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Interessante notar que as agências francesas tiveram origem nas agências da Inglaterra e 
Estados Unidos, entretanto, adaptadas para seu sistema jurídico. 
O sistema norteamericano de agências surgiu, como todo processo político-jurídico, nos 
Estados e depois foi absorvido pela Federação. Isto já faz parte da história dos Estados 
Unidos da América, pois não podemos olvidar que a Federação norte-americana surge 
quando os Estados abrem mão de parte de sua independência, em favor de um ente mai-
or, qual seja o Estado federado. No entanto, os Estados membros não perderam sua au-
tonomia em relação à Federação, sendo fator determinante e distintivo do modelo de 
Estado norte-americano. 
No Brasil ocorreu o inverso. Partimos de um Estado unitário, para um Estado Federado, 
no qual além dos Estados há também a figura ímpar dos Municípios, como ente autô-
nomo. 
Com relação ao modelo francês devemos ter em mente que a França permanece até hoje 
como um Estado Unitário, que, por conseguinte, desconhece a repartição de competên-
cias ou a delegação na sua concepção estrutural, consoante o disposto no art. 20 de sua 
Constituição. Toda esta série de peculiaridades fez surgir um modelo que apesar de suas 
similitudes com os dois modelos acima expostos, com eles não se confunde. 
No entanto, por mais contraditório que pareça, o modelo brasileiro de agência regulado-
ra se aproxima mais do modelo francês do que com o modelo norte-americano, de quem 
descende. Isto se deve a diferença do sistema jurídico-normativo, common Law versus 
civil law, e a na estrutura da Administração Pública, independência versus dependência 
do Executivo. (Agências Reguladoras: Análise do modelo adotado pelo Brasil: 
http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/28815-28833-1-PB.pdf) 
 
Segundo Marçal Justen Filho (O Direito das Agências Reguladoras Independentes. São 
Paulo: Dialética, 2002): a doutrina francesa identificou, talvez não em toda sua exten-
são, a diferença essencial entre suas Autoridades Administrativas Independentes e as 
agências reguladoras norte-americanas. A concepção norte-americana enfoca as agên-
cias reguladoras independentes como instrumento estatal para disciplinar as atividades 
privadas. Já as Autoridades Administrativas Independentes são vistas como forma de 
defesa das liberdades inclusive (e especialmente) contra o próprio Estado. As entidades 
francesas são um meio de controle das diversas manifestações dos poderes, visando a 
assegurar uma proteção mais efetiva às liberdades (especialmente as individuais). Essa 
nunca foi a função reconhecida às agências norte-americanas, as quais poderiam até ser 
orientadas por tais princípios, mas apenas de modo indireto. Desta forma vemos que na 
criação das agências reguladoras brasileiras tivemos a influência de sistemas jurídicos 
essencialmente diversos, o que pode gerar desconfianças sobre a sua real efetividade. 
Não há dúvida de que cada país propõe modelos adequados à solução de seus problemas 
típicos. É temeroso importar soluções pensadas em outros sistemas jurídicos e simples-
http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/28815-28833-1-PB.pdf

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