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CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADE METROPOLITANAS UNIDAS 
– FMU 
HISTÓRIA 
 
ANA BEATRIZ SOUSA DE OLIVEIRA 
 
 
 
 
 
A1 HISTÓRIA MODERNA DO SÉCS. XV E XVI: 
ANÁLISE DO LIVRO “O PRÍNCIPE” DE NICOLAU MAQUIAVEL 
 
 
 
Nº RA: 2145206 
E-mail: anabeaso3107@gmail.com 
 
 
 
 
 
SÃO PAULO 
2021 
 
A vida e as obras de Maquiavel. 
Nascido no ano de 1469, Niccoló di Bernardo dei Machiavelli, ou como nós 
conhecemos, Nicolau Maquiavel, era um filósofo político, historiador, estadista e 
escritor italiano classificado como pai da ciência política, dentro do contexto 
renascentista. Natural de Florença, na Itália, era filho de nobres, sendo o seu pai 
Bernardo Maquiavel, um jurista e tesoureiro, e sua mãe, Bartolomea Nelli, que 
era ligada a famílias influentes de Florença. 
Maquiavel que tinha origem Toscana e ocupou cargos públicos por volta de trinta 
anos, sempre foi focado nos estudos e aprendeu latim, ábaco e língua grega aos 
sete anos. 
A sua obra “O Príncipe”, entre todas suas outras obras publicadas e 
especializações, é uma obra que ainda hoje tem grande influência, sendo assim, 
seu trabalho mais reconhecido. Maquiavel tinha como foco a política, que era um 
assunto recorrente em suas obras e na sua vida, afinal, era um membro ativo 
nas atividades políticas de Florença. Durante sua vida procurou fazer uma 
análise profunda sobre a essência do poder e suas vivencias acerca do cenário 
histórico, e com base nesses pensamentos, tentava apresentar uma ideia sobre 
a dinâmica de poder afim da unificação da Itália. 
Ao completar 29 anos, Maquiavel se tornou secretário da Segunda Chancelaria, 
onde trabalhava resolvendo questões internas e militares. Fez diversas missões 
diplomáticas para Estados papais e cidades italiana, como por exemplo: Milão, 
Piza, Veneza. Além disso, esteve envolvido em missões para a França e 
Alemanha. 
Chegou a assumir o cargo de embaixador, entre 1502 e 1503, juntamente com 
César Bórgia. Essa aproximação com a família Bórgia fez com que Maquiavel 
se deslumbrasse, afinal, tinha interesse na extensão de terras e na conquista 
dessa família. 
Maquiavel se casou com Marietta Corsini, com quem teve 5 filhos, e mesmo com 
as limitações acerca de registros sobre a vida pessoal de Maquiavel, os que 
existem nos apresentam uma pessoa divertida na sua juventude. 
Após a queda da república, em 1512, os Médici voltaram ao poder com o mesmo 
governo que tinham em Florença no ano de 1494, sendo assim, Maquiavel foi 
removido de seu cargo, e optou pelo próprio exílio, indo para San Casciano, onde 
iniciou suas atividades como historiador, literato e fez suas escritas políticas. 
E foi nessa época que obras como “Discursos sobre a primeira década de Tito 
Lívio”, que fala sobre como resolver as questões da Itália e acerca da análise da 
República Romana. “O Príncipe” e “O diário em torno da nossa língua” também 
nasceram desse momento. 
Viveu na Itália num período em que conspirações e traições eram recorrentes, 
apesar do renascimento, que acontecia na mesma época, que nos apresentava 
um avanço intelectual e um florescimento artístico. Com isso, Maquiavel tanto 
trabalhou como também participou dos conflitos que duraram anos. 
As ideias iluministas que vieram junto ao renascimento influenciaram 
diretamente Maquiavel, além de usar clássicos filósofos influentes como: Lívio, 
Tito, Platão, Aristóteles e Tucídides para procurar soluções dos problemas da 
Itália no contexto em que vivia. 
Voltou a Florença em 1519 visando ocupar um cargo político e militar, então, 
Cardeal Giíulio de Médici deu a Maquiavel o trabalho de escrever a “História de 
Florença”, um ano após a sua volta, em 1520. Nessa obra, foi lhe dado a 
instrução para contar desde a queda do Império Romano até a morte de 
Lourenço Médici (1449-1492), que foi um soberano durante o renascimento 
italiano. Essa obra, mesmo incompleta, se tornou um arquivo muito importante, 
sendo reconhecida como a primeira obra da historiografia moderna. Uma de 
suas outras obras, “A arte da guerra” de 1521, foi usada como um estudo para o 
esquema militar acerca de milicias nacionais e tropas mercenárias, tudo isso feito 
através de um diálogo. Poucos anos depois, em 1524, publicou a peça 
“Mandrágora”, que logo viria ser considerada uma das mais importantes do 
período renascentista. 
Ao receber ordens do papa Clemente VII e ser comandado por Giovanni Dale 
Bande Nere, ou como conhecemos, João de Médici, que era um mercenário que 
tinha poder sob a milícia, Maquiavel organizou um exército definitivo e fiscalizou 
toda as fortificações de Florença por volta de 1526. No ano seguinte, um saque 
aconteceu em Roma, e o imperador Carlos V tomou a república. Com o ocorrido, 
Maquiavel que era ligado diretamente aos Médici foi exilado de seu cargo com a 
ação política. 
No mesmo ano do saque, Maquiavel ingeriu um remédio que lhe causou muitas 
dores em seu estômago, levando-o a óbito no dia 22 de julho de 1527, tendo seu 
corpo sepultado na Igreja da Santa Cruz. 
Maquiavel morreu sem ao menos ver o seu grande sonho ser realizado, que era 
uma Itália unificada, sonho que se realizou séculos depois, mais precisamente 
no século XIX. 
 
Análise a obra “O Príncipe” e suas críticas. 
O livro “O Príncipe”, que foi publicado postumamente em 1532, e escrito em 
1513, no período Renascentista, como já vimos (meados do séc. XVI). No livro, 
Maquiavel defende a importância de formar um governo que garanta a 
estabilidade política acerca de um poder central e unificado. 
Ele também fala sobre como seria o processo de construção de um Estado 
unitário e absoluto que, além de forte, fosse estável através da figura do líder 
governante, que dentro da obra de Maquiavel foi nomeado como o “Príncipe”. 
Ele aborda quais características esse líder deveria ter para se manter no 
comando, sendo assim, não deveria se pensar em termos de virtudes, já que o 
foco para Maquiavel era de que o Estado seguisse suas próprias leis e que não 
há nada de virtuoso na política. Logo, não seria a lógica da justiça e da ética, 
mas sim a lógica da força transformada em lógica do poder e da lei. 
Maquiavel acrescenta a ideia de que quando um político se disfarça com 
discurso moralista, a verdade é que nunca deixam de fazer o que é preciso fazer, 
mesmo que em nome da obtenção e manutenção do poder, contrariando a 
moral. Ele diz necessário esquecer a ideia de que para um bom governo 
precisaria de um governante virtuoso, porque na verdade, o que ele deveria ter 
são qualidades para mantê-lo no poder, nem que para isso tenha que usar a 
violência, a mentira, a astúcia e a força. 
Enquanto outros autores tinham uma visão Idealista, falando sobre as virtudes 
que um líder deveria ter para ser um governante, Maquiavel defendia que seria 
mais importante construir uma boa imagem, com muitas virtudes. Porém nem 
sempre seria inteligente ter essas qualidades o tempo inteiro, por exemplo: é 
interessante ter a imagem de ser um governante generoso, mas nem sempre 
seria sábio aplicar a generosidade em todas as circunstâncias, ela poderia levar 
ao endividamento dos cofres públicos, então, haveria situações em que o 
Príncipe deveria buscar o controle dos gastos, mas sem deixar de cuidar da sua 
imagem de generoso. 
Para Maquiavel, a vida privada de um indivíduo não tem relação nenhuma com 
a lógica política, que apesar de ser uma boa decisão política, poderia ser imoral 
do ponto de vista ético, em outras palavras, os valores políticos seriam medidos 
pela sua eficácia e utilidade prática e ficariam afastados na moralidade. 
Maquiavel também traz o questionamento se é melhor que o Príncipe 
(governante) seja temido ou amado, e responde que o ideal é ser as duas coisas, 
mas ele sabe que é muito difícil ser ao mesmo tempo temido e amado, então se 
o príncipe não puder ser ambos ao mesmo tempo, ele deveria optar por ser 
temido, afinal é muito mais seguroser temido. 
Ele defende que devido à natureza humana as pessoas traem, ofendem, 
machucam até mesmo aqueles quem mais amam, mas é muito mais difícil ser 
desleal alguém quando você sente medo de uma represália. 
Na análise de Maquiavel, os indivíduos são volúveis e dissimulados, não querem 
saber de cumprir deveres e são ávidos por ter uma vantagem. Enquanto você 
fizer algo de bom para as pessoas, elas vão dizer que estão no seu lado, mas 
se você precisar de alguma coisa elas irão virar as costas. Refletir que o amor é 
mantido por vínculo entre as pessoas, mas como as pessoas, em geral, são 
inconstantes e ingratas, esse vínculo é rompido sempre que o sujeito sente 
vontade. 
Então ser amado não é tão útil quanto ser temido, mas é importante que ele não 
seja odiado, afinal, ser odiado traz muitas revoltas na população. 
 
 
Maquiavel também diz que o Príncipe não deve manter a sua palavra quando é 
prejudicial a ele. Poderia ser algo ruim não manter a sua palavra, mas os homens 
são maus e no fundo eles também não manteriam a palavra deles caso os 
prejudicasse, então o Príncipe também não seria obrigado a manter a sua 
palavra. Então, o que o governante deveria fazer seria buscar razões que 
pareçam ser legítimas para dissimular o descumprimento da sua palavra, sendo 
assim, o Príncipe deveria ter a capacidade ser flexível as circunstâncias 
mudando com elas caso fosse necessário. Situação que é muito comum até hoje, 
quando por exemplo, políticos fazem diversas promessas durante sua campanha 
e não cumprem ao serem eleitos, e para se safar dizem que ocorreram situações 
externas imprevisíveis. 
Em algumas ocasiões ele deveria mentir, em outras ele seria honrado, em certos 
momentos ele deveria ceder à vontade dos outros, em outros ser inflexível. O 
caráter do Príncipe deveria variar com as circunstâncias para que sempre 
estivesse no controle da situação 
Muitos pensadores se contrapuseram a essas ideias de Maquiavel, como por 
exemplo, Thomas Hobbes que diz: 
“(...) ao introduzir aquela restrição sobre si mesmos sob a qual os 
vemos viver nos Estados, é o cuidado com sua própria conservação e 
com uma vida mais satisfeita. (...) quando não há um poder visível 
capaz de os manter em respeito, forçando-os, por medo do castigo, ao 
cumprimento de seus pactos e ao respeito àquelas leis de natureza.” 
(HOBBES, 1651) 
Para Hobbes, não poderia existir um homem que fosse capaz de equilibrar essa 
situação, e por isso, adotou a ideia de que apenas um instrumento natural 
impessoal poderia regularizar a organização do Estado. 
Não acreditando na força do poder visível, Thomas Hobbes se contrapõe as 
ideias de Maquiavel, que nos apresenta um governante sempre preocupado em 
estar no controle do povo. 
 
Referências Bibliográficas 
- MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. Tradução de Maria Lucia Cumo. Rio de 
Janeiro: Editora Paz e Terra, 1996. 
- HOBBES, T. Leviatã. Tradução: João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da 
Silva. São Paulo: Martins Fontes, 2003 
- FERNANDES, E. Crítica a Maquiavel. Consciencia.org, 2008. Disponível em: 
http://www.consciencia.org/critica-a-maquiavel. Acesso em: 14 de maio de 
2022. 
- CASTRO, S. A Origem do Estado Moderno em Maquiavel e Hobbes. UFRJ, 
2017. Disponível em: file:///C:/Users/anabe/Downloads/wanderdepaula,+02+-
+Castro_Sofia_v.pdf. Acesso em 16 de maio de 2022. 
- FRAZÃO, D. Nicolas Maquiavel (Filósofo político e escritor italiano). Ebiografia, 
2021. Disponível em: https://www.ebiografia.com/nicolau_maquiavel/ . Acesso 
em: 14 de maio de 2022. 
http://www.consciencia.org/critica-a-maquiavel
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https://www.ebiografia.com/nicolau_maquiavel/

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