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Bubalinocultura: Panorama e Desafios

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<p>BUBALINOCULTURA</p><p>1.INTRODUÇÃO GERAL</p><p>O búfalo doméstico (Bubalus bubalis), originado a partir do búfalo selvagem (Bubalus arnee), também</p><p>conhecido como Arni, é nativo das regiões do norte da Índia, Sri Lanka e Indochina (MARQUES e</p><p>CARDOSO, 1997). Hoje, populações selvagens desta espécie ainda persistem nessas áreas. Segundo Coelho</p><p>(2019), os búfalos pertencem ao Reino Animalia; Classe Mammalia; Ordem Artiodactyla; Subordem</p><p>Ruminantia; Família Bovidae; Subfamília Bovinae, que se subdivide em três grupos: bovinos, sincerinos e</p><p>bubalinos.</p><p>No Brasil, a introdução dos búfalos ocorreu no final do século XIX, inicialmente na região Norte, com</p><p>pequenos lotes destinados ao uso de tração. Atualmente, a cadeia produtiva da carne de búfalo no Brasil está</p><p>em processo de crescimento e consolidação. Esse desenvolvimento enfrenta desafios, em parte devido ao</p><p>conhecimento limitado sobre as particularidades anatômicas e funcionais dos búfalos e sua influência na</p><p>qualidade da carne, nos produtos lácteos e na qualidade do couro, bem como no manejo e criação dos</p><p>animais (BORGHESE, 2005). Além disso, existe uma vulnerabilidade relacionada ao status sanitário dos</p><p>rebanhos bubalinos, especialmente em áreas tradicionais de criação, onde prevalece a crença de que os</p><p>“búfalos são animais rústicos e imunes às doenças” (SANTOS et al., 2016; COELHO, 2019).</p><p>Os búfalos são animais com dupla aptidão (carne e leite), uma alternativa significativa para a produção de</p><p>proteínas nobres a baixo custo. Em razão de sua elevada rusticidade e capacidade de adaptação em solos de</p><p>baixa fertilidade, possuem uma dieta menos seletiva em relação às forrageiras e são capazes de transformar</p><p>alimentos grosseiros que geralmente não são consumidos por outros animais de porte similar com alta</p><p>eficiência (GERUDE NETO et al., 2023). Podem ser uma espécie importante para áreas marginalizadas e</p><p>pouco aproveitadas, como as várzeas inundáveis da Amazônia, regiões com topografia irregular, o Pantanal</p><p>e áreas de pastejo levemente inundadas (MARQUES e CARDOSO, 1997). Além disso, os búfalos e vacas</p><p>são suscetíveis às mesmas doenças, entretanto os búfalos dispõem de maior resistência (NASCIMENTO et</p><p>al., 2023).</p><p>Este trabalho abordará os principais aspectos relacionados ao panorama dos bubalinos no Brasil e no mundo,</p><p>manejo abrangente dos bubalinos, bem como as práticas alternativas para a produção desta espécie no Brasil,</p><p>com foco na otimização da qualidade da carne, dos produtos lácteos e na eficiência do manejo sanitário.</p><p>1.2. STATUS DA BUBALINOCULTURA NO MUNDO: UMA REVISÃO BILIOMÉTRICA DOS</p><p>ÚLTIMOS 20 ANOS (2004 – 2024)</p><p>A bibliometria emprega métodos quantitativos e estatísticos para avaliar o conjunto de trabalhos científicos</p><p>produzidos, bem como as inovações resultantes de pesquisas e tecnologias desenvolvidas por instituições de</p><p>ensino e pesquisadores de diversas origens geográficas. Nesse sentido, foi realizada uma análise</p><p>bibliométrica sobre a atual situação dos estudos relacionados aos bubalinos no mundo.</p><p>Para coleta de dados, foram pesquisados todos os tipos de documentos, entretanto, foram considerados</p><p>apenas artigos científicos. A base de dados científica Scopus foi consultada para a pesquisa bibliométrica</p><p>por ser a principal fonte para a avaliação da produção científica do mundo e por ter uma rede de cobertura</p><p>multidisciplinar e internacional. Justifica-se a escolha da base de dados Scopus por ser mais completa que</p><p>outras bases de dados, por exemplo, a Web of Science. O dicionário de sinônimos thesaurus foi consultado</p><p>para verificar os sinônimos utilizados para se referir ao principal termo da pesquisa.</p><p>Foram realizadas buscas dos termos nos títulos dos artigos, nos resumos e nas palavras-chave. Os</p><p>operadores booleanos OR e AND foram utilizados para direcionar e restringir a pesquisa na base de dados</p><p>ao tema de interesse. Assim, inseriu-se o seguinte código de pesquisa: (TITLE-ABS-KEY (buffalos) OR</p><p>TITLE-ABS-KEY (bubalis) OR TITLE-ABS-KEY (bufálos) AND TITLE-ABS-KEY (livestock AND</p><p>farming) OR TITLE-ABS-KEY (pecuária)) AND (LIMIT-TO (SUBJAREA, “AGRI”)) AND (LIMIT-</p><p>TO (DOCTYPE, “ar”)). Logo, a busca foi realizada levando em consideração apenas os termos relacionados</p><p>aos búfalos e à pecuária.</p><p>O período de investigação foi definido entre os anos de 2004 até 2024. A coleta de dados foi realizada no</p><p>mês de setembro de 2024. Foi utilizada a sequência descrita no parágrafo anterior na pesquisa na base</p><p>Scopus para o pré-processamento dos dados e 287 documentos foram encontrados. Para restringir a busca a</p><p>termos relacionados à bubalinocultura, foram selecionados apenas artigos científicos, restritos à área</p><p>temática de Ciências Agrárias e Biológicas (57.7%). No total, 138 artigos científicos foram encontrados.</p><p>De maneira geral, observa-se uma variação no número de publicações ao longo dos últimos 20 anos (Figura</p><p>1). Em termos gerais, pesquisas tendem a aumentar gradativamente com os avanços tecnológicos</p><p>empregadas em alguma etapa do manejo, independentemente da área, assunto ou escopo do conhecimento.</p><p>A natureza oscilatória da produção científica pode ser atribuída à combinação de um nível relativamente</p><p>baixo de pesquisa e à demanda limitada no meio científico por estudos focados em bubalinos, tanto na</p><p>pecuária de leite quanto na de corte. Até o momento, o maior número de artigos científicos foi publicado em</p><p>2022, com uma tendência de crescimento contínuo projetada até o final de 2024. Esses dados sugerem um</p><p>pequeno avanço na atenção da comunidade científica global para o tema.</p><p>Entre os países com maior número de artigos científicos publicados nos últimos 20 anos, destacam-se</p><p>principalmente a Índia e o Paquistão (Figura 2). Essa predominância pode ser atribuída ao fato de os búfalos</p><p>serem originários da Ásia, onde se concentra a maior população dessa espécie (GILBERT et al., 2018),</p><p>resultando em sua ampla difusão global e maior foco em estudos técnicos-científicos. Adicionalmente, os</p><p>bubalinos desempenham um papel significativo na pecuária de leite e corte, especialmente devido à sua</p><p>importância cultural e religiosa, sendo protegidos por legislações político-religiosas, particularmente na</p><p>Índia (MINERVINO et al., 2020). A partir da Ásia, a espécie foi introduzida na Europa, Oceania e Américas,</p><p>e atualmente os búfalos estão presentes em diversos ecossistemas ao redor do mundo (Figura 3).</p><p>2.PANORAMA GERAL NO AGRONEGÓCIO</p><p>Os búfalos contribuem com aproximadamente 15% da produção mundial de leite (Figura 4). A população</p><p>global de búfalos é estimada em 205 milhões de cabeças (FAO, 2024); destes, mais de 98% estão na Ásia;</p><p>0,7% na África, particularmente no Egito; 1% na América do Sul; e 0,2% na Europa. Os países com o maior</p><p>número de búfalos leiteiros são Índia, Paquistão, China, Nepal e Egito; no Paquistão e no Nepal, há mais</p><p>búfalos leiteiros do que vacas-leiteiras (FAO, 2024). Os maiores produtores de leite de búfala são a Índia e o</p><p>Paquistão, onde as búfalas produzem mais leite que o gado (FAO, 2024).</p><p>Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2022) o rebanho de bubalinos no Brasil atingiu o</p><p>número de 1.598.268 milhões de cabeças. A maior concentração do rebanho está localizada na região Norte</p><p>do país reunindo cerca de 66% do efetivo, e o restante distribuídos entre as Regiões Sudeste (13%),</p><p>Nordeste (9%), Sul (8%) e Centro-Oeste (4%). Os Estados do Pará e Amapá, juntos, representam</p><p>aproximadamente 59,87% do rebanho nacional. No Estado do Espírito Santo, o número de bubalinos é de</p><p>aproximadamente 4.314, com o município de Linhares destacando-se como o maior rebanho do estado, com</p><p>2.689 cabeças (IBGE, 2022).</p><p>No Brasil, uma das principais ações para organização da cadeia produtiva da Bubalinocultura foi a criação</p><p>da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) (https://bufalo.com.br/), fundada em 21 de abril</p><p>de 1960. O objetivo da entidade é incentivar a bubalinocultura brasileira, defendendo os interesses dos</p><p>criadores de búfalos e promovendo a união de</p><p>entre animais da mesma raça ou de raças diferentes. Um</p><p>exemplo é o cruzamento entre búfalos da raça Murrah, conhecidos por sua alta produção leiteira, e búfalos</p><p>Mediterrâneos, que têm boa adaptabilidade e resistência a doenças. O cruzamento direcionado pode</p><p>aumentar a heterose (vigor híbrido), resultando em descendentes com melhor desempenho que os pais</p><p>(SILVA; OLIVEIRA., et al 2020).</p><p>10.2.2.Cruzamento de raças consiste no cruzamento de diferentes raças para combinar características</p><p>específicas, como a produtividade leiteira de uma raça com a resistência de outra. No Brasil, cruzamentos</p><p>entre raças como Murrah, Mediterrâneo, e Jafarabadi são comuns, buscando melhorar tanto a produção de</p><p>leite quanto a resistência a condições ambientais adversas (SILVA; OLIVEIRA., et al 2020).</p><p>10.2.Impacto do melhoramento genético</p><p>Os impactos no leite são a seleção e o cruzamento de búfalos com alta capacidade leiteira resultam em vacas</p><p>com maior produção de leite e melhor composição, como maior teor de gordura e proteína, fundamentais</p><p>para a fabricação de queijos de qualidade. Melhoramento na composição do leite, como o aumento do teor</p><p>de sólidos totais (gordura, proteínas), impacta diretamente na qualidade dos produtos lácteos, como queijos e</p><p>iogurtes. Melhora no ganho de peso, eficiência alimentar e qualidade da carcaça, resultando em carne mais</p><p>macia e com melhores características organolépticas. Seleção de características como marmoreio e maciez</p><p>melhora a qualidade da carne bubalina, aumentando sua aceitação no mercado (SANTOS et al., 2022).</p><p>10.3.Seleção Assistida por Marcadores (SAM)</p><p>A SAM utiliza marcadores moleculares (pedaços de DNA ligados a genes de interesse) para identificar e</p><p>selecionar animais com características desejáveis antes mesmo de essas características se manifestarem</p><p>fenotípicamente. Pode ser usada para selecionar animais com alta produção leiteira, resistência a doenças, ou</p><p>adaptabilidade a climas específicos, com maior precisão do que a seleção tradicional. Aumenta a velocidade</p><p>e a eficácia do melhoramento genético, reduzindo o tempo necessário para alcançar os objetivos de seleção</p><p>(ALMEIDA; MENDONCA., et al 2023).</p><p>10.4.Genômica</p><p>Envolve o sequenciamento completo do genoma dos bubalinos, identificando genes e variantes genéticas</p><p>associados a características desejáveis. Isso permite uma seleção ainda mais precisa e informada. Técnicas</p><p>como CRISPR-Cas9 permitem modificações precisas no DNA dos búfalos, potencialmente corrigindo</p><p>mutações ou introduzindo características desejáveis de maneira controlada (ALMEIDA; MENDONCA., et</p><p>al 2023).</p><p>8.CADEIA PRODUTIVA</p><p>De acordo com a coleção Marques (1998) para a produção de carne e leite de bubalinos tem-se que:</p><p>8.1.Produção de carne</p><p>A produção de carne de búfalos no Brasil está se transformando graças a avanços nos sistemas de criação,</p><p>melhoramento genético e garantia de qualidade. A carne de búfalo é nutritiva, com menos gordura e</p><p>colesterol e mais proteínas que a carne bovina. Os búfalos têm a vantagem de se adaptar a ambientes onde</p><p>outros ruminantes não prosperam (áreas alagadiças), sendo capazes de converter alimentos de baixa</p><p>qualidade em carne e leite, pois possuem elevada capacidade de digerir alimentos com elevado teor de fibras.</p><p>Por outro lado, a carne de búfalo comparada à de bovinos possui 40%menos colesterol, 12 vezes menos</p><p>gordura uma vez que a maior quantidade da gordura de cobertura pode ser facilmente removida, 55% menos</p><p>calorias, 11 % a mais de proteínas e 10% a mais de minerais, portanto, mais indicada para a saúde humana.</p><p>A carcaça de búfalos é composta de 68% de carne, 21 % de ossos e 11 % de gordura, que se equipara aos</p><p>percentuais dos bovinos (NETO, 2023).</p><p>As características de odor, sabor e suculência da carne de bubalino são muito semelhantes às de bovinos.</p><p>Quanto à cor, a carne bubalina é mais clara nos animais jovens e mais escura que a de bovinos nos animais</p><p>mais velhos.</p><p>O maior obstáculo para o consumo de carne de búfalo é o preconceito ainda existente no seio da população.</p><p>A inclusão da carne de búfalo no cardápio de alguns bons restaurantes dos principais centros urbanos tem</p><p>contribuído para o aumento do consumo. Embora os búfalos representem apenas uma pequena parcela da</p><p>produção de carne no Brasil, a carne é macia, possui cortes nobres, e tem potencial de crescimento no</p><p>mercado. No entanto, a falta de identificação correta no mercado e uma visão cultural negativa ainda</p><p>limitam o consumo dessa carne.</p><p>8.2.Produção de leite</p><p>A produção mundial de leite de búfala vem crescendo significativamente por apresentar características</p><p>físicas e químicas superiores ao leite de vaca, como o maior teor de gordura, além de apresentar</p><p>produtividade superior aos zebuínos, isto é, cada litro de leite é produzido a um custo menor, por</p><p>apresentarem grande rusticidade, o que lhes permite aproveitar melhor as forragens de qualidade inferior e</p><p>se adaptar às mais diferentes condições climáticas e por sua marcante resistência a doenças</p><p>Na elaboração de laticínios, o leite da búfala apresenta rendimento industrial 40% superior ao do leite</p><p>bovino. Possui, ainda, 33% menos colesterol, 48% mais proteína, 59% mais cálcio e 47% mais fósforo. Por</p><p>conter maior teor de gordura, são necessários apenas 14 litros de leite de búfala para produzir 1 kg de</p><p>manteiga, enquanto para obter a mesma quantidade de manteiga com leite bovino, são necessários</p><p>aproximadamente 20 litros. Por outro lado, com apenas 5 litros de leite de búfala pode-se obter 1 kg de</p><p>queijo muçarela de alta qualidade (NETO, 2023).</p><p>Tendo em vista o maior rendimento do leite de búfala em laticínios, recomenda-se seu total aproveitamento</p><p>na fabricação de queijos, manteiga, iogurte e doce de leite. O soro pode servir de alimento para suínos e</p><p>outros animais.</p><p>8.3.Marketing</p><p>Deve sempre buscar um amplo programa de marketing envolvendo suas etapas clássicas PPPP (Produto,</p><p>Preço, Praça e Promoção) promovendo um bom produto, uma boa apresentação, padronização, regularidades</p><p>e qualidade, levando em locais diferenciados e cômodos ao consumidor, para ter uma distribuição melhor do</p><p>produto, assegurando sua persistência no mercado (BERNARDES, 2011).</p><p>8.4.Certificação e rastreabilidade</p><p>O SISBOV (Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina), foi criado</p><p>para identificar, registrar e monitorar cada bovino e bubalino de forma individual em todas as fases da</p><p>produção da carne, desde a criação do animal até o momento em que a carne chega ao consumidor final, seja</p><p>ele nascido no Brasil ou importado. Isso permite saber onde o animal foi criado, como foi tratado, o que ele</p><p>comeu, onde foi abatido, entre outros detalhes. Esse sistema envolve uma série de ações e procedimentos</p><p>que servem para assegurar a origem, a saúde, a produção e a segurança dos produtos derivados desses</p><p>animais, com o objetivo de regulamentar seu rastreamento no país.</p><p>O SISBOV estabelece as regras e os procedimentos para esse acompanhamento nas fazendas e embora</p><p>participar do SISBOV seja opcional, todos os animais que serão exportados para países que exigem</p><p>rastreamento devem ser registrados no sistema. O produtor interessado deve solicitar o cadastro da sua</p><p>propriedade junto a uma empresa certificadora autorizada pelo Ministério da Agricultura. Após os animais</p><p>serem corretamente identificados, a certificadora faz uma inspeção na fazenda e, se todas as exigências</p><p>legais forem cumpridas, os animais são registrados no Banco Nacional de Dados do SISBOV, e a fazenda</p><p>passa a ser reconhecida como Estabelecimento Rural Aprovado no sistema (ERAS). A partir daí, os animais</p><p>são monitorados individualmente e todas as movimentações devem ser registradas.</p><p>seus associados nas atividades visando o aprimoramento</p><p>técnico-científico da espécie e o incremento do mercado interno e externo (ABCB).</p><p>2.1.Produção de carne</p><p>No Brasil, a cadeia produtiva da carne de búfalo encontra-se em fase de expansão e consolidação,</p><p>caracterizando-se por uma série de operações interdependentes destinadas à produção, modificação e</p><p>distribuição do produto final (BORGHESE, 2005). Os búfalos demonstram um elevado potencial para a</p><p>produção de carne, podendo atingir pesos superiores a 530 kg quando alimentados com forragens cultivadas.</p><p>Segundo Nascimento et al. (2023), a carne bubalina é reconhecida como uma excelente fonte de proteína</p><p>animal, destacando-se por seu alto valor biológico, baixo teor de gordura e colesterol, além de proporcionar</p><p>maior maciez e suculência.</p><p>Os búfalos são criados em diversos sistemas de produção em todo o Brasil, representando uma alternativa</p><p>relevante para a pecuária de corte nacional. A qualidade da carne de búfalo pode variar conforme o sistema</p><p>de produção empregado, resultando em características distintas nos cortes (Figuras 5 e 6). A carne de búfalo</p><p>é distintivamente mais vermelha do que a carne bovina devido ao seu elevado teor de mioglobina</p><p>(KANDEEPAN et al., 2013). Além disso, a carne de búfalo é conhecida por seu baixo teor de gordura</p><p>saturada, apresentando 40% menos colesterol e 55% menos calorias do que a carne bovina</p><p>(BASTIANELLO, 2024). Essa carne é frequentemente abatida e comercializada como carne bovina, uma</p><p>vez que a semelhança sensorial e visual entre os cortes de ambas as espécies leva a uma aceitação favorável</p><p>pelo mercado consumidor, que possui pouca percepção das diferenças entre elas (BASTIANELLO, 2024).</p><p>2.2.Produção de leite</p><p>A aptidão mais importante dos bubalinos é, sem dúvida, a produção de leite. Esse é o objetivo que os</p><p>produtores buscam, por isso o conhecimento e o controle da produção são fundamentais para o sucesso</p><p>econômico da criação (BORGHESE, 2005). O leite de búfala apresenta coloração branco-opaca devido à</p><p>ausência de β-caroteno (provitamina A) em sua composição, o que resulta em sua tonalidade branca e</p><p>confere um sabor mais adocicado, mesmo apresentando níveis de lactose inferiores aos do leite de vaca</p><p>(COELHO, 2019; BASTIANELLO, 2024). Este leite possui concentrações significativas de proteínas,</p><p>lipídeos, sólidos totais, resíduo mineral fixo e lactose, o que demonstra sua destacada importância</p><p>nutricional. Além disso, a composição e a produtividade do leite de búfala são influenciadas por diversos</p><p>fatores, incluindo o estádio de lactação, idade, raça, manejo, condições sanitárias, clima e tipo de</p><p>alimentação (MARQUES E CARDOSO, 1997).</p><p>O componente de maior valor econômico no leite de búfala é a gordura, responsável pelo sabor</p><p>característico e pela textura diferenciada do leite e de seus derivados. O leite de búfala é notável por seus</p><p>altos níveis de ácidos graxos, incluindo proporções significativas de ácidos graxos saturados e</p><p>polinsaturados, cruciais para a nutrição humana (MAGALHÃES, 2005). Além disso, as búfalas apresentam</p><p>uma vida produtiva excepcionalmente prolongada, com fêmeas saudáveis podendo realizar de nove a dez</p><p>lactações ao longo de sua vida (CAVALI E PEREIRA, 2020). No que diz respeito à produção de derivados,</p><p>o leite de búfala demonstra uma alta eficiência: 14 litros de leite de búfala produzem 1 kg de manteiga, e 5</p><p>litros são necessários para a produção de 1 kg de muçarela (CAVALI E PEREIRA, 2020).</p><p>2.4.Principais diferenças entre os bovinos versus os bubalinos</p><p>Em termos gerais, as principais diferenças anatômicas e fisiológicas entre essas espécies são observadas no</p><p>trato digestivo, no aparelho reprodutivo, no sistema de termorregulação, na glândula mamária e nos cascos,</p><p>entre outros aspectos (BERTONI et al., 2020).</p><p>2.4.1.Carne</p><p>Marques e Cardoso (1997) e Borghese (2005) descrevem sobre as principais diferenças da carne entre os</p><p>bovinos e os bubalinos: Os búfalos são empregados em diversos sistemas de produção em todo o país,</p><p>destacando-se como uma alternativa significativa na pecuária de corte nacional. Em termos qualitativos, a</p><p>carne de búfalo, caracterizada por seu baixo teor de gordura e colesterol, atende às exigências de mercados</p><p>sofisticados. A carne dos búfalos possui características qualitativas semelhantes às da carne bovina, mas</p><p>com uma composição mais magra e menor nível de colesterol, posicionando-se como uma excelente</p><p>alternativa para consumidores exigentes. As Figuras 7 e 8 apresentam as principais diferenças das carnes</p><p>entre os bovinos e os bubalinos.</p><p>2.4.2.Leite</p><p>Em um estudo comparativo entre búfalas de água (Bubalus bubalis) e vacas convencionais acerca dos</p><p>aspectos zootécnicos e morfofisiológicos, Bertoni et al. (2020) e Cavali e Pereira (2020) apresentam as</p><p>principais características que diferem as duas espécies mencionadas sobre a lactação:</p><p>As vacas leiteiras e búfalas possuem diferenças anatômicas e fisiológicas notáveis em seus sistemas de</p><p>produção de leite. Ambos os tipos de glândulas mamárias estão localizados na região inguinal e são</p><p>compostos por dois pares de mamas, formando um complexo mamário. No entanto, a cisterna da búfala</p><p>armazena de 92% a 95% do leite, enquanto nas vacas, esse armazenamento na cisterna é de até 20%. As</p><p>búfalas têm mamilos mais longos e grossos com canais mais estreitos, o que contribui para menor</p><p>predisposição à mastite, enquanto as vacas leiteiras apresentam um desenvolvimento mais acentuado do</p><p>complexo mamário e do sistema suspensório, permitindo a produção e armazenamento de maiores</p><p>quantidades de leite.</p><p>Além disso, a morfobiometria dos mamilos também difere: búfalas frequentemente têm mamilos cônicos</p><p>com comprimento médio de 6,90 cm, enquanto vacas leiteiras, como as Holstein, apresentam mamilos</p><p>cilíndricos com comprimento médio de 5,90 cm. A seleção genética intensiva das vacas leiteiras resultou em</p><p>características que favorecem uma maior produção de leite, facilitando a ordenha mecanizada. Em</p><p>contrapartida, a búfala leiteira, apesar de produzir menos leite, demonstra maior resistência a</p><p>microrganismos que causam mastite e apresenta uma qualidade de leite superior em termos de composição</p><p>química e valor econômico. A Figura 9 apresenta as principais características que diferenciam o búfalo</p><p>d'água (Bubalus bubalis) do gado convencional do gênero Bos.</p><p>4.SISTEMAS DE PRODUÇÃO</p><p>Na bubalinocultura, os sistemas de produção intensivo, semi-intensivo e extensivo apresentam</p><p>características distintas que influenciam diretamente a viabilidade econômica e ambiental, além de</p><p>possuírem vantagens e desvantagens específicas.</p><p>4.1.Sistema Intensivo</p><p>O sistema intensivo é caracterizado pela alta densidade de animais por unidade de área e pelo uso intensivo</p><p>de recursos, incluindo alimentação concentrada e manejo altamente controlado (CARVALHO; SANTOS,</p><p>2020). Este sistema permite um controle rigoroso sobre a nutrição e saúde dos bubalinos, resultando em</p><p>maiores taxas de crescimento, produtividade de leite ou carne, e menores tempos de ciclo de produção. No</p><p>entanto, o custo inicial e operacional é elevado devido à necessidade de infraestrutura adequada, como</p><p>instalações para confinamento, sistemas de alimentação automatizados e equipamentos de manejo intensivo.</p><p>Do ponto de vista econômico, o sistema intensivo pode ser viável em regiões onde há demanda alta e</p><p>constante por produtos derivados de bubalinos, como leite e carne, e onde o preço desses produtos é</p><p>suficiente para cobrir os custos operacionais elevados e ainda gerar lucro. No entanto, os custos elevados de</p><p>insumos e de infraestrutura inicial podem representar uma barreira para pequenos produtores.</p><p>Ambientalmente, o sistema intensivo pode ter um impacto negativo, especialmente devido ao manejo</p><p>inadequado de resíduos e ao uso intensivo de recursos naturais, como água e energia. A alta concentração de</p><p>animais em espaços reduzidos pode levar à poluição dos corpos d’água e à degradação do solo se o manejo</p><p>de dejetos não</p><p>for realizado adequadamente.</p><p>4.2.Sistema Semi-Intensivo</p><p>O sistema semi-intensivo combina características dos sistemas intensivo e extensivo. Os búfalos são</p><p>mantidos em pastagens, mas com suplementação de ração e manejo mais controlado. Este sistema é</p><p>intermediário, buscando equilíbrio entre produtividade e custos, e é comum em regiões onde o pastoreio não</p><p>pode ser totalmente livre (OLIVEIRA; ANDRADE, 2019). Exige menos infraestrutura em comparação ao</p><p>intensivo e pode ser adaptado para diferentes condições climáticas e de disponibilidade de recursos.</p><p>Economicamente, o sistema semi-intensivo é mais acessível para pequenos e médios produtores, pois reduz</p><p>os custos com ração concentrada e infraestrutura. A produção é menos intensiva, mas ainda assim eficiente,</p><p>com custos operacionais mais baixos e uma melhor relação custo-benefício em comparação ao sistema</p><p>intensivo. Além disso, o risco econômico é menor, pois os custos fixos e variáveis são diluídos ao longo de</p><p>um período mais extenso.</p><p>Do ponto de vista ambiental, o sistema semi-intensivo é considerado mais sustentável do que o intensivo por</p><p>ter uma menor geração de resíduos e melhor aproveitamento de recursos naturais do que no sistema</p><p>intensivo (GOMES; REIS, 2020). A rotação de pastagens e o menor uso de recursos concentrados reduzem a</p><p>pressão sobre o meio ambiente, embora ainda haja a necessidade de um manejo cuidadoso dos recursos</p><p>naturais e dejetos para evitar a degradação ambiental.</p><p>4.3.Sistema Extensivo</p><p>O sistema extensivo é o menos intensivo dos três, baseando-se principalmente no pastoreio em grandes áreas</p><p>de pastagem natural, com pouca ou nenhuma suplementação. Este sistema é frequentemente utilizado em</p><p>regiões com grandes áreas de terra e onde o custo de infraestrutura e ração é elevado (MARTINS; ARAÚJO,</p><p>2021). O manejo dos animais é menos controlado, e os custos de produção são significativamente menores</p><p>devido à menor necessidade de infraestrutura e insumos comprados.</p><p>Economicamente, o sistema extensivo é vantajoso para regiões com grande disponibilidade de terras e baixa</p><p>densidade populacional, onde o custo da terra é baixo. É ideal para produtores por possuir menores gastos</p><p>com alimentação e infraestrutura, utilizando recursos naturais disponíveis (MARTINS; ARAÚJO, 2021). No</p><p>entanto, a produtividade é geralmente menor e mais sujeita às variações climáticas e de qualidade das</p><p>pastagens, o que pode representar um risco financeiro em condições adversas.</p><p>Ambientalmente, o sistema extensivo é considerado o mais sustentável, pois utiliza práticas que mantêm a</p><p>integridade dos ecossistemas naturais. No entanto, se não manejado corretamente, pode levar ao</p><p>superpastoreio, à degradação das terras e à perda de biodiversidade. A pressão sobre os recursos naturais é</p><p>minimizada, mas a gestão inadequada pode resultar em efeitos negativos a longo prazo.</p><p>5.INSTALAÇÕES</p><p>O ambiente onde os búfalos são mantidos precisa ser planejado considerando o bem- estar dos animais. Isso</p><p>inclui proteger os búfalos de desconfortos físicos e térmicos, além de reduzir medo e estresse, permitindo</p><p>que eles exibam comportamentos naturais. Embora os búfalos tenham uma boa capacidade de adaptação a</p><p>diferentes condições climáticas, eles são vulneráveis ao estresse em altas temperaturas.</p><p>As instalações para búfalos devem oferecer conforto tanto para os animais quanto para os cuidadores, sendo</p><p>necessárias estruturas como abrigo, boa higiene, durabilidade e praticidade. Para se atingir um nível</p><p>satisfatório de rentabilidade na pecuária é necessário que se racionalize os gastos nas instalações, de forma</p><p>simples, higiênica e de baixo custo. A base fundamental na redução do custo de produção na pecuária está</p><p>na construção de instalações bem planejadas, funcionais e adequadas à propriedade. É importante a escolha</p><p>do local das instalações, uma vez que, não se pode transferir de um lugar para outro uma instalação.</p><p>De acordo com Kenneth et al (2021), o bem-estar dos búfalos de leite depende de diversos fatores, como o</p><p>manejo adequado das instalações e a manutenção regular.</p><p>5.1.Manutenção das instalações</p><p>Todas as instalações devem seguir normas que garantam o bem-estar dos búfalos, como a capacidade</p><p>máxima de animais, espaço adequado para alimentação e bebida, e área de descanso. Tanto dentro quanto</p><p>fora das instalações, é importante que os búfalos não sofram ferimentos recorrentes devido a características</p><p>do ambiente, como batidas ou arranhões acidentais como: calos no pescoço, ferimentos nas tetas e úberes,</p><p>caudas fraturadas, perda de pelos em locais específicos recorrentes, mangueira, infecções, cascos moles.</p><p>Assim, recomenda-se a construção de um centro de manejo em local de fácil acesso e adequado onde devem</p><p>haver: as aguadas, o estábulo, sala do leite, bezerreiro, sala de ração, escritório, curral, esterqueiro, saleiro,</p><p>cerca, área do parto, alojamento para touros e instalações para bezerros (PEREIRA,1999).</p><p>5.2.Centro de manejo</p><p>a)Aguadas</p><p>As aguadas, são fontes naturais como rios, lagos e açudes, onde os animais utilizam para beberem água e</p><p>tomar banho, devem estar bem distribuídas na propriedade para evitar que os búfalos precisem percorrer</p><p>grandes distâncias ou se aglomerem perto da água. É crucial que a água seja limpa para evitar problemas de</p><p>saúde, e que haja áreas de banho próximas ao estábulo para as vacas banhar-se antes de cada ordenha e por</p><p>recorrência de que os búfalos utilizam o banho para regular a temperatura corporal, uma vez que possuem</p><p>glândulas sudoríparas pouco desenvolvidas.</p><p>b)Estábulos</p><p>O estábulo é essencial para o manejo do rebanho, servindo para abrigar, alimentar e ordenhar as vacas.</p><p>Devem estar localizados em terreno plano e bem drenado, no sentido leste-oeste, alto, de fácil acesso e</p><p>provido de água de boa qualidade e em abundância.</p><p>c)Sala do leite</p><p>A sala do leite deve ser localizada no estábulo ou próxima a ele, é onde o leite é armazenado e feita a</p><p>limpeza e esterilização de vasilhames e utensílios. O ambiente deve ser seco, elevado, ventilado e protegido</p><p>contra insetos e moscas, com janelas e portas com telas.</p><p>d)Bezerreiro</p><p>A hipotermia deve ser evitada e bezerros suscetíveis devem ser alojados em instalações bem protegidas,</p><p>usando cama espessa e seca e evitando correntes de ar ou provendo aquecimento suplementar. Embora</p><p>bezerros saudáveis possam tolerar baixas temperaturas do ar, animais recém-nascidos e doentes, são</p><p>particularmente suscetíveis ao frio e devem haver instalações isoladas para bezerros que apresentem alto</p><p>risco de doença infecciosa para que possam ser mantidos em quarentena se necessário.</p><p>O bezerreiro deve ser coletivo com piso de cimento e em estrado de madeira possuir comedouro e</p><p>bebedouro. Os animais deverão ser separados por faixa etária e por sexo, animais de zero a 60 dias, de 61 a</p><p>120 dias e de 121 a 210 dias. Neste sistema, os bezerros acompanham suas respectivas mães após a ordenha</p><p>e são colocados no bezerreiro na parte da tarde.</p><p>e)Área do parto</p><p>Em parto no pasto, as novilhas devem ser inspecionadas pelo menos uma vez ao dia, as pastagens devem ser</p><p>selecionadas para proporcionar às búfalas um ambiente seco para o parto e acesso a um abrigo artificial ou</p><p>natural com as condições climáticas ideais.</p><p>Piquetes, currais e baias para os partos devem ser livres de poças e aguadas, oferecendo um ambiente seco e</p><p>seguro aos animais. Os bubalinos podem buscar o alívio de dores permanecendo submersos em poças, rios e</p><p>lagos. Assim, o acesso a esses locais deve ser impedido na estação de parição devido a probabilidade de a</p><p>búfala parir dentro desses locais, ocasionando afogamento e óbito do bezerro ao nascer.</p><p>Os bubalinos apresentam pouca dificuldade de parto. O excesso de intervenção humana pode criar estresse</p><p>desnecessário para as mães. No caso de novilhas, a aproximação humana aos bezerros deve ser evitada nos</p><p>primeiros momentos após o parto devido a possível rejeição da mãe à cria. Entretanto, a aproximação deve</p><p>ser realizada em casos que a mãe e/ou</p><p>o bezerro necessite de auxílio. Desta forma, para um melhor bem-</p><p>estar, alimento e água devem ser disponibilizados, durante todo o período.</p><p>f)Alojamento para Touros</p><p>As baias ou curral dos touros devem permitir que eles tenham contato visual, sonoro e olfativo com o</p><p>restante do rebanho, devem ser inspecionados pelo menos uma vez por dia, sendo que os touros que não</p><p>estão acostumados entre si, devem ser mantidos separados e colocados distantes, especialmente na época de</p><p>monta, pois, o odor característico pode provocar sérios danos às instalações e aos manejadores.</p><p>g)Sala de ração</p><p>A sala de ração serve para armazenar todo o concentrado e volumoso que será consumido pelo rebanho em</p><p>determinado período, por este motivo, deve ser anexada ao estábulo.</p><p>h)Escritório</p><p>Ambiente adequado para armazenar todos os dados zootécnicos do rebanho como fichas de vacinação e</p><p>controle produtivo e reprodutivo. É um local de administração da propriedade.</p><p>i)Curral</p><p>É indispensável, sendo utilizado constantemente no manejo, vacinação, marcação, castração, controle e</p><p>apartação do gado. Normalmente é construído de madeira e possui uma área coberta, podem possuir o piso</p><p>de cascalho, pedra ou concreto, deve haver o tronco de contenção que também é utilizado nos manejos do</p><p>rebanho para inseminação, vacinação, os cochos devem ser de madeira ou alvenaria, em caso de pecuária</p><p>mista podem incluir uma balança e um embarcadouro.</p><p>j)Estrumeira ou esterqueira</p><p>É o depósito de esterco para sofrer fermentação podendo-se obter uma boa maturação no período de dois a</p><p>quatro meses e deve estar perto do estábulo e o mais próximo possível da capineira, pois à medida que se</p><p>corta o capim aduba-se o local com o esterco curtido, garantindo assim, uma longa vida da capineira.</p><p>k)Saleiro</p><p>O saleiro é uma instalação de muita importância, pelo fato de ser imprescindível a oferta constante de sal</p><p>comum e mineralizado para os animais. Pode ser de tamanho e material diversos. Aconselha-se que fique em</p><p>pontos opostos às aguadas e que sejam cobertos para que não haja desperdício no caso de chuvas.</p><p>l)Cerca</p><p>As cercas serão construídas com cinco fios de arame lisos distanciados.</p><p>m)Pastagem</p><p>Para a formação devem ser aproveitadas as capoeiras e áreas degradadas, devem ser divididas em piquetes</p><p>diversificadas para evitar o ataque de pragas, entretanto não devem ser misturadas dentro de um mesmo</p><p>piquete pois pode haver competição, ter pelo menos, 20% a mais em pastagem, para eventuais problemas no</p><p>período seco, usar sementes de boa qualidade e procedência. Porém, a realidade mostra que a maioria dos</p><p>criadores de búfalos não faz o manejo adequado das pastagens, mantendo um número de animais maior do</p><p>que a pastagem suporta e por estes animais na maioria das vezes não ter a disposição áreas com boa oferta</p><p>de forragem, fogem em busca de comida.</p><p>5.3.Bem-estar animal</p><p>Segundo Vasconcelos, et al (2016) o bem-estar animal não é sinônimo de conforto térmico, eles refletem nos</p><p>seus sentimentos e comportamento, funções biológicas e características de sua vida natural, os animais</p><p>devem ser livres de medo e estresse, livre de fome e sede, livre de desconforto e ter a liberdade de expressar</p><p>seu comportamento natural.</p><p>A relação ambiente/animal, deve-se manter as melhores condições de conforto, para que os animais</p><p>expressem o seu melhor potencial genético produtivo. Desta forma alguns comportamentos podem ser</p><p>observados (Tabela 1).</p><p>Assim quando os animais estão com o calor corporal muito elevado, eles buscam uma forma de dissipar</p><p>calor que são influenciados não só pelos fatores climáticos, ou do meio em que está inserido, como também</p><p>de fatores relacionados ao próprio animal (cor e quantidade de pelos), assim, passa a usar como por exemplo:</p><p>condução, convecção, radiação e evaporação como formas de dissipação desse calor para voltar ao seu</p><p>conforto térmico. Esses estresses térmicos podem acarretar em problemas, nos machos causa queda de libido,</p><p>pode diminuir ou aumentar o número de espermatozoides causando anomalias e nas fêmeas causa uma</p><p>maior taxa de retorno ao cio, maior taxa de morte embrionária e nascimento de bezerros mais leves. Por</p><p>consequência, deve-se realizar modificações ambientais primárias para proteger os animais de períodos de</p><p>climas extremos como localização, orientação das instalações, telhado, pintura em coberturas, beirais,</p><p>lanternim, temperatura da água de consumo, arborização e sombreamento, e modificações secundárias que</p><p>são dentro dos galpões onde estão os animais como ventilação, aquecimento, refrigeração e nebulização.</p><p>5.4.Manejo sustentável</p><p>Segundo Junior et al (2005), os sistemas silvipastoris funcionam como excelentes alternativas para elevar o</p><p>conforto dos animais e a sustentabilidade dos ecossistemas, pois a combinação de árvores, pastagens e</p><p>animais ajudam a melhorar a biodiversidade e a eficiência do uso da terra. Os búfalos são essenciais para a</p><p>sustentabilidade na agricultura, pois oferecem carne e leite de alta qualidade, são adaptáveis e ajudam a</p><p>reduzir custos na pecuária familiar, além de que podem ser implantados biodigestores que utilizam os</p><p>dejetos animais para gerar energia na propriedade e da cama dos animais que posteriormente podem ser</p><p>usados nas lavouras como adubo.</p><p>3.PRINCIPAIS RAÇAS UTILIZADAS NO BRASIL</p><p>O Brasil possui quatro raças que são reconhecidas pela Associação Brasileira de Criadores de Búfalos</p><p>(ABCB): Murrah, Mediterrâneo, Jafarabadi e Carabao.</p><p>Devido a literatura científica ser escassa sobre os aspectos relacionados à bubalinocultura, os estudos</p><p>descritos por Coelho (2019), Minervino et al. (2020), Gerude Neto et al. (2023), Nascimento et al. (2023) e</p><p>recentemente Bastianello (2024) reúnem informações sobre as principais raças de bubalinos manejados no</p><p>Brasil:</p><p>3.1.Raça Murrah</p><p>A raça Murrah é a mais proeminente e numerosa entre os búfalos, tanto no Brasil quanto globalmente.</p><p>Caracteriza-se por sua aptidão dupla para a produção de carne e leite, embora tenha sido predominantemente</p><p>selecionada para a produção leiteira, tornando-a uma excelente escolha para a fabricação de mozzarellas de</p><p>búfala. As principais características distintivas da raça Murrah são os chifres encaracolados, negros, desde a</p><p>base até a ponta, de constituição robusta e maciça, com uma conformação profunda e são reconhecidos por</p><p>sua alta produtividade (Figura 11).</p><p>As fêmeas possuem tetas bem desenvolvidas (Figura 11), com veias pronunciadas e quartos bem formados.</p><p>Segundo a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), o peso dos machos varia de 600 a 800 kg,</p><p>enquanto as fêmeas pesam entre 500 e 600 kg. A produção média de leite é de aproximadamente 1,650 litros</p><p>em um período de 305 dias.</p><p>3.2.Raça Mediterrâneo</p><p>O búfalo da raça Mediterrâneo é um biotipo da variedade de rios. Apresenta pelagem nas cores negra, cinza-</p><p>escuro e marrom escuro. É a segunda raça mais numerosa no Brasil e foi selecionada principalmente para a</p><p>produção leiteira, com foco na indústria de queijos, enquanto os machos são utilizados para corte. Os chifres</p><p>são de tamanho médio, orientados para trás e curvados para dentro, formando uma estrutura em meia-lua.</p><p>Morfologicamente, a raça se caracteriza por um corpo robusto em relação ao comprimento, com patas</p><p>relativamente curtas, peito profundo, abdome volumoso e uma traseira curta. Em geral, o búfalo</p><p>Mediterrâneo é compacto, musculoso e profundo. De acordo com a Associação Brasileira de Criadores de</p><p>Búfalos (ABCB), o peso do animal vivo é de 700 a 800 kg para os machos e 600 kg para fêmeas, cujas tetas</p><p>são muito bem formadas.</p><p>3.3.Raça Jafarabadi</p><p>Os búfalos da raça Jafarabadi são inteiramente de cor negra e possuem aptidões tanto para a produção de</p><p>leite quanto para a de carne. Caracterizam-se pela forma distinta da cabeça, com chifres longos e pesados</p><p>que se curvam em espiral, estendendo-se para baixo e para trás em relação aos olhos (Figura 13). Entre as</p><p>raças de búfalos, a Jafarabadi é a de maior porte. Apresenta uma constituição robusta</p><p>e uma grande</p><p>capacidade torácica, características que contribuem para sua excelente conformação das tetas, favorecendo a</p><p>produção leiteira. De acordo com a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), os machos têm</p><p>um peso variando de 700 a 1500 kg, enquanto as fêmeas pesam entre 650 e 900 kg. A produção média de</p><p>leite é de aproximadamente 2,150 litros em 319 dias.</p><p>3.4.Raça Carabao</p><p>Os búfalos da raça Carabao possuem aptidão para o trabalho agrícola, para a tração e para a carne. Na ilha</p><p>de Marajó, Pará, Brasil, esses animais são usados para produção de carne. Prefere áreas pantanosas em que</p><p>usa os chifres para se cobrir de lama, ainda que essa preferência por áreas alagadas ou com rios, esteja</p><p>presente em todas as raças. Seus chifres são largos e abertos, com corte transversal triangular e fazem um</p><p>ângulo de 90 graus ao se afastarem da cabeça. Possuem cor cinza-parda, com manchas brancas na pata e na</p><p>dianteira, em forma de colar. É um animal compacto e maciço, o que explica a aptidão desenvolvida para o</p><p>corte.</p><p>Segundo a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), os machos desta raça pesam entre 600 e</p><p>700 kg, enquanto as fêmeas variam de 450 a 500 kg. O início da utilização para trabalho ocorre geralmente</p><p>por volta dos 4 anos de idade. Embora a produção leiteira seja relativamente baixa, as fêmeas podem</p><p>produzir cerca de 1000 litros por lactação, especialmente quando submetidas a cruzamentos. No que diz</p><p>respeito ao trabalho, o tempo médio diário de trabalho é de cerca de cinco horas, com uma variação anual</p><p>que pode oscilar entre 20 e 146 dias, dependendo das condições e do manejo.</p><p>6.MANEJO DE CRIA</p><p>Os cuidados com os bezerros começam antes do parto. É fundamental encerrar a lactação da búfala 90 dias</p><p>antes do parto para que ela possa recuperar suas reservas corporais perdidas, permitir que a glândula</p><p>mamária evolua de forma adequada e garantir a produção de colostro com a qualidade e o volume</p><p>necessários para o recém-nascido.</p><p>No último mês de gestação, a fêmea deve ser transferida para um piquete próximo às instalações, que deve</p><p>ser limpo, seco e bem sombreado, para facilitar a observação durante a gestação, o parto e o nascimento da</p><p>cria. Após o nascimento, os bezerros devem permanecer com as búfalas por cinco dias e, em seguida, ser</p><p>agrupados com outros bezerros da mesma faixa etária. Separar os bezerros em grupos conforme a idade</p><p>ajuda a reduzir a transmissão de doenças e minimizar acidentes, como traumatismos (HEINRICHS E</p><p>RADOSTITS, 2002).</p><p>6.1.Colostro</p><p>A placenta da búfala é do tipo endotélio-corial, o que impede a transferência de anticorpos para o feto</p><p>durante a gestação. Dessa forma, o sistema imunológico do bezerro recém-nascido é funcionalmente imaturo.</p><p>Por isso, a ingestão de colostro logo após o nascimento é crucial.</p><p>O colostro é altamente rico em imunoglobulinas, especialmente da classe IgG. Para garantir a máxima</p><p>absorção, a primeira mamada deve ocorrer dentro das primeiras seis horas de vida, pois a capacidade de</p><p>absorver imunoglobulinas pelas vilosidades intestinais diminui com o tempo.</p><p>Após 24 horas, o intestino já não consegue absorver mais imunoglobulinas, embora estas permaneçam no</p><p>lúmen intestinal e atuem como uma defesa local contra agentes patogênicos ingeridos, como o Rotavírus</p><p>(QUIGLEY, 2003). Além das imunoglobulinas, o colostro contém o dobro de sólidos totais, três vezes mais</p><p>minerais e altas concentrações de vitaminas A, D e E, comparado ao leite comum. Também é rico em fatores</p><p>de crescimento e antimicrobianos não específicos em maior quantidade (MOWREY, 2001). Sua alta</p><p>concentração de gordura fornece uma importante fonte de energia, ajudando na termorregulação do bezerro.</p><p>Assim, a ingestão de colostro nas primeiras oito horas é vital para manter o bezerro aquecido (QUIGLEY,</p><p>2003). Os anticorpos presentes no colostro podem proteger o bezerro por até seis semanas, período durante o</p><p>qual o animal começa a desenvolver seu próprio sistema imunológico ao ser exposto a agentes infecciosos</p><p>presentes no ambiente (RADOSTITS et al., 2000).</p><p>6.2.Cura do umbigo</p><p>O tratamento do umbigo é crucial logo após o nascimento para prevenir contaminações e evitar que se torne</p><p>um ponto de entrada para agentes infecciosos, o que pode resultar em altas taxas de mortalidade e</p><p>subdesenvolvimento dos bezerros (REBHUN, 2001). Esse risco aumenta quando as búfalas parrem em</p><p>ambientes sujos ou altamente contaminados, ou quando os bezerros recém-nascidos são mantidos em currais,</p><p>que frequentemente são os locais mais contaminados nas propriedades (HEINRICHS E RADOSTITS, 2002).</p><p>Para garantir a desinfecção adequada, o umbigo deve ser tratado nas primeiras horas de vida com uma</p><p>solução de tintura de iodo a 10%, aplicando duas vezes ao dia até que o umbigo esteja seco, o que</p><p>geralmente leva cerca de três dias.</p><p>6.3.Descorna ou Mochação</p><p>A descorna deve ser efetuada até os sete dias de idade em rebanhos comerciais. Este processo inclui a</p><p>remoção do botão córneo e a aplicação de um ferro quente na área ao redor do botão para garantir uma</p><p>cicatrização adequada. A descorna é especialmente importante em rebanhos comerciais, pois a ausência de</p><p>chifres facilita o manejo, reduzindo o espaço ocupado no cocho, prevenindo ferimentos graves em outros</p><p>animais e economizando espaço no caminhão de transporte.</p><p>6.4.Identificação dos animais</p><p>Para garantir um acompanhamento adequado do desenvolvimento dos animais ao longo de sua vida, é</p><p>essencial manter uma escrituração zootécnica precisa. Devem ser registradas a data de nascimento, o sexo e</p><p>a paternidade do bezerro, o que facilita o manejo da propriedade e a implementação de programas de</p><p>melhoramento genético (MARQUES, 2003).</p><p>A identificação dos animais deve ser feita na primeira semana de vida, com a aplicação de brincos em ambas</p><p>as orelhas, contendo o número e/ou nome dos pais na parte traseira do brinco. Outra opção para</p><p>identificação é a marcação com ferro imerso em solução de nitrogênio líquido. Para essa técnica, a área a ser</p><p>marcada deve ser depilada, e a marcação deve ocorrer entre o 6º e o 10º mês de vida, com a pele do bezerro</p><p>bem esticada. O ferro deve estar suficientemente frio para marcar a epiderme e atingir a derme sem causar</p><p>danos excessivos.</p><p>6.5.Vacinações</p><p>Devem ser realizadas da maneira mais higiênica possível, com agulhas e seringas novas ou pistolas bem</p><p>lavadas e fervidas para evitar a formação de abcessos e feridas, entre outros problemas.</p><p>As principais vacinas são as seguintes:</p><p>Clostridiose: a primeira dose deve ser aplicada aos quatro (04) meses de idade. Repetir após 30 dias e</p><p>revacinar anualmente, se necessário.</p><p>Raiva: a partir dos quatro (04) meses de idade, com uma dose de reforço após 30 dias, repetindo</p><p>anualmente.</p><p>Brucelose: somente as fêmeas, entre 3 a 8 meses de vida, em dose única.</p><p>Aftosa: de acordo com a legislação regional.</p><p>6.6.Desmame</p><p>Os bezerros iniciam a ingestão de sólidos entre 15 e 30 dias de idade e ao redor do primeiro mês de vida</p><p>podem já estar ingerindo entre 50 a 100g de capim ou concentrado.</p><p>7.MANEJO NUTRICIONAL</p><p>O desempenho e a produção de leite e carne em bubalinos são fortemente influenciados pelo metabolismo</p><p>proteico (nitrogênio), que é complementado pelos minerais e vitaminas. No rúmen, o metabolismo da</p><p>proteína ocorre em duas etapas principais: a degradação da proteína, que fornece nitrogênio para os</p><p>microrganismos, e a síntese de proteína microbiana, que utiliza peptídeos, aminoácidos ou amônia livre</p><p>presentes no conteúdo ruminal para o crescimento e multiplicação dos microrganismos.</p><p>7.1 Pastagem</p><p>Os bubalinos são criados principalmente em pastagens nativas de terra firme e áreas alagáveis, sendo que,</p><p>em menor escala, também são utilizados pastos cultivados. Nas pastagens nativas de terra firme,</p><p>especialmente do tipo cerrado, a produtividade animal é limitada pela baixa quantidade e qualidade da</p><p>forragem disponível. Essas áreas são exploradas de forma extensiva, resultando em baixos níveis de</p><p>produtividade.</p><p>Por outro lado, as pastagens nativas de áreas alagáveis possuem um alto potencial produtivo e</p><p>bom valor nutritivo, sendo melhor aproveitadas durante a estação seca, com níveis satisfatórios de</p><p>produtividade, mesmo sem suplementação alimentar.</p><p>As pastagens cultivadas mais comuns em áreas de terra firme incluem capins como o colonião (Panicum</p><p>maximum), quicuio-da-amazônia (Brachiaria humidicola), braquiarão ou marandu (Brachiaria brizantha) e</p><p>elefante (Pennisetum purpureum). Em áreas alagáveis, são plantadas espécies como canarana-erecta-lisa</p><p>(Echinochloa pyramidalis), colônia (Brachiaria mutica) e braquiária-do-brejo (Brachiaria radicans).</p><p>7.2. Suplementação alimentar</p><p>A alimentação tem um impacto significativo na produção, melhoramento genético, sanidade e rentabilidade</p><p>econômica na criação de búfalos. A maioria dos produtores que utilizam búfalos para produção de leite e</p><p>carne adota um sistema alimentar baseado principalmente no fornecimento de alimentos volumosos, como</p><p>pastagens nativas, cultivadas e capineiras. No entanto, esses alimentos, em muitos casos, possuem um valor</p><p>nutritivo limitado devido a fatores ambientais e de manejo, o que não garante um suprimento adequado de</p><p>nutrientes para alcançar níveis de produção mais elevados.</p><p>Independentemente da espécie forrageira utilizada na formação das pastagens e do manejo adotado, é</p><p>possível atender às demandas nutricionais até certo nível de produção. Para produções que excedem esse</p><p>limite, torna-se necessário o uso de alimentos de maior valor nutritivo, capazes de suprir de forma adequada</p><p>as necessidades nutricionais dos animais.</p><p>Para realizar um manejo alimentar adequado de búfalos, é importante considerar as necessidades</p><p>nutricionais específicas dos animais em cada fase de produção, seja para a produção de leite ou carne. O</p><p>manejo deve começar com a oferta de pastagens de boa qualidade, que podem ser nativas ou cultivadas. As</p><p>pastagens nativas de terra firme e áreas alagáveis são as mais comumente utilizadas, sendo as últimas mais</p><p>indicadas para a época seca devido ao seu alto valor nutritivo.</p><p>Para garantir um bom aproveitamento das pastagens, é essencial realizar o manejo adequado, como o</p><p>controle da altura e densidade do pasto, rotação das áreas de pastejo e o controle de invasoras. Pastagens</p><p>cultivadas como capim colonião, braquiarão e elefante, entre outros, podem ser usadas para aumentar a</p><p>oferta de forragem. A inclusão de capineiras, como a cana-de-açúcar e o capim-elefante, também pode ser</p><p>uma boa estratégia para períodos de menor disponibilidade de pasto.</p><p>Quando a oferta de nutrientes das pastagens não é suficiente para atender às exigências dos búfalos,</p><p>especialmente em períodos de maior exigência como na lactação ou no crescimento, é necessário</p><p>complementar a dieta com alimentos de maior valor nutritivo. Isso pode incluir o uso de concentrados, como</p><p>milho, soja ou farelo de algodão, além de suplementos minerais que são fundamentais para suprir</p><p>deficiências específicas, como cálcio, fósforo e sal.</p><p>A água é outro componente essencial do manejo alimentar, devendo estar sempre disponível e ser de boa</p><p>qualidade. A oferta de água fresca e limpa é fundamental para o consumo adequado de alimentos e o bom</p><p>funcionamento do metabolismo dos búfalos.</p><p>Além disso, é importante monitorar o estado de saúde e a condição corporal dos animais regularmente,</p><p>ajustando a dieta conforme necessário para garantir que todos os búfalos estejam recebendo uma nutrição</p><p>adequada. Consultar um zootecnista ou nutricionista animal para o planejamento e ajuste das dietas pode ser</p><p>uma medida eficaz para otimizar o manejo alimentar, garantindo o bem-estar dos búfalos e a máxima</p><p>eficiência produtiva do rebanho.</p><p>9.MANEJO SANITÁRIO</p><p>A criação de búfalos enfrenta diversos desafios relacionados à saúde animal, sendo as doenças e parasitas</p><p>alguns dos mais críticos. O manejo sanitário adequado é essencial para garantir a saúde e a produtividade</p><p>dos rebanhos. As principais doenças que afetam a bubalinocultura incluem a febre aftosa, a brucelose, a</p><p>tuberculose, e a leptospirose. Além dessas, os búfalos são suscetíveis a infestações por parasitas internos e</p><p>externos, como carrapatos, vermes gastrointestinais e ectoparasitas, que podem impactar significativamente</p><p>a produtividade e o bem-estar dos animais.</p><p>9.1.Febre Aftosa</p><p>A febre aftosa é uma doença viral aguda e altamente contagiosa, causada por diferentes cepas do vírus. No</p><p>Brasil, são encontrados os sorotipos O, A e C. Os sintomas incluem febre e aftas nas mucosas,</p><p>especialmente na boca, o que causa salivação intensa e dificuldade para o animal se alimentar. Também</p><p>pode afetar o úbere, as tetas e os espaços interdigitais, levando à claudicação (RADOSTITS et al., 2002).</p><p>Devido à sua</p><p>importância para a saúde animal e para a comercialização de carne, a erradicação da febre aftosa é uma</p><p>prioridade para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. É essencial notificar as autoridades</p><p>sobre qualquer ocorrência de doenças vesiculares (enfermidades que apresentam aftas e bolhas)</p><p>(MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA, 2023).</p><p>Para prevenir a febre aftosa, é obrigatório vacinar o rebanho conforme o calendário de vacinação das</p><p>agências de defesa agropecuária estaduais. A vacina deve ser administrada na dosagem de 5 mL, por via</p><p>subcutânea ou intramuscular, observando todos os cuidados necessários, como o transporte e</p><p>armazenamento adequado da vacina em recipientes refrigerados. Além disso, não se deve vacinar os animais</p><p>em dias muito quentes ou quando estão doentes. As orientações governamentais sobre a febre aftosa devem</p><p>ser seguidas rigorosamente, e a fiscalização é realizada pelos órgãos de defesa estadual, como a Adepará no</p><p>Pará (EMBRAPA, 2023).</p><p>9.2.Brucelose</p><p>A brucelose é uma doença que causa aborto no terço final da gestação em bubalinos, redução na fertilidade e</p><p>consequente queda na produção. Além dos problemas causados à saúde pública, devido a ser uma zoonose, a</p><p>brucelose também gera prejuízos econômicos ao tornar os produtos de origem animal impróprios para as</p><p>barreiras sanitárias, comprometendo sua segurança no mercado. O agente etiológico é a Brucella spp. Na</p><p>espécie bubalina ocorre principalmente Brucella abortus (MARTÍNEZ et al., 2014). Pode ser transmitida nos</p><p>rebanhos pelas vias gastrointestinal, respiratória, conjuntival e genital. O comportamento agregador da</p><p>espécie bubalina favorece a contaminação dos animais pelas bactérias, que são eliminadas durante episódios</p><p>de aborto, em que fetos e restos fetais possuem altas concentrações bacterianas (SOUSA et al., 2015).</p><p>Além de aborto no terço final da gestação, ocorre também retenção de envoltórios fetais e aumento dos</p><p>índices de repetição de cio (Martínez et al., 2014). O diagnóstico clínico da brucelose é subjetivo, pois é</p><p>baseado no histórico da propriedade, pela ocorrência de abortos a partir do sétimo mês de gestação, o que</p><p>leva a suspeitar que a doença esteja ocorrendo no rebanho. No entanto, para confirmação do diagnóstico,</p><p>utilizam-se provas sorológicas (NARDI JÚNIOR et al., 2012).</p><p>Prevenção</p><p>O Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose (PNCEBT) estabelece</p><p>critérios para a prevenção dessas doenças, incluindo medidas compulsórias e preventivas. Entre as medidas</p><p>compulsórias, destaca-se a vacinação obrigatória contra a brucelose em todas as fêmeas bovinas e bubalinas,</p><p>entre 3 e 8 meses de idade, utilizando a amostra B19 ou, alternativamente, a amostra RB51. A vacinação</p><p>deve ser realizada sob a supervisão de médicos veterinários cadastrados no serviço veterinário oficial do</p><p>estado brasileiro de atuação. Além disso, o controle do trânsito de bovinos ou bubalinos é realizado por meio</p><p>da emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), que comprova a vacinação obrigatória contra a brucelose no</p><p>estabelecimento de origem dos animais. Para o trânsito interestadual destinado à reprodução, é necessária a</p><p>apresentação de resultados negativos aos testes de diagnóstico</p><p>para brucelose e tuberculose. Em eventos</p><p>pecuários, os animais devem apresentar atestados com resultados negativos para brucelose e tuberculose,</p><p>conforme as Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) (Brasil,</p><p>2016).</p><p>Entre as medidas voluntárias, a certificação de propriedades livres de brucelose, tuberculose ou ambas, tem</p><p>como objetivo padronizar o controle dessas doenças, seguindo os princípios técnicos recomendados pelo</p><p>Código Sanitário de Animais Terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O processo de</p><p>certificação envolve testar todos os animais e sacrificar os reagentes positivos. Os testes são repetidos em</p><p>todo o rebanho até que se obtenham dois resultados consecutivos sem nenhum animal reagente positivo, ao</p><p>longo de um período mínimo de seis meses. Após a sanificação, a propriedade recebe o certificado de livre,</p><p>cuja manutenção depende do cumprimento de todas as regras e normas sanitárias estabelecidas. As</p><p>propriedades certificadas devem repetir os testes anualmente em todos os animais. É exigido que animais</p><p>que não provenham de outra propriedade livre apresentem dois testes negativos para ingressar na</p><p>propriedade. Os testes de diagnóstico para brucelose são realizados em fêmeas com idade igual ou superior a</p><p>24 meses, desde que vacinadas entre três e oito meses com a vacina B19, e em machos e fêmeas vacinados</p><p>com a vacina RB51 ou não vacinados, a partir dos oito meses de idade. Todos os animais com idade igual ou</p><p>superior a seis semanas são submetidos a testes de diagnóstico para tuberculose. O processo de certificação é</p><p>realizado por médicos veterinários habilitados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento</p><p>(MAPA), com fiscalização das agências de defesa agropecuária estaduais</p><p>9.3.Leptospirose</p><p>A leptospirose é uma zoonose caracterizada por febre, icterícia, alterações hepáticas e renais, além de febre</p><p>hemorrágica, que pode ser letal. No Brasil, a leptospirose é endêmica, podendo ocorrer em bovinos e</p><p>bubalinos e em outras espécies. Ocasiona alterações congênitas, abortos, distúrbios reprodutivos (retenção</p><p>de placenta e natimortos), com infecções subclínicas capazes de prejudicar a eficiência reprodutiva do</p><p>animal, levando-o à subfertilidade e queda na produção. O aborto é uma consequência da infecção sistêmica,</p><p>ocorrendo, na maioria das vezes, na segunda metade da gestação (NARDI JÚNIOR et al., 2010).</p><p>É uma doença causada por espiroquetas, bactérias com a forma de saca-rolhas, da ordem Spirochaetales,</p><p>família Spirochaetaceae; gênero Leptospira. Estudo realizado por Sandoval et al. (1979) em bubalinos, no</p><p>estado de São Paulo, descreveu as espécies de leptospiras mais frequentes, em ordem decrescente: wolffi</p><p>(44,8%), icterohaemorrhagiae (33,6%), hardjo (33,6%), castellonis (16,5%), djasiman (7,9%), grippotyphosa</p><p>(6,6%), pomona (5,2%), bratislava (4,0%), copenhageni (3,3%) e tarassovi (2,7%) (Langoni et al., 1999).</p><p>A transmissão ocorre principalmente pela urina dos animais infectados, seguindo-se a via mamária (GIRIO</p><p>et al., 2004). Os sintomas iniciais incluem febre alta (40,5 °C a 41,5 °C), urina escura, icterícia (coloração</p><p>amarela das mucosas e tecidos), anorexia (distúrbio alimentar que provoca perda de peso), aborto em</p><p>animais prenhes (maior frequência entre o quinto e sexto mês de gestação), queda na produção do leite,</p><p>úbere edematoso e flácido, e leite amarelado com traços de sangue. Na forma crônica, as alterações são</p><p>restritas à esfera reprodutiva, aumentando a frequência de abortos, retenção de placenta e ocorrência de</p><p>natimortos (NARDI JÚNIOR et al., 2010).</p><p>O tratamento das infecções por leptospira visa controlar a infecção antes que ocorram lesões irreversíveis no</p><p>fígado, rins e no aparelho gênito-urinário. A prevenção das lesões é feita por diagnóstico precoce e</p><p>tratamento preferencial com estreptomicina, na dose de 25 mg/kg de peso vivo, administrado pela via</p><p>intramuscular, em dose única. O controle deve ser feito com a vacinação do rebanho em reprodução com</p><p>vacinas contendo as sorovariantes predominantes na região. As vacinas comumente utilizadas são inativadas.</p><p>9.4.Tuberculose</p><p>A tuberculose é uma doença contagiosa de evolução crônica causada pela bactéria Mycobacterium bovis.</p><p>Ela afeta tanto animais quanto humanos, atingindo principalmente os sistemas respiratório e digestivo (LÁU,</p><p>1999). Nos estágios avançados, os animais infectados podem enfraquecer rapidamente. No entanto, alguns</p><p>animais podem não apresentar sintomas aparentes, especialmente nos casos mais crônicos. Os sintomas mais</p><p>comuns incluem perda de peso, nódulos ou gânglios linfáticos aumentados em várias partes do corpo e,</p><p>ocasionalmente, problemas respiratórios como tosse seca e fraqueza geral (BRASIL, 2016).</p><p>Para prevenir a tuberculose, é essencial que os criadores alimentam e manejam seus animais de forma</p><p>adequada, evitando o contato com animais de propriedades infectadas. O teste de tuberculinização pode ser</p><p>realizado de três maneiras: caudal, cervical simples ou cervical comparada. Este teste envolve a</p><p>administração intradérmica de tuberculina para avaliar a resposta imune do animal ao Mycobacterium bovis,</p><p>sendo um método diagnóstico que deve ser aplicado em todo o rebanho com idade igual ou superior a seis</p><p>semanas. Este procedimento deve ser realizado por um médico veterinário habilitado no Programa Nacional</p><p>de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose (PNCEBT) (BRASIL, 2016).</p><p>9.5.PARASITAS E CONTROLE</p><p>9.5.1.Piolhos</p><p>Os piolhos que acometem búfalos, especificamente da espécie Haematopinus tuberculatus, são ectoparasitas</p><p>que causam prurido intenso, levando à diminuição da produtividade de leite e carne. Esses parasitas são</p><p>responsáveis por alterações no comportamento dos animais, como coçar-se em troncos de árvores e cercas, o</p><p>que pode resultar em feridas e atrair outras infestações, como a mosca Cochliomyia hominivorax</p><p>(BASTIANETTO; LEITE, 2005). O ciclo de vida do Haematopinus tuberculatus inclui várias fases: ovo,</p><p>ninfa (com três estágios) e adultos. O período de incubação dos ovos varia de 10 a 16 dias, e o ciclo</p><p>completo do piolho pode durar de 21 a 27 dias (BASTIANETTO; LEITE, 2005). Os sintomas da infestação</p><p>por piolhos em búfalos incluem prurido intenso, onde os búfalos frequentemente se coçam em árvores,</p><p>cercas e outros objetos, tentando aliviar a coceira. O ato constante de se coçar pode causar feridas e</p><p>escoriações na pele, que podem se infectar. Áreas com perda de pelos podem ser observadas devido ao atrito</p><p>constante. Os animais podem se tornar mais irritados e estressados, afetando seu comportamento geral. Há</p><p>uma diminuição na produção de leite e carne, pois os animais gastam mais energia lidando com a infestação.</p><p>Em casos severos, a perda de sangue devido à alimentação dos piolhos pode levar à anemia.</p><p>Para prevenir a infestação de piolhos em búfalos, é importante adotar uma série de medidas de manejo e</p><p>controle sanitário. Manter a higiene do ambiente, limpando regularmente os estábulos e áreas de</p><p>confinamento para reduzir a presença de piolhos e outros parasitas. Proporcionar banhos regulares aos</p><p>búfalos, especialmente com produtos antiparasitários recomendados por veterinários. Separar imediatamente</p><p>os animais que apresentem sinais de infestação para evitar a disseminação dos piolhos. Aplicar inseticidas</p><p>específicos para piolhos em intervalos regulares, conforme orientação veterinária. Para o controle</p><p>recomenda-se a pulverização dos animais com soluções de inseticidas, como a combinação de “Neguvon +</p><p>Asuntol” a 1%, repetida após 18 dias (LAU; COSTA; BATISTA, 1980). Outra opção é o uso de ivermectina</p><p>oral (200 a 400 mcg/kg/dia) em dose única, repetida após 7 dias (BVS, 2024).</p><p>Realizar inspeções regulares nos animais para detectar precocemente qualquer sinal de infestação. Limitar o</p><p>acesso de visitantes e novos animais ao rebanho sem uma quarentena prévia para evitar a introdução de</p><p>piolhos.</p><p>9.5.2.Sarna</p><p>A sarna em búfalos é causada</p><p>por ácaros da espécie Sarcoptes scabiei, que são ectoparasitas microscópicos</p><p>que se alojam na pele dos animais, causando uma série de sintomas incômodos e prejudiciais. Os principais</p><p>sintomas incluem prurido intenso, perda de pelo, vermelhidão, descamação e formação de crostas na pele.</p><p>Esses sintomas resultam da reação alérgica do animal aos ácaros, seus ovos e excrementos, que causam</p><p>inflamação e irritação na pele (ZOETIS, 2024). O ciclo de vida do Sarcoptes scabiei envolve várias fases,</p><p>incluindo ovo, larva, ninfa e adultos. A fêmea adulta penetra nas camadas superficiais da pele, onde deposita</p><p>seus ovos. Após a eclosão, as larvas emergem e se desenvolvem em ninfas e, posteriormente, em adultos,</p><p>completando o ciclo de vida em aproximadamente 10 a 14 dias (ZOETIS, 2024).</p><p>O tratamento da sarna em búfalos geralmente envolve o uso de acaricidas tópicos ou sistêmicos. A</p><p>permetrina a 5% é um dos tratamentos tópicos mais comuns e eficazes, aplicada diretamente na pele do</p><p>animal. Outra opção é a ivermectina, que pode ser administrada por via oral ou injetável, com doses</p><p>repetidas conforme a orientação veterinária para garantir a eliminação completa dos ácaros (MD.SAÚDE,</p><p>2024). Além do tratamento químico, é essencial manter a higiene do ambiente onde os búfalos são mantidos,</p><p>realizando limpezas regulares e removendo materiais contaminados para prevenir reinfestações. A</p><p>quarentena de novos animais e a inspeção regular do rebanho também são medidas importantes para</p><p>controlar a disseminação da sarna (ZOETIS, 2024).</p><p>9.5.3.Mosca-dos-chifres</p><p>A mosca-dos-chifres (Haematobia irritans) é um ectoparasita hematófago que afeta búfalos e outros bovinos,</p><p>causando sérios prejuízos econômicos e sanitários. Este pequeno inseto, medindo aproximadamente 2 a 4</p><p>mm, é de coloração castanha e se alimenta de sangue, provocando picadas frequentes e dolorosas que</p><p>resultam em grande inquietação e irritação nos animais infestados (EMBRAPA, 2018). A mosca-dos-chifres</p><p>passa a maior parte do tempo no hospedeiro, preferindo áreas do corpo longe do alcance da cabeça ou da</p><p>cauda, como as costas, paleta, barriga e pernas. Sua presença é identificada pela postura característica de</p><p>repouso, com a cabeça voltada para baixo e as asas parcialmente abertas (EMBRAPA, 2018).</p><p>Os sintomas da infestação por mosca-dos-chifres em búfalos incluem prurido intenso, perda de peso,</p><p>diminuição na produção de leite e carne, além de estresse elevado. Os animais infestados tendem a se</p><p>aglomerar, deixam de se alimentar adequadamente e passam a maior parte do tempo tentando se livrar das</p><p>picadas, o que se manifesta através de cabeçadas e coices frequentes (PEARSON SAÚDE ANIMAL, 2024).</p><p>A infestação severa pode levar à anemia devido à perda de sangue, comprometendo ainda mais a saúde e a</p><p>produtividade dos animais (EMBRAPA, 2018).</p><p>O tratamento da mosca-dos-chifres envolve o uso de inseticidas específicos, como cipermetrina, que pode</p><p>ser aplicada na forma de “pour-on” ou pulverização. Brincos mosquicidas também são uma opção eficaz,</p><p>proporcionando proteção prolongada aos animais (OUROFINO SAÚDE ANIMAL, 2010). Além do</p><p>tratamento químico, é importante implementar medidas de manejo integrado, como a rotação de pastagens, a</p><p>remoção de fezes do campo e a manutenção de uma boa condição nutricional dos animais para fortalecer seu</p><p>sistema imunológico (AGROCAMPOS, 2024). A rotação de classes de inseticidas anualmente é</p><p>recomendada para evitar a resistência dos parasitas (EMBRAPA, 2018).</p><p>9.6.IMPORTÂNCIA DA HIGIENE E MONITORAMENTO</p><p>A importância da higiene nas instalações e do monitoramento constante dos animais na bubalinocultura é</p><p>fundamental para garantir a saúde e o bem-estar dos búfalos, além de maximizar a produtividade e a</p><p>qualidade dos produtos derivados, como leite e carne. A manutenção de um ambiente limpo e higienizado</p><p>reduz significativamente a presença de microrganismos patogênicos, parasitas e outros agentes causadores</p><p>de doenças. A limpeza regular dos estábulos, bebedouros e comedouros, bem como a remoção adequada de</p><p>fezes e resíduos, são práticas essenciais para prevenir a proliferação de vermes e bactérias que podem</p><p>comprometer a saúde dos animais (EMBRAPA, 2018). Além disso, a desinfecção periódica das instalações</p><p>com produtos apropriados ajuda a eliminar possíveis focos de contaminação.</p><p>O monitoramento constante dos animais é igualmente crucial, pois permite a detecção precoce de sinais de</p><p>doenças ou infestações parasitárias. A observação diária dos búfalos, incluindo a verificação de</p><p>comportamento, condição corporal e sinais clínicos, possibilita a intervenção rápida e eficaz, minimizando o</p><p>impacto de possíveis problemas de saúde. Exames veterinários regulares e a implementação de um programa</p><p>de vacinação adequado são medidas preventivas que contribuem para a manutenção da sanidade do rebanho</p><p>(FIGUEIRÓ; SARAIVA, 2018). A adoção de práticas de manejo integrado, como a rotação de pastagens e o</p><p>controle de pragas, também é recomendada para reduzir a exposição dos animais a agentes infecciosos.</p><p>A combinação de higiene rigorosa nas instalações e monitoramento constante dos animais não só promove o</p><p>bem-estar dos búfalos, mas também resulta em ganhos econômicos para os produtores, ao reduzir a</p><p>incidência de doenças e melhorar a eficiência produtiva. A implementação dessas práticas deve ser contínua</p><p>e adaptada às necessidades específicas de cada propriedade, sempre com o suporte de profissionais</p><p>qualificados e atualizados sobre as melhores técnicas de manejo sanitário (CARVALHO et al., 2024).</p><p>11.MANEJO REPRODUTIVO</p><p>Napolitano et al. (2022) descrevem de forma atualizada sobre os principais pontos referente ao manejo</p><p>reprodutivo dos bubalinos:</p><p>11.1.Seleção de machos e fêmeas reprodutores</p><p>A seleção dessas fêmeas envolve priorizar características associadas à alta produtividade como prolificidade,</p><p>longa vida produtiva e estrutura corporal adequada, em que o formato e posição das pernas e cascos são</p><p>considerados relevantes (ANASB, 2021), uma vez que dependem de circulação através de áreas de pastagem</p><p>e garantir o acesso à forragem.</p><p>Uma elevada taxa de conversão alimentar e um adequado desenvolvimento e tamanho da glândula mamária</p><p>para sintetizar grandes quantidades de leite, bem como a colocação e tamanho das tetas (para facilitar os</p><p>processos de ordenha, especialmente quando são mecanizados), são outros elementos marcantes que são</p><p>considerados na espécie.</p><p>Para a seleção de machos são utilizados catálogos de garanhões cujo material genético geralmente é</p><p>utilizado através de inseminação artificial em cio detectado e, mais frequentemente, em horário fixo,</p><p>técnicas que envolvem a incorporação de tecnologias de reprodução assistida (BERTONI et al., 2019;</p><p>CRUDELI et al., 2016).</p><p>11.2.Detecção de estro</p><p>Detecção de estro é um dos fatores estratégicos para realizar a seleção genética com sucesso em qualquer</p><p>sistema de produção e a detecção de estro em fêmeas receptivas, que podem ser inseminadas para produzir</p><p>bezerros com as características que os produtores desejam priorizar. Ao contrário das vacas leiteiras, nas</p><p>quais são observados sinais associados ao estro como edema vulvar, micção frequente e corrimento vaginal,</p><p>nas búfalas não é comum observar estes sinais (mais de 60% das fêmeas apresentam estro silencioso).</p><p>Portanto, a detecção do estro requer a realização de outros métodos. Na verdade, do ponto de vista endócrino,</p><p>os búfalos apresentam tamanho folicular menor, baixas concentrações de estradiol, e foi relatado que apenas</p><p>3,4% dos búfalos revelam comportamento homossexual (BERTONI et al., 2020; NEGLIA et al., 2020).</p><p>Por esses motivos, a utilização de macho vasectomizado para identificação de fêmeas viáveis para</p><p>inseminação é uma das técnicas privilegiadas em protocolos de reprodução em tempo fixo, o que permite o</p><p>melhoramento genético e, desta forma, identificar as características fisiológicas do búfalo.</p><p>Durante o estro, as búfalas podem apresentar alguns sinais e comportamentos</p><p>representativos deste período.</p><p>Isto é resultado das concentrações de hormônios, predominantemente hormônios luteinizantes (LH) e</p><p>hormônios folículo-estimulantes (FSH), e gonadotrofinas secretadas pela glândula pituitária anterior através</p><p>da ação do hipotálamo. Quando os níveis de LH e FSH estão suficientemente elevados, ocorre a ovulação</p><p>(que normalmente dura entre 24 e 48 horas nas búfalas) com a consequente secreção de estradiol (E2) que</p><p>diminui ao mesmo tempo que a progesterona (P4) aumenta para reiniciar o estro. ciclo. Este processo é</p><p>fundamental durante a IA, pois, a detecção desses sinais e dos níveis de hormônios circulantes permite</p><p>implementar estratégias e atenuar os efeitos da sazonalidade ou de outros fatores. PG: Prostaglandina, GnRH:</p><p>Hormônio liberador de gonadotrofinas. (GONZALEZ et al., 2022).</p><p>11.3.Nascimento</p><p>Quando uma IA é bem-sucedida e, portanto, a fêmea está grávida, após 290 a 295 dias inicia-se o processo</p><p>de nascimento. Em tempo hábil, o início do período de nascimento. Para tal, o pessoal responsável avalia o</p><p>estado do úbere, a frequência da micção e as alterações de postura (por exemplo, deitado ou em pé).</p><p>Alguns estudos sugerem que a suplementação com vitamina A e E em búfalas Murrah multíparas tem efeitos</p><p>positivos no aumento de proteínas e sólidos totais do colostro durante os primeiros três e dois dias pós-parto,</p><p>respectivamente (MUDGAL et al., 2020). Um aspecto nodal é que essas áreas possuem espécies arbóreas</p><p>que proporcionam sombra, necessária para a expressão dos mecanismos de termorregulação dos búfalos.</p><p>Além disso, nessas áreas devem ser evitados corpos d'água profundos para evitar possíveis afogamentos, por</p><p>isso o abastecimento de água potável se dá por meio de bebedouros. Essa etapa, se concluída corretamente, é</p><p>considerada uma conquista reprodutiva, por isso as gestantes e as que estão próximas do parto são mantidas</p><p>sob constante supervisão, a fim de evitar complicações durante o parto ou distocias, que representam efeitos</p><p>fisiológicos para a mãe e o recém-nascido, mas também perdas económicas para os produtores,</p><p>principalmente para aqueles que alocam recursos económicos significativos para a implementação de</p><p>protocolos reprodutivos, como a inseminação artificial.</p><p>Parto Eutócico segundo a literatura, o trabalho de parto inicia-se com o aparecimento de contrações uterinas</p><p>regulares acompanhadas de dilatação progressiva do colo do útero e é dividido em três etapas:</p><p>1)Dilatação do colo do útero;</p><p>2)Expulsão do feto;</p><p>3)Expulsão do feto e membranas fetais.</p><p>A primeira etapa tem duração média de uma a duas horas, sendo mais longa em búfalas primíparas. Nesta</p><p>fase, o búfalo apresenta uma alteração estrutural do colo do útero para sua dilatação, posteriormente iniciam-</p><p>se as contrações do miométrio e, por fim, o feto é posicionado para expulsão. Durante o início desta, é</p><p>importante garantir sombra natural nas pastagens destinadas à maternidade para reduzir o risco de a mãe</p><p>sofrer de stress térmico e, assim, reduzir a probabilidade de alterações hormonais placentárias.</p><p>consequências que, por sua vez, poderiam afetar negativamente o peso do bezerro ao nascer, além de</p><p>interferir na imunidade passiva deste durante o colostro.</p><p>A posição em que o bezerro é colocado ao nascer influencia muito na determinação do nascimento eutócico</p><p>ou distócico. Dentre as posições associadas às distocias, a posição anterior representa 86,7% dos casos e a</p><p>posição posterior 13,3%; além disso, desvios de membros 57,8% e desvios de cabeça 42,2%. Desvios</p><p>laterais graves da cabeça e pescoço significam alto risco de mortalidade para os fetos. Posições anormais e</p><p>dificuldade na expulsão do produto são prejudiciais, tanto para o recém-nascido quanto para a mãe,</p><p>principalmente naqueles sistemas em que o manejo do nascimento dos búfalos é realizado por criadores ou</p><p>responsáveis pelos animais. Nestes casos, a intervenção durante uma distocia envolve retirar manualmente o</p><p>feto do canal do parto; porém, se esse movimento não for realizado com cuidado ou com técnica precisa,</p><p>pode causar lesões perineais graves que infeccionam e necrosam e, portanto, requerem intervenções</p><p>cirúrgicas adicionais para correção.</p><p>As consequências que podem ocorrer no recém-nascido dependem do tempo decorrido desde o parto normal</p><p>até o quadro de distocia. Por exemplo, foi documentado que a segunda fase do trabalho de parto eutócico</p><p>dura cerca de 20 a 70 minutos. Quando esse tempo é ultrapassado, aumenta o risco de acidose fetal na</p><p>panturrilha, o que desencadeia falência de órgãos e até a morte do recém-nascido. Outros problemas foram</p><p>identificados, como hipercapnia, hipotermia, hipoglicemia, síndrome de aspiração de mecônio e ruptura do</p><p>cordão umbilical, que são fatores predisponentes a outras patologias ou baixa vitalidade nas primeiras horas</p><p>de vida. Em geral, a distocia, seja qual for a sua causa, é acompanhada de alterações bioquímicas,</p><p>fisiológicas e comportamentais (inquietação, bater no chão ou arquear as costas devido à dor. Essas reações</p><p>podem ser avaliadas para detectar precocemente anormalidades durante o trabalho de parto e estabelecer</p><p>estratégias.</p><p>Concluída a etapa de expulsão do feto, geralmente a equipe responsável pela área da maternidade</p><p>supervisiona que o bezerro apresente movimentos das extremidades e da caixa torácica para garantir</p><p>inspiração e expiração adequadas. Se, pelo contrário, for detectado que o bezerro não está se movimentando,</p><p>a equipe entra no piquete da maternidade e se aproxima cuidadosamente para verificar se o produto precisa</p><p>de assistência ou, em casos extremos, confirmar sua mortalidade.</p><p>Da mesma forma, verifica-se que a mãe mantém proximidade com o bezerro, começando pela lambida e</p><p>retirada das membranas fetais. Caso a mãe se afaste do filhote e o filhote ainda não consiga ficar em pé ou a</p><p>fêmea não aceite a amamentação, a equipe intervém tentando estimular o vínculo entre a mãe e o filhote.</p><p>Nestes casos, se a rejeição da prole continuar, esta é integrada num processo de reprodução comunal com</p><p>fêmeas nutrizes. Porém, durante os primeiros minutos de vida do bezerro é fundamental promover a</p><p>proximidade entre a mãe e o bezerro e o início da amamentação.</p><p>10.MELHORAMENTO GENÉTICO</p><p>O melhoramento genético de bubalinos é essencial para aumentar a produtividade e a qualidade dos</p><p>produtos derivados, como carne e leite. As técnicas de seleção e cruzamento, juntamente com o uso de</p><p>tecnologias genéticas modernas, desempenham um papel crucial nesse processo. A aplicação destas técnicas</p><p>resulta em rebanhos mais produtivos e adaptáveis, capazes de atender à crescente demanda por produtos de</p><p>alta qualidade, como carne magra e leite com alto teor de sólidos. Além disso, o uso de tecnologias como a</p><p>seleção assistida por marcadores e a genômica pode acelerar e tornar mais eficiente esse processo,</p><p>promovendo uma bubalinocultura mais competitiva e sustentável no Brasil.</p><p>10.1.Técnicas de seleção</p><p>10.1.1.Fenotípica é a técnica mais tradicional e baseia-se na escolha dos melhores indivíduos com base em</p><p>características observáveis (fenótipos), como produção de leite,ganho de peso, resistência a doenças, entre</p><p>outros. Os animais que apresentam desempenho superior são selecionados para reprodução, com o objetivo</p><p>de transmitir essas características desejáveis à próxima geração. A seleção fenotípica pode ser limitada pela</p><p>influência do ambiente nas características observadas, dificultando a distinção entre genética e efeito</p><p>ambiental (PEREIRA et al., 2021).</p><p>10.1.2 Genotípica esta técnica vai além do fenótipo e envolve a análise do genótipo dos animais para</p><p>identificar aqueles com genes desejáveis. A seleção é baseada em informações genéticas, como a presença</p><p>de alelos favoráveis, permitindo uma escolha mais precisa dos animais para reprodução (PEREIRA et al.,</p><p>2021).</p><p>10.2.Técnicas de cruzamento</p><p>10.2.1.Cruzamento direcionado envolve o cruzamento entre indivíduos selecionados para combinar</p><p>características desejáveis. Pode ser realizado</p>