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FACULDADE DE GEOGRAFIA 
MÓDULO: MEIO AMBIENTE 
COMPONENTE: GEOGRAFIA RURAL E AGRÁRIA 
 
 
Criação de Bovinos + circuito de produção de proteína animal 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 A produção de proteína animal envolve dois grandes mercados que movimentam o 
Brasil, a bovinocultura de corte e a leiteira. De grande importância para a economia 
nacional, entender sobre seu processo de produção e o que está envolvido nessas 
atividades, é importante para conhecer sua dinâmica, e o que isso envolve. A busca 
de informações feita procura mostrar os sistemas de produção do leite e da carne, 
onde apresenta os principais assuntos presentes nesse meio, com destaque para as 
questões de saúde animal, meio ambiente e desenvolvimento para produção. 
 Empresas de ambas as áreas serão analisadas por aspectos empíricos, de 
maneira a retratar questões trabalhistas e sobre as condições de trabalho que estão 
expostas. Dessa forma, obter uma análise ampla que vai desde aspectos 
econômicos até os sociais. Para que exista a compreensão do que é envolvido de 
forma abrangente, onde os processos abordados são aqueles de maior relevância 
para a geografia. 
 
Bovinocultura de corte 
 Conforme estudado e constatado em um arquivo publicado em 2018 pela Senar 
que relaciona a bovinocultura de corte como uma das atividades mais importantes 
economicamente falando do país. Ela trabalha com a criação de bovinos com o 
objetivo de produzir carne e seus derivados. O segundo estudo do Senar, ainda 
precisa mensurar e decidir qual a melhor raça de acordo com a sua região e a 
finalidade do confinamento. Por exemplo: Animais zebuínos, são mais resistentes, 
mais demoram na engorda e com menor quantidade de gordura e os animais 
taurinos, que chegam ao peso de abate em menos tempo, com maior quantidade de 
gordura. 
 De acordo com os estudos para a reprodução desses animais de corte, hoje temos 
duas opções para a reprodução desses gados, que seria a monta natural (onde a 
fêmea e o macho realiza o coito livremente) e através da inseminação artificial 
(processo onde o sêmen do macho é inserido diretamente no sistema reprodutivo da 
fêmea). 
 A bovinocultura se relacionam em 3 fases para finalização, que são: (cria, recria e 
terminação). A fase de cria corresponde aos animais fêmea e macho que já foram 
criados na propriedade, envolvendo as vacas, as novilhas e os reprodutores. A fase 
de recria se faz no final da desmama do bezerro(a) até o momento que ele é 
destinado à terminação. Já a fase de engorda é ligada com a fase de recria, onde o 
gado(a) precisa estar com o peso ideal para seguir para a fase de terminação. 
Assim, finalizando com a fase de terminação onde é caracterizada pela aparência 
final do animal, é feito o melhor trabalho de engorda e cuidados com a carcaça do 
bicho, para valorizar o ganho do gado. Essa fase no Brasil ainda é caracterizada 
pela pastagem, onde é uma parte do campo fechada e separada contendo o 
bebedouro e o cocho para acompanhamento facilitado da alimentação de cada 
animal. 
 Relacionando as práticas de abate desse setor, onde passam por um manejo pré 
abate dos bovinos. A primeira questão a ser considerada é a forma de embarque 
dos animais, onde precisasse definir os animais adequados para a prática. Após isso 
temos a condução dos animais que devem ser conduzidos sempre ao passo, sem 
correrias e sem gritos, para não comprometer a saúde mental. Assim acomodamos 
os animais no curral, que também deve ser realizada com muita calma, sem gritos e 
sem uso de ferrões, paus e bastão elétrico, após isso seguimos com toda a 
programação de direcionamento dos animais ao abatedouro, seguindo assim com o 
desembarque dos animais e podendo seguir com o abate, que se caracteriza como 
correta quando o abate proporciona: qualidade visual, pois evita carne escura de 
animais que sangram inadequadamente; qualidade sensorial, evita endurecimento 
da carne por meio da aplicação de estimulação elétrica é correto resfriamento da 
carcaça; por reduzir a possibilidade de contaminação ou por inspecionar e soltar 
carcaças sem o risco de propagação de doenças. 
 No cenário que se apresenta, é fundamental que o pecuarista observe algumas 
tendências comportamentais do mercado consumidor,com todas as possibilidades 
que oferece, bem como os incentivos do governo e as perspectivas econômicas 
para poder ajustar os investimentos na sua produção. Já que a preferência pela 
carne também é ditada por fatores culturais, vale apostar nas exportações, ou focar 
em grupos dispostos a pagar por produtos especiais.Contudo, todo produtor de 
carne bovina, independentemente da fatia de mercado que ocupe, deve se preparar 
e adaptar sua produção de modo que tenha menos prejuízos e maior retorno sobre 
seus investimentos. 
 Há a questão alimentícia dos bovinos, a nutrição é muito importante para manter o 
bem-estar e a aparência ideal do gado, assim contendo na maioria das vezes em 
sua nutrição alimentos volumosos e concentrados. Os principais alimentos são o 
Milho, Silagem de cana-de-açúcar, Cana-de-açúcar fresca picada,Silagem de capim. 
 A saúde reprodutiva de vacas e novilhas leiteiras depende da saúde dos bovinos 
como um todo, que por sua vez está diretamente relacionada à nutrição, redução do 
estresse de processamento, controle de parasitas internos e externos e uso de 
vacinas para prevenção de doenças. À medida que os bovinos recebem um bom 
manejo sanitário, são bem alimentados e manejados adequadamente, vão sendo 
reduzidas as possibilidades de ocorrência de problemas de saúde específicos da 
reprodução. 
 O controle sanitário na bovinocultura, engloba a manutenção da higiene, sanidade 
e bem-estar animal, mas tecnicamente, esse manejo envolve vacinações e o 
controle de zoonoses do rebanho, tudo para que este seja, de fato, sadio e lucrativo. 
 Com toda essa rotina regrada e cheia de pontos importantes para uma boa 
apresentação dos gados, também levamos em conta toda a questão da sanidade 
mental do animal, onde é envolvido na prevenção, planejamento e cuidado com a 
qualidade de vida do rebanho, tornando a produção cada vez maior e melhor. 
Bovinos saudáveis garantem a qualidade da pecuária nacional e internacional, 
protegendo a saúde pública e o meio ambiente. 
 Referente ao trabalho e processo, hoje os criadores estão introduzindo em suas 
criações um sistema chamado melhoramento animal,avaliando e mensurando as 
características de interesse econômico nos animais para que se obtenha a predição 
dos valores genéticos dessas características. Assim, classificando em qual fase tem 
que ser dado uma melhor atenção para que o final seja agradável. 
 Como todo processo que é realizado com base nas partes naturais, a bovinocultura 
de corte não seria diferente, aonde o criador ao decidir montar um confinamento, é 
necessário procurar apoio técnico, além de informações complementares das 
técnicas e da legislação, a fim de obter melhor produtividade com segurança e 
respeito aos animais e ao meio ambiente. Hoje as instalações adequadas facilitam 
o bom manejo do rebanho, sendo desde as cercas e porteiras, cochos e 
bebedouros, estrutura do “creep-feeding” e “creep-grazing”, o curral de manejo e 
seus componentes, o galpão de confinamento até os silos para armazenamento 
de alimentos. Cada um com sua função e importância dentro do sistema de 
produção. 
 Os principais problemas apontados pelos pesquisadores são a degradação dos 
sistemas ambientais, degradação do solo, emissão de gases efeito estufa e poluição 
dos recursos hídricos. Com exceção desta última, a subutilização dos recursos 
naturais (baixa concentração animal) é a principal responsável pelas externalidades 
negativas da atividade. Quanto às emissões de GEE, esta atividade contribui com 
cerca de 16% do total, segunda maior, assim tendo que ser melhor acompanhada 
por todos os criadores/abatedouros do país. 
 
 
 
Produção de carne bovina e criação a pasto e confinamento 
 
 De acordo com dados do IBGE(2013), cerca de 17,10% da renda familiar dos 
brasileiros é destinada à alimentação, permanecendo atrás somente da habitação 
(29% da despesa total). Dentre os itens consumidos pelos brasileiros, o grupo 
“carnes” é o que mais pesa nas despesas (18,34%). Com relação à carne bovina, a 
classe alta tem um gasto maior com carne de primeira (3,93% contra 2,43% da mais 
baixa), enquanto a classe de renda mais baixa gasta um percentual maior com carne 
de segunda (4,47% contra 1,06% da mais alta). As maiores aquisições de carne 
bovina ocorrem nas regiões Sul e Norte (21,2 kg em ambas) e as menores, no 
Nordeste e Sudeste (14,2 kg em ambas), enquanto o consumo no Centro-Oeste 
(17,6 kg) aproxima-se da média nacional (16kg). Por estado, as maiores aquisições 
de carne bovina são verificadas em Rondônia (27,2kg) e Rio Grande do Sul 
(26,1kg), e as menores, na Paraíba (10,2kg) e Ceará (11,3kg). 
 A população brasileira tem mudado sua alimentação, diminuindo o consumo de 
alimentos básicos como arroz, feijão, batata e pães para consumir alimentos 
prontos, que passou de 1,7 kg para 5,4kg (IBGE, 2013). Esta tendência também foi 
evidenciada por Velho et al. (2009), ao analisar a frequência de compra de carne por 
consumidores na cidade de Porto Alegre. Neste estudo, 50% dos consumidores 
compram carne somente uma vez na semana, ou, com frequência menor, o que 
confirma a tendência de mudança na forma de oferecimento dos cortes pelos 
supermercados, que passaram a vender a carne em bandejas, e não diretamente 
cortadas no açougue, visando à facilidade de congelamento e armazenamento. Toda 
essa mudança na alimentação está ligada a questões econômicas e sociais, onde a 
mulher adquiriu uma independência financeira e não consegue mais ficar em casa 
preparando as refeições. Como resultado ocorreu alterações nos hábitos e 
comportamentos alimentares, como o incremento do consumo alimentar fora de 
casa, o aumento do consumo de alimentos processados e a substituição das 
refeições e preparações tradicionais por lanches rápidos (SOUZA et al., 2013). 
 Os consumidores de carne que possuem um conhecimento maior sobre o assunto 
e tem condições de se preocupar com a procedência da carne, buscam consumir 
carnes vinda da criação de boi a pasto, pois esse tipo de criação acaba sendo 
menos agressivo ao boi e a carne é mais macia conhecida como angus. Algumas 
marcas de carnes possuem na própria etiqueta de embalagem uma cor diferenciada 
que mostra que aquela carne é vinda de um boi a pasto ou a confinamento. No 
mercado, a maioria das carnes são de boi criado em confinamento, pois sai mais 
barato esse tipo de criação. 
 Os bois criados em confinamento recebem uma grande quantidade de alimento, 
isso acontece para que o gado cresça e engorda rápido para que vá para o mercado 
rápido. Esse tipo de criação gera custos, mais ou menos 80% dos custos totais. O 
crescimento rápido do animal faz com que ele precise de mais nutrientes, então o 
confinador deve suprir as necessidades de vitaminas, energias, proteínas, que são 
nutrientes contidos nos alimentos. Possuem dois tipos de nutrientes os concentrados 
e volumosos, os concentrados são os alimentos que possuem alto teor energético e 
baixo valor de fibras, que são os grãos, já os volumosos possuem alto teor de fibra 
que são capim de corte, feno e a cana de açúcar, os volumosos são mais 
abundantes por isso são mais baratos. A relação entre concentrado e volumoso 
depende da disponibilidade de cada um deles e de seus preços, além do 
atendimento às demandas nutricionais. Também são usados antibióticos nos 
animais de confinamento para aumentar o ganho de peso, os melhores resultados 
na utilização de antibióticos ocorre nos alimentos concentrados o que também ajuda 
na prevenção ou redução de abcessos no fígado. 
 
 
Bovinocultura leiteira 
 
 No que se diz respeito à bovinocultura leiteira, começar pelos aspectos naturais se 
faz importante pelo impacto direto na alimentação do animal, onde 50% dos custos 
relacionados a sua produção provém do que as vacas consomem. De maneira geral, 
esse tipo de ração possui alimentos abundantes, como suplementos minerais, 
vitaminas e aditivos. Em maior volume são consumidos alimentos com fibra bruta, 
como fenos, silagens, capins, palmas, palhadas, que apesar de fornecer baixa 
digestibilidade de energia e proteína, constituem a maioria da ração. E são 
fundamentais para a digestão dos bovinos, que necessitam ter no mínimo 17% de 
alimentos secos para que o leite tenha um teor de gordura normal. Os farelos e 
grãos em menor quantidade são fundamentais para aquisição de proteínas e 
energias, e mesmo com um alto valor para compra se fazem necessários para obter 
uma maior produção. Em que segundo informações Embrapa Gado de Leite, para 
cada quilo de leite produzido, uma vaca precisa comer, além do necessário para sua 
manutenção, 90 g de proteína e 333 g de energia digestível. 
 De acordo com SEBRAE RN, no que consta em seu livro de informações técnicas 
e de gestão, para que seja garantido toda essa alimentação, e se mantenha dentro 
dos custos para lucro, deve haver um dimensionamento com reserva de forragens, 
que será produzida ou colhida nos pastos nativos. A área de cultivo a ser escolhida 
é considerada a partir da diversidade de clima e solo, onde existe a preferência por 
áreas menores e com melhores solos, adubação e irrigação, que se diferenciam de 
acordo com a região. As espécies plantadas devem ser as que melhor se adaptam 
em circunstâncias das condições do solo, clima, topografia, entre outros, de acordo 
com a localidade. Onde deve-se levar em consideração o manuseio correto da 
pastagem, que deve respeitar a divisão da área, período de ocupação, intervalo de 
desfolha (período de descanso),número de animais por área, adubação, e outros 
fatores. Que também devem ser gerenciados de acordo com a raça da vaca leiteira, 
pelo motivo de apresentar diferenças entre os animais. 
 Além da alimentação, o consumo de água, nutriente essencial para o animal e 
apresenta baixo custo. Como o maior constituinte do corpo, a perda de 10 a 12% da 
água corporal pode resultar a depender da raça,em sua morte. Onde, se estabelece 
que um animal necessita quatro vezes mais água do que alimento, peso a peso 
(NUNES, 1998). Quando se trata do fornecimento de água para bovinos de maneira 
geral, a vaca leiteira acaba por ser a que mais sofre privação quanto a hidratação, 
pela grande eliminação de leite, e por conter em seu corpo uma em média, de 55 a 
70% de água. Na questão de qualidade, é ideal que a água seja servida em cochos, 
pois quando localizada em pastagens, mesmo que corrente pode apresentar 
contaminação. Principalmente nos períodos de seca, em que a água fica parada e 
sem renovação, com os animais que defecam e urinam no local. Com isso ocorre o 
risco de contaminação por diferentes doenças, como brucelose, tuberculose, febre 
aftosa e outros agentes, expondo a saúde dos animais. 
 Além da alimentação e água, as condições do ambiente também geram influências 
sobre os animais, em que nos países de clima quente, a adaptação não é tão 
favorável se comparado ao clima mais ameno. E nesse caso, o gado não 
desenvolve totalmente seu potencial genético, com isso Souza et al. (2004) citam 
Arcaro (2000) quando este fala da necessidade de instalações adaptadas, que 
garantem o mínimo de conforto aos animais, para que assim possam desenvolver 
todo seu potencial genético. Logo, para que não exista prejuízo na produção, os 
autores expõem a importância de granjas leiteiras climatizadas e controladas, para 
que não aconteça alterações fisiológicas em decorrência das influências climáticas. 
E nesse quesito, outro fator importante está na raça da vaca escolhida para 
produção, a fim de respeitar suas necessidades e especificidades. 
 No Brasil, algumas vacas são mais comuns para se investir no segmento de 
produção de leite. Dentre elas, a raça Holandesa proveniente da Europa possui o 
maior potencial de produção,sendo a mais propagada pelo mundo. Sua 
características são de exigências quanto ao clima, conforto e manejo. Em 
contrapartida a raça jersey, também europeia, é mais rústica, tem sua adaptação 
fácil, o que a torna a segunda melhor para produção de leite, com alta fertilidade e 
grande longevidade. Outra raça que pode ser usada para produção de carne mas 
predomina para o leite, é a Pardo Suiço, umas das mais antigas do mundo. Essa 
raça tem características rústicas, com boa fertilidade e longevidade. As vacas 
indianas são outras utilizadas, a raça de Zebu Leiteiras denominadas de zebuínas, 
que diferem das europeias. De grande resistência ao calor e umidade, não requer 
alta qualidade nutricional em sua alimentação, e se torna barata e versátil pela sua 
fácil adaptação. Contudo, a escolha da raça deve ser levado em conta os diversos 
aspectos naturais, e recursos disponíveis de acordo com as suas características. 
 Indo para o manejo, os cuidados com o animal devem ser iniciados antes mesmo 
do seu nascimento, com o foco nas práticas de sanidade que visam manter a saúde 
e produtividade. Como orienta as cartilhas da EMBRAPA, ainda na gestação, é 
fundamental que nos últimos 60 dias antes do parto, ocorra a secagem da vaca, 
para melhor produção de leite e desenvolvimento do feto. A alimentação também se 
configura como fator crítico para o crescimento normal do feto, e desenvolvimento 
do bezerro em seus primeiros dias de vida. Onde a vaca não deve ser obesa, ou 
estar magra demais, pelo alto risco de problemas com o parto. Outro cuidado está 
no piquete maternidade, ou pasto que deve ser limpo, seco e com uma alimentação 
diferenciada das demais. Assim que ocorre o nascimento do bezerro, ele deve 
mamar o colostro, importante fonte de nutriente concentrado nas primeiras 
amamentações da vaca. Para que seu desenvolvimento ocorra de maneira 
saudável, a fim de garantir a sobrevivência do animal. 
 Todas as técnicas de manejo do animal são importantes para sua reprodução, que 
acontece também através de melhoramento genético do gado leiteiro. Com o 
crescimento populacional e o aumento do consumo de produtos lácteos, cresce os 
interesses em investimentos no setor. Segundo a revista CFMV de 2008, o 
investimento em geração de emprego para a atividade leiteira é uma das mais 
vantajosas, pois a cada 5 mil reais investidos na pecuária leiteira é gerado um novo 
emprego. E o Brasil em 2007 exportou US$ 11,5 milhões a mais do que os valores 
que foram importados (CNA, 2008), mas ainda não concentra grande produtividade 
se comparado aos EUA por exemplo. 
 O sistema de criação também é fundamental para uma produção vantajosa, de 
forma que garanta a saúde e o bem estar animal. Nesse caso existem práticas 
diferentes que vão direcionadas para dois principais sistemas: o extensivo e o 
intensivo. No caso do extensivo, o gado é criado livre de modo que não necessita de 
grandes investimentos, pois utiliza os recursos naturais da região para retirar a 
maioria dos nutrientes fundamentais para sua alimentação. Entretanto, a produção 
nessa modalidade acaba por ser inferior, com um difícil controle sobre o gado. No 
caso do sistema intensivo, seus meios são totalmente diferentes, pois utiliza o 
confinamento para melhor produção, controle e saúde dos animais, mas em 
contrapartida requer grande investimento financeiro. No caso do gado leiteiro, esse 
sistema é o mais apropriado, principalmente pelo controle de higiene no ambiente, e 
a facilidade de mecanização. A grande dificuldade entretanto está no investimento 
financeiro e na mão de obra qualificada para manusear o local, bem como os 
equipamentos. Esses aspectos negativos, bem como os positivos devem ser 
avaliados de acordo com o esperado para produção, e o capital de investimento 
disponível para o mesmo. 
 Todos esses aspectos apresentados influenciam o momento da ordenha, etapa 
importante para a obtenção de um produto de qualidade, que deve seguir diretrizes 
de higiene e cuidado para não ter o risco de contaminação do leite. Nessa etapa, 
dois procedimentos podem ser adotados, a ordenha manual e a mecanizada. Onde 
na ordenha manual o leite é retirado diretamente das mãos do ordenhador, enquanto 
que a mecânica é realizada com equipamentos que simulam a mamada do bezerro. 
Os dois métodos funcionam para a ordenha, mas deve ser levado em conta a 
produção e a quantidade de leite produzido, pois de maneira manual, o pouco 
investimento resulta em uma quantidade menor de produto. Sendo viável apenas 
para pequenos produtores, enquanto que a mecanizada garante maior produção, 
com a exigência de investimentos financeiros e mão de obra capacitada para o 
trabalho. 
 Esses cuidados, bem como o investimento para obtenção de um produto de 
qualidade, que siga com as exigências do mercado são diferentes se comparado a 
bovinocultura de corte. Principalmente no momento da ordenha e com a saúde do 
animal, que deve possuir maior atenção e investimento financeiro, de maneira a 
buscar sempre por métodos eficientes. Pois as vacas leiteiras exigem uma 
alimentação e um ambiente apropriado para manter os padrões, em vista que a 
mesma vai gerar o produto final e viver por mais tempo que o gado de corte. Onde o 
mesmo nasce e cresce com a finalidade de ser abatido, e no caso do Brasil ter todas 
suas partes comercializadas. 
 Logo, se faz necessário que o manejo de bovinos leiteiros envolva, também, 
práticas inerentes à atenuação dos efeitos desfavoráveis do ambiente, com a 
mesma ênfase que é dada àquelas que dizem respeito à alimentação, sanidade, 
genética, reprodução e produção. (NOBRE, 1984). E com isso é desejável que o 
sistema seja eficiente na movimentação, alimentação e manejo dos dejetos, 
devendo prover um ambiente que, ao mesmo tempo, seja saudável para os animais 
e que promova condições de trabalho favorável e confortável para os funcionários e 
que seja, por fim, mas não menos importante, economicamente viável. (CAMPOS et 
al, 2005). No que cita a EMBRAPA Gado Leite sobre dejetos, existem inúmeros 
prejuízos ambientais ocasionados com um manejo inadequado, pois são as 
principais causas de poluição dos recursos hídricos. Assim, deve-se buscar a 
alternativa para manejo que melhor se adequa ao sistema de produção existente no 
local. 
 Todos os cuidados são necessários para a saúde do animal, e devem ser 
redobrados no momento da ordenha. Que deve acontecer em um ambiente limpo e 
confortável, onde segundo o SEBRAE recomenda-se salas com lotes menores de 
vacas, ordenhadas simultaneamente. Em uma cartilha do governo feita pela Funep, 
que apresenta boas práticas de manejo para a ordenha, é citado o conceito de 
ordenha sustentável. Que consiste em um trabalho realizado de forma correta, 
paciente e cuidadosa, com o entendimento do comportamento da vaca leiteira, a fim 
de respeitar suas necessidades. Outra prática citada pela EMBRAPA está na 
produção de leite orgânico, que deve englobar um sistema de boas práticas, e 
substituição de insumos externos. Com a adaptação do animal às condições 
regionais, e o desuso de materiais sintéticos, mas, mantendo uma alimentação 
equilibrada. O leite produzido também deve ter um selo de certificação, conferido por 
uma certificadora de alguma empresa relacionada a produtos orgânicos. E com isso 
obter um produto de qualidade. 
 
 
Bovinocultura leiteira: empresa Fazenda Bela Vista 
 
 A fazenda Bela Vista surgiu em 1960 nas divisas do estado de São Paulo e Minas 
Gerais, na época ainda chamada de fazenda são josé, começou a produzir leite de 
origem bovina, principalmente o tipo B, com o passar dos anos ganhou espaço no 
mercado e começou a expandir, já contava com 1000 animais em lactação e inseriu 
o sistema free stall para facilitar o manejo dos animais, maior conforte e também 
segurança de seu produto já que os animais ficam confinados em grandes galpões 
que mantém um alto padrão de limpeza impedindo a propagação de doenças e 
infecção do leite. Em 1984 houve aindamaior evolução com a construção do 
complexo produtivo da fazendo São José e três anos depois entrou em operação a 
atual fazenda Bela Vista com um grande e avançado centro de produção de leite tipo 
A, segundo o próprio site da empresa. A partir daí continua em expansão com 
investimentos em altas tecnologias, importações de animais e embriões de alto 
padrão para maior qualidade e qualidade e capacidade produtiva, havendo 
crescimento também em sua linha de produtos. 
 Para maior aprofundamento seguindo as ideias abordadas em nosso texto base 
retirado da revista UNIANDRADE que aborda a exposição dos trabalhadores da 
pecuária leiteira aos riscos ocupacionais, escrito por professores e doutores, é 
conhecido e comprovado através dos métodos de pesquisa utilizados um outro lado 
da pecuária leiteira que é muito difícil de se ver as empresas e fazendas abordando, 
a parte trabalhista, seus riscos e dificuldades. No artigo se avaliam desde as 
questões técnicas até as sociais com depoimentos dos trabalhadores. A abordagem 
utilizada foi a quali-quantitativa, por meio do estudo de múltiplos casos em 14 
propriedades rurais presentes no estado do Paraná com produção voltada para o 
leite de origem bovina, tema do presente trabalho. Através de entrevistas e 
acompanhamento das atividades realizadas com trabalhadores foram coletados os 
dados. 
 Os principais riscos ocupacionais na atividade leiteira são: Ergonômicos: atingem a 
estrutura musculoesquelética são causados devido a jornadas de trabalho muito 
longas que variam de 44 a 91 horas/semanais e sem condições de trabalho 
adequadas levando o trabalhador a adquirir postura incorreta e dores na 
musculatura. Ficando em pé durante muito tempo, exercendo o levantamento e 
transporte manual de pesos, tais queixas são menores em fazendas/empresas como 
a fazenda bela vista já citada que utiliza da ordenha e outros processos mecânicos, 
mas ao se pensar no manejo do gado, limpeza do ambiente em que fica também 
podemos encaixar essas atividades nos riscos ergonômicos; Acidentes: podem ser 
causados devido a falta de EPI'S no manejo do rebanho, na utilização de máquinas 
e equipamentos também; Físicos: pode ser causado por diversos fatores como 
exposição a radiação solar, vibrações e ruídos de máquinas, dentre outros; 
Químicos: riscos causados pela exposição a produtos químicos; por fim riscos 
Biológicos: Exposição, contato com pelos e dejetos de animais infectados, animais 
peçonhentos e à água contaminada, a empresa escolhida para ser abordada no 
referido trabalho utiliza do sistema free-stall onde os animais ficam alojados em 
amplos galpões, é de extrema importância que o local seja extremamente limpo para 
não contaminar o leite e evitar a propagação de doenças entre os animais que ficam 
todos juntos, o uso de EPI´S então torna-se indispensável para evitar a 
contaminação através dos dejetos dos bovinos durante as limpezas dos galpões. 
Avalia-se a importância do uso dos EPI 'S para a garantia de saúde e bem estar do 
trabalhador. 
 Nas entrevistas realizadas 100% dos entrevistados afirmaram que não utilizam 
todos os equipamentos de proteção pessoal recomendados, a maioria justificou a 
falta de uso por custo de aquisição, desconforto na utilização e também a falta de 
instrução sobre como utilizá-los. A falta de informação muito presente, onde 44,5% 
possuem apenas o ensino fundamental I incompleto e recursos são grandes 
motivos para esses trabalhadores não conseguirem lutar por melhores condições de 
trabalho, remuneração e proteção, como a pesquisa foi realizada em 
fazendas/empresas de pecuária familiar não possuímos aqui dados sobre como 
grandes empresas agem diante dessas questões, porém na pecuária familiar 
notou-se que a desinformação e o vínculo entre as pessoas favorece o 
descumprimento das recomendações de segurança. A falta de transparência de 
grandes empresas e fazendas dificulta a obtenção de dados sobre as questões 
trabalhistas, ambientais e sociais, informações são de difícil acesso e as principais 
fontes são originárias das próprias empresas que utilizam disso para promover seus 
pontos positivos, mantendo e aumentando assim sua posição no mercado e lucros. 
 
 
Melhoramento genético 
 Na questão de reprodução, e inseminação artificial é uma aliada para que exista 
uma elevada produtividade com a qualidade do produto. Exemplificando, a 
inseminação artificial – IA é a técnica singular mais importante desenvolvida para o 
melhoramento genético dos animais, já que poucos reprodutores selecionados 
produzem sêmen suficiente para inseminar milhares de fêmeas anualmente (HAFEZ 
& HAFEZ, 2004). Nessa questão, os primeiros relatos datam de 1780 e, segundo a 
Associação Brasileira de Inseminação Artificial – ASBIA (2004), aproximadamente 5 
a 7% das fêmeas em idade reprodutiva são inseminadas artificialmente no Brasil. 
Sendo essa uma biotecnologia importante para o melhoramento do rebanho, mas 
que acaba esbarrando na dificuldade em identificar o cio do animal, que acaba por 
requerer tempo e mão de obra qualificada (BARROS & ERENO, 2004). Além dos 
uso dessas técnicas, deve ser garantido um manejo sanitário adequado, com 
tratamentos clínicos realizados precocemente por um médico veterinário 
responsável pelo trabalho. 
 
 Além da alimentação e água, as condições do ambiente também geram influências 
sobre os animais, em que nos países de clima quente, a adaptação não é tão 
favorável se comparado ao clima mais ameno. E nesse caso, o gado não 
desenvolve totalmente seu potencial genético, com isso Souza et al. (2004) citam 
Arcaro (2000) quando este fala da necessidade de instalações adaptadas, que 
garantem o mínimo de conforto aos animais, para que assim possam desenvolver 
todo seu potencial genético. Logo, para que não exista prejuízo na produção, os 
autores expõem a importância de ambientes climatizados e controlados, para que 
não aconteça alterações fisiológicas em decorrência das influências climáticas. E 
nesse quesito, outro fator importante está na raça da vaca escolhida para produção, 
a fim de respeitar suas necessidades e especificidades. 
 Com o material disponibilizado pela EMBRAPA, em um programa específico para o 
estudo da produtividade da carne bovina no país, citando o melhoramento genético. 
O grande objetivo desse processo é classificar as características de maior interesse 
dos animais para que se obtenha a melhor precificação genética dessas 
características, assim classificando os bovinos com finalidade de seleção. Assim 
tornando o gosto do produtor e o que o mercado exige. 
 O processo de fixação de características favoráveis aos sistemas de produção 
modernos, que sejam mais eficientes e sustentáveis e que atendam às 
necessidades e exigências do consumidor atual, se dá basicamente por meio da 
seleção e do sistema de acasalamento. De maneira bem simples, podemos definir: 
Seleção onde é a escolha dos animais que serão os progenitores da próxima 
geração; E os sistemas de acasalamento onde é a definição de quais touros serão 
cruzados com as vacas. Entre eles, o principal é o cruzamento de raças distintas. 
 Definindo que é o melhor animal, seguindo para distinguir os animais e os critérios 
utilizados para a seleção, separe os grupos, realize a avaliação genética assim 
seguindo para a seleção e finalizando com o acasalamento dos bovinos. 
 
 
Sanidade Animal, doenças transmitidas por alimentos e tecnologias 
 Existem patógenos que causam doenças na cadeia produtiva como os vírus (febre 
aftosa, diarreia viral bovina), bactérias (brucelose, tuberculose), essas doenças vêm 
sendo controlada por conta das tecnologias avançadas que temos atualmente que 
possibilita uma melhor qualidade de carne. Tem se estudado muito novos genes 
para o diagnóstico precoce e vacinas. Hoje já se utiliza proteínas quiméricas para 
diagnóstico rápido de tuberculose em bovinos para brucelose vacinas marcadoras 
mutantes derivadas de knockout gêmco, vacinas com proteínas recombinantese de 
subwlidades para outros patógenos de suínos, aves, caprinos e ovinos, entre outros 
animais (MELO et al., 2015; VIALE et al., 2016). 
 A tecnologia ajuda muito com o mapeamento da resistência e susceptibilidade 
animal às encefalopatias espongiformes transmissíveis, doenças de grande impacto 
para a economia dos países produtores de proteína de origem animal e que muito 
preocupam a segurança alimentar mundial, encefalopatia espongiforme bovina 
(EEB) em bovinos de corte e de leite. Essa ferramenta auxilia não só à seleção 
genética como a programas de melhoramento, análises de risco epidemiológico e de 
prevenção e controle de doenças (GALVÃO et al., 2012; GONÇALVES et al., 2016). 
Dessa forma vemos que a biotecnologia é muito importante para a segurança 
alimentar e nutricional no Brasil, hoje temos a erradicação da doença EEB, o que 
garante a saúde, nutrição e qualidade de alimento para a população. 
 A carne, o leite e seus derivados é importante para a alimentação da população e 
tem importância na economia brasileira. Esses alimentos são considerados um dos 
principais responsáveis pela veiculação de patógenos ao homem, ocasionando as 
chamadas doenças transmitidas por alimentos (DTAs). No Brasil, para uma 
população de mais de 200 milhões de habitantes, de 2007 a 2016, foram notificados 
6.632 surtos de DTAs, com 118.104 doentes e 109 óbitos. Desses surtos, a grande 
maioria foi causada por bactérias, das quais a Salmonella sp. foi o principal agente 
responsável, seguido de Escherichia coli e Staphylococcus aureus (BRASIL, 2016). 
 Doença mais comum em vacas leiteiras é a mastite que é causada por bactérias 
variadas que causa infecção nas glândulas mamárias da vaca, e que é um grande 
problema para a lucratividade na pecuária. Os principais microrganismos que 
causam a mastite são Staphyloccus aures, Streptococcus agalactae, Mycoplasma 
bovis. Dessa forma, a mastite causa não só redução na produtividade e altera o 
valor nutritivo do leite, também pode causar doenças no ser humano, principalmente 
em crianças, pois é difícil pasteurizar nas indústrias. Por isso o cuidador de bovinos 
leiteiros deve se preocupar diariamente com precauções como na linha de ordenha, 
desinfestação pós ordenha e tratamento de vacas antes da secagem, visando 
controlar doenças. 
 
 
Controle parasitário 
 Segundo artigo disponibilizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária 
(EMBRAPA), é de extrema importância o controle parasitário em bovinos de corte, 
pois sem esses esforços para combater tais parasitas pode-se haver uma perda de 
até 20% de ganho de peso no animal infectado, aumento de custos para a aquisição 
de antiparasitários, produção e lucros afetados, além da saúde do animal infectado 
também ser afetada negativamente. causando danos não somente ao animal mas 
também ao criador 
 A sociedade brasileira de parasitologia, apoiada por diversas grandes 
universidades do país, incluindo a UFMG, define parasitas como um ser vivo de 
menor porte que sobrevive associado a um outro ser vivo de maior porte, podem ser 
classificados em três diferentes tipos: Ectoparasita, endoparasita e hiperparasita. 
Nos bovinos os principais tipos desses hospedeiros são ectoparasitas ou 
endoparasitas, se diferem por suas características morfológicas, alimentares e por 
seu ciclo de vida (EMBRAPA) e o conhecimento de suas características e diferenças 
é importante para que seu controle se dê de forma efetiva. Do grupo dos 
ectoparasitas as moscas-dos-chifres, mosca-dos-estábulos e o carrapato-boi são os 
principais parasitas encontrados em bovinos, o seu controle em sistemas de 
integração lavoura-pecuária (ILP) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) são 
diferenciados. Os endoparasitas mais encontrados em sistemas de integração 
bovina são os helmintos, coccídeos e agentes TPB que também possuem formas de 
controle diferenciados, conforme informa a tabela a seguir: 
 
Tabela 1. Características biológicas e controle dos principais parasitas bovinos de 
corte em sistemas de integração(EMBRAPA) 
 
 
 Ainda seguindo os dados disponibilizados no portal EMBRAPA, para maior 
entendimento e compreensão dos parasitas bovinos a seguir será comentado sobre 
cada um e sua forma de controle mais especificamente. 
 As moscas causam prejuízos decorrentes da perda de sangue do animal, perda de 
produtividade, estresse e ainda prejudicam ao couro com suas picadas, o controle 
para prevenção das moscas é indicado no período que antecede as chuvas, o uso 
de carrapaticida também é indicado para o seu controle, entretanto é importante se 
atentar as doses utilizadas. 
 O carrapato-boi, é um dos parasitas que causam mais prejuízos, acompanha o 
bovino durante um ciclo de vida inteiro (ciclo de vida monoxênico) e suas larvas 
alimentam-se e se desenvolvem no animal até a fase adulta em 21 dias, gerando 
assim um ciclo de sofrimento para o animal e gastos ao dono.Para o pesquisador 
Renato Andreotti, vinculado à EMBRAPA, os prejuízos econômicos causados pelos 
carrapatos ocorrem em diferentes graus dependendo da infestação, ocorrendo de 
forma direta e indireta, indo desde a danos ao couro à morte do animal, 
transmissões de doenças, medicamentos e mão de obra especializada para o 
tratamento dos bovinos. O uso de carrapaticida é usado para o controle desses 
parasitas. 
Os vermes (Helmintos) causam prejuízos parecidos aos dos carrapatos nos bovinos, 
como a redução de ganhos de peso, aumento na idade do abate, perdas de peso e 
assim interferindo no desempenho do rebanho. Podem ter ciclos de vida simples ou 
complexos. 
 Já os Coccídios (Eimeriose) são parasitas microscópicos que atuam no intestino 
dos animais, dentro de suas células e destroem elas, o que prejudica extremamente 
a saúde e qualidade de vida do animal pois com o número de células reduzido os 
bovinos perdem muitos nutrientes, acarretando também na perda de ganho de peso, 
podendo levar até a morte de animais mais frágeis e novos. Os helmintos e os 
coccidios possuem uma etapa no seu ciclo de vida fora dos animais, o que para 
animais em sistemas de integração é benéfico já que pela mudança de ambientes 
possuem menos chances de contaminação desses parasitas. 
 
Problemas ambientais na pecuária 
Com as tecnologias adotadas é possível conseguir um melhor desempenho na 
produtividade, na qualidade e na segurança alimentar do Brasil. No país temos uma 
vantagem competitiva na produção de proteína animal a pasto, e pela garantia 
sanitária e a prevenção de encefalopatia espongiforme. Contudo, os danos 
ambientais associados à agropecuária, como a degradação do solo, a contaminação 
por resíduos de agrotóxicos, a poluição da água e a redução da biodiversidade 
passam a prevalecer à medida que cresce a demanda por alimentos (Focus, 2010). 
 Questões referentes à saúde animal e a esgotamento de recursos em relação aos 
problemas mundiais decorrentes do crescimento exponencial da população vêm 
sendo avaliadas. Evidencia-se cada vez mais a necessidade de compreender o 
conceito de desenvolvimento sustentável e sua implicação em determinadas 
condições econômicas e regionais (Boyazoglu & Nardone, 2003). Mas atualmente 
tem se buscado formas de diminuir os prejuízos causados ao meio ambiente na 
produção de bovinos de corte, onde a animais e meio ambiente se encontrem sem 
prejudicar a economia de uma forma consciente. 
A pecuária é considerada uma das atividades que mais prejudicam o meio ambiente, 
as causas negativas dessa atividade estão relacionadas ao sistema extensivo 
adotado pelo Brasil. Onde ocorre o baixo investimento em formação e manutenção 
de pastagem. Destruímos os ecossistemas com o esgotamento ou com a baixa 
produtividade de determinadas áreas e acabam avançando para os biomas naturais 
e destroem os habitats e espécies. A pecuária, atividades madeireiras e agrícolas 
são as principais atividades que expandem suas áreas nos biomas do cerrado e 
amazônia. Também podemos citar a degradação do solo que com a faltade 
manutenção de pastagens acaba compactando o solo. Outro poluente liberado pela 
pecuária é o gás do efeito estufa, devido a grande quantidade de gado que temos no 
mundo, estimativas mostram que 9% do total desses gases são causados por ações 
humanas. No Brasil a pecuária que envolve a criação para corte e leite torna-se a 
maior emissora, com 260 mil Gg de CO2eq, o que equivale a mais de 42% das 
emissões de GEE. A criação de gado para corte + leite emite cerca de 9,221 t 
enquanto a agricultura apenas 416 t, em 2006 para se produzir uma tonelada de 
carne resultou na emissão de 1,3 t de CH4. 
A JBS leva o segundo lugar em ser a maior companhia de alimentos do mundo e de 
proteínas firmou parceria com a Royal DSM, empresa global movida por propósito, 
das áreas de saúde, nutrição e biociência. Ambas se juntaram para tentar reduzir a 
emissão de metano energético bovino em escala mundial. A JBS vai utilizar o 
Bovaer, suplemento desenvolvido pela DSM para melhorar a pegada dos gases de 
efeito estufa na cadeia de valor na produção de carne bovina. 
O Bovaer é adicionado à alimentação dos animais, com potencial de reduzir em até 
90% as emissões entéricas de metano, como comprovado recentemente em um 
estudo australiano de confinamento de carne bovina. Um quarto de colher de chá do 
aditivo ao dia, por animal, inibe a enzima que ativa a produção do gás metano no 
estômago do ruminante. Segundo a DSM, o efeito é imediato e, se o uso for 
interrompido, a emissão de gases é retomada integralmente. A DSM e a JBS vão 
desenvolver em conjunto o plano de implementação do Bovaer na cadeia produtiva. 
O objetivo é promover uma transição da indústria global de carne bovina, liderada 
pela JBS, para obter, via nutrição, um caminho seguro para reduzir as emissões de 
metano. 
A empresa líder de alimentos e proteínas coloca suas mídias as melhores 
informações no quesito trabalhador em sua empresa, diz que possuem EPIS, 
informações e orientações de como trabalhar na empresa. Mas não falam dos 
problemas que causam nos funcionários, como foi o caso de uma funcionária que 
entrou contra a JBS por ter lesionado o ombro por esforço repetitivo, que reduziram 
em 25% sua capacidade de trabalhar, o tribunal superior do trabalho condenou a 
empresa a pagar 20 mil de indenização à funcionária. 
 
Emissão de gases em sistemas de produção 
 Segundo Rodriguez e Campos (2007) nos últimos anos a concentração de gás 
metano tornou- se mais elevada que altera o balanço energético da terra, devido sua 
radioatividade. O potencial de ação do metano é cerca 23 vezes maior do que o 
potencial de ação do gás carbônico se tratando do aquecimento global, isso devido 
ao ‘longo tempo de resistência” que o metano tem na atmosfera, contribuindo em 
15% para o efeito estufa e segundo o Protocolo de Montreal ele também é uma 
substância responsável pelo empobrecimento da camada de ozônio (Amormino, 
2008). 
 Dessa forma a emissão de metano tende a crescer junto com o aumento do 
rebanho, No Primeiro Inventário Brasileiro de Emissões Antrópicas de Gás Efeito 
Estufa (GEE), as emissões totais de metano da pecuária foram estimadas sem o 8,8 
Tg de metano com origem entérica. Para o ano de 2005, as informações 
preliminares do Segundo Inventário Brasileiro das Emissões e Remoções Antrópicas 
de Gases de Efeito Estufa (2009) indicaram emissões de metano de origem entérica 
de 12 Tg (Oliveira,2011). 
 Na emissão de metano 90% é liberado durante o processo de ruminação e 
somente 10% na forma de flatulência. Esteves et al. (2012) ao avaliarem bovinos de 
corte criados a pasto, em sistema de integração lavoura e pecuária (ILP) e 
terminados em confinamento, observaram média de emissão de 40,3 kg/animal/ano 
de metano, durante três anos de período experimental, indicando que os animais 
com maiores ganhos diários de peso podem emitir menores quantidades de metano. 
 
Pontos positivos e negativos e apontamento para novas pesquisas 
Vantagens Bovinocultura Leiteira: 
● Terra – área/limitações 
● Capital – investimento/tecnologia 
● Mão de obra – capacitação/tecnologia 
● Instalações/máquinas/equipamentos 
● Animais – potencial genético 
● Mercado – exigências/remuneração/escala 
● Clima 
Desvantagens Bovinocultura Leiteira: 
● Melhoramento genético → Capacidade produtiva. 
● Maior metabolismo, maior tamanho, porém capacidade 
● de consumo limitada > qualidade do alimento 
● Exigência nutricional x Produção de leite 
● Importância da qualidade da dieta/pasto 
● Qualidade da forragem X Exigência Animal 
● Baixa Produtividade 
 
Vantagens Bovinocultura Corte: 
● Não há dúvida de que a principal vantagem da pecuária intensiva é o alto 
nível de produtividade alcançado por meio de estratégias de criação. Para o 
bom desempenho dos animais, é necessário investir em dietas balanceadas, 
silagem ou pastagens de alta qualidade para aumentar o ganho de peso dos 
animais e o rendimento de carcaça durante a engorda. 
Desvantagens Bovinocultura Corte: 
● As principais desvantagens apontadas pelo sistema são os altos custos de 
implantação e produção. Para garantir o bem-estar animal, os edifícios devem 
fornecer um ambiente ideal para o gado. Além disso, devido ao grande 
número de animais na área restrita, o consumo de rações e granjas de 
criação é alto. Uma vez que a pecuária intensiva adota métodos modernos de 
controle da produção, ela reduz a força de trabalho, mas requer 
especialização. 
 
Conclusão 
Observa -se que o gado bovino está presente no Brasil desde os primeiros anos. 
Apontam a pecuária bovina como a principal atividade econômica, assim a criação 
de gado bovino no Brasil é, de longe, a atividade econômica que ocupa a maior 
extensão de terras atualmente. A bovinocultura praticada no Brasil se destaca no 
cenário mundial do agronegócio, é uma das mais fortes do mundo. A cadeia 
produtiva do leite apresenta grande importância econômica no cenário do 
agronegócio nacional. Já a bovinocultura de corte é crucial para a pecuária 
brasileira. Isso porque a maior parte do rebanho nacional é de gado de corte. Assim 
conseguimos informar, através de todos os estudos realizados para a montagem 
deste trabalho. 
 
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