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Escola de Saúde- UCAM Webnar 4 -Diversidade linguística Prof.ª Sueli Alves Ao longo dos anos e como sujeitos da História podemos dizer que várias mudanças ocorreram no Brasil, desde a chegada dos portugueses até os dias atuais. Tal trajetória perpassa por várias situações, tais como: o início do ciclo da cana de açúcar, a importação de escravos africanos, a descoberta do ouro, a abolição, a chegada dos imigrantes europeus etc. Isso se deve porque a sociedade brasileira mudou muito ao longo dos séculos. A cada momento histórico, apresenta-se multifacetada, abrigando grupos das mais diversas origens, ocupações, formações e costumes. Assim, imaginemos se tivéssemos que escrever textos a respeito de cada período. A linguagem seria a mesma? Certamente não. Por quê? Vamos, então, entender a composição da Língua Portuguesa: Povos originários: falavam o Tupi-Guarani. Portugueses: falavam o Português de Portugal. Pessoas escravizadas: falavam os dialetos nativos de seus lugares de origem. Imigrantes: falavam a Língua materna dos diversos países deles. Ou seja: Tupi-Guarani + Português de Portugal + dialetos nativos+ Língua materna de diversos países. Resultado = A Língua que falamos . Todas as sociedades são heterogêneas? Sim. Por serem a expressão de identidade das sociedades que as usam, as línguas naturais também são heterogêneas. Em consequência, todas as línguas naturais apresentam algum grau de variação. Temos, portanto, forças que agem na Língua Portuguesa Classificam-se tanto do ponto de vista diacrônico (histórico) – ou seja, as variações linguísticas mudam ao longo do tempo – quanto do ponto de vista sincrônico, isto é, em um mesmo momento histórico, elas apresentam diversas realidades simultâneas. Variação diacrônica – histórica - Para a filologia (ciência que estuda as línguas na perspectiva histórica), a resposta é simples: o rotacismo – isto é, a troca de um som, especialmente o l ou o s pelo r – é uma característica inerente à Língua Portuguesa. Trata-se de uma tendência observada há muitos séculos, desde a evolução do Latim ao Português: placere (latim) -> prazer (português) clavu (latim) -> cravo (português) Para entender melhor a Língua Portuguesa, na atualidade, é preciso, portanto, saber que ela evoluiu ao longo do tempo. Português brasileiro e norma culta Norma padrão é o jeito de escrever uma língua que se definiu como sendo o “correto”. Geralmente, o estabelecimento da norma padrão tem como objetivo: Uniformizar a língua, para que documentos, leis, materiais didáticos, discursos, livros e outros textos sejam compostos de maneira padronizada; Construir uma identidade para a língua, diferenciando-a das demais; Valorizar a língua, sua literatura e, em última instância, o próprio povo que a usa. Como se estabelece a norma padrão de uma Língua? Faz-se uma seleção entre as inúmeras variantes (formas diferentes) de falar e escrever (BAGNO, 2007) Por exemplo: no português, entre as variantes “praca” e placa, foi selecionada placa. Em geral, as variantes escolhidas são as empregadas pela elite cultural da comunidade. Por isso, a norma padrão também é chamada de norma culta. No Brasil, porém, a norma culta não corresponde à norma padrão. Por quê? Porque a norma consagrada no Brasil se baseia quase totalmente na norma culta portuguesa, ou seja, nos hábitos linguísticos da elite cultural portuguesa, não de nossa elite cultural. Por exemplo: todos os brasileiros (inclusive os mais escolarizados) falam “Me esqueci de comprar pão”. No entanto, nossa norma padrão estabelece como correta a forma “Esqueci-me de comprar pão”, usada em Portugal. Em outros países, para conhecer a norma padrão basta observar como falam e escrevem as pessoas mais escolarizadas (ou seja, basta observar a norma culta). No Brasil isso não é suficiente, pois nem os mais escolarizados seguem à risca a norma padrão. Ou seja, Enquanto não temos uma norma própria, precisamos de esforço redobrado para não cometer “erros de português”. “mineirês” Traduzindo: Pode pôr o pó? Pode pôr. Variação diafásica (registro formal e informal) Não há uma divisão radical entre registro formal e informal: é mais correto pensar em um continuum de formalidade. Além disso, é diferente ser formal oralmente e ser formal por escrito. Variação diafásica (registro formal e informal) Para melhor entender essas duas modalidades linguísticas, vejamos os exemplos: Exemplo 1 - O Doutor Armando foi até a esquina esperá o filho que chegava da escola. Nisso, a Maria ficou em casa preparando o almoço. - Quando eles chegarão em casa a Maria tava na cozinha preparando a famosa receita da família boa pra caramba o bolo de fubá cremoso. - Aquele que ela aprendeu cum a senhora Carmela anos antes da gente se casá. Exemplo 2 Doutor Armando seguiu até a esquina para encontrar o filho que chegava da escola, enquanto Maria, sua esposa, preparava o almoço. Quando chegaram em casa, Armando e seu filho encontraram Dona Maria na cozinha preparando uma das receitas de família, o famoso bolo de fubá cremoso, a qual aprendera com sua avó Carmela. Ou ainda: Doutor Armando seguiu até a esquina para encontrar o filho que chegava da escola, enquanto Maria, a esposa dele, preparava o almoço. Quando chegaram em casa, Armando e o filho encontraram Dona Maria na cozinha preparando uma das receitas de família, o famoso bolo de fubá cremoso, a qual aprendera com a avó Carmela. Variação diafásica Si o senhor não está lembrado Dá licença de contá Que aqui onde agora está Esse edifício arto Era uma casa velha Um palacete assobradado Foi aqui seu moço Que eu, Mato Grosso e o Joca Construímos nossa maloca Mais, um dia Nós nem pode se alembrar Veio os homi cas ferramenta Que o dono mandô derrubá Em contrapartida... Um conhecido conto popular retrata que um ladrão foi surpreendido pelas palavras de Rui Barbosa ao tentar roubar patos em seu quintal. Não o interpelo pelos bicos de bípedes palmípedes, nem pelo valor intrínseco dos retrocitados galináceos, mas por ousares transpor os umbrais de minha residência. Se foi por mera ignorância, perdôo-te, mas se foi para abusar da minha alma prosopopéia, juro pelos tacões metabólicos dos meus calçados que dar-te-ei tamanha bordoada no alto da tua sinagoga que transformarei sua massa encefálica em cinzas cadavéricas. O ladrão, todo sem graça, perguntou: — Mas como é, seu Rui, eu posso levar o frango ou não? A fotografia exibe a fachada de um supermercado em Foz do Iguaçu, cuja localização transfronteiriça é marcada tanto pelo limite com a Argentina e o Paraguai quanto pela presença de outros povos. Essa fachada revela o(a) A) Apagamento da identidade linguística. B) Planejamento linguístico no espaço urbano. C) Presença marcante da tradição oral na cidade. D) Disputa de comunidades linguísticas diferentes. E) poluição visual promovida pelo multilinguismo. Resposta: letra B Devido ao cenário da cidade de Foz do Iguaçu ser marcado pela presença de diferentes povos linguísticos, houve um planejamento linguístico do espaço, representando a diversidade idiomática de cada povo. image1.png image2.png image3.emf image4.jpeg image5.png image6.jpeg image7.png image8.jpeg image9.jpeg image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png