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Fluviofelicidade e Paisagens Hidrossociais 1 No modelo de produção das cidades e metrópoles como o Recife, o ordenamento territorial e a gestão de águas trazem em si os problemas da interação entre as dinâmicas urbanas e as condições naturais da paisagem. A água é um líquido e ativo social na forma como atravessa o nosso cotidiano e tece relações entre cidadãos, consumidores, estado e agentes econômicos (FERREIRA, 2018). Esse processo de desenvolvimento comprometeu irremediavelmente a paisagem, os recursos hídricos e a saúde das populações, comprometendo também o bem-estar (físico, mental) em nome do “progresso”. Água, gente e ambiente formam uma cadeia universal. 2 Fluviofelicidade Segundo o professor Francisco Javier Martinez-Gil, se caracterizas como a profunda sensação de bem estar integral ao estarmos próximos de corpos d’água. No mundo moderno industrial e urbano, a relação com as águas desenvolve uma nova dinâmica. A desvalorização dos corpos d’água, transforma os mananciais em subprodutos urbanos. No mundo neoliberal em que vivemos, tudo na natureza é suscetível a de ser aproveitado, tudo recebe a categoria de recurso. Tudo aquilo que recebe valor de mercado é objeto de desejo de apropriação, de privatização. O que chamamos de desenvolvimento, crescimento, está essencialmente movido pelos instintos de poder e dominação. A água nos trás uma vinculação emocional singular e ancestral. Símbolo natural da pureza, purificação. 3 Território Hidrossocial caráter conflitivo dos processos: lutas de classe, gênero, étnicas O território tem relação com o poder, mas não apenas o poder político tradicional, e sim com o poder no sentido mais simbólico, como o da apropriação. Considera a multiplicidade de suas manifestações, a diversidade de poderes e sujeitos que o constroem. Os territórios hidrossociais, entendidos como configurações espaciais de pessoas, instituições, fluxos de água, tecnologia hidráulica e ambiente que giram em torno do controle da água (BOELENS et al., 2016). Cada tipo de organização socioambiental irá produzir um determinado território hidrossocial. 4 Rio Capibaribe Bacia do Rio Capibaribe possui extensão de 253,5 km e banha 42 municípios do estado; Principal curso d’água, atravessa de leste a oeste e encontra o Oceano Atlântico; Representa uma linha de força da malha urbana que confirma sua relevância histórica, cultural e social; 5 As faixas marginais de rios no Recife, assim como em grande parte das cidades brasileiras, além de serem ocupadas pela população de baixa renda, vêm dando lugar a empreendimentos imobiliários de média e alta renda, imóveis públicos, assim como a vias marginais expressas para veículos motorizados, em detrimento da criação de espaços públicos que promovam a integração social. 6 14/07/20XX Título da apresentação 7 A relação entre integração espacial e vulnerabilidade social não é uniforme ao longo de todo o percurso do Capibaribe no Recife. A margem direita apresenta linhas com maior integração espacial e índices maiores de vulnerabilidade, enquanto a margem esquerda tem a condição contrária. Um dos aspectos mais relevantes que parece explicar essa situação é a ausência de travessias efetivas neste trecho, isolando (em parte) o fluxo da população de maior renda que poderia circular pelas áreas de baixa renda, gerando oportunidades para atividades econômicas nessa região. 7 Conflitos socioambientais Impactos nas populações mais vulneráveis, que ocupam áreas com condições precárias de salubridade e mais suscetíveis à situações de risco, aos alagamentos, às privações da falta de infraestrutura de saneamento; Negação do uso e acesso aos recursos naturais em quantidade e qualidade necessárias; A disputa entre grupos sociais que mantêm distintos tipos de relação com a natureza; Exemplo: O conflito fundiário da comunidade Vila Sul: Comunidade formada por famílias vindas da comunidade dominada pelo tráfico na Avenida Sul; Casas construídas em sistema de mutirão pelas famílias; - Terreno vizinho alega invasão e Instituto Pelópidas Silveira propõe relocação dos moradores para terreno da União; - Dinâmicas sociais e econômicas ligadas ao rio. 8 Comunidade Vila Sul 9 Uso das margens urbanas do Capibaribe como espaços de lazer e convivência integrados ao tecido urbano 10 Parque Capibaribe Intervenções para melhoria do nível de integração, incluindo também a implementação de novas travessias em pontos estratégicos, especialmente trechos de maior segregação espacial; A primeira etapa tinha como prazo o ano de 2020, enquanto a segunda almeja uma transformação da cidade até o ano de 2037; Categorias projetuais: chegar, atravessar, percorrer, abraçar e ativar. 11 12 No contexto do Recife, qual o equilíbrio entre essa complexa relação? Como promover a valorização dos corpos d’água pela população, condição essencial para a sua proteção, tendo em vista o modelo de desenvolvimento reproduzido até o momento, o inchamento urbanos desenfreado, calcado na exclusão socioespacial? “A preservação das funções ambientais dos espaços em beira d’água, não incorpora também as múltiplas funções urbanas e o efeito de atração que estes espaços exercem sobre as pessoas” (MELLO, 2021). 13 Obrigada! 14 image1.jpeg image2.jpeg image3.png image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.jpeg image15.jpeg image16.jpeg image17.jpeg image18.jpeg image19.png image20.jpeg image21.jpeg image22.jpeg image23.jpeg image24.jpeg