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CRIMINOLOGIA – CONCEITOS PROFESSOR ALEXANDRE HERCULANO @PROF_HERCULANO Prof. Alexandre Herculano A Criminologia atual não mais se define como uma ciência que investiga as causas da criminalidade, mas sim as condições da criminalização, o sistema penal, os mecanismos do controle social formal e informal, analisando o comportamento de criminosos funcionalmente relacionado às estruturas sociais. O domínio do saber criminológico possibilita ao profissional do direito um real conhecimento da realidade, aplicando de maneira madura e consciente a lei. O que é criminogênese? É parte da Criminologia que estudas os mecanismos de natureza biológica, psicológica e social, através dos quais se projetam os comportamentos criminosos. Assim, é necessário uma análise interdisciplinar, de natureza sociológica, econômica, filosófica, política, médica e psicológica para a sua atuação. Criminologia é a ciência empírica e interdisciplinar que estuda o crime, o criminoso, a vítima e o controle social, tendo como finalidade combater a criminalidade por meio de métodos preventivos. A palavra “criminologia” foi pela primeira vez usada em 1883 por Paul Topinard e aplicada internacionalmente por Raffaele Garófalo, em seu livro Criminologia, no ano de 1885. Pensamentos anteriores à escola clássica: Platão – obra “As Leis” – defendia a ideia que o crime representava um sintoma de uma doença cuja causa seria tríplice: as paixões; a procura do prazer e a ignorância. Aristóteles - obra “Ética a Nicômaco – considerava o criminoso como um inimigo da sociedade, que deveria ser castigado – atribuiu na política grande relevo à miséria como causa do crime e fator de revolta. São Tomas de Aquino também imputou a miséria como sendo a causa do crime. A Criminologia vê o crime como um problema social. Ou seja, um fenômeno comunitário que envolve quatro vertentes: O crime como fatos ilícitos reiterados na sociedade; O crime como causador de dor à vítima e à sociedade; O crime deve ocorrer reiteradamente por um período juridicamente relevante de tempo e no mesmo território; A criminalização de condutas deve incidir após uma análise detalhada quanto aos seu elementos e sua repercussão na sociedade. Para a Criminologia, o crime deve preencher os seguintes elementos constitutivos: Incidência massiva na população: não é possível atribuir a condição de crime a fato isolado na sociedade. Se este não reitera, não há a necessidade de considerá-lo como crime; Incidência aflitiva do fato praticado: o crime produz dor à vítima e à sociedade. Para puni-lo no âmbito criminal, é necessário que o fato tenha relevância social; Persistência espaço-temporal do fato a ser considerado como criminoso. Para ter um fato criminoso, além de ser massivo e aflitivo, é necessário que ele se distribua pelo nosso território e ao longo de um tempo juridicamente relevante; Inequívoco consenso a respeito de sua etiologia e das quais técnicas de intervenção seriam mais eficazes para o seu enfrentamento. 1 A criminologia é uma ciência do ser, empírica (observação da realidade). A interdisciplinaridade da criminologia decorre de sua própria consolidação histórica como ciência dotada de autonomia, à vista da influência profunda de diversas outras ciências, tais como a sociologia, a psicologia, o direito, a medicina legal etc. 2 (TÉCNICO DE LABORATÓRIO – 2014 – VUNESP) A expressão “Criminologia” foi empregada pela primeira vez por a) Adolphe Quetelet e divulgada internacionalmente por Cesare Bonesana, em sua obra intitulada Dos delitos e das penas. b) Cesare Lombroso e divulgada internacionalmente por Raffaele Garofalo, em sua obra intitulada Criminologia. c) Paul Topinard e divulgada internacionalmente por Cesare Bonesana, em sua obra intitulada Dos delitos e das penas. d) Cesare Lombroso e divulgada internacionalmente por Adolphe Quetelet, em sua obra intitulada O homem médio. e) Paul Topinard e divulgada internacionalmente por Raffaele Garofalo, em sua obra intitulada Criminologia. (ATENDENTE DE NECROTÉRIO – 2014 – VUNESP) Para a aproximação e verificação do seu objeto de estudo, a Criminologia dos dias atuais vale-se de um conceito: a) empírico e interdisciplinar. b) dedutivo e dogmático. c) dedutivo e interdisciplinar. d) dogmático e lógico-abstrato. e) empírico e lógico-abstrato. (ATENDENTE DE NECROTÉRIO – 2014 – VUNESP) Sobre o objeto de estudo da Criminologia dos dias atuais, assinale a alternativa correta. a) O ramo da Criminologia que estuda a vítima é denominado Frenologia Criminal. b) O estudo de desvios de conduta que atentam contra a moral e os bons costumes não é assunto da Criminologia, por não configurarem crime, na acepção jurídica da palavra. c) A Escatologia Criminal estuda os atos pecaminosos praticados por quem escolhe a vereda do mal. d) A Criminologia ocupa-se do estudo do crime, caracterizando-o como simples fato típico e antijurídico, da mesma forma que o Direito Penal. e) A Criminologia tem por objeto de estudo o delinquente, o delito, a vítima e o controle social. 3 4 A criminologia estuda o fenômeno criminal e lança mão de estudos realizados pelos diversos ramos do conhecimento. Entre as principais áreas, encontramos, o direito, a biologia, a psicologia e sociologia criminal. Criminologia Biologia Criminal Sociologia Criminal Psicologia Criminal Direito 5 6 8 Atualmente o objeto da criminologia está dividido em quatro vertentes 9 CRIMINOLOGIA X DIREITO PENAL Embora tanto o direito penal quanto a criminologia se ocupem de estudar o crime, ambos dedicam enfoques diferentes para o fenômeno criminal. O direito penal é ciência normativa, visualizando o crime como conduta anormal para a qual fixa uma punição. 7 A criminologia vê o crime como um problema social, um verdadeiro fenômeno comunitário, abrangendo quatro elementos constitutivos, a saber: incidência massiva na população (não se pode tipificar como crime um fato isolado); incidência aflitiva do fato praticado (o crime deve causar dor à vítima e à comunidade); persistência espaço-temporal do fato delituoso (é preciso que o delito ocorra reiteradamente por um período significativo de tempo no mesmo território) e consenso inequívoco acerca de sua etiologia e técnicas de intervenção eficazes (a criminalização de condutas depende de uma análise minuciosa desses elementos e sua repercussão na sociedade). 10 Na criminologia moderna, o criminoso passa de figura central para um segundo plano. Quando analisado, o criminoso tende a ser examinado como unidade biopsicossocial e não mais como unidade biopsicopatológica. Desde os primórdios até os dias de hoje a criminologia sofreu mudanças importantes em seu objeto de estudo. Houve tempo em que ela apenas se ocupava do estudo do crime (Beccaria), passando pela verificação do delinquente (Escola Positiva). Após a década de 1950, alcançou projeção o estudo das vítimas e também os mecanismos de controle social, havendo uma ampliação de seu objeto, que assumiu, portanto, uma feição pluridimensional e interacionista. 11 A vítima perde o seu papel protagonista do processo e assume um papel de coadjuvante; A vítima deixa de ter o poder de reação ao fato delituoso, o qual passou a ser exercido pelo poder público com o monopólio da aplicação da pretensão punitiva; A vítima passa a ter sua importância retomada sob um enfoque mais humano por parte do Estado. Os estudos criminológicos da vítima ganharam destaque logo após a 2ª Guerra Mundial, em razão do sofrimento imposto por Adolf Hitler aos Judeus no campo de concentração – nasce assim, a Vitimologia. Vitimização primária é aquela que se relaciona ao indivíduo atingido diretamente pela conduta criminosa. Vitimizaçãosecundária é uma consequência das relações entre as vítimas primárias e o Estado, em face da burocratização de seu aparelho repressivo (Polícia, Ministério Público etc.). Vitimização terciária é aquela decorrente de um excesso de sofrimento, que extrapola os limites da lei do país, quando a vítima é abandonada, em certos delitos, pelo Estado e estigmatizada pela comunidade, incentivando a cifra negra (crimes que não são levados ao conhecimento das autoridades). 12 Controle Social Formal Constituído pela aparelhagem política do Estado: Polícia, Judiciário, Ministério Público, etc. Controle Social Informal Constituído pela sociedade civil: família, escola, igreja, etc. 13 14 A criminologia se vale do método indutivo, utilizando-se de métodos biológico e sociológico. 15 A função da Criminologia é indicar um diagnóstico qualificado e conjuntural sobre o crime. O alcance da criminologia está dividido em: Explicação científica do fenômeno criminal; Prevenção do delito; Intervenção no homem delinquente. 16 A criminologia geral consiste na sistematização, comparação e classificação dos resultados obtidos no âmbito das ciências criminais acerca do crime, criminoso, vítima, controle social e criminalidade. A criminologia clínica consiste na aplicação dos conhecimentos teóricos daquela para o tratamento dos criminosos. Ensina-se que a criminologia pode ser dividida em: criminologia científica (conceitos e métodos sobre a criminalidade, o crime e o criminoso, além da vítima e da justiça penal); criminologia aplicada (abrange a porção científica e a prática dos operadores do direito); criminologia acadêmica (sistematização de princípios para fins pedagógicos); criminologia analítica (verificação do cumprimento do papel das ciências criminais e da política criminal) e criminologia crítica ou radical (negação do capitalismo e apresentação do delinquente como vítima da sociedade, tem no marxismo suas bases). 17 A vertente sociológica da criminalidade alcança níveis de influência altíssimos na gênese delitiva. Entre os fatores mesológicos, logo no início da vida humana destaca-se a infância abandonada (lares desfeitos, pais separados, crianças órfãs); As estatísticas criminais demonstram existir uma relação de proximidade entre a pobreza e a criminalidade; As concessionárias de rádio e televisão, nas respectivas programações, descumprem um fundamento constitucional do Estado brasileiro: os programas da mídia devem voltar-se para o respeito aos valores éticos da pessoa humana e da família 18 A migração como movimento interno populacional dentro de um país pode causar dificuldades de adaptação em face da diferença de costumes, usos, hábitos, valores etc. de uma região para outra; O crescimento populacional desordenado ou não planejado figura como fator delitógeno; Preconceito é estereótipo negativo, ideia negativa pré- concebida. 19 A educação e o ensino são fatores inibitórios de criminalidade. No entanto, sua carência ou defeitos podem contribuir para estabelecer um senso moral distorcido na primeira infância. Assim, a educação informal (família, sociedade) e a formal (escola) assumem relevância indisfarçável na modelagem da personalidade humana; Entende-se por mal-vivência, no dizer do douto Hilário Veiga de Carvalho (1973), um grupo polimorfo de indivíduos que vivem à margem da sociedade, em situação de parasitismo, sem aptidão para o trabalho, em razão de causas endógenas e exógenas que representam um perigo social. (ATENDENTE DE NECROTÉRIO – 2014 – VUNESP) Entende-se por___________________ um grupo polimorfo de indivíduos que existe à margem da sociedade, em situação de _______________ , sem aptidão para o trabalho, por razões de ordem biológicas ou pela exclusão social. Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho. a) parasitismo ... espírito de rebeldia b) mimetismo ... pleno emprego c) mimetismo ... espírito de rebeldia d) mal-vivência ... parasitismo e) mal-vivência ... pleno emprego Criminologia X Política Criminal Ambas, atualmente, são responsáveis pela elaboração de dados criminalísticos com base em estatísticas quantitativas e qualitativas que contribuem sobremaneira para a prevenção e uma efetiva política de combate preventiva ao crime. A política criminal é o conjunto de medidas e critérios de caráter jurídico, social, educacional, econômico ou de índole similar estabelecidos por poderes públicos para prevenir e reagir ao fenômeno criminal, buscando assim, um limite tolerável aso índices da criminalidade. Política criminal é a sabedoria legislativa do Estado na luta contra as infrações penais. A reforma do Código Penal e a revisão de toda a legislação especial são exemplos de sugestões apresentadas pelos doutrinadores criminalistas para a melhoria da política criminal. A política criminal do Direito Penal Funcional sustenta, como modernização funcional no combate à “criminalidade moderna”, uma mudança semântico- dogmática, tal como: “perigo” em vez de dano; “risco” em vez de ofensa efetiva a um bem jurídico; “abstrato” em vez de concreto; “tipo aberto” em vez de fechado; e “bem jurídico coletivo” em vez de individual. A criminologia auxilia o Estado na elaboração de políticas públicas voltadas para atividades que minimizem os índices de criminalidade. São políticas voltadas a diversas áreas e baseadas em dados criminológicos que permitem identificar o problema local que contribui para práticas delituosa. CRIMINOLOGIA POLÍTICA CRIMINAL Ocupa-se dos estudos dos criminosos e das causas da criminalidade Estuda e recomenda os meios de prevenção e repressão à delinquência. HISTÓRICO - CONCEITOS PROFESSOR ALEXANDRE HERCULANO @PROF_HERCULANO Prof. Alexandre Herculano Como marco do momento pré-científico, a maioria dos autores entende que a criminologia passou a ser conhecida com certa autonomia científica com a obra do fundador da criminologia moderna, CESARE LOMBROSO – Homem Delinquente – 1876 – sua tese principal era a do delinquente nato. Alguns especialistas defendem que que o antropólogo francês PAUL TOPINARD, em 1879, foi quem utilizou pela primeira vez o termo “criminologia”. Outros defendem que RAFAELE GARÓFALO, em 1885, usou o termo como título de um livro científico. A escola clássica apresenta FRANCESCO CARRARA como aquele que utilizou os primeiros aspectos do pensamento criminológico, em sua obra Programa de Direito Criminal, publicada em 1859. No Brasil, a criminologia foi introduzida pelo político pernambucano JOÃO VIEIRA DE ARAUJO, com a obra Ensaios sobre Direito Penal, em 1884. Antiguidade Código de Hammurabi - Pobres e ricos julgados de modos distintos; - Ausência de estudo sistematizado sobre o crime e o criminosos; - Explicações sobrenaturais ou religiosas sobre o mal e o crime; - Crime como tabu ou pecado, avaliado em termos éticos e morais; - Demonismo: o criminoso como uma personalidade diabólica. Século XVI THOMAS MORUS, em sua obra Utopia, considerava o crime como reflexo da sociedade, relacionava a desorganização social e a pobreza com a delinquência. Afirmava que o ouro é a causa de todos os males. Século XVIII DELLA PORTA (1535/1616) E KASPAR LAVATER (1741- 1801) - Preocupavam-se com a fisionomia – estudo da aparência externa do indivíduo; - Interrelação entre o corpo e o psíquico; - “Retrato robot” – denominado “homem de maldade natural” (Lavater) Os fisionomistas utilizavam, ainda, o juízo de valor proposto pelo imperador romano – Valério (reinou no século IV) denominado “Édito de Valério! “quando houvesse dúvida entre dois indivíduos presumidamente culpados, haveria de ser culpado o maisfeio.” A fisionomia deu origem à cranioscopia, que foi difundida por Franz Joseph Gall (1758 – 1828) e Jonh Gaspar Spurzem (1776 – 1832): Sustentavam que, mediante medições externas da cabeça, era possível determinar o caráter, características da personalidade, desenvolvimento das faculdades mentais e morais, bem como o grau da criminalidade com base na forma externa do crânio. Depois os estudos evoluíram para uma análise interna da mente, dando origem à frenologia, precursora da moderna neurofisiologia e da neuropsiquiatria. A frenologia foi desenvolvida pelo médico Franz Josph Gall, que em 1810, publicou a obra “De Craneologia”, onde buscou localizar más-formações no cérebro que justificassem o comportamento do criminoso. A escola clássica surgiu no final do século XVIII e formou- se por um conjunto de ideias, teorias políticas, filosóficas e jurídicas, sobre as principais questões penais. Teve como pensadores: Cesare Beccaria (1764 – “Dos delitos e das penas”) Francesco Carrara Giovanni Carmignani Para a escola clássica a responsabilidade penal se fundamenta no livre arbítrio, assim, o inimputável seria penalmente irresponsável. O crime é produto da vontade livre do agente e a pena é um mal justo que se contrapõe a um mal injusto (o crime). Século XIX No final deste presencio o aparecimento da “criminologia socialista em sentido amplo” Compreendida como explicação do crime a partir da natureza da sociedade capitalista e como crença no desaparecimento ou redução sistemática do crime após a instauração do socialismo. A ideia da loucura moral ou “monomania homicida” era defendida pelo médico francês Jean Etienne Dominique Esquirol (1840) – obra “Alucinações”, e pelo médico inglês James Pritchard (1835). Descreviam o criminoso como um indivíduo com princípios morais deficientes, apresentando privação ou alteração das faculdades afetivas, emotivas e do senso moral. Os franceses Philipe Pinel (1826) e Feliz Voisin (1837) defendiam a tese de que a criminalidade se manifestava devido a uma deficiência no sistema nervoso central dos indivíduos. Em 1850, os alemães Karl Max e Friedrich Engels sustentavam que o delito é produto das condições econômicas. Em 1882, Alphonse Berillon desenvolveu a antropometria criminal, que consite numa técnica de identificação do criminoso pelo registro de suas medidas corporais e marcas pessoais (tatuagens, cicatrizes, etc). Inventou, ainda, o assinalamento antropométrico e fotografia judiciária. (2018 - NUCEPE - PC-PI - Delegado de Polícia) Acerca da História da Criminologia, marque a alternativa CORRETA: a) Desde a Antiguidade, o Direito Penal, em concreto, passou a ser compilado em Códigos e âmbitos jurídicos, tal qual como nos dias de hoje, entretanto, algumas vezes eram imprecisos. b) O Código de Hamurabi (Babilônia) possuía dispositivos, punindo furtos, roubos, mas não considerava crime, a corrupção praticada por altos funcionários públicos. c) Durante a Antiguidade, o crime era considerado pecado, somente na Idade Média, é que a dignidade da pessoa humana passou a ser considerada, e as punições deixaram de ser cruéis. d) Em sua obra “A Política”, Aristóteles, ressaltou que a miséria causa rebelião e delito. Para o referido filósofo, os delitos mais graves eram os cometidos para possuir o voluptuário, o supérfluo. e) Da Antiguidade à Modernidade, o furto famélico (roubar para comer) nunca foi considerado crime. CRIMINOLOGIA MODERNA 2 3 Principais defensores da escola clássica - Francesco Carrara; - Cesare Bonesana; - Jean Domenico Romagnosi; - Jeremias Betham; - Franz Joseph Gall; - Anselmo Von Feuberbach; - Giovanni Carmignani. 4 5 6 Principais defensores da escola positiva - Cesare Lombroso - Rafaele Garófalo; - Enrico Ferri. 7 Podemos dividir a escola positiva em três fases distintas: antropológica (Cesare Lombroso), jurídica (Rafael Garofalo), e sociológica (Enrico Ferri). Cesar Lombroso publicou em 1876 o livro “o homem delinquente”, que deu início a um período científico de estudos criminológicos. Lombroso não criou uma teoria moderna, mas sistematizou uma série de conhecimentos esparsos e os reuniu de forma articulada e inteligível. Rafael Garofalo, primeiro dos seguidores da Escola Positiva, estudioso de Lombroso e jurista italiano, submeteu a uma revisão geral os critérios da Antropologia Criminal, transferindo o centro das pesquisas da Anatomia para a Psicologia, e inaugurando no país a fase jurídica do positivismo com seu livro "Criminologia" de 1885, com enfoque jurídico ao homem que praticou o delito e análise distinta do delito, do delinquente e da pena, na qual exatamente nota-se o avanço jurídico. Enrico Ferri, criminologista italiano que estudava a criminalidade com uma visão sociológica, em oposição à visão biológica de Lombroso, o homem só é criminoso porque vive em sociedade, ressaltando o trinômio causal do delito (fatores antropológicos, sociais e físicos) e salientando a supremacia da responsabilidade social sobre a moral. Ferri se utilizou dos princípios fundamentais da Antropologia Criminal e da Estatística. A escola positiva abandonou os estudos propostos pela escola clássica voltados para a centralização na figura do crime e adotou como núcleo de suas pesquisas a pessoa do delinquente. Para esta escola, o criminoso é um indivíduo que se assemelha a um doente e como tal deve ser tratado. O método adotado por esta escola é baseado na investigação experimental indutiva. 8 9 10 11 12 Escola de Lyon (Antropossocial ou Criminal-sociológica) O criminoso é como o micróbio ou vírus, algo inócuo, até que o adequado ambiente o faz eclodir. A predisposição pessoal e o meio social fazem o criminoso. Defende a importância do meio social, isto é, reconhece um fundo patológico ou estado mórbido individual na delinquência. Oposta às teses lombrosianas e crítica do positivismo, preconiza que o delinquente SOCIOLOGIA OU MACROSSOCIOLOGIA CRIMINAL PROFESSOR ALEXANDRE HERCULANO @PROF_HERCULANO Prof. Alexandre Herculano 1 2 3 4 Teoria Ecológica ou da Desorganização Social – criada em 1915 sob o legado de que o progresso leva a criminalidade aos grandes centros urbanos. Robert Park, em 1925, publicou a principal obra da Teoria Ecológica, chamada de “The City”. Esta teoria faz um paralelo entre o desenvolvimento dos grandes centros urbanos e o consequente aumento da criminalidade em virtude da ausência de controle social informal. Teoria Espacial – foi criada em 1940 e trata da reestruturação arquitetônica e urbanística das grandes cidades como medida preventiva da criminalidade. Oscar Newman, arquiteto, publicou a obra “Defensible space”, onde defendeu os modelos adequados de construção como maneira de prevenção situacional do crime. Ou seja, o espaço defensável seria aquele que permite uma maior vigilância pelas pessoas. Aplicava barreiras reais e simbólicas que desestimulavam as ações criminosas. Teoria das Janelas Quebradas – dois criminólogos das Universidade de Harvard – James Wilson e George Kelling, apresentaram esta teoria em 1982, após publicarem a revista Atlantic Monthly. Marcada pela experiência de Philip Zimbardo! Defende a repressão dos delitos menores para inibir os mais graves. Teoria da Tolerância Zero – é uma filosofia jurídico-política, baseada em decisões desprovidas de discricionariedade por parte das autoridades policiais de uma organização. A ação policial é extremamente intransigente com delitos menores. Teoria da Associação Diferencial – Edwin Sutherland, afirmava que a associação diferencial é o processo de aprender alguns tipos de comportamento desviante, que requer conhecimento especializado e habilidade. Ele apresentou a expressão “white-colarcrime”. 5 6 Desenvolvida por Albert K. Cohen – lançamento do livro “Delinquent boys” – 1955 Divide esta em três fatores: - Muitos crimes não possuem motivação racional; - Simples prazer em prejudicar o outro; - Polo oposto aos padrões da sociedade. Robert King Merton – com o apoio da doutrina de Émile Dukhein, foi o precursor deste teoria A Teoria da Anomia sustenta que a motivação para a delinquência decorria da impossibilidade de o indivíduo atingir metas desejadas por ele, como sucesso econômico ou status social. Teorias do Conflito Teoria Crítica ou Radical Teoria do Etiquetamento (Labeling Approach) 9 1960 – os principais precursores foram Erving Goffman, Edwim Lemert e Howard Becker, considerados como autores da nova Escola de Chicago. 10 PREVENÇÃO CRIMINAL NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO PROFESSOR ALEXANDRE HERCULANO @PROF_HERCULANO Prof. Alexandre Herculano A prevenção da infração penal poderá ser geral positiva, visando a intervenção na pessoa do delinquente com a sua recolocação na sociedade de forma a ressocializá-lo através da credibilidade institucional dos órgãos do Estado com a devida correção, este meio de prevenção visa atingir a sociedade como todo com o objetivo de reforçar os valores da ordem democrática do Estado. O método de prevenção geral negativa visa afirmar e impor o valor do Estado Democrático de Direito a sociedade, pois ela direcionada em específico a pessoa do criminoso, onde através da penalização o Estado demonstra que o crime será amplamente punido. As medidas indiretas agem sobre o crime de forma mediata, procurando cessar as causas e os efeitos do delito. Tais medidas buscam as causas possíveis da criminalidade, próximas ou remotas, genéricas ou específicas. As atuações indiretas devem se concentrar tanto no indivíduo quanto no meio em que ele vive; algo que a Criminologia Moderna chama de prevenção primária e terciária. Já as medidas diretas de prevenção criminal possuem o foco na infração penal in itinere ou em formação (iter criminis). Destaca-se a importância das medidas de ordem jurídica, como as referentes à efetiva punição de crimes graves, incluindo os de colarinho branco; a repressão implacável às infrações penais de toda a natureza, substituindo o direito penal nas pequenas infrações pela adoção de medidas de cunho administrativo; entre outras. Como resposta à ocorrência de ação criminosa, surgem formas de prevenção aos delitos no Estado Democrático de Direito. Iniciamente, tem-se a Teoria da Reação Social, que prevê a reação social estatal por meio de três modelos distintos, e que já estudamos. São eles: dissuasório, ressocializador e restaurador (integrador). MODELOS DE REAÇÃO AO CRIME Prof. Alexandre Herculano VITIMOLOGIA PROFESSOR ALEXANDRE HERCULANO @PROF_HERCULANO Prof. Alexandre Herculano xxxxx Mendelsohn – sintetiza a sua classificação em três grupos: Vítima inocente ou ideal – é a vítima inconsciente, isto é, que não concorre de forma alguma para desencadear o delito, mas sim puramente vítima; Vítima provocadora - estas vítimas colaboraram na ação nociva e existe uma culpabilidade reciproca, pela qual a pena deve ser menor para o agente do delito; Vítima agressora, simuladora ou imaginária - nestes casos são as vítimas as que cometem por si a ação nociva e o não culpado deve ser excluído de toda pena. A vítima acredita ser vítima da ação criminosa. - Os danos causados sobre uma pessoa eram reparados ou punidos pela própria pessoa (vingança privada); - A resposta ao crime deve ser imparcial e despersonalizando a rivalidade; - Corresponde a uma resposta ética e social ao fenômeno multidinário da macrovitimização. Síndrome de Estocolmo ou síndroma de Estocolomo (Stockholmssyndromet em sueco) é um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu agressor. A denominada Síndrome da Mulher de Potifar segunda a criminologia é aquela representada biblicamente por ser a mulher que, rejeitada, imputa falsamente à pessoa que a rejeitou o crime de estupro. A teoria supracitada vem do contexto bíblico, no livro de Gênesis, capítulo 39, onde narra a história de José, filho de Jacó, que em razão dos ciúmes de seus irmãos, foi vendido por estes como escravo aos Esmaelitas, e em seguida foi vendido ao egípcio Potifar, o Capitão da guarda real. A denominada Síndrome da Mulher de Potifar segunda a criminologia é aquela representada biblicamente por ser a mulher que, rejeitada, imputa falsamente à pessoa que a rejeitou o crime de estupro. A teoria supracitada vem do contexto bíblico, no livro de Gênesis, capítulo 39, onde narra a história de José, filho de Jacó, que em razão dos ciúmes de seus irmãos, foi vendido por estes como escravo aos Esmaelitas, e em seguida foi vendido ao egípcio Potifar, o Capitão da guarda real. No decorrer da convivência entre o escravo e Capitão, José ganhou a confiança de Potifar e passou a administrar sua casa e ficando também responsável por seus bens. Todavia, José despertou interesse na mulher de Potifar, a qual passou a almejá-lo, mas o mesmo sempre negou a cobiça da referida mulher por ser fiel a Deus e ao seu patrono, insatisfeita, a mulher de Potifar decidiu tomar outras medidas agarrando José pela capa e o chamou para manter relações sexuais com ela, momento em que José se desprendeu e conseguiu fugir, porém, sua capa ficou nas mãos da mulher. Inconformada com a rejeição, com a capa em suas mãos, a mulher de Potifar gritou os servos da casa, acusando José de tê-la estuprado, o que perturbou Potifar, fazendo com que ele prendesse José junto aos demais presos do rei. O HOMEM DELINQUENTE. TEORIAS BIOANTROPOLÓGICAS, PSICODINÂMICAS E PSICOPSICOLÓGICAS PROFESSOR ALEXANDRE HERCULANO @PROF_HERCULANO Prof. Alexandre Herculano Alguns fatores afetam particularmente o volume e o tipo de crime que ocorrem num determinado lugar. Estes fatores são ditos condicionantes do crime e da criminalidade. Um sistema de informação destinado a auxiliar a análise criminal deve conter em seus bancos de dados, informações que permitam identificar fatores condicionantes do crime e da criminalidade. Num primeiro momento, os comportamentos delinquentes, e as suas causas e as suas relações, eram simplesmente atribuídos à ação de deuses ou outros poderes sobrenaturais. Num segundo momento, os comportamentos delinquentes passaram a ser explicados através do recurso a fatores internos, ou seja, a qualidades intrínsecas a alguns indivíduos, mesmo que relativamente abstratas, como a maldade, a imoralidade, o egoísmo ou a desonestidade. Embora ainda persistissem explicações de natureza externa, essencialmente sobrenaturais, a percepção de que alguns seres humanos transportavam em si uma incapacidade para se conformar às exigências das sociedades modernas, intrinsecamente justas e racionais, começou a tornar-se preponderante. Num terceiro momento, já dominado por paradigmas científicos, os comportamentos delinquentes passaram a ser explicados através do recurso a características biológicas, psicológicas ou sociais específicas e passíveis de serem facilmente observadas e medidas. No campo da biologia, por exemplo, a diferença foi remetida para atavismos que se manifestavam, quer a um nível intelectual, quer a um nível físico. Até pelo menos ao final da segunda grande guerra mundial, os atavismos foram concebidos como sendo hereditários, concepção que legitimou, entre outras práticas preventivas, o isolamento dos “criminosos” ou a sua esterilização forçada, por forma a que não se pudessemreproduzir, e, no limite, a sua eliminação física. No campo da psicologia, a diferença foi remetida, quase invariavelmente, para a questão da personalidade e dos seus diferentes traços, o que sustentou toda uma série de estudos e de programas de tratamento e de adaptação forçada da personalidade, imatura, impulsiva ou agressiva, do delinquente, às características e às exigências da vida em sociedade. No campo social, os delinquentes foram quase sempre conceptualizados como sendo diferentes, mesmo que essa diferença se situasse nas diferentes tensões ou pressões sociais exercidas sobre alguns grupos sociais, e tal motivou todo um conjunto de programas de redução dessas tensões ou pressões como principal estratégia de prevenção de comportamentos delinquentes. Fatores condicionantes: biológicos, psicológicos e sociais. BIOLÓGICOS Fatores bioquímicos Fatores neurológicos Fatores psicofisiológicos PSICOLÓGICOS Personalidade (Personalidade Normal; Personalidades Patológicas; Personalidades Psicopáticas; Personalidade Delinquente; e Neuroses) SOCIAIS Sistema econômico; Pobreza; Miséria; Mal vivência; Fome e desnutrição; Civilização; Cultura; Educação; Escola; Analfabetismo; Migração e imigração; Política; etc. Teorias bioantropológicas, psicodinâmicas e psicopsicológicas. Teorias Bioantropológicas Esta teoria (no estudo etiológico dado às ciências criminológicas) destaca-se, pois que mantinha o foco no estudo individual do criminoso, privilegiando as questões de seu âmbito pessoal, em detrimento das questões que permeiam o ambiente em que vive. Ela atribui ao crime fatores que fazem parte da composição orgânica do criminoso, tentando explicar o crime através de uma predeterminação que não vinha delineada pelo meio ao que o criminoso pertence, mas por fatores biológicos que o impedem de tomar decisão contrária ao delito, demonstrando assim o caráter determinista da criminologia bioantropológica. Teorias Psicodinâmicas Pertencente, também, à escola etiológica positivista, as teorias psicodinâmicas passaram a atribuir o delito muito mais aos fatores educacionais do indivíduo do que aos fatores genéticos, como fazia a teoria bioantropológica. O que diferenciaria o criminoso do sujeito normal, não seria mais a árvore genealógica menos ou mais presente nas instituições carcerárias, mas toda a questão psicológica que teria levado esse indivíduo a ser mais ou menos educado para cumprir as normas sociais. Teorias Psicossociológicas A proposta é compreender o que leva o homem a abandonar sua característica naturalmente delitiva e cumprir as normas sociais. Nessa perspectiva, quem deve ser estudado é o não criminoso, pois ele é o ser que foge a normalidade de sua espécie para se adaptar a uma forma de vida social. As teorias psicossociológicas se caracterizam pela abordagem dos vínculos do indivíduo com a sociedade, procurando detectar as resistências interiores e exteriores que conduzem o sujeito à obediência da lei. Conceitos e História da Criminologia Período Pré-Científico x Científico Escolas Penais X Sociologia Criminal Em relação ao delinquente, é visto de maneira diferente segundo as Escolas da Criminologia: a) Escola Clássica: ser pecador que escolheu o mal apesar de poder optar pelo bem; b) Escola Positivista: reflexo de sua deficiência patológica (caráter biológico – hereditário ou não) ou formação social (caráter social); c) Escola Correcionalista: ser inferior e incapaz de se autodeterminar, a merecer do Estado resposta pedagógica e piedosa; Em relação ao delinquente, é visto de maneira diferente segundo as Escolas da Criminologia: d) Escola Marxista: criminoso era vítima da sociedade e das estruturas econômicas (determinismo social e econômico); essa visão se desenvolveu por estudiosos de Marx, e seus conceitos convergiram na chamada criminologia crítica; e) Escola atual: criminoso é homem real e normal que viola a lei penal por razões diversas que merecem ser investigadas e nem sempre são compreendidas. Criminologia clássica A criminologia clássica não se preocupa com a ressocialização ou reintegração do delinquente. Ocupa-se da dissuasão penal, residindo nesse efeito inibitório da pena a essência da prevenção. Criminologia positiva Funda-se a criminologia positiva nos fatos decorrentes do empirismo, ou seja, observação e experimentação (e não mera especulação, que não tem valor científico). O objeto da criminologia é o delinquente, e não o delito (considerado mera abstração advinda da lei), num primeiro momento. O crime é apenas o sintoma do criminoso, este sim devendo ser examinado. A criminologia deve explicar as diferenças (físicas, psicológicas e sociais) entre delinquentes e não delinquentes, sujeitando então os comportamentos criminais ao determinismo (nega-se o livre- arbítrio). Criminologia moderna Com a criminologia moderna o núcleo investigativo migrou do homem delinquente para a conduta criminosa, a vítima e o controle social. Consiste em ciência explicativa do crime como fenômeno individual e social, examinando o criminoso por sua unidade biopsicossocial. São as principais características da criminologia moderna: a) caracterização do crime como problema; b) ampliação do objeto do estudo da criminologia (examinando não só o crime e o criminoso, mas também a vítima e o controle social); c) o saber criminológico tem seu enfoque na prevenção e não exclusivamente na obsessão de repressão; d) preocupação com tratamento é substituída pela intervenção, por consistir em noção mais dinâmica e complexa do fenômeno delitivo; e) não renuncia a uma análise etiológica do delito (de investigação da criminogênese, ou seja, das causas do delito). A CRIMINOLOGIA E O PARADIGMA DA REAÇÃO SOCIAL Criminologia de Reação Social estuda os processos de criação de normas penais e sociais que estão relacionados com o comportamento desviante. A teoria da reação social também é conhecida como teoria do etiquetamento, interacionismo simbólico, teoria da rotulação. A teoria surge nos Estados Unidos, na década de 60, e tem suas bases na obra de Émile Durkhein. Essa teoria induz que, a partir do momento em que o sujeito delinque, a sociedade já passa a estigmatizá-lo como delinquente. Aquele que praticou o delito já começa a ser reconhecido por ele próprio como marginal. Uma vez adquirido o status de desviado ou de delinquente, é muito difícil modificá-lo, por duas razões: a) pela dificuldade da comunidade aceitar novamente o indivíduo etiquetado; b) b) porque a experiência de ser considerado delinquente, e a publicidade que isso comporta, culminam em um processo no qual o próprio sujeito se concebe como tal. Ocorre o chamado mergulho ao papel desviado (role engulfment). É uma das mais perversas consequências do processo de desviação, pois à medida que o mergulho no papel desviado cresce, há uma tendência para que o autor do delito defina-se como os outros o definem. Em síntese, a ideia dessa teoria é demonstrar que a partir do momento que o agente pratica o primeiro crime, passa a personificar a figura do “bandido”, “ladrão”, “drogado”, “assassino” perante os olhos da sociedade. A etiqueta ou rótulo (por meio do atestado de antecedentes e a divulgação nos meios de comunicação, notadamente, nos jornais sensacionalistas) acaba por afetar o indivíduo, gerando a expectativa social de que a conduta venha a ser praticada, perpetuando o comportamento delinquente e aproximando os indivíduos rotulados uns dos outros. O estigma que permeia a vida do criminoso afeta não só a sua percepção sobre si mesmo, mas também gera rejeição social, que geralmente se manifesta como descrença na recuperaçãoe ressocialização desse indivíduo. Assim, criam-se circunstâncias que impelem o agente à mantença do comportamento criminoso, pois, em grande parte das vezes, ainda que tente seguir um estilo de vida lícito após os fatos, continuará sendo etiquetado como criminoso, o que dificultará sua reinserção em sociedade. A CRIMINOLOGIA NO BRASIL É nas últimas décadas do século XIX que começa a recepção da criminologia no país. Diversos historiadores do direito penal consideram João Vieira de Araújo (1844-1922), professor da Faculdade de Direito do Recife, o primeiro autor a se mostrar informado a respeito das novas teorias criminais, ao comentar as idéias de Lombroso em suas aulas na Faculdade do Recife e também em textos sobre a legislação criminal do Império. Em seu livro Ensaio de Direito Penal ou Repetições Escritas sobre o Código Criminal do Império do Brasil, publicado em 1884, João Vieira de Araújo já aponta para a necessidade de analisar a legislação nacional de um ponto de vista filosófico mais "moderno", que no campo do direito criminal seria representado sobretudo pela obra de Lombroso. Muitos dos propagandistas da criminologia no Brasil, como o jurista Francisco José Viveiros de Castro, reconheceram João Vieira de Araújo como o legítimo pioneiro da Escola Positiva de direito penal no país. Outros autores, no entanto, como Silvio Romero, atribuem a Tobias Barreto esse mérito. E, realmente, no mesmo ano de 1884, quando João Vieira de Araújo publica seus trabalhos acerca da legislação criminal do Império, Tobias Barreto, em seu livro Menores e Loucos, faz referências ao Homem Delinquente, ao discutir a necessidade de diferenciação das diversas categorias de irresponsáveis no campo penal. Após essa recepção pioneira no Recife, inúmeros outros juristas, ao longo da Primeira República, passam a divulgar as novas abordagens "científicas“ acerca do crime e do criminoso: Clóvis Beviláqua, José Higino, Paulo Egídio de Oliveira Carvalho, Raimundo Pontes de Miranda, Viveiros de Castro, Aurelino Leal, Cândido Mota, Moniz Sodré de Aragão, Evaristo de Moraes, José Tavares Bastos, Esmeraldino Bandeira, Lemos Brito, entre outros, publicam artigos e livros em que são discutidos os principais conceitos e autores da criminologia e da Escola Positiva de direito penal. Criminologia e o Direito Penal Jesus-Maria Silva Sánchez, visualiza o Direito Penal diferentes velocidades. A primeira velocidade seria aquela tradicional do Direito Penal, que tem por fim último a aplicação de uma pena privativa de liberdade. Nessa hipótese, como está em jogo a liberdade do cidadão, devem ser observadas todas as regras garantistas, sejam elas penais ou processuais penais. Segunda velocidade, temos o Direito Penal à aplicação de penas não privativas de liberdade, a exemplo do que ocorre no Brasil com os Juizados Especiais Criminais, cuja finalidade, de acordo com o art. 62 da Lei no 9.099/95, é, precipuamente, a aplicação de penas que não importem na privação da liberdade do cidadão, devendo, pois, ser priorizadas as penas restritivas de direitos e a pena de multa. Nessa segunda velocidade do Direito Penal poderiam ser afastadas algumas garantias, com o escopo de agilizar a aplicação da lei penal. Direito Penal do Inimigo como uma terceira velocidade. Seria, portanto, uma velocidade híbrida, ou seja, com a finalidade de aplicar penas privativas de liberdade (primeira velocidade), com uma minimização das garantias necessárias a esse fim (segunda velocidade). CRIMINOLOGIA E O SISTEMA DE JUSTIÇA CRIMINAL O sistema de justiça criminal se posiciona dentro do sistema formal de controle social. É formado pelo Poder Judiciário, Ministério Público, Polícia Judiciária e Administração Penitenciária. Os órgãos públicos exercem um papel expressivo na condução do controle do fenômeno criminal. O funcionamento dessas 4 instâncias (separadas e organizadas) é de fundamental importância para a criminologia, pois são aplicadores natos do controle social formal. A atuação integrada entre as Instituições, respeitando obviamente a divisão constitucional de atribuições (o papel e os limites de cada órgão), é crucial para o controle da delinquência, tanto em sua faceta de prevenção quanto de repressão. Vale a pena destacar, por oportuno, que diferente modelos de justiça emergiram ao longo da história para lidar com o fenômeno criminal, sendo os principais o modelo clássico (justiça retributiva) e o moderno (justiça restaurativa). CRIMINOLOGIA E O PAPEL DA POLÍCIA JUDICIÁRIA A segurança pública consiste em dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, sendo exercida para a preservação da ordem pública (art. 144 da CF). Os órgãos policiais são os incumbidos de garantir a paz social, dividindo-se basicamente em Polícia Administrativa e Polícia Judiciária. Nesse panorama, a Polícia Ostensiva desenvolve atividade de cunho preventivo, visando preservar a ordem pública, impedindo a prática de infrações penais (exs: Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, Guarda Municipal). Já a Polícia Investigativa realiza função de caráter repressivo, apurando crimes e auxiliando o Poder Judiciário. Sua atuação ocorre depois da prática de uma infração penal e tem como objetivo precípuo colher evidências da materialidade e autoria do delito (exs: Polícia Civil e Polícia Federal). A tarefa de investigar infrações penais exercida pela Polícia Judiciária possibilita que a materialidade e autoria do crime sejam desvendadas (art. 2º da Lei 12.830/13). Evidencia as circunstâncias delitivas, demonstrando o crime e o criminoso, e desse modo protegendo a vítima. Nesse sentido, a Polícia Judiciária faz parte do chamado controle social formal, mais especificamente na primeira seleção, responsável pela investigação criminal do crime que não foi evitado pelo controle social informal. Dessa maneira possibilita a acusação e o julgamento pelo Ministério Público e Judiciário, respectivamente, somando esforços para submeter os indivíduos às normas de convivência em sociedade. A CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO No Estado Democrático de Direito, o saber criminológico prima pela prevenção, partindo-se da premissa que é melhor prevenir o crime do que reprimi-lo. Reparar o dano, ressocializar o delinquente e reprimir o crime são focos centrais do conteúdo científico da criminologia no cenário atual. Nesse panorama, a prevenção do delito é um assunto recorrente em todas as esferas do poder público. Estudam-se os fatores inibidores e estimulantes da criminalidade para elaboração de programas prevencionista. Fatores como desemprego, miséria, falta de assistência social, desigualdade e corrupção estimulam o fenômeno criminal, enquanto trabalho, educação, saúde, democracia, igualdade e justiça social inibem o crime.