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CRIMINOLOGIA – 
CONCEITOS 
 
PROFESSOR ALEXANDRE HERCULANO 
 
 
@PROF_HERCULANO 
 
 
 
Prof. Alexandre Herculano 
A Criminologia atual não mais se define como uma ciência 
que investiga as causas da criminalidade, mas sim as 
condições da criminalização, o sistema penal, os 
mecanismos do controle social formal e informal, 
analisando o comportamento de criminosos 
funcionalmente relacionado às estruturas sociais. 
O domínio do saber criminológico possibilita ao profissional 
do direito um real conhecimento da realidade, aplicando de 
maneira madura e consciente a lei. 
O que é criminogênese? É parte da Criminologia que 
estudas os mecanismos de natureza biológica, psicológica e 
social, através dos quais se projetam os comportamentos 
criminosos. Assim, é necessário uma análise 
interdisciplinar, de natureza sociológica, econômica, 
filosófica, política, médica e psicológica para a sua atuação. 
Criminologia é a ciência empírica e interdisciplinar que 
estuda o crime, o criminoso, a vítima e o controle social, 
tendo como finalidade combater a criminalidade por meio 
de métodos preventivos. 
A palavra “criminologia” foi pela primeira vez usada 
em 1883 por Paul Topinard e aplicada 
internacionalmente por Raffaele Garófalo, em seu 
livro Criminologia, no ano de 1885. 
Pensamentos anteriores à escola clássica: 
 
Platão – obra “As Leis” – defendia a ideia que o crime representava 
um sintoma de uma doença cuja causa seria tríplice: as paixões; a 
procura do prazer e a ignorância. 
 
Aristóteles - obra “Ética a Nicômaco – considerava o criminoso 
como um inimigo da sociedade, que deveria ser castigado – 
atribuiu na política grande relevo à miséria como causa do crime e 
fator de revolta. 
 
São Tomas de Aquino também imputou a miséria como sendo a 
causa do crime. 
 
A Criminologia vê o crime como um problema social. Ou 
seja, um fenômeno comunitário que envolve quatro 
vertentes: 
 O crime como fatos ilícitos reiterados na sociedade; 
 O crime como causador de dor à vítima e à sociedade; 
 O crime deve ocorrer reiteradamente por um período 
juridicamente relevante de tempo e no mesmo 
território; 
 A criminalização de condutas deve incidir após uma 
análise detalhada quanto aos seu elementos e sua 
repercussão na sociedade. 
 
 
Para a Criminologia, o crime deve preencher os seguintes 
elementos constitutivos: 
 
 Incidência massiva na população: não é possível atribuir 
a condição de crime a fato isolado na sociedade. Se este 
não reitera, não há a necessidade de considerá-lo como 
crime; 
 
 Incidência aflitiva do fato praticado: o crime produz dor 
à vítima e à sociedade. Para puni-lo no âmbito criminal, 
é necessário que o fato tenha relevância social; 
 
 
 
 Persistência espaço-temporal do fato a ser considerado 
como criminoso. Para ter um fato criminoso, além de ser 
massivo e aflitivo, é necessário que ele se distribua pelo 
nosso território e ao longo de um tempo juridicamente 
relevante; 
 
 Inequívoco consenso a respeito de sua etiologia e das 
quais técnicas de intervenção seriam mais eficazes para 
o seu enfrentamento. 
 
 
1 
A criminologia é uma ciência do ser, empírica 
(observação da realidade). 
A interdisciplinaridade da criminologia decorre de 
sua própria consolidação histórica como ciência 
dotada de autonomia, à vista da influência profunda 
de diversas outras ciências, tais como a sociologia, a 
psicologia, o direito, a medicina legal etc. 
2 
(TÉCNICO DE LABORATÓRIO – 2014 – VUNESP) A expressão 
“Criminologia” foi empregada pela primeira vez por 
a) Adolphe Quetelet e divulgada internacionalmente por Cesare 
Bonesana, em sua obra intitulada Dos delitos e das penas. 
b) Cesare Lombroso e divulgada internacionalmente por Raffaele 
Garofalo, em sua obra intitulada Criminologia. 
c) Paul Topinard e divulgada internacionalmente por Cesare Bonesana, 
em sua obra intitulada Dos delitos e das penas. 
d) Cesare Lombroso e divulgada internacionalmente por Adolphe 
Quetelet, em sua obra intitulada O homem médio. 
e) Paul Topinard e divulgada internacionalmente por Raffaele Garofalo, 
em sua obra intitulada Criminologia. 
(ATENDENTE DE NECROTÉRIO – 2014 – VUNESP) 
Para a aproximação e verificação do seu objeto de 
estudo, a Criminologia dos dias atuais vale-se de um 
conceito: 
a) empírico e interdisciplinar. 
b) dedutivo e dogmático. 
c) dedutivo e interdisciplinar. 
d) dogmático e lógico-abstrato. 
e) empírico e lógico-abstrato. 
(ATENDENTE DE NECROTÉRIO – 2014 – VUNESP) Sobre o objeto de estudo 
da Criminologia dos dias atuais, assinale a alternativa correta. 
a) O ramo da Criminologia que estuda a vítima é denominado Frenologia 
Criminal. 
b) O estudo de desvios de conduta que atentam contra a moral e os bons 
costumes não é assunto da Criminologia, por não configurarem crime, na 
acepção jurídica da palavra. 
c) A Escatologia Criminal estuda os atos pecaminosos praticados por quem 
escolhe a vereda do mal. 
d) A Criminologia ocupa-se do estudo do crime, caracterizando-o como 
simples fato típico e antijurídico, da mesma forma que o Direito Penal. 
e) A Criminologia tem por objeto de estudo o delinquente, o delito, a vítima 
e o controle social. 
 
3 
4 
A criminologia estuda o fenômeno criminal e lança mão 
de estudos realizados pelos diversos ramos do 
conhecimento. Entre as principais áreas, encontramos, 
o direito, a biologia, a psicologia e sociologia criminal. 
Criminologia 
Biologia 
Criminal 
Sociologia 
Criminal 
Psicologia 
Criminal 
Direito 
5 
6 
8 
Atualmente o objeto da criminologia está 
dividido em quatro vertentes 
9 
CRIMINOLOGIA X DIREITO PENAL 
Embora tanto o direito penal quanto a criminologia 
se ocupem de estudar o crime, ambos dedicam 
enfoques diferentes para o fenômeno criminal. 
 
O direito penal é ciência normativa, visualizando o 
crime como conduta anormal para a qual fixa uma 
punição. 
 
7 
A criminologia vê o crime como um problema social, um 
verdadeiro fenômeno comunitário, abrangendo quatro 
elementos constitutivos, a saber: incidência massiva na 
população (não se pode tipificar como crime um fato isolado); 
incidência aflitiva do fato praticado (o crime deve causar dor à 
vítima e à comunidade); persistência espaço-temporal do fato 
delituoso (é preciso que o delito ocorra reiteradamente por um 
período significativo de tempo no mesmo território) e consenso 
inequívoco acerca de sua etiologia e técnicas de intervenção 
eficazes (a criminalização de condutas depende de uma análise 
minuciosa desses elementos e sua repercussão na sociedade). 
10 
Na criminologia moderna, o criminoso passa de figura 
central para um segundo plano. Quando analisado, o 
criminoso tende a ser examinado como unidade 
biopsicossocial e não mais como unidade 
biopsicopatológica. 
Desde os primórdios até os dias de hoje a criminologia 
sofreu mudanças importantes em seu objeto de estudo. 
Houve tempo em que ela apenas se ocupava do estudo 
do crime (Beccaria), passando pela verificação do 
delinquente (Escola Positiva). Após a década de 1950, 
alcançou projeção o estudo das vítimas e também os 
mecanismos de controle social, havendo uma ampliação 
de seu objeto, que assumiu, portanto, uma feição 
pluridimensional e interacionista. 
11 
 A vítima perde o seu papel protagonista do processo 
e assume um papel de coadjuvante; 
 
 A vítima deixa de ter o poder de reação ao fato 
delituoso, o qual passou a ser exercido pelo poder 
público com o monopólio da aplicação da pretensão 
punitiva; 
 
 A vítima passa a ter sua importância retomada sob 
um enfoque mais humano por parte do Estado. 
 
 
Os estudos criminológicos da vítima ganharam destaque 
logo após a 2ª Guerra Mundial, em razão do sofrimento 
imposto por Adolf Hitler aos Judeus no campo de 
concentração – nasce assim, a Vitimologia. 
 
Vitimização primária é aquela que se relaciona ao 
indivíduo atingido diretamente pela conduta criminosa. 
Vitimizaçãosecundária é uma consequência das relações 
entre as vítimas primárias e o Estado, em face da 
burocratização de seu aparelho repressivo (Polícia, 
Ministério Público etc.). Vitimização terciária é aquela 
decorrente de um excesso de sofrimento, que extrapola 
os limites da lei do país, quando a vítima é abandonada, 
em certos delitos, pelo Estado e estigmatizada pela 
comunidade, incentivando a cifra negra (crimes que não 
são levados ao conhecimento das autoridades). 
12 
Controle Social Formal 
 
Constituído pela aparelhagem política do Estado: Polícia, 
Judiciário, Ministério Público, etc. 
 
Controle Social Informal 
 
Constituído pela sociedade civil: família, escola, igreja, 
etc. 
 
13 
14 
A criminologia se vale do método indutivo, utilizando-se 
de métodos biológico e sociológico. 
 
15 
A função da Criminologia é indicar um 
diagnóstico qualificado e conjuntural sobre o 
crime. 
 
O alcance da criminologia está dividido em: 
 
 Explicação científica do fenômeno criminal; 
 
 Prevenção do delito; 
 
 Intervenção no homem delinquente. 
 
16 
A criminologia geral consiste na sistematização, 
comparação e classificação dos resultados obtidos no 
âmbito das ciências criminais acerca do crime, 
criminoso, vítima, controle social e criminalidade. 
 
A criminologia clínica consiste na aplicação dos 
conhecimentos teóricos daquela para o tratamento 
dos criminosos. 
 
Ensina-se que a criminologia pode ser dividida em: 
criminologia científica (conceitos e métodos sobre a 
criminalidade, o crime e o criminoso, além da vítima e da 
justiça penal); criminologia aplicada (abrange a porção 
científica e a prática dos operadores do direito); 
criminologia acadêmica (sistematização de princípios para 
fins pedagógicos); criminologia analítica (verificação do 
cumprimento do papel das ciências criminais e da política 
criminal) e criminologia crítica ou radical (negação do 
capitalismo e apresentação do delinquente como vítima da 
sociedade, tem no marxismo suas bases). 
17 
 A vertente sociológica da criminalidade alcança níveis de 
influência altíssimos na gênese delitiva. Entre os fatores 
mesológicos, logo no início da vida humana destaca-se a 
infância abandonada (lares desfeitos, pais separados, 
crianças órfãs); 
 As estatísticas criminais demonstram existir uma relação de 
proximidade entre a pobreza e a criminalidade; 
 As concessionárias de rádio e televisão, nas respectivas 
programações, descumprem um fundamento 
constitucional do Estado brasileiro: os programas da mídia 
devem voltar-se para o respeito aos valores éticos da 
pessoa humana e da família 
 
18 
 A migração como movimento interno populacional 
dentro de um país pode causar dificuldades de 
adaptação em face da diferença de costumes, usos, 
hábitos, valores etc. de uma região para outra; 
 O crescimento populacional desordenado ou não 
planejado figura como fator delitógeno; 
 Preconceito é estereótipo negativo, ideia negativa pré-
concebida. 
 
19 
 A educação e o ensino são fatores inibitórios de 
criminalidade. No entanto, sua carência ou defeitos podem 
contribuir para estabelecer um senso moral distorcido na 
primeira infância. Assim, a educação informal (família, 
sociedade) e a formal (escola) assumem relevância 
indisfarçável na modelagem da personalidade humana; 
 Entende-se por mal-vivência, no dizer do douto Hilário 
Veiga de Carvalho (1973), um grupo polimorfo de 
indivíduos que vivem à margem da sociedade, em situação 
de parasitismo, sem aptidão para o trabalho, em razão de 
causas endógenas e exógenas que representam um perigo 
social. 
(ATENDENTE DE NECROTÉRIO – 2014 – VUNESP) Entende-se 
por___________________ um grupo polimorfo de indivíduos que existe 
à margem da sociedade, em situação de _______________ , sem 
aptidão para o trabalho, por razões de ordem biológicas ou pela 
exclusão social. Assinale a alternativa que preenche, correta e 
respectivamente, as lacunas do trecho. 
a) parasitismo ... espírito de rebeldia 
b) mimetismo ... pleno emprego 
c) mimetismo ... espírito de rebeldia 
d) mal-vivência ... parasitismo 
e) mal-vivência ... pleno emprego 
 
 
 
Criminologia X Política Criminal 
 
Ambas, atualmente, são responsáveis pela 
elaboração de dados criminalísticos com base em 
estatísticas quantitativas e qualitativas que 
contribuem sobremaneira para a prevenção e uma 
efetiva política de combate preventiva ao crime. 
 
A política criminal é o conjunto de medidas e 
critérios de caráter jurídico, social, educacional, 
econômico ou de índole similar estabelecidos por 
poderes públicos para prevenir e reagir ao fenômeno 
criminal, buscando assim, um limite tolerável aso 
índices da criminalidade. 
 
 
Política criminal é a sabedoria legislativa do Estado 
na luta contra as infrações penais. 
 
A reforma do Código Penal e a revisão de toda a 
legislação especial são exemplos de sugestões 
apresentadas pelos doutrinadores criminalistas para 
a melhoria da política criminal. 
 
A política criminal do Direito Penal Funcional sustenta, 
como modernização funcional no combate à 
“criminalidade moderna”, uma mudança semântico-
dogmática, tal como: 
 “perigo” em vez de dano; 
 “risco” em vez de ofensa efetiva a um bem jurídico; 
 “abstrato” em vez de concreto; 
 “tipo aberto” em vez de fechado; 
 e “bem jurídico coletivo” em vez de individual. 
A criminologia auxilia o Estado na elaboração de 
políticas públicas voltadas para atividades que 
minimizem os índices de criminalidade. 
 
São políticas voltadas a diversas áreas e baseadas em 
dados criminológicos que permitem identificar o 
problema local que contribui para práticas delituosa. 
 
CRIMINOLOGIA POLÍTICA CRIMINAL 
Ocupa-se dos estudos dos 
criminosos e das causas da 
criminalidade 
Estuda e recomenda os 
meios de prevenção e 
repressão à delinquência. 
HISTÓRICO - CONCEITOS 
 
PROFESSOR ALEXANDRE HERCULANO 
 
 
@PROF_HERCULANO 
 
 
 
Prof. Alexandre Herculano 
Como marco do momento pré-científico, a maioria dos autores 
entende que a criminologia passou a ser conhecida com certa 
autonomia científica com a obra do fundador da criminologia 
moderna, CESARE LOMBROSO – Homem Delinquente – 1876 – 
sua tese principal era a do delinquente nato. 
Alguns especialistas defendem que que o antropólogo francês 
PAUL TOPINARD, em 1879, foi quem utilizou pela primeira vez o 
termo “criminologia”. 
 
Outros defendem que RAFAELE GARÓFALO, em 1885, usou o 
termo como título de um livro científico. 
A escola clássica apresenta FRANCESCO CARRARA como 
aquele que utilizou os primeiros aspectos do pensamento 
criminológico, em sua obra Programa de Direito Criminal, 
publicada em 1859. 
No Brasil, a criminologia foi introduzida pelo político 
pernambucano JOÃO VIEIRA DE ARAUJO, com a obra 
Ensaios sobre Direito Penal, em 1884. 
Antiguidade 
 
Código de Hammurabi 
 
- Pobres e ricos julgados de modos distintos; 
- Ausência de estudo sistematizado sobre o crime e o 
criminosos; 
- Explicações sobrenaturais ou religiosas sobre o mal e o crime; 
- Crime como tabu ou pecado, avaliado em termos éticos e 
morais; 
- Demonismo: o criminoso como uma personalidade diabólica. 
Século XVI 
 
THOMAS MORUS, em sua obra Utopia, considerava o 
crime como reflexo da sociedade, relacionava a 
desorganização social e a pobreza com a delinquência. 
Afirmava que o ouro é a causa de todos os males. 
Século XVIII 
 
DELLA PORTA (1535/1616) E KASPAR LAVATER (1741-
1801) 
 
- Preocupavam-se com a fisionomia – estudo da 
aparência externa do indivíduo; 
- Interrelação entre o corpo e o psíquico; 
- “Retrato robot” – denominado “homem de maldade 
natural” (Lavater) 
 
 
Os fisionomistas utilizavam, ainda, o juízo de valor 
proposto pelo imperador romano – Valério (reinou no 
século IV) denominado “Édito de Valério! 
 
 
“quando houvesse dúvida entre dois indivíduos 
presumidamente culpados, haveria de ser culpado o maisfeio.” 
A fisionomia deu origem à cranioscopia, que foi difundida 
por Franz Joseph Gall (1758 – 1828) e Jonh Gaspar 
Spurzem (1776 – 1832): 
 
Sustentavam que, mediante medições externas da cabeça, 
era possível determinar o caráter, características da 
personalidade, desenvolvimento das faculdades mentais e 
morais, bem como o grau da criminalidade com base na 
forma externa do crânio. 
Depois os estudos evoluíram para uma análise interna da 
mente, dando origem à frenologia, precursora da 
moderna neurofisiologia e da neuropsiquiatria. 
 
A frenologia foi desenvolvida pelo médico Franz Josph 
Gall, que em 1810, publicou a obra “De Craneologia”, 
onde buscou localizar más-formações no cérebro que 
justificassem o comportamento do criminoso. 
A escola clássica surgiu no final do século XVIII e formou-
se por um conjunto de ideias, teorias políticas, filosóficas 
e jurídicas, sobre as principais questões penais. 
 
Teve como pensadores: 
 
 Cesare Beccaria (1764 – “Dos delitos e das penas”) 
 Francesco Carrara 
 Giovanni Carmignani 
Para a escola clássica a responsabilidade penal se 
fundamenta no livre arbítrio, assim, o inimputável seria 
penalmente irresponsável. 
 
 
O crime é produto da vontade livre do agente e a pena é 
um mal justo que se contrapõe a um mal injusto (o crime). 
Século XIX 
 
No final deste presencio o aparecimento da 
“criminologia socialista em sentido amplo” 
 
Compreendida como explicação do crime a partir da 
natureza da sociedade capitalista e como crença no 
desaparecimento ou redução sistemática do crime 
após a instauração do socialismo. 
A ideia da loucura moral ou “monomania homicida” era 
defendida pelo médico francês Jean Etienne Dominique 
Esquirol (1840) – obra “Alucinações”, e pelo médico inglês 
James Pritchard (1835). 
 
Descreviam o criminoso como um indivíduo com 
princípios morais deficientes, apresentando privação ou 
alteração das faculdades afetivas, emotivas e do senso 
moral. 
Os franceses Philipe Pinel (1826) e Feliz Voisin (1837) defendiam 
a tese de que a criminalidade se manifestava devido a uma 
deficiência no sistema nervoso central dos indivíduos. 
 
Em 1850, os alemães Karl Max e Friedrich Engels sustentavam 
que o delito é produto das condições econômicas. 
 
Em 1882, Alphonse Berillon desenvolveu a antropometria 
criminal, que consite numa técnica de identificação do criminoso 
pelo registro de suas medidas corporais e marcas pessoais 
(tatuagens, cicatrizes, etc). Inventou, ainda, o assinalamento 
antropométrico e fotografia judiciária. 
 
 
(2018 - NUCEPE - PC-PI - Delegado de Polícia) Acerca da História da Criminologia, 
marque a alternativa CORRETA: 
a) Desde a Antiguidade, o Direito Penal, em concreto, passou a ser compilado em 
Códigos e âmbitos jurídicos, tal qual como nos dias de hoje, entretanto, algumas 
vezes eram imprecisos. 
b) O Código de Hamurabi (Babilônia) possuía dispositivos, punindo furtos, roubos, 
mas não considerava crime, a corrupção praticada por altos funcionários públicos. 
c) Durante a Antiguidade, o crime era considerado pecado, somente na Idade 
Média, é que a dignidade da pessoa humana passou a ser considerada, e as 
punições deixaram de ser cruéis. 
d) Em sua obra “A Política”, Aristóteles, ressaltou que a miséria causa rebelião e 
delito. Para o referido filósofo, os delitos mais graves eram os cometidos para 
possuir o voluptuário, o supérfluo. 
e) Da Antiguidade à Modernidade, o furto famélico (roubar para comer) nunca foi 
considerado crime. 
 
 
 
 
 
 
 
CRIMINOLOGIA MODERNA 
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Principais defensores da escola clássica 
 
- Francesco Carrara; 
- Cesare Bonesana; 
- Jean Domenico Romagnosi; 
- Jeremias Betham; 
- Franz Joseph Gall; 
- Anselmo Von Feuberbach; 
- Giovanni Carmignani. 
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Principais defensores da escola positiva 
 
- Cesare Lombroso 
- Rafaele Garófalo; 
- Enrico Ferri. 
7 
Podemos dividir a escola positiva em três fases 
distintas: 
 antropológica (Cesare Lombroso), 
 jurídica (Rafael Garofalo), e 
 sociológica (Enrico Ferri). 
 
Cesar Lombroso publicou em 1876 o livro “o homem 
delinquente”, que deu início a um período científico 
de estudos criminológicos. Lombroso não criou uma 
teoria moderna, mas sistematizou uma série de 
conhecimentos esparsos e os reuniu de forma 
articulada e inteligível. 
Rafael Garofalo, primeiro dos seguidores da Escola 
Positiva, estudioso de Lombroso e jurista italiano, 
submeteu a uma revisão geral os critérios da 
Antropologia Criminal, transferindo o centro das 
pesquisas da Anatomia para a Psicologia, e 
inaugurando no país a fase jurídica do positivismo 
com seu livro "Criminologia" de 1885, com enfoque 
jurídico ao homem que praticou o delito e análise 
distinta do delito, do delinquente e da pena, na qual 
exatamente nota-se o avanço jurídico. 
Enrico Ferri, criminologista italiano que estudava a 
criminalidade com uma visão sociológica, em 
oposição à visão biológica de Lombroso, o homem 
só é criminoso porque vive em sociedade, 
ressaltando o trinômio causal do delito (fatores 
antropológicos, sociais e físicos) e salientando a 
supremacia da responsabilidade social sobre a 
moral. 
Ferri se utilizou dos princípios fundamentais da 
Antropologia Criminal e da Estatística. 
A escola positiva abandonou os estudos propostos 
pela escola clássica voltados para a centralização na 
figura do crime e adotou como núcleo de suas 
pesquisas a pessoa do delinquente. 
Para esta escola, o criminoso é um indivíduo que se 
assemelha a um doente e como tal deve ser tratado. 
 
O método adotado por esta escola é baseado na 
investigação experimental indutiva. 
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Escola de Lyon (Antropossocial ou Criminal-sociológica) 
 
O criminoso é como o micróbio ou vírus, algo inócuo, até 
que o adequado ambiente o faz eclodir. A predisposição 
pessoal e o meio social fazem o criminoso. 
Defende a importância do meio social, isto é, reconhece 
um fundo patológico ou estado mórbido individual na 
delinquência. 
Oposta às teses lombrosianas e crítica do positivismo, 
preconiza que o delinquente 
 
SOCIOLOGIA OU 
MACROSSOCIOLOGIA 
CRIMINAL 
PROFESSOR ALEXANDRE HERCULANO 
 
 
@PROF_HERCULANO 
 
 
 
Prof. Alexandre Herculano 
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Teoria Ecológica ou da Desorganização Social – criada em 1915 sob o 
legado de que o progresso leva a criminalidade aos grandes centros 
urbanos. Robert Park, em 1925, publicou a principal obra da Teoria 
Ecológica, chamada de “The City”. Esta teoria faz um paralelo entre o 
desenvolvimento dos grandes centros urbanos e o consequente aumento 
da criminalidade em virtude da ausência de controle social informal. 
 
Teoria Espacial – foi criada em 1940 e trata da reestruturação 
arquitetônica e urbanística das grandes cidades como medida preventiva 
da criminalidade. Oscar Newman, arquiteto, publicou a obra “Defensible 
space”, onde defendeu os modelos adequados de construção como 
maneira de prevenção situacional do crime. Ou seja, o espaço defensável 
seria aquele que permite uma maior vigilância pelas pessoas. Aplicava 
barreiras reais e simbólicas que desestimulavam as ações criminosas. 
Teoria das Janelas Quebradas – dois criminólogos das Universidade de 
Harvard – James Wilson e George Kelling, apresentaram esta teoria em 
1982, após publicarem a revista Atlantic Monthly. 
Marcada pela experiência de Philip Zimbardo! 
Defende a repressão dos delitos menores para inibir os mais graves. 
 
Teoria da Tolerância Zero – é uma filosofia jurídico-política, baseada em 
decisões desprovidas de discricionariedade por parte das autoridades 
policiais de uma organização. 
A ação policial é extremamente intransigente com delitos menores. 
 
 
Teoria da Associação Diferencial – Edwin Sutherland, 
afirmava que a associação diferencial é o processo de 
aprender alguns tipos de comportamento desviante, que 
requer conhecimento especializado e habilidade. 
 
Ele apresentou a expressão “white-colarcrime”. 
 
 
 
5 
6 
Desenvolvida por Albert K. 
Cohen – lançamento do livro 
“Delinquent boys” – 1955 
 
Divide esta em três fatores: 
- Muitos crimes não possuem motivação racional; 
 
- Simples prazer em prejudicar o outro; 
 
- Polo oposto aos padrões da sociedade. 
 
 
 
Robert King Merton – 
com o apoio da 
doutrina de Émile 
Dukhein, foi o 
precursor deste teoria 
A Teoria da Anomia sustenta que a motivação para a 
delinquência decorria da impossibilidade de o indivíduo 
atingir metas desejadas por ele, como sucesso 
econômico ou status social. 
 
 
 
 
 
Teorias do Conflito 
 
 
Teoria Crítica ou 
Radical 
Teoria do 
Etiquetamento 
(Labeling Approach) 
9 
1960 – os principais 
precursores foram Erving 
Goffman, Edwim Lemert e 
Howard Becker, considerados 
como autores da nova Escola 
de Chicago. 
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PREVENÇÃO CRIMINAL 
NO ESTADO 
DEMOCRÁTICO DE 
DIREITO 
 
PROFESSOR ALEXANDRE HERCULANO 
 
 
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Prof. Alexandre Herculano 
A prevenção da infração penal poderá ser geral positiva, visando 
a intervenção na pessoa do delinquente com a sua recolocação 
na sociedade de forma a ressocializá-lo através da credibilidade 
institucional dos órgãos do Estado com a devida correção, este 
meio de prevenção visa atingir a sociedade como todo com o 
objetivo de reforçar os valores da ordem democrática do Estado. 
 
O método de prevenção geral negativa visa afirmar e impor o 
valor do Estado Democrático de Direito a sociedade, pois ela 
direcionada em específico a pessoa do criminoso, onde através 
da penalização o Estado demonstra que o crime será amplamente 
punido. 
 
As medidas indiretas agem sobre o crime de forma mediata, procurando 
cessar as causas e os efeitos do delito. Tais medidas buscam as causas 
possíveis da criminalidade, próximas ou remotas, genéricas ou específicas. 
As atuações indiretas devem se concentrar tanto no indivíduo quanto no 
meio em que ele vive; algo que a Criminologia Moderna chama de 
prevenção primária e terciária. 
 
Já as medidas diretas de prevenção criminal possuem o foco na infração 
penal in itinere ou em formação (iter criminis). Destaca-se a importância 
das medidas de ordem jurídica, como as referentes à efetiva punição de 
crimes graves, incluindo os de colarinho branco; a repressão implacável às 
infrações penais de toda a natureza, substituindo o direito penal nas 
pequenas infrações pela adoção de medidas de cunho administrativo; 
entre outras. 
 
Como resposta à ocorrência de ação criminosa, 
surgem formas de prevenção aos delitos no Estado 
Democrático de Direito. Iniciamente, tem-se a 
Teoria da Reação Social, que prevê a reação social 
estatal por meio de três modelos distintos, e que já 
estudamos. São eles: dissuasório, 
ressocializador e restaurador (integrador). 
MODELOS DE REAÇÃO AO 
CRIME 
 
Prof. Alexandre Herculano 
 
VITIMOLOGIA 
 
PROFESSOR ALEXANDRE HERCULANO 
 
 
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Prof. Alexandre Herculano 
xxxxx 
 
Mendelsohn – sintetiza a sua classificação em três grupos: 
 
Vítima inocente ou ideal – é a vítima inconsciente, isto é, que não 
concorre de forma alguma para desencadear o delito, mas sim puramente 
vítima; 
 
Vítima provocadora - estas vítimas colaboraram na ação nociva e existe 
uma culpabilidade reciproca, pela qual a pena deve ser menor para o 
agente do delito; 
 
Vítima agressora, simuladora ou imaginária - nestes casos são as vítimas 
as que cometem por si a ação nociva e o não culpado deve ser excluído de 
toda pena. A vítima acredita ser vítima da ação criminosa. 
- Os danos causados sobre uma pessoa eram reparados ou punidos pela 
própria pessoa (vingança privada); 
 
- A resposta ao crime deve ser imparcial e despersonalizando a 
rivalidade; 
 
- Corresponde a uma resposta ética e social ao fenômeno multidinário da 
macrovitimização. 
 
Síndrome de Estocolmo ou síndroma de Estocolomo 
(Stockholmssyndromet em sueco) é um estado psicológico particular em 
que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa 
a ter simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu 
agressor. 
A denominada Síndrome da Mulher de Potifar segunda a criminologia é 
aquela representada biblicamente por ser a mulher que, rejeitada, imputa 
falsamente à pessoa que a rejeitou o crime de estupro. 
 
A teoria supracitada vem do contexto bíblico, no livro de Gênesis, capítulo 
39, onde narra a história de José, filho de Jacó, que em razão dos ciúmes 
de seus irmãos, foi vendido por estes como escravo aos Esmaelitas, e em 
seguida foi vendido ao egípcio Potifar, o Capitão da guarda real. 
A denominada Síndrome da Mulher de Potifar segunda a criminologia é 
aquela representada biblicamente por ser a mulher que, rejeitada, imputa 
falsamente à pessoa que a rejeitou o crime de estupro. 
 
A teoria supracitada vem do contexto bíblico, no livro de Gênesis, capítulo 
39, onde narra a história de José, filho de Jacó, que em razão dos ciúmes 
de seus irmãos, foi vendido por estes como escravo aos Esmaelitas, e em 
seguida foi vendido ao egípcio Potifar, o Capitão da guarda real. 
No decorrer da convivência entre o escravo e Capitão, José ganhou a 
confiança de Potifar e passou a administrar sua casa e ficando também 
responsável por seus bens. Todavia, José despertou interesse na mulher de 
Potifar, a qual passou a almejá-lo, mas o mesmo sempre negou a cobiça da 
referida mulher por ser fiel a Deus e ao seu patrono, insatisfeita, a mulher 
de Potifar decidiu tomar outras medidas agarrando José pela capa e o 
chamou para manter relações sexuais com ela, momento em que José se 
desprendeu e conseguiu fugir, porém, sua capa ficou nas mãos da mulher. 
 
Inconformada com a rejeição, com a capa em suas mãos, a mulher de 
Potifar gritou os servos da casa, acusando José de tê-la estuprado, o que 
perturbou Potifar, fazendo com que ele prendesse José junto aos demais 
presos do rei. 
 
O HOMEM DELINQUENTE. TEORIAS 
BIOANTROPOLÓGICAS, PSICODINÂMICAS E 
PSICOPSICOLÓGICAS 
 
PROFESSOR ALEXANDRE HERCULANO 
 
 
@PROF_HERCULANO 
 
 
 
Prof. Alexandre Herculano 
Alguns fatores afetam particularmente o volume e o tipo de 
crime que ocorrem num determinado lugar. Estes fatores são 
ditos condicionantes do crime e da criminalidade. Um sistema 
de informação destinado a auxiliar a análise criminal deve conter 
em seus bancos de dados, informações que permitam identificar 
fatores condicionantes do crime e da criminalidade. 
 
Num primeiro momento, os comportamentos 
delinquentes, e as suas causas e as suas relações, eram 
simplesmente atribuídos à ação de deuses ou outros 
poderes sobrenaturais. 
 
Num segundo momento, os comportamentos delinquentes passaram a ser 
explicados através do recurso a fatores internos, ou seja, a qualidades 
intrínsecas a alguns indivíduos, mesmo que relativamente abstratas, como 
a maldade, a imoralidade, o egoísmo ou a desonestidade. Embora ainda 
persistissem explicações de natureza externa, essencialmente 
sobrenaturais, a percepção de que alguns seres humanos transportavam 
em si uma incapacidade para se conformar às exigências das sociedades 
modernas, intrinsecamente justas e racionais, começou a tornar-se 
preponderante. 
 
Num terceiro momento, já dominado por paradigmas científicos, os 
comportamentos delinquentes passaram a ser explicados através do 
recurso a características biológicas, psicológicas ou sociais específicas e 
passíveis de serem facilmente observadas e medidas. 
 No campo da biologia, por exemplo, a diferença foi remetida 
para atavismos que se manifestavam, quer a um nível 
intelectual, quer a um nível físico. Até pelo menos ao final da 
segunda grande guerra mundial, os atavismos foram concebidos 
como sendo hereditários, concepção que legitimou, entre outras 
práticas preventivas, o isolamento dos “criminosos” ou a sua 
esterilização forçada, por forma a que não se pudessemreproduzir, e, no limite, a sua eliminação física. 
No campo da psicologia, a diferença foi remetida, quase invariavelmente, 
para a questão da personalidade e dos seus diferentes traços, o que 
sustentou toda uma série de estudos e de programas de tratamento e de 
adaptação forçada da personalidade, imatura, impulsiva ou agressiva, do 
delinquente, às características e às exigências da vida em sociedade. 
 
 
No campo social, os delinquentes foram quase sempre conceptualizados 
como sendo diferentes, mesmo que essa diferença se situasse nas 
diferentes tensões ou pressões sociais exercidas sobre alguns grupos 
sociais, e tal motivou todo um conjunto de programas de redução dessas 
tensões ou pressões como principal estratégia de prevenção de 
comportamentos delinquentes. 
 
 
 
Fatores condicionantes: biológicos, psicológicos e sociais. 
BIOLÓGICOS 
 
Fatores bioquímicos 
Fatores neurológicos 
Fatores psicofisiológicos 
 
PSICOLÓGICOS 
 
Personalidade (Personalidade Normal; Personalidades Patológicas; 
Personalidades Psicopáticas; Personalidade Delinquente; e Neuroses) 
 
 
SOCIAIS 
 
Sistema econômico; 
Pobreza; 
 
Miséria; 
Mal vivência; 
Fome e desnutrição; 
Civilização; 
Cultura; 
Educação; 
Escola; 
Analfabetismo; 
Migração e imigração; 
Política; 
etc. 
 
Teorias bioantropológicas, psicodinâmicas e 
psicopsicológicas. 
Teorias Bioantropológicas 
 
 Esta teoria (no estudo etiológico dado às ciências criminológicas) 
destaca-se, pois que mantinha o foco no estudo individual do criminoso, 
privilegiando as questões de seu âmbito pessoal, em detrimento das 
questões que permeiam o ambiente em que vive. 
 Ela atribui ao crime fatores que fazem parte da composição orgânica 
do criminoso, tentando explicar o crime através de uma predeterminação 
que não vinha delineada pelo meio ao que o criminoso pertence, mas por 
fatores biológicos que o impedem de tomar decisão contrária ao delito, 
demonstrando assim o caráter determinista da criminologia 
bioantropológica. 
 
Teorias Psicodinâmicas 
 
 Pertencente, também, à escola etiológica positivista, as 
teorias psicodinâmicas passaram a atribuir o delito muito mais 
aos fatores educacionais do indivíduo do que aos fatores 
genéticos, como fazia a teoria bioantropológica. 
 O que diferenciaria o criminoso do sujeito normal, não seria 
mais a árvore genealógica menos ou mais presente nas 
instituições carcerárias, mas toda a questão psicológica que teria 
levado esse indivíduo a ser mais ou menos educado para cumprir 
as normas sociais. 
 
Teorias Psicossociológicas 
 
 A proposta é compreender o que leva o homem a 
abandonar sua característica naturalmente delitiva e cumprir as 
normas sociais. Nessa perspectiva, quem deve ser estudado é o 
não criminoso, pois ele é o ser que foge a normalidade de sua 
espécie para se adaptar a uma forma de vida social. 
 As teorias psicossociológicas se caracterizam pela 
abordagem dos vínculos do indivíduo com a sociedade, 
procurando detectar as resistências interiores e exteriores que 
conduzem o sujeito à obediência da lei. 
 
 
 
 
 
Conceitos e História da Criminologia 
 
 
 
 
 
Período Pré-Científico x Científico 
 
 
 
 
 
 
 
Escolas Penais X Sociologia Criminal 
 
Em relação ao delinquente, é visto de maneira diferente 
segundo as Escolas da Criminologia: 
 
a) Escola Clássica: ser pecador que escolheu o mal apesar de 
poder optar pelo bem; 
b) Escola Positivista: reflexo de sua deficiência patológica (caráter 
biológico – hereditário ou não) ou formação social (caráter 
social); 
c) Escola Correcionalista: ser inferior e incapaz de se 
autodeterminar, a merecer do Estado resposta pedagógica e 
piedosa; 
 
 
Em relação ao delinquente, é visto de maneira diferente 
segundo as Escolas da Criminologia: 
 
d) Escola Marxista: criminoso era vítima da sociedade e das 
estruturas econômicas (determinismo social e econômico); essa 
visão se desenvolveu por estudiosos de Marx, e seus conceitos 
convergiram na chamada criminologia crítica; 
e) Escola atual: criminoso é homem real e normal que viola a lei 
penal por razões diversas que merecem ser investigadas e nem 
sempre são compreendidas. 
 
 
Criminologia clássica 
 
A criminologia clássica não se preocupa com a ressocialização ou 
reintegração do delinquente. 
 
Ocupa-se da dissuasão penal, residindo nesse efeito inibitório da 
pena a essência da prevenção. 
 
 
Criminologia positiva 
Funda-se a criminologia positiva nos fatos decorrentes do 
empirismo, ou seja, observação e experimentação (e não mera 
especulação, que não tem valor científico). 
O objeto da criminologia é o delinquente, e não o delito 
(considerado mera abstração advinda da lei), num primeiro 
momento. O crime é apenas o sintoma do criminoso, este sim 
devendo ser examinado. 
A criminologia deve explicar as diferenças (físicas, psicológicas e 
sociais) entre delinquentes e não delinquentes, sujeitando então 
os comportamentos criminais ao determinismo (nega-se o livre-
arbítrio). 
 
Criminologia moderna 
Com a criminologia moderna o núcleo investigativo migrou do 
homem delinquente para a conduta criminosa, a vítima e o 
controle social. Consiste em ciência explicativa do crime como 
fenômeno individual e social, examinando o criminoso por sua 
unidade biopsicossocial. 
 
São as principais características da criminologia moderna: 
a) caracterização do crime como problema; 
b) ampliação do objeto do estudo da criminologia (examinando 
não só o crime e o criminoso, mas também a vítima e o controle 
social); 
c) o saber criminológico tem seu enfoque na prevenção e não 
exclusivamente na obsessão de repressão; 
d) preocupação com tratamento é substituída pela intervenção, 
por consistir em noção mais dinâmica e complexa do fenômeno 
delitivo; 
e) não renuncia a uma análise etiológica do delito (de 
investigação da criminogênese, ou seja, das causas do delito). 
 
 
 
 
A CRIMINOLOGIA E O PARADIGMA DA REAÇÃO SOCIAL 
Criminologia de Reação Social estuda os processos de criação de 
normas penais e sociais que estão relacionados com o 
comportamento desviante. 
 
A teoria da reação social também é conhecida como teoria do 
etiquetamento, interacionismo simbólico, teoria da rotulação. A 
teoria surge nos Estados Unidos, na década de 60, e tem suas 
bases na obra de Émile Durkhein. 
 
Essa teoria induz que, a partir do momento em que o sujeito 
delinque, a sociedade já passa a estigmatizá-lo como 
delinquente. Aquele que praticou o delito já começa a ser 
reconhecido por ele próprio como marginal. Uma vez adquirido o 
status de desviado ou de delinquente, é muito difícil modificá-lo, 
por duas razões: 
a) pela dificuldade da comunidade aceitar novamente o 
indivíduo etiquetado; 
b) b) porque a experiência de ser considerado delinquente, e a 
publicidade que isso comporta, culminam em um processo no 
qual o próprio sujeito se concebe como tal. 
 
Ocorre o chamado mergulho ao papel desviado (role 
engulfment). É uma das mais perversas consequências do 
processo de desviação, pois à medida que o mergulho no papel 
desviado cresce, há uma tendência para que o autor do delito 
defina-se como os outros o definem. 
 
Em síntese, a ideia dessa teoria é demonstrar que a partir do 
momento que o agente pratica o primeiro crime, passa a 
personificar a figura do “bandido”, “ladrão”, “drogado”, 
“assassino” perante os olhos da sociedade. 
 
A etiqueta ou rótulo (por meio do atestado de antecedentes e a 
divulgação nos meios de comunicação, notadamente, nos jornais 
sensacionalistas) acaba por afetar o indivíduo, gerando a 
expectativa social de que a conduta venha a ser praticada, 
perpetuando o comportamento delinquente e aproximando os 
indivíduos rotulados uns dos outros. 
 
O estigma que permeia a vida do criminoso afeta não só a sua 
percepção sobre si mesmo, mas também gera rejeição social, que 
geralmente se manifesta como descrença na recuperaçãoe 
ressocialização desse indivíduo. Assim, criam-se circunstâncias 
que impelem o agente à mantença do comportamento criminoso, 
pois, em grande parte das vezes, ainda que tente seguir um estilo 
de vida lícito após os fatos, continuará sendo etiquetado como 
criminoso, o que dificultará sua reinserção em sociedade. 
 
 
 
 
 
A CRIMINOLOGIA NO BRASIL 
 
É nas últimas décadas do século XIX que começa a recepção da 
criminologia no país. Diversos historiadores do direito penal 
consideram João Vieira de Araújo (1844-1922), professor da 
Faculdade de Direito do Recife, o primeiro autor a se mostrar 
informado a respeito das novas teorias criminais, ao comentar as 
idéias de Lombroso em suas aulas na Faculdade do Recife e 
também em textos sobre a legislação criminal do Império. 
 
Em seu livro Ensaio de Direito Penal ou Repetições Escritas sobre 
o Código Criminal do Império do Brasil, publicado em 1884, João 
Vieira de Araújo já aponta para a necessidade de analisar a 
legislação nacional de um ponto de vista filosófico mais 
"moderno", que no campo do direito criminal seria representado 
sobretudo pela obra de Lombroso. 
 
Muitos dos propagandistas da criminologia no Brasil, como o 
jurista Francisco José Viveiros de Castro, reconheceram João 
Vieira de Araújo como o legítimo pioneiro da Escola Positiva de 
direito penal no país. 
 
 
 
Outros autores, no entanto, como Silvio Romero, atribuem a 
Tobias Barreto esse mérito. E, realmente, no mesmo ano de 1884, 
quando João Vieira de Araújo publica seus trabalhos acerca da 
legislação criminal do Império, Tobias Barreto, em seu livro 
Menores e Loucos, faz referências ao Homem Delinquente, ao 
discutir a necessidade de diferenciação das diversas categorias de 
irresponsáveis no campo penal. 
 
Após essa recepção pioneira no Recife, inúmeros outros juristas, 
ao longo da Primeira República, passam a divulgar as novas 
abordagens "científicas“ acerca do crime e do criminoso: Clóvis 
Beviláqua, José Higino, Paulo Egídio de Oliveira Carvalho, 
Raimundo Pontes de Miranda, Viveiros de Castro, Aurelino Leal, 
Cândido Mota, Moniz Sodré de Aragão, Evaristo de Moraes, José 
Tavares Bastos, Esmeraldino Bandeira, Lemos Brito, entre outros, 
publicam artigos e livros em que são discutidos os principais 
conceitos e autores da criminologia e da Escola Positiva de direito 
penal. 
 
 
 
 
 
Criminologia e o Direito Penal 
Jesus-Maria Silva Sánchez, visualiza o Direito Penal diferentes 
velocidades. 
 
A primeira velocidade seria aquela tradicional do Direito Penal, 
que tem por fim último a aplicação de uma pena privativa de 
liberdade. Nessa hipótese, como está em jogo a liberdade do 
cidadão, devem ser observadas todas as regras garantistas, sejam 
elas penais ou processuais penais. 
Segunda velocidade, temos o Direito Penal à aplicação de penas 
não privativas de liberdade, a exemplo do que ocorre no Brasil 
com os Juizados Especiais Criminais, cuja finalidade, de acordo 
com o art. 62 da Lei no 9.099/95, é, precipuamente, a aplicação 
de penas que não importem na privação da liberdade do cidadão, 
devendo, pois, ser priorizadas as penas restritivas de direitos e a 
pena de multa. Nessa segunda velocidade do Direito Penal 
poderiam ser afastadas algumas garantias, com o escopo de 
agilizar a aplicação da lei penal. 
Direito Penal do Inimigo como uma terceira velocidade. Seria, 
portanto, uma velocidade híbrida, ou seja, com a finalidade de 
aplicar penas privativas de liberdade (primeira velocidade), com 
uma minimização das garantias necessárias a esse fim (segunda 
velocidade). 
 
 
 
CRIMINOLOGIA E O SISTEMA DE JUSTIÇA CRIMINAL 
 
 
O sistema de justiça criminal se posiciona dentro do sistema 
formal de controle social. 
 
É formado pelo Poder Judiciário, Ministério Público, Polícia 
Judiciária e Administração Penitenciária. 
Os órgãos públicos exercem um papel expressivo na condução do 
controle do fenômeno criminal. O funcionamento dessas 4 
instâncias (separadas e organizadas) é de fundamental 
importância para a criminologia, pois são aplicadores natos do 
controle social formal. 
A atuação integrada entre as Instituições, respeitando 
obviamente a divisão constitucional de atribuições (o papel e os 
limites de cada órgão), é crucial para o controle da delinquência, 
tanto em sua faceta de prevenção quanto de repressão. 
Vale a pena destacar, por oportuno, que diferente modelos de 
justiça emergiram ao longo da história para lidar com o 
fenômeno criminal, sendo os principais o modelo clássico (justiça 
retributiva) e o moderno (justiça restaurativa). 
 
 
 
 
 
 
 
CRIMINOLOGIA E O PAPEL DA POLÍCIA JUDICIÁRIA 
A segurança pública consiste em dever do Estado, direito e 
responsabilidade de todos, sendo exercida para a preservação 
da ordem pública (art. 144 da CF). Os órgãos policiais são os 
incumbidos de garantir a paz social, dividindo-se basicamente 
em Polícia Administrativa e Polícia Judiciária. 
Nesse panorama, a Polícia Ostensiva desenvolve atividade de 
cunho preventivo, visando preservar a ordem pública, 
impedindo a prática de infrações penais (exs: Polícia Militar, 
Polícia Rodoviária Federal, Guarda Municipal). 
Já a Polícia Investigativa realiza função de caráter repressivo, 
apurando crimes e auxiliando o Poder Judiciário. Sua atuação 
ocorre depois da prática de uma infração penal e tem como 
objetivo precípuo colher evidências da materialidade e autoria do 
delito (exs: Polícia Civil e Polícia Federal). 
 
A tarefa de investigar infrações penais exercida pela Polícia 
Judiciária possibilita que a materialidade e autoria do crime 
sejam desvendadas (art. 2º da Lei 12.830/13). Evidencia as 
circunstâncias delitivas, demonstrando o crime e o criminoso, e 
desse modo protegendo a vítima. 
 
Nesse sentido, a Polícia Judiciária faz parte do chamado controle 
social formal, mais especificamente na primeira seleção, 
responsável pela investigação criminal do crime que não foi 
evitado pelo controle social informal. Dessa maneira possibilita a 
acusação e o julgamento pelo Ministério Público e Judiciário, 
respectivamente, somando esforços para submeter os indivíduos 
às normas de convivência em sociedade. 
 
 
 
 
A CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 
No Estado Democrático de Direito, o saber criminológico prima 
pela prevenção, partindo-se da premissa que é melhor prevenir o 
crime do que reprimi-lo. 
 
 
Reparar o dano, ressocializar o delinquente e reprimir o crime são 
focos centrais do conteúdo científico da criminologia no cenário 
atual. Nesse panorama, a prevenção do delito é um assunto 
recorrente em todas as esferas do poder público. 
Estudam-se os fatores inibidores e estimulantes da criminalidade 
para elaboração de programas prevencionista. Fatores como 
desemprego, miséria, falta de assistência social, desigualdade e 
corrupção estimulam o fenômeno criminal, enquanto trabalho, 
educação, saúde, democracia, igualdade e justiça social inibem o 
crime.

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