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FUNDAMENTOS DE MACROECONOMIA Marcos Vinícius Henrique Fundamentos de Macroeconomia 2 1. O QUE É ECONOMIA Fonte: PIXABAY, 2022 Olá aluno(a) Unifacear! Seja bem-vindo(a) à aula sobre Fundamentos de Macroeconomia. Antes de mais nada, preliminarmente, é importante mencionar que a Macroeconomia é um ramo da Economia. Portanto, se faz necessário que você conheça o conceito de Economia. Geralmente, a primeira ideia que se tem sobre Economia é aquela relacionada à ação de economizar. Guardar uma quantia para comprar um bem no futuro. Ou aproveitar uma liquidação para fazer suas compras e economizar. Tal noção deriva da origem da palavra economia, fruto da junção dos termos gregos “oikos” (casa) e “nomos” (regra), resultando nas regras da administração da casa, como a gestão do orçamento familiar. No entanto, tais concepções representam um conceito vulgar de Economia. Economia, sendo uma ciência social aplicada, envolve conceitos bem mais complexos. Paul Samuelson, um dos mais renomados economistas norte-americanos, nos apresenta um bom e completo conceito de Economia: “é uma ciência social que estuda a administração dos recursos escassos entre usos alternativos e fins competitivos” (PINHO e VASCONCELLOS, 2004, p. 8). Vamos analisar melhor tal conceito apresentado. Fundamentos de Macroeconomia 3 Primeiro, Economia é uma ciência social. Isto pelo fato de a Economia ter como objeto a forma como as sociedades usam seus recursos (naturais, mão de obra, capital) na produção de bens e como tais bens são distribuídos naquelas sociedades. Desta forma, a Economia estuda o comportamento humano. Segundo, a Economia analisa o fenômeno da escassez de recursos, uma vez que os recursos materiais são limitados e não é possível produzir uma quantidade infinita de bens, ao mesmo tempo que os desejos e as necessidades humanas são ilimitadas. Ou seja, estuda a contradição entre recursos finitos e inúmeros usos alternativos para tais recursos. Assim, conforme Mendes (2009, p. 2), “o problema econômico está centralizado no fato de os recursos disponíveis ao homem para produzir bens e serviços serem limitados, escassos, mas a necessidade, ou o desejo, destes variar e ser insaciável”. Em suma, a Economia observa o comportamento humano em decorrência da relação entre as necessidades dos homens e os recursos disponíveis para satisfazer essas necessidades. Embora a Economia apresente, por vezes, características de ciência exata, por conta do uso de instrumental matemático rigoroso, constitui-se em ciência social, preocupada com o bem-estar social. Uma vez apresentado o conceito de Economia, passemos aos fundamentos da Macroeconomia, um dos ramos da Economia. 2. O QUE É MACROECONOMIA A Macroeconomia é o ramo da Economia que estuda os agregados econômicos, seus comportamentos e relações que guardam entre si (PINHO e VASCONCELLOS, 2004). Tem por objeto as chamadas macro variáveis, como o nível de produção, consumo e renda nacionais, o nível de emprego, as taxas de inflação e de juros, a taxa de câmbio, a distribuição de renda, as exportações e importações e a situação fiscal do setor público. Diferencia-se de outro ramo da Economia, a Microeconomia, pois esta estuda o comportamento do consumidor e das unidades produtoras, ou seja, faz análise micro da economia. Conforme Tebchirani (2012, p. 82), “enquanto a Microeconomia amplia detalhes de mercados específicos para analisá-los, a Macroeconomia simplifica particularidades e analisa suas inter-relações, procurando visualizar o conjunto”. Mendes (2009) faz didática comparação entre a economia e a floresta. Comparando-se a economia com uma floresta, enquanto a Microeconomia foca em cada árvore (consumidor ou empresa), a Macroeconomia estuda a floresta como um todo. Apresento a você, a seguir, uma segmentação sugerida da Macroeconomia: Fundamentos de Macroeconomia 4 a) Economia do Desenvolvimento econômico: estuda os fatores que explicariam o desenvolvimento econômico das nações a longo prazo; b) Economia do Crescimento econômico: estuda os fatores que explicariam o crescimento econômico a longo prazo; c) Economia internacional: estuda as implicações do comércio internacional para o desenvolvimento econômico, tendo por temas a globalização, blocos econômicos, organizações econômico-financeiras internacionais, taxa de câmbio e balanço de pagamentos; d) Economia do setor público: estuda como o governo intervém na economia e que instrumentos ele utiliza para financiar seus gastos; e) Economia agrícola: estuda as políticas de desenvolvimento agrícola; f) Finanças públicas: estuda as fontes de financiamento e os gastos do governo; g) Economia do trabalho: estuda as implicações econômicas das relações trabalhistas. 3. O SISTEMA ECONÔMICO Para que possamos analisar as variáveis envolvidas no estudo da Macroeconomia, precisamos conhecer a composição e o funcionamento de um sistema econômico. Conforme Mendes (2009), o sistema econômico engloba os métodos pelos quais os recursos de uma economia são alocados e a forma como os bens e serviços são distribuídos. Ainda segundo Mendes (2009), desta forma o sistema econômico teria por funções definir o que produzir, como produzir os bens e serviços e para quem produzir. Ou seja, teria como função equalizar o problema da escassez na alocação de recursos produtivos limitados face opções de uso ilimitadas. De conformidade com sua definição, segundo Mendes (2009), os elementos básicos de um sistema econômico são: a) os estoques de recursos produtivos (fatores de produção), que são os recursos humanos (população economicamente ativa, capacidade empresarial e tecnológica) e patrimoniais (reservas naturais e capital); b) o complexo de unidades de produção, que são constituídas pelas empresas, as quais integram o aparelho produtivo da sociedade, originando os fluxos de produção e renda, ao mesmo tempo em que definem o que, quanto, como e para quem produzir; c) o conjunto de instituições políticas, jurídicas, econômicas e sociais, que constituem a base de organização da sociedade. Fundamentos de Macroeconomia 5 Quanto à classificação, existem dois sistemas econômicos distintos: o socialismo e o capitalismo. Conforme Tebchirani (2012), no sistema socialista, também denominado como economia centralizada ou economia planificada, as decisões econômicas fundamentais são resolvidas por um órgão central de planejamento, mediante a propriedade pública dos meios de produção (capital, terra e matérias-primas). É observado em poucos países, como Cuba e Coreia do Norte. Por outro lado, o sistema capitalista ou economia de mercado é regido pelas forças de mercado, via a livre iniciativa e a propriedade privada dos fatores de produção. Conforme Mendes (2009), sendo os fatores de produção de propriedade privada, cada proprietário de recursos toma suas decisões de produção motivado pela busca de um lucro. No sistema capitalista, produção e consumo dependem da liberdade de escolha dos indivíduos da sociedade. Por um lado, os lucros ou prejuízos de um empresário são resultado de suas decisões, certas ou erradas, respectivamente. Por outro lado, os consumidores buscam maximizar sua satisfação no consumo, segundo suas escolhas individuais conforme seu nível de renda (MENDES, 2009). No capitalismo, os preços de livre mercado são os guias que balizam a tomada de decisões dos consumidores e das empresas ao realizarem a produção, as trocas e o consumo, sendo a competição, salvo poucas exceções, acentuada em todos os tipos de atividades econômicas (MENDES, 2009). Em conclusão, conforme Mendes (2009, p. 2), “no capitalismo quem comanda a economia são as forças de demanda e de oferta”.O desejo dos consumidores determinará o nível da demanda e a produção das empresas a magnitude da oferta. O equilíbrio entre demanda e oferta será atingido via o mecanismo de preços de mercado. Tal mecanismo também se verifica quanto aos fatores de produção. Por exemplo, se a demanda por óleo diesel, que é um importante insumo nas atividades produtivas, aumenta, e se a sua oferta permanece constante, seu preço de mercado tende a elevar-se. O capitalismo predomina na maioria dos países industrializados ou em fase de industrialização. A seguir apresento o esquema de um sistema econômico de mercado (capitalista), no qual o sistema de preços regula o equilíbrio nos mercados de produtos e de fatores de produção. Fundamentos de Macroeconomia 6 Figura 1 - Sistema econômico Fonte: PINHO e VASCONCELLOS, 2004. Os fatores de produção discriminados são: a) trabalho: é a contribuição do ser humano na produção, em forma de atividade física ou mental. É remunerado através dos salários; b) capital ou bens de produção: é o conjunto de equipamentos, ferramentas e máquinas, produzidos pelo homem, que não se destinam à satisfação das necessidades através do consumo, mas concorrem para a produção de bens e serviços, aumentando a eficiência do trabalho humano. É remunerado através dos juros sobre o capital, lembrando que, por exemplo, um financiamento bancário obtido por uma empresa se constitui em capital financeiro que será utilizado na aquisição de capital físico a ser aplicado à produção de bens e serviços; c) terra ou recursos naturais: são os elementos da natureza utilizados pelo homem com a finalidade de criar bens e serviços. É remunerado comumente através dos aluguéis. É a combinação destes fatores de produção que permite a produção dos bens e serviços: Trabalho + Capital + Recursos Naturais = Bens e Serviços. Conforme Mendes (2009), os setores econômicos que formam o mercado de produtos (bens e serviços) são: a) setor primário: corresponde às atividades primárias, como as lavouras temporárias e permanentes, a produção animal e a extração vegetal; b) setor secundário: também chamado de setor industrial, engloba as indústrias extrativa mineral, de transformação e de construção; c) setor terciário: abrange o comércio e os serviços de transporte, comunicações, intermediação financeira, administração pública e demais serviços, a exemplo dos profissionais liberais e atividades sociais, como o ensino e a assistência médica privados. Fundamentos de Macroeconomia 7 Com base no exemplo de Pinho e Vasconcellos (2004), suponha que os consumidores desejem consumir sapatos, habitações e chá, cujas quantidades dependerão dos preços dos bens e dos orçamentos de cada indivíduo. A fim de atender à demanda por esses bens, as empresas ofertarão quantidades que variarão não só com os preços dos bens, mas também com o custo de produzir cada um de tais bens. Como observado na figura, tal sistema descreve a ação conjunta da demanda e da oferta nos seguintes termos: os consumidores, após escolher os bens desejados, dirigem-se ao mercado com suas rendas e hábitos determinados a fim de comprar os bens e maximizar suas satisfações; do outro lado, os produtores ofertam os bens no mercado, considerando seus custos de produção, a fim de maximizar seu lucro total. Ainda com base no exemplo de Pinho e Vasconcellos (2004), enquanto a quantidade ofertada de um bem seja diferente da quantidade demandada, o preço flutuará até que a igualdade se estabeleça, determinando uma quantidade e um preço de equilíbrio que deixarão satisfeitos consumidores e produtores. O mesmo acontecerá no mercado de fatores de produção. O salário de equilíbrio é aquele estabelecido em que a força de trabalho a ser empregada é igual à ofertada pela coletividade, sendo que, por exemplo, em uma situação de desemprego, haveria tendência à queda do nível salarial na economia. Assim, resumem Pinho e Vasconcellos (2004, p. 17), “o sistema de preços coordena as decisões de milhões de unidades econômicas, fazendo com que eles se equilibrem, uns aos outros, e força ajustamentos para torná-los condizentes com o nível tecnológico e com o montante disponível de recursos”. 4. OS PRINCIPAIS AGREGADOS MACROECONÔMICOS Conforme Lopes e Vasconcellos (1998), existem várias formas de medir o desempenho de uma economia, sendo que a Contabilidade Nacional ou Contabilidade Social tem por objetivo mensurar a totalidade das transações econômicas de um País. 4.1 PRODUTO, RENDA E DESPESA AGREGADAS Ainda segundo Lopes e Vasconcellos (1998), os conceitos de Produto, Renda e Despesa Agregada são importantes medidas de desempenho econômico e bem-estar da sociedade. A seguir, apresento cada um deles em detalhes. Fundamentos de Macroeconomia 8 a) Produto Agregado: refere-se à soma de todos os bens e serviços finais produzidos na economia durante determinado período. É expresso em unidades monetárias, representa um fluxo que se processa ao longo do tempo e diz respeito a bens e serviços finais, uma vez que os bens finais incorporam os insumos intermediários, como matérias-primas e componentes (LOPES e VASCONCELLOS, 1998). Existe um procedimento alternativo para se contabilizar o produto, que não pela soma direta dos bens e serviços finais produzidos, que consiste em contabilizar o produto por meio do chamado valor adicionado, definido como o valor que foi, em cada etapa produtiva, acrescido ou adicionado ao valor dos bens intermediários (LOPES e VASCONCELLOS, 1998). Imagine que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, queira calcular a produção gerada por um artesão que cobra R$ 30 por uma escultura de madeira. Para fazer a escultura, ele usou madeira e formão e teve que adquiri-los da indústria. O preço de R$ 30 traz embutidos os custos das matérias-primas utilizadas. Se a madeira e o formão custaram R$ 20, a contribuição do artesão para o produto agregado foi de R$ 10. Esse valor representa a produção gerada ao transformar um pedaço de madeira em uma escultura. O IBGE faz esse cálculo para toda a cadeia produtiva brasileira. Ou seja, ele precisa excluir da produção total de cada setor as matérias-primas que ele adquiriu de outros setores. b) Renda Agregada: é a soma da remuneração dos fatores de produção na economia, que corresponde aos salários (remuneração do fator trabalho), juros (remuneração do capital monetário), lucros (remuneração do risco incorrido pelo empresário) e aluguéis (remuneração do proprietário do capital físico) (LOPES e VASCONCELLOS, 1998). c) Despesa Agregada: representa as possíveis destinações do produto, sendo que para uma economia hipotética, que não tenha relações com o exterior, nem governo e que produza somente bens de consumo, a despesa agregada seria igual ao consumo, ou seja, correspondente à aquisição de bens de consumo pelas famílias (LOPES e VASCONCELLOS, 1998). Conforme explanam Lopes e Vasconcellos (1998), os conceitos de produto, renda e despesa agregadas são equivalentes. Para produzir os bens e serviços fornecidos às famílias, as empresas se utilizam dos fatores de produção fornecidos por aquelas mesmas famílias. Por outro lado, os fatores de produção, ao serem utilizados, são remunerados, permitindo às famílias auferir uma renda, a qual é destinada a aquisição de bens e serviços produzidos pelas empresas. Tal fluxo, chamado de fluxo circular da renda, é exposto na figura a seguir. Fundamentos de Macroeconomia 9 Figura 2 – Fluxo circular da renda Fonte: Slideplayer. Assim, chegamos à identidade macroeconômica básica (IMB): Produto Agregado = Despesa Agregada = Renda Agregada a) Mercado de bens e serviços: - compra de bens e serviços: Despesa Agregada = Consumo(DA = C) - fornecimento de bens e serviços: Produto Agregado (PA = ∑ pi qi - alimentos, viagens etc.) b) Mercado de fatores de produção: - famílias unidades produtoras (fornecimento dos serviços de fatores de produção – terra, trabalho, capital e atividade empresarial) - remuneração aos serviços de fatores de produção – salários, juros, lucros, aluguéis: Renda Agregada (RA = s + j + l + a) c) IMB: Produto Agregado = Despesa Agregada = Renda Agregada (Valor da produção final) (Despesa com o produto) (s+j+l+a) O mercado de fatores de produção apresenta um fluxo real e um fluxo monetário. O fluxo monetário, ou seja, o pagamento pelos serviços de fatores de produção (salários, Fundamentos de Macroeconomia 10 juros, lucros, aluguéis) representa a contrapartida pelo fluxo real, isto é, pelo fornecimento dos serviços de fatores de produção. Pelo ângulo das famílias proprietárias dos fatores de produção referem-se a rendimentos; pelo ângulo das empresas, representam custos de produção. Para a Contabilidade Social os custos de produção são os pagamentos aos fatores de produção, na forma de salários, juros, aluguéis e lucros, e não incluem o pagamento a insumos intermediários, como matérias-primas, que são pagamentos de empresas para empresas, que acabam se anulando no cômputo do agregado. Vale ressaltar que o lucro é considerado como custo de produção (remuneração aos empresários pelos riscos incorridos na atividade produtiva). Assim, a Economia como ciência social vê o lucro como um custo de produção para as empresas. Isso estabelece uma diferença entre lucro contábil e lucro econômico. O mercado de bens e serviços também apresenta um fluxo real e um fluxo monetário. O fluxo monetário, ou seja, o pagamento pelos bens e serviços, representa a contrapartida pelo fluxo real, isto é, o fornecimento dos bens e serviços. Tem-se então um fluxo circular, no sentido de que a moeda gira pelo circuito, criando renda: firmas recebem das famílias pela venda de bens e serviços produtivos; firmas remuneram as famílias pelos serviços de fatores de produção que prestam; firmas remuneram as famílias que compram das firmas; ou seja, o produto gera renda, que gera consumo, que gera produto, que gera renda. Lopes e Vasconcellos (1998) apresentam um exemplo numérico para melhor compreensão dos conceitos de Produto, Renda e Despesa agregadas. Por problemas de medição, costuma-se medir o Produto Agregado pelo Valor Adicionado (ou valor agregado), definido como o valor que foi, em cada etapa produtiva, acrescido ou adicionado ao valor dos bens intermediários. Consiste em calcular o que cada ramo de atividade adicionou ao valor do produto final, em cada etapa do processo produtivo. Consideremos um país que produza um único bem final, o pão. Para produzir pão, é necessário produzir trigo e farinha, nos valores a seguir discriminados. Fundamentos de Macroeconomia 11 Tabela 1 – Exemplo numérico Produto Receita de Vendas (VBP) Compras Intermediárias (CI) Valor Adicionado = VPB - CI Trigo 100 0,00 100 Farinha 400 100 300 Pão 1000 400 600 Adaptado de Lopes e Vasconcellos (1998) Na economia hipotética que apresento, o valor do Produto Agregado é de 1.000, que corresponde à produção do único bem final, pão, no valor de 1.000. Observe que tal valor também pode ser obtido somando-se o valor adicionado em cada etapa do processo produtivo. Outra forma de apurar o Valor Adicionado é pela diferença da receita de vendas, também chamada de Valor Bruto da Produção (VBP), das compras intermediárias, chamadas de Consumo Intermediário. Valor adicionado (VA) = Valor Bruto da Produção (VBP) – Consumo Intermediário (CI) Assim, temos: Renda paga pelo setor de trigo aos fatores de produção (VA trigo) = 100 Renda paga pelo setor de farinha aos fatores de produção (VA farinha) = 300 Renda paga pelo setor de panificação aos fatores de produção (VA pão) = 600 Despesas com o produto final (VBP pão) = 1.000 Portanto: PA = DA = RA = VA = 1.000 Em resumo, observamos que existem quatro formas diferentes de medir o resultado econômico de um país, todas conduzindo a um mesmo valor numérico: a) Soma dos produtos finais das empresas produtoras (PA); b) Soma das despesas dos agentes com o Produto Agregado (DA); c) Soma dos salários, juros, aluguéis e lucros (RA); d) Soma de valores adicionados dos setores de atividade (RA). Fundamentos de Macroeconomia 12 4.2 FORMAÇÃO BRUTA DE CAPITAL FIXO E POUPANÇA AGREGADA Considerando-se que as empresas não só produzem bens de consumo, mas também bens de capital ou bens de investimento, que conforme Lopes e Vasconcellos (1998) são aqueles que visam aumentar a capacidade produtiva da economia, como máquinas, equipamentos, edifícios, a chamada formação bruta de capital fixo e a acumulação de estoques de bens intermediários, e que as famílias não consomem toda sua renda, sendo parte poupada, tem-se os conceitos de Investimento Agregado (I) e Poupança Agregada (S), respectivamente, sendo a notação internacional de Poupança Agregada derivada do inglês “savings”. Conforme mecanismo apresentado por Lopes e Vasconcellos (1998), a parcela da Renda Agregada não consumida, a Poupança Agregada (S), será direcionada em última instância na aquisição de títulos do sistema financeiro (caderneta de poupança, certificados de depósitos bancários, etc), cujos recursos serão direcionados às empresas via empréstimos bancários, sendo que tais recursos terão como destinação os investimentos das empresas em formação bruta de capital fixo. Assim: Poupança Agregada (S) = Investimento Agregado (I) Ainda conforme Lopes e Vasconcellos (1998), nem toda a produção de bens de capital corresponde a um novo investimento, sendo a depreciação a parcela dos bens de capital que é consumida a cada período produtivo. A partir disso, tem-se a diferenciação entre Investimento Bruto (IB) e Investimento Líquido (IL), da seguinte forma: IL = IB – depreciação Tendo em vista que o Produto Agregado, nesta hipótese, é a soma dos bens de consumo e de investimento, tem-se o Produto Bruto (PB), que inclui a depreciação, e o Produto Líquido (PL), que a exclui: PL = PB – depreciação 4.3 AGREGADOS RELATIVOS AO SETOR PÚBLICO Conforme Lopes e Vasconcellos (1998), o Governo refere-se às funções típicas de Estado nas três esferas de governo: União, Estados, Distrito Federal e Municípios e inclui as transações realizadas pelos respectivos tesouros (receitas e despesas públicas), Fundamentos de Macroeconomia 13 não incluindo as atividades econômicas das empresas estatais não dependentes de dotações orçamentárias do tesouro. Com a inclusão do Governo, cria-se um novo destino para a renda das famílias que agora, além de servir para o Consumo (C) e para a poupança (S), parte deve ser destinada ao pagamento de impostos (T), isto é: RA = C + S + T, onde: RA = renda agregada; C = consumo; S = poupança; T = tributos. Além disso, tem-se que considerar os gastos públicos (G), que representam a aquisição de bens e serviços pelo Governo. Neste caso, a Despesa Agregada pode ser reescrita como: DA = C + I + G, onde: DA = despesa agregada; C = consumo; I = investimento; G = gastos do governo. Como RA = DA, tem-se que: S + T = I + G. Rearranjando os termos, tem-se: S – I = G – T Ou seja, sempre que houver déficit público, isto é, quando o governo gastar mais do que arrecada (G > T), deverá ocorrer excesso de poupança do setor privado para financiar o governo, isto é, S > I. É a situação verificada no Brasil, na qual o Governo gasta mais do que arrecada e tal diferença é financiada via poupança do setor privadomediante aumento da dívida pública. O Artigo 3º do Código Tributário Nacional (CTN) assim define tributo: “tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” (BRASIL, 1966). Conforme Artigo 5º do Código Tributário Nacional (CTN) “tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria”(BRASIL, 1966). Fundamentos de Macroeconomia 14 Os impostos podem incidir sobre o patrimônio (IPTU, IPVA), sobre a renda (IRPF, IRPJ) ou sobre o consumo e produção (IPI, ICMS, ISS). Os impostos sobre a renda e o patrimônio são chamados de impostos diretos, ao passo que aqueles sobre o consumo e produção são os impostos indiretos. A seguir apresento um rol de impostos, sua base econômica e competência arrecadatória e respectiva distribuição, nos termos da Constituição Federal. Figura 3 – Repartição constitucional das receitas de impostos Fonte: Constituição Federal (1988). As taxas referem-se aos valores cobrados por conta de uma prestação de serviços por parte do setor público, das esferas municipal, federal ou estadual, tais como os serviços públicos ou o exercício do poder de polícia, como custas judiciais, taxa de licenciamento de veículos, taxa para emissão de documentos, taxa de limpeza urbana, dentre outras. Por fim, as contribuições de melhoria são aquelas pagas por conta de algum benefício ao contribuinte, como o asfaltamento de uma rua que eleve o valor do imóvel do contribuinte. Quanto à inclusão do Governo à análise, ainda conforme Lopes e Vasconcellos (1998), o conceito de Produto desdobra-se em dois: Produto a custo de fatores (Pcf) e Produto a preços de mercado (Ppm): Fundamentos de Macroeconomia 15 a) Produto a custo de fatores (Pcf): é o Produto medido a partir dos valores que refletem os custos de produção, ou seja, a remuneração aos fatores de produção (salários + juros + aluguéis + lucros). b) Produto a preços de mercado (Ppm): é o Produto medido a partir dos valores transacionados no mercado, ou seja, medido pelo preço pago pelos consumidores finais. O que diferencia, portanto, os dois conceitos de Produto, são os impostos indiretos e os subsídios: Ppm = Pcf + impostos indiretos - subsídios Nessa diferenciação considera-se somente os impostos indiretos, que são aqueles sobre a produção e o consumo, pagos em última instância pelos consumidores. Já os subsídios referem-se ao pagamento pelo Governo de parte dos custos de produção, fazendo com que o preço de venda seja reduzido, representando uma diminuição do preço pago pelos consumidores. 4.4 AGREGADOS RELATIVOS AO SETOR EXTERNO De acordo com Lopes e Vasconcellos (1998), podemos conceituar setor externo ou resto do mundo como aqueles agentes (famílias, empresas e governos) de outros países, chamados de não residentes, que transacionam com os residentes do país. Assim, por exemplo, caso uma empresa sediada no Brasil transacione com uma empresa sediada na Argentina, a empresa argentina é considerada não residente e participante do setor externo ao Brasil. Ainda conforme Lopes e Vasconcellos (1998), podemos dividir as transações com o exterior em duas categorias: a) as realizadas com bens e serviços: as exportações, ou seja, a venda de parte da produção nacional para o exterior e que representa um elemento de demanda por produção interna, e as importações, que são aquisições de produção realizada em outros países. b) as realizadas com fatores de produção: as empresas sediadas no país podem utilizar trabalho e capital vindo do resto do mundo, e assim enviando renda ao exterior, assim como empresas nacionais que vendem trabalho e capital para entidades situadas no exterior e assim recebendo renda do exterior. Fundamentos de Macroeconomia 16 Renda líquida enviada ao exterior (RLEE) é a diferença entre o que é pago por fatores de produção externos utilizados internamente e o que é recebido do exterior por fatores de produção nacionais empregados em outros países. Assim, se a RLEE>0, significa que o país envia mais renda do que recebe do exterior. Se RLEElei da oferta e demanda. b) inflação de custos: é associada a uma inflação tipicamente de oferta. O nível de demanda permanece praticamente o mesmo, mas os custos de certos insumos importantes aumentam e são repassados aos preços dos produtos. Como exemplo, tem-se os choques promovidos pela elevação do preço internacional do petróleo. c) inflação inercial: decorrente dos reajustes de preços e salários provocados pela indexação ou correção monetária. No Brasil o controle inflacionário se dá pelo regime de metas de inflação, o qual é um regime monetário no qual o Banco Central (Bacen) se compromete a atuar de forma a garantir que a inflação observada esteja em linha com uma meta preestabelecida, anunciada publicamente. O principal instrumento de política monetária utilizado pelo Bacen para o controle inflacionário é a taxa de juros básica, a taxa Selic. O Comitê de Política Monetária, ou Copom, é o órgão decisório da política monetária do Banco Central do Brasil, responsável por estabelecer a meta para a taxa Selic. No atual regime de metas para a inflação, o principal objetivo da política monetária implementada pelo Copom é o alcance das metas de inflação estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), sendo que o índice oficial utilizado como parâmetro da inflação é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Índices de preços são números que agregam e representam os preços de uma determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos da cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação. Os índices mais difundidos são os índices de preços ao consumidor, que medem a variação do custo de vida de segmentos da população (BACEN, 2003). A seguir seguem as características dos principais índices de preços no Brasil. Fundamentos de Macroeconomia 19 Figura 4 – Principais índices de preços no Brasil Fonte: Adaptado de BACEN (2003). RESUMO Nesta aula você conheceu os fundamentos básicos da Macroeconomia, um dos ramos da Economia, ressalvando- se que a Macroeconomia oferece um campo extenso de exploração, conforme seja a sua necessidade de aprofundamento na área. Agora você já conhece conceitos elementares do assunto, como Produto Interno Bruto, o famosos PIB, inflação e seus principais índices e como se dá o funcionamento de um sistema econômico. Fundamentos de Macroeconomia 20 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BACEN. Banco Central do Brasil. Índices de Preços. Série Perguntas Mais Frequentes. 2. ed. Brasília, 2003. BRASIL. Código Tributário Nacional. Lei Federal nº 5.172 de 25 de outubro de 1966. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172compilado.htm. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. LOPES, Luiz Martins. VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de (Orgs). Manual de Macroeconomia. São Paulo: Atlas, 1998. MENDES, Judas Tadeu Grassi. Economia: fundamentos e aplicações [livro eletrônico]. 2 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. TEBCHIRANI, Flávio Ribas. Princípios de economia: micro e macro [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes, 2012. VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de. PINHO, Diva Benevides (Orgs). Manual de Economia. 4 ed. São Paulo: Saraiva, 2004.