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BREVE HISTÓRICO DO AUTISMOIniciaremos a Unidade 1 conversando sobre a história do Transtorno do Espectro Au-tista – TEA, e algumas implicações acerca de sua descoberta por alguns estudiosos.Historicamente os primeiros estudiosos que buscavam informações acerca do au-tismo pertenciam a medicina. Eugene Bleuler se referiu ao autismo pela primeira vez em 1916, como um tipo de esquizof renia, devido a equivalência das características e sintomas (SCHMIDT, 2013).Vinte nove anos após os estudos de Bleuler surgiram novas publicações e estudos. O autismo foi descrito em 1943 pelo médico psiquiatra austríaco Kanner. O autismo foi apre-sentado por Kanner como um problema do desenvolvimento humano. Em seus trabalhos, o pesquisador desenvolveu 11 estudos de casos de pessoas que apresentavam dificuldade para se relacionar com outras pessoas. Concluiu que essas pessoas apresentavam o que ele chamou de “distúrbios autísticos do contato afetivo”.Um ano após, o médico Hans Asperger realizou uma pesquisa em que as crianças apresentavam características muito próximas às descritas por Kanner, todavia, sua pesqui-sa foi escrita em alemão, o que inviabilizou por um longo período de tempo ser reconhe-cida. Como referência, temos hoje Kanner e Asperger como os primeiros pesquisadores a identificarem o autismo.Atualmente, estudos relatados foram primordiais para a construção dos conceitos e características utilizadas no diagnóstico do autismo. No passado a palavra autismo era originada do grego (autos), que significava “por si mesmo”, e utilizada na psiquiatria para explicar os comportamentos humanos em que a pessoa se volta para si mesma, sem esta-belecer contato com o outro (ORRU, 2012). Se buscarmos na literatura outras definições para o autismo encontraremos ques-tões relacionadas a fatores genéticos durante o desenvolvimento da criança ainda no úte-ro. Essa definição ainda é um enigma e infelizmente não contribui para um diagnóstico precoce e assertivo acerca do TEA (CUNHA, 2010).Um fato curioso em relação à descoberta do autismo é que durante as décadas de 50 e 60, a partir das pesquisas de Kanner, muitos pesquisadores concluíram que o comporta-mento autista poderia ter origem nas relações entre pais e filhos, ou seja, pais e mães que estabeleciam laços de afetividade f rágeis com os filhos. Algumas teorias psicogênicas construíram hipóteses para justificar o autismo nas relações pouco afetivas entre pais e filhos. A ausência de afetividade estaria vinculada à origem do TEA, hipótese que encontrou discrepância entre alguns autores e pesquisado-res. Na década de 40 alguns estudos que abordam o autismo, se destacaram para explicar esse fenômeno: as teorias psicogenéticas, as teorias biológicas e as teorias psicológicas (CASTELA, 2013).As teorias psicogenéticas foram as primeiras a buscar informações sobre o autismo. Elas o definiram como uma perturbação afetiva, originada devido a mal relacionamento entre mãe e filho. Mesmo que o ambiente familiar fosse identificado como um ambiente “ruim, ou adoecido” o foco estava na figura/função materna, definidas em alguns momen-tos como “rígida e perfeccionista”, e em outros como “indiferente” e “emocionalmente f ria” (CASTELA, 2013). 91.2 KANNER E O PROCESSO DE CULPABILIZAÇÃO MÃES EM CASOS DE AUTISMOMencionado anteriormente, Kanner médico psiquiatra austríaco no Estados unidos, foi um dos primeiros profissionais da área da saúde a realizar estudos sobre as crianças e seu desenvolvimento infantil (CIRINO, 2001). Kanner se sentia intrigado ao perceber que as crianças não se comunicavam e como eram afetadas pela ausência da comunicação. Ele observou, analisou e estudou 11 crianças no Hospital Johns Hopkins, em Baltimo-re nos Estados Unidos. Os resultados do estudo foram publicados na revista The Nervous Children, em um artigo intitulado “Autistic disturbances of affective contact, em 1943 (LO-PES, 2017). Nos resultados sua pesquisa, ele esclareceu que haviam variações nos sintomas de cada criança estudada, e que a literatura até então não descrevia esses sintomas e suas consecutivas variações.Kanner defendeu a ideia de que o “[...] problema central era afetivo e não cognitivo” (LIMA, 2014, p. 110). Para o pesquisador o autismo não era adquirido, mas, inato, contudo, existia uma possibilidade de que a influência familiar promovesse o desencadeamento da síndrome. Ainda nos estudos de Kanner, ele descreveu e apresentou o perfil das famílias das crianças participantes do estudo. Apresentou os membros das famílias como pessoas “in-teligentes”, “obsessivas” e “pouco amorosas”, que valorizavam e priorizavam estudos cien-tíficos e filosóficos em detrimento ao convívio afetivo com os demais familiares e convívio social (LIMA, 2014).Outro ponto destacado por Kanner refere-se aos casamentos em que havia distan-ciamento emocional entre o casal. Para ele a:[...] questão, a saber, é, em que medida, este fato tem contribuído para a condição das crianças. A solidão delas desde o início da vida faz com que seja dif ícil atribuir o quadro inteiro exclusivamente ao tipo das primeiras relações parentais com o nosso paciente (KARNNER, 1943, p. 250).Em 1949, Kanner publicou outro estudo com foco no autismo, e atribuiu que as pos-síveis causas ao TEA estavam relacionadas à personalidade dos pais e das mães (LIMA, 2014). A partir desse estudo surge a teoria “mãe geladeira”, que identifica e culpabiliza a mãe pelo autismo nos filhos. Kanner (1943, p. 111) descreve:Na maioria dos casos, a gravidez não havia sido bem-vinda e ter filhos era nada mais que uma das obrigações do casamento. A falta de calor materno em relação ao filho ficaria evidente desde a primei-ra consulta, pois a mãe demonstrava indiferença, distanciamento f ísico ou mesmo incômodo com a aproximação da criança. A dedicação ao trabalho, o perfeccionismo e a adesão obsessiva a regras se-riam outros dos traços dos pais, e os dois últimos explicariam o seu conhecimento de detalhes do de-senvolvimento do filho. Mais que isso, os pais mui- 10tas vezes se dedicariam a estimular a memória e o vocabulário de sua criança autista, tomando o filho como objeto de “observação e experimentos”. Man-tido desde cedo em uma “geladeira que não dege-la”, o autista se retrairia na tentativa de escapar de tal situação, buscando conforto no isolamento.Sabemos que a teoria de Kanner na atualidade não se sustenta. Estudos posteriores demonstraram que a “mãe geladeira” não é a causadora do autismo.Contudo, o médico austríaco contribuiu muito para a construção de novos estudos acerca do autismo e do psiquismo humano. Vale destacar que as pesquisas de Kanner res-ponsabilizavam as mães pelo f racasso do desenvolvimento dos filhos, principalmente no que diz respeito às questões emocionais. De acordo com Lima (2014) Kanner associou a sua pesquisa a ideia de maternidade inadequada, dificuldades no comportamento e problemas emocionais oriundas de estu-dos realizados pela psicanálise a respeito da importância da função materna para o desen-volvimento psíquico da criança.Assim, além de Kanner outros teóricos da época asseveravam que a maternidade inadequada estava relacionada também à negligência, ausência de atenção, afeto e de tempo para a realização de cuidados básicos que em muitos casos promoviam o laço afe-tivo entre a mãe e a criança, além de um abandono velado (LIMA, 2014). Nesse contexto e período histórico do autismo, diversos teóricos se incumbiram de construir manuais para ensinar as mulheres a serem mães, e impor um tipo de maternida-de baseada no saber científico psiquiátrico. A partir daí, estabeleceu-se a associação mãe/culpa (FORNA, 1999).Assim, Lima (2014) destaca que naquele período os argumentos de Kanner iam de encontro com que a psiquiatria norteava em termos de pesquisas sobre o autismo, a valo-rização da infância e da criança associados às teorias psicanalíticas.1.3 BRUNO BETTELHEIM E A CULPA DAS MÃESAinda sobre a culpa das mães, não foi apenas Kanner que pesquisou sobre o autis-mo. Outro pesquisador conhecido nas décadas de 50 a 70 foi o psicanalista Bruno Bette-lheim que esteve nos campos de concentração nazista entre 1938 a 1939 (FEINSTEN, 2010). De acordo com Lima (2014, p. 4): Bettelheim apresentava-se à comunidade acadê-mica e ao público em geral enquanto um intelec-tual vinculado à psicanálise f reudiana capaz de associar experiências pessoais com reflexões sobre os processos de desumanização aos quais muitas pessoas eram submetidas, defendendo que o autis-mo seria um mecanismo de defesa elaborado pela criança diante de situações por ela considerada ameaçadoras. 11Desde 1950 Bettelhein escrevia e pesquisava sobre o autismo, entretanto, em 1967 ele publicou o livro “A Fortaleza” que trouxe o reconhecimento como especialistas em crian-ças, principalmente as autistas (FEINSTEN, 2010).Bettelhein realizou três estudos casos (Laurie, Marcia e Joy) e os apresentou na obra citada. A partir desses estudos, concluiu e defendeu a ideia de que o autismo seria uma pa-tologia de cunho emocional e que as crianças de um modo geral ao não serem acolhidas e amparadas pelos pais ou cuidadores, prefeririam se colocar em um lugar de não existência, uma “fortaleza vazia” (LIMA, 2014).Ainda segundo a autora, Bettelhein trata de questões familiares no livro, porém seu foco está na figura materna, dedicando exclusivamente um tópico da obra para discutir o papel na mãe em casos de autismo:Gostaria de fazer mais uma digressão, pois a razão pela qual começamos por imputar o colapso de Laurie à ambivalência das figuras maternas pare-ce ter importância teórica considerável, sobretudo pelo fato de, na literatura, as atitudes da mãe serem consideradas como fator etiológico do autismo in-fantil. Ao longo deste livro mantenho minha convic-ção de que, em autismo infantil, o agente precipi-tador é o desejo de um dos pais de que o filho não existisse (BETTELHEIM, 1987, p. 137)Segundo Bettelhein (1987) quando a mãe não conseguia reconhecer, antecipar e responder às demandas da criança, ela estaria privando-o do acolhimento, da presença materna e do investimento afetivo, indispensáveis na constituição do eu da criança nos anos iniciais da vida. Ressalta que Laurie, uma das crianças do estudo de caso, sof ria do afastamento da mãe, que ao retornar para as funções laborais deixava-a aos cuidados de uma cuidadora “indiferente” às suas necessidades.Para o pesquisador, essa mãe poderia ser classificada ou considerada como uma pessoa “completamente dona de si” além de ser “[...] uma pessoa narcisista, que provavel-mente se debatia para manter um tênue vínculo com a realidade” (BETTELHEIM, 1987, p. 109). Podemos perceber que Bettelhein não estava discutindo apenas o comportamento da mãe em relação aos cuidados com Laurie, mas, colocava no centro da problemática.Diante dos resultados de sua pesquisa Bettelhein, compreendeu que as ações mais assertivas a serem tomadas seria o afastamento das crianças do convívio familiar, assim evitava-se que pudessem entrar em uma “Fortaleza vazia”, já que, o convívio familiar com mães que não investiam afetos em seus bebês poderia provocar o autismo (GRINKER, 2010). Sua tese chegou a ser colocada em prática. Em Chicago, a escola Ontogenética apoiou o estudo do psicanalista, colocando em prática o que ele intitulava de proposta te-rapêutica. Seu tratamento incluía a restrição das visitas das mães e pais às crianças, trans-formando a escola no olhar de Bettelhein em um espaço de segurança e acolhimento, em que as crianças estavam protegidas das ações de abandono provocados pelos pais (LIMA, 2014). 121.4 BRUNO BETTELHEIM E KANNER, ENCONTROS E DESENCONTROSSabemos que Kanner foi o primeiro médico pesquisador a escrever e descrever o autismo como um quadro de adoecimento, com um diagnóstico diferenciado em que su-postamente a família poderia contribuir para o aparecimento do fenômeno, nomeando as mães como “mãe-geladeira”. Por outro lado, Bruno Bettelhein, a partir de alguns pontos do estudo de Kanner, continuou suas pesquisas, contudo, abordando percepções diferenciadas. Podemos inferir e afirmar que apesar de pontos coincidentes nos estudos dos dois autores, o autismo a que cada um deles se referia eram discrepantes.Diferenciemos os pontos de vista de cada um dos pesquisadores. A primeira diferen-ça encontra-se na etiologia. Ainda que as relações familiares acentuadas pela ausência de afetividade, principalmente da “mãe” seja um ponto marcante entre os dois estudos, Kan-ner em “Autistic disturbances of affective contact”, asseverou que o autismo apresentava um quadro de problemas comportamentais, ou seja, uma síndrome do comportamento com origens genéticas (LIMA, 2014).Todavia, Bettelhein apresentou em seus estudos que apesar de se tratar de uma pa-tologia genética, suas bases ancoravam-se nas questões de convivência familiar, na verda-de o afastamento proposital da mãe pela criança. Para o estudioso psicanalista, Kanner ao ignorar a hipótese de que as experiências traumáticas emocionais na infância pudessem ser consideradas a causa primeira do autismo, transformando-o em uma condição inata, ele estaria ignorando os conhecimentos produzidos pelo pai da psicanálise, Freud. Para Bettelhein (1987, p. 417).Infelizmente, por Kanner concluir ser esse distúrbio inato, não chegou a levantar a questão que, espe-cialmente a partir de Freud, consideramos essen-cial para a compreensão de uma conduta psicoló-gica, a saber: Por que se comportará uma pessoa de uma determinada maneira e não de outra? Essa questão não pode ser evitada, a menos que pre-sumamos que o comportamento é assumido sem que a pessoa tenha uma oportunidade de opção no assunto, como nos movimentos espasmódicos de um paraplégico. Mas se não conseguimos levantar essa questão, não conseguiremos compreender a motivação da pessoa e somos facilmente tentados a imputar qualquer anomalia inerente o que obvia-mente não faz sentido em termos de conduta con-vencional. O psicanalista ia além em suas discordâncias de Kanner não acreditando que o au-tismo já poderia ser observado logo após o nascimento, conforme afirmava Kanner. Para o médico psiquiatra, crianças cometidas pelo autismo jamais conseguiriam/poderiam esta-belecer uma interação social, dadas as dificuldades inatas de manter o contato afetivo. 13Bettelhein por sua vez contestava essa ideia a partir de observações de que o isolamento da criança se dava mediante a f rustação de não ter sido atendida em suas demandas de aproximação (GRINKER, 2010).Para Grinker (2010) Kanner sof reu muitas pressões por parte dos psicanalistas, con-tudo permaneceu na defesa de que o autismo apresentava um caráter inato. Insistiu tam-bém na ideia de que apesar dos pais das crianças analisadas não demonstrarem afetivida-de, era possível pensar que isso estava relacionado à genética de cada um deles. Concomitante às ideias de Kanner Bettelhein permaneceu afirmando que proble-mas emocionais de pais e mães representavam fortes indícios de que eles não seriam bons pais e que prejudicariam os filhos na convivência familiar, ou seja, a genética estava na base do distúrbio (GRINKER, 2010).Dos três casos de crianças analisadas por Bruno Bettelhein em que ela integra autis-mo à imperfeição da maternidade Grinker (2010, p. 93) nos aponta que:De acordo com Bettelheim, a mãe de Laurie cau-sou autismo na filha por trabalhar durante a infân-cia da menina, deixando-a aos cuidados de babás. A mãe de Márcia, viúva com pouco tempo de casada, casou-se depois com um homem que não amava de verdade e que não queria filhos. Ele cedeu, no entanto, apesar de ter dito à equipe de Bettelheim que “o bebê realmente não me interessa”. Joey, o terceiro caso, falava muito mais que Laurie e Már-cia, mas era quase completamente incapaz de se comunicar. Isso se deveria a sua mãe “pensar nele mais como se fosse um objeto que uma pessoa” [...]. Esses pais supostamente doentes eram, de acordo com seu ponto de vista, capazes de superar as pró-prias psicopatologias para criar uma criança normal de forma adequada. Quando lhe diziam, por exem-plo, que não queriam filhos, ou que se dividiam en-tre a vida profissional e doméstica, Bettelheim su-punha que eram mentalmente perturbados. Forna (1999)compreende que todo o processo de culpabilização da mãe pelo autis-mo na perspectiva de Bettelhein está associado à “cultura da culpa da mãe”. Para a autora acreditar que diversos problemas familiares de cunho ou não do adoecimento está enrai-zado na cultura e consequentemente foi naturalizado pela sociedade. Isso pode ser observado desde o início da gravidez, momento em que a mãe tem seu corpo regulado por convenções médicas e sociais: o que pode comer, beber, qual será o tipo de parto, como será o pós-parto e, posteriormente a educação das crianças. Ou seja, mulher/mãe é julgada por si e pelos outros em suas ações e cuidados com a gestação, tudo que ocorrer pode depender de como ela permitiu e contribuiu para que essa criança fosse gestada.Lima (2014) argumenta que a expressão “mães do autismo” está relacionada ao con-trole paternalista social, com bases no discurso da ciência que elaborou e difundiu a ideia de que as mães podem ser más e provocar distúrbios em seus filhos. Percebemos ao longo da história que a diferença entre patológico e normal ganhou importância no período pós--guerra. 14Muitas pesquisas foram desenvolvidas com o intuito de compreender o desenvolvi-mento emocional da criança, bem como suas relações afetivas com os pais e as dificulda-des de aprendizagem apresentadas no período escolar. A produção científica nesse cam-po não isolou as mulheres do seu papel em relação a maternidade e consequentemente suas ações como mães. Embora as pesquisas apontassem para um caminho em que os fatores neurobioló-gicos ganhavam desataque sobre o autismo, infelizmente isso não poderia ser entendido sem a influência da mãe má na “produção de uma criança autista”.Se conversarmos com várias mães cujos filhos apresentem algum transtorno ou de-ficiência, é possível escutar no discurso delas uma relação com a culpa e com a maternida-de, ou mesmo com uma responsabilização maior sobre os cuidados o filho. Não é incomum vermos nas escolas, em consultórios médicos, unidades básicas de saúde, professores, assistentes sociais, etc, um estigma em relação às mães com filhos com transtornos ou deficiências. Discursos que culpabilizam as mães pelo excesso de cuidado com os filhos ou pelas dificuldades apresentadas por eles. Infelizmente sabemos que uma parte da sociedade ainda culpabiliza a mãe, inde-pendente do que ela faça. Se recorre à escola em busca de ajuda e conhecimento dos processos de aprendizagem podem ser consideradas invasivas, ou “querem tomar o lugar do professor”. Se deixa a educação formal a cargo da escola, “não se preocupa com o que acontece com o filho”. De uma forma ou de outra está sempre sendo julgada por suas ações.E tudo isso não é diferente em casos de mães de autistas. Os estigmas culturais acerca do autismo ainda refletem seus danos na atualidade. Atualmente as mães não são mais intituladas como f rias, mães geladeiras ou mães pouco afetivas, causadoras de autis-mo nos filhos, todavia, as críticas mudaram o foco: são mães que não aceitam seus filhos, que buscam medicamentos e terapias para controlá-los, ou seja, muitas mães por meio de uma ótica subversiva ainda continuam sendo más.