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Impresso por Giovana Moraes, E-mail giovanamooraes@gmail.com para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por
direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 27/03/2025, 11:44:41
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atuam em sua responsabilidade individual, portanto, com independência em relação aos países dos 
quais são provenientes".(LIMA JR, 2002, p. 31) 
 
Mecanismos Não Convencionais: previstos por resoluções dos órgãos, no bojo da Carta das Nações 
Unidas, consistem em procedimentos fundados em dispositivos genéricos referentes a 'direitos humanos' 
da Carta da Organização das Nações Unidas.(RAMOS, 2013, p. 107) Contam com fundamentação 
decorrente da Declaração Universal de Direitos de 1948, cuja qual elencou, precisamente, quais seriam 
os direitos genericamente considerados na Carta da ONU: direitos e liberdades pessoais; direitos do 
indivíduo e seu relacionamento com a sociedade que faz parte; liberdades pessoais e direitos 
políticos; e direitos econômicos, sociais e culturais. Diferentemente dos mecanismos convencionais, 
há uma vinculação obrigatória aos participantes da Organização das Nações Unidas, não havendo, de 
fato, convenções específicas para se aludir a proteção e a submissão do Estado. 
 
A tutela dos direitos humanos, na estrutura da ONU, encontra respaldo em dois órgãos especializados –
Conselho de Direitos Humanos e Alto Comissariado em Direitos Humanos , agindo conjuntamente a –
três de seus principais órgãos, quais sejam: (I) Assembleia Geral; (II) Conselho Econômico e Social 
(ECOSOC); (III) Tribunal Internacional de Justiça. 
 
2. A PROTEÇÃO REGIONAL DOS DIREITOS HUMANOS 
 
A partir de um cenário de catástrofe, fruto da Segunda Guerra Mundial, o Direito Internacional tratou de 
multiplicar as esferas de proteção internacional dos direitos humanos, contando com o aparecimento da 
proteção universal e de outros sistemas de proteção regionais, compatibilizando-os a partir do princípio 
da norma mais favorável à vítima. 
 
Atualmente, constata-se a existência de três sistemas regionais de proteção direitos humanos: europeu, 
interamericano e africano. 
 
Questão 21. Em dezembro de 2014, a sul-africana Urmila Bhoola, relatora especial das Nações Unidas 
sobre as formas contemporâneas de escravidão, declarou que "pelo menos 20,9 milhões de pessoas 
estão sujeitas a formas modernas de escravidão, que atingem principalmente mulheres e crianças". A 
relatora da ONU, para fazer tal afirmação, considerou o conceito de escravidão presente na Convenção 
Suplementar sobre a Abolição da Escravatura, do Tráfico de Escravos e das Instituições e Práticas 
Análogas à Escravatura adotada em Genebra, em 7 de setembro de 1956. Assinale a opção que 
apresenta o conceito de escravidão conforme disposto na referida Convenção: 
 
A) Estado ou a condição de um indivíduo sobre o qual se exercem todos ou parte dos poderes atribuídos 
ao direito de propriedade. 
 
Artigo 7º. 
Para os fins da presente Convenção: 
 “Escravidão”, tal como foi definida na Convenção sobre a Escravidão de 1926, é o estado ou a condição 
de um indivíduo sobre o qual se exercem todos ou parte dos poderes atribuídos ao direito de 
propriedade, e “escravo” é o indivíduo em tal estado ou condição 
 
 A escravidão tradicional e as formas análogas contemporâneas constituem graves violações aos direitos 
humanos, que pedem a aplicação de sanções de natureza penal. Do ponto de vista das classes 
subalternas, interessa uma decidida transferência da política criminal para condutas socialmente mais 
nocivas do que aquelas que hoje são criminalizadas e que permanecem imunes ao processo de 
criminalização e de efetiva penalização. Ademais, a criminalização da escravidão e de práticas análogas 
é um dever prescrito aos Estados Partes na Convenção Suplementar de 1956. Finalmente, a escravidão, 
em determinadas condições, é considerada crime contra a humanidade, sujeito a processo e julgamento 
perante o Tribunal Penal Internacional das Nações Unidas, criado em 1998. 
 
B) Situação em que um indivíduo trabalha em condições precárias e não recebe seus direitos trabalhistas 
de modo pleno e integral. 
C) Relação em que uma pessoa possui o controle físico sobre o corpo de outra pessoa. 
D) Condição por meio da qual uma pessoa se encontra psicologicamente constrangida a cumprir as 
ordens que lhe são dadas por terceiros, ainda que tais ordens sejam contrárias aos seus interesses. 
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SISTEMA INTERAMERICANO DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS 
 
O sistema regional interamericano traduz-se de maneira peculiar, haja vista compor-se por normativas 
não atreladas apenas a um único documento e/ou a um único organismo internacional. 
 
Questão 22. Há bastante tempo você tem atuado tanto administrativamente como judicialmente para 
conseguir um tratamento de saúde especializado para o seu cliente. Diante da morosidade injustificada 
enfrentada, seja na administração pública seja no processo judicial, você está avaliando a possibilidade 
de ingressar com petição individual de seu cliente na Comissão Interamericana de Direitos Humanos. 
Assinale a opção que melhor expressa suas possibilidades, tendo em vista a Convenção Americana 
sobre Direitos Humanos e o Protocolo de São Salvador. 
 
A) Você não pode entrar com a petição individual de seu cliente na Comissão Interamericana de Direitos 
Humanos, até que sejam esgotados todos os recursos da jurisdição interna do Brasil. 
B) Você pode entrar com a petição individual de seu cliente na Comissão Interamericana de Direitos 
Humanos, desde que demonstre que está havendo uma demora injustificada na prestação dos recursos 
da jurisdição interna. 
C) Você pode entrar com a petição individual de seu cliente na Comissão Interamericana de Direitos, 
desde que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos na Convenção Americana sobre Direitos 
Humanos, pois embora o direito à saúde não esteja previsto na própria Convenção, o Protocolo de São 
Salvador torna possível o uso deste meio de proteção mesmo no caso do direito à saúde. 
D) Você, para encaminhar uma petição individual para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, 
deve respeitar os requisitos de admissibilidade e que o direito violado esteja previsto na própria 
Convenção ou, alternativamente, que seja um meio de proteção autorizado pelo Protocolo de São 
Salvador, o que não é o caso do direito à saúde. 
 
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos tem como uma de suas funções o recebimento de 
petições e comunicações por parte de Estados, indivíduos, grupo de indivíduos ou organizações 
internacionais denunciando violações de direitos humanos praticadas por Estados Partes na Convenção 
Americana de Direitos Humanos (CADH) (arts. 44 e 45). Essa provocação feita à Comissão deverá 
passar por uma análise de suas condições para que possa se transformar em caso, ocorrendo, em 
seguida, seu processamento, estabelecidos no art. 46 da CADH 
 
É, portanto, necessário: a) que haja o prévio esgotamento dos recursos internos; b) que a petição seja 
apresentada dentro do prazo de seis meses a partir do recebimento da notificação anunciando a decisão 
final dos processos internos; c) que não exista litispendência internacional; e d) que no caso de 
apresentação de comunicação por pessoas privadas, e não por Estados, a petição contenha a 
qualificação da pessoa ou pessoas que a apresentarem. 
 
Praticar, induzir ou incitar discriminação de qualquer pessoa em razão de sua deficiência agora é crime. 
O avanço foi alcançado a partir da promulgação do Estatuto da Pessoa com Deficiência, sancionado pela 
presidente Dilma Rousseff no dia 6 de julho. Também chamado de Lei Brasileira da Inclusão, o 
documento reúne, além desta proteção, várias necessidades queo Estado e a sociedade precisam suprir 
e garantir para aqueles que possuem alguma dificuldade seja ela motora, de locomoção ou intelectual. O 
estatuto é um marco e daqui para frente o desafio será fazê-lo sair do papel. 
 
D) O caso é típico de colisão de princípios em que, de um lado, está o princípio da dignidade da pessoa 
humana e, do outro, o princípio da liberdade de expressão. Mas não há caracterização de ilícito civil nem 
de ilícito penal. 
 
Neste encadeamento, precisam-se documentos primordiais para a criação dosistema regional 
interamericano, quais sejam: a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem Carta da , a 
Organização dos Estados Americanos, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de 
São José da Costa Rica) Protocolo de São Salvador e o . 
 
Cabe dizer que os documentos internacionais em referência desembocaram na criação do sistema de 
proteção interamericano, traduzindo-se, basicamente, nas estruturas da Organização dos Estados 
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Americanos41 (OEA), sendo esta quem possibilitara a disseminação, a proteção e a eficácia dos direitos 
humanos em âmbito interamericano. 
 
Já em seu artigo inaugural, a Carta da OEA de 1948 prevê esforços para obtenção, entre seus Estados-
membros, de "uma ordem de paz e justiça, para promover sua solidariedade, intensificar sua colaboração 
e defender sua soberania, sua integridade territorial e sua independência". 
 
Questão 20. Você, na condição de advogado(a) comprometido com os Direitos Humanos, foi procurado 
por José, que é paraplégico e candidato a vereador. A partir de denúncia feita por ele, você constatou 
que um outro candidato e desafeto de José, tem afirmado, em programa de rádio local, que não obstante 
José ser boa pessoa, o fato de ser deficiente o impede de exercer o mandato de forma plena, razão pela 
qual ele nem deveria ter a candidatura homologada pelo TRE. Com base na hipótese apresentada, 
assinale a opção que apresenta a resposta que, juridicamente, melhor caracteriza a situação. 
 
A) O problema é político e não jurídico. José deve ser aconselhado a reforçar sua campanha, a 
apresentar suas propostas aos eleitores e mostrar que sempre foi um cidadão ativo, de maneira a 
demonstrar que tem plena condição para o exercício de um eventual mandato, apesar de sua deficiência. 
B) A análise jurídica revela um problema restrito ao campo do Direito Civil. O fato é que o desafeto de 
José não o impediu de candidatar-se, assim não houve discriminação. O procedimento deve ser 
caracterizado apenas como dano moral, uma vez que José teve sua dignidade atacada. 
C) O fato evidencia crime de incitação à discriminação de pessoa em razão de deficiência, com o 
agravante de ter sido cometido em meio de comunicação, independentemente da caracterização ou não 
de dano moral. 
 
A Declaração Universal dos Direitos Humanos assegurou a igualdade entre todos os indivíduos. 
Independente do grupo social ou do modo de ser e agir, todo ser humano tem o direito ao tratamento 
digno e imparcial. 
 
A Constituição Federal do Brasil afirma como objetivo fundamental do país a promoção do bem-estar de 
todas as pessoas, sem discriminações. O Código Penal brasileiro, por sua vez, assegura a punição em 
casos em que essa igualdade de tratamento não é aplicada e, assim sendo, ocorre discriminação. 
 
A Declaração clamou a universalidade dos direitos humanos, apontando, já em seu Preâmbulo, a incidência 
de seus termos apenas pela condição de ser humano, independentemente de sua nacionalidade ou 
cidadania. 
 
Questão 20.Considere o seguinte caso: Em um Estado do norte do Brasil está havendo uma disputa que 
envolve a exploração de recursos naturais em terras indígenas. Esta disputa envolve diferentes 
comunidades indígenas e uma mineradora privada. Como advogado que atua na área dos Direitos 
Humanos, foi-lhe solicitado elaborar um parecer. Nesse caso, é imprescindível se ter em conta a 
Convenção 169 da OIT, que foi ratificada pelo Brasil, em 2002. De acordo com o Art. 2º desta 
Convenção, os governos deverão assumir a responsabilidade de desenvolver, com a participação dos 
povos interessados, uma ação coordenada e sistemática com vistas a proteger os direitos desses povos 
e a garantir o respeito pela sua integridade. Levando-se em consideração esta Convenção e em relação 
ao que se refere aos recursos naturais eventualmente existentes em terras indígenas, assinale a 
afirmativa correta. 
 
A) Os povos indígenas que ocupam terras onde haja a exploração de suas riquezas minerais e do 
subsolo têm direito ao recebimento de parte dos recursos auferidos, mas não possuem direito a participar 
da utilização, administração e conservação dos recursos mencionados. 
 
B) Em caso de a propriedade dos minérios ou dos recursos do subsolo pertencer ao Estado, o governo 
deverá estabelecer ou manter consultas dos povos interessados, a fim de determinar se os interesses 
desses povos seriam 
prejudicados, antes de empreender ou autorizar qualquer programa de prospecção ou exploração dos 
recursos existentes. 
 
41 Mesmo que o sistema interamericano de proteção dos direitos humanos tenha surgido em um momento anterior ao da Organização dos 
Estados Americanos, fora esta última que inaugurou a manifestação política do sistema regional, além de ter aberto a possibilidade de uma 
evolução consistente e segura. 
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A Constituição Federal de 1988 revelou um grande esforço do Constituinte no sentido de preordenar um 
sistema de normas que pudesse efetivamente proteger os direitos e interesses dos índios, dando um 
largo passo à frente na questão indígena ao dispor sobre a propriedade das terras ocupadas pelos 
índios, a competência da União para legislar sobre populações indígenas, autorização congressual para 
exploração em terras indígenas, relações das comunidades indígenas com suas terras, preservação de 
suas línguas, usos, costumes, tradições e crenças (art. 231). A mineração é uma atividade altamente 
impactante e somente poderá ocorrer em terras indígenas desde que obedecidos alguns requisitos 
dispostos na Constituição Federal de 1988, quais sejam: autorização do Congresso Nacional, oitiva das 
comunidades indígenas e participação destas nos lucros e resultados da lavra, lembrando que tais 
requisitos deverão ser regulamentados através de lei ordinária. Os direitos das comunidades indígenas 
gozam de proteção internacional, estando o Brasil, como signatário de Tratados e Convenções já 
ratificados, obrigando-se a respeitá-los sob o risco de ser compelido internacionalmente para tal. 
 
C) A exploração de riquezas minerais e do subsolo em terras ocupadas por povos indígenas é aceitável 
e prescinde de consulta prévia desde que se cumpram os seguintes requisitos: preservação da 
identidade cultural dos povos ocupantes da terra, pagamento de royalties em função dos transtornos 
causados e autorização por meio de decreto legislativo. 
D) Em nenhuma hipótese pode haver a exploração de riquezas minerais e do subsolo em terras 
ocupadas por populações indígenas. 
 
A única peculiaridade que se nota é que, assim como a Declaração Universal, ambos os documentos são 
meras recomendações, com valores morais para os Estados, não contando com força normativa. 
 
Questão 22 Seu cliente possui um filho com algum nível de deficiência mental e, após muito tentar, não 
conseguiu vaga no sistema público de ensino da cidade, uma vez que as escolas se diziamnão 
preparadas para lidar com essa situação. Você já ingressou com a ação judicial competente há mais de 
dois anos, mas há uma demora injustificada no julgamento e o caso ainda se arrasta nos tribunais. 
Diante desse quadro, você avalia a possibilidade de apresentar uma petição à Comissão Interamericana 
de Direitos Humanos. Tendo em vista o que dispõe a Convenção Americana sobre Direitos Humanos e 
seus respectivos protocolos, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Considerando a demora injustificada da decisão na jurisdição interna, você pode peticionar à 
Comissão, pois o direito à Educação é um dos casos de direitos sociais previstos no Protocolo de São 
Salvador, que, uma vez violado, pode ensejar aplicação do sistema de petições individuais. 
 
No caso do direito à educação, o conteúdo do Protocolo de San Salvador reafirma os termos do PIDESC. 
A grande novidade consistiu na criação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos para 
investigar as denúncias, e também da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que deve julgar as 
violações constatadas pela Comissão. Estas duas instâncias são consideradas mecanismos de 
exigibilidade e justiciabilidade , porque permitem a indivíduos, e também a grupos nacionais, recorrerem 
a um tribunal internacional um mecanismo de Justiça para exigir um direito que deve ser concretizado – –
por meio de políticas públicas nacionais. 
 
É importante notar que, até a formulação do Protocolo de San Salvador, as possibilidades de 
exigibilidade e justiciabilidade, em âmbito internacional, eram reservadas aos direitos civis e políticos. 
Este documento determina ainda outras medidas que superam a idéia de incompatibilidade entre os 
mecanismos de monitoramento dos direitos civis e políticos e dos direitos econômicos sociais e culturais. 
 
B) Não obstante a demora injustificada da decisão final do Poder Judiciário brasileiro ser uma condição 
que admite excepcionar os requisitos de admissibilidade para que seja apresentada a petição, o direito à 
educação não está expressamente previsto nem na Convenção, nem no Protocolo de São Salvador 
como um caso de petição individual. 
C) Apenas a Corte Interamericana de Direitos Humanos pode encaminhar um caso para a Comissão. 
Portanto, deve ser provocada a jurisdição da Corte. Se esta entender adequado, pode enviar o caso para 
que a Comissão adote as medidas e providências necessárias para garantir o direito e reparar a vítima, 
se for o caso. 
D) Em nenhuma situação você pode entrar com a petição individual de seu cliente na Comissão 
Interamericana de Direitos Humanos até que sejam 
 
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Quanto à Carta da Organização dos Estados Americanos, previram-se os objetivos e as bases jurídicas 
da nova Organização dos Estados Americanos, tais como o alcance da ordem de paz e justiça nos 
países da América, o fomento da solidariedade, a defesa da soberania, da integridade territorial e da 
independência. Como objetivos centrais destacam-se: o fortalecimento da democracia e da 
governabilidade na região, a paz, a segurança e a busca pela consolidação dos direitos humanos. 
 
Para a proteção dos direitos humanos, a Organização conta primordialmente com dois órgãos: a 
Comissão Interamericana de Direitos Humanos Corte Interamericana de Direitos Humanos e a . 
 
Questão 20. Você, advogado, foi procurado por Maria. Esta relatou que era funcionária de uma 
sociedade empresária e seu empregador lhe disse que ela estava cotada para uma promoção, mas para 
tanto deveria entregar um laudo comprovando que não estava grávida. O empregador ainda afirmou que 
se soubesse, por meio de laudo médico, que ela havia feito algum procedimento que a impedisse de ter 
filhos, teria a certeza de que Maria estaria plenamente dedicada à sociedade empresária, o que seria 
muito favorável a sua carreira. Maria terminou o relato que fez a você, informando que se negou a 
entregar tal laudo e acabou sendo demitida no mês seguinte. Você sabe que o Brasil é signatário da 
Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher. A conduta 
praticada pelo empregador de Maria pode ser caracterizada como 
 
A) ato moralmente reprovável mas plenamente lícito, uma vez que o empregador agiu na sua esfera de 
autonomia e dentro do exercício de seu direito potestativo. 
B) violação à Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, 
porém sem ensejar consequência jurídica de responsabilização do empregador, uma vez que não há 
nenhuma outra lei nacional que proteja a mulher trabalhadora em casos como esse. 
C) abuso de direito que sujeita o empregador, única e exclusivamente, ao pagamento de indenização 
pelo dano moral causado à funcionária. 
D) violação à Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher e, 
também, um crime que pode acarretar ao empregador infrator multa administrativa e proibição de 
empréstimo, além de ser possível a readmissão da funcionária, desde que ela assim deseje. 
 
As Nações Unidas e o sistema interamericano de direitos humanos decidiram adotar Convenções de 
direitos humanos que explicitassem as especificidades de diferentes sujeitos de direitos, como crianças, 
os membros de minorias étnicas e as mulheres. 
Foi neste cenário que foi aprovada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, através da Resolução n. 
34/180, a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a mulher em 18 
de dezembro de 1979, sendo adotada no âmbito do sistema global. Até 24 de novembro de 2004, essa 
Convenção contava com 179 Estados-partes. Conquanto esse dado reflita a ampla adesão dos Estados 
a esta Convenção, esta enfrenta a contradição de ser o instrumento que recebeu o maio número de 
reservas formuladas pelos Estados, dentre os tratados internacionais de direitos humanos. A Convenção 
trata de uma ampla gama de temas relacionados ao reconhecimento da igualdade de direitos entre 
homens e mulheres nas esferas política, econômica, social e familiar, além de reconhecer direitos 
relativos à capacidade civil, à nacionalidade, à seguridade social, à saúde, em especial à saúde 
reprodutiva, à habitação e às condições de vida adequadas, dentre outros. Ao ratificar a Convenção, os 
Estados-partes avocam o compromisso de, gradualmente, eliminar todas as formas de discriminação no 
que tange ao gênero, assegurando a efetiva igualdade entre eles. 
 
1. A CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE DIREITOS HUMANOS (PACTO DE SÃO JOSÉ DA COSTA 
RICA CADH) E SEU PROTOCOLO ADICIONAL (PROTOCOLO DE SÃO SALVADOR) –
 
Os Estados americanos, com a criação da Organização dos Estados Americanos, cooperaram entre si 
para solidificar um ambiente próspero voltado à propagação e consolidação dos direitos humanos. Neste 
enredo, constatou-se a exigência de um documento vinculativo que previsse direitos passíveis de 
proteção no sistema interamericano. Assim, irrompe-se o documento mais importante do sistema 
interamericano de direitos humanos, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos também –
conhecida como Pacto de São José da Costa Rica. 
 
Questão 22. Alguns jovens relataram um caso em que um outro jovem, de origem vietnamita, foi preso 
sob a alegação de tráfico de drogas. O acusado não conhece ninguém no Brasil e o processo penal já se 
iniciou, mas ele não compreende o que se passa no processo por não saber o idioma e pela grande 
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dificuldade de comunicação entre ele e seu defensor. A partir da hipótese apresentada, de acordo com o 
Pacto de São Joséda Costa Rica, assinale a afirmativa correta. 
 
A) O acusado tem direito de ser assistido gratuitamente por tradutor ou intérprete, se não compreender 
ou não falar o idioma do juízo ou tribunal. 
 
Conforme o artigo 8.2.a da Convenção Americana de Direitos Humanos, de 1969, durante o processo, 
toda pessoa tem direito a garantias mínimas, entre elas o “direito do acusado de ser assistido 
gratuitamente por um tradutor ou intérprete, caso não compreenda ou não fale a língua do juízo ou 
tribunal“. 
Embora o artigo 193 do CPP só cuide do direito ao intérprete durante o interrogatório (“Quando o 
interrogando não falar a língua nacional, o interrogatório será feito por meio de intérprete”), é evidente 
que o acusado tem direito de plena ciência da acusação e de todos os atos do processo. Se não 
entender a língua portuguesa, o juiz deve providenciar a tradução dos atos e termos. A garantia prevista 
na CADH estende-se por todo o processo; isto é, durante ele. 
 
B) O acusado tem que garantir por seus próprios meios a assistência de tradutor ou intérprete, mas tem 
o direito de que os atos processuais sejam suspensos até que seja providenciado o intérprete. 
C) A investigação e o processo penal somente poderão acontecer quando o acusado tiver assistência 
consular de seu país de origem. 
D) O Pacto de São José da Costa Rica não dá ao acusado o direito de ser assistido por um intérprete 
providenciado pelo Estado signatário ou de ter algum rito especial no processo. 
 
Segundo suas características, a Convenção vem a ser um tratado para a proteção regional dos direitos 
humanos, possibilitando que todos os Estados- membros da OEA sejam também partes da Convenção 
Americana. Por conseguinte, vale a ressalva: os Estados-membros da OEA não serão, necessariamente, 
parte da Convenção Americana de Direitos Humanos, tendo em vista ser esta documento autônomo. 
 
A partir de então, verifica-se função dúplice à Comissão Interamericana de Direitos Humanos: em primeiro 
plano, deverá examinar se o Estado é parte apenas da Carta da OEA, fiscalizando somente o cumprimento 
deste documento; uma segunda hipótese é o Estado ser membro da OEA e, igualmente, parte da Convenção 
Americana, podendo, então, analisar petições individuais e propor ações na Assembleia Geral da OEA ou 
na Corte Interamericana de Direitos Humanos (caso o Estado tenha, também, reconhecido a 
competência jurisdicional da Corte). 
 
Questão 21. Maria deu entrada em uma maternidade pública já em trabalho de parto. Contudo, a falta de 
pronto atendimento levou a óbito tanto Maria quanto o bebê. Você foi contratado(a) pela família de Maria 
para advogar neste caso de grave violação de Direitos Humanos. Após algumas rápidas pesquisas na 
Internet, o pai e a mãe de Maria pedem que o caso seja imediatamente encaminhado para julgamento na 
Corte Interamericana de Direitos Humanos. Você, como advogado(a) da família, deve esclarecer que 
A) É uma ótima ideia e vai peticionar para que o caso seja submetido à decisão da Corte, bem como 
tomar todas as providências para que o caso seja julgado o mais cedo possível. 
B) Apesar de ser uma boa ideia, é necessário aguardar que hajam sido interpostos e esgotados os 
recursos de jurisdição interna para que a família possa submeter o caso à decisão da Corte. 
C) Não é possível a família encaminhar o caso à Corte, pois somente os Estados Partes da Convenção 
Americana de Direitos Humanos e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos têm direito de 
submeter um caso à decisão da Corte. 
 
De acordo com a Convenção Americana, só os Estados Partes e a Comissão têm direito a submeter um 
caso à decisão da Corte. Em consequência, o Tribunal não pode atender petições formuladas por 
indivíduos ou organizações. Desta maneira, os indivíduos ou organizações que considerem que existe 
uma situação violatória das disposições da Convenção e desejem acudir ao Sistema Interamericano, 
devem encaminhar suas denúncias à Comissão Interamericana, a qual é competente para conhecer de 
petições que lhe apresente qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não governamental 
legalmente reconhecida que contenham denúncias ou queixas de violação da Convenção por um Estado 
Parte. 
 
D) Não é possível que o caso seja encaminhado para decisão da Corte porque, embora o Brasil seja 
signatário da Convenção Americana dos Direitos Humanos, o país não reconheceu a jurisdição da Corte. 
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O propósito da Convenção já vem elencado em seu preâmbulo: consolidar, neste Continente, dentro do 
quadro das instituições democráticas, um regime de liberdade pessoal e de justiça social, fundado no 
respeito dos direitos essenciais do homem. 
 
Questão 20. Em relação ao direito de liberdade de pensamento e expressão, a Convenção Americana 
sobre os Direitos Humanos, devidamente ratificada pelo Estado brasileiro, adotou o seguinte 
posicionamento: 
 
A) vedou a censura prévia, mas admite que a lei o faça em relação aos espetáculos públicos apenas 
como forma de regular o acesso a eles, tendo em vista a proteção moral da infância e da adolescência. 
 
Os organismos internacionais de direitos humanos entendem que a liberdade de expressão pode ser 
limitada para proteger crianças e adolescentes. O próprio artigo 13.4 da Convenção Americana de 
Direitos Humanos estabelece que “a lei pode submeter os espetáculos públicos a censura prévia, com o 
objetivo exclusivo de regular o acesso a eles, para proteção moral da infância e da adolescência” 
Cabe esclarecer que o modelo de classificação adotado pelo Brasil foi se aperfeiçoando ao longo dos 
anos e no atual regulamento há incentivo para que as próprias emissoras apresentem uma auto 
classificação e partir disto se vinculem ao que foi classificado. Além disso, a indicação é dirigida somente 
para espetáculos, não incidindo sobre o conteúdo jornalístico. 
 
B) vedou a censura prévia em geral, mas admite que ela ocorra expressamente nos casos de 
propaganda política eleitoral, tendo em vista a proteção da ordem pública e da segurança nacional. 
C) admitiu a censura prévia em geral, tendo em vista a proteção da saúde e da moral públicas, mas a 
veda expressamente nos casos de propaganda eleitoral, a fim de assegurar a livre manifestação das 
ideias políticas. 
D) admitiu a censura prévia como forma de assegurar o respeito aos direitos e à reputação das demais 
pessoas. 
 
Concentrando-se em sua estrutura, está dividida em três partes, com onze capítulos, em um total de 82 
artigos. Em sua Parte I estão os direitos e deveres impostos aos Estados, chamados de Deveres dos 
Estados e Direitos Protegidos. Já em sua Parte II encontram-se os mecanismos de proteção, prevendo a 
existência de órgãos para tanto, como a Comissão e a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Na 
Parte III estão as disposições finais e transitórias, tratando sobre assinatura, ratificação, emenda, 
reserva, denúncia e protocolo. 
 
Na elocução da Convenção Americana de Direitos Humanos verifica-se a influência do Pacto 
Internacional dos Direitos Civis e Políticos, de 1966, e da Convenção Europeia de Direitos Humanos, de 
1950. Quanto ao primeiro deles, fica clara a preferência da Convenção Americana pela proteção dos 
direitos civis e políticos, deixando para a normativa interna dos Estados a adoção dos direitos. 
 
A Convenção Americana não tratou, especificamente, dos direitos econômicos, sociais e culturais. Assim, 
no 18.o Período Ordinário de Sessões, em novembro de 1988, a Assembleia Geral da OEA, baseando-se nos 
trabalhos da Comissão, adotou o Protocolo Adicional à Convenção Americana Sobre Direitos Humanos 
em Matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, conhecido como Protocolo de São Salvador. 
 
Logo em seu preâmbulo, observa-se claramente a aproximação dediferentes grupos de direitos direitos –
civis, políticos, econômicos, sociais e culturais , quando narra que "porquanto as diferentes categorias –
de direitos constituem um todo indissolúvel que encontra sua base no reconhecimento da dignidade da 
pessoa humana, pelo qual exigem uma tutela e promoção permanente [...]". 
 
O Protocolo é composto por 22 artigos, sendo identificados os seguintes temas: (i) obrigações dos 
Estados (arts. 1. a 3. ), (ii) restrições permitidas e proibidas e seu alcance (arts. 4. e 5. ), (iii) direitos o o o o
protegidos (arts. 6. a 18), (iv) meios de proteção (art. 19), disposições finais (arts. 20 a 22). o
 
Destaca-se a presença de outros instrumentos normativos no sistema interamericano, a fim de proteger 
direitos em espécie, tais como: 
a) Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura (1985); 
b) Protocolo Adicional à Convenção Americana de Direitos Humanos, relativo à Abolição da Pena 
de Morte(1990); 
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c) Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher (1994); 
d) Convenção Interamericana sobre Desaparecimento Forçado de Pessoas (1994); 
e) Convenção Interamericana sobre Prevenção, Punição e Erradicação da Violência Contra a 
Mulher (1995). 
 
2. A ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS 
A Organização dos Estados Americanos é, sem dúvidas, a principal organização regional no âmbito da defesa 
dos direitos humanos. Isto se deve ao fato da própria normativa inaugural do sistema interamericano de 
proteção dos direitos humanos advir da Carta constitutiva da OEA. 
 
Os pilares essencias da Organização repousam na , nos , na democracia direitos humanos segurança
e no , interligando-os a uma estrutura aberta ao diálogo político, à cooperação, aos desenvolvimento
instrumentos jurídicos de responsabilização de seus Estados-membros e aos mecanismos de 
acompanhamento que garantam a eficácia desta última. 
 
Caso o Estado infrinja um documento internacional que deveria obediência, cabe reparação mediante os 
meios previstos naquele. A responsabilização, na maior parte dos casos, reside em imposições de cunho 
pecuniário (pagamento de um certo montante, quantificando o ato ilegal praticado pelo Estado) e/ou de 
cunho satisfatório (prevendo-lhe, em suma, obrigações de fazer ou de não fazer). 
 
Entretanto, o sistema interamericano não é composto apenas pela Carta da OEA; é, de fato, um plexo de 
normativas, abrindo caminho para novas formas de proteção dos direitos humanos, conjugando-se a 
possíveis novas configurações de responsabilização dos Estados. 
 
Cabe, neste momento, investigar os principais órgãos que compõem o sistema interamericano de proteção 
dos direitos humanos. 
 
3. COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS (CIDH) 
 
O surgimento da Comisão fora de extrema importância na edificação, dentro do sistema interamericano, 
de uma postura mais séria quanto à proteção dos direitos humanos, findando com a situação de falta de 
órgão próprio para a promoção e a proteção dos direitos humanos. 
 
Seus trabalhos atrelam-se às visitas aos Estados da OEAin loco , visando à observância da situação 
geral dos direitos humanos naqueles territórios.42 A partir destas, surgiram os relatórios especiais 
sobre a situação dos direitos humanos em cada Estado analisado. 
 
Questão 22. Maria é aluna do sexto período do curso de Direito. Por convicção filosófica e política se 
afirma feminista e é reconhecida como militante de movimentos que denunciam o machismo e afirmam o 
feminismo como ideologia de gênero. Após um confronto de ideias com um professor em sala de aula e 
de chamá-lo de machista, Maria é colocada pelo professor para fora de sala e, posteriormente, o mesmo 
não lhe dá a oportunidade de fazer a vista de sua prova para um eventual pedido de revisão da correção, 
o que é um direito previsto no regimento da instituição de ensino. Em função do exposto, e com base na 
Constituição da República, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Maria foi privada de um direito por motivo de convicção filosófica ou política e, portanto, as 
autoridades competentes da instituição de ensino devem assegurar a ela o direito de ter vista de prova e, 
se for o caso, de pedir a revisão da correção. 
 
Houve a violação do art. 5º, inciso VIII, da Constituição a atrair a possibilidade da impetração do 
mandado de segurança contra o reitor da Faculdade seja pública ou particular, que negou a vista da 
prova à aluna: 
 
42 Na leitura de Sean O'Brien e Stefan Hayek. O Sistema Interamericano de direitos humanos e o mecanismo de exame periódico 
universal: sinergias na teoria e na prática, "embora a Comissão Interamericana tenha um interesse legal nos assuntos de direitos humanos 
de todos os Estados-membros da OEA, sua interação com cada Estado depende das suas especificidades em relação aos direitos humanos em 
seu território. Para os Estados menores, os quais tiveram pouca interação com o Sistema Interamericano, a Comissão apresento relatórios como 
parte interessada em dez dos últimos 12 Estados da OEA que tiveram suas práticas de direitos humanos revisadas [...]". (O'BRIEN, Sean; 
HAYEK, Stefan. O Sistema Interamericano de direitos humanos e o mecanismo de exame periódico universal: sinergias na teoria e na prática. 
In:BAEZ, Narciso Leandro Xavier; CASSEL, Douglass. A realização e a proteção internacional dos direitos humanos fundamentais: 
desafios do século XXI. Joaçaba: Ed. UNOESC, 2011. p.509). 
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Art. 5º..... 
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar 
para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; 
Os dirigentes das instituições particulares de ensino superior também podem figurar no pólo passivo do 
mandamus: 
 
"No caso do writ of mandamus, a competência é fixada em razão da autoridade coatora. Diretor de 
universidade particular, na hipótese de ato de matrícula estudantil, age por delegação do poder público 
federal, deslocando-se, com isso, a competência para a Justiça Federal". (STJ, REsp 603.917/MT, Rel. 
Ministro Francisco Falcão, DJ de 06/12/2004). 
 
B) Houve um debate livre e legítimo em sala de aula e a postura do professor pode ser considerada 
"dura", mas não implicou nenhum tipo de violação de direito de Maria. 
C) Embora tenha havido um debate acerca de uma questão que envolve convicção filosófica ou política, 
não houve privação de direito já que a vista de prova e o eventual pedido de revisão da correção está 
contido apenas no regimento da instituição de ensino e não na legislação pátria. 
D) A solução do impasse instaurado entre a aluna e o professor somente pode acontecer mediante o 
diálogo entre as duas partes, em que cada um considere seus eventuais excessos, uma vez que o que 
houve foi um mero desentendimento e não uma violação de direito por convição filosófica ou política. 
 
Com a entrada em vigor da Convenção Americada de Direitos Humanos, em 1978, a Comissão 
acumulou duas funções: 1) atribuições unicamente políticas e diplomáticas para os Estados-
membros da OEA que não se tornaram partes da Convenção atribuições políticas, ; 2) 
diplomáticas e para os Estados-membros da OEA e que também ratificaram a quase judiciais
Convenção. Assim, funciona como órgão de supervisão no cumprimento da Convenção, além de todas 
as suas outras competências. 
 
Com a insurgência da Convenção Americana, averiguou-se,no sistema interamericano, diferentes tratos 
normativos: a Comissão atua de maneira diversa naqueles Estados-membros apenas da OEA sendo, –
neste caso, órgão da referida Organização , e com funções mais amplas quando o Estado, além de –
parte da Organização, integra a Convenção. 
 
Questão 21. João e Maria são casados e ambos são deficientes visuais. Enquanto João possui visão 
subnormal (incapacidade de enxergar com clareza suficiente para contar os dedos da mão a uma 
distância de 3 metros), Maria possui cegueira total. O casal tentou se habilitar ao processo de adoção de 
uma criança, mas foi informado no Fórum local que não teriam o perfil de pais adotantes, em função da 
deficiência visual, uma vez que isso seria um obstáculo para a criação de um futuro filho. Diante desse 
caso, assinale a opção que melhor define juridicamente a situação. 
 
A) A informação obtida no Fórum local está errada e o casal, a despeito da deficiência visual, pode 
exercer o direito à adoção em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, conforme previsão 
expressa na legislação pátria. 
 
LEI Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015.é a lei que com maior abrangência dispõe sobre as questões 
atinentes à pessoa portadora de deficiência. Estabelece normas gerais que asseguram o exercício dos 
direitos dos portadores de deficiência e sua integração social, institui a tutela jurisdicional de interesses 
coletivos ou difusos dessas pessoas, disciplina a atuação do Ministério Público, define crimes e dispõe 
sobre a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência 
Define o Art. 4o : Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais 
pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação. 
A Lei garante aos portadores de deficiência a atenção governamental às suas necessidades e define a 
matéria como obrigação nacional a cargo do poder público e da sociedade .Segundo dispõe, cabe ao 
poder público e seus órgãos assegurar-lhes o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive dos 
direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à previdência social, ao amparo à infância e à 
maternidade, e de outros que, decorrentes da Constituição e das leis, propiciem seu bem-estar pessoal, 
social e econômico. 
 
B) A informação prestada no Fórum está imprecisa. Embora não haja previsão legal expressa que 
assegure o direito à adoção em igualdade de oportunidades pela pessoa com deficiência, é possível 
defender e postular tal direito com base nos princípios constitucionais. 
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C )Conforme previsto no Art. 149 do Estatuto da Criança e do Adolescente, cabe ao juiz disciplinar, por 
meio de Portaria, os critérios de habilitação dos pretendentes à adoção. Assim, se no Fórum foi dito que 
o casal não pode se habilitar em função da deficiência é porque a Portaria do Juiz assim definiu, sendo 
esta válida nos termos do artigo citado do ECA. 
D) Como não há nenhuma previsão expressa na legislação sobre adoção em igualdade de 
oportunidades por pessoas com deficiência e os princípios constitucionais não possuem densidade 
normativa para regulamentar tal caso, deve-se reconhecer a lacuna da lei e raciocinar com base em 
analogia, costumes e princípios gerais do direito, conforme determina o Art. 4º da Lei de Introdução às 
Normas do Direito Brasileiro. 
 
Quanto aos Estados ratificantes da Convenção, selecionam-se duas possibilidades: a primeira acerca 
das comunicações interestatais que englobam denúncias de violações dos direitos presentes na 
Convenção; a segunda quanto à possibilidade de recebimento de petições individuais e 
interestatais que aleguem violações de direitos humanos. 
 
Resumidamente, o sistema de petições, perante a Comissão, comporta, essencialmente, três fase: 
apresentação da denúncia, admissibilidade e solução pela Comissão, definindo se o Estado é responsável 
ou não pelas violações alegadas e de que maneira o caso será solucionad seja por intermédio de o –
relatórios da própria Comissão, seja pela apresentação do caso à Corte Interamericana de Direitos 
Humanos. 
 
Atualmente, além de ter plena competência para receber e analisar petições individuais sobre violações 
dos direitos humanos, e para investigar um caso em particular ou a situação geral nos Estados in loco
(gerando relatórios sobre a situação dos direitos humanos naqueles locais), a Comissão poderá, ainda, 
desempenhar as seguintes atividades: 
 
1) estudar o cumprimento dos direitos humanos nos Estados-membros, dispondo de publicações sobre a 
situação de um Estado específico; 
2) valorizar o desenvolvimento dos direitos humanos nos Estados, realizando estudos sobre determinados 
temas; 
3) desenvolver e incentivar conferências e reuniões entre a população e os envolvidos na proteção dos 
direitos humanos, objetivando o aprimoramento de temas relacionados aos direitos humanos nas 
Américas; 
4) propor a adoção de medidas cautelares aos Estados para evitar danos graves e irreparáveis aos 
direitos humanos, podendo, nesse caso, solicitar que a Corte Interamericana requeira "medidas provisionais" 
dos governos; 
5) enviar os casos que julgar necessário à jurisdição da Corte Interamericana, podendo atuar em alguns 
litígios; 
6) consultar a Corte Interamericana para que emita opinião acerca da interpretação da Convenção 
Americana. 
 
Em termos finais, deve ser levada em consideração a mais recente reforma do regulamento da 
Comissão, aprovada em 18 de março de 2013. Fruto da crise entre Brasil e Comissão Interamericana de 
Direitos Humanos por conta da medida cautelar interposta por esta última, embargando a construção –
da Usina de Belo Monte , alguns artigos do Regulamento da Comissão foram drasticamente alterados. –
 
O primeiro deles foi o artigo 25, atinente às medidas cautelares, devendo, de fato, observar uma situação 
verdadeira de violação de direitos humanos para que seja possível a concessão destas no âmbito do 
referido órgão. 
 
Questão 20 O país foi tomado por uma onda de manifestações sociais, que produzem grave e iminente 
instabilidade institucional, de modo que a Presidência da República decretou, e o Congresso Nacional 
aprovou, o estado de defesa no Brasil. Nesse período, você é procurado(a), como advogado(a), para 
atuar na causa em que um casal relata que seu filho, João da Silva, de 21 anos, encontra-se 
desaparecido há cinco dias, desde que foi detido para investigação policial. Os órgãos de segurança 
afirmam não ter informações acerca do paradeiro dele, embora admitam que ele foi interrogado pela 
polícia. Ao questionar o procedimento de interrogatório e buscar mais informações sobre o paradeiro de 
João da Silva junto à Corregedoria da Polícia, você é lembrado de que o país encontra-se sob estado de 
defesa, existindo, nesse caso, restrição a vários direitos fundamentais. Sobre a hipótese apresentada,

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