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DI! -
Alan Kardec & Júlio Nascif
1
ALAN KARDEC PINTO é Engenheiro Me
cânico com curso de especialização em
Engenharia de Equipamentos, curso de
Gestão Estratégico pelo ISO Swed ish
Monogement Group, na Suécia, e curso
de Gestão Estratégica e Planejamento
Empresa rial pelo FGY.
Possui experiência profissional nas áreas
de Engenharia , Produção, Manutenção,
Terceirizaçâo, Suprimento e Segurança In
dustria l, tendo trabalhado nas Refinarias
de Duque de Caxias-RJ, São José dos
Campos-SP, Betim-MG e Paulínia-SP. Im
plantou e coordenou o Gerenciamento
pela Qualidade Total na área de Manu
tenção da Petrobras-Regap (Refinaria
Gabriel Passos) .
Atualmente é Gerente Geral de Equipa
mentos e Serviços da área do Refino, na
Sede da Petrobras.
Acompanhou o projeto de duplicação da
Regap nos Estados Unidos e Japão por 7
meses e fez visitas técnicas a Refinarias
do Japão, Itália, França e Espanha, e à
fábrica da Volvo na Suécia , com ênfase
em Gestão, Qualidade e Terceirização.
É Presidente da Abraman - Associação
Brasi leira de Manutenção - Nacional ,
biênio 2001 /2003, professor do curso de
Pós-Graduação de Engenharia de Manu
tenção da PUC-MG, e de diversos cursos
de Qualidade, Gestão de Manutenção,
Estratégia Empresarial e Terceirização.
• .
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Ala11 Kardec & Júlio Nascif
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1
QUALITYMARK
Copyrightº 2001 by Alan Kardec Pinto e Júlio Aquino Nascif Xavier
Todos os direitos desta edição reservados à Qualitymark Editora Ltda.
É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou parte do mesmo,
sob qualquer meio, sem autorização expressa da Editora.
Direção Editorial
SAIOUL RAHMAN MAHOMED
editor@qualitymark.com.br
Capa
WILSON COTRIM
1 ª Edição: 1998
~ Edição: 2001
Produção Editorial
EQUIPE QUALITYMARK
Editoração Eletrônica
ABREU'S SYSTEM
1 ª Reimpressão: 1999
CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ
P726m
Pinto, Alan Kardec
Manutenção: função estratégica I Alan Kardec Pinto e Júlio Aquino Nascif Xavier
- Rio de Janeiro: Qualitymark Ed., 2001.
Inclui bibliografia
ISBN 85-7303-323-1
1. Planejamento da manutenção. 2. Manutenção produtiva total. 3. Indústria
petrolifera - Equipamento e acessório - Manutenção e reparos. 1. Xavier, Júlio Aquino
Nascif. li. Título.
01-1448 COD-620.004.6
CDU - 62-7
,.
2001
IMPRESSO NO BRASIL
Qualitymark Editora Ltda.
Rua Teixeira Júnior, 441
São Cristóvão
20921-400- Rio de Janeiro - RJ
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DEDICATÓRIA
Dedicamos aos nossos familiares:
De Alan Kardec: à minha esposa Sandra e aos meus filhos Ale
xandre (in memoriam), Ana Paula e Leonardo.
De Júlio Nascif: à minha esposa Vânia e aos meus filhos André
e Ricardo.
Registramos nossos agradecimentos à Petróleo Brasileiro S/ A -
Petrobras, que tornou possível esta publicação, autorizando o ma
terial aqui contido, dando suporte ao seu desenvolvimento e apoio
à publicação.
AGRADECIMENTO
Agradecemos aos colegas, abaixo listados, pelas sugestões, críticas, revisões
e cessão de material nas diversas etapas de elaboração deste trabalho:
Albano de Souza Gonçalves
Alexandre Casalechi Corrêa
Carlos Vendas Rodrigues
Cid Pereira Terra
Edson Kleiber de Castilho
Eduardo Mota Jardim
Elias Menezes Oliveira
Fábio Santos Outra
Giampaolo Foschini Oi Donato
Gilberto Antônio Adamatti
Hegel José Bernardes
Helder Werneck
Heyder de M. Carvalho Filho
João Bosco Duarte Gonçalves
José Antônio Moraleida Gripp
José Eduardo De Caux
José Eduardo Gorini Lobato Campos
Luiz Alberto Verri
Luiz Carlos Ferreira Dorigo
Marcilio Guerra Moreira
Sergio Luiz de Almeida
Ulysses S. Fontes
A João Batista Melado e a André Faria N. Xavier pela execução de ilustra
ções e desenhos.
PREFÁCIO
Nos vinte anos de experiência em manutenção, aliados ao constante conví
vio com profissionais e entidades do país, pude constatar a inexistência de pu
blicações de autores brasileiros nesta área. O livro "Manutenção - Função
Estratégica" vem preencher essa lacuna, apresentando conceitos inovadores
com uma visão moderna da atividade sempre vinculada ao sucesso do negócio
e não como um fim em si mesma. Traz o equilíbrio adequado entre o trata
mento de temas de gestão e os de caráter técnico e conjugação de visões concei
tuais importantes com a experiência vivenciada pelos dois autores, ao longo de
suas carreiras profissionais. Além disso adota um estilo de redação atraente,
apesar de tratar-se de assunto especializado, prendendo a atenção do leitor.
Entusiastas dos princípios da Gestão pela Qualidade Total, os engenheiros
Alan Kardec Pinto e Júlio de Aquino NascifXavier são daqueles que consegui
ram vencer a distância entre os conceitos teóricos e sua adequada aplicação no
dia-a-dia da vida empresarial. Durante suas carreiras como gerentes de manu
tenção, posicionaram-se como líderes de mudanças privilegiando, sempre, a
visão de conjunto em detrimento das partes.
E, agora, com a publicação deste livro, deixam um registro importante
para a comunidade de manutenção industrial do país.
Albano de Souza Gonçalves
Diretor de Abastecimento
Petróleo Brasileiro S/ A - Petrobras
APRESENTAÇÂO DA 21 EDIÇÂO
É com muita satisfação, devido à acolhida que tiveram as duas primeiras
edições do livro "Manutenção - Função Estratégica,,, que estamos lançando
esta nova edição, revista e ampliada, com force enfoque empresarial.
Este enfoque tem sido, na nossa visão, um fator crítico de sucesso para a
função manutenção, para a competitividade das organizações e, também, para
a empregabilidade das pessoas que acuam nesta atividade.
É preciso ter a visão do todo e não só da atividade de manutenção, dos re
sultados da organização, aí incluídos os diversos indicadores empresariais, cais
como "market-share", faturamento, lucro, custo, segurança operacional e das
pessoas e preservação ambiental, entre outros. Embora todos concordem com
esta premissa, temos observado nos diversos contatos que temos rido com a co
munidade de manutenção, através de conferências, palestras e cursos, que a
grande maioria das pessoas não conhece estes dados da sua própria empresa e
muito menos dos seus concorrentes!
Além desta visão do todo, é fundamental entender e praticar o trabalho em
equipe como sendo um dos mais importantes caminhos estratégicos, colocar
foco no cliente interno e no externo, estabelecer metas, indicadores e planos de
ação para os principais resultados da manutenção, sendo os mais significativos
aqueles ligados à disponibilidade, à confiabilidade, à segurança, ao meio ambi
ente, à motivação da equipe e ao custo.
É esta realidade que precisa ser implementada com rapidez, do contrário
está-se navegando sem nenhuma direção, com a visão voltada para baixo e, cer
tamente, sendo um componente de segundo nível na equipe da sua organiza
ção, que está buscando a sua maior competitividade e, por conseqüência, a sua
sobrevivência.
Ficam as perguntas para Você, leitor:
• Você conhece estes indicadores da sua organização e dos seus concor
rentes?
XII MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
• Você conhece os impactos da atividade de manutenção nos resultados
empresariais da organização?
• Se você conhece estes resultados, tem sido um eficaz agente de comuni
cação para a sua equipe?
Se você respondeu a alguma destas perguntas de maneira negativa, sugeri
mos preencher rapidamente esta lacuna; esta atitude vai fazer uma grande dife
rença nos seus resultados.
Mais do que nunca, a comunidade de manutenção precisa ter uma visão e
uma postura empresariais. Não vale pensar queuma falha ou um desempenho menor que o esperado. Não há tempo para pre
paração do serviço. Infelizmente ainda é mais praticado do que deveria.
Normalmente a manutenção corretiva não planejada implica altos custos,
pois a quebra inesperada pode acarretar perdas de produção, perda da qualida
de do produto e elevados custos indiretos de manutenção.
Além disso, quebras aleatórias podem ter conseqüências bastante graves
para o equipamento, isto é, a extensão dos danos pode ser bem maior. Em
plantas industriais de processo contínuo (petróleo, petroquímica, cimento,
etc.) estão envolvidas no seu processamento elevadas pressões, temperaturas,
vazões, ou seja, a quantidade de energia desenvolvida no processo é considerá
vel. Interromper processamentos desta natureza de forma abrupta para reparar
um determinado equipamento compromete a qualidade de outros que vinham
operando adequadamente, levando-os a colapsos após a partida ou a uma re
dução da campanha da planta. Exemplo típico é o surgimento de vibração em
grandes máquinas que apresentavam funcionamento suave antes da ocorrên
cia.
Figura 3.1 - "Consertador de Emergência" - Espécie em Extinção.
38 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRAT~GICA
Quando uma empresa tem a maior parte de sua manutenção corretiva na
classe não planejada, seu departamento de manutenção é comandado pelos
equipamentos e o desempenho empresarial da Organização, certamente, não
está adequado às necessidades de competitividade atuais.
A análise conjunta, levando em conta os outros fatores, definirá a melhor
política.
O Gráfico 3.1 mostra a representação da manutenção corretiva não plane
jada de um determinado equipamento ou sistema, onde se observa que o tem
po até a falha é aleatório e tO - tl é diferente de t2 - t3.
O Gráfico 3.1 e os que serão apresentados a seguir representam equipa
mentos que apresentam uma queda de desempenho com o tempo. O aspecto
das curvas é apenas didático, não devendo ser considerado que o equipamento
apresenta queda de desempenho logo após ter entrado em operação. O pata
mar de estabilidade pode ser bastante grande, seguido de uma queda gradual
ou abrupta no desempenho. É importante observar, ainda, que existem equi-
to tl t2
___ p~r.fo~~nce esperada
t3
tO - t l - tempo de funcionamento 1
tl - t2-tempo de manutenção
t2 - t3 - tempo de funcionamento 2
tempo
Gráfico 3. 1 - Manutenção Corretiva Não-Planejada.
pamentos que não têm esse padrão de comportamento, apresentando um de
sempenho constante ao longo do tempo, seguido de falha instantânea. Um
exemplo clássico desse tipo de equipamento são as lâmpadas.
Manutenção Corretiva Planejada é a correção do desempenho menor que o
esperado ou da falha, por DECISÃO GERENCIAL, isto é, pela atuação em
função de acompanhamento preditivo ou pela decisão de operar até a quebra.
TIPOS DE MANUTENÇÃO 39
Um trabalho planejado é sempre mais barato, mais rápido e mais seguro do
que um trabalho não planejado. É será sempre de melhor qualidade.
A característica principal da manutenção corretiva planejada é função da
qualidade da informação fornecida pelo acompanhamento do equipamento.
Mesmo que a decisão gerencial seja de deixar o equipamento funcionar até
a quebra, essa é uma decisão conhecida e algum planejamento pode ser feito
quando a falha ocorrer. Por exemplo, substituir o equipamento por outro
idêntico, ter um "kit" para reparo rápido, preparar o posto de trabalho com
dispositivos e facilidades etc.
A adoção de uma política de manutenção corretiva planejada pode advir de
vários fatores:
• Possibilidade de compatibilizar a necessidade da intervenção com os in
teresses da produção.
• Aspectos relacionados com a segurança - a falha não provoca nenhuma
situação de risco para o pessoal ou para a instalação.
• Melhor planejamento dos serviços.
• Garantia da existência de sobressalentes, equipamentos e ferramental.
• Existência de recursos humanos com a tecnologia necessária para a exe
cução dos serviços e em quantidade suficiente, que podem, inclusive, ser
buscados externamente à organização.
Para exemplificar: quanto maiores forem as implicações da falha na segu
rança pessoal e operacional, nos custos intrínsecos dela, nos compromissos de
entrega da produção, maiores serão as condições de adoção da política de ma
nutenção corretiva planejada.
3.3. MANUTENÇÃO PREVENTIVA
Manutenção Preventiva é a atuação realizada de fonna a reduzir ou evitar a
falha ou queda no desempenho, obedecendo a um plano previamente
elaborado, baseado em INTERVALOS definidos DE TEMPO.
Inversamente à política de Manutenção Corretiva, a Manutenção Preven
tiva procura obstinadamente evitar a ocorrência de falhas, ou seja, procura pre
venir. Em determinados setores, como na aviação, a adoção de manutenção
preventiva é imperativa para determinados sistemas ou componentes, pois o
fator segurança se sobrepõe aos demais.
40 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
Como nem sempre os fabricantes fornecem dados precisos para a adoção
nos planos de manutenção preventiva, além das condições operacionais e am
bientais influírem de modo significativo na expectativa de degradação dos
equipamentos, a definição de periodicidade e substituição deve ser estipulada
para cada instalação ou no máximo plantas similares operando em condições
também similares.
Isso leva à existência de duas situações distintas na fase inicial de operação:
a) Ocorrência de falhas antes de completar o período estimado, pelo man
tenedor, para a intervenção.
b) Abertura do equipamento/reposição de componentes prematuramente.
Evidentemente, ao longo da vida útil do equipamento não pode ser descar
tada a falha entre duas intervenções preventivas, o que, obviamente, implicará
uma ação corretiva.
o
...e::
e
cu
o..
E
cu
~
""tj
tO
performance
-- ~ --------- esperada
--------- nível admissível
procurado
plt p2 1 p3-manutenções
· preventivas
t1 t2 t3 t4 tS Lt7... tempo t t manutenção corretiva não planejada
.__ --~---- manutenções preventivas
Gráfico 3.2 - Manutenção Preventiva.
Os seguintes fatores devem ser levados em consideração para adoção de
uma política de manutenção preventiva:
• Quando não é possível a manutenção preditiva.
• Aspectos relacionados com a segurança pessoal ou da instalação que tor
nam mandatária a intervenção, normalmente para substituição de com
ponentes.
TIPOS DE MANUTENÇÃO 41
• Por oportunidade em equipamentos críticos de difícil liberação operacional.
• Riscos de agressão ao meio ambiente.
• Em sistemas complexos e/ou de operação contínua. Ex.: petroquímica,
siderúrgica, indústria automobilística, etc.
A manutenção preventiva será tanto mais conveniente quanto maior for a
simplicidade na reposição; quanto mais altos forem os custos de falhas; quanto
mais as falhas prejudicarem a produção e quanto maiores forem as implicações
das falhas na segurança pessoal e operacional.
Se, por um lado, a manutenção preventiva proporciona um conhecimento
prévio das ações, permitindo uma boa condição de gerenciamento das ativida
des e nivelamento de recursos, além de previsibilidade de consumo de materiais
e sobressalentes, por outro promove, via de regra, a retirada do equipamento
ou sistema de operação para execução dos serviços programados. Assim, possí
veis questionamentos à política de manutenção preventiva sempre serão levan
tados em equipamentos, sistemas ou plantas onde o conjunto de fatores não
seja suficientemente forte ou claro em prol dessa política.
Outro ponto negativo com relação à manutenção preventiva é a introdu-
ção de defeitos não existentes no equipamento devido a:
• Falha humana.
• Falha de sobressalentes.
• Contaminações introduzidas no sistema de óleo.
• Danos durante partidas e paradas.
• Falhas dos Procedimentos de Manutenção.
3.4. MANUTENÇÃO PREDITIVA
A Manutenção Preditiva, também conhecida por Manutenção Sob Con
dição ou Manutenção com Base no Estado do Equipamento, pode ser definidada seguinte forma:
Mantt.tenção Preditiva é a atuação realizada com base em modificação de
partimetro de CONDIÇÂO º"DESEMPENHO, cujo acompanhamento obedece a
uma sistemática.
A Manutenção Preditiva é a primeira grande quebra de paradigma na Ma
nutenção e tanto mais se intensifica quanto mais o conhecimento tecnológico
42 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
desenvolve equipamentos que permitam avaliação confiável das instalações e
sistemas operacionais em funcionamento.
Seu objetivo é prevenir falhas nos equipamentos ou sistemas através de
acompanhamento de parâmetros diversos, permitindo a operação contínua
do equipamento pelo maior tempo possível Na realidade o termo associado à
Manutenção Preditiva é o de predizer as condições dos equipamentos. Ou
seja, a Manutenção Preditiva privilegia a disponibilidade à medida que não
promove a intervenção nos equipamentos ou sistemas, pois as medições e veri
ficações são efetuadas com o equipamento produzindo.
Quando o grau de degradação se aproxima ou atinge o limite previamente
estabelecido, é tomada a decisão de intervenção. Normalmente esse tipo de
acompanhamento permite a preparação prévia do serviço, além de outras deci
sões e alternativas relacionadas com a produção. De forma mais direta, pode
mos dizer que a Manutenção Preditiva prediz as condições dos equipamentos,
e quando a intervenção é decidida o que se faz, na realidade, é uma manuten
ção corretiva planejada.
tes:
As condições básicas para se adotar a Manutenção Preditiva são as seguin-
• O equipamento, sistema ou instalação devem permitir algum tipo de
monitoramento/ medição.
• O equipamento, sistema ou instalação devem merecer esse tipo de ação,
em função dos custos envolvidos.
• As falhas devem ser oriundas de causas que possam ser monitoradas e ter
sua progressão acompanhada.
• Seja estabelecido um programa de acompanhamento, análise e diagn6s
tico, sistematizado.
Os fatores indicados para análise da adoção de política de Manutenção
Preditiva são os seguintes:
• Aspectos relacionados com a segurança pessoal e operacional.
• Redução de custos pelo acompanhamento constante das condições dos
equipamentos, evitando intervenções desnecessárias.
• Manter os equipamentos operando, de modo seguro, por mais tempo.
A redução de acidentes por falhas "catastr6ficas" em equipamentos é signi
ficativa. Também a ocorrência de falhas não esperadas fica extremamente re
duzida, o que proporciona, além do aumento de segurança pessoal e da instala-
TIPOS DE MANUTENÇÃO 43
ção, redução de paradas inesperadas da produção que, dependendo do tipo de
planta, implicam consideráveis prejuízos.
Os custos envolvidos na Manutenção Preditiva devem ser analisados por
dois ângulos:
• O acompanhamento periódico através de instrumentos/aparelhos de
medição e análise não é muito elevado e quanto maior o progresso na
área de microeletrônica, maior a redução dos preços. A mão-de-obra en
volvida não apresenta custo significativo, haja vista a possibilidade de
acompanhamento, também, pelos operadores.
• A instalação de sistemas de monitoramento contínuo "online" apresen
ta um custo inicial relativamente elevado. Em relação aos custos envol
vidos, estima-se que o nível inicial de investimento é de 1 o/o do capital
total do equipamento a ser monitorado e que um programa de acom
panhamento de equipamentos bem gerenciado apresenta uma relação
custo/benefício de 1/5.
No tocante à produção, a Manutenção Preditiva é a que oferece melhores
resultados, pois intervém o mínimo possível na planta, conforme mencionado
anteriormente.
É fundamental que a mão-de-obra da manutenção responsável pela análise
e diagnóstico seja bem treinada. Não basta medir; é preciso analisar os resulta-
tO
tempo de planejamento da intervenção
performance esperada
__ nível de alarme
___ J]-ível admissível procurado
O - acompanhamento
preditivo
ti L t3 tempo
manutenção corretiva planejada
Grdfico 3.3 - Manutenção Preditiva.
44 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
dos e formular diagnósticos. Embora isco possa parecer óbvio é comum encon
trar-se, em algumas empresas, sistemas de coleta e registro de informações de
acompanhamento de Manutencão Preditiva que não produzem ação de inter
venção com a qualidade equivalente aos dados registrados.
O Gráfico 3.3 mostra a Manutenção Preditiva.
3.5. MANUTENÇÃO DETECTNA
A Manutenção Detectiva começou a ser mencionada na literatura a partir
da década de 90. Sua denominação Detectiva está ligada à palavra Detectar -
em inglês Detective Maintenance. Pode ser definida da seguinte forma:
Manutenção Detectiva é a atuação efetuada em sistemas de proteção buscando
detectar FALHAS OCULTAS ou não perceptíveis ao pessoal de operação e
manutenção.
Desse modo, tarefas executadas para verificar se um sistema de proteção
ainda está funcionando representam a Manutenção Detectiva. Um exemplo
simples e objetivo é o botão de teste de lâmpadas de sinalização e alarme em
painéis.
A identificação de falhas ocultas é primordial para garantir a confiabilida
de. Em sistemas complexos essas ações só devem ser levadas a efeito por pessoal
da área de manutenção, com treinamento e habilitação para tal, assessorado
pelo pessoal de operação.
É cada vez maior a utilização de computadores digitais em instrumentação
e controle de processo nos mais diversos tipos de plantas industriais.
"São sistemas de aquisição de dados, controladores lógicos programáveis,
Sistemas Digitais de Controle Distribuído - SDCD, multi-loops com compu
tador supervisório e outra infinidade de arquiteturas de controle somente
possíveis com o advento de computadores de processo. Sistemas de shut
down ou sistemas de trip garantem a segurança de um processo quando esse
sai de sua faixa de operação segura. Esses sistemas de segurança são indepen
dentes dos sistemas de controle utilizados para otimização da produção.
Equipamentos eletrônicos programáveis estão sendo utilizados para essas
l. - ,,16 ap 1caçoes.
Enquanto a escolha deste ou daquele sistema ou de determinados tipos de
componentes é discutida pelos especialistas com um enfoque centrado basica-
TIPOS DE MANUTENÇÃO 45
mente na confiabilidade, é importante que estejam bastante claras as seguintes
particularidades:
• Os sistemas de trip ou shut-down são a última barreira entre a integrida
de e a falha. Graças a eles as máquinas, equipamentos, instalações e até
mesmo plantas inteiras estão protegidos contra falhas e suas conseqüên
cias menores, maiores ou catastróficas.
• Esses sistemas são projetados para atuar automaticamente na iminência
de desvios que possam comprometer as máquinas, a produção, a segu
rança no seu aspecto global ou o meio ambiente.
• Os componentes dos sistemas de trip ou shut-down, como qualquer
componente, também apresentam falhas.
• As falhas desses componentes e, em última análise, do sistema de prote
ção, podem acarretar dois problemas:
./ Não-atuação .
./Atuação indevida.
A não-atuação de um sistema de trip ou shut-down é algo que jamais passa
despercebido. É evidente que existem situações onde é possível contornar
ou fazer um acompanhamento, mas em outras isso é definitivamente im
possível.
O trip por alta vibração em máquinas rotativas pode deixar de atuar, desde
que haja um acompanhamento paralelo e contínuo do equipamento pela
equipe de manutenção. Na maior parte dos casos ocorre uma progressão
no nível de vibração que permite um acompanhamento. Entretanto, o au
mento na temperatura de mancai pode ser muito rápido, ou seja, se o siste
ma não atuar comandando a parada da máquina, as conseqüências podem
ser desastrosas.
A atuação indevida de um sistema de trip ocasiona, obviamente, a parada do
equipamento e, conseqüentemente, a cessação da produção, na maioria dos
casos. O que se segue, imediatamente à ocorrência (indevida) do tripé um es
tado de ansiedade generalizada para entender a ocorrência. Isso normalmente
leva algum tempo,pois vários checks devem ser feitos. O ideal seria não colocar
uma máquina, um sistema ou uma unidade para operar sem que as razões que
levaram à ocorrência do trip sejam descobertas e/ ou confirmadas.
Em resumo, se a confiabilidade do sistema não é alta, teremos um proble
ma de disponibilidade a ele associado, traduzido por excessivo número de
paradas, não-cumprimento da campanha programada e outros.
46 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
• Finalmente, no caso de plantas de processo contínuo, como indústrias
químicas, petroquímicas, fábricas de cimento e outras, a intervenção na
planta ou unidade específica é feita em períodos previamente programa
dos, que são as Paradas de Manutenção. "A grande parte dos elementos
que compõem uma malha de intertravamento tem alto índice de confia
bilidade, mas essa característica sofre distorção com o tempo, devido ao
desgaste natural, vibrações etc., provocando um aumento de probabili
dade de falha ao longo do tempo. Como a verificação de funcionamento
é realizada somente na Parada de Manutenção podemos garantir que a
probabilidade de falha é alta no final da campanha e baixa no início da
campanha.""
Fica evidente que a mudança do status quo é ter o domínio da situação.
Essa modificação é obtida com a Manutenção Detectiva. Na Manutenção De
tectiva, especialistas fazem verificações no sistema, sem tirá-lo de operação, são
capazes de detectar falhas ocultas, e preferencialmente podem corrigir a situa
ção, mantendo o sistema operando.
3.6. ENGENHARIA DE MANUTENÇÃO
É a segunda quebra de paradigma na Manutenção. Praticar a Engenharia
de Manutenção significa uma mudança cultural.
É deixar de ficar consertando continuadamente, para procurar as causas
básicas, modificar situações permanentes de mau desempenho, deixar de con
viver com problemas crônicos, melhorar padrões e sistemáticas, desenvolver a
manutenibilidade, dar feedback ao Projeto, interferir tecnicamente nas com
pras.
Engenharia de Manutenção significa perseguir benchmarks, aplicar
técnicas modernas, estar nivelado com a manutenção do Primeiro Mun
do.
Alguém que esteja praticando Manutenção Corretiva não planejada terá
um longo caminho a percorrer para chegar a praticar Engenharia de Manuten
ção. E o maior obstáculo a ser vencido estará na" cultura" que está sedimentada
nas pessoas.
O Gráfico 3.4, mostra uma evolução, uma melhoria nos resultados à medi
da que melhores técnicas vão sendo introduzidas. Convém notar que entre a
Corretiva e a Preventiva ocorre uma melhora contínua, mas discreta. Em ou
tras palavras, a inclinação da reta não varia.
TIPOS DE MANUTENÇÃO
1 - Corretiva não planejada
2 - Preventiva
3 - Preditiva e detectiva
,4 ":'. Engepharia ·de Il1anutenção , , , '' .. · .. ,.. . ... ,. . .. , ... ,,_. ' * ,'
2 3 4
* quebra de paradigma tipos de manutenção
Grdfico 3. 4 - Resultados X Tipos de Manutenção.
47
Entretanto, quando se muda de Preventiva para Preditiva, ocorre um salto
positivo nos resultados, em função da 1 ª quebra de paradigma. Salto mais sig
nificativo ocorre quando se adota a Engenharia de Manutenção. O exemplo a
seguir ajudará a clarear essa afirmativa:
Suponha que uma determinada planta adota Manutenção Preventiva para
um conjunto de redutores de uma torre de refrigeração. Sabemos que a estima
tiva mais acertada de tempo para as intervenções é extremamente difícil, por
que nesse tipo de equipamento a vida dos diversos componentes é diferente,
apesar do pequeno número de componentes. Os rolamentos têm uma vida di
ferente dos retentares que, por sua vez, têm vida diferente das engrenagens. A
experiência indica que mais intervenções que o necessário serão feiras e/ou um
número elevado de troca de peças com "meia vida,, ainda em bom estado será
processado. Há que se compatibilizar aqui as vantagens X desvantagens entre
custo desnecessário de utilização de alguns sobressalentes contra sucessivas in
tervenções nos equipamentos.
Quando a manutenção dessa planta passa a adotar a Preditiva para o acom
panhamento do conjunto de redutores, estará auferindo ganhos sensíveis, com
melhores resultados globais. O número de intervenções cairá drasticamente, o
consumo de sobressalentes também e o número de homens-hora alocado a es
ses equipamentos, conseqüentemente, também será reduzido. A Preditiva per
mite alcançar a máxima disponibilidade para a qual os equipamentos foram
projetados, proporcionando aumento de produção e de faturamento. Outro
48 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
aspecto interessante e inovador é que o Sistema de Acompanhamento Prediti
vo fornecerá todos os dados pertinentes ao acompanhamento, incluindo dados
instantâneos, curvas de tendência, e tantos outros dados quantos sejam de in
teresse das pessoas que formam a Manutenção dessa planta. Esse sistema forne
cerá, também, valores de alarme que guiarão as recomendações para interven
ção em qualquer dos redutores, num tempo anterior à ocorrência da falha.
No momento em que a estrutura de Manutenção dessa planta estiver utili
zando para análises estudos e proposição de melhorias, todos os dados que o
Sistema de Preditiva colhe e armazena, estará praticando Engenharia de Ma
nutenção. A Engenharia de Manutenção utiliza dados adquiridos pela Manu
tenção, para melhorar sempre.
Se a Manutenção estiver vivendo o estágio de intervir corretivamente nas
plantas, comandada pela quebra aleatória dos equipamentos, cercamente não
estará fazendo Manutenção Preditiva. E, infelizmente, com muito mais razão
não terá ninguém para pensar em Engenharia de Manutenção.
3.7. COMPARAÇÃO DE CUSTOS
A tabela da página seguinte mostra qual é o custo para os tipos de manu
tenção, considerando os tipos mais usuais: Corretiva Não Planejada, Preventi
va e Preditiva/Corretiva Planejada. Os custos apresentados na tabela, reforçam
o que indica o Gráfico 3.4, ou seja, os resultados são dependentes do tipo de
manutenção aplicado.
1 MANUTENÇÃO 1
1
1 1 1 1 1
CORRETIVA ENGENHARIA
NÃO
CORRETIVA
PREVENTIVA PREOITIVA OETECTIVA OE
PLANEJADA
PLANEJADA MANUTENÇÃO
1 1
Figura 3.2 - Tipos de Manutenção.
TIPOS DE MANUTENÇÃO 49
Tipo de Manutenção Custo US$/HP/ano
Corretiva não planejada 17 a 18
Preventiva 11a13
Preditiva e monitoramento de
7a9 condição/ corretiva planejada
Obs.: HP {Horse Power) é a potência instalada.
Observa-se que o custo da corretiva não planejada é, no mínimo, o dobro
da manutenção preditiva/corretiva planejada.
Observar que o custo está expresso em US$ por HP/ano, quando estiver
calculando qual seria o custo para sua planta.
3.8. PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO - EVOLUÇÃO E
TENDÊNCIAS
A utilização dos tipos de manutenção vem evoluindo, aproximadamente,
da seguinte maneira:
A manutenção corretiva apresenta uma tendência de queda ao longo do sé
culo, notadamente pela redução da prática da manutenção corretiva não pla
nejada. A partir dos anos 60, verifica-se uma tendência de aumento no nível de
corretiva planejada, causada principalmente pelo incremento da manutenção
sob condição - preditiva. As intervenções originadas pelas indicações da ma
nutenção preditiva são, como mostrado anteriormente, manutenções correti
vas planejadas.
A manutenção preditiva que começou incipiente a partir da década de 40
ganha força a partir dos anos 60 e é, sem dúvida, a que apresenta maior de
senvolvimento motivado pelo progresso na área da eletrônica. Esse tipo de
manutenção continuará a se desenvolver e deverá ser a prática cada vez mais
adotada.
A manutenção detectiva apareceu no início da década de 70, ainda muito
incipiente, mas apresenta uma tendência de utilização crescente com o tempo.
Sua importância cresce a cada dia, em virtude da maior automação das plantas
e utilização de microprocessadores.
A distribuição da aplicação dos tipos de manutenção no Brasil pode ser vis
ta no Gráfico 3.5, obtido a partir dos dados fornecidos no Documento Naci
onal-A Situação da Manuten~o no Brasil, produzido pela Abraman-Associa-
- B ·1 . d M - 17
çao ras1 eira e anutençao.
50 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
% APLICAÇÃO DE RECURSOS DE MANUTENÇÃO - BRASIL
60%
40%
20%
0%
1990 1991 1993 1995
ANO
1997
Gráfico 3.5.
1999 2001
l'J eng.de manutenção
O pred1tiva
O preventiva
• corretiva
Pelo gráfico, que abrange o período de l 990a2001, inclusive, observamos
que:
• A Manutenção Corretiva, que representava 39% dos recursos aplicados
cm l 990, ficou estável num valor p róx imo a 32% entre 199 1 e 1995,
caindo para 25% em 1997 e sofrendo um ligeiro acréscimo para aproxi
madamente 28% em 1999 e 2001.
• A Manurenção Preventiva sofreu uma elevação de 1990 para 1991, atin
gindo um máximo de 42% dos recursos aplicados, ca indo para 38, 35 e
28%, respectivamente, nos anos subseqüentes. No entanto, sofre uma
nova elevação em 1999, retornando para 35% dos recursos aplicados e
assim permanecendo em 2001. Esse aumento na manutenção p reventi
va coincide com uma retração na aplicação de recursos em engenharia
de manutenção, que caíram de 27 para 19%, em um discreto aumento
na manutenção corretiva.
• A Manutenção Preditiva, que em 1990 representava 10% dos recursos
aplicados, passa a 14% em 1991 e praticamente se estabiliza num valor
próximo a 18% nos anos wbseqüentes, que é um valor bastante baixo
para enquadrar a manutenção praticada no país dentro das melhores
práticas mundiais .
• Já a parte relacionada com Engenharia de Manutenção, a locados os re
cu rsos de manutenção, que representavam 15% em 1990, sofre um de
créscimo para 11 o/o em 1991, volta a crescer para 13% em 1993, conri-
TIPOS DE MANUTENÇÃO 51
nua nesse patamar em 1995 e atinge 27% em 1997, o que indica um
crescimento de praticamente 100%, comparado com o período 1990 a
1993. Entretanto, em 1999 os recursos alocados sofrem uma forte redu
ção, caindo de 27 para 19% e permanecendo nesse patamar em 2001.
Uma possível explicação para essa reversão de tendência verificada a partir
de 1997 pode ser debitada aos seguintes fatores:
• O país vem passando por uma fase de estagnação no seu crescimento
que pode ser confirmada pela pequena elevação no PIB: US$ 775 bi
lhões em 1996 e US$ 775 bilhões em 1998. As projeções indicam um
PIB de entre 560 e 650 bilhões entre 1999 e 2001, o que significa uma
sensível redução.
• O nível de produção numa economia desaquecida cai e grande parte das
indústrias trabalha com folga em relação a sua capacidade nominal.
Desse modo "sobra" mais tempo para intervir na planta. Nessa situação
algumas empresas optam pela prática de manutenção preventiva e essa
forma de atuação acaba promovendo um desestímulo à engenharia de
manutenção. Supõe-se, erradamente, que havendo tempo de sobra para
intervir não é tão necessário analisar a causa dos problemas.
• Com a produção contida, é muito comum o enxugamento dos quadros
e isso provoca uma concentração da mão-de-obra remanescente em ati
vidades de intervenção. A falta de uma visão dara da gerência sobre as
vantagens da manutenção preditiva e da engenharia de manutenção
provoca essa distorção na distribuição dos recursos e, finalmente, um re
torno a situações de maior atraso em relação às melhores práticas.
Em relação ao que se pratica nos países do Primeiro Mundo, temos a se
guinte situação, em relação ao Brasil:
Tipo de Manutenção Países do 1 ºMundo em Relação ao Brasil
Eng. de Manutenção maior
Manutenção Preditiva maior
Manutenção Preventiva igual
Manutenção Corretiva menor
Dados mundiais estabelecem que as práticas normais de manutenção e as
práticas-modelo apresentavam uma relação como a mostrada no Gráfico 3.6.
18
52 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
O gráfi co, que anali sa a situação na década de 90 , projeta para onde devem
caminhar as práticas de man utenção e aponta um crescimento vertiginoso da
manutenção preditiva, um pequeno decréscimo na preventiva e uma redução
na corretiva não p lanejada.
Isso pode ser mais bem entendido a parti r das segu intes considerações:
• Considera-se que rotinas como troca de fil tros, limpeza de fi ltros ou quaisquer
outros tipos de limpeza, lubriflcaç.fo, ajustes, calibrações, nas quais são rea
lizadas tarefas, fazem parte da manutenção preventiva. Esse tipo de traba
lho é realizado em intervalos de tempo previamente defin idos, podendo
ser executado pelo pessoal de operação. Algumas empresas ainda têm pes
soal de Manutenção fazendo isso, mas sua cultura cercamente é reativa. O
TPM - Manutenção Produtiva Total -, que mostra como isso deve ser
mod ificado dentro da empresa, será descri to no Capítulo 7.
80
70
60
50
30
20
10
RELAÇÃO ENTRE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃ
PRÁTICAS NORMAIS x PRÁTICAS-MODELO
o-i-....... ._~J6o ..... ~-m111
corretiva preventiva preditiva
TIPO DE MANUTENÇÃO
Gráfico 3.6
Observação:
llllB normal
O modelo
Alguns autores citam M anutenção Proa tiva, como sendo aquela baseada na aná
lise da origem dos problemas. E na sua caracterização consideram como sendo seu
escopo:
"Análise da causa real da falha, precisão de alinhamento e balanceamenro, es
pecifi cações de compra bem feitas, instalação de comissão para verificação de per-
c 1 . e:' 1 ' I. d ' I " 18
rormance, engen 1ana connave e :111a 1se e o eos .
Para fi ns de classificação, julgamos mais adequada a abordagem feira no início
deste capítulo, entendendo que o escopo d:i manutenção proariva abrange um so-
TIPOS DE MANUTENÇÃO 53
matório de processos e/ou ferramentas, que a rigor não definem um novo tipo de
manutenção. A atuação final no equipamento será, sem dúvida, uma Corretiva
Planejada. Desse modo, as ações desenvolvidas na Proativa estão mais bem carac
terizadas como de Predição.
O valor de preditiva, mostrado no gráfico, é o somatório de preditiva e proativa.
• Outras rotinas, como revisões parciais ou tocais em máquinas ou equi
pamentos, em intervalos definidos, caracterizam manutenção preventi
va, mas são cada vez mais restritas. Somente se aplicam quando há ocor
rência de falhas a intervalos característicos, e/ ou aspectos de segurança
ou meio ambiente que recomendam essa prática. Fora disso, o risco de
se fazer manutenção em excesso ou ainda introduzir defeitos é alto. "Se
gundo a Organização Forbes, um em cada três dólares gastos em manu
tenção preventiva é desperdiçado."
• A manutenção prediciva permite uma significativa mudança na manu
tenção, pela antecipação dos problemas nas máquinas, resultando numa
relação de ganho significativa. A tendência mundial é adotar, cada vez
mais, a manutenção baseada na condição dos equipamentos.
3.9. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em qualquer planta ou instalação sempre haverá lugar para os diversos ti
pos de manutenção.
O tipo de manutenção a ser adorado é uma decisão gerencial e está baseada
nos seguintes fatores:
a) Importância do equipamento do ponto de vista:
../ operacional;
../segurança pessoal;
../ segurança da instalação;
../meio ambiente.
b) Dos custos envolvidos:
../no processo .
../no reparo/substituição .
../ nas conseqüências da falha.
c) Na oportunidade.
d) Na capacidade de adequação do equipamento/instalação favorecer a aplica
ção deste ou daquele tipo de manutenção (adequabilidade do equipamento).
54 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
Desse modo um compressor de ar, de campo, pode ter manutenção corre
tiva não planejada ao passo que um circuito que comanda a entrada do gerador
em um hospital deve rer manucenção detectiva.
PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÁO
DA MANUTENÇÁO
4.1. INTRODUÇÃO/RECURSOS HUMANOS
A organização da Manutenção era conceituada, até há pouco tempo, como
planejamento e administração dos recursos (pessoal, sobressalentes e equipa
mentos) para adequação à carga de trabalho esperada. Essas atividades fazem
parte da organização da Manutenção, mas a conceituação tornou-se mais ampla:
a) A organização da Manutenção de qualquer empresa deve estar voltada
para a gerência e a solução dos problemas na produção,de modo que a
empresa seja competitiva no mercado.
b) A Manutenção é uma atividade estruturada da empresa, integrada às de
mais atividades, que fornece soluções buscando maximizar os resultados.
O que se verifica, atualmente, é uma mudança no perfil estrutural das
empresas dentro de um nítido enfoque no que está conceituado acima, tra
duzido por modificações na relação de empregados de cada área bem como
no perfil funcional. Outros aspectos que vêm motivando essas mudanças são
a forre automação do processo produtivo, que leva à redução de operadores e
as modificações do perfil funcional causadas por ações como o TPM e a Poli
valência. Por outro lado, haverá uma tendência de aumento relativo de man
tenedores, além de sua maior especialização, decorrente do aumento do
hardware.
56 MANUTENÇÃO - FUNÇAO EST RATÉGICA
No Brasil observa-se essa mesma tendência qu:rntirativa, que pode ser visua
lizada no G ráfico 4 .1:
17
35
30
25
%
20
15
10
5
o
REC URSOS HUMANOS
Percentual do efetivo de manutenção cm relação
ao total de empregados das empresas
1987 1990 1993 1995 1997 1999 2001
ano O % próprio + contratado
0 % próprio
Crrífico 4. 1
Nora-se, também, uma maior participação de pessoal contratado no efeti
vo rotai da manutenção, em função do desenvolvimenro das formas de contra
tação e de empresas voltadas para a atividade.
Outra tendência que se verifica, aré porque os paradigmas da manutenção
moderna assim o exigem (veja Capítulo 2), é ter equipes mais enxutas fo rma
das por pessoa] qualificado . Acuai mente é imperativo que o homem de manu
tenção seja bem quali ficado. Um gra nd e passo para corrigir as deficiências ex is
tentes foi a criação dos CEQUAL - Cenrros de Quali ficação de Mão-de-Obra
de Manutenção, que fun cionam no SENA! - Serviço Nacional de Aprendiza
gem lndusrrial - em parceria com a ARRAMAN -Associação Brasileira de Ma
nutenção. T ra ra-se do programa conhecido como PNQC- Programa Nacional
de Qualificação e Certificação de Mão-de-Obra de Man utenção .
4 .2 . CUSTOS
Antigamen te, quando se falava cm cuscos de manutenção a maioria dos ge-
rentes achava que:
• Não havia meios de controlar os cusros de manutenção .
• A manutenção, em si, tinha um cusro muiro alto.
• Os custos de manutenção o neravam, e muito, o produto fina l.
PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA MANUTENÇÃO 57
Em termos de Brasil, essas afirmações eram muito intuitivas, desde que a
mensuração desses custos era meramente contábil, ou seja, não havia indicado
res técnico-gerenciais que fossem representativos. Por outro lado, alguma ver
dade se escondia sob essas afirmações, pois a performance global da manuten
ção deixava a desejar. Isso ocorria por dois motivos: a gerência julgava que as
atividades de manutenção não eram tão importantes, logo os investimentos
nessa área não deveriam ser altos; a manutenção, na qual não se investia, não ti
nha nem representatividade nem a competência necessária para mudar a situa
ção. Ainda hoje é possível encontrar esse quadro em um número razoável de
empresas brasileiras.
No Brasil, o custo da manutenção em relação ao faturamento bruto das
empresas apresentou uma tendência de queda entre 1991 e 1995, tendo se es
tabilizado no entorno de 4,00% a partir daí.
7
-o 6 o ....
te( ::J
~ 5 zm
WO 4 !:; ....
~zZ 3 oe serviços diversos - limpeza, pintura, conser
vação.
O d inheiro é a linguagem dos negócios, e os cusros são a fo rma de mensu
rá-lo.
Oucro aspecto importantíssimo nos custos de manurenção é:
MAlS MANUTENÇÃO NÃO SIGNIFICA MELHOR MANUTENÇÃO.
o
8
7
6
5
~ 4
(.) 3
2
o
CUSTO TOTAL DE MAN UTENÇÃO
,,
---,,
~ ,, - -
V - - -
- f- -
V - - -
,, - f- -
~
co (j) o ~
O') (j) o• Inspeção de equipamentos.
• Suprimentos - inclui administração do almoxarifado, previsão e com-
pra de material.
• Ferramentaria.
• Segurança no trabalho.
• Engenharia de manutenção - inclui pequenos projetos, condução de
obras mais simples, estudos e análises, manutenção preditiva (que pode
ficar também alocada às especialidades).
• Contratação - elaboração de contratos, fiscalização, apropriação.
• Manutenção de prédios e pátios.
Dados da ABRAMAN, para 2001, indicam que:
17
• Em 47% das empresas pesquisadas a Administração/Operação de Com
pras é uma atividade da Manutenção.
• A Administração/Operação de Almoxarifados faz parte da Manutenção
em 58% das empresas.
• Em 37% delas, a Segurança no Trabalho é função da Manutenção.
66 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
A estruturação organizacional da Manutenção pode apresentar-se de três
formas:
a) Em linha direta, numa estruturação convencional - Figura 4.2.
b) Em estrutura matricial - Figura 4.3.
c) Em estrutura mista, a partir da formação de times - Figura 4.4.
Gerente
Administrativo
Mecânica
Gerente de
Manutenção
Eletricidade/
Instrumentação
Superintendente
da Fábrica
Gerente de Gerente de
Produção Engenharia
Planejamento Complementar
Figura 4.2 - Estrutura em Linha.
Contrariamente à estrutura em linha que apresenta uma única linha hierár
quica, a estrutura matricial apresenta duas linhas de autoridade: uma vertical -
funcional que, normalmente, define o que e quando fazer e outra horizontal - téc
nica que define o como e com quem executar a intervenção. Ou seja, o grupamento
de mecânica que fica alocado à Unidade X está hierarquicamente subordinado à
gerência da Unidade, e tecnicamente ao gerente da Manutenção Mecânica.
A estrutura em linha preserva a unidade da Manutenção, o que não aconte
ce com a estrutura matricial.
Embora a estrutura matricial privilegie a formação de um grupamento preo
cupado com o funcionamento daquela Unidade, gerando um grau maior de co
operação entre a operação e a manutenção, pode apresentar as seguintes distorções:
• Descentralização dos arquivos da manutenção.
• Resistência do pessoal de manutenção em adaptar-se à dupla gestão.
• Maior inércia na ajuda mútua entre grupos de unidades diferentes, pro
vocando uma forte tendência de aumento do efetivo global da planta.
PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA MANUTENÇÃO 67
• Procedimentos diferentes para serviços iguais (falta de padronização de
procedimentos).
Os grupos de estudo e preditiva devem ser centralizados e subordinados à
manutenção, prestando serviço para todas as unidades. Isso permite um me
lhor planejamento e cumprimento de programação das medições e análises,
além de maximizar a utilização dos instrumentos.
Operação
Manutenção
Pla1ejamenlo
Eléltlcal
ln&lrumetilação
Gerente da Planta
Complementar
Unidade X
Complementar
UnidadoY
Figura 4.3 - Estrutura Matricial
Complemantar
UnidadeZ
A estruturação de times de manutenção pode ter várias versões, em função
das características da indústria, tamanho etc. No entanto, para plantas de por
tes médio e grande, uma solução que vem apresentando bons resultados é a que
congrega um grupo responsável por uma área ou unidade, composto por su
pervisores das especialidades da manutenção, inspeção, segurança e operador
da unidade. Esse grupo faz a programação dos serviços, a análise e facilitação,
supervisiona os serviços e garante o registro e alimentação do sistema informa-
68 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
.......................... ..........................
EL!:TRICN
INSTRUMENTAÇÃO
COMPLEMENTAR
INSPETOR
DE
EQUIPAMENTOS
PLANEJAMENTO
Tl!CNICODE
SEGURANÇA
.· ·······································································
TIME DE MANUTENÇÃO - AREA 21
Figura 4. 4 - Time de Manutenção.
tizado. Sua vinculação técnico-funcional é com a manutenção, mas seu local
de trabalho é na área, dentro da unidade.
De modo geral, o que se verifica, hoje em dia, é uma busca por estruturas
organizacionais cada vez mais leves. Isso significa:
• Eliminar níveis de chefia e supervisão.
• Adorar polivalência tanto na área de manutenção como na área de operação.
• Contratação de serviços por parceria.
• Fusão de especialidades como, por exemplo, eletricidade e instrumentação.
4.4. SISTEMAS DE CONTROLE DA MANUTENÇÃO
4.4.1. Introdução
Para harmonizar todos os processos que interagem na Manutenção, é fun
damental a existência de um Sistema de Controle da Manutenção. Ele permiti
rá, entre outras coisas, identificar claramente:
• que serviços serão feitos;
• quando os serviços serão feitos;
PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA MANUTENÇÃO 69
• que recursos serão necessários para a execução dos serviços;
• quanto tempo será gasto em cada serviço;
• qual será o custo de cada serviço, custo por unidade e o custo global;
• que materiais serão aplicados;
• que máquinas, dispositivos e ferramentas serão necessários.
Além disso, o sistema possibilitará:
• nivelamento de recursos - mão-de-obra;
• programação de máquinas operatrizes ou de elevação de carga;
• registro para consolidação do histórico e alimentação de sistemas especi
alistas;
• priorização adequada dos trabalhos.
Pode-se afirmar que até 1970 os Sistemas de Planejamento e Controle da
Manutenção, no Brasil, eram todos manuais. A partir dessa data teve início a
utilização de computadores de grande porte, como os IBM, que eram utiliza
dos para aplicações corporativas em empresas de grande porte.
Nesses computadores o desenvolvimento de um sistema para controle da
manutenção era muito caro, além de bastante demorado. Os documentos
eram preenchidos manualmente, recolhidos no final do dia, digitados e duran
te a noite era feito o processamento de modo que no dia seguinte a programa
ção de serviços estivesse disponível.
O primeiro programa de computador, para a manutenção, surgiu em 1964
na Petrobras, desenvolvido na Refinaria Duque de Caxias - Rio de Janeiro,
destinado a auxiliar o planejamento de paradas de manutenção. O programa
era processado em um computador IBM 1130, tinha capacidade para processar
1.400 tarefas por projeto e seu processamento demorava 20 horas.
O primeiro software para planejamento e controle da manutenção rotinei
ra foi desenvolvido por Furnas Centrais Elétricas no ano de 1970.36
O Sistema de Gerenciamento da Manutenção - SIGMA, desenvolvido na
Petrobras, começou a operar em 1975, baseado em um desenvolvimento feito
pela Refinaria Gabriel Passos - Betim-MG, em 1973, denominado Procex, que
era processado em computadores IBM.
Até 1983 os softwares para controle da manutenção existentes eram desen
volvidos dentro das grandes empresas e processados em máquinas de grande
porte. À partir dessa data começaram a ser oferecidos programas desenvolvidos
no exterior, que podiam ser processados em computadores de médio e grande
portes.
70 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
A partir do desenvolvimento de microcomputadores, aliado à disponibili
dade de novas linguagens, cresceu sensivelmente a oferta de softwares tanto por
empresas nacionais como por empresas estrangeiras. "Em 1993 já existiam cer
ca de 30 empresas oferecendo softwares para a área de manutenção. "
36
Ver item
4.4.3 - Sistemas Informatizados para Manutenção.
4.4.2. Estrutura do Sistema de Controle
Com base nos processos ou atividades atribuídas à Manutenção, já comen
tados em 4.3.3, foi desenvolvido o Diagrama de Fluxo de Dados da Figura 4.5.
O diagrama apresentado permite visualizar, de modo global, os processos
que compõem a estrutura do controle e planejamento da manutenção.
A seguir estão detalhados os principais processos, constantes do diagrama,
que costumam ser referidos nos softwares disponíveis no mercado como "mó
dulos".
a) Processamento das Solicitações de Serviço
É a entrada (input) do sistema em relação aos serviços do dia-a-dia. Os ser
viços, independente de sua origem, devem serpedidos através da Solicitação de
Serviços. Serviços de curta duração e de maior prioridade não devem ser pro
gramados via sistema. Exemplos:
• Reajustar uma gaxeta de bomba - serviço de curta duração (máximo
duas horas), fácil de executar e pode ter várias implicações no processo.
• Reajustar um instrumento.
• Trocar um manômetro (PI).
A apropriação é feita, a posteriori, numa Ordem de Trabalho Geral da Uni
dade, por exemplo.
Normalmente, as Solicitações de Serviços podem ser oriundas da área ope
racional - de produção, da inspeção de equipamentos e da própria manuten
ção.
Antes da inclusão da solicitação no sistema, deve haver uma sistemática de
verificação que, dentre outras coisas, deve questionar:
• A solicitação é procedente? - Verificação pela manutenção.
• Qual a sua prioridade? - Negociação com a produção ou outro solici
tante.
PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA MANUTENÇÃO 71
Processamento das
Solicitações de
' Serviço
(SS)
Administração da
e--- Carteira da Serviços
Planejamento dos
14-Serviços Gerenciamento dos
,_ Padrões de Serviço
Gerenciamento dos
~
Programação dos Recursos Disponlveis
Serviços (Mãquinas, MãcH!e-
14- Obra)
Administração da
E&toques
- (Materiais e
Gerenciamento da Sobressalentes)
Execução dos
Serviços
Registro dos Serviços
e
Recursos
--
Gerenciamento de
1 1
Equipamentos Basoaclo no DFD ref. 36
Figura 4.5.
• O serviço se enquadra na manutenção do dia-a-dia ou é serviço de para
da ou ainda serviço especial?
• O serviço é atividade de manutenção?
É importante que o planejamento atue "filtrando" os serviços solicitados, e
somente programe aqueles que se justificam.
72 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
Uma vez resolvido esse aspecto, a solicitação de serviço é incluída no siste
ma, e:
• Recebe um número.
• Sua prioridade, já definida, é registrada.
• O serviço é detalhado (programação-padrão ou desenvolvida em con
junto com a especializada).
• São definidos os recursos necessários {inclui máquinas, ferramentas e
mão-de-obra.).
• É registrado o centro de custo (contábil).
• Recebe um código para fazer ligação com equipamento ou posto de ser
viço, objetivando alimentar o histórico de equipamento e fornecer da
dos para análise de falha.
b) Planejamento dos Serviços
O planejamento dos serviços é uma etapa importantíssima, independente
do tamanho e da complexidade do serviço. Pode ser feito em um tempo muito
curto (quando existe padrão definido pela própria repetição de serviços rotinei
ros, ou demandar meses de trabalho de uma equipe - planejamento de uma
parada ou revamp de unidade).
Normalmente o planejamento execuca as seguintes atividades:
b. l) Detalhamento do Serviço
Nessa fase são definidas as principais tarefas que compõem o trabalho, os
recursos necessários, e qual o tempo estimado para cada uma delas.
Define-se também a dependência entre as tarefas. No exemplo, só é possí
vel executar a tarefa 4 após executadas as tarefas 2 e 3.
Exemplo: Revisão Geral de uma Bomba Centrífuga de Processo. (Veja
exemplo na pág. 73.)
O exemplo mostra um serviço relativamente simples. À medida que os ser
viços vão ficando mais complexos aumenta a necessidade de maior detalha
mento, também conhecido por microdetalhamento.
b.2) Microdetalhamento
No microdetalhamento são incluídas ferramentas, máquinas de elevação
de carga e máquinas operatrizes, que podem se constituir em gargalos ou cami
nhos críticos na cadeia da programação. Para que isso seja possível, deve-se ca-
Pl.ANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA MANUTENÇÃO 73
Tarefa Descrição Dep. Recurso Ote. H
1 Desenergizar, drenar e Operador 1 1
liberar equipamento
2 Soltar flanges e retirar 1 Mecânico 2 1
tubulações auxiliares e
desacoplar
3 Retirar instrumentos 1 Instrum. 1 0,5
4 Retirar bomba da base e 2,3 Mecânico 2 0,5
levar para a oficina
5 Lavar o equipamento, 4 Mecânico 2 2
desmontar e inspecionar
peças
6 Pintar a base conforme 4 Pintor 1 3
Recomendação de Inspeção
7 Substituir peças, balancear e 5 Mecânico 2 3
montar
8 Levar equipamento para 6 Mecânico 2 2
base e instalar
9 Montar instrumentos 7 lnscrum. 1 0,5
10 Testar e fazer relatório de 8 Mecânico 1 1
manutenção
Dep. = dependência.
dascrar, no módulo correspondente do sistema (software), as máquinas, equi
pamentos, ferramentas e dispositivos. Por exemplo:
Supondo que temos somente uma mandrilhadora na oficina central da
manutenção, que além de acender aos serviços do dia-a-dia atenderá também
aos serviços de parada de uma determinada unidade, será necessário identificar
os serviços que necessitarão dessa máquina, cadastrá-la no sistema e definir as
prioridades para que o sistema programe adequadamente e as coisas aconteçam
de forma ordenada.
b.3) Orçamentação dos Serviços
Normalmente os sistemas possuem um módulo de orçamentação e apro
priação de custos. O usuário fornece as tabelas com os valores de custo de re-
74 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRAT~GICA
cursos humanos, hora/máquina e materiais e o sistema fornece a orçamentação
do serviço a partir do detalhamento, ou o custo do serviço a partir da apropria
ção.
O custo, além de ser utilizado na área contábil da empresa, realimenta o mó
dulo de planejamento de serviço, ficando disponível para utilizações futuras.
b.4) Facilitação de Serviços
A Facilitação de Serviços é uma sistemática que visa aumentar a produtivi
dade nos serviços de manutenção. Consiste na análise prévia do serviço a ser
executado, fornecendo informações básicas aos executantes, de modo que eles
não percam tempo indo e vindo do local de trabalho para buscar ferramentas,
analisar desenhos ou consultar catálogos. Os principais pontos, previamente
analisados são os seguintes:
• Ferramentas necessárias, que não fazem parte da caixa de ferramentas do
executante. Por exemplo, mesmo que um mecânico tenha um jogo de
chaves-de-boca, dificilmente ele terá uma chave de 2.%,,, necessária para
soltar parafusos de fixação dos pés de um motor elétrico.
• Facilidades existentes no local do serviço. Caso seja necessária a instala
ção de um painel elétrico de campo, que fará alimentação de uma bom
ba para esgotamento de um tanque, a análise prévia fornecerá um croqui
de onde e como deve ser "puxada" a ligação, evitando que o executante
"descubra,, esses detalhes na hora do serviço.
• Aspectos ligados à segurança - recomendações importantes, aos execu
tantes, relacionadas com as condições do serviço.
• Dados sobre o equipamento - informações sobre o produto, temperatu
ra, pressão, vazão, entre outros.
• Recomendações especiais.
Várias dessas informações podem estar contidas em módulo específico do
software, a pedido do usuário, para que sejam impressas no momento da entre
ga do serviço ao executante. Entretanto outras informações vão depender de
uma análise prévia pelo supervisor ou pelo facilitador.
e) Programação dos Serviços
A programação dos serviços é a etapa que define quais são os serviços no dia
seguinte, em função das prioridades já definidas, data de recebimento da solici
tação de serviços, recursos disponíveis (mão-de-obra, material, máquinas) e li
beração pela produção.
l'l..ANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA MANUTENÇAO
···-----·- l.
1
1
Figura 4. 6 - A Importância da Fttcifitttçii.o de Serviços.
75
76 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
A programação dos serviços segue algumas regras já consagradas pelo uso,
que são utilizadas tanto na programação feita manualmente como nos softwares-.
• Prioridades - normalmente são definidos quatro tipos de prioridades
para os serviços:
1. Emergência (já estamos diante de uma situação de fato).
2. Urgência (a situação indesejada está por acontecer).
3. Normal Operacional.
4. Normal Não Operacional.
• Os serviços de maior prioridade são programados primeiro, seguidos
pelos de prioridade imediatamente inferior, até os recursos disponíveis,
naquela data, se esgotarem.
• Data de recebimento da solicitaçãode serviços - dentro de uma mesma
prioridade, o sistema programa primeiro as solicitações mais antigas.
• Serviços com data marcada- é um artifício utilizado para que os serviços
se iniciem em uma data determinada. Os serviços com data marcada
têm prioridade sobre a antiguidade da solicitação.
• Bloqueios-quando ocorre falta de material, falta de informação, falta de
ferramentas, necessidade de serviço externo ou falta de liberação, o siste
ma permite fazer um bloqueio para que a programação do serviço seja
interrompida até que a causa do bloqueio seja resolvida.
d) Gerenciamento da Execução dos Serviços
O gerenciamento da execução dos serviços, do ponto de vista do planeja
mento, está voltado para o seguinte:
• Acompanhamento das causas de bloqueio de serviços.
• Controle do back-log, que é a carteira de serviços da manutenção. Esse con
trole contempla a carga de serviço global e por especialidade. Assim, o sistema
deve informar, por exemplo, qual a carga de trabalho para a manutenção
complementar, e dentro dela qual a carga para montador de andaime. Com
isso é possível auxiliar no dimensionamento das equipes de manutenção.
• Acompanhamento da execução no cocante ao cumprimento da progra
mação, isto é, se os serviços programados estão sendo executados e, se
não, por que.
• Acompanhamento dos desvios em relação ao tempo de execução previs
to. Caso haja desvios significativos, o tempo deve ser alterado para que o
sistema continue programando o serviço.
PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA MANUTENÇÃO 77
e} Registro dos Serviços e Recursos
O registro dos serviços e recursos objetiva informar ao sistema:
• Quais recursos foram utilizados (executantes), quantos homens/hora
foram gastos no serviço e se o serviço foi concluído ou não. Esse proces
so é conhecido como apropriação.
• Que materiais foram aplicados.
• Gastos com serviços de terceiros.
j) Gerenciamento de Equipamentos
Consiste em fornecer informações relevantes para o histórico dos equi
pamentos. Como mencionado no "item a", o código incluído no sistema
faz a ligação com o histórico do equipamento, permitindo a inserção desses
dados.
Do ponto de vista do planejamento, o detalhamento deve ser arquivado
para utilização numa próxima programação. Do ponto de vista da especializa
da, dados relativos ao serviço e dados para análise da falha devem ser registra
dos.
g) Administração da Carteira de Serviços
Administrar a carteira de serviços da Manutenção significa fazer o acompa
nhamento e análise visando ter:
• Acompanhamento orçamentário - previsão X realização global, e sepa-
rado por especialidade, por área ou unidade operacional.
• Cumprimento da programação pelas diversas áreas e especialidades
• Tempos médios de execução de serviços.
• Índices de atendimento incluindo demora entre solicitação e início dos
serviços.
• Back-log global, por especialidade e por área.
• Composição da carteira de serviços - percentual por especialidade, per
centual por prioridade, percentual por área, percentual por unidade,
etc.
• Índices de ocupação da mão-de-obra disponível.
• Índices de bloqueio de programação separados por causa.
78 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
h) Gerenciamento dos Padrões de Serviço
Apesar de os serviços de manutenção apresentarem uma característica de
diversidade muito grande, é possível e importante o estabelecimento de pa
drões de manutenção. Ou seja, a manutenção em trocadores de calor tem uma
seqüência conhecida, que pode ser colocada sob a forma de detalhamento de
serviço, com recursos necessários e tempo previsto. Isso se torna um padrão
que será a base das próximas programações. Além disso, os padrões podem in
cluir detalhes e particularidades relativos aos equipamentos, que muitas vezes
passam despercebidos nos detalhamentos feitos às pressas, ou criados nova
mente a cada serviço.
Outra aplicação do Gerenciamento dos Padrões de Serviço é a interligação
com os programas de Preventiva e Preditiva, que na realidade dependem de
Detalhamento-Padrão para sua execução.
i) Gerenciamento dos Recursos
O Gerenciamento dos Recursos é conseqüência do Registro de Recursos,
abordado anteriormente. Dentre os recursos, a mão-de-obra é a que mais ne
cessita de gerenciamento visando a otimização de sua aplicação. Desse modo, o
planejamento deve ter uma visão global da distribuição da mão-de-obra por
toda planta, com os quantitativos definidos por cada área de atuação.
Deve estar informado também da indisponibilidade de mão-de-obra, por
afastamentos médicos, férias, licenças e outros, de modo que a programação de
serviços seja confiável.
A disponibilidade de todas as máquinas cadastradas no sistema - máquinas
operatrizes, máquinas de elevação de carga etc. - deve ser de conhecimento do
planejamento pelos mesmos motivos.
j) Administração de Estoques
Em virtude da interface manutenção suprimento, os softwares disponíveis
no mercado incorporam um módulo de Gestão de Estoques. Entretanto,
como via de regra a informatização da área de suprimentos das empresas se deu
antes da informatização da manutenção, existe uma tendência de cada qual
permanecer com o seu software, e providenciar o desenvolvimento de interface,
de modo que um sistema "converse" com o outro.
A informação de estoque, o acompanhamento de compra e o recebimento
de materiais são fundamentais para que o planejamento administre bem a car
teira de serviços.
PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA MANUTENÇÃO 79
4.4.3. Sistemas Informatizados para Manutenção
Os primeiros sistemas informatizados para planejamento e controle da
manutenção foram desenvolvidos pelas próprias empresas. Na época, somente
grandes empresas podiam se dar ao luxo de pensar em um sistema informatiza
do, somente elas possuíam grandes computadores e pessoal especializado em
processamento de dados. Hoje, certamente, o desenvolvimento de software
próprio, dentro da empresa, custa muito mais caro e leva muito mais tempo do
que a aquisição de software no mercado.
É possível encontrar no mercado uma ampla gama de softwares que aten
dem desde a manutenção de uma pequena fábrica, que possua um quadro de
20 pessoas, até sistemas bastante sofisticados para atender a grandes empresas.
A variação de preço é proporcional à sofisticação do software.
Aplicativos para gerenciamento da Manutenção, que foram desenvolvidos
originalmente em plataforma de DOS, já estão convertidos para o ambiente do
Windows. Além disso, os aplicativos apresentam a característica de "progra
mas amigáveis" (friendly) - de fácil uso; têm recursos de multimídia - que per
mite a utilização simultânea de imagem, sons, dados e gráficos; hipertextos -
sistema que permite ajuda (help) a partir de palavras-chave, ou acesso a dese
nhos, tabelas e especificações a partir do clique do mouse sobre a palavra desta
cada no texto.
Esses recursos vêm permitindo uma integração tal que o executante pode
consultar desenhos do equipamento, a partir de um terminal na oficina, en
quanto executa a manutenção do equipamento. Do mesmo modo, as entradas
de dados podem ser feitas durante a manutenção, digamos em tempo real, pelo
próprio executante. Assim deve ser a oficina do presente. O futuro nos reserva,
a curto prazo, modificações bem maiores.
A tendência moderna é que toda a empresa esteja interligada e os dados de
uma área sejam facilmente acessados por qualquer das outras áreas. A grande
maioria dos dados da organização é de domínio público - dentro da empresa -
e está disponível para consulta através da rede de computadores. Em última
análise, busca-se desenvolver uma base de dados comum para toda a empresa.
É por isso que, ao se pesquisar no mercado um software para manutenção, de
ve-se levar em conta que, atualmente:
• O sistema deve ter uma interface para Windows (versão mais atual).
• O sistema deve estar apto para rodar com qualquer tipo de rede em uso.
• O fornecedor deve garantir a integração com outros sistemas emuso.
80 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATt.GICA
• O acesso às info rmações dos softwares de manutenção (CMMS) deve ser o
mais abrangente possível, permitindo que o usuário o faça através de
rede local (LAN), Inrranet ou Inrerner.
'~-1---~ :::. ~ • ~I
SERVIDOR 1
1--~~~ª-1--~~-fETHERNE
Figura 4.7.
A Tabela 4 .1 fornece, a rírulo de informação, alguns softwares disponíveis,
atualmente, no mercado nacional.
As Figuras 4.8, 4.9, 4 .10 e 4.11 apresentam algu mas telas de softwares.
4.4.3.l. Avaliação de Sistemas Mecanizados
36
A compra de um software de manutenção é uma decisão importante, a par
tir da qual surgirá uma série de modificações na rotina estabelecida, e uma série
de expectativas na mudança de patamar do controle, p lanejamento, enfim, do
gerenciamento da manutenção. Isso envolve um investi mento inicial, uma
alocação de recursos internos para implancação do sistema e por isso mesmo
tem que ser uma aquisição muito bem-feita.
De modo a auxiliar a comparação entre os softwares disponíveis no merca
do, transcrevemos integralmente os critérios de avaliação de sistemas mecani
zados desenvolvidos pelo Eng. Gilberto Antônio Adamarri, da Petrobras.
36
Os critérios se aplicam a sistemas de gerenciamen to - planejamento e con
trole da manutenção no dia-a-dia.
PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA MANUTENÇÃO 81
Tabela 4.1
Nome Comercial do Software Empresa
AMOS-D Soectec/Moerbeck
ARTEMIS D&ISI
AVANTIS-PRO MARCAM SOLUTIONS
CHAMPS Thornix Informática
CMC PTC
COMACDELTA SetUp
COMPASS Boone and Moore
COSWIN Siveco (Protam)
ENGEMAN Chips Informática
GERCOM Comouscience
LSMAESTRO Logical Soft Informática Leda.
MACACTIVE SAM-Sise. de Automação da
Manutenção
MAIN SERVER Engequal
MANTEC Semaoi Sistemas
MÁXIMO PSDI
MMS Inter-Unde Engenharia Química
MP2 ENTERPRISE DataStream Svstems Inc.
MS2000 MicroMains Corp.
OOPS Falcon Svstems
PLACOM Micro Consult
PROTEUS Eagle T echnology Inc.
SIAM MR Bachelanv Adm. e Informática
SIEM M&F Consultoria e Proietos
SIGMA Petrobras
SIM Astrein Informática
SMI SPES Engenharia de Sistemas
TEROMAN Promon Engenharia/SD Scicon
TMA-CMMS TMA Svstems
ULTIMAINT Pearl Comouter Svstems Inc.
82 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO EST RATtGICA
Modõ!o
ll~d.!Sn
lliilldeP~ j4~1
J~U-Nl-D-·U-N-IDAC- ·~ ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ jai ·DEPOSITO f t
joo1 · EQUIPAM 1 , , • . • .,. • ~ .'" .. 0
jai · EMF'JlESA is'1iir:.st'P.0.~~.;:,.~~ .• .X ..:;;;;;:.__..,__
Figura 4.8 - Cortesia ENGEMAN- Chips Informática.
002 · OFONA MECANICA
.......... .... _____ _ _
~ ... ,_, ... m:::IS!JI ··- ..
-- -···--·-~ .. ····- ~
• • ...... ·-· Q .. . . ... ... ....._....
Figura 4.9 - Cortesia ENGEMAN - Chips Informática.
PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA MANUTENÇÃO 83
EOUIPAMENTO X"""
03/0211999
04/02/1999 40.00 •
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103.682
93-682 tt-.. -.. -... -.. -.• ~,-.. -.. -... -.. -.. -.. -.. -.. -... -.. -.. -.. ~, .-.. -.. -.. -.. -.. -... -.. -.-.. -.. -.. -... ~,.-.. -.. -.. -.. -. ~-'-·-·-··--· .. -! .. ;
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-Próxima M..-.Aenção 1
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-- Tendência
Figura 4. 1 O - Cortesia ENGEMAN- Chips Informática.
'J.lO!rYo de Mo;o do O S. Obngol6rio se P,,,lodo (hoi .. } · - ··
T-cleExecuçO>Real·PreYislb>w f-o h• f---"'24 h1
Inicio de SeMço · Oolb Prog:-.d• >• [---"'24 hse tem esta postura sem, no mí
nimo, conhecer os indicadores empresariais relatados; este é, apenas, o primei
ro passo para se ter uma gestão estratégica empresarial.
Esta visão vale para todo tipo de organização e permeia todos os setores,
como o nuclear, petroquímica, siderúrgico, elétrico, telecomunicações, papel,
celulose, manufaturas, os diversos tipos de transporte, construção civil, hospi
talar, entre outros.
Mais do que ter conhecimento de tudo isto, é preciso implementar os ca
minhos estratégicos com rapidez. Seja você um agente desta implementação,
um agente de mudança, antes que alguém tome o seu lugar e implemente estes
caminhos tão necessários e urgentes.
É para esta reflexão que estamos chamando a sua atenção.
O sucesso da função manutenção, da sua organização e a sua emprega
bilidade passam por esta rota!
ALAN KARDEC Pinto e Júlio de Aquino NASCIF Xavier
APRESENTAÇÃO
A demanda por petróleo e seus derivados é crescente na sociedade brasilei
ra. Esse crescimento, já antevisto anos atrás, levou a Petrobras, consciente de
seu papel junto à sociedade, a ampliar sua capacidade de produção, refino e
cransferência de petróleo.
O crescimento e a automação das unidades, co m a conseqüente complexi
dade advinda, destacaram ainda mais o papel da atividade de manutenção de
equipamentos e instalações, não só como um requisito para preservar o seu pa
trimônio e conti nuidade operacional, mas também como um meio para o al
cance de metas e resultados operacionais.
A disseminação do conhecimento adquirido pelos profissionais da Com
panhia é uma das metas do Serviço de Recursos Humanos da Petrobras. Para
isso, vem sendo desenvolvido o Programa de Ed itoração de Livros Didáticos
que visa prover meios para que os empregados possam multiplicar seus conhe
cimentos através da produção de um livro.
É portanto com satisfação que a Petrobras patrocina o livro "Manutenção
- Função Estratégica", de autoria dos Engen heiros Alan Kardec Pinto e Júlio
de Aquino Nascif Xavier, que consolida a experi ência desses profissionais na
atividade de manutenção, deixando para seus co legas e comunidade técnica
um padrão de referência a ser seguido.
SUMÁRIO
CAPÍTULO 1 - EVOLUÇÃO DA MANUTENÇÃO .......................... 3
1.1. INTRODUÇÃO.............................................................................. 3
1.2. HISTÓRICO DE MANUTENÇÃO ............................................... 3
1.3. A INTERAÇÃO ENTRE AS FASES................................................ 5
CAPÍTULO 2 - GESTÃO ESTRATÉGICA DA MANUTENÇÃO...... 9
2.1. INTRODUÇÃO.............................................................................. 9
2.2. MANUTENÇÃO ESTRATÉGICA................................................. 11
2.3. PRODUTO DA MANUTENÇÃO.................................................. 20
2.4. CONCEITO MODERNO DE MANUTENÇÃO.......................... 21
2.5. PAPEL DA MANUTENÇÃO NO SISTEMA DA
QUALIDADE DA ORGANIZAÇÃO............................................. 29
2.6. TERCEIRIZAÇÃO DA MANUTENÇÃO...................................... 31
2.7. FA~fORES ADICIONAIS................................................................ 31
2.8. POLfTICA E DIRETRIZES DA MANUTENÇÃO........................ 32
2.9. CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................... 34
CAPÍTULO 3 - TIPOS DE MANUTENÇÃO...................................... 35
3.1. INTRODUÇÃO.............................................................................. 35
3.2. MANUTENÇÃO CORRETIVA..................................................... 36
3.3. MANUTENÇÃO PREVENTIVA.................................................... 39
3.4. MANUTENÇÃO PREDITIVA ....................................................... 41
3.5. MANUTENÇÃO DETECTIVA...................................................... 44
3.6. ENGENHARIA DE MANUTENÇÃO............................................ 46
3.7. COMPARAÇÃO DE CUSTOS....................................................... 48
3.8. PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO - EVOLUÇÃO E
TENDtNCIAS ........ ... .............................. ... ... ..... ............... ........ ..... 49
XVI MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
3.9. CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................... 53
CAPÍTULO 4 - PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA
MANUTENÇÃO......................................................... 55
4.1. INTRODUÇÃO/RECURSOS HUMANOS................................... 55
4.2. cus~ros ................... ....................... .... ..... ... ... ...... .............. ..... ........ 56
4.3. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DA MANUTENÇÃO......... 62
4.4. SISTEMAS DE CONTROLE DA MANUTENÇÃO...................... 68
CAPÍTULO 5 - MÉTODOS E FERRAMENTAS PARA
AUMENTO DA CONFIABILIDADE........................ 95
5.1. INTRODUÇÃO - CONFIABILIDADE, MANUTENIBILIDADE
E DISPONIBILIDADE................................................................... 95
5.2. PRINCIPAIS FERRAMENTAS DE AUMENTO DA
CONFIABILIDADE........................................................................ I 11
CAPÍTULO 6- QUALIDADE NA MANUTENÇÃO.......................... 143
6.1. INTRODUÇÃO.............................................................................. 143
6.2. O PAPEL DA MANUTENÇÃO NO SISTEMA
DE QUALIDADE........................................................................... 144
6.3. FATORES CULTURAIS E GERENCIAIS...................................... 147
6.4. OS DEZ PRINCÍPIOS BÁSICOS DA QUALIDADE..................... 149
6.S. INFLU~NCIAS DO PROCESSO NA RELAÇÃO EMPRESA -
SINDICATO................................................................................... 159
6.6. FATORES IMPLEMENTADORES DA QUALIDADE................. 161
6.7. FATORES RESTRITIVOS À QUALIDADE.................................. 163
6.8. O PROGRAMA 5S........................................................................... 163
6.9. A ISO 9000 NA MANUTENÇÃO.................................................. 163
6.10. CONSIDERAÇÕES....................................................................... 170
CAPÍTULO 7 - PRÁTICAS BÁSICAS DA MANUTENÇÃO
MODERNA................................................................. 173
7.1. INTRODUÇÃO.............................................................................. 173
7.2. O PROGRAMA 5S.... .... .. ........ .... ... .. . ... . .. .. ... ....... .... ... ............ ...... . ... 173
7.3. TPM - MANUTENÇÃO PRODUTIVA TOTAL (TOTAL
PRODUCTIVE MAINTENANCE)................................................ 180
SUMÁRIO XVII
7.4. POLIVAL~NCIA OU MULTIESPECIALIZAÇÃO........................ 188
CAPÍTULO 8 - TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS NA
MANUTENÇÃO . ..... ................................... ... ... ....... ... 193
8.1. INTRODUÇÃO .............................................................................. 193
8.2. CONCEITOS BÁSICOS................................................................. 194
8.3. CONTRATAÇÃO NA INDÚSTRIA BRASILEIRA....................... 196
8.4. TEND~NCIAS DA TERCEIRIZAÇÃO.......................................... 200
8.5. FORMAS DE CONTRATAÇÃO.................................................... 200
8.6. ASPECTOS LEGAIS . ........ ....... ....... ... ......... ... ... .. .......... ..... ... ... . ... ... . 211
8.7. A QUESTÃO DA SEGURANÇA.................................................... 214
8.8. ESTRUTURA CONTRATUAL....................................................... 216
8.9. CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................... 218
CAPÍTULO 9-TÉCNICAS PREDITIVAS.......................................... 219
9.1. INTRODUÇÃO.............................................................................. 219
9.2. MONITORAÇÃO SUBJETIVA...................................................... 220
9.3. MONITORAÇÃO OBJETIVA........................................................ 221
9.4. MONITORAÇÃO CONTÍNUA.....................................................ensaios não destrutivos e materiais).
• Operação ou Produção.
A coordenação do grupo deve ser exercida por um gerente da área de pro
dução ou manutenção ou pelo superintendente das duas áreas.
O sistema de planejamento de paradas deve, preferencialmente, ser capaz
de interagir com outros sistemas existentes na empresa, como softwares da área
de suprimento, por exemplo.
Dentre as várias atividades do planejamento de uma parada de manuten
ção, listamos, a seguir, as mais significativas:
1. Cronograma Geral de Paradas de Unidades da Planta.
2. Cronograma Específico de Parada de uma determinada Unidade Ope
racional.
3. Constituição do Grupo de Paradas, que terá, entre outras, as seguintes
atribuições:
3.1. Relacionar, analisar e definir os serviços da parada.
3.2. Discutir as interfaces existentes em nível local, na empresa e com
terceiros.
PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA MANUTENÇÃO 87
3.3. Definir a filosofia da parada - tempo mínimo, custo mínimo ou
os dois.
3.4. Definir estratégias globais que incluem aspectos de compras, con-
tratação, regime de trabalho etc.
4. Delineamento dos Serviços de Parada.
5. Programação.
6. Emissão de Ordens de Serviço (ou Ordens de Trabalho).
7. Determinação do Caminho Crítico.
8. Nivelamento de Recursos.
9. Projeto de Facilidades de Manutenção e dispositivos para melhoria da
manutenibilidade e melhoria da segurança geral na Parada.
1 O. Contratação de Pessoal Externo.
11. Compra de Material.
12. Preparativos Preliminares- incluem preparação da área, montagem de
dispositivos, preparação de rotas de fuga {quando necessária), constru
ção de acessos alternativos, montagem de andaimes, montagem de pai
néis elétricos para ligação de máquinas de solda, montagem de contai
ners na área etc.
13. Acompanhamento dos Servicos.
14. Atualização das Tarefas Programadas e Inclusão de Novos Serviços.
15. Apropriação e lançamento no programa.
16. Catalogação das recomendações de inspeção.
17. Registro fotográfico e documental das condições dos equipamentos
(relatórios técnicos).
18. Acompanhamento dos testes finais.
19. Acompanhamento da partida da unidade.
20. Avaliação da parada e emissão de relatórios técnicos e gerenciais.
Em virtude do grande número de tarefas e variedade de recursos, duas fer
ramentas são fundamentais no planejamento e programação de paradas de ma
nutenção: O Pert-CPM e o Nivelamento de Recursos. Após as definições,
toda a estrutura da empresa aguarda que o planejamento emita o cronograma,
segundo o qual a parada irá se desenvolver.
O PERT-Program Evaluation and ReviewTechnique ou Técnica de Ava
liação e Revisão de Programa, encomendado pela NASA à Booz Allen and Ha
milton, foi usado pela primeira ve:1. em 1958 pela Marinha Americana no pro-
p l . 37
grama o ans.
88 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATl!GICA
Paralelamente a Dupont desenvolvia o método conhecido por CPM - Cri
ticai Path Method ou Método do Caminho Crítico, para controle de suas ati
vidades de Manutenção.
37
Pela metodologia do PERT, todo e qualquer empreendimento deve ter
uma seqüência ótima de suas atividades, de tal modo que permita um perfeito en
trosamento entre o controle e a execução. Segundo B. W. Niebel,
38
PERT pode
ser definido como "um prognóstico do método de planejamento e controle
que mostra, graficamente, o melhor caminho para se alcançar um objetivo pre
determinado geralmente em termos de tempo". Isso é mostrado por um dia
grama de flechas que mostra a seqüência de atividades e a interdependência en
tre elas. Tanto o PERT como o CPM chegam ao mesmo resultado, apesar da mo
tivação filosófica inicial ser diferente, ou seja, no PERT pergunta-se "em quanto
tempo fica pronta a tarefa X?", enquanto no CPM, por ser característica da ma
nutenção o acerto com a produção de um período para os serviços, e esse perío
do sempre ser o mínimo possível, o objetivo é realizar o serviço dentro do prazo
estabelecido.
A representação do diagrama pode obedecer a dois sistemas: o americano e
o francês. No sistema americano as tarefas são representadas por flechas e os
eventos por círculos enquanto no francês as tarefas são representadas por uma
figura geométrica, normalmente um quadrado, e as relações de seqüência entre
as mesmas por flechas.
Onde:
A, B = atividades ou tarefas.
ta, tb =duração (tempo necessário para execução da tarefa).
Nivelamento de Recursos pode ser caracterizado como a busca pela uti
lização dos recursos de maneira mais constante possível ao longo dos serviços
de uma parada ou de um projeto. Se o planejamento da manutenção previr
recursos para atender o pico de serviços, haverá mão-de-obra ociosa na maior
PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA MANUTENÇÃO 89
parte do tempo de duração da parada. De outro modo, se a previsão de recur
sos for para a situação de menor demanda de mão-de-obra, nos demais dias
será necessário contratar ou conseguir por empréstimo mão-de-obra para reali
zação da parada. O nivelamento é feito com base no método do caminho crí
tico.
Existem vários softwares que fazem nivelamento de recursos e planejamen
to de grandes serviços, normalmente conhecidos como softwares de gerencia
mento de projetos. A Tabela 4.2 mostra alguns dos softwares disponíveis no
mercado. Convém frisar que, atualmente, o software mais utilizado é o Micro
soft Project ou MS Project.
4.4.4. Manutenibilidade
Manutenibilidade ou Mantenabilidade (do inglês Maintenability) é a carac
terística de um equipamento ou conjunto de equipamentos que permite, em
maior ou menor grau de facilidade, a execução dos serviços de manutenção.
Alguns princípios podem ser considerados como fundamentais em busca
da melhoria da manutenibilidade:
a) A manutenibilidade deve sempre estar associada aos seguintes conceitos
fundamentais: qualidade, segurança, custos, tempo:
• qualidade do serviço a ser executado (e entregue);
• segurança do pessoal que executa o serviço e da instalação;
• custos envolvidos, incluindo perdas de produção;
• tempo ou indisponibilidade do equipamento.
b) A manutenibilidade será melhor se os seguintes critérios relacionados à
área de suprimentos forem adotados:
• intercambiabilidade;
• padronização de sobressalentes;
• padronização de equipamentos na planta.
e) Sistemas de detecção e indicação de desgaste, condições anormais ou
falhas (monitoramento) fazem parte da melhoria da manutenibilidade
da planta, pois permitem atuação orientada do pessoal de manuten
ção.
d) A manutenibilidade será tanto maior quanto mais sejam adotadas técni
cas comuns, clássicas ou de domínio geral, que não exijam habilidades
especiais do pessoal da manutenção.
90 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATl!GICA
Tabela 4.2
Softwares para Gerenciamento de Projetos
Nome Comercial do Software Empresa
EasyTrack PC lnternational
Finest Hour Primavera Systems lnc.
Microsoft Project Microsoft Corporation
MSPW Petrobras
Multiproject Technisoft
Open Plan Welcom Software Technology
Optima 1100 U nisys lnformation Systems
P/X Project Software & Development Inc.
Pert+ Professional Applications
Prestige Lucas Management Systems
Primavera Project Planner Primavera Systems lnc.
Project Schedule Network Scitor Corporation
Project Visibility System General Electric Informaàon Serv. Co.
Super Project Computer Associares lntern. Inc.
Tack 50 T&B Computing lnc.
Time Line Symantec Corporation
Viewpoint Computer Aided Management
Vue National lnformation Systems lnc.
e) Os equipamentos devem apresentar facilidade de montagem e desmon
tagem, incluindo:
• utilização de ferramentas universais (não especiais);
• acesso (escadas, passarelas, bocas de visita, portas de inspeção, espaço
suficiente para fazer regulagens ou colocar ferramentas). Este é o item
PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA MANUTENÇÃO 91
menos observado no projeto e que mais problemas causa à manuten
ção;
• fácil retirada e colocação de subconjuntos, instrumentos ou acessórios
que exijam manutenção,aferição ou inspeção com freqüência elevada;
• paus de carga, turcos, macaquinhos e dispositivos que permitam movi
mentação de peças ou componentes de maior peso, principalmente em
locais onde o acesso de máquinas de elevação de carga é prejudicado;
• simplicidade de projeto evitando regulagens e verificações complexas
após desmontagem;
• alternativas para que a atuação do pessoal de manutenção seja feita
em local seguro e longe de exposição de ambiente agressivo.
f) As informações relativas à manutenção devem ser claras, concisas e de fá
cil compreensão. Tais informações devem permitir:
• treinamento do pessoal;
• estabelecimento de política de manutenção;
• estabelecimento de padrões simplificados de manutenção;
• inserção de dados, desenhos e diagramas em computador (solicitar ao
fabricante entrega dos dados em meio magnético ou CD-ROM).
A inclusão do item Manutenibilidade neste capítulo deve-se ao seguintes
fatores:
• Nem sempre todas as etapas descritas anteriormente são observadas no
projeto, fabricação e montagem de uma instalação.
• Sempre é possível melhorar a manutenibilidade de uma instalação.
• As melhorias podem surgir das dificuldades encontradas pelo pessoal da
manutenção ou pela análise dos serviços pelo planejamento.
• O ganho que se obtém com melhorias de manutenibilidade durante pa
radas de manutenção é significativo.
• O planejamento da manutenção e a engenharia de manutenção devem
ter constante preocupação com a melhoria da manutenibilidade.
Ver mais sobre manutenibilidade no Capítulo 5.
4.4.5. A Atuação do Planejamento
O diagrama a seguir, Figura 4.12, representa a atuação do planejamento
de um modo global. A coluna da esquerda apresenta os insumos, dentre os
92
MANUTENIBILIDAOE
MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
PLANEJAMENTO
ESTRATÉGIA
Cumprimento
do Prazo
Serviço
Executado
Redução
de Prazo
Figura 4.12 -Atuação do Planejamento - GeraL.
15
quais está a manutenibilidade. Todos os insumos a tuam sob re a metodolo
gia, ou seja, "como fazer" . Observar que enquanto o microp lanejam ento está
direcionado para o cumprimento dos prazos, o macroplanejamento deve vi
sar a redução dos prazos, daí estar a manutenib ili dade ligada diretam ente a
esse processo.
Do ponto de vista específico, o planejamento atua conforme mostra o dia
grama a seguir, Figura 4 .13. Se o planejamento aruar somente como indicado
na coluna do meio, apenas manterá o patamar onde se encontra. Entretanto, se
incorporar as ações indicadas na coluna à direita - estratégias e manutenibili
dade -, estará tendo uma aruação proativa, buscando a melhoria, a mudança
de patamar.
PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA MANUTENÇÃO
INSTRUMENTOS
RELAÇÃO OE SERVIÇOS ~ ' 1
SISTEMÁTICA DE ~ 1
PROGRAMAÇÃO
FERRAMENTAS OE ~ 1
CONTROLE
ÁREAS OE AÇÃO
PLANEJAMENTO
PROGRAMAÇÃO
CONTROLE
MANUTIHÇÃO
DO
PATAMAR
ÁREAS OE AÇÃO
Atua!ião do Planejamento
ESTRATÉGIAS
MANUTENIBIUDAOE
PATAMAR
Figura 4. 13 -Atuação Específica do Planejamento.
45
93
Ao planejamenco, principalmence de paradas, cabe analisa r a melhor ma
neira de execucar o serviço . Desse modo, soluções que melho rem a manuceni
bilidade e comem a execução dos serviços mais fácil, mais rápida e mais segura
devem ser uma preocupação da função planejamenco.
MÉTODOS E FERRAMENTAS PARA
AUMENTO DA CONFIABILIDADE
5.1. INTRODUÇÃO - CONFIABILIDADE,
MANUTENIBILIDADE E DISPONIBILIDADE
Confiabi/idade, Manutenibilidade e Disponibilidade são palavras que fazem
parte do cotidiano da manutenção. Se analisarmos a conceituação moderna de
Manutenção, verificamos que a Missão da Manutenção é "Garantir a Disponi
bilidade da função dos equipamentos e instalações de modo a atender a um
processo de produção ou de serviço com Confiabilidade, segurança, preserva
ção do meio ambiente e custo adequado.
Antes de apresentarmos as principais ferramentas para o aumento da confiabi
lidade, é importante conceituarmos e caracterizarmos cada um desses termos.
5.1.1. Confiabilidade
O termo confiabilidade na Manutenção, do inglês Reliability, teve origem
nas análises de falha em equipamentos eletrônicos para uso militar, durante a
década de 50, nos Estados Unidos.
Em 1960, foi criado pela Federal Aviation Administration um grupo para
estudo e desenvolvimento de um programa de confiabilidade para a indústria
aeronáutica. Das várias conclusões a que o grupo chegou, duas delas provoca
ram uma reorientação nos procedimentos até então em vigor:
96 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
• Se um item não possui um modo predominante e característico de falha,
revisões programadas afetam muito pouco o nível de confiabilidade.
• Para muitos itens, a prática da manutenção preventiva não é eficaz.
Desde que, atualmente, o emprego da palavra confiabilidade tem sido muito
grande na indústria, de um modo geral, é importante que seja bem caracteriza
da.
CONFIABILIDADE é a probabilidade que um item possa desempenhar sua
função requerida, por um intervalo de tempo estabelecido, sob condições
definidas de uso.
A confiabilidade de um equipamento ou produto pode ser expressa pela se
guinte expressão, segundo a distribuição exponencial (taxa de falhas constan
te):
1 R( t) = e ->.r 1
Onde:
R(t) = confiabilidade a qualquer tempo t.
e= base dos logaritmos neperianos (e!!: 2,303).
À= taxa de falhas (número total de falhas por período de operação). Ver 5.1.1.6.
t =tempo previsto de operação.
Os quatro conceitos, destacados na definição de confiabilidade acima, po
dem ser mais bem caracterizados como se segue.
5.1.1.1. Probabilidade
É um conceito da estatística e pode ser definida como:
Relação entre o número de casos favoráveis e o número de casos possíveis, ou seja.
Número de casos favoráveis/número de casos possíveis~ 1
Para um intervalo de tempo t. Ou seja, a probabilidade é expressa, quanti
tativamente, entre O e 1.
A probabilidade igual a 1 exprime a certeza de que um evento ocorrerá.
A probabilidade igual a O exprime a certeza de que um evento não ocorrerá.
MÉTODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE 97
POR SER UMA PROBABILIDADE, A CONFIABILIDADE É UMA MEDIDA
NUMÉRICA QUE VARIA ENTRE O E 1 (ou O e 100%).
Praticamente, considera-se que a confiabilidade é a probabilidade estatísti
ca de não ocorrer falha, de um determinado tipo, para uma certa missão, com
um dado nível de confiança.
5.1.1.2. Função Requerida
É o limite de admissibilidade abaixo do qual a função não é mais satisfató
ria. É o mesmo que cumprir a missão, realizar o serviço esperado.
5.1.1.3. Condições Definidas de Uso
São as condições operacionais às quais o equipamento está submetido. O
mesmo equipamento submetido a duas condições diferentes apresentará con
fiabilidade diferente.
Diferenças de temperatura, presença de poeira no ambiente, impurezas no
produto e uma série de outros fatores influenciam sobremaneira a confiabili
dade de equipamentos e nem sempre são levados em consideração quando são
feitas comparações com indicadores de equipamentos instalados em outras
plantas ou outros locais.
5.1.1.4. Intervalo de Tempo
O período de tempo definido e medido é fundamental, desde que a confia
bilidade varia com o tempo.
Um exemplo bastante intuitivo pode ser considerado para os carros de
Fórmula-1. Suponha que o tempo da prova seja alterado de 2 horas para 4 ho
ras. É de se esperar que a confiabilidade dos carros caia drasticamente.
5.1.1.5. Desempenho e Falha
Todo equipamento é projec:ado segundo uma especificação. Ou seja, todo
equipamento é projetado segundo a função básica que irá desempenhar.
Normalmente o desempenho de um equipamento pode ser classificado
como:
Desempenho Inerente é o desempenho que o equipamento é capaz de fornecer.
Desempenho Requerido é o desempenho que queremos obter do equipa
mento.
98 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRAT J:GICA
A Manucenção é capaz de rescaurar-se o desempenho inerence do equipa
menco. Se o desempenhodo equipamenco não é o desejado, ou se reduz a ex
peccaciva ou se incrod uzem modificações.
Ainda é muico comum enconcrar-se alguém, encrc o pessoal da manucenção,
cencando obcer um d esempenho dos equipamencos diference do desempenho
inerence, à cusca de revisões, modificações de folgas, melhorias de acabamenco
incerno e ou eras soluções "qu ixocescas" que de nada adiancam e consomem enor
mes recursos. Faz-se miscer que a manucenção con heça o desempenho d os equi
pamencos e seja inclusive capaz de indicar quais modificações serão necessárias se
o desempenho desejado não é mais o incrence ao equipamenco.
Quando um equipamenco não apresenca o desempenho previsto, usamos o
termo falha para id enrificar essa situação .
A falha pode represencar:
• lncerrupção da produção.
• Operação em regime instável.
• Queda na quancidade produzida.
• Decerioração ou perda da qualidade do produco.
• Perda da função de comando ou proceção.
Figura 5.1 - Baixa Confiabifidade.
MÉTODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE 99
Falha pode ser definida como a cessação da função de um item ou incapacidade
de satisfazer a um padrão de desempenho previsto.
Quanto maior o número de falhas menor a confiabilidade de um item,
para as condições estabelecidas a priori.
Quanto maior a confiabilidade, melhores os resultados para o cliente ou
usuário. Entretanto, a confiabilidade só começa a ter sentido quando o lado fi
nanceiro está em questão.
As curvas abaixo, Figura 5.2, expressam os custos de manutenção e de pro
dução como função da confiabilidade.
Confiabiliade
Custo de
Manutenção
5.1.1.6. Taxa de Falhas
Figura 5.2.
Confiabiliade
100% ·-·-·-·--·--·-
Custo de
Produção
A Figura 5.3 apresenta uma curva característica típica da vida de um pro
duto, equipamento ou sistema. Veja também item 5.2.2.4.3. A curva expressa
C/)
"O
~
i!
_.,--------1----------------------------...... ----------~ Tempo Mortalidade
Infantil
Vida Útil Envelhecimento
Figura 5.3 - Curva Característi.ca da Vida de Equipamentos {Curva da Banheira).
100 MANUTENÇÃO-FUNÇÃO ESTRATÉGICA
a taxa de falhas (número de falhas por unidade de tempo) em função do tempo
(vida).
A curva mostrada é também conhecida como curva da banheira, pelo seu
formato. É válida para uma série de componentes elétricos, mecânicos e siste
mas, sendo determinada a partir de estudos estatísticos.
Tem três períodos distintos (ver também Anexo 1):
Mortalidade Infantil - Há grande incidência de falhas causadas por com
ponentes com defeitos de fabricação ou deficiências de projeto. Essas falhas
também podem ser oriundas de problemas de instalação.
Vida Útil - A taxa de falhas é sensivelmente menor e relativamente cons
tante ao longo do tempo. A ocorrência de falhas decorre de fatores menos con
troláveis, como fadiga ou corrosão acelerada fruto de interações dos materiais
com o meio. Assim, sua previsão é mais difícil.
Envelhecimento ou Degradação - Há um aumento na taxa de falhas de
corrente do desgaste natural, que será tanto maior quanto mais passar o tempo.
Esta curva foi considerada, por muito tempo, como um padrão para o
comportamento de equipamentos e sistemas, mas a partir do estudo de confia
bilidade elaborado pela United Airlines-ver Figura 5.9- e da possibilidade de
uma boa atuação nas fases que antecedem a entrada em operação dos equipa
mentos não deve ser considerada como tal.
Do ponto de vista de manutenção, deve ser considerado que a taxa de mor
talidade infantil será tanto maior quanto pior for o trabalho desenvolvido nas
fases que antecedem a entrada em operação de qualquer equipamento ou siste
ma. Normalmente a manutenção arca com todo o ônus do trabalho malfeito
nas etapas anteriores mas, independente disso, as conseqüências se traduzirão
em baixa confiabilidade e lucros cessantes para a planta.
A Tabela 5.1, a seguir, enumera as etapas usuais entre a especificação e a
entrada em operação de equipamentos e sistemas. A experiência indica que,
quanto maior a participação do pessoal de manutenção nessas fases, menor a
chance de problemas de mortalidade infantil. A experiência acumulada pela
equipe de manutenção é uma ajuda sensível e valiosa.
Apesar de esse procedimento parecer óbvio, em muitas empresas essas eta
pas são desenvolvidas por departamentos diferentes e estanques que não inte
ragem com outros departamentos como produção/operação e manutenção.
Desse modo não são colhidas opiniões que melhorariam sensivelmente a con
fiabilidade final do sistema ou da planta.
Mi!TODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE 101
Tabela 5.1
Participação da Manutenção nas Fases que Antecedem à Operação
Fases O que a Manutenção Deve Fazer
Especificação e Projeto Básico Opinar
Colocação da Compra Parecer Baseado na Experiência
Análise de Propostas Parecer Técnico
Projeto da Instalação Parecer
Fabricação, Testes e Ensaios Acompanhar
Transporte e Armazenamento Orientar
Instalação e Testes Acompanhar
Operação Rotina
A Taxa de Falhas (Ã.) é definida como:
Número de falhas
Â,-~~~~~~~~~~~~~~~~~-
N úmero total de horas de o eração da unidade
Outra forma de calcular a taxa de falhas é considerar o número de unidades
testadas multiplicado pelo número total de horas de teste. Esta forma de cálcu
lo é utilizada pelos fabricantes de componentes:
Número de falhas
Â.=~~~~~~~~~~~~~~~~~~
(unidades testadas) X (número de horas de teste)
5.1.2. Disponibilidade
Disponibilidade, do inglês Availability, pode ser conceituada numa primeira
abordagem como sendo o tempo em que o equipamento, sistema ou instalação
está disponível para operar ou em condições de produzir.
Para melhor caracterizar disponibilidade, que é o principal objetivo da ma
nutenção, é importante conceituar algumas variáveis importantes:
102 MANUTENÇAO- FUNÇÃO ESTRATfGICA
Tempo total É o tempo rotai que o equipamento poderia
fica r d isponível para operação
T empo de funcionam ento É a parcela do tempo total em que a instalação
ou equipamento estava em funcionamento
Tempo de não É a parcela do tempo roca! em que a instalação,
funcionamento embora disponível não foi utilizada pela
produção e ficou parada (não funcionou)
Isso pode ser representado da seguinte forma, em um dado período de
tempo:
TEMPO TOTAL
TEMPO DISPONÍVEL PARA PRODUÇÃO - T TEMPO EM
MANUTENÇÃO - r
TEMPO OE TEMPO DE NÃO Em reparo
FUNCIONAMENTO FUNCIONAMENTO
Ao longo do tempo total reremos, então, tempos disponíveis para a produ
ção (T) e tempos em que o equipamento está em manutenção (e), ou seja, in
disponível para a produção.
Tl 1 F tl T2 t2 T3 t3 T 4 [ t4
Assim é possível, para o período analisado, calcular o tempo médio dispo
nível (produzindo ou não) e o tempo médio em reparo.
O tempo médio de bom funcionamenro é conhecido mundialmente como
TEMPO Mt.DIO ENTRE FALHAS - TMEF ou MEAN TIME BETWEEN
FAILURES - MTBF.
1
Tl+T2+T3+T4 + ... +TN 1
TMEF ou MTBF = -----------
N
O tempo médio sem produção está associado à falha, sendo conhecido como
TEMPO Mt.DIO PARA REPARO - TMPR ou MEAN TIME TO REPAJR - MTTR.
Esse tempo inclui o que foi gasco no reparo e todas as esperas que retardam
a colocação do equipamento novamente em operação. (Veja irem 4.4.2b4.)
TMPR ou MTTR = t 1 + r2 + t3 + t4 + .. . + tN
N
MÉTODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE 103
O TMEF e o TMPR são dois indicadores mundialmente adotados e, jun
tos, vão definir Disponibilidade como será mostrado adiante.
DISPONIBILIDADE é a relação entre o tempo em que o equipamento
ou instalação ficou disponível para produzir em relação ao tempo total. É
dada pela seguinte relação:
Disponibilidade
1: TemposDisponíveis para a Produção
L Tempos Disponíveis para a Produção+ L Tempos em Manutenção
D . ·b·1·d d TMEF 1spom 11 a e=
TMEF+TMPR
O TMPR - Tempo Médio Para Reparo, de modo resumido, depende:
• da facilidade do equipamento ou sistema ser mantido;
• dacapacitação profissional de quem faz a intervenção;
• da característica de organização e planejamento da manutenção.
Podemos dizer, então, que:
A DISPONIBILIDADE É FUNÇÃO DA CONFIABILIDADE E DA
MANUTENIBILIDADE
Para aumentar a disponibilidade de uma planta, sistema ou equipamento
devemos:
a) aumentar a confiabilidade expressa pelo TMEF;
b) reduzir o tempo gasto para reparo, expresso pelo TMPR;
e) aumentar o TMEF e reduzir o TMPR simultaneamente.
Desde que a taxa de falhas exprime a relação entre o número de falhas e o
tempo total de operação da unidade ou equipamento, podemos representar o
TMEF como sendo o inverso da taxa de falhas.
1 TMEF=i 1
Analogamente à definição de taxa de falhas, é também definida a taxa de re
paros que é dada por:
Número de reparos efetuados
µ =-------------
Tem o total de re aro da unidade
104 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
Em conseqüência, pode-se também definir o TMPR como sendo o inverso
da taxa de reparos.
5.1.3. Manutenibilidade
1
TMPR=-
µ
A Manutenibilidade (ou Mantenabilidade), do inglês Maintainability,
pode ser conceituada como sendo a característica de um equipamento ou ins
talação permitir um maior ou menor grau de facilidade na execução dos servi
ços de manutenção.
François Monch/ apresenta a seguinte definição probabilística para Ma
nutenibilidade: "É a probabilidade de restabelecer a um sistema suas condições
de funcionamento específicas, em limites de tempo desejados, quando a ma
nutenção é conseguida nas condições e com meios prescritos''. Ou, mais sim
plesmente, é a probabilidade de que um equipamento com falha seja reparado
dentro de um tempo t.
De modo análogo à Confiabilidade, a Manutenibilidade pode ser definida
pela expressão:
M(t) = 1 - e-µt
Onde:
M(t) =é a função manutenibilidade, que representa a probabilidade de que
o reparo comece no tempo t = O e esteja concluído, satisfatoriamen
te, no tempo t (probabilidade da duração do reparo).
e = base dos logaritmos neperianos (e = 2,303).
µ=taxa de reparos ou número de reparos efetuados em relação ao total de
horas de reparo do equipamento.
t - tempo previsto de reparo.
Como visto anteriormente, a Manutenibilidade está associada ao parâme
tro TMPR - Tempo Médio para Reparo. Entretanto, na literatura disponível
são muito comuns as seguintes considerações:
• O TMPR estaria associado ao tempo gasto efetivamente no reparo.
MÉTODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE 105
• Todo tempo além desse, causado por esperas de ferramentas, sobressa
lentes e tempos mortos, costuma ser retirado do TMPR.
• O somatório do TMPR com os demais tempos constitui o que é normal
mente denominado down-time por alguns autores. Outros costumam
denominar esse tempo total de MFOT - Mean Forced Outage Time.
• Entretanto, no cálculo da disponibilidade, a maioria dos autores indica
que o tempo a ser considerado é o tempo de reparo mais os tempos de
espera, o que é lógico. Além disso, a notação mais adotada acaba sendo
TMPR.
Normalmente, os tempos que ocorrem entre a parada e o retorno do equi
pamento à operação são os seguintes:
l7''~ .•... ·I
5 !. 6 1 7 1
to Instante em que se verifica a falha
1 Tempo para localização do defeito
2 Tempo para diagnóstico
3 Tempo para desmontagem (acesso)
4 Tempo para remoção
5 Tempo de espera de sobressalentes (logístico)
6 Tempo para substituição de peças
7 Tempo para remontagem
8 Tempo para ajustes e testes
tf Instante de retorno do equipamento à operação
Quando analisamos os tempos descritos acima, verificamos que todos eles,
direta ou indiretamente, são de responsabilidade da manutenção. Poderíamos
acrescentar, ainda, outros tempos ligados à existência e/ou facilidade de obten
ção de informações, aspectos ligados ao planejamento dos serviços, problemas
de liberação de equipamentos e qualificação do pessoal.
Desse modo, o TMPR definido no item 5.1.2 deve considerar não apenas o
tempo de reparo mas todos os tempos que são pertinentes à atuação da manu
tenção e devem ser preocupação dela. Temos que entender que o tempo em
que o equipamento está fora de operação deve ser reduzido e esse deve ser o oh-
106 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
jetivo de todos os setores da organização. Afinal, o que interessa é o resultado
final para a empresa.
Devemos conhecer e analisar os equipamentos e instalações para:
• Adotar manutenção preditiva como meio de acompanhamento e predi
ção de falhas.
• Adotar ações preventivas onde a preditiva não seja aplicável.
• Praticar engenharia de manutenção como forma de melhorar os equipa
mentos e as instalações.
• Ter um bom planejamento de serviços para reduzir os tempos de parali
zação.
5.1.3.1. Melhoria da Manutenibilidade
A ocasião mais adequada para analisar os aspectos de manutenibilidade de
um equipamento, sistema ou instalação é no projeto. Conforme comentado
no item 5.1.1.6 e resumido na Tabela 5.1, a participação da manutenção nas
fases que antecedem a entrada em operação é fundamental. Um artigo recente
afirma que 60% dos custos de manutenção durante a vida de um equipamento
são gastos em problemas que poderiam ter sido prevenidos, causados por falhas
de projeto, instalação e práticas de operação e manutenção.
Os tópicos que se seguem sugerem uma série de itens que devem ser anali
sados para qualquer novo equipamento ou sistema, mas valem também para
instalações que já estão operando. Deve ser levado em consideração que:
Sempre é possível melhorar a manutenibilidade.
A análise da manutenibilidade de um equipamento ou de uma instalação
deve levar em conta:
• Requisitos qualitativos.
• Requisitos quantitativos.
• Suporte logístico.
• Capacitação do pessoal de manutenção.
REQUISITOS QUALITATIVOS
a) Facilidade de acesso (acessibilidade).
b) Modularidade.
MÉTODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE
c} Padronização.
d) Intercambiabilidade.
e} Manobrabilidade.
f) Possibilidade de regulagem e ajustes (alinhamento, calibração).
g) Simplicidade de operação.
h) Necessidade de ferramentas, dispositivos e instrumentos especiais.
i) Visibilidade das partes que terão manutenção.
j) Peças e componentes standard.
REQUISITOS QUANTITATIVOS
107
a) Tempo médio para intervenções do tipo corretivo, preventivo e preditivo.
b) Tempos máximos admissíveis para os trabalhos típicos de manutenção.
c} Expectativa de recursos de manutenção (x homens/hora para cada y ho-
ras de funcionamento}.
d) Número médio e máximo de recursos técnicos necessários em cada in-
tervenção típica de manutenção.
e) Tempos médio e máximo de indisponibilidade (histórico/comparativo}.
f) Tempo de manutenção por cada produto novo.
g) Expectativa de consumo de componentes (sobressalentes e materiais di
versos}.
h) Quantidade recomendada de sobressalentes em estoque.
SUPORTE LOGfSTICO
Logística é uma palavra que tem sido cada vez mais utilizada nas indústrias
e deriva do termo usado pelos militares para "definir a ciência que trata do alo
jamento, equipamento e transporte de tropas, produção, distribuição, trans
porte e manutenção de material e de outras atividades não combatentes relaci
onadas"(Dicionário da Língua Portuguesa - Melhoramentos, 8ª edição,
1994). Analogamente a indústria utiliza o termo logística que engloba todas as
atividades que dão apoio e/ou suporte à produção.
Analisada pela ótica da Manutenção, logística é o conjunto de meios que
devem ser colocados à disposição para o cumprimento da missão da manuten
ção: manter a disponibilidade do sistema. Esses meios são: ferramental, sobres
salentes, materiais de consumo, meios de levantamento de carga, transporte e
movimentação de carga, pessoal e materiais.
Suporte Logístico é providenciar aquilo que se necessita, no momento ade
quado e no local apropriado, de tal modo que a disponibilidade do sistema seja
mantida.
108 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO EST RATÉGICA
CAPACITAÇÃO DO PESSOAL DE MANUTENÇÃO
Hoje em dia é cadavez maior o nümero de empresas que, empurradas pela
necessidade de serem compecicivas, adocam instalações, siscemas e equipamen
tos cada vez mais softscicados, com alto grau de aucomação e excremamence
mais complexos do que os que acé encão possuía. Encrecanto, nem sempre é fei
ta uma requalificação do pessoal de manucenção de modo a torná-lo apto para
a nova realidade da empresa. Infelizmence, ainda é mu ito com um enco ncrar
mos p rofissionais de manucenção com qualificação para fazer um "ceco-ceco"
voar mas complecamence despreparados para incervir num DC-1 O.
Figura 5.4 - Necessidade de Treinamento do Pessoal de Manutenção.
O profissio nal despreparado gasta, no mínimo, um cempo muito maior
para executar o serviço, concudo "é capaz" de inuoduzir defeitos ou provocar
sérios problemas pela falca de qualificação para executar o serviço.
A capacitação é fundamencal para que o pessoal de manucenção desenvolva
as habilidades que escão diretamence ligadas a:
• Qualidade do serviço p restado.
• Redução do cempo necessário para execução do serviço.
• Oporwnidades de melhorias nos equipamencos e instalações.
O mancenedor deve ser um especia lista, de modo que:
• Co nheça detalhadamence os equipamentos, siscemas e o seu funciona
mento.
• Conheça detalhes de operação, pois só assim será possível executar uma
boa manutenção, quando necessário.
• Seja capaz de defini r e ll(ilizar in scrumenros, necessários ao acompanha
mento, e emitir diagnóscico.
• Possa transmicir conhecimentos para seus compan heiros.
M~TODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE 109
ASPECTOS GERAIS DE MANUTENIBILIDADE
O projeto deve estar sempre atento para os aspectos ligados a acesso e faci
lidades para a manutenção. Além do projeto do equipamento, a definição do
layoute a instalação do equipamento são de capital importância para o aspecto
da manutenibilidade.
Infelizmente, é muito comum nos depararmos com situações de extrema
dificuldade para a execução dos serviços de manutenção, mesmo em projetos
para grandes empresas. Algumas das principais causas são:
• Nem todos os fabricantes de equipamentos investem nesse aspecto. Na
hora da compra, a empresa deveria privilegiar esse aspecto, mas nem
sempre isso acontece.
• É muito comum que os engenheiros encarregados do projeto só tenham
vivência em projeto. Seria ideal que tivessem vivência de manutenção
antes de ingressar no projeto.
• Visão distorcida que privilegia uma economia inicial esquecendo-se de
que o gasto futuro, traduzido pelo aumento da indisponibilidade, é infi
nitamente superior.
• Não participação do pessoal de manutenção nas fases que antecedem a
entrada dos equipamentos em operação.
DECISÕES TOMADAS NOS PRIMEIROS ESTÁGIOS TÊM UM EFEITO
SIGNIFICATIVO NOS CUSTOS. QUANTO MAIS TARDE, MAIOR O
DISPÊNDIO.
A • ;
Custo ......
;
$ ;
,.'
~ ;
..... .,-
;
; ,
~;
Especificação Projeto Fabricação Testes Instalação Operação
Figura 5.5 - Decisão na Hora Certa.
....
~
110 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
5.1.4. A Relação Entre o Aspecto Técnico e o Financeiro
Quanto mais atreladas ao aspecto financeiro, mais a definição e a quantifi
cação das falhas, que estarão traduzindo a falta de confiabilidade, motivarão a
organização na busca de ações para promover as melhorias necessárias. É preci
so que o homem de manutenção, além de otimizar o custo da manutenção, te
nha uma visão de quanto representa de ganho (ou de perda) de faturamento e
lucro a maior ou menor confiabilidade. Em média, os custos de manutenção
representam 4,4% do faturamento das empresas,
17
daí a importância da preo
cupação e comprometimento com o lucro e, por conseqüência, com a compe
titividade empresarial.
Figura 5. 6 - Devemos Falar a Língua dos Negócios.
As respostas às questões abaixo permitem verificar se uma planta está apta
para ter um programa de aumento da Confiabilidade:3
1. Qual o custo anual da não-confiabilidade?
2. Quais são as perdas que ocorrem na planta?
3. As raízes das causas dessas perdas são conhecidas?
4. Quais são as alternativas para redução de custos?
./Quais são os itens específicos que necessitam de correção?
./ Quem é responsável por essas ações?
./Qual é o planejamento (tempo e custos) para a mudança?
MI!TODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE 111
Especialistas em implantação de programas de aumento de confiabilidade
costumam concordar que as ferramentas a serem aplicadas dependem do está
gio em que a manutenção se encontra, e de um modo geral a utilização das fer
ramentas tem uma evolução. Isso significa que algumas ferramentas extrema
mente simples oferecem grandes ganhos em tempo curto, daí ser recomendada
sua implantação em primeiro lugar.
Um exemplo do que vem a ser isso está ilustrado a seguir:
3
../ Inicie o programa de melhoria da confiabilidade com formulários
simples e operações aritméticas. Quantifique custos importantes e
número de falhas.
• Ganhe ímpeto com boas práticas de manutenção.
• Melhore a sistemática de manutenção introduzindo o TPM - Manuten
ção Produtiva Total ou Polivalência.
• Utilize ferramentas para resolver problemas de modo eficaz: RCM- Ma
nutenção Centrada na Confiabilidade ou Reliability Centered Mainte
nance, FMEA-Análise do Modo e Efeito de Falha ou Failure; Mode and
Ejfects Analisys; RCFA - Análise das Causas-Raízes da Falha ou Root Ca
use and Failure Analisys; MASP - Método de Análise e Solução de Pro
blemas, e outras.
• Estimule programas de melhoria pelo uso de estatística para quantificar
e compreender os resultados.
• Forneça todos os resultados de confiabilidade em moeda corrente (fatu
ramento, lucro, redução de custos, etc.).
5.2. PRINCIPAIS FERRAMENTAS DE AUMENTO DA
CONFIABILIDADE
5.2.1. Boas Práticas de Manutenção
O que são boas práticas de manutenção?
Boas práticas, ou melhores práticas de manutenção, são a utilização do que
existe de melhor, para gerenciar e executar os serviços da manutenção.
Boas práticas de manutenção, além de permitirem coisas que hoje são ób
vias como reduzir o tempo de reparo, fazer um reparo confiável de modo que
não haja retrabalho, etc. devem estar ligadas à dinâmica dos negócios, ou seja,
devem contribuir para levar a empresa à posição de liderança no mercado. Por
112 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
isso, o objetivo de ter as melhores práticas de manutenção não é ter uma manu
tenção, ~'boazinha", mas ter uma manutenção CLASSE MUNDW...
Isso envolve:
Ação/Condição Conseqüências
• Estrutura organizacional • Alta produtividade do pessoal
• Organização dos ·times de próprio e contratado
manutenção • N fveis elevados de segurança
• Integração com área de materiais • Melhoria no nível de
• Integração com as áreas de disponibilidade e confiabilidade
operação e engenharia • Ambiente proativo
• Processos de trabalho • Confiabilidade dos serviços
o Planejamento e controle dos • Redução de custos dos serviços e
processos contratos
o Melhoria contínua dos • Aumento do TMEF - Tempo
processos Médio Entre Falhas
o Integração dos processos • Otimização de procedimentos
tecnológicos com os negócios • Definição de itens de controle e
o Utilização de ferramentas
metas para superar benchmarks
gerenciais de suporte para
melhoria
• Gerenciamento de materiais e • Materiais e sobressalentes
equipamentos confiáveis
• Histórico de manutenção • Redução de inventário em
• Documentação de projeto estoques - padronização, política
atualizada de recuperação compartilhada
com fornecedores
• Base de dados consolidada para
consulta e controle
Boas práticas de manutenção não serão alcançadas se não houver investi
mento nas pessoas. É fundamental que as pessoas sejam treinadas em vários
níveis e haja um programa de reciclagem à medida que melhorias nos proces
sos ou introdução de novos métodos e/ou instrumentos sejam incorporados.
MÉTODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE
Mais do que saber épreciso querer, ou seja: as pessoas precisam
acreditar e ftUer acontecer (veja item 6.4.3)
113
Os procedimentos devem ser produzidos pelo conjunto de pessoas envol
vidas nos trabalhos, por elas mesmas melhorados e adotados por todos. Pro
cedimentos em belas encadernações ornamentando estantes não servem ab
solutamente para nada. Por outro lado, em locais onde cada um adota um
procedimento particular para realizar os serviços, os resultados não são ga
rantidos em nível de qualidade, ou seja, não se tem um bom gerenciamento
da rotina.
Finalmente, inicie a constituição de grupos multidisciplinares, isto é, gru
pos que tenham participação de elementos de outras especialidades da empre
sa, para analisar problemas nos equipamentos ou sistemas. Comece já; os resul
tados são compensadores.
5.2.2. Análise do Modo e Efeito de Falha (FMEA) e Análise das
Causas-Raízes da Falha (RCFA)
5.2.2.1. Análise do Modo e Efeito de Falha - FMEA
Também bastante conhecida pelo seu nome em inglês, Failure Mode &
EjfectAnalysis- FMEA, é uma abordagem que ajuda a identificar e priorizar fa
lhas potenciais em equipamentos, sistemas ou processos. É geralmente utili
zada como um degrau para o estabelecimento do programa de Análise das Cau
sas-Raízes da Falha- RCFA ou Root Cause Failure Analisys.
FMEA é um sistema lógico que hierarquiza as falhas potenciais e fornece as
recomendações para as ações preventivas. É um processo formal que utiliza es
pecialistas dedicados a analisar as falhas e solucioná-las. No dia-a-dia, certa
mente vamos encontrar um grande número de pessoas nas plantas espalhadas
pelo mundo, tentando decifrar por que um equipamento falhou repentina
mente: de modo informal e não sistematizado.
114 MANUTENÇÃO: FUNÇÃO ESTRAT~GICA
Especialistas indicam três níveis de FMEA: projeto, processo e sistema.
FMEA no projeto dedica.;.se a eliminar as causas de falha durante o projeto do
equipamento, levando em consideração todos os aspectos, desde mantenabili
dade até aspectos ligados à segurança.
FMEA no processo· focaliza como o equipamento é mantido e operado.
FMEA no sistema se preocupa com as falhas potenciais e gargalos no proces
so global como uma linha de produção.
O pessoal de Manutenção está mais envolvido na FMEA de processo, pois
nessa fase os equipamentos estão instalados e operando. Além disso, os especia
listas em equipamentos são da Manutenção.
Sugere-se que o grupo de FMEA, na fase de processo, orientado para Manu
tenção, tenha engenheiros e técnicos de manutenção e de operação. Os grupos
devem ser multidisciplinares pela complementaridade de conhecimentos,
além da vantagem de decisões colaborativas. Está mais do que comprovado
que esse tipo de grupo apresenta maior produtividade, além de eficiência no
aspecto de custos.
FMEA é fundamentalmente a medida do risco de falha. Desse modo, quan
to mais pessoas estiverem envolvidas na definição da taxa de risco, mais preciso
será o resultado.
Além da sigla FMEA é comum se ouvir a sigla FMECA.
FMECA é a sigla que significa Fai/ure Mode E.ffects and Critically Ana/isys,
ou seja, Análise do Modo, Efeito e Criticidade de Falhas.
A principal diferença entre FMEA e FMECA reside no fato de que FMEA é
uma técnica mais ligada ao aspecto qualitativo, sendo muito utilizada na avali
ação de projetos, enquanto a FMECA inclui o que se denomina análise crítica -
CA- Critica/lyAnalisys. A análise crítica é um método quantitativo que é utili
zado para classificar os modos de falhas levando em consideração suas probabi-
l'd d d " . 57,58. 1 a es e ocorrenc1a.
Alguns dos principais conceitos necessários para a análise são:56
CAUSA- é o meio pelo qual um elemento particular do projeto ou processo
resulta em um Modo de Falha.
EFEITO - é uma conseqüência adversa para o consumidor ou usuário.
Consumidor ou usuário pode ser a próxima operação ou o próprio usuário.
MODOS DE FALHA- são as categorias de falha que são normalmente descri-
tas.
FREQÜ~NCIA - é a probabilidade de ocorrência da falha.
M~TODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE 115
GRAVIDADE DA FALHA- indica como a falha afeta o usuário ou cliente.
DETECTABILIDADE - indica o grau de facilidade de detecção da falha.
ÍNDICE DE RISCO OU NÚMERO DE PRIORIDADE DE RISCO - NPR- é o
resultado do produto da Freqüência pela Gravidade da Falha pela Detectabi
lidade (facilidade de detecção). Esse índice dá a prioridade de risco da falha.
NPR = Freqüência x Gravidade x Detectabilidade
SEQÜÊNCIA DE TRABALHO
Na determinação da taxa de risco de falha de um componente particular de
um equipamento, o grupo deve adotar a seguinte seqüência:
a) Isolar e descrever o modo da falha potencial:
Sob que condições o equipamento falha?
b) Descrever o efeito potencial da falha:
Ocorre parada ou redução de produção?
A qualidade do produto é afetada?
Quais os prejuízos?
c) Determinar a freqüência, a gravidade e a detectabilidade da falha:
Qual a freqüência de ocorrência da falha?
Qual o grau de gravidade da falha?
Qual a facilidade da folha ser detectada?
Para indicar a gravidade da falha, adota-se uma escala de 1 a 10, sendo 10
para a falha mais grave. Idem para a freqüência e para a detectabilidade.
Para que todos os membros do grupo tenham o mesmo entendimento do
que é uma falha e o que ela significa para uma operação em particular, essas de
finições devem ser dadas antes do grupo iniciar seus trabalhos.
d) Determinar o Número da Prioridade do Risco - NPR.
e) Desenvolver planos de ação para eliminar ou corrigir o problema po
tencial.
Para determinação dos pesos das parcelas que compõem o NPR, existem al
gumas recomendações, normalmente baseadas em experiências de empresas,
d . 56
como mostra o a segmr:
116 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRAT~GICA
Componente do NPR Classificação Peso
Improvável 1
FREQÜ~NCIA DA Muito pequena 2a3
OCOAA!NCIA Pequena 4a6
F Média 7a8
Alta 9a10
Apenas perceptível 1
Pouca importância 2a3
GRAVIDADE DA FALHA
Moderadamente grave 4a6
G
Grave 7a8
Extremamente grave 9 a 10
Alta 1
Moderada 2a5
DETECTABILIDADE
Pequena 6a8
D
Muito pequena 9
Improvável 10
Baixo 1a50
ÍNDICE DE RISCO Médio 50 a 100
NPR Alto 100 a 200
Muito alto 200 a 1.000
Um modelo de formulário para registro e acompanhamento da análise de
FMEA está mostrado a seguir:
EMPRESA X 1 FMECA-Anállse do Modo, Efeito e Criticidade de Falhas 1 Data
Local: 1 Setor: 1 Sistema: 1 Equipamento:
Componente Função do Posslveis Falhas Controle lodices NPR Ações Corretivas lodices NPR
/Processo Componente Atual Melhorados
Modo(S) Efeito(s) Causais) F""Gõ Recomendada Adotada F G D
CONCLUSÃO
A FMEA focaliza falhas potenciais e suas causas. Desse modo, as ações ne
cessárias podem ser tomadas com vista a evitar problemas futuros e prejuízos,
antes que eles aconteçam. Para a Manutenção, a aplicação mais vantajosa de
FMEA ocorre na análise de falhas já ocorridas.
MÉTODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE 117
Para falhas e falhas porenciais mais importantes os gastos no desenvolvi
memo de ações de FMEA são pagos muiras vezes pela economia obtida evitan
do as falhas.
Exemplo: Suponhamos um conjunto motor elérrico, mancai exrerno, mis
turado r, insralado em um tanque vertical, com produto corrosivo.
A FMEA procede à análise parrindo da causa para chegar ao efeito. Então,
podemos analisar o co njumo mostrado no croqui por partes. Isso está mostra
do, muiro simpl ificadamem e, somente para passar a idéia de como deve ser a
seqüência de análise.
a) Isolar e D escrever o Modo Potencial de Falha
1. Componente:
/ Mancai intermediário.
2. Função do Componente:
,/ Centrar e suportar lateralmente o eixo do misturador.
3 . Falhas Possíveis:
,/ Framra da caixa de mancai.
,/ Folga excessiva no mancai.
4. Efeitos:
/ Aumenro da vibração.
,/ Danos ao mancai e ao eixo.
/ Danos à estrutura do tanque (chapa superior).
118
5. Causas:
../ Mancai subdimensionado .
../Fixação inadequada.
MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
../ Chapa-suporte de baixa espessura.
6. Controles Atuais:
../Nenhum.
b) Efeito Potencial da Falha:
• Ocorre parada parcial de produção na Unidade X.
• A qualidade do produto é afetada pela injeção do produto não-homoge
neizado, contido no tanque.
Prejuízos: Refugo da produção obtida nessas condições.
c) Grau de Gravidade da Falha - 5
d) Freqüência de Ocorrência da Falha - 2
e) Detectabilidade - 2
t) Número de Prioridade de Risco - NPR = 20
g) Ação Corretiva
../ Fazer análise de vibração no local para decidir pelo reforço da estrutu
ra de suportação do mancai.
../Verificar, em função da carga, se o mancai selecionado é adequado.
5.2.2.2. Análise das Causas-Raízes de Falha ("Root Cause Failure
Analysis - RCFA")
Esse tipo de análise de falha costumava ser reservado para equipamentos
mais importantes ou críticos. Atualmente, pelo potencial de ganho que o méto
do apresenta na Manutenção, recomenda-se seu uso mais generalizado, princi
palmente em problemas crônicos, que podem chegar a consumir até 50% do or
çamento da manutenção, significando que custam muito mais do que falhas em
equipamentos importantes. Problemas não devem se tornar crônicos; caso isso
aconteça não se está fazendo uma boa gestão da manutenção.
De maneira sucinta, os principais passos para o processo de Análise das Cau
sas-Raízes de Falha são os seguintes:
MÉTODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABI LI DADE 119
Principais Passos Passo Responsável
Análise do Modo e Efeito da Falha - FMEA 1 Operação/
Manutenção
Preservação da informação da fa lha 2 Manutenção
Organização do Grupo de Análise . 3 Gerência
Manutenção
~
Análise 4
Relatar as descobertas 4 Grupo de
Fazer. as recomendações 4 Análise
Acompanhar os resultados 4
METODOLOGIA
RCFA baseia-se no questionamento: POR QU~?
Cada etapa deve sempre responder a esta questão: Por quê? A técnica reco
mendada é que se faça tantas vezes a pergunta até que a questão não faça mais
'd 7 senn o.
Exemplificando:
Pergunta Resposta
Por que a bomba falhou? O selo fa lhou
Por que o selo falhou? Desgaste excessivo das faces de
vedação
Por que ocorreu o desgaste? Houve superaquecimento
Por que houve superaquecimen to? O flushing não escava alinhado
Por que o flushing não estava O operador se esqueceu de abrir a
alinhado? válvula
Por que ele se esqueceu? Ele é novo na área e não tinha
operado, ainda, uma bomba desse tipo
Por que ele não tinha operado esse O seu treinamento não
tipo particular de bomba? contemplou esse ripo de bomba
No caso hipotético, acima, houve uma falha mecânica ocasionada por um
superaquecimento. O faro do flushingnão estar aberro pode até remeter a ação
para a eliminação da válvula de flushingelo u colocação de um dispositivo auto
mático -válvula de controle, por exemplo, para evitar a ocorrência. Mas a cau-
120 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRAT~GICA
sa-raiz, neste exemplo, é a falta de treinamento adequado do operador. Para pre
venir a ocorrência desta falha, neste e em outros equipamentos similares, o trei
namento formal de operadores deve ser melhorado.
REGISTRO DA ANÁLISE DE RCFA
Toda análise de RCFA deve ser documentada para servir de apoio à decisão
de implementação de melhorias e modificações e servir de referência futura,
seja como memória seja para revisão da situação.
Apresentamos, adiante, sugestão de formulário básico para registro de
RCFA, que pode ser em papel ou em microcomputador. Convém observar que
algumas informações são fundamentais, já que serão referências em qualquer
tempo. São elas:
• Data de início e conclusão da análise.
• Identificação do equipamento, sistema ou planta que está sendo analisado.
• Descrição da ocorrência, falha ou incidente.
• Dados que caracterizam as conseqüências da falha sobre:
../ a produção;
../a qualidade do produto;
../o meio ambiente;
../ a segurança pessoal e da planta;
../ os custos.
• Identificação das causas-raízes.
A seqüência utilizada (perguntas) para chegar às causas-raízes deve serre
gistrada, à parte, e anexada.
• Recomendações para prevenir nova ocorrência.
• Acompanhamento das ações recomendadas.
5.2.2.3. Análise de Falhas Ocorridas
Se por um lado a FMEA e a RCFA têm a vantagem de trabalhar na preven
ção de falhas que ainda não ocorreram, elas apresentam um problema, que é o
emprego de muito homem/hora.
MÉTODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE
8\llPRESA
__ x
Cllenu
Planta
Unidade:
E~uipamento (TAG)
Relatório
ANÁLISE DAS CAUSAS-RAÍZES DE FALHA
(RCFA)
1 Local 1
1 5i5t8ma 1
Identificação da Falha Impacto da Falha
Falha 1 Futura 1 1 Ocorrida 1 Perda de Produção
Parada de Unidade: Sim
Data 1 1 Hora 1 Total Hora5 Parada5
Parada E~uipamento Sim
Impacta a S~urançaf' Sim
Mc:io Am"ienuf' Sim
Cla55if'icação da Falha Cu5to Total da Falha U5$
Or:ier Manut_ Proi. 12.06.01 Prev. Conclu5ilo 2Z06.01
Ação • 5ul15tltislr ehco5 do eotoque
Data Recel1. 25.06.01 Prev. Concluoão 25.09.01
Ação - Modificar pi.ano de lnopeção
.1 .. 01 cu o .06.01
Custo Real Melhoria (U5$) Aprovação
16.349,00
1po1 IJ.I
Data Concluoi'lo 21.06.01
li:e5poneável - A. Salgado
Data Conclusão 22.09.01
Re5pon&ável - J. Antonio Dletrich
cl ão- .. d
Data
uma falha ocorrida. A análise de falhas já ocorridas apresenta um enorme po
tencial de ganho e a utilização de ferramentas como FMEA, RCFA, para esse fim,
não representa um desvio na filosofia básica dessas ferramentas, mas uma
adaptação bastante interessante para a área de Manutenção. O MASP- Método
de Análise e Solução de Problemas, da GQT - Gestão pela Qualidade Total,
que incorpora Análise de Pareto, é outra ferramenta excelente para esse tipo de
análise.
MÉTODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE
Praticamente a Análise de Falhas Ocorridas segue a Lei de Pareto:
20% ou menos dos eventos de falhas representam 80%
das erdas (ou custos)
123
Isso indica que as técnicas de análise de falha devem ser aplicadas,
tão-somente, nos itens "mais importantes"segundo essa classificação, o que
motiva pela aplicação de recurso em coisas prioritárias.
MASP - MÉTODO DE ANÁLISE E SOLUÇÃO DE PROBLEMAS 29
O MASP é uma sistemática de análise e solução de problemas adotada na
Gestão da Qualidade Total. Segundo Falcon?
9
é conhecido, pelos japoneses,
como QC Story.
PDCA Fluxo Fase Objetivo
© Identificação do Definir claramente o problema e
J. Problema reconhecer sua importância
r® Observação Investigar as características específicas
p J, do problema com uma visão ampla e
sob vários oontos de vista
@ Análise Descobrir as causas fundamentais
J.
© Plano de Ação Conceber um plano para bloquear as
J. causas fundamentais
D @ Ação Bloquear as causas fundar_nentais
J.
® Verificação Verificar se o bloqueio foi efetivo
e J.
~ ,·>····· > • •· .H> · ..
PROBLEMA
OBSER AÇÃO
PLANO DE
AÇÃO
@
MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
6ssíyeis. . , .
FázerAn~lise d~.Pa.r.~t9 2·p~él. ·.· ··.
prior~zare est.~be.lec~r ~et~
Defü1ir gftipf> para aµálise.item no processo da Manutenção Centrada na
Confiabilidade, recomenda-se' a aplicação das sete perguntas abaixo:
AS SETE QUESTÕES BÁSICAS DA RCM
1. Quais são as funções e padrões de desempenho do item no seu
contexto operacional atual?
2. De que forma ele falha em cumprir suas funções?
3. O que causa cada falha operacional?
4. O que acontece quando ocorre cada falha?
5. De que forma cada falha tem importância?
6. O que pode ser feito para prevenir cada falha?
7. O que deve ser feito, se não for encontrada uma tarefa preventiva
apropriada?
A razão destas perguntas está mostrada a seguir.
5.2.2.4.1. Funções e Padrões de Desempenho
Cada equipamento ou sistema tem uma função definida na instalação e
deve apresentar um padrão de desempenho tal como foi projetado. A Manu
tenção é a responsável pela continuidade das funções e pelo padrão de desem
penho de um dado equipamento, devendo, para tal, ter esses dados quantifica
dos.
Como regra geral, deve-se quantificar os padrões, quando possível, no que
se refere a variáveis de produção e/ou desempenho, características da qualidade
do produto, aspectos ligados à segurança, meio ambiente e custos operacionais.
O exemplo abaixo citado por J. Moubray3° ilustra claramente o que é a
função de um item:
Suponhamos uma bomba centrífuga que alimenta uma caixa-d'água, Fi
gura 5.7. A capacidade nominal da bomba é de 400 litros/minuto e a cai
xa-d'água abastece um sistema que necessita de 300 litros/minuto. Qualquer
MÉTODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE 129
programa de manutenção para essa bomba deverá garantir que seu desempe
nho não seja menor que 300 litros/minuto. O programa de manutenção deve
procurar assegurar que a caixa não fique vazia, e não garantir que a bomba for
neça 400 litros/minuto.
Capacidade Nominal 400 //min
B'ó~b~· oê~ffg~d~· ~fo.ooo 'ii't~ós · · · · · · · · · · · · · · · · · ·
Bomba Ligada 45.000 litros
Figura 5.7.
Se para alimentar a caixa-d' água existe apenas uma bomba, ou seja, não há
equipamento reserva, a outra preocupação da manutenção será com o tempo
de reparo ou substituição do equipamento por outro semelhante até que aque
le seja reparado. No exemplo, a bomba sempre é ligada quando o volume de
água chega a 45.000 litros. Na pior situação, se houver uma falha da bomba
quando o volume estiver em 45.000 litros, o tempo disponível antes que a cai
xa esvazie totalmente será de, apenas, 150 minutos, ou seja, 2 horas e meia.
Caso essa bomba seja transferida para uma outra caixa-d' água cuja saída
seja de 350 l/min, sua FUNÇÃO principal também muda, e o programa de ma
nutenção deverá mudar para assegurar a expectativa de um desempenho dife
rente (350 l/min e não 300 l/min). O tempo disponível para reparo ou substi
tuição do equipamento, antes que a caixa-d'água se esvazie, será menor, ou
seja, aproximadamente 2 horas.
A gerência deverá decidir, à luz da relação custo X benefício, a necessidade
de preservação da função do equipamento em razão das prioridades de utiliza
ção - ou produção.
Um item é colocado em serviço para cumprir determinada função. Cabe à
manutenção preservar esse estado para que o item possa cumprir a função que
os usuários esperam.
130 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
5.2.2.4.2. Falha Operacional
Falha, conforme visto anteriormente, pode ser definida como a cessação da
função requerida de um item ou incapacidade de satisfazer a um padrão de de
sempenho definido.
Se o equipamento tem uma função, conforme mencionado na l l! questão
básica da RCM, a Falha pode ser considerada Perda dessa Função.
A RCM faz a abordagem inicial do gerenciamento das falhas do seguinte
modo:
• COMO o item pode falhar.
• O QUE pode causar a falha.
Uma vez analisados estes dois aspectos, parte-se para a identificação dos Mo
dos de Falha, de vez que só a compreensão exata desse processo pode levar a
ações que impeçam sua ocorrência. Essa análise busca identificar, com detalhes:
• as causas da falha e ao mesmo tempo registrar os
• seus efeitos.
O registro dos efeitos da falha indica o que poderia ocorrer se o modo de
falha acontecesse em termos de cessação ou queda de produção, qualidade do
produto, segurança, meio ambiente, enfim, permite identificar de que forma
cada falha tem importância.
Com esse conjunto de informações é possível o estabelecimento de ações de
manutenção preventiva, preditiva e detectiva, em função do nível de importância
de cada falha. Se a falha não provoca qualquer efeito ou se tem um efeito sem im
portância, o grau de prevenção será pequeno; ao passo que se provoca conseqüên
cias sérias demandará ações significativas na tentativa de evitar sua ocorrência.
A RCM reconhece que evitar as conseqüências das falhas é a motivação prin
cipal, e classifica essas conseqüências em Falhas Evidentes e Falhas Ocultas.
Falhas Evidentes são aquelas perceptíveis ao pessoal de operação e são de
três categorias:
• Falhas com conseqüências sobre a segurança ou meio ambiente.
• Falhas com conseqüências operacionais - afetam a produção, qualidade
do produto e custos operacionais, incluído o custo do reparo.
• Falhas não operacionais - não afetam segurança, meio ambiente e ope
ração, restringindo-se ao custo direto do reparo.
M~TODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE 131
Falhas Oettitassão aquelas que não são percebidas pelo pessoal da operação,
estando, em geral, associadas a dispositivos e sistemas de proteção que não são
à prova de falhas.
5.2.2.4.3. Curvas de Falha
A representação típica de curvas de falha está identificada na Figu ra 5.9.
Probabi 1 idade
de Fal ha
Vida Úti l ----- -----por fadiga ou corrosão.
• O padrão D indica uma baixa probabilidade de falha no equipamento
novo seguida de um rápido aumento para um patamar de probabilidade
de falha constante.
• O padrão E apresenta probabilidade constante de falha para qualquer
idade do equipamento, ou seja, o equipamento apresenta falha aleatória.
• O padrão F apresenta alta probabilidade no início (mortalidade infantil)
que cai para uma situação de probabilidade constante para as demais
idades. Pode apresentar também um aumento lento e gradual, em vez de
probabilidade constante.
M~TODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE 133
Os padrões D, E e F representam falhas típicas em equipamentos comple
xos, por exemplo hidráulicos ou eletrônicos.
5.2.2.4.4. O Que Deve Ser Feito
Enquanto na "23 fase da Manutenção" acreditava-se que o aumento de dis
ponibilidade era garantido por algum tipo de manutenção preventiva, ou ain
da, quanto mais era revisado menor a probabilidade do equipamento apresen
tar falhas, a caracterização dos padrões de falha para equipamentos complexos
(curvas E e F) contradiz essa crença.
Na realidade o que se verifica, para equipamentos complexos, é que:
• Limites de idade não proporcionam aumento da confiabilidade.
• A adoção de revisões programadas pode introduzir defeitos.
Entretanto, ao verificar os aspectos das curvas A e B, conclui-se que a ma-
nutenção preventiva faz sentido para esses padrões. Isso é válido para máquinas
mais simples e padrões de falha com idade de desgaste identificável.
Convém ainda lembrar que, conforme mencionado anteriormente, as
conseqüências das falhas influem decisivamente na definição sobre a adoção
ou não de ações preventivas. Se as conseqüências da falha são significativas al
guma coisa deve ser feita para evitar sua ocorrência ou minimizar suas conse
quências.
As três formas de atuação são:
• Manutenção Preditiva ou Manutenção sob Condição.
• Manutenção Preventiva com tarefas programadas de restauração.
• Manutenção Preventiva com tarefas programadas de descarte.
Nas tarefas programadas sob condição, ou seja, manutenção preditiva, está
embutido o conceito de que a maioria das falhas fornece algum tipo de aviso.
Costuma-se chamar esses avisos de falhas potenciais, as quais normalmente an
tecedem uma falha funcional.
Como o desenvolvimento da falha pode ocorrer no período que varia des
de microssegundos até anos, a freqüência de acompanhamento deve ser com
patível, de modo a não haver desperdício de recursos.
As tarefas da manutenção sob condição devem estar baseadas no desenvol
vimento do período da falha - também conhecido como lead time to failure ou
intervalo P-F
1
• O gráfico a seguir (Figura 5.1 O) mostra a curva P-F.
134
Condição
Ponto onde a falha
começou a ocorrer
MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATl!GICA
P Ponto onde a falha começa a ser detectada
Falha potencial
(lead time to failure)
Idade ...
Figura 5.10- Curva P-F.
As unidades mais críticas devem ser verificadas com mais frequências do
que as não-críticas. Assim, numa planta petroquímica a freqüência de acompa
nhamento de bombas centrífugas, cujo posto de serviço tenha duas bombas
uma principal e uma reserva, será menor do que a de um compressor centrífu
go de grande porte que não tem reserva e é uma máquina mais complexa e de
alto custo.
O intervalo de verificação deve ser menor do que o intervalo P-F, pois assim
pode-se detectar a falha potencial antes que atinja seu estágio de falha funcional
1
•
A manutenção baseada na condição é mais eficaz e mais barata do que a
preventiva - revisões a intervalos prefixados ou substituição.
A manutenção preventiva com tarefas programadas de restauração pode incluir
a reforma ou restauração de um item ou componente, sua refabricação ou ain
da uma revisão a intervalos previamente definidos, independente da condição
em que se encontre.
Manutenção preventiva com tarefas programadas de descarte inclui a substi
tuição de um item ao final de uma vida útil definida, independente do estado
desse item. Esse tipo de manutenção é bastante adotado na aviação.
5.2.2.4.5. Tarefas-Padrão
A tarefa preventiva é tecnicamente viável, dependendo da sua característica
técnica e da falha que se destina a evitar.
A tarefa só é viável de ser realizada se provocar resultados bastante positivos
relacionados com as conseqüências da falha.
M~TODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE 135
Se a tarefa não for tecnicamente viável e não valha a pena ser feita, uma ta
refa-padrão deve ser realizada. Sua natureza vai depender das conseqüências da
falha, como mostrado a seguir:
• Uma tarefa destinada a prevenir falha de função oculta é válida se conse
guir reduzir o nível de falha associada à função. Se não houver meios de
executar uma preventiva deve ser executada tarefa de localização da fa
lha, ou seja, verificações periódicas para verificar se o item consegue
cumprir sua função.
v' Outra solução seria reprojetar o item.
• Uma tarefa destinada a prevenir falha que tenha conseqüências sobre a
segurança ou o meio ambiente só é válida se reduzir a um nível baixo ou
eliminar o risco da falha. Caso contrário, a melhor solução é reprojetar o
item ou alterar o processo.
• Uma tarefa destinada a prevenir falhas operacionais só terá sentido se for
economicamente viável. Em outras palavras, o custo da tarefa deve ser me
nor do que o custo das conseqüências da folha somado ao custo do reparo.
Caso contrário, é melhor não fazer nada. Convém lembrar que essa situ
ação, é uma decisão gerencial que define, em cima de dados econômi
cos, que a manutenção de um item só ocorrerá após falha e isso caracte
riza uma manutenção corretiva planejada.
Finalmente, uma tarefa destinada a prevenir falhas (manutenção preventi
va) de conseqüências não operacionais só tem sentido em ser realizada se o seu
custo, durante um período de tempo, for menor do que o custo do reparo nes
se mesmo período. Caso contrário é melhor deixar falhar e fazer a corretiva pla
nejada, como no caso anterior.
Disso resulta que a manutenção preventiva só deve ser aplicada em situações
onde sua necessidade esteja perfeitamente identificada e justificada.
5.2.2.4.6. Equipe de RCM
A resposta às sete questões básicas da Manutenção Centrada na Confiabili
dade deve ser dada por uma equipe multidisciplinar. Deve contar com pessoas
da Operação e da Manutenção, além de alguém ligado à Inspeção de Equipa
mentos e uma pessoa da Segurança.
Somente uma equipe multidisciplinar é capaz de fazer uma análise adequa
da de equipamentos, sistemas, unidades ou da própria planta. A profundidade
de conhecimentos de um operador no aspecto da criticidade em relação à
136 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
Supervisor Supervisor
de Seguranç _ª __ d;f>raçào
Supervisor
de Manutenção
RCM
Operador e::>
Facilitador
Inspetor de
Equipamentos
Executante
de Manutenção
Figura 5.11 - Equipe Multidisciplinar para RCM.
quantidade e qualidade na produção, além dos aspectos de segurança, se soma
ao conhecimento intrínseco do funcionamento e da performance, bem como às
expecrarivas do comporramento dos componentes que possui o homem de manu
tenção. Essa equipe é capaz de dar um sentido extremamente realista às considera
ções que devem ser feitas para a tomada de decisão. Nenhuma outra forma será tão
eficaz e proporcionará di retrizes cão corretas quanto esta. O risco que se corre com
outras abordagens é de parâmetros que pecam pela falta ou pelo excesso.
Fundamentalmente, esse grupo possui as seguintes características funcionais:
• Grupo pequeno.
• Habilidades complementares.
• Propósito comum.
• Conjunto de objetivos de performance, normalmente traduzidos por
indicadores.
• Conjunto de princípios comuns a outros grupos da planta.
• Responsab ilidade múma.
O Facili tador é um especialista, com treinamento em RCM, que tem a seu
cargo as segu intes atribuições:
• O rientação e garantia de221
9.5. PRINCIPAIS TÉCNICAS PREDITIVAS ........................................ 228
BIBLIOGRAFIA..................................................................................... 275
ANEXO 1 - ANÁLISE DE WEIBULL ........... ....................................... 283
1. INTRODUÇÃO ............................ ..................................................... 283
2. A FUNÇÃO DE WEIBULL................................................................ 283
ANEXO 2 - VIBRAÇÃO - PADRÕES.................................................. 295
1. API -Americam Petroleum lnstitute ............................................... 295
2. ISO...................................................................................................... 296
3. GRÁFICO GERAL DE SEVERIDADE DE VIBRAÇÃO .................. 297
4. GRÁFICO DE SEVERIDADE DE VIBRAÇÃO NO EIXO .............. 298
ANEXO 3 - ENGENHARIA DE MANUTENÇÃO: SELOS
MECÂNICOS EM BOMBAS CENTRÍFUGAS
DE PROCESSO................................................................. 299
1. SITUAÇÃO KfUAL ... .... .... .. .. . .. ..... ... ... ...... ... .. . .. ..... .......... ... ... .. . ... ..... 300
XVIII MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATI:GICA
2. COMPARAÇÃO COM O MUNDO À PROCURA
DO BENCHMARK............................................................................ 305
3. srrUAÇÃO DESEJADA..................................................................... 307
4. PLANO DE AÇÃO............................................................................. 310
5. CONCLUSÕES.................................................................................. 312
BIBLIOGRAFIA...................................................................................... 313
6 - RESULTADOS DO TRABALHO.................................................... 314
ANEXO 4 - PROCEDIMENTOS ............. ................... ......... ................ 317
1 - PROCEDIMENTO OPERACIONAL............................................. 318
Manutenção, Operação e Calibração de Transmissores/Controladores
de Nível Masoneilan Modelo 12812
2 - MANUAL DE TREINAMENTO..................................................... 320
Manutenção, Aferição e Calibração de Transmissores/Controladores
de Nível Masoneilan Modelo 12812
3 - PROCEDIMENTO OPERACIONAL............................................. 323
Medição de Vibração com Canetas SKF
4 - PROCEDIMENTO OPERACIONAL............................................. 326
Verificação de Lubrificação a Óleo de Equipamentos Mecânicos
ANEXO 5 -ASPECTOS MOTIVACIONAIS....................................... 329
1. IN~rRODUÇÃO ................................................................................. 329
2. COMUNICAÇÃO.............................................................................. 329
3. VALORIZAÇÃO................................................................................. 330
4. RELACIONAMENl~O ....................................................................... 331
MANUTENÇÃO
FUNÇÃO ESTRATÉGICA
EVOLUÇÂO DA MANUTENÇÂO
1.1. INTRODUÇÃO
Nos últimos 20 anos a atividade de manutenção tem passado por mais mu
danças do que qualquer outra atividade.
Estas alterações são conseqüências de:
a) Aumento, bastante rápido, do número e diversidade dos itens físicos
(instalações, equipamentos e edificações) que têm que ser mantidos.
b) Projetos muito mais complexos.
c) Novas técnicas de manutenção.
d) Novos enfoques sobre a organização da manutenção e suas responsabilidades.
Nas empresas vencedoras o homem de manutenção tem reagido rápido a
estas mudanças; esta nova postura inclui uma crescente conscientização de
quanto uma falha de equipamento afeta a segurança e o meio ambiente, maior
conscientização da relação entre manutenção e qualidade do produto, maior
pressão para se conseguir alta disponibilidade e confiabilidade da instalação, ao
mesmo tempo que se busca a redução de custos. Estas alterações estão exigindo
novas atitudes e habilidades das pessoas da manutenção, desde gerentes, pas
sando pelos engenheiros, supervisores, até chegar aos executantes.
1.2. HISTÓRICO DE MANUTENÇÃO
Desde os anos 30, a evolução da manutenção pode ser dividida em 3 gera
ções (ver Tabela 1.1).
4 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
1.2.1. A Primeira Geração
A Primeira Geração abrange o período antes da Segunda Guerra Mundial,
quando a indústria era pouco mecanizada, os equipamentos eram simples e, na
sua grande maioria, superdimensionados.
Aliado a tudo isto, devido à conjuntura econômica da época, a questão da
produtividade não era prioritária. Conseqüentemente, não era necessária uma
manutenção sistematizada; apenas serviços de limpeza, lubrificação e reparo
após a quebra, ou seja, a manutenção era, fundamentalmente, corretiva.
1.2.2. A Segunda Geração
Esta geração vai desde a Segunda Guerra Mundial até os anos 60. As pres
sões do período da guerra aumentaram a demanda por todo tipo de produtos,
ao mesmo tempo que o contingente de mão-de-obra industrial diminuiu sen
sivelmente. Como conseqüência, neste período houve force aumento da meca
nização, bem como da complexidade das instalações industriais.
Começa e evidenciar-se a necessidade de maior disponibilidade, bem
como maior confiabilidade, tudo isto na busca da maior produtividade; a in
dústria estava bastante dependente do bom funcionamento das máquinas. Isto
levou à idéia de que falhas dos equipamentos poderiam e deveriam ser evitadas,
o que resultou no conceito de manutenção preventiva.
Na década de 60 esta manutenção consistia de intervenções nos equipa
mentos feitas a intervalo fixo.
O custo da manutenção também começou a se elevar muito em compara
ção com outros custos operacionais. Esse fato fez aumentar os sistemas de plane
jamento e controle de manutenção que, hoje, são parte integrante da manuten
ção moderna.
Finalmente, a quantidade de capital investido em itens fisicos, juntamente
com o nítido aumento do custo deste capital, levaram as pessoas a começarem
a buscar meios para aumentar a vida útil dos itens físicos.
1.2.3. A Terceira Geração
A partir da década de 70 acelerou-se o processo de mudança nas indústrias.
A paralisação da produção, que sempre diminuiu a capacidade de produção
aumentou os custos e afetou a qualidade dos produtos, era uma preocupação
generalizada. Na manufatura, os efeitos dos períodos de paralisação foram se
EVOLUÇÃO DA MANUTENÇÃO 5
agravando pela tendência mundial de utilizar sistemas "just-in-time", onde es
toques reduzidos para a produção em andamento significavam que pequenas
pausas na produção/entrega naquele momento poderiam paralisar a fábrica.
O crescimento da automação e da mecanização passou a indicar que confia
bilidade e disponibilidade tornaram-se pontos-chave em setores tão distintos
quanto saúde, processamento de dados, telecomunicações e gerenciamento de
edificações.
Maior automação também significa que falhas cada vez mais freqüentes
afetam nossa capacidade de manter padrões de qualidade estabelecidos. Isso se
aplica tanto aos padrões do serviço quanto à qualidade do produto; por exem
plo, falhas em equipamentos podem afetar o controle climático em edifícios e a
pontualidade das redes de transporte.
Cada vez mais, as falhas provocam sérias conseqüências na segurança e no
meio ambiente, em um momento em que os padrões de exigências nessas áreas
estão aumentando rapidamente. Em algumas partes do mundo, estamos che
gando a um ponto em que ou as empresas satisfazem as expectativas de segu
rança e de preservação ambiental, ou poderão ser impedidas de funcionar.
Na Terceira Geração reforçou-se o conceito de uma manutenção prediti
va. A interação entre as fases de implantação de um sistema (projeto, fabricação,
instalação e manutenção) e a Disponibilidade/Confiabilidade torna-se mais evi
dente.
1.3. A INTERAÇÃO ENTRE AS FASES
Da correta realização de cada fase - projeto, fabricação, instalação, opera
ção e manutençãoque a ftlosofia da RCM seja aplicada co rreta
mente. D eve estar atento para o uso das perguntas, na o rdem correta e
a inda que essas sejam devidamente compreendidas por todos os compo
nentes do grupo.
MÉTODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE 137
• Busca da fórmula de consenso entre os elementos do grupo na definição
das respostas às perguntas.
• Garantia de que todos os equipamentos, sistemas ou componentes signi-
ficativos não sejam esquecidos ou tenham sua importância minimizada.
• Garantir a eficácia da reunião - objetividade e tempo.
• Verificar que a documentação necessária seja feita.
Recomendam-se, ainda, as seguintes atitudes de modo a garantir bons re
sultados:
• Os participantes do grupo não devem ser substituídos enquanto a análi
se estiver sendo feita. As razões são óbvias.
• Seja elaborado um calendário das reuniões e distribuído aos participantes e a
seus respectivos gerentes. Muitas va.es quem está fora de sintonia é o gerente.
• As reuniões não devem ter duração maior do que 4 horas. É recomendável um
intervalo, para café, de 1 O a 15 minutos após as 2 primeiras horas de reunião.
S.2.2.4.7. Resultados da Análise pela RCM
A implantação da análise pela RCM gera quatro resultados principais:
1. Melhoria da compreensão do funcionamento do equipamento ou siste
ma, proporcionando uma ampliação de conhecimentos aos participan
tes de especialidades diversas.
2. Desenvolvimento do trabalho em grupo com reflexos altamente positi
vos na análise, solução de problemas e estabelecimento de programas de
trabalho.
3. Definição de como o item pode falhar e das causas bdsicas de cada folha,
desenvolvendo mecanismos de evitar falhas que possam ocorrer espon
taneamente ou causadas por atos das pessoas.
4. Elaboração dos planos para garantir a operação do item em um nível de
performance desejado. Esses planos englobam:
../ Planos de Manutenção .
../ Procedimentos Operacionais .
../ Lista de modificações ou melhorias, normalmente a cargo da Enge
nharia, que fogem ao escopo de trabalho da Operação e da Manuten
ção, e são necessárias para que o item atinja e permaneça no patamar
de performance desejado.
138 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
5.2.2.4.8. Benefícios da RCM
A prática da Manutenção Centrada na Confiabilidade proporciona às em
presas que a adotam uma série de benefícios, os quais listamos a seguir:
• Aprimoramento do desempenho operacional
A RCM não descarta qualquer dos tipos de manutenção e através de sua
metodologia fornece a possibilidade da aplicação mais adequada de cada tipo.
Ou seja, a RCM ajuda a adotar o(s) tipo(s) mais eficaz(es} de manutenção para
cada máquina, em cada situação.
• Maior custo X beneficio
A adoção do tipo de manutenção mais adequado, determinado em função
de análises detalhadas, garante que o capital investido na manutenção se dará
onde o efeito é maior. Estima-se que se pode obter uma redução de 40 a 70%
nas tarefas rotineiras de manutenção e uma redução de trabalhos de emergên
cia entre 10 e 30% do total de trabalhos.
• Melhoria das Condições Ambientais e de Segu,rança
As influências da falha sobre o meio ambiente e a segurança são priorizadas
pela RCM. As conseqüências da falha no aspecto operacional são verificadas
após a análise das conseqüências sobre a segurança e o meio ambiente.
• Aumento da vida útil dos equipamentos
A adoção da Manutenção Preditiva, notadamente para equipamentos
complexos e dispendiosos é fator de aumento da vida útil dos equipamentos,
além do controle da condição e atendimento ao processo.
• Banco de Dados de Manutenção
A análise pela equipe multidisciplinar, também conhecida como Revisão
na RCM, proporciona a obtenção de um excelente banco de dados para uso
tanto pela Manutenção como pela Operação e Inspeção. Isso possibilita a cria
ção de uma memória, disponível a todos em qualquer tempo, que minimiza os
efeitos da rotatividade de pessoal e facilita a adaptação dos planos existentes em
função de modificações ou adaptações no processo, sistemas ou equipamentos.
• Desenhos e manuais atualizados, além de recomendação de sobressalentes
contendo quais itens devem ser mantidos no estoque e qual o estoque de segu
rança para cada item, são outros dois produtos obtidos.
• Maior motivação do pessoal
Quanto maior e a participação das pessoas na análise e solução dos proble
mas que afetam o seu dia-a-dia, maior a motivação que se estabelece no seu
ego. Hoje está mais do que comprovado que a participação efetiva e o envolvi
mento propiciam uma mudança significativa no estado de espírito das pessoas,
MJ:.TODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE 139
e uma das melhores ferramencas para que isso se realize se dá através de reu
niões de grupos multifuncionais.
• Maior compartilhamento dos problemas de manutenção
À medida que pessoas da produção, da engenharia e de outras especialidades
participam dos grupos multifuncionais para análise de problemas, aumenca o grau
de compromencimenco, percepção e entendimento de problemas que afetam, em
última instância, a empresa. A participação e a compreensão estabelecem um com
porcamenco de compromecimenco e compartilhamento dentro da organização.
Geração de maior senso de equipe
À medida que é adorada a prática da maior participação do pessoal a través
de grupos de análise, desenvolve-se nas pessoas maior senso de trabalho em
equipe. A partir daí, observam-se iniciativas info rmais, no dia-a-dia, apresen
tando resul tados cada vez melhores.
5.2.2.4.9. Diagramas da RCM
a) Diagrama Global da Aplicação da RCM
Eqi>pe
Multidisciplinar
MELHORIA DO BANCO
DEDADOS
DESENHOS
MANUAIS
SOBRESSALENTES
MANUTENÇÃO
PREVENTIVA,
PREDITIVA.
DETECTIVA E
PROCEDIMENTOS
MoClvação
AmpliflGaçãO O
CcosoHdação do
Conhecimenlos
140 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
b) Etapas do Processo da RCM
1 ETAPAS DO PROCESSb DA RCM ~
k'4itii#i§f#Mfi· f Rf .@-iíilfu#@#B@efMW-.ff· &ii#f#ã#ffiífii##1r.
- Escolha do sistema
- Definição de fronteiras
- Definição das interfaces
, ,
- Definição das funções
- Análise das falhas funcionais
,,
FMEA
H
- Classificação das falhas
- Priorização
H
- Preparação do Plano
de Manutenção
,
MÉTODOS E FERRAMENTAS PARA AUMENTO DA CONFIABILIDADE
e} Classificação dos Modos de Falha, Segtmdo a RCM
1 CLASSIFICAÇÃO DOS MODOS DE FALHA }a
M& €###. @M gs ri!ltf -& 11
Sim
A falha é percebida pelos
operadores, em condições
normais?
Afeta a segurança
operacional ou pessoal?
Afeta o
meio ambiente?
Afeta a continuidade
operacional?
(Parada parcial ou total)
Não
Não
Não
141
142
'
MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
d) Diagrama de Seleção dos Tipos de Manutenção a Serem Aplicados
Seleção dos Tipos de Manutenção na RCM
Manutenção
Preventiva
Manutenção
Preditiva
Manutenção
Detectiva
Engenharia
de
Manutenção
Sim A relação idade x confiabilidade,
para· essa falha, é conhecida?
Sim
Sim
Sim
Não
É possível monitorar alguma
condição?
Não
A falha é oculta?
Não
O Sistema pode ser
modificado ou reprojetado?
Não
1
Manutenção ·
Corretiva
QUALIDADE NA MANUTENÇÂO
6.1. INTRODUÇÃO
Apesar de a Gestão pela Qualidade T oral - GQT - ser um processo que
abrange toda a organização, este capítulo tratará, apenas, da parte específica da
atividade de manutenção. As empresas, hoje, não têm mais dúvidas de que a
GQT é uma ferramenta eficaz para se alcançar a competitividade empresarial.
Apesar desta constatação, há uma certa dificuldade na implantação do proces
so de qualidade em toda a empresa e, por conseguinte, também na manuten
ção.
Como se trata de um processo de mudança de cultura, existem as naturais
resistências às mudanças; estas resistências são ainda mais fortes na atividade de
Manutenção que, até por força da palavra-"manutenção", historicamente tra
balhou para MANTER as condições dos equipamentos e instalações, criando,
com isto, um paradigmade estabilidade, que hoje está totalmente ultrapassa
do.
É preciso sair, com urgência, do estágio de mudança de cultura, que é lento
e inadequado ao cenário atual, para o novo paradigma que é a cultura de mu
dança, ou seja, é preciso estar permanentemente receptivo e ser proativo na
quebra dos paradigmas que já fizeram sucesso no passado mas já não se aplicam
aos tempos atuais.
MUDANÇA DE CULTURA: processo lenco e ultrapassado.
CULTURA DE MUDANÇA: estágio das empresas modernas.
144 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATi!GICA
COMO INTRODUZIR UMA FORMA MODERNA E COMPETENTE PARA
TORNAR A INSTALAÇÃO MAIS EFICAZ?
A GQT pode dar uma resposta adequada a esta questão.
6.2. O PAPEL DA MANUTENÇÃO NO SISTEMA DE QUALIDADE
O Sistema de Qualidade de uma organização é formado por vários subsis
temas que se interligam através de relações extremamente fortes e interdepen
dentes. Neste contexto, a Manutenção tem um papel preponderante. Como a
sua missão é garantir a disponibilidade da função dos equipamentos e ins
talações de modo a atender a um programa de produção ou de serviço
com preservação do meio ambiente, confiabilidade, segurança e custos
adequados, cabe à Manutenção fazer a coordenação dos diversos subsistemas
fornecedores, aí incluídos a engenharia e o suprimento de materiais, entre ou
tros, de modo que o Cliente interno principal, que é a operação, tenha a insta
lação de acordo com as necessidades da organização para atingir suas metas
empresariais. A integração destes subsistemas atuando como verdadeiros times
é, com certeza, o fator crítico de sucesso mais importante de uma empresa.
1 O TRABALHO EM EQUIPE É O GRANDE DIFERENCIAL COMPETITIVO. 1
Conforme explicitado no Capítulo 2 - Gestão Estratégica da Manutenção,
a disponibilidade da instalação, olhando pelo lado da demanda de serviços,
pode ser dividida nas seguintes partes, conforme Figura 6.1:
PROBLEMAS
CRÔNICOS
QUALIDADE DA
MANUTENÇÃO
SERVIÇOS
DESI\'ECESSÁRIOS
QUALIDADE
DA OPERAÇÃO
PROBLEMAS
TECNOLÓGICOS
DEMANDA ATUAL
(EXAGERADA)
Figura 6.1 - Demanda de Serviços.
QUALIDADE NA MANUTENÇÃO 145
Pela Figura 6.1 pode-se concluir que o processo de qualidade implantado
apenas na manutenção, apesar de trazer melhorias na Qualidade da instalação,
é de alcance limitado, daí por que a necessidade de o Processo ser sistêmico, ou
seja, implantado em toda a organização. Não se pode perder de vista que a Ma
nutenção exerce uma forte influência nas demais faixas.
A evolução dessa garantia de disponibilidade, ou da redução da demanda
de serviços, será tanto maior quanto mais sistêmica for a forma de trabalho
adotada pela manutenção, como ilustrado na Figura 6.2.
o ...
Figura 6.2 - Visão Sistêmica da Qualidade.
A manutenção de um compressor centrífugo de grande porte, por exem
plo, ilustra melhor esta questão:
• FAIXA "A": uma falha neste equipamento que leve à sua vibração fora
dos parâmetros adequados, após a sua ocorrência, pode ser percebida
por qualquer pessoa, tal a instabilidade que ocorre na máquina e, até
mesmo, na estrutura de sua suportação. Não é preciso ser um especialis-
146 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
ta para perceber esta ocorrência anormal. Acontecida esta anormalida
de, segue-se a manutenção corretiva não planejada, que é, ainda, a for
ma de atuar da maioria das empresas brasileiras, com todos os inconve
nientes advindos deste tipo de intervenção.
Atuar na falha visível, quer seja uma ocorrência anormal no equipamen
to quer seja um acidente pessoal, de forma competente é o mínimo que
a gerência pode fazer.
Atuar de forma competente não é apenas reparar a falha ou socorrer o
acidentado rapidamente, mas ir na causa básica do problema e tomar
providências definitivas para evitar a sua repetição.
A MANUTENÇÃO PODE SER COMPARADA A UMA BRIGADA DE
INCtNDIO: QUANDO O INC~NDIO OCORRE, A BRIGADA DEVE
EXTINGUI-LO DA FORMA MAIS RÁPIDA POSSÍVEL, MAS O PRINCIPAL
PAPEL DA BRIGADA É EVITAR A OCORRÊNCIA DE NOVOS
INCtNDIOS.
Analogamente, a manutenção moderna não existe para reparar falhas de
equipamentos ou sistemas da forma mais rápida possível, e sim para evitar fa
lhas e riscos de paradas de produção não planejadas ou mesmo a ocorrência de
um acidente pessoal.
Grande parte das empresas trabalha, apenas, na correção da causa
imediata, o que é um erro estratégi.co.
• FAIXA "B": a execução, por exemplo, de um alinhamento errado que
daria origem a uma falha no equipamento só pode ser detectada, previa
mente, por especialistas. A prevenção desta ocorrência depende da exis
tência de pessoas qualificadas e procedimento escritos.
Algumas empresas já trabalham com este enfoque.
• FAIXA "C": ainda que se disponha de especialistas, podem ocorrer fa
lhas devidas, por exemplo, a sobressalentes inadequados, instrumentos
não aferidos e calibrados, documentação técnica incorreta, entre outros
motivos. Daí por que a importância de se adotar um Sistema de Quali
dade, pois só o sistema é capaz de detectar e prevenir a ocorrência de fa
lhas sistêmicas.
QUALIDADE NA MANUTENÇÃO
Poucas empresas estão trabalhando com esta filosofia; esta é a
estratégia correta.
147
Devido ao grau não adequado de competitividade da maioria das empresas
brasileiras, com perdas ainda não compatíveis com o nível de excelência em
presarial necessário num cenário altamente competitivo e globalizado, o cresci
mento da produção será obtido menos com novos investimentos em novas ins
talações e muito mais com o aumento da Qualidade e da Produtividade.
Resumindo: é possível conseguir sensíveis aumentos de produção sem in
vestir em novas instalações e sim em novos métodos de trabalho, na moderni
zação das instalações existentes e, sem dúvida, implantando um Sistema de
Qualidade na Manutenção e em toda a empresa.
ESTE É O RUMO DA EMPRESA EXCELENTE!
6.3. FATORES CULTURAIS E GERENCIAIS
A adoção do Sistema de Qualidade afeta profundamente a cultura de uma
organização:
• A introdução de procedimentos escritos torna o mantenedor indepen
dente da supervisão para a execução das tarefas rotineiras. O responsável
pela execução é quem agrega qualidade ao produto; é preciso torná-lo
auto-suficiente para garantir a qualidade do seu trabalho, deixando para
o Controle de Qualidade apenas as tarefas de inspeção especializada. É
importante que o executante participe da elaboração dos procedimen
tos. O Anexo 4 apresenta alguns exemplos de Procedimentos Operacio
nais.
• Com a sistemática utilizada, há uma valorização das pessoas pelo grau de
certeza na maneira de executar as tarefas, pelos resultados que são alcan
çados e pela motivação que advém disso. O Sistema prevê ainda um tal
grau de capacitação que promove a adoção da polivalência. O Capítulo
7 - Práticas Básicas da Manutenção Moderna - aborda com maior pro
fundidade essa questão.
NÃO HÁ COMO FALAR EM QUALIDADE SEM ADOÇÃO DA
POLIVAllNCIA.
• As pessoas participam do processo como um todo, contribuindo, efeti
vamente, para a sua melhoria. Esse envolvimento lhes rende, por outro
148 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATtGICA
lado, um ganho na qualidade de sua vicia profissional, lhes garante maior
empregabil idade e, certamente, maiores ganhos fin anceiros à medi da
que a empresa se torna mais com petitiva.
• O maior bloqueio para o sucesso do S istema de Qualidade encontra-se,
justamenre, nas gerências. Toda pesquisa sobre o assunto aponta que a
causa de fa lência do S istema é a fa lta de co mprometimento da alta ad mi
n istração. Entretanto, oco rrendo este co mprometimento da alta ad mi
nis tração, o maio r entrave para a implem en tação do Sistema é a média
gerência.
ALTA GERÊNCIA
A falta de comprometimento
é a m:iior responsável pela
falência do sislcma
de Qualidade
MÉDIA GERÍ!NCIA
EXECUÇÃO
Necessidade de moli\Oç:io atr:ivés de:
- Partidpaçào
- Reconhecimento
- Liberdade para criar
- Tentativa de manter os "feudos"'
- Rcjciç;.io à pr:itic;1 democrática e
participativa
- Rcsponsabilizmna falência do SQ it
burocracia e :i cxccuç:io
Figura 6.3 - Fatores de Bloqueio para a Qualidade.
• Sendo o Sistema ele Q ualidade um p rocesso de mudança de cultura, é
fundamental que ele se desenvolva num ambiente o nde haja gerência
particip ativa; tanto quan to a gerência participat iva, o bom relaciona
m ento in terpessoal dentro da o rganização é um fator fundamental para
o sucesso cio processo.
• Para um salto efetivo de competitividade é necessário um estado perma
nente de mudanças, de quebra constante de paradigmas. U m processo
que se perpetua por m ui to tempo torna-se improdutivo, pois qualquer
gan ho de resul tado só é conseguido com um grande gasro de energia_
QUALIDADE NA MANUTENÇÃO 149
Por outro lado, a adoção de novos processos leva à obtenção de melhores
resultados com menor dispêndio de energia, tornando a organização
mais competitiva. A Figura 6.4 ilustra de maneira cartesiana esta afirma
tiva.
Resultados
NOVO SISTEMA
SISTEMA ATUAL
ENERGIA
Figura 6.4- Grdfico da Mudança de Processo.
6.4. OS DEZ PRINCÍPIOS BÁSICOS DA QUALIDADE
Os mesmos princípios que se aplicam à Gestão pela Qualidade Total em
toda a organização também se aplicam à atividade de Manutenção; é preciso
ter sempre em mente que cada atividade de uma empresa faz parte de um con
junto e que precisa se constituir num verdadeiro "TIME" na busca dos resulta
dos empresariais.
A Figura 6.5 mostra o que é uma empresa ou um sistema, ou, melhor ain
da, uma ORGANIZAÇÃO HUMANA.
6.4.1. Satisfação Total dos Clientes
A razão de ser de uma organização é o CLIENTE; do mesmo modo, a razão
de ser da atividade de manutenção é a operação. Daí ser muito importante:
• Conhecer bem as suas necessidades.
150 1\IANUTENÇÃO- FUNÇÃO F.STRAT!!GJCA
$
PRODLITIVIDADE = OUTPLIT/INPLIT
- O sistema é montado parJ servir às pessoas
- A gerencia deve ser baseada cm fatos e dados
Figura 65 - Esquema da Organização.
• O que se precisa fazer para atendê-lo bem.
• Superar as suas expectativas.
OUTPLIT
EDUCAÇÃO E
TREINAMENTO
Essa parceria, operação e manutenção, :ilém da engenharia, é fundamental
para o processo produtivo da empresa.
Figura 6. 6 -A Importância do Cliente.
QUALIDADE NA MANUTENÇÃO 151
6.4.2. Gerência Participativa
As gerências e a supervisão, melhor dizendo, as lideranças, precisam infor
mar, debater, motivar e orientar as pessoas e, sobretudo, promover o trabalho
em equipe. O objetivo é atingir um somatório de forças onde o "todo,,, traba
lhando junto, tenha mais poder do que o simples somatório das forças isoladas.
É preciso criar um ambiente propício à criatividade, onde as novas idéias sejam
estimuladas; isto só será possível onde todos os níveis da organização estejam
abertos às críticas e às sugestões. Ver Figura 6.7.
Figura 6. 7 - Trabalho em Equipe.
6.4.3. Desenvolvimento Humano
O aprendizado contínuo é fundamental em um mundo de transformações
rápidas. As pessoas são a alma e o caráter de uma organização e é preciso que
elas sejam capazes de se autodirigir e de se aurocontrolar na maioria das situa
ções.
MAIS DO QUE SABER, É PRECISO QUERER (Figura 6.8)
O PNQC - Programa Nacional de Qualificação e Certificação de mão
de-obra de manutenção, desenvolvido pela ABRAMAN, que tem como grande
parceiro o SENAI, tem sido cada vez mais utilizado pelas empresas que buscam
obter saltos qualitativos na qualificação da sua força de trabalho própria e con
tratada. Este é o caminho estratégico mais importante rumo à excelência em
presarial.
152
Palestras
Aulas
MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
Cursos
"É fundamental identificarmos os diversos motivos que levam as
pessoas a não querer ou mais precisamente QUERER"
Figura 6. 8 - Saber e Querer.
"Não existe processo que atinja bons resultados se não for através de pes
soas qualificadas, certificadas e motivadas. Este é o mais importante fator crí
tico de sucesso."
Alan Kardec
6.4.4. Constância de Propósitos
É fundamental que as lideranças tenham bastante persistência e que este
jam dispostas a correr riscos, pois o processo de implantação de novos valores
exige a eliminação de conceitos ultrapassados o que, no fundo, é uma mudança
cultural profunda na organização.
Daí a importância do planejamento das ações que levem à Qualidade To
tal, e que as lideranças tenham atitudes coerentes com os princípios que nortei
am a nova filosofia.
É importante ter uma visão de futuro e que ações de curto prazo estejam,
sempre, coerentes com a visão.
Resumindo: é preciso metas de longo prazo (3 a 5 anos) e um plano de ação
de curto prazo (1 ano).
Exemplo:
Meta de longo prazo: Aumentar a disponibilidade em 20% nos próximos
três anos.
QUALIDADE NA MANUTENÇÃO 153
PI d A ... E ... " " " " " ,, l ano e çao: xecutar as açoes x , y , z ... ,que evem a aumentar a
disponibilidade em 10% no primeiro ano.
6.4.5. O Desenvolvimento Contínuo
É preciso ter um exato conhecimento de onde se está e onde se quer chegar,
estabelecendo indicadores para que se possa medir o resultado do plano de
ação e se está compatível com as metas de curto e longo prazos.
QUEM NÃO MEDE NÃO GERENCIA!
É preciso ter indicadores que meçam a Disponibilidade, a Confiabilidade,
a Qualidade, o Custo, o Atendimento, o Moral do Grupo e a Segurança. Den
tro de uma visão sistêmica, é preciso ter também Indicadores de Produção e
Faturamento da Empresa como um todo, dentre outros.
Características básicas dos Indicadores:
• Ter indicação da meta.
• Ter dados de anos anteriores.
• Mostrar qual é o benchmark.
• Qual a melhor tendência t .J,.
• Fácil de ser mensurado.
Alguns exemplos de Indicadores:
QUALIDADE
./ f ndice de disponibilidade .
./ Faturamento da empresa .
./ Perda de produção devida à manutenção .
./ f ndice de retrabalho .
./Efetivo da manutenção .
./TMEF .
./Índice de defeitos .
./ f ndice de reclamações dos clientes.
CUSTOS
./Custo total da empresa .
./Custo total da manutenção.
154 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
Disponibilidade Mecânica
.... ·····~ -·········· ··········· ·······- ~······ ·· .. ..
~ r
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E .. In lov . ., .., , enc
rau10 do lndlcMor Falei de Ut111zarão de Instalarão
Setor de Con1iab1ljdade • Alm1ra
Uniaad!J' de Necóclos 1
Periodo (2001) UH 1'9' 200U jóin fe v •li• 11ui jun iul .ioqu out
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Hi.:.tórtco (Roolizndo) o:i oo 93 76 9-' 12
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Fator de Utilização da Instalação
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Periodo 1991 1939 20UO i~n feu l'et oul
Benchmo·k 03 00
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Hlst6rico(Reoli28Ck>) 9750 9000 91 00
Reohzado .Aeunul!Kto 9'5.U ~Uô,30 '4.00 91.80 91.0C 9?.0'5
Figura 69a.
QUALI DADE NA MANUT ENÇÃO 155
Custo de Ma11ute11ção ....
~ ....
~ ~
~ ...,....
1 i o: 15,00
t ~
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"' 10.00
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Re!uansftvd p/dados Setor de Manutenc ~o· An1omo Carlos
Unódodc Unidade de Ueaóc10 1
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Bcnchmork 13.32
Meto :'001 15.52.
PJSYl~oAcu~ 1.24 .... 3.00 5. ll '·'° 7.95 1 .01 10.11 11.7 1 l l.0 1 14 .30 15.5Z
K~órieo (Rcolzndo) 2115 18$7 189de HH ( Próp110 e Contramdo)
TFCA = Taxa de Freqüência de Acidentes com Atendimento
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Tiulo d> lnckodor TfCA • 11• JlcidenteslM1lhão de HHl
Re•1>Cru6vct oi dado• Sotor de Senuranca ·Luiz Alfredo
undode Unid•de de Nenóclos r
Perlodo (2001) 1900 9'91 2000 l•n ... m" .•. m•I lun lul aon . .. nul nnv ... Dtonch
Benchn&1k 1.75
r~o 2001 ....
F>revtsto Acul'llJndo 2,40 2.4 0 l,40 2 .4 0 2.40 1.40 2,40 2,40 ?.40 2,40 2.4 0 ....
Hil'!ótlco (R"""xodo) 8 17 5ll0 352
Reottzado Ac.unuledo 2,33 2.34 2:, 15 1.71 1,4C 2:.0,
Figura 69b.
156 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
./ Custo da manutenção por unidade produzida .
./ Custo por unidade operacional.
./Custo por especialidade .
./Custo do efetivo de manutenção.
ATENDIMENTO
./Percentual de cumprimento da programação .
./ Índice de satisfação dos clientes .
./Percentual de reclamações atendidas em menos de uma semana (por
exemplo).
MORAL
./ Absenteísmo .
./ Licenças médicas .
./ Índice de satisfação dos colaboradores.
SEGURANÇA
./Taxa de acidentes com e sem afastamento .
./ Taxa de gravidade .
./ f ndice de empregados com perda auditiva.
As Figuras 6.9a e 6.9b apresentam alguns exemplos de Indicadores.
6.4.6. Gerenciamento dos Processos
Uma empresa é um grande processo que se divide em subprocessos meno
res, e a atividade de manutenção é um destes subprocessos, que podem chegar
até o nível da tarefa individual. Um processo só se justifica se estiver atendendo
a um Cliente (externo ou interno). Exceto no caso de uma empresa prestadora
de serviços de manutenção, esta atividade tem no Cliente interno, a operação,
a razão da sua existência. Existem segmentos em que a manutenção está inti
mamente ligada ao cliente externo, como é o caso, por exemplo, das telecomu
nicações.
Gerenciar processos é planejar, acompanhar a execução, verificar se há des
vios e, quando necessário, fazer as devidas correções.
É o conhecido PDCA - Plan (Planejar), Do (Fazer), Check (Verificar) e
Action (Corrigir) (Figura 6.10).
QUALIDADE NA MANUTENÇÃO
6.4. 7. Delegação
·._.·(A)
+
AÇÃO CORRETIVA
AÇÃO+
PREVENTIVA
PLANE·
JE, REVISE
E DOCUMENTE.
- O QUÊ, POR QUÊ,
QUEM. COMO, QUAND
ONOE,QUANTO. . .
.+ (P) ~
VERIFIOUE OS RE· .
SULTADOS CONTRA
OS CRITÉRÍOS DE
ACEITAÇÃO.
EGISTRE.
Figura 6.1 O - O Ciclo PDCA.
157
Uma empresa que busca competitividade precisa ser ágil, e isto só se conse
gue com uma adequada delegação.
O sucesso do processo de delegação depende de:
• Divulgar para todas as pessoas envolvidas a missão, visão, políticas, dire
trizes e o plano de ação da manutenção.
• Identificar o que e para quem delegar.
• Respaldar as ações delegadas.
A filosofia básica deste processo de delegação é dar o poder de
decisão para quem está perto de onde ocorre a ação.
6.4.8. Disseminação das Informações
Estamos vivendo a era da informação e é preciso que ela circule em todos
os níveis de maneira rápida, clara e objetiva. É preciso, também, que a Alta
Administração tenha um canal aberto com o nível de execução e que este canal
seja uma via de mão dupla.
Só estando bem informadas é que as pessoas se sentirão encorajadas a
tomar decisões que lhe foram delegadas.
158 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRAT~GICA
Além dos diversos canais formais de comunicação, como cartaz, quadro de
aviso, jornal interno, correio eletrônico, entre outros, é indispensável que haja,
também, a comunicação direta entre gerentes/supervisores e os seus colabora
dores, é a chamada comunicação "olho no olho".
CONHECIMENTOS
BÁSICOS
GLOBAIS
Figura 6.11 - Comunicação é Fundamental
6.4.9. Garantia da Qualidade- Gerenciamento da Rotina
A garantia da qualidade, embora dependa das pessoas, não pode depender
de determinadas pessoas. É preciso que haja procedimentos escritos e que as
pessoas sejam treinadas nestes procedimentos. É o gerenciamento da rotina
que garante que o nível da qualidade será, sempre, mantido.
As Normas ISO 9000 nada mais são do que uma garantia para o Cliente de
que a qualidade fornecida é aquela que está especificada.
Um processo certificado pela ISO 9000 não significa que a qualidade este
ja no estado da arte, como algumas empresas detentoras de processos certifica
dos querem passar para o mercado; isto é o que se pode classificar de "propa-
d li gan a enganosa .
6.4.1 O. Não-Aceitação de Erros
O melhor caminho é fazer certo da primeira vez. Para isto é preciso anali
sar, sempre, o porquê do erro, ir na sua causa básica e resolver o problema de
forma definitiva. Existem diversas causas que levam ao erro:
QUALIDADE NA MANUTENÇÃO 159
• Falta de capacitação das pessoas.
• Falta de procedimentos.
• Procedimentos incorretos.
• Sobressalentes inadequados.
• Documentação técnica incorreta.
• Falha de informação.
• Fatores humanos intrínsecos (psicológicos, desmotivação e outros).
• Terceirização com fornecedores inadequados.
• Procedimentos contratuais incorretos.
Esta filosofia de se fazer certo da primeira vez não pode significar intolerân
cia ou mesmo punição para quem erra, pois do contrário estará inibindo a cria
tividade e a inovação por parte das pessoas.
O que não se pode admitir é o erro repetitivo ou mesmo por omissão.
6.5. INFLUÊNCIAS DO PROCESSO NA RELAÇÃO EMPRESA
SINDICATO
Sendo o Sistema de Qualidade um processo de mudança de cultura, sua
aplicação introduzirá, fatalmente, modificações comportamentais e organiza
cionais.
Algumas destas mudanças são:
• Polivalência ou multiespecialização.
• Matriz de atribuições e responsabilidades.
• Procedimentos escritos.
• Autocontrole pelo executante com a conseqüente redução da supervi
são.
• Mudança no relacionamento Cliente-Fornecedor interno e externo,
entre outros.
Evidentemente, essas modificações poderão provocar reações no meio sin
dical, dependendo da relação existente entre as partes.
Se for uma relação do tipo "perde X ganha", pode haver uma reação por
parte do sindicato sob a alegação de que estas mudanças não beneficiam as pes
soas e isto será tanto mais forte à medida que as partes envolvidas não têm uma
relação profissional e empresarial adequada.
160 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
As características básicas do sindicalismo tradicional são:
• Lutar só por aumento de salários.
• Ser contrário ao aumento da produtividade sob a alegação de que leva ao
desemprego.
• Procurar a estabilidade no emprego apenas do ponto de vista legal.
Figura 6.12 - Relação Perde X Ganha.
Um outro preconceito é o de que o aumento de produtividade leva, como
conseqüência, a uma sobrecarga de trabalho para as pessoas. O que não é abso
lutamente verdade.
AUMENTO DE PRODUTIVIDADE É FRUTO DE UM TRABALHO
INTELIGENTE E NÃO DE MAIOR ESFORÇO FÍSICO.
A relação moderna de "ganha X ganha'' com uma visão empresarial e sindi
cal de parceria facilitará, em muito, a aceitação do processo, com base na verifi
cação de que é preciso buscar a maior competitividade, o que trará, sem dúvi
da, ganhos para todos os envolvidos. Num cenário de globalização é preciso ser
competitivo em relação aos nossos concorrentes situados em qualquer parte do
planeta, sob pena de inviabilizar a empresa, e como conseqüência provocar o
desemprego de todas as pessoas.
QUALIDADE NA MANUTENÇÃO
As características básicas do sindicalismo moderno são:
• Empresa e sindicato fortes.
• Busca pela maior competitividade.
• Busca da qualidade e valorização das pessoas.
• Visão de que é o cliente quem garante o emprego.
É COM BASE NESTA VISÃO QUE SE PODE GARANTIR A
SOBREVIVÊNCIA DA EMPRESA E, POR CONSEQÜÊNCIA, DO
TRABALHO E DOEMPREGO.
161
O objetivo permanente deve ser a satisfação dos clientes, dos acionistas,
dos colaboradores e da comunidade.
RESULTADOS EMPRESARIAIS
Satisfação do cliente, dos acionistas
dos colaboradores e da comunidade
Figura 6.13.
6.6. FATORES IMPLEMENTADORES DA QUALIDADE
É preciso ter em mente que só faz sentido o uso da Gestão pela Qualidade
Total- GQT, se for com o objetivo de ser um dos caminhos ou ferramenta es
tratégica na busca dos resultados empresariais.
Os seguintes fatores podem ser considerados como implementadores do
processo (Figura 6.14):
• Maior confiabilidade e disponibilidade operacional.
• Maior competitividade.
• Maior produtividade.
162 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
QUALIDADE NA MANUTENÇÃO 163
• Redução dos custos de manutenção e globais.
• Eliminação de desperdícios.
• Redução de retrabalhos.
• Maior motivação e espírito de equipe.
6.7. FATORES RESTRITIVOS À QUALIDADE
As gerências que têm a missão e a responsabilidade de gerir as pessoas na
busca da competitividade precisam estar atentas aos fatores que inibem a im
plantação do processo da qualidade. São eles (Figura 6.15):
• Falta de comprometimento das gerências, em especial da média gerência.
• Falta de visão sistêmica das pessoas.
• Resistências naturais às mudanças.
• Falta de um plano de ação, com responsáveis e prazos.
• Excesso de burocracia, perdendo-se de vista o resultado.
• Modismo, ou seja, uso da ferramenta como um fim e não como apenas
um meio para atingir os resultados empresariais.
• Os resultados não são imediatos.
6.8. O PROGRAMA SS
O início de um programa da qualidade deve se dar pela implantação do
programa 55.
Conforme descrito no Capítulo 7 - Práticas Básicas da Manutenção Mo
derna-, apesar da sua aparente simplicidade, onde todos dizem conhecer, e
poucos realmente o praticam, esse programa atinge, em cheio, o seguinte:
• Melhoria da qualidade.
• Redução de custos.
• Melhoria de atendimento ao cliente.
• Moral do grupo.
• Aumento da segurança pessoal e das instalações.
• Melhoria das condições de trabalho dos colaboradores.
6.9. AISO 9000 NA MANUTENÇÃO
Toda vez que se fala em Qualidade, fala-se também em ISO 9000.
* RESISTÊNCI
À MUDANÇA
* FALTA DE VISÃO
SISTÊMICA DA MÉDIA
GERÊNCIA
*MODISMO
* FALTA DE OBJETIVOS
QUANTIFICADOS x PLANO DE
TRABALHO
* ORGANIZAÇÃO x BUROCRACIA
* NÃO-ENVOLVIMENTO DE ÓRGÃO
EXTERNOS
* FALTA DE COMPROMETIMENli
DA ALTA ADMINISTRAÇÃO
*RESULTADOS NÃO SÃO
IMEDIATOS
Figura 6.15 - Fatores Restritivos.
QUALIDADE NA MANUTENÇÃO 165
A ISO 9000 está para a Qualidade como a ISO 14000 está para o meio am
biente. Todavia, é importante salientar que a ISO 9000 assegura que o produto
(bem/serviço) está em conformidade com os requisitos especificados no con
trato, conforme condições negociadas com o cliente (qualidade intrínseca, pra
zo de entrega, preço, local de entrega, documentação e quantidade adequada);
não é garantia de competitividade nem da sobrevivência da empresa no merca
do. Apesar de importante, podemos considerar a ISO 9000 como suporte à
Gestão da Qualidade do produto, portanto contribui para a competitividade
da organização.
O conjunto de Normas ISO 9000 é, na realidade, um conjunto de nor
mas para projeto, fabricação, comercialização e assistência técnica. Foi edita
do em 1987, revisado em 1994 e em dezembro/2000 sofreu uma grande re
formulação.
6.9.1. ISO 9000 Versão 2000
A versão 2000 da ISO 9000, por ser norma de gestão, é um importante ins
trumento para suportar melhor o exercício da função gerencial, oferecendo
melhores condições pára o comprometimento dos gerentes.
A versão 94 focava requisitos para vender bem enquanto que a versão 2000
foca requisitos para vender bem e atender bem.
Esta nova versão tem vigência conjunta com a versão de 1994 até dezem
bro/2003. A partir desta data apenas a versão 2000 terá validade, sendo muito
mais abrangente, pois é a fusão de rodas as versões anteriores em uma só norma
intitulada"IS09000-SISTEMADEGESTÃODAQUALIDADE-REQUISITOS".
Esta nova versão está estruturada conforme a tabela a seguir, com a respec
tiva correspondência entre a Versão 2000 e a de 1994:
Seção-2000 Requisito Seção
Correspondente - 1994
1 Escopo 1
1.1 Geral
1.2 Exclusões Permissíveis
2 Referências 2
Normativas
3 Condições e 3
Definições
166 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
Seção-2000 Requisito Seção
Correspondente - 1994
4 Sistema de
Administração da
Qualidade
4.1 Requisitos Gerais 4.2.1
4.2 Requisitos de 4.2.2
Documen ração Geral
5 Responsabilidade da
Administração
5.1 Compromisso da 4.1 + 4.1.2.2 + 4.2.1
Administração
5.2 Foco no Cliente
5.3 Política da Qualidade 4.1.1
5.4 Planejamento
5.4.1 Objetivos da 4.1.1 + 4.2.1
Qualidade
5.4.2 Planejamento da 4.2.3
Qualidade
5.5 Administração
5.5.1 Geral
5.5.2 Responsabilidade e 4.1.2 + 4.1.2.1
Autoridade
5.5.3 Representante da 4.1.2.3
Administração
5.5.4 Comunicação Interna
5.5.5 Manual da Qualidade 4.2.1
5.5.6 Controle de 4.5
Documentos
5.5.7 Controle dos Registros 4.16
da Qualidade
S.6 Revisão da 4.1.3
Administração
5.6.1 Entrada de Revisão 4.1.3
QUALIDADE NA MANUTENÇÃO 167
Seção-2000 Requisito Seção
Correspondente - 1994
5.6.2 Saída de Revisão 4.1.3
6 Administração de 4.1.2.2
Recurso
6.1 Provisão de Recursos 4.1.2.2
6.2 Recursos Humanos
6.2.1 Tarefa de Pessoal 4.1.2.1
6.2.2 Treinamento, 4.1.8
Consciência e
Habilidade
6.3 Controle de Processo 4.9
6.4 Ambiente do Trabalho
7 Execução do Produto
7.1 Planejamento de 4.2.3 + 4.9 + 4.10 +
Execução de Processos 4.15+4.19
7.2 Relacionamento com
Cliente
7.2.1 Identificação de
Requisitos do Cliente
7.2.2 Revisão de Requisitos 4.3
do Produto
7.2.3 Comunicação do
Cliente
7.3 Projeto e 4.4
Desenvolvimento
7.3.1 Projeto e 4.4.2 + 4.4.3
Desenvolvimento
Planejamento
7.3.2 Projeto e 4.4.4
Desenvolvimento
Entradas
168 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRAT~GICA
Seção-2000 Requisito Seção
Correspondente - 1994
7.3.3 Projeto e 4.4.5
Desenvolvimento
Saídas
7.3.4 Projeto e 4.4.6
Desenvolvimento
Revisão
7.3.5 Projeto e 4.4.7
Desenvolvimento
Verificação
7.3.6 Projeto e 4.4.8
Desenvolvimento
Validação
7.3.7 Controle de Projeto e 4.4.9
Desenvolvimento
Mudanças
7.4 Vendas
7.4.1 Controle de Vendas 4.6
7.4.2 Informações de 4.6
Vendas
7.4.3 Verificação de Vendas 4.6
de Produtos
7.5 Operações de
Produção e Serviços
7.5.1 Controle de 4.9 + 4.1 o + 4.12 +
Operações 4.19
7.5.2 Identificação e 4.8
Rastreabilidade do
Produro
7.5.3 Produto Fornecido 4.7
pelo Comprador
7.5.4 Preservação do 4.15
Produto
7.5.5 Validação de Processos 4.9
QUALIDADE NA MANUTENÇÃO 169
Seçáo-2000 Requisito Seção
Correspondente - 1994
7.6 Equipamentos de 4.11
Inspeção, Medição e
Ensaios
8 Inspeção e Ensaios
8.1 Planejamento 4.10 + 4.20
8.2 Medição e
Monitoração
8.2.1 Satisfação do Cliente
8.2.2 Auditoria Interna 4.17
8.2.3 Medição e 4.20
Monitoração de
Processos
8.2.4 Medição e 4.10 + 4.20
Monitoração do
Produto
8.3 Controle de 4.13
Não-conformidade
8.4 Análise de Dados 4.14 + 4.20
8.5 Melhoria
8.5.1 Planejamento para 4.1.3+ 4.9
Melhoria Contínua
8.5.2 Ação Corretiva 4.14
8.5.3 Ação Preventiva 4.14
Tomando-se a Seção 4.15 como exemplo, podemos a princípio estra
nhar sua aplicabilidade à Manutenção. Entretanto, devemos considerar o
seguinte:
• A embalagem e a proteção de materiais e sobressalentes devem ser reco
mendadas pela Manutenção, pois seu pessoal é que as conhece com pro
fundidade.
• A maneira pela qual os sobressalentes e materiais devem ser armaze
nados tem que ser preocupação da Manutenção. Componentes ele
trônicos, conjuntos rotativos de máquinas, peças de elastômeros,
170 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
cada qual deve seguir uma recomendação específica para armazena
gem, de modo a manter suas características inalteradas e quando fo
rem retiradosde estoque poderem ser aplicados imediatamente nos
equipamentos.
Outra seção de extrema importância para a Manutenção é a 4.11- Equipa
mentos de Inspeção, Medição e Ensaios, pois está relacionada com toda a ex
tensa gama de instrumentos de medição e testes que são utilizados no dia-a-dia
- micrômetros, paquímetros, instrumentos de medição de vibração, tempera
tura, tensão, corrente, máquinas de testes de válvulas de segurança, manôme
tros e outros.
É imprescindível que exista um Plano de Aferição e Calibração para
garantir que esses instrumentos estejam adequados ao uso.
A ISO 9000 deve ser uma etapa do Programa da Qualidade na Manuten
ção por fornecer um guia completo para a realização dos serviços com a quali
dade garantida. Além disso, a necessidade de certificação da empresa implica
que a Manutenção esteja praticando os preceitos da Norma.
6.10. CONSIDERAÇÕES
É importante tecer algumas considerações sobre este novo mundo no qual
cada um de nós está inserido e que é o palco onde as empresas estão competindo:
• As palavras voam, os escritos ficam. São verdades antigas renovadas
na era da informação.
Em uma era de competição desenfreada, cuja vantagem está na pró
pria largada:
./ pode-se passar sem a adoção de novos paradigmas;
./ pode-se passar sem a Gestão pela Qualidade Total;
./ pode-se passar sem abrir os olhos para a globalização;
./ pode-se passar ••.
1 MAS O SEU NEGÓCIO OU O SEU EMPREGO TAMBÉM PODEM PASSAR!! 1
• Algumas pessoas ficarão no caminho, outras vão a reboque, algu
mas outras fazem a história; seja um agente proativo da história.
QUALIDADE NA MANUTENÇÃO 171
• "É tempo de transformar, de buscar novas realizações, de caminhar
à frente, de agir, realizar, fazer, acontecer." John Naisbitt
• Qualidade não se obtém por acaso, mas é sempre resultado de esfor
ço inteligente.
• As pessoas costumam alegar não ter tempo para mudar, para me
lhorar a qualidade, mas têm, sempre, bastante tempo para fazer re
paros e refazer seus erros repetitivos!
• O maior indicador da Qualidade é a satisfação do cliente.
Por tudo isto, nunca é demais repetir que não basta saber quais são os ca
minhos estratégicos ou as melhores práticas, é preciso implementá-los com ra
pidez. A dificuldade de se fazer mudanças é diretamente proporcional à satisfa
ção de ter conseguido. Toda mudança deixa marcas profundas na organização
perpetuando os seus agentes - seja um deles!
~
LLJ
PRÁTICAS BÁSICAS DA
MANUTENÇÃO MODERNA
7.1. INTRODUÇÃO
Há, pelo menos, três práticas que devem ser consideradas básicas na manu
tenção moderna:
• 5S.
• TPM- Total Productive Maintenanceou Manutenção Produtiva Total.
• Polivalência ou Multiespecialização.
O 5S é a base da qualidade. Sem uma cultura de 5S dificilmente teremos
um ambiente que proporcione trabalhos com qualidade.
O TPM é a ampliação do conceito da Manutenção, pela promoção da Ma
nutenção do Sistema de Produção com a participação das pessoas da Operação.
A Polivalência, também conhecida como multiespecialização, é a maior ca
pacitação do homem de manutenção, e em conseqüência uma ampliação de
suas habilidades que proporcionam uma sensível racionalização e maior garan
tia de qualidade dos serviços. Em outras palavras, é cada especialista se capaci
tando em tarefas de menor complexidade das outras especialidades.
7.2. O PROGRAMA SS
O 55 é uma prática originária do Japão, que é aplicada como base para o
desenvolvimento do Sistema da Qualidade. O nome 55 deriva do fato de que
as 5 palavras que definem as principais atividades começam com a letra S:
174 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
SEI RI
SEITON
SEIS O
SEIKETSU
SHITSUKE
Estas palavras apresentam a seguinte equivalência em inglês e português:
Japonês Inglês ' Português
SEI RI SORTING ORGANIZAÇÃO
SEITON SYSTEMATIZA TION ORDEM
SEISO SWEEPING LIMPEZA
SEIKETSU SANITIZING ASSEIO
SHITSUKE SELF DISCIPLINE DISCIPLINA
O 5S pode ser definido como mna Estratégia de Potencializar e
Desenvolver as Pessoas para Pensarem no Bem Comum.
Direta ou indiretamente o 5S promove:
• Melhoria da qualidade.
• Prevenção de acidentes.
• Melhoria da produtividade.
• Redução de custos.
• Conservação de energia.
• Melhoria do ambiente de trabalho.
• Melhoria do moral dos empregados.
• Incentivo à criatividade.
• Modificação da cultura.
• Melhoria da disciplina.
• Desenvolvimento do senso de equipe.
• Maior participação em rodos os níveis.
7 .2.1. Fases do 5S
• ORGANIZAÇÃO
./ Manter apenas o necessário.
PRÁTICAS BÁSICAS DA MANUTENÇÃO MODERNA 175
./ Promover a seleção em função da freqüência da utilização do material
- uso freqüente, perto das máquinas; pouco uso, no almoxarifado;
nenhum uso, descartar .
./Utilização mais racional do espaço .
./Eliminação do excesso de materiais, móveis, ferramentas, armários,
estantes ...
./ Melhor acompanhamento, eliminação do desperdício.
• ORDEM (Sistematização, Ordenação)
./Manter ferramentas, materiais, dispositivos e equipamentos em con
dições de fácil utilização .
./ Usar a mesma nomenclatura, determinando onde estocar, onde loca
lizar, utilizando etiquetas coloridas de fácil visualização, uniformi
zando arquivos e documentos .
./ Fácil de arquivar/estocar, fácil de localizar, fácil de pegar para utilizar,
fácil de reabastecer, fácil de retornar ao lugar após o uso.
• LIMPEZA
./Manter o local de trabalho, máquinas, instrumentos e ferramentas
limpos .
./ Limpar toda a sujeira da fábrica, planta ou oficina. Fazer o mesmo
com os equipamentos, local de trabalho e suas redondezas, durante
e/ou após o trabalho .
./Identificar as causas fundamentais dos desvios de limpeza .
./Trabalho diário agradável, maior segurança, participação de todos,
eliminação de improvisações nos equipamentos e instalações.
• ASSEIO/HIGIENE
./ Manter a saúde física e mental.
./ Cuidar da higiene corporal. Usar roupas limpas .
./ Cumprir normas de segurança .
./ Praticar esportes .
./ Manter limpos vestiários, restaurantes, banheiros e demais áreas de
uso coletivo.
• DISCIPLINA
./Disciplina é fazer aquilo que foi combinado (ou determinado) .
./ Cumprir as normas da empresa.
176 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATI!GICA
./ Ser bom chefe, bom companheiro, bom subordinado .
./ Estabelecer e cumprir as placas de advertência e avisos para usos de
Equipamentos de Proteção Individual (EPis) .
./Participar efetivamente dos eventos da empresa .
./ Cumprir os horários determinados, os padrões estabelecidos.
É POSSÍVEL OBTER-SE QUALIDADE EM UM AMBIENTE
SUJO E DESORGANIZADO!
Figura 7.1 -Antes e Depois do 55.
7.2.2. Implantação do 5S
Apesar de não existir um modelo rígido para implantação do SS, a prática
mais adotada e que melhores resultados apresenta está indicada a seguir, e
compõe-se das seguintes etapas:
• Preparar a Organização.
• Treinar e Educar no SS.
• Levantar problemas e encontrar solução no 35.
• Elaborar plano de ação.
• Acompanhar a implementação.
• Promover o SS.
PRATICAS BÁSICAS DA MANUTENÇÃO MODERNA 177
A implantação do 5S deve partir da alta administração da organização. É
uma demonstração de que ela zela pela empresa e por todos os empregados.
Nesse modelo, as chances de sucesso são elevadíssimas. A experiência indica
que por maiores que sejam os esforços desenvolvidos nos escalões inferiores,
quando o programa não é abraçado pela alta administração suas chances de su
cesso e perenidade são baixas.
Para a implantação definitiva do 5S é necessário que TODOS OS
EMPREGADOS PARTICIPEM-do Presidente ao empregado de mais baixo car
go na escala hierárquica.
ETAPAS DE IMPLANTAÇÃO
• Preparar a Organização
./ Compromisso do Chefe ou Presidente .
./Divulgação da Programação .
./ Definição/Indicação do Comitê, Coordenação ou do Responsável.
• Treinar e Educar no 5S
./ Preparar monitores .
./Treinar supervisores e executantes - inclui treinamento teórico e visi
tas a outras empresas ou organizações.• Levantar Problemas e Soluções no 3S
./Estabelecer diretrizes no 3S (Organização, Ordem e Limpeza). Pro
mover ao máximo a participação de todo o pessoal no levantamento
dos problemas e sugestão de soluções .
./Levantar e priorizar os problemas .
./ Elaborar um plano de ação .
./ Fazer um cronograma das ações com prazos e responsáveis .
./ Implementar as soluções (isto é fator de credibilidade do programa).
• Acompanhar a Implementação
./ Planejar e realizar auditorias, estabelecendo metas .
./Fazer inspeções de rotina e dar conhecimento a todo o pessoal.
• Promover o 5S
./Promover as pessoas e locais onde o 5S está melhor .
./ Promover visitas de outros Setores/Departamentos àqueles que apre
sentam melhor desenvolvimento no programa.
178 MANUTENÇ.Ã.0 - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
Exemplos de Aplicação do 5S
Foto 7.1 - Vista da Oficina de Manutenção Mecânica da Refinaria
Gabriel Passos, Betim, MG.
Foto 7.2 - Vista dn Área de Usinagem da Oficina Mecânica da Refinaria
Gabriel Passos, Betim, MG.
PRÁTICAS BÁSICAS DA MANUTENÇÃO MODERNA
Foto 7.3 - Conjunto Motor-Bomba 04-P-51 -Refinaria Gabriel
Passos, Betim, MG.
EU CUIDO
DA MINHA
MÁQUINA
~--º--~
M-375
Figura 7.2 - Filosofia do TPM.
179
180 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
7.3. TPM - MANUTENÇÃO PRODUTIVA TOTAL (TOTAL
PRODUCTIVE MAINTENANCE)
7.3.1. Histórico
O TPM teve início no Japão, através da empresa Nippon Denso KK, inte
grante do grupo Toyota, que recebeu em 1971 o Prêmio PM, concedido a em
presas que se destacaram na condu~o desse programa.
40
No Brasil, foi apre
sentado pela primeira vez em 1986. 9
Considera-se que o TPM deriva da Manutenção Preventiva, concebida ori
ginalmente nos Estados Unidos, e a evolução do processo até a sua caracteriza
ção, como conhecido atualmente, foi a seguinte:
• Manutenção Preventiva - 1950
Inicialmente adotada dentro do conceito de que intervenções adequa
das evitariam falhas e apresentariam melhor desempenho e maior vida
útil nas máquinas e equipamentos.
• Manutenção com Introdução de Melhorias- 1957
Criação de facilidades nas máquinas e equipamentos objetivando facili
tar as intervenções da Manutenção Preventiva e aumentar confiabilida
de.
• Prevenção de Mànutenção- 1960
Significa incorporar ao projeto das máquinas e equipamentos a não
necessidade da manutenção. Aqui está a quebra de paradigma; a premis
sa básica para os projetistas é totalmente diferente das exigências vigen
tes.
Um exemplo extremamente simples, mas de conhecimento geral, é a
adoção de articulações com lubrificação permanente na indústria auto
mobilística. Até 1970 os carros e caminhões tinham vários pinos de lu
brificação nos quais devia ser injetada graxa nova a intervalos regulares.
A mudança não é facilitar a colocação do pino ou melhorar a sistemática
de lubrificação e sim eliminar a necessidade de intervenção.
• TPM-1970
Vários fatores econômico-sociais imprimem ao mercado ex1gencias
cada vez mais rigorosas, o que obriga as empresas a serem cada vez mais
competitivas para sobreviver. Com isso, as empresas foram obrigadas a:
./eliminar desperdícios;
./obter o melhor desempenho dos equipamentos;
PRÁTICAS BÁSICAS DA MANUTENÇÃO MODERNA 181
../ reduzir interrupções/paradas de produção por quebras ou interven
ções;
../redefinir o perfil de conhecimento e habilidades dos empregados da
produção e manutenção;
../ modificar a sistemática de trabalho.
Utilizando a sistemática de grupos de trabalho conhecidos como CCQ -
Círculos de Controle de Qualidade ou ZD - Defeito Zero (Zero Dejfects), fo
ram disseminados os seguintes conceitos, base do TPM:
• CADA UM DEVE EXERCER O AUTOCONTROLE.
• A MINHA MÁQUINA DEVE SER PROTEGIDA POR MIM.
• HOMEM, MÁQUINA E EMPRESA DEVEM ESTAR INTEGRADOS.
• A MANUTENÇÃO DOS MEIOS DE PRODUÇÃO DEVE SER PREOCU
PAÇÃO DE TODOS.
7.3.2. Objetivos do TPM
O TPM objetiva a eficácia da empresa através de maior qualificação das
pessoas e melhoramentos introduzidos nos equipamentos. Também prepara e
desenvolve pessoas e organizações aptas para conduzir as fábricas do futuro, do
tadas de automação. 40
Desse modo, o perfil dos empregados deve ser adequado através de treina
mento/ capacitação:
OPERADORES Execução atividades de manutenção de forma
espontânea (lubrificação, regulagens ... )
PESSOAL DE Execução de tarefas na área da mecatrônica
MANUTENÇÃO
ENGENHEIROS Planejamento, projeto e desenvolvimento de
equipamentos que "não exijam manutenção".
Se as pessoas forem desenvolvidas e treinadas, é possível promover as mo
dificações nas máquinas e equipamentos.
Modificando as máquinas e os equipamentos podemos obter:
Melhoria no resultado global final
182 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRAT~GICA
Os operadores passam a executar tarefas mais simples, que antes eram exe
cutadas pelo pessoal de manutenção, como: lubrificação, limpeza, ajustes de
gaxetas, medição de vibração e temperatura, troca de lâmpadas, sintonia em
controladores, limpeza e troca de filtros, substituição de instrumentos, dentre
outros, permanecendo a equipe de manutenção com as tarefas de maior com
plexidade.
Comparando com as funções da área médica no Brasil, o operador seria
para o equipamento um enfermeiro, que presta os primeiros socorros, e é capaz
de tomar providências para evitar problemas maiores ao paciente. O homem
de Manutenção seria o médico, capaz de fazer intervenções de vulto para res
taurar a saúde do paciente.
7.3.3. As Grandes Perdas
A abordagem de perdas, na visão do TPM, está mostrada no quadro a seguir:
As 6 Grandes Perdas Causa da Perda Infiuência
1-QUEBRAS PERDA POR PARALISAÇÃO TEMPO DE OPERAÇÃO
2 - MUDANÇA DE LINHA
3-0PERAÇÃO EM VAZIO E PERDA POR QUEDA DE TEMPO EFETIVO DE
PEQUENAS PARADAS VELOCIDADE OPERAÇÃO
4 - VELOCIDADE
REDUZIDA EM
RELAÇÃO À NOMINAL
5 - DEFEITOS DE PERDA POR DEFEITOS TEMPO EFETIVO DE
PRODUÇÃO PRODUÇÃO
6-QUEDADE
RENDIMENTO
1. Perdas por Quebras
São as que contribuem com a maior parcela na queda do desempenho ope
racional dos equipamentos. Os dois tipos são:
• Perda em função de uma falha do equipamento (quebra repentina).
• Perda em função de degeneração gradativa que torna os produtos defei
tuosos.
2. Perdas por Mudança de Linha
São as perdas ocorridas quando é efetuada a mudança de uma linha, com a
interrupção para preparação das máquinas para um novo produto. Esse tempo
inclui alterações nas máquinas, regulagens e ajustes necessários.
PRÁTICAS BÁSICAS DA MANUTENÇÃO MODERNA 183
3. Perdas por Operação em Vazio e Pequenas Paradas.
São interrupções momentâneas causadas por problemas na produção ou
nos equipamentos, que normalmente exigem pronta intervenção do operador
para que a linha volte a produzir normalmente. Exemplos:
• Trabalho em vazio pelo entupimento do sistema de alimentação.
Detecção de produto não conforme por sensores e conseqüente parada
da linha de produção.
• Sobrecarga em algum equipamento ocasionando seu desligamento.
4. Perdas por Queda de Velocidade de Produção
São provocadas por condições que levam a trabalhar numa velocidade me
nor, ocasionando perda. Exemplos:
• Desgaste localizado obriga a trabalhar com velocidade 15% menor.
• Superaquecimento. em dias quentes por deficiência de refrigeração re
quer funcionamento com 80% da velocidade.
• Vibração excessiva, em algum equipamento da linha, a 100% de veloci
dade, mas tolerável a 75% de velocidade.
5. Perdas por Produtos Defeituosos
São aquelas oriundas de qualquer retrabalho ou descarte de produtos defei
tuosos. Esta perda deve incluir tudo aquilo que foi feito além do programado.
6. Perdas por Queda no Rendimento
São as perdas devidas ao não-aproveitamento da capacidade nominal das
máquinas, equipamentos ou sistemas causadas, basicamente, por problemas
operacionais. Exemplos:
• Instabilidade Operacional - Quando o processo fica instável ocorrem
situações como perda de especificação de produtos e/ou redução da pro
dução.
• Falta de matéria-prima.7.3.4. Quebra Zero
Na filosofia do TPM outro conceito importante é o da Quebra Zero, desde
que a quebra é o principal fator que prejudica o rendimento operacional.
184 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRAT~GICA
Se considerarmos que as máquinas foram projetadas para trabalhar com
ZERO DEFEITO, passa a se~ obrigação o equacionamento das m~didas e solu
ções para atingir esse objetivo.
40
É importante observar que:
QUEBRA ZERO -+ A MÁQUINA NÃO PODE PARAR DURANTE O
PERfODO EM QUE FOI PROGRAMADA PARA OPERAR.
É totalmente diferente de:
A MÁQUINA NUNCA PODE PARAR.
· .Algumas medidas são fundamentais para obtenção e conquista definitiva
da quebra zero:
• Estruturação das Condições Básicas para a Operação
../ Limpeza da área, asseio, lubrificação e ordem.
• Obediência às Condições de Uso
../ Operar os equipamentos dentro das condições e limites estabelecidos.
• Regeneração do Envelhecimento
../ Recuperar o equipamento por problemas de envelhecimento e evitar
quebras futuras .
../Eliminar as causas de envelhecimento dos equipamentos .
../ Restaurar os equipamentos, periodicamente, retornando-os às condi
ções originais .
../ Ter o domínio das anomalias que provocam a degradação dos componen
tes internos através dos 5 sentidos das pessoas e das técnicas e instrumentos
que fornecem a condição das máquinas (vibração, temperatura. .. ).
• Sanar os Pontos Falhos Decorrentes de Projeto
../Corrigir eventuais deficiências do projeto original .
../ Fazer previsão da vida média através de técnicas de diagnóstico.
• Incrementar Capacidade Técnica
../Capacitação e desenvolvimento do elemento humano de modo que
ele possa perceber, diagnosticar e atuar convenientemente.
PRATICAS BÁSICAS DA MANUTENÇÃO MODERNA 185
Figu.ra 7.3 - Os Oito Pilares do °TPM
7.3.5. Os Oito Pilares do TPM
A Figura 7.3 representa a casa do TPM, apoiada sobre os oito pilares, que fi
guram o estabelecimento de um sistema para atingir maior eficiência produtiva.
Cada um dos pilares está sucintamente comentado a seguir:
1. MELHORIA FOCADA
Como o próprio nome indica, é focar a melhoria global do negócio. Deste
modo, procura-se reduzir os problemas para melhorar o desempenho. Ver ta
bela a seguir:
REDUZIR 1 PARA 1 AUMENTAR
VIBRAÇÃO
RENDIMENTO RUfDO
TEMPERATURA VIDA úTIL
CONSUMO DE ENERGIA CONFIABILIDADE
INTERRUPÇÕES VELOCIDADE
TEMPO DE PARADA DISPONIBILIDADE
CUSTO
2. MANUTENÇÃO AUTÔNOMA
Auto-gerenciamento e controle, liberdade de ação, elaboração e cumpri
mento de padrões, conscientização da filosofia do TPM.
3. MANUTENÇÃO PLANEJADA
Significa ter realmente o planejamento e o controle da manutenção, o que
implica treinamento em técnicas de planejamento (Software), utilização de
186 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
um sistema mecanizado de planejamento da programação diária e do planeja
mento de paradas.
4. EDUCAÇÃO E TREINAMENTO
Ampliação da capacitação técnica, gerencial, comportamental do pessoal
de manutenção e operação.
5. CONTROLE INICIAL
Estabelecimento de um sistema de gerenciamento da fase inicial para no
vos projetos/equipamentos. Eliminar falhas no nascedouro, implantar siste
mas de monitoração.
6. MANUTENÇÃO DA QUALIDADE
Estabelecimento de um programa de zero defeito.
7. TPM OFFICE
Estabelecimento de um programa de TPM nas áreas administrativas, visan
do o aumento de sua eficiência.
8. SEGURANÇA ou SHE
Estabelecimento de um sistema de saúde, segurança e meio ambiente.
7.3.6. Implantação do TPM
A implantação do TPM obedece, normalmente, ao esquema apresentado
na tabela da página seguinte:
40
.
7.3.7. Comentários
Enquanto pela definição básica de TPM o conceito de manutenção se am
plia pela participação de todos na manutenção do sistema produtivo da empre
sa, o que ocorre em nível do chão de fábrica é o seguinte:
Atualmente verifica-se uma tendência de contratação de pessoal oriundo
da manutenção para exercer funções de operação, à medida que o nível de atu
ação, pelo conhecimento e habilidades já desenvolvidas, oferece um novo pata
mar de ganho sob vários aspectos.
Os números constantes dos Documentos Nacionais, editados pela Abra
man, indicaram uma tendência de aumento de participação da operação nos
serviços de manutenção. No entanto quando se analisa essa participação de
modo mais detalhado, verifica-se que essa prática não está totalmente consoli
dada, pois ora aumenta, ora diminui. Ver Figura 7.4.
PRÁTICAS BÁSICAS DA MANUTENÇÃO MODERNA 187
Fase N2
l
p
R
E 2
p
A
R 3
A
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ó
R 4
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A 5
7
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M
p
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M
E
N
10
T
A
ç
Ã
o
li
Eta a
Comprometimento da
alta administração
Divulgação e treinamento
inicial
D efinição do Órgão ou
Comitê responsável pela
im Jantação
D efin ição da Política e
Metas
Melhorias em máquinas e
equipamentos
Estruturação da
Manutenção Autônoma
Estruturação do Setor de
Manurenção e condução
da Manutenção Preditiva
Desenvolvimento e
capacitação do pessoal
A óes
• D ivulgação do TPM em rodas as áreas
da empresa
• Divulgação através de jornais internos
• Seminário interno dirigido a gerentes de
nível superior e intermediário
• Treinamento de operadores
• Estruturação e definição das pessoas do
Comitê de Im plantação
• Escolha das metas e objetivos a serem
alcançados
• Detalhamento do plano de implantação
em rodos os níveis
• Definição de áreas e/ou equ ipamentos
e estruturação das equipes de trabalho
• Implementação da Manutenção
Autônoma, por etapas, de acordo com
programa
• Auditoria de cada etapa
• Condução da M anutenção Preditiva
• Administraç.fo Plano MPd
• Sobressalenres, Ferramentas,
Desenhos ...
• Treinamento de pessoal de operação
para desenvolvimento de novas
habilidades relativas a manutenção
• Treinamento de pessoal de manutenção
para análise, d iagnóstico, etc.
• Formação de líderes
• Educação de rodo o pessoal
• Gestão do fluxo inicial
• LCC (Life Cycle Cost)
188
l/l l/l
:E l/l wz
~o
o o
100%
80%
60%
40%
20%
0%
MANUTENÇÃO- FUNÇÃO EST RATÉGICA
PARTICIPAÇÃO DA OPERAÇÃO
NOS SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO
1993 1995 1997 1999 2001
ANO
D Esporadicamente
D Em Paradas de Manutenção
•Trabalhos Rotineiros
D Pequenos Reparos
Figura 7 4 - Participação da Operação nos Serviços de Manutenção.
A confirm ação desses números é verificada pela falta de constância na prá
tica de TPM em boa parte da indúsrria nacional. O programa é implantado,
cresce e, em seguida, vai sendo abandonado. Novamente é retomado e esse ci
clo costuma ser repetitivo. A cada retomada mais difícil é o seu crescimento
desde que se instala um sentimento de descrença no pessoal.
7.4. POLIVALÊNCIA OU MULTIESPECIALIZAÇÃO
As emp resas têm adorado novas estratégias para ficar mais competitivas e o
trabalhador está sendo questionado a mudar antigos hábitos e buscar um con
junto de novas habilidades. Para manter o seu emprego e/ou sua empregabili
dade, isco é, rer as habilidades que o mercado necessita, o trabalhador rem que
estar disposto, de modo constante e permanente, a adquirir e dominar novas
habilidades. Deve, ainda, adorar uma nova postura buscando fo rtalecer suas
habi lidades interpessoais, além de possuir uma co mpreensão global de sua em
presa e com o ela se situa no mercado.
Vivemos uma época em que não há mais lugar para o trabalhador que só co
nheça e julga ter que fazer apenas a sua função específica dentro da especialidade.
O trabalhador não pode se limitar a operar uma máquina ou usar um determina
do tipo de ferramenta ou ainda acuar apenas numa área de responsabilidade.
PRÁTICAS BÁSICAS DA MANUTENÇÃO MODERNA 189
É imprescindível que os trabalhadores atuais tenham as seguintes habilidades:
• Disposição e Força de Vontade para Descobrir Novas Habilidades
Vontade de melhorar antigas habilidades e aprender novas técnicas, dispo
siçã9 para rápido aprendizado, i!lt~resse em. autogeren~iamento. de .suacar
reira - não ficar esperando que a empresa o desenvolva.
• Conhecimento Organizacional
O novo trabalhador deve conhecer sua organização, sua posição no merca
do, preocupar-se com sua capacidade competitiva e como melhor atender
1. D alé d b " ,, b " " " d aos seus c tentes. eve, m e sa er os como , sa er os parques. o seu
trabalho. Deve entender que enquanto sua empresa prospera, ele mantém
o seu emprego e prospera junto.
• ConheCimento de Computação
Ter conhecimento de computadores, entendendo o que é um hardware, o
que está disponível no mercado e trab~lhar.com os softwares usuais. Saber
manipular os dados e trabalhar com redes. Hoje em dia não saber compu
tação é uma das condições. de analfabetismo. .
• Habilidades Interpessoais
É fundamental· que as pessoas desenvolvam ·cada vez mais capacidade de
trabalhar com todos·os níveiscontratar atividades de menor
importância e que possam trazer alguma economia operacional para a Empresa
Contratante.
Não deveria ser, também, uma forma de contratar mão-de-obra mais bara
ta e sem maiores vínculos empregatícios, quer para atividades temporárias quer
permanentes.
Não se trata, como alguns pregaram no início dos anos 90, de simplesmen
te desativar os Departamentos de Manutenção e entregar esta atividade a um
determinado prestador de serviço.
T erceirizar passa pelo pressuposto básico de uma relação de parceria, por
uma atuação semelhante com a Contratante e, sobretudo, que seja uma relação
de resultados empresariais para as partes envolvidas, trazendo vantagem com
petitiva para a empresa contratante, através de uma economia de escala e para a
empresa contratada através de uma maior especialização, comprometimento
com resultados e autonomia gerencial.
De modo resumido, podemos definir:
TERCEIRIZA.ÇÃO é a transferência para terceiros de atividmles que agregam
competitividaáe empresarial,, baseada numa relação de parceria.
TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS NA MANUTENÇÃO 195
As diferenças básicas entre a situação tradicional ou de risco que denomi
namos de EMPREITEIRIZAÇÃO e a prática moderna conhecida como TER
CEIRIZAÇÃO podem ser resumidas da seguinte forma:
EMPREITEIRIZAÇÃO TERCEIRIZAÇÃO
Não-parceria Parceria
Desconfiança Confiança
Levar vantagem em tudo Política do ganha/ganha
Ganhos de curto prazo Ganhos estratégicos
Pluralidade de fornecedores Fornecedor único
O preço decide Enfoque nos resultados·
empresariais
Antagonismo Cooperação
Contratada como adversária Contratada como parceira
Descompromisso gerencial da Autonomia gerencial da contratada
contratada
Contrata mão-de-obra Contrata soluções
Na grande maioria das vezes as empresas estão no lado esquerdo do quadro
anterior mas denominam a sua forma de atuar, erradamente, de terceirização. É
preciso, com urgência, caminhar para o lado direito da tabela, para o lado da Ter
ceirização, pois é desta forma que se pode conseguir melhores resultados globais.
8.2.2. Modalidades Básicas
Existem três modalidades básicas de atividades nas organizações onde a
contratação de terceiros poderia ser empregada:
• Atividade-Fim: é a atividade vocação, é a razão de ser do negócio da em
presa; é aquela que está prevista no seu contrato social.
Exemplos:
./Operação de uma usina nuclear .
./ Manutenção, nas empresas que prestam este tipo de serviço .
./ Gestão do negócio.
196 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATl!GICA
• · Atividades-Meio: são aquelas intimamente ligadas à atividade-fim;
exemplo típico é a atividade de manutenção.
• Atividades Acessórias: são aquelas necessárias para apoio às- empresas
como um todo e não intimamente ligadas à atividade-fim.
Exemplos:
./Transporte .
./ Vigilância .
./Limpeza .
./Alimentação .
./ Jardinagem.
De modo geral podemos afirmar que nas instalações da Contratante só se
deve terceirizar atividades Meio e Acessória, isto com o objetivo de minimizar
os riscos trabalhistas. A grande maioria dos contratos de serviços, largamente
chamados, também, de terceirização, está localizada nas atividades acessórias.
No caso específico da manutenção que, normalmente, é uma ativida
de-meio, exceto quando o negócio da empresa é prestar serviços de manuten
ção, cuidados adicionais devem ser tomados, como veremos adiante, não só
para prevenir riscos trabalhistas mas, principalmente, para se alcançar os resul
tados empresariais.
Fora das instalações da contratante todas as atividades têm sido terceiriza
das, sendo, neste caso, bastante minimizado o risco trabalhista; exemplo típico
é a indústria automobilística.
8.3. CONTRATAÇÃO NA INDÚSTRIA BRASILEIRA
A situação desta atividade no Brasil está espelhada no quadro a seguir, cu
jos dados foram extraídos do Documento Nacional editado pela ABRAMAN -
Associação Brasileira de Manutenção, edição 200 l, e que fornece dados bas
tantes próximos da realidade, nos diversos segmentos:
8.3.1. Por Que Terceirizar?
Existem fatores básicos que definem os rumos da gestão empresarial:
• VOCAÇÃO: Atividades que são consideradas "meio" e "acessória" para a
Contratante, para o prestador de serviços são atividades-fim. É preciso ter
uma atenção especial no caso da atividade de manutenção que, embora
TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS NA MANUTENÇÃO 197
MÉDIA PERCENTUAL DE CUSTO DE SERVIÇOS DE TERCEIROS EM
MANUTENÇÃO, SOBRE O CUSTO TOTAL DA M.ANUTENCÃO
Máquinas e Equipamentos 42%·
Petroq uímico 37%
Petr6leo 35%
Eletro, Eletrônico e Telecomunicações 34%
Hospitalar 34%
Predial 29%
Agroindústria e Químico 26%
Energia Elétrica 26%
Cimento, Construção Civil 25%
Papel e Celulose 23%
Farmacêutico 22%
Saneamento e Serviço 21%
Transporte 21%
Têxtil 20%
Siderúrgico 19%
Alimento e Bebida 17%
Automotivo e Metalúrgico 15%
Mineração 13%
M6veis 10%
Borracha e Plástico 8,5%
não seja uma atividade-fim na produção, é uma atividade estratégica, em
determinadas áreas ou especialidades, para o resultado empresarial.
• EFICIE.NCIA: É impossível ser especialista em tudo, principalmente
numa época de grande diversidade tecnol6gica e de rápida evolução.
• CUSTO DIRETO: Manutenção de recursos humanos e materiais com
baixo grau de utilização, para determinadas tarefas de alta tecnologia.
• CUSTO INDIRETO: Toda atividade-meio requer gerenciamento equi
valente a qualquer atividade-fim da empresa Contratante.
198 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
8.3.2. Dificuldades para a T erceirização
É preciso estar atento às dificuldades para que a terceirização de determina
da atividade possa significar, realmente, um ganho e um caminho sem volta,
pois do contrário pode trazer prejuízos e, até mesmo, um retorno ou uma "pri
meirização" com todas as conseqüências negativas daí advindas:
As dificuldades normalmente encontradas para a Terceirização são:
• Poucas empresas capacitadas e vocacionadas para a atividade de manu
tenção.
• Legislação Trabalhista restritiva.
• Poucas empresas no Brasil, contratantes e contratadas, com cultura de
terceirização.
• Baixa integração entre a Contratada e a Contratante, praticando-se, em
geral, uma política do perde-ganha.
• Falta de cultura de parceria.
• Pouca mão-de-obra qualificada no mercado.
• Possibilidade de cartelização de alguns setores.
• Não cumprimento de obrigações trabalhistas por algumas Contratadas.
• Maior incidência de acidentes na maioria das empresas contratadas.
• Cultura gerencial, principalmente da média gerência, de manter a ma
nutenção própria.
• Baixa competitividade de grande parte das empresas contratadas.
8.3.3. Vantagens da Terceirização
As principais vantagens obtidas com a prática adequada da Terceirização,
que pressupõem uma relação de parceria, são:
• Aumento da qualidade.
• Redução de custos.
• Transferência de processos suplementares a quem os tenham como ati
vidade-fim.
• Aumento da especialização.
• Redução de estoques, quando se contrata com fornecimento de mate
rial.
• Flexibilidade organizacional.
TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS NA MANUTENÇÃO 199
• Melhor administração do tempo para gestão do negócio.
• Diminuição do desperdício.
• Redução de áreas ocupadas.
• Melhor atendimento.
8.3.4. Desvantagens da Terceirização
As principais desvantagens que podem ocorrer, quando se terceiriza sem
uma adequada visão estratégica, são:
• Aumento da dependência de terceiros.
• Aumento de custos quando, simplesmente, se empreiteiriza.
• Aumento do risco empresarial pela possibilidade de queda na qualidade.
• Redução da especialização própria.
• Aumento do risco de acidentes pessoais.
• Aumento do risco de passivo trabalhista, dependendo da qualidade da
contratação.
8.3.5. Condições Básicas para Terceirizar
• Definir quais atividades podem ser terceirizadas no todo ou em parte,
tendo especial cuidado com as atividades-fim e estratégicas, onde se in- dependem a disponibilidade e a confiabilidade do sistema.
Na fase de projeto, o levantamento de necessidades, inclusive o envolvi
mento dos usuários (Operação e Manutenção), além dos dados específicos
para sua elaboração, nível de detalhamento, dentre outros, são de fundamental
importância, pois irão impactar diretamente nas demais fases, com conseqüên
cias no desempenho e na economia. Como desempenho podemos citar as
questões ligadas a confiabilidade, produtividade, qualidade do produto final,
segurança e preservação ambiental e as econômicas se referem ao nível de custo
eficiência obtido.
A escolha dos equipamentos deverá considerar a sua adequação ao projeto
(correto dimensionamento), a capacidade inerente esperada (através de dados
técnicos, TMEF - tempo médio entre falhas), qualidade, manutenibilidade,
além do custo-eficiência.
6 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATl?.GICA
É importante considerar, também, a padronização com outros equipa
mentos do mesmo projeto e de equipamentos já existentes na instalação, obje
tivando redução de estoque de sobressalentes e facilidades de manutenção e
operação.
A fabricação deve ser devidamente acompanhada e incorporar os requisi
tos de modernidade e aumento da confiabilidade dos equipamentos, além das
sugestões oriundas da prática de manutenção.
Todos esses dados, aliados ao histórico de desempenho de equipamentos
semelhantes, dados estes subsidiados pelo grupo de Manutenção, compõem o
valor histórico do equipamento, elemento importante para uma decisão em
compras e futura política de peças de reposição.
A fase de instalação deve prever cuidados com a qualidade da implantação
do projeto e as técnicas utilizadas para esta finalidade. Quando a qualidade não
é apurada, muitas vezes são inseridos pontos potenciais de falhas que se man
têm ocultos por vários períodos e vêm a se manifestar muitas vezes quando o
sistema é fortemente solicitado, ou seja, quando o processo produtivo assim o
exige, ou seja, normalmente quando se necessita de maior confiabilidade.
As fases de manutenção e operação terão por objetivo garantir a função dos
equipamentos, sistemas e instalações no decorrer de sua vida útil e a não-degene
ração do desempenho. Nesta fase da existência, normalmente são detectadas as
deficiências geradas no projeto, seleção de equipamentos e instalação.
Da não-interação entre as fases anteriores, percebe-se que a Manutenção
encontrará dificuldades de desempenho das suas atividades, mesmo que se
apliquem nelas as mais modernas técnicas. A confiabilidade estará num pata
mar inferior ao inicialmente previsto.
PROJETO+ FABRICAÇÃO+ INSTALAÇÃO+ MANUTENÇÃO+ O~ERAÇÃO
. DISPONIBILIDADE/CONFIABILIDADE .·.
1
EVOLUÇÃO DA MANUTENÇÃO 7
1.3.1. Unidade de Alta Performance
Atualmente, uma nova fase está surgindo e está ligada à busca de Unidades
e Sistemas de Alta Performance. Isto é fruto de uma economia mais globaliza
da que induz a busca de maior competitividade, além das exigências cada vez
maiores da sociedade com relação às questões de SMS - Saúde, Meio Ambiente
e Segurança.
A Unidade de Alta Performance pode ser mais bem explicitada, qualitati-
vamente, pelas seguintes variáveis:
• Alto nível de confiabilidade.
• Baixo custo de manutenção.
• Automatizadas e com controle avançado.
• Ecologicamente equacionadas.
• Intrinsecamente seguras.
• Baixa necessidade de intervenções.
• Atendimento à qualidade futura dos produtos.
• Flexibilidade operacional para atendimento das demandas do mercado,
com máxima utilização das instalações.
• Baixo consumo energético.
• Uso otimizado de água, com a utilização de circuito fechado.
• Alto nível de desempenho, com resultados otimizados.
Para sua bem-sucedida implementação, são fundamentais as seguintes
ações:
• Uso de referenciais de excelência, traduzidos por "benchmarks,, do seg
mento do negócio.
• Ter um plano de ação, padrões e procedimentos que permitam atingir
os referenciais estabelecidos, nas diversas fases.
• A aplicação do conceito, de forma integrada e abrangente, desde a fase
do projeto conceituai até a plena operação da Unidade, inclusive com a
necessária retroalimentação para os novos projetos.
8
.
•
Primeira Geração
Ames de 1940
f\l ANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRAT ÉGICA
Tabela 1. 1
Evolução da Manutenção
Segunda Geração
1940 1970
Terceira Geração
Após 1970
AUM ENTO DA EXPECTATIVA EM RELAÇÃO À MANUTENÇÃO
Conserro após a . Dispon ibilidade . Maior
fa lha crescenre dispon ibilidade e . Maior vida úri l do conflabilidade
equipamento . Mel ho r
custo-benefício . Melhor qualidade
dos produtos . Preservação do
meio ambiente
MUDANÇAS NAS TÉCNICAS DE MANUTENÇÃO
Conse rto após a . Computadores . Monitoração de
fa lha grandes e lemos cond ição . Sistemas manu ais . Projetos vo lrados
de p lanejamento e para conflabi lidade
conrrole do e manuren ibilidade
trabalho • Análise de risco
• Monitoração por • Computadores
tempo pequenos e rápidos . Softwares parentes . Análise de modos e
efeitos da folha
(FMEA) . G ru pos de trabalho
mulridisciplinares
- ·-
Anres de l 940 1940 1970 Após 1970
Primeira Geração Segunda Gemção Terceira Gemção
GESTÂO ESTRATÉGICA DA
MANUTENÇÂO
2.1. INTRODUÇÃO
Este capítulo descreve a importância de "pensar e agir estrategicamente,,,
para que a atividade de manutenção se integre de maneira eficaz ao processo
produtivo contribuindo, efetivamente, para que a empresa caminhe rumo à
Excelência Empresarial.
Esta nova postura é fruto dos novos desafios que se apresentam para as em
presas neste novo cenário de uma economia globalizada e altamente competiti
va, onde as mudanças se sucedem em alta velocidade e a manutenção, como
uma das atividades fundamentais do processo produtivo, precisa ser um agente
proativo.
Neste cenário não mais existem espaços para improvisos e arranjos: com
petência, criatividade, flexibilidade, velocidade, cultura de mudança e trabalho
em equipe são as características básicas das empresas e das organizações que
têm a Competitividade como razão de ser de sua sobrevivência. Para as pessoas
estas características são essenciais para garantir a empregabilidade de cada um.
A condução moderna dos negócios requer uma mudança profunda de
mentalidade e de posturas. A gerência moderna deve estar sustentada por uma
visão de futuro e regida por processos de gestão onde a satisfação plena de seus
clientes seja resultante da qualidade intrínseca dos seus produtos e serviços e a
qualidade total dos seus processos produtivos seja o balizador fundamental.
10 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATl!GICA
Na visão atual, a Manutenção existe para que não haja manutenção; esta
mos falando da manutenção corretiva não planejada. Isto parece paradoxal à
primeira vista mas, numa visão mais aprofundada, vemos que o trabalho da
manutenção está sendo enobrecido onde, cada vez mais, o pessoal da área pre
cisa estar qualificado e equipado para evitar falhas e não para corrigi-las.
Aliado a isto, cada vez mais têm amadurecido as relações de parceria entre
as empresas e suas contratadas na área de manutenção. Neste contexto, uma
nova estratégia está sendo praticada com os chamados contratos de parceria ba
seados em disponibilidade e confiabilidade das instalações, onde a contratada
aumenta a sua lucratividade à medida que melhora a disponibilidade e a confi
abilidade das instalações da empresa onde está atuando.
Neste tipo de contrato NÃO MAIS SE PAGAM "SERVIÇOS" MAS
"SOLUÇÕES".
Esta mudança estratégica da manutenção tem reflexo direto nos resultados
empresariais, tais como:
• Aumento da disponibilidade.
• Aumento do faturamento e do lucro.
• Aumento da segurança pessoal e das instalações.
• Redução da demanda de Serviços.
• Redução de custos.
• Redução de lucros cessantes.
• Preservação ambiental.
Ao invés de se falar em "mudança de cultura", que é um processo lento não
condizente com as necessidades atuais, é preciso que a gestãoclui parte da manutenção.
• Verificar a existência no mercado de empresas prestadoras de serviço ou
mesmo possibilidade de serem desenvolvidas.
• Objetivar resultados de médio e longo prazos e não, simplesmente, re
dução de custo no curto prazo.
• Estabelecer relações de parceria.
• Procurar a melhoria contínua de resultados, com ganhos divididos entre
as partes.
• Estabelecer indicadores de resultados nas áreas de Qualidade, Atendi
mento, Custo, Segurança, Moral e Meio Ambiente.
• Ter como premissa o crescimento tecnológico do prestador de serviços.
8.3.6. Características Importantes da Contratada
A empresa a ser contratada deverá ter a manutenção no seu Core Business,
ser tecnologicamente atualizada, dispor de adequado ferramental e equipa-
200 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATJ!GICA
mentos, dispor de recursos humanos atualizados e ter uma filosofia de gestão
em sintonia com os tempos atuais, ou seja:
É IMPORTANTE QUE A CONTRATADA AGREGUE VALOR AO
PRODUTO FINAL.
A relação deve basear-se na busca permanente da parceria de médio e longo
prazos, daí por que a saúde econômico-financeira da Contratada e da Contra
tante deve ser bem analisada.
É importante que a Contratada tenha uma carteira diversificada por vários
clientes, evitando o cliente exclusivo, o que, além de conferir maior legalidade,
lhe permitirá maior flexibilidade e rapidez no remanejamento de pessoas e re
cursos materiais.
Finalmente, sua confiabilidade técnica e administrativa deve ser atestada
pela sua folha de serviços prestados no mercado, bem como pela estabilidade
empresarial e do seu corpo gerencial e técnico.
8.4. TENDÊNCIAS DA TERCEIRIZAÇÃO
A tendência mundial e, por conseqüência, no Brasil é o avanço da terceiri
zação como opção estratégica. O Documento Nacional da ABRAMAN, edição
2001, indica que 52% das empresas pesquisadas acreditam no aumento do ní
vel de contratação de serviços, 41 % pretendem manter o nível atual e, apenas,
7% pretendem "desterceirizar" ou "primeirizar".
Dois fatores básicos são fundamentais para esta tendência:
• Redução do tamanho das empresas e sua concentração na atividade-fim
e naquelas atividades-meio mais próximas do seu negócio.
• Redução do número de fornecedores através da formação de parcerias.
• O que se busca, estrategicamente, é:
./ Maior Qualidade .
./ Melhor Atendimento .
./ Menor Custo.
8.5. FORMAS DE CONTRATAÇÃO
Existem três modalidades, básicas, de contratação de serviços de manuten
ção (veja quadro na página seguinte).
TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS NA MANUTENÇÃO 201
Os percentuais citados para as modalidades de contratação devem ser alte
rados, rapidamente, considerando como referenciais a serem alcançados aque
les que levam a melhores resultados empresariais e que são:
• Contrato de mão-de-obra em torno de 5%, o que significa uma grande
redução em relação ao praticado atualmente.
• Contrato de serviço em torno de 30%, que é o que se tem praticado hoje.
• Contrato por resultado em torno de 65%, o que significa uma grande
elevação em relação ao praticado hoje.
Na verdade, a contratação por resultados nada mais é do que a Terceiriza
ção na sua real definição. Ver item 8.2- Conceitos Básicos.
MÃO DE OBRA
SERVIÇOS
~
RESULTADOS
::: 65°/o
~ 30°/o
os serviços, já que o seu ganho é proporcional à quantidade de
serviços realizados.
Entretanto, esta forma de contratar tem objetivos inteiramente antagôni
cos e, por conseqüência, impede aquela relação estratégica para garantir bons
resultados empresariais, que é a PARCERIA.
Por que os objetivos são antagônicos?
204 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
A Contratante está à procura de maior disponibilidade, e para se conseguir
isto é necessário uma série de ações envolvendo, inclusive, mudanças de para
digmas, e a resultante de tudo isto é uma REDUÇÃO NA DEMANDA DE
SERVIÇOS.
Por outro lado, quanto MAIOR A DEMANDA DE SERVIÇOS maior será a
remuneração da Contratada e, conseqüentemente, o seu lucro. É muita inge
nuidade por parte da Contratante julgar que a Contratada será uma parceira
sua na busca da maior disponibilidade, que reduzirá a Demanda de Serviços e,
por conseqüência, o faturamento e o lucro da Contratada.
Ver Capítulo 2 - Gestão Estratégica, que trata desta questão.
Apesar de tudo isto, em todos os Congressos de Manutenção ou de T e'rcei
rização de Serviços, pôde ser constatado que cerca de 95% das empresas prati
cam esta forma de contratação por serviços ou ainda estão na modalidade de
mão-de-obra.
Daí a necessidade, urgente, de se buscar um novo salto estratégico na for
ma de contratar, que é a busca da parceria, do contrato que estabeleça objetivos
comuns, onde os dois lados ganhem com a melhoria dos resultados empresari
ais da contratante.
NA MANUTENÇÃO, A FORMA DE SE CONSEGUIR ISTO É ATRAVÉS DO
CONTRATO POR RESULTADOS.
8.5.3. Contrato por Resultados
As características básicas deste contrato são:
• A Contratante tem como meta fundamental a maior disponibilidade,
com conseqüente menor demanda de serviços, com custos, segurança e
confiabilidade adequados.
• A responsabilidade técnica é, totalmente, da Contratada.
• A Contratada, na busca da meta comum da Contratante, que é maior
disponibilidade, terá maior lucro, ainda que com menor faturamento
decorrente da menor demanda de serviços, pois parte dos recursos não
despendidos será dividida entre as partes, o que aumentará o seu lucro.
Como conseguir realizar esta aparente contradição? A resposta virá mais
adiante.
Os indicadores básicos do contrato são:
• Uma disponibilidade mínima dos equipamentos ou sistemas estabeleci
da contratualmente.
TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS NA MANUTENÇÃO 205
• Um teto de recursos contratados estabelecido de maneira coerente, que
pode ser, inclusive, referido em homem-hora; não confundir pagamen
to por homem-hora com contratação de mão-de-obra.
Para o estabelecimento destes dois indicadores é preciso contar com um
bom banco de dados ou, na sua falta, com uma negociação aberta e franca,
onde os dois lados envolvidos estabeleçam, dentro de uma relação de confian
ça, estes parâmetros.
Definidos estes dois parâmetros, e atendida a disponibilidade mínima esta
belecida, a Contratada não recebe qualquer remuneração caso ultrapasse o teto
de recursos estabelecido; em contrapartida, se o teto estabelecido não for atin
gido ela recebe uma parte da diferença que sobrar.
Para alcançar os resultados desejados e não conflitar com a legislação traba
lhista, é fundamental observar os seguintes pontos:
• · A empresa contratada deve estar legalmente constituída para atuar no
ramo da atividade terceirizada, com capacitação técnica e administrativa.
• A mão-de-obra precisa ser especializada, adequadamente remunerada,
com direitos trabalhistas respeitados, atuando motivada, com qualidade
e produtividade, subordinada exclusivamente à empresa contratada.
• À empresa contratante cabe avaliar, principalmente, as variáveis básicas
estabelecidas que são: disponibilidade, teto de recursos a serem aplica
dos e índices de segurança, além de outros indicadores e metas estabele
cidas e negociadas.
8.5.3.1. Menores Faturamento e Custo X Maior Lucro
Conforme já foi dito, neste tipo de contrato as variáveis se comportam da
seguinte maneira:
Disponibilidade
Demanda de Serviços
Faturamento/Custo
Lucro
Aumenta
Diminui
Diminuem
Aumenta
Esta aparente contradição de Menores Faturamento e Custo X Maior Lu
cro pode ser mais bem entendida com um exemplo prático. Imagine-se o se
guinte contrato:
206 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATt.GICA
Para a manutenção de uma determinada disponibilidade de uma fábrica
foi contratada uma empresa e o teto de recursos ajustado foi de 30.000
Hh/ano; caso este teto não seja consumido, o ganho será dividido igualmente
entre as partes.
Supondo que o lucro da Contratada seja 10% do seu faturamento, o que é
uma boa margem dentro de uma economia estabilizada, tem-se os seguintes
resultados:
• Caso 1: todo o recurso previsto para o ano (30.000 Hh) foi consumido:
faturamento da Contratada - 30.000 Hh
lucro da Contratada - 3.000 Hh
• Caso 2: foram consumidos, apenas, 25.000 Hh:
faturamento da Contratada - 25.000 Hh
lucro sobre o faturamento - 2.500 Hh (a)
sobra de recursos - 5.000 Hh
prêmio da Contratada (50%) - 2.500 Hh (b)
pagamento pela Contratante- 27.500 Hh
lucro total da Contratada- 5.000 Hh (a+ b)
Ou seja, no Caso 2, apesar do faturamento da Contratada ter reduzido de
30.000 Hh para 25.000 Hh, o seu lucro saltou de 3.000 Hh no Caso l, para
5.000 Hh no Caso 2.
Sem dúvida foi um bom negócio para as duas partes envolvidas:
• Para a Contratante, que teve uma menor intervenção na planta, no mí
nimo manteve a disponibilidade contratada, menor risco de acidentes e,
no final, desembolsou menos do que o teto estabelecido, ou seja desem
bolsou apenas 27.500 Hh dos 30.000 Hh inicialmente previstos.
• Para a Contratada, que, apesar de ter faturado menos no Caso 2, teve
seu lucro aumentado de 3.000 Hh no Caso 1, para 5.000 Hh no Caso 2.
Isto é o que pode ser chamado de uma política "ganha-ganha", com busca
do crescimento coletivo e ganhos de médio e longo prazos para as partes envol
vidas.
Na verdade, o modelo apresentado anteriormente é factível, sendo utiliza
do na REGAP-Refinaria Gabriel Passos, da Petrobras, em Betim, MG, a par
tir de agosto/97, para os serviços de manutenção de equipamentos rotativos de
três Unidades Industriais, incluindo usinagem e lubrificação.
TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS NA MANUTENÇÃO 207
Variáveis Afetadas pela T erceirização
VARIÁVEL VARIAÇÃO OBS.
QUALIDADE 1r BOM
DISPONIBILIDADE 1t BOM
CUSTO MANUTENÇÃO • BOM
LUCRO CONTRATADA 11 BOM
FATURAMENTO • BOM
ATENDIMENTO • BOM
MORAL • BOM
SEGURANÇA • BOM
No "caso REGAP,,, é um contrato feito dentro da Lei 8.666, com prazo de
duração de 3 anos, podendo ser renovado por mais dois anos, caso haja interes
se das partes, e prevê as seguintes situações:
a) O estabelecimento dos novos tetos é feito dentro da seguinte regra:
• Segundo ano: gasto efetivo do ano anterior acrescido de 40% do saldo
contratual verificado; no exemplo citado anteriormente no Caso 2, o
novo teto seria: 25.000 + 0,4 X 5.000, o que resulta em 27.000 Hh.
• Terceiro ano: mesmo raciocínio, sendo o percentual aplicado de 50%
sobre o saldo contratual verificado.
• Quarto ano: idem, sendo o percentual aplicado de 55%.
• Quinto ano: idem, sendo o percentual aplicado de 60%.
b) Em contrapartida, à medida que os anos passam e o teto é reduzido,
fica mais difícil se obter saldos iguais ou mesmo maiores do que os dos
anos anteriores; para compensar esta situação, a divisão dos saldos con
tratuais é feita em percentuais diferentes para cada ano, tendo sido esta
belecido que a Contratada recebe os seguintes percentuais:
• Primeiro ano: 50%.
208 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
• Segundo ano: 60%.
• Terceiro ano: 65%.
• Quarto ano: 70%.
• Quinto ano: 75%.
c) A concorrência foi pública, tendo sido feita uma qualificação técnica
através de critérios previamente estabelecidos e, a partir daí, as empresas
habilitadas tecnicamente foram selecionadas pelo critério de menor pre
ço. Os critérios estabelecidos paraa qualificação técnica foram:
• Habilitação jurídica.
• Regularidade fiscal.
• Qualificação técnica:
./ CREA - profissionais detentores de certidão/atestados na atividade .
./ Atestados de execução de serviços de manutenção industrial em equi-
pamentos "API - American Petroleum lnstitute", ou cadastrados na
Petrobras .
./ Apresentação de um programa interno de garantia de qualidade apro
vado por cliente, ou certificação por entidade credenciada pelo
INMETRO.
• A vencedora deverá estar certificada pela ISO 9002 num prazo máxi
mo de 12 meses após a assinatura do contrato.
• Qualificação econômico-financeira.
• Patrimônio líquido compatível com o valor do contrato.
Adicionalmente, já é uma prática contratual na REGAP que a Contratada
tenha o seu pessoal certificado pelo PNQC- Programa Nacional de Qualifica
ção e Certificação de Mão-de-Obra de Manutenção, da ABRAMAN; para este
contrato foram estabelecidos percentuais e prazos da seguinte forma:
inicial = 20%;
incremento trimestral = 10%, até o limite de 80%.
A partir de 2001, a Perrobras estabeleceu novos patamares de certificação
de pessoal contratado para prestar serviços em suas refinarias, conforme qua
dros a seguir na Tabela 1.
IMPORTANTE: O exemplo da Petrobras/Regap é mais aplicado para
empresas estatais que estão sujeitas à Lei 8.666 e, portanto, precisam definir os
parâmetros de avaliação no próprio contrato.
TERCEIRIZAÇÁO DE SERVIÇOS NA MANUTENÇÃO
PROCEDIMENTO PETROBRAS/REFINARIAS
PARA CERTIFICAÇÃO DE PESSOAL CONTRATADO
SERVIÇOS DE ROTINA
MECÂNICO
PRAZO
CALDEIREIRO ELETRICISTA
(%) INSTRUMENTISTA
(%)
Até
25 40 Dez/2001
Até
40 60 Dez/2001
Até
60 80
Dez/2002
Até
100 100
Dez/2004
Órgão certificador: PNQC/ABRAMAN em parceria com o SENAI
PROCEDIMENTO PETROBRAS/REFINARIAS
PARA CERTIFICAÇÃO DE PESSOAL CONTRATADO
SERVIÇOS DE PARADA
209
CALDEIREIRO
MECÂNICO INSTRUMENTISTA
PRAZO ELETRICISTA
(%) {%) (%)
Dez/2001 5 20 20
Dez/2002 15 40 50
Dez/2003 25 60 50
órgão certificador: PNQC/ABRAMAN em parceria com o SENAI
PROCEDIMENTO PETROBRAS/REFINARIAS
PARA CERTIFICAÇÃO DE PESSOAL CONTRATADO
SERVIÇOS DE PARADA +ROTINA
ESPECIALIDADE % ENTIDADE
CERTIFICADORA
INSPETOR DE END 100 ABENDE
INSPETOR DE SOLDA 100 FBTS
Contratada que deve atender o
SOLDADOR 100 Código ASME IX e Norma
Petrobras N-133
Tabela. 1.
210 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
Em empresas privadas, a definição desses parâmetros pode ser feita, periodi
camente (sugere-se anualmente), quando os parceiros negociam as novas meras,
aí incluídas disponibilidade, custo, segurança e divisão de ganhos, entre outras.
As refinarias da empresa ELF (Empresa Francesa de Petróleo) também
usam, com bastante sucesso, este tipo de contratação, que é um fator crítico de
sucesso, responsável pela alta competitividade destas refinarias sendo, inclusi
ve, benchmark no setor petróleo.
8.5.3.2. Resultados Previstos com o Contrato de Resultados
• Maior disponibilidade da planta.
• Diminuição dos custos de manutenção.
• Maior atuação na causa básica dos problemas.
• Melhor utilização dos recursos aplicados.
• Maior autonomia da Contratada.
• Preocupação da Contratada com relação à boa operação dos equipa
mentos.
• Resultados, positivos, divididos entre as partes; ressalte-se que caso o
teto estabelecido seja ultrapassado a Contratante NÃO paga este exces
so.
8.5.3.3. Mudanças de Paradigmas
• Para a Contratante significa a busca da maior disponibilidade com a
conseqüente redução da demanda de serviços.
• Para a Contratada significa que a sua ação na busca de maior disponibi
lidade, com a conseqüente redução da demanda de serviços, vai redun
dar em maiores lucros.
Na verdade, o objetivo estratégico não é contratar serviços de
manuten ão e, sim, CONTRATAR SOLU ÕES DE MANUTEN - O.
O homem de manutenção da Contratada deverá seguir o mesmo modelo
do homem da manutenção própria: ser bastante "cabeçudo" no sentido de usar
muito a cabeça para evitar que os problemas aconteçam, e ter os braços bem "cur
tos" para intervir menos na planta (Ver Figura 8.2).
Pode-se afirmar, com certeza, que não há espaço para uma empresa conti
nuar competitiva sem adoção do Contrato por Resultados. É uma questão es-
TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS NA MANUTENÇÃO 211
Homem do Futuro (atual) Homem do Passado
Figura 8.2 - Homem de Manutenção - Futuro (atual) e Passado.
tratégica de sobrevivência; não há tempo para postergações. Tudo isto é válido
tanto para as Contratantes como para as Contratadas.
8.6. ASPECTOS LEGAIS
Em primeiro lugar é preciso distinguir "Prestação de Serviço", que é uma
relação com princípio de legalidade, de "Prestação de Trabalho,,, que é uma re
lação que já se inicia sob o véu da ilegalidade:
• Prestação de Serviço: é um serviço prestado por uma empresa qualificada
do ponto de vista técnico, econômico e administrativo.
• Prestação de Trabalho: pode ser tanto com pessoa física quanto com pes
soa jurídica, mas com a característica típica de intermediação de
mão-de-obra; ESTE É UM PROBLEMA BÁSICO!
Não é nosso objetivo nos aprofundarmos nas questões jurídicas, mas apre
sentar alguns princípios básicos que julgamos essenciais para os gerentes de
manutenção alcançarem os resultados empresariais, sem entrarem em conflito
com a legislação trabalhista ou, no mínimo, minimizar os riscos envolvidos:
• A empresa contratada deve estar legalmente constituída para atuar no
ramo da atividade terceirizada, com capacitação técnica e administra
tiva.
212 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
• A mão-de-obra deve ser especializada, adequadamente remunerada,
com os direitos trabalhistas respeitados e subordinar-se, exclusivamente,
à empresa contratada. A Contratante não deve, em qualquer hipótese,
subordinar a empresa contratada, sob pena de torná-la um mero depar
tamento da Contratante, com todos os riscos trabalhistas daí advindos.
• À empresa contratante cabe avaliar, apenas, os parâmetros contratuais
estabelecidos que, normalmente, são a qualidade, a confiabilidade, o
atendimento, o prazo, o custo, a segurança e, mais recentemente, as va
riáveis ambientais. O contrato excessivamente detalhado pode mostrar
que inexiste a prestação de serviços e caracterizar que o Contratado é,
apenas, um fornecedor de mão-de-obra e não um empresário parceiro.
Isto, no mínimo, aumenta o risco trabalhista.
8.6.1. Recomendações de Aspecto Legal para a Contratante
Quem contrata mal corre alto risco de tornar-se responsável solidário com
o seu prestador de serviço. As recomendações a seguir objetivam reduzir os ris
cos trabalhistas para a Contratante:
• Não realizar contratos de mão-de-obra, a não ser nos casos previstos em
lei.
• O contrato de serviços deve ser com pessoa jurídica.
• Utilizar unidades de medição de serviço que sejam reconhecidas, evitan
do-se homem-hora.
• Não estabelecer relação de subordinação direta com os colaboradores da
Contratada.
• Evitar contratar atividade-fim nas instalações da Contratante.
• Não contratar prestadora de serviços que só tenha um cliente.
• O prazo deve ser por tempo determinado.
• Deve haver impessoalidade com relação aos colaboradores da Contratada.
• Escolher um prestador de serviços que seja idôneo do ponto de vista téc
nico, econômico e administrativo. Acompanhar estas variáveis.
Resumindo, deve-se contratar empresas que sejam idôneas do ponto de
vista legal, administrativo e técnico.
TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS NA MANUTENÇÃO 213
'~ confiança é o maior patrimônio de qualquer empresa.
Nada úti.l pode sobreviver sem ela."
Albert Schweitzer
O que está implícito nesta afirmação é que o contrato nada mais é do que
uma relação vivencial de confiança; não há contrato perfeito quando as partes
não são confiáveis. Portanto, pode-se dizer que embora o risco seja inerente na
atividade empresarial é possível reduzi-lo a níveis aceitáveis com práticas jurí
dicas adequadas. Isto não exclui a necessidadede se descrever, claramente, as
responsabilidades e regras de convivência para as situações previsíveis.
8.6.2. Prova de Capacidade
Os seguintes pontos devem ser observados:
• Contrato social.
• Certidão de arquivamento do contrato social.
• Atividade-fim.
• Composição societária.
• Capital social.
• Responsabilidade dos sócios.
• Bens imóveis.
• Seguros.
• Capacidade operacional: máquinas, equipamentos, veículos, ferramen-
tal, disponibilidade de pessoal, etc.
• Estrutura patrimonial, através de balanços.
• Situação perante a Previdência Social.
• Situação perante a Prefeitura Municipal.
• Situação perante a Justiça Comum, do Trabalho e Federal.
• Situação perante o Ministério da Fazenda.
À medida que modernizamos a forma de contratar, adotando a modalida
de de Resultados, que tem como conseqüência a Parceria, essas verificações
tendem a diminuir.
8.6.3. Prova de Idoneidade Administrativa
A empresa tomadora de serviços deve verificar, sempre, o comportamento
do terceiro com relação aos seus recursos humanos através dos seguintes pontos:
214 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
• Registro de empregados.
• Forma de pagamento dos salários.
• Pagamento da carga horária trabalhada.
• Adicional noturno, de insalubridade e de periculosidade.
• Pagamento do repouso remunerado, feriados, salários família e maternidade.
• Atendimento a convenções coletivas.
• Contrato de prorrogação de jornada de trabalho.
• Contribuições previdenciária e sindical.
• FGTS.
• Imposto de Renda retido na fonte.
8.7. A QUESTÃO DA SEGURANÇA
Serão abordados aqui os aspectos de segurança pessoal, já que a questão da
segurança operacional é tratada quando se aborda a questão da confiabilidade;
todavia, não pode ser esquecido que a falta de segurança pessoal pode trazer
prejuízos à segurança operacional, se as causas da ocorrência estiverem ligadas à
imprudência ou mesmo à falta de conhecimento técnico e da instalação.
Investigações conduzidas pelo governo americano por ocasião da explosão
de um complexo petroquímica nos Estados Unidos chegaram às seguintes
conclusões, que podem ser, na média, extrapoladas para o Brasil:
• Os trabalhadores de empreiteiras se acidentam mais do que os trabalha
dores próprios.
• Os trabalhadores de empreiteiras, comparados com os trabalhadores
próprios, recebem:
../ Men.os treinamento de segurança e saúde .
../ Menos informações sobre os riscos nos locais de trabalho, substâncias
perigosas e procedimentos de emergência.
• De modo geral, os acidentes são pouco relatados e pouco analisados, e as
empresas contratadas são pouco propensas a se envolverem, diretamen
te, com os assuntos de segurança.
Pode-se afirmar que, na média, a situação brasileira é semelhante; todavia
já existem algumas empresas com práticas adequadas de segurança e que já
atingiram o patamar de excelência.
TERCEIRIZAÇÁO DE SERVIÇOS NA MANUTENÇÃO 215
Esta é uma questão fundamental e não dá para tratar de empresa excelente,
parceria e competitividade se esta questão não for encarada de forma estratégi
ca. Os mesmos programas, os mesmos resultados buscados e praticados pela
Contratante devem ser buscados pela Contratada. É preciso unificar a maneira
de ver as pessoas, resultados e abrangência dos programas de segurança (Con
tratante e Contratada).
Para que a terceirização seja bem-sucedida é preciso que os resultados em
presariais sejam alcançados. Os indicadores básicos de Qualidade, Atendimen
to, Custo, Moral da Equipe, Segurança e Meio Ambiente andam juntos; não
dá para otimizar parte destes indicadores.
A CONTRATADA QUE APRESENTA RESULTADOS RUINS EM
SEGURANÇA TAMBÉM TEM MAUS RESULTADOS EM QUALIDADE,
ATENDIMENTO, CUSTO, MOTIVAÇÃO DA EQUIPE E MEIO
AMBIENTE, SENDO, POR CONSEGUINTE, MÁ PARCEIRA QUE DEVE
TER O SEU CONTRATO DESCONTINUADO!
8. 7 .1. Recomendações para a Contratante Relativas à Segurança
das Contratadas
• Utilização de instrumentos contratuais prioritariamente por resultados,
e serviços onde couber.
• Exigir pessoal qualificado de acordo com o tipo de serviço.
• Exigir pessoal certificado para serviços de média tecnologia.
• Propiciar treinamento de segurança relativo aos riscos dos processos da
Contratante.
• Garantir e participar das apurações de ocorrências anormais envolvendo
Contratados, nos mesmos moldes da Contratante.
• Implementar práticas de segurança nas Contratadas semelhantes às da
Contratante.
• Ter Padrões Mínimos de Segurança e repassá-los para as Contratadas.
• Ter procedimentos para utilização de EPis e exigir a sua aplicação pelas
Contratadas.
• Estabelecer condições básicas adequadas de transporte, alimentação e
instalações físicas.
• CIPA para as Contratadas.
• Definição e acompanhamento de indicadores de segurança, com siste
ma de conseqüências.
• Adotar técnicas de análise de risco para intervenções não rotineiras.
216 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRAT~GICA
• Exames médicos admissionais compatíveis com o trabalho contratado.
• Adotar programa de auditorias periódicas.
8. 7 .2. Sinais Visíveis de Segurança
Além de tudo que já foi dito, existem os "sinais visíveis,, que mostram se a
organização está a caminho da excelência nos aspectos de segurança em servi
ços contratados:
• Nível crescente, com metas estabelecidas, de qualificação e certificação
da força de trabalho (própria e conrratada).
• Contratação de serviços por resultados a nível crescente.
• Nível educacional adequado dos contratados.
• Otimização de custos no lugar de redução de custos a qualquer custo.
• Nível adequado de "Ordem -Arrumação - Limpeza", não só das insta
lações industriais mas, também, das administrativas, aí incluídos o escri
tório, o restaurante e o vestiário dos contratados.
8.8. ESTRUTURA CONTRATUAL
A estrutura contratual de prestação de serviços deve ser assim dividida:
• Título, qualificação das partes e finalidade da contratação.
• Objeto.
• Composição do preço, forma de reajuste e forma de pagamento.
• Cláusula de multa e prêmio.
• Normas técnicas relativas às atividades contratadas.
• Cláusulas de garantia: responsabilidade da Contratada, cessão, rescisão
e danos.
• Prazo.
• Motivos de força maior.
• Foro.
Sugere-se a inclusão de uma cláusula de garantia para salvaguardar eventu
ais danos econômicos à Contratante:
"A empresa 'X' obriga-se a realizar suas atividades utilizando profissionais
capacitados tecnicamente e em número adequado, cabendo-lhe integralmenre
a exclusiva responsabilidade pelo atendimento cocal de toda a legislação que
rege os negócios jurídicos e que lhe atribua responsabilidade, com ênfase na
TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS NA MANUTENÇÃO 217
trabalhista, previdenciária, civil e tributária. Em decorrência, a empresa 'X'
obriga-se a reembolsar à Contratante todas as despessas que esta tiver, decor
rentes de:
• Reconhecimento judicial de vínculo empregatício de empregados da
empresa 'X' com a Contratante.
• Reconhecimento judicial de solidariedade da Contratante no cumpri
mento de obrigações trabalhistas e/ou previdenciárias da empresa 'X'.
• Indenização, inclusive a terceiros, decorrentes de eventuais danos causa
dos pela empresa 'X' ou seus prepostos, na execução de seus serviços".
O Brasil vive uma fase de grandes mudanças de paradigmas, inclusive na
forma de interpretar o Direito, e um exemplo disto é o Enunciado 331, do Tri
bunal Superior do Trabalho - TST, que regulamentou, revolucionariamente,
os parâmetros de legalidade dos contratos de prestação de serviços.
8.8.1. Situação Anterior
ENUNCIADO 256
Contrato de prestação de serviços - legalidade
"Salvo os casos de trabalho temporário e de serviço de vigilância, previstos
nas Leis 6.019, de 3 de janeiro de 1974, e 7.102, de 20 de junho de 1983, é ile
gal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formando-se o vín
culo empregatício diretamente com o tomador de serviços."
8.8.2. Situação Atual
ENUNCIADO 331
Contrato de prestaçãode serviços - legalidade - revisão do Enunciado
256
"I - A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, for
mando-se o vínculo de emprego diretamente com o tomador de serviços, salvo
no caso de trabalho temporário (Lei 6.019).
II - A contratação irregular de trabalhador através de empresa interposta
não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública Dire
ta, Indireta ou Fundacional (Art. 37, 11, da Constituição da República).
(Mão-de-obra - Empresa Pública).
218 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
III - Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de
serviços de vigilância (Lei 7.102), de conservação e limpeza, bem como a de
SERVIÇOS ESPECIALIZADOS LIGADOS À ATIVIDADE-MEIO DO TOMADOR,
DESDE QUE INEXISTENTES A PESSOALIDADE E A SUBORDINAÇÃO DIRETA.
IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empre
gador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador de serviços quanto
àquelas obrigações, desde que tenha participado da relação processual e conste
também do título executivo judicial."
8.9. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A terceirização é uma tendência mundial e é uma ferramenta estratégica na
busca da competitividade empresarial. Os seguintes pontos devem ser ressalta
dos:
• A contratação precisa evoluir, rapidamente, da empreiteirização para a
terceirização.
• Existe bastante espaço para se incrementar a terceirização, excetuan
do-se, na época atual, alguns segmentos que já estão com percentuais
elevados relativos ao mercado prestador de serviços (ver item 8.3).
• A contratação precisa seguir a filosofia adequada, sob pena de retroces
sos empresariais.
• As empresas prestadoras de serviços precisam fazer da manutenção a sua
atividade-fim, investindo em recursos humanos, tecnologia, equipa
mentos, ferramental e gestão, sob pena de se tornar um mau parceiro,
que o mercado competitivo não vai aceitar.
É importante finalizar afirmando que já temos algumas empresas no Bra
sil, Contratantes e Contratadas, que já estão em nível de excelência; o que é
preciso é transformar estas "algumas" em "todas". Este papel cabe aos executi
vos, gerentes e supervisores; CABE A VOC~, LEITOR!
TÉCNICAS PREDITIVAS
9.1. INTRODUÇÃO
Foi visto no Capítulo 3 que a manutenção preditiva é a primeira grande
quebra de paradigma nos tipos de manutenção (ver item 3.4 e Gráfico 3.4).
Também foi visto que sua prática no Brasil ainda é pequena, chegando a ape
nas 18% dos recursos aplicados (Figura 3.5).
O Gráfico 3.6 mostra que, mesmo no Primeiro Mundo, a manutenção
preditiva ainda está longe do que seria o modelo ideal.
É estratégica, do ponto de vista empresarial, a implantação ou mesmo o in
cremento dessa prática.
Este capítulo aborda as técnicas preditivas conhecidas até o momento e o
seu campo de aplicação, com um enfoque eminentemente informativo.
Como já visto anteriormente, a manutenção preditiva é aquela que indica
a necessidade de intervenção com base no estado do equipamento. A avaliação
do estado do equipamento se dá através da medição, acompanhamento ou mo
nitoração de parâmetros.
Esse acompanhamento pode ser feito de três formas:
• Acompanhamento ou monitoração subjetiva.
• Acompanhamento ou monitoração objetiva.
• Monitoração contínua.
220 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
9.2. MONITORAÇÃO SUBJETNA
Variáveis como temperatura, vibração, ruído e folgas já são acompanhadas
há muitos anos pelo pessoal da manutenção, independente da existência de
instrumentos. Quem ainda não viu um oficial, supervisor ou engenheiro "aus
cultar,, um equipamento via capacete, caneta esferográfica ou através de este
toscópio? Ou alguém colocar a palma da mão sobre uma caixa de mancai e
diagnosticar em seguida: "Está bom!,, ou "A temperatura está muito alta,,.
A folga entre duas peças - por exemplo eixo-furo -é "sentida,, estar boa ou
excessiva pelo tato.
Também pelo tato os lubrificadores reconhecem se o óleo está "grosso,, ou
"fino,,. Na realidade o seu "viscosímetro de dedos,, está comparando aquele
óleo com o óleo novo.
O ruído e o tato podem nos indicar a existência de peças frouxas.
Esses procedimentos fazem parce da monitoração da condição do equipa
mento, e serão tanto mais confiáveis quanto mais experientes sejam os profis
sionais de manutenção. Mesmo que a experiência propicie uma identificação
razoável nesse tipo de verificação, ela não deve ser adotada como base para de
cisão por ser extremamente subjetiva. Cada pessoa terá uma opinião. Atempe
ratura de uma caixa de mancal pode estar boa para um e estar muito alta para
outro. Apesar disso, o uso dos sentidos pelo pessoal de manutenção deve ser incenti
vado.
Visão, Audição, Tato, Olfato. Faça uso, mas seja cauteloso.
Esses "instrumentos" não são substituíveis. Certifique-se das condições
de segurança antes de usar seus sentidos.
Figura 9.1 - Acompanhamento Subjetivo - Ruído.
\
TÉCNICAS PREDITIVAS 221
9.3. MONITORAÇÃO OBJETIVA
A monitoração ou o acompanhamento objetivo é feito com base em medi
ções utilizando equipamentos ou instrumentos especiais.
É objetiva por:
• Fornecer um valor de medição do parâmetro que está sendo acompa
nhado.
• Ser o valor medido independente do operador do instrumento, desde
que utilizado o mesmo procedimento.
Para utilização de qualquer meio de acompanhamento do estado de equi
pamentos por meio de instrumentos - monitoração objetiva - é fundamental
que:
• O pessoal que opera os instrumentos seja treinado e habilitado para tal.
• Os instrumentos estejam aferidos e calibrados.
• Haja pessoal capaz de interpretar os dados coletados e emitir diagnóstico.
E finalmente, mas tão ou mais importante que os três itens relacionados, é que
a média e a alta gerência confiem no diagnóstico de seus técnicos.
Atualmente, estão disponíveis várias técnicas que estão relacionadas nos
quadros a seguir, separados por classes de equipamentos.
Mais adiante, serão detalhadas algumas técnicas preditivas apresentadas
nos quadros.
9.4. MONITORAÇÃO CONTÍNUA
A monitoração contínua, que é também um acompanhamento objetivo,
foi inicialmente adotada em situações onde o tempo de desenvolvimento do
defeito era muito curto e em equipamentos de alta responsabilidade. Isso signi
fica uma excelente proteção desde que, usualmente, a monitoração contínua
venha associada a dispositivos que, em um primeiro momento, alarmam e em
seguida promovem a parada ou desligamento do equipamento uma ve:z atingi
do o valor-limite estipulado. Como os sistemas de monitoração contínua ti
nham um preço muito elevado, somente na situação descrita sua aquisição era
justificada.
Com o desenvolvimento da eletrônica e de sistemas digitais, a oferta de sis
temas de monitoração teve seu leque de aplicações ampliado e o preço final
tem caído. Isso vem permitindo, também, a utilização de sistemas de monito-
222 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
MECÂNICA- EQUIPAMENTOS ROTATIVOS
Bombas Centrífugas e Rotativas, Motores Elétricos, Geradores,
Compressores, Ventiladores, Redutores e Multiplicadores, Turbinas a
Vapor, Turbinas a Gás
Condição Análise Instmmento
Lubrificação • Análise espectográfica • Espectógrafo
• Ferrografia • Espectômetro de absorção
Qualidade do . Viscosidade atômica
óleo • Cromatografia gasosa • Cromatógrafo gasoso
• Ferrógrafo de leitura
direta
• Viscosímetro
Forças • Análise de vibração • Medidor, coletor e
• Verificação do analisador de vibração
Vibração balanceamento • Analisador de tempo real
Deformação • Verificação do • Lâmpada estroboscópica
Tensão alinhamento dos eixos • Alinhador mecânico
Ruído • Verificação de ruído • Alinhador a laser
• Tensão de linhas • Shock pulse meter
• Estetoscópio
• Dinamômetro
• Células de carga
• Verificador de tensão de
corretas
• Balanceadora
Calor • Temperatura de mancais • Termômetro de contato
• Temperatura de carcaça • Fitas indicadoras de
Temperatura temperatura
• Lápis ou giz indicador de
temperatura• Termômetros
infravermelhos
• T ermógrafos
I
TÉCNICAS PREDITIVAS 223
MECÂNICA - EQUIPAMENTOS ESTACIONÁRIOS
Vasos, Torres, Permutadores, Válvulas, Caldeiras, Tubulação,
Isolamento, Estruturas.
Condição Análise Instrumento! Equipamento
Espessura, • Medição de espessura • Medidor de espessura
Integridade • Detecção de trincas ultra-sônico
• Detecção de dupla • Ultra-som
Corrosão laminação • Líquido penetrante
Erosão • Defeitos em soldas • Emissão acústica
Abrasão • Medição de espessura em • Raios X e Raio y
Pitting películas de tinta • Magna Flux
Trincas • Zyglo (líquido penetrante
Desgaste fluorescente)
• Medidor de espessura
de tinta
• Gama Scan
• Cupons de perda de peso
Forças • Análise de vibração • Analisador de vibração
• Células de carga • Strain-gages
Fadiga • Teste de pressão • Bancada de teste
Deformação • Teste hidrostático • Conjunto de teste
Impacto • Teste de vácuo hidrostático de campo
Ruído • Detecção de trincas • Estetoscópio
Vibrações
Calor • Condução de calor • Termômetro de contato
• Perda de calor • Fitas indicadoras de
Temperatura • Integridade do temperatura
isolamento • Lápis ou giz indicador
• Vazamentos em de tem pera cura
purgadores • Termômetros
infravermelhos
• Pirômetros
• T ermógrafos
• Tinta termossensível
224 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
ELÉTRICA - EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS DE POTtNCIA
Motores Elétricos, Geradores, Capacitares, Transformadores,
Alimentadores, Barramentos
Condição Análise lnstmmento
Óleo • Rigidez dielétrica • Espectógrafo
• Viscosidade • Espectômetro de
Qualidade do óleo • Cromatografia gasosa absorção atômica
• Cromatógrafo gasoso
• Viscosímetro
• Aparelho de teste de
rigidez dielétrica
Forças • Análise de vibração • Analisador de
vibração
Vibração • Shock pulse meter
Eletromagnética (medidor de pulso de
Energia de choque em choque)
rolamentos
Calor • Temperatura • Termômetro de
contatos contato
Temperatura • Temperatura • Termômetros
barramentos infravermelhos
• Temperatura carcaça • T ermógrafos
Energia • Medição de corrente • Mega
• Medição de tensão • Medidor de
Tensão • Medição de resistência de passo
Corrente resistência • Registrador de
Resistência • Medição de tensão/ corrente
Capacitância capacitância • Teste sobre tensão
DC
• Teste duplo
ração à distância. Um exemplo disso é a monitoração dos grupos geradores nas
usinas hidrelétricas da CEMIG-Cia. Energética de Minas Gerais. As máquinas
da Usina Hidrelétrica de Nova Ponte, próximo a Uberlândia, no Triângulo
TÉCNICAS PREDITIVAS 225
ELÉTRICA - EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS DE PROTEÇÂO E CONTROLE
Disjuntores, Relés, Starters
Condição Análise Instrumento
Calor • Temperatura contatos • Termômetros
• Temperatura infravermelhos
Temperatura barramentos • T ermógrafos
Energia • Medição de corrente • Mega
• Medição de tensão • Medidor de resistência
Tensão • Medição de resistência ohm/micro-ohm
Corrente • Medição de • Teste de carga com
Resistência capacitância alta corrente
Capacitância • Calibração de relés • MultiAmp
• Teste duplo
Mineiro, são monitoradas também no edifício-sede da empresa, localizado em
Belo Horizonte. Ou seja, o sistema instalado nas máquinas na usina fornece
dados para a usina e ao mesmo tempo para os terminais instalados na sede.
É possível monitorar variáveis típicas de processo como densidade, vazão,
pressão etc. e variáveis relacionadas mais diretamente com os equipamentos,
como vibração, temperatura de mancais, temperatura do enrolamento de mo
tores elétricos etc.
Outros aspectos importantes da monitoração contínua:
• Independe de pessoal.
• Efetua monitoração realmente contínua, o que não é razoável de ser
conseguido com pessoas operando instrumentos.
• Pode enviar os dados em tempo real para unidades lógicas de processa
mento ou computadores com programas especialistas.
• Pode ser configurada de acordo com as necessidades do cliente, fornecen
do redundância onde se exija alta confiabilidade e saídas para acoplamen
to de instrumentos e processadores visando análises mais aprofundadas.
• Alguns fenômenos, particularmente na área de equipamentos rotativos,
somente podem ser detectados através do acompanhamento permanen
te de determinadas variáveis.
• Alguns dados só podem ser levantados em situação de parada ou partida
das máquinas, por serem muito rápidos ou por ocorrerem em horários e
condições que inviabilizam o levantamento manual de dados.
226 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRAT l?.G!CA
• Sistemas de moniroração co ntínua são adequados pa ra verificação ele
transientes, o que não ocorre com colerores manuais.
• A existência de sistemas de mo nitoração é fator de economia em relação
a prêmios ele seguros e tempo ele campanha.
O esquema básico d os sistem:ts de mon itoração esrá mostrado na Figura
9.2:
Local da vari áve l
a ser monitorada
Üscnsor
Transdutor
00
Indicador
(leitura)
Figura 9.2 - Esquema Tlpico de Sistema de Monitoração.
No loca l ma is apropri ado para medi ção é instalado um se nsor ou captor
que pode ser de contato ou não, dependendo do ripo de medi ção. Esse sensor
es tá ligado a um transduror que faz a decodificação do sinal pa ra que ele possa
ser t rad uzido em va lo res no indicad o r instalado no painel.
São comumenre empregados os seguintes tipos de instalação:
• No campo. Todo o s istema, desde os sensores até o painel, é instalado
no campo, normalmenre ao lado das máquinas ou insralações.
• Painel na casa de controle local, quando a in dt'.istria uti liza o conceito de
casas d e conrroles po r unidades operacionais ou conjunto fabril.
• Painel ou Dados para a casa de co ntro le central, prin cipalmente quando
a planta usa sis tema centra lizado de co ntrole co mo o SDCD - Sistema
Digita l d e Controle D istri buído.
• Painel na unidade operacio nal, em uma das três opções acima, e dad os
em locais remoras - sede da c m presa, ce ntro de controle etc. disran tes fi
sicamente da planra.
O quadro da página seguinte relaciona alguns sistemas de mon itoração
exis tenrcs e os sensores utilizados.
Os sinais de co ndição mecânica, elétrica o u de processo t ransmitidos pelos
sensores são levados até os rransmissores, que são capazes de realizar cálcul os
TÉCNICAS PREDITIVAS 227
Equipamento! Varidvel Sensor
Instalação
Máquinas • Vibração • Probe sem contato
rotativas • Acelerômetro
Piezoelétrico
• Pick-up magnético
• Deslocamento axial • Probe sem contato
• Temp~ratura de • RTD (Resistance
mancais Temperature Detector)
• Termopar
• Rotação • Probe sem contato
• Alinhamento • Sensores óticos a laser
• Pressão, temperatura do • DodiBars-probe sem
fluido de processo ou contato
óleo lubrificante • Pressostato, termostato
•Termopar
Máquinas • Temp~ratura de • RTD
alternativas mancais •Termopar
• Rotação • Probe sem contato
• Carga na haste • Probe sem contato
• Desgaste da haste • Sensor de temperatura
• Vazamento nas válvulas • Keyphasor
• Ângulo virabrequim X
Pressão
Equipamentos • Corrosão • Sondas
estacionários e • Temperatura •Termopar
estruturas
Equipamentos • Temperatura • RTD
elétricos •Termopar
• Sensor infravermelho
• Corrente, tensão • Amperímetro, voltímetro
• Resistência • Ohmímetro
• Capacitância • Registrador de tensão e
corrente
• Mega
228 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRAT~GICA
complexos, detecção de alarme e verificação de erros. Desse modo, entradas de
pressão, temperatura, rotação, fase, tensão, corrente elétrica, quando processa
das, podem fornecer a potência, carga e eficiência volumétrica; comparar os re
sultados com dados previamente informados; verificar níveis de alarme e co
municar essas condições para PLC ou SOCO.
9.5. PRINCIPAIS TÉCNICAS PREDITIVAS
9.5.1. Vibração
9.5.1.1. Conceitos Básicos
O acompanhamento e a análise de vibração tornaram-se um dos mais im
portantes métodos de predição cm vários tipos de indústria. A maior ênfase de
acompanhamento da vibraçãoestá concentrada nos equipamentos rotativos,
para os quais tanto a metodologia de análise quanto os instrumentos e apare
lhos, além de softwares de apoio e sistemas especialistas, se encontram num es
tágio bastante avançado.
Vibração está presente em qualquer sistema à medida que este responde a
uma excitação. Isso é válido para um eixo de compressor centrífugo, a asa de
um avião em vôo, as molas de um vagão de trem, ou ainda uma estrutura sujei
ta à ação do vento.
Os parâmetros de vibração relacionados com máquinas rotativas são usual
mente expressos em termos de deslocamento, velocidade e aceleração.
Todas as três representam "o quanto" o equipamento está vibrando. A fre
qüência é a outra variável de importância na análise de vibração, que ajuda a
identificar a origem da vibração, ou seja, "o que" está causando a vibração. Fi
nalmente, a fase indica "onde o ponto pesado se encontra em relação ao sensor
de vibração".
Essas variáveis são representadas pelas fórmulas a seguir:
Deslocamento X = A sen rot
V docidade v = Aro cos OH= dx!dt
Aceleração a= -Aro
2
sen rot = dvldt
Onde:
A = amplitude do vetor de zero a pico em mm.
ro =velocidade angular em rad/seg.
t = tempo em segundos.
TÉCNICAS PREDITIVAS 229
Como ro = 2 1t f, onde f =freqüência em ciclos/seg, substituindo nas fór-
mulas de deslocamento, velocidade e aceleração, verificamos que:
../a amplitude de deslocamento independe da freqüência;
../ a amplitude de velocidade crescerá proporcionalmente à freqüência;*
../a amplitude de velocidade crescerá com o quadrado da freqüência.*
*Para um valor constante da amplitude de deslocamento
l v=2rtfA 1 e
Essas relações serão úteis para compreender melhor qual variável deve ser
acompanhada.
9.5.1.2. Sensores
Três tipos de sensores são comumente utilizados para medição de vibração
em máquinas rotativas:
• Probe de deslocamento sem contato (Non contact eddy current probe).
• Pick-up de velocidade.
• Acelerômetros.
PROBE DE DESLOCAMENTO SEM CONTATO
o probe de deslocamento sem contato é o sensor de maior aceitação para moni
toração contínua de máquinas rotativas. O sistema consiste de um probe, um cabo
de extensão e um oscilador-demodulador conhecido no Brasil como "proximitor".
Esse sensor consiste de uma bobina montada em plástico ou cerâmica não
condutora que, por sua vez, fica alojada num corpo roscado.
O probe é excitado por uma freqüência de 1,5 MHz gerada pelo oscilador
demodulador (proximitor) e transmitida através do cabo de extensão. Esta ex
citação produz um campo magnético, que se irradia da ponta do probe. Quan
do a ponta do probe fica próxima a uma superfície condutora, correntes parasi
tas são induzidas na superfície do material, extraindo energia da excitação do
probe e reduzindo sua amplitude. Como a distância entre a ponta do probe e o
material condutor, normalmente o eixo da máquina, é variada, uma tensão DC
correspondente é gerada na saída do proximitor, que irá variar proporcional
mente à variação da distância entre a ponta do probe e o eixo.
230 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
,_
Figura 9.3 - Probe, Proximitor e Cnbo de Eaemiio (Cortesia Bently Nevadn).
dl
Proximotor
Figura 9.4 - Sistemn Probe - Proximitor.
Vantagens
Tamanho red uzido
Não sofre efeitos de óleo e gases
Suporra temperaturas de a té 120ºC
Baixo custo
Multiaplicação (vibração, deslocamento axial, fase, rotação)
Faixa de resposta de freqüência ampla - O a 5 kHz
Desvanragens
Suscetível a variações na superfície do eixo - arranhões, mossas, recuperação
com materiais de condutividade diferente
Requer fonte externa para gerar sinal
Não pode ser submerso em água
Tí:CNICAS PREDITIVAS 23 1
PICK-UP DE VELOCIDADE
O pick-up de velocidade típico está mostrado na figura abaixo . Consiste de
uma carcaça, norm::il rnente d e alumín io, dentro da qu::il estão ::ilojad os uma
bobina, um ímã permanente e 2 molas. O ímã fica supo n ado pebs 2 molas,
um::i em cada extremidade, e esse conjunto é colocado no interior da bobina.
Carcaça
Molas
Figura 9.5 - Pick-up de Velocidade.
Quando o pick-up é encostado a uma superfície q ue apresenra vibração,
oco rre um movimenro rebt ivo emre o ímã e a bobina. Esse movimen ro corta
as linhas de fluxo magnético, induzindo uma voltagem proporcional à veloci
d ade de vibração. O sinal produzido, que é gerado apenas pelo m ovim enro, é
de baixa impedância podendo ser usado d iretameme para a nálise ou monitora
ção . A faixa de util ização desse ripo de sensor se si rua entre 1 O e l .500 H z.
E nrreranro, como esse sensor tem um sistema clerromecânico com pa rtes
móveis, estando sujeiro a falhas, seu uso te m sido gradativamente descontinua
do em favor de outros tipos de sensores. Sua grande aplicação é a uti lização em
aparel hos d e medição e análise de vibração portáteis.
232 1\!ANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATtGICA
Vantagens
Sinal forre
Gera seu próprio sinal (vo ltagem)
Pode ser montado cm qualquer direção
Razoável precisão até 300.000 rpm
Desvn ntaK_en.s
Grande e pesad o
Preço elevado
Limitação de uti lização abaixo de 10 cps
ACELERÔMETROS
O acelcrômetro é um senso r de vibração que trabalha abaixo de sua fre
qüência natu ral, sendo largamente uti lizado atualmente.
O tipo mais encontrado é o piezoelétrico, consticu ído por u m ou mais cris
tais p iezoclétr icos, p ré-rensionados por uma massa e moncados em u ma ca rca
ça, conforme Figura 9.6.
Os cristais p iezoelérricos produzem um si nal elétrico quando são pressio
nados, e essa prop riedade cem sido aproveitada para u ma série de aplicações in
clu indo relógios e isqueiros, por exemplo.
Mola
· ..... ....... · ..
Figura 9. 6 - Acelerômetro.
Carcaça
Massa
Cristais
piezoelétri cos
TÉCNICAS PREDITIVAS 233
Figura 9.7-Acelerômetros (Cortesia /MI) .
Em fu ncionamento, a vibração da máquin a à qual o acelerô merro esrá afi
xado, provoca uma excitação onde a massa exerce uma força variável nos crisrais
piezoelétricos. O pu lso elétrico gerado é p ropo rc ional à aceleração.
Apesar do acelerômetro piezoelétrico gerar o seu próp rio sinal , este tem
uma impedância muita alta, não sendo comp:i tível com os instrumentos de in
d icação em pai néis, instrumentos de análise e monitoração. Para resolver esse
problema são utilizados equ ip amentos eletrô nicos para co nverter de alta para
baixa im pedância.
Peso e d imensões reduzidas
Boa resistência a temperaturas (pode ati ngir alras temperaturas sob
encomenda)
Preços relativam ente módicos
Peça sensível (exige cuidados na mo ntagem)
Ressonância pode ser excitada no sensor freq üentemenre ex igindo
instalação de filtro passa-baixa.
234 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
9.5.1.3. Como Medir Vibração
Algumas considerações básicas devem estar presentes no momento em que
se decide fazer a medição de vibração em uma máquina ou numa estrutura.
Cada equipamento ou estrutura tem suas particularidades que devem ser leva
das em consideração de modo que as medições sejam adequadas para fornecer
resultados confiáveis.
Em primeiro lugar três aspectos devem ser levados em consideração:
QUAL É O TIPO DA MÁQUINA? COMO É SUA CONSTRUÇÃO?
QUAL O PROPÓSITO DA MEDIÇÃO? O QUE QUEREMOS ''VER"?
QUAL A FAIXA DE FREQÜ~NCIA?
Estas três perguntas permitirão, primeiramente, que façamos a escolha correta
do sensor a ser utilizado. Se quiséssemos, por exemplo, medir a vibração em tubu
lação de refinaria, ou em estruturas, cuja freqüência é da ordem de 1 a 2 Hz, não
teríamos sucesso com um sensor de velocidade desde que ele não se presta a medi
ções em baixa freqüência. No exemplo, a escolha acertada seria o acelerômetro.
O tipo de máquina e/ou como é sua construção particular são muito im
portantes para a definição do como medir.
• Máquinas rotativas com conjunto rotativo leve e carcaças robustas e pe
sadas têm a maioria das forças geradas pelo rotor, como o movimento
relativo entre o eixo e o mancai. Emoutras palavras, a carcaça da máqui
na funciona como um grande amortecimento, e desse modo a medição
de vibração na carcaça não é adequada. Deve-se fazer medição, direta
mente no eixo, com probes sem contato.
Este é o caso típico de compressores centrífugos de alta pressão onde a
relação de pesos entre a carcaça e o rotor é de 30: 1 ou maior.
• De modo oposto, se a máquina tem conjunto rotativo pesado, apoiado
em mancais rígidos suportados em estrutura flexível, as forças geradas
pelo rotor são dissipadas através da estrutura flexível, e desse modo a
melhor maneira de medir é na carcaça. A máquina que melhor represen
ta esse tipo são os ventiladores industriais, que têm uma carcaça e estru
tura bastante leves, até porque as pressões desenvolvidas são extrema
mente baixas, e um conjunto rotativo bastante pesado.
T~CNICAS PREDITIVAS 235
Outro aspecto é a faixa de freqüência de interesse, pois é sobre ela que serão
feitas as medições. Ou seja, as medições de vibração serão feitas dentro de uma
faixa de freqüência de modo que se possa analisar as contribuições de cada va
lor típico de freqüência para a vibração final. Isso nada mais é do que definir o
"espectro" de vibrações que é a "assinatura" de valores de velocidade ou deslo
camento para as diversas freqüências, num dado momento.
Os valores de freqüência, para os diversos tipos de sensores, estão mostra
dos a seguir:
Probe de deslocamento sem contato limite superior 2.000 Hz
Pick-up de velocidade 10 Hz a 1.500 Hz
Acelerômetros abaixo de 1 hz até 50 kHz
Esses fatores são apenas alguns poucos e básicos nas considerações sobre a
medição de vibração em equipamentos e estruturas. Para cada sensor e sistema
a utilizar, uma série de detalhes deve ser observada de modo que as medições
tenham a confiabilidade necessária. O leitor deve consultar livros específicos
sobre o assunto, catálogos de fabricantes e normas pertinentes, particularmen
te as do API e da ISO.
MEDIÇÃO DE VIBRAÇÃO NO EIXO
A Figura 9.8 representa um sistema típico de medição de vibração no eixo.
Usualmente os fabricantes desses sistemas fornecem a monitoração completa
consistindo de:
• Medição de vibração por intermédio de probes instalados radial mente.
• Medição do deslocamento axial por intermédio de probes instalados
axialmente, no disco de escora e/ ou na ponta do eixo.
• Medição da fase e rotação através de um probe radial que "vê" um rasgo
praticado no eixo.
• Monitoração de temperatura dos mancais - radiais e de escora - através
de RTDs.
• Proximitors - osciladores-demoduladores, para cada probe instalado.
• Cabos específicos para ligação probe-proximitor.
• Painel composto de fonte, indicador de vibração radial para cada man
cai, indicador de deslocamento axial do eixo, rotação e temperatura de
mancais.
236 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRAT~GICA
Figura 9.8-Monitoração de Um Multiplicador (Cortesia ACC Compressor}.
01-lDesde que alguns vibrô metros só fo rnecem a vibração rowl (overal~, o
desenvolvime n to dos a nalisadores contemplo u, inicialmen te, a capacidade
de selecionar d etermin ada freqüência para medição . Desse m odo, se o rotai
da vibração de um mancai, na direção horizontal, apresenrasse o valor de
75 µm, com o analisador poderia ser feita uma med ição analisando o valor da
vibração para várias freqüências, po r exemp lo: 1.800, 3 .600, 7 .200 cpm, etc.
Assim, é possível encon trar a origem da vibração, "o que está causando a vi
b ração" .
Outro recurso de que são dotados os analisadores são os fi ltros. Fil tros
têm a propriedade de limitar um sinal de vibração, permitindo a passagem de
uma fa ixa determinada de freqüência ou m esmo uma única freqüência, para
facili tar a análise. Isso é m a is ou menos a m esma co isa que sintonizar uma
242 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
emissora de rádio, numa cidade que tem várias, cada qual com sua freqüência
particular.
Os sistemas de monitoração de máquinas rotativas por sensor sem contato
no eixo também fornecem valor global de vibração. A forma adotada para se
proceder à análise de vibração é enviar o sinal do sistema probe-proximitor
para o analisador.
rn a m
~B~
~B~
III EHIJ
[;] EI
Figura 9.16 - Analisador de Vibração, que Pode Receber Sinal de Transdutores
e Painel de Monitoração {Cortesia Bently Nevada).
A Bently Nevada, um dos fabricantes que mais têm sistemas de monitora
ção instalados no Brasil, tem analisadores da série TK que podem ser forneci
dos com a configuração mais adequada aos sistemas existentes na planta.
OSCILOSCÓPIOS (Oscilloscopes)
Os osciloscópios têm sido utilizados para análise pela representação gráfica
de características da máquina.
Utilizando um probe de um sistema de monitoração no eixo, obtemos na
tela do osciloscópio a forma de onda. Isso é uma representação no domínio do
tempo desde que o que foi plotado é amplitude X tempo.
Como temos 2 probes "vendo" o eixo, podemos obter na tela do osciloscó
pio as formas de onda para cada um deles - vertical e horizontal.
Se os dois sinais com diferentes relações de fase forem exibidos, um em re
lação ao outro, forma-se uma figura de Lissajous. No nosso caso, a composição
dos sinais (forma de onda) do probe vertical e do prove horizontal resulta na
órbita do eixo.
TÉCNICAS l'RED!TIVAS 243
A figura a seguir, mostra uma fotografia da rela de um osciloscópio onde
aparecem as formas de onda de deslocamento do eixo e no cent ro a órbita.
~l
;. ::pode ser acoplada ao instrumento
para processar outro tipo de informação, tais como: alicates amperímetros, me
didores de espessura, sensores de temperatura, microfones e estroboscópios. Qual
quer outra informação que possa ser convertida em voltagem pode ser usada.
As telas apresentadas na Figura 9.20 (página 248), mostram a versatilidade
desse tipo de instrumento na análise de vibração.
SISTEMAS MODERNOS DE MONITORAÇÃO
Os sistemas de monitoração apresentaram um desenvolvimento apreciável
nos anos 80 e na década de 90 tornaram-se sistemas de monitoração integrada,
isto é, com funções de vigilância, monitoração preditiva e monitoração de per
formance.
TÉCNICAS l'REDITIVAS 247
Figura 9.19- Coletor/A11alisador (Cortesia da CS!}.
As funções de vigi lância, já conhecidas nos sistemas mais antigos, estão den
tro das orientações do API 670, e se destinam a proteger pessoal e equipamento.
Isso é feito através do reconhecimento e imediata resposta às variações que pos
sam levar a uma situação indesejada, via alarme e trip (parada do equipamento).
Os sistemas mais modernos, contudo, podem incorporar variáveis de processo.
Tais sistemas oferecem a opção de util ização de monitoração permanente
(contínuo on-/ine/intermitente) e ojfline (in termitente). Evidentemente o uso
da monitoração ojfline feito via coletor de dados contempla o acompanha
mento preditivo de um grande número máquinas de menor criticidade da
planta. A d iferença é que este acompanhamento, via coletor de dados, está in
tegrado ao sistema maior e é processado da mesma maneira que os dados da
monitoração on-line.
Outra extraord inária vantagem dos sistemas atuais de monitoração e soft
wares correspondentes é a compatibilidade com sistemas existentes. A Bruel &
Kjae/
7
informa que o seu sistema Compass não requer redes ou PCs especiais.
O Compass usa padrões ta is como UNIX, X-Windows e Ethernet (TCP/IP),
podendo ser co nectado d iretamente aos m icros e redes já existentes, distribuin
do os dados usando PCs existentes como terminais.
248
2 . 00 334.0
MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
PT~M) FORA ROT -A-1
MODO FORA DE ROTA ATIU
.991191 G-S
RMS DIGIT
STATUS: OK
Visor de f6dl leitura onde é opresenrodo o tslodo de alarme de um
paro-rro (bando).
ns 9.6624 G-S 29.9 :511.24 KZ -33.96 DB
G-S ~\~~ »B
2.ee
171 . l1S '99.
Fotmo dt Onda no domlnlo l""PO, com ainor d1 definlr4o dt fll7llO •
omp/irudt.
0.300 2846. CPll e. 1287 trVSEC
llVSE o
0 . 00
O wnor clt "º""'''"ª" i clt grond clt alta ~do COIJfflkdt -~ clt um mol1'f
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TÉCNICAS PREDITIVAS 25 1
"~-= ...... -+
Keyphasor® Acelerõmetro Velomitor® Proximidade Temperatura
Figura 9 .22 -Monitoração de Um Compressor Alternativo.
Figura 9 .22 a - Painel do Mo11itor do Compressor Altemativo da Figura 9 .22
(Cortesia Bentfy Nevada).
• Urilização de compurador inrerligado ao compurador da planta ou
SOCO, o que propicia uma substancial economia pela não urilização de
painéis de moniroração.
As fi guras a seguir apresentam deralhes de construção do sistema Trend
Masrer 2000 da Bently Nevada.
Esses sisremas de moniroração esrão disponíveis em dois fo rm atos: Wired ou
Wireless Sensor Bus Technology, isro é, sisrema com fio ou sem fio. O sistema tam
bém pode ser misro, ou seja, uma parre com fio e ourra parre sem fio.
A filosofia do sisrema sem fio, apesa r de semelhante, tem variações de acor
do com o fabricante. A CSl, por exemplo, utiliza um equipamento que, mais
252
PLANTA
Computador
com Software
específico
(online)
'---------
Cabo
ConectorT
I
i
MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
LOCAL REMOTO
RS 232
C;able
Computador
para acesso
remoto
Tran5dutores
Impressora
Figura 9.23- Esquema Geral do Sistema de Monitoração de Máquinas
de Uso Geral (Cortesia Bently Nevada).
PARA O CARTÃO SPA
.~·:.:·:.:·::::::::::.::::::::::::.-,.... / ADAPTADOR CABO
[1 11 /
1 !/ /
íi r. ~. F=":.. ... -.::.)'.~~.::::::::::."11 T~SOUTOR
li ~ .. ~.TIM Qí
d -A ,J~
'• CAIXA 00 "TIM" / MÁQUINA
FIAÇÃO EM ELETROCUTO RIGIOO
Figura 9.24 - Detalhes de Instalação do Sistema de Monitoração da Fig. 9.23
(Cortesia Bently Nevada).
TtCNICAS PREDITl\lt\S
Uplo
255 polt'lls ...
CONEXÃO COM SOCO OU
CONTROLE DA PLANTA
CARTÃO PROCESSADOR Computador com
TIM OE SINALj (jS;A) 1 r~·Softw"' •d•:d~[8-
\
./ ,Ç?implemente uma
"cultura de mudanças'» onde o inconformismo com a perpetuação de paradig
mas e de práticas seja uma constante.
Está presente uma grande necessidade de mudança, sendo que o papel
mais importante e estratégico do Gerente é o de liderar este processo.
Uma grande variedade de instrumentos gerenciais tem sido colocada à dis
posição do homem de manutenção: CCQ, TPM, GQT, Terceirização, Reenge
nharia, entre outros. É importante ter em mente que são, simplesmente, ferra
mentas e, como tal, a sua simples utilização não é sinônimo de bons resultados.
Muitos gerentes têm transformado estas ferramentas em objetivos da manu
tenção, e os resultados são desastrosos. Por outro lado, o uso correto destas fer
ramentas tem levado a excelentes resultados.
GESTÃO ESTRATÉGICA DA MANUTENÇÃO 11
A Figura 2.1 mostra o "cemitério" de boas ferramentas de gestão que, por
terem sido mal usadas, não levaram aos resultados desejados.
Não há qualquer dúvida de que as causas do sucesso começam pela defini
ção correta da Missão da Manutenção, seus Conceiros Básicos, seus novos Pa
radigmas e, evidentemente, da aplicação de tudo isto em alta velocidade. Den
tro deste enfoque, a utilização destas ferramentas levará, certamente, a novos
patamares de competitividade.
Figura 2.1 - Cemitério das Ferramentas de Gestão.
2.2. MANUTENÇÃO ESTRATÉGICA
A manutenção, para ser estratégica, precisa estar voltada para os resultados
empresariais da organização. É preciso, sobretudo, deixar de ser apenas eficien
te para se tornar eficaz; ou seja, não basta, apenas, reparar o equipamento ou
instalação tão rápido quanto possível mas é preciso, principalmente, manter a
função do equipamento disponível para a operação reduzindo a probabilidade
de uma parada de produção não planejada.
ESTA É A GRANDE MUDANÇA DE PARADIGMA!
A Figura 2.2 retrata esta questão.
Para definir as metas, que explicitam a Visão de Futuro, o ideal é a adoção
do processo de "benchmarking". Na falta ou mesmo na impossibilidade de
adoção deste processo pode-se definir as metas conforme o cenário concorren
cial que se consegue vislumbrar.
12 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
Metas
"Benchmark"
Caminhos
estratégicos
("Melhores Práticas")
Figura 2.2 - Gestão Estratégica.
2.2.1. "Benchmarking" e "Benchmark"
"Benchmarking" pode ser definido como sendo o "processo de identifica
ção, conhecimento e adaptação de práticas e processos excelentes de organiza
ções, de qualquer lugar do mundo, para ajudar uma organização a melhorar
e ,, sua perrormance .
"Benchmark" é uma medida, uma referência, um nível de performance,
reconhecido como padrão de excelência para um processo de negócio específico.
Resumindo: "Benchmarking" é um processo de análise e comparação de
empresas do mesmo segmento de negócio, objetivando conhecer:
• As melhores marcas ou "benchmarks" das empresas vencedoras, com a
finalidade de possibilitar definir as metas de curto, médio e longo pra
zos.
• A situação atual da sua organização e, com isto, apontar as diferenças
competitivas.
• Os caminhos estratégicos das empresas vencedoras ou as "melhores prá-. ,,
ricas .
• Além de conhecer e chamar a atenção da organização para as necessida
des competitivas.
A Figura 2.4 ilustra uma questão fundamental: a parte inferior retrata o
planejamento estratégico estruturado de uma organização, porém sem uma vi
são ampla do seu segmento de negócio. Esta estratégia pode levar ao insucesso:
GESTÃO ESTRATf.GICA DA M ANUTENÇÃO 13
Figura 2.3 - Benchmarkiug e Benchmark.
não basta uma organização esta r melhorando seus indicadores empresariais, ela
precisa escar evoluindo mais rápido gue os seus concorrentes para poder passar
a frente. Daí a necessidade de se incorpo rar ao seu p lanejamento estratégico a
parte superior da figura, que nada mais é do que a comparação com os seus
co ncorrentes, inclusive os internacionais.
Infel izmente, é com um encontrarmos, ainda, indicadores de manutenção
que medem apenas sua eficiência, e isro é muiro pouco para uma empresa mo
derna. O que p recisa ser medido é:
• Disponibilidade e confiabilidade.
• Redução da demanda de serviços.
• Faturamento.
• Otimização de custo.
• Segurança pessoal e das instalações.
• Preservação ambien tal.
• Moral e motivação dos colaboradores.
14
;.: Planejamento
~,:;, Estratégi~o ·:·
·Metas >·· ·
}·or~~;~tc; '-,
MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRAT~G ICA
Figura 2.4 -Planejamento Estratégico.
T udo isro para que a organização proporcione o melhor atendimento jun
ro aos seus C lienres de maneira compeririva. É preciso que rodas as pessoas en
volvidas ren ham conhecimento destes fa ros e dados.
Todos estes indicadores só serão obtidos através das pessoas, daí ser impor
ranre ter, também, in dicadores que meçam o Moral e a Motivação do grupo
de colaboradores.
No Anexo 5, apresenramos algu mas prácicas, simples e eficazes, que pro
po rcionam grande impacto nos aspecros mocivacionais.
Acuando desta fo rma é que a manutenção se roma uma FUNÇÃO
ESTRATÉGICA.
2.2.2. Melhores Práticas ou "Best Practices"
Para se alcançar as meras planejadas, ou seja, para ir da "Situação Acuai"
para a "Visão de Futuro", é preciso implemencar, em roda a organização, um
plano de ação suportado pelas melhores práricas, rambém co nhecidas como
caminhos esrratégicos. A questão fundamencal não é, apenas, conhecer quais
são estas melh o res práticas mas, sobrcrudo, ter capacidade de liderar a sua im
plementação numa velocidade rápida. Co mo diz Alvin Tofler:
"O mundo não se divide mais entre grandes e pequenos, esquerda e di
reita, mas entre rápidos e lentos."
GESTÃO ESTRATtGICA DA MANUTENÇÃO 15
Apresentamos, a seguir, uma relação de algumas melhores práticas de gestão
da manutenção, sendo que boa parte delas será detalhada ao longo desta obra:
• Os geren tes e supervisores, nos diversos n íveis, devem liderar o processo
de sensibilização, treinamento, implantação e auditoria das melhores
práticas de SMS - Saúde, Meio Ambiente e Segurança.
• A gestão deve ser baseada em itens de co ntrole empresariais: dispo nibili
dade, co nfiabilidade, meio ambiente, custos, qualidade, segurança e ou
tros específicos, com análise crítica periódica.
• Gestão integrada do orçamento (manutenção e operação) buscando,
sempre, o resul tado do negócio através da análise criteriosa das recei tas e
dos custos.
• Aná lise crítica e priorização das intervenções com base na d isponibil ida
de, confiabilidade operacional e resu ltado empresarial.
• Utilização de pessoal quali fi cado e certi ficado.
• Con tratação, sempre que possível, por resultado/parceria com indica
dores de desempenho focados nas meras da organização: disponibi lida
de, confiabi lidade, custo, segurança, prazo de atendi mento e preserva
ção ambiental.
• Os aspectos de SMS devem ser considerados como valores básicos na
contratação de serviços, contem plando, dentre ou tros:
/ histórico de segurança da contratada;
/qual ificação e certificação de pessoal;
/ comunicação de riscos por parte da contratante;
/bônus e ôn us para resultados de segurança.
• Elim inação das fa lhas, ocorridas e po tenciais, através da análise da causa
básica, acoplada ao esforço do reparo com qualidade, atuando de forma
integrada com a operação e a engenharia na busca das soluções.
• l:nfase na manutenção preditiva acoplada aos "softwares" de d iagnóstico.
16 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
• Adoção de programa de Manutenção Produtiva Total - TPM, com base
em que o operador é a primeira linha de defesa para monitorar e maxi
mizar a vida dos equipamentos.
• Adoção da ferramenta MCC - Manutenção Centrada em Confiabilida
de, para os sistemas críticos.
• Aplicação da técnica APR -Análise Preliminar de Riscos, para os princi-
pais serviços de manutenção.
• Prática da multifuncionalidade ou da polivalência.
• Procedimentos escritos para os principais trabalhos.
• Aplicação dos programas deI
3'.:. .J i •!· rzr: 3' 10° Q 32,8º
D:S = 60: 1 no ponto local
1\IANUTENÇÃO- FUNÇÃO F.ST RATÍ-:GICA
Indicador de laser 8
28S.9 .
1mm111:
Indicador de bateria - (-1195
• Free
Lâmpada de
alarme
D1sploy do gráfico
do barras
Emissividade
Figura 9.29 - Rttdiômetro Portátil com Microprocessador (Cortesirz Raytek).
TERMOVISORES E TERMOGRAFIA
Os termovisores são compostos por uma câmera e uma unidade de vídeo.
A câmera contém o sistema ótico, mecanismos de varredura horizontal e verti
cal, o detector e um sistema para resfriamento do detector.
A termografia é a técnica prediriva que permite o acompanhamento de tem
peraturas e a formação de imagens térmicas, conhecidas por termogramas.
31
As principais aplicações industriais da termografla são:
• Área elétrica onde existeauditorias, internas e externas, como ferra
menta de divulgação, verificação da aplicação das melhores práticas e a
tendência dos resultados.
2.2.3. Doenças Graves das Organizações
Existem três doenças graves nas organizações e que constituem uma das
vulnerabilidades mais importantes na gestão empresarial:
• Perda de conhecimento: a perda de conhecimento ou mesmo a não
aquisição de conhecimentos que suportem o futuro, tem levado à perda
de competitividade. Fala-se muito em depreciação do "Hard", mas mui
to pouco sobre a depreciação do conhecimento.
• Satisfação dos colaboradores: se a "Saúde" dos colaboradores não está
bem, pode-se esperar que haverá perda grave de competitividade.
• Visão crítica da comunidade: a maneira como a sociedade vê as empre
sas e sua contribuição para a "Saúde" do planeta é, hoje, outro fator crí
tico de sucesso empresarial. Não vai existir empresa excelente empresari
almente se não for, também, excelente em questões de SMS - Saúde,
Meio Ambiente e Segurança.
Estas doenças causam sérios riscos de competitividade a médio prazo mes
mo que, hoje, o faturamento e o lucro estejam bem.
2.2.4. Paradigma Moderno
A manutenção deve ser organizada de tal maneira que o equipamento ou
sistema pare de produzir somente de forma planejada.
Quando o equipamento pára de produzir por si próprio, sem uma defini
ção gerencial, está-se diante de manutenção não planejada, ou mesmo de um
fracasso da atividade de manutenção.
GESTÃO ESTRATÉGICA DA MANUTENÇÃO 17
NÃOÉMAISACEITÁVELQ.UEOEQ.UIPAMENTOOUSISTEMAPAREDE
MANEIRA NÃO PREVISTA.
O gerenciamento estratégico da atividade de manutenção consiste em ter a
equipe acuando para evitar que ocorram falhas, e não manter esta equipe atu
ando, apenas, na correção rápida destas falhas.
Pode ser comparada a uma brigada de combate a incêndio: quando ocorre
a emergência a brigada deve atuar rapidamente, mas a principal atividade da
brigada, a partir daí, é evitar a ocorrência de novos incêndios.
Paradigma do passado: "O homem de manutenção sente-se bem quando
executa um bom reparo."
Paradigma moderno: "O homem de manutenção sente-se bem quando
ele consegue evitar todas as falhas não previstas."
Boa parte das empresas brasileiras ainda atuam dentro do paradigma do
passado, sendo que algumas já conseguiram caminhar para o paradigma mo
derno e estão dando grandes saltos nos resultados empresariais.
Na verdade o homem da manutenção do futuro precisa ser bastante "cabe
çudo", não no sentido de ser teimoso mas no sentido de usar muito a cabeça
para evitar que os problemas aconteçam; em contrapartida terá os braços "bem
curtos" para intervir o menos possível na planta.
Sem esta mudança de paradigmas ter-se-á que fazer um grande esforço
para obter uma melhoria pouco significativa nos resultados e esta pequena me
lhoria não será suficiente para permanecer no mercado. Ver Figura 2.5.
Figura 2.5 - Homem de Manutenção - Futuro {Atual) e Passado.
18 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTlv\TÉGICA
2.2.S. Competitividade
A Competitividade depende, fundamencalmencc, da maior produtividade
de uma o rganização em relação aos seus concorrentes, sendo esta produtivida
de medida pela, ao mesmo tempo, simples e complexa equação:
Para se otimizar o Fawramenco é p reciso, na linguagem da manutenção,
otimizar a Disponibilidade e a Confiabi lidade. Isco pode ser traduzido no au
mento da campanha d as unidades produtivas, na minimizaç.fo dos prazos de
parada dos s istemas, na minimização do tempo médio para reparo (TMPR),
nas perdas de produção rendendo a zero e na maximização do tempo médio
entre falhas (TMEF)
Para se o timizar o C usto é preciso adorar as melhores práticas de manuten
ção, com destaque para a engenharia de manutenção aplicada aos novos proje
tos na busca da a lta perfo rmance e nas instalações existentes na busca da causa
fundamenta l da falha, na qualidade dos serviços que se traduz na redução do
retrabalho, na qual idade dos materiais e sobressalentes e na ut il ização de técni
cas modernas p ara avaliação e diagnóstico .
Falando em facuramenco, lucro e cuscos, é preciso que cada um conheça,
pelo menos, o faru ramento e o custo de sua em presa, além do cusco da manu
tenção. O cusco de manutenção representou, na média, 4,47% do fa turamen
to d as empresas no ano 2000.
17
Apesar de ser impo rtante co ntinuar reduzindo
os custos de manutenção que, em geral, ainda são altos, é preciso dar priorida
de ao aumento da disponibilidade e da confiabilidade, já que estes fatores estão
intimamente ligados ao facuramenco e representam 95,53% da equação Facu
ramenco X Custo.
É por este motivo que uma redução de custo na manutenção, se mal con
duzida, pode levar a sign ificativas perdas de disponibilidade, confiabilidade,
segu rança e conseqüências ambientais, que irão afetar o faw ramenco, o lucro
da organização e, aré mesmo, desgastes na imagem.
GESTÃO ESTRATJ.:.GJCA DA MANUTENÇÃO 19
O quadro a seguir mostra a relação de custo X faruramento para os diversos
segmentos da economia.
Custo de Manutenção em Relação ao Faturamento Bruto
Setores
Alimento e Bebida
Automotivo e Metalúrgico
Borracha e Plástico
Cimento e Construção Civil
Eletroeletrônico e Telecomunicações
Energia Elétrica
Farmacêutico
Fertilizante, Agroindústria e Químico
Hospitalar
Móveis
Máquinas e Equipamentos
Mineração
Papel e Celulose
Predial
Petróleo
Petroquímica
Saneamento e Serviços
Siderúrgico
Têxtil
Transporte
MÉDIA GERAL
% Faturamento
1,40
3,46
4,00
3,00
4,00
2,36
3,33
4,00
2,50
3,67
3,33
8,67
2,50
1,00
3,73
1,67
5,00
6,67
3,00
> 10,00
4,47
Fonte: Abraman -Associação Brasileira de Manutenção-Documento Nacional-2001.
O Gráfico 2.1 mostra a evolução do custo de manutenção em relação ao
faruramento, ao longo do tempo. Analisando sua tendência podemos con
cluir que, de maneira geral, o custo médio geral caminha para uma estabili
zação e, portanto, precisamos passar a buscar não o menor custo mas, sim,
o melhor custo, aquele que resulta de uma maior disponibilidade e confia
bilidade.
20 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRAT!?.GICA
Evolução do Custo da Manutenção no Brasil
6,20
o
:; 7,00 .o
o e 6,00
CJ
E
~ 5,00
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" u.
õ 4 ,00
4,20 4,47
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º·ºº ~ 1997 1993 1995 1999 2001 1991
Ano
Gráfico 2.1 - Custo de Manutenção em Relação ao Faturamento Bruto.
2.3. PRODUTO DA MANUTENÇÃO
A produção é, de maneira básica, composta pelas atividades de operação,
manutenção e engenharia.
Existem outras atividades que dão suporte à produção: suprimento, inspe
ção de equipamentos, segurança industrial, entre o utras .
DISPONIBILIDADE
OPERAÇÃO MANUTENÇÃO
GESTÃO ESTRATÉGICA DA MANUTENÇÃO 21
O único produto que a operação deseja comprar da manutenção e da enge
nharia chama-se MAIOR DISPONIBILIDADE CONFIÁVEL AO MENOR
CUSTO. Às vezes o aumento da Confiabilidade é feito com prejuízo da Dispo
nibilidade. Em sistemas de alta complexidade e risco este balanço tende a ca
minhar para o lado da segurança, por exemplo sistemas de intertravamento
que privilegiam a segurança do equipamento.
É bom ter em mente que "quanto maior for a disponibilidade menor será a
demanda de serviços". Pode-se medir a tendência da variação da disponibilida
de de maneira indireta, medindo-se a tendência da evolução da demanda de
serviços. Ver Figura 2.6.
Figura 2. 6 - Disponibilidade X Demanda de Serviços.
É comum, na prática, se fazer uma certa confusão entre Disponibilidade e
Confiabilidade. Embora este assunto seja tratado no Capítulo 5, o seguinte exem
plo ilustra bem a questão: a disponibilidade da lâmpada que ilumina a mesa de ci
rurgia de um neurocirurgião é altíssima, da ordem de um milhão de horas, porém
de nada adianta se ela apagar por 5 segundos no meio de uma cirurgia, ou seja, não
tiver a adequada confiabilidade quando necessária! Para aumentar a confiabilidade, neste caso, pode ser usado um sistema redundante de iluminação, por exemplo
um "no-break". O que se necessita é a preservação da função iluminação.
2.4. CONCEITO MODERNO DE MANUTENÇÃO
Há até bem pouco tempo, o conceito predominante era de que a Missão da
Manutenção era a de restabelecer as condições originais dos equipamentos/sis
temas.
22 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
Hoje, a Missão da Manutenção é:
GJ\.RANTIRA'])ISI>:QNIBILIDAI>,E.DA fl1NÇú···D9s••.E(lUl~.Mi~N'fóS
E···.INSTALAÇQES. DE MODO A. ATENDER A UM PROCF'.SSO "l)E
PRODUÇÃO ()ÜDESERVIÇO, COM CO~IABILIDADE, SEGURANÇA,
PRESERVAÇÃÜ DÓ MEIO AMBIENTE E CUSTO ADEQUADOS.
Obs.: Voltando ao exemplo anterior, a missão não é preservar a lâmpada
(equipamento) mas sim a função do sistema (iluminação). Esta mudança no
conceito da Missão afeta, sobremaneira, as ações do homem de manutenção.
Se no passado era comum um gerente dizer que seu principal problema era
falta de gente, hoje não se tem dúvida que o seu principal problema é o
EXCESSO DA DEMANDA DE SERVIÇOS, decorrente de uma CONFIABIIJDADE
não adequada.
A questão Falta de Gente X Excesso de Demanda pode parecer um jogo de
palavras, mas não é. Se no primeiro caso a solução passa pelo simplismo de se
colocar mais gente o que, diga-se de passagem, é um caminho pouco inteligen
te, no segundo caso os caminhos são diferentes, como veremos adiante.
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Figura 2. 7 - Falta de Gente ou Excesso de Demanda?
GESTÃO ESTRAT~GICA DA MANUTENÇÃO 23
2.4.1. Redução da Demanda de Serviços
O aumento da disponibilidade, da confiabilidade, da qualidade do atendi
mento, da segurança e da redução de custos passa, necessariamente, pela redu
ção da Demanda de Serviços, que tem as seguintes causas básicas:
• QUALIDADE DA MANUTENÇÃO: A falta de qualidade na manutenção
provoca o "retrabalho", que nada mais é do que uma falha prematura. A
Figura 2.8 mostra todo o fracasso da manutenção e a frustração do cliente
quando isto acontece, além das perdas de produção daí decorrentes.
Figura 2. 8 - Retrabalho.
• QUALIDADE DA OPERAÇÃO: Do mesmo modo, sua não qualidade
provoca uma falha prematura, não por uma questão da qualidade in
trínseca do equipamento/sistema, mas por uma ação operacional incor
reta; também aqui a conseqüência imediata é a perda de produção.
24 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
• PROBLEMAS CRÔNICOS: Existem problemas que são decorrentes da
qualidade não adequada do projeto da instalação e do próprio equipa
mento (hardware). Devido ao paradigma ultrapassado de restabelecer as
condições dos equipamentos/sistemas, o homem de manutenção e a
própria organização habituaram-se a não buscar a causa básica dos pro
blemas e, com isto, dar uma solução definitiva que evite a repetição da
falha. Com este procedimento é comum conviver com problemas repe
titivos, ainda que de solução conhecida. Isto traduz uma cultura conser
vadora que precisa ser mudada.
• PROBLEMAS TECNOLÓGICOS: A situação é exatamente a mesma da
anterior, apenas a solução não é de todo conhecida, o que exigirá uma
ação de engenharia mais aprofundada que deverá redundar em melho
rias ou modernização dos equipamentos/sistemas.
• SERVIÇOS DESNECESSÁRIOS: lsro acontece não só devido a uma filo
sofia errada de aplicar uma manutenção preventiva exagerada, sem se
considerar o binômio Cusro X Benefício, como, também, por uma na
tural insegurança, pelo excesso de falhas, que levam os homens de ma
nutenção e de operação a agirem "preventivamente" em excesso.
PODE-SE AFIRMAR, COM CERTEZA, QUE ESTA DEMANDA DE SERVIÇOS PODE
SER SENSIVEIMENTE REDUZIDA!
QUALIDADE DA
MANUTENÇÃO
DEMANDA DE SERVIÇOS
A GRANDE DIFERENÇA
QUALIDADE
DA OPERAÇÃO
PROBLEMAS
TECNOLóGICOS
(EXAGERADA)
Figura 2.9 - Demanda de Serviços.
GESTÃO ESTRAT~GICA DA MANUTENÇÃO 25
Todas estas questões só serão resolvidas, eficazmente, através de um enfo
que sistêmico que nada mais é que uma Gestão Estratégica.
Para otimizar a organização como um todo várias ferramentas estão dispo
níveis, mas que só darão resultados eficazes à medida que o homem de manu
tenção internalizar uma nova cultura, sua missão estratégica, seus novos para
digmas, os tipos mais eficazes de manutenção, a prática do trabalho em equipe,
a multifuncionalidade ou polivalência, enfim, o entendimento de que a manu
tenção deve existir para só intervir de forma planejada na planta.
Enfim, estamos diante da necessidade de um grande processo de mudança.
Figura 2.1 O - "Martelo de Abrir Cabeça".
A Gestão pela Qualidade Total - GQT, implantada em várias organiza
ções, tem-se mostrado uma ferramenta bastante eficaz, quando aplicada corre
tamente, levando a uma grande melhoria de resultados.
No bojo da GQT, diversos outros instrumentos têm-se revelado importantes:
• Gerência da Rotina (ver item 6.4.9).
• Padronização (ver item 5.2.2.3 - MASP e Anexo 4).
• 5 S: trata-se de uma ferramenta poderosa e que deve ser o primeiro passo
na implantação da Gestão pela Qualidade Total (ver item 7.2).
• TPM: Total Productive Maintenance (ver item 7.3).
• ISO 9000 (ver item 6.9).
• CCQ: Círculo de Controle de Qualidade.
26 MANUTENÇÃO- FUNÇÃO ESTRATÉGICA
2.4.2. Tipos de Manutenção X Mudança de Paradigma
Atualmente são definidos 6 tipos básicos de manutenção, que estão melhor
abordados no Capítulo 3:
• CORRETIVA NÃO PLANEJADA.
• CORRETIVA PLANEJADA.
• PREVENTIVA.
• PREDITIV A.
• DETECTIVA.
• ENGENHARIA DE MANUTENÇÃO.
É importante distinguir bem os resultados da Manutenção Corretiva Pla
nejada da Não Planejada. Enquanto na Planejada a perda de produção é redu
zida ou mesmo eliminada, além de que o tempo de reparo e o custo são mini
mizados, na Manutenção Não Planejada ocorre justamente o oposto.
As razões que levam aos melhores resultados da Manutenção Corretiva
Planejada são:
• Possibilidade de compatibilizar a necessidade da intervenção com os in-
teresses da produção.
• Melhor planejamento dos serviços.
• Garantia da existência de sobressalentes, equipamentos e ferramental.
• Garantia da existência de recursos humanos com a qualificação necessá
ria para a execução dos serviços e em quantidade suficiente, que podem,
inclusive, ser buscados externamente à organização.
• Aspectos relacionados com a segurança - a prevenção da falha evita situa
ções de risco para as pessoas e para a instalação.
A Manutenção Preventiva, da qual se exagerou muito no passado sem uma
adequada análise do custo X benefício, só deve ser realizada nos seguintes casos:
Quando não é possível a preditiva.
Quando estão envolvidas segurança pessoal ou operacional.
Quando há oportunidade em equipamentos críticos de difícil liberação.
Em sistemas complexos e de operação contínua - ex.: petroquímicas, si
derúrgicas, indústria automobilística, dentre outros.
Quando pode colocar em risco o meio ambiente.
GESTÃO ESTRATÚ.GICA DA MANUTENÇAO 27
Mas, afinal, onde oco rrem as mudanças de paradigmas e suas conseqüências
para os Resu ltados Empresa ri ais de Maior Qualidade, Menor Custo, Melhor
Acend imento, Maior Segu rança e Melhor Moral da equipe?
• A primeira mudança ocorre quando se passa da preventiva para a predi
tiva, ou seja, quando no lugar de se parar o equipamento baseado apenas
no tempo, ele é mantido operando até um limite p reestabelecido com
base cm parâmetros que podem ser acompanhados (vibração, tempera
tura, etc.) compatibi liza ndo a necessidade de intervenção com a produ
ção.
• A segunda mudança ocorre quando se passa a adorar a engenharia de
manutenção, ou seja, não basta ter uma boa manutenção do equi pa
mento/ sistema mas, sim, ter equipamentos/sistemas que tenham adis
ponibi lidade de que a empresa necessita para acender o mercado, acen
der o CLIENTE, razão de ser da existência da empresa e da manutenção.
O Gráfico2.2 ilustra de maneira clara o caminho da otimização dos resul
tados na manutenção. Mostra, principalmente, como o resultado da D isponi
bilidade é sensivelmente melhorado à medida que se caminha da manutenção
corretiva para a engenharia de manutenção.
O aumento da Disponibilidade, da Conflabilidade, da melho ria do Aten
dim ento , da Segurança Operacional e Pessoal, da Preservação Ambiental e da
Motivação da Equipe é, a médio e longo prazos, sempre acompanhado da oti
m ização de custos.
Não há como estes resultados caminharem em direções opostas .
.. -.
..: ~... .
2 · PREVENTlVA l~:-.. t\~~-·
3 • PREOJTIVA .,~:~..:i . ~
4 • ENGENlou mesmo a sua substituição.
• Rever, continuamente, os programas de manutenção preventiva, visan
do a otimização de sua freqüência, considerando as novas tecnologias
de manutenção preditiva que são normalmente mais vantajosas.
• Implantar um programa de desativação de equipamentos e sistemas ino
perantes, desde que a análise de custo X benefício se mostre adequada; é
o 55 na instalação industrial.
• Rever a mecodologia de inspeção e procurar aumentar o tempo de cam
panha das Unidades ou Sistemas, evitando ocorrências não planejadas.
• Incrementar o acompanhamento de parâmetros preditivos, visando tra
balhar mais próximo dos limites estabelecidos e, com isto, aumentar o
tempo de campanha com confiabilidade.
• Estudar métodos para aumentar a previsibilidade das inspeções antes
das Paradas das Unidades, inclusive com as novas cecnologias de inspe
ção.
• Aumentar o uso de métodos de manutenção com o equipamento ou sis
tema em operação.
2.8. POLÍTICA E DIRETRIZES DA MANUTENÇÃO
A seguir são explicitadas as polícicas e diretrizes da Pecrobras para a manu
cenção de suas refinarias de pecróleo, que podem subsidiar o leicor para aplica
ção em outros segmentos:
POLÍTICA
Contribuir para o atendimento do programa de produção, maximizando a
confiabilidade e a disponibilidade dos equipamentos e instalações dos órgãos
operacionais, otimizando os recursos disponíveis com qualidade e segurança e
preservando o meio ambiente, contribuindo para a continuidade do desenvol
vimento do refino.
DIRETRIZES
• Manucenção com qualidade, comando por referência indicadores de de
sempenho das melhores empresas, preferencialmente internacionais;
GESTÃO ESTRATÉGICA DA MANUTENÇÃO 33
• Aumento da confiabilidade e da disponibilidade das unidades industriais,
através do trabalho integrado com a operação e a engenharia, atuando
prioritariamente nas seguintes áreas:
./ ênfase na preditiva e na engenharia de manutenção;
./ solução de problemas crônicos;
./ eliminação de resserviços;
./elaboração e utilização de procedimentos;
./participação da análise de novos projetos;
./ participação em programas de Manutenção Produtiva Total - TPM;
./ ênfase em Paradas de Manutenção de mínimo prazo.
• Garantia dos prazos de execução de serviços, especialmente das Paradas
de Manutenção Programadas das Unidades.
• Elaboração dos planos de inspeção que garantam os tempos de campa
nha das Unidades.
• Preservação da melhoria contínua da capacitação, através da busca, ava
liação, aplicação e incorporação de novas tecnologias, da realização de
programas de treinamento e do desenvolvimento de novos métodos e
procedimentos.
• Redução das interdependências na execução dos serviços de manuten
ção e inspeção, priorizando a capacitação, a multifuncionalidade e a ga
rantia da qualidade pelo executante.
• Orientação dos recursos próprios de supervisão para a gestão das ativi
dades de manutenção, de inspeção e de suprimento, macroplanejamen
to, análise preditiva, suporte técnico, preservação da experiência e com
petência, e para a fiscalização dos serviços contratados.
• Utilização plena dos recursos próprios de execução orientados para os
serviços de grande complexidade tecnológica ou críticos, amando, prio
ritariamente, de forma multidisciplinar.
• Contratação de empresas capacitadas técnica e gerencialmente, obser
vando os aspectos de economicidade, qualidade, preservação de tecno
logia, risco operacional, riscos materiais e humanos e necessidade de co
nhecimento global de sistemas, viabilizando o desenvolvimento e a con
solidação da experiência do mercado prestador de serviços, buscando
contratos o mais próximo possível dos de parceria, através da:
./ Contratação que garanta a multifuncionalidade, a otimização de
métodos e de recursos e a minimização de interfaces.
34 l'.IANUT ENÇÃO- FUNÇÃO EST RATÉGICA
./ Incentivo ao au mento da produtividade dos serviços e da dispon ibi
lidade d as instalações co m ga nhos divididos entre as partes .
./ Adoção de p razos co ntratuais longos .
./Exigência de empregados qualificados e certificados pelo PNQC -
Programa Nacio nal de Qualificação e Certificação, da AB RAMAN .
./ Realização de Aná lise de Valo r nos contratos mais rep resentativos .
./ Manutenção de programa de auditoria nos co ntratos.
• Implementação de aud itorias periódicas pela sede, em conjunto com os
órgãos operacionais, para veri ficação do uso d as diretrizes de gestão na
área de manutenção.
2.9. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O novo papel da manutenção é o grande desafio gerencial destes novos
tempos .
A visão sistêm ica do negócio e a mudança d e paradigmas e de conceitos le
varão a grandes inovações.
Neste contexto, é de fundamenta l importância que o gerente seja um agen
te de mudanças e lidere esta nova fase, que será uma ca minhada cheia de novos
desafios.
Por outro lado, o não entendimento desta nova rota levará, cercamente, a
perdas incalcu láveis ou, até mesmo, à fa lência da empresa ou do seu emprego .
Esra é um a grande oportunidade. t. PRECI SO APROVEITÁ-LA.
Se queres progredir não deves
repetir a história, mas fazer uma
história nova.
Para construir uma nova história é
preciso trilhar novos caminhos.
Gandhi
TIPOS DE MANUTENÇÂO
3.1. INTRODUÇÃO
A maneira pela qual é feita a intervenção nos equipamentos, sistemas ou
instalações caracteriza os vários tipos de manutenção existentes.
Existe uma variedade muito grande de denominações para classificar a atu
ação da manutenção, o que pode ser visto com detalhes no Dicionário de Ter
mos de Manutenção, Confiabilidade e Qualidade.
4
Não raramente essa variedade provoca uma cerca confusão na caracteriza
ção dos tipos de manutenção.
Por isso, é importante uma caracterização mais objetiva dos diversos tipos
de manutenção, desde que, independente das denominações, todos se encaixem
em um dos seis tipos descritos a seguir.
são:
Algumas práticas básicas definem os tipos principais de manutenção que
• Manutenção Corretiva Não Planejada
• Manutenção Corretiva Planejada
• Manutenção Preventiva
• · Manutenç-ão Preditiva
• Manutenção Detectiva
• Engenharia de Manutenção
36 MANUTENÇÃO - FUNÇÃO ESTRATÉGICA
Os diversos tipos de manutenção podem ser também considerados como
políticas de manutenção, desde que a sua aplicação seja o resultado de uma de
finição gerencial ou política global da instalação, baseada em dados técni
co-econômicos.
Várias ferramentas disponíveis e adotadas hoje em dia têm no nome a pala
vra Manutenção. É importante observar que essas não são novos tipos de ma
nutenção mas ferramentas que permitem a aplicação dos seis tipos principais
de manutenção citados anteriormente. Dentre elas, destacam-se:
• Manutenção Produtiva Tocai (TPM) ou Tocai Productive Maintenance.
• Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM) ou Reliabilicy Cente
red Maintenance.
• Manutenção Baseada na Confiabilidade (RBM) ou Reliabilicy Based
Maintenance.
3.2. MANUTENÇÃO CORRETIVA
Manutenção Corretiva é a atuação para a correção da falha otl do desempenho
menor que o esperado.
Ao acuar em um equipamento que apresenta um defeito ou um desem
penho diferente do esperado estamos fazendo manutenção corretiva.
Assim, a manutenção corretiva não é, necessariamente, a manutenção de
emergência.
Convém observar que existem duas condições específicas que levam à ma
nutenção corretiva:
a) Desem.pen~o deficiente apontado pelo acompanhamento das variáveis
operac1ona1s.
b) Ocorrência da falha.
Desse modo, a ação principal na Manutenção Corretiva é Corrigir ou
Restaurar as condições de funcionamento do equipamento ou sistema.
A manutenção corretiva pode ser dividida em duas classes:
• Manutenção Corretiva Não Planejada.
• Manutenção Corretiva Planejada.
TIPOS DE MANUTENÇÃO 37
Manutenção Corretiva Não Planejada é a correção da FALHA de maneira
ALEA. TÓRIA.
Caracteriza-se pela atuação da manutenção em fato já ocorrido, seja este