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FUNDAMENTOS 
 DE 
MACROECONOMIA 
 
 
 
 
 
 
 
Marcos Vinícius Henrique 
 
 
 
 Fundamentos de Macroeconomia 
 
2 
1. O QUE É ECONOMIA 
 
 
Fonte: PIXABAY, 2022 
 
Olá aluno(a) Unifacear! Seja bem-vindo(a) à aula sobre Fundamentos de 
Macroeconomia. 
Antes de mais nada, preliminarmente, é importante mencionar que a 
Macroeconomia é um ramo da Economia. Portanto, se faz necessário que você conheça 
o conceito de Economia. 
 Geralmente, a primeira ideia que se tem sobre Economia é aquela relacionada à 
ação de economizar. Guardar uma quantia para comprar um bem no futuro. Ou aproveitar 
uma liquidação para fazer suas compras e economizar. Tal noção deriva da origem da 
palavra economia, fruto da junção dos termos gregos “oikos” (casa) e “nomos” (regra), 
resultando nas regras da administração da casa, como a gestão do orçamento familiar. 
No entanto, tais concepções representam um conceito vulgar de Economia. 
Economia, sendo uma ciência social aplicada, envolve conceitos bem mais complexos. 
 Paul Samuelson, um dos mais renomados economistas norte-americanos, nos 
apresenta um bom e completo conceito de Economia: “é uma ciência social que estuda a 
administração dos recursos escassos entre usos alternativos e fins competitivos” (PINHO 
e VASCONCELLOS, 2004, p. 8). Vamos analisar melhor tal conceito apresentado. 
 Fundamentos de Macroeconomia 
 
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 Primeiro, Economia é uma ciência social. Isto pelo fato de a Economia ter como 
objeto a forma como as sociedades usam seus recursos (naturais, mão de obra, capital) na 
produção de bens e como tais bens são distribuídos naquelas sociedades. Desta forma, a 
Economia estuda o comportamento humano. 
Segundo, a Economia analisa o fenômeno da escassez de recursos, uma vez que 
os recursos materiais são limitados e não é possível produzir uma quantidade infinita de 
bens, ao mesmo tempo que os desejos e as necessidades humanas são ilimitadas. Ou seja, 
estuda a contradição entre recursos finitos e inúmeros usos alternativos para tais recursos. 
Assim, conforme Mendes (2009, p. 2), “o problema econômico está centralizado no fato 
de os recursos disponíveis ao homem para produzir bens e serviços serem limitados, 
escassos, mas a necessidade, ou o desejo, destes variar e ser insaciável”. 
 Em suma, a Economia observa o comportamento humano em decorrência da 
relação entre as necessidades dos homens e os recursos disponíveis para satisfazer essas 
necessidades. Embora a Economia apresente, por vezes, características de ciência exata, 
por conta do uso de instrumental matemático rigoroso, constitui-se em ciência social, 
preocupada com o bem-estar social. 
 Uma vez apresentado o conceito de Economia, passemos aos fundamentos da 
Macroeconomia, um dos ramos da Economia. 
 
2. O QUE É MACROECONOMIA 
A Macroeconomia é o ramo da Economia que estuda os agregados econômicos, 
seus comportamentos e relações que guardam entre si (PINHO e VASCONCELLOS, 
2004). Tem por objeto as chamadas macro variáveis, como o nível de produção, consumo 
e renda nacionais, o nível de emprego, as taxas de inflação e de juros, a taxa de câmbio, 
a distribuição de renda, as exportações e importações e a situação fiscal do setor público. 
Diferencia-se de outro ramo da Economia, a Microeconomia, pois esta estuda o 
comportamento do consumidor e das unidades produtoras, ou seja, faz análise micro da 
economia. Conforme Tebchirani (2012, p. 82), “enquanto a Microeconomia amplia 
detalhes de mercados específicos para analisá-los, a Macroeconomia simplifica 
particularidades e analisa suas inter-relações, procurando visualizar o conjunto”. 
Mendes (2009) faz didática comparação entre a economia e a floresta. 
Comparando-se a economia com uma floresta, enquanto a Microeconomia foca em cada 
árvore (consumidor ou empresa), a Macroeconomia estuda a floresta como um todo. 
Apresento a você, a seguir, uma segmentação sugerida da Macroeconomia: 
 Fundamentos de Macroeconomia 
 
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a) Economia do Desenvolvimento econômico: estuda os fatores que explicariam 
o desenvolvimento econômico das nações a longo prazo; 
b) Economia do Crescimento econômico: estuda os fatores que explicariam o 
crescimento econômico a longo prazo; 
c) Economia internacional: estuda as implicações do comércio internacional para 
o desenvolvimento econômico, tendo por temas a globalização, blocos econômicos, 
organizações econômico-financeiras internacionais, taxa de câmbio e balanço de 
pagamentos; 
d) Economia do setor público: estuda como o governo intervém na economia e 
que instrumentos ele utiliza para financiar seus gastos; 
e) Economia agrícola: estuda as políticas de desenvolvimento agrícola; 
f) Finanças públicas: estuda as fontes de financiamento e os gastos do governo; 
g) Economia do trabalho: estuda as implicações econômicas das relações 
trabalhistas. 
 
3. O SISTEMA ECONÔMICO 
 Para que possamos analisar as variáveis envolvidas no estudo da Macroeconomia, 
precisamos conhecer a composição e o funcionamento de um sistema econômico. 
 Conforme Mendes (2009), o sistema econômico engloba os métodos pelos quais 
os recursos de uma economia são alocados e a forma como os bens e serviços são 
distribuídos. Ainda segundo Mendes (2009), desta forma o sistema econômico teria por 
funções definir o que produzir, como produzir os bens e serviços e para quem produzir. 
Ou seja, teria como função equalizar o problema da escassez na alocação de recursos 
produtivos limitados face opções de uso ilimitadas. 
 De conformidade com sua definição, segundo Mendes (2009), os elementos 
básicos de um sistema econômico são: 
a) os estoques de recursos produtivos (fatores de produção), que são os recursos humanos 
(população economicamente ativa, capacidade empresarial e tecnológica) e patrimoniais 
(reservas naturais e capital); 
b) o complexo de unidades de produção, que são constituídas pelas empresas, as quais 
integram o aparelho produtivo da sociedade, originando os fluxos de produção e renda, 
ao mesmo tempo em que definem o que, quanto, como e para quem produzir; 
c) o conjunto de instituições políticas, jurídicas, econômicas e sociais, que constituem a 
base de organização da sociedade. 
 Fundamentos de Macroeconomia 
 
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 Quanto à classificação, existem dois sistemas econômicos distintos: o socialismo 
e o capitalismo. 
 Conforme Tebchirani (2012), no sistema socialista, também denominado como 
economia centralizada ou economia planificada, as decisões econômicas fundamentais 
são resolvidas por um órgão central de planejamento, mediante a propriedade pública dos 
meios de produção (capital, terra e matérias-primas). É observado em poucos países, 
como Cuba e Coreia do Norte. 
 Por outro lado, o sistema capitalista ou economia de mercado é regido pelas forças 
de mercado, via a livre iniciativa e a propriedade privada dos fatores de produção. 
Conforme Mendes (2009), sendo os fatores de produção de propriedade privada, cada 
proprietário de recursos toma suas decisões de produção motivado pela busca de um 
lucro. 
 No sistema capitalista, produção e consumo dependem da liberdade de escolha 
dos indivíduos da sociedade. Por um lado, os lucros ou prejuízos de um empresário são 
resultado de suas decisões, certas ou erradas, respectivamente. Por outro lado, os 
consumidores buscam maximizar sua satisfação no consumo, segundo suas escolhas 
individuais conforme seu nível de renda (MENDES, 2009). 
 No capitalismo, os preços de livre mercado são os guias que balizam a tomada de 
decisões dos consumidores e das empresas ao realizarem a produção, as trocas e o 
consumo, sendo a competição, salvo poucas exceções, acentuada em todos os tipos de 
atividades econômicas (MENDES, 2009). 
 Em conclusão, conforme Mendes (2009, p. 2), “no capitalismo quem comanda a 
economia são as forças de demanda e de oferta”.O desejo dos consumidores determinará 
o nível da demanda e a produção das empresas a magnitude da oferta. O equilíbrio entre 
demanda e oferta será atingido via o mecanismo de preços de mercado. Tal mecanismo 
também se verifica quanto aos fatores de produção. Por exemplo, se a demanda por óleo 
diesel, que é um importante insumo nas atividades produtivas, aumenta, e se a sua oferta 
permanece constante, seu preço de mercado tende a elevar-se. 
 O capitalismo predomina na maioria dos países industrializados ou em fase de 
industrialização. 
 A seguir apresento o esquema de um sistema econômico de mercado (capitalista), 
no qual o sistema de preços regula o equilíbrio nos mercados de produtos e de fatores de 
produção. 
 
 Fundamentos de Macroeconomia 
 
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Figura 1 - Sistema econômico 
 
Fonte: PINHO e VASCONCELLOS, 2004. 
 
 Os fatores de produção discriminados são: 
a) trabalho: é a contribuição do ser humano na produção, em forma de atividade física ou 
mental. É remunerado através dos salários; 
b) capital ou bens de produção: é o conjunto de equipamentos, ferramentas e máquinas, 
produzidos pelo homem, que não se destinam à satisfação das necessidades através do 
consumo, mas concorrem para a produção de bens e serviços, aumentando a eficiência do 
trabalho humano. É remunerado através dos juros sobre o capital, lembrando que, por 
exemplo, um financiamento bancário obtido por uma empresa se constitui em capital 
financeiro que será utilizado na aquisição de capital físico a ser aplicado à produção de 
bens e serviços; 
c) terra ou recursos naturais: são os elementos da natureza utilizados pelo homem com a 
finalidade de criar bens e serviços. É remunerado comumente através dos aluguéis. 
 É a combinação destes fatores de produção que permite a produção dos bens e 
serviços: Trabalho + Capital + Recursos Naturais = Bens e Serviços. 
 Conforme Mendes (2009), os setores econômicos que formam o mercado de 
produtos (bens e serviços) são: 
a) setor primário: corresponde às atividades primárias, como as lavouras temporárias e 
permanentes, a produção animal e a extração vegetal; 
b) setor secundário: também chamado de setor industrial, engloba as indústrias extrativa 
mineral, de transformação e de construção; 
c) setor terciário: abrange o comércio e os serviços de transporte, comunicações, 
intermediação financeira, administração pública e demais serviços, a exemplo dos 
profissionais liberais e atividades sociais, como o ensino e a assistência médica privados. 
 Fundamentos de Macroeconomia 
 
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 Com base no exemplo de Pinho e Vasconcellos (2004), suponha que os 
consumidores desejem consumir sapatos, habitações e chá, cujas quantidades dependerão 
dos preços dos bens e dos orçamentos de cada indivíduo. A fim de atender à demanda por 
esses bens, as empresas ofertarão quantidades que variarão não só com os preços dos 
bens, mas também com o custo de produzir cada um de tais bens. Como observado na 
figura, tal sistema descreve a ação conjunta da demanda e da oferta nos seguintes termos: 
os consumidores, após escolher os bens desejados, dirigem-se ao mercado com suas 
rendas e hábitos determinados a fim de comprar os bens e maximizar suas satisfações; do 
outro lado, os produtores ofertam os bens no mercado, considerando seus custos de 
produção, a fim de maximizar seu lucro total. 
 Ainda com base no exemplo de Pinho e Vasconcellos (2004), enquanto a 
quantidade ofertada de um bem seja diferente da quantidade demandada, o preço flutuará 
até que a igualdade se estabeleça, determinando uma quantidade e um preço de equilíbrio 
que deixarão satisfeitos consumidores e produtores. 
 O mesmo acontecerá no mercado de fatores de produção. O salário de equilíbrio 
é aquele estabelecido em que a força de trabalho a ser empregada é igual à ofertada pela 
coletividade, sendo que, por exemplo, em uma situação de desemprego, haveria tendência 
à queda do nível salarial na economia. 
 Assim, resumem Pinho e Vasconcellos (2004, p. 17), “o sistema de preços 
coordena as decisões de milhões de unidades econômicas, fazendo com que eles se 
equilibrem, uns aos outros, e força ajustamentos para torná-los condizentes com o nível 
tecnológico e com o montante disponível de recursos”. 
 
4. OS PRINCIPAIS AGREGADOS MACROECONÔMICOS 
 
 Conforme Lopes e Vasconcellos (1998), existem várias formas de medir o 
desempenho de uma economia, sendo que a Contabilidade Nacional ou Contabilidade 
Social tem por objetivo mensurar a totalidade das transações econômicas de um País. 
 
4.1 PRODUTO, RENDA E DESPESA AGREGADAS 
 
 Ainda segundo Lopes e Vasconcellos (1998), os conceitos de Produto, Renda e 
Despesa Agregada são importantes medidas de desempenho econômico e bem-estar da 
sociedade. A seguir, apresento cada um deles em detalhes. 
 Fundamentos de Macroeconomia 
 
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a) Produto Agregado: refere-se à soma de todos os bens e serviços finais produzidos na 
economia durante determinado período. É expresso em unidades monetárias, representa 
um fluxo que se processa ao longo do tempo e diz respeito a bens e serviços finais, uma 
vez que os bens finais incorporam os insumos intermediários, como matérias-primas e 
componentes (LOPES e VASCONCELLOS, 1998). Existe um procedimento alternativo 
para se contabilizar o produto, que não pela soma direta dos bens e serviços finais 
produzidos, que consiste em contabilizar o produto por meio do chamado valor 
adicionado, definido como o valor que foi, em cada etapa produtiva, acrescido ou 
adicionado ao valor dos bens intermediários (LOPES e VASCONCELLOS, 1998). 
 Imagine que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, queira 
calcular a produção gerada por um artesão que cobra R$ 30 por uma escultura de madeira. 
Para fazer a escultura, ele usou madeira e formão e teve que adquiri-los da indústria. O 
preço de R$ 30 traz embutidos os custos das matérias-primas utilizadas. Se a madeira e o 
formão custaram R$ 20, a contribuição do artesão para o produto agregado foi de R$ 10. 
Esse valor representa a produção gerada ao transformar um pedaço de madeira em uma 
escultura. O IBGE faz esse cálculo para toda a cadeia produtiva brasileira. Ou seja, ele 
precisa excluir da produção total de cada setor as matérias-primas que ele adquiriu de 
outros setores. 
b) Renda Agregada: é a soma da remuneração dos fatores de produção na economia, que 
corresponde aos salários (remuneração do fator trabalho), juros (remuneração do capital 
monetário), lucros (remuneração do risco incorrido pelo empresário) e aluguéis 
(remuneração do proprietário do capital físico) (LOPES e VASCONCELLOS, 1998). 
c) Despesa Agregada: representa as possíveis destinações do produto, sendo que para uma 
economia hipotética, que não tenha relações com o exterior, nem governo e que produza 
somente bens de consumo, a despesa agregada seria igual ao consumo, ou seja, 
correspondente à aquisição de bens de consumo pelas famílias (LOPES e 
VASCONCELLOS, 1998). 
 Conforme explanam Lopes e Vasconcellos (1998), os conceitos de produto, renda 
e despesa agregadas são equivalentes. Para produzir os bens e serviços fornecidos às 
famílias, as empresas se utilizam dos fatores de produção fornecidos por aquelas mesmas 
famílias. Por outro lado, os fatores de produção, ao serem utilizados, são remunerados, 
permitindo às famílias auferir uma renda, a qual é destinada a aquisição de bens e serviços 
produzidos pelas empresas. Tal fluxo, chamado de fluxo circular da renda, é exposto na 
figura a seguir. 
 Fundamentos de Macroeconomia 
 
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Figura 2 – Fluxo circular da renda 
 
Fonte: Slideplayer. 
 
 Assim, chegamos à identidade macroeconômica básica (IMB): 
Produto Agregado = Despesa Agregada = Renda Agregada 
a) Mercado de bens e serviços: 
- compra de bens e serviços: Despesa Agregada = Consumo(DA = C) 
- fornecimento de bens e serviços: Produto Agregado (PA = ∑ pi qi - alimentos, viagens 
etc.) 
b) Mercado de fatores de produção: 
- famílias unidades produtoras (fornecimento dos serviços de fatores de produção – terra, 
trabalho, capital e atividade empresarial) 
- remuneração aos serviços de fatores de produção – salários, juros, lucros, aluguéis: 
Renda Agregada (RA = s + j + l + a) 
 
c) IMB: Produto Agregado = Despesa Agregada = Renda Agregada 
 (Valor da produção final) (Despesa com o produto) (s+j+l+a) 
 
 O mercado de fatores de produção apresenta um fluxo real e um fluxo monetário. 
O fluxo monetário, ou seja, o pagamento pelos serviços de fatores de produção (salários, 
 Fundamentos de Macroeconomia 
 
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juros, lucros, aluguéis) representa a contrapartida pelo fluxo real, isto é, pelo 
fornecimento dos serviços de fatores de produção. 
 Pelo ângulo das famílias proprietárias dos fatores de produção referem-se a 
rendimentos; pelo ângulo das empresas, representam custos de produção. 
 Para a Contabilidade Social os custos de produção são os pagamentos aos fatores 
de produção, na forma de salários, juros, aluguéis e lucros, e não incluem o pagamento a 
insumos intermediários, como matérias-primas, que são pagamentos de empresas para 
empresas, que acabam se anulando no cômputo do agregado. 
 Vale ressaltar que o lucro é considerado como custo de produção (remuneração 
aos empresários pelos riscos incorridos na atividade produtiva). Assim, a Economia como 
ciência social vê o lucro como um custo de produção para as empresas. Isso estabelece 
uma diferença entre lucro contábil e lucro econômico. 
 O mercado de bens e serviços também apresenta um fluxo real e um fluxo 
monetário. O fluxo monetário, ou seja, o pagamento pelos bens e serviços, representa a 
contrapartida pelo fluxo real, isto é, o fornecimento dos bens e serviços. 
 Tem-se então um fluxo circular, no sentido de que a moeda gira pelo circuito, 
criando renda: firmas recebem das famílias pela venda de bens e serviços produtivos; 
firmas remuneram as famílias pelos serviços de fatores de produção que prestam; firmas 
remuneram as famílias que compram das firmas; ou seja, o produto gera renda, que gera 
consumo, que gera produto, que gera renda. 
 Lopes e Vasconcellos (1998) apresentam um exemplo numérico para melhor 
compreensão dos conceitos de Produto, Renda e Despesa agregadas. 
 Por problemas de medição, costuma-se medir o Produto Agregado pelo Valor 
Adicionado (ou valor agregado), definido como o valor que foi, em cada etapa produtiva, 
acrescido ou adicionado ao valor dos bens intermediários. Consiste em calcular o que 
cada ramo de atividade adicionou ao valor do produto final, em cada etapa do processo 
produtivo. 
 Consideremos um país que produza um único bem final, o pão. Para produzir pão, 
é necessário produzir trigo e farinha, nos valores a seguir discriminados. 
 
 
 
 
 
 Fundamentos de Macroeconomia 
 
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Tabela 1 – Exemplo numérico 
Produto Receita de Vendas (VBP) Compras Intermediárias (CI) Valor Adicionado = VPB - CI 
Trigo 100 0,00 100 
Farinha 400 100 300 
Pão 1000 400 600 
Adaptado de Lopes e Vasconcellos (1998) 
 
 
Na economia hipotética que apresento, o valor do Produto Agregado é de 1.000, que 
corresponde à produção do único bem final, pão, no valor de 1.000. Observe que tal valor 
também pode ser obtido somando-se o valor adicionado em cada etapa do processo 
produtivo. 
 Outra forma de apurar o Valor Adicionado é pela diferença da receita de vendas, 
também chamada de Valor Bruto da Produção (VBP), das compras intermediárias, 
chamadas de Consumo Intermediário. 
 
Valor adicionado (VA) = Valor Bruto da Produção (VBP) – Consumo Intermediário (CI) 
 
 Assim, temos: 
Renda paga pelo setor de trigo aos fatores de produção (VA trigo) = 100 
Renda paga pelo setor de farinha aos fatores de produção (VA farinha) = 300 
Renda paga pelo setor de panificação aos fatores de produção (VA pão) = 600 
Despesas com o produto final (VBP pão) = 1.000 
Portanto: 
 
PA = DA = RA = VA = 1.000 
 
 Em resumo, observamos que existem quatro formas diferentes de medir o 
resultado econômico de um país, todas conduzindo a um mesmo valor numérico: 
a) Soma dos produtos finais das empresas produtoras (PA); 
b) Soma das despesas dos agentes com o Produto Agregado (DA); 
c) Soma dos salários, juros, aluguéis e lucros (RA); 
d) Soma de valores adicionados dos setores de atividade (RA). 
 
 
 Fundamentos de Macroeconomia 
 
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4.2 FORMAÇÃO BRUTA DE CAPITAL FIXO E POUPANÇA AGREGADA 
 
 Considerando-se que as empresas não só produzem bens de consumo, mas 
também bens de capital ou bens de investimento, que conforme Lopes e Vasconcellos 
(1998) são aqueles que visam aumentar a capacidade produtiva da economia, como 
máquinas, equipamentos, edifícios, a chamada formação bruta de capital fixo e a 
acumulação de estoques de bens intermediários, e que as famílias não consomem toda sua 
renda, sendo parte poupada, tem-se os conceitos de Investimento Agregado (I) e 
Poupança Agregada (S), respectivamente, sendo a notação internacional de Poupança 
Agregada derivada do inglês “savings”. 
 Conforme mecanismo apresentado por Lopes e Vasconcellos (1998), a parcela 
da Renda Agregada não consumida, a Poupança Agregada (S), será direcionada em última 
instância na aquisição de títulos do sistema financeiro (caderneta de poupança, 
certificados de depósitos bancários, etc), cujos recursos serão direcionados às empresas 
via empréstimos bancários, sendo que tais recursos terão como destinação os 
investimentos das empresas em formação bruta de capital fixo. Assim: 
Poupança Agregada (S) = Investimento Agregado (I) 
 Ainda conforme Lopes e Vasconcellos (1998), nem toda a produção de bens de 
capital corresponde a um novo investimento, sendo a depreciação a parcela dos bens de 
capital que é consumida a cada período produtivo. A partir disso, tem-se a diferenciação 
entre Investimento Bruto (IB) e Investimento Líquido (IL), da seguinte forma: 
IL = IB – depreciação 
 Tendo em vista que o Produto Agregado, nesta hipótese, é a soma dos bens de 
consumo e de investimento, tem-se o Produto Bruto (PB), que inclui a depreciação, e o 
Produto Líquido (PL), que a exclui: 
PL = PB – depreciação 
 
4.3 AGREGADOS RELATIVOS AO SETOR PÚBLICO 
 
 Conforme Lopes e Vasconcellos (1998), o Governo refere-se às funções típicas 
de Estado nas três esferas de governo: União, Estados, Distrito Federal e Municípios e 
inclui as transações realizadas pelos respectivos tesouros (receitas e despesas públicas), 
 Fundamentos de Macroeconomia 
 
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não incluindo as atividades econômicas das empresas estatais não dependentes de 
dotações orçamentárias do tesouro. 
 Com a inclusão do Governo, cria-se um novo destino para a renda das famílias 
que agora, além de servir para o Consumo (C) e para a poupança (S), parte deve ser 
destinada ao pagamento de impostos (T), isto é: 
 
RA = C + S + T, onde: 
RA = renda agregada; 
C = consumo; 
S = poupança; 
T = tributos. 
 Além disso, tem-se que considerar os gastos públicos (G), que representam a 
aquisição de bens e serviços pelo Governo. Neste caso, a Despesa Agregada pode ser 
reescrita como: 
 
DA = C + I + G, onde: 
DA = despesa agregada; 
C = consumo; 
I = investimento; 
G = gastos do governo. 
 
 Como RA = DA, tem-se que: S + T = I + G. Rearranjando os termos, tem-se: 
S – I = G – T 
 Ou seja, sempre que houver déficit público, isto é, quando o governo gastar mais 
do que arrecada (G > T), deverá ocorrer excesso de poupança do setor privado para 
financiar o governo, isto é, S > I. É a situação verificada no Brasil, na qual o Governo 
gasta mais do que arrecada e tal diferença é financiada via poupança do setor privadomediante aumento da dívida pública. 
 O Artigo 3º do Código Tributário Nacional (CTN) assim define tributo: “tributo 
é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, 
que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade 
administrativa plenamente vinculada” (BRASIL, 1966). 
 Conforme Artigo 5º do Código Tributário Nacional (CTN) “tributos são impostos, 
taxas e contribuições de melhoria”(BRASIL, 1966). 
 Fundamentos de Macroeconomia 
 
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 Os impostos podem incidir sobre o patrimônio (IPTU, IPVA), sobre a renda 
(IRPF, IRPJ) ou sobre o consumo e produção (IPI, ICMS, ISS). Os impostos sobre a renda 
e o patrimônio são chamados de impostos diretos, ao passo que aqueles sobre o consumo 
e produção são os impostos indiretos. A seguir apresento um rol de impostos, sua base 
econômica e competência arrecadatória e respectiva distribuição, nos termos da 
Constituição Federal. 
 
Figura 3 – Repartição constitucional das receitas de impostos 
 
Fonte: Constituição Federal (1988). 
 
 As taxas referem-se aos valores cobrados por conta de uma prestação de serviços 
por parte do setor público, das esferas municipal, federal ou estadual, tais como os 
serviços públicos ou o exercício do poder de polícia, como custas judiciais, taxa de 
licenciamento de veículos, taxa para emissão de documentos, taxa de limpeza urbana, 
dentre outras. 
 Por fim, as contribuições de melhoria são aquelas pagas por conta de algum 
benefício ao contribuinte, como o asfaltamento de uma rua que eleve o valor do imóvel 
do contribuinte. 
 Quanto à inclusão do Governo à análise, ainda conforme Lopes e Vasconcellos 
(1998), o conceito de Produto desdobra-se em dois: Produto a custo de fatores (Pcf) e 
Produto a preços de mercado (Ppm): 
 Fundamentos de Macroeconomia 
 
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a) Produto a custo de fatores (Pcf): é o Produto medido a partir dos valores que refletem 
os custos de produção, ou seja, a remuneração aos fatores de produção (salários + juros + 
aluguéis + lucros). 
b) Produto a preços de mercado (Ppm): é o Produto medido a partir dos valores 
transacionados no mercado, ou seja, medido pelo preço pago pelos consumidores finais. 
 O que diferencia, portanto, os dois conceitos de Produto, são os impostos indiretos 
e os subsídios: 
 
Ppm = Pcf + impostos indiretos - subsídios 
 
 Nessa diferenciação considera-se somente os impostos indiretos, que são aqueles 
sobre a produção e o consumo, pagos em última instância pelos consumidores. Já os 
subsídios referem-se ao pagamento pelo Governo de parte dos custos de produção, 
fazendo com que o preço de venda seja reduzido, representando uma diminuição do preço 
pago pelos consumidores. 
 
4.4 AGREGADOS RELATIVOS AO SETOR EXTERNO 
 
 De acordo com Lopes e Vasconcellos (1998), podemos conceituar setor externo 
ou resto do mundo como aqueles agentes (famílias, empresas e governos) de outros 
países, chamados de não residentes, que transacionam com os residentes do país. Assim, 
por exemplo, caso uma empresa sediada no Brasil transacione com uma empresa sediada 
na Argentina, a empresa argentina é considerada não residente e participante do setor 
externo ao Brasil. 
 Ainda conforme Lopes e Vasconcellos (1998), podemos dividir as transações com 
o exterior em duas categorias: 
a) as realizadas com bens e serviços: as exportações, ou seja, a venda de parte da produção 
nacional para o exterior e que representa um elemento de demanda por produção interna, 
e as importações, que são aquisições de produção realizada em outros países. 
b) as realizadas com fatores de produção: as empresas sediadas no país podem utilizar 
trabalho e capital vindo do resto do mundo, e assim enviando renda ao exterior, assim 
como empresas nacionais que vendem trabalho e capital para entidades situadas no 
exterior e assim recebendo renda do exterior. 
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 Renda líquida enviada ao exterior (RLEE) é a diferença entre o que é pago por 
fatores de produção externos utilizados internamente e o que é recebido do exterior por 
fatores de produção nacionais empregados em outros países. Assim, se a RLEE>0, 
significa que o país envia mais renda do que recebe do exterior. Se RLEElei da oferta e demanda. 
b) inflação de custos: é associada a uma inflação tipicamente de oferta. O nível de 
demanda permanece praticamente o mesmo, mas os custos de certos insumos importantes 
aumentam e são repassados aos preços dos produtos. Como exemplo, tem-se os choques 
promovidos pela elevação do preço internacional do petróleo. 
c) inflação inercial: decorrente dos reajustes de preços e salários provocados pela 
indexação ou correção monetária. 
 No Brasil o controle inflacionário se dá pelo regime de metas de inflação, o qual 
é um regime monetário no qual o Banco Central (Bacen) se compromete a atuar de forma 
a garantir que a inflação observada esteja em linha com uma meta preestabelecida, 
anunciada publicamente. O principal instrumento de política monetária utilizado pelo 
Bacen para o controle inflacionário é a taxa de juros básica, a taxa Selic. O Comitê de 
Política Monetária, ou Copom, é o órgão decisório da política monetária do Banco Central 
do Brasil, responsável por estabelecer a meta para a taxa Selic. No atual regime de metas 
para a inflação, o principal objetivo da política monetária implementada pelo Copom é o 
alcance das metas de inflação estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), 
sendo que o índice oficial utilizado como parâmetro da inflação é o Índice Nacional de 
Preços ao Consumidor Amplo – IPCA, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia 
e Estatística (IBGE). 
 Índices de preços são números que agregam e representam os preços de uma 
determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços 
dos produtos da cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao 
produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação. Os índices mais 
difundidos são os índices de preços ao consumidor, que medem a variação do custo de 
vida de segmentos da população (BACEN, 2003). 
 A seguir seguem as características dos principais índices de preços no Brasil. 
 
 
 
 
 Fundamentos de Macroeconomia 
 
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Figura 4 – Principais índices de preços no Brasil 
 
Fonte: Adaptado de BACEN (2003). 
 
 
RESUMO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nesta aula você conheceu os fundamentos básicos da 
Macroeconomia, um dos ramos da Economia, ressalvando-
se que a Macroeconomia oferece um campo extenso de 
exploração, conforme seja a sua necessidade de 
aprofundamento na área. Agora você já conhece conceitos 
elementares do assunto, como Produto Interno Bruto, o 
famosos PIB, inflação e seus principais índices e como se 
dá o funcionamento de um sistema econômico. 
 Fundamentos de Macroeconomia 
 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
BACEN. Banco Central do Brasil. Índices de Preços. Série Perguntas Mais Frequentes. 
2. ed. Brasília, 2003. 
 
 
BRASIL. Código Tributário Nacional. Lei Federal nº 5.172 de 25 de outubro de 
1966. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172compilado.htm. 
 
 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. 
 
 
LOPES, Luiz Martins. VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de (Orgs). 
Manual de Macroeconomia. São Paulo: Atlas, 1998. 
 
 
MENDES, Judas Tadeu Grassi. Economia: fundamentos e aplicações [livro eletrônico]. 
2 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. 
 
 
TEBCHIRANI, Flávio Ribas. Princípios de economia: micro e macro [livro 
eletrônico]. Curitiba: InterSaberes, 2012. 
 
 
VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de. PINHO, Diva Benevides (Orgs). 
Manual de Economia. 4 ed. São Paulo: Saraiva, 2004.