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POLUIÇÃO, BIOACUMULAÇÃO E BIOAMPLIAÇÃO; AGENTES TÓXICOS; 
POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA 
 
 
 
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Poluição, Bioacumulação e Bioampliação; Agentes tóxicos; Poluição atmosférica 
• Poluição: modificação não pretendida na atmosfera, na água ou nos solos, que pode afetar os hu-
manos ou qualquer outro organismo vivo, apresentando origem antrópica. 
• Contaminação: introdução de compostos em quantidades acima das normais, podendo ou não afe-
tar os organismos que nela habitam e cuja origem poderá ser natural. 
• Poluente: qualquer composto emitido pelo Homem que afete os ecossistemas e o próprio Homem. 
• Toxicidade: efeito negativo na saúde humana ou no ambiente provocado pela presença de compos-
tos em concentrações acima do definido. As substâncias tóxicas podem ser ingeridas, inaladas ou ab-
sorvidas através da pele 
o Fatores que influenciam a toxicidade: frequência e duração da exposição e natureza da substância 
Fatores de Toxicidade: 
o Dose: 
▪ A dose letal causa a morte de um organismo. No caso humano, a dose letal de uma determinada 
substância tóxica depende de fatores como a idade, o sexo, o estado de saúde, a eficiência dos siste-
mas de desintoxicação e a sensibilidade individual. 
▪ Dose Letal média (LD50): concentração de uma substância que causa a morte de 50% de uma po-
pulação-teste num período de 14 dias. 
o Solubilidade: 
▪ As substâncias tóxicas solúveis na água são facilmente absorvidas pelos organismos a partir do 
meio, mas também são relativamente fáceis de eliminar. 
▪ As substâncias tóxicas solúveis nos lípidos acumulam-se nas células e tecidos e são mais difíceis 
de eliminar. 
o Bioacumulação: 
▪ Corresponde à soma sucessiva da incorporação de um poluente efectuada por via directa ou por via 
alimentar, sendo mais frequente nos organismos aquáticos. 
o Bioampliação: 
▪ Causada pela acumulação de compostos tóxicos nos tecidos, mais grave para os consumidores de 
topo das cadeias alimentares, onde se registam os mais graves problemas de toxicidade – a concen-
tração de certas substâncias aumenta de nível trófico para nível trófico, ao longo das cadeias alimen-
tares, e afecta organismos que não foram directamente expostos. 
▪ Um dos aspectos mais graves da bioacumulação e da bioampliação é o facto de não aparecerem 
sintomas até as concentrações no organismo serem suficientemente elevadas para causarem proble-
mas graves de saúde. 
o Interacção com outras substâncias: 
▪ Sinergismo – A interacção multiplica o efeito da substância tóxica. O efeito combinado das duas 
substâncias é superior à soma dos efeitos de cada uma delas quando actuam isoladamente. A pre-
sença de um nutriente aumenta ou facilita a absorção de outro. 
▪ Antagonismo – a interacção reduz o efeito da substância tóxica. A presença de um nutriente causa 
a indisponibilidade de um outro nutriente, mesmo que ele esteja presente no solo, em quantidade su-
ficiente. 
Efeitos dos Agentes Tóxicos: 
• A resposta a um agente tóxico é variável e pode resultar em dois tipos de efeitos: 
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o Efeito agudo – reacção imediata ou rápida do organismo à exposição ao agente tóxico, que pode 
variar de uma erupção cutânea até à morte; 
o Efeito crónico – consequência permanente ou duradoura da exposição ao agente tóxico, como le-
sões renais ou hepáticas. 
• Classificação dos agentes tóxicos em função dos seus efeitos: 
o Mutagénico: 
▪ Causa mutações no DNA. As mutações podem ser somáticas ou germinativas. Pode originar doen-
ças e cancro. 
▪ Exemplo: radiações ionizantes, raios X. 
o Teratogénico: 
▪ Causa defeitos no embrião, especialmente durante os primeiros 3 meses de gravidez, podendo re-
flectir-se na perda da gestação, malformações ou alterações no funcionamento, bem como distúrbios 
neurocomportamentais, como o atraso mental. 
▪ Exemplo: Talidomida, polifenóis biclorados (PCB) e metais pesados, como o chumbo e arsénio. 
o Cancerígeno: 
▪ Causa o aparecimento de cancros, por indução de alterações no DNA. Os contaminantes provocam 
alterações no DNA das células que conduzem ao seu crescimento e divisão descontrolada, origi-
nando o cancro. 
▪ Exemplo: substâncias químicas, presentes no fumo do cigarro, em alimentos e em poluentes ambi-
entais. Radiações, metais pesados e vírus. 
o Alergénico: 
▪ Induz reacções alérgicas. 
▪ Exemplo: veneno de insectos. 
o Asfixiante: 
▪ Impede a captação ou distribuição de oxigénio. 
▪ Exemplo: Monóxido de carbono. 
o Neurotóxico: 
▪ Afecta o sistema nervoso. 
▪ Exemplo: DDT, formaldeído, dioxinas, chumbo, mercúrio e tolueno. 
• Em estudos de toxicidade, verifica-se, frequentemente, que muitas substâncias têm efeitos insignifi-
cantes sobre a saúde em baixas concentrações, mas os efeitos acentuam-se para concentrações 
mais elevadas. Este facto deve-se principalmente aos seguintes factores: 
▪ O organismo possui mecanismos de destruição, diluição ou excreção de substâncias tóxicas; 
▪ As células têm enzimas que reparam o DNA; 
▪ as células de algumas regiões do organismo (como a pele e os revestimentos do sistema digestivo, 
dos pulmões e dos vasos sanguíneos) multiplicam-se a uma taxa elevada e substituem rapidamente 
as células danificadas. 
Poluição Atmosférica 
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• Constituição da atmosfera: 
o Troposfera – camada mais baixa da atmosfera e a mais densa, ao longo da qual há um arrefeci-
mento acentuado. Existem correntes de ar que possibilitam a ascensão dos contaminantes. É o local 
onde se origina o nosso clima e ocorrem os fenómenos climáticos. As substâncias que nela se encon-
tram podem regressar à superfície terrestre por precipitação. 
o Estratosfera – sobrepõe-se à troposfera, é mais rarefeita e contém uma menor concentração de va-
por de água e uma maior concentração de ozono. Como as correntes de ar são insignificantes e a 
quantidade de vapor de água é reduzida, as substâncias que alcançam esta camada permanecem aí 
durante muito tempo. 
o Mesosfera 
o Termosfera 
• Os poluentes atmosféricos podem ser classificados como: 
o Poluentes primários – se são emitidos directamente para a troposfera numa forma potencialmente 
perigosa. Resultam directamente da combustão ou evaporação do carvão e derivados do petróleo. 
▪ Partículas, compostos orgânicos voláteis, CO, NOx, SOx e chumbo. 
o Poluentes secundários – se resultam da reacção dos poluentes primários com os componentes do 
ar (combustão), formando novos poluentes. A energia para que estas reacções ocorram provém da 
luz solar, daí se designarem também por oxidantes fotoquímicos. 
▪ Ozono, H2O2, H2SO4, HNO3 e diversos compostos orgânicos voláteis. 
• A poluição atmosférica, mesmo quando originada por fontes locais, atinge facilmente uma dimensão 
regional ou global, como consequência da mobilidade horizontal do ar atmosférico. 
Particularização dos fenómenos de poluição atmosférica 
• Smog: 
o Com a Revolução Industrial e a utilização intensiva de carvão como fonte de calor e energia, apa-
rece o «smog industrial» - densas neblinas constituídas por uma mistura de óxidos de carbono, com-
postos azotados e vapor de água, que se formaram onde se concentravam as indústrias. 
o A partir dos anos 50, com o uso crescente de veículos motorizados, as grandes áreas urbanas co-
meçaram a ficar envoltas numa neblina denominada «smog fotoquímico». 
o Inversão térmica – uma das principais causas de intensificação do smog. 
▪ Em condições normais, a temperatura é mais elevada junto ao solo (devido ao facto de os raios so-
lares incidirem na superfície); o ar quente eleva-se, arrastando consigo os contaminantes, promo-
vendo a sua dispersão. 
▪ De noite, esta corrente pára. A formação de uma camada de ar mais fria à superfície, limitada supe-
riormente por uma camada mais quente, ocorre durante a inversão térmica.▪ Quando estas inversões térmicas ocorrem de um modo prolongado, os contaminantes atingem con-
centrações perigosas, pelo que, nestes casos, as autoridades de saúde aconselham as pessoas com 
problemas respiratórios a permanecerem em casa e a protegerem-se. 
o Consequências do Smog: 
▪ Dores de cabeça, 
▪ Náuseas, 
▪ Irritação nos olhos e na garganta, 
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▪ Agravamento dos problemas respiratórios, 
▪ Morte 
• Chuvas Ácidas: 
o Deposição à superfície da Terra de substâncias com pH inferior a 5,6 que ocorre, geralmente, por 
precipitação. 
o As chuvas ácidas passaram rapidamente de um problema de poluição regional, de zonas do globo 
muito industrializadas e com muitos carros, para um problema de poluição global. 
o Os poluentes primários emitidos para a atmosfera podem ser transportados pelos ventos dominan-
tes, percorrendo distâncias de várias centenas de quilómetros. 
o Causas: 
▪ O dióxido de enxofre (SO2) e os óxidos de azoto (NOx) produzidos pelas actividades humanas, par-
ticularmente a queima de combustíveis fósseis em centrais termoeléctricas, a indústria e os transpor-
tes rodoviários, reagem com o vapor de água atmosférico e originam ácido sulfúrico e ácido nítrico. 
Estas substâncias são depositadas à superfície da Terra com a precipitação ou a seco. 
o Consequências: 
▪ Destruição de florestas, por acção directa sobre as plantas ou indirecta pela acidificação do solo; 
▪ Desequilíbrios nos ecossistemas aquáticos provocados pela morte de peixes, aumento da concen-
tração de alumínio e formação de metilmercúrio; 
▪ Aumento da frequência e gravidade de doenças respiratórias em seres humanos, como a bronquite 
e a asma; 
▪ Aumento da frequência e gravidade de doenças respiratórias em seres humanos, com a bronquite e 
a asma; 
▪ Libertação de metais pesados, como cobre e chumbo, das canalizações para a água de consumo 
público; 
▪ Degradação de monumentos, particularmente de calcário e mármore. 
o Medidas a adoptar para minimizar as emissões de poluentes: 
▪ Instalação de depuradores (filtros líquidos) – ao passar os fumos da combustão por estes filtros, que 
têm água e cal, obtém-se um precipitado, com diminuição da emissão de poluentes; 
▪ Costrução de centrais e equipamentos de energia alternativa; 
▪ Redução do consumo de electricidade. 
• Efeito de Estufa: 
o O efeito de estufa é um fenómeno natural que tem vindo a ser acentuado pela libertação de gases 
com origem em actividades humanas. 
▪ O efeito de estufa impede a ocorrência de oscilações térmicas significativas, a que a maioria dos 
planetas do nosso sistema solar se encontra sujeito, tendo possibilitado o aparecimento e desenvolvi-
mento da vida. 
o Da radiação solar que incide na Terra, uma parte é reflectida pela atmosfera ou absorvida pelo 
ozono estratosférico. A que atinge a superfície terrestre gera calor, que é irradiado sob a forma de ra-
diação infra-vermelha. Os gases de estufa absorvem parte desta radiação e libertam mais radiação 
infra-vermelha, de maior comprimento de onda. 
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▪ O CO2, vapor de água e outros gases têm função análoga à dos vidros numa estufa, deixando en-
trar as radiações, mas dificultando a saída dos raios Infra-vermelhos (IV). 
o Causas: a emissão de gases de estufa com origem antropogénica tem vindo a aumentar desde a 
Revolução Industrial. 
▪ CO2 – tem origem na queima de combustíveis fósseis e na queima de florestas para obtenção de 
terrenos agrícolas. Anualmente, verifica-se uma oscilação da concentração de CO2 por estação, re-
flexo da fotossíntese e da respiração nos ecossistemas aquáticos e terrestres (predominante no final 
do Outono e Inverno). 
▪ Metano (CH4) – proveniente das reacções microbianas de fermentação e de explorações petrolí-
feras. 
▪ Óxido nitroso (N2O) – tem origem em combustíveis fósseis, fertilizantes químicos e na pecuária. 
▪ Clorofluorcarbonetos (CFC) – utilizados como propulsores em aerossóis e em gases de refrigera-
ção. Têm uma capacidade de absorção dos raios IV superior ao CO2. 
▪ Vapor de água 
▪ Ácido nítrico (HNO3) - proveniente da queima de biomassa e uso de fertilizantes químicos na agri-
cultura. 
o Consequências do efeito de estufa: Aquecimento Global: 
▪ Aumento do nível dos oceanos, devido à expansão térmica da água e à fusão das calotes polares; 
▪ Alterações climáticas que afectam a disponibilidade de recursos hídricos (as taxas de evaporação e 
precipitação são alteradas) e a produção de alimentos; 
▪ Aumento da frequência e intensidade dos fenómenos extremos, como secas prolongadas, vagas de 
calor, inundações e tempestades; 
▪ Alterações na localização e na estrutura dos ecossistemas; 
▪ Extinção de espécies; 
▪ Alastramento de algumas doenças típicas das regiões tropicais. 
o A atmosfera terrestre também está sujeita a factores de arrefecimento. 
▪ As nuvens cobrem aproximadamente 50% da superfície terrestre e reflectem para o espaço cerca 
de 21% da radiação solar – esta reflexão denomina-se albedo e impede que ocorra o aquecimento. 
▪ A actividade vulcânica também arrefece a Terra, pois, durante as erupções, nuvens enormes de 
partículas e de aerossóis podem entrar na atmosfera, reflectindo e dispersando as radiações, o que 
causa uma diminuição da temperatura. 
▪ Assim, a temperatura resulta do equilíbrio entre factores de aquecimento e de arrefecimento do pla-
neta. 
o Medidas de prevenção e minimização do efeito de estufa: 
▪ Estabelecimento e cumprimento de um máximo mundial para as emissões de CO2, mediante limita-
ções do uso de combustíveis fósseis na indústria e nos transportes; 
▪ Efectuar acordos internacionais para pôr fim à emissão de CFC; 
▪ Deter a desflorestação e incrementar a plantação de árvores em vastas áreas actualmente desflo-
restadas; 
▪ Sensibiliar para a conservação de energia e apostar em formas de energia renováveis; 
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▪ Fomentar a escolha pelos transportes públicos. 
• Rarefacção do ozono estratosférico: 
o A camada de ozono que se localiza na estratosfera, filtra cerca de 95% das radiações UV do Sol. 
o A rarefacção do ozono estratosférico atinge praticamente todas as zonas da Terra (os trópicos são a 
excepção) e é particularmente grave sobre os polos onde se verifica uma acentuada redução sazo-
nal. 
o O frio intenso e o grande turbilhão de ventos polares acima da Antárctida provocam, em cada In-
verno, um decréscimo localizado na espessura de ozono. Contudo, na Primavera seguinte, com o 
Sol, o ozono volta a formar-se e a espessura normal é reconstituída. À perda sazonal de ozono du-
rante o verão da Antárctida foi chamado o buraco do ozono. 
o O ozono troposférico, também chamado ozono fotoquímico, é um poluente secundário, com efeitos 
nocivos sobre o sistema respiratório. Resulta da oxidação de poluentes primários, como os óxidos de 
azoto, por acção da luz solar. 
o Causas: libertação de CFC's para a atmosfera 
▪ Os CFC são compostos estáveis e inodoros constituídos por átomos de carbono, cloro, e flúor. Fo-
ram amplamente usados como propulsores em aerossóis e em gases de refrigeração. 
▪ Na estratosfera, as radiações UV causam a quebra das moléculas de CFC e libertam átomos de 
cloro radioactivos. Os átomos de cloro causam a quebra da molécula de O3 em O2 e O, numa cadeia 
cíclica de reacções que conduz a uma distribuição de O3 mais rápida que a sua formação. 
▪ Cada molécula de CFC pode permanecer na estratosfera por dezenas de anos e converter um 
grande número de moléculas de O3 em O2. 
o Consequências: a redução do ozono estratosférico permite uma maior incidência das radiações UV 
sobre a Terra, o que provoca: 
▪ Aumento da incidência de queimaduras solares, cancros de pele e cataratasem seres humanos; 
▪ Supressão de funções do sistema imunitário, o que aumenta a susceptibilidade a doenças infeccio-
sas e cancros; 
▪ Diminuição da produção de certas culturas, como milho, arroz, sorgo e trigo; 
▪ Diminuição da produção florestal de muitas espécies de árvores sensíveis às radiações UV. 
o Medidas: Protocolo de Montreal. 
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