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Eixo Temático: Educação do Campo
 DESENVOLVIMENTO REGIONAL, AGROECOLOGIA, SUSTENTABILIDADE, SOBERANIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL.
SUBTEMA: PROMOÇÃO DO FORTALECIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR, RUMO A SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL DAS FAMILIAS AGRICULTORAS.
Michele Gomes da Silva Muniz
Willian Freitas Pinto
Resumo: O desenvolvimento regional, a agroecologia, a sustentabilidade, a soberania e a segurança alimentar e nutricional estão entrelaçados na busca por sistemas alimentares mais justos e sustentáveis globalmente. O desenvolvimento regional visa promover o crescimento equitativo das regiões, fomentando a inclusão social e econômica por meio de políticas que valorizem recursos locais e diversidade cultural. A agroecologia propõe práticas agrícolas que respeitam os ciclos naturais, reduzindo o uso de insumos químicos e promovendo a biodiversidade agrícola. Ligada a isso, a sustentabilidade busca satisfazer as necessidades atuais sem comprometer as gerações futuras, equilibrando aspectos ambientais, sociais e econômicos. A soberania alimentar refere-se ao direito das comunidades definirem suas políticas agrícolas e alimentares, garantindo acesso a alimentos nutritivos e culturalmente apropriados de maneira sustentável. A segurança alimentar e nutricional vai além do acesso físico aos alimentos, englobando uma dieta equilibrada e saudável que respeite as necessidades nutricionais individuais e comunitárias. Em conjunto, esses conceitos fortalecem a resiliência das comunidades frente às mudanças climáticas, desafios econômicos e pressões da globalização. Para alcançar sistemas alimentares mais justos, saudáveis e sustentáveis, é essencial implementar políticas públicas integradas e fortalecer as capacidades locais, valorizando a diversidade e promovendo práticas que beneficiem tanto o meio ambiente quanto as comunidades humanas.
Palavras-chave: Biodiversidade; Desenvolvimento sustentável; Segurança alimentar.   
Abstract: Regional development, agroecology, sustainability, food sovereignty, and food and nutritional security are interconnected in a global context aiming for more just and sustainable food systems. Regional development focuses on equitable growth across regions, promoting social and economic inclusion through policies that value local resources and cultural diversity. Agroecology advocates agricultural practices that respect natural cycles, reduce chemical inputs, and enhance agricultural biodiversity. Linked to this is sustainability, which aims to meet present needs without compromising future generations, balancing environmental, social, and economic aspects. Food sovereignty refers to peoples' right to define their own agricultural and food policies, ensuring access to nutritious and culturally appropriate food sustainably. Food and nutritional security goes beyond physical access to food, encompassing a balanced and healthy diet that meets the nutritional needs of individuals and communities. Together, these concepts foster community resilience against climate change, economic pressures, and globalization challenges. Achieving fair, healthy, and sustainable food systems requires integrated public policies and strengthened local capacities, valuing diversity and promoting practices that benefit both the environment and human communities.
Keywords: Biodiversity; Sustainable development; Food safety.
INTRODUÇÃO
A biodiversidade alimentar abrange a variedade de plantas, animais e organismos utilizados na alimentação, essencial para os ecossistemas e a vida no planeta. Para enfrentar a insegurança alimentar e nutricional, é crucial revisar as práticas dos sistemas alimentares visando conservar essa biodiversidade. A perda de biodiversidade e a pobreza estão intimamente interligadas (Lairon, 2012; Martinelli & Cavalli, 2019). Aspectos como patrimônio cultural, qualidade dos alimentos e habilidades culinárias são fundamentais para padrões alimentares sustentáveis e soberania alimentar.
É imprescindível abordar a conservação dos sistemas alimentares e a redução da pobreza de forma colaborativa e com novas estratégias de sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis através de políticas de governança. Embora o Brasil seja rico em biodiversidade, poucas espécies são estudadas pelos pesquisadores nacionais.
Portanto, valorizar e promover o conhecimento das plantas da socio biodiversidade é essencial para a soberania e segurança alimentar e nutricional da população. Explorar o potencial ainda não utilizado dessas plantas pode gerar alternativas inovadoras de transformação, consumo e produção de alimentos, beneficiando agricultores familiares, produtores agroecológicos e comunidades tradicionais como quilombolas, indígenas, seringueiros, ribeirinhos, extrativistas e assentados da reforma agrária. O alimento é crucial para a sobrevivência humana, sendo vital explorar e valorizar esses recursos para benefício econômico, social e ambiental das comunidades.
Segurança alimentar e nutricional é a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente de alimentos de qualidade, quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base, práticas alimentares promotoras de saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam social econômica e ambientalmente sustentáveis. (II Conferência Nacional de SAN. Olinda 2004).
Desta forma, a valorização das diversas fontes alimentares, em especial dos vegetais, no que diz respeito às práticas e saberes, promoção da melhoria da qualidade de vida e do ambiente, são estratégias para atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
METODOLOGIA
	Um questionário foi fundamental para coletar informações essenciais visando fortalecer a agricultura familiar e promover a segurança alimentar e nutricional das famílias agricultoras. Ele abordou temas como estatísticas gerais, atividades agrícolas, acesso a recursos, mercado e comercialização, segurança alimentar, capacitação, assistência técnica e perspectivas futuras. O questionário foi aplicado tanto presencialmente, por meio de entrevistas, quanto online, conforme a infraestrutura disponível na comunidade, garantindo a confidencialidade das respostas e a participação de todos os membros da família envolvidos na agricultura.
	As respostas obtidas serão utilizadas para desenvolver estratégias e programas direcionados ao fortalecimento da agricultura familiar e à promoção da segurança alimentar e nutricional. O projeto inclui etapas como diagnóstico participativo, fortalecimento da capacidade produtiva, acesso a mercados, segurança alimentar, fortalecimento institucional e parcerias, monitoramento e avaliação. É crucial adaptar essa metodologia às características específicas de cada comunidade agrícola, considerando o contexto socioeconômico, cultural e ambiental. O envolvimento ativo das famílias agricultoras em todas as fases do projeto é fundamental para assegurar a eficácia e a sustentabilidade a longo prazo das iniciativas propostas.
DESEVOLVIMENTO – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
INTERCONEXÃO DOS TEMAS PARA PROMOÇÃO DE SISTEMAS ALIMENTARES MAIS JUSTOS E SUSTENTÁVEIS 
	Os temas do desenvolvimento regional, agroecologia, sustentabilidade, soberania alimentar e segurança alimentar e nutricional estão interligados e desempenham papéis fundamentais na promoção de sistemas alimentares justos, sustentáveis e resilientes globalmente. O desenvolvimento regional busca fortalecer economicamente e socialmente comunidades dentro de uma região específica, reduzindo desigualdades sociais e econômicas através de políticas públicas e investimentos (Silva, J. G. da, & Serra, J. C. (Eds.). (2006). A agroecologia, integrando princípios e práticas da ecologia, promove biodiversidade agrícola, uso sustentável de recursos naturais e resiliência dos ecossistemas agrícolas, como rotação de culturas e manejo integrado de pragas (Caporal, F. R., & Costabeber, J. A. (Eds.). (2008). A sustentabilidade na produção de alimentos visa não comprometer recursos naturais para futurasgerações, minimizando impactos ambientais e promovendo resiliência climática, garantindo acesso contínuo a alimentos saudáveis para comunidades rurais (Leal Filho, W., et al. (Eds.). (2012). A soberania alimentar defende o direito das populações de definir políticas agrícolas e alimentares sustentáveis e culturalmente apropriadas, promovendo autonomia na produção e distribuição de alimentos (Dantas, M. B., & Duarte, G. T. (Eds.). (2015). A segurança alimentar e nutricional não se restringe ao acesso físico a alimentos, incluindo dietas diversificadas que atendam às necessidades nutricionais específicas de diferentes grupos populacionais (Hikiji, R. (2009). Esses temas interconectados fortalecem sistemas alimentares resilientes e sustentáveis através de políticas públicas integradas, investimentos em pesquisa agrícola, educação rural e empoderamento comunitário, assegurando um futuro alimentar mais seguro, justo e equitativo para todos.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
	Na análise dos dados coletados, observamos que as famílias envolvidas na agricultura incluem pais, mães, irmãos e, dependendo da idade, os filhos participam ativamente no processo de produção agrícola. As atividades concentram-se na pesca para produção de filé de peixe, cultivo de abacaxi, maxixe e quiabo, além do artesanato com a produção de esteiras, cestos, chapéus e bolsas de palha feitas da planta 'taboa' dos rios locais.
	Os agricultores obtêm acesso a sementes e fertilizantes, incentivados pela secretaria de agricultura, embora haja necessidade de maior conscientização sobre seu uso correto e o descarte de resíduos orgânicos do filé de peixe. Embora haja liberdade para comercialização em feiras e mercados, os moradores questionam a grande discrepância de preços entre a origem dos produtos e seus locais de venda, como feiras, centros urbanos e grandes cidades. Devido à autossuficiência na produção, muitos moradores consomem predominantemente os próprios produtos, resultando em uma dieta restrita. A capacitação dessas pessoas ocorre de maneira esporádica, necessitando de um reforço com ações mais consistentes e direcionadas. Apesar dos desafios enfrentados, a comunidade mantém uma visão otimista para o futuro, percebendo um aumento no apoio das políticas públicas para fortalecer a produção local.
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
	Este texto aborda a importância da produção de alimentos para o autoconsumo nas famílias agrícolas, destacando sua conexão com a Segurança Alimentar e Nutricional. As famílias entrevistadas expressam a valorização da alimentação saudável, livre de agrotóxicos, e diversificada, incluindo mandioca, batata, feijão, frutas, verduras, além de produtos para venda e criação de animais. A produção para o autoconsumo é vista não apenas como garantia de qualidade alimentar e saúde, mas também como preservação da tradição cultural e economia financeira. A prática envolve aprendizados transmitidos por gerações, reforçando a identidade agrícola familiar e camponesa.
	Diante dos danos à saúde e ao meio ambiente causados pela monocultura e uso de agrotóxicos, há um apelo por políticas públicas que promovam alternativas agroecológicas. A transição para práticas sustentáveis é vista como crucial, especialmente para pequenos agricultores, e requer mobilização social e reformulação das políticas de controle de agrotóxicos. No contexto atual, marcado por visões conflitantes sobre o mundo rural e a agricultura familiar, é fundamental ampliar o debate acadêmico e educacional sobre essas questões. Isso inclui a conscientização nas salas de aula e cursos, visando promover uma compreensão mais ampla e crítica dessas realidades. Finalmente, destaca-se a necessidade urgente de construir alternativas que fortaleçam iniciativas alinhadas com a soberania alimentar e sustentabilidade ambiental. Isso implica o reconhecimento do papel vital das políticas públicas na promoção e proteção da agricultura familiar como uma alternativa socialmente justa e ambientalmente sustentável para enfrentar os desafios agrícolas contemporâneos.
REFERÊNCIAS 
BUAINAIN, A. M. Agricultura familiar, agroecologia e desenvolvimento sustentável: questões para debate. Brasília: IICA, 2006.
CAPORAL, F.R.; COSTABEBER, J. A.; Segurança Alimentar e Agricultura Sustentável: Uma perspectiva Agroecológica. Ciência e ambiente, Srta Maria-RS, v.1. n.27, p.153-165, 2003.
DANTAS, M. B., & DUARTE, G. T. (Eds.). (2015). Soberania alimentar e políticas públicas. EdUFSCar.
DEVES, Otávio Diel; FILIPPI3, Eduardo Ernesto. A Segurança Alimentar E As Experiências Das Políticas Agro-Alimentares Locais No Fortalecimento Da Agricultura Familiar. Artigo desenvolvido como requisito parcial na obtenção de conceito da disciplina - Desenvolvimento: Teorias, Temas e Processos (DER 400) no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural. PGDR/UFRGS.
DORIGON, Clovis et al. A produção de alimentos para o autoconsumo na região oeste do Estado de Santa Catarina. Redes (St. Cruz Sul, Online), Santa Cruz do Sul, v. 25, p. 2060-2085, oct. 2020. ISSN 1982-6745. doi:https://doi.org/10.17058/redes.v25i0.14645.
HIKIJI, R. (2009). Políticas públicas e segurança alimentar: o direito humano à alimentação adequada no Brasil. Annablume Editora.
KAUFMANN, Marielen; Priscila PASQUALOTTO, Nayara; WIZNIEWSKY, José Geraldo. Agricultura Familiar E Desenvolvimento Rural Sustentável – 1. ed. – Santa Maria, RS : UFSM, NTE, 2019.
LAIRON, D. (2012). Biodiversidade e nutrição sustentável com uma abordagem baseada em alimentos. Em: Burlingame B, Dernini S, editor. Dietas Sustentáveis e Biodiversidade.
Roma: FAO, 30-35.
LEAL FILHO, W., ET AL. (EDS.). (2012). Sustentabilidade e educação: um olhar da Amazônia. Manaus: Editora da Universidade Federal do Amazonas.
SILVA, J. G. DA, & SERRA, J. C. (Eds.). (2006). Desenvolvimento Regional: Teorias e Políticas Públicas. Atlas.

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