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PLANEJAMENTO E POLÍTICAS AMBIENTAIS W B A 01 49 _v 2. 0 2 Ana Cobalchini Cristiane Ronchi Londrina Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2020 PLANEJAMENTO E POLÍTICAS AMBIENTAIS 1ª edição 3 2020 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR e-mail: editora.educacional@kroton.com.br Homepage: http://www.kroton.com.br/ Presidente Rodrigo Galindo Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada Paulo de Tarso Pires de Moraes Conselho Acadêmico Carlos Roberto Pagani Junior Camila Braga de Oliveira Higa Carolina Yaly Giani Vendramel de Oliveira Juliana Caramigo Gennarini Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Nirse Ruscheinsky Breternitz Revisor Ana Cobalchini; Cristiane Ronchi Editorial Alessandra Cristina Fahl Beatriz Meloni Montefusco Gilvânia Honório dos Santos Hâmila Samai Franco dos Santos Mariana de Campos Barroso Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) __________________________________________________________________________________________ Ronchi, Ana Cobalchini; Cristiane R769p Planejamento e Politicas Ambientais/ Ana Cobalchini; Cristiane Ronchi - Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2020. 44 p. ISBN 978-65-86461-26-8 1. Planejamento ambiental. 2. Políticas ambientais I. Ana Cobalchini; II. Ronchi, Cristiane , Título. CDD 363.7 ____________________________________________________________________________________________ Jorge Eduardo de Almeida CRB: 8/8753 © 2020por Editora e Distribuidora Educacional S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. mailto:editora.educacional%40kroton.com.br?subject= http://www.kroton.com.br/ 4 SUMÁRIO A questão ambiental e os paradigmas contrastantes _______________ 05 Etapas, estruturas e instrumentos da gestão e planejamento ambiental urbano _____________________________________________________________ 19 Indicadores ambientais, planejamento e políticas públicas __________ 35 Cidades inteligentes e sustentáveis no Brasil e no mundo __________ 51 PLANEJAMENTO E POLÍTICAS AMBIENTAIS 5 A questão ambiental e os paradigmas contrastantes Autoria: Ana Beatriz Ulhoa Cobalchini Leitura crítica: Cristiane Ronchi de Oliveira Objetivos • A cidade como unidade territorial de desenvolvimento humano. • Compreender o processo de urbanização brasileiro e suas tipologias. • Compreender os conceitos de urbanização, metropolização e conurbação. • Identificar os preceitos iniciais de planejamento urbano e sustentabilidade ambiental. 6 1. A cidade enquanto espaço de construção social Desde os primórdios da ocupação humana e do seu desenvolvimento inicial enquanto espécie, o ser humano tem se organizado em aglomerados sociais, os quais tiveram a função de subsistência, segurança do grupo e reprodução. Em princípio, as comunidades humanas eram nômades, ou seja, transitavam de território em território em busca de recursos naturais que pudessem prover sua perpetuação. Mas, caso as condições fossem adversas, estas se deslocavam para outro local mais propício para tais fins. No entanto, conforme a espécie Homo sapiens evoluiu, a tendência de se fixar em territórios e dali prover sua construção social foi mais acertada e próspera (RECH & RECH, 2016). Ressalta-se, portanto, que as cidades são um espelho de sua população, considerando-se os aspectos históricos, socioeconômicos e ambientais. Portanto, o planejamento da cidade deve considerar o seu passado, presente e ter abrangência de planejamento que considere seu futuro, de forma a possibilitar seu tempo de vida mais longo e sua sustentabilidade, enquanto núcleo de desenvolvimento humano. Conforme Mumford (1998), a cidade deve ser compreendida contemplando a sua natureza histórica, entendendo-se suas funções originais, e também suas vocações futuras. 2. O processo de urbanização brasileiro e o surgimento das grandes metrópoles O processo de urbanização consiste na permanência da maioria da população de um país nos núcleos urbanos ao invés dos núcleos rurais, dentro do território de um Estado. No Brasil, isso ocorreu definitivamente em meados de 1940, durante o Governo Getúlio Vargas. 7 Naquela ocasião, grande parte da população passou a habitar em núcleos rurais em razão do êxodo rural, impulsionado pela Revolução Industrial Brasileira e concentrou-se principalmente nos núcleos das capitais das regiões Sudeste e Sul. Essa fase é considerada por estudiosos como tardia, em relação a outros países industrializados. Posteriormente, as cidades brasileiras têm evoluído para grandes metrópoles e depois para megalópoles ou conúrbios urbanos. O processo de conurbação é conceituado como a fusão das áreas urbanas de duas ou mais cidades, produzindo núcleos muito extensos. Esse processo de junção de uma ou mais cidades, deu origem às regiões metropolitanas, tais como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MS), entre outros. Enquanto detentor das políticas urbanísticas e como ente de ordenação do território, o Poder Público necessita satisfazer as demandas da população por habitação, produção agrícola, segurança pública e utilização potencializada do solo, não se abstendo das premissas de sustentabilidade ambiental com vistas à perpetuação da utilização do território com qualidade. Considerando-se o crescimento da população, as condições da ocupação urbana e diversos fatores ambientais, é natural que haja conflitos quanto ao uso do solo, tais como: conflitos entre grupos econômicos, demandas por moradia, núcleos de produção mineral ou agrícola, grupos sociais ou religiosos, entre inúmeros outros setores da sociedade civil organizada. Portanto, o ordenamento territorial é, antes de tudo, um processo delicado e complexo de tomada de decisões. Diversas situações irregulares têm ocorrido na maior parte das cidades brasileiras e que afetam substancialmente a qualidade de vida da população e a qualidade ambiental. Por exemplo, a implantação de loteamentos irregulares promovidos por pessoas que não detém a 8 posse da terra, porém forjam documentos falsificados e as vendem. Os novos “donos” sofrem o golpe, implantam suas residências e depois não podem obter a posse digna da terra. Essas áreas griladas, costumam ser pertencentes às áreas de preservação ambiental ou dentro de unidades de conservação. Tais atitudes são denominadas grilagem de terras, pois, os falsificadores colocam os documentos recém impressos e falsos em gavetas ou caixas repletas de grilos, obtendo após curto espaço de tempo a coloração amarelada comum dos documentos antigos de posse ou propriedades de terras. Outra situação precária de moradia deve-se a subutilização de terras urbanas para implantação de loteamentos verticais de segunda categoria, os chamados cortiços. Estes possuem uma concentração muito alta de moradores, produzindo resíduos sólidos, esgoto e captando água, seja de fonte regular ou irregular, ampliando o impacto ambiental nas cidades. Por fim, ainda existem as favelas, que são ocupações irregulares e desordenadas de terras públicas, geralmente íngremes, sem a menor condição sanitária e de ordenamento territorial. Não há espaçamento correto nas ruas, não há calçadas e muitas vezes, não ocorre nem esgotamento sanitário nem abastecimento de água de forma correta. Ressalta-se dentro desse universo a existência de especulação imobiliária, surgimento de núcleos violentos e com infraestrutura deficitária,da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. Disponível em: http://site.sabesp.com.br/uploads/file/asabesp_doctos/kit_arsesp_portaria2914. pdf. Acesso em: 4 mar. 2020. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Indicadores ambientais. 2017. Disponível em: https://www.mma.gov.br/images/arquivos/Informacoes_ ambientais/ListaDeIndicadores/area_de_FP_com_uso_comunitario/FS_SFB_ AreaFPUsoComunitario.pdf. Acesso em: 04 mar. 2020. DOS REIS, L. B; FADIGAS, E. A. A; CARVALHO, C. E. Energia, recursos naturais e a prática do desenvolvimento sustentável. Barueri: Manole, 2005. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4297.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4297.htm http://site.sabesp.com.br/uploads/file/asabesp_doctos/kit_arsesp_portaria2914.pdf http://site.sabesp.com.br/uploads/file/asabesp_doctos/kit_arsesp_portaria2914.pdf https://www.mma.gov.br/images/arquivos/Informacoes_ambientais/ListaDeIndicadores/area_de_FP_com_uso_comunitario/FS_SFB_AreaFPUsoComunitario.pdf https://www.mma.gov.br/images/arquivos/Informacoes_ambientais/ListaDeIndicadores/area_de_FP_com_uso_comunitario/FS_SFB_AreaFPUsoComunitario.pdf https://www.mma.gov.br/images/arquivos/Informacoes_ambientais/ListaDeIndicadores/area_de_FP_com_uso_comunitario/FS_SFB_AreaFPUsoComunitario.pdf 50 DUARTE, F. Planejamento urbano. Curitiba: Intersaberes, 2012. PHILLIPI JR, A. et al. Saneamento, saúde e meio ambiente: fundamentos para um desenvolvimento sustentável. Barueri: Manole, 2005. PORTAL TRATA BRASIL. Saneamento e desenvolvimento humano no mundo – o acesso à água e esgoto. Portal Trata Brasil, [s.l.], 29 de agosto de 2018. Disponível em: http://www.tratabrasil.org.br/blog/2018/08/29/saneamento-e-desenvolvimento- humano-no-mundo-o-acesso-a-agua-e-esgoto/. Acesso em: 19 mar. 2020. http://www.tratabrasil.org.br/blog/2018/08/29/saneamento-e-desenvolvimento-humano-no-mundo-o-acesso-a-agua-e-esgoto/ http://www.tratabrasil.org.br/blog/2018/08/29/saneamento-e-desenvolvimento-humano-no-mundo-o-acesso-a-agua-e-esgoto/ 51 Cidades inteligentes e sustentáveis no Brasil e no mundo Autoria: Ana Beatriz Ulhoa Cobalchini Leitura crítica: Cristiane Ronchi de Oliveira Objetivos • Apresentar os conceitos de cidades sustentáveis, cidades inteligentes e pegada ecológica. • Apresentar a realidade atual das cidades e apontar possibilidades de melhoria. • Apresentar estudos de caso de sucesso acerca da mobilidade urbana, inserção de fontes alternativas de energia, saneamento ambiental etc. • Citar estudos de caso de cidades que já implementam as técnicas e procedimentos de sustentabilidade com sucesso. 52 1. Introdução A atual realidade das cidades brasileiras e em grande parte do mundo é de degradação ambiental, poluição, grandes congestionamentos e queda da qualidade de vida de seus habitantes. Tendo em mente esse cenário, os governos, sociedade e o terceiro setor tem procurado saídas para realizar as atividades urbanas diminuindo os impactos ambientais. Considerando-se que a causa principal para o atual cenário tem sido a forma da comunidade humana se desenvolver extraindo recursos naturais, produzindo resíduos e modificando os espaços naturais, de forma desenfreada, há uma urgente necessidade de mudanças de paradigmas e processos produtivos. De acordo com o cenário apresentado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), “nos próximos 100 anos as projeções indicam massiva perda da biodiversidade, queda da produção de alimentos, migração de populações, aumento do nível do mar e intensificação de efeitos extremos, como desastres naturais” (ICLEI- Brasil, 2011, p. 3). Tal cenário foi projetado considerando-se a emissão de gases poluentes, devastação dos ambientes naturais ocasionados principalmente pela indústria, construção civil, agricultura ostensiva e desmatamento apresentados atualmente. Considerando-se que a projeção de crescimento da população mundial para 2050 é de 9,19 bilhões de pessoas, o atual sistema de crescimento torna-se insustentável (ONU, 2020). De forma a refrear essas expectativas nocivas, há um esforço atual em realizar alterações de concepção energética, estrutural e de comunicação dentro das cidades, objetivando, por último, minimizar os resíduos, poluentes e impactos ambientais. 53 A globalização tem auxiliado na disseminação de conhecimento, mudanças e aparato técnico, auxiliando, de forma secundária, na propagação de casos exitosos em relação à sustentabilidade. Iniciando- se pelo conceito de cidades sustentáveis, o qual obriga que haja alteração benéfica dos sistemas, produção e captação de insumos com viés de diminuir a interferência nociva da ocupação antrópicas nos espaços urbanos. 2. Conceito de pegada ecológica A pegada ecológica é um termo criado para quantificar a pressão das comunidades humanas sob os recursos naturais. Ela é expressa na unidade hectares globais (gha) e permite comparar os padrões de consumo de países diferentes. Assim, é possível afirmar que a pegada ecológica brasileira é de 2,9 hectares globais por habitante. Enquanto isso, a pegada ecológica global é de 2,7 hectares globais por habitante (ONU, 2020). Dessa forma, é extremamente importante utilizar esse conceito para que os gestores possam almejar a melhoria da utilização dos recursos naturais dentro da gestão, assim como tenham um índice que possam monitorar suas intervenções e os resultados concernentes, objetivando atingir a sustentabilidade nas cidades brasileiras. 3. O que são cidades sustentáveis e as cidades inteligentes? As cidades sustentáveis são aquelas em que o consumo por pessoa é menor que nas tradicionais. Estas devem possuir um modelo de desenvolvimento urbano que procure balancear ao máximo a entrada 54 de insumos e a saída de resíduos. Ao mesmo tempo, devem diminuir o consumo energético, ter fontes alternativas e sustentáveis de obtenção de energia, e, por fim, possuir qualidade de vida para a população. Parece utópico, mas pelo mundo e até no Brasil há diversos exemplos exitosos desse novo tipo de urbanização, mais sustentável e eficiente. Com relação às cidades inteligentes, são aquelas que tem diversos sistemas públicos instrumentalizados por sistemas de computação, autônomos e robóticos, evitando gastos energéticos, utilização de pessoal e tantas outras situações. Por exemplo, os sistemas de robótica destinados à manutenção do tratamento de água e esgoto, os sistemas de semaforização, sistemas de vigilância pública por câmeras, entre tantos outros exemplos frutuosos de urbanização. 4. Perspectiva de mudança dos processos urbanos 4.1 Diminuição dos gases de efeito estufa e uso de fontes alternativas de energia veicular Os países industrializados são os maiores emissores de gases de efeito estufa do planeta. No entanto, os mercados emergentes, considerando- se China, Índia e Brasil figuram como importantes agentes da produção desses gases. Os poluentes são o dióxido de carbono (CO2), monóxido de carbono (CO), compostos orgânicos voláteis (COV), dióxido de enxofre (SO2), óxidos de azoto (NOx), partículas (PM), ozônio (O3) e o benzeno (C6H6). O quantitativo estipulado de emissão de gases poluentes é de 90 milhões de toneladas ao dia de dióxido de carbono (CO2), sendo a queima de combustíveis fosseis a principal fonte de gases de efeito 55 estufa, a inclusão de fontes alternativas ou intensificação de matrizes mais sustentáveis é a principal interferência benéfica possível nas cidades. Considerando-se que a obtenção de energia elétrica para substituir os combustíveis fósseis já está se consolidando nos mercados automobilísticos, afinal temos diversos modelos transitando nas ruas brasileiras que trabalham com energia elétrica. Um exemplo desse tipo de inovação é a venda em larga escala do veículo denominado Prius, da marca japonesa Toyota. Trata-se de um modelo híbrido que utiliza energia elétrica para consumo somente até que atinja os 60 km/h de velocidade. No Salão do Automóvelde Frankfurt (Alemanha), em 2019, diversas foram as marcas que lançaram modelos “verdes”, os quais contavam com fontes de energia alternativa e priorizando a mobilidade. Houve o lançamento de carros conceito, ou seja, aqueles que não tem intenção de ir às ruas mas somente ser produzidos em pequena escala, contando com hibridação e veículos 100% elétricos, conforme artigo de Panaro (2019). Considerando, ainda, que a transição para o álcool e o biodiesel ainda não foi totalmente aproveitada, pode-se considerar esse processo como atual. Há ainda muito potencial de aprimoramento ou intensificação, principalmente no nosso país que tem uma produção importante de álcool combustível. As próximas modificações de matrizes energéticas seriam a implantação de sistemas movidos a hidrogênio. Porém, ainda são incipientes, no momento. 4.2 Mobilidade urbana Um conceito bastante ligado à questão da emissão dos gases de efeito estufa é a mobilidade urbana. Visto que se trata da utilização de veículos 56 e transporte da população, este item é de vital importância para a sustentabilidade das cidades. As questões de mobilidade urbana estão diretamente associadas ao padrão de urbanização das cidades brasileiras, pois a distribuição das pessoas no espaço urbano traz demandas com relação ao transporte. Considerando que o padrão de urbanização brasileiro engloba segregação do território, periferização da moradia e surgimento de áreas subutilizadas nos centros urbanos ou criminalizadas, como é o caso da Cracolândia registrada na grande São Paulo (SP). A falta de serviços de transporte coletivo, ou seja, a ineficiência com relação a frotas e horários de atendimento do transporte, principalmente o rodoviário afeta a efetividade da mobilidade urbana. Outro fator que piora essa situação trata-se da hegemonia do transporte coletivo rodoviário, o que é a realidade da grande maioria dos municípios brasileiros, sendo raras as implantações de transporte metroviário, ferroviário, cicloviário e até de aluguéis coletivos de carros e outros veículos. Essa diversidade de transporte é aplicável à algumas capitais. Tal situação poderia ter sido evitada com a implantação gradual de novos modais viários, concomitante ao crescimento das cidades, porém a urbanização no Brasil e nos países sul-americanos, de forma geral, é marcada pela falta de planejamento ambiental urbano. Nesse contexto, é importante inserir novos modais rodoviários, de acordo com a realidade orçamentária dos municípios. Um modal menos oneroso para o sistema público seria o veículo leve sobre rodas (VLP), pois trata-se de ônibus de maior capacidade e com vias exclusivas de tráfego. A exclusividade das suas vias de rolamento, faz com que o transporte seja mais rápido e um pouco menos impactante para o meio ambiente, devido à diminuição do volume de gases poluentes. Ressalta- se, ainda, que a implantação desse tipo de veículo pode ser integrada com as rotas tradicionais de transporte rodoviário, fracionando as viagens e rotas longas das zonas periféricas para as áreas centrais. 57 Com relação à inclusão do modal ferroviário, este tem uma vantagem muito importante na realidade atual: possibilitar a implantação das ferrovias nas áreas externas aos grandes centros urbanos, os quais já contam com a maioria do espaço já ocupado por outros tipos de construções. A saída mais acertada seria delimitar os trânsitos mais distantes, ou seja, as rotas mais distantes para áreas de integração. Dessa maneira, os custos seriam reduzidos e essa população não interferiria no tráfego rodoviário, já bastante pesado e congestionado. O transporte VLT também se encaixaria nesse quesito, por realizar seu trajeto sob trilhos, porém, com veículos menos pesados e mais rápidos. Essa opção de implantação é um pouco mais onerosa financeiramente que o VLP, no entanto, permite a implantação de ferrovias menos complexas e mais simples de serem implantadas em algumas áreas centrais, pois os veículos se assemelham a bondinhos tradicionais. Portanto, as vias são mais estreitas e leves que ferrovias tradicionais e com menos interferência sobre redes enterradas e redes de comunicação e elétricas, que seriam afetadas por essa implantação. Algumas outras opções menos abrangentes, mas bastante simples e aceitas pela população, são a inclusão de ciclovias e ciclofaixas. Essas opções são destinadas aos pequenos trajetos interbairros, porém, podem ser incluídas na integração com todos os outros modais. A inclusão de vagões que permitam o transporte de ciclistas nos serviços metroviários é bastante comum e potencializa a distância das viagens. Algumas cidades implantaram, ainda, o aluguel de veículos de forma coletiva. Nessa situação estão o aluguel de carros que é muito comum na Europa e outros países desenvolvidos, além das bicicletas e patinetes. Esse tipo de serviço funciona da seguinte forma: o usuário realiza um registro em cadastros e bancos de dados das empresas que prestam o serviço, inclusive sobre dados financeiros de pagamento, e a partir disso é codificado no sistema de aluguel. Ao chegar nos pontos de acesso 58 aos veículos, ele passa um cartão ou algum outro tipo de identificação eletrônica, retira o veículo de uma catraca eletrônica ou ponto pré- determinado e realiza o trajeto registrado no sistema. Ao finalizar a viagem, deixa o veículo em algum local e o próximo usuário coleta, por meio de identificação por meio de sistemas de informações geográficas. Ao fim do expediente de maior demanda, alguns funcionários ou prestadores de serviço coletam os veículos pela cidade e devolvem aos pontos de maior circulação, o que é mais comum no uso de patinetes e bicicletas. 4.3 Modificação das matrizes energéticas Do ponto de vista de planejamento urbano, as cidades brasileiras são majoritariamente abastecidas por energia elétrica. A natureza de abundância de mananciais do Brasil apresenta essa vantagem competitiva. No entanto, a monopolização da energia vinda das hidrelétricas traz uma insegurança energética. Portanto, seria interessante aplicar às políticas públicas a inovação tecnológica de obtenção energética, principalmente em relação à popularização da utilização das placas fotovoltaicas. Em relação à energia eólica, obtida por meio da ação mecânica dos ventos, somente é possível utilizar esse tipo de matriz em áreas que contam com velocidade dos ventos suficientes para o modelo. Quanto à introdução do uso de biogás, deveria ser realizada a inovação tecnológica nos aterros sanitários para que seja possível utilizar a combustão para obtenção energética. 4.4 Construções sustentáveis e habitações sociais O consumo exagerado e a falta de fontes alternativas apresentam um impedimento ao incremento do desenvolvimento econômico no país. Segundo a Figura 1, as edificações são responsáveis por 42% do 59 consumo de energia elétrica brasileira. Esse consumo exagerado e a falta de fontes alternativas apresentam um impedimento ao incremento do desenvolvimento econômico no país. Figura 1 – Estimativas de consumo energético brasileiro, considerando o tipo de consumidor final Fonte: Lamberts, Dutra e Pereira (2004 apud ICLEI – BRASIL, 2011). A maneira de corrigir esse problema seria incentivar o uso de outras matrizes energéticas, tais como a eólica, a nuclear, e o biogás, conforme citado. Porém, cita-se, ainda, a necessidade de promover e incentivar a construção sustentável. A eficiência energética nas edificações é promovida quando há diminuição do uso de insumos, durante a construção, assim como diminuição do consumo de água e energia, durante a operação do empreendimento. Existem certificações passíveis de comprovar essa efetividade e sustentabilidade das construções. Segundo o WGBC, edifícios certificados podem economizar até 60% no consumo de água, 85% em consumo de energia e 69% na destinação de resíduos (LEVINE et al., 2007 apud ICLEI-Brasil, 2011). Um dos tipos de certificação relativosà sustentabilidade das construções trata-se do selo Acqua para edificações. A certificação AQUA-HQE é uma certificação internacional que define diversos parâmetros de qualidade acerca da concepção dos projetos, execução das obras e operação 60 dos empreendimentos certificados. Existem diversas vantagens de se obter essa certificação, dentre estes, atribui valor agregado ao empreendimento, possibilita a utilização do marketing verde acerca do mesmo e ainda diminui o impacto sobre o meio ambiente. Existe, ainda, a certificação apresentada pela World Green Building Council, denominada de certificação LEED (em inglês: Leadership in Energy and Environmental Design; em português: Liderança em Energia e Design Ambiental). Essa certificação é a mais aceita mundialmente e contém diversas gradações de efetividade, ou seja, categorias. Atualmente, essa certificação pode ser obtida em quatro tipologias: i.) Novas construções e grandes reformas; ii.) Escritórios comerciais e lojas de varejo; iii.) Empreendimentos existentes; e iv.) Bairros. São analisados os parâmetros relativos à localização e transporte, espaço sustentável, eficiência do uso da água, energia e atmosfera, materiais e recursos utilizados, qualidade ambiental interna, inovação e processos, créditos de prioridade regional. Conforme a pontuação obtida pelo empreendimento nos parâmetros apresentados poderá ser LEED Platina, LEED Ouro, LEED Prata ou LEED, considerando as maiores pontuações para as menores, respectivamente. De toda forma, há saídas construtivas para promover o reaproveitamento da água das chuvas em reservatórios para posterior utilização em fins de água de consumo com padrão de balneabilidade. Por exemplo, pode-se utilizar reservatórios suspensos, como caixas d’água, fazer um tratamento simples com tela para evitar queda de particulados, utilizar soluções com cal para destinar esse volume para jardinagem, água para sanitários e outros fins menos nobres. Considerando uma escala maior, em relação às cidades, há a possibilidade de acumulação das águas pluviais em bacias de contenção, fontes ou algo semelhante e utilização destas para jardinagem e manutenção das áreas públicas. A essa reutilização damos o nome de águas cinzas. Tal acondicionamento pode ser 61 utilizado em muitos casos, somente sendo necessário prover isolamento dos reservatórios, para evitar vetores e contaminações, assim como prover um tratamento mínimo para que possua os índices de balneabilidade comprovados. Com relação às habitações sociais são uma tentativa de reestabelecer a justiça socioambiental, melhorando a qualidade de vida das populações, visto que os países industriais tardios, nos quais o Brasil se enquadra, tiveram suas populações concentradas nos centros urbano-industriais. Essa situação gerou loteamentos precários nas áreas centrais, consequente expulsão de grande parte da força de trabalho para áreas mais periféricas em razão da especulação imobiliária e o surgimento de loteamentos ou ocupações irregulares do espaço urbano. Explicando melhor, as invasões são uma tentativa da população economicamente mais fragilizada de se instalar em ocupações precárias, por não possuir renda suficiente para se deslocar por meio do transporte público ou temer perder as poucas oportunidades de emprego e renda se deslocando para áreas mais distantes. Dessa forma, as ocupações irregulares têm ocorrido tanto em áreas de propriedade pública quanto privadas. Inclusive, uma tendência percebida em grandes metrópoles, tem sido a ocupação irregular para moradia de áreas de preservação ou unidades de conservação. Tal fato se explica pela proximidade das áreas centrais que os parques apresentam, a dificuldade do poder público de fiscalizar ostensivamente essas áreas naturais e a especulação imobiliária das áreas consideradas mais próximas dos centros geradores de emprego e renda. Por fim, cabe ressaltar que o adensamento crítico das áreas centrais e intermediárias apresenta uma verticalização dos bairros, ou seja, a implantação de grandes edifícios em substituição aos loteamentos horizontais, casas e condomínios com casas. 62 Atento a essa realidade e tentando promover mais justiça social, o Poder Público tem priorizado a implantação de habitações sociais, ou seja, instalações de residências de baixa ou média renda para priorizar que essa população seja atendida e evite se alocar em ocupações irregulares. Cabe ressaltar, porém, que a ocupação para essa população ainda é em áreas intermediárias a periféricas, tendendo a implantação de condomínios verticais. Do ponto de vista ambiental, essa saída é viável ao passo que evita instalação de condomínios ou loteamentos irregulares, os quais não contarão com infraestrutura urbana ideal e, consequentemente, ocasionariam mais impacto ambiental. Destaca-se, ainda, que o ordenamento territorial urbano será mantido conforme o planejamento ambiental urbano instituído pelo Poder Público. Os investidores que possibilitam a implantação desses loteamentos geralmente tratam- se de agentes particulares que são pagos pelo Governo Federal para disponibilizar essas unidades habitacionais com subsídio para os compradores. As vantagens são imensas para o governo e para a população, visto que as condições de pagamento são subsidiadas e mais acessíveis à população de baixa renda. Além disso, as condições sanitárias e viárias desses empreendimentos costumam estar de acordo com as normas vigentes, ocasionando, maior qualidade de vida para os moradores, assim como menor impacto ambiental em decorrência da ocupação. Além disso, são disponibilizadas redes de comunicação e eletricidade. É necessário pontuar que uma falha comum desses parcelamentos é que os serviços de transporte viário costumam ser ineficientes, no caso de parcelamentos horizontais, ou seja, condomínios. É comum estes se situarem mais distantes dos centros urbanos e ter deficiência nesse quesito. 63 Outra situação bastante frequente nas cidades brasileiras é a priorização dos espaços centrais por empreendimentos comerciais, institucionais e centros de compra, denominados comumente por shopping centers. Essa ocupação diminui a efetividade dos espaços urbanos e desconsidera a vinculação da cidade ao seu caráter social de utilização. 4.5 Implantação de aterros sanitários A questão relacionada à destinação dos resíduos sólidos urbanos é bastante grave nos municípios brasileiros, sendo emergente sua resolução. Tal fato se deve à poluição histórica atribuída aos lixões, tanto dos lençóis freáticos quanto do solo e do ar. A Lei nº 12.305/10 (BRASIL, 2010) que instituiu a Política Nacional dos Resíduos Sólidos aponta diversas alternativas mais acertadas para destinação dos resíduos urbanos. Ao mesmo tempo, apresenta metas de implantação para os estados brasileiros. Por exemplo, esta legislação instituiu o aproveitamento do biogás para consumo energético. Especificando melhor, essa técnica consiste em utilizar os gases resultantes da decomposição da matéria orgânica do resíduo doméstico na queima e, consequente, na geração de energia. Isso é formidável, porém, precisa haver a implantação técnica de aterros sanitários em substituição aos lixões, os quais são a imensa maioria das instalações de disposição dos resíduos urbanos brasileiros. Outras técnicas aplicáveis aos resíduos urbanos tratam-se da reciclagem, reutilização, reaproveitamento, logística reversa e tantas outras. Tais medidas fariam com que os resíduos fossem drasticamente reduzidos, visto que somente sobrariam aquilo que não pode ser transformado em emprego e renda. Citamos a geração de emprego e renda, pois é necessário empregar pessoas nessas atividades de eficiência da destinação do resíduo. De certa forma, ainda podem ser atingidas e capacitadas diversas pessoas 64 com menor renda, que atualmente trabalham de forma irregular coletando resíduos nos lixões. Dessa maneira, haveria a formalização, capacitaçãoe melhoria da qualidade de vida dessas populações. Para tanto, utilizam-se grandes áreas denominadas ATT (Áreas de Transbordo e Triagem) de resíduos. O processo pode ser automatizado, diminuindo sua insalubridade e gerando mais segurança ambiental. A destinação dos resíduos perigosos é um fator que deve ser pontuado, os quais devem ter destinação correta e certificada por empresas especializadas. Esses resíduos são os pneus, óleos e graxas, medicamentos, baterias e pilhas, solventes e tantos outros resíduos tóxicos e altamente poluentes. Atualmente, grande parte deles tem ido para os lixões e ocasionado poluição do solo e água por metais pesados. Esses metais pesados não possuem tratamento possível, e são responsáveis pelo surgimento de doenças neurológicas, câncer e outras consequências graves para a saúde pública e para todo o ecossistema. 5. Estudos de caso no Brasil e no mundo Alguns exemplos de cidades sustentáveis são apresentados no Brasil e no mundo, demonstrando que é possível modificar o tipo de urbanização visando qualidade de vida e ambiental. A cidade de Essen, na Alemanha, foi intitulada a Capital Verde da Europa no ano de 2017. Esse título foi concedido em razão das políticas públicas de revitalização urbana, mobilidade urbana, intensificação do uso de energias alternativas e da proteção climática. A cidade que historicamente era classificada como uma cidade industrial, migrou para um exemplo de cidade sustentável. Considerando as premissas de sustentabilidade, a cidade de Curitiba (PR) é nacionalmente reconhecida como a cidade mais sustentável. 65 O destaque dessa cidade se deve aos investimentos históricos em sustentabilidade e preservação ambiental, além dos investimentos massivos durante as primeiras décadas dos anos 2000 em inclusão de novos modais. Londrina (PR) é outra cidade que conta com práticas de sustentabilidade, porém nessa localidade, o destaque é dado para a destinação dos resíduos sólidos. João Pessoa (PB) também é citada como uma cidade que pratica a sustentabilidade, pois foi a primeira do Brasil a investir nisso. Em 2019, foi lançado o primeiro mapa denominado Cidades Sustentáveis do Brasil, com o objetivo de promover as iniciativas, associações e entes atuantes na questão da sustentabilidade das cidades. Todos os estados foram representados nos mapas, com exceção do Rio Grande do Norte e do Piauí, totalizando 681 organizações de impacto para a temática. Foram avaliadas 4.500 iniciativas (FOLHA DE SÃO PAULO, 2019). Referências Bibliográficas BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Disponível em: http://www2.mma.gov.br/port/conama/legiabre. cfm?codlegi=636. Acesso em: 23 mar. 2020. FGV. Cidades Sustentáveis. Cadernos FGV Projetos. Disponível em: https:// fgveurope.fgv.br/sites/fgveurope.fgv.br/files/downloads/caderno_cidades_ sustentaveis_digital_0.pdf. Acesso em: 10 mar. 2020. FOLHA DE SÃO PAULO. Primeiro mapa Cidades Sustentáveis do país reúne 681 organizações de impacto. Folha de São Paulo, São Paulo, 21 de outubro de 2019. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/2019/10/ primeiro-mapa-cidades-sustentaveis-do-pais-reune-681-organizacoes-de-impacto. shtml. Acesso em 12 mar. 2020. ICLEI – BRASIL. Construindo Cidades Verdes: Manual de Políticas Públicas para Construções Sustentáveis. MACEDO, Laura V. de; FREITAS, Paula G. 1. ed. São Paulo, 2011. http://www2.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=636 http://www2.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=636 https://fgveurope.fgv.br/sites/fgveurope.fgv.br/files/downloads/caderno_cidades_sustentaveis_digital_0.pdf https://fgveurope.fgv.br/sites/fgveurope.fgv.br/files/downloads/caderno_cidades_sustentaveis_digital_0.pdf https://fgveurope.fgv.br/sites/fgveurope.fgv.br/files/downloads/caderno_cidades_sustentaveis_digital_0.pdf https://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/2019/10/primeiro-mapa-cidades-sustentaveis-do-pais-reune-681-organizacoes-de-impacto.shtml https://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/2019/10/primeiro-mapa-cidades-sustentaveis-do-pais-reune-681-organizacoes-de-impacto.shtml https://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/2019/10/primeiro-mapa-cidades-sustentaveis-do-pais-reune-681-organizacoes-de-impacto.shtml 66 LEVINE, M. et al. Residential and commercial buildings. In: Climate Change 2007: Mitigation. Contribution of Working Group III to the Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge University Press, Cambridge, Reino Unido e Nova Iorque, NY, USA, 2007. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Regional. Sustentabilidade urbana: impactos do desenvolvimento econômico e suas consequências sobre o processo de urbanização em países emergentes (Textos para as discussões da Rio +20). Brasília, v. 1 a 3, 2015. ONU. Organização das Nações Unidas. World population prospects: the 2006 revision. Disponível em: https://population.un.org/wpp/. Acesso em: 9 mar. de 2020. PANARO, Rapahel. Salão de Frankfurt 2019: o que achamos da maior feira de carros do mundo. Revista Auto Esporte, Frankfurt, 15 de setembro de2019. Disponível em: https://revistaautoesporte.globo.com/Noticias/noticia/2019/09/salao-de- frankfurt-2019-o-que-achamos-da-maior-feira-de-carros-do-mundo.html. Acesso em: 9 mar. 2020. WWF BRASIL. Pegada ecológica. WWF Brasil, [s.l.], [s.d.]. Disponível em: https:// www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/pegada_brasileira. Acesso em: 9 mar. 2020. https://population.un.org/wpp/ https://revistaautoesporte.globo.com/Noticias/noticia/2019/09/salao-de-frankfurt-2019-o-que-achamos-da-maior-feira-de-carros-do-mundo.html https://revistaautoesporte.globo.com/Noticias/noticia/2019/09/salao-de-frankfurt-2019-o-que-achamos-da-maior-feira-de-carros-do-mundo.html https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/pegada_brasileira https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/pegada_brasileira 67 BONS ESTUDOS! Sumário A questão ambiental e os paradigmas contrastantes Objetivos 1. A cidade enquanto espaço de construção social 2. O processo de urbanização brasileiro e o surgimento das grandes metrópoles 3. Direitos essenciais do cidadão e instrumentos legais urbanísticos 4. Questões ambientais versus desenvolvimento regional urbano 5. Considerações finais Referências Bibliográficas Etapas, estruturas e instrumentos da gestão e planejamento ambiental urbano Objetivos 1. Os preceitos de planejamento ambiental urbano 2. Especificidades do planejamento ambiental urbano 3. Etapas do planejamento ambiental urbano 4. Estatuto das cidades e instrumentos de gestão do território 5. Planos diretores 6. Zoneamento ecológico econômico (ZEE) 7. Gestão de bacias hidrográficas Referências Bibliográficas Indicadores ambientais, planejamento e políticas públicas Objetivos 1. Indicadores ambientais relacionados ao planejamento ambiental urbano 2. Políticas públicas urbanas 3. Considerações finais Referências Bibliográficas Cidades inteligentes e sustentáveis no Brasil e no mundo Objetivos 1. Introdução 2. Conceito de pegada ecológica 3. O que são cidades sustentáveis e as cidades inteligentes? 4. Perspectiva de mudança dos processos urbanos 5. Estudos de caso no Brasil e no mundo Referências Bibliográficascomo as favelas, áreas de grilagem de terras e tantas outras situações que evidenciam um processo de urbanização deficiente em diversas cidades brasileiras. Dessa forma, o Estado tão centralizador não tem condições reais de possibilitar o desenvolvimento ideal da cidade e da cidadania, tende a não planejar os espaços para todas as classes sociais e não tem levado em consideração a questão ambiental no ordenamento territorial (RECH; MARTIM; AUGUSTIN, 2015). 9 No Brasil, as regiões metropolitanas são vistas como centros de demandas sociais, especialmente quanto à moradia, transporte, saneamento e exigem grandes investimentos em infraestrutura (DE UGALDE, 2013). 3. Direitos essenciais do cidadão e instrumentos legais urbanísticos Considerando-se a Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, todos os cidadãos brasileiros têm direito à moradia, à igualdade e à propriedade. Segundo esse extrato da Carta Magna, todos são iguais perante a lei e tem o direito de obter condições ideais de moradia, qualidade ambiental, igualdade social e diversos outros direitos considerados fundamentais para qualquer cidadão residente no Brasil, mesmo que tenham nascido ou não em nosso território (BRASIL, 1988). Contudo, a realidade das cidades brasileiras é bem diversa daquilo que rege a Constituição Federal. No intuito de possibilitar melhores condições de urbanização e ordenamento do território, institui-se o Estatuto das Cidades. Esse conjunto de normas e leis urbanísticas pretende orientar as normas de uma cidade planejada, com viés de Direito Urbanístico. Além desse instrumento, existem ainda os Planos Diretores e demais leis municipais, os Códigos de postura e o Código de obras. Os direitos fundamentais estão expressos na Constituição Federal, no entanto, não são garantidos, pois dependem de políticas públicas que estejam de encontro com as populações majoritárias de seu território. Para tanto, o Estado precisa ser mais eficiente, mais rápido e menos oneroso (RECH & RECH, 2016). 10 4. Questões ambientais versus desenvolvimento regional urbano 4.1 Tipos de ecossistemas De forma conceitual serão apresentados todos os tipos de ocupação humana possíveis, quais sejam: (i) o ecossistema urbano; (ii) o ecossistema rural; e o (iii) ecossistema primitivo. O ecossistema urbano é aquele em que as alterações do meio ambiente são as mais significativas, pois apresenta alta densidade demográfica, relação desproporcional entre o ambiente construído e o ambiente natural. Há, também, extensa alteração da biodiversidade biológica nativa, com a retirada histórica das florestas e a importação de espécies da flora e da fauna. Cabe ainda ressaltar, a constante impermeabilização do território, ou seja, a existência de vias pavimentadas diminuindo a infiltração da água pelo solo. No ecossistema rural, o conjunto de atividades agropecuárias é responsável pela geração de mudanças bastante significativas no ambiente. Esse fato se deve à vocação para produção de alimentos e à criação de animais do território, assim como a inserção de defensivos agrícolas e de insumos energéticos, como fertilizantes, os quais modificam as características iniciais do solo. Já o ecossistema primitivo é aquele em que o conjunto de ações antrópicas exerce pequena ou nenhuma interferência no meio ambiente. Isso ocorre principalmente pelo fato de que a ocupação humana nessas áreas é ínfima em relação à totalidade da área ou até mesmo possui baixa possibilidade de causar impacto ou alteração do ambiente. A legislação brasileira, por meio da Lei da Política Nacional do Meio Ambiente considera degradação ambiental como “alteração adversa das características do meio ambiente” (BRASIL, 1998, art. 3°, inciso II). 11 4.2 Processos de ocupação humana e diminuição da qualidade ambiental O processo de ocupação do território é extremamente complexo e rápido, considerando-se o crescimento populacional e as dinâmicas de utilização do solo. Portanto, conforme apresentado por Duarte (2012), é dever do planejamento urbano prever essas modificações: considerando-se que as mudanças concretas na cidade podem alterar as relações econômicas, sociais e culturais, cabe ao planejamento urbano antever essas modificações na organização espacial da cidade. O urbanismo de uma cidade é o conceito mais amplo com relação às modificações, ordenamentos e não se trata de uma área isolada ou específica do conhecimento, abarcando assim todas as ciências e procedimentos relacionados à ocupação urbana e territorial. Conforme Wilheim (1979), o objetivo do urbanismo é analisar criticamente a realidade apresentada no espaço urbano, propondo e idealizando estratégias de mudança, propiciando a melhoria contínua da cidade. Observa-se, historicamente, a preocupação humana em obter a ocupação desordenada do espaço, a qual gerou diversos males e dificuldades ao planejamento territorial. O pensamento antropocêntrico, ou seja, aquele que considera o ser humano o principal detentor do poder e o foco principal de todas as decisões é considerado a fonte das atitudes históricas de degradação ambiental das cidades. A tal fato, alia-se a falta de conhecimento técnico quanto aos males que a ocupação desordenada poderia causar. Por muito tempo, essa ocupação não apresentou deficiências ou problemas ambientais. No entanto, atualmente, as consequências dessa prática têm aparecido nas maiores cidades brasileiras. A impermeabilização excessiva do solo, como consequência da implantação de vias de circulação viária com asfalto e piso impermeável, 12 aliado ao baixo índice de áreas verdes urbanas e a ocupação das áreas alagáveis dos recursos hídricos aumentam a ocorrência de pontos de alagamento e enchentes. A questão da poluição atmosférica ocasionada pelo aumento do quantitativo de veículos, fábricas e outros pontos de emissão de gases é responsável pela diminuição da qualidade de vida da população urbana. Aliado a isso, há a formação de “ilhas de calor” devido à diminuição da circulação atmosférica e da dificuldade de dispersão da temperatura dos centros urbanos ocasionada pela poluição do ar. A Tabela 1 apresenta a comparação entre o ecossistema urbano e o ecossistema rural, em relação às mudanças de clima. Tabela 1 – Média das mudanças climáticas locais observadas nos espaços urbanos em relação à área rural Indicador de mudança Média das mudanças climáticas locais observadas nos espaços urbanos em relação à área rural Material particulado. 10 vezes maior. Temperatura (média anual). 0,5 a 1,5 ºC maior. Precipitação. 5 a15% maior. Umidade relativa. 6% menor. Velocidade dos ventos. 25% menor. Fonte: Ehrlich (1997 apud PHILLIPPI JR, 2005). Dessa forma, a Tabela 1 apresenta o impacto ambiental das ocupações humanas nas grandes cidades, quando comparadas aos ambientes menos urbanizados e, portanto, com menor interferência humana. 4.3 Políticas públicas urbanas e qualidade ambiental Em razão do cenário de degradação das áreas urbanas, surgiu a necessidade de destinação correta dos esgotos, de captação e tratamento de água, da disposição correta dos resíduos e do 13 direcionamento das águas da chuva, também chamado de drenagem pluvial. Essas obras de infraestrutura são denominadas de saneamento ambiental e são fundamentais para o correto planejamento urbano. 4.3.1 Saneamento ambiental A implantação de estruturas relativas ao esgotamento sanitário, abastecimento de água, drenagem pluvial, coleta e destinação de resíduos sólidos e esgotamento sanitário são fundamentais para a manutenção da qualidade ambiental e são, em sua grande maioria, compostas pela iniciativa pública ou por consórcios entre empresas públicas e privadas. Os consórcios públicos, como são chamadas as parcerias público privadas (PPP) destinadas à contemplar os serviços públicos de saneamento são instituídos pela Lei Ordinária nº 11107/2005. A forma de estabelecer o consórcio público deverá seguir os seguintes passos:1. As entidades celebram um protocolo de intenções. 2. Esta documentação deverá ser submetida às casas legislativas da esfera em que se insere a política pública. Ou seja, caso seja realizado o consórcio público para coleta de resíduos em um município, este, obrigatoriamente, deverá ser submetido à aprovação da câmara legislativa do município. 3. Ser emitida uma autorização legislativa pela câmara referente, consolidando o contrato entre as empresas. 4. Cria-se uma associação para representar o consórcio público. 5. Elabora-se o Estatuto da associação e é submetido ao registro civil. Porém, pode-se questionar por que há tantas etapas nesse processo. A resposta para tal questionamento é que este traz segurança jurídica para o Governo quanto à manutenção do serviço, assim 14 como responsabilização do ente privado em caso de má gestão ou de interrupção dos serviços, sem causas justificáveis. É importante ressaltar que há uma intrínseca relação entre a implantação das estruturas de saneamento e a manutenção da qualidade ambiental, porém, é ainda mais importante para a Saúde Pública. Ou seja, quanto melhor e mais eficiente for a política pública de saneamento em um determinado município, melhor será a saúde ambiental deste local. Esclarecendo-se, diversas patologias e endemias são relacionadas à falta de saneamento ambiental. Por exemplo, o mosquito Aedes aegypti é o mosquito vetor da zika, chikungunya e febre amarela e dengue e tem sido considerado um vilão para a saúde pública brasileira e tem sido extensivamente combatido pelos agentes de saúde. No entanto, a principal motivação para sua proliferação são os locais com água parada ou resíduos. Dessa maneira, a correta destinação dos resíduos seria uma das principais formas preventivas de evitar esse vetor. Há ainda a relação entre a falta de esgotamento sanitário ou de tratamento dos esgotos que ocasiona. 4.3.2 Transportes A correlação entre a qualidade ambiental e da política pública de transportes é relacionada à diminuição do uso dos modais mais nocivos ao ambiente e, também, da integração entre diversos modais. Especificando melhor, por exemplo, um município que possui uma infraestrutura deficitária, ou seja, que não consegue suprir a demanda da população com relação à qualidade dos serviços, estrutura viária ou até mesmo quantidade de frota de transporte público suficiente, haverá uma demanda muito maior pelo uso dos automóveis para o deslocamento populacional. 15 Assim como a especulação imobiliária pode intensificar o comportamento dos deslocamentos, o processo se dá da seguinte maneira: a população de menor renda é impulsionada à residir em áreas mais distantes dos centros geradores de renda, pois o valor imobiliário é menor. De forma indireta, o trajeto demandado por essa população, que será maioria, será realizado por transporte público ou por transporte individual. Pode-se dizer, então, que a especulação imobiliária traz maior pressão sobre os modais de transporte, pois aumentam a sua demanda e público. Com relação aos modais, o mais abundante no Brasil é o transporte viário, denominado o que é realizado por meio da circulação de veículos pelas estradas e vias. Esse modal é impactante à qualidade ambiental, pois produz muitos poluentes atmosféricos em razão da queima dos combustíveis fósseis. Portanto, as diversas políticas públicas se inter-relacionam e interferem entre si. Caso ocorra inclusão de modais mais sustentáveis, tais como o metroviário e o cicloviários, no caso das menores distâncias, haverá um ganho ambiental maior do que a expansão das vias para absorver a demanda crescente gerada pelos veículos automotores. Assim como a integração entre diversos sistemas de transporte pode ocasionar maior sustentabilidade, pode-se citar, ainda, a prerrogativa de estímulo dos agentes públicos pela troca de combustíveis fósseis por outros menos degradantes da qualidade ambiental. Tais tratativas serão tratadas no próximo tópico, Energia elétrica e fontes alternativas de energia. Ressalta-se que há diversos níveis de planejamento quanto à modificação ou melhoria dos sistemas de transporte de uma localidade, quais sejam nível estratégico, nível tático e nível operacional. O Quadro 1 apresenta as peculiaridades de cada um dos níveis apresentados: 16 Quadro 1 – Exemplos de estratégias de planejamento ou melhoria de um modal, considerando-se os três níveis de planejamento Nível estratégico Nível tático Nível operacional Planejamento de novas vias. Projetos geométricos. Avaliação do estado da área controlada (volumes, tempos de viagens, condições climáticas, entre outros). Modificações a longo prazo no sistema existente. Projetos de sinalização. Informações aos usuários (velocidades, tempos de viagem, guia de rotas etc.). Análise de investimentos nos sistemas de transportes públicos. Projetos de controle eletrônico do tráfico. Configuração do uso das faixas de tráfego. Definição da área de influência dos polos geradores de tráfego. Definição espacial de subáreas de controle do tráfego. Aplicação de dispositivos de controle de tráfego. Fonte: Pereira (2005 apud CAMPOS, 2013). O nível de planejamento compreende o ordenamento das áreas e vias a serem implementadas ou melhoradas, verificação de investimentos necessários e simulações de redes de tráfego. Com relação ao nível tático, trata-se da implantação da integração. 4.3.3 Energia elétrica e fontes alternativas de energia Aliado à necessidade de melhoria das cidades brasileiras, há ainda a questão do aumento da demanda por energia. É muito importante que ocorra a eficiência governamental nesse quesito, visto que a distribuição de energia é primordial para a manutenção dos processos produtivos e da habitação das populações. A matriz energética mais utilizada no Brasil trata-se da energia elétrica, porém há outras formas que têm sido extensivamente implementadas. São elas, a energia eólica (movida pelos ventos), energia solar (obtida por captação solar utilizando-se placas fotovoltáicas que absorvem os raios 17 solares), energia nuclear (obtida pela quebra de isótopos radioativos), biogás (obtido por meio da queima de matéria orgânica). 4.3.4 Meios de comunicação e redes de telefonia Contemporaneamente, surgiu ainda a necessidade de provimento de comunicação por meio das redes de telefonia e internet, sem as quais as cidades não existem. As melhorias apresentadas no Brasil com relação aos sistemas de comunicação foram possíveis somente nas últimas duas décadas. Elas passam por modificações estruturais muito rápidas, de acordo com a demanda apresentada pelo mercado. Ressalta-se que todas as empresas responsáveis por esse tipo de implantação são privadas e, portanto, estão sendo regidas pelo capital e pela livre concorrência. 5. Considerações finais Contudo, de nada adiantará a sociedade humana prosseguir em sua evolução tecnológica sem que haja qualidade de vida para seus habitantes. E, para tanto, somente poderá haver a proteção ambiental, visto que a sociedade não é parte isolada do habitat urbano, mas está contida nele e depende dele para as suas necessidades básicas de subsistência (RECH & RECH, 2016). Referências Bibliográficas BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. BRASIL. Lei nº 6938 de 1981: Política Nacional de Meio Ambiente. 1981. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6938.htm. Acesso em: 1 mar. 2020. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6938.htm 18 CAMPOS, V. B. G. Planejamento de transportes: conceitos e modelos. Rio de Janeiro: Interciência, 2013. DE UGALDE, C. M. Movimento e hierarquia espacial na conurbação: o caso da Região Metropolitana de Porto Alegre. Porto Alegre, 2013. DUARTE, F. Planejamento urbano. Curitiba: Intersaberes, 2012. MUMFORD, L. A cidade na história. 4. ed. São Paulo: M. Martins Fontes, 1998. PHILIP JR, A. Saneamento, saúdee meio ambiente: fundamentos para o desenvolvimento sustentável. Barueri: Manole, 2005. PHILIP JR, A.; GALVÃO JR, A. de C. Gestão do saneamento básico: abastecimento de água e saneamento básico. Barueri: Manole, 2005. RECH, A. U.; MARTIM, J.; AUGUSTIN, S. Direito ambiental e sociedade. Caxias do Sul: Educs, 2015. RECH, A. U.; RECH, A. Cidade sustentável: direito urbanístico e ambiental– instrumentos de planejamento. Caxias do Sul: Educs, 2016. WILHEIM, J. Metropolizacion y medio ambiente. Chile, 1979. 19 Etapas, estruturas e instrumentos da gestão e planejamento ambiental urbano Autoria: Ana Beatriz Ulhoa Cobalchini Leitura crítica: Cristiane Ronchi de Oliveira Objetivos • Compreender o que é e como se dá o planejamento ambiental urbano. • Compreender as etapas de planejamento ambiental urbano de um território. • Assimilar os instrumentos de gestão do território, sabendo diferenciá-los entre si e contextualizar sua aplicação na prática. 20 1. Os preceitos de planejamento ambiental urbano O processo de planejar o ambiente urbano é complexo e repleto de nuances, visto que deve incluir as capacidades do ambiente, as demandas por ocupação do solo trazidas pela sociedade, e ainda aspectos técnicos para a otimização dos atributos físicos de um território. Portanto, deve-se inferir desde o início, que o planejamento ambiental urbano é alcançado por meio da união de diversas áreas científicas e tecnológicas. Cabe citar que este planejamento, segundo Duarte (2012), visa atender às premissas da Engenharia, Arquitetura e Urbanismo, Direito, Administração e diversos outros seguimentos técnicos que intervém nesse processo. Duarte (2012) conceitua, primeiramente, o planejamento, de forma geral, como o conjunto de medidas tomadas para serem atingidos os objetivos desejados, tendo em vista os recursos disponíveis e os fatores externos que podem influir nesse processo. O fim desejado para o planejamento ambiental urbano, portanto, é atingir as demandas da sociedade com vistas ao melhor aproveitamento das características físicas e espaciais do território urbano, de modo a atender a maior parte da população possível com o pleno exercício das funções social, econômica, ambiental, entre outras. O planejamento urbano moderno, tal qual se apresenta em nosso país, é resultante de diversas modificações históricas, as quais não cabe informar didaticamente nesse momento. No entanto, pode-se ressaltar que após a ocorrência da chamada Reforma Urbana, a qual tem sua principal representação na criação do Estatuto das Cidades, o principal enfoque do urbanismo foi prover atendimento às demandas ocupacionais da população de forma alheia, tanto quanto possível, às especulações imobiliárias (PEREIRA et al., 2013). 21 2. Especificidades do planejamento ambiental urbano O planejamento ambiental urbano deverá levar em conta a caracterização do meio ambiente, as restrições ambientais presentes no território, como a existência de unidades de conservação e áreas de tombamento do patrimônio, entre outras restrições. Ressalta-se, ainda, que o planejamento ambiental pretende apresentar melhorias econômicas e territoriais, potencializando a utilização sustentável do território. Por fim, pretende-se obter ou manter a qualidade ambiental preexistente na localidade, ao mesmo tempo que as demandas populacionais são atendidas. Com vistas a alcançar o resultado pretendido pelas políticas públicas municipais ou regionais, principalmente nos quesitos de infraestrutura (transporte e mobilidade urbana, saneamento ambiental, moradia e uso potencial do solo urbano, entre outros). Dessa forma, os gestores instituem políticas urbanísticas e ambientais que façam uso desses preceitos. Quando se fala de planejamento urbano e ambiental, há diversos documentos norteadores acerca da restrição quanto à ocupação das áreas urbanas assim como definições de políticas públicas visando a sustentabilidade ambiental das cidades. Podem ser citados os Planos Diretores, o zoneamento ecológico econômico (ZEE), as leis de uso e ocupação do solo, as leis urbanísticas e as políticas de gestão dos recursos hídricos. Em caso de potencialização das cidades com viés turístico, por exemplo, o planejamento urbano deverá priorizar a manutenção das áreas comunitárias, de monumentos ambientais ou urbanos, assim como 22 incentivar essa área econômica em detrimento de outras. Em caso de cidades voltadas à agropecuária, o ZEE dará prioridade para a ocupação das áreas para implementação de lavouras e outros empreendimentos dessa natureza, em detrimento de outras ocupações econômicas do território. A escala atribuída ao planejamento ambiental urbano, poderá ser subdividida em escala espacial e temporal. A escala espacial pode ser categorizada em escala setorial, municipal ou regional. Na escala setorial, as áreas de interesse comportam bairros, enquanto na escala municipal, todo o município deverá ser contemplado. E, por último, na escala regional, uma determinada região intermunicipal ou megalópole deverá ser considerada. A escala regional é a mais incomum, no entanto, pode-se citar o exemplo do Distrito Federal. Por possuir características administrativas de município e estado ao mesmo tempo, as políticas urbanísticas do Distrito Federal são realizadas considerando toda a extensão do território e não somente cada unidade municipal, denominadas de cidades satélite ou regiões administrativas. A escala espacial também pode ser classificada como micro, macro e mega-escala conforme o autor ou pesquisador. De modo geral, a escala espacial adotada pode ser diferente em cada estudo, no entanto, é necessário bom senso da equipe para sua escolha, e que estas auxiliam na execução do trabalho e na tomada de decisão. A escala temporal visa analisar a situação da área de estudo no presente, passado e futuro; utilizando a proposição de cenários para interpretar os diferentes momentos, problemas sociourbanos e visões individuais. A construção de cenários no planejamento, como descreve Santos (2004), 23 auxilia na visão do espaço, tempo e o meio, induzindo a uma maior compreensão dos problemas prioritários e a proposição de soluções comuns. No Distrito Federal, por exemplo, existem os planos diretores de cada região administrativa, mas foi instituído o Plano Diretor de Ordenamento Territorial, instituído pela Lei Complementar nº 803 de 25 de abril de 2009, com alterações decorrentes da Lei Complementar nº 854 de 15 de outubro de 2012 (DISTRITO FEDERAL, 2020). Neste instrumento legal são direcionadas as atividades econômicas permitidas, considerando-se as restrições ambientais e legais pretéritas do território do Distrito Federal. De toda forma, os instrumentos de ordenamento territorial serão melhor explicados posteriormente, em um item próprio. 3. Etapas do planejamento ambiental urbano Segundo Santos (2004), planejamento é: Um processo contínuo que envolve a coleta, organização e análises sistematizadas das informações, por meio de procedimentos e métodos, para chegar a decisões ou a escolhas acerca das melhores alternativas para o aproveitamento dos recursos disponíveis. (SANTOS, 2004, p. 24) O planejamento ambiental urbano é realizado em etapas, dada a sua complexidade e conflito de interesses, já informadas anteriormente. Segundo Duarte (2012), o planejamento ambiental urbano ocorre em quatro etapas: diagnóstico, prognóstico, propostas e implementação. De forma a consolidar o entendimento acerca das etapas, segue a Figura 1 demonstrando o fluxograma das etapas referidas: 24 Figura 1 – Fluxograma das etapas de planejamento ambiental urbano Fonte: elaborada pelo autor. O diagnóstico de um território, compreende a composição do cenário existente, considerando-se os dados disponíveis ou que possam ser coletados acerca da cidade e munícipes. Cabe exemplificar aqui o perfil populacional, a geomorfologia e relevo da região, áreas de risco de desabamento e deslizamento,mobiliário urbano, paisagismo, áreas de proteção ambiental, entre muitos outros levantamentos possíveis de uma determinada localidade. À junção destes levantamentos, deve compor um relatório unificado denominado inventário, e tais 25 informações ajudarão no desenvolvimento do planejamento ambiental- urbano. A etapa de diagnóstico deverá ser correlata aos objetivos e metas que se pretende alcançar, do ponto de vista de planejamento. Por exemplo, caso um gestor pretenda ampliar as vias de uma cidade, será necessário diagnosticar a quantidade já existente, os tipos de vias e rodovias que servem ao município, as vias não pavimentadas e as asfaltadas, as áreas passíveis de implantação de novas vias, as áreas de preservação e unidades de conservação que circundam tais áreas etc. Dessa maneira, o diagnóstico necessita ser muito bem elaborado para que as demais etapas sejam frutíferas, visto que é a base das demais. Cabe ressaltar que a etapa de diagnóstico ambiental deverá seguir a mesma escala espacial estabelecida nas metas e objetivos iniciais do planejamento ambiental urbano. Portanto, caso a escala do planejamento seja setorial, deverão ser inventariadas as informações prévias urbanísticas do bairro a ser planejado ou adequado. Em caso de políticas públicas de planejamento local, deverão ser consideradas as informações obtidas em nível municipal. Considerando-se a escala de trabalho regional, deverão ser inventariadas todas as informações de interesse nos municípios que serão contemplados pelo planejamento ambiental urbano pretendido. A etapa de prognóstico apresenta as possibilidades de crescimento em determinadas áreas visando à composição de um cenário futuro. Ressalta-se, no entanto, que esse embasamento deva ser realizado de maneira técnica, considerando-se indicadores de crescimento comprovados ou aceitos pela comunidade técnica e científica, de acordo com Duarte (2012). Visto que a cidade é compreendida como um organismo vivo que evolui, e que possui uma dinâmica de crescimento e evolução própria, 26 essa etapa é de suma importância para o estabelecimento de políticas públicas voltadas ao planejamento ambiental urbano. Faz-se necessário considerar as potencialidades relativas ao desenvolvimento urbano em todas as esferas, com vistas a subsidiar tomadas de decisão mais acertadas pelos gestores públicos e que sejam mais sustentáveis, tanto quanto duráveis. A próxima etapa trata-se da elaboração de propostas, que compreendem a possibilidade de melhoria ou potencialização do planejamento ambiental urbano considerando-se o prognóstico apresentado previamente. Nessa etapa, são apresentadas propostas de conformações espaciais, implantações e políticas públicas urbanísticas considerando-se o que a cidade poderá tornar-se. Não obstante, as propostas deverão ser baseadas em como a cidade se apresenta e como se presume que ela será, ou seja, fazendo uma compilação entre as etapas de diagnóstico e prognóstico. Quanto à etapa de implementação, esta se refere à execução das propostas consideradas mais acertadas para o planejamento ambiental urbano, conforme a tomada de decisão dos gestores. Todas as intervenções urbanísticas serão propostas baseado nessa escolha, ou seja, capacidade demográfica, capacidades urbanísticas, implantação de saneamento e tantas outras situações aderentes ao urbanismo serão sempre baseadas nas propostas escolhidas. A etapa de implementação não contempla somente a realização de obras de melhoria, definição de políticas públicas relativas ao território, mas também a manutenção da qualidade ambiental e urbanísticas dos setores da cidade. Erroneamente, muitos gestores públicos não consideram a mesma importância na manutenção dos espaços públicos, gerando áreas abandonadas ou sem revitalização, o que é um equívoco. A cidade sempre evolui e cresce, e é de suma importância que a maior parte dos espaços possíveis, mantendo sua função social e econômica. 27 Por fim, é importante ressaltar que as atividades de planejamento ambiental urbano são previstas pelo Poder Público, assim como este também realiza a fiscalização da ocupação do território. Consequentemente, prioriza-se contemplar as propostas nas leis orçamentárias do município ou Estado e, assim, esses projetos devem levar em conta a viabilidade econômica financeira para sua implantação. 4. Estatuto das cidades e instrumentos de gestão do território Os instrumentos da política urbana e suas principais diretrizes foram instituídas na Lei nº 10.257 de 10 de julho de 2001, a conhecidamente denominada Estatuto das Cidades. De acordo com essa legislação, o objetivo principal da política urbana brasileira é ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana. Segundo a legislação, o ordenamento territorial deverá regular o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-estar dos cidadãos, objetivando o equilíbrio ambiental. O Estatuto das Cidades prevê a realização de diversas regulamentações realizadas pelo Poder Público, a nível municipal, voltados à atender às demandas urbanas, são eles: (i) Plano Diretor; (ii) Lei de uso e da ocupação do solo; (iii) Zoneamento ambiental; (iv) Plano plurianual; (v) Diretrizes orçamentárias e orçamento anual; (vi) Gestão orçamentária participativa; (vii) Planos, programas e projetos setoriais (BRASIL, 2008). Na Lei nº 10.257 de 10 de julho de 2001, de forma a possibilitar a atuação governamental sobre o território, é delimitada a possibilidade de instituição de tributos relacionados ao uso do espaço urbano, os quais deverão ser convertidos em serviços públicos para a população das cidades. Em seu art. 4, inciso IV (BRASIL, 2001), são definidos os 28 institutos tributários e financeiros. Para o efeito desta lei, temos os institutos tributários e financeiros, entre eles a implementação do imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (IPTU). Outras intervenções importantes para a atuação do poder do Estado na cidade são apresentadas por essa legislação, principalmente em relação às intervenções de fiscalização e repressão em caso de irregularidade do uso e ocupação do solo. Ressalta-se, nesse caso, (i) a desapropriação; (ii) o tombamento de imóveis ou de mobiliário urbano; (iii) usucapião especial de imóvel urbano; (iv) a instituição de unidades de conservação; (v) operações urbanas consorciadas; (vi) parcelamento, edificação ou utilização compulsórios; e (vi) regularização fundiária (BRASIL, 2001). Desapropriação consiste na retomada do imóvel urbano por parte do Estado, em caso de não utilização por seu proprietário por parcelamento, edificação ou utilização, decorridos 5 (cinco) anos da cobrança do IPTU. Tombamento de imóveis ou mobiliário urbano é o instrumento de reconhecimento e proteção do patrimônio cultural brasileiro, e pode ser feito em qualquer esfera administrativa. Cabe ressaltar ainda, que foi instituído na esfera federal pelo Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937 (BRASIL, 1937). Conceitualmente, o tombamento dos imóveis urbanos é atribuído aos imóveis ou monumentos urbanos que figuram como um testemunho cultural, social, religioso ou arquitetônico da sociedade e, portanto, precisam ser conservados e preservados para a posteridade. Usucapião especial de imóvel urbano trata-se da apropriação obtida por ocupante de imóvel urbano, por utilizar um imóvel privado antes propriedade de outra pessoa. Porém, há diversas condições mínimas 29 para que a usucapião se consolide como: o ocupante não possuir propriedade de qualquer outro imóvel; o imóvel poderá ter somente a área inferior ou igual a 250 m2; a ocupação ser realizada somente para moradia e de forma ininterrupta por período de 5 (cinco) anos; que não tenha havido interposto ou solicitação de retomada de posse pelo possuidor inicial. A instituição de unidades de conservação é regida pela Lei Federal nº 9.985, de 18 de julhode 2000, a qual conceitua as áreas destinadas como: Espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção (BRASIL, 2000). Portanto, todas as áreas urbanas destinadas à manutenção da qualidade ambiental, manutenção da biodiversidade e de campos de pesquisas futuras, deverão ser instituídas por lei e ser de responsabilidade municipal, estadual ou da União (em relação à fiscalização, manutenção e definição de usos e planos de manejo). A operação urbana consorciada é o conjunto de intervenções e medidas coordenadas pelo Poder Público municipal, com a participação dos proprietários, moradores, usuários permanentes e investidores privados, com o objetivo de alcançar em uma área transformações urbanísticas estruturais, melhorias sociais e a valorização ambiental. Ou seja, é a junção do poder público à iniciativa para delimitação de áreas destinadas à melhoria da cidade. 30 O parcelamento, edificação ou utilização compulsórios são leis municipais que preveem a inclusão de uma área no plano diretor para a obrigatoriedade de ocupar o solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado. Cabe ao poder público municipal estabelecer as condições e os prazos para implementação desta obrigação. Conclui-se, portanto, que tais instrumentos urbanísticos são fundamentais para a potencialização da ocupação e gestão urbana, evitando a especulação imobiliária, a existência de vazios urbanos e subutilização de áreas. 5. Planos diretores Os Planos Diretores são instrumentos legais, instituídos pelo Estatuto das Cidades. Obrigatoriamente, os governos municipais devem estabelecer seus planos diretores e revisá-los a cada 10 (dez) anos. Tal obrigatoriedade se justifica pela dinâmica populacional e de ocupação do território municipal, o qual demanda fiscalização e planejamento ambiental urbano constantes. Segundo o Ministério de Desenvolvimento Regional (BRASIL, 2019), o Plano Diretor necessita ser compactuado pelos diversos setores da sociedade, considerando os interesses sociais, econômicos e territoriais dos municípios. A função principal desses planos é organizar, direcionar e estabelecer regras para a ocupação e o funcionamento do território municipal nos próximos 10 (dez) anos. Observe que as zonas são simbolizadas por cores e possuem suas atividades possíveis definidas anteriormente à implantação de novos empreendimentos. A Figura 2 ilustra um exemplo de realização de um Plano Diretor. 31 Figura 2 – Zoneamento do Complexo Portuário Governador Erado Gueiros Fonte: Silva et al. (2012). 6. Zoneamento ecológico econômico (ZEE) O zoneamento ecológico econômico (ZEE) é o instrumento presente na Política Nacional do Meio Ambiente, por meio do Decreto nº 4297/2002, que cria as zonas econômicas de um determinado território considerando a caracterização ambiental. Dessa forma, esses instrumentos estabelecem os melhores usos econômicos para cada área, considerando suas potencialidades e atributos naturais (BRASIL, 2002). Os ZEE podem ser elaborados em diversas escalas e, atualmente, têm sido elaborados por municípios, Estados e o Distrito Federal. O diagnóstico dos meios físico, socioeconômico, jurídico-institucional e de cenários futuros de exploração do território são as bases para esses instrumentos de sustentabilidade. 32 Ressalta-se que as áreas protegidas ou que contam com algum tipo de fragilidade ambiental serão privadas de ocupação territorial, sendo mantidas em seu estado natural ou atual de qualidade ambiental, segundo a data de criação das áreas de preservação ou de estabelecimento do zoneamento ecológico econômico. 7. Gestão de bacias hidrográficas Dentro do cenário brasileiro de planejamento ambiental urbano e seus instrumentos, a unidade de planejamento basal é a unidade hidrográfica. Tal unidade também é a unidade territorial para gestão dos recursos hídricos brasileiros. De forma a minimizar os conflitos territoriais pelo uso da água, foram criados os comitês de bacia. Tal organização é composta por diversos representantes da sociedade civil organizada, órgãos públicos e organização não governamentais. Essa organização é consultada acerca das medidas propostas pelo Poder Público para a gestão, categorização e manutenção dos recursos hídricos. A criação dos comitês de bacias hidrográficas ocorreu por meio da Lei nº 9433 de 08 de janeiro de 1997 (BRASIL, 1997), a qual instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos. A mesma legislação institucionaliza ainda o Sistema de Gerenciamento de Recursos Hídricos brasileira. Portanto, todas as ações relativas ao planejamento ambiental urbano, devem ser consultadas ao comitê de bacias hidrográficas responsável pelos recursos hídricos correlatos na escala de planejamento pretendida. Segundo a legislação referida, a água deve ser usada para os mais variados fins possíveis, priorizando-se a dessedentação animal e humana, acima das demais. Da mesma forma, os empreendedores não 33 podem captar volumes superiores à capacidade de um determinado corpo hídrico. Os recursos hídricos ainda devem ter quantidade e qualidade necessárias para depurar efluentes de esgotamento sanitário e industrial, após tratamento, assim como receber as águas pluviais de uma dada região. Referências Bibliográficas BRASIL. Decreto nº 4.297, de 10 de julho de 2002. Regulamenta e institucionaliza critérios para o Zoneamento ecológico econômico. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4297.htm. Acesso em: 2 mar. 2020. BRASIL. Decreto-Lei nº25, de 30 de novembro de 1937. Organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decreto-lei/del0025.htm. Acesso em: 20 fev. 2020. BRASIL. Senado Federal. Lei Federal nº 10.257 de 10 de Julho de 2001. Estatuto da Cidade. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/70317/000070317. pdf?sequence=6%20Calizaya. Acesso em: 20 fev. 2020. BRASIL. Presidência da República. Lei Federal Nº 9.985, de 18 de julho de 2000. Regulamenta o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9985.htm. Acesso em: 20 fev. 2020. BRASIL. Presidência da República. Lei nº 94.33 de 08 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/LEIS/L9433.htm. Acesso em: 19 mar. 2020. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Regional. Guia para elaboração e revisão dos Planos Diretores. Brasília, 2019. Disponível em: http://www.capacidades.gov.br/biblioteca/detalhar/id/368/titulo/ guia+para+elaboracao+e+revisao+de+planos+diretores. Acesso em: 2 mar. 2020. DUARTE, F. Planejamento urbano. Curitiba: Intersaberes, 2012. PEREIRA, E. M. et al. Planejamento urbano no Brasil: conceitos, diálogos e práticas. 2. ed. 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SEDUH – Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Distrito Federal. Plano Diretor de Ordenamento Territorial Urbano – PDOT. Disponível em: http://www.seduh.df.gov.br/plano-diretor-de-ordenamento- territorial/. Acesso em: 2 mar. 2020. SILVA, A. M. da; SILVA, L. C. da; SILVA, L.M da. Um estudo dos impactos ambientais pela implantação de refinaria do petróleo. Congresso Brasileiro de Cadastro Técnico Multifinalitário – UFSC. Florianópolis, 2012. http://www.seduh.df.gov.br/plano-diretor-de-ordenamento-territorial/ http://www.seduh.df.gov.br/plano-diretor-de-ordenamento-territorial/ 35 Indicadores ambientais, planejamento e políticas públicas Autoria: Ana Beatriz Ulhoa Cobalchini Leitura crítica: Cristiane Ronchi de Oliveira Objetivos • Apresentar os indicadores ambientais em que o planejamento ambiental urbano se baseia. • Elucidar as políticas públicas aplicáveis ao planejamento ambiental urbano e qual sua correlação com outras políticas públicas nacionais. • Explicitar as premissas internacionais e nacionais de desenvolvimento territorial urbano, objetivando a sustentabilidade ambiental. 36 1. Indicadores ambientais relacionados ao planejamento ambiental urbano Os indicadores ambientais são informações ou caracterizações dos territórios, os quais pretendem basear os processos decisórios em todos os níveis da sociedade. Com a utilização dos indicadores ambientais é possível ter uma visão mais simplificada dos complexos sistemas urbanos, aliando não somente um quantitativo palpável por meio de informações estatísticas. Essas informações representam ou resumem tanto os recursos ambientais disponíveis em um dado território assim como apresentam as atividades humanas. A nível nacional, a apresentação desses dados é realizada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e retroalimentado pelas instituições vinculadas a ele, também públicas. Um dos objetivos primários é buscar atender aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) formulado pela Organização das Nações Unidas (ONU), a qual subsidia as obrigações dos Estados junto aos acordos internacionais vigentes. Os indicadores ambientais têm, ainda, o objetivo de subsidiar o estabelecimento das políticas públicas e tomada de decisão dos gestores públicos e sociedade, de maneira geral (BRASIL, 2017). A seguir, serão citados os principais indicadores ambientais e suas influências nas políticas públicas territoriais. 1.1 Área de floresta pública com uso comunitário A entidade responsável pela manutenção e obtenção desses dados é o Serviço Florestal Brasileiro com periodicidade anual – apresentado em hectares. Esse indicador registra a área de florestas (sejam elas naturais ou plantadas) destinadas à utilização pelas populações ou comunidades 37 tradicionais. É de extrema importância para as políticas voltadas às comunidades quilombolas, pastores, pescadores e povos indígenas que fazem uso dessas áreas para subsistência. O Objetivo do Desenvolvimento Sustentável relacionado a esse indicador é o número 2 (acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e a melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável). A meta para que os países alcancem essa marca é até 2023, e de dobrar a produtividade agrícola dessas populações (BRASIL, 2017). Considerando os dados divulgados pelo Cadastro Nacional de Florestas Públicas (BRASIL, 2017), divulgado no ano de 2016, registrou- se aproximadamente 157.242.311,00 hectares de Florestas públicas comunitárias no Brasil. 1.2 Área de florestas públicas A entidade responsável por apresentar os dados atualizados com periodicidade anual também se trata do Serviço Florestal Nacional, também apresentado em hectares. Esse indicador pretende apresentar a quantidade de área territorial destinada à preservação dos ambientes florestais, os quais trazem garantia de ambiente saudável para as futuras gerações e obtenção de produtos florestais com segurança. Por último, porém não menos importante, a manutenção desses ambientes propicia a preservação das espécies florestais com um banco genético de biodiversidade para pesquisas futuras. O Objetivo do Desenvolvimento Sustentável a ser atingido aqui trata-se do ODS 15 que diz: Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a 38 desertificação, deter e reverter a degradação ambiental da terra e deter a perda da biodiversidade. (BRASIL, 2017) A meta estipulada para esse ODS se finda em 2020 e trata-se de: Garantir a conservação, recuperação e o uso sustentável de ecossistemas terrestres e de água doce interiores e seus serviços, em especial, florestas, zonas úmidas, montanhas e terras áridas, em conformidade com as obrigações dos acordos internacionais. (BRASIL, 2017) Esse indicador apresentou crescimento significativo até o ano de 2016, ocasionado pela destinação de terras públicas para esse fim, propiciado pela execução de um programa institucional nacional chamado Terra Legal. Após esse período, segundo dados apresentados pelo MMA (BRASIL, 2017), houve uma estabilização dos valores em torno de 310 milhões de hectares de Florestas públicas em todo o território nacional. 1.3 Cobertura do território brasileiro com diretrizes de uso e ocupação em bases sustentáveis, definidas por meio do ZEE Esse indicador apresenta o percentual do território nacional que respeita e possui iniciativas de zoneamento ecológico econômico, considerando as federais ou estaduais. A apresentação dos dados, assim como sua atualização, é realizada pela Secretaria de Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental (SRHQ) com periodicidade anual. Os dados são apresentados em porcentagem (%). As atualizações são repassadas pelos órgãos setoriais, de forma a possibilitar o quantitativo nacional a ser divulgado pelo MMA. O Objetivo do Desenvolvimento Sustentável que apresenta correlação com esse indicador ambiental é o ODS 15, assim como o indicador de áreas de florestas públicas. O dado apresentado é importantíssimo para apresentar o sucesso desse instrumento urbanístico ambiental, visto 39 que em 2017 registrou-se que 84,89% do território nacional possuía iniciativas concluídas de acordo com o zoneamento ecológico econômico previamente instituído (BRASIL, 2017). 1.4 Outros indicadores ambientais Há diversos outros indicadores ambientais que apresentam importantes políticas acerca da gestão ambiental do território, conforme apresentado pelo Ministério do Meio Ambiente (BRASIL, 2017) e que são apresentados resumidamente a seguir: • Destinação adequada de pneus inservíveis no Brasil: coletados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Apresentou um saldo de destinação de 97,45% da meta prevista de destinação cumprida, em toneladas de pneus inservíveis. O ODS 12 é o alvo de cumprimento deste indicador. • Espécies da fauna e flora ameaçadas de extinção com planos de ação nacional para conservação das espécies ameaçadas de extinção: tal indicador visa verificar as espécies da fauna ameaçadas de extinção e os planos nacionais correlatos a essas. O objetivo maior é contabilizar os esforços realizados para preservação das espécies ameaçadas, considerando o território nacional. O indicador é apresentado por números de espécies que possuem plano de preservação em território nacional. Os dados são coletados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). • Índice de efetividadede gestão das unidades de conservação federais: esse indicador prevê apresentar uma avaliação quanto ao desempenho das políticas públicas de unidades de conservação federais, sendo apresentado pelo ICMBio. Visa, ainda, servir de subsídio para a tomada de decisão e aproximar a sociedade da 40 gestão das unidades de conservação. Em 2016, o dado apontou para uma efetividade de 47,74% das UCs federais. • Número de ações de fiscalização executadas nas unidades de conservação federais: tal indicador visa apresentar a atuação fiscalizatória dos órgãos de controle na manutenção das áreas protegidas e, de maneira indireta, no ordenamento territorial urbano. Considera a verificação em unidades de conservação federais sob gestão direta do ICMBio. Em 2016, foram planejadas 1.111 ações fiscalizatórias e efetuadas 497. • Percentual de alcance da meta estabelecida de coleta de óleos lubrificantes usados ou contaminados (OLUC) no Brasil: esse indicador apresenta o percentual de alcance da meta estabelecida para a correta destinação dos óleos usados ou contaminados. A importância desse indicador é relacionada à gestão dos resíduos e demonstra, de maneira indireta, a redução do risco de poluição dos solos e recursos hídricos por esse tipo de agente contaminante. Os dados são obtidos por meio do relatório de coleta de óleo lubrificante usado e contaminado obtido pelo MMA. A meta de destinação para o ano de 2016 era de 38,90% do material gerado, e esta foi superada ocasionando um percentual de 39,74%. • Percentual do território brasileiro coberto por Unidades de Conservação: tal indicador apresenta a porcentagem do território nacional que é destinado à conservação, baseando-se em dados obtidos pela Secretaria Nacional de Biodiversidade. A verificação é anual e segregada por tipo de bioma brasileiro. Os percentuais apresentados foram em torno de 27% em bioma Amazônia, aproximadamente 7% no bioma Caatinga, 8% no Cerrado e 9% em Mata Atlântica, enquanto 8% restantes situavam-se nos 41 biomas Pampa, Pantanal e área marinha protegida. Apresentou-se aumento, se comparado a 2015, em todos os biomas. • Proporção da área marinha brasileira coberta por unidades de conservação da natureza: a meta estipulada pela ODS 14 é conservar pelo menos 10% das zonas costeiras e marinhas, esse indicador é de extrema valia para análise das políticas públicas relacionadas à conservação marinha. Os dados apresentados são atualizados anualmente pelo MMA e somente 1,5% da área costeira ou marinha era protegida por unidades de conservação. Tal dado é extremamente preocupante e aponta a necessidade de implementação de ações incisivas nesse quesito, visto que a meta da ODS deverá ser cumprida até o ano de 2020 e muito distante de sua efetivação. • Reservação de água doce: preconiza disponibilizar informações e monitorar a situação do abastecimento em reservatórios por todo o país, sendo subsidiado pela Agência Nacional de Águas (ANA) de forma anual. O ODS 6 preconiza assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e o saneamento para todos. Em 2016, o percentual de 55,90% era reservado em relação ao quantitativo total de reservatórios. Coincidentemente, apesar de ter sido um ano de escassez hídrica em diversas regiões do país, houve um aumento em relação aos dois anos anteriores (2014 e 2015). 2. Políticas públicas urbanas As políticas públicas urbanas devem, além de respeitar e visar ao atendimento aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, 42 estabelecidos pela ONU, atender as demandas da sociedade fornecendo serviços públicos de qualidade e eficiência. São consideradas para tal fim a implantação, manutenção e substituição de redes e dispositivos de saneamento ambiental (abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta e disposição de resíduos sólidos), captação e distribuição de energia e, de acordo com Duarte (2012), a mobilidade urbana e transporte viário. 2.1 Saneamento ambiental Sabendo-se que o saneamento ambiental contempla quatro macro áreas de atuação, quais sejam: abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo das águas pluviais e coleta e destinação dos resíduos sólidos urbanos, conforme apresentado pela Figura 1. Figura 1 – Simbologia das áreas estruturais do saneamento ambiental Fonte: Portal Trata Bem (2018). Cada macroárea deverá ser tratada separadamente devido sua importância e complexidade, conforme apresentado na Figura 1. Cabe, no entanto, informar que não é pretendido encerrar todas as 43 informações sobre cada tema, visto que são extremamente amplos e essenciais para o planejamento ambiental urbano. 2.1.1 Abastecimento de água O abastecimento de água de uma população é de vital importância para a manutenção da qualidade ambiental, assim como das atividades econômicas, humanas e sociais. A água é um fator preponderante para a sobrevivência da população humana e da biodiversidade. Para que seja possível captar, tratar e distribuir água potável para a população, é necessário que haja mananciais disponíveis para tal fim, os quais devem ter qualidade e quantidade suficientes para manter sua função ecológica e prover o abastecimento humano. Há uma hierarquização de usos para os recursos hídricos, estabelecida na Política Nacional de Recursos Hídricos, a qual sintetiza que a prioridade será dada à dessedentação animal e humana, antes de qualquer outro tipo de uso. Acima de tudo é necessário que haja a conservação das áreas que possam interferir na qualidade ou quantidade de água disponíveis nos reservatórios, sejam eles naturais ou artificiais, evitando, assim, a escassez hídrica que tem sido evidenciada em alguns locais nos últimos anos. Para tanto, é necessário implementar propostas de conservação ou recuperação de mananciais, as quais devem priorizar o esgotamento sanitário, a coleta e destino corretos dos resíduos, a diminuição do uso de pesticidas e fertilizantes agrícolas e regulação do uso do solo. Para possibilitar o cumprimento das premissas de conservação citadas anteriormente, diversos instrumentos legais subsidiam ações por parte do Poder Público, podendo-se citar os planos diretores, o zoneamento ecológico econômico, o Código Florestal, a Lei de Crimes Ambientais, entre outros (PHILLIPI JR et al., 2005, p. 125). 44 Os mananciais podem ser superficiais ou subterrâneos. Os denominados superficiais são os córregos, rios, lagos, represas e qualquer outro que esteja situado na superfície. A água coletada desses mananciais precisa passar por prévio tratamento para atingir os teores de qualidade da água para abastecimento, preconizados na Portaria do Ministério da Saúde nº 2.914, de 12 de dezembro de 2011 (BRASIL, 2011). Quanto aos mananciais subterrâneos, estes compreendem o lençol freático e o aquífero. A água coletada nesses mananciais geralmente não precisa de intervenções massivas de tratamento, pois a qualidade da água é mantida devido à dificuldade de obtenção desse insumo. Os poços artesianos costumam apresentar profundidade mínima de perfuração de 25 metros. Em relação aos mananciais superficiais, estes necessitam contar com uma rede de captação de água, reservação, de tratamento e distribuição. As obras de abastecimento de água tendem a ser cada vez mais onerosas, visto que os mananciais têm estado cada vez mais distantes, pois os mais próximos das aglomerações urbanas tendem a estar poluídos ou não ter quantidade suficiente para atender a população. Dessa forma, há grande interferência das políticas de preservação das áreas protegidas e áreas de proteção permanente para a manutenção dos mananciais destinados ao abastecimento humano. Visto que os taludes dos rios e outros mananciais devem ser mantidos sem ocupação humana e vegetados, evitando, assim, processos erosivos, assoreamento e poluição das águas. 2.1.2 Esgotamento sanitário O esgotamento sanitário contempla a coleta, tratamento e destinação dos efluentes em mananciais. Cabe ressaltarque tais medidas são essenciais para a manutenção da qualidade ambiental das cidades, visto 45 que a disposição de esgotos domésticos ou industriais não tratados ocasiona a poluição dos solos, água superficial e profunda. As redes de esgotamento sanitário, por sua vez, necessitam de manutenção constante, com vistas a diminuir o risco de extravasamento do esgoto. Tais ocorrências podem ocasionar a poluição dos mananciais próximos e do solo. O fluxograma do esgotamento sanitário contempla a coleta das residências e outros estabelecimentos, o transporte do material pelas redes de esgotamento (contando com a ação da gravidade ou de estações elevatórias), passando para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETEs). Quando o efluente estiver com condições mínimas de qualidade após o tratamento, seus efluentes serão destinados ao corpo hídrico receptor. Ressalta-se, também, a importância da eficiência nos tratamentos de esgotos de forma a possibilitar a manutenção da qualidade da água do corpo receptor. Caso esta não seja atingida e ocorra o lançamento no manancial, haverá risco de contaminação e poluição hídrica. Relembrando que os corpos hídricos são utilizados para diferentes fins e, portanto, precisam ser mantidas suas características ideais para o abastecimento humano e animal. 2.1.3 Manejo de águas pluviais As políticas públicas de manejo das águas da chuva, denominadas de águas pluviais, devem priorizar a correta disposição em mananciais ou por bacias de detenção. A principal função das redes coletoras de água pluvial é garantir a disposição do escoamento superficial com a menor energia possível, ou seja, evitando que ocorram deslizamentos, processos erosivos e assoreamento dos corpos hídricos receptores. 46 As redes de drenagem pluvial necessitam promover a correta disposição das águas pluviais para que seja mantida a qualidade e quantidade dos mananciais, visto que a ação destrutiva das águas da chuva ocasiona estragos no decorrer de sua trajetória, quando não condicionadas. Ressalta-se, ainda, que a impermeabilização das áreas urbanas tem potencializado o caráter agressivo das chuvas, visto que as superfícies de infiltração da água pelo solo têm diminuído consideravelmente. Um dos quesitos apresentados em grande parte dos planos diretores trata-se do índice de permeabilidade, o qual é delimitado pelos órgãos de controle do desenvolvimento urbano. Essa obrigatoriedade de manutenção de áreas sem pavimentação dentro dos lotes urbanos visa manter o escoamento por infiltração nos lotes urbanos. 2.1.4 Coleta e destinação de resíduos sólidos urbanos O serviço de coleta de resíduos sólidos urbanos é de extrema importância para a qualidade ambiental do território, visto que garante a destinação correta e diminui a propagação da poluição hídrica, do solo e atmosférica ocasionada pelos resíduos urbanos. Cabe ressaltar que essas políticas estruturantes necessitam ser apresentadas e alcançadas quando da implantação de novos núcleos urbanos, visto seu potencial poluidor. 2.2 Transporte e mobilidade urbana As vias internas e externas de uma cidade têm substancial importância para as atividades humanas, assim como para a sustentabilidade. Caso o sistema de transporte viário e público seja eficiente haverá uma pressão menor sobre o uso individual de transporte, aumento da vida útil das vias e diminuição da necessidade de ampliação das vias existentes. 47 Do ponto de vista ambiental, a área de transporte e mobilidade urbana tem se apresentado como um desafio às cidades brasileiras, visto que os engarrafamentos são uma constante queixa apresentada pela população. O aumento da densidade demográfica e a especulação imobiliária são consideradas vilãs com relação às políticas de transporte. Para tanto, é necessário explicar tais fatores de forma separada. A densidade demográfica é um indicador de ocupação humana do território e é medido em hab./km2. O aumento desse indicador tem sido verificado em muitas cidades brasileiras e, principalmente, nas megalópoles e metrópoles. Caso a população aumente muito, a demanda por imóveis para habitação aumenta bastante, ora, visto que há mais pessoas procurando imóveis nas áreas centrais esses imóveis tendem a encarecer sua locação ou venda. Dessa maneira, a especulação imobiliária ocorre. Por fim, as pessoas com menor poder aquisitivo são arrastadas para as áreas mais distantes, denominadas periferias. Verificando a necessidade de promover o transporte dos trabalhadores dessas áreas mais distantes, há uma demanda por ampliação das vias de acesso às áreas centrais. Sendo assim, as políticas urbanas de melhoria do transporte público são de extrema importância para a melhoria da qualidade ambiental das cidades. 2.3 Obtenção e distribuição de energia A obtenção de energia é de fundamental importância para a manutenção das atividades sociais e para a manutenção do funcionamento dos municípios. Dessa forma, as políticas públicas de 48 obtenção e distribuição necessitam ser eficazes, a fim de manter as atividades econômicas e produtivas da cidade. Dessa forma, há diversas matrizes energéticas que podem culminar na obtenção de energia para a população, são elas: elétrica, eólica, nuclear, biomassa, entre outras. A energia elétrica é a matriz energética mais comum no Brasil, e contempla a retirada de corrente elétrica por meio de turbinas, geralmente localizadas em quedas d’água. Com relação à energia nuclear, esta é obtida por meio da quebra de isótopos radioativos, acontecimento este que libera uma grande quantidade de energia. Esse tipo de obtenção é bastante raro no Brasil, visto a dificuldade de manejo da tecnologia, seu risco inerente, assim como não há tanta demanda por energia nuclear, visto que o país possui muitos recursos hídricos com capacidade de captação. Quanto à energia eólica, esta também é captada por meio de turbinas que são movidas pelos ventos. A região brasileira que apresenta grande potencial energético para esse tipo de matriz é a Região Nordeste, em razão das grandes extensões de litoral e da velocidade dos ventos ocorrida, principalmente, nos Estados da Paraíba e Rio Grande do Norte. Por fim, a biomassa é a matriz que necessita da queima de compostos orgânicos, gerando energia durante este processo. Essa matriz energética ainda é pouco difundida no país, apesar de haver grande potencial de implantação, visto que somos um país extremamente agrícola, e as plantas capazes de fornecer esse insumo são comuns. A forma de distribuição da energia elétrica é dada de maneira semelhante, independente do modal de obtenção. A corrente é transmitida por meio de redes de alta tensão, decaídas por subestações de energia até que atinja a voltagem constante nas redes domésticas. 49 3. Considerações finais As políticas públicas de infraestrutura são intervenientes ao planejamento ambiental urbano. Portanto, sendo de extrema importância que os instrumentos legais e urbanísticos possuam consonância entre si e as políticas públicas urbanas não desconsiderem suas premissas. Caso as políticas públicas urbanas estejam de acordo com as restrições impostas pelo ambiente, haverá considerável diminuição da incidência de riscos de desastres ambientais, processos erosivos, diminuição da qualidade ambiental e outras avenças. Por fim, salienta-se a importância da transparência quanto aos diagnósticos ambientais, assim como os indicadores para que os gestores e tomadores de decisões possam fazer intervenções mais assertivas no ambiente urbano. Referências Bibliográficas BRASIL. Decreto nº 4.297, de 10 de julho de 2002. Regulamenta e institucionaliza critérios para o Zoneamento ecológico econômico. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4297.htm. Acesso em 02 mar. 2020. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Ministério da Saúde nº 2.914, de 12 de dezembro de 2011. Dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade