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PO RT U G U ÊS 17 me confundia com as frases longas e as palavras antigas. O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo do da frase aci- ma está em: a) para que ele não se perca nas nuvens da fantasia. b) Era um homem sem remorso. c) um universo de aventuras insólitas, em que se entrelaçam audácia, absurdo e humor. d) O leitor da obra de Muñoz Machado encontrará tudo. e) ele poderia muito bem se tornar ressentido. 16. (FCC – 2022) Para responder a questão, considere o texto abaixo. Sobre o amor, etc. Dizem que o mundo está cada dia menor. É tão perto do Rio a Paris! Assim é na verdade, mas acon- tece que raramente vamos sequer a Niterói. E alguma coisa, talvez a idade, alonga nossas distâncias sentimentais. Na verdade há amigos espalhados pelo mundo. Antiga- mente era fácil pensar que a vida oferecia uma perspectiva infinita e nos sentíamos contentes achando que um dia esta- ríamos todos reunidos em volta de uma mesa farta e então tudo seria bom. Agora começamos a aprender o que há de irremissível nas separações. Agora sabemos que jamais voltaremos a estar juntos; pois quando estivermos juntos perceberemos que já somos outros e estamos separados pelo tempo perdido na distância. Pode- remos falar, falar, para nos correspondermos por cima des- sa muralha dupla; mas não estaremos juntos; seremos duas outras pessoas, talvez por este motivo, melancólicas. Chamem de tolo ao apaixonado que sente ciúmes quando ouve sua amada dizer que na véspera de tarde o céu estava lindíssimo. Se ela diz “nunca existirá um céu tão bonito assim” estará dando, certamente, sua impressão de momento; há centenas de céus extraordinários. Ele porém, na véspera, esta- va dentro de uma sala qualquer e não viu céu nenhum. Se aca- so tivesse chegado à janela e visto, agora seria feliz em saber que em outro ponto da cidade ela também vira. Mas isso não aconteceu, e ele tem ciúmes. Sente que sua amada foi infiel; ela incorporou a si mesma alguma coisa nova que ele não viveu. Será um louco apenas na medida em que o amor é loucura. É horrível levar as coisas a fundo. O amigo que procura manter suas amizades distantes e manda longas cartas sen- timentais tem sempre um ar de náufrago fazendo um apelo. Naufragamos a todo instante no mar bobo do tempo e do espaço, entre as ondas de coisas de todo dia. Assim somos na paixão do amor, absurdos e tristes. Por isso nos sentimos tão felizes e livres quando deixamos de amar. Que maravilha, que liberdade sadia em poder viver a vida por nossa conta! Sentimo-nos fortes, sólidos e tranquilos. Até que começamos a desconfiar de que estamos sozinhos, trancados do lado de fora da vida. (Adaptado de: BRAGA, R. Melhores crônicas. Global Editora, edição digital) Se acaso tivesse chegado à janela e visto, agora seria feliz em saber que em outro ponto da cidade ela também vira. (5º parágrafo) O tempo verbal destacado expressa a) dúvida. b) oposição. c) hipótese. d) certeza e) habito. 17. (FCC – 2022) Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Brincadeiras de criança Entre as crianças daquele tempo, na hora de formar grupos pra brincar, alguém separava as sílabas enquanto ia rodando e apontando cada um com o dedo: “Lá em ci- ma do pi-a-no tem um co-po de ve-ne-no, quem be-beu mor-reu, o cul-pa-do não fui eu”. Piano? Qual? Veneno? Por quê? Morreu? Quem? Tratava-se de uma “parlenda”*, como aprendi bem mais tarde, mas podem chamar de surrealismo, enigma, senha mágica, charada... Mesmo as nossas cartilhas de alfabetização tinham seus mistérios: uma das lições iniciais era a frase “A macaca é má”, com a ilustração de uma macaquinha espantada e a explora- ção repetida das sílabas “ma” e “ca”. Ponto. Nenhuma história? Por que era má a macaquinha? Depois aprendi que “má maca- ca” é um parequema**. A gente vai ficando sabido e ignorando o essencial. O que, afinal, teria aprontado a má macaquinha da cartilha? A grande poeta Orides Fontela usou como epígrafe de um de seus livros de alta poesia (Helianto, 1973) esta popular qua- drinha de cantiga de roda: “Menina, minha menina, Faz favor de entrar na roda Cante um verso bem bonito Diga adeus e vá-se embora” Ou seja: brincando, brincando, eis a nossa vida resumi- da, em meio aos densos poemas de Orides, a nossa vida, em que cada um de nós se apresenta aos outros, busca dizer com capricho a que veio no tempinho que teve e...adeus. Podem soar fundo as palavras mais inocentes: “ir-se embora”, depois da viva roda... E ir-se embora sem saber mais nada daquele copo de veneno em cima do piano ou da macaquinha da carti- lha, eternamente condenada a ser má. Ir-se embora já ouvindo bem ao longe as vozes das crianças cantando na roda. * parlenda: palavreado utilizado em brincadeiras infantis ou jogos de memorização. ** parequema: repetição de sons ou da sílaba final de uma palavra, no início da palavra seguinte. (Adaptado de: MACEDÔNIO, F. Casos de almanaque, a publicar) As flexões dos verbos e as relações entre seus tempos e modos estão adequadamente observadas na frase: a) Caso não se mantivessem algumas tradições culturais, muitas das brincadeiras infantis teriam deixado de existir e de reviver em nossa memória. b) Ainda que não nos detêssemos muito nas palavras que can- távamos, elas nos remetessem a uma espécie de atmosfera mágica. c) Muitos de nós, leitores de cartilha, talvez supôssemos o que terá ocorrido para se considerar malvada uma tão simpáti- ca macaquinha. d) Se alguém vier para o meio da roda e se dispor a cantar, que nos presenteasse a todos com uns versos bem bonitos. e) No caso de houver interesse em cantar bonito na roda, bastaria que alguém se apresente e já dê início à canção memorizada. 18. (FCC – 2022) Para responder à questão, leia o início do conto “Missa do Galo”, de Machado de Assis. Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela, trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à mis- sa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite. A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Meneses, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas. A segunda mulher, Conceição, e a mãe des- ta acolheram-me bem quando vim de Mangaratiba para o