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N O Ç Õ ES D E R EC U R SO S M AT ER IA IS 431 CONTROLE DE BENS INVENTÁRIO, ALTERAÇÕES E BAIXA DE BENS Sabendo que o controle patrimonial recai sobre os bens patrimoniais e que estes são compostos pelos bens móveis, os bens imóveis e as instalações; pode- mos, assim, definir controle patrimonial como a ativi- dade de gerenciamento de procedimentos, métodos e rotinas que têm como objetivo primordial, proteger o patrimônio da organização. Internalizando o conhecimento, o esquema abai- xo demonstra a relação entre o controle patrimonial e seus objetos: Bens Imóveis Ex.: Prédios Controle Patrimonial Bens Móveis Material Permanente Instalações Ex.: Sistema de Ar condicionado Conhecendo o alcance do controle patrimonial, chegou o momento de definir os seus objetos: z Bens Imóveis São bens que não podem movimentar-se sem que sua essência seja alterada. Ex.: Prédios, terrenos. z Instalações São materiais ou equipamentos que se agregam ao bem imóvel, isoladamente ou em conjunto, pas- sando a integrá-lo funcionalmente. Ex.: Sistema de ar condicionado, cobertura de PVC no estacionamento. z Material Permanente (Bens móveis) São materiais de duração superior a dois anos, levando-se em consideração os seguintes aspectos: � Durabilidade: quando o material em uso nor- mal perde ou tem reduzidas as suas condições de funcionamento. � Fragilidade: refere-se à possibilidade de o mate- rial perder seu estado original com facilidade, caracterizando-se pela irrecuperabilidade e/ou perda de sua identidade. � Perecibilidade: quando o material se deterio- ra ou perde sua característica normal de uso, devido a modificações químicas e/ou físicas. � Incorporabilidade: quando o material se destina a incorporação a outro bem, não possibilitando a sua retirada sem prejudicar as características do bem principal. � Transformabilidade: quando o material foi adquirido para fim de transformação, ou seja, através do processo produtivo, o item adquiri- do transforma-se em outro diferente bem. � Ex.: Cadeira, mesa, impressora. Devido à grande incidência em concursos públi- cos, vamos nos aprofundar no controle dos bens tan- gíveis, mais especificamente, aos bens permanentes. Particularmente, os bem móveis e as atividades de controle patrimonial são relacionados com o processo abaixo: Recepção Incorporação Conservação Desfazimento Guarda z Recebimento do item material z Tombamento z Transferência e/ou Movimentação z Transferência e/ou Movimentação z Alienação (Baixa de bens) Nesse sentido, para fins didáticos, podemos rela- cionar as atividades e medidas administrativas per- tencentes ao controle patrimonial dos bens móveis em três tempos cronológicos: entrada na organização, alocações internas e saída final. Para facilitar o entendimento, compilamos essas informações na tabela abaixo: TEMPO ATIVIDADE MEDIDA ADMINISTRATIVA ENTRADA Recebimento Tombamento Incorporação ALOCAÇÕES INTERNAS Guarda e Convervação Transferência Movimentação Saída Desfazimento Alienação (Baixa dos bens) Portanto, ao adquirir um bem móvel (material per- manente), a primeira atividade a ser realizada pelo responsável pelo almoxarifado é o recebimento, ou seja, a verificação se o material entregue corresponde à descrição da nota fiscal e da ordem de compra. No caso de as verificações anteriores estarem dentro das especificações, chegou o momento de incorporar o material recebido ao patrimônio da organização. Essa medida administrativa de incorpo- rar o bem no patrimônio da organização é chamado de tombamento. TOMBAMENTO DE BENS O tombamento nada mais é do que a incorporação do bem móvel (material permanente) ao patrimônio 432 da organização, mediante a gravação e fixação de uma plaqueta (ou etiqueta), contendo um número de registro patrimonial sequencial. O número de registro patrimonial informa as características físicas do bem, o valor de aquisição e data da incorporação. A atividade de tombamento na Administração Pública Federal está regulamentada na Instrução Nor- mativa nº 205/1988 (SEDAP): 7.13. Para efeito de identificação e inventário os equipamentos e materiais permanentes receberão números sequenciais de registro patrimonial. 7.13.1. O número de registro patrimonial deverá ser aposto ao material, mediante gravação, fixação de plaqueta ou etiqueta apropriada. Abaixo, temos alguns modelos de plaqueta de tom- bamento utilizadas na Administração Pública: Fonte: FAZAN Etiquetas e Brindes. Disponível em: . Acesso em 23 de 09 de 2020. Fonte: FAZAN Etiquetas e Brindes. Disponível em: . Acesso em 23 de 09 de 2020. Cada material permanente incorporado tem um número de registro patrimonial único. Em regra, todos os materiais permanentes devem ser tombados na esfera Pública, mas, caso o custo de controle seja superior ao seu benefício, devem ser preferencialmente considerados materiais de consu- mo, controlados de forma simplificada. Um exemplo clássico de material permanente que não necessita ser tombado é o caso da “lixeira de plástico de mesa”, pois, nesse caso, o custo de controle é superior ao benefício. Ainda, a Instrução Normativa nº 205/1988 (SEDAP), estabelece mais um modo de aposição do registro patrimonial ao material permanente: Para o material bibliográfico, o número de registro patrimonial poderá ser aposto mediante carimbo. E por qual razão deve-se “tombar” um bem permanente? Além das obrigações contábeis, o tombamento implica maior possibilidade de controle, através da realização dos inventários. INVENTÁRIO FÍSICO O inventário físico é uma poderosa ferramenta de controle dos estoques e do ativo imobilizado. Uma empresa organizada tem claramente defini- das suas políticas e procedimentos de controle, dessa maneira é essencial registrar toda a movimentação dos recursos materiais para obter a maior precisão em seus estoques. Neste sentido, o inventário físico é um instrumento crucial nesse controle. Podemos definir inventário físico como sendo uma contagem periódica dos materiais existentes para efeito de comparação com os estoques registrados e contabilizados no sistema gerencial, a fim de se com- provar sua existência e exatidão. É importante você saber que as conferências dos materiais não se limitam aos almoxarifados, também são realizadas as contagens dos itens materiais em todas as áreas da organização, tais como: seções, salas de reuniões e departamentos. Outra definição importante de inventário para provas de concursos é a apresentada na Instrução Normativa nº 205/1988 da Secretária de Administração Pública, vejamos: Inventário físico é o instrumento de controle para a verificação dos saldos de estoques nos almoxari- fados e depósitos, e dos equipamentos e materiais permanentes, em uso no órgão ou entidade. Assim, constatamos que, periodicamente, a empre- sa deve efetuar contagens físicas de seus itens de esto- que e materiais permanentes para verificar: z Discrepâncias de valor, entre o estoque físico e o registro de estoque contábil. z Discrepâncias de quantidade, entre o estoque físi- co e o registro de estoque contábil. z Apuração do valor total do estoque (contábil) para efeito de balanços ou balancetes. Como e quando fazer o inventário? A literatura especializada apresenta dois modos de operacionalizar o inventário físico: Inventário Rotativo Distribui as contagens dos itens materiais, em quantitativos menores, ao longo do ano. Sintetizando, é o levantamento rotativo, contínuo e seletivo dos materiais realizado durante todo o ano, com isso, reduzindo a duração unitária da operação e dando melhores condições de análise de ajustes. Sua principal vantagem, é que através da elabora- ção de um cronograma,não provoca a paralisação das atividades da organização e ao mesmo tempo inclui a contagem de todos os itens durante o ano fiscal. Inventário Periódico Efetuados em determinado período, abrangem a contagem de todos os itens de estoque de uma só vez. São operações de duração relativamente prolon- gada, que, por incluir quantidade elevada de itens, impossibilitam as reconciliações, análise das causas de divergências e ajustes na profundidade. Quando realizados no encerramento do exercício fiscal, o inventário é chamado de geral, ou ainda anual. Neste caso, é a famosa expressão “fechado para balanço”. A expressão “fechado para balanço” refere-se quando o estabelecimento (ou no nosso caso o almo- xarifado) interrompe as suas atividades por deter- minado período de tempo para fazer a contagem de todos os itens materiais, objetivando o acerto do N O Ç Õ ES D E R EC U R SO S M AT ER IA IS 433 estoque (atualizando os furos, as sobras, as perdas). Nesse período de parada, nenhuma movimentação de material deve ser realizada, até que se conclua a contagem. Dica Atualmente, para esse período de “fechado para balanço”, também é utilizado a expressão no idio- ma inglês “Cut Off” (marco de interrupção tem- porária do fluxo de entrada e saída de materiais). A principal desvantagens do inventário periódico é a necessidade de paralisação de todo o processo ope- racional da organização. INVENTÁRIO ROTATIVO PERIÓDO z Contínuo e seletivo z Cronograma de trabalho z Não necessita paralisação z Contagem em determinado z Geral (no final do exercício fiscal) z Paralisa o processo operacional z “Fechado para balanço” Especificamente para Administração Pública, o Governo Federal, através da Instrução Normativa nº 205/1988 (SEDAP), apresentou os seguintes objetivos do inventário físico: z O ajuste dos dados escriturais de saldos e movi- mentações dos estoques com o saldo físico real nas instalações de armazenagem; z A análise do desempenho das atividades do encar- regado do almoxarifado através dos resultados obtidos no levantamento físico; z O levantamento da situação dos materiais estoca- dos no tocante ao saneamento dos estoques; z O levantamento da situação dos equipamentos e materiais permanentes em uso e das suas necessi- dades de manutenção e reparos; e z A constatação de que o bem móvel não é necessá- rio naquela unidade. Para alcançar os objetivos propostos acima e res- peitando as particularidades da Administração Públi- ca, a mesma Instrução Normativa nos apresenta os tipos de inventários físicos: z Anual - destinado a comprovar a quantidade e o valor dos bens patrimoniais do acervo de cada unidade ges- tora, existente em 31 de dezembro de cada exercício - constituído do inventário anterior e das variações patrimoniais ocorridas durante o exercício. z Inicial - realizado quando da criação de uma uni- dade gestora, para identificação e registro dos bens sob sua responsabilidade; z De transferência de responsabilidade - realizado quan- do da mudança do dirigente de uma unidade gestora; z De extinção ou transformação - realizado quando da extinção ou transformação da unidade gestora; z Eventual - realizado em qualquer época, por ini- ciativa do dirigente da unidade gestora ou por ini- ciativa do órgão fiscalizador. z Por amostragens - para um acervo de grande por- te. Esta modalidade alternativa consiste no levan- tamento em bases mensais, de amostras de itens de material de um determinado grupo ou classe, e inferir os resultados para os demais itens do mes- mo grupo ou classe. Após a realização do inventário físico, as informa- ções coletadas são compiladas no chamado inventário analítico, que figurarão os seguintes dados para a per- feita caracterização do material: z Descrição padronizada; z Número de registro; z Valor (preço de aquisição, custo de produção, valor arbitrado ou preço de avaliação); z Estado (bom, ocioso, recuperável, antieconômico ou irrecuperável); z Outros elementos julgados necessários. BAIXA DE BENS PATRIMONIAIS A baixa de bens materiais é a retirada contábil do acervo patrimonial, fazendo com que o bem deixe de fazer parte do ativo imobilizado da organização. Esse bem pode ser retirado do patrimônio por motivo de alienação (venda, permuta ou doação) ou por outro motivo de baixa (o esgotamento pelo uso, perda, roubo, extravio, obsolescência). Alienação é a operação de transferência do direito de propriedade do bem, mediante venda, permuta ou doação. O termo de baixa de bens é o documento que efeti- va a baixa patrimonial no sistema, devendo conter os seguintes dados: z O número do tombamento; z Descrição; z Forma de baixa; z Motivo de baixa; z Data de baixa; z Número da Portaria ou Termo de Baixa. O número patrimonial de baixa não poderá ser reutilizado, servindo de controle para futuras audito- rias. Caso o item seja reincorporado, o mesmo número é restituído ao mesmo bem. O encarregado pela baixa do bem no sistema patri- monial encaminhará o termo de baixa dos bens para o setor de contabilidade, para a atualização do patri- mônio da organização. Em se tratando de bens públicos, consoante ao determinado no artigo 17 da Lei Geral de Licitações (Lei nº 8.666/1993), a alienação de bens (móveis e imóveis) da Administração Pública, além da obriga- tória subordinação à existência de interesse público devidamente justificado, deverá ser precedida de ava- liação e, quando imóveis, dependerá também de auto- rização legislativa. Transcrevo abaixo os principais pontos do artigo 17 da Lei nº 8.666/1993 (grifos meus): Art. 17 A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à existência de interesse público devidamente justificado, será precedida de avaliação e obedecerá às seguintes normas: 434 I - quando imóveis, dependerá de autorização legislativa para órgãos da administração direta e entidades autárquicas e fundacionais, e, para todos, inclusive as entidades paraestatais, dependerá de avaliação prévia e de licitação na modalidade de concorrência dispensada esta nos seguintes casos: a) dação em pagamento; b) doação, permitida exclusivamente para outro órgão ou entidade da administração pública, de qualquer esfera de governo, ressalvado o disposto nas alíneas f, h e i; c) permuta, por outro imóvel que atenda aos requi- sitos constantes do inciso X do art. 24 desta Lei; d) investidura; e) venda a outro órgão ou entidade da administra- ção pública, de qualquer esfera de governo; f) alienação gratuita ou onerosa, aforamento, con- cessão de direito real de uso, locação ou permissão de uso de bens imóveis residenciais construídos, destinados ou efetivamente utilizados no âmbito de programas habitacionais ou de regularização fun- diária de interesse social desenvolvidos por órgãos ou entidades da administração pública; g) procedimentos de legitimação de posse de que trata o art. 29 da Lei no 6.383, de 7 de dezembro de 1976, mediante iniciativa e deliberação dos órgãos da Administração Pública em cuja competência legal inclua-se tal atribuição; h) alienação gratuita ou onerosa, aforamento, con- cessão de direito real de uso, locação ou permissão de uso de bens imóveis de uso comercial de âmbito local com área de até 250 m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) e inseridos no âmbito de pro- gramas de regularização fundiária de interesse social desenvolvidos por órgãos ou entidades da administração pública; i) alienação e concessão de direito real de uso, gra- tuita ou onerosa, de terras públicas rurais da União e do Incra, onde incidam ocupações até o limite de que trata o § 1º do art. 6º da Lei no 11.952, de 25 de junho de 2009, para fins de regularização fundiária, atendidos os requisitos legais; e II - quando móveis, dependerá de avaliação prévia e de licitação, dispensada esta nos seguintes casos: a) doação, permitida exclusivamente para fins e uso de interesse social, após avaliação de sua opor- tunidade e conveniênciasocioeconômica, relativa- mente à escolha de outra forma de alienação; b) permuta, permitida exclusivamente entre órgãos ou entidades da Administração Pública; c) venda de ações, que poderão ser negociadas em bolsa, observada a legislação específica; d) venda de títulos, na forma da legislação pertinente; e) venda de bens produzidos ou comercializados por órgãos ou entidades da Administração Pública, em virtude de suas finalidades; f) venda de materiais e equipamentos para outros órgãos ou entidades da Administração Pública, sem utilização previsível por quem deles dispõe(...). No quadro abaixo, sintetizamos os principais requi- sitos necessários para a alienação de bens móveis e imóveis: z Bens Imóveis � Autorização Legislativa � Interesse público � Avaliação prévia � Licitação(Concorrência ou leilão) z Bens Móveis � Interesse público � Avaliação prévia � Licitação OUTRAS FORMAS DE MOVIMENTAÇÃO DE BENS MATERIAIS Temos algumas hipóteses em que o bem material se movimenta internamente na Administração Públi- ca. Nesse caso, não se pode falar em baixa patrimonial, pois o bem ainda continua pertencente a Administração pública e somente se movimentou para outra localidade. Os tipos de movimentação de bens materiais mais cobrados em concursos públicos são: z Transferência: ocorre quando o bem material é transferido para outro setor dentro do órgão origi- nal (Ex.: uma cadeira do setor de Recursos Huma- nos foi transferida para o setor Financeiro). z Cessão: ocorre quando o bem material é enviado para outro órgão ou entidade pública. (Ex.: uma impressora é enviada do Ministério da Economia para o Ministério do Meio Ambiente). z Recolhimento: ocorre quando o bem material é movimentado para o depósito do patrimônio, quando perder sua utilização (Ex.: uma mesa (mui- to gasta e antiga) do setor de contabilidade perdeu sua utilidade devido a aposentadoria de um servi- dor, assim o chefe da seção envia para o depósito do patrimônio para posterior alienação). z Redistribuição: É o contrário do recolhimento! Ocorre quando o item material é enviado do depó- sito de patrimônio para algum outro setor do órgão (Ex.: a mesma mesa do exemplo anterior, que se encontra no depósito de patrimônio, é enviada para o setor financeiro. EXERCÍCIOS COMENTADOS 1. (QUADRIX – 2019) Acerca de administração do patri- mônio, de materiais e de logística, julgue o item. O inventário de extinção ou transformação é utilizado quando o material inventariado se destinar a baixa no patrimônio público. ( ) CERTO ( ) ERRADO O inventário de extinção ou transformação é reali- zado mediante a extinção ou transformação da uni- dade gestora. Resposta: Errado. 2. (CESPE-CEBRASPE – 2013) Acerca de gestão patri- monial, julgue o item a seguir. Uma vez alienado por uma organização pública, o bem deve receber baixa do patrimônio e não poderá ter seu número de tombamento atribuído a outro material. ( ) CERTO ( ) ERRADO Exatamente! A alienação é a operação de transferên- cia do direito de propriedade do material, mediante venda, permuta ou doação. O número patrimonial continua vinculado ao bem baixado para fins de controle. Resposta: Certo.