenas da quantidade de votos 
nominais e de legenda que conseguir ter. 
Tanto a impossibilidade das coligações proporcionais quanto a estipulação da cláusula de 
barreira farão com que os partidos se atentem melhor à forma com que eles montarão os quadros 
de candidatos, o que será refletido diretamente nas convenções partidárias. 
 
12.8 Voto Proporcional 
O método do voto proporcional é utilizado no Brasil para as eleições proporcionais, nas quais a 
representação política ocorre por distribuição proporcional entre os partidos políticos. Toma-se, por 
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base, a quantidade de votos obtidos e a quantidade de votos do partido. Esse método é utilizado 
para a eleição dos candidatos do Poder Legislativo, mais especificamente para os Deputados 
Federais, Estaduais, Distritais e os Vereadores. Consideram-se eleitos aqueles que possuírem, em 
ordem sucessiva, a maior quantidade de votos até o limite que um determinado partido conseguir. 
O Código Eleitoral estabelece, entre os Artigos 105 a 113, a forma do voto proporcional e qual 
a sua aplicação. Considera-se que a forma de aplicação parte do número de vagas existentes com 
base no quociente partidário que toma por referência a quantidade de votos válidos que o partido 
obteve, devendo ser dividido pelo quociente eleitoral. A quantidade de cadeiras a serem preenchidas 
é justamente o resultado desta conta. 
A chamada representação proporcional pode considerar o método da lista aberta, tal como é 
utilizada no Brasil atualmente, ou mediante a uma lista fechada previamente estabelecida pelo 
partido político. Outro método também utilizado é a lista mista, que utiliza elemento de ambos os 
métodos. Esse método de votação considera a eleição de uma certa quantidade de representantes, 
pois é o método em que se obtém, pela soma de votos gerais entre os candidatos da legenda, 
absorvendo a maior quantidade de votos válidos. 
Os defensores deste sistema consideram que, pelo sistema proporcional, a possibilidade de 
o cidadão considerar estar sendo representado é considerável, visto que os partidos que recebem a 
maior quantidade de votos são justamente aqueles que possuem maior inserção nos grupos sociais, 
sobretudo aqueles considerados minoritários. Portanto, um partido que não possua um considerável 
respaldo da população dificilmente conseguirá êxito num pleito eleitoral. De certo modo, há uma 
consideração que merece destaque: muitas vezes, a quantidade de votos que uma determinada 
legenda consegue obter está embasada justamente no desempenho daqueles candidatos que são 
considerados “puxadores de votos” e, não necessariamente reflete a realidade de que uma 
determinada legenda faça o que aquele candidato, aglutinador de votos, consegue fazer e com certa 
eficiência, utilizando-se do seu próprio nome e, por ricochete, atingindo a sua legenda partidária. 
Contudo, os que criticam este sistema, consideram que ele pode, de uma certa forma, ensejar 
a falta de eficiência das ações governamentais pela pulverização das responsabilidades, por conta 
de não haver uma homogeneidade na representação e na participação dos legisladores, que acabam 
formando várias correntes de pensamento, o que dificulta uma uniformização do pensamento, e traz 
uma certa dificuldade na discussão de determinadas pautas. Cabe, neste caso, também, fazer uma 
ressalva: a pulverização das opiniões é absolutamente saudável, pois, em uma democracia, a 
convivência entre várias formas de opinião é um atributo que não pode ser dispensado, ignorado ou 
considerado um equívoco. 
Outro fato também relevante é que as pautas possuem apoio ou desagravo a depender do 
seu conteúdo e não necessariamente pela inclinação filosófica ou política de determinada 
agremiação, o que se torna ainda mais evidente ante a quantidade de partidos que o Brasil tem. Os 
partidos não são necessariamente criados com base em uma filosofia, mas, sim, por opiniões ou a 
aglutinação de determinadas pessoas que apoiam uma determinada pauta, porém com sérias 
dificuldades de dialogar sobre assuntos que não estejam naquele rol de reivindicações partidárias. 
 
12.9 Voto Distrital 
Trata-se de um sistema eleitoral em que se considera a chamada maioria simples. Nesse sistema, 
os candidatos são eleitos de modo individual e mediante à sua localização geográfica, que é 
determinada legal e previamente. Os partidos, por sua vez, são setorizados conforme a quantidade 
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de distritos eleitorais previstos em lei, aos quais serão eleitos para o Poder Legislativo, para 
representar aquela determinada área. 
Trata-se de um método em que se considera a maioria simples de votos. Os membros de um 
determinado parlamento são eleitos conforme a separação efetuada, mediante o estabelecimento de 
distritos eleitorais, que são geográficas regionalizadas, definidos conforme a quantidade de 
população existente. 
O Brasil, por sua vez, nunca adotou este sistema, embora existam defensores deste sistema, 
que o justifica dado o fato de que o Brasil é um país demograficamente gigante, e que há inúmeras 
comunidades e regiões não efetivamente representadas. A possibilidade de estruturação dos 
distritos eleitorais faria com que ocorresse uma aproximação das regiões. Assim, o reconhecimento 
do parlamento quanto às necessidades regionais e o retorno das providências de modo mais rápido, 
faria com que algumas populações, historicamente esquecidas, pudessem ser definitivamente 
enxergadas pelo Estado. 
Considera-se que a fórmula apresentada pelo sistema de distritos faz, por outro lado, com que 
haja uma pulverização das cadeiras do parlamento, de modo que as representações partidárias se 
tornem menos influentes do que as representações distritais. A divisão de vagas específicas para 
determinadas regiões pode levar a uma desmobilização partidária em determinadas agremiações. 
Com isso, os eleitores de regiões menos influentes poderão focar as suas campanhas apenas nos 
candidatos distritais. 
A partir do momento em que uma determinada Cidade ou Estado é particionada em distritos 
eleitorais, a necessidade será de que um determinado partido apenas poderá lançar um candidato 
por distrito. Tal situação é imprescindível para que a chamada pulverização de votos influencie de 
maneira negativa na quantidade de votos em um determinado distrito, fazendo com que tal postura 
acarrete o fortalecimento de um candidato de outro partido. 
Diante da forma estipulada, o sistema de votação embasado na fixação de distritos eleitorais 
poderá ser efetuado de maneira simples ou pela maioria absoluta. Serão realizados dois turnos de 
votação. Ademais, o voto distrital também poderá ocorrer de maneira mista, em que esta forma de 
votação também considera a utilização de outro método de votação e que são utilizados de maneira 
conjunta. 
O voto distrital também permite a redução das despesas eleitorais, visto que o foco dos 
candidatos se limita especificamente ao distrito em que ele é candidato. 
 
12.10 Voto Distrital Misto 
O voto distrital misto é considerado como junção do voto proporcional e do voto majoritário. Por esse 
sistema, considera-se a aplicação de dois votos, sendo o primeiro para o candidato especificamente 
de um distrito e outro voto especificamente para o partido político. O voto encaminhado

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