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Psicologia da 
educação na 
atualidade
 
SST
Vizacre, Ana Paula
Psicologia da educação na atualidade / Ana Paula Vizacre 
Ano: 2021
nº de p. : 11
Copyright © 2021. Delinea Tecnologia Educacional. Todos os direitos reservados.
Psicologia da educação 
na atualidade
3
Apresentação 
Caro estudante, nesta unidade, iremos aprofundar nossos conhecimentos a respeito 
da origem e do campo de atuação da Psicologia da Educação, principalmente no 
contexto brasileiro. Veremos também as principais correntes e as contribuições de 
grandes nomes da Psicologia para essa área. 
Você encontrará, ainda, subsídios para pensar acerca das contribuições da 
Psicologia da Educação, e compreender o fenômeno educativo e seus elementos. 
Mais que uma disciplina obrigatória para formação dos licenciados e outros 
profissionais que atuam na educação, trata-se de uma área de estudos que auxilia os 
educadores no dia a dia escolar. 
Bons estudos!
A gênese do campo da Psicologia da 
Educação
A Psicologia da Educação teve seu marco histórico nas primeiras décadas do século 
XX, sendo, portanto, considerada uma área recente, historicamente. 
Com influência de outros países, ela teve início no Brasil mais precisamente na 
década de 1920 com a implantação da Escola Nova, assim como em décadas 
posteriores, com a forte influência das ideias de Jean Piaget disseminadas na 
Europa. 
Atualmente, é reconhecida como área do conhecimento. Para chegar a esse status, 
entretanto, contou com a dedicação de muitos estudiosos e percorreu um longo 
caminho. 
Tanamachi (2000) aponta que o trabalho do psicólogo educacional se ampliou 
somente a partir da década de 1990, o que propiciou reflexões mais críticas a 
respeito da formação e da atuação desse profissional.
4
As áreas da Psicologia e da Educação passaram a tentar compreender o 
desenvolvimento humano, ultrapassando as ideias reducionistas das dificuldades de 
aprendizagem e comportamento, ampliando, assim, o diálogo para ambientes além 
da escola, como espaços comunitários, núcleos e associações.
Dessa forma, percebe-se que a Psicologia da Educação pode contribuir para a 
promoção da aprendizagem e do desenvolvimento das crianças de forma integral, 
dialogando com todos os envolvidos no contexto educacional. 
[...] o psicólogo da educação deve receber uma formação que o habilite a 
atuar na sociedade em transformação, com olhar amplo, capaz de abarcar 
a complexidade do real, podendo analisar as constantes inovações com 
as quais se defronta e buscando soluções, inclusive institucionais, que 
exigem amplo leque de cooperação. Para isso, terá que desenvolver 
esquemas conceituais mais abrangentes, social e historicamente, ao 
mesmo tempo em que desenvolve habilidades sociais, de interação e 
cooperação com o outro. Está colocado em aberto um grande desafio 
tanto para a pesquisa em Psicologia da Educação, como para a formação 
do psicólogo que atuará nessa área como profissional. (GATTI, 2010)
Qual será, então, o futuro da Psicologia da Educação? Há muitas possibilidades 
de sua atuação em diversos ambientes, de diferentes formas, como na formação 
docente, apoio aos professores e educadores no âmbito escolar, promoção de 
políticas públicas relacionadas à educação, intervenções psicopedagógicas, 
programas de apoio à família e à comunidade, entre muitos outros.
A psicologia educacional pode ajudar na criação de condições para que os 
professores e profissionais da educação compreendam e estejam atentos aos 
fatores que influenciam no desenvolvimento acadêmico e psicossocial de seus 
alunos, tornando-os protagonistas do seu próprio processo de aprendizagem. 
A Psicologia da Educação em um 
contexto próximo
Com o passar dos anos, as pesquisas em Psicologia da Educação se consolidaram 
e as contribuições na compreensão dos processos de ensino e aprendizagem, 
seus atores e o contexto vêm ganhando cada vez mais espaço, principalmente na 
formação de professores.
5
Para Gamez (2013, p. 8-9), “a visão geralmente aceita hoje é de 
que a Psicologia da Educação é uma disciplina com suas próprias 
teorias, métodos de pesquisa, problemas e técnicas, que tem 
como fim a produção de conhecimentos relativos aos fenômenos 
psicológicos que derivam do processo educativo. Historicamente, 
o surgimento da Psicologia da Educação está atrelado à
necessidade de introdução de mudanças qualitativas no ensino”.
Atenção
Maluf e Cruces (2008, p. 94) afirmam que, nos anos 2000, a psicologia educacional 
emerge e se consolida com uma nova literatura para área, após as crises 
enfrentadas nos anos anteriores, abordando relatos de experiências bem-sucedidas, 
assim como o desenvolvimento de pesquisas teóricas que apontam para as novas 
possibilidades de formação e atuação do psicólogo escolar. Para as autoras, a 
“nova Psicologia Educacional está se fazendo presente mais na prática do que no 
discurso” (MALUF; CRUCES, 2008, p. 94). 
O conhecimento de que se servem esses profissionais, psicólogos 
educacionais, ou, se preferirmos, psicólogos escolares, tende a ser 
interdisciplinar, porque inclui as noções da Psicologia que têm reflexo 
na Educação: Psicologia Geral, Psicologia Social, Psicologia do 
Desenvolvimento, Psicologia da Educação. E inclui as noções das ciências 
educacionais que permitem a aproximação às complexas questões que 
definem o processo educacional, a saber, a Pedagogia, a Didática, a 
Filosofia da Educação. (MALUF; CRUCES, 2008, p. 94) 
Desse modo, o desenvolvimento da área teórica acerca da Psicologia da Educação 
promoveu a prática de modo que os chamados “novos psicólogos escolares” 
realizem trabalhos mais adequados às necessidades educacionais do Brasil da 
atualidade. Em resumo, as possibilidades de sua atuação na atualidade consistem 
em: 
6
Possibilidades de atuação da psicologia educacional
Possibilidades de 
atuação da psicologia 
educacional
Formação docente: 
apoio aos professores Intervenções 
psicopedagógicas
Promoção de políticas 
públicas relacionadas à 
área da Educação
Enfrentamento dos 
problemas de 
aprendizagem e de ensino
Programas de apoio à 
família e à comunidade
Planejamento e 
avaliação de programas 
de ensino
Fonte: Elaborada pelo autor (2021).
#PraCegoVer: Na imagem, temos uma lista com as possibilida-
des de atuação da psicologia educacional, que são: formação 
docente: apoio aos professores; intervenções psicopedagó-
gicas; promoção de políticas públicas relacionadas à área 
da educação; programas de apoio à família e à comunidade; 
enfrentamento dos problemas de aprendizagem e de ensino; e, 
planejamento e avaliação de programas de ensino.
Espera-se, assim, que a Psicologia da Educação consiga integrar as práticas 
psicológicas com as pedagógicas, conectadas às novas tendências e às tecnologias 
educacionais, dialogando com diferentes áreas do conhecimento, para proporcionar 
crescimento e desenvolvimento a todos os envolvidos no contexto educacional.
7
Psicologia da Educação: orientação e apoio
Fonte: Plataforma Deduca (2017).
#PraCegoVer: a imagem representa uma sala de aula com 
duas crianças a frente sentadas fazendo atividades. Atrás 
delas, há uma mulher, que está em pé, mostrando um papel 
para uma menina e uma outra mulher que estão sentadas. As 
crianças aparentam ter entre 6 e 7 anos.
Ainda que seja uma área relativamente nova, se comparada a outros elementos 
integrantes da educação atual, a Psicologia da Educação apresenta correntes 
teóricas que se sucedem e trazem novas formas de pensar o fenômeno educativo 
em sua complexidade. 
As principais correntes da psicologia 
da educação 
A área da Psicologia da Educação teve grande influência dos conhecimentos 
trazidos pela Psicologia, configurando-se, então, em uma área na qual convergem 
os interesses e questionamentos sobre a aprendizagem, e também os problemas e 
desafios que envolvem o espaço educativo e / ou escolar.
8
Diante dessa área de abrangência, existem três campos de interesse que se 
configuram como centro ou núcleo da Psicologiada Educação:
Primeiro campo de interesse:
análise dos processos de aprendizagem e de desenvolvimento.
Segundo campo de interesse:
desenvolvimento infantil.
Terceiro campo de interesse:
estudo das diferenças individuais e de mudanças de comportamento do 
sujeito relacionadas à participação em situações educativas de aprendizado. 
Desse modo, as correntes psicológicas que influenciaram as da Psicologia da 
Educação foram aquelas vindas de pesquisadores que destinaram seus estudos 
para o desenvolvimento humano e aspectos relacionados à educação e/ou os 
problemas psicológicos ligados a essa área, a saber: o behaviorismo de B. F. Skinner, 
a psicanálise de Freud e as questões relacionadas ao desenvolvimento humano e 
aprendizagem, estudadas por Jean Piaget, Henri Wallon e Lev Vygotsky. 
Skinner (1904-1990) desenvolveu um conceito denominado como condicionamento 
operante. A sua teoria é também conhecida como behaviorismo radical ou análise 
experimental do comportamento. Essa é, sem dúvida, uma das maiores referências 
intelectuais do século XX, nos campos da educação e da psicologia. 
A psicanálise foi desenvolvida por Freud, na Áustria, a partir da prática médica. 
O nome e as ideias de Sigmund Freud são tão comuns para as pessoas, que a 
psicologia é, às vezes, identificada com a teoria psicanalítica, denominação comum 
para as ideias freudianas a respeito da personalidade. Freud destaca o inconsciente 
como objeto de estudo da psicanálise.
As teorias psicológicas têm constituído fundamento científico da psicologia 
educacional, conforme afirma Goulart (2010). Algumas delas, devido a uma maior 
relação com a área educacional, foram mais facilmente compreendidas e passaram 
a constituir formas de abordagem dos problemas psicológicos ligados à educação, 
tais como o Behaviorismo e a Psicanálise. 
9
No século XIX, os estudiosos Jean Piaget (1896 – 1980, nascido na Suíça), Henri 
Wallon (1879 1962, psicólogo francês) e Lev Vygotsky (1896 – 1934, psicólogo bielo-
russo) desenvolveram a chamada concepção interacionista por meio de suas teorias 
acerca do desenvolvimento das crianças.
Para esses pesquisadores, o conhecimento é gerado por meio de uma interação do 
sujeito com o local em que vive, a partir de estruturas existentes em ambos. Nessa 
teoria, o ser humano não é visto como um sujeito passivo, mas ao contrário, assume 
um papel ativo e utiliza suas significações para aprender e se desenvolver. Por 
meio dessas ideias advindas da Psicologia, esses pesquisadores conduziram seus 
estudos para o desenvolvimento humano e infantil, assim como a aprendizagem, e 
influenciaram a Psicologia da educação. 
Saiba mais
Quando se fala de Psicologia da Educação ou da relação 
da área da Psicologia com a área da educação, geralmente 
são utilizados os termos “educacional” ou “escolar”. Além 
deles, também encontramos outros usados para se referir à 
área que estamos tratando aqui: “Psicologia da Educação”, 
tais como: Psicologia na Educação, Psicologia aplicada à 
Educação, Psicologia Educacional, Psicologia Escolar, dentre 
outros. Saiba mais sobre essas terminologias lendo o artigo 
disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ 
arttext&pid=S1413-85572012000100018>.
10
FECHAMENTO
Chegamos ao final de mais uma unidade, conhecendo e aprofundando nossos 
estudos sobre a Psicologia da Educação, que teve sua origem a partir dos estudos 
da Psicologia científica. Vimos a gênese do campo da Psicologia da Educação no 
contexto da ciência psicológica; o percurso recente da Psicologia da Educação no 
Brasil; e apontamos as principais correntes teóricas da Psicologia da Educação.
De modo geral, compreendemos que a Psicologia da Educação pode contribuir 
para a promoção da aprendizagem e do desenvolvimento das crianças de forma 
integral, dialogando com todos os envolvidos no contexto educacional. Além disso, 
observamos que essa área do conhecimento pode ajudar na criação de condições 
para que professores e profissionais da educação compreendam e estejam atentos 
aos fatores que influenciam no desenvolvimento acadêmico e psicossocial de seus 
alunos.
11
Referências
BARBOSA, D. R.; SOUZA, M. P. R. de. Psicologia Educacional ou Escolar. Scielo 
Brasil, [s. l.], v. 16, n. 1, jun. 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pee/a/
jQhnhsj8gZLFSXRPMTCh7mc/?lang=pt Acesso em: 12 jul. 2021.
GATTI, B. A. Psicologia da educação: conceitos, sentidos e contribuições. Psicol. 
educ., São Paulo, n. 31, p. 7-22, ago. 2010. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-69752010000200002&lng=pt&nrm=iso. 
Acesso em: 14 jul. 2021.
GAMEZ, L. Psicologia da Educação. Rio de Janeiro: Editora LTC, 2013. 
GOULART, I. B. Psicologia da educação: fundamentos teóricos: aplicações à prática 
pedagógica. 16. ed. Petrópolis: Vozes, 2010. 
MALUF, M. R.; CRUCES, A. V. V. Psicologia educacional na contemporaneidade. 
Boletim Academia Paulista de Psicologia, v. XXVIII, n. 1, p. 87-99, 2008. Disponível 
em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/bapp/v28n1/v28n1a11.pdf. Acesso em: 14 jul. 
2021.
TANAMACHI, E. de R. Mediações teórico-práticas de uma visão crítica em psicologia 
escolar. In: TANAMACHI, E. R.; PROENÇA, M.; ROCHA, M. L. (orgs.). Psicologia e 
educação: desafios teórico-práticos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000. p. 73-103.

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