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Planejamento e politicas ambientais

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PLANEJAMENTO E
POLÍTICAS AMBIENTAIS
W
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01
49
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2.
0
2
Ana Cobalchini 
Cristiane Ronchi
Londrina 
Editora e Distribuidora Educacional S.A. 
2020
PLANEJAMENTO E POLÍTICAS AMBIENTAIS
1ª edição
3
2020
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
e-mail: editora.educacional@kroton.com.br
Homepage: http://www.kroton.com.br/
Presidente
Rodrigo Galindo
Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada
Paulo de Tarso Pires de Moraes
Conselho Acadêmico
Carlos Roberto Pagani Junior
Camila Braga de Oliveira Higa
Carolina Yaly
Giani Vendramel de Oliveira
Juliana Caramigo Gennarini
Nirse Ruscheinsky Breternitz
Priscila Pereira Silva
Tayra Carolina Nascimento Aleixo
Coordenador
Nirse Ruscheinsky Breternitz
Revisor
Ana Cobalchini; Cristiane Ronchi
Editorial
Alessandra Cristina Fahl
Beatriz Meloni Montefusco
Gilvânia Honório dos Santos
Hâmila Samai Franco dos Santos
Mariana de Campos Barroso
Paola Andressa Machado Leal
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
__________________________________________________________________________________________ 
Ronchi, Ana Cobalchini; Cristiane
R769p Planejamento e Politicas Ambientais/ Ana Cobalchini;
Cristiane Ronchi - 
 Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2020.
 44 p.
 ISBN 978-65-86461-26-8
1. Planejamento ambiental. 2. Políticas ambientais I. Ana
Cobalchini; II. Ronchi, Cristiane , Título. 
 
CDD 363.7 
____________________________________________________________________________________________
Jorge Eduardo de Almeida CRB: 8/8753
© 2020por Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser 
reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, 
eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de 
sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, 
por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A.
mailto:editora.educacional%40kroton.com.br?subject=
http://www.kroton.com.br/
4
SUMÁRIO
A questão ambiental e os paradigmas contrastantes _______________ 05
Etapas, estruturas e instrumentos da gestão e planejamento ambiental 
urbano _____________________________________________________________ 19
Indicadores ambientais, planejamento e políticas públicas __________ 35
Cidades inteligentes e sustentáveis no Brasil e no mundo __________ 51
PLANEJAMENTO E POLÍTICAS AMBIENTAIS
5
A questão ambiental e os 
paradigmas contrastantes
Autoria: Ana Beatriz Ulhoa Cobalchini
Leitura crítica: Cristiane Ronchi de Oliveira
Objetivos
• A cidade como unidade territorial de 
desenvolvimento humano.
• Compreender o processo de urbanização brasileiro e 
suas tipologias.
• Compreender os conceitos de urbanização, 
metropolização e conurbação.
• Identificar os preceitos iniciais de planejamento 
urbano e sustentabilidade ambiental.
6
1. A cidade enquanto espaço de construção 
social
Desde os primórdios da ocupação humana e do seu desenvolvimento 
inicial enquanto espécie, o ser humano tem se organizado em 
aglomerados sociais, os quais tiveram a função de subsistência, 
segurança do grupo e reprodução. Em princípio, as comunidades 
humanas eram nômades, ou seja, transitavam de território em território 
em busca de recursos naturais que pudessem prover sua perpetuação. 
Mas, caso as condições fossem adversas, estas se deslocavam para 
outro local mais propício para tais fins. No entanto, conforme a espécie 
Homo sapiens evoluiu, a tendência de se fixar em territórios e dali prover 
sua construção social foi mais acertada e próspera (RECH & RECH, 2016).
Ressalta-se, portanto, que as cidades são um espelho de sua 
população, considerando-se os aspectos históricos, socioeconômicos 
e ambientais. Portanto, o planejamento da cidade deve considerar 
o seu passado, presente e ter abrangência de planejamento que 
considere seu futuro, de forma a possibilitar seu tempo de vida mais 
longo e sua sustentabilidade, enquanto núcleo de desenvolvimento 
humano. Conforme Mumford (1998), a cidade deve ser compreendida 
contemplando a sua natureza histórica, entendendo-se suas funções 
originais, e também suas vocações futuras.
2. O processo de urbanização brasileiro e o 
surgimento das grandes metrópoles
O processo de urbanização consiste na permanência da maioria 
da população de um país nos núcleos urbanos ao invés dos núcleos 
rurais, dentro do território de um Estado. No Brasil, isso ocorreu 
definitivamente em meados de 1940, durante o Governo Getúlio Vargas. 
7
Naquela ocasião, grande parte da população passou a habitar em 
núcleos rurais em razão do êxodo rural, impulsionado pela Revolução 
Industrial Brasileira e concentrou-se principalmente nos núcleos 
das capitais das regiões Sudeste e Sul. Essa fase é considerada por 
estudiosos como tardia, em relação a outros países industrializados.
Posteriormente, as cidades brasileiras têm evoluído para grandes 
metrópoles e depois para megalópoles ou conúrbios urbanos. O 
processo de conurbação é conceituado como a fusão das áreas urbanas 
de duas ou mais cidades, produzindo núcleos muito extensos. Esse 
processo de junção de uma ou mais cidades, deu origem às regiões 
metropolitanas, tais como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre 
(RS), Belo Horizonte (MS), entre outros.
Enquanto detentor das políticas urbanísticas e como ente de ordenação 
do território, o Poder Público necessita satisfazer as demandas da 
população por habitação, produção agrícola, segurança pública e 
utilização potencializada do solo, não se abstendo das premissas de 
sustentabilidade ambiental com vistas à perpetuação da utilização do 
território com qualidade.
Considerando-se o crescimento da população, as condições da 
ocupação urbana e diversos fatores ambientais, é natural que haja 
conflitos quanto ao uso do solo, tais como: conflitos entre grupos 
econômicos, demandas por moradia, núcleos de produção mineral ou 
agrícola, grupos sociais ou religiosos, entre inúmeros outros setores 
da sociedade civil organizada. Portanto, o ordenamento territorial 
é, antes de tudo, um processo delicado e complexo de tomada de 
decisões.
Diversas situações irregulares têm ocorrido na maior parte das cidades 
brasileiras e que afetam substancialmente a qualidade de vida da 
população e a qualidade ambiental. Por exemplo, a implantação de 
loteamentos irregulares promovidos por pessoas que não detém a 
8
posse da terra, porém forjam documentos falsificados e as vendem. Os 
novos “donos” sofrem o golpe, implantam suas residências e depois não 
podem obter a posse digna da terra. Essas áreas griladas, costumam ser 
pertencentes às áreas de preservação ambiental ou dentro de unidades 
de conservação. Tais atitudes são denominadas grilagem de terras, 
pois, os falsificadores colocam os documentos recém impressos e falsos 
em gavetas ou caixas repletas de grilos, obtendo após curto espaço de 
tempo a coloração amarelada comum dos documentos antigos de posse 
ou propriedades de terras.
Outra situação precária de moradia deve-se a subutilização de terras 
urbanas para implantação de loteamentos verticais de segunda 
categoria, os chamados cortiços. Estes possuem uma concentração 
muito alta de moradores, produzindo resíduos sólidos, esgoto e 
captando água, seja de fonte regular ou irregular, ampliando o impacto 
ambiental nas cidades.
Por fim, ainda existem as favelas, que são ocupações irregulares e 
desordenadas de terras públicas, geralmente íngremes, sem a menor 
condição sanitária e de ordenamento territorial. Não há espaçamento 
correto nas ruas, não há calçadas e muitas vezes, não ocorre nem 
esgotamento sanitário nem abastecimento de água de forma correta.
Ressalta-se dentro desse universo a existência de especulação 
imobiliária, surgimento de núcleos violentos e com infraestrutura 
deficitária,da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. Disponível 
em: http://site.sabesp.com.br/uploads/file/asabesp_doctos/kit_arsesp_portaria2914.
pdf. Acesso em: 4 mar. 2020.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Indicadores ambientais. 2017. 
Disponível em: https://www.mma.gov.br/images/arquivos/Informacoes_
ambientais/ListaDeIndicadores/area_de_FP_com_uso_comunitario/FS_SFB_
AreaFPUsoComunitario.pdf. Acesso em: 04 mar. 2020.
DOS REIS, L. B; FADIGAS, E. A. A; CARVALHO, C. E. Energia, recursos naturais e a 
prática do desenvolvimento sustentável. Barueri: Manole, 2005.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4297.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4297.htm
http://site.sabesp.com.br/uploads/file/asabesp_doctos/kit_arsesp_portaria2914.pdf
http://site.sabesp.com.br/uploads/file/asabesp_doctos/kit_arsesp_portaria2914.pdf
https://www.mma.gov.br/images/arquivos/Informacoes_ambientais/ListaDeIndicadores/area_de_FP_com_uso_comunitario/FS_SFB_AreaFPUsoComunitario.pdf
https://www.mma.gov.br/images/arquivos/Informacoes_ambientais/ListaDeIndicadores/area_de_FP_com_uso_comunitario/FS_SFB_AreaFPUsoComunitario.pdf
https://www.mma.gov.br/images/arquivos/Informacoes_ambientais/ListaDeIndicadores/area_de_FP_com_uso_comunitario/FS_SFB_AreaFPUsoComunitario.pdf
50
DUARTE, F. Planejamento urbano. Curitiba: Intersaberes, 2012.
PHILLIPI JR, A. et al. Saneamento, saúde e meio ambiente: fundamentos para um 
desenvolvimento sustentável. Barueri: Manole, 2005.
PORTAL TRATA BRASIL. Saneamento e desenvolvimento humano no mundo – o 
acesso à água e esgoto. Portal Trata Brasil, [s.l.], 29 de agosto de 2018. Disponível 
em: http://www.tratabrasil.org.br/blog/2018/08/29/saneamento-e-desenvolvimento-
humano-no-mundo-o-acesso-a-agua-e-esgoto/. Acesso em: 19 mar. 2020.
http://www.tratabrasil.org.br/blog/2018/08/29/saneamento-e-desenvolvimento-humano-no-mundo-o-acesso-a-agua-e-esgoto/
http://www.tratabrasil.org.br/blog/2018/08/29/saneamento-e-desenvolvimento-humano-no-mundo-o-acesso-a-agua-e-esgoto/
51
Cidades inteligentes e 
sustentáveis no Brasil e no mundo
Autoria: Ana Beatriz Ulhoa Cobalchini
Leitura crítica: Cristiane Ronchi de Oliveira
Objetivos
• Apresentar os conceitos de cidades sustentáveis, 
cidades inteligentes e pegada ecológica.
• Apresentar a realidade atual das cidades e apontar 
possibilidades de melhoria.
• Apresentar estudos de caso de sucesso acerca da 
mobilidade urbana, inserção de fontes alternativas 
de energia, saneamento ambiental etc.
• Citar estudos de caso de cidades que já 
implementam as técnicas e procedimentos de 
sustentabilidade com sucesso.
52
1. Introdução
A atual realidade das cidades brasileiras e em grande parte do mundo 
é de degradação ambiental, poluição, grandes congestionamentos e 
queda da qualidade de vida de seus habitantes. Tendo em mente esse 
cenário, os governos, sociedade e o terceiro setor tem procurado saídas 
para realizar as atividades urbanas diminuindo os impactos ambientais.
Considerando-se que a causa principal para o atual cenário tem sido 
a forma da comunidade humana se desenvolver extraindo recursos 
naturais, produzindo resíduos e modificando os espaços naturais, de 
forma desenfreada, há uma urgente necessidade de mudanças de 
paradigmas e processos produtivos.
De acordo com o cenário apresentado pelo Painel Intergovernamental 
de Mudanças Climáticas (IPCC), “nos próximos 100 anos as projeções 
indicam massiva perda da biodiversidade, queda da produção de 
alimentos, migração de populações, aumento do nível do mar e 
intensificação de efeitos extremos, como desastres naturais” (ICLEI-
Brasil, 2011, p. 3). Tal cenário foi projetado considerando-se a emissão 
de gases poluentes, devastação dos ambientes naturais ocasionados 
principalmente pela indústria, construção civil, agricultura ostensiva e 
desmatamento apresentados atualmente.
Considerando-se que a projeção de crescimento da população mundial 
para 2050 é de 9,19 bilhões de pessoas, o atual sistema de crescimento 
torna-se insustentável (ONU, 2020). De forma a refrear essas 
expectativas nocivas, há um esforço atual em realizar alterações de 
concepção energética, estrutural e de comunicação dentro das cidades, 
objetivando, por último, minimizar os resíduos, poluentes e impactos 
ambientais.
53
A globalização tem auxiliado na disseminação de conhecimento, 
mudanças e aparato técnico, auxiliando, de forma secundária, na 
propagação de casos exitosos em relação à sustentabilidade. Iniciando-
se pelo conceito de cidades sustentáveis, o qual obriga que haja 
alteração benéfica dos sistemas, produção e captação de insumos com 
viés de diminuir a interferência nociva da ocupação antrópicas nos 
espaços urbanos.
2. Conceito de pegada ecológica
A pegada ecológica é um termo criado para quantificar a pressão das 
comunidades humanas sob os recursos naturais. Ela é expressa na 
unidade hectares globais (gha) e permite comparar os padrões de 
consumo de países diferentes.
Assim, é possível afirmar que a pegada ecológica brasileira é de 2,9 
hectares globais por habitante. Enquanto isso, a pegada ecológica global 
é de 2,7 hectares globais por habitante (ONU, 2020). Dessa forma, é 
extremamente importante utilizar esse conceito para que os gestores 
possam almejar a melhoria da utilização dos recursos naturais dentro 
da gestão, assim como tenham um índice que possam monitorar 
suas intervenções e os resultados concernentes, objetivando atingir a 
sustentabilidade nas cidades brasileiras.
3. O que são cidades sustentáveis e as cidades 
inteligentes?
As cidades sustentáveis são aquelas em que o consumo por pessoa 
é menor que nas tradicionais. Estas devem possuir um modelo de 
desenvolvimento urbano que procure balancear ao máximo a entrada 
54
de insumos e a saída de resíduos. Ao mesmo tempo, devem diminuir o 
consumo energético, ter fontes alternativas e sustentáveis de obtenção 
de energia, e, por fim, possuir qualidade de vida para a população.
Parece utópico, mas pelo mundo e até no Brasil há diversos exemplos 
exitosos desse novo tipo de urbanização, mais sustentável e eficiente.
Com relação às cidades inteligentes, são aquelas que tem diversos 
sistemas públicos instrumentalizados por sistemas de computação, 
autônomos e robóticos, evitando gastos energéticos, utilização de 
pessoal e tantas outras situações. Por exemplo, os sistemas de robótica 
destinados à manutenção do tratamento de água e esgoto, os sistemas 
de semaforização, sistemas de vigilância pública por câmeras, entre 
tantos outros exemplos frutuosos de urbanização.
4. Perspectiva de mudança dos processos 
urbanos
4.1 Diminuição dos gases de efeito estufa e uso de 
fontes alternativas de energia veicular
Os países industrializados são os maiores emissores de gases de efeito 
estufa do planeta. No entanto, os mercados emergentes, considerando-
se China, Índia e Brasil figuram como importantes agentes da produção 
desses gases. Os poluentes são o dióxido de carbono (CO2), monóxido 
de carbono (CO), compostos orgânicos voláteis (COV), dióxido de enxofre 
(SO2), óxidos de azoto (NOx), partículas (PM), ozônio (O3) e o benzeno 
(C6H6).
O quantitativo estipulado de emissão de gases poluentes é de 90 
milhões de toneladas ao dia de dióxido de carbono (CO2), sendo a 
queima de combustíveis fosseis a principal fonte de gases de efeito 
55
estufa, a inclusão de fontes alternativas ou intensificação de matrizes 
mais sustentáveis é a principal interferência benéfica possível nas 
cidades.
Considerando-se que a obtenção de energia elétrica para substituir 
os combustíveis fósseis já está se consolidando nos mercados 
automobilísticos, afinal temos diversos modelos transitando nas ruas 
brasileiras que trabalham com energia elétrica. Um exemplo desse tipo 
de inovação é a venda em larga escala do veículo denominado Prius, 
da marca japonesa Toyota. Trata-se de um modelo híbrido que utiliza 
energia elétrica para consumo somente até que atinja os 60 km/h de 
velocidade. No Salão do Automóvelde Frankfurt (Alemanha), em 2019, 
diversas foram as marcas que lançaram modelos “verdes”, os quais 
contavam com fontes de energia alternativa e priorizando a mobilidade. 
Houve o lançamento de carros conceito, ou seja, aqueles que não tem 
intenção de ir às ruas mas somente ser produzidos em pequena escala, 
contando com hibridação e veículos 100% elétricos, conforme artigo de 
Panaro (2019).
Considerando, ainda, que a transição para o álcool e o biodiesel ainda 
não foi totalmente aproveitada, pode-se considerar esse processo como 
atual. Há ainda muito potencial de aprimoramento ou intensificação, 
principalmente no nosso país que tem uma produção importante de 
álcool combustível.
As próximas modificações de matrizes energéticas seriam a implantação 
de sistemas movidos a hidrogênio. Porém, ainda são incipientes, no 
momento.
4.2 Mobilidade urbana
Um conceito bastante ligado à questão da emissão dos gases de efeito 
estufa é a mobilidade urbana. Visto que se trata da utilização de veículos 
56
e transporte da população, este item é de vital importância para a 
sustentabilidade das cidades.
As questões de mobilidade urbana estão diretamente associadas ao 
padrão de urbanização das cidades brasileiras, pois a distribuição das 
pessoas no espaço urbano traz demandas com relação ao transporte. 
Considerando que o padrão de urbanização brasileiro engloba 
segregação do território, periferização da moradia e surgimento de 
áreas subutilizadas nos centros urbanos ou criminalizadas, como é o 
caso da Cracolândia registrada na grande São Paulo (SP).
A falta de serviços de transporte coletivo, ou seja, a ineficiência 
com relação a frotas e horários de atendimento do transporte, 
principalmente o rodoviário afeta a efetividade da mobilidade 
urbana. Outro fator que piora essa situação trata-se da hegemonia do 
transporte coletivo rodoviário, o que é a realidade da grande maioria 
dos municípios brasileiros, sendo raras as implantações de transporte 
metroviário, ferroviário, cicloviário e até de aluguéis coletivos de carros 
e outros veículos. Essa diversidade de transporte é aplicável à algumas 
capitais. Tal situação poderia ter sido evitada com a implantação gradual 
de novos modais viários, concomitante ao crescimento das cidades, 
porém a urbanização no Brasil e nos países sul-americanos, de forma 
geral, é marcada pela falta de planejamento ambiental urbano.
Nesse contexto, é importante inserir novos modais rodoviários, de 
acordo com a realidade orçamentária dos municípios. Um modal menos 
oneroso para o sistema público seria o veículo leve sobre rodas (VLP), 
pois trata-se de ônibus de maior capacidade e com vias exclusivas de 
tráfego. A exclusividade das suas vias de rolamento, faz com que o 
transporte seja mais rápido e um pouco menos impactante para o meio 
ambiente, devido à diminuição do volume de gases poluentes. Ressalta-
se, ainda, que a implantação desse tipo de veículo pode ser integrada 
com as rotas tradicionais de transporte rodoviário, fracionando as 
viagens e rotas longas das zonas periféricas para as áreas centrais.
57
Com relação à inclusão do modal ferroviário, este tem uma vantagem 
muito importante na realidade atual: possibilitar a implantação das 
ferrovias nas áreas externas aos grandes centros urbanos, os quais 
já contam com a maioria do espaço já ocupado por outros tipos de 
construções. A saída mais acertada seria delimitar os trânsitos mais 
distantes, ou seja, as rotas mais distantes para áreas de integração. 
Dessa maneira, os custos seriam reduzidos e essa população não 
interferiria no tráfego rodoviário, já bastante pesado e congestionado.
O transporte VLT também se encaixaria nesse quesito, por realizar seu 
trajeto sob trilhos, porém, com veículos menos pesados e mais rápidos. 
Essa opção de implantação é um pouco mais onerosa financeiramente 
que o VLP, no entanto, permite a implantação de ferrovias menos 
complexas e mais simples de serem implantadas em algumas áreas 
centrais, pois os veículos se assemelham a bondinhos tradicionais. 
Portanto, as vias são mais estreitas e leves que ferrovias tradicionais 
e com menos interferência sobre redes enterradas e redes de 
comunicação e elétricas, que seriam afetadas por essa implantação.
Algumas outras opções menos abrangentes, mas bastante simples e 
aceitas pela população, são a inclusão de ciclovias e ciclofaixas. Essas 
opções são destinadas aos pequenos trajetos interbairros, porém, 
podem ser incluídas na integração com todos os outros modais. A 
inclusão de vagões que permitam o transporte de ciclistas nos serviços 
metroviários é bastante comum e potencializa a distância das viagens.
Algumas cidades implantaram, ainda, o aluguel de veículos de forma 
coletiva. Nessa situação estão o aluguel de carros que é muito comum 
na Europa e outros países desenvolvidos, além das bicicletas e patinetes.
Esse tipo de serviço funciona da seguinte forma: o usuário realiza um 
registro em cadastros e bancos de dados das empresas que prestam o 
serviço, inclusive sobre dados financeiros de pagamento, e a partir disso 
é codificado no sistema de aluguel. Ao chegar nos pontos de acesso 
58
aos veículos, ele passa um cartão ou algum outro tipo de identificação 
eletrônica, retira o veículo de uma catraca eletrônica ou ponto pré-
determinado e realiza o trajeto registrado no sistema. Ao finalizar a 
viagem, deixa o veículo em algum local e o próximo usuário coleta, por 
meio de identificação por meio de sistemas de informações geográficas. 
Ao fim do expediente de maior demanda, alguns funcionários ou 
prestadores de serviço coletam os veículos pela cidade e devolvem aos 
pontos de maior circulação, o que é mais comum no uso de patinetes e 
bicicletas.
4.3 Modificação das matrizes energéticas
Do ponto de vista de planejamento urbano, as cidades brasileiras 
são majoritariamente abastecidas por energia elétrica. A natureza 
de abundância de mananciais do Brasil apresenta essa vantagem 
competitiva. No entanto, a monopolização da energia vinda das 
hidrelétricas traz uma insegurança energética. Portanto, seria 
interessante aplicar às políticas públicas a inovação tecnológica de 
obtenção energética, principalmente em relação à popularização da 
utilização das placas fotovoltaicas.
Em relação à energia eólica, obtida por meio da ação mecânica dos 
ventos, somente é possível utilizar esse tipo de matriz em áreas que 
contam com velocidade dos ventos suficientes para o modelo. Quanto 
à introdução do uso de biogás, deveria ser realizada a inovação 
tecnológica nos aterros sanitários para que seja possível utilizar a 
combustão para obtenção energética.
4.4 Construções sustentáveis e habitações sociais
O consumo exagerado e a falta de fontes alternativas apresentam 
um impedimento ao incremento do desenvolvimento econômico no 
país. Segundo a Figura 1, as edificações são responsáveis por 42% do 
59
consumo de energia elétrica brasileira. Esse consumo exagerado e a 
falta de fontes alternativas apresentam um impedimento ao incremento 
do desenvolvimento econômico no país.
Figura 1 – Estimativas de consumo energético brasileiro, 
considerando o tipo de consumidor final
Fonte: Lamberts, Dutra e Pereira (2004 apud ICLEI – BRASIL, 2011).
A maneira de corrigir esse problema seria incentivar o uso de outras 
matrizes energéticas, tais como a eólica, a nuclear, e o biogás, conforme 
citado. Porém, cita-se, ainda, a necessidade de promover e incentivar a 
construção sustentável.
A eficiência energética nas edificações é promovida quando há 
diminuição do uso de insumos, durante a construção, assim como 
diminuição do consumo de água e energia, durante a operação do 
empreendimento. Existem certificações passíveis de comprovar essa 
efetividade e sustentabilidade das construções. Segundo o WGBC, 
edifícios certificados podem economizar até 60% no consumo de água, 
85% em consumo de energia e 69% na destinação de resíduos (LEVINE et 
al., 2007 apud ICLEI-Brasil, 2011).
Um dos tipos de certificação relativosà sustentabilidade das construções 
trata-se do selo Acqua para edificações. A certificação AQUA-HQE é uma 
certificação internacional que define diversos parâmetros de qualidade 
acerca da concepção dos projetos, execução das obras e operação 
60
dos empreendimentos certificados. Existem diversas vantagens de 
se obter essa certificação, dentre estes, atribui valor agregado ao 
empreendimento, possibilita a utilização do marketing verde acerca do 
mesmo e ainda diminui o impacto sobre o meio ambiente.
Existe, ainda, a certificação apresentada pela World Green Building 
Council, denominada de certificação LEED (em inglês: Leadership in Energy 
and Environmental Design; em português: Liderança em Energia e Design 
Ambiental). Essa certificação é a mais aceita mundialmente e contém 
diversas gradações de efetividade, ou seja, categorias. Atualmente, essa 
certificação pode ser obtida em quatro tipologias: i.) Novas construções 
e grandes reformas; ii.) Escritórios comerciais e lojas de varejo; iii.) 
Empreendimentos existentes; e iv.) Bairros.
São analisados os parâmetros relativos à localização e transporte, 
espaço sustentável, eficiência do uso da água, energia e atmosfera, 
materiais e recursos utilizados, qualidade ambiental interna, inovação 
e processos, créditos de prioridade regional. Conforme a pontuação 
obtida pelo empreendimento nos parâmetros apresentados poderá ser 
LEED Platina, LEED Ouro, LEED Prata ou LEED, considerando as maiores 
pontuações para as menores, respectivamente.
De toda forma, há saídas construtivas para promover o 
reaproveitamento da água das chuvas em reservatórios para 
posterior utilização em fins de água de consumo com padrão de 
balneabilidade. Por exemplo, pode-se utilizar reservatórios suspensos, 
como caixas d’água, fazer um tratamento simples com tela para evitar 
queda de particulados, utilizar soluções com cal para destinar esse 
volume para jardinagem, água para sanitários e outros fins menos 
nobres. Considerando uma escala maior, em relação às cidades, 
há a possibilidade de acumulação das águas pluviais em bacias 
de contenção, fontes ou algo semelhante e utilização destas para 
jardinagem e manutenção das áreas públicas. A essa reutilização 
damos o nome de águas cinzas. Tal acondicionamento pode ser 
61
utilizado em muitos casos, somente sendo necessário prover 
isolamento dos reservatórios, para evitar vetores e contaminações, 
assim como prover um tratamento mínimo para que possua os índices 
de balneabilidade comprovados.
Com relação às habitações sociais são uma tentativa de reestabelecer 
a justiça socioambiental, melhorando a qualidade de vida das 
populações, visto que os países industriais tardios, nos quais o Brasil 
se enquadra, tiveram suas populações concentradas nos centros 
urbano-industriais.
Essa situação gerou loteamentos precários nas áreas centrais, 
consequente expulsão de grande parte da força de trabalho para áreas 
mais periféricas em razão da especulação imobiliária e o surgimento de 
loteamentos ou ocupações irregulares do espaço urbano. Explicando 
melhor, as invasões são uma tentativa da população economicamente 
mais fragilizada de se instalar em ocupações precárias, por não possuir 
renda suficiente para se deslocar por meio do transporte público 
ou temer perder as poucas oportunidades de emprego e renda se 
deslocando para áreas mais distantes.
Dessa forma, as ocupações irregulares têm ocorrido tanto em áreas 
de propriedade pública quanto privadas. Inclusive, uma tendência 
percebida em grandes metrópoles, tem sido a ocupação irregular para 
moradia de áreas de preservação ou unidades de conservação. Tal 
fato se explica pela proximidade das áreas centrais que os parques 
apresentam, a dificuldade do poder público de fiscalizar ostensivamente 
essas áreas naturais e a especulação imobiliária das áreas consideradas 
mais próximas dos centros geradores de emprego e renda.
Por fim, cabe ressaltar que o adensamento crítico das áreas centrais 
e intermediárias apresenta uma verticalização dos bairros, ou seja, 
a implantação de grandes edifícios em substituição aos loteamentos 
horizontais, casas e condomínios com casas.
62
Atento a essa realidade e tentando promover mais justiça social, o Poder 
Público tem priorizado a implantação de habitações sociais, ou seja, 
instalações de residências de baixa ou média renda para priorizar que 
essa população seja atendida e evite se alocar em ocupações irregulares. 
Cabe ressaltar, porém, que a ocupação para essa população ainda 
é em áreas intermediárias a periféricas, tendendo a implantação de 
condomínios verticais.
Do ponto de vista ambiental, essa saída é viável ao passo que evita 
instalação de condomínios ou loteamentos irregulares, os quais não 
contarão com infraestrutura urbana ideal e, consequentemente, 
ocasionariam mais impacto ambiental. Destaca-se, ainda, que o 
ordenamento territorial urbano será mantido conforme o planejamento 
ambiental urbano instituído pelo Poder Público. Os investidores que 
possibilitam a implantação desses loteamentos geralmente tratam-
se de agentes particulares que são pagos pelo Governo Federal para 
disponibilizar essas unidades habitacionais com subsídio para os 
compradores.
As vantagens são imensas para o governo e para a população, visto 
que as condições de pagamento são subsidiadas e mais acessíveis 
à população de baixa renda. Além disso, as condições sanitárias e 
viárias desses empreendimentos costumam estar de acordo com 
as normas vigentes, ocasionando, maior qualidade de vida para os 
moradores, assim como menor impacto ambiental em decorrência da 
ocupação. Além disso, são disponibilizadas redes de comunicação e 
eletricidade.
É necessário pontuar que uma falha comum desses parcelamentos é 
que os serviços de transporte viário costumam ser ineficientes, no caso 
de parcelamentos horizontais, ou seja, condomínios. É comum estes 
se situarem mais distantes dos centros urbanos e ter deficiência nesse 
quesito.
63
Outra situação bastante frequente nas cidades brasileiras é a priorização 
dos espaços centrais por empreendimentos comerciais, institucionais 
e centros de compra, denominados comumente por shopping 
centers. Essa ocupação diminui a efetividade dos espaços urbanos e 
desconsidera a vinculação da cidade ao seu caráter social de utilização.
4.5 Implantação de aterros sanitários
A questão relacionada à destinação dos resíduos sólidos urbanos 
é bastante grave nos municípios brasileiros, sendo emergente sua 
resolução. Tal fato se deve à poluição histórica atribuída aos lixões, tanto 
dos lençóis freáticos quanto do solo e do ar.
A Lei nº 12.305/10 (BRASIL, 2010) que instituiu a Política Nacional dos 
Resíduos Sólidos aponta diversas alternativas mais acertadas para 
destinação dos resíduos urbanos. Ao mesmo tempo, apresenta metas 
de implantação para os estados brasileiros. Por exemplo, esta legislação 
instituiu o aproveitamento do biogás para consumo energético. 
Especificando melhor, essa técnica consiste em utilizar os gases 
resultantes da decomposição da matéria orgânica do resíduo doméstico 
na queima e, consequente, na geração de energia. Isso é formidável, 
porém, precisa haver a implantação técnica de aterros sanitários em 
substituição aos lixões, os quais são a imensa maioria das instalações de 
disposição dos resíduos urbanos brasileiros.
Outras técnicas aplicáveis aos resíduos urbanos tratam-se da reciclagem, 
reutilização, reaproveitamento, logística reversa e tantas outras. Tais 
medidas fariam com que os resíduos fossem drasticamente reduzidos, 
visto que somente sobrariam aquilo que não pode ser transformado em 
emprego e renda.
Citamos a geração de emprego e renda, pois é necessário empregar 
pessoas nessas atividades de eficiência da destinação do resíduo. De 
certa forma, ainda podem ser atingidas e capacitadas diversas pessoas 
64
com menor renda, que atualmente trabalham de forma irregular 
coletando resíduos nos lixões. Dessa maneira, haveria a formalização, 
capacitaçãoe melhoria da qualidade de vida dessas populações.
Para tanto, utilizam-se grandes áreas denominadas ATT (Áreas de 
Transbordo e Triagem) de resíduos. O processo pode ser automatizado, 
diminuindo sua insalubridade e gerando mais segurança ambiental.
A destinação dos resíduos perigosos é um fator que deve ser 
pontuado, os quais devem ter destinação correta e certificada por 
empresas especializadas. Esses resíduos são os pneus, óleos e graxas, 
medicamentos, baterias e pilhas, solventes e tantos outros resíduos 
tóxicos e altamente poluentes. Atualmente, grande parte deles tem 
ido para os lixões e ocasionado poluição do solo e água por metais 
pesados. Esses metais pesados não possuem tratamento possível, e são 
responsáveis pelo surgimento de doenças neurológicas, câncer e outras 
consequências graves para a saúde pública e para todo o ecossistema.
5. Estudos de caso no Brasil e no mundo
Alguns exemplos de cidades sustentáveis são apresentados no 
Brasil e no mundo, demonstrando que é possível modificar o tipo de 
urbanização visando qualidade de vida e ambiental.
A cidade de Essen, na Alemanha, foi intitulada a Capital Verde da 
Europa no ano de 2017. Esse título foi concedido em razão das políticas 
públicas de revitalização urbana, mobilidade urbana, intensificação 
do uso de energias alternativas e da proteção climática. A cidade que 
historicamente era classificada como uma cidade industrial, migrou para 
um exemplo de cidade sustentável.
Considerando as premissas de sustentabilidade, a cidade de Curitiba 
(PR) é nacionalmente reconhecida como a cidade mais sustentável. 
65
O destaque dessa cidade se deve aos investimentos históricos em 
sustentabilidade e preservação ambiental, além dos investimentos 
massivos durante as primeiras décadas dos anos 2000 em inclusão de 
novos modais.
Londrina (PR) é outra cidade que conta com práticas de sustentabilidade, 
porém nessa localidade, o destaque é dado para a destinação dos 
resíduos sólidos. João Pessoa (PB) também é citada como uma cidade 
que pratica a sustentabilidade, pois foi a primeira do Brasil a investir 
nisso.
Em 2019, foi lançado o primeiro mapa denominado Cidades Sustentáveis 
do Brasil, com o objetivo de promover as iniciativas, associações e entes 
atuantes na questão da sustentabilidade das cidades. Todos os estados 
foram representados nos mapas, com exceção do Rio Grande do Norte 
e do Piauí, totalizando 681 organizações de impacto para a temática. 
Foram avaliadas 4.500 iniciativas (FOLHA DE SÃO PAULO, 2019).
Referências Bibliográficas
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Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras 
providências. Disponível em: http://www2.mma.gov.br/port/conama/legiabre.
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fgveurope.fgv.br/sites/fgveurope.fgv.br/files/downloads/caderno_cidades_
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FOLHA DE SÃO PAULO. Primeiro mapa Cidades Sustentáveis do país reúne 681 
organizações de impacto. Folha de São Paulo, São Paulo, 21 de outubro de 2019. 
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/2019/10/
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Construções Sustentáveis. MACEDO, Laura V. de; FREITAS, Paula G. 1. ed. São Paulo, 
2011.
http://www2.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=636
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66
LEVINE, M. et al. Residential and commercial buildings. In: Climate Change 2007: 
Mitigation. Contribution of Working Group III to the Fourth Assessment Report 
of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge University Press, 
Cambridge, Reino Unido e Nova Iorque, NY, USA, 2007.
BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Regional. Sustentabilidade urbana: 
impactos do desenvolvimento econômico e suas consequências sobre o processo 
de urbanização em países emergentes (Textos para as discussões da Rio +20). 
Brasília, v. 1 a 3, 2015.
ONU. Organização das Nações Unidas. World population prospects: the 2006 
revision. Disponível em: https://population.un.org/wpp/. Acesso em: 9 mar. de 2020.
PANARO, Rapahel. Salão de Frankfurt 2019: o que achamos da maior feira de carros 
do mundo. Revista Auto Esporte, Frankfurt, 15 de setembro de2019. Disponível 
em: https://revistaautoesporte.globo.com/Noticias/noticia/2019/09/salao-de-
frankfurt-2019-o-que-achamos-da-maior-feira-de-carros-do-mundo.html. Acesso 
em: 9 mar. 2020.
WWF BRASIL. Pegada ecológica. WWF Brasil, [s.l.], [s.d.]. Disponível em: https://
www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/pegada_brasileira. 
Acesso em: 9 mar. 2020. 
https://population.un.org/wpp/
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https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/pegada_brasileira
https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/pegada_brasileira
67
BONS ESTUDOS!
	Sumário
	A questão ambiental e os paradigmas contrastantes 
	Objetivos
	1. A cidade enquanto espaço de construção social
	2. O processo de urbanização brasileiro e o surgimento das grandes metrópoles
	3. Direitos essenciais do cidadão e instrumentos legais urbanísticos
	4. Questões ambientais versus desenvolvimento regional urbano
	5. Considerações finais
	Referências Bibliográficas
	Etapas, estruturas e instrumentos da gestão e planejamento ambiental urbano
	Objetivos
	1. Os preceitos de planejamento ambiental urbano
	2. Especificidades do planejamento ambiental urbano
	3. Etapas do planejamento ambiental urbano
	4. Estatuto das cidades e instrumentos de gestão do território
	5. Planos diretores
	6. Zoneamento ecológico econômico (ZEE)
	7. Gestão de bacias hidrográficas
	Referências Bibliográficas
	Indicadores ambientais, planejamento e políticas públicas
	Objetivos
	1. Indicadores ambientais relacionados ao planejamento ambiental urbano
	2. Políticas públicas urbanas
	3. Considerações finais
	Referências Bibliográficas
	Cidades inteligentes e sustentáveis no Brasil e no mundo 
	Objetivos
	1. Introdução
	2. Conceito de pegada ecológica
	3. O que são cidades sustentáveis e as cidades inteligentes?
	4. Perspectiva de mudança dos processos urbanos
	5. Estudos de caso no Brasil e no mundo
	Referências Bibliográficascomo as favelas, áreas de grilagem de terras e tantas 
outras situações que evidenciam um processo de urbanização 
deficiente em diversas cidades brasileiras. Dessa forma, o Estado 
tão centralizador não tem condições reais de possibilitar o 
desenvolvimento ideal da cidade e da cidadania, tende a não planejar 
os espaços para todas as classes sociais e não tem levado em 
consideração a questão ambiental no ordenamento territorial (RECH; 
MARTIM; AUGUSTIN, 2015).
9
No Brasil, as regiões metropolitanas são vistas como centros de 
demandas sociais, especialmente quanto à moradia, transporte, 
saneamento e exigem grandes investimentos em infraestrutura (DE 
UGALDE, 2013).
3. Direitos essenciais do cidadão e 
instrumentos legais urbanísticos
Considerando-se a Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, 
todos os cidadãos brasileiros têm direito à moradia, à igualdade e à 
propriedade. Segundo esse extrato da Carta Magna, todos são iguais 
perante a lei e tem o direito de obter condições ideais de moradia, 
qualidade ambiental, igualdade social e diversos outros direitos 
considerados fundamentais para qualquer cidadão residente no Brasil, 
mesmo que tenham nascido ou não em nosso território (BRASIL, 1988). 
Contudo, a realidade das cidades brasileiras é bem diversa daquilo que 
rege a Constituição Federal.
No intuito de possibilitar melhores condições de urbanização e 
ordenamento do território, institui-se o Estatuto das Cidades. Esse 
conjunto de normas e leis urbanísticas pretende orientar as normas 
de uma cidade planejada, com viés de Direito Urbanístico. Além 
desse instrumento, existem ainda os Planos Diretores e demais leis 
municipais, os Códigos de postura e o Código de obras.
Os direitos fundamentais estão expressos na Constituição Federal, no 
entanto, não são garantidos, pois dependem de políticas públicas que 
estejam de encontro com as populações majoritárias de seu território. 
Para tanto, o Estado precisa ser mais eficiente, mais rápido e menos 
oneroso (RECH & RECH, 2016).
10
4. Questões ambientais versus desenvolvimento 
regional urbano
4.1 Tipos de ecossistemas
De forma conceitual serão apresentados todos os tipos de ocupação 
humana possíveis, quais sejam: (i) o ecossistema urbano; (ii) o 
ecossistema rural; e o (iii) ecossistema primitivo.
O ecossistema urbano é aquele em que as alterações do meio 
ambiente são as mais significativas, pois apresenta alta densidade 
demográfica, relação desproporcional entre o ambiente construído e 
o ambiente natural. Há, também, extensa alteração da biodiversidade 
biológica nativa, com a retirada histórica das florestas e a importação 
de espécies da flora e da fauna. Cabe ainda ressaltar, a constante 
impermeabilização do território, ou seja, a existência de vias 
pavimentadas diminuindo a infiltração da água pelo solo.
No ecossistema rural, o conjunto de atividades agropecuárias é 
responsável pela geração de mudanças bastante significativas no 
ambiente. Esse fato se deve à vocação para produção de alimentos e à 
criação de animais do território, assim como a inserção de defensivos 
agrícolas e de insumos energéticos, como fertilizantes, os quais 
modificam as características iniciais do solo.
Já o ecossistema primitivo é aquele em que o conjunto de ações 
antrópicas exerce pequena ou nenhuma interferência no meio ambiente. 
Isso ocorre principalmente pelo fato de que a ocupação humana nessas 
áreas é ínfima em relação à totalidade da área ou até mesmo possui baixa 
possibilidade de causar impacto ou alteração do ambiente.
A legislação brasileira, por meio da Lei da Política Nacional do Meio 
Ambiente considera degradação ambiental como “alteração adversa das 
características do meio ambiente” (BRASIL, 1998, art. 3°, inciso II).
11
4.2 Processos de ocupação humana e diminuição da 
qualidade ambiental
O processo de ocupação do território é extremamente complexo e 
rápido, considerando-se o crescimento populacional e as dinâmicas 
de utilização do solo. Portanto, conforme apresentado por Duarte 
(2012), é dever do planejamento urbano prever essas modificações: 
considerando-se que as mudanças concretas na cidade podem alterar as 
relações econômicas, sociais e culturais, cabe ao planejamento urbano 
antever essas modificações na organização espacial da cidade.
O urbanismo de uma cidade é o conceito mais amplo com relação 
às modificações, ordenamentos e não se trata de uma área isolada 
ou específica do conhecimento, abarcando assim todas as ciências e 
procedimentos relacionados à ocupação urbana e territorial. Conforme 
Wilheim (1979), o objetivo do urbanismo é analisar criticamente a 
realidade apresentada no espaço urbano, propondo e idealizando 
estratégias de mudança, propiciando a melhoria contínua da cidade.
Observa-se, historicamente, a preocupação humana em obter a 
ocupação desordenada do espaço, a qual gerou diversos males e 
dificuldades ao planejamento territorial.
O pensamento antropocêntrico, ou seja, aquele que considera o ser 
humano o principal detentor do poder e o foco principal de todas as 
decisões é considerado a fonte das atitudes históricas de degradação 
ambiental das cidades. A tal fato, alia-se a falta de conhecimento técnico 
quanto aos males que a ocupação desordenada poderia causar. Por 
muito tempo, essa ocupação não apresentou deficiências ou problemas 
ambientais. No entanto, atualmente, as consequências dessa prática 
têm aparecido nas maiores cidades brasileiras.
A impermeabilização excessiva do solo, como consequência da 
implantação de vias de circulação viária com asfalto e piso impermeável, 
12
aliado ao baixo índice de áreas verdes urbanas e a ocupação das áreas 
alagáveis dos recursos hídricos aumentam a ocorrência de pontos de 
alagamento e enchentes.
A questão da poluição atmosférica ocasionada pelo aumento do 
quantitativo de veículos, fábricas e outros pontos de emissão de gases é 
responsável pela diminuição da qualidade de vida da população urbana. 
Aliado a isso, há a formação de “ilhas de calor” devido à diminuição da 
circulação atmosférica e da dificuldade de dispersão da temperatura dos 
centros urbanos ocasionada pela poluição do ar. A Tabela 1 apresenta 
a comparação entre o ecossistema urbano e o ecossistema rural, em 
relação às mudanças de clima.
Tabela 1 – Média das mudanças climáticas locais observadas nos 
espaços urbanos em relação à área rural
Indicador de mudança
Média das mudanças climáticas 
locais observadas nos espaços 
urbanos em relação à área rural
Material particulado. 10 vezes maior.
Temperatura (média anual). 0,5 a 1,5 ºC maior.
Precipitação. 5 a15% maior.
Umidade relativa. 6% menor.
Velocidade dos ventos. 25% menor.
Fonte: Ehrlich (1997 apud PHILLIPPI JR, 2005).
Dessa forma, a Tabela 1 apresenta o impacto ambiental das ocupações 
humanas nas grandes cidades, quando comparadas aos ambientes 
menos urbanizados e, portanto, com menor interferência humana.
4.3 Políticas públicas urbanas e qualidade ambiental
Em razão do cenário de degradação das áreas urbanas, surgiu 
a necessidade de destinação correta dos esgotos, de captação 
e tratamento de água, da disposição correta dos resíduos e do 
13
direcionamento das águas da chuva, também chamado de drenagem 
pluvial. Essas obras de infraestrutura são denominadas de saneamento 
ambiental e são fundamentais para o correto planejamento urbano.
4.3.1 Saneamento ambiental
A implantação de estruturas relativas ao esgotamento sanitário, 
abastecimento de água, drenagem pluvial, coleta e destinação de 
resíduos sólidos e esgotamento sanitário são fundamentais para a 
manutenção da qualidade ambiental e são, em sua grande maioria, 
compostas pela iniciativa pública ou por consórcios entre empresas 
públicas e privadas.
Os consórcios públicos, como são chamadas as parcerias público 
privadas (PPP) destinadas à contemplar os serviços públicos de 
saneamento são instituídos pela Lei Ordinária nº 11107/2005.
A forma de estabelecer o consórcio público deverá seguir os seguintes 
passos:1. As entidades celebram um protocolo de intenções.
2. Esta documentação deverá ser submetida às casas legislativas 
da esfera em que se insere a política pública. Ou seja, caso 
seja realizado o consórcio público para coleta de resíduos em 
um município, este, obrigatoriamente, deverá ser submetido à 
aprovação da câmara legislativa do município.
3. Ser emitida uma autorização legislativa pela câmara referente, 
consolidando o contrato entre as empresas.
4. Cria-se uma associação para representar o consórcio público.
5. Elabora-se o Estatuto da associação e é submetido ao registro civil.
Porém, pode-se questionar por que há tantas etapas nesse processo. 
A resposta para tal questionamento é que este traz segurança 
jurídica para o Governo quanto à manutenção do serviço, assim 
14
como responsabilização do ente privado em caso de má gestão ou de 
interrupção dos serviços, sem causas justificáveis.
É importante ressaltar que há uma intrínseca relação entre a 
implantação das estruturas de saneamento e a manutenção da 
qualidade ambiental, porém, é ainda mais importante para a Saúde 
Pública. Ou seja, quanto melhor e mais eficiente for a política pública 
de saneamento em um determinado município, melhor será a saúde 
ambiental deste local.
Esclarecendo-se, diversas patologias e endemias são relacionadas à 
falta de saneamento ambiental. Por exemplo, o mosquito Aedes aegypti 
é o mosquito vetor da zika, chikungunya e febre amarela e dengue e 
tem sido considerado um vilão para a saúde pública brasileira e tem 
sido extensivamente combatido pelos agentes de saúde. No entanto, a 
principal motivação para sua proliferação são os locais com água parada 
ou resíduos. Dessa maneira, a correta destinação dos resíduos seria 
uma das principais formas preventivas de evitar esse vetor. Há ainda 
a relação entre a falta de esgotamento sanitário ou de tratamento dos 
esgotos que ocasiona.
4.3.2 Transportes
A correlação entre a qualidade ambiental e da política pública de 
transportes é relacionada à diminuição do uso dos modais mais nocivos 
ao ambiente e, também, da integração entre diversos modais.
Especificando melhor, por exemplo, um município que possui uma 
infraestrutura deficitária, ou seja, que não consegue suprir a demanda 
da população com relação à qualidade dos serviços, estrutura viária 
ou até mesmo quantidade de frota de transporte público suficiente, 
haverá uma demanda muito maior pelo uso dos automóveis para o 
deslocamento populacional.
15
Assim como a especulação imobiliária pode intensificar o 
comportamento dos deslocamentos, o processo se dá da seguinte 
maneira: a população de menor renda é impulsionada à residir em áreas 
mais distantes dos centros geradores de renda, pois o valor imobiliário é 
menor. De forma indireta, o trajeto demandado por essa população, que 
será maioria, será realizado por transporte público ou por transporte 
individual.
Pode-se dizer, então, que a especulação imobiliária traz maior pressão 
sobre os modais de transporte, pois aumentam a sua demanda e 
público.
Com relação aos modais, o mais abundante no Brasil é o transporte 
viário, denominado o que é realizado por meio da circulação de veículos 
pelas estradas e vias. Esse modal é impactante à qualidade ambiental, 
pois produz muitos poluentes atmosféricos em razão da queima dos 
combustíveis fósseis.
Portanto, as diversas políticas públicas se inter-relacionam e interferem 
entre si. Caso ocorra inclusão de modais mais sustentáveis, tais como 
o metroviário e o cicloviários, no caso das menores distâncias, haverá 
um ganho ambiental maior do que a expansão das vias para absorver a 
demanda crescente gerada pelos veículos automotores.
Assim como a integração entre diversos sistemas de transporte pode 
ocasionar maior sustentabilidade, pode-se citar, ainda, a prerrogativa 
de estímulo dos agentes públicos pela troca de combustíveis fósseis por 
outros menos degradantes da qualidade ambiental. Tais tratativas serão 
tratadas no próximo tópico, Energia elétrica e fontes alternativas de energia.
Ressalta-se que há diversos níveis de planejamento quanto à 
modificação ou melhoria dos sistemas de transporte de uma localidade, 
quais sejam nível estratégico, nível tático e nível operacional. O Quadro 1 
apresenta as peculiaridades de cada um dos níveis apresentados:
16
Quadro 1 – Exemplos de estratégias de planejamento ou melhoria 
de um modal, considerando-se os três níveis de planejamento
Nível estratégico Nível tático Nível operacional
Planejamento de novas vias. Projetos geométricos. Avaliação do estado da área 
controlada (volumes, tempos 
de viagens, condições 
climáticas, entre outros).
Modificações a longo prazo 
no sistema existente.
Projetos de sinalização. Informações aos usuários 
(velocidades, tempos de 
viagem, guia de rotas etc.).
Análise de investimentos 
nos sistemas de 
transportes públicos.
Projetos de controle 
eletrônico do tráfico. 
Configuração do uso 
das faixas de tráfego.
Definição da área de 
influência dos polos 
geradores de tráfego.
Definição espacial de 
subáreas de controle 
do tráfego.
Aplicação de dispositivos 
de controle de tráfego.
Fonte: Pereira (2005 apud CAMPOS, 2013).
O nível de planejamento compreende o ordenamento das áreas e vias 
a serem implementadas ou melhoradas, verificação de investimentos 
necessários e simulações de redes de tráfego. Com relação ao nível 
tático, trata-se da implantação da integração.
4.3.3 Energia elétrica e fontes alternativas de energia
Aliado à necessidade de melhoria das cidades brasileiras, há ainda a 
questão do aumento da demanda por energia. É muito importante que 
ocorra a eficiência governamental nesse quesito, visto que a distribuição 
de energia é primordial para a manutenção dos processos produtivos e 
da habitação das populações.
A matriz energética mais utilizada no Brasil trata-se da energia elétrica, 
porém há outras formas que têm sido extensivamente implementadas. 
São elas, a energia eólica (movida pelos ventos), energia solar (obtida por 
captação solar utilizando-se placas fotovoltáicas que absorvem os raios 
17
solares), energia nuclear (obtida pela quebra de isótopos radioativos), 
biogás (obtido por meio da queima de matéria orgânica).
4.3.4 Meios de comunicação e redes de telefonia
Contemporaneamente, surgiu ainda a necessidade de provimento de 
comunicação por meio das redes de telefonia e internet, sem as quais as 
cidades não existem.
As melhorias apresentadas no Brasil com relação aos sistemas de 
comunicação foram possíveis somente nas últimas duas décadas. Elas 
passam por modificações estruturais muito rápidas, de acordo com a 
demanda apresentada pelo mercado. Ressalta-se que todas as empresas 
responsáveis por esse tipo de implantação são privadas e, portanto, 
estão sendo regidas pelo capital e pela livre concorrência.
5. Considerações finais
Contudo, de nada adiantará a sociedade humana prosseguir em 
sua evolução tecnológica sem que haja qualidade de vida para seus 
habitantes. E, para tanto, somente poderá haver a proteção ambiental, 
visto que a sociedade não é parte isolada do habitat urbano, mas está 
contida nele e depende dele para as suas necessidades básicas de 
subsistência (RECH & RECH, 2016).
Referências Bibliográficas
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado 
Federal: Centro Gráfico, 1988.
BRASIL. Lei nº 6938 de 1981: Política Nacional de Meio Ambiente. 1981. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6938.htm. Acesso em: 1 mar. 2020.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6938.htm
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CAMPOS, V. B. G. Planejamento de transportes: conceitos e modelos. Rio de 
Janeiro: Interciência, 2013.
DE UGALDE, C. M. Movimento e hierarquia espacial na conurbação: o caso da 
Região Metropolitana de Porto Alegre. Porto Alegre, 2013.
DUARTE, F. Planejamento urbano. Curitiba: Intersaberes, 2012.
MUMFORD, L. A cidade na história. 4. ed. São Paulo: M. Martins Fontes, 1998.
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Sul: Educs, 2015.
RECH, A. U.; RECH, A. Cidade sustentável: direito urbanístico e ambiental–
instrumentos de planejamento. Caxias do Sul: Educs, 2016.
WILHEIM, J. Metropolizacion y medio ambiente. Chile, 1979.
19
Etapas, estruturas e instrumentos 
da gestão e planejamento 
ambiental urbano
Autoria: Ana Beatriz Ulhoa Cobalchini
Leitura crítica: Cristiane Ronchi de Oliveira
Objetivos
• Compreender o que é e como se dá o planejamento 
ambiental urbano.
• Compreender as etapas de planejamento ambiental 
urbano de um território.
• Assimilar os instrumentos de gestão do território, 
sabendo diferenciá-los entre si e contextualizar sua 
aplicação na prática.
20
1. Os preceitos de planejamento ambiental 
urbano
O processo de planejar o ambiente urbano é complexo e repleto 
de nuances, visto que deve incluir as capacidades do ambiente, as 
demandas por ocupação do solo trazidas pela sociedade, e ainda 
aspectos técnicos para a otimização dos atributos físicos de um 
território. Portanto, deve-se inferir desde o início, que o planejamento 
ambiental urbano é alcançado por meio da união de diversas áreas 
científicas e tecnológicas. Cabe citar que este planejamento, segundo 
Duarte (2012), visa atender às premissas da Engenharia, Arquitetura 
e Urbanismo, Direito, Administração e diversos outros seguimentos 
técnicos que intervém nesse processo.
Duarte (2012) conceitua, primeiramente, o planejamento, de forma 
geral, como o conjunto de medidas tomadas para serem atingidos os 
objetivos desejados, tendo em vista os recursos disponíveis e os fatores 
externos que podem influir nesse processo.
O fim desejado para o planejamento ambiental urbano, portanto, é 
atingir as demandas da sociedade com vistas ao melhor aproveitamento 
das características físicas e espaciais do território urbano, de modo a 
atender a maior parte da população possível com o pleno exercício das 
funções social, econômica, ambiental, entre outras.
O planejamento urbano moderno, tal qual se apresenta em nosso 
país, é resultante de diversas modificações históricas, as quais não 
cabe informar didaticamente nesse momento. No entanto, pode-se 
ressaltar que após a ocorrência da chamada Reforma Urbana, a qual 
tem sua principal representação na criação do Estatuto das Cidades, o 
principal enfoque do urbanismo foi prover atendimento às demandas 
ocupacionais da população de forma alheia, tanto quanto possível, às 
especulações imobiliárias (PEREIRA et al., 2013).
21
2. Especificidades do planejamento ambiental 
urbano
O planejamento ambiental urbano deverá levar em conta a 
caracterização do meio ambiente, as restrições ambientais presentes 
no território, como a existência de unidades de conservação e áreas de 
tombamento do patrimônio, entre outras restrições.
Ressalta-se, ainda, que o planejamento ambiental pretende apresentar 
melhorias econômicas e territoriais, potencializando a utilização 
sustentável do território. Por fim, pretende-se obter ou manter a 
qualidade ambiental preexistente na localidade, ao mesmo tempo que 
as demandas populacionais são atendidas.
Com vistas a alcançar o resultado pretendido pelas políticas públicas 
municipais ou regionais, principalmente nos quesitos de infraestrutura 
(transporte e mobilidade urbana, saneamento ambiental, moradia e 
uso potencial do solo urbano, entre outros). Dessa forma, os gestores 
instituem políticas urbanísticas e ambientais que façam uso desses 
preceitos.
Quando se fala de planejamento urbano e ambiental, há diversos 
documentos norteadores acerca da restrição quanto à ocupação das 
áreas urbanas assim como definições de políticas públicas visando a 
sustentabilidade ambiental das cidades. Podem ser citados os Planos 
Diretores, o zoneamento ecológico econômico (ZEE), as leis de uso 
e ocupação do solo, as leis urbanísticas e as políticas de gestão dos 
recursos hídricos.
Em caso de potencialização das cidades com viés turístico, por exemplo, 
o planejamento urbano deverá priorizar a manutenção das áreas 
comunitárias, de monumentos ambientais ou urbanos, assim como 
22
incentivar essa área econômica em detrimento de outras. Em caso de 
cidades voltadas à agropecuária, o ZEE dará prioridade para a ocupação 
das áreas para implementação de lavouras e outros empreendimentos 
dessa natureza, em detrimento de outras ocupações econômicas do 
território.
A escala atribuída ao planejamento ambiental urbano, poderá ser 
subdividida em escala espacial e temporal. A escala espacial pode 
ser categorizada em escala setorial, municipal ou regional. Na escala 
setorial, as áreas de interesse comportam bairros, enquanto na escala 
municipal, todo o município deverá ser contemplado. E, por último, na 
escala regional, uma determinada região intermunicipal ou megalópole 
deverá ser considerada.
A escala regional é a mais incomum, no entanto, pode-se citar o exemplo 
do Distrito Federal. Por possuir características administrativas de 
município e estado ao mesmo tempo, as políticas urbanísticas do Distrito 
Federal são realizadas considerando toda a extensão do território e não 
somente cada unidade municipal, denominadas de cidades satélite ou 
regiões administrativas.
A escala espacial também pode ser classificada como micro, macro e 
mega-escala conforme o autor ou pesquisador. De modo geral, a escala 
espacial adotada pode ser diferente em cada estudo, no entanto, é 
necessário bom senso da equipe para sua escolha, e que estas auxiliam 
na execução do trabalho e na tomada de decisão.
A escala temporal visa analisar a situação da área de estudo no presente, 
passado e futuro; utilizando a proposição de cenários para interpretar 
os diferentes momentos, problemas sociourbanos e visões individuais. A 
construção de cenários no planejamento, como descreve Santos (2004), 
23
auxilia na visão do espaço, tempo e o meio, induzindo a uma maior 
compreensão dos problemas prioritários e a proposição de soluções 
comuns. No Distrito Federal, por exemplo, existem os planos diretores 
de cada região administrativa, mas foi instituído o Plano Diretor de 
Ordenamento Territorial, instituído pela Lei Complementar nº 803 de 
25 de abril de 2009, com alterações decorrentes da Lei Complementar 
nº 854 de 15 de outubro de 2012 (DISTRITO FEDERAL, 2020). Neste 
instrumento legal são direcionadas as atividades econômicas permitidas, 
considerando-se as restrições ambientais e legais pretéritas do território 
do Distrito Federal.
De toda forma, os instrumentos de ordenamento territorial serão 
melhor explicados posteriormente, em um item próprio.
3. Etapas do planejamento ambiental urbano
Segundo Santos (2004), planejamento é:
Um processo contínuo que envolve a coleta, organização e análises 
sistematizadas das informações, por meio de procedimentos e métodos, 
para chegar a decisões ou a escolhas acerca das melhores alternativas 
para o aproveitamento dos recursos disponíveis. (SANTOS, 2004, p. 24)
O planejamento ambiental urbano é realizado em etapas, dada a sua 
complexidade e conflito de interesses, já informadas anteriormente.
Segundo Duarte (2012), o planejamento ambiental urbano ocorre 
em quatro etapas: diagnóstico, prognóstico, propostas e 
implementação. De forma a consolidar o entendimento acerca das 
etapas, segue a Figura 1 demonstrando o fluxograma das etapas 
referidas:
24
Figura 1 – Fluxograma das etapas de planejamento ambiental 
urbano
Fonte: elaborada pelo autor.
O diagnóstico de um território, compreende a composição do cenário 
existente, considerando-se os dados disponíveis ou que possam ser 
coletados acerca da cidade e munícipes. Cabe exemplificar aqui o perfil 
populacional, a geomorfologia e relevo da região, áreas de risco de 
desabamento e deslizamento,mobiliário urbano, paisagismo, áreas 
de proteção ambiental, entre muitos outros levantamentos possíveis 
de uma determinada localidade. À junção destes levantamentos, 
deve compor um relatório unificado denominado inventário, e tais 
25
informações ajudarão no desenvolvimento do planejamento ambiental-
urbano.
A etapa de diagnóstico deverá ser correlata aos objetivos e metas que 
se pretende alcançar, do ponto de vista de planejamento. Por exemplo, 
caso um gestor pretenda ampliar as vias de uma cidade, será necessário 
diagnosticar a quantidade já existente, os tipos de vias e rodovias que 
servem ao município, as vias não pavimentadas e as asfaltadas, as 
áreas passíveis de implantação de novas vias, as áreas de preservação e 
unidades de conservação que circundam tais áreas etc. Dessa maneira, 
o diagnóstico necessita ser muito bem elaborado para que as demais 
etapas sejam frutíferas, visto que é a base das demais.
Cabe ressaltar que a etapa de diagnóstico ambiental deverá seguir 
a mesma escala espacial estabelecida nas metas e objetivos iniciais 
do planejamento ambiental urbano. Portanto, caso a escala do 
planejamento seja setorial, deverão ser inventariadas as informações 
prévias urbanísticas do bairro a ser planejado ou adequado. Em caso de 
políticas públicas de planejamento local, deverão ser consideradas as 
informações obtidas em nível municipal.
Considerando-se a escala de trabalho regional, deverão ser 
inventariadas todas as informações de interesse nos municípios que 
serão contemplados pelo planejamento ambiental urbano pretendido.
A etapa de prognóstico apresenta as possibilidades de crescimento 
em determinadas áreas visando à composição de um cenário futuro. 
Ressalta-se, no entanto, que esse embasamento deva ser realizado 
de maneira técnica, considerando-se indicadores de crescimento 
comprovados ou aceitos pela comunidade técnica e científica, de acordo 
com Duarte (2012).
Visto que a cidade é compreendida como um organismo vivo que 
evolui, e que possui uma dinâmica de crescimento e evolução própria, 
26
essa etapa é de suma importância para o estabelecimento de políticas 
públicas voltadas ao planejamento ambiental urbano. Faz-se necessário 
considerar as potencialidades relativas ao desenvolvimento urbano 
em todas as esferas, com vistas a subsidiar tomadas de decisão mais 
acertadas pelos gestores públicos e que sejam mais sustentáveis, tanto 
quanto duráveis.
A próxima etapa trata-se da elaboração de propostas, que 
compreendem a possibilidade de melhoria ou potencialização do 
planejamento ambiental urbano considerando-se o prognóstico 
apresentado previamente. Nessa etapa, são apresentadas propostas de 
conformações espaciais, implantações e políticas públicas urbanísticas 
considerando-se o que a cidade poderá tornar-se. Não obstante, as 
propostas deverão ser baseadas em como a cidade se apresenta e como 
se presume que ela será, ou seja, fazendo uma compilação entre as 
etapas de diagnóstico e prognóstico.
Quanto à etapa de implementação, esta se refere à execução das 
propostas consideradas mais acertadas para o planejamento ambiental 
urbano, conforme a tomada de decisão dos gestores. Todas as 
intervenções urbanísticas serão propostas baseado nessa escolha, ou 
seja, capacidade demográfica, capacidades urbanísticas, implantação de 
saneamento e tantas outras situações aderentes ao urbanismo serão 
sempre baseadas nas propostas escolhidas.
A etapa de implementação não contempla somente a realização de 
obras de melhoria, definição de políticas públicas relativas ao território, 
mas também a manutenção da qualidade ambiental e urbanísticas 
dos setores da cidade. Erroneamente, muitos gestores públicos não 
consideram a mesma importância na manutenção dos espaços públicos, 
gerando áreas abandonadas ou sem revitalização, o que é um equívoco. 
A cidade sempre evolui e cresce, e é de suma importância que a maior 
parte dos espaços possíveis, mantendo sua função social e econômica.
27
Por fim, é importante ressaltar que as atividades de planejamento 
ambiental urbano são previstas pelo Poder Público, assim como 
este também realiza a fiscalização da ocupação do território. 
Consequentemente, prioriza-se contemplar as propostas nas leis 
orçamentárias do município ou Estado e, assim, esses projetos devem 
levar em conta a viabilidade econômica financeira para sua implantação.
4. Estatuto das cidades e instrumentos de 
gestão do território
Os instrumentos da política urbana e suas principais diretrizes foram 
instituídas na Lei nº 10.257 de 10 de julho de 2001, a conhecidamente 
denominada Estatuto das Cidades. De acordo com essa legislação, 
o objetivo principal da política urbana brasileira é ordenar o pleno 
desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade 
urbana. Segundo a legislação, o ordenamento territorial deverá regular o 
uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança e do 
bem-estar dos cidadãos, objetivando o equilíbrio ambiental.
O Estatuto das Cidades prevê a realização de diversas regulamentações 
realizadas pelo Poder Público, a nível municipal, voltados à atender 
às demandas urbanas, são eles: (i) Plano Diretor; (ii) Lei de uso e da 
ocupação do solo; (iii) Zoneamento ambiental; (iv) Plano plurianual; (v) 
Diretrizes orçamentárias e orçamento anual; (vi) Gestão orçamentária 
participativa; (vii) Planos, programas e projetos setoriais (BRASIL, 2008).
Na Lei nº 10.257 de 10 de julho de 2001, de forma a possibilitar a 
atuação governamental sobre o território, é delimitada a possibilidade 
de instituição de tributos relacionados ao uso do espaço urbano, os 
quais deverão ser convertidos em serviços públicos para a população 
das cidades. Em seu art. 4, inciso IV (BRASIL, 2001), são definidos os 
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institutos tributários e financeiros. Para o efeito desta lei, temos os 
institutos tributários e financeiros, entre eles a implementação do 
imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (IPTU).
Outras intervenções importantes para a atuação do poder do Estado na 
cidade são apresentadas por essa legislação, principalmente em relação 
às intervenções de fiscalização e repressão em caso de irregularidade 
do uso e ocupação do solo. Ressalta-se, nesse caso, (i) a desapropriação; 
(ii) o tombamento de imóveis ou de mobiliário urbano; (iii) usucapião 
especial de imóvel urbano; (iv) a instituição de unidades de conservação; 
(v) operações urbanas consorciadas; (vi) parcelamento, edificação ou 
utilização compulsórios; e (vi) regularização fundiária (BRASIL, 2001).
Desapropriação consiste na retomada do imóvel urbano por parte 
do Estado, em caso de não utilização por seu proprietário por 
parcelamento, edificação ou utilização, decorridos 5 (cinco) anos da 
cobrança do IPTU.
Tombamento de imóveis ou mobiliário urbano é o instrumento de 
reconhecimento e proteção do patrimônio cultural brasileiro, e pode ser 
feito em qualquer esfera administrativa. Cabe ressaltar ainda, que foi 
instituído na esfera federal pelo Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro 
de 1937 (BRASIL, 1937). Conceitualmente, o tombamento dos imóveis 
urbanos é atribuído aos imóveis ou monumentos urbanos que figuram 
como um testemunho cultural, social, religioso ou arquitetônico da 
sociedade e, portanto, precisam ser conservados e preservados para a 
posteridade.
Usucapião especial de imóvel urbano trata-se da apropriação obtida 
por ocupante de imóvel urbano, por utilizar um imóvel privado antes 
propriedade de outra pessoa. Porém, há diversas condições mínimas 
29
para que a usucapião se consolide como: o ocupante não possuir 
propriedade de qualquer outro imóvel; o imóvel poderá ter somente a 
área inferior ou igual a 250 m2; a ocupação ser realizada somente para 
moradia e de forma ininterrupta por período de 5 (cinco) anos; que 
não tenha havido interposto ou solicitação de retomada de posse pelo 
possuidor inicial.
A instituição de unidades de conservação é regida pela Lei Federal 
nº 9.985, de 18 de julhode 2000, a qual conceitua as áreas destinadas 
como:
Espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas 
jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído 
pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob 
regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas 
de proteção (BRASIL, 2000).
Portanto, todas as áreas urbanas destinadas à manutenção da qualidade 
ambiental, manutenção da biodiversidade e de campos de pesquisas 
futuras, deverão ser instituídas por lei e ser de responsabilidade 
municipal, estadual ou da União (em relação à fiscalização, manutenção 
e definição de usos e planos de manejo).
A operação urbana consorciada é o conjunto de intervenções e 
medidas coordenadas pelo Poder Público municipal, com a participação 
dos proprietários, moradores, usuários permanentes e investidores 
privados, com o objetivo de alcançar em uma área transformações 
urbanísticas estruturais, melhorias sociais e a valorização ambiental. Ou 
seja, é a junção do poder público à iniciativa para delimitação de áreas 
destinadas à melhoria da cidade.
30
O parcelamento, edificação ou utilização compulsórios são leis 
municipais que preveem a inclusão de uma área no plano diretor para a 
obrigatoriedade de ocupar o solo urbano não edificado, subutilizado ou 
não utilizado. Cabe ao poder público municipal estabelecer as condições 
e os prazos para implementação desta obrigação.
Conclui-se, portanto, que tais instrumentos urbanísticos são 
fundamentais para a potencialização da ocupação e gestão urbana, 
evitando a especulação imobiliária, a existência de vazios urbanos e 
subutilização de áreas.
5. Planos diretores
Os Planos Diretores são instrumentos legais, instituídos pelo Estatuto 
das Cidades. Obrigatoriamente, os governos municipais devem 
estabelecer seus planos diretores e revisá-los a cada 10 (dez) anos.
Tal obrigatoriedade se justifica pela dinâmica populacional e de 
ocupação do território municipal, o qual demanda fiscalização e 
planejamento ambiental urbano constantes. Segundo o Ministério de 
Desenvolvimento Regional (BRASIL, 2019), o Plano Diretor necessita ser 
compactuado pelos diversos setores da sociedade, considerando os 
interesses sociais, econômicos e territoriais dos municípios.
A função principal desses planos é organizar, direcionar e estabelecer 
regras para a ocupação e o funcionamento do território municipal nos 
próximos 10 (dez) anos. Observe que as zonas são simbolizadas por 
cores e possuem suas atividades possíveis definidas anteriormente à 
implantação de novos empreendimentos. A Figura 2 ilustra um exemplo 
de realização de um Plano Diretor.
31
Figura 2 – Zoneamento do Complexo Portuário Governador Erado 
Gueiros
Fonte: Silva et al. (2012).
6. Zoneamento ecológico econômico (ZEE)
O zoneamento ecológico econômico (ZEE) é o instrumento presente 
na Política Nacional do Meio Ambiente, por meio do Decreto nº 
4297/2002, que cria as zonas econômicas de um determinado 
território considerando a caracterização ambiental. Dessa forma, esses 
instrumentos estabelecem os melhores usos econômicos para cada 
área, considerando suas potencialidades e atributos naturais (BRASIL, 
2002).
Os ZEE podem ser elaborados em diversas escalas e, atualmente, 
têm sido elaborados por municípios, Estados e o Distrito Federal. O 
diagnóstico dos meios físico, socioeconômico, jurídico-institucional e 
de cenários futuros de exploração do território são as bases para esses 
instrumentos de sustentabilidade.
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Ressalta-se que as áreas protegidas ou que contam com algum tipo 
de fragilidade ambiental serão privadas de ocupação territorial, 
sendo mantidas em seu estado natural ou atual de qualidade 
ambiental, segundo a data de criação das áreas de preservação ou de 
estabelecimento do zoneamento ecológico econômico.
7. Gestão de bacias hidrográficas
Dentro do cenário brasileiro de planejamento ambiental urbano e 
seus instrumentos, a unidade de planejamento basal é a unidade 
hidrográfica. Tal unidade também é a unidade territorial para gestão dos 
recursos hídricos brasileiros.
De forma a minimizar os conflitos territoriais pelo uso da água, foram 
criados os comitês de bacia. Tal organização é composta por diversos 
representantes da sociedade civil organizada, órgãos públicos e 
organização não governamentais. Essa organização é consultada acerca 
das medidas propostas pelo Poder Público para a gestão, categorização 
e manutenção dos recursos hídricos.
A criação dos comitês de bacias hidrográficas ocorreu por meio da Lei nº 
9433 de 08 de janeiro de 1997 (BRASIL, 1997), a qual instituiu a Política 
Nacional de Recursos Hídricos. A mesma legislação institucionaliza ainda 
o Sistema de Gerenciamento de Recursos Hídricos brasileira.
Portanto, todas as ações relativas ao planejamento ambiental urbano, 
devem ser consultadas ao comitê de bacias hidrográficas responsável 
pelos recursos hídricos correlatos na escala de planejamento 
pretendida.
Segundo a legislação referida, a água deve ser usada para os mais 
variados fins possíveis, priorizando-se a dessedentação animal e 
humana, acima das demais. Da mesma forma, os empreendedores não 
33
podem captar volumes superiores à capacidade de um determinado 
corpo hídrico. Os recursos hídricos ainda devem ter quantidade e 
qualidade necessárias para depurar efluentes de esgotamento sanitário 
e industrial, após tratamento, assim como receber as águas pluviais de 
uma dada região.
Referências Bibliográficas
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2000. Regulamenta o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, 
institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras 
providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9985.htm. 
Acesso em: 20 fev. 2020.
BRASIL. Presidência da República. Lei nº 94.33 de 08 de janeiro de 1997. Institui a 
Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento 
de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, 
e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 
7.990, de 28 de dezembro de 1989. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/LEIS/L9433.htm. Acesso em: 19 mar. 2020.
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34
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DISTRITO FEDERAL. SEDUH – Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e 
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pela implantação de refinaria do petróleo. Congresso Brasileiro de Cadastro 
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http://www.seduh.df.gov.br/plano-diretor-de-ordenamento-territorial/
35
Indicadores ambientais, 
planejamento e políticas públicas
Autoria: Ana Beatriz Ulhoa Cobalchini
Leitura crítica: Cristiane Ronchi de Oliveira
Objetivos
• Apresentar os indicadores ambientais em que o 
planejamento ambiental urbano se baseia.
• Elucidar as políticas públicas aplicáveis ao 
planejamento ambiental urbano e qual sua 
correlação com outras políticas públicas nacionais.
• Explicitar as premissas internacionais e nacionais de 
desenvolvimento territorial urbano, objetivando a 
sustentabilidade ambiental.
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1. Indicadores ambientais relacionados ao 
planejamento ambiental urbano
Os indicadores ambientais são informações ou caracterizações dos 
territórios, os quais pretendem basear os processos decisórios em todos 
os níveis da sociedade.
Com a utilização dos indicadores ambientais é possível ter uma visão 
mais simplificada dos complexos sistemas urbanos, aliando não 
somente um quantitativo palpável por meio de informações estatísticas. 
Essas informações representam ou resumem tanto os recursos 
ambientais disponíveis em um dado território assim como apresentam 
as atividades humanas.
A nível nacional, a apresentação desses dados é realizada pelo Ministério 
do Meio Ambiente (MMA) e retroalimentado pelas instituições vinculadas 
a ele, também públicas. Um dos objetivos primários é buscar atender 
aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) formulado pela 
Organização das Nações Unidas (ONU), a qual subsidia as obrigações 
dos Estados junto aos acordos internacionais vigentes. Os indicadores 
ambientais têm, ainda, o objetivo de subsidiar o estabelecimento 
das políticas públicas e tomada de decisão dos gestores públicos e 
sociedade, de maneira geral (BRASIL, 2017).
A seguir, serão citados os principais indicadores ambientais e suas 
influências nas políticas públicas territoriais.
1.1 Área de floresta pública com uso comunitário
A entidade responsável pela manutenção e obtenção desses dados é o 
Serviço Florestal Brasileiro com periodicidade anual – apresentado em 
hectares. Esse indicador registra a área de florestas (sejam elas naturais 
ou plantadas) destinadas à utilização pelas populações ou comunidades 
37
tradicionais. É de extrema importância para as políticas voltadas às 
comunidades quilombolas, pastores, pescadores e povos indígenas que 
fazem uso dessas áreas para subsistência.
O Objetivo do Desenvolvimento Sustentável relacionado a esse indicador 
é o número 2 (acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e 
a melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável). A meta 
para que os países alcancem essa marca é até 2023, e de dobrar a 
produtividade agrícola dessas populações (BRASIL, 2017).
Considerando os dados divulgados pelo Cadastro Nacional de 
Florestas Públicas (BRASIL, 2017), divulgado no ano de 2016, registrou-
se aproximadamente 157.242.311,00 hectares de Florestas públicas 
comunitárias no Brasil.
1.2 Área de florestas públicas
A entidade responsável por apresentar os dados atualizados com 
periodicidade anual também se trata do Serviço Florestal Nacional, 
também apresentado em hectares.
Esse indicador pretende apresentar a quantidade de área territorial 
destinada à preservação dos ambientes florestais, os quais trazem 
garantia de ambiente saudável para as futuras gerações e obtenção 
de produtos florestais com segurança. Por último, porém não menos 
importante, a manutenção desses ambientes propicia a preservação 
das espécies florestais com um banco genético de biodiversidade para 
pesquisas futuras.
O Objetivo do Desenvolvimento Sustentável a ser atingido aqui trata-se 
do ODS 15 que diz:
Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas 
terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a 
38
desertificação, deter e reverter a degradação ambiental da terra e deter a 
perda da biodiversidade. (BRASIL, 2017)
A meta estipulada para esse ODS se finda em 2020 e trata-se de:
Garantir a conservação, recuperação e o uso sustentável de ecossistemas 
terrestres e de água doce interiores e seus serviços, em especial, florestas, 
zonas úmidas, montanhas e terras áridas, em conformidade com as 
obrigações dos acordos internacionais. (BRASIL, 2017)
Esse indicador apresentou crescimento significativo até o ano de 2016, 
ocasionado pela destinação de terras públicas para esse fim, propiciado 
pela execução de um programa institucional nacional chamado Terra 
Legal. Após esse período, segundo dados apresentados pelo MMA 
(BRASIL, 2017), houve uma estabilização dos valores em torno de 310 
milhões de hectares de Florestas públicas em todo o território nacional.
1.3 Cobertura do território brasileiro com diretrizes de 
uso e ocupação em bases sustentáveis, definidas por 
meio do ZEE
Esse indicador apresenta o percentual do território nacional que respeita 
e possui iniciativas de zoneamento ecológico econômico, considerando 
as federais ou estaduais. A apresentação dos dados, assim como sua 
atualização, é realizada pela Secretaria de Recursos Hídricos e Qualidade 
Ambiental (SRHQ) com periodicidade anual. Os dados são apresentados 
em porcentagem (%). As atualizações são repassadas pelos órgãos 
setoriais, de forma a possibilitar o quantitativo nacional a ser divulgado 
pelo MMA.
O Objetivo do Desenvolvimento Sustentável que apresenta correlação 
com esse indicador ambiental é o ODS 15, assim como o indicador de 
áreas de florestas públicas. O dado apresentado é importantíssimo para 
apresentar o sucesso desse instrumento urbanístico ambiental, visto 
39
que em 2017 registrou-se que 84,89% do território nacional possuía 
iniciativas concluídas de acordo com o zoneamento ecológico econômico 
previamente instituído (BRASIL, 2017).
1.4 Outros indicadores ambientais
Há diversos outros indicadores ambientais que apresentam importantes 
políticas acerca da gestão ambiental do território, conforme 
apresentado pelo Ministério do Meio Ambiente (BRASIL, 2017) e que são 
apresentados resumidamente a seguir:
• Destinação adequada de pneus inservíveis no Brasil: coletados 
pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais 
Renováveis (IBAMA). Apresentou um saldo de destinação de 
97,45% da meta prevista de destinação cumprida, em toneladas 
de pneus inservíveis. O ODS 12 é o alvo de cumprimento deste 
indicador.
• Espécies da fauna e flora ameaçadas de extinção com planos 
de ação nacional para conservação das espécies ameaçadas 
de extinção: tal indicador visa verificar as espécies da fauna 
ameaçadas de extinção e os planos nacionais correlatos a essas. 
O objetivo maior é contabilizar os esforços realizados para 
preservação das espécies ameaçadas, considerando o território 
nacional. O indicador é apresentado por números de espécies que 
possuem plano de preservação em território nacional. Os dados 
são coletados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da 
Biodiversidade (ICMBio).
• Índice de efetividadede gestão das unidades de conservação 
federais: esse indicador prevê apresentar uma avaliação quanto 
ao desempenho das políticas públicas de unidades de conservação 
federais, sendo apresentado pelo ICMBio. Visa, ainda, servir de 
subsídio para a tomada de decisão e aproximar a sociedade da 
40
gestão das unidades de conservação. Em 2016, o dado apontou 
para uma efetividade de 47,74% das UCs federais.
• Número de ações de fiscalização executadas nas unidades de 
conservação federais: tal indicador visa apresentar a atuação 
fiscalizatória dos órgãos de controle na manutenção das áreas 
protegidas e, de maneira indireta, no ordenamento territorial 
urbano. Considera a verificação em unidades de conservação 
federais sob gestão direta do ICMBio. Em 2016, foram planejadas 
1.111 ações fiscalizatórias e efetuadas 497.
• Percentual de alcance da meta estabelecida de coleta de 
óleos lubrificantes usados ou contaminados (OLUC) no 
Brasil: esse indicador apresenta o percentual de alcance da 
meta estabelecida para a correta destinação dos óleos usados 
ou contaminados. A importância desse indicador é relacionada à 
gestão dos resíduos e demonstra, de maneira indireta, a redução 
do risco de poluição dos solos e recursos hídricos por esse tipo de 
agente contaminante. Os dados são obtidos por meio do relatório 
de coleta de óleo lubrificante usado e contaminado obtido pelo 
MMA. A meta de destinação para o ano de 2016 era de 38,90% do 
material gerado, e esta foi superada ocasionando um percentual 
de 39,74%.
• Percentual do território brasileiro coberto por Unidades de 
Conservação: tal indicador apresenta a porcentagem do território 
nacional que é destinado à conservação, baseando-se em dados 
obtidos pela Secretaria Nacional de Biodiversidade. A verificação 
é anual e segregada por tipo de bioma brasileiro. Os percentuais 
apresentados foram em torno de 27% em bioma Amazônia, 
aproximadamente 7% no bioma Caatinga, 8% no Cerrado e 9% 
em Mata Atlântica, enquanto 8% restantes situavam-se nos 
41
biomas Pampa, Pantanal e área marinha protegida. Apresentou-se 
aumento, se comparado a 2015, em todos os biomas.
• Proporção da área marinha brasileira coberta por unidades 
de conservação da natureza: a meta estipulada pela ODS 14 é 
conservar pelo menos 10% das zonas costeiras e marinhas, esse 
indicador é de extrema valia para análise das políticas públicas 
relacionadas à conservação marinha. Os dados apresentados 
são atualizados anualmente pelo MMA e somente 1,5% da área 
costeira ou marinha era protegida por unidades de conservação. 
Tal dado é extremamente preocupante e aponta a necessidade de 
implementação de ações incisivas nesse quesito, visto que a meta 
da ODS deverá ser cumprida até o ano de 2020 e muito distante de 
sua efetivação.
• Reservação de água doce: preconiza disponibilizar 
informações e monitorar a situação do abastecimento em 
reservatórios por todo o país, sendo subsidiado pela Agência 
Nacional de Águas (ANA) de forma anual. O ODS 6 preconiza 
assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e o 
saneamento para todos. Em 2016, o percentual de 55,90% era 
reservado em relação ao quantitativo total de reservatórios. 
Coincidentemente, apesar de ter sido um ano de escassez 
hídrica em diversas regiões do país, houve um aumento em 
relação aos dois anos anteriores (2014 e 2015).
2. Políticas públicas urbanas
As políticas públicas urbanas devem, além de respeitar e visar 
ao atendimento aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, 
42
estabelecidos pela ONU, atender as demandas da sociedade fornecendo 
serviços públicos de qualidade e eficiência.
São consideradas para tal fim a implantação, manutenção e substituição 
de redes e dispositivos de saneamento ambiental (abastecimento de 
água, esgotamento sanitário, coleta e disposição de resíduos sólidos), 
captação e distribuição de energia e, de acordo com Duarte (2012), a 
mobilidade urbana e transporte viário.
2.1 Saneamento ambiental
Sabendo-se que o saneamento ambiental contempla quatro macro 
áreas de atuação, quais sejam: abastecimento de água, esgotamento 
sanitário, manejo das águas pluviais e coleta e destinação dos 
resíduos sólidos urbanos, conforme apresentado pela Figura 1.
Figura 1 – Simbologia das áreas estruturais do saneamento 
ambiental
Fonte: Portal Trata Bem (2018).
Cada macroárea deverá ser tratada separadamente devido sua 
importância e complexidade, conforme apresentado na Figura 1. 
Cabe, no entanto, informar que não é pretendido encerrar todas as 
43
informações sobre cada tema, visto que são extremamente amplos e 
essenciais para o planejamento ambiental urbano.
2.1.1 Abastecimento de água
O abastecimento de água de uma população é de vital importância 
para a manutenção da qualidade ambiental, assim como das atividades 
econômicas, humanas e sociais. A água é um fator preponderante para a 
sobrevivência da população humana e da biodiversidade.
Para que seja possível captar, tratar e distribuir água potável para a 
população, é necessário que haja mananciais disponíveis para tal fim, 
os quais devem ter qualidade e quantidade suficientes para manter sua 
função ecológica e prover o abastecimento humano.
Há uma hierarquização de usos para os recursos hídricos, estabelecida 
na Política Nacional de Recursos Hídricos, a qual sintetiza que a 
prioridade será dada à dessedentação animal e humana, antes 
de qualquer outro tipo de uso. Acima de tudo é necessário que 
haja a conservação das áreas que possam interferir na qualidade 
ou quantidade de água disponíveis nos reservatórios, sejam eles 
naturais ou artificiais, evitando, assim, a escassez hídrica que tem sido 
evidenciada em alguns locais nos últimos anos.
Para tanto, é necessário implementar propostas de conservação ou 
recuperação de mananciais, as quais devem priorizar o esgotamento 
sanitário, a coleta e destino corretos dos resíduos, a diminuição do 
uso de pesticidas e fertilizantes agrícolas e regulação do uso do solo. 
Para possibilitar o cumprimento das premissas de conservação citadas 
anteriormente, diversos instrumentos legais subsidiam ações por parte 
do Poder Público, podendo-se citar os planos diretores, o zoneamento 
ecológico econômico, o Código Florestal, a Lei de Crimes Ambientais, 
entre outros (PHILLIPI JR et al., 2005, p. 125).
44
Os mananciais podem ser superficiais ou subterrâneos. Os 
denominados superficiais são os córregos, rios, lagos, represas e 
qualquer outro que esteja situado na superfície. A água coletada desses 
mananciais precisa passar por prévio tratamento para atingir os teores 
de qualidade da água para abastecimento, preconizados na Portaria do 
Ministério da Saúde nº 2.914, de 12 de dezembro de 2011 (BRASIL, 2011).
Quanto aos mananciais subterrâneos, estes compreendem o lençol 
freático e o aquífero. A água coletada nesses mananciais geralmente 
não precisa de intervenções massivas de tratamento, pois a qualidade 
da água é mantida devido à dificuldade de obtenção desse insumo. 
Os poços artesianos costumam apresentar profundidade mínima de 
perfuração de 25 metros.
Em relação aos mananciais superficiais, estes necessitam contar com 
uma rede de captação de água, reservação, de tratamento e distribuição. 
As obras de abastecimento de água tendem a ser cada vez mais 
onerosas, visto que os mananciais têm estado cada vez mais distantes, 
pois os mais próximos das aglomerações urbanas tendem a estar 
poluídos ou não ter quantidade suficiente para atender a população.
Dessa forma, há grande interferência das políticas de preservação das 
áreas protegidas e áreas de proteção permanente para a manutenção 
dos mananciais destinados ao abastecimento humano. Visto que os 
taludes dos rios e outros mananciais devem ser mantidos sem ocupação 
humana e vegetados, evitando, assim, processos erosivos, assoreamento 
e poluição das águas.
2.1.2 Esgotamento sanitário
O esgotamento sanitário contempla a coleta, tratamento e destinação 
dos efluentes em mananciais. Cabe ressaltarque tais medidas são 
essenciais para a manutenção da qualidade ambiental das cidades, visto 
45
que a disposição de esgotos domésticos ou industriais não tratados 
ocasiona a poluição dos solos, água superficial e profunda.
As redes de esgotamento sanitário, por sua vez, necessitam de 
manutenção constante, com vistas a diminuir o risco de extravasamento 
do esgoto. Tais ocorrências podem ocasionar a poluição dos mananciais 
próximos e do solo.
O fluxograma do esgotamento sanitário contempla a coleta das 
residências e outros estabelecimentos, o transporte do material pelas 
redes de esgotamento (contando com a ação da gravidade ou de 
estações elevatórias), passando para a Estação de Tratamento de Esgoto 
(ETEs). Quando o efluente estiver com condições mínimas de qualidade 
após o tratamento, seus efluentes serão destinados ao corpo hídrico 
receptor.
Ressalta-se, também, a importância da eficiência nos tratamentos de 
esgotos de forma a possibilitar a manutenção da qualidade da água 
do corpo receptor. Caso esta não seja atingida e ocorra o lançamento 
no manancial, haverá risco de contaminação e poluição hídrica. 
Relembrando que os corpos hídricos são utilizados para diferentes fins 
e, portanto, precisam ser mantidas suas características ideais para o 
abastecimento humano e animal.
2.1.3 Manejo de águas pluviais
As políticas públicas de manejo das águas da chuva, denominadas de 
águas pluviais, devem priorizar a correta disposição em mananciais 
ou por bacias de detenção. A principal função das redes coletoras de 
água pluvial é garantir a disposição do escoamento superficial com a 
menor energia possível, ou seja, evitando que ocorram deslizamentos, 
processos erosivos e assoreamento dos corpos hídricos receptores.
46
As redes de drenagem pluvial necessitam promover a correta disposição 
das águas pluviais para que seja mantida a qualidade e quantidade dos 
mananciais, visto que a ação destrutiva das águas da chuva ocasiona 
estragos no decorrer de sua trajetória, quando não condicionadas.
Ressalta-se, ainda, que a impermeabilização das áreas urbanas tem 
potencializado o caráter agressivo das chuvas, visto que as superfícies de 
infiltração da água pelo solo têm diminuído consideravelmente.
Um dos quesitos apresentados em grande parte dos planos diretores 
trata-se do índice de permeabilidade, o qual é delimitado pelos órgãos 
de controle do desenvolvimento urbano. Essa obrigatoriedade de 
manutenção de áreas sem pavimentação dentro dos lotes urbanos visa 
manter o escoamento por infiltração nos lotes urbanos.
2.1.4 Coleta e destinação de resíduos sólidos urbanos
O serviço de coleta de resíduos sólidos urbanos é de extrema 
importância para a qualidade ambiental do território, visto que garante a 
destinação correta e diminui a propagação da poluição hídrica, do solo e 
atmosférica ocasionada pelos resíduos urbanos.
Cabe ressaltar que essas políticas estruturantes necessitam ser 
apresentadas e alcançadas quando da implantação de novos núcleos 
urbanos, visto seu potencial poluidor.
2.2 Transporte e mobilidade urbana
As vias internas e externas de uma cidade têm substancial importância 
para as atividades humanas, assim como para a sustentabilidade. Caso o 
sistema de transporte viário e público seja eficiente haverá uma pressão 
menor sobre o uso individual de transporte, aumento da vida útil das 
vias e diminuição da necessidade de ampliação das vias existentes.
47
Do ponto de vista ambiental, a área de transporte e mobilidade urbana 
tem se apresentado como um desafio às cidades brasileiras, visto 
que os engarrafamentos são uma constante queixa apresentada pela 
população.
O aumento da densidade demográfica e a especulação imobiliária são 
consideradas vilãs com relação às políticas de transporte. Para tanto, é 
necessário explicar tais fatores de forma separada.
A densidade demográfica é um indicador de ocupação humana do 
território e é medido em hab./km2. O aumento desse indicador tem 
sido verificado em muitas cidades brasileiras e, principalmente, nas 
megalópoles e metrópoles. Caso a população aumente muito, a 
demanda por imóveis para habitação aumenta bastante, ora, visto 
que há mais pessoas procurando imóveis nas áreas centrais esses 
imóveis tendem a encarecer sua locação ou venda. Dessa maneira, a 
especulação imobiliária ocorre. Por fim, as pessoas com menor poder 
aquisitivo são arrastadas para as áreas mais distantes, denominadas 
periferias.
Verificando a necessidade de promover o transporte dos trabalhadores 
dessas áreas mais distantes, há uma demanda por ampliação das vias 
de acesso às áreas centrais.
Sendo assim, as políticas urbanas de melhoria do transporte público são 
de extrema importância para a melhoria da qualidade ambiental das 
cidades.
2.3 Obtenção e distribuição de energia
A obtenção de energia é de fundamental importância para a 
manutenção das atividades sociais e para a manutenção do 
funcionamento dos municípios. Dessa forma, as políticas públicas de 
48
obtenção e distribuição necessitam ser eficazes, a fim de manter as 
atividades econômicas e produtivas da cidade.
Dessa forma, há diversas matrizes energéticas que podem culminar na 
obtenção de energia para a população, são elas: elétrica, eólica, nuclear, 
biomassa, entre outras.
A energia elétrica é a matriz energética mais comum no Brasil, e 
contempla a retirada de corrente elétrica por meio de turbinas, 
geralmente localizadas em quedas d’água.
Com relação à energia nuclear, esta é obtida por meio da quebra 
de isótopos radioativos, acontecimento este que libera uma grande 
quantidade de energia. Esse tipo de obtenção é bastante raro no Brasil, 
visto a dificuldade de manejo da tecnologia, seu risco inerente, assim 
como não há tanta demanda por energia nuclear, visto que o país possui 
muitos recursos hídricos com capacidade de captação.
Quanto à energia eólica, esta também é captada por meio de turbinas 
que são movidas pelos ventos. A região brasileira que apresenta grande 
potencial energético para esse tipo de matriz é a Região Nordeste, 
em razão das grandes extensões de litoral e da velocidade dos ventos 
ocorrida, principalmente, nos Estados da Paraíba e Rio Grande do Norte.
Por fim, a biomassa é a matriz que necessita da queima de compostos 
orgânicos, gerando energia durante este processo. Essa matriz 
energética ainda é pouco difundida no país, apesar de haver grande 
potencial de implantação, visto que somos um país extremamente 
agrícola, e as plantas capazes de fornecer esse insumo são comuns.
A forma de distribuição da energia elétrica é dada de maneira 
semelhante, independente do modal de obtenção. A corrente é 
transmitida por meio de redes de alta tensão, decaídas por subestações 
de energia até que atinja a voltagem constante nas redes domésticas.
49
3. Considerações finais
As políticas públicas de infraestrutura são intervenientes ao 
planejamento ambiental urbano. Portanto, sendo de extrema 
importância que os instrumentos legais e urbanísticos possuam 
consonância entre si e as políticas públicas urbanas não desconsiderem 
suas premissas.
Caso as políticas públicas urbanas estejam de acordo com as restrições 
impostas pelo ambiente, haverá considerável diminuição da incidência 
de riscos de desastres ambientais, processos erosivos, diminuição da 
qualidade ambiental e outras avenças.
Por fim, salienta-se a importância da transparência quanto aos 
diagnósticos ambientais, assim como os indicadores para que os 
gestores e tomadores de decisões possam fazer intervenções mais 
assertivas no ambiente urbano.
Referências Bibliográficas
BRASIL. Decreto nº 4.297, de 10 de julho de 2002. Regulamenta e institucionaliza 
critérios para o Zoneamento ecológico econômico. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4297.htm. Acesso em 02 mar. 2020.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Ministério da Saúde nº 2.914, de 12 de 
dezembro de 2011. Dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da 
qualidade

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