Logo Passei Direto
Buscar

Apostila - Direito Civil PARTE GERAL - Prof Tamires

Apostila de Direito Civil — Parte Geral: pessoa natural. Define sujeito de direito e personalidade, cita arts. 1º–2º do CC, explica início da personalidade (nascimento com vida e proteção ao nascituro), exemplifica casos de sucessão hereditária e comenta natureza declaratória dos registros.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
DIREITO CIVIL – PARTE GERAL 
 
 
DA PESSOA NATURAL 
 
Sujeito de direito é todo ente que pode, durante sua existência, participar 
de relações jurídicas. Trata-se de um gênero, que comporta duas categorias: Sujeito de 
direito com personalidade e sujeito de direito sem personalidade. 
Dentre os sujeitos de direito com personalidade civil estão as pessoas 
naturais, previstas nos arts. 1º a 39 do Código Civil e as pessoas jurídicas, previstas nos 
arts. 40 a 69 do Código Civil. 
 
 
DA PESSOA NATURAL 
 
Personalidade é a capacidade in abstracto de ser sujeito de direitos e 
obrigações, ou seja, de exercer determinadas atividades e de cumprir determinados 
deveres decorrentes da convivência em sociedade. 
O Código Civil, no Título I do Livro I, da Parte Geral, trata das pessoas 
naturais.As pessoas jurídicas serão tratadas em momento posterior. 
Assim, o art. 1º do CC traz: 
 
Art. 1º Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil 
 
 
INÍCIO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DA PESSOA NATURAL 
 
Aquisição da personalidade: quando surge a personalidade civil da pessoa 
natural? 
 
Art. 2º: A personalidade civil da pessoa começa do nascimento 
com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos 
do nascituro. 
 
Vamos começar pela primeira parte desse dispositivo. 
Basta o nascimento com vida para que o ser humano adquira 
personalidade. Mesmo aquele que nunca teve seu registro no Registro Civil de Pessoas 
Naturais e, portanto, não tem certidão de nascimento, possui personalidade civil. 
A constatação de nascimento com vida se faz mediante a verificação de 
funcionamento do aparelho cardiorrespiratório (respiração), ainda que por um breve 
instante. 
Então, se o nascituro saiu do ventre materno e respirou, ele é considerado 
uma pessoa natural e, consequentemente, adquiriu a aptidão genérica para titularizar 
direitos e deveres. 
Isso se aplica aos casos em que o recém-nascido nasce, dá um breve 
suspiro e morre. Por outro lado, se não houve respiração, não se considera que aquele 
ser é uma pessoa. 
 
 
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
Exemplo: imagine que Maria está grávida de José e, no curso da 
gestação, João falece, deixando herança. 
 
 
Pois bem, se o nascituro de Maria nascer e respirar, ele irá adquirir 
personalidade jurídica e, com isso, terá aptidão para receber a herança do pai. Se essa 
pessoa morrer, após nascimento, sua mãe será sua herdeira. 
 
Por outro lado, se o nascituro não chegar a nascer com vida, a situação 
jurídica será totalmente diferente. Pela ordem de vocação hereditária, a herança de João 
caberá a seus ascendentes. 
 
Maria só terá direito à herança se o falecido João não tiver ascendentes. 
EXEMPLOS: 
1. Maria estava grávida de oito meses quando sofreu um acidente 
de carro. Seu bebê, João, nasceu prematuro, mas com vida, e foi 
imediatamente encaminhado à UTI neonatal. Mesmo que João 
tenha falecido poucas horas depois, ele adquiriu personalidade 
jurídica ao nascer com vida, o que permite, por exemplo, que 
seus pais ingressem com ação para pleitear indenização pelo 
acidente. 
2. Ana estava grávida quando seu avô faleceu, deixando-lhe uma 
herança. Pouco antes do parto, Ana também veio a falecer. Seu 
filho, Lucas, nasceu com vida, adquirindo personalidade jurídica 
e tornando-se herdeiro legítimo de sua mãe. Dessa forma, ele 
pôde receber a herança que originalmente seria de Ana, 
garantindo a sucessão hereditária conforme o Código Civil. 
 
 
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
Observação importante: Diferentemente do que ocorre com as pessoas 
jurídicas, cujo registro dos atos constitutivos no Registro Público competente tem 
natureza constitutiva (é a partir dele que surge a personalidade jurídica), no caso das 
pessoas naturais as certidões de nascimento e óbito possuem natureza jurídica 
declaratória, pois apenas declaram esses fatos jurídicos. 
 
Então quer dizer que até um segundo antes de respirar o bebê não é uma 
pessoa, mesmo que ja esteja fora do útero materno? 
Sim, mas essa questão já foi objeto de várias discussões, dando origem a 
diferentes teorias. 
 
Vejamos, dentre as principais teorias, qual a adotada pelo nosso Código 
Civil: 
 
 
TEORIAS EXPLICATIVAS DO INÍCIO DA PERSONALIDADE DA PESSOA 
NATURAL 
 
 
Art. 2º A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; 
mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. 
 
Sabendo-se que nascituro é aquele que foi concebido, mas ainda não 
nasceu, pergunta-se: Se a lei põe a salvo os direitos do nascituro, desde sua concepção, 
então ele não seria uma pessoa? 
Para solucionar esse importante questionamento, foram desenvolvidas três teorias: 
 
1. TEORIA NATALISTA: A personalidade jurídica começa com o 
nascimento com vida. Logo, o nascituro não é uma pessoa e, diante 
disso, não tem direitos, mas mera expectativa de direitos. 
 
Essa teoria apresenta “uma interpretação literal e simplificada da lei, que 
dispõe que a personalidade jurídica começa com o nascimento com vida, o que traz a 
conclusão de que o nascituro não é pessoa. 
O grande problema da teoria natalista é que ela não consegue responder 
à seguinte constatação e pergunta: se o nascituro não tem personalidade, não é pessoa; 
desse modo, o nascituro seria uma coisa. 
 
2. TEORIA CONCEPCIONISTA: O nascituro é uma pessoa, desde 
a concepção, tendo seus direitos resguardados pela lei. 
No entanto, mesmo entre os concepcionistas há duas vertentes: os mais 
radicais, que consideram o início da personalidade desde a concepção, e os menos 
rigorosos, que entendem que a pessoa humana existe desde nidação ( 14º dia após a 
concepção, momento em que o embrião se fixa na parede do útero). 
 
Qual a teoria adotada pelo Código Civil? O Código Civil adota a teoria 
natalista. 
Embora se observe uma crescente preocupação com a proteção ao 
nascituro, o que indica que o ordenamento jurídico brasileiro pode estar caminhando 
para a adoção da teoria concepcionista, isso ainda não aconteceu. 
 
 
 
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
 
Portanto, para efeito de questões objetivas, deverá ser considerada 
correta a alternativa que afirme que o Código Civil brasileiro adota a teoria natalista. 
 
 
CAPACIDADE 
 
 
É possível alguém ter personalidade e não ter capacidade? Sim. 
Lisiane Brito 
O art. 1º do CC faz menção à capacidade de direito, um atributo natural 
da personalidade, ou seja, qualquer pessoa tem capacidade de direito, que 
consiste na aptidão genérica de adquirir direitos e contrair deveres. Nesse 
sentido, podemos dizer que a capacidade de direito é sinônimo de personalidade. 
 
Veja: 
 
 
A capacidade de fato, por outro lado, é o poder efetivo de exercer 
plenamente os atos da vida civil. Ou seja, enquanto a capacidade de direito é a aptidão 
para adquirir direitos e contrair deveres, a capacidade de fato é a aptidão para exercer 
direitos e deveres, por conta própria. 
 
Quando alguém tem capacidade de direito e capacidade de fato possui 
capacidade plena. Veja: 
 
 
EXEMPLOS: 
 
1. Um recém-nascido tem capacidade de direito, poispode 
herdar bens deixados por seus pais ou avós. No entanto, ele não 
pode administrar essa herança, pois ainda não tem capacidade 
de fato. Quem exercerá esses direitos em seu nome serão seus 
representantes legais (pais ou tutores). 
 
2. João tem 17 anos e deseja vender um imóvel que herdou 
de seu avô. No entanto, como ele ainda não atingiu a maioridade, 
tem capacidade de direito, mas não capacidade de fato para 
realizar esse negócio sozinho. Ele precisará da assistência de 
 
 
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
seus pais ou responsáveis legais para concluir a venda. Portanto, 
tem capacidade de fato. 
 
3. Maria tem 25 anos e deseja abrir uma empresa. Como é 
maior de idade e não possui nenhuma restrição legal (como 
interdição judicial), ela tem capacidade plena para exercer seus 
direitos, ou seja, pode assinar contratos, comprar e vender bens 
e realizar negócios sem a necessidade de um representante legal. 
Portanto, tem capacidade plena. 
 
 
INCAPACIDADE 
 
Observe o esquema abaixo: 
 
 
O INCAPAZ 
 
Incapaz é o sujeito que tem personalidade jurídica e tem capacidade de 
direito, mas não tem capacidade de fato. 
 
Os arts. 3º e 4º do Código Civil, que sofreram alterações recentes, 
promovidas pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência- Lei 13.146/2015- tratam das duas 
modalidades de incapacidade (incapacidade absoluta e incapacidade relativa). 
 
INCAPACIDADE ABSOLUTA 
 
De acordo com o art. 3º do Código Civil, com as alterações promovidas 
pela Lei 13.146/2015, apenas o menor de dezesseis anos é absolutamente incapaz, 
vejamos: 
 
Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente 
os atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos. (Redação 
dada pela Lei n. 13.146, de 2015) 
 
 
INCAPACIDADE RELATIVA 
 
Em sede de incapacidade, se não estivermos diante de um menor de 16 
anos, trata-se de incapacidade relativa. 
As hipóteses, previstas no art. 4º, são situações de limitação parcial da 
capacidade. 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
 
Art. 4º. São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira 
de os exercer: (Redação dada pela Lei n. 13.146, de 2015) 
I – os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; 
II – os ébrios habituais e os viciados em tóxico; 
III – aqueles que, por causa transitória ou permanente, não 
puderem exprimir sua vontade; 
IV – os pródigos. 
 
 
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: A pessoa portadora de deficiência, a 
partir da vigência da Lei 13.146/2015, é considerada capaz. Não importa a deficiência – 
cegueira, surdez, autismo etc. – Se a pessoa tiver mais de dezoito anos ela é capaz. 
 
Na hipótese de a deficiência impedir a pessoa de exprimir sua vontade, 
poderá haver o enquadramento no inciso III do art. 4º, do CC, ou seja, hipótese de 
incapacidade relativa. 
 
 
 Incapazes podem praticar atos da vida civil? Sim, desde que seja 
suprida a incapacidade. 
 
 
A princípio, os atos praticados por sujeitos absolutamente incapazes são 
considerados nulos (CC, art. 166, I) e os atos praticados pelos relativamente incapazes 
são anuláveis (CC, art. 171, I). 
 
 
Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: 
I – celebrado por pessoa absolutamente incapaz; 
 
Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é 
anulável o negócio jurídico: 
I – por incapacidade relativa do agente; 
 
 
No entanto, pela importância da capacidade de fato para a participação 
da pessoa na vida em sociedade, a lei civil estabelece o suprimento da incapacidade, por 
meio do poder familiar, da tutela ou da curatela. 
 
 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art114
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
Assim, os absolutamente incapazes (menores impúberes) não podem 
praticar os atos da vida civil, sem a devida representação, pelos pais ou tutores e os 
relativamente incapazes necessitam da assistência dos respectivos tutores (menores 
púberes) ou curadores, para os atos e negócios jurídicos. 
 
 O relativamente incapaz pode praticar algum ato da vida civil, sem 
estar devidamente assistido e, ainda assim esse ato ser considerado válido? 
A resposta é: sim. O relativamente incapaz pode, sem assistência: 
- aceitar mandato; 
- fazer testamento; 
- ser testemunha. 
 
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: O PRÓDIGO PODE CASAR SEM O 
CONSETIMENTO DO CURADOR? 
 
Pois bem, o pródigo é o gastador compulsivo, que está dilapidando seu 
patrimônio. O curador, nesse caso, tem sua atuação limitada a decisões patrimoniais, 
não tendo ingerência a questões que não envolvem patrimônio. 
 
Diante disso, o pródigo não necessita da manifestação do curador para o 
casamento, mas necessita da autorização para a escolha do regime de bens. 
 
 
O FIM DA INCAPACIDADE 
 
A regra é que ao completar dezoito anos a pessoa se torna plenamente 
capaz, estando apto a praticar todos os atos e negócios jurídicos. 
É o que prevê o Código Civil, em seu art. 5º, caput: 
 
Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando 
a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. 
 
No entanto, a capacidade civil pode ser concedida a um menor púbere, 
através do instituto da emancipação. 
 
 
EMANCIPAÇÃO 
 
A emancipação é a aquisição da capacidade plena, antes da idade mínima 
prevista na lei (dezoito anos). 
O parágrafo único do art. 5º, em seus incisos I a V, prevê três tipos de 
emancipação: voluntária, judicial e legal. 
 
 
Art. 5º, Parágrafo único. Cessará, para os menores, a 
incapacidade: 
– pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, 
mediante instrumento público, inde- pendentemente de 
homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se 
o menor tiver dezesseis anos completos; 
– pelo casamento; 
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
– pelo exercício de emprego público efetivo; 
– pela colação de grau em curso de ensino superior; 
– pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de 
relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com 
dezesseis anos completos tenha economia própria. 
 
Primeiramente é importante ter em mente que a idade mínima para todas 
as hipóteses ali previstas é definida na própria lei: dezesseis anos, menores de dezesseis 
anos são absolutamente incapazes e, portanto, não podem ser emancipados. 
 
O art. 5º, inc. I, prevê a emancipação voluntária e a emancipação judicial. 
A primeira depende da manifestação de concordância de ambos os pais, 
independentemente de autorização judicial. 
Se um dos pais estiver morto, o outro suprirá a falta. Em ambos os casos 
a concessão deverá ser dada mediante escritura pública, lavrada em cartório de notas e 
devidamente regis- trada, como prevê o art. 89 da Lei dos Registros Públicos. 
Na hipótese de ambos os pais serem mortos e o menor estar sob tutela, 
ocorrerá a emancipação judicial, por sentença, após ser ouvido o tutor. 
As hipóteses de emancipação legal, arroladas nos inciso II a V doart. 5º, 
podem ser consideradas automáticas: Casamento, colação de grau, estabelecimento civil 
ou comercial ou emprego privado. 
Nesses casos, ocorrido o fato, o sujeito torna-se capaz. 
O menor emancipado continua sendo menor, apesar de ter adquirido 
capacidade civil plena. Portanto, para efeitos penais ele ainda não é imputável. 
 
 
 
MODALIDADES DE EMANCIPAÇÃO 
 
 
Voluntária (pelos pais) Art. 
5º, p.u., I 
Judicial (pelo juiz) Art. 5º, 
p.u. I 
Legal (decorre da lei) 
Art. 5º, p.u. II, II, IV, V 
- É concedida pelos pais ou 
por um deles, na falta do outro. 
- Tem caráter irrevogável 
mediante instrumento público. 
- Independe de 
homologação judicial. 
- Idade mínima: 16 anos. 
- Concedida pelo juiz, após 
oitiva do tutor e do Ministério 
Público. 
- Idade mínima: 16 anos. 
- Decorre da lei. 
- É automática, não 
necessita de homologação 
judicial. 
 
* Hipóteses: 
 
- Casamento (ver arts. 
1511; 1517; 1520); 
- Exercício de
 emprego público 
efetivo; 
- Colação de grau em 
curso de ensino superior; 
- Estabelecimento civil ou 
comercial ou existência de 
relação de emprego, desde 
que, em função deles, o 
menor com 16 anos
 completos tenha 
economia própria. 
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
 
 EMANCIPAÇÃO PELO CASAMENTO: ART. 1.511, 1.517 E 1.520 CC 
 
Art. 1.517. O homem e a mulher com dezesseis anos podem 
casar, exigindo-se autorização de ambos os pais, ou de seus 
representantes legais, enquanto não atingida a maioridade civil. 
Parágrafo único. Se houver divergência entre os pais, aplica-se o 
disposto no parágrafo único do art. 1.631. 
 
Observação1: ainda que o dispositivo faça referência a homem e mulher, 
é possível o casamento homoafetivo; 
Observação 2. A união estável não gera emancipação. 
 
Art. 1.520. Não será permitido, em qualquer caso, o casamento 
de quem não atingiu a idade núbil, observado o disposto no art. 
1.517 deste Código. 
 
A idade núbil para o casamento é 16 anos, em qualquer circunstância. 
Menores de 16 anos não podem casar. 
Sobre a emancipação é importante saber que o emancipado passa a ter 
responsabilidade de seus atos, em consequência da extinção do poder familiar. 
 
 
Súmula n. 368, STJ: O cancelamento de pensão alimentícia de 
filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, 
mediante contraditório, ainda que nos próprios autos. 
 
Essa regra também se aplica ao emancipado. A pensão alimentícia 
continua sendo devida, após a emancipação, a menos que o emancipado exonere o 
alimentante desse dever. 
 
 
FIM DA PESSOA NATURAL 
 
A personalidade civil da pessoa natural ocorre com a morte, real ou 
presumida. O Código Civil apresenta, nos arts. 6º; 7º; 8º; 22 e 39, disposições sobre a 
morte. 
 
CONSEQUÊNCIAS DA MORTE 
 
A morte é um fato jurídico, cujas consequências jurídicas são: 
 
• Abertura da sucessão (CC, art. 1787); 
• Fim do casamento (CC, art. 1571, I); 
• Fim do poder familiar (CC, art. 1635, I); 
• Fim do dever de alimentos (CC, art. 1700); 
• Término dos contratos personalíssimos; 
• Extinção da punibilidade (CP, art. 107, I); 
• Extinção da ação ou substituição de parte, no Processo Civil. 
 
O art. 6º do Código Civil esclarece que a existência da pessoa natural 
mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
termina com a morte, que pode vir a ser presumida. 
 
Art. 6º A existência da pessoa natural termina com a morte; 
presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei 
autoriza a abertura de sucessão definitiva. 
 
 
 
 
 
MORTE REAL 
 
A morte real, estuda pela tanatologia, um dos ramos da medicina legal, 
tem como critério científico definidor a parada da função encefálica, conhecida como 
morte cerebral, conforme dispõem as Resoluções 1480/1997 e 1826/2007, do Conselho 
Federal de Medicina. 
A comprovação da morte real é feita por meio de atestado de óbito, que 
será levado a registro, no Registro Público de Pessoas naturais, sendo então extraída a 
certidão de óbito, que tem natureza declaratória (CC, art. 9º, I). 
 
Art. 9º Serão registrados em registro público: 
I – os nascimentos, casamentos e óbitos; 
 
 
PRESUNÇÃO DE MORTE 
 
Nem sempre é possível atestar a morte de uma pessoa, já que para a 
emissão do atestado é necessária a existência de um corpo morto. 
Diante disso, o art. 7º do Código Civil menciona as hipóteses de morte 
presumida, sem decretação de ausência. 
O primeiro caso está relacionado a desastres naturais ou humanos, a 
mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
exemplo do que ocorreu na Barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, quando várias 
pessoas ficaram desaparecidas. A segunda hipótese refere-se a desaparecidos em campo 
de batalha que, se até dois anos após o término da guerra não forem encontrados, 
presumem-se mortos. 
 
Art. 7º Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação 
de ausência: 
I – se for extremamente provável a morte de quem estava em 
perigo de vida; 
II – se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, 
não for encontrado até dois anos após o término da guerra 
 
O parágrafo único do art. 7º, traz a seguinte redação: 
 
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, 
somente poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e 
averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do 
falecimento. 
 
 
Exemplo 1 : Um alpinista experiente escala uma montanha 
perigosa e é surpreendido por uma avalanche. Equipes de 
resgate são acionadas, mas, após semanas de buscas, seu corpo 
não é encontrado. Considerando as condições extremas do local 
e a impossibilidade de sobrevivência, a família pode pedir a 
declaração de morte presumida, sem necessidade do 
procedimento de ausência. 
Exemplo 2: Um soldado brasileiro é enviado para uma missão 
de paz no exterior e, durante um ataque inimigo, é dado como 
desaparecido. Com o fim do conflito, as buscas são encerradas, 
mas ele não é encontrado. Passados dois anos do término da 
guerra, sua morte pode ser presumida, permitindo que a família 
resolva questões sucessórias e jurídicas. 
 
 
Repare que a lei exige uma sentença declaratória de morte presumida, 
proferida em processo de justificação de óbito. A sentença e o mandado decorrente do 
processo de justificação serão levados a registro no Registro Civil de Pessoas Naturais. 
 
 
COMORIÊNCIA 
 
Prevista no art. 8º do Código Civil, a comoriência é a morte simultânea de 
duas ou mais pessoas, sem que se possa afirmar qual morreu primeiro. O efeito principal 
da comoriência é que não há transferência de direitos sucessórios entre os comorientes 
(um não herda do outro). 
 
Art. 8º Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, 
mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
não se podendo averiguar se algum dos comorientes precedeu 
aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos. 
 
Para que ocorra a comoriência não é necessário que as mortes tenham 
ocorrido no mesmo local, mas no mesmo momento. Tome por exemplo o desastre de 
Brumadinho, citado há pouco. Encerradas as buscas, declara-sea morte das pessoas 
que desapareceram, ainda que essas estivessem em locais distintos. Além disso, nesse 
caso a comoriência pode estar envolvida em duas situações distintas, quais sejam a 
morte real e a morte presumida, se um doscorpos for encontrado e o outro não. 
 
Exemplo 1 – Acidente de Trânsito Fatal - Um casal de idosos 
está viajando de carro quando sofrem uma colisão frontal com 
um caminhão. Ambos falecem no local, e o laudo pericial não 
consegue determinar quem morreu primeiro. Como não há essa 
definição, aplica-se a comoriência. Assim, nenhum dos cônjuges 
herda do outro, e seus bens são transmitidos diretamente aos 
herdeiros de cada um, conforme as regras sucessórias. 
 
Exemplo 2 – Queda de Avião - Pai e filho estão a bordo de um 
avião que sofre uma pane e cai no oceano. Os corpos são 
encontrados dias depois, mas, devido ao estado de 
decomposição, não é possível estabelecer quem faleceu 
primeiro. Diante disso, considera-se que ambos morreram ao 
mesmo tempo para fins sucessórios, e os bens de cada um são 
partilhados entre seus respectivos herdeiros, sem que haja 
transmissão de patrimônio entre eles. 
 
 
AUSÊNCIA 
 
 
À exceção das duas hipóteses previstas no art. 7º, é necessário o 
procedimento de ausência, para que seja presumida a morte daquele que desapareceu 
e, com isso, se possa abrir a sucessão definitiva. 
Lembrando que o ausente é aquele que sumiu do domicílio, sem deixar 
notícias. 
Para que fique caracterizada a ausência são necessários dois requisitos: 
não presença e não notícia. 
 
Exemplo 1 – Comerciante que desaparece sem deixar rastros - 
Um comerciante sai de sua cidade para comprar mercadorias em 
outra região e nunca mais retorna. Seus familiares tentam 
contato, registram boletins de ocorrência e fazem buscas, mas 
não obtêm nenhuma notícia sobre seu paradeiro. Diante da 
incerteza prolongada e da impossibilidade de administrar seus 
bens, os parentes ingressam com o procedimento de ausência 
para que, após os prazos legais, seja declarada a morte 
presumida e aberta a sucessão definitiva. 
 
Exemplo 2 – Homem que abandona a família e some sem dar 
mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
notícias - Um homem casado e com filhos sai de casa um dia sem 
avisar e nunca mais é visto. A família tenta encontrá-lo de 
diversas formas, mas nenhum contato ou informação sobre ele 
é obtido. Depois de anos sem qualquer notícia, sua esposa e 
filhos buscam o reconhecimento da ausência para que possam 
administrar os bens deixados e, posteriormente, requerer a 
sucessão definitiva. 
 
 
 
PROCEDIMENTO JUDICIAL DE AUSÊNCIA 
 
Na hipótese de ausência a morte presumida deve ser declarada por 
sentença, em procedimento judicial próprio, previsto nos arts. 22 a 39 do Código Civil, 
o qual se desenvolve em três fases. A dinâmica protetiva envolve, inicialmente, o 
patrimônio e, posteriormente, os sucessores. 
 
 
1ª Fase: Curadoria dos Bens do Ausente: 
 
A primeira fase do procedimento envolve medidas acautelatórias, a fim 
de proteger os bens do ausente, para o caso de ele estar vivo (CC, arts. 22 a 25). 
Assim, quando uma pessoa desaparece do seu domicílio, sem deixa 
notícias, os interessados ou o Mistério Público, poderão requerer que juiz que declare a 
ausência e designe um curador. Com isso os bens serão arrecadados, passando sua 
administração ao curador designado (art. 22). 
 
Art. 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela 
haver notícia, se não houver deixado representante ou 
procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a 
requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público, 
declarará a ausência, e nomear-lhe-á curador. 
 
Art. 23. Também se declarará a ausência, e se nomeará curador, 
quando o ausente deixar mandatário que não queira ou não 
possa exercer ou continuar o mandato, ou se os seus poderes 
forem insuficientes. 
 
Quem pode ser curador? 
 
O art. 25 do CC determina que, primeiro, será nomeado o cônjuge ou 
companheiro do ausente, se esses não estiverem separados judicialmente ou de fato por 
mais de dois anos antes da declaração da ausência. Na hipótese de o ausente não ter 
cônjuge ou companheiro, ou no caso de haver separação ou divórcio há mais de dois 
anos, a curadoria dos bens do ausente incumbirá aos pais ou aos descendentes, nesta 
ordem. Na falta das pessoas mencionadas, caberá ao juiz designar um curador. 
 
Art. 25. O cônjuge do ausente, sempre que não esteja separado 
judicialmente, ou de fato por mais de dois anos antes da 
declaração da ausência, será o seu legítimo curador. 
mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
§ 1º Em falta do cônjuge, a curadoria dos bens do ausente 
incumbe aos pais ou aos descendentes, nesta ordem, não 
havendo impedimento que os iniba de exercer o cargo. 
§ 2º Entre os descendentes, os mais próximos precedem os mais 
remotos. 
§ 3º Na falta das pessoas mencionadas, compete ao juiz a 
escolha do curador. 
 
Nesse ponto, é muito importante lembrar do disposto no art. 745, do CPC, 
que prevê a publicação de editais, de dois em dois meses, pelo período de 1 ano. Essa 
publicação deverá ocorrer no site do Tribunal em que corre o procedimento, bem como 
na plataforma de editais do CNC. 
 
Art. 745. Feita a arrecadação, o juiz mandará publicar editais na 
rede mundial de computadores, no sítio do tribunal a que estiver 
vinculado e na plataforma de editais do Conselho Nacional de 
Justiça, onde permanecerá por 1 (um) ano, ou, não havendo 
sítio, no órgão oficial e na imprensa da comarca, durante 1 (um) 
ano, reproduzida de 2 (dois) em 2 (dois) meses, anunciando a 
arrecadação e chamando o ausente a entrar na posse de seus 
bens. 
§ 1º Findo o prazo previsto no edital, poderão os interessados 
requerer a abertura da sucessão provisória, observando-se o 
disposto em lei. 
 
 
2ª Fase: Sucessão Provisória 
 
Conforme o tempo vai passando e o ausente não retorne, aumenta a 
chance de morte e, nesse caso, a proteção acabará passando aos herdeiros, em uma 
segunda fase do processo, denominada Sucessão provisória (CC, arts. 26 a 36). 
Assim, após o transcurso de um ano, contado da arrecadação dos bens 
do ausente, ou três anos, se o ausente deixou representante, os interessados poderão 
requerer que seja declarada a ausência e aberta a sucessão provisória (CC, art. 26). 
 
Art. 26. Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, 
ou, se ele deixou representante ou procurador, em se passando 
três anos, poderão os interessados requerer que se declare a 
ausência e se abra provisoriamente a sucessão. 
 
São considerados interessados, de acordo com o art. 27 do Código Civil: 
 
I – o cônjuge não separado judicialmente; 
II – os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários; 
III – os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente 
de sua morte; 
IV – os credores de obrigações vencidas e não pagas. 
 
Nesse ponto, o art. 28 traz uma regra muito importante. 
 
mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
Art. 28. A sentença que determinar a abertura da sucessão 
provisória só produzirá efeito cento e oitenta dias depois de 
publicada pela imprensa; mas, logo que passe em julgado, 
proceder-se-á à abertura do testamento, se houver, e ao 
inventário e partilha dos bens, comose o ausente fosse falecido. 
§ 1º Findo o prazo a que se refere o art. 26, e não havendo 
interessados na sucessão provisória, cumpre ao Ministério 
Público requerê-la ao juízo competente. 
§ 2º Não comparecendo herdeiro ou interessado para requerer o 
inventário até trinta dias depois de passar em julgado a sentença 
que mandar abrir a sucessão provisória, proceder-se-á à 
arrecadação dos bens do ausente pela forma estabelecida nos 
arts. 1.819 a 1.823. 
 
Aparecendo os interessados, será feita uma partilha provisória, de 
maneira que se aguarde o retorno do ausente, pelo período de dez anos. 
 
 
3ª Fase: Sucessão Definitiva 
 
A última fase do procedimento de ausência é a sucessão definitiva, que 
ocorre após o transcurso de 10 anos do trânsito em julgado da sentença que concedeu 
a abertura da sucessão provisória (CC, arts. 37 a 39; CPC, ar. 744 e ss). 
Existe uma exceção à regra dos dez anos de prazo, prevista no art. 38 do 
CC, que ocorre quando o ausente contar com 80 anos de idade, e já não se tem notícias 
dele há cinco anos. 
 
Art. 38. Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, 
provando-se que o ausente conta oitenta anos de idade, e que 
de cinco datam as últimas notícias dele. 
 
Aberta a sucessão definitiva, a propriedade plena dos bens é concedida 
aos herdeiros, e a morte (presumida) do ausente é declarada. Havendo cônjuge, esse é 
reputado viúvo. Se não houver herdeiros os bens passam ao domínio do Município ou 
do Distrito Federal, incorporando-se ao domínio da União, quando situados os bens em 
território federal. 
Transcorridos mais de dez anos, encerra-se o processo. Se o ausente 
retornar, não terá mais direito aos bens deixados. 
 
Art. 39. Regressando o ausente nos dez anos seguintes à 
abertura da sucessão definitiva, ou algum de seus descendentes 
ou ascendentes, aquele ou estes haverão só os bens existentes 
no estado em que se acharem, os sub-rogados em seu lugar, ou 
o preço que os herdeiros e demais interessados houverem 
recebido pelos bens alienados depois daquele tempo. 
Parágrafo único. Se, nos dez anos a que se refere este artigo, o 
ausente não regressar, e nenhum interessado promover a 
sucessão definitiva, os bens arrecadados passarão ao domínio do 
Município ou do Distrito Federal, se localizados nas respectivas 
circunscrições, incorporando-se ao domínio da União, quando 
mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
situados em território federal. 
 
 
DIREITOS DE PERSONALIDADE 
 
 
O Código Civil de 2002 inovou em relação ao Código anterior, ao tratar 
dos direitos da personalidade, em seus arts. 11 a 21. Mas não podemos esquecer que 
essa proteção é prevista na própria Constituição de 1988, que arrola os direitos 
fundamentais da pessoa humana. 
 
 
CONCEITO 
 
Mas, afinal, o que são direitos da personalidade? 
Os direitos da personalidade são direitos inerentes à pessoa e à sua 
dignidade, na medida em que protegem os atributos específicos da personalidade, 
assim entendida a qualidade do ente considerado pessoa. 
Aqui cabe um alerta: A pessoa jurídica também possui proteção aos 
direitos da personalidade, por equiparação, nos termos do art. 52 do Código Civil. 
 
Art. 52. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção 
dos direitos da personalidade. 
 
Nesse sentido, a Súmula 227 do STJ: 
 
Súmula n. 227 do STJ: A pessoa jurídica pode sofrer dano moral. 
 
 
CARACTERÍSTICAS DO DIREITO DA PERSONALIDADE 
 
 
Já sabemos que os direitos da personalidade têm por base o princípio 
constitucional da dignidade da pessoa humana e que sua finalidade é assegurar a 
adequada proteção e tutela da pessoa. 
Em relação às características desses direitos, a doutrina aponta as 
seguintes: 
 
• Absolutos: os direitos da personalidade são oponíveis erga omnes. Fique 
atento a essa característica, pois “absoluto” aqui não deve ser entendido 
como antônimo de relativo, mas no sentido de que sua proteção opera 
“contra todos”, ou seja, todos devem respeitar os direitos de 
personalidade; 
 
 Exemplo 1: Uma empresa de notícias divulga informações 
falsas sobre um cidadão comum, afetando sua honra. Como o 
direito à honra é absoluto, ele pode exigir retratação e 
indenização. 
mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
Exemplo 2: Um fotógrafo publica a foto de uma pessoa sem 
seu consentimento em um anúncio comercial. A vítima pode 
exigir a retirada da imagem e reparação por danos morais. 
 
• Indisponíveis: a pessoa não pode dispor livremente de seus direitos de 
personalidade. Eu não posso, por exemplo, dispor da minha integridade 
física; 
 
Exemplo 1: Alguém não pode vender um órgão vital, como um 
rim, pois a integridade física é indisponível, salvo nos casos 
permitidos por lei transplante voluntário e autorizado. 
 
Exemplo 2: Uma pessoa não pode assinar um contrato 
concordando em ser escravizada, pois a liberdade e a dignidade 
são direitos indisponíveis. 
 
• Inatos: são inerentes à pessoa. Nascem com ela e morrem com ela; 
 
Exemplo 1: Uma criança, ao nascer, já possui direito à vida e 
ao nome, independentemente de qualquer ato formal. 
 
Exemplo 2: Mesmo sem manifestação expressa, um indivíduo 
já possui o direito à honra e à privacidade desde que nasce. 
 
• Extrapatrimoniais: o conteúdo, a essência dos direitos de personalidade 
não têm valor econômico. Atenção a esse ponto, pois a violação a um 
direito de personalidade gera indenização (por danos morais, materiais, 
estéticos etc.), embora não se possa mensurar o valor econômico daquele 
direito; 
 
Exemplo 1: A honra não pode ser vendida ou comprada, mas 
se alguém sofre difamação, pode buscar indenização por danos 
morais. 
 
Exemplo 2: A integridade física não tem valor econômico, mas, 
caso uma pessoa sofra um acidente causado por negligência 
alheia, pode requerer indenização por danos estéticos. 
 
• Impenhoráveis: não se admite a constrição judicial (penhora) sobre 
direitos de personalidade. Atenção, pois é possível a penhora da 
indenização decorrente da violação, pois essa tem valor patrimonial; 
 
Exemplo 1: O nome de uma pessoa não pode ser penhorado 
para quitar dívidas. 
 
Exemplo 2: A imagem de alguém não pode ser penhorada para 
satisfazer uma execução judicial, ainda que essa imagem tenha 
valor comercial por exemplo, um ator famoso. 
mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
 
• Irrenunciáveis: os direitos de personalidade são insuscetíveis de 
renúncia; 
 
Exemplo 1: Mesmo que uma pessoa declare que não se importa 
em ser difamada, ela ainda tem o direito de buscar proteção caso 
venha a ser ofendida. 
 
Exemplo 2: Alguém não pode formalmente renunciar ao próprio 
direito à integridade física e autorizar outro a lhe causar danos 
físicos. 
 
• Ilimitados: os direitos de personalidade são, a princípio, insuscetíveis de 
limites. 
 
Exemplo 1: O direito à honra é ilimitado e deve ser respeitado 
por todos, não podendo ser restringido arbitrariamente. 
 
Exemplo 2: O direito à identidade e ao nome é ilimitado, mas 
pode ser relativizado em casos excepcionais, como retificação 
judicial para correção ou mudança de nome por proteção à 
segurança. 
 
Nesse ponto, peço sua atenção para a melhor interpretação do art. 11 do 
Código Civil, cuja redação é a seguinte: 
 
Art. 11. Comexceção dos casos previstos em lei, os direitos da 
personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo 
o seu exercício sofrer limitação voluntária. 
 
A primeira parte desse dispositivo não gera maiores indagações, pois 
simplesmente indica a possibilidade de autorização legal para a limitação a direitos da 
personalidade. 
 
Um exemplo prático seria o transplante de órgãos, previsto na 
Lei 9.434/1997. 
 
A Lei 9.434/1997: 
 
Art. 1º A disposição gratuita de tecidos, órgãos e partes do corpo 
humano, em vida ou post mortem, para fins de transplante e 
tratamento, é permitida na forma desta Lei. 
A polêmica reside na parte final do art. 11, a qual afirma que o exercício 
de direito de personalidade não pode sofrer limitação voluntária. 
Doutrina e jurisprudência já se posicionaram no sentido de que a limitação 
ao exercício de direito da personalidade pode, sim, decorrer da manifestação de vontade 
do titular, seja ela unilateral ou contratual. 
Vamos conferir os Enunciados 4 e 139, das Jornadas de Direito Civil da 
Justiça Federal, que fazem uma interpretação teleológica do art. 11: 
mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
 
Enunciado 4 – O exercício dos direitos da personalidade pode 
sofrer limitação voluntária, desde que não seja permanente nem 
geral. 
 
Enunciado 139- Os direitos da personalidade podem sofrer 
limitações, ainda que não especificamente previstas em lei, não 
podendo ser exercidos com abuso de direito de seu titular, 
contrariamente à boa-fé objetiva e aos bons costumes. 
 
Perceba que o entendimento é no sentido de que o exercício dos direitos 
de personalidade pode sofrer limitação voluntária, desde que a limitação não seja 
permanente ou geral e não viole a dignidade do titular, ainda que esse venha a 
concordar. 
 
Exemplo 1: Cláusula de Sigilo em Acordos de Publicidade - Um 
atleta famoso firma contrato com uma marca esportiva e 
concorda em restringir temporariamente seu direito de imagem, 
comprometendo-se a não aparecer publicamente utilizando 
produtos de concorrentes durante o período de vigência do 
contrato. Essa limitação é voluntária e específica, sem afetar sua 
dignidade. 
 
Exemplo 2: Confidencialidade em Acordos Empresariais - Um 
executivo de alto escalão assina um contrato de trabalho que 
prevê uma cláusula de confidencialidade, impedindo-o de 
divulgar certas informações estratégicas da empresa por um 
período determinado, mesmo após o término do contrato. Essa 
limitação ao direito de liberdade de expressão é válida, pois é 
temporária e visa proteger interesses legítimos. 
 
Exemplo 3: Contrato de Uso de Imagem em Filmes e Séries - 
Um ator assina contrato para interpretar um personagem em 
uma série e concorda que sua imagem seja utilizada na 
divulgação da produção por um período determinado. Ainda que, 
futuramente, ele não queira mais associar sua imagem ao papel, 
a limitação contratual é válida, pois foi consentida e tem prazo 
específico. 
 
Exemplo 4: Competição Esportiva com Restrições Contratuais - 
Um lutador de MMA assina contrato com uma organização 
esportiva que proíbe temporariamente que ele participe de 
eventos de outras empresas durante a vigência do contrato. Essa 
limitação ao seu direito de exercer livremente a profissão é 
válida, pois foi aceita voluntariamente e tem um prazo 
determinado. 
 
 
MOMENTO DE AQUISIÇÃO DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE 
 
mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
Antes de adentrarmos nesse ponto, peço que você se lembre que ao 
tratarmos da personalidade, vimos que a pessoa natural adquire personalidade com o 
nascimento com vida, mas que o nascituro tem a proteção aos direitos da personalidade. 
Pois bem, vejamos o esquema a seguir: 
 
 
Ou seja, o nascituro (aquele que ainda está no útero materno) já goza da 
proteção aos direitos da personalidade, tendo inclusive direito à reparação de danos 
morais. 
Vamos conferir o Enunciado 1, das Jornadas de Direito Civil da Justiça 
Federal: 
 
1– Art. 2º: A proteção que o Código defere ao nascituro alcança 
o natimorto no que concerne aos direitos da personalidade, tais 
como: nome, imagem e sepultura. 
 
Exemplo 1: Direito ao Nome e Registro - Maria e João perdem 
seu filho durante o parto. Mesmo sendo natimorto, eles têm o 
direito de registrá-lo com um nome no assento de nascimento e 
óbito no cartório. Esse registro garante a dignidade da criança e 
o reconhecimento oficial de sua existência. 
 
Exemplo 2: Direito à Sepultura e à Memória - Uma família 
sepulta um bebê natimorto em um jazigo familiar. Algum tempo 
depois, descobrem que um hospital utilizou imagens do feto sem 
autorização para uma campanha sobre saúde neonatal. A família 
ingressa com uma ação judicial para que o hospital cesse o uso 
indevido da imagem, garantindo o respeito à memória e à 
dignidade do natimorto. 
 
 
 
EXTINÇÃO DOS DIREITOS DE PERSONALIDADE 
 
Como já vimos, ao tratar das características dos direitos de personalidade, 
esses são vitalícios. Significa que esses direitos existem até a morte do titular. 
Existe proteção aos direitos de personalidade após a morte? Existe 
proteção, mas não existe o direito da personalidade. Não há que se falar em danos 
morais para um morto. 
Então, embora o momento da aquisição do direto de personalidade não 
coincida com o surgimento da personalidade, o momento extintivo de ambos é o mesmo: 
A morte. 
mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
No entanto, existem três reflexos dos direitos de personalidade, que se 
projetam após a morte. 
São eles: 
 
• 1. Sucessão processual: trata-se da substituição de parte no processo, 
prevista no art. 110, do CPC. Quando uma parte morre, durante o curso do processo, 
poderá haver a extinção do processo sem análise do mérito, com base no art. 485, do 
CPC, se a ação for intransmissível, por disposição legal, mas também poderá haver a 
sucessão processual. 
Em se tratando de ação de cunho patrimonial, a sucessão caberá ao 
espólio e nas ações que não envolvem aspectos patrimoniais o sujeito que morreu será 
substituído pelos herdeiros. 
 
Exemplo 1: João ajuizou uma ação de indenização contra uma 
empresa, alegando danos materiais decorrentes de um contrato 
descumprido. Durante o andamento do processo, João falece. 
Como se trata de uma ação patrimonial, a sucessão processual 
caberá ao espólio, representado pelo inventariante. O processo 
continuará normalmente, e o valor da indenização, se concedida, 
integrará o patrimônio do falecido e será distribuído aos 
herdeiros no inventário. 
 
Exemplo 2: Maria ingressou com uma ação de reconhecimento 
de paternidade para que seu suposto pai fosse judicialmente 
declarado como tal. No decorrer do processo, Maria falece. Como 
essa é uma ação de cunho personalíssimo, não envolvendo 
questões patrimoniais diretas, a sucessão processual ocorrerá 
com a substituição de Maria por seus herdeiros, que poderão 
continuar o processo para fins de obtenção de um 
reconhecimento que pode ter efeitos familiares e sucessórios. 
 
 
• 2. Transmissibilidade do direito à reparação. De acordo com o art. 943 
do Código Civil, o direto de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se, 
com a herança. 
Sendo assim, se alguém que tinha direito à reparaçãopor danos vier a 
falecer, os herdeiros podem exigir a reparação. 
 
 
Exemplo 1: João sofreu um acidente de trânsito causado por 
um motorista embriagado e ingressou com uma ação 
indenizatória para receber os valores referentes aos danos 
materiais do seu veículo e despesas médicas. No decorrer do 
processo, João falece. Como o direito à reparação por danos 
materiais é transmissível, seus herdeiros podem dar continuidade 
à ação e exigir a indenização que João teria direito, pois essa 
reparação se incorpora ao patrimônio do falecido. 
 
Exemplo 2: Maria foi vítima de um erro médico grave e 
ingressou com uma ação de indenização por danos morais. 
mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
Durante o curso do processo, ela falece. Mesmo sendo uma 
indenização por dano moral, que é um direito personalíssimo, a 
jurisprudência entende que, uma vez reconhecido o direito à 
indenização, esse valor passa a integrar o patrimônio da vítima e 
pode ser recebido pelos seus herdeiros. Assim, os filhos de Maria 
podem continuar o processo para receber a indenização de vida. 
 
 
• 3. Lesados Indiretos: podemos dizer que esse é, dentre os três reflexos 
dos direitos de personalidade que se projetam após a morte, o mais relevante, para a 
nossa aula. Os lesados indiretos são aqueles que decorrem do “dano por ricochete”. 
Significa dizer que muitas vezes o dano é direcionado para a pessoa, mas como essa 
está morta os reflexos da lesão atingem os que ficaram. Ou seja, não é o morto que 
sofre danos morais, mas quem ficou. 
 
Exemplo 1: Tragédia da Boate Kiss (2013) - No incêndio da 
Boate Kiss, em Santa Maria (RS), mais de 240 pessoas perderam 
a vida. Os pais e familiares das vítimas sofreram imensa dor e 
sofrimento pela perda de seus entes queridos. Muitos deles 
ingressaram na Justiça requerendo indenização por danos 
morais, alegando o impacto psicológico devastador da tragédia. 
Esse é um exemplo clássico de dano por ricochete, pois o dano 
inicial ocorreu nas vítimas do incêndio, mas seus familiares foram 
atingidos indiretamente pelo sofrimento causado pela perda. 
 
Exemplo 2: Caso João Hélio (2007) - João Hélio, um menino de 
6 anos, foi brutalmente assassinado durante um assalto no Rio 
de Janeiro, quando ficou preso pelo cinto de segurança do carro 
e foi arrastado por quilômetros. A morte do garoto gerou um 
abalo emocional extremo nos pais e na irmã, que ingressaram 
com ação judicial requerendo indenização por danos morais. 
Nesse caso, os pais não foram vítimas diretas do crime, mas 
sofreram a perda irreparável de um ente querido, caracterizando 
o dano moral reflexo ou por ricochete. 
 
 
Os arts. 12 e 20, do Código Civil apresentam o regramento do tema, nos 
seguintes termos: 
 
Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito 
da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de 
outras sanções previstas em lei. 
Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legitimação para 
requerer a medida prevista neste artigo o cônjuge sobrevivente, 
ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto 
grau. 
 
Exemplo 1: Uso Indevido da Imagem de Pessoa Falecida - Uma 
empresa de cosméticos lança uma campanha publicitária 
utilizando a imagem de uma atriz famosa já falecida, sem 
mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
autorização da família. Diante disso, o cônjuge sobrevivente e os 
filhos da atriz ingressam com uma ação judicial para exigir que a 
empresa cesse o uso indevido da imagem e, ainda, pleiteiam 
indenização por danos morais e materiais. 
 
Exemplo 2: Difamação de Pessoa Falecida - Após a morte de 
um renomado médico, um jornalista publica uma matéria 
alegando, sem provas, que ele teria cometido atos ilícitos durante 
sua carreira. A família, abalada com as falsas acusações, ingressa 
na Justiça para exigir a retratação e a remoção da publicação, 
além de pleitear indenização por danos morais, com base na 
proteção aos direitos da personalidade do falecido. 
 
 
Esse dispositivo se aplica a qualquer direito de personalidade. 
Vejamos, agora, o que diz o art. 20, que é específico ao direito de imagem 
(voz, atributo e retrato): 
 
Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração 
da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de 
escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição 
ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, 
a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, 
se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se 
se destinarem a fins comerciais. 
Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são 
partes legítimas para requerer essa proteção o cônjuge, os 
ascendentes ou os descendentes. 
 
 
Exemplo 1: Uso Comercial Indevido da Imagem de Pessoa 
Falecida - Uma marca de roupas lança uma nova coleção 
estampando camisetas com a imagem de um cantor famoso já 
falecido, sem qualquer autorização da família. O uso tem fins 
comerciais e não se enquadra nas exceções legais. Diante disso, 
os filhos do cantor ingressam com uma ação judicial para proibir 
a comercialização das peças e requerem indenização pelo uso 
indevido da imagem do falecido. 
 
 
Exemplo 2: Documentário Ofensivo à Memória de Pessoa 
Falecida - Uma produtora lança um documentário sobre um 
político falecido, retratando-o de forma pejorativa, com 
alegações não comprovadas que afetam sua honra e 
respeitabilidade. A família do político, sentindo-se ofendida e 
preocupada com a preservação da memória do falecido, ingressa 
com uma ação para impedir a veiculação do documentário e 
exigir indenização pelos danos morais causados. 
 
 
mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com
FACULDADE UNIBRAS DO MATO GROSSO 
Educare Gestão de Educação Ltda 
CNPJ: 05.306.381/0001-55 
Rua Projetada II, 205, Jardim das Oliveiras - S. J. dos Quatro Marcos/MT 
Prof. Esp. Tamires Rodrigues Perin 
tamires.perin@brasiliaeducacional.com 
 
 
 
 
“O conhecimento é a chave que abre portas para 
novas oportunidades e transforma vidas. Que esta 
apostila tenha sido mais do que um material de estudo, 
mas um passo a mais na sua jornada de aprendizado e 
crescimento. Nunca pare de questionar, de buscar e de 
evoluir. O Direito não é apenas um conjunto de 
normas, mas um instrumento de justiça e 
transformação social. Siga firme no seu propósito e 
lembre-se: o esforço de hoje será a sua conquista de 
amanhã. Sucesso na caminhada!" 
 
Estamos Juntos nessa caminhada! 
 
Prof. Tamires Rodrigues Perin 
 
mailto:tamires.perin@brasiliaeducacional.com

Mais conteúdos dessa disciplina