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ÉTICA E POLÍTICA
Aula 1
VIDA COLETIVA E PADRÕES
DE CCOMPORTAMENTO
ÉTICOS
Vida coletiva e padrões de
comportamento éticos
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Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação
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19/03/25, 20:15 Ética e Política
https://alexandria-html-published.platosedu.io/5d147135-c390-4919-8f2d-d7191719b864/v1/index.html 1/66
https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/SOCIEDADE_BRASILEIRA_E_CIDADANIA/PPT/u1a1_soc_bra_cid_1p.pdf
Ponto de Partida
Olá, estudante! Aqui iniciamos nossa jornada em direção à
complexa rede de relações, valores e estruturas que compõem a
realidade brasileira. Este material se baseia no conhecimento
sistematizado por Hugo Conti e Patrícia Alves (2019). Em sua
opinião, nossa sociedade tem como orientação principal de
funcionamento os princípios ou o poder? Agimos coletivamente em
função de uma busca para estabelecermos aquilo que consideramos
correto ou nossa realidade pode ser mais bem compreendida a
partir das relações de força que são estabelecidas em nosso país?
Repare que essa busca pela ação correta pode incluir processos
amplos de nossa vida em coletividade: há problema em empresas
privadas financiarem campanhas políticas? Seria correto manter
benefícios para funcionários públicos que já recebem salários
altíssimos? Há, ainda, decisões que envolvem a nossa vida privada:
se uma regra nos parece injusta, devemos obedecê-la? Considerar
uma ação correta ou incorreta é algo que se faz sozinho ou deve-se
levar em conta aspectos sociais?
A mesma abrangência deve ser considerada na análise das relações
de poder, já que elas se manifestam em escalas elevadas: até onde
deve ir à intervenção do Estado brasileiro em nossa sociedade? A
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maioria deve sempre se impor? E em nosso cotidiano individual: o
serviço público que utilizo é um favor que me foi oferecido ou é um
direito que me é assegurado? Meu ato individual pode ter impacto
na sociedade?
Portanto, se pretendemos analisar a diversidade de fatores da vida
coletiva de nosso país, é provável que estas duas orientações –
princípios e poder – apareçam em nossa análise (Conti, Alves,
2019). Por isso, é interessante recorrermos a dois domínios do
conhecimento voltados a esses assuntos: a ética e a política.
Embora esses temas sejam tratados frequentemente em nosso dia a
dia, o estudo mais aprofundado desses campos do conhecimento,
conforme faremos nesta primeira unidade, será um importante
suporte para compreendermos o ambiente que nos cerca e até
mesmo nosso próprio cotidiano.
A partir de uma compreensão humanista do que consiste a vida em
sociedade, poderemos, então, identificar alguns requisitos para uma
participação cidadã na comunidade que nos abriga. As respostas a
essas e outras indagações serão trabalhadas à medida que
analisarmos os fundamentos da filosofia ética e suas relações com
os dilemas que despontam em nosso cotidiano, bem como os
diferentes tipos de organização política e seus vínculos com nosso
desenvolvimento enquanto sociedade. 
Vamos Começar!
Se é verdade que os juízos morais podem concordar com uma
norma jurídica – ou mesmo com duas normas que, em um caso
concreto, são conflitantes –, é crucial observar que esses valores
derivam de uma consciência moral, a qual reflete valores e
sentimentos pessoais. Na formação da moral, mais relevante do que
a existência de uma lei, estão as convicções individuais, que podem
ou não coincidir com a norma jurídica. Nesse contexto, a moral de
uma pessoa pode até mesmo contradizer uma norma social;
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contudo, a ética deve guiar a condução de nossas vidas.
O termo "ética" deriva da palavra grega "ethos", cujo significado em
nosso idioma está relacionado às ideias de "modo de ser" ou "bom
costume". Isso revela que, pelo menos desde a Grécia Antiga, o
homem se dedica a analisar de que maneira as condutas dos
indivíduos podem contribuir para uma convivência satisfatória.
Dessa forma, a ética se consolida como o campo do conhecimento
voltado para a determinação racional das finalidades boas e más a
serem buscadas pelos seres humanos. Ela investiga a essência das
condutas consideradas certas ou erradas, assim como os
fundamentos dos princípios e valores que embasam os juízos,
obrigações e deveres que condicionam e qualificam o
comportamento humano.
Trata-se de uma disciplina fortemente normativa, que prescreve
ações e julgamentos a serem valorizados na condução de nossas
vidas, em vez de apenas retratar a realidade observada. Além disso,
ao destacar a razão como método para perceber o caráter correto
ou incorreto de uma ação, a ética fortalece a responsabilização
individual por uma conduta, uma vez que o ser humano dispõe de
mecanismos racionais para identificar a justiça ou injustiça de seus
atos. Entretanto, a ética não é um conhecimento encerrado, com
determinações já totalmente reveladas, mas sim o que estabelecerá
fundamentos amplos para a apreciação da conduta adequada em
uma situação.
A resposta à pergunta "qual a conduta correta para o aprimoramento
de nossa convivência coletiva?", abrange diversos componentes da
vida social, como a organização política, as ciências e a moral.
Esses elementos exercem influência nas maneiras de conceber a
ética. No que diz respeito à moral, alguns esclarecimentos se
tornam necessários.
A classificação de um comportamento como "moral" ou "imoral" gera
efeitos semelhantes à afirmação de que uma conduta é "ética" ou
"antiética". Isso ocorre porque esses termos são frequentemente
utilizados como se fossem conceitos equivalentes, inclusive em
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obras clássicas do campo de estudo. No entanto, é crucial
reconhecer a existência de importantes diferenças entre esses
conceitos.
Etimologicamente, a palavra "moral" deriva do termo latino “moralis”,
cujo significado se aproxima de "relativo aos costumes". Trata-se de
um conjunto de normas que regulamenta a conduta dos indivíduos
na sociedade, seguindo tradições, referências educacionais,
culturais e práticas rotineiras.
Siga em Frente...
Ética e moral
Embora tanto a ética quanto a moral busquem orientar o que é certo
e errado nas ações humanas, a ética pressupõe que essa
qualificação resulte de uma elaboração baseada na coletividade,
ultrapassando os indivíduos considerados isoladamente - não existe,
portanto, uma "ética individual". Já a moral fundamenta sua
apreciação na razão e consciência pessoais, levando em conta as
repercussões e influências sociais do ato.
Assim, a moral pode apresentar maior diversidade, refletindo
condutas, práticas e desejos variáveis para cada indivíduo, tempo e
local da ação. Por outro lado, a ética se ocupa da sistematização da
moralidade, objeto de seu estudo, apresentando, portanto, princípios
e regras relativamente mais amplos e duradouros.
Essas diferenças possibilitam divergências entre enquadramentos
éticos e morais, pois uma convenção moralmente aceita em uma
sociedade específica pode não satisfazer uma reflexão ética, por
não se adequar a princípios gerais do que seria bom, justo ou
correto.
Nesse mesmo sentido, é comum que grupos distintos de indivíduos,
mesmo compondo uma mesma coletividade, tenham
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comportamentos orientados por padrões diferentes do que
consideram moralmente aceitável. Isso ocorre devido às diferenças
nos costumes, tabus e vontades incorporados por cada um deles.
No entanto, quando tratamos da ética,https://exame.abril.com.br/brasil/rio-de-janeiro-e-primeira-cidade-
brasileira-a-proibir-canudos-plasticos/. Acesso em: 27 nov. 2018.
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https://exame.com/brasil/rio-de-janeiro-e-primeira-cidade-brasileira-a-proibir-canudos-plasticos/
https://exame.abril.com.br/brasil/rio-de-janeiro-e-primeira-cidade-brasileira-a-proibir-canudos-plasticos/
https://exame.abril.com.br/brasil/rio-de-janeiro-e-primeira-cidade-brasileira-a-proibir-canudos-plasticos/
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doing_wp_cron=1546881086.5735909938812255859375. Acesso
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COMPARATO, F. K. Ética: direito, moral e religião no mundo
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CONTI, Hugo Martarello de. ALVES, Patrícia Villen Meirelles.
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HAYEK, F. A. O caminho da servidão. São Paulo: Globo, 1977.
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
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HOBBES, T. Leviatã ou matéria, forma e poder de um estado
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HUNT, E. K. História do pensamento econômico. Rio de Janeiro:
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https://oglobo.globo.com/opiniao/essa-coisa-de-sociedade-nao-existe-8080595
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https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/biologia/o-consumismo-eseusimpactos-ambientais/48472
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https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/medicina/o-que-significa-bioetica/50873
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/medicina/o-que-significa-bioetica/50873
https://noticias.r7.com/brasil/presidente-do-tj-sp-considera-etico-recebimento-de-auxilio-moradia-05022018
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WALLIN, C. A modesta vida dos juízes do Supremo da Suécia, sem
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Disponível em: https://noticias.uol.com.br/ultimas-
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suecia-sem-auxilio-moradia-nem-carro-com-motorista.htm. Acesso
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WEBER, M. A ética protestante e o “espírito” do capitalismo.
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WEFFORT, F. C. (Org.). Os clássicos da política. São Paulo: Ática,
2006. v. 1.
Aula 4
NOSSOS PILARES
DEMOCRÁTICOS
Nossos pilares democráticos
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https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2018/12/02/a-modesta-vida-dos-juizes-do-supremo-da-suecia-sem-auxilio-moradia-nem-carro-com-motorista.htm
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2018/12/02/a-modesta-vida-dos-juizes-do-supremo-da-suecia-sem-auxilio-moradia-nem-carro-com-motorista.htm
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Ponto de Partida
Não é raro nos deparamos com notícias ou declarações, incluindo
aquelas feitas por nós mesmos, indicando que um governo adotou
uma postura incompatível com os valores democráticos. Muitas
vezes, é mencionada uma prática específica que constitui uma
afronta à pluralidade ou às liberdades fundamentais da democracia,
ou ainda, uma inclinação autoritária (Conti; Alves, 2019). Embora
essas informações sejam compreensíveis para a maioria da
população, explicar os conceitos subjacentes a essas afirmações
simples torna-se um desafio mais complexo.
Essa dificuldade pode ser atribuída ao uso de termos comuns em
nosso cotidiano, mas que, no entanto, possuem fundamentos mais
elaborados e não são tão explorados em nossa vida diária (Conti;
Alves, 2019). Tomando o Brasil como exemplo, podemos questionar
se a realização de eleições periódicas e legítimas é suficiente para
considerarmos o país uma democracia plena. Além disso, diante da
ausência de representatividade das nações indígenas, que não têm
um único congressista eleito desde a Constituição de 1988, como
avaliar a plenitude de nossa democracia?
Outro exemplo que lança dúvidas sobre a integralidade de nossa
democracia é apresentado pelos dados inquietantes compilados
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pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de
Janeiro (CCIR), os quais demonstraram que:
[...] mais de 70% de 1.014 casos de ofensas, abusos e atos
violentos registrados no Estado entre 2012 e 2015 são contra
praticantes de religiões de matrizes africanas. [...] Por um
lado o racismo e a discriminação que remontam à escravidão
e que desde o Brasil colônia rotulam tais religiõespelo
simples fato de serem de origem africana, e, pelo outro, a
ação de movimentos neopentecostais que nos últimos anos
teriam se valido de mitos e preconceitos para “demonizar” e
insuflar a perseguição a umbandistas e candomblecistas".
(Puff[U1] , 2016, [s.p.]).
 Se um grupo social específico, como as comunidades indígenas,
não tiver meios institucionais adequados para expressar
publicamente suas opiniões e posições, isso comprometeria o
caráter democrático do país? E se essa restrição ocorresse no
âmbito religioso, prejudicando, por exemplo, o pleno exercício das
crenças de matriz africana, o Brasil ainda poderia ser considerado
uma democracia? Ou a relativamente menor representatividade
dessas comunidades diminuiria a importância de garantir sua
presença e expressões em nosso país?
Essas situações reais, que impactam as comunidades tradicionais
da história e identidade brasileiras, nos conduzem a reflexões
teóricas, embasadas na obra de Hugo Conti e Patrícia Alves (2019).
Questionamos quais seriam os elementos essenciais de um regime
democrático e se esses fundamentos da democracia permaneceram
constantes ao longo do tempo ou se sofreram alterações.
Vamos Começar!
Democracia moderna
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Em grande medida, o conceito de democracia nos transmite a ideia
de um regime político no qual os cidadãos participam na condução
do governo de uma coletividade, seja de maneira direta, como numa
consulta popular sobre um tema importante, ou por meio da
representação, onde os cidadãos elegem mandatários para tomar
decisões em nome da coletividade, como nas eleições. Esse sentido
de participação popular, derivado do termo democracia, já se explica
nas origens da palavra, que, em grego antigo, une demos (povo) e
kratos (poder), formando o poder do povo ou o governo do povo.
Embora essa noção de participação popular esteja vinculada ao
termo democracia desde a Grécia Antiga até os dias atuais, outras
concepções foram gradualmente adicionadas ao conceito para
chegarmos à compreensão atual de democracia.
Esse funcionamento deve ser entendido no contexto em que o
argumento foi produzido, no qual a participação política era restrita a
alguns homens considerados aptos para a vida pública, excluindo
escravos, estrangeiros e mulheres da dinâmica política. Dessa
forma, o desenvolvimento de novas concepções sobre a titularidade
de direitos civis e políticos, ampliando a categoria de indivíduos
considerados capacitados para a atuação pública, certamente terá
impacto na compreensão do conceito de democracia. Portanto,
podemos avançar até o surgimento dos ideais liberais e do
questionamento dos Estados absolutistas europeus, a partir do
século XVII.
Nesse período da história europeia, três processos políticos e
sociais podem ser apontados como determinantes para a
ressignificação do Estado, das prerrogativas individuais e,
consequentemente, do aspecto democrático da era moderna. A
Revolução Inglesa (1640-1688), fortemente influenciada pelo
pensamento de John Locke (1632-1704), foi essencial para limitar o
poder absoluto das monarquias absolutistas e está relacionada à
consolidação de direitos naturais dos indivíduos, nascidos livres e
iguais, capazes de exercer o poder político conforme determinado
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pela lei, como exemplificado pelo Bill of Rights ("Carta de direitos")
de 1689. A Revolução Americana (1776), por sua vez, foi
fundamental para a afirmação das ideias de supremacia da vontade
popular, liberdade de associação e estabelecimento de mecanismos
de controle permanente sobre o governo, conforme defendido por
Thomas Jefferson (1743-1826). Por fim, a Revolução Francesa
(1789) centralizou diversos interesses sob a ideia de nação e
estabeleceu preceitos importantes sobre a separação entre política
e religião, ampliando o alcance dos homens nascidos livres e iguais
em direitos (Conti; Alves, 2019).
As consequências reais observadas nas sociedades que passaram
pelos movimentos revolucionários, assim como os valores e ideias
que surgiram nessa mentalidade burguesa e liberal, foram
determinantes para moldar uma nova concepção, mais moderna, da
ideia de democracia. Esse novo modelo democrático tornou-se
extremamente emblemático pelos estudos do francês Alexis de
Tocqueville (1805-1859), sobretudo devido à sua obra "A democracia
na América", resultado de investigações sobre instituições e
costumes nos Estados Unidos da América, durante os anos de 1831
e 1832 (Conti; Alves, 2019).
Para Tocqueville, na época, o regime democrático tornou-se uma
tendência ampla e inevitável nas sociedades, caracterizado, em
linhas gerais, por uma igualdade de condições – seja legal, cultural
ou política – incompatível com qualquer regime de castas sociais ou
diferenças sociais hereditárias. Essa situação permitia certa
mobilidade social e facilitava o acesso a postos profissionais ou
políticos, constituindo os chamados "fatores geradores de
igualdade". Para o pensador francês, é indispensável para um
ambiente democrático a efetivação de uma constante atuação
política dos cidadãos, exercida não apenas pelo voto, mas também
nas atividades administrativas, partidárias ou associativas.
Aprofundando suas considerações sobre o aspecto da igualdade,
Tocqueville destaca o risco que o excesso de homogeneização de
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uma sociedade poderia representar. Nesse cenário, a
homogeneidade excessiva estabeleceria uma certa tirania exercida
pela maioria dos habitantes, impedindo a diversificação de
expressões científicas, filosóficas ou artísticas. Segundo o autor,
seria crucial encontrar um equilíbrio entre a busca pela igualdade e
a preservação das liberdades individuais, garantindo que a
concepção de igualdade não seja incompatível com a pluralidade no
corpo social.
Nesse sentido, sempre que um consenso majoritário sobre um
determinado tema é estabelecido sem o devido respeito aos
legítimos direitos dissidentes – os direitos das minorias que diferem
dessa concordância predominante –, enfrentamos um caso de
tirania da maioria. O desrespeito aos direitos minoritários ou às
liberdades individuais pode se manifestar de diversas formas,
afetando expressões individuais ou coletivas.
A combinação desses dois elementos fornece a base teórica para a
formação de outro aspecto indispensável à noção contemporânea
de democracia: o direito à alteridade ou direito à diferença. Se os
indivíduos são livres e devem ser tratados sem quaisquer
preferências injustificáveis, é natural que os elementos relacionados
à identidade de uma pessoa possam ser expressos da maneira que
lhe convier. Essas manifestações, por mais plurais que sejam,
devem usufruir das mesmas garantias jurídicas que as demais.
A alteridade torna-se particularmente relevante no que se refere às
liberdades de expressão e religião, dada a importância dessas áreas
para a afirmação da personalidade de um indivíduo. Assim, o direito
que todos os seres humanos têm de manifestar livremente suas
ideias, pensamentos e opiniões, bem como buscar fontes de
informação, sem repressão ou censura, reflete o respeito conferido
às sociedades modernas à autonomia e à capacidade de raciocínio,
discernimento e exteriorização da consciência individual.
Semelhantemente, essa consideração da autonomia humana deve
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abranger também suas crenças – ou até mesmo a possibilidade de
não ter crença alguma.
Contudo, embora os conceitos de liberdade de expressão e
liberdade religiosa incentivem a afirmação do que um indivíduo
pensa e crê, em ambientes democráticos, esses conceitostambém
trazem uma contrapartida crucial: o respeito ao que o indivíduo não
pensa e não crê. Essas liberdades não se restringem a uma única
opinião ou a uma religião específica, abrangendo necessariamente
todas as opiniões e crenças compatíveis com um ambiente
democrático. Desse modo, o exercício pleno dessas liberdades não
se limita a afirmar aquilo que se gosta ou preza, mas também deve
consolidar o respeito pelo que difere da própria identidade, em
harmonia com a ideia de pluralidade aqui trabalhada.
Existindo significativas contenções às liberdades características de
um regime democrático, com limitações ao pluralismo que poderia
emergir em meio à comunidade, estamos diante de um regime
autoritário. A diversidade de maneiras pelas quais essas restrições
são impostas à sociedade, assim como a variedade de prerrogativas
que a democracia oferece, pode permitir que alguns dos
componentes da dinâmica democrática se conservem, como o voto.
Nesse caso, com resquícios da dinâmica democrática, embora não
se manifeste em sua totalidade devido a condutas governamentais
pouco tolerantes e intransigentes, podemos considerar que se trata
de uma democracia autoritária.
Siga em Frente...
Democracia x Autoritarismo
Dessa forma, a democracia autoritária traduz a existência conjunta
de alguns dos elementos constitutivos de um ambiente democrático,
como a realização de processos eleitorais ou a manutenção de
direitos para grupos específicos da população, com a eliminação de
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outras características típicas do regime democrático, como a
supressão do direito das minorias ou a limitação de certas
liberdades. Observa-se, na verdade, uma versão falha e limitada de
uma democracia tradicional, seja por deficiência involuntária no
funcionamento das instituições, reduzindo o alcance dos valores
democráticos na sociedade, ou pelo objetivo expresso de certo
grupo social de impor sua vontade aos demais.
A possibilidade de que esse autoritarismo seja incorporado ao
funcionamento dos Estados já era prevista no pensamento de Jean-
Jacques Rousseau (1712-1778). Segundo o filósofo, a formação da
sociedade civil resulta da transferência das liberdades individuais
dos homens a um governo por meio de um pacto social, no qual o
governante se compromete a buscar o bem comum. Entretanto,
prossegue o pensador, se esse acordo não se estabelece em
condições de simetria entre as partes ou sob conjunturas de
limitação da liberdade de um dos pactuantes, teríamos, na verdade,
um pacto de submissão responsável por um regime autoritário e
despótico. Adicionalmente, segundo esse autor, a soberania
resultante de um pacto social não seria detida pelo governante, mas
permaneceria em posse do povo, coletivamente. A soberania
popular seria absoluta, conferindo ao corpo social um poder sobre
todos os indivíduos considerados isoladamente, uma vez que, ainda
de acordo com Rousseau, o interesse do indivíduo estaria incluído
no interesse público. Nesse contexto, mais uma vez nos deparamos
com a possibilidade do surgimento de uma tirania da maioria, caso
as prerrogativas de grupos minoritários, ou mesmo de indivíduos,
sejam desconsideradas em função da vontade popular absoluta
(Conti; Alves, 2019).
Em termos práticos, tais experiências autoritárias foram observadas
com relativa frequência ao longo do século XX, constituindo certos
padrões políticos identificados pelos estudiosos do tema. Em linhas
gerais, esses regimes autoritários apresentavam elementos comuns,
como afrontas e abusos às liberdades civis; a falta de separação –
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legal ou efetiva – entre os poderes executivo, legislativo e judiciário,
com a primazia do primeiro sobre os outros dois; o controle dos
meios de comunicação; a censura; a eliminação, redução ou
manipulação de procedimentos eleitorais; o antiliberalismo; o
nacionalismo exacerbado; o militarismo; o unipartidarismo político,
entre outros. Exemplos clássicos nesse sentido incluem os regimes
nazista na Alemanha de Adolf Hitler (1889-1945) e o fascismo
italiano de Benito Mussolini (1883-1945), ambos chegando ao poder
por vias democráticas; o totalitarismo soviético de Joseph Stalin
(1878-1953); e os regimes ditatoriais do terceiro mundo, como o
período militar brasileiro compreendido entre 1964 e 1985.
A forma mais extrema de autoritarismo, no entanto, observada no
século XX, talvez seja o extermínio de judeus que compôs o
Holocausto nazista. Esse genocídio perpetrado pela Alemanha
hitlerista dizimou aproximadamente 6 milhões de pessoas ao longo
das décadas de 1930 e 1940, sendo determinante para a reação
internacional que culminaria no maior conflito armado da história. A
extensão geográfica, a duração e a alta mortalidade dos embates
armados desenvolvidos no contexto da Segunda Guerra Mundial
(1939-1945) evidenciam os limites da concertação da comunidade
internacional e a ausência de uma instituição centralizada capaz de
mediar as desavenças entre países. Isso levou os Estados a
entrarem em acordo para a criação da Organização das Nações
Unidas (ONU) em 1945 (Conti; Alves, 2019).
 
ONU - Organização das Nações Unidas
A ONU é uma organização internacional que possui direitos e
deveres na ordem global. No entanto, é importante ressaltar que ela
não possui hierarquia superior aos países que a compõem. Isso
ocorre porque, da mesma forma que os indivíduos são sujeitos do
direito interno de seus países, os Estados constituem sujeitos do
direito internacional público. Os indivíduos encontram na atuação do
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Estado a hierarquia superior para impor, dentro de seu território, os
procedimentos a serem observados por todos, algo que não se
verifica na ordem internacional.
Nota-se, portanto, que as decisões relativas à paz e à segurança
tomadas pelo Conselho de Segurança da ONU serão consideradas
obrigatórias para todos os países, conferindo a este órgão um poder
sem precedentes na ordem internacional (Conti; Alves, 2019).
Contudo, é importante ressaltar que a composição desse conselho
deriva do contexto imediatamente posterior à Segunda Guerra
Mundial, fazendo com que, desde 1945, esse órgão possua os
mesmos cinco membros permanentes (Estados Unidos, Rússia,
China, França e Reino Unido), ao lado de outros dez membros
rotativos com poderes reduzidos (Conti; Alves, 2019).
Tratando-se de um órgão extremamente poderoso, as fragilidades
no que se refere ao aspecto democrático de seu processo decisório
são evidentes. Pode-se afirmar, portanto, que, assim como ocorre
em âmbito interno, a falta de pluralidade e diversidade na dinâmica
internacional também caracteriza uma limitação indesejada ao
funcionamento democrático.
Assim, ao final desses mais de dois mil anos de história da
democracia, avaliando considerações teóricas e aplicações práticas
do conceito em diferentes contextos e gradações, concluímos que a
pluralidade não configura um requisito obrigatório dos ambientes
democráticos. Forçá-la contra a liberdade dos indivíduos seria,
inclusive, antidemocrático. No entanto, existindo qualquer indício de
uma diversidade espontânea, levada a cabo por seres humanos na
plena afirmação de suas mais variadas formas de manifestação
individual, é dever do regime democrático assegurar o respeito, a
tolerância e a tutela dessa diversidade, encarada não como
discórdia social, mas como uma riqueza inigualável da natureza
humana.
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Vamos Exercitar?
À luz do que estudamos nesta aula, percebemos que o conceito de
democracia passou por uma longa evolução histórica para nos
fornecer, atualmente,uma compreensão muito além do simples
estabelecimento de mecanismos eleitorais ou de tomadas de
decisões sobre assuntos da vida em coletividade. A democracia, em
sua concepção vigente, reveste-se também de fundamentos e
valores voltados ao pleno desenvolvimento de nossas capacidades
e liberdades, em razão do simples fato de sermos considerados
sujeitos dotados de direitos e prerrogativas essenciais (Conti; Alves,
2019).
Nesse contexto, o governo, a sociedade e o indivíduo democráticos
não devem se ater a raciocínios matemáticos para determinar qual o
grupo social mais numeroso ou o rol de direitos de maior
representatividade que merecem prevalecer em detrimento dos
demais; a mera afronta das prerrogativas dessas comunidades – ou
mesmo desses indivíduos – já é motivo para prejudicar o aspecto
democrático de um sistema político.
As liberdades de expressão, de crença ou qualquer outra forma de
manifestação individual ou coletiva, desde que não constituam
ameaças ao sistema democrático, são, por si só, valores
indispensáveis à manutenção de uma dinâmica democrática,
independentemente da frequência com que aparecem nessa
sociedade. A imposição de critérios estranhos ao conceito de
democracia – “o que produzem para a sociedade?”, “estão em
conformidade com nossos padrões sociais?” – como condição para
a concessão de direitos não somente fragiliza o aspecto
democrático de um regime, como tende a criar mecanismos
autoritários extremamente nocivos à pluralidade característica da
natureza humana, sob uma empobrecedora “ditadura da maioria”.
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Assim, retomando os casos práticos que deram partida à nossa
análise, pouco importa que as comunidades indígenas sejam
minoria em nosso país ou que apresentem certos modos de vida
particulares; é fundamental que asseguremos mecanismos
institucionais de representatividade a essas comunidades, sob pena
de termos uma democracia incompleta. Caso esses povos não
tenham acesso direto aos processos decisórios e aos instrumentos
de poder da sociedade brasileira, suas liberdades se veem
reduzidas, suas necessidades ignoradas, e a própria democracia
nacional, como um todo, encontra-se fragilizada. A mesma lógica se
aplica à intolerância religiosa promovida contra as crenças de matriz
africana. A despeito de serem práticas minoritárias em meio à
população nacional, a repressão a seus rituais e suas
manifestações, bem como o racismo e o preconceito que
frequentemente justificam essas atitudes, são uma afronta à
liberdade de religião, indispensável ao pluralismo democrático.
Saiba Mais
Repare como o intervalo temporal de mais de 200 anos que separa
a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América
(1776), a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do
Cidadão (1789) e a Constituição da República Federativa do Brasil
(1988) não foi suficiente para desfazer a influência de certas ideias
liberais, fortalecidas ao longo do século XVIII e relevantes até os
dias de hoje:
Declaração de Independência dos Estados Unidos da América 
Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas,
que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador
de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a
liberdade e a busca da felicidade. (Hancock, 1776, [s.p.])
Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão 
Art.1º. Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As
distinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade
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https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/414/2018/10/1789.pdf
comum.
Art. 2º. A finalidade de toda associação política é a conservação
dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. Esses direitos
são a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à
opressão. (Declaração..., 1789, [s.p.])
Constituição da República Federativa do Brasil 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,
nos termos seguintes: [...]. (Brasil, 1988, [s.p.]).
 
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WEFFORT, F. C. (Org.). Os clássicos da política. São Paulo: Ática,
2006. v. 1.
Encerramento da Unidade
ÉTICA E POLÍTICA
Videoaula de Encerramento
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você.
Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação
profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
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https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2018/12/02/a-modesta-vida-dos-juizes-do-supremo-da-suecia-sem-auxilio-moradia-nem-carro-com-motorista.htm
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2018/12/02/a-modesta-vida-dos-juizes-do-supremo-da-suecia-sem-auxilio-moradia-nem-carro-com-motorista.htm
Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para aprimorar a competência desta unidade, que
consiste em compreender criticamente os elementos essenciais
relacionados à ética, dilemas morais e tensões políticas atuais na
sociedade brasileira, visando a uma formação humanista, é
necessário familiarizar-se, inicialmente, com os conceitos
fundamentais que compõem uma intrincada teia de relações, valores
e estruturas.
Observe que, em uma sociedade, a busca pela ação correta pode
abranger processos amplos de nossa vida em coletividade e,
também, decisões de nossa esfera privada. A mesma amplitude
deve ser levada em consideração na análise das relações de poder,
uma vez que se manifestam em escalas elevadas, no contexto do
nosso cotidiano individual. Para examinar a diversidade de fatores
da vida coletiva em nosso país, é imprescindível incorporar, em
nossa análise, estas duas perspectivas: princípios e poder.
Portanto, recorremos a dois domínios do conhecimento voltados
para essas questões: a ética e a política. Embora esses temas
estejam frequentemente presentes em nosso cotidiano, a
exploração mais aprofundada desses campos do conhecimento é
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um suporte fundamental para a compreensão do ambiente que nos
envolve, inclusive em nossa vida diária.
Para isso, utilizamos referências tradicionais do pensamento e da
filosofia política ocidentais, que servem como instrumentos para
refletirmos sobre dilemas morais e impasses políticos observados na
contemporaneidade brasileira, abrangendo diversas áreas, como
meio ambiente e diversidade étnico-cultural da população brasileira.
Dessa forma, a partir de uma compreensão humanista do que
constitui a vida em sociedade, torna-se possível identificar os
requisitos para uma participação cidadã na comunidade que nos
acolhe. A análise desses dois temas clássicos das ciências
humanas, ética e política, ganha relevância especial na atualidade,
uma vez que seus amplos campos de estudo podem contrastar com
a precisão e a especialização de novas áreas do conhecimento
humano.
É Hora de Praticar!
O estudo de caso apresenta o trecho da seguinte reportagem:
“Presidente do TJ-SP considera ético recebimento de auxílio-
moradia
Assunto tem causado polêmica após divulgação de que
magistrados com imóveis próprios fazem uso do benefício”.
Por Thais Skodowski, do R7, em 05/02/2018 - 13h53
(Atualizado em 05/02/2018 - 15h41): “O novo Presidente do
TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) [...] afirmou nesta
segunda-feira (5) que não vê problemas em juízes com
imóvel próprio na cidade onde atuam receberem auxílio-
moradia. - Eu acho que é [ético] porque a Lei Orgânica da
Magistratura Nacional prevê (o recebimento do benefício). O
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auxílio-moradia é um salário indireto porque é previsto como
tal na Lei Orgânica da Magistratura Nacional. [...] O auxílio-
moradia a membros do Judiciário tem causado polêmica após
reportagens recentes mostrarem que juízes com imóveis
próprios receberam o benefício. A maior parte da categoria
defende o pagamento dessa verba como forma de
composição do salário defasado — a última correção foi em
2015”. (Skodowski, 2018)
Os estudos apresentados possibilitam uma reflexão abrangente
sobre o tema, permitindo contemplar a complexidade e profundidade
da reportagem. Eles fornecem ferramentas para compreender a
questão nas suas dimensões moral, ética, política, econômica,
cultural e histórica. As discussões propiciam uma análise sobre
como a previsão na lei para a concessão do auxílio-moradia aos
magistrados transcende o âmbito estritamente jurídico, articulando-
se com todas essas dimensões.
A partir disso, surge a possibilidade de questionar quais correntes
filosóficas podem fundamentar argumentos a favor ou contra o
auxílio, dado que essa discussão abrange os domínios ético e
político.
Reflita
Atuamos coletivamente em busca de estabelecer o que
consideramos correto, ou será que nossa realidade pode ser mais
bem compreendida por meio das relações de poder que se
estabelecem em nosso país? Até que ponto a intervenção do Estado
brasileiro em nossa sociedade é justificada? A maioria deve sempre
prevalecer ou meu ato individual pode ter impacto na sociedade?
As respostas a essas indagações, assim como a outras, são
exploradas à medida que examinamos os fundamentos da filosofia
ética e suas interações com os dilemas que surgem em nosso
cotidiano. Além disso, analisamos os diferentes tipos de
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organizações políticas e seus vínculos com o nosso
desenvolvimento enquanto sociedade.
Resolução do estudo de caso
A polêmica abordada na reportagemcontrapõe a argumentação da
maioria dos juízes, que defende que o auxílio-moradia resolveria o
atraso no reajuste salarial da categoria, à ideia de que o benefício
não seria devido aos profissionais que possuem imóveis nas
localidades de trabalho. O primeiro ponto de vista está atrelado à
lógica consequencialista, pois justifica o recebimento do benefício
pelos efeitos práticos desse pagamento, envolvendo considerações
pragmáticas, como a recomposição do salário, que, a princípio, não
estão diretamente relacionadas com a finalidade do benefício (ter ou
não um imóvel).
A segunda perspectiva, por outro lado, condiciona o direito ao
benefício à condição de não ser proprietário de imóveis na
localidade de trabalho, independentemente da ocorrência de
reajustes salariais. Isso estabelece uma categorização
principiológica amplamente válida para o surgimento desse direito,
caracterizando-se, portanto, como um raciocínio deontológico. Esse
raciocínio identifica na própria ação de receber o benefício a
correção ou incorreção dessa conduta, sem considerar suas
consequências pragmáticas.
Além disso, categorizar um comportamento específico como ético ou
antiético pressupõe um exercício filosófico e racional mais profundo,
com o intuito de evitar confusões entre os conceitos de moral e
ética.
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Figura 1 | Síntese dos conteúdos abordados durante os estudos
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https://noticias.uol.com.br/ultimas%C2%AD-noticias/bbc/2018/12/02/a-modesta-vida-dos-juizes-do-supremo-da-suecia-sem-auxilio-mo%C2%ADradia-nem-carro-com-motorista.htm
https://noticias.uol.com.br/ultimas%C2%AD-noticias/bbc/2018/12/02/a-modesta-vida-dos-juizes-do-supremo-da-suecia-sem-auxilio-mo%C2%ADradia-nem-carro-com-motorista.htmtais divergências são
superadas, pois as concepções morais são interpretadas para
identificar padrões éticos aplicáveis a todos (Conti, Alves, 2019).
A problematização de aspectos da vida social, equivocadamente
equiparados à ética, não ocorre apenas com a moral, mas também
com a religião, que é muitas vezes aplicada em situações que
exigiriam uma análise ética.
A origem dessas confusões reside no fato de que tanto a ética
quanto a religião prescrevem regras de conduta e postura aos
indivíduos. Contudo, ética e religião apresentam divergências que
justificam sua distinção como campos autônomos do saber. A ética é
eminentemente racional, baseada em processos lógicos inteligíveis,
enquanto a compreensão religiosa, em seus diversos credos, possui
forte componente dogmático, valendo-se de liturgias, mandamentos
e sacralizações que transcendem os limites racionais. Além disso, a
fundamentação ética busca regramentos aplicáveis a toda a
coletividade, diferenciando-se da pluralidade religiosa presente na
sociedade.
Embora componentes éticos possam existir nos preceitos religiosos,
é esperado que outros mandamentos da religião difiram dos
procedimentos racionais defendidos pela ética. Inversamente, a
ética não se vincula aos preceitos de um credo religioso específico,
sendo plenamente viável que um indivíduo ou sociedade
desprovidos de confissões religiosas recorram ao campo ético, já
que os dilemas cotidianos não são exclusivos de uma crença
específica.
Quando nos deparamos com uma situação em que nenhuma ação
está livre de efeitos morais negativos, sem uma solução óbvia e
inquestionável, ou quando a resposta preconizada pela lei, tradição
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ou outra fonte de orientação parece confrontar uma convicção
racional relevante, enfrentamos um dilema moral.
Dilemas morais
Os dilemas morais evidenciam a complexidade no exercício de
nossa liberdade de escolha, pois a existência de consequências
negativas decorrentes de nossas decisões, ou a apreciação dos
valores a serem preferidos em um caso concreto, demandam o
estabelecimento de certos critérios racionais que podem não ser tão
evidentes.
Imagine, estudante, um médico legista que tenha acesso aos corpos
de vítimas de acidentes fatais. Preocupado com a baixa
disponibilidade de órgãos para doação, o médico resolve, por conta
própria e sem qualquer autorização formal, extrair dos finados os
órgãos que permanecem funcionais, destinando-os à doação. A
atitude do médico pode ser considerada correta? Se você acredita
que sim, provavelmente fundamentou sua decisão no fato de que tal
conduta apresenta efeitos positivos, na medida em que novas vidas
poderão ser salvas a partir da doação. Essa justificativa se aproxima
do raciocínio consequencialista, que busca nos resultados de um ato
sua validação. Esse critério de análise é representativo da filosofia
utilitarista, que defende a maximização da utilidade, ou da
capacidade de produzir bem-estar e felicidade coletivos, algo que
pode ser inclusive matematicamente quantificado pelo número de
pessoas, intensidade ou duração envolvidos no benefício em
questão, conforme argumentava Jeremy Bentham (1748-1832) e
John Stuart Mill (1806-1873).
Se, em sentido oposto, você rejeita a conduta do médico, deve ser
porque considera o ato de retirar os órgãos sem qualquer
autorização prévia do falecido ou de seus familiares como sendo
uma atitude por si só incorreta. Trata-se, nesse caso, de uma
abordagem deontológica, que categoriza a ação humana a partir de
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percepções principiológicas dos deveres e direitos existentes,
relativizando suas consequências, à luz do que defendia Immanuel
Kant (1724-1804).
Considere-se, agora, de férias em um país estrangeiro; você repara
que nesse Estado é comum que crianças comecem a trabalhar
desde idades muito precoces. Ao classificar tal fato como algo
incorreto, você provavelmente acredita que existem padrões
mínimos de respeito à infância que devem ser observados no Brasil,
no país onde você se encontra e em qualquer outro lugar do mundo,
sob uma perspectiva universalista. Se, no entanto, você admite que
existem particularidades culturais desse povo que justifiquem tal
situação, é o enfoque relativista que se sobrepõe em seu raciocínio.
Esses impasses e outros dilemas morais presentes em nossas vidas
ressaltam a pluralidade de situações em que não há respostas
absolutas ou preconcebidas, elevando a importância do estudo da
ética em nosso desenvolvimento individual e coletivo. A emergência
dessas questões é algo incontornável da vida humana, e a
desatenção em relação aos dilemas tende a ser ainda mais
problemática do que as dúvidas por eles suscitadas, na medida em
que sugere uma condução automatizada dos afazeres cotidianos,
cujo efeito prático é a negação da própria liberdade (Conti, Alves,
2019).
Passados mais de dois mil anos do advento da ética enquanto
campo fundamental do conhecimento humano, continuamos a
deparar com situações nas quais o exercício de nossa liberdade de
escolha encontra-se cheio de dúvidas e angústias diante da
inexistência de valores ou critérios incontestáveis para o agir
humano. Se é verdade que os avanços tecnológicos nos auxiliam a
encontrar algumas respostas para problemas cotidianos que
atingem a humanidade, formulando maiores certezas em temas
antes duvidosos, temos de reconhecer que as potencialidades
oferecidas pelo desenvolvimento científico contemporâneo abrem
novos campos de discussão envolvendo a ética.
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Ética e tecnologia
Inovações nas áreas de biotecnologia, tecnologia da informação e
automação, por exemplo, ao mesmo tempo em que ampliam os
horizontes da ação humana, levantam questionamentos éticos
essenciais: devemos clonar seres humanos? As empresas de
telecomunicação deveriam assumir compromissos no combate à
propagação de notícias falsas? Podemos criar robôs militares com
capacidade letal? Assim, a expansão das atividades que
conseguimos realizar eleva proporcionalmente os questionamentos
sobre o que efetivamente devemos fazer.
Nesse sentido, a ampliação das capacitações humanas contrasta
com a persistência de desafios para os quais a humanidade já
dispõe de soluções tecnológicas, revelando que a continuidade de
certos problemas individuais e/ou coletivos não se deve a questões
técnicas, mas sim às escolhas que fazemos enquanto sociedade
organizada. Isso revela um vínculo primordial entre a ética e a
política. O zelo pela convivência coletiva defendido pela filosofia
ética enriquece toda a rede de relações em que nossa existência se
desenvolve, reconhecendo os aspectos valorativos essenciais de
nossa condição humana.
Perceba a função emancipadora do saber ético, garantindo que a
inexistência de modelos predeterminados do que deve constituir o
agir humano não seja considerada uma limitação às nossas vidas.
Pelo contrário, essa condição permite o exercício integral de nossas
liberdades, estimulando a reflexão constante sobre o mundo que
nos cerca e sobre os caminhos para uma existência plena e em
harmonia com os fundamentos de nossa humanidade.
Vamos Exercitar?
A liberdade é um dos valores fundamentais e marcantes da
existência humana. O ser humano encontra, na utilização de sua
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racionalidade e no exercício de seu livre arbítrio, a capacidade de
fazer escolhas diante de uma situação concreta. Essa liberdade de
julgamento e conduta é essencial, pois as situações que
enfrentamos ao longo da vida são inúmeras e imprevisíveis (Conti,
Alves, 2019).
Vivendo em comunidades, os seres humanosbuscam assegurar
que as avaliações e condutas individuais criem entre si uma relação
humanizada, estabelecendo um entendimento coletivo direcionado
ao aprimoramento da vida em grupo. Isso representa o
desenvolvimento do nosso saber ético.
Apesar de nossas liberdades permitirem que nos manifestemos de
acordo com nossas individualidades, existem referências
compartilhadas daquilo que devemos assumir como condutas e
finalidades éticas, diferindo dos padrões morais e religiosos aceitos
por cada indivíduo.
Assim, o raciocínio ético é uma atividade eminentemente humana. A
ética não está sujeita a processos de codificação e programação,
como aqueles observados na construção de máquinas, limitando o
uso da tecnologia em contextos nos quais podemos deparar com
dilemas morais.
Embora a evolução da tecnologia forneça incontáveis benefícios
para a organização e funcionamento de nossas sociedades, é
crucial lembrar que essas inovações auxiliam, mas não substituem o
raciocínio humano e as avaliações éticas necessárias ao nosso
cotidiano.
Definir que a vida humana importa mais do que bens materiais, que
a gravidade de uma doença justifica adiantar um paciente na fila de
atendimentos médicos ou que a função de salvar vidas pode
justificar o excesso de velocidade de um automóvel são
ponderações éticas que apenas os humanos são capazes de
realizar.
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Máquinas podem ser programadas de acordo com algumas
considerações éticas estabelecidas por seres humanos. Contudo, as
diferentes justificativas para um mesmo ato e a impossibilidade de
prever todas as situações cotidianas que envolvem um juízo ético
apresentam limites para a visão tecnicista de que a tecnologia
oferece solução para todos os problemas humanos.
Esse posicionamento reflete uma postura humanista que, no pleno
exercício de nossas liberdades, rejeita uma condução automatizada,
mecanicista e, por que não dizer, antiética de nossas vidas.
Saiba Mais
O véu da ignorância
Resumidamente, a maior ingerência do Estado nos setores da vida
cotidiana, por meio, por exemplo, da prestação de serviços públicos
gratuitos ou a preços módicos eleva os custos do governo, que,
frequentemente, passam a ser compensados por maiores impostos
cobrados da coletividade.
Imagine que você seja muito mais rico do que na situação financeira
em que agora se encontra e, portanto, capaz de pagar por todos os
serviços que utiliza; você seria favorável ao aumento da tributação
para compensar esses gastos governamentais, que você sequer
utiliza? Agora, em sentido inverso, imagine-se muito pobre,
dependendo quase que integralmente da assistência pública; a sua
opinião anterior sobre a justiça na concessão desses serviços seria
mantida ou alteraria seu posicionamento?
Não seria interessante considerarmos a justiça dessas prestações
governamentais de modo independente da situação em que
atualmente nos encontramos? Esse é o propósito do filósofo John
Rawls em sua teoria do “véu da ignorância”, explicada no vídeo “O
que é um bom começo? ” (2015), da Universidade de Harvard.
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15. O QUE é um bom começo? [S.l.]: Harvard University, 15 nov.
2015. Postado pelo canal Fundação Ivete Vargas. 1 vídeo
(25min42s)
 
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https://exame.abril.com.br/brasil/rio-de-janeiro-e-primeira-cidade-brasileira-a-proibir-canudos-plasticos/
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
Aula 2
POSSIBILIDADES ÉTICAS
NO MUNDO
CONTEMPORÂNEO
Possibilidades éticas no mundo
contemporâneo
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você.
Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação
profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
Ponto de Partida
Olá, estudante! Não é necessário ser muito atento à realidade
brasileira para perceber que alcançar o sucesso profissional, plena
satisfação pessoal, segurança financeira e a capacidade de
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vivenciar em total liberdade o que valorizamos constituem objetivos
desafiadores, não é mesmo? Vivemos em um mundo repleto de
obstáculos e hostilidades que dificultam a trilha que estabelecemos
em nosso desenvolvimento pessoal (Conti; Alves, 2019).
Diante de uma variedade de dificuldades impostas pela vida
contemporânea – as quais não originamos, mas resultam da forma
como a sociedade optou por se organizar –, seria razoável que
fôssemos cobrados por adotar um comportamento que valorize a
manutenção e articulação dos vínculos sociais? Ou o mundo
contemporâneo demanda que nos concentremos exclusivamente
em nossas próprias vidas, buscando o que é melhor para nós
mesmos, sem sermos responsabilizados por problemas e situações
que estão além de nossa esfera particular?
Se a competição para conquistar uma vaga na faculdade e,
posteriormente, um emprego satisfatório, é acirrada, devo ponderar
sobre o que é benéfico para a sociedade ou apenas assegurar meu
crescimento pessoal? Se não determino diretamente os rumos da
sociedade, por que deveria assumir a responsabilidade de alertar
para os erros que a coletividade eventualmente produz? Se os
padrões de felicidade individual acarretam efeitos colaterais
prejudiciais, cabe ao indivíduo questionar esses padrões?
Em síntese, é viável manter, nos dias de hoje, condutas voltadas ao
desenvolvimento da sociedade, ou a realidade contemporânea exige
que o indivíduo abandone perspectivas coletivas em prol de seus
ganhos individuais?
As respostas a essas perguntas demandarão a análise de
elementos de nosso regime econômico, social e político. Este
material está embasado no conhecimento organizado por Hugo
Conti e Patrícia Alves (2019). Vamos investigar preceitos do sistema
capitalista que nos conduzirão a reflexões sobre o que podemos
compreender por liberdade e responsabilidade nos tempos atuais.
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Vamos Começar!
Capitalismo e individualismo
Você já percebeuque determinados temas relacionados à vida e à
organização coletiva têm o poder de suscitar acaloradas polêmicas
em nossas discussões cotidianas, assim como em níveis mais
elevados de debates acadêmicos e políticos? O sistema capitalista,
sem dúvida, está entre esses temas.
Ao abordarmos o capitalismo, é preciso reconhecer que esse
sistema econômico, político e social evoluiu de diferentes maneiras
desde suas primeiras manifestações, ainda de forma incipiente, na
Europa Ocidental do século XVIII, até se consolidar como o regime
predominante no mundo contemporâneo, incluindo sua aplicação
em nosso país. Contudo, algumas características fundamentais do
capitalismo são essenciais para definir esse sistema, como veremos
a seguir.
Primeiramente, observamos que um regime capitalista adota o
mercado como principal meio de produção e distribuição de bens e
serviços, onde compradores e vendedores interagem para satisfazer
suas necessidades. Adicionalmente, a presença da propriedade
privada constitui um elemento fundamental do capitalismo, com uma
série de direitos garantindo o domínio exclusivo sobre determinados
bens. Além disso, o capitalismo requer que uma parcela da
população venda sua força de trabalho no mercado para garantir
seu sustento. Por fim, identificamos como quarto elemento do
capitalismo o comportamento individualista dos agentes econômicos
(compradores e vendedores), aspecto que merece atenção especial
em nosso estudo, uma vez que, como discutimos anteriormente,
ética e política são conceitos coletivos por natureza.
O aspecto individualista do capitalismo foi enfatizado em suas
origens por Adam Smith (1723-1790), um dos clássicos do
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pensamento econômico. Smith argumentou que a prosperidade
econômica é essencial para a busca da felicidade humana e deve,
portanto, ser o objetivo primordial das sociedades e de seus
governantes. Segundo o autor, esse nível mais elevado de produção
não decorre da benevolência ou solidariedade dos indivíduos, mas,
ao contrário, da busca de cada um por sua própria felicidade.
 Existem diversas tarefas necessárias à vida coletiva, e, segundo
Smith, cada indivíduo deveria se especializar naquilo que lhe
proporcionasse maiores vantagens e resultados individuais. Esse
comportamento egoísta, de acordo com o pensamento do autor, leva
os indivíduos a trocarem entre si o que produzem e não consomem,
resultando em maior prosperidade econômica e satisfação para toda
a sociedade.
No século XX, com a consolidação da Revolução Industrial e o
fortalecimento do modo de produção baseado na divisão do
trabalho, a relação entre o sistema capitalista e o comportamento
individualista recebeu ênfase significativa no pensamento do
economista e filósofo britânico Friedrich August von Hayek (1899-
1992). Hayek argumentava que a ausência de barreiras aos
empreendimentos individuais era fundamental para satisfazer os
gostos, inclinações e desejos dos indivíduos, algo alcançado por
meio da competição. Segundo o autor, o ambiente social deveria
estabelecer limites para que os indivíduos pudessem buscar seus
próprios valores e preferências, sem a necessidade de princípios
amplos compartilhados pela coletividade (Conti, Alves, 2019).
Na prática, o individualismo ressaltado por esses dois
representantes da economia capitalista sugere que devemos focar
apenas em nossos próprios interesses, pois não haveria referências
externas para orientar nosso comportamento cotidiano. Essa
perspectiva, expressa na frase "cada um cuida da sua vida",
diminuiria a importância e a aplicabilidade de orientações coletivas,
como ética e política, para a compreensão e melhoria de nossa
sociedade. Contudo, uma análise mais profunda desses argumentos
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e da realidade em que vivemos aponta limitações para classificar o
individualismo como o único fator da ação e organização humanas,
como veremos adiante.
De imediato, percebemos que a competição individualista pode
acarretar profundos efeitos sociais negativos. Embora a disputa
entre pessoas ou empresas possa impulsionar a constante inovação
e a consolidação de métodos mais eficientes, é necessário também
focar naqueles que não conseguem êxito no processo competitivo.
A supervalorização do individualismo e a consequente negação dos
vínculos coletivos humanos ignoram a emergência de problemas
generalizados que prejudicam o funcionamento da sociedade e
impactam todos os indivíduos, ainda que em diferentes graus.
Questões como o desemprego, a desigualdade social e a violência,
por exemplo, podem estar relacionadas aos efeitos prejudiciais de
uma competição individualista extrema, demandando uma
reavaliação de nossa realidade que inclua considerações de cunho
coletivo.
Além disso, ao direcionarmos o foco para a conduta humana, é
crucial reconhecer que existem fatores que condicionam o
comportamento individual que não estão estritamente vinculados ao
individualismo ou ao autointeresse. Em alguns casos, nossa conduta
não busca apenas ganhos pessoais, mas é motivada por sentimento
de solidariedade ou simpatia, que justificam a realização de doações
e trabalhos voluntários, por exemplo. Da mesma forma, podemos
orientar nossas ações por compromissos com causas maiores,
sejam elas abstratas, como a justiça, ou concretas, como a
preservação de um rio específico, mesmo que isso ocasionalmente
limite nossos benefícios pessoais.
Além disso, o estabelecimento de padrões de comportamento social
específicos pode envolver variáveis distintas do autointeresse na
ação humana. Assim, realizamos ou deixamos de realizar
determinadas atividades não apenas pelos resultados materiais que
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elas proporcionam, mas também pelos efeitos de inclusão ou
pertencimento social que essas condutas geram (Conti, Alves 2019).
Siga em Frente...
Amartya Sen
Embora se possa argumentar que todas as motivações
mencionadas eventualmente resultam em autointeresse, seja
através da satisfação individual proveniente de condutas solidárias,
comprometidas ou inclusivas, é crucial reconhecer que essas
motivações se diferenciam essencialmente dos ganhos econômicos
e do egoísmo mencionados anteriormente. Essa distinção é
destacada pelo economista indiano Amartya Sen (1933 -), autor de
uma crítica substancial ao individualismo como característica
incontornável de nosso sistema econômico.
De acordo com Sen, a valorização de critérios como utilidade,
racionalidade, produtividade ou eficiência, elementos importantes no
regime econômico vigente no Brasil e em grande parte do mundo,
não deve se dissociar do que é ético. Abordar a produção e
distribuição de riqueza apenas por meio de considerações
matemáticas de eficiência ou lucratividade, ou restringir o
comportamento humano ao egoísmo individualista - cada um
cuidando de sua própria vida - seria um erro grave e frequente na
compreensão da economia. Isso ocorre porque a ética constitui uma
qualidade fundamental para o sistema econômico, reconhecida
inclusive pelos clássicos da teoria de livre mercado, como o próprio
Adam Smith.
Portanto, percebemos que o estudo da ética não apenas é
plenamente compatível com os padrões contemporâneos de
organização política, econômica e social característicos do regime
capitalista, mas também fornece um instrumento valioso para
enfrentar os problemas sociais decorrentes desse sistema e
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compreender as motivações do comportamento humano nessa
realidade.
Uma consequência imediata da afirmação da ética como valor
indispensável no mundo contemporâneo é a necessidade derepensarmos como o indivíduo se insere na rede de relações sociais
que constitui nossa coletividade. Em outras palavras, dado que o
ditado popular "cada um cuida da sua vida", como vimos, não se
aplica de modo absoluto em nossa realidade contemporânea, como
devemos abordar essa relação entre o indivíduo e a sociedade?
Hannah Arendt
Neste estudo, as contribuições da filósofa Hannah Arendt (1906-
1975) se revelam incrivelmente enriquecedoras, pois o vínculo entre
o ser humano e a coletividade ao seu redor impõe características
específicas ao desfrute de sua liberdade e ao exercício de sua
responsabilidade (Conti, Alves, 2019).
Segundo Arendt, em meio ao contexto de afirmação do sistema
capitalista, que se estende dos séculos XVIII ao XX, o conceito de
liberdade começa a refletir valores e perspectivas liberais,
concentrando-se nos aspectos da vida privada dos seres humanos.
No âmbito deste estudo, esses objetivos privados podem ser
compreendidos como atividades voltadas para a satisfação de
metas e necessidades estritamente pessoais, diferenciando-se,
assim, de outras práticas focadas na esfera da vida pública, que, por
definição, levam em consideração aspectos que ultrapassam os
interesses de um único indivíduo.
Dessa maneira, o exercício da liberdade, na perspectiva privada,
estaria vinculado à busca constante pelo acúmulo de riquezas ou ao
consumo desenfreado, bem como ao usufruto do livre arbítrio e dos
direitos civis específicos da esfera particular, alinhando-se ao
individualismo já mencionado. O ser humano passaria a reduzir sua
vida a um ciclo de trabalho árduo que permite a prática dessas
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atividades individualistas, apresentando um comportamento
automatizado e superficial, no qual a exploração e a insatisfação
pessoal se tornariam constantes.
Liberdade e responsabilidade
Ao criticar essa perspectiva, Arendt apresenta uma compreensão da
liberdade completamente oposta a esse modelo, vinculando o
conceito ao pleno exercício de práticas públicas. Argumenta que os
seres humanos nascem livres para estabelecer diversas relações
entre si, organizando sua vida coletiva. Assim, surge uma ligação
inseparável entre liberdade e política, e o campo onde a liberdade
passa a ser desenvolvida deixa de ser a esfera particular,
transformando-se no espaço público. Nas palavras da autora, "ação
e política, entre todas as capacidades e potencialidades da vida
humana, são as únicas coisas que não poderíamos sequer conceber
sem ao menos admitir a existência da liberdade" (Arendt, 2005, p.
191). A classificação da liberdade como ação política destaca a
potência desse valor ao estimular a ação conjunta que decide sobre
questões de interesse comum, constantemente estabelecendo
novas formas de construir a realidade.
Os vínculos significativos estabelecidos por Hannah Arendt entre o
indivíduo e a sociedade em sua compreensão da liberdade também
são evidentes quando voltamos nossa atenção para outra faceta da
natureza humana: a responsabilidade. Assim como rejeita o
isolamento individual sugerido pelo ditado "cada um cuida da sua
vida", a visão arendtiana sobre a responsabilidade nega a ideia
comum em nossa sociedade de que não temos condições para
avaliar a justiça ou injustiça da conduta alheia, expressa na frase
"quem sou eu para julgar o que ele fez?".
Arendt propõe que, dado que os seres humanos possuem a
capacidade inata de fazer reflexões, há um comprometimento de
cada indivíduo, mesmo que não seja voluntariamente assumido, em
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estabelecer juízos e refletir sobre os acontecimentos. A capacidade
racional - e, portanto, a responsabilidade - não seria exclusividade
de filósofos ou governantes, uma vez que todos têm o potencial para
pensar, estabelecer juízos e recordar eventos passados, criando
assim um padrão comum daquilo que aceitamos enquanto
sociedade, percebido por todos os indivíduos.
Esse processo é particularmente crucial à medida que os hábitos,
costumes e tradições sociais se transformam com o tempo, exigindo
de nosso juízo e pensamento a responsabilidade de evitar que
essas mudanças conduzam à prática do mal. Nesse contexto, a
realização do mal não requer necessariamente uma intenção cruel
ou o objetivo deliberado de praticar injustiças. A simples negação
individual de utilizar o senso de responsabilidade pessoal, a recusa
em exercer o pensamento crítico sobre a correção dos
acontecimentos, pode permitir que barbaridades ocorram, um
processo descrito por Arendt como a "banalidade do mal" (Conti;
Alves, 2019).
A renúncia ao processo individual de pensar ou a tentativa de se
eximir da responsabilidade por meio de um juízo crítico, como
"Quem sou eu para julgar?" ou "Se fazem assim é porque deve estar
certo...", acaba por negar a própria condição de pessoa dos seres
humanos. Arendt, alinhada com a afirmação da autonomia no
exercício do pensar, critica a ideia de responsabilidade coletiva,
exemplificada por expressões como "É porque todo mundo faz
desse jeito", já que a responsabilização coletiva impede que cada
indivíduo assuma sua responsabilidade individual.
Os efeitos práticos do conceito de responsabilidade de Hannah
Arendt são cruciais para reforçar a importância do estudo da ética
no mundo contemporâneo, pois negam o isolamento do indivíduo
em relação ao grupo social do qual ele faz parte. Isso ressalta a
necessidade de analisarmos como nos inserimos na realidade
brasileira e reconhecermos o compromisso de cada indivíduo
perante os problemas atuais do nosso país.
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Assim, percebemos que não apenas é possível manter um
comportamento ético em tempos contemporâneos, como essa
conduta se torna extremamente necessária para ajustarmos
compreensões tradicionais de nossa sociedade, como o
individualismo capitalista, assegurarmos a evolução harmoniosa de
nossa espécie - respeitando nosso ambiente e perspectivas
científicas - e solidificarmos uma inserção libertadora e responsável
dos indivíduos em nossa comunidade (Conti; Alves, 2019).
Vamos Exercitar?
Ao analisarmos cuidadosamente as perguntas que iniciaram este
estudo, constatamos que os problemas observados têm em comum
o estabelecimento de uma relação de oposição, de contraste, entre
a busca de ganhos individuais e as necessidades coletivas de uma
sociedade. Nesse sentido, pareceria inviável assumir
individualmente um comportamento baseado na valorização dos
laços sociais e no aprimoramento da vida coletiva - temas
essenciais à conduta ética. A necessidade de progredirmos
individualmente que a realidade nos impõe deixaria em segundo
plano, nessa situação de contraste entre a pessoa e o grupo, os
preceitos de uma vida ética (Conti, Alves, 2019).
Entretanto, como vimos, a afirmação da esfera individual não exige
necessariamente a negação da vida coletiva, e vice-versa, mas
existem vínculos de complementaridade que possibilitam que esses
dois campos se afirmem mutuamente.
Sob a lógica econômica do capitalismo, percebemos que o
individualismo não é o único fator de motivação individual; por
vezes, é justamente a consideração de aspectos coletivos que
orienta a conduta individual. Além disso, identificamos que o
autointeresse nem sempre produz o bem-estar coletivo, sendo
necessário, mais uma vez, o reconhecimento de juízos éticos para
que indivíduo e sociedade progridam de modo simultâneo.
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Ao assumirmos as compreensões de Hannah Arendt para os valores
da liberdade e da responsabilidade, evitamos também a relação de
oposição entre a esfera privada e a vida pública. A liberdade
individualestá fortemente ligada à ação pública, assim como a
responsabilidade individual garante o compromisso com a defesa da
ética na esfera coletiva. Mais uma vez, indivíduo e sociedade se
ligam, potencializando o progresso de ambos ao mesmo tempo.
Assim, percebemos que a sustentação de uma perspectiva
humanista das atividades cotidianas, baseadas na ética, não só
demonstra que é possível ser ético no mundo contemporâneo, mas
que é necessário manter a ética como diretriz de nossas vidas,
individual e coletiva.
Saiba Mais
Competição versus coordenação
A competição entre os agentes garante ao vencedor sempre o
melhor resultado possível? Ou a coordenação entre os indivíduos
pode levar a soluções mais proveitosas a todos eles? O matemático
norte-americano John Nash (1928-2015) investigou essas questões
para aprofundar o conhecimento sobre a Teoria dos Jogos, um ramo
da matemática que analisa escolhas e resultados estratégicos na
interação entre agentes distintos.
Assistir ao filme "Uma Mente Brilhante", cinebiografia de Nash,
proporciona uma visão prática de como essa lógica é aplicável tanto
em complexas discussões políticas quanto em contextos informais,
como a paquera em um bar. Refletir sobre a utilidade dos
argumentos explicitados no filme em relação a temas importantes de
nossa atualidade se torna fundamental.
A partir da narrativa do filme, somos conduzidos a compreender
como as estratégias e escolhas individuais podem impactar não
apenas o indivíduo, mas também a dinâmica de grupos e até
mesmo o panorama político. A Teoria dos Jogos, como evidenciada
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por Nash, oferece insights sobre como a cooperação pode ser mais
benéfica do que a competição em determinadas situações.
A relevância desses conceitos na contemporaneidade é evidenciada
quando aplicamos essa lógica a questões atuais, sejam elas
políticas, sociais ou econômicas. Analisar como a coordenação e a
cooperação entre os agentes podem gerar resultados mais
vantajosos do que uma abordagem puramente competitiva é crucial
para a compreensão e resolução de desafios complexos.
Dessa forma, o filme e a Teoria dos Jogos de John Nash
proporcionam uma base sólida para a reflexão sobre como as
interações humanas, mesmo as mais simples, podem ser moldadas
por estratégias que visam o benefício mútuo. Essa perspectiva é
valiosa não apenas no campo acadêmico, mas também na
aplicação prática em diversas esferas da vida moderna.
UMA MENTE brilhante. Direção Ron Howard. Produção: Brian
Grazer, Ron Howard. Intérpretes: Russel Crowe, Ed Harris, Jennifer
Connelly. Roteiro: Akiva Goldsman. [S.l.]: Universal Pictures;
DreamWorks, 2001. (135min), son., color., 35 mm. 
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Aula 3
IMPORTÂNCIA DO DEBATE
POLÍTICO
Importância do debate político
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você.
Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação
profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
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https://noticias.r7.com/brasil/presidente-do-tj-sp-considera-etico-recebimento-de-auxilio-moradia-05022018
https://noticias.r7.com/brasil/presidente-do-tj-sp-considera-etico-recebimento-de-auxilio-moradia-05022018
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2018/12/02/a-modesta-vida-dos-juizes-do-supremo-da-suecia-sem-auxilio-moradia-nem-carro-com-motorista.htm
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2018/12/02/a-modesta-vida-dos-juizes-do-supremo-da-suecia-sem-auxilio-moradia-nem-carro-com-motorista.htm
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2018/12/02/a-modesta-vida-dos-juizes-do-supremo-da-suecia-sem-auxilio-moradia-nem-carro-com-motorista.htm
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
Ponto de Partida
Olá, estudante! Certamente, em algum momento, você se viu
envolvido em uma discussão sobre política, mesmo que
involuntariamente, não é mesmo? Seja como uma forma de manter
a interação com um desconhecido em uma conversa casual no
elevador, ou como uma afirmação de suas convicções mais
profundas em uma acalorada discussão sobre o que julga mais
importante nesta vida, a política é um tema recorrente em nosso dia
a dia (Conti; Alves, 2019).
Basta recordarmos os impasses que surgem em nossas redes
sociais - ou em nossas reuniões familiares - para percebermos que,
mesmo entre pessoas que não dedicam suas vidas a estudar a
política, este tema está presente em nossos cotidianos. Nesse
sentido, não seria difícil lembrar pelo menos uma discussão política
que você presenciou - ou da qual participou - nas últimas eleições,
não é mesmo?
Se a frequência com que tratamos deste tema é alta, a profundidade
das argumentações envolvidas nos debates rotineiros nem sempre
apresenta a mesma estatura, seja em função da natureza complexa
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https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/SOCIEDADE_BRASILEIRA_E_CIDADANIA/PPT/u1a3_soc_bra_cid_1p.pdf
dos conceitos ou da repulsa atribuída a este assunto. O desafio que
esta situação exige de nós é um estudo mais cuidadoso sobre as
características da política, em benefício de nossas conversas
cotidianas e de uma infinidade de aspectos da vida que se
relacionam com esta matéria.
Um bom começo para nossa reflexão é questionarmos se a
administração pública - atividade essencial da política - funciona de
modo semelhante à administração privada. Administrar um Estado é
uma empreitada semelhante a cuidar, por exemplo, de uma casa ou
de uma empresa? Ou existem motivações e objetivos especiais da
política que tornam essa área algo diferente daquilo que fazemos
em nossa vida particular? Se, mesmo em uma empresa, a "gestão
dos negócios" é algo diferente da "política da organização", seria
possível tratar a qualidade das políticas públicas como sendo uma
questão apenas de gestão? Se queremos um país democrático,
basta que as coisas funcionem como previsto ou é preciso pensar
em valores que devem orientar este funcionamento?
Essas reflexões se apoiam no conhecimento produzido por Hugo
Conti e Patrícia Alves (2019) e, ao final desta aula, nossas
frequentes conversas sobre política poderão se desenvolver do
modo mais embasado, como também nossas próprias percepções,
mais prazerosas e emancipadoras, acerca do caráter abrangente e
transformador da política em nossa realidade. 
Vamos Começar!
Você já parou para refletir sobre o motivo de vivermos em
sociedade? Se temos interesses, afinidades e temperamentos
diferentes, por que decidimos passar nossas vidas convivendo com
outras individualidades tão distintas daquilo que nos constitui?
Certamente, muitas pessoas encontrarão sua resposta na inércia ou
na ausência de alternativas viáveis; se já nascemos em um
ambiente coletivo, torna-se extremamente penoso romper com esse
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padrão. O questionamento persiste: o que, então, ocorre para que
tenhamos essa origem já comunitária?
A percepção de que, praticamente em todo o globo, o ser humano
se organiza em agrupamentos - sejam eles aldeias, tribos ou
cidades - em uma prática que atravessa séculos e mais séculos da
história humana, nos sugere que pode existir algum fator intrínseco
à condição humana que nos torna efetivamente seres voltados à
vida em grupo. Esta indagação nos remete, mais uma vez, à Grécia
Antiga (Conti; Alves, 2019).
Aristóteles (384-322 a.C.)
Segundo Aristóteles (384-322 a.C.), os seres humanos apresentam
limitações individuais, compreensíveis em razão de nossa condição
imperfeita. Essa imperfeição motiva a busca por outros indivíduos
para a satisfação de nossas necessidades, em um processo de
composição coletiva. Isso é particular da espécie humana,
permitindo-nos acordar e discernir o que constitui o bem e o mal, o
útil e o nocivo, o justo e o injusto - atividades basilares da vida
coletiva.
Aristóteles argumenta que o homem é, portanto, um "animal
político", ou seja, orientado por sua própria natureza para o
desenvolvimento social e cívico em coletividades organizadas.
Nessa condição, a estruturação de sociedades não visaria apenas à
sobrevivência da espécie humana, mas também à promoção do
bem-estar, compreendido igualmente como desígnio natural da
essência humana. A negação do aspecto cívico do homem, na
perspectiva aristotélica, produziria seres detestáveis, predispostos à
exploração imoral dos outros e à guerra contínua.
Ao vincular a felicidade humana ao pleno exercício dessa natureza
cívica, Aristóteles conecta a satisfação individual ao engajamento
em processos coletivos de busca de um bem comum. Dessa forma,
diferencia os habitantes dos cidadãos, na medida em que estes
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últimos não apenas residem em sociedade organizada, como os
primeiros, mas também atuam em prol dessa concepção coletiva da
existência humana.
Diante desse impulso para a atividade e da nossa relação com a
realidade social que nos circunda, o termo "política" certamente se
insere no rol de vocábulos utilizados cotidianamente, que, no
entanto, não apresenta uma conceituação evidente ou um único
sentido. Cabe-nos, portanto, delimitar essa pluralidade de
significados aplicáveis ao termo, ressaltando os sentidos e conceitos
que a palavra "política" introduz no âmbito de nosso presente
estudo.
Siga em Frente...
Política: relações de poder
A raiz da palavra "política" encontra-se no idioma grego, em "ta
politika", que exprime os afazeres típicos da condução da vida
coletiva da polis, a cidade-Estado da antiguidade grega,
compreendendo a produção legislativa, a busca pela justiça e a
construção da infraestrutura local, entre outros. Segundo a filósofa
Marilena Chauí (2000, p. 476), as definições de política ora
classificam a dinâmica política como de interesse amplo da
coletividade e, assim, de valor elevado; ora situam a política em uma
redoma especializada, distante da vida ordinária do homem médio e,
eventualmente, contrária às suas aspirações. Longe de constituir um
descuido ou uma fragilidadeconceitual, esta classificação objetiva
evidenciar o que a filósofa chama de "paradoxo da política",
obrigando-nos a questionar certas percepções corriqueiras sobre o
tema e a redefinir o lugar da política em nossa vida cotidiana.
As potenciais contrariedades existentes neste paradoxo seriam
reduzidas se compreendêssemos a política em sintonia com a ideia
aristotélica de animal político, reforçando que o desenvolvimento
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integral das faculdades individuais exige o reconhecimento dos
vínculos sociais em uma coletividade. Desta maneira, a frequente
percepção de que a política é algo estranho ou mesmo contrário ao
desenvolvimento pessoal de cada ser humano não teria o
acolhimento que, infelizmente, ainda recebe em nossa sociedade
(Conti, Alves, 2019).
De acordo com a professora Chauí (2000), é fundamental ressaltar o
potencial que a política nos fornece para o ajuste de visões
conflitantes e opiniões diversas sem a necessidade de recorrermos
a confrontos abertos por meio do uso da força. Assim, traduzindo "o
modo pelo qual os humanos regulam e ordenam seus interesses
conflitantes, seus direitos e obrigações enquanto seres sociais.
Como explicar, então, que a política seja percebida como distante,
maléfica e violenta?" (Chauí, 2000, p. 478). Adicionalmente, na
condição de campo de deliberação para a busca do bem comum,
não haveria fundamento relevante para compreender a política
como um fardo a ser encarado por cada indivíduo. O combate a tais
deturpações encontra-se justamente no reforço da consciência
política, e não em sua recusa.
O aumento do interesse nos assuntos comunitários e do sentimento
de pertencimento a um grupo social amplo eleva o zelo e a
responsabilidade sobre a condução da política, permitindo-nos
perceber que os diversos domínios de nosso cotidiano estão sujeitos
a considerações políticas, seja em função da existência de leis e
regulamentos aplicáveis a um tema ou da atuação direta do Estado.
De modo semelhante, nosso trabalho, nosso lazer, nossos costumes
e hábitos consolidam práticas sociais que conferem ao
funcionamento coletivo certas especificidades, influenciando na
organização política.
Justamente por se tratar de uma atividade potencialmente ampla,
cujas intersecções abrangem todas as áreas de nossa vida rotineira,
o exercício efetivo da administração pública pode apresentar
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significativa diferença no alcance da intervenção estatal, definindo
variados sistemas políticos percebidos ao longo da história.
O exercício de pensar sobre quais devem ser as funções do Estado
pode ser beneficiado pela percepção oposta, imaginando como
seriam as relações humanas sem esta organização política, em uma
conjuntura na qual cada homem atua isoladamente – o denominado
Estado de Natureza. Para o filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-
1679), esta situação resultaria em um conflito permanente, uma vez
que cada indivíduo, temendo por sua vida, desenvolveria métodos
para se proteger, estimulando que os demais também ampliem seu
poderio; a inexistência de garantias de proteção tornaria o medo
uma constante da existência humana, já que os indivíduos
constituiriam ameaças uns aos outros, conforme ilustra a famosa
ideia de que "o homem é o lobo do homem". Nesta situação, seria
razoável que os homens acordassem em renunciar parte de suas
liberdades individuais para, coletivamente, estabelecer uma
autoridade superior, capaz de assegurar a paz; trata-se da formação
do Estado soberano, ao qual os súditos cederiam seu poder.
Modelos de Estado
A metáfora estabelecida por Hobbes para o produto deste pacto
social é a do Leviatã, um gigantesco monstro bíblico, refletindo a
concepção de poder absoluto que o Estado assumiria em sua
prerrogativa de manutenção da ordem. Neste sistema político, seria
legítimo que o ente soberano concentrasse o poder de intervir, sem
responsabilizações, em quaisquer dos domínios da vida coletiva ou
de seus súditos, conforme efetivamente se observou nos modelos
de monarquia absolutista contemporâneos deste pensador inglês.
No século XVIII, entretanto, a forte conexão entre o poder do
monarca absolutista com as prerrogativas do Estado começa a ser
questionada, sobretudo à medida que o crescimento econômico da
burguesia europeia se avoluma, demandando a equivalente
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ampliação de direitos civis e políticos desta importante camada
social. O poder concentrado do soberano, neste contexto, passa a
ser compreendido como uma afronta à liberdade individual, e o
estabelecimento de limites à intervenção do Estado nas vidas
privada e coletiva passa a ser defendido com mais vigor (Conti;
Alves, 2019).
Em linhas gerais, este liberalismo político reduz as funções do
Estado, classificando-o como "Estado mínimo" ou "Estado de
polícia", concentrando a atuação pública na proteção das garantias
individuais, como o direito à propriedade privada, na manutenção da
ordem social e na defesa frente a ameaças externas. A aplicação
prática desta nova mentalidade se desenvolve por meio da
imposição de constituições às quais os monarcas deveriam se
subordinar, nas chamadas monarquias constitucionais. Surgem
também estruturas republicanas, como nos Estados Unidos da
América, e, sob a influência de John Locke (1632-1704), a lógica de
separação dos poderes, na qual a existência de entes distintos
constitui importante instrumento de contenção do poder do
soberano.
Esta perspectiva preponderantemente individualista do Estado
liberal foi fundamental para a valorização da liberdade humana e o
fortalecimento do progresso econômico e científico, estimulado, por
exemplo, pela livre iniciativa. No entanto, a existência de
oportunidades e condições distintas para o progresso individual e o
exercício dessas liberdades pessoais, em um ambiente de
contração dos vínculos solidários e coletivos da sociedade, deu
margem à ampliação de injustiças sociais, excluindo grande parcela
das populações nacionais dos benefícios do progresso.
A reação a este processo excludente manifesta-se já no fim do
século XIX e início do XX, pela retomada de concepções políticas
favoráveis à maior atuação Estatal, focada, neste momento, na
solução de graves problemas sociais, como a fome e o desemprego.
Nas experiências socialistas observadas, sobretudo na União das
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Repúblicas Socialistas Soviéticas e em países do leste europeu, o
Estado assumiria a tarefa de reverter privilégios concentrados por
certas classes sociais, defendendo a expansão do controle estatal
sobre os meios de produção e a subsequente redistribuição das
riquezas de modo mais igualitário – e teria como contrapartida a
supressão de ideias de livre iniciativa e outras liberdades da
concepção liberal.
O modelo de Estado de bem-estar social, por sua vez, defenderia a
intervenção estatal não como detentora dos meios de produção,
mas, preponderantemente, reconhecendo as funções de regulação
e estímulo que a atividade estatal pode exercer na dinâmica
econômica e na prestação de serviços públicos, conciliando
interesses privados e públicos, a exemplo do que se observou na
presidência de Franklin Delano Roosevelt (1882-1945) nos Estados
Unidos, nos anos de 1930 e 1940.
Já nas últimas três décadas do século XX, entretanto, a
compreensão da importância das intervenções estatais nos sistemas
políticos volta a oscilar em direção aos preceitos do liberalismo. Os
avanços tecnológicos, o desenvolvimento de mercados financeiros e
o fracasso de experiências de orientação socialista podem ser
citados como fatores que conferem àatuação do Estado a
classificação de obstáculo à lucratividade e ao aspecto global e
dinâmico do capitalismo contemporâneo. Sob tal perspectiva
neoliberal, a atuação de agentes privados seria mais eficiente do
que intervenções estatais nos setores da economia, justificando o
estabelecimento de microestados, cuja função seria apenas garantir
o funcionamento do livre mercado no qual as interações privadas
acontecem.
Essas variações nos fundamentos e nas consequências da atuação
estatal apresentam fortes vínculos com a capacidade de exercício
dos direitos e das garantias individuais e coletivas, exercendo,
portanto, influência na afirmação do caráter democrático de uma
sociedade. No entanto, a classificação de um ambiente democrático
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não é exclusiva de um ou outro nível de intervenção estatal, mas
exige uma composição de procedimentos que ora se baseia na
abstenção do Estado de determinados atos, ora requer uma
prestação de serviço público, a depender do preceito democrático
protegido.
A democracia, ou o "governo do povo" em grego antigo, pressupõe
um regime político no qual a condução dos afazeres da sociedade é
definida pelos cidadãos, agindo diretamente neste processo de
tomada de decisões ou por meio de representantes eleitos para tal
finalidade. Assim, o estabelecimento de processos eleitorais
regulares, de mecanismos de participação popular, de partidos
políticos e da observância da vontade majoritária são requisitos
fundamentais para uma democracia. Entretanto, a democracia não
consiste apenas nestas participações e representações, mas, de
acordo com conceituações contemporâneas, engloba também
aspectos substantivos das condições de vida experimentadas pelos
cidadãos, incluindo variáveis como o bem-estar humano, a
preservação do sentimento de segurança, a proteção de minorias e
a capacidade de resolução de conflitos de uma sociedade (Conti;
Alves, 2019).
Desse modo, a criação de direitos e a viabilização de meios efetivos
para o exercício destas prerrogativas também são elementos
indispensáveis a uma democracia, exigindo que, em certas
situações, o Estado tenha uma conduta negativa, abstendo-se de
interferir na vida cotidiana dos cidadãos, em benefício, por exemplo,
de seu direito à propriedade, à liberdade de culto e de expressão.
Em outros casos, é justamente pela intervenção do Estado que os
princípios democráticos são respeitados, ao propiciar condições
mínimas de saúde e educação, ao promover a inclusão de grupos
marginalizados, entre outros. De modo semelhante, a negação
extrema da democracia, a ditadura, pode ser fortalecida pela
execução arbitrária de atos do poder público, como o cerceamento
de direitos políticos dos cidadãos, ou da inércia do Estado em
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assegurar condições básicas da dignidade humana, permitindo, por
exemplo, o extermínio de grupos sociais minoritários.
Diante das múltiplas potencialidades que o estudo da política nos
fornece, abordando nossa essência enquanto seres humanos,
nossos hábitos e afazeres cotidianos e orientando o desfrute efetivo
dos direitos elementares de um Estado democrático, parece-nos que
a discussão política constitui recurso de valor inestimável para a
compreensão de nossa realidade e de nossa própria existência em
sociedade.
Vamos Exercitar?
As questões que iniciaram nosso estudo nos levaram até Aristóteles,
pois existem elementos característicos de nossa natureza humana
que nos fazem insistir na vida em coletividade. Seria razoável
encontrarmos na esfera política um valor maior do que em outros
núcleos de nossa existência cotidiana, não é mesmo? Se somos
"animais políticos", é porque é justamente na condução das
atividades típicas da existência em sociedade que o homem
encontra lugar para dar vazão a suas mais elevadas
potencialidades.
Assim, a política deve considerar valores – e formas práticas de
implementar esses valores em nossa realidade – que são
específicos de sua área de atuação, exigindo do Estado um
funcionamento diferente de outras organizações sociais menos
abrangentes, como domicílios e empresas privadas.
Embora a atuação do Estado tenha sido interpretada de diferentes
maneiras ao longo da história, em sintonia com diferentes
movimentos e ideologias sociais vigentes, é preciso reconhecer que
esses diversos sistemas políticos já observados conferem ao Estado
uma posição particular na organização das dinâmicas sociais.
Mesmo quando se pretende reduzir a intervenção estatal ao mínimo
possível, as atividades que ainda assim permanecem sob domínio
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do Estado – garantir direitos, por exemplo – traduzem a essência da
vida política que não encontra contrapartidas nas formas de
organização privada (CONTI, ALVES, 2019).
Neste mesmo sentido, os processos coletivos de definição da maior
ou menor atuação estatal são também essencialmente políticos.
Assim, ainda quando se pretende defender a valorização do âmbito
privado da vida dos indivíduos, este posicionamento só terá
relevância social se obtiver força política, algo que demonstra a
amplitude e a importância deste campo.
Por tratar de valores sociais, definindo quais são os princípios mais
importantes de uma coletividade e como aplicá-los, a atividade
política não se restringe apenas à gestão técnica da administração
pública. Se bem verdade que o estabelecimento de um conjunto de
mecanismos e procedimentos práticos pode ser fundamental para a
condução dos serviços públicos, a formação de convicções mais
amplas que servem de orientação a uma sociedade – a democracia
ou a dignidade da pessoa humana, por exemplo – asseguram que a
política seja algo mais do que a simples operacionalização da vida
em grupo, mas, sim, uma forma da sociedade expressar seus ideais
mais fundamentais. Desse modo, mais do que uma necessidade
prática, o estudo da política é algo que nos qualifica enquanto seres
humanos e define a essência da sociedade que queremos formar.
Saiba Mais
A política espelhando o costume
Tradicionalmente, os cidadãos tendem a orientar suas atitudes
diárias em conformidade com o que estipula a lei. Seja por
convicção de que a norma determina uma conduta desejável, pelo
sentimento de pertencimento a uma sociedade, ou apenas pelo
receio de eventuais sanções que o descumprimento de uma regra
pode gerar, os indivíduos mostram-se, em linhas gerais, dispostos a
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aceitar o que manda a norma. Esta relação, todavia, existe também
no sentido oposto, já que não são raras as vezes em que são
justamente os hábitos de conduta popular os fundamentos para a
edição de uma lei.
Para leitura, indicamos esta reportagem para que você entenda
melhor como este processo pode ser importante para nossa vida em
sociedade.
BARBOSA, V. Rio de Janeiro é primeira capital brasileira a proibir
canudos plásticos. Revista Exame, 5 jul. 2018.
Referências Bibliográficas
ALT, F; LAMA, D. O apelo do Dalai Lama ao mundo: ética é mais
importante que religião. Salzburg: Benevento Publishing, 2017.
ARENDT, H. (1963). Eichmann in Jerusalem: a report on the
banality of evil. New York: Penguin Books, 2006.
ARENDT, H. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva,
2005.
ARENDT, H. Responsabilidade e julgamento. São Paulo:
Companhia das Letras, 2004.
ARISTÓTELES. A política. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Edipro, 2014.
ARISTÓTELES. Os pensadores: Aristóteles. São Paulo: abril,
1978.
BARBOSA, V. Rio de Janeiro é primeira capital brasileira a proibir
canudos plásticos. Revista Exame, 5 jul. 2018. Disponível em:

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