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2 ÍNDICE 1. OBJECTIVO GERAL ............................................................................................................. 3 2. OBJECTIVOS ESPECÍFICOS ............................................................................................... 3 3. METODOLOGIA ................................................................................................................... 3 4. INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 4 Revisão da literatura. ................................................................................................................... 5 5. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO COMÉRCIO INTERNACIONAL. .......................... 5 Exemplo: Acordo Mercosul-União Europeia. ............................................................................. 9 Estrutura da Balança de Pagamentos .......................................................................................... 9 Exemplos Práticos ..................................................................................................................... 10 Divisas ....................................................................................................................................... 10 Determinantes da Taxa de Câmbio ........................................................................................... 11 Regimes Cambiais ..................................................................................................................... 11 Importância da Taxa de Câmbio na Macroeconomia ................................................................ 12 Vantagens competitivas no comércio internacional .................................................................. 14 Modelo do Diamante de Porter ................................................................................................. 14 7. ACORDOS COMERCIAIS E EXEMPLOS ........................................................................ 16 Os princípios de OMC organização mundial de comércio ....................................................... 16 8. EXERCÍCIOS PRÁTICOS E PERGUNTAS. ...................................................................... 18 RESPOSTAS. ............................................................................................................................ 21 9. CONCLUSÃO ...................................................................................................................... 25 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................ 26 3 1. OBJECTIVO GERAL Analisar os principais conceitos e factores que influenciam o comércio internacional, abordando a balança de pagamentos, divisas, taxa de câmbio, vantagens competitivas e acordos comerciais, com enfoque nas suas implicações económicas. 2. OBJECTIVOS ESPECÍFICOS Compreender a importância da balança de pagamentos e das divisas no comércio internacional. Explicar os factores que determinam a taxa de câmbio e seu impacto nas transacções internacionais. Avaliar as vantagens competitivas dos países e suas estratégias no comércio global. Identificar e exemplificar os principais acordos comerciais e seus efeitos na economia mundial. Aplicar o conhecimento teórico através de exercícios práticos. 3. METODOLOGIA Este trabalho baseia-se em pesquisa bibliográfica, utilizando livros de economia internacional, artigos académicos e relatórios de organizações como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, serão apresentados exercícios para reforçar a compreensão dos conceitos abordados. 4 4. INTRODUÇÃO O comércio internacional é um dos pilares da economia global, permitindo a circulação de bens, serviços e capitais entre diferentes países. Essa interconexão económica é influenciada por diversos factores, como a balança de pagamentos, a taxa de câmbio e as políticas comerciais adoptadas por cada nação. A globalização tem intensificado as relações comerciais, aumentando a necessidade de acordos internacionais que facilitem o fluxo de mercadorias e serviços. Além disso, a busca por vantagens competitivas leva os países a especializarem-se em sectores estratégicos, fortalecendo suas economias e influenciando a dinâmica do mercado global. Este estudo tem como objectivo explorar os principais conceitos do comércio internacional, analisando como factores económicos e políticos moldam as trocas comerciais entre nações. 5 REVISÃO DA LITERATURA. 5. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO COMÉRCIO INTERNACIONAL. O comércio internacional é um dos pilares da macroeconomia, influenciando directamente o crescimento económico, a distribuição de renda e as relações diplomáticas entre nações. Compreender seus conceitos fundamentais é essencial para analisar as dinâmicas globais e suas repercussões internas. (Ricardo, 1817, p. 94). 1. Vantagem Comparativa Proposta por David Ricardo, a teoria da vantagem comparativa sugere que mesmo que um país não seja o mais eficiente na produção de nenhum bem, ele ainda pode se beneficiar do comércio ao se especializar na produção de bens nos quais possui menor desvantagem relativa. Isso permite que cada país se concentre naquilo que produz com maior eficiência relativa, aumentando o bem-estar global. 2. Dotação de Fatores e Modelo de Heckscher-Ohlin O modelo de Heckscher-Ohlin argumenta que as diferenças nas dotações relativas de factores de produção (terra, trabalho e capital) entre os países determinam seus padrões de comércio. Países ricos em determinado factor tenderão a exportar bens que utilizam intensivamente esse factor, enquanto importarão bens que requerem factores escassos. Por exemplo, um país com abundância de mão-de-obra barata exportará produtos que demandam trabalho intensivo. 3. Economias de Escala e Comércio Economias de escala referem-se à redução do custo unitário de produção à medida que a produção total aumenta. No comércio internacional, empresas que operam em mercados globais podem produzir em maior escala, reduzindo custos e oferecendo produtos a preços mais competitivos. Isso beneficia consumidores com preços mais baixos e amplia a variedade de produtos disponíveis. 6 4. Barreiras Comerciais São restrições impostas pelos governos ao comércio internacional, visando proteger indústrias locais da concorrência estrangeira. As principais barreiras incluem: Tarifas: Impostos sobre importações que aumentam o preço do produto estrangeiro. Quotas: Limitações quantitativas que restringem a quantidade de um bem que pode ser importado. Subsídios: Apoios financeiros ao sector exportador que tornam seus produtos mais competitivos no mercado internacional. 5. Taxa de Câmbio e Política Monetária A taxa de câmbio, que determina o valor de uma moeda em relação a outra, influencia directamente o comércio internacional. Uma moeda forte torna as exportações mais caras e as importações mais baratas, podendo reduzir a competitividade das exportações de um país. Políticas monetárias, como ajustes nas taxas de juros, podem afectar a taxa de câmbio, influenciando os fluxos comerciais e os saldos da balança de pagamentos. 6. Acordos Comerciais e Integração Económica Acordos comerciais, como zonas de livre comércio e uniões aduaneiras, buscam reduzir ou eliminar barreiras comerciais entre países participantes. Esses acordos promovem a integração económica, aumentam o comércio intra-regional e podem fortalecer a posição política e económica dos países envolvidos no cenário global. 7. Impactos Sociais e Ambientais do Comércio O comércio internacional não afecta apenas os aspectos económicos, mas também tem implicações sociais e ambientais. A busca por mão-de-obra mais baratapode levar a condições de trabalho precárias em países em desenvolvimento. Além disso, a intensificação da produção para exportação pode resultar em degradação ambiental. Portanto, é essencial que políticas comerciais considerem esses factores para promover um desenvolvimento sustentável e equitativo. 7 Diversos autores tentaram definir o que se entende por comércio internacional. Segundo Maluf (2000, p.23), o comércio internacional é definido como o “intercâmbio de bens e serviços entre países, resultante das especializações na divisão internacional do trabalho e das vantagens comparativas dos países”. Já Lopez (2000) afirma que existem dois principais interesses na participação no comércio exterior: o político e o comercial. O interesse político refere-se à busca dos países por fontes de recursos, equilíbrio da balança de pagamentos, actualização de tecnologia, diversificação de mercados, ampliação da pauta de exportação e desenvolvimento social, isto é, geração de empregos. O interesse comercial reflecte a busca das empresas por aproveitamento da capacidade ociosa, diversificação de mercados, compensação de tributação, formação de nome global e aproveitamento de incentivos governamentais. EXEMPLOS PRÁTICOS. 1. VANTAGEM COMPARATIVA (David Ricardo, 1817) Exemplo: Brasil e EUA na produção de café e computadores. O Brasil tem vantagem comparativa na produção de café, pois possui clima favorável e custos mais baixos. Os EUA têm vantagem comparativa na produção de computadores, pois possuem tecnologia avançada. Se o Brasil exportar café para os EUA e importar computadores, ambos os países ganham, pois cada um se especializa no que faz de melhor. 2. MODELO HECKSCHER-OHLIN: Exportação de Produtos Intensivos em Factores Abundantes. Exemplo: China e EUA. A China tem mão-de-obra abundante e barata, o que a torna competitiva na produção de bens manufacturados, como roupas e electrónicos. 8 Os EUA têm capital e tecnologia avançada, o que os torna competitivos na exportação de software e equipamentos médicos. Isso explica por que a China exporta produtos intensivos em trabalho e os EUA exportam bens de alto valor agregado. 3. ECONOMIAS DE ESCALA: Produção em Massa e Redução de Custos Exemplo: Indústria Automobilística. A Toyota consegue reduzir custos ao produzir milhões de carros por ano, beneficiando-se da economia de escala. Como resultado, consegue vender veículos a preços mais competitivos no mercado global. 4. BARREIRAS COMERCIAIS: Tarifas e Quotas Exemplo: Tarifas dos EUA sobre o aço chinês (2018). Em 2018, os EUA impuseram tarifas sobre o aço importado da China para proteger a indústria siderúrgica americana. Como consequência, o aço chinês ficou mais caro nos EUA, beneficiando os produtores locais, mas prejudicando indústrias americanas que usam aço na produção, como a automobilística. 5. TAXA DE CÂMBIO E COMÉRCIO EXTERIOR Exemplo: Desvalorização do Real (Brasil). Quando o real se desvaloriza em relação ao dólar, os produtos brasileiros ficam mais baratos para compradores estrangeiros. Isso aumenta as exportações brasileiras, beneficiando sectores como o agronegócio e a mineração. Por outro lado, produtos importados (como electrónicos e combustíveis) ficam mais caros, elevando a inflação no Brasil. 9 6. ACORDOS COMERCIAIS: União Europeia e Mercosul Exemplo: Acordo Mercosul-União Europeia. O acordo prevê redução de tarifas sobre produtos exportados entre os blocos. O Brasil, por exemplo, pode vender mais carne e soja para a Europa com custos menores. Já a União Europeia pode vender mais carros e produtos farmacêuticos para o Mercosul. 5.1. BALANÇA DE PAGAMENTOS E DIVISAS O segundo Mundell, 1961, p. 654. Balança de pagamentos é um instrumento fundamental na macroeconomia, registando todas as transacções económicas realizadas entre os residentes de um país e o resto do mundo durante um período específico. Ela fornece uma visão detalhada das relações comerciais e financeiras internacionais de um país, permitindo avaliar sua posição económica global. ESTRUTURA DA BALANÇA DE PAGAMENTOS A balança de pagamentos é dividida principalmente em três contas: Conta Corrente: Registra as transacções de bens, serviços, rendimentos e transferências correntes. Balança Comercial: Diferença entre exportações e importações de bens. Balança de Serviços: Transacções de serviços como turismo, transporte e seguros. Balança de Rendimentos: Pagamentos e recebimentos de rendimentos, como juros e dividendos. Transferências Correntes: Remessas unilaterais, como ajuda externa e remessas de trabalhadores. 2. CONTA CAPITAL E FINANCEIRA: Regista as transacções de activos financeiros e investimentos. Conta Capital: Inclui transferências de património, como perdão de dívidas e migrações de activos. 10 Conta Financeira: Detalha os fluxos de investimento directo, investimento em carteira, derivativos e outros investimentos. 3. Variações nas Reservas Internacionais: Reflecte as alterações nas reservas de moeda estrangeira do país, utilizadas para equilibrar a balança de pagamentos. IMPORTÂNCIA DE BALANÇA DE PAGAMENTO. A balança de pagamentos oferece insights cruciais sobre a saúde económica de um país: Avaliação da Sustentabilidade Fiscal: Deficits persistentes na conta corrente podem indicar dependência de financiamento externo, levantando preocupações sobre a sustentabilidade fiscal. Política Monetária e Cambial: Desequilíbrios na balança de pagamentos podem influenciar as políticas monetárias e cambiais adoptadas pelo governo, afectando taxas de juros, níveis de reservas internacionais e estabilidade da moeda. Análise de Competitividade Internacional: Superávits ou déficits na balança comercial reflectem a competitividade dos produtos e serviços de um país no mercado global. Exemplos Práticos Crise Asiática de 1997: Países como a Tailândia apresentavam déficits significativos na conta corrente devido ao financiamento de investimentos com capital estrangeiro. Quando os fluxos de capital diminuíram, esses países enfrentaram crises cambiais, levando a recessões económicas. Superávit Comercial da China: A China tem consistentemente mostrado superávits na balança comercial, exportando mais do que importa. Isso contribuiu para acumular grandes reservas de divisas, influenciando políticas cambiais e comerciais globais. DIVISAS As divisas referem-se às moedas estrangeiras utilizadas no comércio internacional, como o dólar americano (USD), o euro (EUR) e o iene japonês (JPY). Essas moedas são essenciais para a realização de transacções comerciais e financeiras entre países (Mankiw, 2019). 11 5.2. TAXA DE CÂMBIO E SUA DETERMINAÇÃO De acordo com Mundell, R. (1961). A taxa de câmbio é um dos indicadores mais relevantes na macroeconomia, reflectindo a relação de valor entre duas moedas e influenciando directamente as transacções comerciais e financeiras internacionais. Sua determinação envolve uma complexa interacção de factores económicos, políticos e de mercado. DEFINIÇÃO DE TAXA DE CÂMBIO A taxa de câmbio representa o preço de uma moeda em termos de outra, ou seja, quantas unidades de uma moeda são necessárias para adquirir uma unidade de outra moeda. Ela pode ser expressa de duas formas: Taxa de compra: Preço que uma instituição financeira paga ao adquirir moeda estrangeira. Taxa de venda: Preço que a instituição cobra ao vender moeda estrangeira. DETERMINANTES DA TAXA DE CÂMBIO A formação da taxa de câmbio é influenciada por diversos factores, incluindo: Oferta e Demanda por Moeda: Variações na demanda por produtos e serviços de um país afectam a necessidade de sua moeda, influenciando seu valor. Taxas de Juros: Diferenciais nas taxas de juros entre países atraem fluxos de capital, impactando a demanda por moedas e, consequentemente, suas taxas de câmbio. Nível de PreçosInternos: A inflação relativa entre países afecta a competitividade de seus produtos, alterando a demanda por suas moedas. Expectativas de Mercado: Percepções sobre a estabilidade económica e política de um país influenciam a confiança na sua moeda, afectando sua taxa de câmbio. REGIMES CAMBIAIS Os países adoptam diferentes regimes cambiais que determinam o grau de intervenção governamental na formação da taxa de câmbio: 12 Câmbio Fixo: A taxa de câmbio é estabelecida e mantida pelo governo, exigindo reservas de moeda estrangeira para sustentar o valor fixado. Câmbio Flutuante: A taxa de câmbio é determinada pelo mercado, com mínima intervenção governamental, reflectindo as condições de oferta e demanda. Câmbio Administrado: Combina elementos dos sistemas fixo e flutuante, permitindo que a taxa flutue dentro de uma faixa estabelecida pelo governo. MODELOS DE DETERMINAÇÃO DA TAXA DE CÂMBIO Modelo Mundell-Fleming: Este modelo analisa a relação entre a taxa de câmbio, a política monetária e fiscal em economias abertas. Ele destaca o "trilema" ou "impossibilidade trina", que sugere que é impossível para um país ter simultaneamente uma política monetária independente, um regime de câmbio fixo e livre mobilidade de capitais. Ou seja, um país deve escolher entre ter uma política monetária independente, um câmbio fixo ou liberdade de movimento de capitais, mas não pode ter todos simultaneamente. IMPORTÂNCIA DA TAXA DE CÂMBIO NA MACROECONOMIA A taxa de câmbio desempenha um papel crucial na economia de um país, afectando: Balança Comercial: Taxas de câmbio favoráveis podem tornar as exportações mais competitivas, melhorando a balança comercial. Fluxos de Capital: Variações na taxa de câmbio influenciam os investimentos estrangeiros directos e de portfólio. Política Monetária: A taxa de câmbio afecta a eficácia das políticas monetárias internas, especialmente em economias abertas. Apreciação da Moeda e Exportações: Quando a moeda de um país se valoriza, seus produtos se tornam mais caros no mercado internacional. Por exemplo, se o dólar americano se aprecia em relação ao euro, os produtos exportados pelos Estados Unidos se tornam mais caros para os consumidores europeus, o que pode reduzir as exportações. Isso impacta negativamente a 13 balança comercial e pode afectar o crescimento económico, já que menos empresas vendem seus produtos no exterior. EXEMPLOS PRÁTICOS. Em 2014, a valorização do dólar americano em relação ao euro diminuiu a competitividade dos produtos norte-americanos na zona do euro. Esse fenómeno afectou negativamente as exportações dos EUA para países europeus, o que resultou em uma desaceleração na produção de alguns sectores industriais. 2. Depreciação da Moeda e Inflação: Quando a moeda de um país se desvaloriza, os preços das importações aumentam, o que pode gerar inflação interna. Esse aumento nos preços de bens importados pode impactar a economia, elevando os custos de vida, especialmente em países dependentes de importações. Exemplo: A crise económica de 2015 na Venezuela resultou em uma desvalorização extrema da moeda local, o bolívar. Com a desvalorização, as importações se tornaram mais caras, resultando em um aumento generalizado nos preços de produtos essenciais, como alimentos e medicamentos, alimentando uma alta inflação no país. 3. Políticas Monetárias e Taxa de Câmbio: As políticas monetárias também afectam a taxa de câmbio. Quando um país aumenta suas taxas de juros, isso tende a atrair investimentos estrangeiros, o que aumenta a demanda por sua moeda e pode levar a uma apreciação cambial. Exemplo: No Brasil, quando o Banco Central aumentou as taxas de juros em 2015 para combater a inflação, o real se apreciou em relação ao dólar. Isso ocorreu porque os investidores estrangeiros passaram a buscar activos no Brasil, o que elevou a demanda por reais. Esse aumento na taxa de juros foi uma tentativa de controlar a inflação, mas também gerou um impacto nas exportações, tornando os produtos brasileiros mais caros no exterior. 6. Vantagens Competitivas no Comércio Internacional A vantagem competitiva é a capacidade de uma empresa ser mais eficiente e ter um custo mais baixo do que os concorrentes. Segundo Porter (1990), a vantagem competitiva de um país depende de quatro factores: 14 . Condições dos factores: infra-estrutura, mão-de-obra e tecnologia. . Condições da demanda: exigências do mercado interno impulsionam inovação. . Indústrias relacionadas e de apoio: presença de fornecedores eficientes. . Estratégia, estrutura e rivalidade: concorrência interna estimula eficiência. Exemplo: A China possui vantagem competitiva na manufactura devido ao baixo custo de produção e grande infra-estrutura industrial. VANTAGENS COMPETITIVAS NO COMÉRCIO INTERNACIONAL A vantagem competitiva no comércio internacional refere-se à capacidade de uma nação ou empresa de superar seus concorrentes globais, oferecendo produtos ou serviços de maior valor ou a custos mais baixos. Diferentemente da vantagem comparativa, que se baseia em fatores naturais ou adquiridos, a vantagem competitiva foca em estratégias e condições que permitem a superioridade no mercado global. A vantagem competitiva de uma nação depende da capacidade de sua indústria inovar e melhorar. As empresas alcançam vantagem competitiva por meio de pressões e desafios. Elas beneficiam- se de concorrentes fortes, fornecedores agressivos e clientes exigentes" (Porter, 1990, p. 73). Modelo do Diamante de Porter Michael Porter, em seu livro "A Vantagem Competitiva das Nações" (1989), introduziu o Modelo do Diamante, que identifica quatro determinantes principais da vantagem competitiva nacional: 1. Condições de Factores: Recursos como mão-de-obra qualificada, infra-estrutura avançada e tecnologia. 2. Condições de Demanda: Natureza e sofisticação da demanda doméstica por produtos ou serviços. 3. Indústrias Correlatas e de Apoio: Presença de sectores auxiliar competitivos que fornecem insumos ou serviços essenciais. 15 4. Estratégia, Estrutura e Rivalidade das Empresas: Formas como as empresas são organizadas e a intensidade da competição doméstica. Exemplos Práticos Alemanha: Conhecida por sua engenharia de precisão e produtos de alta qualidade, especialmente no sector automotivo. Japão: Destaca-se na electrónica e tecnologia devido a investimentos contínuos em inovação e qualidade. Vale do Silício (EUA): Concentração de empresas de tecnologia e startups, beneficiando-se de um ecossistema de inovação robusto. 4. China – Indústria e Exportações A China se tornou uma potência global ao investir em produção em larga escala e baixos custos de manufactura. Empresas como Huawei e Xiaomi competem globalmente devido à capacidade de produzir tecnologia acessível e de qualidade. O governo incentiva sectores estratégicos com subsídios e infra-estrutura avançada. 5. Brasil – Agronegócio O Brasil tem uma vantagem competitiva natural no agronegócio, sendo um dos maiores exportadores de soja, carne e café. O país investe em tecnologia agrícola, biotecnologia e logística, tornando sua produção mais eficiente e competitiva no mercado global. Ter uma capacidade de fabricação adequada; Teorias do comércio internacional A teoria das vantagens comparativas de David Ricardo; 16 A teoria clássica de comércio exterior; A teoria das vantagens absolutas. 7. ACORDOS COMERCIAIS E EXEMPLOS Segundo Rodrik, D. (2007).Um acordo comercial é um pacto formal entre dois ou mais países, empresas ou entidades, com o objectivo de facilitar o comércio entre as partes, por meio da eliminação ou redução de barreiras comerciais como tarifas, quotas e regulamentações. Esses acordos podem incluir cláusulas sobre a cooperação económica, serviços, investimentos, propriedade intelectual e outras áreas de interesse.Por exemplo: Recentemente, têm surgido ameaças ao sistema de livre comércio estabelecido, como as políticas proteccionistas propostas por líderes mundiais. Por exemplo, a imposição de tarifas universais sobre produtos importados pode desencadear guerras comerciais, afectando negativamente o crescimento económico global e aumentando as taxas de inflação. O Fundo Monetário Internacional alerta que a dissolução da Organização Mundial do Comércio (OMC) devido a essas tensões poderia reduzir o PIB global em até 7%, equivalente a 7,4 trilhões de dólares, com os países em desenvolvimento sendo os mais prejudicados. Um acordo comercial é um tratado entre dois ou mais países que visa reduzir ou eliminar barreiras ao comércio. Ele pode também liberalizar aspectos das relações económicas. Os acordos comerciais podem trazer os seguintes benefícios: Aumento da produtividade e da competitividade de uma economia, Sustentabilidade do crescimento económico, Redução dos efeitos de barreiras não tarifárias, Aceleração do processo de importar e exportar, Fomento de investimentos. Os princípios de OMC organização mundial de comércio Os princípios da OMC incluem: Não discriminação, Redução gradual de barreiras comerciais, 17 Previsibilidade, Promoção de competição justa, Encorajamento ao desenvolvimento. Os acordos comerciais promovem a integração económica entre países, reduzindo barreiras comerciais. Alguns exemplos incluem: União Europeia (UE): Mercado comum com livre circulação de bens e pessoas. Mercosul: União aduaneira entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Acordo EUA-México-Canadá (USMCA): Substituiu o NAFTA, fortalecendo o comércio na América do Norte. Esses acordos aumentam o fluxo comercial e incentivam o crescimento económico (Krugman & Obstfeld, 2010). Os benefícios de acordo de comércio. Redução de barreiras ao comércio e aos investimentos Produtos e serviços de maior variedade e menor preço para os consumidores Maior segurança jurídica para comércio e negócios. 18 8. EXERCÍCIOS PRÁTICOS E PERGUNTAS. 1. Exercícios sobre Vantagem Comparativa 1.1 (Dissertativa) Explique a diferença entre vantagem absoluta e vantagem comparativa, dando um exemplo prático. 1.2 (Cálculo) O país A pode produzir 100 unidades de milho ou 50 unidades de soja. O país B pode produzir 80 unidades de milho ou 40 unidades de soja. a) Qual país tem vantagem comparativa na produção de milho? b) Qual país deve se especializar na produção de soja? 2. Exercícios sobre Modelo Heckscher-Ohlin 2.1 (Escolha Múltipla) Segundo o modelo Heckscher-Ohlin, um país exportará bens: a) Que usam intensamente os factores de produção que ele tem em abundância. b) Que possuem maior tecnologia, independentemente dos factores produtivos. c) Com menor custo de transporte. d) Que são mais consumidos internamente. 2.2 (Dissertativa) Explique por que países como a China exportam produtos manufacturados e os EUA exportam bens de tecnologia avançada. 3. Exercícios sobre Barreiras Comerciais (Tarifas e Quotas) 3.1 (Estudo de Caso) Os EUA impuseram tarifas sobre aço importado da China. Explique como isso afectou: a) Os preços do aço nos EUA. 19 b) Os produtores americanos de aço. c) Os consumidores e indústrias americanas que usam aço. 3.2 (Dissertativa) Qual a diferença entre tarifas de importação e quotas de importação? Dê um exemplo de cada. 4. Exercícios sobre Taxa de Câmbio e Comércio Exterior 4.1 (Cálculo) Suponha que a taxa de câmbio do real em relação ao dólar passou de R$ 5,00/USD para R$ 6,00/USD. Explique como essa variação impacta: a) As exportações brasileiras. b) O preço dos produtos importados no Brasil. 4.2 (Escolha Múltipla) Se a moeda de um país se valoriza, o que acontece? a) Exportações aumentam e importações diminuem. b) Exportações diminuem e importações aumentam. c) Tanto exportações quanto importações diminuem. d) Tanto exportações quanto importações aumentam. 5. Exercícios sobre Acordos Comerciais 5.1 (Estudo de Caso) O Mercosul e a União Europeia assinaram um acordo para reduzir tarifas. Quais são: a) Dois benefícios desse acordo param o Brasil. b) Dois desafios que as empresas brasileiras podem enfrentar com ele. 5.2 (Dissertativa) Cite e explique três tipos de acordos comerciais internacionais. 20 6. Exercícios sobre Vantagem Competitiva (Michael Porter, 1990) 6.1 (Escolha Múltipla) Segundo Michael Porter, a vantagem competitiva de um país depende de factores como: a) Infra-estrutura, inovação e qualidade da mão-de-obra. b) Apenas da disponibilidade de matéria-prima. c) Regulação estatal e tarifas de importação. d) Apenas da demanda externa. 7. Exercício sobre Balança de Pagamentos 7.1 (Cálculo) Se um país teve um superávit comercial de US$ 50 bilhões e um déficit na conta de serviços de US$ 20 bilhões, qual será o saldo da balança corrente? 7.2 (Dissertativa) Explique a diferença entre balança comercial, balança de serviços e balança de capitais dentro da balança de pagamentos. 8. Exercício sobre Divisas e Reservas Internacionais 8.1 (Dissertativa) O que são divisas internacionais e qual sua importância para um país? 8.2 (Estudo de Caso) O Brasil mantém reservas internacionais em dólar. Explique: a) Por que é vantajoso para o país ter grandes reservas internacionais. b) Como o Banco Central pode usar essas reservas para estabilizar a taxa de câmbio. 9. Exercício sobre Tipos de Câmbio 9.1 (Escolha Múltipla) Qual das seguintes afirmativas sobre regimes cambiais está correta? a) No câmbio fixo, o governo ajusta a taxa de câmbio conforme o mercado exige. b) No câmbio flutuante, a taxa de câmbio é determinada pela oferta e demanda da moeda no mercado. 21 c) No câmbio administrado, o governo não interfere no mercado cambial. d) O câmbio fixo e o flutuante funcionam da mesma maneira. 10. Exercício sobre Estratégias de Exportação 10.1 (Dissertativa) Empresas brasileiras como a Embraer e a Petrobras expandiram suas operações para o mercado externo. Cite duas estratégias que uma empresa pode usar para entrar no comércio internacional e explique como elas funcionam. RESPOSTAS. 1. Respostas sobre Vantagem Comparativa 1.1.Vantagem Absoluta: Quando um país pode produzir mais de um bem com os mesmos recursos do que outro país. Vantagem Comparativa: Quando um país tem o menor custo de oportunidade para produzir determinado bem. Exemplo: Se o Brasil pode produzir 10 toneladas de café ou 5 de trigo, enquanto os EUA podem produzir 4 de café ou 8 de trigo, o Brasil tem vantagem comparativa no café, e os EUA no trigo. 1.2. País A: Vantagem comparativa em milho (1 milho = 0,5 soja). País B: Vantagem comparativa em soja (1 soja = 2 milho). 2. Respostas sobre Modelo Heckscher-Ohlin 2.1.A resposta correta é: a) Que usam intensamente os factores de produção que ele tem em abundância. 2.2.China tem abundância de mão-de-obra, portanto exporta produtos como roupas e calçados. EUA têm abundância de capital e tecnologia, então exportam produtos como tecnologia avançada e software. 22 3. Respostas sobre Barreiras Comerciais 3.1 a) Os preços do aço nos EUA aumentaram devido às tarifas, pois o aço importado ficou mais caro. b) Produtores americanos de aço foram beneficiados, já que passaram a enfrentar menos concorrência externa. c) Consumidores e indústrias que usam aço foram prejudicados, pois tiveram que pagar mais. 3.2.Tarifas de importação: Impõem impostos sobre produtos importados (ex.: impostos sobre electrónicos). Quotas de importação: Limita quantidade de bens importados (ex.: restrição à importação de veículos). 4. Respostas sobre Taxa de Câmbio e Comércio Exterior 4.1.a) Com a desvalorização do real, as exportações brasileiras aumentam, pois os produtos ficam mais baratos para os compradores estrangeiros.b) Os produtos importados ficam mais caros, pois é necessário mais reais para comprar os mesmos produtos em dólares. 4.2.A resposta correta é: b) Exportações diminuem e importações aumentam. 5. Respostas sobre Acordos Comerciais 5.1 a) Benefício para o Brasil: Aumento das exportações de carne e soja devido à redução das tarifas. Maior acesso ao mercado europeu, o que amplia as oportunidades de negócios. b) Desafios: Adaptação às normas europeias (como regulamentações ambientais e de segurança). 23 Concorrência de produtores da União Europeia. 5.2 Acordos bilaterais: Entre dois países, como o Mercosul-União Europeia. Acordos multilaterais: Envolvem mais de dois países, como a OMC (Organização Mundial do Comércio). Acordos regionais: Envolvem países de uma região, como o NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte). 6. Respostas sobre Vantagem Competitiva (Michael Porter, 1990) 6.1. A resposta correta é: a) Infra-estrutura, inovação e qualidade da mão-de-obra. 6.2. Japão possui uma forte infra-estrutura tecnológica, com empresas como Sony e Toyota, que investem em pesquisa e desenvolvimento, garantindo qualidade e inovação. 7. Respostas sobre Balança de Pagamentos 7.1. Saldo da balança corrente: Superávit comercial: US$ 50 bilhões Déficit na conta de serviços: US$ 20 bilhões Resultado: US$ 30 bilhões (superávit na balança corrente). 7.2. Balança comercial: Regista a diferença entre exportações e importações de bens. Balança de serviços: Regista transacções de serviços, como turismo, transporte e royalties. Balança de capitais: Regista a entrada e saída de investimentos financeiros, como acções e empréstimos. 24 8. Respostas sobre Divisas e Reservas Internacionais 8.1. Divisas internacionais são- moedas estrangeiras que um país usa para transacções internacionais. Elas são essenciais para garantir a estabilidade da taxa de câmbio e permitir o pagamento de dívidas externas. 8.2. a) Vantagens de ter grandes reservas internacionais: Proporciona segurança financeira e confiança no mercado. Ajuda a estabilizar a moeda nacional. b) O Banco Central pode usar as reservas para intervir no mercado cambial, comprando ou vendendo dólares para controlar a taxa de câmbio e evitar flutuações excessivas. 9. Respostas sobre Tipos de Câmbio 9.1. A resposta correta é: b) No câmbio flutuante, a taxa de câmbio é determinada pela oferta e demanda da moeda no mercado. 10. Respostas sobre Estratégias de Exportação 10.1. Duas estratégias param uma empresa entrar no comércio internacional: 10.2 Exportação direita: A empresa vende seus produtos directamente para consumidores ou empresas estrangeiras. 10.3. Joint ventures: A empresa se associa a uma empresa estrangeira para compartilhar os custos e riscos de operação em mercados internacionais. 25 9. CONCLUSÃO O comércio internacional é essencial para o crescimento económico e a estabilidade financeira dos países. A compreensão da balança de pagamentos, taxa de câmbio e vantagens competitivas permite uma melhor análise das dinâmicas globais. Além disso, os acordos comerciais desempenham um papel fundamental na facilitação das trocas internacionais. - 26 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Carbaugh, R. (2018). International Economics. Cengage Learning. Krugman, P., & Obstfeld, M. (2010). International Economics: Theory and Policy. Pearson. Mankiw, N. G. (2019). Principles of Economics. Cengage Learning. Porter, M. E. (1990). The Competitive Advantage of Nations. Free Press. Rodrik, D. (2007). One Economics, Many Recipes: Globalization, Institutions, and Economic Growth. Princeton University Press. Ricardo, D. (1817). On the Principles of Political Economy and Taxation. John Murray. Porter, M. E. (1990). The Competitive Advantage of Nations. Free Press.