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AUTARQUIA DO ENSINO SUPERIOR DE GARANHUNS (AESGA) FACULDADES INTEGRADAS DE GARANHUNS (FACIGA) CURSO DE BACHARELADO EM ADMINISTRAÇÃO JANAILSON ALVES DE ARAÚJO SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO: UM ESTUDO SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO E INFLUÊNCIA DO ERP NUMA INDÚSTRIA DE BEBIDAS EM GARANHUNS-PE COMO MELHORIA NA EFICIÊNCIA OPERACIONAL. GARANHUNS 2024 JANAILSON ALVES DE ARAÚJO SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO: UM ESTUDO SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO E INFLUÊNCIA DO ERP NUMA INDÚSTRIA DE BEBIDAS EM GARANHUNS-PE COMO MELHORIA NA EFICIÊNCIA OPERACIONAL. Monografia entregue à Autarquia do Ensino Superior de Garanhuns (AESGA), como pré- requisito para conclusão do Curso de bacharelado em Administração, das Faculdades Integradas de Garanhuns (FACIGA). Orientador(a): Prof. (a). Esp. Wanessa Gomes Lopes GARANHUNS 2024 JANAILSON ALVES DE ARAÚJO SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO: UM ESTUDO SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO E INFLUÊNCIA DO ERP NUMA INDÚSTRIA DE BEBIDAS EM GARANHUNS-PE COMO MELHORIA NA EFICIÊNCIA OPERACIONAL. BANCA EXAMINADORA Monografia entregue à Autarquia do Ensino Superior de Garanhuns (AESGA), como pré- requisito para conclusão do Curso de Bacharelado em Administração, das Faculdades Integradas de Garanhuns (FACIGA). Aluno(a) aprovado (a) em ______ de __________ de 20___. _______________________________________________________________ Prof.(a) Orientador(a). Esp. Wanessa Gomes Lopes _______________________________________________________________ Prof.(a) Examinador 1 _______________________________________________________________ Prof.(a) Examinador 2 Dedico este trabalho aos meus pais, que sempre valorizaram e incentivaram minha educação, pilares fundamentais para que eu chegasse até aqui. À minha esposa, Leilane, cuja dedicação, amor e perseverança são uma fonte constante de inspiração e força para mim. E aos meus filhos, João Pedro e Maria Luísa, presentes de Deus que enchem nossa casa de amor e alegria todos os dias. Papai ama vocês e sonha em construir um futuro melhor para que vocês alcancem tudo o que desejarem. AGRADECIMENTOS A realização desta monografia foi um percurso de aprendizado, superação e resiliência. Em primeiro lugar, agradeço aos meus pais, que sempre acreditaram no valor da educação e me incentivaram a buscar conhecimento. Aos meus familiares e amigos, que, com suas palavras e apoio constantes, me deram coragem e inspiração para prosseguir. À minha esposa Leilane, minha parceira incondicional, meu profundo agradecimento por sua paciência, compreensão e dedicação. Durante essa caminhada, ela assumiu um papel fundamental, cuidando dos nossos filhos ainda tão pequenos, permitindo que eu pudesse focar na minha formação e seguir em frente. Agradeço também à CIBER, por ter me incentivado a trilhar o caminho da formação acadêmica na área e por todas as oportunidades de crescimento que me proporcionou. Esse apoio foi essencial para que eu pudesse amadurecer profissionalmente e expandir minhas perspectivas de futuro. Agradeço ao programa de bolsa PROUNI-PE, que não apenas financiou minha formação, mas também desempenhou um papel importante no meu crescimento acadêmico e profissional. Agradeço à AESGA pela acolhida e pelo ambiente de aprendizado que proporcionou ao longo desta trajetória acadêmica. A todos os professores, que compartilharam generosamente seus conhecimentos e orientações, contribuindo para minha formação, expresso minha profunda gratidão. Em especial, agradeço à minha orientadora, Wanessa Gomes Lopes, por sua dedicação, paciência e incentivo contínuo, que foram essenciais para a realização deste trabalho. Por fim, expresso minha gratidão ao meu “eu” do passado, que fez a melhor escolha ao embarcar nessa jornada; ao meu “eu” do presente, pelo esforço e dedicação em cada passo dado; e ao meu “eu” do futuro, que mantém vivos os meus sonhos e me motiva a conquistá-los, dia após dia. A todos que me apoiaram e acreditaram em mim, minha eterna gratidão! RESUMO Diante da complexidade em gerenciar uma indústria de bebidas com múltiplas áreas interdependentes, este estudo propôs e desenvolveu a implementação de um sistema ERP (Enterprise Resource Planning), visando otimizar a gestão de atividades produtivas e administrativas. Utilizando a metodologia de estudo de caso e ferramentas de análise qualitativa, foram identificadas lacunas nos processos operacionais e implementadas funcionalidades que integram setores como produção, estoques, financeiro e vendas. O sistema ERP se diferencia por permitir a centralização de dados e a automação de processos, facilitando a colaboração entre diferentes departamentos e promovendo uma gestão integrada. Ao simplificar os fluxos operacionais e aumentar a transparência nas informações, o ERP contribuiu significativamente para a eficiência operacional, além de melhorar a capacidade da indústria de responder às demandas de um mercado competitivo. Este projeto propõe, ainda, um modelo de adoção tecnológica adaptado às necessidades de uma indústria regional, explorando como o ERP pode ser empregado com o apoio de treinamento contínuo e mudanças culturais organizacionais. Busca descrever o cenário atual da empresa analisada, onde o software foi implantado, destacando os benefícios já observados e os desafios superados. Ressalta, também, a importância de um processo estruturado para a integração de tecnologias, com um método de implantação que priorize a capacitação dos colaboradores e o alinhamento estratégico. Por fim, apresenta uma proposta de acompanhamento contínuo dos indicadores de desempenho e de utilização plena das funcionalidades do ERP, garantindo melhorias constantes e consolidação da competitividade no setor. Palavras-chave: Sistema ERP; Planejamento e Controle da Produção (PCP); Gestão integrada; Eficiência operacional. LISTA DE SIGLAS ERP Enterprise Resource Planning IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística PCP Planejamento e Controle da Produção LISTA DE FIGURAS Figura 1 - A empresa como sistema ...............................................................................13 Figura 2 - Ranking de setores econômicos na cidade Garanhuns – PE ..........................20 Figura 3 - Foto panorâmica da indústria de bebidas em Garanhuns-PE ........................23 Figura 4 - Chão de fábrica da indústria de bebidas em Garanhuns-PE ..........................23 Figura 5 - Relatório do ERP da quantidade produzida no 2º semestre de 2024 .............27 Figura 6 - Controles manuais antes da utilização do ERP ..............................................32 Figura 7 - Indicadores de desempenho após utilização do ERP .....................................32 Figura 8 - Apresentação do tema “PCP” na indústria de bebidas. .................................37 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Composição do segmento fabricação de bebidas, segundo o CNAE 2.0 ......17 SUMÁRIO 1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS ............................................................................... 12 2 USO DO ERP COMO SOLUÇÃO PRÁTICA ...................................................... 16 2.1 Umavisão geral sobre a indústria de bebidas ........................................................ 17 2.2 Análise parcial dos processos críticos e particularidades da indústria de bebida em Garanhuns-Pe e a necessidade de aplicação do ERP .................................................. 19 2.2.1 Gestão da mudança ..................................................................................................... 21 2.2.2 Planejamento e controle da produção – PCP tendo sistemas ERP como ferramenta de otimização ............................................................................................................................... 23 2.3 Adoção e implantação do ERP ................................................................................ 26 3 METODOLOGIA ..................................................................................................... 28 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO.............................................................................. 30 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 33 REFERÊNCIAS........................................................................................................ 35 ANEXOS.................................................................................................................... 37 12 1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS Conforme Kenneth e Jane Laudon, os chamados “Sistemas de Informação podem ser definidos de uma maneira geral como um conjunto de componentes inter-relacionados que coletam, armazenam, processam e distribuem dados e informações, auxiliando na gestão organizacional e na tomada de decisões.” (LAUDON; LAUDON, 2007) Tais sistemas são fundamentais para que as empresas e demais organizações possam se adaptar a ambientes cada vez mais competitivos e dinâmicos, o que acaba por otimizar os processos de criação de produtos e na organização das pessoas, acarretando vantagens estratégicas. Partindo desse pressuposto, onde os Sistemas de Informação são cada vez mais imprescindíveis, este estudo tem como foco analisar a implementação do Enterprise Resource Planning (ERP), em uma indústria de bebidas em Garanhuns-PE, visando aprimorar a eficiência operacional. A pesquisa abordará a motivação por trás da escolha desse tema, os benefícios esperados e os objetivos estabelecidos para a investigação. Além disso, serão discutidas as etapas de implementação do ERP, os desafios comuns enfrentados pelas indústrias nesse processo e as melhores práticas para sua execução. Embora a sigla ERP signifique 'Planejamento de Recursos da Empresa', essa tradução não captura integralmente a amplitude e a complexidade desses sistemas. Isso conforme Koch, Slater e Baatz, autores referenciados por Padilha e Marins (2005) em um artigo intitulado “Sistemas ERP: características, custos e tendências”, a ênfase deve ser dada à 'parte da empresa', pois os ERPs visam fornecer uma visão holística e integrada dos processos organizacionais. Portanto, a implementação de um ERP em uma indústria de bebidas é um tema de suma importância uma vez que considera a busca constante por aprimoramento e eficiência no mercado. E ao compreender o contexto desse setor em Garanhuns-PE, será avaliado a importância econômica e social da indústria de bebidas na região, fornecendo um panorama mais detalhado para a análise do impacto do ERP neste mesmo cenário. Em consonância com essa perspectiva, Padilha e Marins (2005) ainda faz uso das palavras de Chopra e Meindl (2003), onde estes destacam que os sistemas ERP possibilitam o rastreamento e a visibilidade global das informações, tanto internamente quanto na cadeia de suprimentos, proporcionando embasamento para a tomada de decisões estratégicas." O presente estudo busca explorar e responder ao seguinte questionamento central: De que maneira os processos produtivos em uma indústria podem ser otimizados com a implementação de um sistema ERP, considerando as necessidades de aumento na eficiência 13 operacional, redução de custos e melhoria da qualidade dos produtos? Além disso, pretende- se investigar como essas melhorias podem impactar positivamente a competitividade da indústria no mercado, promovendo não apenas o aprimoramento de sua gestão interna, mas também o fortalecimento de sua posição estratégica no setor em que atua. A pesquisa se justifica pela necessidade de compreender como a implementação de um ERP pode influenciar na eficiência operacional de uma indústria de bebidas em Garanhuns-PE, pois é inegável o fato de que a crescente complexidade do ambiente de negócios, marcado por uma competição acirrada, exige das empresas a implementação de ferramentas tecnológicas capazes de integrar e otimizar seus processos. A busca por informações de qualidade e confiabilidade é essencial para garantir a eficiência e a competitividade das organizações. Os resultados esperados poderão contribuir para o conhecimento sobre os benefícios do ERP, bem como os desafios enfrentados durante a implementação e as práticas que podem auxiliar nesse processo, fornecendo insights valiosos para indústrias semelhantes. A gestão integrada de processos através de sistemas ERP não é apenas uma tendência, mas uma necessidade em mercados altamente competitivos e globalizados. Esses sistemas permitem a unificação de informações e processos em uma única plataforma, abrangendo áreas como finanças, produção, logística, vendas e recursos humanos. No caso específico da indústria de bebidas, que opera em um ambiente de alta rotatividade de estoques, rígidos padrões de qualidade e intensa pressão por custos competitivos, o ERP emerge como uma solução fundamental para o alinhamento estratégico e operacional. Fonte: (CORNACHIONE Jr. in ARMELIN et al. p. 11, 2016) Figura 1 - A empresa como sistema 14 Vale salientar ainda que a implementação de sistemas de Planejamento de Recursos Empresariais (ERP) envolve desafios complexos que requerem uma abordagem estratégica para assegurar o sucesso do projeto. Conforme Guedes de Souza (2005), as organizações apresentam características únicas, o que significa que práticas e soluções bem- sucedidas em uma determinada empresa podem não ser diretamente transferíveis para outra, mesmo quando operam em contextos de negócios semelhantes. As estatísticas econômicas sobre a indústria de bebidas, inserida no setor de transformação brasileiro, desempenha um papel relevante na economia. Em 2014, foi responsável por 3% do valor adicionado a preços básicos, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2017). Tal contribuição evidencia a importância desse segmento tanto em termos de geração de valor econômico quanto na sua capacidade de dinamizar cadeias produtivas associadas, como as de agricultura, logística e embalagens. Além disso, o setor exerce um impacto significativo na geração de empregos e no estímulo ao desenvolvimento de tecnologias e inovações voltadas à eficiência produtiva. A escolha do município de Garanhuns-PE para esse estudo apresenta relevância por representar um polo industrial em desenvolvimento, situado numa região de crescente potencial econômico. A implementação de tecnologia avançada nesse contexto pode fornecer insights valiosos sobre os desafios e benefícios associados à adoção de sistemas modernos em mercados regionais. O presente estudo tem como objetivo geral analisar a implementação de um sistema de Planejamento de Recursos Empresariais (ERP) como componente estratégico na otimização dos processos produtivos em uma empresa do setor de bebidas localizada em Garanhuns-PE, visando o aumento da eficiência operacional, a redução dos custos de produção e a melhoria na qualidade dos produtosoferecidos pela empresa. Para além dessa perspectiva, este estudo estabelece como objetivos específicos: compreender a aplicação prática dos conceitos de planejamento e controle da produção no contexto da gestão empresarial; realizar um levantamento minucioso dos processos produtivos atualmente adotados na indústria de bebidas em análise; identificar pontos críticos, como desperdícios, e ineficiências, presentes nos processos produtivos existentes; investigar as melhores práticas e técnicas de otimização de processos produtivos que sejam adequadas ao contexto da empresa; e aplicar os conhecimentos acadêmicos adquiridos no curso de Administração de Empresas para validar a funcionalidade e a eficácia das rotinas e processos implementados por meio do sistema ERP. 15 Este trabalho adotou como metodologia uma abordagem estruturada e abrangente, com o objetivo de possibilitar uma análise detalhada dos processos produtivos existentes e a proposição de melhorias eficazes. Realizou-se uma descrição da empresa estudada e de seus processos operacionais. Houve o levantamento detalhado e análise dos processos produtivos vigentes, utilizando técnicas como observação direta no ambiente de trabalho, entrevistas com os colaboradores envolvidos nas operações e o emprego de ferramentas específicas de análise de processos. Na etapa subsequente, procedeu-se a uma revisão da literatura focada nas melhores práticas de otimização de processos aplicáveis ao setor de bebidas. Com base nos dados coletados e nas referências consultadas, foram elaboradas sugestões de otimização direcionadas para cada etapa do processo produtivo, considerando as especificidades e desafios característicos da empresa em questão. Além disso, foi realizada uma estimativa dos impactos potenciais das melhorias propostas, abordando tanto os benefícios esperados quanto os custos associados à implementação das mudanças. Para operacionalizar as recomendações, elaborou-se um plano de ação detalhado, que contemplou a definição de metas, prazos, atribuições de responsabilidades e a identificação dos recursos necessários para execução das iniciativas. Para atender aos objetivos estabelecidos, o trabalho foi estruturado em capítulos que organizam de maneira lógica e aprofundada os aspectos fundamentais da pesquisa. O segundo capítulo apresenta os conceitos teóricos que embasam os sistemas ERP, enfatizando sua relevância no Planejamento e Controle da Produção (PCP) e no contexto específico da indústria de bebidas. O terceiro capítulo descreve a metodologia adotada, com destaque para o estudo de caso como abordagem central, permitindo uma análise detalhada dos processos produtivos e organizacionais. No quarto capítulo, são discutidos os resultados obtidos com a implementação do ERP, evidenciando os principais avanços, os desafios enfrentados e os benefícios alcançados em termos de eficiência operacional e competitividade. Por fim, o quinto capítulo reúne as considerações finais, consolidando os principais achados da pesquisa, além de apresentar recomendações para a continuidade das melhorias propostas e possibilidades de aplicação em cenários semelhantes. Essa estrutura busca alinhar teoria e prática, oferecendo uma análise abrangente e fundamentada sobre o tema. 16 2 USO DO ERP COMO SOLUÇÃO PRÁTICA A industrialização sob encomenda, como modelo de produção, demanda um alto grau de flexibilidade e uma capacidade aprimorada de adaptação às variações nas exigências dos clientes. Esse modelo possibilita a personalização dos produtos, o que acarreta desafios significativos no planejamento e controle de estoques, gestão de prazos de entrega e otimização de custos operacionais. Nesse contexto, a integração eficiente dos processos produtivos torna-se essencial, sendo viabilizada por ferramentas tecnológicas avançadas, como os sistemas ERP. Esses sistemas permitem uma gestão integrada de funções empresariais essenciais, abrangendo atividades como compras, controle de estoques, vendas e gestão financeira, contribuindo para a eficiência organizacional. (LAUDON; LAUDON, 2020) Os Sistemas Integrados de Gestão, amplamente conhecidos como ERP (Enterprise Resource Planning), consistem em plataformas tecnológicas projetadas para integrar os principais processos de negócios de uma organização em uma base de dados centralizada. Esses sistemas proporcionam uma visão unificada e em tempo real das operações, abrangendo áreas como finanças, recursos humanos, produção, logística e vendas. Ao promover uma comunicação eficiente entre os diferentes setores organizacionais e eliminar redundâncias de dados, o ERP atua como uma infraestrutura de software que sustenta e automatiza os processos corporativos, possibilitando um maior alinhamento entre as estratégias organizacionais e as operações cotidianas. (LAUDON; LAUDON, 2020) O ERP pode ser caracterizado, sobretudo, por sua capacidade de integrar informações e processos organizacionais em uma arquitetura centralizada e unificada. Essa característica possibilita que todas as áreas da empresa compartilhem e atualizem uma base de dados comum, eliminando inconsistências e minimizando atrasos nos fluxos de informações. Conforme destacado por Davenport (1998), essa integração promove uma maior eficiência operacional ao viabilizar a automação de tarefas repetitivas, reduzindo a incidência de erros humanos e potencializando a produtividade. Adicionalmente, os sistemas ERP oferecem ferramentas analíticas avançadas que suportam a tomada de decisões fundamentadas em dados, contribuindo para o fortalecimento da gestão estratégica (DAVENPORT, 1998). No ambiente empresarial, a adoção de um sistema ERP (Enterprise Resource Planning) está diretamente relacionada à ampliação da competitividade organizacional, especialmente em mercados globalizados caracterizados por alta dinamicidade e exigência de precisão nas operações. Esses sistemas não apenas racionalizam e integram os fluxos internos 17 de trabalho, mas também desempenham um papel estratégico na coordenação e integração com fornecedores e clientes, resultando em cadeias de suprimentos mais eficientes e resilientes (Turban et al., 2019). Entretanto, os autores destacam que a implementação de um ERP exige um planejamento meticuloso, que considere as especificidades do modelo de negócios da organização, bem como uma adaptação cuidadosa às suas demandas operacionais. Além disso, enfatiza-se a necessidade de um treinamento abrangente dos usuários finais, garantindo a utilização efetiva das funcionalidades do sistema e maximizando seus benefícios organizacionais. Dito isso, o ERP acaba por se tornar uma ferramenta essencial para empresas que buscam integração, eficiência e capacidade analítica. Seu papel vai além da automação de processos, atuando como um catalisador para transformações organizacionais que aumentam a competitividade e a capacidade de inovação. 2.1 Uma visão geral sobre a indústria de bebidas Para uma compreensão mais detalhada da classificação do processo produtivo, é relevante considerar que, conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 2.0), o segmento industrial de "Fabricação de Bebidas" abrange cinco subsetores de atividade. Esses subsetores incluem: fabricação de bebidas alcoólicas destiladas, fabricação de vinhos, fabricação de cervejas, chopes e maltes, fabricação de refrigerantes e outras bebidas não alcoólicas, e a fabricação de águas envasadas. Cada um desses subsetores desempenha um papel específico no contexto da produção industrial de bebidas, contribuindo para a diversificação da oferta e o atendimento de diferentes demandas de mercado, além de estar vinculado a distintos processos produtivos e tecnologias. Tabela 1 - Composição do segmento fabricação de bebidas, segundo o CNAE 2.0 CNAE 2.0 DESCRIÇÃO DE SETOR E SUBSETORES11.1 Fabricação de bebidas alcoólicas 11.11-9 Fabricação de aguardentes e outras bebidas destiladas 11.11-7 Fabricação de vinho 11.11-5 Fabricação de malte, cervejas e chopes 11.2 Fabricação de bebidas não alcoólicas 11.21-6 Fabricação de águas envasadas 11.21-4 Fabricação de refrigerantes e de outras bebidas não alcoólicas Fonte: IBGE 18 No Brasil, a indústria de refrigerantes ocupa uma posição de destaque como um dos maiores segmentos dentro do setor de bebidas, seguida pela produção de cervejas. Esses segmentos representam uma parcela significativa do valor adicionado pela atividade industrial no país. Embora o setor de bebidas não seja intensivo em mão de obra, ele gera dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos, destacando sua relevância econômica. No âmbito do comércio exterior, observa-se uma baixa penetração de importações tanto para cervejas quanto para refrigerantes, refletindo uma forte presença da produção nacional. No entanto, registra- se um déficit comercial na indústria de bebidas, atribuído, principalmente, à elevada dependência de insumos importados essenciais, como o malte, que é amplamente utilizado na fabricação de cervejas. (CERVIERI JÚNIOR, 2014). Com isso posto, a característica intrínseca dos produtos do setor de bebidas, especialmente a dependência da água como matéria-prima essencial, favorece uma ampla dispersão geográfica das unidades produtivas. Essa particularidade torna a produção regional uma alternativa altamente viável, pois, embora a centralização das operações pudesse proporcionar economias de escala, a redução dos custos de transporte emerge como um fator preponderante. Como resultado, o setor apresenta uma distribuição ampla e dinâmica, especialmente em regiões menos industrializadas. Isso se deve ao fato de que a produção de bebidas abrange não apenas a manufatura propriamente dita, mas também uma série de atividades relacionadas à cadeia de valor, como o fornecimento de insumos, armazenamento, distribuição, marketing, fabricação de embalagens e outras operações indispensáveis. Muitas dessas atividades demandam proximidade com as unidades produtivas, o que, de maneira indireta, favorece a formação de economias de escala regionais e contribui para o desenvolvimento econômico local. (CERVIERI JÚNIOR, 2014) Sabendo que diante do crescente nível de competitividade no mercado, as organizações têm intensificado a busca por estratégias que lhes permitam alcançar uma posição sólida em um ambiente altamente desafiador. Nesse cenário, as iniciativas direcionadas à redução de custos e ao aumento da lucratividade tornam-se prioridades. Entre as principais demandas está a necessidade de aprimorar a eficiência operacional, abrangendo não apenas a entrega de produtos e serviços com qualidade e agilidade, mas também a racionalização dos processos internos. No setor produtivo, em particular, destaca-se o objetivo de minimizar falhas em maquinários e equipamentos, garantindo a continuidade operacional e a eficiência das atividades. Essa abordagem contribui diretamente para o aumento da produtividade e, consequentemente, para a competitividade organizacional. (DO NASCIMENTO; et al., 2018). 19 A indústria de bebidas configura-se como um setor altamente dinâmico e competitivo, no qual a eficiência dos processos produtivos desempenha um papel fundamental para a sobrevivência e o sucesso das empresas. Conforme destacado por Slack e outros autores: "(...) a otimização de processos produtivos é essencial para garantir a eficiência operacional e a competitividade das empresas, especialmente em setores onde os custos de produção e a qualidade dos produtos são determinantes para o sucesso no mercado". (SLACK et al; p.3, 2015) É notável que a indústria de bebidas, apesar de sua ampla diversificação e distribuição geográfica, enfrenta desafios significativos relacionados à eficiência operacional e à manutenção de sua competitividade. Nesse cenário, a utilização de sistemas integrados de gestão, como os ERPs, destaca-se como uma solução estratégica indispensável. Tais sistemas permitem a integração dos diversos processos produtivos e administrativos, proporcionando uma visão abrangente e centralizada das operações, além de viabilizarem um controle eficaz de recursos e decisões fundamentadas em dados precisos e consistentes. Outrossim, a implementação de ERPs no setor de bebidas representa uma ferramenta eficaz para a superação de desafios específicos, como a gestão otimizada de insumos essenciais, a redução de custos logísticos e o aumento da produtividade. Ao integrar áreas-chave, como finanças, produção, controle de estoques e logística de distribuição, os ERPs não apenas promovem a eficiência operacional, mas também aprimoram a capacidade das organizações de se adaptarem às demandas do mercado de maneira ágil e estratégica. Assim, o investimento em tecnologias de gestão integrada configura-se como um fator crítico de sucesso, contribuindo para a sustentabilidade e o fortalecimento da competitividade das empresas desse segmento em um cenário econômico globalizado. 2.2 Análise parcial dos processos críticos e particularidades da indústria de bebida em Garanhuns-Pe e a necessidade de aplicação do ERP O município de Garanhuns, localizado no Agreste de Pernambuco, tem comércio atacadista de alimentos e bebidas destacado principalmente por apresentar uma maior concentração de trabalhadores per capita em comparação a outros municípios da região, o que reflete a alta competitividade desses setores. A imagem a seguir nos mostra alguns dados interessantes que trazem a luz informações gerais sobre a economia da região e assim facilitar a compreensão do cenário do mercado de Garanhuns (PE), percebe-se a imposição de desafios específicos às empresas de 20 bebidas, especialmente no que se refere à logística de abastecimento de matérias-primas, infraestrutura e a necessidade de mão de obra qualificada. Dito isso, a otimização dos processos produtivos adquire especial relevância. Figura 2 - Ranking de setores econômicos na cidade Garanhuns – PE Fonte: https://www.caravela.info/regional/garanhuns---pe A empresa de bebidas sobre a qual esse trabalho foi desenvolvido, foi fundada em 1986 e utilizou até 2023 métodos predominantemente manuais e planilhas para gerenciar seus controles e processos operacionais. Foi notável que essa abordagem apresentava limitações significativas, sobretudo na integração entre os departamentos, devido à inexistência de um banco de dados centralizado que permitisse a unificação das informações geradas. Com o crescimento da industrialização sob encomenda, os clientes passaram a demandar dados mais precisos e ágeis, o que tornou evidente a necessidade de implementar um sistema ERP para otimizar a comunicação interna e a eficiência organizacional. Sabendo que o município de Garanhuns abriga diversas empresas do setor de bebidas que desempenham um papel crucial na economia local. Essas indústrias se destacam tanto pela geração de empregos quanto pela movimentação significativa no mercado regional, refletindo a importância do setor para o desenvolvimento econômico da cidade. Uma das empresas de maior destaque na região adota o modelo de industrialização sob encomenda, em que a produção é realizada de acordo com as especificações e demandas dos clientes, abrangendo desde o desenvolvimento dos produtos até a entrega final. Esse modelo operacional confere à empresa uma flexibilidade estratégica, permitindo-lhe atender a diferentes nichos de mercado e consolidar-se como parceira essencial para várias marcas do setor de bebidas. https://www.caravela.info/regional/garanhuns---pe 21 Durante o desenvolvimento deste estudo, foram identificados diversos desafios no processo produtivo desta indústria.Entre os principais gargalos, destaca-se a falta de comunicação eficaz entre os diversos setores da empresa, o que se revelou como um fator crítico para a eficiência operacional. A ausência de integração entre as áreas de produção, compras, financeiro e controle de estoque resultou em informações desencontradas, comprometendo o fluxo contínuo das atividades e, consequentemente, a agilidade nas operações. Os principais desafios que motivaram a adoção do ERP incluíam a ausência de controle em tempo real, frequentes erros de comunicação entre setores, interrupções na produção causadas por falhas no gerenciamento de estoques de matérias-primas, dificuldades no planejamento de produção e limitações no planejamento financeiro. Esses problemas impactavam diretamente a produtividade e a competitividade da empresa, tornando indispensável a implementação de um sistema integrado que possibilitasse a superação dessas deficiências. A implementação do ERP foi iniciada em abril de 2023, seguindo uma metodologia que incluiu a configuração e o treinamento dos módulos através de aulas gravadas oferecidas pelo sistema contratado, o Nomus Industrial. Embora todos os módulos tenham sido implantados e configurados, apenas alguns estão sendo utilizados regularmente, como vendas e faturamento, emissão e gestão de notas fiscais, e financeiro (contas a pagar e a receber). Módulos cruciais para a operação, como os de estoque, produção e controle de qualidade, ainda necessitam de uma aplicação mais efetiva e de um acompanhamento contínuo para alcançar o pleno potencial do sistema. Os setores de estoque e produção destacam-se como os mais impactados pela implementação do ERP, dado o potencial de benefícios significativos decorrentes da integração dos processos. A utilização eficiente do sistema nesses setores pode proporcionar maior controle sobre os estoques, a criação de políticas de ressuprimento de matérias-primas alinhadas às demandas dos clientes e a continuidade das operações produtivas. Além disso, a integração de dados possibilita que os gestores e diretores, representando os níveis tático e estratégico, tomem decisões mais assertivas e em tempo hábil. Isso também favorece a elaboração de projeções estratégicas para médio e longo prazo, promovendo maior alinhamento entre as operações e os objetivos organizacionais. 2.2.1 Gestão da mudança 22 Houve uma resistência notável entre os colaboradores. O maior desafio foi conscientizar os colaboradores sobre a importância de abandonar práticas antigas e adotar o sistema de forma integral. Essa resistência cultural acaba retardando a implantação do ERP, pois é necessário um trabalho paralelo de implantação e de treinamento, visando a adaptação dos colaboradores ao novo sistema. Entre os principais benefícios esperados com a implementação completa do ERP estão: maior integração entre setores, eliminação de gargalos na produção, otimização do planejamento e controle de produção, melhoria na gestão de estoque e criação de políticas de ressuprimento, decisões gerenciais mais ágeis e assertivas, retenção de clientes e colaboradores, competitividade ampliada no mercado, atração de novos clientes e preparação para certificações de qualidade, como a ISO 9001. Foram notadas mudanças positivas. Embora o ERP ainda esteja em fase de implantação, os módulos de estoque e produção estão sendo validados com informações reais, o que demonstra o potencial do sistema. No entanto, a completa utilização do ERP ainda é prejudicada pela falta de disciplina dos colaboradores, que, em alguns casos, continuam utilizando planilhas, atrasando a consolidação do sistema. Além da resistência cultural dos colaboradores, há também uma necessidade de conscientização por parte da diretoria. Como o ERP ainda não está implantado por completo, algumas decisões continuam sendo baseadas em informações manuais. A empresa investiu R$5.400,00 na implantação do ERP Nomus Industrial, que oferece melhor custo-benefício em comparação ao sistema anterior, cuja mensalidade era de R$3.500,00. O ERP Nomus, por sua vez, possui um custo mensal de R$800,00, o que representa uma economia significativa e torna o sistema mais viável para a empresa a longo prazo. Outro obstáculo significativo foi a dependência de processos manuais, que acarretam atrasos na alimentação dos registros, especialmente em momentos cruciais, como a entrada de materiais na produção e a contabilização das quantidades de produtos finalizados. A carência de automação nesses processos compromete a precisão dos dados, dificultando a gestão eficiente dos estoques e o planejamento da produção. Além disso, a falta de atualização em tempo real dos registros impacta negativamente na tomada de decisões, uma vez que as informações essenciais para os gestores não são disponibilizadas de forma imediata, prejudicando a agilidade e a assertividade nas ações de gestão. 23 Fonte: Autoria própria. Figura 4 - Chão de fábrica da indústria de bebidas em Garanhuns-PE Fonte: Autoria própria. 2.2.2 Planejamento e controle da produção – PCP tendo sistemas ERP como ferramenta de otimização Figura 3 - Foto panorâmica da indústria de bebidas em Garanhuns-PE 24 Os sistemas de produção constituem uma categoria abrangente que engloba todos os sistemas baseados em regras de produção, os quais consistem em pares de expressões compostos por uma condição e uma ação. A relevância desses sistemas nas empresas tem crescido consideravelmente, principalmente devido ao aumento da competitividade entre as organizações concorrentes. Com a implementação de sistemas de produção, é possível estabelecer níveis de produção de cada produto em determinado período, com o objetivo de maximizar os lucros e minimizar os custos de produção. (NOMUS, 2024) Uma compreensão mais profunda das ferramentas de planejamento e controle e sua aplicabilidade é fundamental para que o sistema de Planejamento e Controle da Produção (PCP) possa apoiar adequadamente os objetivos estratégicos da empresa. Nesse contexto, é cada vez mais importante integrar o PCP ao nível estratégico de tomada de decisão, alinhando- o com as metas e necessidades de longo prazo da organização (BIANCHINI, DARÚ, & BERGER, 2018). A capacidade de vincular essas práticas ao planejamento estratégico reflete diretamente no desempenho operacional e na competitividade das empresas em um mercado cada vez mais dinâmico. O PCP é uma função essencial na gestão de operações industriais, sendo responsável por assegurar que o processo produtivo seja realizado de maneira eficiente e coordenada. O principal objetivo do PCP é equilibrar a demanda de produção com a capacidade instalada da fábrica, coordenando atividades fundamentais como planejamento de materiais, programação de operações, controle de estoques e distribuição de produtos. Conforme Tubino (2015), o PCP desempenha um papel crucial não apenas na garantia da qualidade do produto final, mas também no cumprimento dos prazos estabelecidos, prevenindo a ociosidade dos recursos produtivos e maximizando o aproveitamento da capacidade instalada. O PCP se revela essencial para a integração eficaz entre as áreas de produção, compras, logística e controle de estoques, assegurando que todas as fases do processo produtivo estejam alinhadas. Segundo Slack et al. (2016), o sucesso do PCP depende da precisão dos dados fornecidos por essas áreas, já que a falta de integração pode ocasionar interrupções no fluxo de trabalho, resultando em atrasos e no aumento dos custos operacionais. Portanto, o PCP não só garante o cumprimento das metas de produção, mas também contribui para a competitividade da empresa ao assegurar a entrega de produtos com qualidade, pontualidade e a menores custos possíveis. A eficácia de uma estratégia de Planejamentoe Controle da Produção (PCP) está diretamente relacionada à sua capacidade de se adaptar às flutuações da demanda. Em 25 mercados dinâmicos, como o setor de bebidas, essa flexibilidade assume um papel crucial, permitindo que as empresas ajustem continuamente sua produção para atender às variações de consumo e às crescentes expectativas dos clientes (ARNOLD, 1999). Nesse contexto, o PCP não apenas contribui para o alcance de altos níveis de eficiência operacional, mas também se consolida como uma ferramenta indispensável para assegurar a competitividade em um mercado cada vez mais desafiador. Fazendo um retorno ao conceito correspondente ao ERP podemos percebê-lo como uma ferramenta integrada que centraliza todas as informações e processos de uma empresa em um único sistema de gestão. Esse tipo de software facilita a comunicação entre os diversos departamentos, como compras, produção, estoque e finanças, automatizando processos e eliminando redundâncias, o que contribui para a eficiência organizacional. Sendo assim, o ERP desempenha um papel crucial na otimização da gestão operacional, pois proporciona uma visão unificada de todas as áreas da empresa, permitindo aos gestores tomarem decisões mais assertivas e em tempo real (LAUDON; LAUDON, 2020). A integração de sistemas ERP ao Planejamento e Controle da Produção (PCP) assume um papel estratégico, automatizando atividades essenciais como o planejamento e a execução de processos. Essa tecnologia oferece uma visão ampla e detalhada das operações, possibilitando um controle mais eficiente dos estoques, uma programação de produção mais precisa e uma gestão mais eficaz de ordens de compra e venda. Além disso, o ERP contribui para a minimização de desperdícios e para o aumento da eficiência operacional, aspectos indispensáveis para indústrias que buscam elevar seu desempenho e sua competitividade. Segundo Souza e Saccol (2013), a adoção de sistemas ERP no PCP proporciona uma gestão integrada, que potencializa a eficiência dos processos produtivos e resulta em avanços significativos na performance organizacional. Reforçando essa visão, Fernandes e Filho (2017) destacam ainda que "a utilização de sistemas ERP no planejamento e controle da produção possibilita uma visão holística das operações, promovendo a otimização dos recursos e a agilidade na tomada de decisões". Essa abordagem integrada não apenas fortalece a capacidade de resposta das empresas frente às demandas do mercado, como também é determinante para alcançar elevados padrões de eficiência e competitividade. Outro benefício significativo do ERP para o PCP é a integração em tempo real dos dados, o que aprimora a acuracidade das informações e evita falhas de planejamento. A integração proporcionada pelos sistemas ERP fomenta a sinergia entre as diferentes áreas da empresa, garantindo que as necessidades de produção sejam atendidas de forma eficaz, sem 26 comprometer a qualidade dos produtos ou os prazos de entrega. Dessa forma, o ERP se configura como uma ferramenta indispensável para a modernização dos processos produtivos e o fortalecimento da competitividade organizacional. (CORRÊA; CORRÊA, 2014). 2.3 Adoção e implantação do ERP A implementação do ERP é justificada pela necessidade de preparar a empresa para alcançar certificações de qualidade, como a ISO 9001, otimizar o trabalho do time operacional, fornecer ferramentas de gestão para o time tático e aprimorar o planejamento estratégico. Além disso, o estudo possibilita a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos no curso de Administração, validando a operacionalidade e benefícios do ERP na empresa. Esse estudo pode trazer diversos benefícios internos, como os já mencionados, além de contribuir para a retenção de clientes e colaboradores, aumentar a eficiência nos resultados da empresa e torná-la mais competitiva no mercado. Com isso, a empresa terá um diferencial competitivo que poderá atrair novos clientes, consolidando sua posição no setor. O objetivo principal da empresa com a implementação do ERP é a otimização do planejamento e controle de produção. Isso permitirá atender melhor às demandas dos clientes, garantindo qualidade nos produtos e, assim, possibilitando o aumento dos resultados financeiros da empresa. Além da otimização do planejamento e controle de produção, a empresa espera obter outras melhorias, tais como: redução de desperdícios, melhor controle de estoques e uma integração mais eficiente entre setores. Nenhum sistema ERP consegue atender, de maneira padrão, todas as particularidades de uma empresa. Por isso, o administrador precisa aplicar os conhecimentos adquiridos no curso de Administração para avaliar se o sistema atende plenamente às demandas da empresa. Em casos onde há lacunas, o administrador deve buscar adaptações, solicitar relatórios customizados ou implementar rotinas personalizadas para garantir que o ERP atenda completamente às necessidades organizacionais. Entre as técnicas utilizadas, destaca-se a análise de relatórios gerenciais da quantidade produzida entre julho e outubro de 2024. Observou-se uma queda na produção mensal, causada pela falta de matéria-prima, devido à ausência de um sistema de ressuprimento efetivo pelo cliente. Foram também analisados os processos e controles em cada setor, identificando-se que 100% das atividades eram geridas manualmente ou com planilhas. Além disso, foram realizadas observações in loco e entrevistas com os times operacional, tático e estratégico para identificar desafios e necessidades. 27 Apesar de sua relevância, a implementação eficaz de práticas de otimização de processos produtivos enfrenta diversos obstáculos. Alves (p.50, 2023) destaca que "a falta de capacitação técnica, a resistência à mudança organizacional e a carência de investimentos em tecnologias adequadas são desafios significativos que limitam a busca pela otimização nas empresas". Esses fatores evidenciam a necessidade de iniciativas voltadas à modernização e à capacitação dentro do setor. Fonte: Autoria própria Figura 5 - Relatório do ERP da quantidade produzida no 2º semestre de 2024 28 3 METODOLOGIA A metodologia deste estudo teve como procedimento metodológico a técnica de pesquisa aplicada, que, segundo Severino (2014, p.103), "tem como objetivo a aplicação prática dos resultados obtidos, visando à solução de problemas concretos da realidade". Dessa forma, esse tipo de pesquisa se diferencia dos demais justamente por ter um viés mais voltado para a aplicação dos resultados na prática, buscando resolver problemas específicos da realidade. Sendo assim foi decidido realizar um estudo de caso e para isso podemos nos basear nas palavras de Yin (2001), onde se define o estudo de caso como “uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real”. O autor também postula que essa metodologia de pesquisa na maioria dos casos usa dados de qualidade que são voltados para explicar, explorar ou descrever fenômenos existentes dentro do contexto em que foram encontrados. Seguindo essa mesma linha de raciocínio, Godoy apresenta os seguintes argumentos: Quando o estudo é de caráter descritivo e o que se busca é o entendimento do fenômeno como um todo, na sua complexidade, é possível que uma análise qualitativa seja a mais indicada. Ainda quando a nossa preocupação for a compreensão da teia de relações sociais e culturais que se estabelecem no interior das organizações, o trabalho qualitativo pode oferecer interessantes e relevantes dados. Nesse sentido, a opção pela metodologia qualitativa se faz após a definição do problema e do estabelecimento dos objetivos da pesquisa que se quer realizar. (GODOY, 1995, p.63). O trabalho seguiu uma abordagem estruturada e abrangente, que possibilitou a análise detalhadados processos produtivos existentes e a proposição de melhorias eficazes. Inicialmente, foi realizada uma pesquisa geral da empresa e de seus processos, seguida de um levantamento e análise dos processos atuais. Para isso, foram utilizadas técnicas como observação direta, entrevistas com os envolvidos e ferramentas específicas de análise de processos, visando uma compreensão mais abrangente das operações. Em um outro momento, realizou-se uma revisão da literatura sobre as melhores práticas de otimização de processos aplicáveis ao setor de bebidas, com base em casos de sucesso e experiências de outras empresas do ramo, a fim de embasar as propostas de melhoria. A partir dessa análise, foram elaboradas sugestões de otimização para cada etapa do processo produtivo, considerando as particularidades e desafios da empresa em questão. 29 Além disso, foi também estimado os potenciais impactos das melhorias propostas, tanto em termos de benefícios esperados quanto de custos envolvidos na implementação das mudanças. Um plano de ação detalhado foi elaborado, contemplando metas, prazos, responsabilidades e os recursos necessários para a execução das melhorias. Após a implementação das propostas, foi realizado o acompanhamento contínuo dos resultados, com a comparação dos indicadores de desempenho antes e depois das mudanças implementadas. Finalmente, foi registrado todo o processo metodológico, apresentando os resultados alcançados, as principais conclusões, recomendações e as lições aprendidas durante o processo de otimização dos processos produtivos na indústria de bebidas localizada em Garanhuns-PE. Este procedimento metodológico buscou garantir uma análise crítica e a proposição de soluções práticas que contribuam efetivamente para o aprimoramento da eficiência e competitividade da empresa em questão. A abordagem metodológica aqui apresentada, buscou não apenas compreender a interação entre os conceitos que abrangem a literatura no campo administrativo em relação ao contexto local de Garanhuns, mas também propor um alinhamento estratégico entre as práticas de gestão e as ferramentas tecnológicas, a fim de otimizar os processos produtivos da indústria de bebidas. 30 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO O estudo realizado sobre a indústria de bebidas localizada em Garanhuns-PE revela a complexidade de sua operação e os desafios enfrentados antes da implementação do ERP. Antes da implementação do ERP, a empresa dependia de processos manuais e planilhas para gerenciar sua operação, o que impunha uma série de limitações. A ausência de um sistema integrado significava que os dados estavam dispersos entre os setores, como compras, estoque, produção, financeiro e vendas, o que gerava falhas de comunicação, desorganização, e perda de tempo. A integração entre os departamentos era praticamente inexistente, dificultando a tomada de decisões rápidas e assertivas. A falta de controle em tempo real e a dificuldade de gerenciar os estoques de matérias-primas impactavam diretamente a produção, que, por sua vez, afetava a qualidade e os prazos de entrega. A empresa também enfrentava dificuldades em atender às exigências de seus clientes, especialmente com o aumento da terceirização na produção, o que demandava dados mais ágeis e precisos. A ausência de um sistema centralizado de dados impedia uma visão completa do processo produtivo e gerencial, comprometendo a competitividade no mercado. A implementação do ERP foi, inquestionável, uma resposta estratégica a esses problemas. Ao integrar as funções críticas da empresa, como compras, estoque, produção, financeiro e vendas, o ERP possibilita um controle mais eficiente e uma visão unificada das operações. O sistema, especificamente o Nomus Industrial, foi escolhido não apenas por suas funcionalidades, mas também pelo custo-benefício, que tornou sua adoção viável mesmo para uma empresa de médio porte. Dessa forma, o ERP contribui de forma significativa para a solução dos principais problemas que a empresa enfrentava. Com a implementação das melhorias sugeridas, obteve- se resultados tangíveis, como a redução dos custos de produção, o aumento da eficiência operacional, o aprimoramento da qualidade dos produtos e o incremento da competitividade da empresa no mercado. Esses resultados contribuíram para fortalecer a posição da empresa, permitindo-lhe responder de forma mais eficiente às demandas do mercado e alcançar seus objetivos estratégicos de crescimento e sustentabilidade. Sendo assim, o ERP permite que todos os setores se comuniquem de maneira eficiente, assegurando que as informações sobre a produção, estoque e compras sejam atualizadas em tempo real, o que facilita a tomada de decisões assertivas e rápidas. Além disso, a capacidade de planejar a produção e gerenciar os estoques de maneira automatizada 31 proporciona ganhos de eficiência, redução de desperdícios e a garantia de que as demandas dos clientes sejam atendidas pontualmente. Embora a implantação do ERP ainda esteja em processo, alguns benefícios já começaram a ser observados, especialmente em relação aos módulos de vendas, faturamento e financeiro. A eliminação de processos manuais e a automação dos fluxos de trabalho contribuem para a redução de erros e aumento da produtividade. No entanto, os módulos de produção, estoque e controle de qualidade, que são essenciais para o pleno funcionamento do sistema, ainda carecem de ajustes e aplicação consistente. A finalização da implantação do ERP, com a plena utilização dos módulos voltados para a produção e controle de qualidade, trará melhorias ainda mais significativas. Espera-se que a integração completa leve a uma gestão mais assertiva de estoques, com políticas de ressuprimento mais eficazes, evitando a escassez de matéria-prima e interrupções na produção. Além disso, o sistema permitirá uma visão consolidada do desempenho da empresa, facilitando o planejamento estratégico e a projeção de metas para o futuro. Outro benefício importante será o aprimoramento da capacidade de adaptação a flutuações na demanda do mercado. Com a automação do PCP (Planejamento e Controle de Produção), a empresa será capaz de equilibrar a produção com a demanda de maneira mais eficiente, respondendo com agilidade às mudanças no mercado e garantindo a satisfação dos clientes. Isso ajudará a empresa a se manter competitiva, com maior capacidade de inovar e expandir. Apesar dos avanços, a transição de processos manuais para um sistema digital exige um esforço considerável de adaptação cultural. A falta de disciplina de alguns colaboradores, que ainda insistem no uso de planilhas, prejudica o pleno aproveitamento do ERP. Além disso, a conscientização e treinamento contínuo são fundamentais para garantir que todos os funcionários compreendam a importância do novo sistema e se comprometam com sua utilização integral. Outro ponto a ser observado é a necessidade de um acompanhamento contínuo dos resultados obtidos com o ERP. Embora o sistema esteja proporcionando melhorias em vários aspectos da operação, é fundamental que os gestores monitorem constantemente os impactos do ERP no desempenho da empresa, realizando ajustes sempre que necessário para garantir que o sistema esteja cumprindo suas funções de forma plena. Em conclusão, a implementação do ERP na indústria de bebidas em Garanhuns- PE representa uma mudança significativa para a empresa, direcionada à modernização e otimização de seus processos. A solução proposta, ao integrar os diversos setores e fornecer 32 dados em tempo real, tem o potencial de transformar a gestão da empresa, melhorando a eficiência operacional, reduzindo desperdícios, e fortalecendo a competitividade no mercado. No entanto, para que a implementação seja plenamente bem-sucedida, é essencial que a empresa continueinvestindo em treinamento, conscientização e disciplina no uso do sistema. A finalização da implantação do ERP trará, sem dúvida, uma melhoria contínua nos processos produtivos, garantindo maior qualidade nos produtos e um atendimento mais ágil e eficiente às demandas dos clientes. Figura 6 - Controles manuais antes da utilização do ERP Fonte: Autoria própria. Fonte: Autoria própria. Figura 7 - Indicadores de desempenho após utilização do ERP 33 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Em síntese, a implementação de um sistema ERP em uma indústria de bebidas localizada em Garanhuns-PE mostrou-se uma estratégia crucial para otimizar os processos produtivos e alinhar a empresa às exigências de um mercado cada vez mais competitivo. O estudo revelou que, apesar dos desafios associados à implantação de sistemas integrados, como a resistência à mudança e a necessidade de uma transformação cultural significativa, os benefícios obtidos superaram amplamente as dificuldades enfrentadas. Entre os principais avanços, destacam-se a integração de dados em tempo real, a redução de desperdícios e o aumento expressivo na eficiência operacional, fatores que fortalecem a competitividade da organização. O trabalho também reforça a relevância de adaptar soluções tecnológicas às particularidades da organização, enfatizando que o sucesso da implementação exige treinamento contínuo, engajamento efetivo de toda a equipe e alinhamento estratégico entre tecnologia e objetivos corporativos. A análise dos resultados evidenciou que o ERP não se limita à automação de processos internos, mas desempenha um papel central no fortalecimento da posição estratégica da empresa, promovendo maior sustentabilidade, capacidade de inovação e respostas mais ágeis às demandas do mercado. Além disso, o estudo aponta que o impacto positivo do ERP vai além da eficiência interna, proporcionando à empresa uma base sólida para decisões gerenciais mais precisas, fundamentadas em dados consolidados e atualizados. Esse alinhamento permite maior previsibilidade e suporte à tomada de decisões estratégicas, características indispensáveis para organizações que buscam expandir sua atuação e se diferenciar em cenários de alta concorrência. Essa produção acadêmica pode ser considerada um referencial para outras indústrias interessadas em modernizar suas operações, demonstrando que o sucesso na adoção de tecnologias como o ERP depende de um planejamento cuidadoso, disciplina organizacional e uma visão estratégica bem definida. Como recomendação para trabalhos futuros, sugere-se o aprofundamento no uso de ferramentas analíticas do ERP para ampliar o suporte à tomada de decisões, bem como o monitoramento contínuo dos indicadores de desempenho, assegurando a implementação de melhorias permanentes e a consolidação da competitividade no mercado. Por fim, este trabalho pode ser considerado um referencial para outras indústrias interessadas em modernizar suas operações, demonstrando que o sucesso na adoção de 34 tecnologias como o ERP depende de um planejamento cuidadoso, disciplina organizacional e uma visão estratégica bem definida. Como recomendação para trabalhos futuros, sugere-se o aprofundamento no uso de ferramentas analíticas do ERP para ampliar o suporte à tomada de decisões, bem como o monitoramento contínuo dos indicadores de desempenho, assegurando a implementação de melhorias permanentes e a consolidação da competitividade no mercado. 35 REFERÊNCIAS ALVES, J. C. Obstáculos à otimização de processos produtivos: um estudo de caso em empresas de médio porte no Brasil. 2023. 142 f. Dissertação (Mestrado em Administração) - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, 2023. ARNOLD, J. R. T. Administração de Materiais: uma introdução. São Paulo: Atlas, 1999. BIANCHINI, J.; DARÚ, H. G.; BERGE, T. L. S. 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