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TEORIA GERAL DO PROCESSO Principais pontos da live: Os conceitos do processo são expressões com significados brasileiros e que variam no tempo e no espaço e são derivados do direito positivo. (apelação, petição etc.); Simulação era um tipo de defeito que gerava anulabilidade, após 2002, passa a gerar nulidade; Conceito jurídico positivo, depende do direito positivo; Conceito que serve como ferramenta para compreender qualquer tipo de direito, qualquer que seja o conteúdo desse direito; conceito jurídico fundamental: pressuposto para a compreensão do direito (o conceito do próprio direito, de capacidade, de decisão, de prova etc.); Eles têm uma pretensão de universalidade: são conceitos construídos e se pretendem aptos a poder servir para compreender qualquer tipo de fenômeno jurídico, os conceitos podem variam em decorrência do tempo e do espaço Quanto mais bem elaborados esses conceitos são, melhor será a compreensão dos mesmos e da compreensão adequada da realidade; A teoria geral do processo é o ramo do pensamento jurídico mais propriamente da epistemologia jurídica dedicado a elaboração, organização e articulação dos conceitos jurídicos processuais fundamentais; Abraham Maslov para quem só tem martelo, todo problema é prego; Epistemologia é o ramo da filosofia que reflete sobre a ciência - dar condições para que a ciência se desenvolva adequadamente, desenvolvendo os métodos e as ferramentas; A teoria geral é composta por conceitos e não por artigos, mas sim fornece ferramentas para a ciência do processo Os maiores processualistas são aqueles que dominam os conceitos fundamentais; O direito processual penal é diferente do direito processual civil, mas as bases do processo são as mesmas, sendo o conceito de processo o conceito jurídico fundamental primário, é a partir dele que todos os conceitos fundamentais são construídos. Principais pontos do cap 1 do Curso de Direito Processual Civil - Fred Didier e do livro Sobre a Teoria Geral do Processo, Essa Desconhecida O processo pode ser compreendido como método de criação de normas jurídicas, ato jurídico complexo (procedimento) e relação jurídica. Pg 36 Para este livro, importa destacar a concepção de processo como método de exercício da jurisdição. Pg 37 O método-processo deve seguir o modelo traçado na Constituição, que consagra o direito fundamental ao processo devido, com todos os seus corolários (contraditório, proibição de prova ilícita, adequação, efetividade, juiz natural, duração razoável do processo etc.). A análise do modelo de processo civil brasileiro será feita no caso das normas fundamentais do processo civil. Pg 37 Trata-se de um ato jurídico complexo. Processo, neste sentido, é sinônimo de procedimento. Pg 37 O ato jurídico complexo é aquele "cujo suporte fáctico é complexo e formado por vários atos jurídicos. ( ... ) No ato-complexo há um ato final, que o caracteriza, define a sua natureza e lhe dá a denominação e há o ato ou os atos condicionantes do ato final, os quais, condicionantes e final, se relacionam entre si, ordenadamente no tempo, de ..modo que constituem partes integrantes de um processo, definido este como um conjunto ordenado de atos destinados a um certo fim" Pg 37 "ato-complexo de formação sucessiva": os vários atos que compõem o tipo normativo sucedem-se no tempo.O procedimento é ato-complexo de formação sucessiva,porquanto seja um conjunto de atos jurídicos (atos processuais), relacionados entre si, que possuem como objetivo comum, no caso do processo judicial, a prestação jurisdicional. Pg 37 Neste sentido, processo é o procedimento estruturado em contraditório. Pg 38 Cogita-se, então, um direito fundamental à processualização dos procedimentos: "que sustenta a processualização de âmbitos ou atividades estatais ou privadas que, até então, não eram entendidas com o susceptíveis de se desenvolverem processualmente, desprendendo-se tanto da atividade jurisdicional, como da existência de litígio, acusação ou mesmo risco de privação da liberdade ou dos bens". Pg 38 o processo pode ser encarado como efeito jurídico; ou seja, pode-se encará-lo pela perspectiva do plano da eficácia dos fatos jurídicos Pg 38 processo é o conjunto das relações jurídicas que se estabelecem entre os diversos sujeitos processuais (partes, juiz, auxiliares da justiça etc.) Pg 38 Por metonímia, pode-se afirmar que essas relações jurídicas formam uma única relação jurídica, que também se chamaria processo. Essa relação jurídica é composta por um conjunto de situações jurídicas ( direitos, deveres, competências, capacidades, ônus etc.) de que são titulares todos os sujeitos do processo. Pg 39 Como ressalta Pedro Henrique Pedrosa Nogueira, "há a relação jurídica processual ( que não deve ser usada com a pretensão de exaurir o fenômeno processual), assim como pode haver outras tantas relações jurídicas processuais decorrentes de fatos jurídicos processuais". Pg 39 …para definir o conteúdo eficacial da relação jurídica processual, será preciso compreender o devido processo legal e os seus corolários… Pg 40 Assim, não basta afirmar que o processo é uma relação jurídica, conceito lógico-jurídico que não engloba o respectivo conteúdo desta relação jurídica. É preciso lembrar que se trata de uma relação jurídica cujo conteúdo será determinado, primeiramente, pela Constituição e, em seguida, pelas demais normas processuais que devem observância àquela. Pg 40 Note, assim, que são dois planos distintos de linguagem: o plano normativo (Direito Processual) e o plano doutrinário (Ciência do Direito Processual). O plano da linguagem doutrinária opera sobre o plano normativo, por isso a linguagem doutrinária é considerada uma metalinguagem: linguagem (científica) sobre linguagem (normativa). Pg 42 O termo "processo" serve, então, tanto para designar o ato processo corno a relação jurídica que dele emerge. Pg 40 São conceitos jurídicos fundamentais (lógico-jurídicos) processuais todos aqueles indispensáveis à compreensão jurídica do fenômeno processual, onde quer que ele ocorra. Ou seja: são conceitos que servem como pressuposto para uma abordagem científica do Direito positivo. São exemplos: processo, competência, decisão, cognição, admissibilidade, norma processual, demanda, legitimidade, pretensão processual, capacidade de ser parte, capacidade processual, capacidade postulatória, prova, presunção e tutela jurisdicional. Pg 41 Um exemplo: é a Ciência do Processo que definirá o que são a apelação, uma liminar, uma decisão interlocutória, uma penhora, uma reconvenção etc., para o direito processual civil brasileiro. A Ciência do Direito Processual Civil (Ciência Dogmática do Processo ou, simplesmente, Ciência do Processo) é o ramo do pensamento jurídico dogmático dedicado a formular as diretrizes, apresentar os fundamentos e oferecer os subsídios para as adequadas compreensão e aplicação do Direito Processual Civil. O Direito Processual Civil é o objeto desta Ciência. Pg 41/42 Uma coisa é discutir o conteúdo das normas de um determinado Direito Positivo - saber a) se o juiz pode ou não determinar provas sem requerimento das partes; b) qual é o recurso cabível contra determinada decisão; c) se determinada questão pode ser alegada a qualquer tempo durante o processo; d) como se conta o prazo para a apresentação da defesa etc. Esses são problemas da Ciência do Direito Processual. Coisa bem distinta é saber o que a) é uma decisão judicial, b) se entende por prova; c) torna uma norma processual; d) é o processo. Pg 42 Do mesmo modo, a Teoria Geral do Processo não se confunde com a "Parte Geral" de um Código ou de um Estatuto processual. Como já se viu, não devem ser confundidas as duas dimensões da linguagem jurídica: a linguagem do Direito e a linguagem da Ciência do Direito. A Parte Geral é um conjunto de enunciados normativos; é linguagem prescritiva, produtoda atividade normativa. A "Parte Geral" não é a sistematização da Teoria Geral do Processo, que deve ser feita pela Epistemologia do Processo. Parte Geral é excerto de determinado diploma normativo (Códigos, estatutos etc.), composto por enunciados normativos aplicáveis a todas as demais parcelas mencionadas neste diploma e, eventualmente, até mesmo a outras regiões do ordenamento jurídico. Pg 44 O processo é um método de exercício da jurisdição. A jurisdição caracteriza-se por tutelar situações jurídicas concretamente afirmadas em um processo. Essas situações jurídicas são situações substanciais ( ativas e passivas, os direitos e deveres, p. ex.) e correspondem, grosso modo, ao mérito do processo. Não há processo oco: todo processo traz a afirmação de ao menos uma situação jurídica carecedora de tutela jurisdicional. Essa situação jurídica afirmada pode ser chamada de direito material processualizado ou simplesmente direito material. Pg 45 O processo deve ser compreendido, estudado e estruturado tendo em vista a situação jurídica material para a qual serve de instrumento de tutela. A essa abordagem metodológica do processo pode dar-se o nome de instrumentalismo, cuja principal virtude é estabelecer a ponte entre o direito processual e o direito material. Pg 45 "...separar o direito, enquanto pensado, do processo comunicativo que o estrutura como linguagem, possibilitando sua concreção como ato decisório, será dissociar-se o que é indissociável. Em resumo, não há um direito independente no processo de sua enunciação, o que equivale a dizer-se que o direito pensado e o processo do seu enunciar fazem um. Falar-se, pois, em instrumentalidade do processo é incorrer-se, mesmo que inconsciente e involuntariamente, em um equívoco de graves consequências, porque indutor do falso e perigoso entendimento de que é possível dissociar-se o ser do direito do dizer sobre o direito, o ser do direito do processo de sua produção, o direito material do direito processual. Uma e outra coisa fazem um" Pgs 45/46 “O processo serve ao direito material, mas para que lhe sirva é necessário que seja servido por ele” Pg 46 a) Reconhecimento da força normativa da Constituição, que passa a ser encarada como principal veículo normativo do sistema jurídico, com eficácia imediata e independente, em muitos casos, de intermediação legislativa. Pg 48 Passa-se, então, de um modelo de Estado fundado na lei (Estado legislativo) para um modelo de Estado fundado na Constituição (Estado Constitucional). b) Desenvolvimento da teoria dos princípios, de modo a reconhecer -lhes eficácia normativa: o princípio deixa de ser técnica de integração do Direito e passa a ser uma espécie de norma jurídica. Pg 48 A função jurisdicional passa a ser encarada como uma função essencial ao desenvolvimento do Direito, seja pela estipulação da norma jurídica do caso concreto, seja pela interpretação dos textos normativos, definindo-se a norma geral que deles deve ser extraída e que deve ser aplicada a casos semelhantes. Pg 49 A distinção teórica entre texto e norma, sendo essa o produto da interpretação daquele. Há texto sem norma, bem como há norma sem texto. A norma é o produto da interpretação do sistema normativo. Veja-se o seguinte texto normativo: "Proíbe-se utilização de biquíni". Este texto,no início do século XX, seria compreendido como uma norma que impõe o uso de roupas de banho menos sumárias. Este mesmo texto posto em alguma placa em uma praia brasileira, portuguesa, francesa etc., nos dias atuais, poderia ser compreendido como uma autorização para a prática do naturismo. Como se vê, a depender das circunstâncias históricas, o mesmo texto pode gerar normas até mesmo opostas. Pg 49 a) praxismo ou sincretismo, em que não havia a distinção entre o processo e o direito material: o processo era estudado apenas em seus aspectos práticos, sem preocupações científicas; b) processualismo, em que se demarcam as fronteiras entre o direito processual e o direito material, com o desenvolvimento científico das categorias processuais; c) instrumentalismo, em que, não obstante se reconheçam as diferenças funcionais entre o direito processual e o direito material, se estabelece entre eles uma relação circular de interdependência: o direito processual concretiza e efetiva o direito material, que confere ao primeiro o seu sentido (sobre a instrumentalidade, ver item anterior). Na fase instrumentalista, o processo passa a ser objeto de estudo de outras ciências jurídicas, como a sociologia do processo - que se concentrou nos estudos sobre o acesso à justiça. Além disso, há grande preocupação com a efetividade do processo, tema que não existia até então, e a tutela de novos direitos, como os coletivos. Pg 52 A importância que se deve dar aos valores constitucionalmente protegidos na pauta de direitos fundamentais na construção e aplicação do formalismo processual. Pg 53 A constitucionalização do Direito Processual é uma das características do Direito contemporâneo. Pg 54 …há a incorporação aos textos constitucionais de normas processuais, inclusive corno direito fundamentais. Pg 54 Ao devido processo legal, que serve de parâmetro para a identificação de um modelo constitucional brasileiro de processo jurisdicional, dedicar-se-á boa parte do próximo capítulo. Pg 55 a doutrina passa a examinar as normas processuais infraconstitucionais como concretizadoras das disposições constitucionais, valendo-se, para tanto, do repertório teórico desenvolvido pelos constitucionalistas. Pg 55 O aprimoramento da jurisdição constitucional, em cujo processo se permite a intervenção do amicus curiae (ver item no capítulo sobre intervenção de terceiro) e a realização de audiências públicas, talvez seja o exemplo mais conhecido. Pg 55 Cabe uma pequena digressão sobre a relação entre as normas; no caso, entre as normas processuais infraconstitucionais e as normas constitucionais. A relação entre normas infraconstitucionais e normas constitucionais não é puramente hierárquica. "o conteúdo da norma inferior deve corresponder ao conteúdo da norma superior, assim e ao mesmo tempo que o conteúdo da norma superior deve exteriorizar-se pelo conteúdo da norma inferior (...) a eficácia, em vez de unidirecional, é recíproca" Pg 55 O processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado conforme os valores e as normas fundamentais estabelecidos na Constituição da República Federativa do Brasil, observando-se as disposições deste Código". Pg 55 …qualquer norma jurídica brasileira somente pode ser construída e interpretada de acordo com a Constituição Federal. Pg 55 O artigo enuncia a norma elementar de um sistema constitucional: as normas jurídicas derivam da Constituição e devem estar em conformidade com ela. Essa norma decorre do sistema de controle de constitucionalidade estabelecido pela Constituição Federal. Pgs 55/56 …é pedagógico e oportuno o alerta de que as normas de direito processual civil não podem ser compreendidas sem o confronto com o texto constitucional, sobretudo no caso brasileiro, que possui um vasto sistema de normas constitucionais processuais, todas orbitando em torno do princípio do devido processo legal, também de natureza constitucional. Pg 56 Ele é claramente uma tomada de posição do legislador no sentido de reconhecimento da força normativa da Constituição. Pg 56 "os princípios instituem o dever de adotar comportamentos necessários à realização de um estado de coisas ou, inversamente, instituem o dever de efetivação de um estado de coisas pela adoção de comportamentos a ele necessários". Pg 56 A eficácia direta de um princípio "traduz-se na atuação sem intermediação ou interposição de outro (sub-)princípio ou regra. Nesse plano, os princípios exercem uma função integrativa: permite-se agregar elementos não previstos em subprincípios ou regras. Pg 56 A despeito da ausência de previsão normativa expressade um comportamento necessário à obtenção do estado de coisas almejado, o princípio irá garanti-lo. Pg 56/57 A eficácia de um princípio do processo não depende de intermediação por outras regras jurídicas, espalhadas topicamente na legislação. O princípio da boa-fé processual, por exemplo, torna devidos os comportamentos necessários à obtenção de um processo leal e cooperativo. Donde se conclui que é possível conceber situações jurídicas processuais atípicas ( não expressamente previstas) decorrentes da eficácia direta com função integrativa do princípio da boa-fé processual. Pg 57 Há, porém, normas que servem à concretização dos princípios processuais. Pg 57 Os princípios exercem, enfim, uma função bloqueadora: servem para justificar a não aplicação de textos expressamente previstos que sejam incompatíveis com o estado de coisas que se busca promover. Assim, por exemplo, o princípio do devido processo legal serve para fundamentar a não aplicação de dispositivos normativos que permitam uma decisão judicial sem motivação. Pg 58 De um lado, estrutura-se um sistema de precedentes judiciais, em que se reconhece eficácia normativa a determinadas orientações da jurisprudência. A proliferação das "súmulas" dos tribunais e a consagração da "súmula vinculante do STF" (art. 103-A, CF/1988) são os exemplos mais ostensivos. Pg 59 Cláusula geral é uma espécie de texto normativo, cujo antecedente (hipótese fática) é composto por termos vagos e o consequente ( efeito jurídico) é indeterminado. Há, portanto, uma indeterminação legislativa em ambos os extremos da estrutura lógica normativa. Pg 60 A técnica das "cláusulas gerais" contrapõe-se à técnica casuística. Não há sistema jurídico exclusivamente estruturado em cláusulas gerais (que causariam uma sensação perene de insegurança a todos) ou em regras casuísticas (que tornariam o sistema sobremaneira rígido e fechado, nada adequado à complexidade da vida contemporânea). Uma das principais características dos sistemas jurídicos contemporâneos é exatamente a harmonização de enunciados normativos de ambas as espécies. Pg 60 A relação entre cláusula geral e o precedente judicial é bastante íntima. Já se advertiu, a propósito, que a utilização da técnica das cláusulas gerais aproximou o sistema do civil law do sistema do common law. Esta relação revela-se, sobretudo, em dois aspectos. Primeiramente, a cláusula geral reforça o papel da jurisprudência na criação de normas gerais: a reiteração da aplicação de uma mesma ratio decidendi (núcleo normativo do precedente judicial; sobre a ratio decidendi) dá especificidade ao conteúdo normativo de uma cláusula geral, sem, contudo, esvaziá-la; assim ocorre, por exemplo, quando se entende que tal conduta típica é ou não exigida pelo princípio da boa-fé. Além disso, a cláusula geral funciona como elemento de conexão, permitindo ao juiz fundamentar a sua decisão em casos precedentemente julgados. Pg 61 Ultimamente, porém, as cláusulas gerais têm "invadido" o Direito processual, que naturalmente sofreu as consequências das transformações da metodologia jurídica no século passado. Afinal, o Direito processual também necessita de "normas flexíveis que permitam atender às especiais circunstâncias do caso concreto". Pg 62 Os direitos fundamentais têm dupla dimensão: a) subjetiva: de um lado, são direitos subjetivos, que atribuem posições jurídicas de vantagem a seus titulares; b) objetiva: traduzem valores básicos e consagrados na ordem jurídica, que devem presidir a interpretação/aplicação de todo ordenamento jurídico, por todos os atores jurídicos. Trata-se de encarar o direito fundamental como norma jurídica (dimensão objetiva) ou como situação jurídica ativa (dimensão subjetiva). Pg 63 Assim, o processo deve estar adequado à tutela efetiva dos direitos fundamentais (dimensão subjetiva) e, além disso, ele próprio deve ser estruturado de acordo com os direitos fundamentais ( dimensão objetiva). Pg 64 No primeiro caso, as regras processuais devem ser criadas de maneira adequada à tutela dos direitos fundamentais ( daí, por exemplo, o § 1 º do art. 536 do CPC permitir ao magistrado a determinação de qualquer medida executiva para efetivar a sua decisão, escolhendo-a à luz das peculiaridades do caso concreto). No segundo caso, o legislador deve criar regras processuais adequadas aos direitos fundamentais, aqui encarados como normas, respeitando, por exemplo, a igualdade das partes e o contraditório. Pg 64 O art. 926 do CPC impõe que os tribunais decidam respeitando a integridade do Direito. Pg 68 Uma das consequências do dever de integridade é o dever de compreender o Direito como um sistema de normas, e não um amontoado delas. O dever de integridade é, nesse sentido, uma concretização do postulado da unidade do ordenamento jurídico, "a exigir do intérprete o relacionamento entre a parte e o todo mediante o emprego das categorias de ordem e de unidade"92•Exatamente por isso, é preciso reconhecer a existência de microssistemas normativos para, quando for o caso, decidir conforme as regras desse mesmo microssistema - sobre os deveres decorrentes do art. 926 do CPC, ver capítulo sobre precedentes, no v. 2 deste Curso. Pg 68 Há quatro importantes microssistemas que se desenvolveram nesse período (meados dos anos 80, século XX, e início dos anos 00, século XXI) que merecem registro: a) tutela coletiva - Lei n. 7.34 7 /1985 (Lei da Ação Civil Pública) e Código de Defesa do Consumidor, leis nucleares do microssistema; b) arbitragem: Lei n. 9.307 /1996 e Convenção de Nova Iorque (Decreto 4.311/2002), atos normativos nucleares do microssistema; e) Juizados Especiais: Leis n. 9.099/1995, 10.259/2001 e 12.153/2009, leis nucleares do microssistema; d) processos de controle concentrado de constitucionalidade: Leis n. 9.868/1999 e 9.882/1999, leis nucleares do microssistema. Pg 69 Esses microssistemas mantinham uma relação com o CPC-1973 que seguia o padrão da época: uma relação centrípeta e de mão única - considerado o CPC como núcleo do sistema processual civil. Buscavam-se no CPC as normas gerais e aquelas que serviriam para resolver problema de lacunas textuais nas leis extravagantes. O CPC era, claramente, considerado como de aplicação supletiva e subsidiária. Pg 69