Prévia do material em texto
CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS DE FORRAGEIRAS Morfologia de Leguminosas e Gramíneas Forrageiras Francisco Cleiton Lima Oliveira1 Geanderson Ferreira Gonçalves1 Lázaro Vieira de Moraes Neto1 Pedro Augusto Lopes Rodrigues1 Weder Nunes Ferreira Junior2 RESUMO Em um sistema de exploração pecuária com base na utilização de pastagens, a planta forrageira assume papel primordial, uma vez que representa a principal e mais barata fonte de alimento para os ruminantes no Brasil, sendo a sua escolha fator determinante para a rentabilidade e sustentabilidade do sistema. O Brasil, país de dimensão continental, contém uma série de biomas diferenciados, o que torna imprescindível a existência de grande número de espécies forrageiras – gramíneas ou leguminosas – para que todos os ecossistemas sejam contemplados quando o objetivo for o estabelecimento. Assim, estudos de fisiologia de plantas forrageiras estão, atualmente, mais voltados a análise dos processos relativos ao crescimento, desenvolvimento, consumo e senescência, cujos resultados permitem uma melhor compreensão do processo de produção de forragem. A revisão foi realizada a fim de obter maiores informações sobre as características morfofisiológicas das plantas forrageiras em função de cada espécie forrageira por meio das práticas de manejo e cultivo. Deste modo, as alterações morfológicas constituem adaptações das plantas forrageiras ao processo de desfolhação, também chamado de resistência ao pastejo Palavras-chave: Ciências Agrárias, sistema de exploração pecuária, espécies forrageiras, ecossistemas, pastagens naturais. ABSTRACT In a livestock exploitation system based on the use of pastures, the forage plant assumes a key role, since it represents the main and cheapest source of food for ruminants in Brazil, and its choice is a determining factor for the profitability and sustainability of the animal. system. Brazil, a country with a continental dimension, contains a series of different biomes, which makes it essential to have a large number of forage species - grasses or legumes - so that all ecosystems are contemplated when the objective is the establishment. Thus, studies of forage plant physiology are currently more focused on the analysis of processes related to growth, development, consumption and senescence, whose results allow a better understanding of the forage production process. The review was carried out in order to obtain more information about the morphophysiological characteristics of forage plants according to each forage species through management and cultivation practices. In this way, the morphological changes constitute adaptations of forage plants to the defoliation process, also called grazing resistance. Key Words: Agricultural Sciences, livestock farming system, forage species, ecosystems, natural pastures. 1 - INTRODUÇÃO O pasto é a principal fonte de alimentação do rebanho bovino nacional, pois constitui fonte de alimentação prática e econômica. Além desse fato, em função das características climáticas, da extensão territorial e da totalidade da colheita do alimento ser realizada pelo próprio animal no momento do pastejo, o Brasil possui um dos menores custos de produção de carne e leite do mundo. Atualmente no Brasil, existe um grande número de gramíneas forrageiras destinadas à alimentação de ruminantes, principalmente bovinos de leite e corte, e ainda há um constante lançamento de novas espécies ou cultivares (Dantas, 2016). No entanto, a grande diversidade edafoclimáticas, opções de plantas forrageiras e grandes extensões em área, dificulta o manejo das pastagens no Brasil, resultando assim a ocorrência de pastagens degradadas ou em estádio de degradação. Dessa maneira, os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta, também conhecidos como sistemas agrossilvipastoris, são alternativas eficientes de uso da terra e na recuperação de pastagens degradadas (LOPES et al., 2018). Ao longo da história, diversos sistemas de classificação de plantas foram elaborados, permitindo a ordenação das espécies em grupos, de acordo com diferentes conjuntos de atributos. Inicialmente, a morfologia externa ou organografia ofereceu a base para identificação dos seres vivos, ao tratar de caracteres de fácil reconhecimento. Posteriormente, a contribuição da anatomia, da genética e da química, aliada a estudos paleontológicos, embriológicos e fitogeográficos, foi relevante para a delimitação e a separação dos grupos atuais. "A sustentabilidade e a produtividade das pastagens tropicais podem ser influenciadas por uma série de fatores, entre eles, a fertilidade do solo e o manejo utilizado. No Brasil, os solos ricos em nutrientes e capazes de sustentar níveis elevados de produção de forrageiras estão cada vez mais disputados pela agricultura, enquanto a pecuária depende crescentemente de solos menos férteis e pouco adequados ao cultivo (Benedetti, 2005)." Assim, a expectativa do uso de leguminosas forrageiras é crescente, em virtude da capacidade de algumas espécies em fixar biologicamente o nitrogênio atmosférico (Giller & Cadisch, 1995). Esse elemento é importante, tanto para as plantas como para a nutrição animal, pois contribui para o aumento da capacidade de suporte da pastagem, prolongando a capacidade produtiva (Cantarutti et al., 2002) e melhorando a qualidade da dieta (Paciullo et al., 2003) e o desempenho animal (Euclides et al., 1998). Outra vantagem das leguminosas é a menor variação estacional no seu valor nutritivo, em comparação a gramíneas forrageiras (Monteiro et al., 1998). "A família das gramíneas (Poaceae ou Gramineae) é uma das principais famílias na divisão Angiospermae e da classe Monocotiledoneae. Essa denominação vem do embrião com um só cotilédone por ocasião da germinação. Nessa família estão as gramas (capins), possuem folhas lineares, flores nuas, e as inflorescências são espigas, panículas e racemos. O fruto é uma cariopse." Figura – 1. Adaptação do diagrama de Chapman & Lemaire (1993), por Sbrissia & Da Silva (2001). Relação entre as principais características morfogênicas e estruturais em dossel de gramíneas tropicais na fase vegetativa Figura – 2. Dinâmica do crescimento de gramíneas e leguminosas do estádio vegetativo ao início da floração e seus respectivos teores (%) de proteína, minerais, fibras e lignina, com a consequente redução na proporção de folhas e aumento na proporção de caules. Fonte: Blaser e Novaes (1990). O manejo de pastagens pode ser caracterizado como o controle das relações do sistema solo-planta-animal visando a maior produção e melhor utilização e persistência das pastagens. Em termos práticos, um animal em pastejo representa a forma mais simples do sistema solo-planta-animal. O solo é a base do sistema e atua como fonte de nutrientes para a pastagem. A planta é a fonte de nutrientes para o animal e atua como modificador das condições físicas e químicas do solo. O animal atua como modificador das condições do solo e da planta. O crescimento e desenvolvimento de espécies forrageiras são influenciados pelas condições de temperatura, de radiação solar e de umidade do solo. Por conseguinte, as práticas de manejo adotadas devem também ser orientada por essas condições. Assim, estudos de fisiologia de plantas forrageiras estão, atualmente, mais voltados a análise dos processos relativos ao crescimento, desenvolvimento, consumo e senescência, cujos resultados permitem uma melhor compreensão do processo de produção de forragem. Figura – 3. Inflorescência em Panicum maximum jacq Fonte: Ruggieri (2014) 1.1 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA E JUSTIFICATIVA DA PESQUISA As pastagens representam a principal e mais barata fonte de alimentos para os ruminantes, mas nem sempre são manejadas de forma adequada, muitas vezes devido à falta de conhecimento sobre suas condições fisiológicas de crescimento e composição nutricional. Manejar uma pastagem de forma adequada significa produzir alimentos em grandes quantidades, além de procurar o máximo valor nutritivo da forragem. No manejo de uma pastagemdeve-se procurar: a) Manter a população e a produtividade das espécies forrageiras existentes na pastagem, visando a utilização uniforme durante o ano. b) Adequar o máximo rendimento e a qualidade da forragem produzida, com base no pastejo controlado, visando à produção econômica por animal e por área. c) Suprir as exigências nutricionais segundo as diferentes categorias de animal e ciclo de produção. d) Manejar adequadamente o complexo solo/planta/animal para produção econômica, tanto para o produtor como para o consumidor, de produtos de origem animal. Nesse contexto, dada a complexidade do ecossistema pastagem, necessita-se cada vez mais a compreensão dos princípios de ecofisiologia que governam o crescimento e desenvolvimento das plantas forrageiras integrada nos sistemas (solo, animal, clima, microrganismos). "Estudos envolvendo características morfogênicas são importantes, pois fornecem informações detalhadas do crescimento vegetal e, se devidamente analisadas, podem propiciar estratégias de manejo que aumentem a eficiência do sistema solo-planta-animal (Gomide et al., 2006). Por outro lado, um maior desenvolvimento radicular pode ajudar no aumento da persistência de leguminosas ao pastejo (Kendall et al.,1994; Matches, 1992), ao passo que o número de nódulos presentes nas raízes é um indicativo da capacidade de fixação biológica de nitrogênio por essas plantas (Xavier et al., 2005). 1.2 OBJETIVO GERAL No Brasil as pastagens são a principal fonte de alimentação para o rebanho bovino, sendo considerada a forma mais economicamente viável de alimentar os animais. Entretanto, as condições climáticas na maior parte do território nacional e um fator limitante para a produção, sendo marcada por uma estacionalidade na produção e redução da qualidade nutricional na estação mais seca do ano (EUCLIDES et al., 1996; HABERMANN et al., 2019). O conhecimento da ecofisiologia é necessário para o desenvolvimento de práticas de manejo consistentes com a capacidade produtiva das plantas forrageiras em um dado ambiente. O objetivo deste trabalho é descrever princípios básicos da fisiologia do crescimento de plantas forrageiras, bem como discutir algumas implicações de resultados de pesquisa recentes no manejo de plantas forrageiras tropicais. 1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Trabalhos recentes com plantas forrageiras tropicais têm demonstrado a importância do processo de pastejo sobre a estrutura do dossel e a produção de forragem, objetivou-se com este trabalho avaliar características morfológicas e produtivas de plantas gramíneas e leguminosas forrageiras. O pastejo é o processo de colheita da forragem diretamente pelo animal, sendo o processo básico de alimentação de animais em sistema de produção baseados em pastagens. Os métodos de pastejo mais usuais são a lotação contínua e a rotativa. Chama-se atenção para se evitar os termos pastejo contínuo e pastejo rotativo. De fato, quando disponibilizamos para o rebanho toda a área de pastagem ou apenas um piquete a cada momento, estamos manipulando a lotação (rebanho) e não o pastejo. O manejo do pastejo é a forma com que se permite aos animais terem acesso à pastagem, ou seja, deve-se adequar a quantidade de animais, o período de ocupação e o período de descanso. O que deve determinar a taxa de lotação e os períodos de ocupação e descanso é o crescimento do capim. 2 - MATERIAIS E MÉTODOS A metodologia baseou-se em buscas bibliográficas no Google Acadêmico e Scielo, fundamentadas em conteúdos qualitativos relacionados ao tema, no intuito de adquirir informações importantes relacionadas. Consulta dos dados disponibilizados em portais de referências com envolvimento direcionado ao produtor rural. Para isto, foi realizada buscas nas bases de dados: Science Direct, Google Acadêmico, Periódicos CAPES e SciELO. Para esta revisão narrativa, de cunho qualitativo, foi utilizada em sua maioria, artigos publicados em revistas científicas nacionais e internacionais, no entanto, abrangeu também dissertações de mestrado, livros, comunicados técnicos e alguns sites relacionados à área de interesse. 3 - RESULTADOS E DISCUSSÃO De maneira geral, a utilização dos conhecimentos acerca dos padrões de crescimento de plantas forrageiras a determinado estímulo tem gerado conhecimentos necessários ao manejo das pastagens tropicais. Adicionalmente, a avaliação destas características frente a diversos fatores estressantes em um ecossistema de pastagem é necessária à compreensão dos mecanismos vegetais envolvidos em cada espécie de planta. Assim, através da avaliação morfogênica de uma planta, é possível conhecer seu padrão de crescimento e correlacionar as relações entre ambiente e resposta vegetal, auxiliando no processo de tomada de decisões sobre o manejo de pastagens. No cenário atual as mudanças climáticas podem apresentar consequências importantes para os produtores e profissionais da área, uma vez, que a produção e altamente dependente das condições meteorológicas, o que poderá afetar a disponibilidade de biomassa e consequentemente a produção animal e subsistência humana (JOYCE et al., 2016). Figura – 4 Produção de forragem em pastos de Panicum maximum BRS Zuri e Panicum maximum BRS Quênia implantados após a cultura da soja em sistema de integração Lavoura-Pecuária (2022) Médias seguidas por letras diferentes diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 10% Fonte: CTC - Setor de Pecuária A integração Lavoura-Pecuária (ILP) e uma pratica que inegavelmente tem se consolidado como excelente opção para diversificação da produção nos ciclos agropecuários. A técnica possibilita a construção do perfil do solo, aumento na produtividade da soja, fornecimento de forragem de qualidade, além de reduzir os riscos de perdas por sazonalidades climáticas. Quando o objetivo da técnica visa maior desempenho animal e, simultaneamente garantir palhada de qualidade, que assegure condições favoráveis para a semeadura da lavoura na safra posterior, especialmente em áreas com solos mais arenosos, temperaturas mais elevadas e pluviosidade reduzida, a busca por novas forrageiras mais produtivas e uma boa alternativa. Diante da escassez de informações sobre o desempenho dessas gramíneas em sistemas de ILP, objetivou-se avaliar as características produtivas, e o desempenho animal em sistema de ILP, utilizando as cultivares Panicum maximum BRS Zuri e o Panicum maximum BRS Quênia. O capim Zuri apresentou maior produção total de forragem e maior produção de folhas em relação ao capim Quênia no sistema ILP, o que resultou em incremento de 48% na produção de arrobas por hectare nos pastos de capim Zuri em relação aos pastos Quênia. 4 - CONCLUSÃO Concluímos então que, morfologia é o estudo das características físicas (estrutura externa) das plantas tem o propósito não apenas biológico, mas de auxiliar nas decisões de manejo da planta forrageira, visto que as características físicas refletem nos componentes de produção (por exemplo: número de perfilhos, número de folhas, tamanho das folhas). Deste modo, as alterações morfológicas constituem adaptações das plantas forrageiras ao processo de desfolhação, também chamado de resistência ao pastejo. Estas correspondem a modificações em: hábito de crescimento, porte, tamanho dos constituintes morfológicos e proporção vegetativa. Sugere-se o desenvolvimento de estudos voltados ao entendimento do crescimento e desenvolvimento das plantas forrageiras sob modificação do manejo de cultivo, possibilitando a recomendação dos melhores sistemas, para obtenção de maiores rendimentos de modo sustentável e com relações solo-planta-animal-atmosfera positivas. 5 - REFERÊNCIAS BENEDETTI, E. Leguminosas na produção de ruminantes nos trópicos. Uberlândia: EDUFO, 2005. 118p. CANTARUTTI, R.B.; TARRÉ, R.M.; MACEDO, R. et al. The effect of grazing intensity and the presence of a forage legume on nitrogen dynamics in Brachiaria pastures in the Atlantic forest region of the South of Bahia, Brazil. Nutrient Cycling in Agroecosystem, v.64, p.257-271, 2002. DIAS,M. B. C.; COSTA, K. A. P.; SEVERIANO, E. C.; BILEGO, U. O.; VILELA, L.; SOUZA, W. F.; OLIVEIRA, I. P.; SILVA, A. C. G. Cattle performance with Brachiaria and Panicum maximum forages in an integrated crop-livestock system. African Journal of Range & Forage Science, P1-14, 2021. GOMIDE, C.A.M.; GOMIDE, J.A.; PACIULLO, D.S.C. Morfogênese como ferramenta para o manejo de pastagens. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 43., 2006, João Pessoa. Anais... João Pessoa: Sociedade Brasileira de Zootecnia, 2006. p.554. JULIER, B.; HUGUET, T.; CHARDON, F. et al. Identification of quantitative trait loci influencing aerial morphogenesis in the model legume Medicago truncatula. Theoretical and Applied Genetic, v.114, p.1391-1406, 2007. KENDALL, W.A.; SHAFFER, J.A.; HILL JR., R.R. Effect of temperature and water variables on the juvenile growth of lucerne and red clover. Grass and Forage Science, v.49, p.264-269, 1994. TEIXEIRA, V.I. Aspectos agronômicos e bromatológicos de leguminosas forrageiras na Zona da Mata Seca de Pernambuco. 2008. 53f. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife. THORNTHWAITE, C. W. An Approach toward a Rational Classification of Climate. Geographical. Review, v. 38, n 1., p. 55- 94, 1948. XAVIER, D.F.; GOMES, F.T.; LÉDO, F.J.S. et al. Eficiência de inoculantes de rizóbio na nodulação de alfafa em solo de cerrado. Revista Brasileira de Zootecnia, v.34, n.3, p.781-785, 2005. 1 Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI – Agronomia (AGN0148) – Seminário VI - 29/11/2022 2 Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI image3.png image4.png image1.png image2.png