Prévia do material em texto
Marcelle Almeida – Acadêmica de Direito – FDCL Direito Civil V - Coisas Usucapião Conceito É a aquisição da propriedade ou outro direito real pelo decurso do tempo estabelecido e com a observância dos requisitos instituídos em lei. A usucapião tem fundamento na função social da propriedade, prestigiando quem trabalha o bem usucapido face à prolongada inércia do proprietário. Elementos básicos: posse qualificada + ↓ Continuidade – não pode ser a intervalos intermitentes Pacificidade – ausência de contestação Intenção de dono – requisito anímico tempo ↓ Prazo exigido em lei, conforme cada modali- dade, contado em anos A posse não pode ser a intervalos intermitentes, mas une-se à posse do antecessor: a) na sucessão a título universal (herdeiros) b) na sucessão a título singular – possibili- dade – contanto que ambas sejam aptas a ge- rar o usucapião, ou seja, de boa-fé. ______________________________________________ Modalidades USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIO → Posse → pacífica, contínua e em nome próprio → tempo → Extraordinário comum = 15 anos Extraordinário social = 10 anos (moradia habi- tual, obras ou serviços de caráter produtivo) Não se exige título nem boa-fé por parte do usucapiente. Art. 1.238. Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o declare por sen- tença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. Parágrafo único. O prazo estabelecido neste artigo redu- zir-se-á a dez anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo. ______________________________________________ USUCAPIÃO ESPECIAL OU CONSTITUCIONAL (o possuidor NÃO pode ter outro imóvel) Coletivo → pro labore → §§ 4.º e 5.º, art. 1228 § 4o O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em extensa área, na posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de cinco anos, de consi- derável número de pessoas, e estas nela houverem reali- zado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de interesse social e econômico re- levante. § 5o No caso do parágrafo antecedente, o juiz fixará a justa indenização devida ao proprietário; pago o preço, valerá a sentença como título para o registro do imóvel em nome dos possuidores. pro morare → arts. 9.º e 10, Lei 10.257/01 (usucapião especial de imóvel urbano) Art. 9o Aquele que possuir como sua área ou edificação urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando- a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o do- mínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel ur- bano ou rural. § 1o O título de domínio será conferido ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. § 2o O direito de que trata este artigo não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. § 3o Para os efeitos deste artigo, o herdeiro legítimo con- tinua, de pleno direito, a posse de seu antecessor, desde que já resida no imóvel por ocasião da abertura da suces- são. Art. 10. Os núcleos urbanos informais existentes sem oposição há mais de cinco anos e cuja área total dividida pelo número de possuidores seja inferior a duzentos e cin- quenta metros quadrados por possuidor são suscetíveis de serem usucapidos coletivamente, desde que os possuido- res não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou ru- ral. (Redação dada pela lei nº 13.465, de 2017) § 1o O possuidor pode, para o fim de contar o prazo exi- gido por este artigo, acrescentar sua posse à de seu ante- cessor, contanto que ambas sejam contínuas. Marcelle Almeida – Acadêmica de Direito – FDCL § 2o A usucapião especial coletiva de imóvel urbano será declarada pelo juiz, mediante sentença, a qual servirá de título para registro no cartório de registro de imóveis. § 3o Na sentença, o juiz atribuirá igual fração ideal de ter- reno a cada possuidor, independentemente da dimensão do terreno que cada um ocupe, salvo hipótese de acordo escrito entre os condôminos, estabelecendo frações ideais diferenciadas. § 4o O condomínio especial constituído é indivisível, não sendo passível de extinção, salvo deliberação favorável tomada por, no mínimo, dois terços dos condôminos, no caso de execução de urbanização posterior à constituição do condomínio. § 5o As deliberações relativas à administração do condo- mínio especial serão tomadas por maioria de votos dos condôminos presentes, obrigando também os demais, dis- cordantes ou ausentes. Rural → arts. 1239, CC, e 191, CF posse + tempo (5 anos) + área não supe- rior a 50 he + inexistência de outro imóvel de sua propriedade + utilização para ex- ploração do sustento Art. 1.239. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos ininter- ruptos, sem oposição, área de terra em zona rural não su- perior a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adqui- rir-lhe-á a propriedade. Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos ininter- ruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não su- perior a cinqüenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adqui- rir-lhe-á a propriedade. → urbano → arts. 1240, CC e 183, CF posse + tempo (5 anos) + imóvel de até 250 m2 + inexistência de outro imóvel de sua propriedade + utilização para mora- dia Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. § 1 o O título de domínio e a concessão de uso serão con- feridos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independen- temente do estado civil. § 2 o O direito previsto no parágrafo antecedente não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. ______________________________________________ USUCAPIÃO FAMILIAR OU CONJUGAL (o possuidor NÃO pode ter outro imóvel) • 2 anos • imóvel urbano até 250m² • entre cônjuges de qualquer regime • exige comprovação de abandono do lar conjugal • abandono não se confunde com saída (apenas) física • o divórcio retira o animus domini, pois se quer “separar” corpos e bens Art. 1.240-A. Aquele que exercer, por 2 (dois) anos inin- terruptamente e sem oposição, posse direta, com exclusi- vidade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cin- quenta metros quadrados) cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, uti- lizando-o para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe- á o domínio integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. § 1 o O direito previsto no caput não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. § 2 o (VETADO) . Art. 1.241. Poderá o possuidor requerer ao juiz seja decla- rada adquirida, mediante usucapião, a propriedade imó- vel. Parágrafo único. A declaração obtida na forma deste ar- tigo constituirá título hábil para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. ______________________________________________ USUCAPIÃO ORDINÁRIO→ Posse → pacífica, contínua e com animus domini → Tempo → 10 anos - 5 anos (se por aquisição onerosa) → justo título → título hábil para, em tese, efetuar a transmissão, no entanto, pa- dece de algum defeito → boa-fé Art. 1.242. Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e incontestadamente, com justo título e boa-fé, o possuir por dez anos. Parágrafo único. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido, onerosa- mente, com base no registro constante do respectivo car- tório, cancelada posteriormente, desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado in- vestimentos de interesse social e econômico. Art. 1.243. O possuidor pode, para o fim de contar o tempo exigido pelos artigos antecedentes, acrescentar à sua posse a dos seus antecessores (art. 1.207), contanto Marcelle Almeida – Acadêmica de Direito – FDCL que todas sejam contínuas, pacíficas e, nos casos do art. 1.242, com justo título e de boa-fé. ______________________________________________ Causas interruptivas da usucapião Art. 1.244. Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem ou in- terrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião. ______________________________________________ Causas impeditivas da usucapião Art. 198. Também não corre a prescrição: I - contra os incapazes de que trata o art. 3 o ; II - contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados ou dos Municípios; III - contra os que se acharem servindo nas Forças Arma- das, em tempo de guerra. ______________________________________________ Sucessão hereditária É a forma derivada de aquisição da proprie- dade imóvel em razão da morte do titular. A su- cessão hereditária (“causa mortis”) é regida no Código Civil nos art. 1784 ss. Ocorre com o fale- cimento de uma pessoa que deixa seus bens. Esses bens são transmitidos aos seus sucessores no momento de seu falecimento. ______________________________________________