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LUMINOTECNICA 
APLICADA
Camila Dias de Souza
Efeitos de iluminação 
no ambiente
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Conceituar iluminação e ambiente.
  Identificar as fontes de iluminação em um ambiente.
  Reconhecer os efeitos causados por diferentes formas de uso da luz.
Introdução
O uso da iluminação nos ambientes influencia diretamente na nossa 
percepção sobre eles e, por consequência, na nossa forma de vivenciá-
-los. A maneira como os percebemos está relacionada com a concepção 
da iluminação, sua relação com os demais aspectos espaciais, com 
nossa bagagem cultural e nossas experiências anteriores. O processo de 
percepção do ambiente iluminado pode ser compreendido de forma 
objetiva ou subjetiva, mesmo que sejam aspectos de um conjunto 
indissociável. 
Neste capítulo, você vai compreender as relações entre a iluminação e 
a criação do ambiente por meio da iluminação, conhecendo as diferentes 
fontes de iluminação e os diferentes efeitos possíveis a partir de técnicas 
de iluminação.
Iluminação e ambiente
A iluminação é o recurso que nos permite ver e perceber o espaço cons-
truído. Sem ela, nossa experiência espacial seria bastante diferente e muito 
mais limitada. Assim como a iluminação viabiliza a visão, também sua 
forma de interação com o espaço é determinante na nossa percepção 
visual. A distribuição da iluminação permite trabalhar a hierarquização 
de elementos da composição, o destaque de objetos em relação ao seu 
entorno ou o estabelecimento da homogeneidade dos níveis de iluminação 
(INNES, 2014).
Historicamente, a iluminação artificial se desenvolveu com maior força 
em ambientes industriais ou de escritórios, que tinham por característica a 
uniformidade dos níveis de iluminação, uma vez que se destinavam a atender 
funções laborativas, que requerem boas condições visuais. A qualidade da 
iluminação nesses espaços visava maior produtividade por meio da melhoria 
das condições de trabalho (GONÇALVES; VIANNA, 2001). 
Assim, os primórdios da iluminação artificial consolidaram um ideário de 
iluminação de qualidade relacionado à quantidade de iluminação existente no 
ambiente. Entretanto, desde a década de 1970, o projeto de iluminação com 
base em aspectos quantitativos já é dado como ineficiente para contemplar 
as necessidades humanas e suas capacidades perceptivas (GANSLANDT; 
HOFMANN, 1992).
Atualmente, o conceito de iluminação de qualidade estabelecido pela 
IESNA (REA, 2000) (Figura 1) contempla necessidades humanas, como 
visibilidade, desempenho de tarefas, conforto visual, comunicação social, 
atmosfera, saúde, segurança, bem-estar e estética; aspectos de arquitetura, 
como forma, composição, estilo, além das legislações; e, por fim, aspectos 
econômicos e ambientais, como instalação, manutenção, operação, energia 
e meio ambiente. Esses critérios são aplicados aos projetos de iluminação 
conforme as funções desempenhadas pelos espaços iluminados.
Efeitos de iluminação no ambiente2
Figura 1. Aspectos relacionados à qualidade da iluminação.
Fonte: Adaptada de Rea (2000, p. 10–11).
Em design de interiores, a criação da atmosfera do ambiente é definida pelas 
sensações causadas no observador e provocadas pelas características do espaço. 
A percepção do espaço é um processo de apreensão da realidade fundamentada 
nas relações traçadas entre o mundo percebido e experiências anteriores. Esse 
processo se dá permanentemente ao longo do tempo e é fundamentalmente 
subjetivo, distinto em cada cultura e em cada indivíduo e formador da signifi-
cação das experiências, dos espaços e objetos. Muitas dessas associações são 
feitas com relações a padrões de luz e sombra presentes na natureza, que foram 
experienciados inúmeras vezes, constituindo significações que auxiliam no 
processo de percepção de novos espaços (TREGENZA; LOE, 2015). 
3Efeitos de iluminação no ambiente
A construção de padrões de luz e sombra também foi desenvolvida por 
diferentes artistas na pintura e no teatro como forma de criação de ambiên-
cias e significação. A maneira com que cada um ilumina suas cenas confere 
identidade à tela ou peça dramática, além de carregar conteúdo simbólico 
(ARNHEIM, 2000). 
Em arquitetura, a luz é um elemento fundamental na concepção dos 
espaços e, por outro lado, a conformação dos espaços e suas aberturas 
definem as possibilidades de entrada de luz ao interior da edificação — 
assim, é uma via de mão dupla. A função do ambiente tem influência direta 
sobre as relações entre luz e espaço, uma vez que apresenta as limitações 
e potencialidades possíveis de serem exploradas na criação dos mesmos 
(GONÇALVES; VIANNA, 2001). 
As definições espaciais estão intrinsecamente relacionadas à manipulação 
da luz natural, uma vez que a geometria dos espaços internos e suas aberturas 
são determinantes para a passagem de luz. Do mesmo modo, as relações da 
luz com a materialidade das formas permitem inúmeras explorações estéticas. 
Os materiais apresentam diferentes comportamentos físicos à luz, assim como 
a luz pode assumir diferentes características, interferindo na visualização 
dos materiais. Essa gama de combinações possíveis entre material e luz pode 
gerar efeitos visuais surpreendentes, contribuindo para a criação da atmosfera 
do ambiente.
A cor do material pode ter sua percepção alterada conforme o espectro ele-
tromagnético da fonte de luz, que interfere na reprodução de cores do material. 
Texturas são mais valorizadas sob luz direta do que sob difusa, uma vez que 
o contraste entre um ponto e seu entorno fica mais acentuado. A geometria da 
luz em relação ao objeto também pode contribuir para a relação de contrastes, 
dramatizando as sombras. Materiais translúcidos têm a capacidade de alterar 
as qualidades de cor e direção da luz, podendo ser utilizados como elementos 
de controle de luz.
A iluminação de espaços interiores tem o poder de definir o grau de co-
nexão ou separação entre interior e exterior. Fachadas translúcidas conectam 
exteriores e interiores, ao passo que espaços mais opacos criam relação de 
contraste com o meio externo, gerando situações de iluminação bem distintas. 
Além disso, outro fator relevante na conformação dos espaços é a distribuição 
da luz integrando ou separando-os. A luz uniforme, por exemplo, tem o poder 
de unificar ambientes, uma vez que não diferencia os níveis de iluminação 
(INNES, 2014).
Efeitos de iluminação no ambiente4
Alguns limites espaciais podem ser definidos pela luz, seja iluminando ele-
mentos periféricos, seja criando zonas de luz em um entorno mais escurecido. 
As definições de claro-escuro dos espaços podem conferir-lhes hierarquias, 
ritmo e movimento, e o olhar pode ser direcionado pela luz, focalizando objetos 
ou destacando elementos arquitetônicos, gerando um ponto de interesse visual 
por meio do contraste entre objeto e entorno. 
Há duas formas básicas de iluminação natural: componentes de condução, espaços 
por onde a luz passa para atingir o interior da edificação, como átrios, pátios, dutos 
de luz, e componentes de passagem, elementos pelos quais a luz passa do ambiente 
externo para o interno, como aberturas laterais, zenitais ou globais. 
Fontes de iluminação de um ambiente
A iluminação dos ambientes pode ser realizada basicamente de dois modos: 
pela luz natural e pela luz artifi cial. A luz natural é indispensável para a 
arquitetura, uma vez que suas variações qualitativas e quantitativas ao longo 
do dia (e do ano) são responsáveis pela regulação hormonal, infl uenciando 
o ciclo circadiano (relógio biológico), interferindo diretamente na saúde, no 
bem-estar e no estado de alerta humano — entre outras funções metabólicas 
—, sendo, assim, essencial à vida humana. Além das reações fi siológicas, a 
luz traz consequências psicológicas sobre nós, já que variações na intensidade 
e qualidade da luz provocam diferentes sensações (REA, 2000). 
A incidência de luz solar direta nos espaços interiores pode atingirde 
60.000 a 100.000 lux, o que é considerado excessivo para o desempenho 
de funções laborativas no ambiente, enquanto a entrada de luz difusa nos 
ambientes é consideravelmente menor, variando entre 5.000 e 20.000 lux. 
A definição da entrada de luz direta ou difusa é dada pela orientação solar, 
pelo tipo de céu e por estratégias de controle de entrada de luz natural. 
Além disso, é importante considerar que a entrada de radiação solar direta 
está associada à entrada de calor no interior da edificação (LAMBERTS; 
DUTRA; PEREIRA, 2013).
5Efeitos de iluminação no ambiente
Mesmo dentro das categorias de luz direta e indireta, pode haver uma 
grande variação nas quantidades de iluminância para cada tipo de incidência, 
na ordem de 1:1000, dentro de um mesmo ambiente interno. Como forma 
de simplificação, foram estabelecidos três tipos de céus: céu claro, parcial-
mente coberto (anisotrópico) e encoberto (isotrópico). Em dias de céu claro, 
a radiação direta é predominante e há radiação difusa nas proximidades 
do sol e do horizonte. Em dias de céu encoberto, o sol não é visível e há 
um turvamento da abóboda celeste, gerando distribuição de luz uniforme 
(LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2013).
As variações de intensidade e direção da luz natural, além das variações 
do tipo de céu, são consequências da posição da Terra em relação ao Sol, 
tanto no que se refere às estações do ano quanto às variações ao longo do 
dia. Temos como direção predominante da luz natural a vertical — é assim 
que ela se apresenta com maior frequência e, por isso, é registrada em 
nossas memórias como a luz esperada. A luz é mais forte quando vem de 
cima, ainda que a luz refletida possa contribuir significativamente para a 
iluminação geral (INNES, 2014).
Há outros fatores que influenciam a quantidade de luz natural presente no 
ambiente. Além das aberturas — suas quantidades, dimensões, seus formatos 
e orientações —, é importante considerarmos a geometria do ambiente e 
os coeficientes de reflexão dos materiais. As dimensões e proporções dos 
ambientes podem gerar zonas mais escurecidas pelo distanciamento de 
aberturas, assim como a reflexão dos materiais altera a quantidade de luz 
refletida no ambiente, além de interferir diretamente na percepção do espaço 
(LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2013).
Um parâmetro utilizado para a verificação da quantidade de luz natural 
disponível no espaço interno é o coeficiente de luz diurna, também chamado 
de contribuição da iluminação natural (CIN), que confere a proporção de 
iluminância interna e externa, indicando a aparência do ambiente. Coeficien-
tes na ordem de 5% ou mais apresentam grande área de envidraçamento, na 
ordem de ¼ da área de paredes, ou seja, bastante iluminado. Coeficientes na 
ordem de 2% ou menos, por outro lado, demandam a utilização de iluminação 
artificial (TREGENZA; LOE, 2015). Você pode conferir algumas dessas 
relações a seguir, na Figura 2.
Efeitos de iluminação no ambiente6
Figura 2. Coeficiente de luz diurna.
Fonte: Tregenza e Loe (2015, p. 94).
Quando a iluminação natural se torna insuficiente, por pouca captação ou 
durante o período noturno, temos a possibilidade de sua complementação ou 
substituição com a iluminação artificial. A luz artificial permite que diferentes 
sistemas de iluminação atuem em conjunto, definindo espaços, atendendo a 
aspectos funcionais e criando ambiências.
Do ponto de vista funcional, tanto a iluminação natural quanto a artifi-
cial devem atender a alguns quesitos, como evitar ofuscamentos, contrastes 
7Efeitos de iluminação no ambiente
excessivos e reflexos indesejados para ambientes nos quais seja necessário 
conforto visual, proporcionando, assim, a iluminação adequada às funções 
a serem exercidas no ambiente. Isso significa dizer que se deve buscar boa 
distribuição de luz, em níveis adequados às tarefas relacionadas aos espaços, 
contando com os mecanismos de controle da luz natural.
A maioria dos espaços conta com iluminação natural e artificial, o que 
nos leva a elaborar formas de integração entre os dois sistemas buscando 
satisfazer as necessidades objetivas e subjetivas da criação dos espaços. Para 
o sistema de iluminação de qualidade, com desenho integrado, recomenda-se 
que sejam seguidos alguns princípios básicos, tais como (GONÇALVES; 
VIANNA, 2001):
  observação do nível de iluminação necessário e exigido das atividades 
em questão;
  observação das relações de contraste entre a iluminação natural e arti-
ficial, de forma a evitar ofuscamentos e oferecer boa sensação subjetiva 
dos contrastes;
  recomendação de obtenção de contrastes de 3:1 entre a tarefa visual e a 
superfície de trabalho, 10:1 entre a tarefa visual e o espaço circundante, 
20:1 entre a fonte de luz e seu fundo, mantendo a máxima diferença no 
campo visual de 40:1, evitando fadiga visual dos usuários;
  manutenção da aparência e reprodução de cor, evitando que o sistema 
suplementar se destaque em relação à iluminação natural;
  graduação da iluminação suplementar das áreas mais ou menos próximas 
às janelas, mantendo a variação da iluminação sobre a área desejada 
na proporção de 3:1;
  sistema de iluminação artificial utilizado a partir de um CIN (coeficiente 
de luz natural) de 1% a 1,5% no máximo; 
  seleção dos equipamentos de iluminação considerando, além dos crité-
rios expostos, as questões de eficiência energética dos sistemas.
Partindo das premissas de integração, é possível estabelecer estratégias 
de projeto que definem a distribuição da luz no ambiente. Os sistemas de 
iluminação podem ser classificados segundo seus objetivos de atuação nos 
ambientes (GONÇALVES; VIANNA, 2001; INNES, 2014; TORRES, 2009; 
BIGONI, 2009). Ainda que haja variações conforme os diferentes autores, 
podemos classificá-los da seguinte forma:
Efeitos de iluminação no ambiente8
  Iluminação geral: é a iluminação que fornece a iluminância mínima 
para os ambientes segundo estabelecido pela norma. A distribuição 
das luminárias tende a ser homogênea e visa uniformidade de ilumi-
nâncias no ambiente e no plano de trabalho, o que, por consequência, 
conforma ambientes com flexibilidade de leiaute, como os laborati-
vos, como grandes escritórios, oficinas, salas de aula, fábricas, etc. 
Em outros tipos de ambientes, além de fornecer os níveis mínimos, 
funciona para atenuar contrates excessivos da iluminação direta 
ou indireta.
  Iluminação de destaque/direcional: é a iluminação que objetiva en-
fatizar elementos, seja pelo contraste entre as intensidades luminosas 
entre o ponto de interesse e seu entorno imediato, seja pela tonalidade 
de luz e de cor. São comumente utilizadas lâmpadas de facho dirigido 
e projetores.
  Iluminação suplementar de tarefa: tem por objetivo complementar 
a iluminação geral fornecendo níveis de iluminação adequados à 
execução das tarefas no plano de trabalho. Pode ser uma luminária de 
mesa, pedestal ou embutida em um móvel que execute essa função. 
Diferencia-se da iluminação de destaque por seu objetivo mais fun-
cional de complementação e por evitar contrastes excessivos com o 
entorno imediato que possam causar problemas de adaptação visual. 
Busca-se contraste na proporção de 1:5 com a iluminação geral do 
ambiente.
  Iluminação decorativa: utilizada para caracterizar o ambiente, dar-lhe 
identidade, atribuir ambiências ao espaço ou gerar novos padrões de luz 
e sombra no ambiente. Não tem por objetivo contribuir quantitativamente 
com a iluminação geral.
  Iluminação de orientação: indica sentido ou caminho pelo alinhamento 
das luminárias de sinalização ou balizamento. Existem diferentes téc-
nicas que podem ser aplicadas para indicar percurso.
Técnicas de iluminação artificial
Em ambientes nos quais se desenvolvem funções não laborativas, a ilu-
minação pode assumir formas mais cênicas, valendo-se de princípios de 
percepção para gerar efeitos visuais que contribuam na criação de ambi-
9Efeitos de iluminação no ambiente
ências e identidade dos espaços. A interação entrea luz e os materiais que 
compõem os ambientes pode criar efeitos bem distintos entre si. Superfícies 
opacas foscas dependem apenas da iluminância sobre elas incidente; já as 
superfícies lustrosas ganham maior realce quando iluminadas por fontes 
de luz puntiformes brilhantes e perdem o destaque sob iluminação difusa 
(TREGENZA; LOE, 2015). 
A iluminação artificial pode criar diversos efeitos visuais quando apli-
cada aos ambientes. O direcionamento, foco ou difusão, a abertura de 
fachos, a temperatura de cor são variáveis que o projetista deve manipular 
no projeto de iluminação. Algumas formas usuais foram classificadas de 
forma genérica, como (BIGONI, 2009; TORRES, 2009; TREGENZA; 
LOE, 2015) (Figura 3):
  Downlight: luz direcionada de cima para baixo. É a técnica mais recor-
rente, podendo ser mais focada ou difusa.
  Uplight: luz direcionada de baixo para cima; frequentemente utilizada 
para valorização de elementos verticais, como pilares, ou criação de 
ritmo em elementos verticais contínuos mais extensos; tem grande 
efeito cênico e pode ser trabalhada com diferentes aberturas de facho.
  Wallwash ou lavagem de parede: é o direcionamento da luz uniforme 
para uma superfície vertical. Cria a sensação de amplitude do espaço 
e pode ser simétrica ou assimétrica, conforme a distribuição de luz da 
luminária.
  Grazing: é também uma lavagem de luz da superfície vertical, mas 
com a intenção de salientar texturas dos materiais, portanto, não 
uniforme. Em geral, a luminária ou o sistema de iluminação é lo-
calizado bem próximo à superfície vertical para gerar as sombras 
necessárias.
  Backlight: é o efeito causado pela luz quando instalada em cavidade 
com difusores translúcidos (acrílicos, policarbonatos, vidros, tecidos, 
etc). Cria um plano de luz de fundo e os objetos sobrepostos a ele têm 
sua silhueta valorizada pelo efeito contraluz. 
Efeitos de iluminação no ambiente10
Figura 3. Efeito da iluminação — a) downlight, b) uplight, c) wallwash, d) backlight, e) grazing.
Fonte: PlusONE/Shutterstock.com, Yarygin/ Shutterstock.com, Vitaliy Kyrychuk/Shutterstock.com, 
DiLouie (2012, documento on-line) e Adisa/Shutterstock.com.
É importante avaliar as formas de integração da luz natural e artificial 
ponderando aspectos funcionais, construtivos e tecnológicos visando uma 
solução projetual. A busca pela integração dos projetos objetiva que as caracte-
rísticas da luz natural possam ser complementadas pela artificial nos interiores, 
mantendo a qualidade visual. Tanto as diferentes formas de iluminação natural 
quanto as técnicas de iluminação artificial podem ser associadas no projeto 
11Efeitos de iluminação no ambiente
de iluminação, e diferentes sistemas de iluminação natural podem funcionar 
conjuntamente para atender a requisitos de uniformidade.
Nesse sentido, a inovação tecnológica dos materiais e sistemas de ilumi-
nação representa a ampliação da gama de alternativas de projeto que podem, 
e devem, contribuir para qualificar a arquitetura.
Percepção visual dos efeitos da iluminação
O processo perceptivo envolve os estímulos sensoriais, sejam esses visuais 
ou não, e as experiências vividas por cada indivíduo que interpreta o espaço. 
A interpretação dos estímulos é feita a partir das associações entre as experi-
ências signifi cadas e as novas experiências. Os padrões de claro e escuro e os 
materiais nos remetem a memórias que nos auxiliam a formar uma imagem 
do lugar a partir dos nossos fi ltros culturais e individuais. Esse processo é 
inconsciente e subjetivo e é fundamental para a percepção de ambiência dos 
espaços (TREGENZA; LOE, 2015). 
Ambiência ou atmosfera pode ser compreendida como a percepção afetiva do am-
biente, está relacionada ao modo como as pessoas sentem o espaço e, portanto, tem 
caráter subjetivo. 
Diferentes formas de iluminar, somadas aos diversos materiais que com-
põem o espaço, criam ambientes com caráter completamente diferentes entre 
si, conforme podemos ver na Figura 4. As configurações de luz e cor dos 
ambientes atribuem identidade aos lugares, ainda que possam variar de cultura 
para cultura ou de pessoa para pessoa. Em geral, cores escuras dão sensação 
de fechamento, redução do espaço, enquanto cores claras remetem à ideia de 
amplitude (TREGENZA; LOE, 2015).
Efeitos de iluminação no ambiente12
Figura 4. Os padrões de luz e cor do espaço e as alterações de percepção.
Fonte: Tregenza e Loe (2015, p. 88).
As relações de contraste são peças-chave para a percepção do espaço e 
dos objetos nele inseridos. Para oferecer boas condições de visibilidade de 
uma determinada tarefa visual sobre o plano de trabalho, a proporção de 3:1 é 
suficiente, mas, se o objetivo for gerar destaque sobre o entorno, a proporção 
deve aumentar (TREGENZA; LOE, 2015).
É interessante observar que o contraste entre figura e fundo se dá pela 
proporcionalidade. O destaque e a criação de camadas de luz devem trabalhar 
no sentido de realçar aspectos significativos da composição espacial. Assim 
como o contraste, outros aspectos da iluminação, como a direção da luz, de 
combinações de cores, padrões de sombras e dinâmica da luz, são fundamentais 
para a criação de efeitos de iluminação.
13Efeitos de iluminação no ambiente
1. A iluminação pode ser considerada 
um material de projeto apesar de 
sua imaterialidade. Ela atua no 
ambiente tanto na ordem subjetiva 
quanto na objetiva. Nesse sentido, 
aponte a alternativa que melhor 
descreve suas funções. 
a) A iluminação atende aos 
espaços internos de forma a 
possibilitar apenas a execução 
de funções laborativas.
b) A iluminação tem a função de 
criação de cenários e definições 
espaciais exclusivamente pela 
integração de iluminação 
natural e artificial.
c) Atender aos requisitos de 
qualidade com relação aos 
aspectos de arquitetura, 
econômicos e ambientais, bem 
como as necessidades humanas, 
é atributo esperado da boa 
iluminação.
d) A utilização de iluminação 
zenital é fundamental para o 
atendimento das funções da 
iluminação espacial.
e) A associação da iluminação 
artificial à iluminação natural 
é dispensável para tornar o 
projeto de iluminação eficiente 
energeticamente.
2. Após a definição do conceito do 
projeto de iluminação, já é possível 
eleger os sistemas que irão compor 
a iluminação como um todo, bem 
como algumas técnicas. Dentre 
os efeitos criados pelas técnicas, 
um deles valoriza o contorno dos 
objetos. Assinale a alternativa que 
indica a técnica utilizada para gerar 
tal efeito.
a) Wallwash.
b) Uplight.
c) Backlight.
d) Downlight.
e) Orientação.
3. A iluminação artificial é 
utilizada não somente como 
complementação da iluminação 
natural, mas também para a 
criação de atmosferas espaciais. 
Das técnicas de iluminação 
apresentadas, qual delas é utilizada 
para a valorização de texturas?
a) Uplight.
b) Downlight.
c) Wallwash.
d) Grazing.
e) Backlight.
4. Um dos atributos que interfere 
diretamente na percepção dos 
espaços é o contraste, que é 
definido pela diferença entre 
a luminância do objeto e do 
fundo. Para a sua boa utilização, 
recomenda-se:
a) contrastes entre tarefa visual e o 
plano de trabalho na proporção 
de 2:1.
b) contraste entre a tarefa visual e o 
entorno imediato na proporção 
de 10:1.
c) contrastes entre a fonte de luz e 
seu fundo na proporção de 10:1.
d) contrastes entre a tarefa visual e 
seu fundo de no máximo 20:1.
e) contrastes entre a fonte e seu 
fundo na proporção de 20:1.
Efeitos de iluminação no ambiente14
5. A integração de iluminação natural e 
artificial é uma forma de qualificação 
do projeto de iluminação. Com 
relação à integração de iluminação 
natural e artificial, assinale a 
alternativa correta.
a) A iluminação natural é desejável 
para a complementação 
da iluminação artificial dos 
ambientes.
b) Deve-se adotar parâmetros de 
contrastes sempre na proporção 
de 3:1.
c) Deve-se adotar o sistema de 
iluminação artificial a partir 
de 2% de CIN (coeficiente de 
iluminação natural).
d) O sistema de iluminaçãosuplementar (iluminação 
artificial) deve observar a 
aparência de cor e a reprodução 
de cor das fontes de iluminação.
e) É fundamental a utilização de 
automação para a integração 
dos sistemas.
ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. São Paulo: Pioneira, 2000.
BIGONI, S. Iluminação de interiores residencial: apostila do curso de especialização em 
iluminação e design de interiores. Goiânia: IPOG, 2009.
DILOUIE, C. Lighting Design 101: Wall Grazing and Washing. 2012. Disponível em: . Acesso em: 11 jan. 
2019.
GANSLANDT, R.; HOFMANN, R. Handbook of Lighting Design. Braunschweig: Viewe-
gVerlag, 1992.
GONÇALVES, J. C.; VIANNA, N. S. Iluminação e arquitetura. São Paulo: Uniabc, 2001.
INNES, M. Iluminação no design de interiores. São Paulo: Gustavo Gili, 2014.
LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. O. R. Eficiência energética na arquitetura. 3. ed. Rio 
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REA, M. S. (Ed.). The IESNA Lighting Handbook: Reference & Appplication. 9. ed. New 
York: Illuminating Engineering Society of North America, 2000.
TORRES, C. Iluminação comercial e corporativa: apostila do curso de especialização em 
iluminação e design de interiores. Goiânia: IPOG, 2009.
TREGENZA, P.; LOE, D. Projeto de iluminação. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015.
15Efeitos de iluminação no ambiente
Leituras recomendadas
CHING, F.; BINGGELI, C. Arquitetura de interiores ilustrada. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 
2014.
KELLER, M. Fantastic Light: The Art and Design of Stage Lighting. 3. ed. Munique: Prestel, 
2010.
OSRAM. Iluminação: conceitos e projetos. 2008. Disponível em: . 
Acesso em: 11 jan. 2019.
Efeitos de iluminação no ambiente16
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