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53 194. (SANTA CASA/2018) Um medo assombrou a se- gunda metade do século XVIII: o espaço escuro, o ante- paro da escuridão que impede a total visibilidade das coisas, das pessoas, das verdades. Dissolver os frag- mentos de noite que se opõem à luz, fazer com que não haja mais espaço escuro na sociedade, demolir estas câmaras obscuras onde se fomentam o arbitrário polí- tico, os caprichos da monarquia, as superstições religi- osas, os complôs dos tiranos e dos padres, as ilusões da ignorância, as epidemias. (Michel Foucault. Microfísica do poder, 1988.) No pensamento iluminista do século XVIII europeu, a “escuridão” mencionada no texto é frequentemente as- sociada a) às revoltas populares e à defesa da igualdade social. b) ao poder da Igreja e ao absolutismo monárquico. c) ao crescimento do banditismo e à decadência da aristo- cracia. d) ao avanço do liberalismo e à crise da produção industrial. e) à ascensão burguesa e às críticas à Igreja católica. 195. (UNESP/2017) O alvo dos ataques extremistas é o Iluminismo. E a melhor defesa é o próprio Iluminismo. “Por mais que seus valores estejam sendo atacados por elementos como os fundamentalistas americanos e o islamismo radical, isto é, pela religião organizada, o Iluminismo continua sendo a força intelectual e cultural dominante no Ocidente. O Iluminismo continua ofere- cendo uma arma contra o fanatismo”. Estas palavras do historiador britânico Anthony Pagden chegam em um momento em que algumas forças insistem em dinami- tar a herança do Século das Luzes. “O Iluminismo é um projeto importante e em incessante evolução. Proporci- ona uma imagem de um mundo capaz tanto de alcançar certo grau de universalidade quanto de libertar-se das restrições do tipo de normas morais oferecidas pelas comunidades religiosas e suas análogas ideologias lai- cas: o comunismo, o fascismo e, agora, inclusive, o co- munitarismo”, afirma Pagden. (Winston Manrique Sabogal. “‘O Iluminismo continua oferecendo uma arma contra o fanatismo’”. www.unisinos.br. Adaptado.) No texto, o Iluminismo é entendido como a) um impulso intelectual propagador de ideologias políticas e religiosas contrárias à hegemonia do Ocidente. b) um movimento filosófico e intelectual de valorização da razão, da liberdade e da autonomia, restrito ao século XVIII. c) uma tendência de pensamento legitimadora do domínio colonialista e imperialista exercido pelas nações europeias. d) um projeto intelectual eurocêntrico baseado em imagens de mundo dotadas de universalidade teológica. e) uma experiência intelectual racional e emancipadora, de origem europeia, porém passível de universalização. 196. (Uni-FaceF SP/2017) No plano político restou-nos principalmente a vertente autoritária do Iluminismo, sempre distante e hostil à participação popular, tão eli- tista hoje quanto o eram à sua época os nossos tão fa- miliares “déspotas esclarecidos”. De fato, como desig- nar, na atualidade, senão como manifestações “ilumi- nistas”, as formas iluminadas de que se revestem tan- tas ditaduras e líderes carismáticos, tantas elites tecno- cráticas e partidos que se proclamam, todos eles, do- nos exclusivos da verdade, ou seja, do que é melhor para todos? (Francisco J. Calazans Falcon apud Fausto Henrique Gomes No- gueira e Marcos Alexandre Capellari (orgs.). Ser protagonista, 2010.) No trecho, o autor avalia que, em termos políticos, a) o espólio iluminista predominante é a legitimação do exercício do poder com base em uma verdade revelada pela religião. b) a contribuição iluminista essencial é a divisão dos pode- res e a formulação de um contrato social. c) o patrimônio iluminista mais relevante é a formação de governos baseados no poder hereditário. d) o mais importante legado iluminista é a consolidação de democracias participativas. e) a principal herança iluminista é conservadora e contrária à concretização da soberania popular. 197. (Inst. Superior de Tecn. Aplicada CE/2017) Em re- lação ao movimento iluminista que se expandiu na Eu- ropa no século XVIII, é correto afirmar que ele a) contribuiu para o estabelecimento das primeiras leis de proteção ao trabalhador, no processo da Primeira Revolu- ção Industrial. b) consolidou o Estado democrático, com o estabeleci- mento de eleições diretas e do sufrágio secreto e universal, pela Revolução Gloriosa. c) possibilitou a expansão da diplomacia, levando ao desa- parecimento dos conflitos armados por disputas territoriais. d) influenciou as revoluções de caráter burguês na França, contribuindo para a supressão do Antigo Regime. e) estabeleceu os princípios socialistas no processo das re- voluções liberais de 1820 e 1830, ampliando dos direitos sociais. 198. (PUCCamp SP/2017) Os enciclopedistas constituí- ram uma pequena elite de letrados e de técnicos, liga- dos à vida material como elementos de ponta do pro- gresso econômico e também estreitamente vinculados ao aparato estatal, o qual se esforçaram por tornar me- lhor e mais racional. (...) Por toda a parte na Europa das Luzes, encontramos esta pretensão e esta vontade [dos filósofos] de pôr-se à testa e na direção da sociedade. (VENTURI, Franco. Utopia e reforma no Iluminismo. Bauru: Edusc, 2003, p. 44, 239-240) A elite intelectual a que o texto se refere foi responsável pela organização e publicação do mais importante veí- culo de divulgação das ideias do Iluminismo, no século XVIII: a Enciclopédia. Essa obra de inspiração raciona- lista, a) defendia a teoria de que a economia deveria funcionar por suas próprias leis e na eliminação da intervenção do Estado sobre os negócios comerciais que entravava as aduanas internas. b) estabelecia a tese segundo a qual as estruturas sociais eram determinadas pelas circunstâncias ambientais e pela liberdade como direito incontestável de todos os homens da época. c) afirmava que a única esperança de garantir os direitos de cada um seria ceder todos esses direitos à comunidade civil para que a governasse de acordo com as ideias dos filóso- fos iluministas.