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Departamento de Engenharia Elétrica Curso de Engenharia Elétrica Samuel da Silva Celestino LABORATÓRIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS Estudo da Variação da Resistência Ôhmica de um material semicondutor. Professor: Luiz Henrique Silva Duarte Belo Horizonte – Campus Coração Eucarístico 03 de dezembro de 2024 Sumário ASSUNTO: . 3 OBJETIVO: 3 CAMPO DE APLICAÇÃO:. 3 1. RESUMO TEÓRICO: 3 EQUIPAMENTOS UTILIZADOS: . 4 2. PROCEDIMENTOS 4 QUADROS 6 3. GRÁFICOS: 7 4. CONCLUSÃO 10 5. REFERÊNCIAS: 11 ASSUNTO: Estudo da Variação da Resistência Ôhmica de um material semicondutor. OBJETIVO: Verificação da correlação entre a condutividade e a variação da temperatura dos semicondutores. CAMPO DE APLICAÇÃO: O estudo da variação da resistência ôhmica em semicondutores com a temperatura é aplicado em sensores de temperatura (termistores), dispositivos eletrônicos de potência, proteção contra superaquecimento (PTC/NTC), otimização de sistemas fotovoltaicos, controle térmico em processadores e motores, além do desenvolvimento de materiais avançados para uso em condições extremas. 1. RESUMO TEÓRICO: Os materiais semicondutores possuem uma propriedade intrínseca que os diferencia de outros tipos de materiais, como metais e isolantes: a resistência elétrica dos semicondutores varia de maneira exponencial e negativa com o aumento da temperatura. Essa variação, descrita como coeficiente de temperatura negativo (NTC, do inglês Negative Temperature Coefficient), significa que a resistência diminui à medida que a temperatura aumenta. Embora essa característica possa ser problemática em determinadas aplicações, ela é altamente vantajosa em outras, como em sensores de temperatura, dispositivos de proteção térmica e sistemas de controle, onde se utilizam termistores baseados no efeito NTC. Uma das diferenças fundamentais entre semicondutores e metais está na forma como eles conduzem a corrente elétrica. Nos metais, que são materiais unipolares, a condução ocorre exclusivamente por meio de elétrons livres. Já os semicondutores são materiais bipolares, ou seja, sua condução é feita tanto por elétrons (cargas negativas) quanto por lacunas (ausência de elétrons, tratadas como cargas positivas). Essa dualidade nos semicondutores é resultado da estrutura de bandas do material e da geração de portadores de carga quando submetidos a energia térmica ou luminosas. Nos metais, o aumento da temperatura provoca um efeito adverso na condução elétrica. À medida que a temperatura sobe, os átomos da rede cristalina vibram com maior intensidade, causando uma redução no caminho livre médio dos elétrons. Isso diminui a mobilidade dos elétrons, reduzindo a condutividade elétrica. Em contrapartida, nos semicondutores, o aumento de temperatura atua de maneira diferente: ele fornece energia suficiente para excitar elétrons da banda de valência para a banda de condução, gerando novos pares elétrons-lacunas. Essa maior concentração de portadores de carga (tanto elétrons quanto lacunas) resulta em um aumento significativo da condutividade elétrica do material. O comportamento da condutividade em semicondutores pode ser descrito matematicamente pela seguinte equação. O gráfico padrão da resistência pela temperatura também pode ser observado em sequência. σ = (𝑛 * 𝑀 * 𝑛 + 𝑝 * 𝑀 * 𝑝 ) · 𝑞 Sendo: ● η = nº de elétrons; ● M = mobilidade; ● ρ = nº de lacunas; ● σ = condutividade Gráfico 01 – R x T – Semicondutores. Portanto, à medida que a temperatura aumenta, n e p crescem exponencialmente devido à maior geração de portadores de carga, sobrepujando eventuais reduções nas mobilidades μnμp. Isso torna os semicondutores especialmente úteis em aplicações onde é necessário um comportamento sensível à temperatura. Portanto, a peculiar relação entre resistência, temperatura e condutividade nos semicondutores é amplamente explorada em tecnologias como termistores, sensores térmicos de alta precisão, fusíveis de proteção auto reguláveis e sistemas de monitoramento em circuitos eletrônicos e processadores. Essa capacidade de converter variações térmicas em respostas elétricas confiáveis torna os semicondutores uma escolha fundamental em dispositivos que requerem sensibilidade e eficiência em ambientes com diferentes condições térmicas. EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO ENSAIO: O ensaio de resistência dos semicondutores foi realizado utilizando uma bancada equipada com instrumentos e dispositivos específicos, que permitiram a medição e o monitoramento das variáveis elétricas e térmicas dos componentes em análise. A seguir, detalham-se os equipamentos utilizados. ● Amperímetro CA: 0 a 6A - ● Cuba com água; ● Cabos de ligação – Tipo banana e jacaré. ● Fonte de alimentação ajustável (Variador de tensão (varivolt): 6,3 kVA - Entrada: 220 V / Saída: 0 a 240 V); ● Fonte de aquecimento (ebulidor); ● Multímetro Fluke – funcionando como Ôhmimetro; ● Termistor; ● Termômetro; ● Voltímetro CA: 0 a 75, 150 e 300 V 2. PROCEDIMENTO Para a realização do experimento, seguiu-se os seguintes passos de forma cuidadosa para garantir a precisão dos dados e a análise do comportamento resistência versus temperatura (RxT) em materiais semicondutores: Inicialmente, o termistor foi conectado a um ôhmimetro, o qual seria utilizado para medir a resistência elétrica do componente ao longo do experimento. O termistor, juntamente com um termômetro, foi então submerso em uma cuba contendo água, assegurando que ambos os dispositivos estivessem totalmente imersos e posicionados próximos para que as leituras de temperatura correspondessem à condição real do termistor. Para aquecer a água, utilizou-se um ebulidor conectado à saída de um varivolt. A tensão de saída do varivolt foi ajustada para um valor entre 50 e 60 V, garantindo um aquecimento gradual e controlado da água. Um voltímetro foi empregado para monitorar continuamente a tensão aplicada, assegurando a estabilidade do processo. A montagem realizada do circuito pode ser visualizada abaixo. Figura 01 – Montagem do circuito Figura 02 – Montagem do circuito Figura 03 – Montagem do circuito À medida que a água aquecia, foram realizadas medições simultâneas da resistência elétrica do termistor, lida diretamente no ôhmimetro, e da temperatura, registrada no termômetro. Esses valores foram organizados em uma tabela, com medições realizadas em intervalos regulares para assegurar uma boa distribuição dos pontos de análise. Com os dados coletados, foi traçado um gráfico em papel milimetrado, relacionando os valores de resistência elétrica e temperatura (𝑅x𝑇). No gráfico, a resistência foi representada no eixo vertical (ordenadas), enquanto a temperatura foi colocada no eixo horizontal (abscissas). QUADROS Abaixo pode ser observado a tabela contendo os valores medidos de resistência nos semicondutores 1 e 2 ao aumentar a temperatura. T (ºC) R1 (kΩ) R2 (kΩ) 24.5 410 11.02 26 337 10.3 28 311 9.26 30 284 8.35 32 257 7.56 34 228 6.78 36 204 6.2 38 189 5.6 40 175 4.945 42 153 4.458 44 145 4.037 46 132 3.666 48 123 3.35 50 109 3.015 54 91 2.498 58 80 2.104 62 65 1.735 66 49 1.46 67.2 48 1.388 Tabela 4.1 – VALORES MEDIDOS 3. GRÁFICOS Com os resultados obtidos pelas medições conforme tabela acima, traçou-se o gráfico R×T em papel milimetrado, a fim de comprovar o comportamento da resistência dos semicondutores quando varia-se a sua temperatura. Os gráficos podem ser observados em sequência (página 10). A partir dos gráficos apresentados abaixo, foi possível confirmar o comportamento típico dos semicondutores: à medida que a temperatura aumenta, a resistência elétrica diminui de forma significativa, seguindo uma curva que se assemelha a um decaimento rápido. Esse comportamento é conhecido como coeficiente de temperatura negativo (NTC), o que significa que o material conduz melhor a eletricidade conforme a temperatura sobe. Isso acontece porque, em temperaturas mais altas, o material semicondutor gera mais partículas carregadas (elétrons e lacunas) que transportam corrente elétrica. Esses portadoresextras tornam o semicondutor mais eficiente na condução de eletricidade, mesmo que a movimentação dessas partículas sofra alguma interferência devido ao calor. Os dados experimentais e os gráficos obtidos mostraram exatamente esse padrão esperado, comprovando que o semicondutor estudado responde de maneira previsível às mudanças de temperatura. Esse comportamento tem grande importância prática e é amplamente utilizado em dispositivos como sensores de temperatura e sistemas de proteção contra superaquecimento, que dependem dessa relação entre resistência e temperatura para funcionar de forma precisa e confiável. 410 385 945 495 J65 JOg 45 O2 24 8 6 2 Jo J4 38 22 2 3o 84 38 42 46 50 54 58 4. CONCLUSÃO Os resultados obtidos no gráfico R×T confirmaram a teoria e demonstraram a aplicabilidade prática dos semicondutores em tecnologias como termistores NTC, amplamente utilizados em sensores de temperatura, dispositivos de proteção térmica e sistemas de controle. O experimento validou não apenas os conceitos teóricos, mas também reforçou a relevância dos semicondutores em aplicações tecnológicas. O experimento comprovou a relação inversa entre a resistência elétrica e a temperatura em materiais semicondutores. Os dados obtidos e o gráfico traçado mostraram que, à medida que a temperatura aumenta, a resistência do termistor diminui exponencialmente, caracterizando o comportamento típico de um material com coeficiente de temperatura negativo (NTC). Esse resultado é explicado pelo aumento na geração de pares elétrons-lacunas em temperaturas mais altas, que eleva a densidade de portadores de carga e, consequentemente, a condutividade elétrica do semicondutor. Diferentemente dos metais, cuja condutividade diminui com o aumento da temperatura, os semicondutores exibem uma resposta positiva ao incremento térmico devido à sua natureza bipolar e dependente da concentração de portadores. O experimento também reforça a importância prática dos semicondutores em aplicações tecnológicas, como sensores térmicos, termistores NTC, e dispositivos de controle e proteção contra variações de temperatura. Dessa forma, os resultados obtidos não apenas validam os princípios teóricos, mas também demonstram o potencial desses materiais em diversas áreas da ciência e da engenharia. 5. REFERÊNCIAS: MALVINO, Albert Paul; BATES, David J. Eletrônica: Circuitos e Dispositivos. 8ª ed. Porto Alegre: AMGH Editora, 2016. LUCAS, Jean. Resistores Dependentes da Temperatura: Propriedades e Aplicações. Revista de Física Aplicada, v. 34, n. 1, 2018. CALLISTER, William D. Jr. Ciência e Engenharia de Materiais: Uma Introdução. 10ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2021