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FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com DIREITO CIVIL – PARTE GERAL DA PESSOA NATURAL Sujeito de direito é todo ente que pode, durante sua existência, participar de relações jurídicas. Trata-se de um gênero, que comporta duas categorias: Sujeito de direito com personalidade e sujeito de direito sem personalidade. Dentre os sujeitos de direito com personalidade civil estão as pessoas naturais, previstas nos arts. 1º a 39 do Código Civil e as pessoas jurídicas, previstas nos arts. 40 a 69 do Código Civil. DA PESSOA NATURAL Personalidade é a capacidade in abstracto de ser sujeito de direitos e obrigações, ou seja, de exercer determinadas atividades e de cumprir determinados deveres decorrentes da convivência em sociedade. O Código Civil, no Título I do Livro I, da Parte Geral, trata das pessoas naturais.As pessoas jurídicas serão tratadas em momento posterior. Assim, o art. 1º do CC traz: Art. 1º Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil INÍCIO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DA PESSOA NATURAL Aquisição da personalidade: quando surge a personalidade civil da pessoa natural? Art. 2º: A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. Vamos começar pela primeira parte desse dispositivo. Basta o nascimento com vida para que o ser humano adquira personalidade. Mesmo aquele que nunca teve seu registro no Registro Civil de Pessoas Naturais e, portanto, não tem certidão de nascimento, possui personalidade civil. A constatação de nascimento com vida se faz mediante a verificação de funcionamento do aparelho cardiorrespiratório (respiração), ainda que por um breve instante. Então, se o nascituro saiu do ventre materno e respirou, ele é considerado uma pessoa natural e, consequentemente, adquiriu a aptidão genérica para titularizar direitos e deveres. Isso se aplica aos casos em que o recém-nascido nasce, dá um breve suspiro e morre. Por outro lado, se não houve respiração, não se considera que aquele ser é uma pessoa. FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com Exemplo: imagine que Maria está grávida de José e, no curso da gestação, João falece, deixando herança. Pois bem, se o nascituro de Maria nascer e respirar, ele irá adquirir personalidade jurídica e, com isso, terá aptidão para receber a herança do pai. Se essa pessoa morrer, após nascimento, sua mãe será sua herdeira. Por outro lado, se o nascituro não chegar a nascer com vida, a situação jurídica será totalmente diferente. Pela ordem de vocação hereditária, a herança de João caberá a seus ascendentes. Maria só terá direito à herança se o falecido João não tiver ascendentes. EXEMPLOS: 1. Maria estava grávida de oito meses quando sofreu um acidente de carro. Seu bebê, João, nasceu prematuro, mas com vida, e foi imediatamente encaminhado à UTI neonatal. Mesmo que João tenha falecido poucas horas depois, ele adquiriu personalidade jurídica ao nascer com vida, o que permite, por exemplo, que seus pais ingressem com ação para pleitear indenização pelo acidente. 2. Ana estava grávida quando seu avô faleceu, deixando-lhe uma herança. Pouco antes do parto, Ana também veio a falecer. Seu filho, Lucas, nasceu com vida, adquirindo personalidade jurídica e tornando-se herdeiro legítimo de sua mãe. Dessa forma, ele pôde receber a herança que originalmente seria de Ana, garantindo a sucessão hereditária conforme o Código Civil. FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com Observação importante: Diferentemente do que ocorre com as pessoas jurídicas, cujo registro dos atos constitutivos no Registro Público competente tem natureza constitutiva (é a partir dele que surge a personalidade jurídica), no caso das pessoas naturais as certidões de nascimento e óbito possuem natureza jurídica declaratória, pois apenas declaram esses fatos jurídicos. Então quer dizer que até um segundo antes de respirar o bebê não é uma pessoa, mesmo que ja esteja fora do útero materno? Sim, mas essa questão já foi objeto de várias discussões, dando origem a diferentes teorias. Vejamos, dentre as principais teorias, qual a adotada pelo nosso Código Civil: TEORIAS EXPLICATIVAS DO INÍCIO DA PERSONALIDADE DA PESSOA NATURAL Art. 2º A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. Sabendo-se que nascituro é aquele que foi concebido, mas ainda não nasceu, pergunta-se: Se a lei põe a salvo os direitos do nascituro, desde sua concepção, então ele não seria uma pessoa? Para solucionar esse importante questionamento, foram desenvolvidas três teorias: 1. TEORIA NATALISTA: A personalidade jurídica começa com o nascimento com vida. Logo, o nascituro não é uma pessoa e, diante disso, não tem direitos, mas mera expectativa de direitos. Essa teoria apresenta “uma interpretação literal e simplificada da lei, que dispõe que a personalidade jurídica começa com o nascimento com vida, o que traz a conclusão de que o nascituro não é pessoa. O grande problema da teoria natalista é que ela não consegue responder à seguinte constatação e pergunta: se o nascituro não tem personalidade, não é pessoa; desse modo, o nascituro seria uma coisa. 2. TEORIA CONCEPCIONISTA: O nascituro é uma pessoa, desde a concepção, tendo seus direitos resguardados pela lei. No entanto, mesmo entre os concepcionistas há duas vertentes: os mais radicais, que consideram o início da personalidade desde a concepção, e os menos rigorosos, que entendem que a pessoa humana existe desde nidação ( 14º dia após a concepção, momento em que o embrião se fixa na parede do útero). Qual a teoria adotada pelo Código Civil? O Código Civil adota a teoria natalista. Embora se observe uma crescente preocupação com a proteção ao nascituro, o que indica que o ordenamento jurídico brasileiro pode estar caminhando para a adoção da teoria concepcionista, isso ainda não aconteceu. FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com Portanto, para efeito de questões objetivas, deverá ser considerada correta a alternativa que afirme que o Código Civil brasileiro adota a teoria natalista. CAPACIDADE É possível alguém ter personalidade e não ter capacidade? Sim. Lisiane Brito O art. 1º do CC faz menção à capacidade de direito, um atributo natural da personalidade, ou seja, qualquer pessoa tem capacidade de direito, que consiste na aptidão genérica de adquirir direitos e contrair deveres. Nesse sentido, podemos dizer que a capacidade de direito é sinônimo de personalidade. Veja: A capacidade de fato, por outro lado, é o poder efetivo de exercer plenamente os atos da vida civil. Ou seja, enquanto a capacidade de direito é a aptidão para adquirir direitos e contrair deveres, a capacidade de fato é a aptidão para exercer direitos e deveres, por conta própria. Quando alguém tem capacidade de direito e capacidade de fato possui capacidade plena. Veja: EXEMPLOS: 1. Um recém-nascido tem capacidade de direito, poispode herdar bens deixados por seus pais ou avós. No entanto, ele não pode administrar essa herança, pois ainda não tem capacidade de fato. Quem exercerá esses direitos em seu nome serão seus representantes legais (pais ou tutores). 2. João tem 17 anos e deseja vender um imóvel que herdou de seu avô. No entanto, como ele ainda não atingiu a maioridade, tem capacidade de direito, mas não capacidade de fato para realizar esse negócio sozinho. Ele precisará da assistência de FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com seus pais ou responsáveis legais para concluir a venda. Portanto, tem capacidade de fato. 3. Maria tem 25 anos e deseja abrir uma empresa. Como é maior de idade e não possui nenhuma restrição legal (como interdição judicial), ela tem capacidade plena para exercer seus direitos, ou seja, pode assinar contratos, comprar e vender bens e realizar negócios sem a necessidade de um representante legal. Portanto, tem capacidade plena. INCAPACIDADE Observe o esquema abaixo: O INCAPAZ Incapaz é o sujeito que tem personalidade jurídica e tem capacidade de direito, mas não tem capacidade de fato. Os arts. 3º e 4º do Código Civil, que sofreram alterações recentes, promovidas pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência- Lei 13.146/2015- tratam das duas modalidades de incapacidade (incapacidade absoluta e incapacidade relativa). INCAPACIDADE ABSOLUTA De acordo com o art. 3º do Código Civil, com as alterações promovidas pela Lei 13.146/2015, apenas o menor de dezesseis anos é absolutamente incapaz, vejamos: Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos. (Redação dada pela Lei n. 13.146, de 2015) INCAPACIDADE RELATIVA Em sede de incapacidade, se não estivermos diante de um menor de 16 anos, trata-se de incapacidade relativa. As hipóteses, previstas no art. 4º, são situações de limitação parcial da capacidade. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114 FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com Art. 4º. São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: (Redação dada pela Lei n. 13.146, de 2015) I – os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; II – os ébrios habituais e os viciados em tóxico; III – aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; IV – os pródigos. OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: A pessoa portadora de deficiência, a partir da vigência da Lei 13.146/2015, é considerada capaz. Não importa a deficiência – cegueira, surdez, autismo etc. – Se a pessoa tiver mais de dezoito anos ela é capaz. Na hipótese de a deficiência impedir a pessoa de exprimir sua vontade, poderá haver o enquadramento no inciso III do art. 4º, do CC, ou seja, hipótese de incapacidade relativa. Incapazes podem praticar atos da vida civil? Sim, desde que seja suprida a incapacidade. A princípio, os atos praticados por sujeitos absolutamente incapazes são considerados nulos (CC, art. 166, I) e os atos praticados pelos relativamente incapazes são anuláveis (CC, art. 171, I). Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: I – celebrado por pessoa absolutamente incapaz; Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: I – por incapacidade relativa do agente; No entanto, pela importância da capacidade de fato para a participação da pessoa na vida em sociedade, a lei civil estabelece o suprimento da incapacidade, por meio do poder familiar, da tutela ou da curatela. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114 FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com Assim, os absolutamente incapazes (menores impúberes) não podem praticar os atos da vida civil, sem a devida representação, pelos pais ou tutores e os relativamente incapazes necessitam da assistência dos respectivos tutores (menores púberes) ou curadores, para os atos e negócios jurídicos. O relativamente incapaz pode praticar algum ato da vida civil, sem estar devidamente assistido e, ainda assim esse ato ser considerado válido? A resposta é: sim. O relativamente incapaz pode, sem assistência: - aceitar mandato; - fazer testamento; - ser testemunha. OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: O PRÓDIGO PODE CASAR SEM O CONSETIMENTO DO CURADOR? Pois bem, o pródigo é o gastador compulsivo, que está dilapidando seu patrimônio. O curador, nesse caso, tem sua atuação limitada a decisões patrimoniais, não tendo ingerência a questões que não envolvem patrimônio. Diante disso, o pródigo não necessita da manifestação do curador para o casamento, mas necessita da autorização para a escolha do regime de bens. O FIM DA INCAPACIDADE A regra é que ao completar dezoito anos a pessoa se torna plenamente capaz, estando apto a praticar todos os atos e negócios jurídicos. É o que prevê o Código Civil, em seu art. 5º, caput: Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. No entanto, a capacidade civil pode ser concedida a um menor púbere, através do instituto da emancipação. EMANCIPAÇÃO A emancipação é a aquisição da capacidade plena, antes da idade mínima prevista na lei (dezoito anos). O parágrafo único do art. 5º, em seus incisos I a V, prevê três tipos de emancipação: voluntária, judicial e legal. Art. 5º, Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: – pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, inde- pendentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; – pelo casamento; FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com – pelo exercício de emprego público efetivo; – pela colação de grau em curso de ensino superior; – pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. Primeiramente é importante ter em mente que a idade mínima para todas as hipóteses ali previstas é definida na própria lei: dezesseis anos, menores de dezesseis anos são absolutamente incapazes e, portanto, não podem ser emancipados. O art. 5º, inc. I, prevê a emancipação voluntária e a emancipação judicial. A primeira depende da manifestação de concordância de ambos os pais, independentemente de autorização judicial. Se um dos pais estiver morto, o outro suprirá a falta. Em ambos os casos a concessão deverá ser dada mediante escritura pública, lavrada em cartório de notas e devidamente regis- trada, como prevê o art. 89 da Lei dos Registros Públicos. Na hipótese de ambos os pais serem mortos e o menor estar sob tutela, ocorrerá a emancipação judicial, por sentença, após ser ouvido o tutor. As hipóteses de emancipação legal, arroladas nos inciso II a V doart. 5º, podem ser consideradas automáticas: Casamento, colação de grau, estabelecimento civil ou comercial ou emprego privado. Nesses casos, ocorrido o fato, o sujeito torna-se capaz. O menor emancipado continua sendo menor, apesar de ter adquirido capacidade civil plena. Portanto, para efeitos penais ele ainda não é imputável. MODALIDADES DE EMANCIPAÇÃO Voluntária (pelos pais) Art. 5º, p.u., I Judicial (pelo juiz) Art. 5º, p.u. I Legal (decorre da lei) Art. 5º, p.u. II, II, IV, V - É concedida pelos pais ou por um deles, na falta do outro. - Tem caráter irrevogável mediante instrumento público. - Independe de homologação judicial. - Idade mínima: 16 anos. - Concedida pelo juiz, após oitiva do tutor e do Ministério Público. - Idade mínima: 16 anos. - Decorre da lei. - É automática, não necessita de homologação judicial. * Hipóteses: - Casamento (ver arts. 1511; 1517; 1520); - Exercício de emprego público efetivo; - Colação de grau em curso de ensino superior; - Estabelecimento civil ou comercial ou existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com 16 anos completos tenha economia própria. FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com EMANCIPAÇÃO PELO CASAMENTO: ART. 1.511, 1.517 E 1.520 CC Art. 1.517. O homem e a mulher com dezesseis anos podem casar, exigindo-se autorização de ambos os pais, ou de seus representantes legais, enquanto não atingida a maioridade civil. Parágrafo único. Se houver divergência entre os pais, aplica-se o disposto no parágrafo único do art. 1.631. Observação1: ainda que o dispositivo faça referência a homem e mulher, é possível o casamento homoafetivo; Observação 2. A união estável não gera emancipação. Art. 1.520. Não será permitido, em qualquer caso, o casamento de quem não atingiu a idade núbil, observado o disposto no art. 1.517 deste Código. A idade núbil para o casamento é 16 anos, em qualquer circunstância. Menores de 16 anos não podem casar. Sobre a emancipação é importante saber que o emancipado passa a ter responsabilidade de seus atos, em consequência da extinção do poder familiar. Súmula n. 368, STJ: O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos. Essa regra também se aplica ao emancipado. A pensão alimentícia continua sendo devida, após a emancipação, a menos que o emancipado exonere o alimentante desse dever. FIM DA PESSOA NATURAL A personalidade civil da pessoa natural ocorre com a morte, real ou presumida. O Código Civil apresenta, nos arts. 6º; 7º; 8º; 22 e 39, disposições sobre a morte. CONSEQUÊNCIAS DA MORTE A morte é um fato jurídico, cujas consequências jurídicas são: • Abertura da sucessão (CC, art. 1787); • Fim do casamento (CC, art. 1571, I); • Fim do poder familiar (CC, art. 1635, I); • Fim do dever de alimentos (CC, art. 1700); • Término dos contratos personalíssimos; • Extinção da punibilidade (CP, art. 107, I); • Extinção da ação ou substituição de parte, no Processo Civil. O art. 6º do Código Civil esclarece que a existência da pessoa natural mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com termina com a morte, que pode vir a ser presumida. Art. 6º A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva. MORTE REAL A morte real, estuda pela tanatologia, um dos ramos da medicina legal, tem como critério científico definidor a parada da função encefálica, conhecida como morte cerebral, conforme dispõem as Resoluções 1480/1997 e 1826/2007, do Conselho Federal de Medicina. A comprovação da morte real é feita por meio de atestado de óbito, que será levado a registro, no Registro Público de Pessoas naturais, sendo então extraída a certidão de óbito, que tem natureza declaratória (CC, art. 9º, I). Art. 9º Serão registrados em registro público: I – os nascimentos, casamentos e óbitos; PRESUNÇÃO DE MORTE Nem sempre é possível atestar a morte de uma pessoa, já que para a emissão do atestado é necessária a existência de um corpo morto. Diante disso, o art. 7º do Código Civil menciona as hipóteses de morte presumida, sem decretação de ausência. O primeiro caso está relacionado a desastres naturais ou humanos, a mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com exemplo do que ocorreu na Barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, quando várias pessoas ficaram desaparecidas. A segunda hipótese refere-se a desaparecidos em campo de batalha que, se até dois anos após o término da guerra não forem encontrados, presumem-se mortos. Art. 7º Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência: I – se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida; II – se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término da guerra O parágrafo único do art. 7º, traz a seguinte redação: Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento. Exemplo 1 : Um alpinista experiente escala uma montanha perigosa e é surpreendido por uma avalanche. Equipes de resgate são acionadas, mas, após semanas de buscas, seu corpo não é encontrado. Considerando as condições extremas do local e a impossibilidade de sobrevivência, a família pode pedir a declaração de morte presumida, sem necessidade do procedimento de ausência. Exemplo 2: Um soldado brasileiro é enviado para uma missão de paz no exterior e, durante um ataque inimigo, é dado como desaparecido. Com o fim do conflito, as buscas são encerradas, mas ele não é encontrado. Passados dois anos do término da guerra, sua morte pode ser presumida, permitindo que a família resolva questões sucessórias e jurídicas. Repare que a lei exige uma sentença declaratória de morte presumida, proferida em processo de justificação de óbito. A sentença e o mandado decorrente do processo de justificação serão levados a registro no Registro Civil de Pessoas Naturais. COMORIÊNCIA Prevista no art. 8º do Código Civil, a comoriência é a morte simultânea de duas ou mais pessoas, sem que se possa afirmar qual morreu primeiro. O efeito principal da comoriência é que não há transferência de direitos sucessórios entre os comorientes (um não herda do outro). Art. 8º Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com não se podendo averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos. Para que ocorra a comoriência não é necessário que as mortes tenham ocorrido no mesmo local, mas no mesmo momento. Tome por exemplo o desastre de Brumadinho, citado há pouco. Encerradas as buscas, declara-sea morte das pessoas que desapareceram, ainda que essas estivessem em locais distintos. Além disso, nesse caso a comoriência pode estar envolvida em duas situações distintas, quais sejam a morte real e a morte presumida, se um doscorpos for encontrado e o outro não. Exemplo 1 – Acidente de Trânsito Fatal - Um casal de idosos está viajando de carro quando sofrem uma colisão frontal com um caminhão. Ambos falecem no local, e o laudo pericial não consegue determinar quem morreu primeiro. Como não há essa definição, aplica-se a comoriência. Assim, nenhum dos cônjuges herda do outro, e seus bens são transmitidos diretamente aos herdeiros de cada um, conforme as regras sucessórias. Exemplo 2 – Queda de Avião - Pai e filho estão a bordo de um avião que sofre uma pane e cai no oceano. Os corpos são encontrados dias depois, mas, devido ao estado de decomposição, não é possível estabelecer quem faleceu primeiro. Diante disso, considera-se que ambos morreram ao mesmo tempo para fins sucessórios, e os bens de cada um são partilhados entre seus respectivos herdeiros, sem que haja transmissão de patrimônio entre eles. AUSÊNCIA À exceção das duas hipóteses previstas no art. 7º, é necessário o procedimento de ausência, para que seja presumida a morte daquele que desapareceu e, com isso, se possa abrir a sucessão definitiva. Lembrando que o ausente é aquele que sumiu do domicílio, sem deixar notícias. Para que fique caracterizada a ausência são necessários dois requisitos: não presença e não notícia. Exemplo 1 – Comerciante que desaparece sem deixar rastros - Um comerciante sai de sua cidade para comprar mercadorias em outra região e nunca mais retorna. Seus familiares tentam contato, registram boletins de ocorrência e fazem buscas, mas não obtêm nenhuma notícia sobre seu paradeiro. Diante da incerteza prolongada e da impossibilidade de administrar seus bens, os parentes ingressam com o procedimento de ausência para que, após os prazos legais, seja declarada a morte presumida e aberta a sucessão definitiva. Exemplo 2 – Homem que abandona a família e some sem dar mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com notícias - Um homem casado e com filhos sai de casa um dia sem avisar e nunca mais é visto. A família tenta encontrá-lo de diversas formas, mas nenhum contato ou informação sobre ele é obtido. Depois de anos sem qualquer notícia, sua esposa e filhos buscam o reconhecimento da ausência para que possam administrar os bens deixados e, posteriormente, requerer a sucessão definitiva. PROCEDIMENTO JUDICIAL DE AUSÊNCIA Na hipótese de ausência a morte presumida deve ser declarada por sentença, em procedimento judicial próprio, previsto nos arts. 22 a 39 do Código Civil, o qual se desenvolve em três fases. A dinâmica protetiva envolve, inicialmente, o patrimônio e, posteriormente, os sucessores. 1ª Fase: Curadoria dos Bens do Ausente: A primeira fase do procedimento envolve medidas acautelatórias, a fim de proteger os bens do ausente, para o caso de ele estar vivo (CC, arts. 22 a 25). Assim, quando uma pessoa desaparece do seu domicílio, sem deixa notícias, os interessados ou o Mistério Público, poderão requerer que juiz que declare a ausência e designe um curador. Com isso os bens serão arrecadados, passando sua administração ao curador designado (art. 22). Art. 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público, declarará a ausência, e nomear-lhe-á curador. Art. 23. Também se declarará a ausência, e se nomeará curador, quando o ausente deixar mandatário que não queira ou não possa exercer ou continuar o mandato, ou se os seus poderes forem insuficientes. Quem pode ser curador? O art. 25 do CC determina que, primeiro, será nomeado o cônjuge ou companheiro do ausente, se esses não estiverem separados judicialmente ou de fato por mais de dois anos antes da declaração da ausência. Na hipótese de o ausente não ter cônjuge ou companheiro, ou no caso de haver separação ou divórcio há mais de dois anos, a curadoria dos bens do ausente incumbirá aos pais ou aos descendentes, nesta ordem. Na falta das pessoas mencionadas, caberá ao juiz designar um curador. Art. 25. O cônjuge do ausente, sempre que não esteja separado judicialmente, ou de fato por mais de dois anos antes da declaração da ausência, será o seu legítimo curador. mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com § 1º Em falta do cônjuge, a curadoria dos bens do ausente incumbe aos pais ou aos descendentes, nesta ordem, não havendo impedimento que os iniba de exercer o cargo. § 2º Entre os descendentes, os mais próximos precedem os mais remotos. § 3º Na falta das pessoas mencionadas, compete ao juiz a escolha do curador. Nesse ponto, é muito importante lembrar do disposto no art. 745, do CPC, que prevê a publicação de editais, de dois em dois meses, pelo período de 1 ano. Essa publicação deverá ocorrer no site do Tribunal em que corre o procedimento, bem como na plataforma de editais do CNC. Art. 745. Feita a arrecadação, o juiz mandará publicar editais na rede mundial de computadores, no sítio do tribunal a que estiver vinculado e na plataforma de editais do Conselho Nacional de Justiça, onde permanecerá por 1 (um) ano, ou, não havendo sítio, no órgão oficial e na imprensa da comarca, durante 1 (um) ano, reproduzida de 2 (dois) em 2 (dois) meses, anunciando a arrecadação e chamando o ausente a entrar na posse de seus bens. § 1º Findo o prazo previsto no edital, poderão os interessados requerer a abertura da sucessão provisória, observando-se o disposto em lei. 2ª Fase: Sucessão Provisória Conforme o tempo vai passando e o ausente não retorne, aumenta a chance de morte e, nesse caso, a proteção acabará passando aos herdeiros, em uma segunda fase do processo, denominada Sucessão provisória (CC, arts. 26 a 36). Assim, após o transcurso de um ano, contado da arrecadação dos bens do ausente, ou três anos, se o ausente deixou representante, os interessados poderão requerer que seja declarada a ausência e aberta a sucessão provisória (CC, art. 26). Art. 26. Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele deixou representante ou procurador, em se passando três anos, poderão os interessados requerer que se declare a ausência e se abra provisoriamente a sucessão. São considerados interessados, de acordo com o art. 27 do Código Civil: I – o cônjuge não separado judicialmente; II – os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários; III – os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte; IV – os credores de obrigações vencidas e não pagas. Nesse ponto, o art. 28 traz uma regra muito importante. mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com Art. 28. A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só produzirá efeito cento e oitenta dias depois de publicada pela imprensa; mas, logo que passe em julgado, proceder-se-á à abertura do testamento, se houver, e ao inventário e partilha dos bens, comose o ausente fosse falecido. § 1º Findo o prazo a que se refere o art. 26, e não havendo interessados na sucessão provisória, cumpre ao Ministério Público requerê-la ao juízo competente. § 2º Não comparecendo herdeiro ou interessado para requerer o inventário até trinta dias depois de passar em julgado a sentença que mandar abrir a sucessão provisória, proceder-se-á à arrecadação dos bens do ausente pela forma estabelecida nos arts. 1.819 a 1.823. Aparecendo os interessados, será feita uma partilha provisória, de maneira que se aguarde o retorno do ausente, pelo período de dez anos. 3ª Fase: Sucessão Definitiva A última fase do procedimento de ausência é a sucessão definitiva, que ocorre após o transcurso de 10 anos do trânsito em julgado da sentença que concedeu a abertura da sucessão provisória (CC, arts. 37 a 39; CPC, ar. 744 e ss). Existe uma exceção à regra dos dez anos de prazo, prevista no art. 38 do CC, que ocorre quando o ausente contar com 80 anos de idade, e já não se tem notícias dele há cinco anos. Art. 38. Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, provando-se que o ausente conta oitenta anos de idade, e que de cinco datam as últimas notícias dele. Aberta a sucessão definitiva, a propriedade plena dos bens é concedida aos herdeiros, e a morte (presumida) do ausente é declarada. Havendo cônjuge, esse é reputado viúvo. Se não houver herdeiros os bens passam ao domínio do Município ou do Distrito Federal, incorporando-se ao domínio da União, quando situados os bens em território federal. Transcorridos mais de dez anos, encerra-se o processo. Se o ausente retornar, não terá mais direito aos bens deixados. Art. 39. Regressando o ausente nos dez anos seguintes à abertura da sucessão definitiva, ou algum de seus descendentes ou ascendentes, aquele ou estes haverão só os bens existentes no estado em que se acharem, os sub-rogados em seu lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessados houverem recebido pelos bens alienados depois daquele tempo. Parágrafo único. Se, nos dez anos a que se refere este artigo, o ausente não regressar, e nenhum interessado promover a sucessão definitiva, os bens arrecadados passarão ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se localizados nas respectivas circunscrições, incorporando-se ao domínio da União, quando mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com situados em território federal. DIREITOS DE PERSONALIDADE O Código Civil de 2002 inovou em relação ao Código anterior, ao tratar dos direitos da personalidade, em seus arts. 11 a 21. Mas não podemos esquecer que essa proteção é prevista na própria Constituição de 1988, que arrola os direitos fundamentais da pessoa humana. CONCEITO Mas, afinal, o que são direitos da personalidade? Os direitos da personalidade são direitos inerentes à pessoa e à sua dignidade, na medida em que protegem os atributos específicos da personalidade, assim entendida a qualidade do ente considerado pessoa. Aqui cabe um alerta: A pessoa jurídica também possui proteção aos direitos da personalidade, por equiparação, nos termos do art. 52 do Código Civil. Art. 52. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade. Nesse sentido, a Súmula 227 do STJ: Súmula n. 227 do STJ: A pessoa jurídica pode sofrer dano moral. CARACTERÍSTICAS DO DIREITO DA PERSONALIDADE Já sabemos que os direitos da personalidade têm por base o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana e que sua finalidade é assegurar a adequada proteção e tutela da pessoa. Em relação às características desses direitos, a doutrina aponta as seguintes: • Absolutos: os direitos da personalidade são oponíveis erga omnes. Fique atento a essa característica, pois “absoluto” aqui não deve ser entendido como antônimo de relativo, mas no sentido de que sua proteção opera “contra todos”, ou seja, todos devem respeitar os direitos de personalidade; Exemplo 1: Uma empresa de notícias divulga informações falsas sobre um cidadão comum, afetando sua honra. Como o direito à honra é absoluto, ele pode exigir retratação e indenização. mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com Exemplo 2: Um fotógrafo publica a foto de uma pessoa sem seu consentimento em um anúncio comercial. A vítima pode exigir a retirada da imagem e reparação por danos morais. • Indisponíveis: a pessoa não pode dispor livremente de seus direitos de personalidade. Eu não posso, por exemplo, dispor da minha integridade física; Exemplo 1: Alguém não pode vender um órgão vital, como um rim, pois a integridade física é indisponível, salvo nos casos permitidos por lei transplante voluntário e autorizado. Exemplo 2: Uma pessoa não pode assinar um contrato concordando em ser escravizada, pois a liberdade e a dignidade são direitos indisponíveis. • Inatos: são inerentes à pessoa. Nascem com ela e morrem com ela; Exemplo 1: Uma criança, ao nascer, já possui direito à vida e ao nome, independentemente de qualquer ato formal. Exemplo 2: Mesmo sem manifestação expressa, um indivíduo já possui o direito à honra e à privacidade desde que nasce. • Extrapatrimoniais: o conteúdo, a essência dos direitos de personalidade não têm valor econômico. Atenção a esse ponto, pois a violação a um direito de personalidade gera indenização (por danos morais, materiais, estéticos etc.), embora não se possa mensurar o valor econômico daquele direito; Exemplo 1: A honra não pode ser vendida ou comprada, mas se alguém sofre difamação, pode buscar indenização por danos morais. Exemplo 2: A integridade física não tem valor econômico, mas, caso uma pessoa sofra um acidente causado por negligência alheia, pode requerer indenização por danos estéticos. • Impenhoráveis: não se admite a constrição judicial (penhora) sobre direitos de personalidade. Atenção, pois é possível a penhora da indenização decorrente da violação, pois essa tem valor patrimonial; Exemplo 1: O nome de uma pessoa não pode ser penhorado para quitar dívidas. Exemplo 2: A imagem de alguém não pode ser penhorada para satisfazer uma execução judicial, ainda que essa imagem tenha valor comercial por exemplo, um ator famoso. mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com • Irrenunciáveis: os direitos de personalidade são insuscetíveis de renúncia; Exemplo 1: Mesmo que uma pessoa declare que não se importa em ser difamada, ela ainda tem o direito de buscar proteção caso venha a ser ofendida. Exemplo 2: Alguém não pode formalmente renunciar ao próprio direito à integridade física e autorizar outro a lhe causar danos físicos. • Ilimitados: os direitos de personalidade são, a princípio, insuscetíveis de limites. Exemplo 1: O direito à honra é ilimitado e deve ser respeitado por todos, não podendo ser restringido arbitrariamente. Exemplo 2: O direito à identidade e ao nome é ilimitado, mas pode ser relativizado em casos excepcionais, como retificação judicial para correção ou mudança de nome por proteção à segurança. Nesse ponto, peço sua atenção para a melhor interpretação do art. 11 do Código Civil, cuja redação é a seguinte: Art. 11. Comexceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. A primeira parte desse dispositivo não gera maiores indagações, pois simplesmente indica a possibilidade de autorização legal para a limitação a direitos da personalidade. Um exemplo prático seria o transplante de órgãos, previsto na Lei 9.434/1997. A Lei 9.434/1997: Art. 1º A disposição gratuita de tecidos, órgãos e partes do corpo humano, em vida ou post mortem, para fins de transplante e tratamento, é permitida na forma desta Lei. A polêmica reside na parte final do art. 11, a qual afirma que o exercício de direito de personalidade não pode sofrer limitação voluntária. Doutrina e jurisprudência já se posicionaram no sentido de que a limitação ao exercício de direito da personalidade pode, sim, decorrer da manifestação de vontade do titular, seja ela unilateral ou contratual. Vamos conferir os Enunciados 4 e 139, das Jornadas de Direito Civil da Justiça Federal, que fazem uma interpretação teleológica do art. 11: mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com Enunciado 4 – O exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação voluntária, desde que não seja permanente nem geral. Enunciado 139- Os direitos da personalidade podem sofrer limitações, ainda que não especificamente previstas em lei, não podendo ser exercidos com abuso de direito de seu titular, contrariamente à boa-fé objetiva e aos bons costumes. Perceba que o entendimento é no sentido de que o exercício dos direitos de personalidade pode sofrer limitação voluntária, desde que a limitação não seja permanente ou geral e não viole a dignidade do titular, ainda que esse venha a concordar. Exemplo 1: Cláusula de Sigilo em Acordos de Publicidade - Um atleta famoso firma contrato com uma marca esportiva e concorda em restringir temporariamente seu direito de imagem, comprometendo-se a não aparecer publicamente utilizando produtos de concorrentes durante o período de vigência do contrato. Essa limitação é voluntária e específica, sem afetar sua dignidade. Exemplo 2: Confidencialidade em Acordos Empresariais - Um executivo de alto escalão assina um contrato de trabalho que prevê uma cláusula de confidencialidade, impedindo-o de divulgar certas informações estratégicas da empresa por um período determinado, mesmo após o término do contrato. Essa limitação ao direito de liberdade de expressão é válida, pois é temporária e visa proteger interesses legítimos. Exemplo 3: Contrato de Uso de Imagem em Filmes e Séries - Um ator assina contrato para interpretar um personagem em uma série e concorda que sua imagem seja utilizada na divulgação da produção por um período determinado. Ainda que, futuramente, ele não queira mais associar sua imagem ao papel, a limitação contratual é válida, pois foi consentida e tem prazo específico. Exemplo 4: Competição Esportiva com Restrições Contratuais - Um lutador de MMA assina contrato com uma organização esportiva que proíbe temporariamente que ele participe de eventos de outras empresas durante a vigência do contrato. Essa limitação ao seu direito de exercer livremente a profissão é válida, pois foi aceita voluntariamente e tem um prazo determinado. MOMENTO DE AQUISIÇÃO DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com Antes de adentrarmos nesse ponto, peço que você se lembre que ao tratarmos da personalidade, vimos que a pessoa natural adquire personalidade com o nascimento com vida, mas que o nascituro tem a proteção aos direitos da personalidade. Pois bem, vejamos o esquema a seguir: Ou seja, o nascituro (aquele que ainda está no útero materno) já goza da proteção aos direitos da personalidade, tendo inclusive direito à reparação de danos morais. Vamos conferir o Enunciado 1, das Jornadas de Direito Civil da Justiça Federal: 1– Art. 2º: A proteção que o Código defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos direitos da personalidade, tais como: nome, imagem e sepultura. Exemplo 1: Direito ao Nome e Registro - Maria e João perdem seu filho durante o parto. Mesmo sendo natimorto, eles têm o direito de registrá-lo com um nome no assento de nascimento e óbito no cartório. Esse registro garante a dignidade da criança e o reconhecimento oficial de sua existência. Exemplo 2: Direito à Sepultura e à Memória - Uma família sepulta um bebê natimorto em um jazigo familiar. Algum tempo depois, descobrem que um hospital utilizou imagens do feto sem autorização para uma campanha sobre saúde neonatal. A família ingressa com uma ação judicial para que o hospital cesse o uso indevido da imagem, garantindo o respeito à memória e à dignidade do natimorto. EXTINÇÃO DOS DIREITOS DE PERSONALIDADE Como já vimos, ao tratar das características dos direitos de personalidade, esses são vitalícios. Significa que esses direitos existem até a morte do titular. Existe proteção aos direitos de personalidade após a morte? Existe proteção, mas não existe o direito da personalidade. Não há que se falar em danos morais para um morto. Então, embora o momento da aquisição do direto de personalidade não coincida com o surgimento da personalidade, o momento extintivo de ambos é o mesmo: A morte. mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com No entanto, existem três reflexos dos direitos de personalidade, que se projetam após a morte. São eles: • 1. Sucessão processual: trata-se da substituição de parte no processo, prevista no art. 110, do CPC. Quando uma parte morre, durante o curso do processo, poderá haver a extinção do processo sem análise do mérito, com base no art. 485, do CPC, se a ação for intransmissível, por disposição legal, mas também poderá haver a sucessão processual. Em se tratando de ação de cunho patrimonial, a sucessão caberá ao espólio e nas ações que não envolvem aspectos patrimoniais o sujeito que morreu será substituído pelos herdeiros. Exemplo 1: João ajuizou uma ação de indenização contra uma empresa, alegando danos materiais decorrentes de um contrato descumprido. Durante o andamento do processo, João falece. Como se trata de uma ação patrimonial, a sucessão processual caberá ao espólio, representado pelo inventariante. O processo continuará normalmente, e o valor da indenização, se concedida, integrará o patrimônio do falecido e será distribuído aos herdeiros no inventário. Exemplo 2: Maria ingressou com uma ação de reconhecimento de paternidade para que seu suposto pai fosse judicialmente declarado como tal. No decorrer do processo, Maria falece. Como essa é uma ação de cunho personalíssimo, não envolvendo questões patrimoniais diretas, a sucessão processual ocorrerá com a substituição de Maria por seus herdeiros, que poderão continuar o processo para fins de obtenção de um reconhecimento que pode ter efeitos familiares e sucessórios. • 2. Transmissibilidade do direito à reparação. De acordo com o art. 943 do Código Civil, o direto de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se, com a herança. Sendo assim, se alguém que tinha direito à reparaçãopor danos vier a falecer, os herdeiros podem exigir a reparação. Exemplo 1: João sofreu um acidente de trânsito causado por um motorista embriagado e ingressou com uma ação indenizatória para receber os valores referentes aos danos materiais do seu veículo e despesas médicas. No decorrer do processo, João falece. Como o direito à reparação por danos materiais é transmissível, seus herdeiros podem dar continuidade à ação e exigir a indenização que João teria direito, pois essa reparação se incorpora ao patrimônio do falecido. Exemplo 2: Maria foi vítima de um erro médico grave e ingressou com uma ação de indenização por danos morais. mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com Durante o curso do processo, ela falece. Mesmo sendo uma indenização por dano moral, que é um direito personalíssimo, a jurisprudência entende que, uma vez reconhecido o direito à indenização, esse valor passa a integrar o patrimônio da vítima e pode ser recebido pelos seus herdeiros. Assim, os filhos de Maria podem continuar o processo para receber a indenização de vida. • 3. Lesados Indiretos: podemos dizer que esse é, dentre os três reflexos dos direitos de personalidade que se projetam após a morte, o mais relevante, para a nossa aula. Os lesados indiretos são aqueles que decorrem do “dano por ricochete”. Significa dizer que muitas vezes o dano é direcionado para a pessoa, mas como essa está morta os reflexos da lesão atingem os que ficaram. Ou seja, não é o morto que sofre danos morais, mas quem ficou. Exemplo 1: Tragédia da Boate Kiss (2013) - No incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria (RS), mais de 240 pessoas perderam a vida. Os pais e familiares das vítimas sofreram imensa dor e sofrimento pela perda de seus entes queridos. Muitos deles ingressaram na Justiça requerendo indenização por danos morais, alegando o impacto psicológico devastador da tragédia. Esse é um exemplo clássico de dano por ricochete, pois o dano inicial ocorreu nas vítimas do incêndio, mas seus familiares foram atingidos indiretamente pelo sofrimento causado pela perda. Exemplo 2: Caso João Hélio (2007) - João Hélio, um menino de 6 anos, foi brutalmente assassinado durante um assalto no Rio de Janeiro, quando ficou preso pelo cinto de segurança do carro e foi arrastado por quilômetros. A morte do garoto gerou um abalo emocional extremo nos pais e na irmã, que ingressaram com ação judicial requerendo indenização por danos morais. Nesse caso, os pais não foram vítimas diretas do crime, mas sofreram a perda irreparável de um ente querido, caracterizando o dano moral reflexo ou por ricochete. Os arts. 12 e 20, do Código Civil apresentam o regramento do tema, nos seguintes termos: Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legitimação para requerer a medida prevista neste artigo o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau. Exemplo 1: Uso Indevido da Imagem de Pessoa Falecida - Uma empresa de cosméticos lança uma campanha publicitária utilizando a imagem de uma atriz famosa já falecida, sem mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com autorização da família. Diante disso, o cônjuge sobrevivente e os filhos da atriz ingressam com uma ação judicial para exigir que a empresa cesse o uso indevido da imagem e, ainda, pleiteiam indenização por danos morais e materiais. Exemplo 2: Difamação de Pessoa Falecida - Após a morte de um renomado médico, um jornalista publica uma matéria alegando, sem provas, que ele teria cometido atos ilícitos durante sua carreira. A família, abalada com as falsas acusações, ingressa na Justiça para exigir a retratação e a remoção da publicação, além de pleitear indenização por danos morais, com base na proteção aos direitos da personalidade do falecido. Esse dispositivo se aplica a qualquer direito de personalidade. Vejamos, agora, o que diz o art. 20, que é específico ao direito de imagem (voz, atributo e retrato): Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais. Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes legítimas para requerer essa proteção o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes. Exemplo 1: Uso Comercial Indevido da Imagem de Pessoa Falecida - Uma marca de roupas lança uma nova coleção estampando camisetas com a imagem de um cantor famoso já falecido, sem qualquer autorização da família. O uso tem fins comerciais e não se enquadra nas exceções legais. Diante disso, os filhos do cantor ingressam com uma ação judicial para proibir a comercialização das peças e requerem indenização pelo uso indevido da imagem do falecido. Exemplo 2: Documentário Ofensivo à Memória de Pessoa Falecida - Uma produtora lança um documentário sobre um político falecido, retratando-o de forma pejorativa, com alegações não comprovadas que afetam sua honra e respeitabilidade. A família do político, sentindo-se ofendida e preocupada com a preservação da memória do falecido, ingressa com uma ação para impedir a veiculação do documentário e exigir indenização pelos danos morais causados. mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO Educare Gestão de Educação Ltda CNPJ: 05.306.381/0001-55 Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin tamires.perin@brasiliaeducacional.com “O conhecimento é a chave que abre portas para novas oportunidades e transforma vidas. Que esta apostila tenha sido mais do que um material de estudo, mas um passo a mais na sua jornada de aprendizado e crescimento. Nunca pare de questionar, de buscar e de evoluir. O Direito não é apenas um conjunto de normas, mas um instrumento de justiça e transformação social. Siga firme no seu propósito e lembre-se: o esforço de hoje será a sua conquista de amanhã. Sucesso na caminhada!" Estamos Juntos nessa caminhada! Prof. Tamires Rodrigues Perin mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com