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TICS 6: Internação hospitalar Aluna: Fernanda Fernandes de Mesquita Matrícula: 4510373 Quando está indicado a internação de paciente psiquiátrico? E quais situações esta prática é vedada? A internação de pacientes psiquiátricos é uma prática clínica que deve ser cuidadosamente avaliada, levando em consideração a gravidade do quadro clínico, o risco à saúde do paciente e de terceiros, bem como a necessidade de tratamento intensivo. Entre as principais indicações para a internação estão o risco de autolesão ou suicídio, especialmente em pacientes que apresentam ideação suicida ativa, planos concretos ou tentativas recentes. A avaliação do risco deve ser feita por meio de escalas padronizadas, como a Escala de Avaliação do Risco de Suicídio (SAD PERSONS). Outro fator importante é o risco de homicídio ou violência, quando o paciente demonstra comportamento agressivo ou incapacidade de controlar impulsos violentos, representando uma ameaça aos outros. Em casos de descompensação aguda de transtornos mentais, como a exacerbação de transtornos psicóticos, incluindo esquizofrenia, ou crises maníacas severas em pacientes com transtorno bipolar, a internação é indicada para garantir estabilização medicamentosa e monitoramento. Também se recomenda a internação quando o paciente é incapaz de cuidar de si mesmo, não conseguindo atender às necessidades básicas de alimentação, higiene ou medicação devido à gravidade do quadro psiquiátrico. O tratamento intensivo também pode ser necessário quando o manejo ambulatorial falhou ou se tornou inviável, como em casos de transtornos alimentares graves ou dependência química. Além disso, em situações onde o diagnóstico é difícil de se estabelecer, a internação pode ser útil para facilitar a observação e a realização de exames complementares. Por outro lado, existem contraindicações para a internação psiquiátrica. Pacientes com condições médicas não estáveis que necessitam de cuidados médicos intensivos que não podem ser fornecidos em um ambiente psiquiátrico não devem ser internados em tais unidades. A internação involuntária sem justificativa adequada, que não atende aos critérios legais estabelecidos pela Lei nº 10.216/2001, também é contraindicada, pois viola os direitos das pessoas com transtornos mentais no Brasil. Pacientes com transtornos leves ou moderados, que podem ser tratados ambulatorialmente, não devem ser hospitalizados, evitando-se a hospitalização desnecessária. Da mesma forma, internações realizadas sem o consentimento informado do paciente ou dos responsáveis legais, salvo em situações de emergência com risco iminente à vida, são contraindicadas. Além disso, pacientes que possuem um ambiente familiar adequado e que oferecem suporte para tratamento ambulatorial eficaz não precisam ser hospitalizados. Por fim, a decisão sobre a internação deve ser tomada por uma equipe multidisciplinar, composta por psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais de saúde mental. É essencial garantir que a internação ocorra em um ambiente terapêutico seguro e respeitoso, promovendo a recuperação do paciente de maneira eficaz e humanizada. Referências: Oliveira, L.; et al. Diretrizes para a internação psiquiátrica involuntária: uma análise crítica. Psicologia em Estudo, v. 24, n. 3, p. 345-356, 2019. Disponível em: . Acesso em: 11 set. 2024. Santos, M.; et al. Internação psiquiátrica: aspectos éticos e legais. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 40, n. 1, p. 45-50, 2018. Disponível em: . Acesso em: 11 set. 2024. Silva, A. G.; et al. Indicadores de internação psiquiátrica: uma revisão sistemática. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 69, n. 2, p. 123-130, 2020. Disponível em: . Acesso em: 11 set. 2024.