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CONCEITO DE OBRIGAÇÃO (artigos 233 a 420, CC) 
Conceito romano: vínculo jurídico submetido coercitivamente pelas leis. 
Conceito contemporâneo: conjunto de normas reguladoras das relações 
patrimoniais entre um credor (sujeito ativo) e um devedor (sujeito passivo) a quem 
incube o dever de cumprir, espontânea ou coativamente, uma prestação de dar, 
fazer ou não fazer. 
Etimologia: ob + ligatio -> ideia de restrição da liberdade de ação, em benefício de 
pessoa determinada ou determinável. 
Espécies de obrigação: contratos, responsabilidade civil, atos unilaterais, títulos 
de crédito e insolvência civil. 
Características do direito das obrigações: 
• Caráter pessoal; 
• Direito relativo; 
• Transitoriedade. 
ESTRUTURA DA OBRIGAÇÃO 
Elementos da relação jurídica obrigacional: 
Elemento Subjetivo: sujeitos da obrigação. 
• Sujeito ativo: credor, titular do direito de crédito, detentor do poder de exigir, 
em caso de inadimplemento, o cumprimento coercitivo da prestação. 
• Sujeito passivo: devedor, é a parte a quem incube o dever de efetuar a 
prestação. 
Determinação ou Determinabilidade dos sujeitos: 
 
Credor e devedor devidamente identificados no título negocial. 
• Indeterminabilidade subjetiva ativa: indeterminado o sujeito ativo. 
• Indeterminabilidade subjetiva passiva: não especifica o devedor. 
• Obrigação ambulatória: indeterminabilidade do credor ou devedor for da 
própria essência da obrigação examinada. 
o Representantes: declaração de vontade pelo representado. 
o Núncios: transmissores da vontade do declarante. 
Titularidade do crédito e da dívida: 
• Atual: tem a titularidade atual da situação jurídica, sabe-se quem é o credor. 
• Potencial: não tem a titularidade atual da situação subjetiva, mas já tem um 
título para adquiri-la. 
• Ocasional: pode ser um sujeito qualquer. 
• Institucional: intuitu personae (motivo que determina a vontade de certa 
pessoa para com outra). 
Elemento Objetivo: objeto da obrigação (prestação, sempre constitui uma ação do 
devedor). 
• Objeto direto ou imediato: comportamento do devedor quanto ao interesse do 
credor, podendo esse exigir como titular de crédito. 
• Objeto indireto ou mediato: objeto da própria prestação, que é de interesse do 
credor, a coisa ou fato. 
o Positiva: 
▪ De dar: 
• Coisa certa: por exemplo, entrega de determinado 
veículo, por força de contrato de compra e venda. 
• Restituir. 
• Coisa incerta: por exemplo, sujeito se obriga a alienar 
determinada quantidade de café, sem especificar a 
sua qualidade. 
▪ De fazer: prestação de conduta comissiva, por exemplo, 
pintar um quadro. 
o Negativa: 
▪ De não fazer: abstenções juridicamente relevantes. 
Pressupostos de prestação: licitude, determinação, possibilidade, conteúdo 
econômico, temporalidade (prestações instantâneas e duradouras). 
Elemento ideal/abstrato: vínculo jurídico entre credor e devedor. Elemento 
espiritual da obrigação, que é uma relação pessoal que o devedor deve cumprir 
prestação patrimonial ao credor. 
OBRIGAÇÕES NATURAIS (IMPERFEITAS) 
Obrigações desprovidas de pretensão, não podem ser exigidas judicialmente, nem 
conferem ao credor, o poder de interferir no patrimônio econômico do devedor, 
mas que, sendo cumprido, não caracterizará pagamento indevido. Afasta 
responsabilidade do devedor, faltando o núcleo central. 
• Irrepetibilidade do pagamento: regra a ser observada no cumprimento de uma 
obrigação natural, o pagamento deve ser realizado sem coação, caso contrário, 
a repetição é cabível. 
• Exemplos: dívidas prescritas, dívidas de jogo e aposta, e mútuo feito ao menor. 
OBRIGAÇÕES DE MEIO, RESULTADO E PROPTER REM 
Obrigações de meio: aquela em que o devedor se obriga a empreender sua 
atividade, sem garantir, todavia, o resultado esperado. Haverá responsabilização 
do devedor se, por sua culpa, não houver o cumprimento da obrigação, mas, não 
haverá responsabilização do devedor se, cumprindo a obrigação (prestação 
debitória), o credor não chegar no resultado que o interessa. 
Obrigações de resultado: o devedor se obriga não apenas a empreender a sua 
atividade, mas, principalmente, a produzir o resultado esperado pelo credo. 
Haverá responsabilização civil do devedor se, por sua culpa, não houver o 
resultado. 
Obrigações Propter Rem: são condições para o livre gozo da coisa, podem se 
expressar em prestações positivas ou negativas. Se relacionam ao titular de um 
direito real; o devedor se libera da prestação diante do abandono do bem, 
abdicando do direito real; elas têm uma acessoriedade especial, dotada de 
ambulatoriedade. Responsabilidade recai sobre o patrimônio econômico do 
devedor. 
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou 
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que 
exclusivamente moral, comete ato ilícito. 
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao 
exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim 
econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. 
Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas 
e danos devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente 
perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar. 
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a 
outrem, fica obrigado a repará-lo. 
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, 
independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou 
quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano 
implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. 
MODALIDADES DE OBRIGAÇÃO 
Obrigações de dar: dar, entregar ou restituir. 
Obrigações de dar coisa certa (artigos 233 a 237, CC): o devedor obriga-se a dar, 
entregar ou restituir coisa específica, certa, determinada. O credor não está 
obrigado a receber outra coisa senão aquela descrita no título da obrigação. 
Acessorium sequitur principale: acessório segue o principal, ou seja, o devedor 
não poderá se negar a dar ao credor aqueles bens que, sem integrar a coisa 
principal, secundam-na por acessoriedade. 
Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela 
embora não mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das 
circunstâncias do caso. 
Responsabilidade pelo descumprimento da prestação: 
• Perda ou perecimento (prejuízo total): 
Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem 
culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente a condição 
suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes; se a perda 
resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais 
perdas e danos. 
o Sem culpa do devedor: resolve-se a obrigação, suportando o 
prejuízo o proprietário da coisa que ainda não a havia alienado. 
o Com culpa do devedor: responsabilidade de pagar o equivalente 
mais perdas e danos. 
• Deterioração (prejuízo parcial): 
Art. 235. Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, poderá o 
credor resolver a obrigação, ou aceitar a coisa, abatido de seu preço o 
valor que perdeu. 
Art. 236. Sendo culpado o devedor, poderá o credor exigir o 
equivalente, ou aceitar a coisa no estado em que se acha, com direito 
a reclamar, em um ou em outro caso, indenização das perdas e danos. 
o Sem culpa do devedor: resolve-se a obrigação ou o credor aceita a 
coisa deteriorada, abatido de seu preço, o valor que perdeu. 
o Com culpa do devedor: exige o equivalente mais as perdas e danos, 
ou, aceita a coisa deteriorada mais perdas e danos. 
Obrigações de dar coisa incerta (artigos 243 a 246, CC): entrega de coisa 
especificada apenas pela espécie e quantidade (obrigação genérica). 
Art. 243. A coisa incerta será indicada, ao menos, pelo gênero e pela 
quantidade. 
Art. 244. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade, a 
escolha pertence ao devedor, se o contrário não resultar do título da 
obrigação; mas não poderá dar a coisa pior, nem será obrigado a 
prestar a melhor. 
Art. 245. Cientificado da escolha o credor, vigorará o disposto na Seção 
antecedente.• A prestação genérica deverá se converter em prestação determinada, 
quando o devedor ou o credor escolher o tipo de produto a ser entregue, no 
momento do pagamento (concentração de débito). O devedor se impõe a 
escolher pela média, feita a escolha e cientificado o credor, a coisa incerta 
se converte em coisa certa. 
Responsabilidade pelo descumprimento da prestação: 
Art. 246. Antes da escolha, não poderá o devedor alegar perda ou 
deterioração da coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito. 
Melhoramentos e acrescidos: 
Art. 237. Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus 
melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento no 
preço; se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a obrigação. 
Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao 
credor os pendentes. 
OBRIGAÇÕES DE RESTITUIR 
Obrigações de restituir: devolução da coisa recebida pelo devedor. 
Responsabilidade civil: 
• Perda (artigos 238 e 239, CC): 
Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do 
devedor, se perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a 
obrigação se resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda. 
Art. 239. Se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este 
pelo equivalente, mais perdas e danos. 
o Sem culpa do devedor: a coisa perece para o credor, que suportará 
o prejuízo, sem direito a indenização. 
o Com culpa do devedor: responde pelo equivalente, mais perdas e 
danos. 
• Deterioração (art. 240, CC): 
Art. 240. Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor, 
recebê-la-á o credor, tal qual se ache, sem direito a indenização; se por 
culpa do devedor, observar-se-á o disposto no art. 239. 
o Sem culpa do devedor: credor recebe o objeto sem direito à 
indenização. 
o Com culpa do devedor: responde pelo equivalente mais perdas e 
danos. 
Acrescidos e melhoramentos: 
• Sem despesas do devedor (art. 241, CC): lucrará o credor, desobrigado de 
indenização, se tais benefícios se agregaram a coisa principal. 
Art. 241. Se, no caso do art. 238, sobrevier melhoramento ou acréscimo 
à coisa, sem despesa ou trabalho do devedor, lucrará o credor, 
desobrigado de indenização. 
• Com despesas do devedor (art. 242, CC): regras da posse. 
Art. 242. Se para o melhoramento, ou aumento, empregou o devedor 
trabalho ou dispêndio, o caso se regulará pelas normas deste Código 
atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé ou de má-
fé. 
Parágrafo único. Quanto aos frutos percebidos, observar-se-á, do 
mesmo modo, o disposto neste Código, acerca do possuidor de boa-fé 
ou de má-fé. 
Benfeitorias necessárias (conservar o bem) ou úteis (facilitar utilização): 
devedor de boa-fé pode ser indenizado, podendo reter a coisa até o pagamento 
devido. 
Benfeitorias voluptuárias (embelezamento): devedor pode levá-las caso não 
pago o valor devido e não prejudique a coisa principal. 
• Em caso de má-fé, o devedor só pode reclamar pelos acréscimos 
necessárias, sem direito de retenção. 
Frutos: boa-fé (devedor tem direito aos frutos percebidos) e má-fé (devedor 
responde pelos frutos colhidos, percebidos e percipiendos, devendo indenizar 
caso não possa restituir. Só tem direito às despesas de produção e custeio). 
OBRIGAÇÕES DE FAZER E NÃO FAZER 
Obrigações de fazer: interessa ao credor a própria atividade do devedor. 
• Fungíveis: quando não houver restrição negocial no sentindo de que o serviço 
seja realizado por outrem. 
• Infungíveis: se ficar estipulado que apenas o devedor indicado no título da 
obrigação possa satisfazê-la (obrigações personalíssimas). 
Responsabilidade civil: 
• Sem culpa do devedor: resolve a obrigação sem indenizar. 
Art. 248. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do 
devedor, resolver-se-á a obrigação; se por culpa dele, responderá por 
perdas e danos. 
• Com culpa do devedor: indenizará o credor pelo prejuízo. 
Art. 247. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor 
que recusar a prestação a ele só imposta, ou só por ele exeqüível. 
Art. 248. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do 
devedor, resolver-se-á a obrigação; se por culpa dele, responderá por 
perdas e danos. 
Art. 249. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor 
mandá-lo executar à custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, 
sem prejuízo da indenização cabível. 
Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor, 
independentemente de autorização judicial, executar ou mandar 
executar o fato, sendo depois ressarcido. 
A POSSIBILIDADE DE O FATO SER EXECUTADO POR TERCEIRO, 
HAVENDO RECUSA OU MORA DO DEVEDOR. 
Obrigações de não fazer: comportamento omissivo do devedor, serão ilícitas as 
obrigações que violem princípios de ordem pública e vulnerem garantias 
fundamentais. 
Responsabilidade civil: 
• Descumprimento fortuito: ocorreu sem culpa do devedor, extingue-se a 
obrigação, sem perdas e danos. 
Art. 250. Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem culpa do 
devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato, que se obrigou a não 
praticar. 
• Descumprimento culposo: com culpa do devedor ressarce perdas e danos. 
Art. 251. Praticado pelo devedor o ato, a cuja abstenção se obrigara, o 
credor pode exigir dele que o desfaça, sob pena de se desfazer à sua 
custa, ressarcindo o culpado perdas e danos. 
Parágrafo único. Em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou 
mandar desfazer, independentemente de autorização judicial, sem 
prejuízo do ressarcimento devido. 
OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS, CUMULATIVAS E FACULTATIVAS 
Obrigações alternativas: o objeto são duas ou mais prestações, sendo que o 
devedor se exonera cumprindo apenas uma delas. 
Impossibilidade total (todas as prestações alternativas): 
• Sem culpa do devedor: extingue-se a obrigação. 
Art. 256. Se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do 
devedor, extinguir-se-á a obrigação. 
• Com culpa do devedor: se a escolha cabe ao próprio devedor (deverá pagar 
o valor da prestação que se impossibilitou por último, mais as perdas e danos – 
art. 254, CC), se a escolha cabe ao credor (poderá exigir o valor de qualquer 
das prestações, mais perdas e danos – art. 255, CC). 
Art. 254. Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das 
prestações, não competindo ao credor a escolha, ficará aquele 
obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou, mais as 
perdas e danos que o caso determinar. 
Art. 255. Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações 
tornar-se impossível por culpa do devedor, o credor terá direito de 
exigir a prestação subsistente ou o valor da outra, com perdas e danos; 
se, por culpa do devedor, ambas as prestações se tornarem 
inexeqüíveis, poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas, 
além da indenização por perdas e danos. 
Impossibilidade parcial (de uma das prestações alternativas): 
• Sem culpa do devedor: concentração do débito na prestação subsistente. 
Art. 253. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de 
obrigação ou se tornada inexeqüível, subsistirá o débito quanto à 
outra. 
• Com culpa do devedor: se a escolha cabe ao próprio devedor (concentração 
do débito na prestação subsistente – art. 253, CC), se a escolha cabe ao 
próprio credor (poderá exigir a prestação remanescente ou valor da que se 
impossibilitou, mais as perdas e danos – art. 255, CC). 
Obrigações facultativas: tendo um único objeto, o devedor tem a faculdade de 
subsistir a prestação devida por outra de natureza diversa, prevista 
subsidiariamente. 
• Se a prestação inicialmente prevista se impossibilitar sem culpa do devedor, a 
obrigação extingue-se, não tendo o credor o direito de exigir a prestação 
subsidiária. 
Obrigações cumulativas: tem por objeto uma pluralidade de prestações, que 
devem ser cumpridas conjuntamente. 
OBRIGAÇÕES DIVÍSIVEIS E INDIVÍSIVEIS 
Obrigações divisíveis: admitem o cumprimento fracionado ou parcial da 
prestação. 
Art. 257. Havendo mais de um devedor oumais de um credor em 
obrigação divisível, esta presume-se dividida em tantas obrigações, 
iguais e distintas, quantos os credores ou devedores. 
Obrigações indivisíveis: só podem ser cumpridas por inteiro. 
Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto 
uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por 
motivo de ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio 
jurídico. 
• Natural (material): não pode dividir pela sua natureza. Ex: touro, cavalo. 
o Legal (jurídica): decorre de norma legal. Ex: módulo rural é indivisível 
segundo o art. 1.386, CC. 
o Convencional: as partes estipulam a indivisibilidade. 
Pluralidade de devedores: se concorrerem dois ou mais devedores, cada um 
deles estará obrigado pela dívida toda. Devedor que paga integralmente a dívida 
substitui-se nos direitos do credor em relação aos outros coobrigados. 
Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for 
divisível, cada um será obrigado pela dívida toda. 
Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito 
do credor em relação aos outros coobrigados. 
Pluralidade de credores: qualquer deles poderá exigir a dívida inteira. O devedor 
se desobriga: 
Art. 260. Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes 
exigir a dívida inteira; mas o devedor ou devedores se desobrigarão, 
pagando: 
I - a todos conjuntamente; 
II - a um, dando este caução de ratificação dos outros credores. 
• Pagando a todos os credores conjuntamente: devedor exigir recibo de 
quitação, firmado por todos os credores. 
• Pagando a um, dando esta caução de ratificação dos outros credores: o 
devedor pode pagar a apenas um credor, caso este apresente uma garantia de 
que os outros credores ratificam o pagamento. 
Remissão: dívida pode se extinguir pela remissão, que é o perdão da dívida, caso 
apenas um dos credores perdoe, a obrigação de pagamento ainda se manterá 
quanto aos outros credores, abatendo-se o valor da parte remitida. 
Art. 262. Se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará 
extinta para com os outros; mas estes só a poderão exigir, descontada 
a quota do credor remitente. 
Parágrafo único. O mesmo critério se observará no caso de transação, 
novação, compensação ou confusão. 
Perdas e danos: perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em 
perdas e danos. Ex: obrigação indivisível com pluralidade de credores (se o 
animal perecer por culpa de todos eles, responderão por partes iguais pelas perdas 
e danos devidos ao credor, se só um for culpado, apenas ele será responsabilizado 
civilmente). 
Art. 263. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver 
em perdas e danos. 
§ 1 o Se, para efeito do disposto neste artigo, houver culpa de todos os 
devedores, responderão todos por partes iguais. 
§ 2 o Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros, 
respondendo só esse pelas perdas e danos. 
SOLIDARIEDADE 
Solidariedade: uma relação jurídica obrigacional com pluralidade de sujeitos, não 
se presume nunca, precisa estar expressa na lei ou pela vontade das próprias 
partes. 
Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais 
de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou 
obrigado, à dívida toda. 
Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade 
das partes. 
Solidariedade ativa (artigos 267 a 274, CC): pluralidade de credores, cada um 
com direito à dívida toda. 
• Pagar a quem: pactuada a solidariedade ativa entre três credores, o devedor, 
cobrado por apenas um deles, exonera-se pagando-lhe toda a soma devida. 
Aquele que recebeu o pagamento, por óbvio, responderá perante os demais 
pelas quotas de cada um, existe uma relação jurídica interna entre os credores, 
a qual é irrelevante para o devedor. O pagamento feito pelo devedor a um dos 
credores solidários extingue a dívida até o montante do que foi pago. 
Art. 267. Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do 
devedor o cumprimento da prestação por inteiro. 
Art. 268. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o 
devedor comum, a qualquer daqueles poderá este pagar. 
Art. 269. O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a 
dívida até o montante do que foi pago. 
• Falecimento do credor solidário: se a obrigação for indivisível, o herdeiro 
poderá exigi-lo por inteiro, responde perante os outros pela quota-parte de cada 
um. 
Art. 270. Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, 
cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que 
corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for 
indivisível. 
• Perdas e danos: 
Art. 271. Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, 
para todos os efeitos, a solidariedade. 
• Remissão: o credor remitente responderá perante os demais credores pela 
parte que lhes caiba. 
Art. 272. O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento 
responderá aos outros pela parte que lhes caiba. 
• Exceções comuns e pessoais: se apenas um dos credores atuou dolosamente 
quando da celebração do contrato, estando todos os demais de boa-fé, a 
exceção não poderá ser oposta contra todos. 
Art. 273. A um dos credores solidários não pode o devedor opor as 
exceções pessoais oponíveis aos outros. 
Solidariedade passiva (artigos 275 a 285, CC): pluralidade de devedores, cada um 
deles obrigado ao pagamento de toda a dívida. 
• Falecimento do devedor solidário: 
Art. 276. Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, 
nenhum destes será obrigado a pagar senão a quota que corresponder 
ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível; mas 
todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em 
relação aos demais devedores. 
o Dívida indivisível: qualquer herdeiro, individualmente, pode ser 
compelido a pagar tudo, bem como qualquer devedor. 
o Dívida divisível: nesse caso, a situação varia se o herdeiro for acionado 
individualmente ou reunido com os demais herdeiros. 
▪ Acionamento individual: qualquer herdeiro paga apenas sua 
quota-parte na herança, não podendo ser compelido a 
pagamento que supere sua parte na herança. 
▪ Acionamento coletivo dos herdeiros: somente reunidos, os 
herdeiros podem ser compelidos a pagar toda a dívida, pois 
ocupam a posição do devedor falecido. 
• Renúncia à solidariedade: 
Art. 282. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de 
alguns ou de todos os devedores. 
Parágrafo único. Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais 
devedores, subsistirá a dos demais. 
• Rateio da parte do insolvente: 
Art. 284. No caso de rateio entre os co-devedores, contribuirão também 
os exonerados da solidariedade pelo credor, pela parte que na 
obrigação incumbia ao insolvente. 
PAGAMENTO 
Pagamento (artigos 304 a 333, CC): cumprimento voluntário de qualquer espécie 
de obrigação, paga aquele que entrega uma quantia, realiza uma atividade ou se 
abstém de determinado comportamento. 
Elementos necessários: 
• Vínculo obrigacional: trata-se da causa do pagamento; não havendo vínculo, 
não há que se pensar em pagamento, sob pena de caracterização de 
pagamento indevido. 
• Sujeito ativo do pagamento: o devedor (solvens), que é o sujeito passivo da 
obrigação. 
• Sujeito passivo do pagamento: o credor (accipiens), que é o sujeito ativo da 
obrigação. 
Validade: 
• Condições subjetivas do pagamento: 
o De quem deve pagar: devedor, terceiro interessado (pessoa 
juridicamente subordinada ao pagamento da dívida. Ex: fiador) e 
terceiro não interessado (interesse meramente moral. Ex: pai). 
o Daqueles a quem deve pagar: credor, representante do credor; 
terceiro. 
• Condições objetivas do pagamento: 
o Do objeto do pagamento e sua prova: quitação é o meio de prova do 
pagamento. 
o Do lugar do pagamento: domicílio do devedor. 
o Do tempo do pagamento: dia do vencimento da dívida. 
SUPERENDIVIDAMENTO E A TUTELA DA INSOLVÊNCIA CIVIL 
O superendividamento refere-se auma situação na qual uma pessoa, física ou 
jurídica, acumula dívidas de forma excessiva, ultrapassando sua capacidade 
de pagamento. No contexto do direito civil brasileiro, essa problemática é 
abordada pela TUTELA DA INSOLVÊNCIA CIVIL, um conjunto de normas jurídicas 
que visam proteger o devedor em situações de dificuldade financeira extrema. 
A tutela da insolvência civil está prevista no Código Civil Brasileiro, especialmente 
nos artigos 748 a 1.058. Essas normas estabelecem procedimentos e medidas 
para lidar com a insolvência do devedor, buscando preservar seus direitos e 
possibilitar a reorganização de suas finanças. 
A principal finalidade da tutela da insolvência civil é evitar o agravamento da 
situação do devedor e garantir uma distribuição justa dos seus recursos entre 
os credores. Além disso, busca-se preservar a atividade econômica do devedor, 
permitindo sua recuperação financeira, quando possível. 
Algumas das principais características e instrumentos da tutela da insolvência civil 
incluem: 
 
• Recuperação Judicial: Procedimento destinado a empresas que se encontram 
em situação de crise econômico-financeira, permitindo a negociação e 
reestruturação das dívidas. 
• Recuperação Extrajudicial: Um meio de negociação entre o devedor e seus 
credores, realizado fora do âmbito judicial, com o objetivo de evitar a falência. 
• Falência: Quando não é possível a recuperação da empresa, a falência é 
decretada, e seus bens são liquidados para o pagamento dos credores. 
• Insolvência Civil da Pessoa Física: Para casos de superendividamento de 
pessoas físicas, o devedor pode buscar a insolvência civil, permitindo a 
renegociação ou até mesmo a quitação de suas dívidas. 
É importante ressaltar que a legislação brasileira busca equilibrar os interesses do 
devedor e dos credores, buscando soluções que possibilitem a preservação das 
atividades econômicas viáveis e, ao mesmo tempo, a satisfação dos créditos dos 
envolvidos. Essas normas têm como objetivo fornecer meios adequados para 
enfrentar situações de crise financeira e promover a justiça na resolução dos 
conflitos relacionados à insolvência. 
PAGAMENTO (ARTS. 304 A 333, CC) 
TÍTULO III 
Do Adimplemento e Extinção das Obrigações 
CAPÍTULO I 
Do Pagamento 
Seção I 
De Quem Deve Pagar 
Art. 304. Qualquer interessado na extinção da dívida pode 
pagá-la, usando, se o credor se opuser, dos meios 
conducentes à exoneração do devedor. 
Parágrafo único. Igual direito cabe ao terceiro não interessado, 
se o fizer em nome e à conta do devedor, salvo oposição deste. 
Art. 305. O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu 
próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar; mas 
não se sub-roga nos direitos do credor. 
Parágrafo único. Se pagar antes de vencida a dívida, só terá 
direito ao reembolso no vencimento. 
Art. 306. O pagamento feito por terceiro, com 
desconhecimento ou oposição do devedor, não obriga a 
reembolsar aquele que pagou, se o devedor tinha meios para 
ilidir a ação. 
Art. 307. Só terá eficácia o pagamento que importar 
transmissão da propriedade, quando feito por quem possa 
alienar o objeto em que ele consistiu. 
Parágrafo único. Se se der em pagamento coisa fungível, não se 
poderá mais reclamar do credor que, de boa-fé, a recebeu e 
consumiu, ainda que o solvente não tivesse o direito de aliená-
la. 
Seção II 
Daqueles a Quem se Deve Pagar 
Art. 308. O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de 
direito o represente, sob pena de só valer depois de por ele 
ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito. 
Art. 309. O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é 
válido, ainda provado depois que não era credor. 
Art. 310. Não vale o pagamento cientemente feito ao credor 
incapaz de quitar, se o devedor não provar que em benefício 
dele efetivamente reverteu. 
Art. 311. Considera-se autorizado a receber o pagamento o 
portador da quitação, salvo se as circunstâncias contrariarem 
a presunção daí resultante. 
Art. 312. Se o devedor pagar ao credor, apesar de intimado da 
penhora feita sobre o crédito, ou da impugnação a ele oposta 
por terceiros, o pagamento não valerá contra estes, que 
poderão constranger o devedor a pagar de novo, ficando-lhe 
ressalvado o regresso contra o credor. 
Seção III 
Do Objeto do Pagamento e Sua Prova 
Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa 
da que lhe é devida, ainda que mais valiosa. 
Art. 314. Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação 
divisível, não pode o credor ser obrigado a receber, nem o 
devedor a pagar, por partes, se assim não se ajustou. 
Art. 315. As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no 
vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal, salvo o 
disposto nos artigos subseqüentes. 
Art. 316. É lícito convencionar o aumento progressivo de 
prestações sucessivas. 
Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier 
desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o 
do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido 
da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor real 
da prestação. 
Art. 318. São nulas as convenções de pagamento em ouro ou 
em moeda estrangeira, bem como para compensar a diferença 
entre o valor desta e o da moeda nacional, excetuados os casos 
previstos na legislação especial. 
Art. 319. O devedor que paga tem direito a quitação regular, e 
pode reter o pagamento, enquanto não lhe seja dada. 
Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por 
instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida 
quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo 
e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu 
representante. 
Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste 
artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das 
circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. 
Art. 321. Nos débitos, cuja quitação consista na devolução do 
título, perdido este, poderá o devedor exigir, retendo o 
pagamento, declaração do credor que inutilize o título 
desaparecido. 
Art. 322. Quando o pagamento for em quotas periódicas, a 
quitação da última estabelece, até prova em contrário, a 
presunção de estarem solvidas as anteriores. 
Art. 323. Sendo a quitação do capital sem reserva dos juros, 
estes presumem-se pagos. 
Art. 324. A entrega do título ao devedor firma a presunção do 
pagamento. 
Parágrafo único. Ficará sem efeito a quitação assim operada se 
o credor provar, em sessenta dias, a falta do pagamento. 
Art. 325. Presumem-se a cargo do devedor as despesas com o 
pagamento e a quitação; se ocorrer aumento por fato do 
credor, suportará este a despesa acrescida. 
Art. 326. Se o pagamento se houver de fazer por medida, ou 
peso, entender-se-á, no silêncio das partes, que aceitaram os 
do lugar da execução. 
Seção IV 
Do Lugar do Pagamento 
Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, 
salvo se as partes convencionarem diversamente, ou se o 
contrário resultar da lei, da natureza da obrigação ou das 
circunstâncias. 
Parágrafo único. Designados dois ou mais lugares, cabe ao 
credor escolher entre eles. 
Art. 328. Se o pagamento consistir na tradição de um imóvel, ou 
em prestações relativas a imóvel, far-se-á no lugar onde 
situado o bem. 
Art. 329. Ocorrendo motivo grave para que se não efetue o 
pagamento no lugar determinado, poderá o devedor fazê-lo em 
outro, sem prejuízo para o credor. 
Art. 330. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz 
presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no 
contrato. 
Seção V 
Do Tempo do Pagamento 
Art. 331. Salvo disposição legal em contrário, não tendo sido 
ajustada época para o pagamento, pode o credor exigi-lo 
imediatamente. 
Art. 332. As obrigações condicionais cumprem-se na data do 
implemento da condição, cabendo ao credor a prova de que 
deste teve ciência o devedor. 
Art. 333. Ao credor assistirá o direito de cobrar a dívida antes de 
vencido o prazo estipulado no contrato ou marcado neste 
Código: 
I - no caso de falência do devedor, oude concurso de credores; 
II - se os bens, hipotecados ou empenhados, forem penhorados 
em execução por outro credor; 
III - se cessarem, ou se se tornarem insuficientes, as garantias 
do débito, fidejussórias, ou reais, e o devedor, intimado, se 
negar a reforçá-las. 
Parágrafo único. Nos casos deste artigo, se houver, no débito, 
solidariedade passiva, não se reputará vencido quanto aos 
outros devedores solventes. 
Conceito: é o cumprimento da obrigação. Quitação é a declaração que o 
pagamento aconteceu. Adimplemento = pagamento = solutio 
Validade: 
• Se partir de quem pode pagar; 
• Se dirigir a quem pode receber; 
• O que se paga (o objeto do pagamento), como se paga; 
• Onde paga e quando paga. 
Elementos necessários: o pagamento, no contexto do direito civil brasileiro, é o 
ato pelo qual o devedor cumpre sua obrigação perante o credor, extinguindo a 
dívida. Para que o pagamento seja válido e eficaz, alguns elementos são 
necessários. Aqui estão os principais: 
• Capacidade das Partes: tanto o devedor quanto o credor devem ser capazes, 
ou seja, ter capacidade jurídica para realizar atos na esfera civil. Pessoas 
incapazes, como menores de idade não emancipados e pessoas interditadas, 
precisam ser representadas ou assistidas legalmente para realizar o 
pagamento. 
• Objeto Lícito: o objeto do pagamento deve ser lícito. O pagamento não pode 
ser realizado para cumprir uma obrigação ilegal, imoral ou contrária à ordem 
pública. 
• Objeto Determinado ou Determinável: o objeto da obrigação deve ser 
determinado ou, pelo menos, determinável. O credor deve poder identificar 
claramente o que está sendo pago. 
• Meio de Pagamento Adequado: o pagamento deve ser feito pelo meio 
acordado entre as partes ou, na falta de acordo, pelo meio que for mais 
conveniente para o credor. O pagamento pode ser feito em dinheiro, cheque, 
transferência bancária, entre outros meios, dependendo do que foi estipulado 
ou do que é comum para a modalidade de dívida. 
• Lugar do Pagamento: o local de pagamento deve ser aquele estabelecido no 
contrato ou, na falta de estipulação, o lugar em que o devedor se obrigou a 
realizar o pagamento. 
• Tempo do Pagamento: o pagamento deve ser efetuado no prazo estipulado no 
contrato ou na lei. Na ausência de prazo determinado, deve ser feito no tempo 
e nas condições que o credor razoavelmente poderia esperar, considerando a 
natureza da obrigação. 
• Ausência de Impedimentos Legais: o devedor não pode estar impedido 
legalmente de realizar o pagamento. Por exemplo, uma pessoa que está sujeita 
a uma medida judicial que impede a movimentação de seus bens pode 
enfrentar dificuldades para efetuar o pagamento. 
• Consentimento do Credor: em algumas situações, é necessário o 
consentimento do credor para que o pagamento seja válido. Isso pode ocorrer 
em casos de pagamento antecipado ou quando o devedor propõe uma forma 
de pagamento diferente da inicialmente acordada. 
O cumprimento desses elementos assegura a validade e eficácia do pagamento no 
âmbito do direito civil brasileiro, contribuindo para a segurança jurídica nas 
relações obrigacionais entre devedores e credores. 
Sujeitos: 
• Sujeito ativo (solvense) = pagante. 
• Interessados (sub-rogando-se no lugar do credor para ser reembolsado) e 
não interessados (tem direito de ser reembolsado). 
A QUEM DEVE PAGAR (artigos 308 a 312, CC): só pode dirigir o pagamento ao 
credor. Se pagar a terceiro não interessado, o pagamento não existe. 
• Credor (accipiens)/representante: legal; pai/mãe; judicial; nomeado em juízo; 
por escolha (síndico). 
• Credor putativo (imputado uma verdade onde não existe): parece ser credor, 
mas não é, mas devedor não tinha como saber. 
• Credor incapaz (menor de idade): pagamento tem validade, mas pagante tem 
que provar que reverteu em benefício. 
• Terceiro: portando quitação regular, é apto a receber o pagamento. 
QUITAÇÃO (artigos 319 a 326, CC): quitação é a prova do pagamento, devedor fica 
liberado total ou parcialmente, quem paga tem direito de exigir a quitação regular, 
podendo reter o pagamento caso haja recusa. 
Conceito: é a declaração que o pagamento aconteceu, por isso o devedor é 
liberado. Pagante pode exigir a quitação para provar, devedor pode reter o 
pagamento caso não receba a quitação. 
• Direito de quem paga, receber a quitação; 
• Só pode ser oferecida por quem tem capacidade; 
• Vêm em conjunto com a declaração de recebimento. 
Forma: a quitação é um ato que comprova o cumprimento de uma obrigação, 
atestando que o devedor honrou sua dívida perante o credor. No direito civil 
brasileiro, a quitação pode ser expressa ou tácita, e sua forma pode variar 
dependendo das circunstâncias. Aqui estão algumas formas de quitação: 
• Quitação Expressa: é aquela concedida de maneira formal, por meio de um 
documento escrito ou recibo que explicitamente declara o pagamento da 
dívida. Esse documento deve conter informações claras e específicas sobre a 
quitação, como o valor pago, a identificação das partes envolvidas, a data do 
pagamento e a assinatura do credor ou de seu representante legal. 
• Recibo: o recibo é um documento comumente utilizado para comprovar o 
pagamento de uma dívida. Ele deve conter informações essenciais, como o 
valor pago, a data, a identificação das partes e a descrição da obrigação 
quitada. A assinatura do credor ou de seu representante legal confirma a 
quitação. 
• Instrumento Particular: pode-se utilizar um instrumento particular, que é um 
documento particular assinado pelas partes envolvidas. Esse documento deve 
conter os elementos necessários para comprovar o pagamento e a quitação da 
obrigação. 
• Cheque ou Outros Meios de Pagamento: o uso de cheque, transferência 
bancária, boleto bancário ou outros meios eletrônicos pode servir como prova 
de pagamento, desde que haja concordância expressa entre as partes. A 
compensação desses meios de pagamento, quando efetuada, pode ser 
considerada como quitação. 
• Quitação Tácita: ocorre quando o credor recebe voluntariamente o pagamento 
sem expressar objeções. A quitação tácita é inferida a partir do comportamento 
das partes, indicando que a obrigação foi cumprida. Pode ocorrer, por exemplo, 
quando o credor entrega um bem ou serviço referente à dívida sem questionar 
o pagamento. 
• Quitante: o documento utilizado para formalizar a quitação é denominado 
"quitante". Ele atesta que o devedor cumpriu a obrigação, conferindo-lhe o 
direito de exigir a extinção da dívida. 
É importante ressaltar que, em qualquer forma de quitação, a clareza e a precisão 
das informações são cruciais para evitar futuros questionamentos. A quitação 
expressa, por meio de documentos escritos e assinados pelas partes, é a forma 
mais segura para garantir a eficácia desse ato no direito civil brasileiro. 
Dívidas literais: no direito civil brasileiro, as dívidas laterais são aquelas que 
surgem como consequência direta da dívida principal, representando encargos 
adicionais relacionados ao cumprimento da obrigação principal. Essas dívidas são 
também conhecidas como acessórias, acessórias à obrigação principal. 
Quando uma pessoa contrai uma dívida, é possível que, além do montante 
principal a ser pago, existam despesas adicionais ou encargos secundários 
relacionados à execução da obrigação principal. Esses encargos podem ser 
previstos no contrato ou estabelecidos pela lei. Algumas situações comuns de 
dívidas laterais incluem: 
• Juros: os juros representam a remuneração pelo uso do capital alheio e são 
uma forma comum de dívida lateral. Eles podem ser previstos no contrato ou 
estabelecidos por lei. 
• Multas e Penalidades Contratuais: em alguns contratos, são estipuladas 
multas e penalidades para o caso de inadimplemento ou atraso no pagamento. 
Essas penalidades representam dívidas laterais que podem surgir caso o 
devedor não cumpra a obrigação no prazo estipulado. 
• Correção Monetária: a correção monetária visa compensar a desvalorização 
da moeda ao longo do tempo.Pode ser uma dívida lateral prevista 
contratualmente ou estabelecida por lei. 
• Honorários Advocatícios: em casos de inadimplemento, o devedor pode ser 
responsável pelo pagamento dos honorários advocatícios do credor, conforme 
estipulado em contrato ou estabelecido por lei. 
• Custas Judiciais: se houver a necessidade de ingressar com ações judiciais 
para cobrar a dívida, o devedor pode ser responsável pelo pagamento das 
custas judiciais, representando uma dívida lateral. 
• Despesas de Cobrança Extrajudicial: o devedor pode ser responsável por 
despesas relacionadas à cobrança extrajudicial da dívida, como honorários de 
empresas de cobrança ou outros custos administrativos. 
• Despesas de Registro ou Cartório: em alguns casos, contratos podem prever 
despesas de registro ou cartório como dívidas laterais. 
É fundamental que as partes envolvidas estejam cientes e acordem explicitamente 
quanto às possíveis dívidas laterais para evitar conflitos e interpretações 
divergentes no futuro. A transparência e a clareza nas cláusulas contratuais são 
essenciais para assegurar a previsibilidade e a justiça na execução das obrigações 
contratuais no direito civil brasileiro. 
Presunções jurídicas de pagamento: as presunções jurídicas de pagamento são 
situações em que a lei presume que uma obrigação foi cumprida, mesmo na 
ausência de prova direta do pagamento. Essas presunções são estabelecidas para 
simplificar e agilizar a resolução de questões jurídicas, presumindo-se que 
determinados fatos ocorreram em virtude de sua alta probabilidade. No direito civil 
brasileiro, algumas presunções jurídicas de pagamento incluem: 
• Quitação por Instrumento Particular ou Recibo: o recebimento de um 
instrumento particular de quitação ou recibo, assinado pelo credor, presume-
se como pagamento. Ou seja, se o devedor apresentar um documento desse 
tipo, presume-se que a dívida foi paga, a menos que o credor prove o contrário. 
• Quitação com Cheque ou Outro Título de Crédito: o pagamento feito por meio 
de cheque ou outro título de crédito presume-se como efetuado, a menos que 
o cheque seja devolvido ou que haja prova de que o pagamento não foi 
realizado. 
• Quitação no Cheque: quando o cheque é dado como pagamento e é 
compensado, presume-se que a dívida foi quitada. Novamente, o ônus da prova 
recai sobre o credor se ele contestar o pagamento. 
• Pagamento em Dinheiro: se o devedor efetua o pagamento em dinheiro e o 
credor emite um recibo ou documento comprovando o recebimento, presume-
se o pagamento. 
• Quitação em Consignação: quando o devedor realiza o pagamento por meio 
de consignação em pagamento (depósito judicial), presume-se que a dívida foi 
quitada, a menos que o credor conteste a validade do pagamento. 
• Quitação por Meio Eletrônico: com o avanço da tecnologia, o pagamento por 
meio eletrônico, como transferências bancárias, pode gerar presunção de 
pagamento, especialmente se houver comprovante de transferência e 
aceitação pelo credor. 
• Presunção de Quitação com Anotação no Título de Crédito: se um título de 
crédito, como uma nota promissória, contiver a declaração de que o 
pagamento foi efetuado, presume-se que a dívida foi quitada, a menos que haja 
prova em contrário. 
É importante destacar que essas presunções podem ser contestadas e afastadas 
mediante prova em contrário. O credor tem o direito de apresentar evidências de 
que o pagamento não ocorreu conforme presumido pela lei. Em casos de disputa, 
a análise cuidadosa das circunstâncias específicas e a apresentação de 
documentos relevantes são essenciais para estabelecer a verdade dos fatos. 
OBJETO DO PAGAMENTO: exata prestação. 
• Título de crédito fica com o credor para exigir o cumprimento da obrigação. 
• Presunção juris tantum: é verdade até que se prove o contrário (relativas). 
• Presunção juris et de jure: não admite prova em contrário, é verdade 
(absolutas). 
Dívidas pecuniárias (artigos 315 a 318, CC): dívidas de dinheiro. 
• Moeda corrente. 
• Aumento progressivo. 
• Revisão judicial. 
• Moeda estrangeira/ouro. 
Lugar do pagamento (artigos 327 a 330, CC): 
• Dívidas quesíveis (domicílio) e portáveis (domicílio do credor). 
Tempo do pagamento (artigos 331 a 333, CC): 
• Antecipação do vencimento. 
PAGAMENTO EM CONSIGNAÇÃO (ARTS. 334 A 345, CC) 
CAPÍTULO II 
Do Pagamento em Consignação 
Art. 334. Considera-se pagamento, e extingue a obrigação, o 
depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa 
devida, nos casos e forma legais. 
Art. 335. A consignação tem lugar: 
I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber 
o pagamento, ou dar quitação na devida forma; 
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, 
tempo e condição devidos; 
III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, 
declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso 
perigoso ou difícil; 
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber 
o objeto do pagamento; 
V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento. 
Art. 336. Para que a consignação tenha força de pagamento, 
será mister concorram, em relação às pessoas, ao objeto, 
modo e tempo, todos os requisitos sem os quais não é válido o 
pagamento. 
Art. 337. O depósito requerer-se-á no lugar do pagamento, 
cessando, tanto que se efetue, para o depositante, os juros da 
dívida e os riscos, salvo se for julgado improcedente. 
Art. 338. Enquanto o credor não declarar que aceita o depósito, 
ou não o impugnar, poderá o devedor requerer o levantamento, 
pagando as respectivas despesas, e subsistindo a obrigação 
para todas as conseqüências de direito. 
Art. 339. Julgado procedente o depósito, o devedor já não 
poderá levantá-lo, embora o credor consinta, senão de acordo 
com os outros devedores e fiadores. 
Art. 340. O credor que, depois de contestar a lide ou aceitar o 
depósito, aquiescer no levantamento, perderá a preferência e 
a garantia que lhe competiam com respeito à coisa 
consignada, ficando para logo desobrigados os co-devedores e 
fiadores que não tenham anuído. 
Art. 341. Se a coisa devida for imóvel ou corpo certo que deva 
ser entregue no mesmo lugar onde está, poderá o devedor citar 
o credor para vir ou mandar recebê-la, sob pena de ser 
depositada. 
Art. 342. Se a escolha da coisa indeterminada competir ao 
credor, será ele citado para esse fim, sob cominação de perder 
o direito e de ser depositada a coisa que o devedor escolher; 
feita a escolha pelo devedor, proceder-se-á como no artigo 
antecedente. 
Art. 343. As despesas com o depósito, quando julgado 
procedente, correrão à conta do credor, e, no caso contrário, à 
conta do devedor. 
Art. 344. O devedor de obrigação litigiosa exonerar-se-á 
mediante consignação, mas, se pagar a qualquer dos 
pretendidos credores, tendo conhecimento do litígio, assumirá 
o risco do pagamento. 
Art. 345. Se a dívida se vencer, pendendo litígio entre credores 
que se pretendem mutuamente excluir, poderá qualquer deles 
requerer a consignação. 
Conceito e procedimentos: o pagamento em consignação ocorre quando o 
devedor, diante da recusa do credor em receber o pagamento ou em situações de 
dúvida sobre a legitimidade do credor, deposita a quantia devida em juízo. Esse 
depósito judicial tem o objetivo de liberar o devedor de sua obrigação, 
proporcionando uma solução para a controvérsia. 
Procedimentos para o Pagamento em Consignação: 
• Recusa do Credor: o devedor precisa tentar efetuar o pagamento diretamente 
ao credor, que, por algum motivo legítimo, recusa-se a recebê-lo. 
• Dúvida sobre o Credor: se houver dúvidas razoáveis sobre quem é o credor 
legítimo, o devedor pode utilizar o pagamento em consignação como forma de 
resolver a incerteza. 
• Depósito Judicial: o devedor realiza um depósito judicial da quantia devida em 
uma instituição financeira autorizada. O valor a ser depositado deve 
corresponder à dívida principal, acrescido de juros e demais encargos 
previstos. 
• Aviso ao Credor: o devedor deve notificar o credor sobreo depósito judicial, 
informando o valor depositado, os motivos do pagamento em consignação e o 
local onde o montante está depositado. 
• Manifestação do Credor: o credor, ao ser notificado, tem a oportunidade de se 
manifestar sobre o depósito judicial. Se concordar com o pagamento, poderá 
retirar o valor depositado. Caso discorde, deve apresentar as razões para tal 
discordância. 
• Decisão Judicial: se o credor não se manifestar ou se a disputa não for 
resolvida extrajudicialmente, o juiz analisará a situação e decidirá se o 
pagamento em consignação é válido. Caso seja, o montante será liberado ao 
credor ou ao beneficiário considerado legítimo. 
Hipóteses autorizadoras: o pagamento em consignação no direito civil brasileiro 
é autorizado em determinadas situações específicas, regulamentadas pelos 
artigos 335 a 354 do Código Civil. Essas hipóteses autorizadoras visam proteger o 
devedor quando há recusa injustificada do credor em receber o pagamento ou 
quando existem dúvidas razoáveis sobre a legitimidade do credor. Aqui estão 
algumas das principais hipóteses autorizadoras para o pagamento em 
consignação: 
• Recusa Injustificada do Credor: o devedor tenta efetuar o pagamento 
diretamente ao credor, mas esta recusa injustificadamente o recebimento. 
Nesse caso, o devedor pode utilizar o pagamento em consignação para cumprir 
sua obrigação. 
• Dúvida sobre a Legitimidade do Credor: quando o devedor tem dúvidas 
razoáveis sobre quem é o credor legítimo da dívida, pode optar pelo pagamento 
em consignação como forma de resolver a controvérsia. Isso pode ocorrer, por 
exemplo, em situações de sucessão, sub-rogação ou cessão de crédito. 
• Falência ou Insolvência do Credor: se o credor estiver em processo de 
falência ou insolvência, e não houver um administrador judicial nomeado para 
receber o pagamento, o devedor pode realizar o pagamento em consignação 
para evitar que a dívida permaneça pendente. 
• Mora do Credor: caso o credor esteja em mora (atraso) no recebimento do 
pagamento, e essa mora não seja justificada por motivo relevante, o devedor 
pode optar pelo pagamento em consignação. 
• Cessação do Impedimento ao Pagamento: se o impedimento ao pagamento 
for temporário e for cessado, mas o credor não aceitar o pagamento, o devedor 
pode utilizar o pagamento em consignação para regularizar a situação. 
• Impedimento ao Recebimento pelo Credor: quando há circunstâncias que 
impedem o credor de receber o pagamento, como ausência, doença ou 
qualquer outro motivo relevante, o devedor pode optar pelo pagamento em 
consignação para evitar atrasos injustificados. 
É importante ressaltar que, nas hipóteses autorizadoras, o devedor deve seguir os 
procedimentos legais para o pagamento em consignação, incluindo o depósito 
judicial da quantia devida, a notificação ao credor e a manifestação judicial em 
casos de discordância entre as partes. O pagamento em consignação visa 
assegurar que o devedor cumpra sua obrigação de forma justa, mesmo diante de 
obstáculos ou recusas injustificadas por parte do credor. 
Requisitos: 
• Tentativa de Pagamento Direto: antes de recorrer ao pagamento em 
consignação, o devedor deve tentar efetuar o pagamento diretamente ao 
credor. A recusa injustificada do credor em receber o pagamento é uma 
condição essencial para a utilização desse instituto. 
• Dúvida Legítima sobre o Credor: o devedor deve ter dúvidas legítimas sobre 
quem é o credor legítimo da dívida. Essas dúvidas podem surgir, por exemplo, 
em casos de sucessão, sub-rogação ou cessão de crédito. 
• Depósito Judicial da Quantia Devida: o devedor deve efetuar o depósito 
judicial da quantia devida. Esse depósito deve corresponder à dívida principal, 
acrescida de juros e outros encargos previstos, conforme a legislação. 
• Notificação ao Credor: após o depósito, o devedor deve notificar o credor 
sobre a realização do pagamento em consignação. Essa notificação deve 
conter informações detalhadas sobre o depósito, como o valor, a data e o local 
do depósito, além de apresentar os motivos que levaram à escolha dessa forma 
de pagamento. 
• Manifestação do Credor: o credor, ao ser notificado, tem a oportunidade de se 
manifestar sobre o depósito em juízo. Ele pode concordar com o pagamento e 
retirar a quantia depositada ou discordar, apresentando as razões para sua 
discordância. 
• Decisão Judicial em Caso de Discordância: se o credor discordar do 
pagamento em consignação, a questão é submetida ao Poder Judiciário. O juiz 
analisará as circunstâncias do caso e decidirá sobre a validade do pagamento. 
Caso o pagamento seja considerado válido, a quantia depositada será liberada 
ao credor ou ao beneficiário considerado legítimo. 
• Cessação do Impedimento ao Pagamento: se o impedimento ao pagamento 
for temporário e for cessado, mas o credor não aceitar o pagamento, o devedor 
pode optar pelo pagamento em consignação para regularizar a situação. 
• Observância de Prazos e Formalidades: o devedor deve observar prazos e 
formalidades estabelecidos pela legislação para garantir a validade do 
pagamento em consignação. Isso inclui o cumprimento de prazos para a 
notificação ao credor e a apresentação do pedido judicial em casos de 
discordância. 
Levantamento do depósito: refere-se à autorização para que o credor retire a 
quantia depositada judicialmente pelo devedor, confirmando assim o 
cumprimento da obrigação por parte do devedor. Esse procedimento é uma das 
etapas do processo de pagamento em consignação, regulamentado pelos artigos 
335 a 354 do Código Civil. 
Coisa incerta: a expressão "coisa incerta" no contexto do pagamento em 
consignação no direito civil brasileiro refere-se à situação em que o objeto da 
obrigação não é determinado de maneira específica ou individualizada. Isso pode 
ocorrer quando a obrigação é relativa a uma quantidade de dinheiro, a uma coisa 
fungível ou a uma obrigação genérica em que não há uma identificação precisa do 
objeto. No pagamento em consignação, a coisa incerta pode estar relacionada ao 
objeto da dívida que está sendo quitada. 
PAGAMENTO COM SUB-ROGAÇÃO (ARTS. 346 A 351, CC) 
CAPÍTULO III 
Do Pagamento com Sub-Rogação 
Art. 346. A sub-rogação opera-se, de pleno direito, em favor: 
I - do credor que paga a dívida do devedor comum; 
II - do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor 
hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento 
para não ser privado de direito sobre imóvel; 
III - do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou 
podia ser obrigado, no todo ou em parte. 
Art. 347. A sub-rogação é convencional: 
I - quando o credor recebe o pagamento de terceiro e 
expressamente lhe transfere todos os seus direitos; 
II - quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia 
precisa para solver a dívida, sob a condição expressa de ficar o 
mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito. 
Art. 348. Na hipótese do inciso I do artigo antecedente, vigorará 
o disposto quanto à cessão do crédito. 
Art. 349. A sub-rogação transfere ao novo credor todos os 
direitos, ações, privilégios e garantias do primitivo, em relação 
à dívida, contra o devedor principal e os fiadores. 
Art. 350. Na sub-rogação legal o sub-rogado não poderá exercer 
os direitos e as ações do credor, senão até à soma que tiver 
desembolsado para desobrigar o devedor. 
Art. 351. O credor originário, só em parte reembolsado, terá 
preferência ao sub-rogado, na cobrança da dívida restante, se 
os bens do devedor não chegarem para saldar inteiramente o 
que a um e outro dever. 
A sub-rogação no direito civil brasileiro é um instituto jurídico que se refere à 
substituição de uma pessoa por outra em relação a um direito ou obrigação. Esse 
fenômeno pode ocorrer por disposição legal, por convenção entre as partes ou em 
virtude do pagamento por terceiro interessado. 
• Conceito de Sub-rogação: a sub-rogação ocorre quando um terceiro, 
denominado sub-rogado, assume os direitos e obrigações de um dos sujeitos 
da relação jurídica, especialmenteno contexto de uma obrigação já existente. 
Isso pode ocorrer em diversas situações e tem o objetivo de preservar os 
interesses do terceiro que realiza o pagamento. 
• Hipóteses Legais de Sub-rogação: as hipóteses legais de sub-rogação estão 
previstas na legislação. Um exemplo clássico é a sub-rogação do credor que 
paga a dívida do devedor solidário, conforme previsto no artigo 346 do Código 
Civil. Outro exemplo é a sub-rogação do segurador nos direitos do segurado, 
após o pagamento da indenização securitária. 
• Hipóteses Convencionais de Sub-rogação: a sub-rogação também pode 
ocorrer por meio de acordo entre as partes envolvidas. As partes podem 
pactuar a sub-rogação em contratos, estabelecendo as condições em que ela 
ocorrerá. Por exemplo, em um contrato de mútuo, as partes podem 
convencionar que um terceiro que pague a dívida seja sub-rogado nos direitos 
do credor original. 
• Limites da Sub-rogação: a sub-rogação tem limites estabelecidos pela lei e 
pelos termos do acordo entre as partes. Não é permitido que o sub-rogado 
adquira mais direitos do que aqueles que detinha a pessoa sub-rogada. Além 
disso, a sub-rogação não pode ir além do valor pago, ficando limitada à quantia 
efetivamente desembolsada. 
• Concorrência para o Pagamento com Sub-rogação: em situações em que 
mais de uma pessoa se propõe a realizar o pagamento de uma dívida, pode 
haver concorrência para a sub-rogação. Nesse caso, o ordenamento jurídico 
estabelece regras para determinar qual credor será sub-rogado. Em geral, a lei 
estabelece critérios como prioridade temporal (quem pagou primeiro) ou 
prelação legal. 
A sub-rogação é um mecanismo que busca a justiça nas relações obrigacionais, 
permitindo que terceiros interessados possam assumir os direitos e obrigações de 
uma das partes. É importante observar as regras legais e contratuais para garantir 
a validade e eficácia desse instituto no direito civil brasileiro. 
IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO (ARTS. 352 A 355, CC) 
CAPÍTULO IV 
Da Imputação do Pagamento 
Art. 352. A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma 
natureza, a um só credor, tem o direito de indicar a qual deles 
oferece pagamento, se todos forem líquidos e vencidos. 
Art. 353. Não tendo o devedor declarado em qual das dívidas 
líquidas e vencidas quer imputar o pagamento, se aceitar a 
quitação de uma delas, não terá direito a reclamar contra a 
imputação feita pelo credor, salvo provando haver ele 
cometido violência ou dolo. 
Art. 354. Havendo capital e juros, o pagamento imputar-se-á 
primeiro nos juros vencidos, e depois no capital, salvo 
estipulação em contrário, ou se o credor passar a quitação por 
conta do capital. 
Art. 355. Se o devedor não fizer a indicação do art. 352, e a 
quitação for omissa quanto à imputação, esta se fará nas 
dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. Se as dívidas 
forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo, a imputação 
far-se-á na mais onerosa. 
A imputação do pagamento no direito civil brasileiro refere-se à faculdade que o 
devedor tem de indicar a qual dívida deseja destinar o pagamento quando possui 
múltiplas obrigações pendentes junto ao mesmo credor. A imputação do 
pagamento permite que o devedor especifique a qual débito deseja quitar com a 
quantia paga, proporcionando maior controle e direcionamento na liquidação de 
suas obrigações. 
• Conceito e Requisitos: a imputação do pagamento é o ato pelo qual o devedor, 
ao realizar um pagamento que não é suficiente para quitar todas as suas dívidas 
pendentes, indica a qual obrigação deseja destinar a quantia. Para que a 
imputação seja válida, alguns requisitos devem ser observados: 
o Manifestação expressa: o devedor deve indicar claramente a qual 
dívida está imputando o pagamento, seja por meio de comunicação 
escrita ou verbal. 
o Dívidas vencidas: O pagamento deve se referir a dívidas já vencidas, 
ou seja, não se aplica a obrigações futuras ou vincendas. 
o Várias dívidas: A imputação é relevante quando o devedor possui 
várias dívidas junto ao mesmo credor. 
• Capital e Juros na Imputação do Pagamento: ao realizar a imputação do 
pagamento, o devedor pode especificar se deseja quitar o capital (valor 
principal) ou os juros em primeiro lugar. A legislação brasileira, em alguns 
casos, estabelece a imputação automática aos juros, caso o devedor não faça 
essa indicação. No entanto, em muitas situações, é possível ao devedor 
escolher como deseja que o pagamento seja imputado. 
• Ausência de Imputação: caso o devedor não indique a qual dívida deseja 
destinar o pagamento, o credor tem o direito de fazer a imputação de acordo 
com seu interesse. Nesse caso, a lei estabelece regras para determinar como o 
pagamento será imputado, geralmente dando prioridade às dívidas mais 
onerosas, aos juros vencidos e ao principal. 
A imputação do pagamento é uma ferramenta importante para garantir a vontade 
das partes envolvidas e evitar situações de inadimplemento indevido. Contudo, é 
fundamental que as partes estejam cientes dos requisitos legais e estejam de 
acordo com os termos da imputação para garantir a validade e eficácia desse ato 
no direito civil brasileiro. 
EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES 
A extinção das obrigações no direito civil brasileiro refere-se ao término ou 
cessação do vínculo jurídico que impõe a uma pessoa a obrigação de cumprir 
determinada prestação em favor de outra. Existem diversas maneiras pelas quais 
as obrigações podem ser extintas no ordenamento jurídico brasileiro. Algumas das 
principais modalidades são: 
• Pagamento: O pagamento é a forma mais comum de extinção das obrigações. 
Ele ocorre quando o devedor cumpre a prestação devida ao credor, entregando-
lhe a coisa devida ou realizando a prestação em dinheiro. Com o pagamento, a 
obrigação é considerada cumprida e extinta. 
• Novação: a novação ocorre quando há uma alteração na obrigação, seja por 
mudança de seu objeto, das partes envolvidas, ou por uma modificação nas 
condições contratuais. A novação pode ser subjetiva (mudança de devedor ou 
credor) ou objetiva (mudança do objeto da obrigação). 
• Compensação: a compensação ocorre quando duas pessoas são, 
simultaneamente, credoras e devedoras uma da outra. Nesse caso, as 
obrigações são extintas até a concorrência dos valores, desde que ambas 
sejam líquidas, vencidas e de coisas fungíveis. 
• Confusão: a confusão ocorre quando as qualidades de credor e devedor se 
reúnem na mesma pessoa, seja por vontade das partes ou por disposição legal. 
Com a confusão, a obrigação é extinta. 
• Remissão ou Perdão: a remissão ou perdão é a renúncia pelo credor ao seu 
direito de exigir o cumprimento da obrigação. Pode ocorrer de forma expressa 
ou tácita, extinguindo a obrigação total ou parcialmente. 
• Prescrição: a prescrição é a perda do direito de ação devido ao decurso do 
prazo legal para cobrar a dívida. Quando a obrigação é atingida pela prescrição, 
ela é extinta, não sendo mais possível exigir o seu cumprimento judicialmente. 
• Dação em Pagamento: a dação em pagamento ocorre quando o devedor 
entrega um bem ao credor como forma de extinguir a obrigação. O bem 
entregue deve ser aceito pelo credor como pagamento da dívida. 
• Mora Accipiendi: a mora accipiendi ocorre quando o credor recusa 
injustificadamente o recebimento da prestação que lhe é devida. Nesse caso, a 
obrigação é considerada cumprida, e o devedor pode depositar a quantia 
devida em juízo. 
Cada uma dessas modalidades de extinção das obrigações tem suas 
características específicas e condições para aplicação. A escolha da forma de 
extinção dependerá das circunstâncias do caso concreto e das vontades das 
partes envolvidas. 
ADIMPLEMENTO, INADIMPLEMENTO E MORA 
No direito civil brasileiro, o adimplemento, inadimplemento e mora são conceitos 
fundamentais relacionados ao cumprimento (ou descumprimento) das obrigações 
contratuais entre as partes. 
• Adimplemento: o adimplemento é a execução ou cumprimento da obrigação. 
Ele ocorre quando o devedor realiza de forma efetivae adequada a prestação 
devida ao credor. Pode se dar por meio do pagamento em dinheiro, entrega de 
um bem, prestação de um serviço, entre outras formas de cumprimento. 
Quando o devedor adimplente cumpre suas obrigações, extingue-se a relação 
obrigacional. 
• Inadimplemento: o inadimplemento refere-se ao não cumprimento ou 
descumprimento da obrigação. Quando o devedor não realiza a prestação 
devida ao credor nas condições estabelecidas no contrato, configura-se o 
inadimplemento. Pode ser total, quando a obrigação não é cumprida de forma 
alguma, ou parcial, quando o cumprimento é defeituoso ou incompleto. O 
inadimplemento pode gerar diversas consequências, como a aplicação de 
multas, perdas e danos, e até mesmo a resolução do contrato. 
• Mora (ou Mora Ex Re): a mora ocorre quando o devedor não cumpre a obrigação 
na data estipulada pelo contrato. Existem dois tipos principais de mora: mora 
ex re (ou mora automática) e mora ex persona. A mora ex re acontece de forma 
automática quando o prazo para o cumprimento da obrigação expira, sem a 
necessidade de notificação. Já a mora ex persona ocorre quando o devedor é 
notificado pelo credor para cumprir a obrigação e não o faz, mesmo após a 
notificação. A mora gera a responsabilidade do devedor pelos prejuízos 
causados ao credor, além de poder acarretar a incidência de juros moratórios. 
É importante observar que o tratamento jurídico do adimplemento, 
inadimplemento e mora pode variar conforme as circunstâncias específicas de 
cada situação, o tipo de obrigação, o contrato firmado entre as partes e as 
disposições legais aplicáveis. A compreensão desses conceitos é essencial para a 
correta interpretação e aplicação das normas do direito civil no âmbito das 
obrigações contratuais.

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