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Prévia do material em texto

LEGISLAÇÃO CIVIL
APLICADA II
Silvia Cristina 
da Silva
Revisão técnica:
Gustavo da Silva Santanna 
Bacharel em Direito
Especialista em Direito Ambiental Nacional e Internacional 
e em Direito Público
Mestre em Direito
Professor em cursos de graduação e pós-graduação em Direito
Miguel do Nascimento Costa
Bacharel em Ciências Sociais 
Especialista em Processo Civil
Mestre em Direito Público
 
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin - CRB -10/2147
L514 Legislação civil aplicada II / Fabiana Hundertmarck Leal... [et
al.] ; [revisão técnica: Gustavo da Silva Santanna, 
Miguel do Nascimento Costa]. – Porto Alegre: SAGAH, 
2018.
380 p. : il. ; 22,5 cm
ISBN 978-85-9502-428-1
1. Direito civil. I. Leal, Fabiana Hundertmarck. 
CDU 347
Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 2 22/05/2018 13:31:12
Da posse
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Analisar as formas de aquisição, transmissão e extinção da posse, as 
suas teorias e modalidades.
  Explicar os efeitos materiais e processuais da posse.
  Classificar as espécies da posse.
Introdução
O artigo 1.196 do Código Civil de 2002 dispõe que se considera possuidor 
todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos 
poderes inerentes à propriedade (BRASIL, 2002). A posse é uma matéria 
bastante controversa no Direito Civil, mas ao longo dos anos foi salvaguar-
dada pelo Direito, em nome do interesse social e da manutenção da paz.
Neste capítulo, você vai analisar as formas de aquisição, transmissão 
e extinção da posse, bem como suas teorias justificantes. Você também 
vai aprender os efeitos materiais e processuais da posse e explorar as 
suas espécies.
Generalidades da posse
A posse é considerada um dos temas mais controversos do Direito Civil. No 
ordenamento jurídico brasileiro, a posse está disciplinada no Código Civil 
de 2002, nos arts. 1.196 a 1.224. De acordo com o artigo 1.196, “considera-se 
possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum 
dos poderes inerentes à propriedade” (BRASIL, 2002, documento on-line).
Coelho (2012, p. 12), por sua vez, define que:
[...] posse é o exercício de fato de um ou mais poderes característicos do direito 
de propriedade. [...] Quem titula a posse de algum bem age, assim, tal como 
seu proprietário. O possuidor pode ser, e muitas vezes é, também o titular do 
Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 279 22/05/2018 13:31:52
direito de propriedade. Mas, mesmo não sendo o proprietário, o possuidor 
tem certos direitos tutelados pela ordem jurídica. Aliás, ele está protegido, 
em alguns casos, até mesmo contra o proprietário.
Assim, existe a proteção da posse quando esta corresponder ao direito de 
propriedade; mas também é conferida proteção quando se tratar de figura 
autônoma e independente do título. Com esse escopo, são dois os fundamentos 
da posse: o jus possessionis e o jus possidendi. 
O jus possessionis (posse formal) deriva da posse autônoma e independente 
de título. Gonçalves (2012) explica que este é o direito baseado no fato da 
posse, de modo que o possuidor fica protegido contra terceiros e contra o 
próprio proprietário, situação que só mudará pelas vias ordinárias.
É importante compreender que a tutela da posse está calcada no princípio 
fundamental da inércia (OLIVEIRA ASCENSÃO apud GONÇALVES, 
2012); ou seja, mantém-se tudo como está para evitar desgastes desneces-
sários, de modo que, quando alguém exerce poderes sobre algo, a aparente 
titularidade enseja a permissão jurídica para que assim continue aparentando, 
sem maiores justificações.
O outro fundamento da posse é, justamente, o que requer o título devi-
damente transcrito, o chamado jus possidendi (posse causal). O possuidor 
se encontra em uma situação na qual, de fato, aparenta ser o proprietário. 
Na maioria das vezes, o possuidor é realmente o proprietário — revelando 
que a inércia é a forma mais adequada de se buscar saber quem é o titular. 
Entretanto, pode acontecer de o possuidor não ser o proprietário; aí surgem 
duas possibilidades:
  se o titular não reivindicar a sua propriedade, a inércia acabará por 
garantir ao possuidor o direito à aquisição da coisa possuída por meio 
da usucapião;
  o titular reclama pela entrega da coisa possuída por outra pessoa, 
valendo-se dos meios judiciais para reivindicar, por meio de uma ação 
de reintegração de posse, por exemplo.
Em suma, a lei socorre a posse enquanto o direito do proprietário não des-
fizer esse estado de coisas e o sobrelevar como dominante. O jus possessionis 
persevera até que o jus possidendio extinga (GONÇALVES, 2012).
A fim de explicar o conceito de posse enquanto direito, a doutrina se divide 
em dois grupos de teorias principais, as subjetivas e as objetivas.
Da posse280 Da posse280
Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 280 22/05/2018 13:31:52
A teoria subjetiva se baseia nos estudos promovidos por Savigny, segundo 
o qual devem ser levados em consideração dois elementos quando se fala em 
posse: o corpus e o animus. Corpus é o elemento objetivo que tem a ver com 
a detenção física da coisa; já animus diz respeito à componente subjetiva que 
reflete a intenção do sujeito em possuir a coisa. Para as teorias subjetivas, 
portanto, é imprescindível que, para se caracterizar a posse, seja detectado o 
animus; ou seja, o sujeito precisa ter a intenção de ter a coisa para si.
A fragilidade da teoria reside nas situações em que a pessoa possui a coisa, 
inclusive por meios judicialmente fundados, mas por não ter a intenção de tê-la 
como sua (o animus), não poderia se tratar de posse e, assim sendo, não haveria 
qualquer proteção à sua situação por meio das ações possessórias. É o caso do 
contrato de locação: uma vez que o locatário não tem a intenção volitiva de ter 
para si o bem alugado, é como senão exercesse a posse. O mesmo se estende 
a situações como aquelas do arrendatário e do usufrutuário.
Por outro lado, o ladrão, o bandido ou quem conseguiu a posse por meio 
da violência, por ter inquestionado animus de tomar a coisa como sua, teria 
garantida a proteção da posse por meio dos remédios trazidos pelas ações 
possessórias. Isso seria um absurdo jurídico, porém, a reflexão é bastante 
interessante e conduz a um claro entendimento do porquê a teoria objetiva 
logrou mais êxito que a subjetiva (GONÇALVES, 2012).
Para as teorias objetivas, advindas do pensamento de Ihering, bastaria 
o corpus para se caracterizar uma relação de posse. Entretanto, o corpus 
não é instituído como mero contato, mas sim como a externalização de uma 
conduta de dono.
Nas palavras de Gonçalves (2010, p. 23):
Tem posse quem se comporta como dono, e nesse comportamento já está 
incluído o animus. A conduta de dono pode ser analisada objetivamente, 
sem a necessidade de pesquisar-se a intenção do agente. A posse, então, é a 
exteriorização da propriedade, a visibilidade do domínio, o uso econômico 
da coisa. Ela é protegida, em resumo, porque representa a forma como o 
domínio se manifesta.
No Brasil, a teoria objetiva teve mais aceitação, como denota a literalidade 
do art. 1.196 do Código Civil, porém, ela vem sendo permeada pelas teorias 
sociológicas. Conforme as teorias sociológicas, há que se considerar o caráter 
econômico e a função social da posse, uma vez que, não sendo observada a 
importância desses elementos, a posse pode, até mesmo, vir a se sobrepor ao 
direito de propriedade.
281Da posse 281Da posse
Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 281 22/05/2018 13:31:52
Para a teoria subjetiva de Savigny, se faltar o elemento animus, não existe posse, mas 
mera detenção. Para Ihering, a detenção está em último lugar no que se refere às 
relações jurídicas entre pessoa e coisa. Para o autor, em primeiro lugar está a proprie-
dade, em segundo, a posse de boa-fé, em terceiro, a posse, e só depois viria a figura 
da detenção (GONÇALVES, 2010).
O art. 1.198 do Código Civil estabelece que:
Art. 1.198 Considera-sedetentor aquele que, achando-se em relação 
de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em 
cumprimento de ordens ou instruções suas. 
Parágrafo único. Aquele que começou a comportar-se do modo como 
prescreve este artigo, em relação ao bem e à outra pessoa, presume-se 
detentor, até que prove o contrário (BRASIL, 2002, documento on-line).
A detenção tem a ver com aquele que exerce uma relação de domínio, não por 
interesse próprio, e sim de outra pessoa. Parece muito com a posse, mas não é igual; 
por isso, não gera os mesmos efeitos daquela.
São exemplos de detenção: 
  os caseiros e os zeladores;
  os soldados em relação às armas no quartel;
  o preso em relação às ferramentas que utiliza; o servo da posse. Tampouco há 
posse de bens públicos.
Veja os arts. 1.208 e 1.224 do Código Civil, e 183 e 191 da Constituição Federal.
Ainda neste tópico, veremos as formas de aquisição, transmissão e extinção 
da posse. O art. 1.204 do Código Civil estabelece que: “adquire-se a posse desde 
o momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de qualquer 
dos poderes inerentes à propriedade” (BRASIL, 2002, documento on-line).
Para se considerar a aquisição da posse, deverão estar presentes os se-
guintes elementos: a apreensão da coisa, o exercício do direito e a disposição 
facultativa do direito (LISBOA, 2012). A doutrina explica que a posse se 
adquire originariamente pela apreensão. Os modos derivados da apreensão 
são a disposição da coisa, o exercício de um direito real e a transmissão da 
posse, por traditio brevi manu ou por constituto-possessório (LISBOA, 2012). 
Vejamos cada uma dessas modalidades.
  Apreensão: é quando o sujeito se apodera de alguma coisa com a 
intenção de possuí-la, pouco importando o título. A apreensão concreta 
Da posse282
Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 282 22/05/2018 13:31:52
ou real ocorre quando existe o contato físico entre o sujeito e a coisa. 
Neste caso, pode ocorrer a apreensão concreta da coisa imóvel (seja 
pela presença do adquirente no imóvel, seja pelo ingresso no imóvel) e 
da coisa móvel (o mero contato físico com a coisa). Além disso, pode 
existir a figura da apreensão sem o contato físico; seria a chamada 
apreensão ficta ou simbólica. Esta também pode ocorrer com a coisa 
imóvel (por exemplo, pela entrega das chaves de um bem ao adquirente 
ou ao seu representante) e com a coisa móvel (quando ocorre entrega 
do bem a terceiro, entrega da coisa em imóvel do adquirente, inserção 
de marca ou sinal designativo da aquisição do bem).
  Exercício de um direito real: a possibilidade de alguém exercer um 
direito real sobre a coisa indica que esta coisa está em sua posse, con-
figurando uma forma de aquisição da posse.
  Transmissão real e ficta: a posse pode ser adquirida pela transmissão, 
que se concretiza pela tradição (traditio). Para que a tradição ocorra, o 
transmitente e o adquirente devem ser capazes, observadas as imposi-
ções da lei. Ela pode se dar consensualmente, com a entrega do bem ou 
com sua entrega simbólica. No primeiro caso, se trata de uma tradição 
real ou concreta; no segundo, de uma tradição ficta ou simbólica. Essa 
tradição consensual, por sua vez, pode se efetivar de duas maneiras, 
pela traditio brevi manu ou pelo constituto-possessório.
 ■ Traditio brevi manu: quando o possuidor de um bem que está em 
nome alheio passa a possuí-lo como coisa própria (por exemplo, um 
arrendatário que compra a propriedade pelo exercício do direito de 
opção de compra).
 ■ Constituto-possessório: quando um possuidor que possui algo em 
nome próprio, passa a possuí-lo em nome alheio. Lisboa (2012) ex-
plica que o constituto-possessório “é a cláusula contratual mediante 
a qual se entende realizada a tradição ficta da coisa, mantendo-se o 
transmitente na sua posse, porém em nome alheio”. Fica autorizado 
ao transmitente permanecer na posse do bem adquirido por outra 
pessoa, como quando se reconhece a posse de uma coisa que está 
registrada no nome de outra pessoa. Durante o constituto-possessório, 
o adquirente obtém a posse indireta (por exemplo, uma doação com 
cláusula de usufruto).
Uma questão se coloca evidente: quem poderá realizar a aquisição da posse? 
O próprio interessado, o representante do incapaz, o mandatário e o terceiro 
sem mandato, que é o caso do gestor de negócios.
283Da posse
Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 283 22/05/2018 13:31:53
A transmissão da posse se dá nos termos do art. 1.206 do Código Civil: “a 
posse transmite-se aos herdeiros ou legatários do possuidor com os mesmos 
caracteres” (BRASIL, 2002, documento on-line). 
O princípio da continuidade do caráter da posse é aplicável na matéria 
de transmissão da posse, pois, em regra, deverão ser mantidos os atributos da 
aquisição da posse. O Código Civil estabelece também que a posse do imóvel 
presume a posse das coisas que nele estiverem, pelo menos até que se prove 
o contrário (o acessório segue o principal).
Segundo o art. 1.223 do Código Civil: “perde-se a posse quando cessa, 
embora contra a vontade do possuidor, o poder sobre o bem, ao qual se refere 
o art. 1.196” (BRASIL, 2002, documento on-line).
Quanto às formas de extinguir a posse ou de se perder a posse, podemos 
citar o abandono, a tradição, a destruição, a colocação fora do comércio, a 
posse de outrem e o constituto-possessório (GONÇALVES, 2010). Vejamos 
sinteticamente cada uma delas:
  Abandono: quando o possuidor renuncia à posse (por exemplo, quem 
joga fora algum objeto que lhe pertencia).
  Tradição: quando existe a intenção definitiva de transferir a posse 
a outrem (por exemplo,venda de coisa com a transmissão da posse 
ao adquirente).
  Destruição: o nome é autoexplicativo; uma vez que o bem ou a coisa 
possuída for destruída, não haverá mais a posse.
  Colocação fora do comércio: quando o bem ou coisa possuída se torna 
inaproveitável ou inalienável.
  Posse de outrem: quando surgir uma posse nova, mesmo que a con-
tragosto do antigo possuidor.
  Constituto-possessório: assim como forma de aquisição, é forma de 
perda da posse para uma das partes envolvidas. Por exemplo, quando 
um proprietário aliena seu imóvel, mas segue nele residindo por meio 
de um contrato de locação; desse modo, ele perde a posse indireta na 
figura de dono, se tornando o locatário, o possuidor indireto.
Efeitos da posse
A doutrina se estende exaustivamente acerca dos efeitos materiais e pro-
cessuais da posse. O Código Civil encara as situações decorrentes da posse 
Da posse284
Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 284 22/05/2018 13:31:53
nos arts. 1.210 a 1.222. Neste tópico, serão analisadas, de forma bastante 
resumida, as consequências desse instituto.
A posse assegura a proposição de determinadas ações judiciais em defesa 
dos direitos do possuidor. A posse é um instituto que muito se aproxima da 
teoria civilista, com a aplicação processual do tema, como explica Coelho 
(2012, p. 25): “as relações complexas entre os direitos do possuidor e os do 
proprietário somente se entendem no contexto das medidas processuais ma-
nejáveis por cada um deles”.
Pode-se dizer que um dos efeitos processuais decorrentes da posse cor-
responde à garantia de defesa da posse por meio das ações possessórias, 
ou seja, por meio da manutenção e da reintegração da posse, dos interditos 
possessórios e da autodefesa.
Antes de detalharmos as possíveis ações possessórias, é imprescindível 
compreender dois conceitos: o esbulho e a turbação.
A turbação é o ato que tem o poder de limitar, agredir ou embaraçar o 
direito de uso da posse, por exemplo, cortar árvores, derrubar cercas. Pode 
ser uma turbação de fato, quando implicar em uma agressão material contra a 
posse, ou pode ser de direito, quando judicial ou administrativamente alguém 
contesta a posse. O esbulho ocorre quando, por meio de violência, clandes-
tinidade ou abuso de confiança, a posse for retirada do possuidor, total ou 
parcialmente (por exemplo, imóvel não devolvidoou invadido).
Para defender a posse, então, caberão diferentes tutelas civis, como as 
que seguem.
  Autotutela ou autodefesa: é a possibilidade de o possuidor defender a 
sua posse por meio da legítima defesa, desde que o faça logo e dentro 
do que seria considerado suficiente para manter ou restituir a posse 
(veja o art. 1.210, § 1º, do Código Civil).
  Legítima defesa da posse: é a resistência contra a turbação.
  Desforço imediato: resistência ao esbulho. É mais amplo que a mera 
defesa, pois implica em um esforço para recuperar a posse subtraída.
  Manutenção e reintegração de posse: ambas consistem em defender 
a posse judicialmente. Em caso de turbação, o possuidor mantém sua 
posse; já no esbulho, fica privado dela.
Portanto, a ação de manutenção de posse é ajuizada pelo possuidor que 
sofrer turbação, com o fim de se manter na posse, receber indenização ou 
obter a penalização de quem o molestar.
285Da posse
Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 285 22/05/2018 13:31:53
A ação de reintegração de posse é ajuizada por quem tem a sua posse 
esbulhada (perdida por meio de violência, clandestinidade ou precariedade). 
O possuidor poderá intentá-la contra o esbulhador e contra quem receber a 
coisa esbulhada, tendo conhecimento da sua origem.
Veja, a seguir, os mecanismos processuais de defesa da posse.
  Interdito proibitório: é a ação que previne eventuais ataques à posse; é 
um meio de defesa que o possuidor tem para situações em que preveja 
um futuro esbulho ou uma futura turbação.
  Nunciação de obra nova: é uma ação que pretende impedir que a posse 
venha a ser molestada por uma obra nova que um vizinho almejar 
construir. Tem o condão de embargar a obra ou impedir a construção.
  Ação de dano infecto: é uma possibilidade de prevenir que uma demo-
lição ou um vício de construção de um imóvel vizinho cause danos ao 
bem que se possui. Pleiteia-se uma indenização pelos danos futuros. 
Tem finalidade puramente acautelatória.
  Ação de imissão de posse: é a aquisição da posse pela via judicial.
  Embargos de terceiro senhor e possuidor: é um processo acessório 
que socorre os bens de quem, mesmo não sendo parte no litígio, acaba 
por sofrer turbação ou esbulho em sua posse, por causa de penhora, 
depósito, arresto, sequestro, venda judicial, arrecadação, arrolamento, 
inventário, partilha ou outro ato de apreensão judicial.
Outra implicação processual decorrente da posse refere-se ao direito do 
possuidor em relação aos frutos da coisa possuída. Os frutos poderão ser pen-
dentes, quando estiverem unidos à coisa principal, percebidos, quando forem 
colhidos, estantes, quando armazenados para venda, percipiendos, quando 
deveriam ter sido, mas ainda não foram colhidos, e consumidos, quando foram 
utilizados pelo possuidor e por isso não mais existem.
Em regra, o possuidor tem direito aos frutos percebidos enquanto a posse 
perdurar. Os frutos pendentes, caso a posse seja encerrada, deverão ser restitu-
ídos. Aquele que possui de má-fé responde pelos frutos colhidos e percebidos, 
bem como pelos que, por culpa sua, não foram percebidos, desde o momento 
em que se revestiu de má fé.
A perda ou deterioração do bem que estava sob a tutela do possuidor 
pode gerar a obrigação de indenizar o proprietário, sendo observado o co-
nhecimento, ou desconhecimento, do vício que poderia prejudicar o bem. O 
possuidor de boa-fé não terá que arcar com os danos que não tenha originado. 
O possuidor de má-fé deverá arcar pela perda e pela deterioração que tenha 
Da posse286
Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 286 22/05/2018 13:31:53
levado a cabo, salvo se conseguir provar que o mesmo teria acontecido se o 
bem ou a coisa estivesse na posse daquele que a reivindica.
No que tange às benfeitorias introduzidas pelo possuidor, caso este venha 
a perder a posse, poderá demandar a indenização, variando conforme a ex-
tensão do direito, da natureza das benfeitorias e em função da boa ou má-fé 
envolvida. O possuidor de boa-fé deverá ser indenizado pelas benfeitorias 
úteis (as que aumentam ou facilitam o uso da coisa principal) e necessárias (as 
que visam à conservação da coisa principal), e até mesmo pelas voluptuárias 
(as supérfluas, mas que de todo modo facilitam a utilização da coisa prin-
cipal). Caso não lhe seja pago o valor referente às benfeitorias, o possuidor 
poderá retirá-las, sem prejuízo da coisa ou do bem em si. Além disso, poderá 
exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e das 
benfeitorias úteis. Em se tratando de possuidor de má-fé, a situação será 
distinta: serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias. Não lhe é 
garantido o direito de retenção em relação ao valor das benfeitorias úteis, 
tampouco pode reaver o valor das voluptuárias.
A posse pode, por fim, transformar o possuidor em proprietário por 
meio de usucapião, situação em que a posse mansa e incontestada se 
transforma em propriedade pelo decurso do tempo. Veja os arts. 1.238 a 
1.244 do Código Civil.
Principais classificações
A posse tem diferentes espécies e pode ser classifi cada de maneira diversa 
de modo a facilitar a compreensão do instituto, bem como de seus efeitos 
jurídicos. Na esteira das classifi cações elencadas por Tartuce (2016), vamos 
analisar cada uma das modalidades a seguir.
Primeiramente, quanto ao desdobramento da posse (art. 1.197 do Código 
Civil), a posse poderá ser direta ou indireta. A posse direta é exercida por quem 
possui a coisa materialmente (por exemplo, locatário, depositário, comodatário 
e usufrutuário). A posse indireta é exercida por outra pessoa; geralmente é um 
desdobramento do direito de propriedade (por exemplo, locador, depositante, 
comodante e nu proprietário).
Quanto à presença de vícios objetivos (art. 1.200 do Código Civil), a 
posse poderá ser justa ou injusta. A posse justa, como o próprio nome diz, é 
a posse sem vícios, a posse limpa. A posse injusta é aquela que foi adquirida 
por meio de ato violento, clandestino ou precário.
287Da posse
Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 287 22/05/2018 13:31:53
A posse injusta, por sua vez, se desdobra em posse violenta, clandestina 
e precária. A posse violenta é obtida por esbulho, pela aplicação de força 
física ou violência moral; é assemelhada ao crime de roubo pela doutrina. A 
posse clandestina é obtida às escondidas, de forma oculta, sendo aproximada 
à figura de furto. Já a posse precária é obtida com abuso de confiança ou 
abuso de direito e remete ao crime de estelionato ou à apropriação indébita; 
o exemplo seria quando um locatário de um bem móvel não o devolve ao 
final do contrato.
Tartuce (2016) enfatiza alguns pontos acerca da posse injusta, destacando-se os se-
guintes pontos:
1. apenas uma das características expostas já é suficiente para classificar a posse 
como injusta;
2. a posse injusta também pode ser defendida por ações de juízo possessório, não 
contra aquele de quem se tolheu a posse, mas em face de terceiros;
3. de acordo com o art. 1.208 do Código Civil, combinado com o art. 558 do Có-
digo de Processo Civil (CPC), as posses injustas por violência ou clandestinidade 
podem ser eventualmente convalidadas, o que não se estende à posse precária. 
Este, pelo menos, era o entendimento majoritário, o qual tem sido questionado 
pelo enraizamento da teoria da função social da posse, em que, se houver uma 
alteração substancial na causa, a posse precária pode ser convalidada, impondo 
uma necessidade de análise caso a caso;
4. os vícios sob análise não interferem nos efeitos da posse, seja na questão dos 
frutos, das benfeitorias ou das responsabilidades; para isto, o que se considera é 
se a posse é de boa ou má-fé;
5. quem tiver posse injusta não pode adquirir o bem por usucapião.
A classificação da posse poderá ser quanto à boa-fé subjetiva ou intencio-
nal (art. 1.201 do Código Civil). Nesse aspecto, a posse poderá ser de boa-fé 
ou de má-fé. A boa-fé acontece quando o possuidor ignora ou desconhece os 
víciosou obstáculos que lhe impediriam de adquirir a coisa ou quando exista 
um título que fundamente a posse. A má-fé ocorre quando o possuidor, sabendo 
do vício existente, ainda assim pretende concretizar o seu domínio fático sobre 
o bem; não há um título justo. Vale dizer, todavia, que o possuidor, mesmo 
na posse de má-fé, tem direito de ajuizar ação possessória para se proteger 
de um ataque de terceiros.
Da posse288
Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 288 22/05/2018 13:31:53
Novamente Tartuce (2016, p. 928) destaca um ponto crucial. As classificações quanto 
aos vícios objetivos e quanto à boa-fé subjetiva não se confundem, justamente por 
esta tratar de critérios subjetivos que envolvem a crença da pessoa, e aquela focar 
apenas em critérios objetivos. Logo, posse justa não se confunde com posse de boa-fé, 
nem a posse injusta com a posse de má-fé.
Um exemplo para fixar essa observação é o da pessoa que compra um bem roubado 
sem saber; seria uma posse injusta, mas de boa-fé. Agora, o locatário que pretende 
adquirir o bem por usucapião na vigência do contrato exemplifica o caso de uma 
posse justa, mas de má-fé.
Quanto à presença do título, a posse será com ou sem título. Quando 
existir o título, se trata de um documento ou da vigência de um contrato de 
locação ou comodato. Sem título, por sua vez, é quando inexiste uma causa 
representativa da transmissão do domínio fático; por exemplo, quando alguém 
encontra um tesouro inesperadamente.
Quanto ao tempo, a posse será nova se for de até um ano, e velha, a partir 
de um ano e um dia. Veja o art. 558 do CPC de 2015.
Quanto aos titulares da posse, podemos falar em posse exclusiva, 
composse e posses paralelas. A posse exclusiva é a posse de uma só pessoa. 
A composse é realizada quando houver duas ou mais pessoas exercendo 
poderes possessórios sobre a mesma coisa. A composse pode ainda ser 
classificada em pro indiviso ou pro diviso, indivisível ou divisível, res-
pectivamente. Na primeira, os compossuidores terão direito à uma fração 
ideal da posse (por exemplo, irmãos que são donos de uma fazenda para 
produção de hortaliças). Na segunda, é possível determinar a parte de cada 
compossuidor (por exemplo, dois irmãos que são donos de uma fazenda 
dividida ao meio por uma cerca, na qual de um lado um irmão cultiva 
laranja e, do outro, um irmão planta cana). A posse paralela é aquela em 
que há uma superposição de posses, por exemplo, a posse direta e indireta 
sobre um mesmo bem.
Finalmente, quanto aos efeitos, a posse será ad interdicta ou ad usucapio-
nem. A posse ad interdicta é a que pode ser defendida pelas ações possessórias 
diretas ou interditos possessórios. A posse usucapionem, que é exceção, é 
a posse que, ao se prolongar no tempo, conforme disposto em lei, poderá 
conduzir à aquisição da propriedade. Deverá ser uma posse mansa, pacífica, 
duradoura, ininterrupta e com a intenção de dono.
289Da posse
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1. Sobre o conceito de posse, 
é correto afirmar que:
a) a posse deriva do direito 
de propriedade, sem 
dele se diferenciar.
b) a posse, por não ser expressão 
do direito de propriedade, 
não pode ser defendida 
pelas ações possessórias.
c) o Direito não está confortável 
com a figura da posse, por 
isso, atua positivamente 
para transformar a posse 
em propriedade.
d) posse e propriedade 
são sinônimos.
e) a posse é um instituto de 
direito civil independente e 
autônomo (jus possessionis).
2. Sobre a posse, podemos afirmar que:
a) se o titular não reivindicar a sua 
propriedade, a inércia nunca 
terá o condão de acabar por 
garantir ao possuidor o direito 
à aquisição da coisa possuída 
por meio de usucapião.
b) o jus possidendi dispensa o 
título devidamente transcrito.
c) a teoria subjetiva leva em 
consideração o corpus e o animus, 
dando ênfase a este último.
d) a teoria objetiva da posse 
foi defendida por Savigny.
e) a teoria objetiva da posse não 
leva em consideração o agir 
como dono do bem ou da coisa.
3. Sobre as modalidades de 
aquisição da posse, assinale 
a alternativa correta.
a) A apreensão é uma modalidade 
derivada da aquisição da posse.
b) A tradição será apenas 
real ou concreta.
c) Só pode dispor da coisa quem 
a possui, por isso a disposição 
da coisa é uma modalidade 
de aquisição da posse.
d) A apreensão pode ser 
real, ficta ou mista.
e) Colocação fora do comércio 
e abandono são formas 
de aquisição da posse.
4. Sobre as ações possessórias, 
pode-se dizer que:
a) a autotutela corresponde aos 
mecanismos de legítima defesa 
e desforço imediato, sendo que 
o primeiro coíbe o esbulho, 
e o segundo, a turbação.
b) a ação de reintegração de posse 
coíbe a turbação, enquanto 
a ação de manutenção de 
posse coíbe o esbulho.
c) o interdito proibitório tem 
natureza preventiva.
d) ação de imissão de posse, 
ação de dano infecto, 
embargos de terceiro senhor 
e possuidor não têm a ver 
com ações possessórias.
e) a nunciação de obra nova 
nada tem a ver com o vizinho 
do bem ou da coisa.
Da posse290
Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 290 22/05/2018 13:31:54
BRASIL. Lei nº. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm>. Acesso em: 8 maio 2018.
COELHO, F. U. Curso de Direito Civil: direito das coisas e direito autoral. 4. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2012.
GONÇALVES, C. R. Direito Civil brasileiro: direito das coisas. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 
2012. v. 5.
GONÇALVES, C. R. Sinopses jurídicas. Direito das coisas. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. v. 3. 
LISBOA, R. S. Manual de Direito Civil. Direitos reais e direitos intelectuais. 6. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2012. v. 4.
TARTUCE, F. Manual de direito civil. 6. ed. Rio de Janeiro: Forense, São Paulo: Método, 
2016.
Leitura recomendada
SEMENSATO, A. Os efeitos do vício na aquisição da posse. Disponível em: <https://adrie-
lesemensato.jusbrasil.com.br/artigos/420362811/os-efeitos-dos-vicios-na-aquisicao-
-da-posse>. Acesso em: 8 maio 2018.
5. Acerca das diferentes classificações 
da posse, assinale a opção correta.
a) Não há preocupação com a 
posse ser de boa ou má-fé, pois 
ela obedece a teoria objetiva.
b) Toda posse justa será 
uma posse de boa-fé.
c) A posse injusta poderá ser 
violenta ou clandestina, 
mas nunca precária.
d) A posse violenta se 
equipara ao crime de roubo, 
enquanto a posse precária 
remete ao estelionato ou 
à apropriação indébita.
e) A posse injusta não 
poderá ser protegida pelas 
ações possessórias.
291Da posse
Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 291 22/05/2018 13:31:54
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm
http://lesemensato.jusbrasil.com.br/artigos/420362811/os-efeitos-dos-vicios-na-aquisicao-
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
 
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