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Intoxicações que podem ser agudas ou crônicas. O 
benzeno, por exemplo, pode causar aplasia de medula 
e leucemia.
 
Como suspeitar de intoxicação e/ou envenena-
mento
A primeira conduta a ser tomada é a verificação se 
realmente houve a intoxicação ou o envenenamento. 
Uma pessoa, que tenha simplesmente deglutido alguma 
substância, não estará necessariamente intoxicada. Algu‐
mas substâncias são inócuas e não requerem tratamento. 
Entretanto, podemos suspeitar de envenenamento ou in‐
toxicação em qualquer pessoa que manifeste os sinais e 
sintomas descritos abaixo.
Sinais evidentes, na boca ou na pele, de que a víti‐
ma tenha mastigado, engolido, aspirado ou estado em 
contato com substâncias tóxicas, como por exemplo: sa‐
livação, aumento ou diminuição das pupilas dos olhos, 
sudorese excessiva, respiração alterada e inconsciência.
Hálito com odor estranho.
Modificação na coloração dos lábios e interior da 
boca, dependendo do agente causal.
Dor, sensação de queimação na boca, garganta ou 
estomago.
Sonolência, confusão mental, torpor ou outras altera‐
ções de consciência.
Náuseas e vômitos.
Diarreia.
Lesões cutâneas, queimaduras intensas com limites 
bem definidos ou bolhas.
Convulsões.
Queda de temperatura, que se mantém abaixo do 
normal.
Paralisia
Os conhecimentos básicos de primeiros socorros são 
fundamentais, pois podem salvar uma vida. Procure ler 
o Manual de Primeiros Socorros da Fundação Oswaldo 
Cruz.
Em todos os casos de envenenamentos e intoxica‐
ções, é importante investigar da área onde a pessoa foi 
encontrada, na tentativa de identificar com a maior pre‐
cisão possível o agente causador do envenenamento, ou 
encontrar pistas que ajudem nesta identificação. Muitos 
indícios são úteis nesta dedução: frascos de remédios, 
produtos químicos, materiais de limpeza, bebidas, serin‐
gas de injeção, latas de alimentos, caixas e outros reci‐
pientes.
Muitas pessoas supõem que exista um antídoto para 
a maioria ou a totalidade dos agentes tóxicos. Infeliz‐
mente isto não é verdade. Existem apenas alguns pro‐
dutos específicos para certos casos e que, mesmo assim, 
necessitam de orientação médica para serem usados.
Recomendações básicas:
Pouco sabemos a respeito de muitas das substâncias 
químicas que são utilizadas em qualquer lar, e por esta 
razão na maioria das vezes são tratadas e manuseadas 
como substâncias inofensivas. Vejamos alguns exemplos:
Os detergentes que prometem lavar mais branco, 
possuem em sua composição soda caustica, fosfatos e 
cloro.
Os desinfectantes possuem ácido clorídrico e amônia.
No bar temos vinho, wisky e aguardente, que pos‐
suem na sua composição o álcool etílico.
O álcool que utilizamos na limpeza doméstica é ál‐
cool etílico.
Os refrigerantes possuem na sua composição ácido 
fosfórico
Os desodorizantes possuem tetracloroidróxido de 
alumínio e estearato.
O agradável pinho silvestre, por exemplo, pode con‐
ter amônia e compostos benzênicos.
Os inseticidas “spray” possue esteres ácidos (perme‐
trina e piridina).
Nos perfumes e loções, que possuem um agradável 
aroma, poderão ser encontrados, derivados cianídricos; 
derivados benzênicos e tolueno.
Como você pode ver observar é uma infinidade de 
substâncias químicas que nem temos noção que aqueles 
produtos que consideramos “tão inofensivos” possam 
conter.
Porém, existem algumas recomendações que são in‐
teressantes de serem observados por todos nós, na roti‐
na da nossa residência:
Fumaça e gases provenientes da queima de borracha, 
plástico, cloro, solventes, detergentes, papel, etc. contém 
substâncias tóxicas, portanto, devemos eliminar a fonte 
da fumaça e ventilar o ambiente.
Não guardar produtos como soda cáustica, quero‐
sene, detergentes, álcool, água sanitária, removedores, 
amoníaco e desinfectantes em geral embaixo da pia, 
tanque ou na parte baixa de armários de banheiros, co‐
zinhas e áreas de serviços, pois são locais de fácil acesso 
para crianças.
O uso de qualquer medicamento deve ser feito com 
orientação médica. Guardar fora do alcance de crianças. 
Os psicotrópicos (tranqüilizantes, hipnóticos, etc) devem 
ser mantidos em locais trancados.
Não ligar o automóvel em garagem fechada.
Evitar a permanência de pessoas perto da descarga 
de veículo.
Não comprar enlatados cujas embalagens estejam 
velhas, estufadas ou enferrujadas.
Plantas tóxicas
Se você tem plantas tóxicas em casa do tipo: “comigo 
ninguém pode”, mamona, pinhão paraguaio, ou aquelas 
cuja seiva queima ou espinhosas tipo: coroa de cristo, 
seria bom, mantê‐las em locais inacessíveis a crianças.
Consulte o Sistema Nacional de Informações Tóxico‐
-Farmacológicas – SINITOX da FIOCRUZ
É importante você ensinar as crianças a identificar as 
plantas venenosas, caso não tenha plantas tóxicas em 
casa.
Animais e insetos
Existe uma série de animais e insetos que devem ser 
conhecidos por nós, pois podem picar ou morder e cau‐
sar infecções. Se você possui sítio ou casa de praia, cuida‐
do com tábuas ou materiais empilhados que eles podem 
estar escondendo escorpiões ou aranhas, e se você ou 
seu filho gosta de andar pelo mato, usem botas para pre‐
venir picadas de cobra.
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Ao detectar uma colmeia de abelhas ou um vespeiro, 
evite que seus filhos fiquem por perto, abelhas e vespas 
enfurecidas podem matar uma pessoa.
Informe‐se de como você deve se proteger sem agre‐
dir a natureza.
Pilhas
Cuidado com as pilhas e crianças pequenas que levam 
a boca tudo eu encontram. Se você notar que seu filho 
engoliu uma pilha cilíndrica ou do tipo botão, usada em 
máquinas calculadoras e relógios, leve‐o imediatamente 
ao médico. A ação digestiva fará com que os elementos 
químicos tóxicos da pilha tais como: mercúrio, manga‐
nês, prata e outros, sejam liberados, ocasionando sérios 
problemas de esôfago, estômago e intestino.
ANIMAIS PEÇONHENTOS
Normalmente, a picada será tratada como qualquer 
ferimento. O auxílio médico só é necessário se o prurido 
ou dor durarem mais de 2 dias, houver sinais de infec‐
ção no local, desenvolvimento de reação alérgica ou se 
o aracnídeo pertencer a um dos três gêneros de aranhas 
peçonhentas e de importância médica que existem no 
Brasil: Phoneutria spp (aranha armadeira, várias espé‐
cies), Loxosceles (aranha marrom, várias espécies) e La‐
trodectus (viúva‐negra, 3 espécies ocorrendo no Brasil, 
sendo a Latrodectus curacaviensis a mais comum).
Gênero Phoneutria (Aranha armadeira).
 
A armadeira é responsável pelo maior número de aci‐
dentes no Brasil, por ser uma aranha muito comum e ex‐
tremamente agressiva. Não faz teia, é encontrada em ba‐
naneiras, folhagens, entre madeiras, pedras empilhadas e 
no interior das residências. Tem coloração marrom-escu‐
ra ou acizentada, com manchas claras formando pares no 
dorso do abdome e atinge até 12 cm de diâmetro.
Nos acidentes com armadeiras (“foneutrismo”) pre‐
dominam as manifestações locais. A dor é imediata e ge‐
ralmente intensa, podendo irradiar para a raiz do mem‐
bro acometido. Ocorre edema, vermelhidão, sensação de 
anestesia e sudorese (transpiração) no local da picada, 
onde podem ser encontradas duas marcas em forma de 
pontos. Nos casos graves, geralmente restritos às crian‐
ças, registram‐se sudorese, náuseas, vômitos, diarreia, 
priapismo (ereção involuntária e dolorosa do pênis), hi‐
pertonia muscular, hipotensão arterial, choque e edema 
agudo de pulmão.
O tratamento é sintomático e nos casos mais graves 
está indicada a soroterapia específica.
A aranha marrom é pequena (4cm), possui hábitos 
noturnos e tem comportamento pouco agressivo. É en‐
contrada em pilhas de tijolos, telhas e no interior das 
residências, atrás de móveis, cortinas e eventualmente 
em roupas. A picada geralmente ocorre quando a ara‐
nha é comprimida contra o corpo da vítima, quando ela 
se veste ou se deita. Não produz dor imediatae o local 
da picada é quase sempre imperceptível. No entanto, 
posteriormente, evolui com uma ferida de difícil cicatri‐
zação, necessitando, muitas vezes, de correção cirúrgica 
(enxerto). O acidente loxoscélico representa a forma mais 
grave de araneísmo no Brasil, ocorrendo particularmente 
no Paraná e Santa Catarina.
A evolução mais frequente é a forma “cutânea” (87 
a 98% dos casos): a manifestação local se acentua nas 
primeiras 24 – 72 horas, podendo ocorrer edema, calor 
e rubor, com ou sem dor em queimação, inchaço duro 
e aparecimento de bolha com conteúdo seroso; aparece 
um ponto de necrose central (escuro); surgem outros si‐
nais e sintomas como febre, mal‐estar geral e ulceração 
local.
Na forma “cutâneo-visceral” (mais grave), além do 
quadro descrito acima, entre 12 e 24 horas após a picada 
podem surgir manifestações clínicas de hemólise intra‐
vascular (anemia, icterícia e hemoglobinúria), cefaleia, 
náuseas, vômitos, urina escura (cor de coca‐cola), volu‐
me urinário diminuído significativamente e insuficiência 
renal aguda (principal causa de óbito no loxoscelismo).
O acidente loxoscélico é classificado em leve, mo‐
derado e grave. O tratamento consiste em antissepsia, 
curativo local, uso de compressas frias, corticóides e anti‐
bióticos, além de administração de soroterapia específica 
(soro antiloxoscélico) conforme a necessidade do caso.
Gênero Latrodectus (Viúva-negra).
 
Possui um corpo negro (ou marrom) e brilhante, per‐
nas finas e uma marca vermelha ou alaranjada em seu 
abdome, normalmente na forma de uma ampulheta ou 
de dois triângulos. É encontrada em áreas secas, isoladas 
e com pouca luz;
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Elas constroem teias irregulares e extremamente for‐
tes. No Brasil, duas espécies são responsáveis por aci‐
dentes, que ocorrem do Sul até o litoral do Rio de Janeiro.
O veneno da viúva-negra é de elevada toxicidade, o 
mecanismo da sua peçonha é neurotóxico. Além dos si‐
nais e sintomas gerais das picadas, podemos encontrar 
outros sinais e sintomas importantes: pequenas marcas 
vermelhas de presas, espasmos musculares graves (espe‐
cialmente nos ombros, nas costas, no peito e no abdome, 
que se iniciam dentro de 1 a 4 horas após a picada), febre 
e calafrios, dor de cabeça e tontura, náuseas e vômitos, 
irritabilidade, insônia, aumento da pressão arterial, para‐
da cardiorrespiratória etc.
O tratamento consiste na administração da sorote‐
rapia específica, uso de analgésicos sistêmicos, sedativo, 
monitorização dos sinais vitais e suporte cardiorrespira‐
tório, se necessário. Os demais procedimentos são utili‐
zados de acordo com a sintomatologia.
Observação – As aranhas tarântula e caranguejei‐
ra não representam risco de saúde pública, e por isso, 
não serão abordadas neste Caderno. Tais aranhas causam 
mais danos “psicológicos” por seu aspecto assustador e 
por serem de grande porte.
O veneno não tem importância médica nos acidentes 
com seres humanos, embora algumas pessoas possam 
desenvolver reação dermatológica e alérgica devido ao 
contato com os pelos.
 
Acidente escorpiônico
Os acidentes com escorpiões são menos frequentes 
do que com aranhas, pois eles são pouco agressivos (pi‐
cam para se defender) e têm hábitos noturnos. A visão é 
pouco desenvolvida, orientam‐se pela vibração do ar e 
do solo e localizam suas presas pelo tato. São facilmente 
encontrados em pilhas de madeira, sob cascas de árvo‐
res, pedras, troncos, tijolos, cupinzeiros, entulhos, dentro 
das residências, no interior de sapatos e botas.
No Brasil existem acima de 50 espécies de escorpiões, 
mas somente o gênero Tityus tem interesse médico. Das 
espécies que merecem maior atenção destacam‐se o 
Tityus serrulatus (escorpião amarelo) e Tityus bahiensis 
(escorpião marrom).
 
O escorpião amarelo é responsável pela maioria dos 
casos graves em nosso meio, especialmente nos aciden‐
tes envolvendo crianças. O veneno está localizado em 
uma pequena bolsa situada antes do ferrão, ao final da 
cauda. O ferrão (aguilhão) perfura e inocula o veneno na 
vítima.
O veneno é potente e neurotóxico. O quadro clínico 
do escorpianismo manifesta‐se por dor local de intensi‐
dade variável (pode chegar a ser insuportável), em quei‐
mação ou agulhada, irradiando para o membro afetado. 
Parestesia (sensação de formigamento ou dormência) 
também é referida no local da picada. Nos acidentes mo‐
derados e graves, principalmente em crianças, podem 
surgir manifestações sistêmicas, tais como: sudorese 
profusa, tontura, visão turva ,tremores, espasmos mus‐
culares, confusão mental, hiper ou hipotermia, sialorreia, 
náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia, priapismo 
(ereção dolorosa e involuntária do pênis) e convulsões. 
Podem ocorrer ainda arritmias cardíacas, hipertensão 
ou hipotensão arterial, insuficiência cardíaca congestiva, 
taquipneia, dispneia, edema agudo de pulmão, choque, 
coma, parada respiratória e cardíaca.
Os acidentes podem ser classificados como leves, 
moderados e graves. O tratamento inclui medidas ge‐
rais de suporte e administração da soroterapia específica 
(soro antiescorpiônico) ou soro antiaracnídico.
Observação – As condutas gerais de primeiros so‐
corros para picadas de aranhas e escorpiões são as mes‐
mas seguidas no acidente ofídico. Quando a vítima for 
criança, pessoa idosa ou com a saúde debilitada, sempre 
encaminhar para o hospital.
Emergência especial: o choque anafilático
Essa é uma emergência médica prioritária, ocorrência 
grave, causada por uma reação alérgica intensa, de hiper‐
sensibilidade (geralmente a picadas de insetos – abelhas, 
vespas – alimentos ou medicamentos). A reação anafilá‐
tica ocorre em questão de segundos ou minutos após o 
contato com a substância a que a vítima é alérgica.
Entre aqueles que morrem de choque anafilático, 60 
a 80% morre por não conseguir respirar (em virtude do 
edema de vias aéreas) e 25% morre da própria condição 
circulatória do choque.
O escorpião amarelo é responsável pela maioria dos 
casos graves em nosso meio, especialmente nos aciden‐
tes envolvendo crianças. O veneno está localizado em 
uma pequena bolsa situada antes do ferrão, ao final da 
cauda. O ferrão (aguilhão) perfura e inocula o veneno na 
vítima.
O veneno é potente e neurotóxico. O quadro clínico 
do escorpianismo manifesta‐se por dor local de intensi‐
dade variável (pode chegar a ser insuportável), em quei‐
mação ou agulhada, irradiando para o membro afetado.

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