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Paciente Terminal
Tiago Pacheco
Paciente Terminal
• “Paciente terminal” refere-se aquele que se apresenta num 
estágio avançado da doença, sem prognóstico de retrocesso ou
cura. O paciente, portanto, perde as possibilidades de resgate às
condições de saúde, caminha lentamente para a morte previsível
e inevitável, e a vida é suportada apenas por aparelhos elétricos
e medicação.
• Ainda, afirma-se que a conceitualização do termo é flexível, pois,
embora o estado terminal seja reconhecível, não há limites que 
definem quando ele se inicia
Eutanásia
• Eutanásia ativa: A morte é planejada e
negociada pelo doente e o profissional que 
atenderá ao seu pedido, causando ou 
acelerando a morte.
Eutanásia passiva: Não provoca 
deliberadamente a morte, mas ao longo do 
tempo, a retirada dos procedimentos que 
prolongam a vida, sejam equipamentos 
elétricos, farmacológicos ou cuidados médicos, 
fazem com que o paciente morra naturalmente.
•
Conceitos
Eutanásia
• Eutanásia
quando há
Eutanásia
voluntária: Ação que causa a morte
pedido explícito do paciente.
involuntária: O pedido não é•
explícito pelo paciente, mas ainda assim a sua
morte ocorre. Este caso melhor enquadra-se 
como homicídio, com o atenuante de que é 
executada para aliviar o sofrimento, tanto do 
doente como possivelmente dos cuidadores, 
familiares ou profissionais.
Mistanásia ou Eutanásia Social
• Mistanásia ou eutanásia social: É o termo para
designar a morte miserável, antes e fora da hora.
Envolve outras questões de ordem política, econômica
e social. Os doentes enquadrados nesse caso são
aqueles que não ingressaram efetivamente no sistema
de atendimento médico por omissão de socorro
estrutural, que foram vítimas de erros médicos ou
também aqueles que acabam vítimas de má-prática por
parte dos médicos ou associados que,
deliberadamente, usam a medicina para tirar a vida de
alguém, em benefício próprio ou não.
Ortotanásia
• Ortotanásia: No caso de um paciente com danos
irreversíveis, sem possibilidade de cura, submetido
a tratamento doloroso que apenas prolonga o
processo da morte, a interrupção do tratamento
teria o nome de ortotanásia ao invés de eutanásia
passiva. É o termo médico designado para a morte
natural, na hora certa, sem interferência da ciência,
e possibilitando ao
ao
paciente
permitir
uma morte digna e
sem sofrimento que a evolução da
doença acarrete a morte.
Suicídio
• Suicídio: Planejamento e execução da morte
pelo próprio sujeito.
• Suicídio
executado
assistido: Ainda que planejado e
pela própria vítima, ela conta com
ajuda de terceiros, que o auxiliam no suicídio.
Do ponto
Suicídio
acarreta
de vista legal, é considerado crime.
passivo: A negligência em algum ato•
morte. Por exemplo, não tomar os
remédios.
Distanásia
• Distanásia ou obstinação terapêutica:
Prolongamento do processo natural de morrer, 
ou seja, procura-se manter a vida, onde a morte 
já impera. Para isso, utilizam-se meios artificiais 
e desproporcionais, muitas vezes acompanhada 
de intenso sofrimento, tanto do paciente quanto 
dos seus familiares.
Duplo Efeito
• Duplo efeito (Double effect): Quando uma
ação de cuidados é realizada em beficiência
mas acaba conduzindo,
ao óbito. Um exemplo é 
sedativos e analgésicos
em efeito secundário,
a utilização de
que têm por objetivo
aliviar a dor, e não provocar a morte, embora
esta possa acontecer.
Legislação
Legislação no Brasil:
Conselho Federal de Medicina
• Resolução n° 1.805/2006 do Conselho Federal de Medicina:
“Na fase terminal de enfermidades graves e
incuráveis é permitido ao médico limitar ou suspender 
procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida 
do doente, garantindo-lhe os cuidados necessários 
para aliviar os sintomas que levam ao sofrimento, na 
perspectiva de uma assistência integral, respeitada a 
vontade do paciente ou de seu representante legal.”
• Ressalta-se, entretanto, que as decisões tomadas pelo Conselho
Federal de Medicina não possuem valor legal.
Legislação no Brasil
• A Constituição Brasileira defende o direito à vida (art. 5). Este é o
maior bem conferido à pessoas, sendo irrenunciável e inviolável.
O Estado assegura não só o direito à vida, mas também o direito 
a uma vida digna. A vida está protegida tanto na Constituição 
Federal quanto na Declaração Universal dos Direitos Humanos 
de 1948 que determina:
“ Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e 
à segurança pessoal”. 
• A prática da eutanásia fere, portanto, este direito se analisada
pelo lado da Constituição.
Legislação no Brasil
•
•
Suicídio assistido
Já no caso de suicídio assistido, a atual Constituição Federal,
consagra o direito à vida e o Código Penal prevê a punição para 
aquele que induzir, instigar ou auxiliar no suicídio, conforme 
expresso no artigo 122 do atual Código Penal. A punição do
suicida é impossível, sendo punível apenas a conduta de quem
instiga, induz ou auxilia a prática do suicídio, conforme ensina 
Mirabete: “Por razões que se prendem a impossibilidade de 
punição do suicídio e a política criminal não se incrimina a prática 
do suicídio. Como a pena não pode passar da pessoa do 
delinquente (art. 5°, XLV, da CF), seria impossível sua aplicação 
ao suicida.”
Legislação na Europa
•
•
França
O código penal francês diferencia a eutanásia ativa da 
passiva. A eutanásia ativa é considerada homicídio, 
enquanto que a passiva é considerada como omissão de 
atendimento.
Em 26/01/1999, foi apresentado o projeto de lei•
166 no Senado Francês que estabelece a despenalização
da eutanásia. Esta lei possibilitaria a utilização de diretivas
avançadas na França, ou seja, a possibilidade do paciente 
deixar por escrito quais as medidas que julga aceitável para 
a condução de seu caso. Era uma proposta semelhante a
da Holanda.
Legislação na Europa
•
•
Holanda
Em 2000 “a Câmara Baixa do Parlamento holandês aprova uma lei que
legaliza a eutanásia e o suicídio assistido”;
Em 14 de abril de 2001, o senado holandês, aprovou uma lei 
regulamentando e autorizando a prática da eutanásia, passando a 
Holanda a ser o primeiro país a legalizar a controvertida prática médica 
da "morte assistida", ou "morte sem sofrimento".
De acordo com Tereza Rodrigues Vieira, a lei holandesa que autoriza a 
prática da eutanásia, deve atender alguns requisitos, onde: “tanto o 
médico quanto o paciente deverão estar convencidos da inexistência de 
qualquer outra forma alternativa de tratamento, sendo imperioso
também a ouvida de um outro especialista. Conforme esta norma, 
mesmo depois da morte do paciente, uma junta de especialistas será 
designada para analisar todos os atos realizados pelo médico, e, caso 
se constate que houve negligência, poderá este ser responsabilizado 
penalmente por crime de homicídio.” (VIEIRA: 2003, p. 90)
•
•
Legislação na Europa
•
•
Suécia e Suiça
Na Suécia, é autorizada a assistência médica ao
suicídio.
Na Suíça, país que tolera a eutanásia, um médico 
pode administrar uma dose letal de um 
medicamento a um doente terminal que queira 
morrer, mas é o próprio paciente quem deve tomá-
la.
•
Suicídio Assistido no Mundo
• Nos Estados Unidos, país onde há grande
“tendência” a favor do suicídio assistido, há um 
conselho que trata de assuntos éticos e jurídicos 
da classe médica, que de acordo com a obra de 
Maria Helena Diniz, declara: “é preciso lembrar
que, de acordo com o Conselho de Assuntos Éticos 
e Judiciais da Associação Médica Americana, os 
médicos não podem participar do suicídio de 
pacientes, mesmo em caso de morte certa e de 
atroz sofrimento”.
Curiosidades sobre a 
Eutanásia
Eutanásia na História
• Na Bíblia Sagrada (Samuel, capítulo 31) está presente o primeiro
relato sobre a prática da eutanásia. O Rei Saul, de Israel,
atirando-se sobre a espada segurada por sua esposa, evitando a 
rendição.
Em Esparta, era feita a eutanásia selecionadora que tinha o 
objetivo de eliminar pessoas, consideradascomo fora do padrão 
de beleza ou social, evitando assim a depreciação da espécie.
Em Roma, os Imperadores quando voltavam o polegar para 
baixo, autorizavam a eutanásia nos gladiadores mortalmente 
feridos nos combates, abreviando o sofrimento deles, por 
“compaixão real”.
•
•
Prós e Contras
Prós
"Se a Medicina não prolonga a vida em vida, para que prolongar
a morte?“
“ A vida só vale se existir dignidade. Viver como um amontoado
de órgãos não é vida.”
Carmita Abda, psiquiatra.
"Morrer com dignidade é saber que tudo foi feito em favor da
vida".
Jozéf Féher, cardiologista.
Prós
• Existem alguns quadros patológicos em
que o paciente, mesmo que se utilize de
todos os recursos farmacológicos e técnicos
suficientes possíveis, esse não tem
prognóstico de cura e está caminhando para
a morte inevitável. Desse modo, é entendido 
que o uso de métodos artificiais para manter
esse paciente estável é, no mínimo,
irrelevante,
sofrimento.
podendo prolongar o seu
Prós
•
•
Respeito à autonomia do paciente;
Um exemplo de que a autonomia do indivíduo
deve prevalecer é o caso de Vincent Humbert, um
jovem francês que
2000
sofreu um
então
acidente
procurou 
para o
automobilístico em
-
e desde
pela eutanásia recorrendo inclusive
presidente da França - para dar fim a sua vida e a
seu sofrimento.
Contra
"Não pedi e não escolhi de quem, por que, onde e quando
nascer. Da mesma forma não posso decidir quando,
como, onde, de que e por que morrer."
Roberto Freire
Contras
•
•
•
Juramento Hipocrático sempre visar ao bem;
Aspectos regiliosos;
Se a eutanásia voluntária fosse legalizada, espaço para a 
eutanásia involuntária – risco socio-politico;
Possibilidade de abuso de médicos e familiares, por 
interesses escusos, como transplantes de órgãos;
Existe a possibilidade de diagnóstico errôneo, uma vez que 
a definição de morte é bastante subjetiva - variando de 
parada cardíaca à morte encefálica;
A possibilidade de novos medicamentos e tratamentos para 
o combate da patologia, revertendo a cronicidade da 
doença;
•
•
•
Contras
• Ir contra o art. 6º do Código de Ética Medica diz que: “ O
médico deve guardar absoluto respeito pela vida humana,
atuando sempre em benefício do paciente. [...] “Jamais 
utilizará seus conhecimentos para gerar sofrimento físico ou 
moral, para o extermínio do ser humano [...]”.
Risco Socio-Cultural, como o público entenderia o papel do
médico, se ele salva, mas também tira a vida?
Risco à integridade moral da medicina, pois os médicos 
devem prolongar, e não encurtar a vida, e os pacientes não 
podem ter dúvida quanto a esta função.
•
•
Discussão de caso
Caso – Paciente Terminal
• Paciente masculino de 74 anos de idade, portador de carcinoma
brônquico avançado, com múltiplas metástases ósseas,
hepáticas e cerebrais. Internado por dificuldade respiratória
progressiva. No momento da internação queixa-se de muitas
dores que não estão sendo controladas por um esquema 
analgésico muito forte, a base de morfina por via oral, que 
também lhe provoca muitos sintomas desagradáveis (náusea, 
tontura e constipação rebelde). O paciente tem conhecimento do 
seu diagnóstico bem como sua família. No seu primeiro dia de 
internação pede ao seu médico assistente que não institua
nenhuma medida terapêutica extraordinária e que acelere sua
morte. A família tem conhecimento das vontades do paciente e
fica dividida: a esposa acha que o paciente deve ser atendido em 
seus desejos finais, ao passo que seu filho único acha que os 
médicos devem fazer “tudo que estiver ao seu alcance para 
mantê-lo vivo”.
Caso – Paciente Terminal
• O paciente em uma madrugada apresenta um quadro de
insuficiência respiratória aguda, decorrente de um episódio de 
aspiração de vômito. A equipe de plantão decide transferir o 
paciente para a Unidade de Tratamento Intensivo, uma vez que o 
médico assistente não havia sido localizado, não havia qualquer
recomendação de conduta em prontuário, o paciente estava
sofrendo e a família estava dividida com relação aos limites de
tratamento. Na UTI o paciente é intubado e responde bem ao 
tratamento clínico com antibióticos, mas permanece clinicamente 
instável, com episódios convulsivos , dor e dificuldade respiratória 
progressiva. O paciente insiste em retornar para seu quarto com
o apoio de sua esposa. Seu pedido é atendido por seu médico. O 
falecimento ocorre em 4 dias, diante de um novo episódio de 
infecção respiratória, que o seu médico, sem consultar a família,
decide não mais tratar.
Discussão
•
•
Vontade do Paciente;
Quem prevalece, caso o paciente estivesse
inconsciente: Cônjuge ou Descendente?; 
Ação da equipe na primeira crise; 
Segunda Crise e Decisão do médico; 
Medidas Heróicas;
Preenchimento do Prontuário;
O médico foi negligente?
•
•
•
•
•
FIM
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