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5 Direito Civil
Direto ao Ponto Delegado PF (Pós-edital)
Documento última vez atualizado em 26/05/2025 às 09:54.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 1/79
Índice
5.1) Consideração Iniciais
5.2) Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro
5.3) Das Pessoas Naturais e do Domicílio
5.4) Das Pessoas Jurídicas
5.5) Dos Bens
5.6) Dos Fatos Jurídicos
5.7) Da Responsabilidade Civil
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5. Direito Civil 2/79
|key-item-0| Consideração Iniciais
|key-item-1| Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro
Caro(a) aluno(a),
Iniciamos aqui o nosso Direto ao Ponto da matéria de Direito Civil, para o cargo de Delegado 
de Polícia. Apesar de se tratar de uma matéria de secundária importância em certames 
públicos da área policial, não podemos menosprezá-la, afinal, cada questão importa.
Nosso objetivo é trazer um material enxuto, porém muito completo, possibilitando um 
entendimento global e amplo sobre a matéria.
Vamos juntos!
Aplicação
O processo de criação das leis envolve as seguintes etapas:
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Promulgação Publicação
É o nascimento da lei em sentido amplo, é ato solene que 
atesta a existência da lei.
É a exigência necessária 
para a posterior entrada 
em vigor da lei
É a partir da devida publicação que a LINDB começará a ser aplicada.
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Vigência
A lei só começará a vigorar depois de sua publicação no Diário Oficial.
Ao finalizar o processo de sua produção, a norma já é considerada válida, mas ainda não 
vigente.
A vigência é um aspecto temporal da norma (prazo que demarca o seu período de aplicação).
Vacatio Legis 
O período de tempo entre a publicação e a vigência é o que se chama de vacância, 
ou vacatio legis, e serve para que os textos legais tenham uma melhor divulgação, um 
alcance maior, contemplando, dessa forma, prazo adequado para que da lei se tenha 
amplo conhecimento.
De acordo com a LINDB, salvo disposição em contrário, a lei começa a vigorar no país 45 dias 
depois de publicada no órgão oficial; o período de vacatio legis, em caso de silêncio, é de 45 
dias desde a publicação.
Quando a obrigatoriedade da lei brasileira for admitida em Estados estrangeiros, ela se inicia 3 
(três) meses depois de oficialmente publicada.
Em matéria de duração, o Brasil adotou o critério do prazo único, sincrônico ou simultâneo, 
porque a lei entra em vigor na mesma data, em todo o país, sendo simultânea a sua 
obrigatoriedade.
Brasil Estrangeiro Autodeclaração
45 dias 3 meses Prazo definido pela própria lei
A vacatio legis não se aplica aos regulamentos e decretos administrativos, cuja 
obrigatoriedade dar-se-á desde a publicação!
5. Direito Civil
5. Direito Civil 4/79
É possível que uma lei considerada válida, mas ainda não vigente, seja alterada.
Nos casos de modificação de determinada lei, se antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova 
publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo do art. 1º da LINDB começará a correr 
da nova publicação.
Porém, outra situação ocorre caso a vacatio legis já tenha sido superado, ou seja, já tenha 
transcorrido o prazo de 45 dias, ou outro que a lei determine, estando, desta forma, a lei em 
sua plena vigência. Nesse caso a correção a texto será considerada como lei nova.
Princípio da Continuidade
O princípio da continuidade das leis preconiza que em regra, a lei tem caráter permanente: 
mantém-se em vigor até ser revogada por outra lei.
Cessa a vigência da lei com a sua revogação
Excepcionalmente, existem duas espécies legislativas que não se submetem a tal preceito:
Leis Temporárias Leis Excepcionais ou 
Circunstanciais
Possuem prazo de validade. Vigem enquanto durar uma 
determinada situação.
Exemplo: Lei nº 12.663/2012 - A Lei da Copa. Exemplo: Lei que defere 
reparações aos anistiados 
políticos da repressão militar 
(art. 2º, Lei nº 10.559/2002)
5. Direito Civil
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Revogação é a supressão da força obrigatória da lei, retirando-lhe a eficácia — o que só pode 
ser feito por outra lei, da mesma hierarquia ou de hierarquia superior.
A classificação da revogação costuma ser cobrada em provas:
Quanto à forma de execução Pode ser expressa ou tácita
Quanto à extensão Pode ser total (ab-rogação) ou parcial (derrogação)
A lei posterior revoga a lei anterior quando: 
1) Expressamente o declare;
2) Seja com ela incompatível; ou
3) Regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.
Ultratividade
A ultratividade ou pós-atividade é a possibilidade de produção de efeitos por uma lei já 
revogada.
Com base na ultratividade, vê-se a aplicabilidade do Código Civil de 1916 (embora já revogado) 
a determinadas situações jurídicas consolidadas durante a sua vigência.
Repristinação
A repristinação significa restaurar o valor obrigatório de uma lei que foi anteriormente 
revogada.
O nosso ordenamento jurídico não aceita, em regra, a repristinação, exceto se houver 
disposição em contrário.
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5. Direito Civil 6/79
Se a Lei nova “B”, que revogou uma Lei velha “A”, for também revogada, posteriormente, por 
uma Lei mais nova “C”, a Lei velha “A” não volta a valer automaticamente. Isso só irá acontecer 
se no texto da Lei mais nova “C” estiver expresso que a Lei velha “A” volta a valer.
É importante que você saiba que não há a chamada repristinação tácita.
Repristinação tácita é a volta de vigência de lei revogada, por ter a lei revogadora 
temporária perdido a sua vigência.
Princípio da obrigatoriedade
 O art. 3º da LINDB traz o princípio da obrigatoriedade, segundo o qual ninguém pode deixar 
de cumprir a lei alegando não a conhecer. O princípio tem ampla aplicação na seara do Direito 
Penal, sendo inclusive repetido no Código Penal (art. 21). Logo, atenção para a redação do 
artigo, especialmente porque já foi cobrado pela Cebraspe em outras provas de Delegado de 
Polícia!
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Interpretação da Norma
Em regra, pela aplicação do princípio jura novit curia, o juiz conhece a lei.
Esse princípio é excepcionado nos casos de:
5. Direito Civil
5. Direito Civil 7/79
Direito estrangeiro
Direito consuetudinário
Direito estadual e
Direito municipal.
A interpretação é feita de variadas formas e por variados critérios:
Declarativa A norma corresponde exatamente ao pensamento do legislador.
Restritiva Busca restringir o alcance da norma, de modo a não extrapolar os
limites geralmente considerados da norma.
Extensiva Visa elastecer o sentido da norma a situações não subsumidas a ela
de imediato, automaticamente.
Sistemática Busca dar sentido a uma norma dentro do contexto do sistema
 normativo.
Analógica
 
Dá-se pela busca de elemento semelhante contido na norma, numa
racionalidade lógico-decisional por dedução e indução.
Autêntica ou 
Legislativa
É aquela na qual o intérprete é o próprio órgão que emanou a norma.
Histórica Analisa a norma no contexto no qual ela fora criada, com suas
idiossincrasias.
Sociológica Pretende analisar a norma no contexto contemporâneo, com os
atuais valores sociais.
Teleológica Preocupa-se com os "fins" da norma, ou seja, o que se deve objetivar 
quando a implementação da lei.
5. Direito Civil
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Métodos de integração da Norma
No caso de interpretação, o magistrado deve atender aos fins sociais a que ela se dirige e às 
exigências do bem comum.
Desse modo a integração das normas só ocorre em caso de lacuna normativa.
Não havendo lacuna normativa, não haverá integração, falando-se apenas em aplicação dos 
métodos de interpretação.
Integrar significa preencher lacuna.
Ordem hierárquica e taxativa de integração nos casos de lacuna na lei:
A analogia e os costumes costumam ser objeto de questões objetivas, então vamos estudá-los.
A analogia consiste na aplicação de uma norma semelhante, se não há uma norma prevista 
para um caso análogo.
5. Direito Civil
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Classificação da analogia:o outro tem que saber que eu farei o negócio a qualquer custo
5. Excessiva onerosidade: avaliada pelo negócio em si, e não em relação ao patrimônio 
do sujeito (elemento objetivo).
Lesão
A lesão possui 2 pressupostos:
1. Prestação manifestamente desproporcional: valorada pelo juiz (elemento objetivo). 
Por exemplo, vende a casa de 1 milhão por 100 mil;
2. O negócio se deu por estado de necessidade ou inexperiência: elemento subjetivo.  
Veja que a apreciação da desproporção das prestações se dá segundo os valores vigentes ao 
tempo em que foi celebrado o negócio jurídico.
Assim, se é verificada desproporção de valores durante a execução do contrato, por exemplo, 
não há que se falar em lesão.
Pode haver onerosidade excessiva, mas não lesão.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 59/79
A lesão é facilmente confundida com o estado de perigo. Você deve atentar para as 
diferenças! 
Primeiro: Na lesão ocorrida por inexperiência, o lesado às vezes sequer sabe que está 
sendo lesado; e
Segundo: A lesão independe de o lesador saber do estado de necessidade ou 
inexperiência da contraparte. No estado de perigo, a desproporção da obrigação origina-
se exatamente porque eu sei que o outro precisa, sob risco de perder bem jurídico mais 
importante a ela.
Não será anulado o negócio jurídico, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a 
parte favorecida concordar com a redução do proveito.
Fraude contra Credores
Assim como a simulação, a fraude contra credores é classificada como um vício social.
A fraude contra credores é um defeito do negócio jurídico que ocorre quando o devedor 
maliciosamente aliena (diminui) seu patrimônio para não pagar o credor (ou credores).
O Código Civil deixa claro que ocorre fraude mesmo quando o próprio devedor não sabe que o 
ato vai gerar sua insolvência, que vai ficar quebrado.
Exemplo: suponha que eu devo pra você e doo uma casa a meu tio, achando que tinha ainda 
muito dinheiro. Não tinha. Quando você me cobra, não tenho dinheiro e não pago. A doação é 
um ato fraudatório, mesmo que eu mesmo não soubesse disso.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 60/79
Como desfazer o negócio fraudulento?
Por meio da ação anulatória, também chamada de ação revocatória ou ação pauliana.
Ou seja, o credor vai ajuizar uma ação com o objetivo de anular esses atos fraudulentos e 
maliciosos cometidos pelo devedor.
A ação pauliana se restringe aos credores quirografários lesados. Ou seja, se o credor tiver 
garantia real, não se fala em anulação do ato por fraude contra credores.
A exceção fica por conta do §1º do art. 158 do Código Civil, que permite aos credores com 
garantias o apelo à fraude contra credores quando suas garantias se tornarem insuficientes.
A anterioridade do crédito exigida pelo art. 158, §2º, do Código Civil, é determinada pela causa 
que lhe dá origem, independentemente de seu reconhecimento por decisão judicial.
Presumem-se fraudulentas dos direitos dos outros credores as garantias de dívidas 
que o devedor insolvente tiver dado a algum credor.
Invalidade do Negócio Jurídico – Teoria das Invalidades
Se os elementos de existência estão presentes (uma pessoa assina um contrato e a outra, após 
assinar, promete cumprir certa obrigação), é necessário verificar se eles estão aperfeiçoados.
Se sim, o ato é válido; se não, se há um déficit, o ato é inválido.
Dizer que um negócio é válido, significa dizer que o negócio jurídico é perfeito, portanto.
A invalidade (nulidade ou anulabilidade) é uma sanção àquele que infringe as normas 
jurídicas, no plano privado.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 61/79
Nulidades
As nulidades são as invalidades mais graves vinculadas aos negócios jurídicos.
A ação para nulificação de um ato jurídico é uma ação declaratória, ou seja, o ato já é nulo, 
mas é necessária uma declaração judicial a respeito.
Como regra, as nulidades podem ser alegadas por qualquer interessado, ou pelo 
Ministério Público, quando lhe couber intervir.
Por isso, as nulidades devem ser pronunciadas de ofício pelo juiz, quando conhecer do 
negócio jurídico. Nem o juiz, nem as partes podem suprir, assim, uma nulidade.
Isso impede, também, que o negócio jurídico nulo seja confirmado pelas partes (Ah, eu sei que 
é nulo, mas confirmo o negócio mesmo assim!).
Igualmente, não se permite que o negócio nulo convalesça pelo decurso do tempo 
(prescrição ou decadência).
Assim, não há prazo para reclamar das nulidades, mesmo que se tenha passado já 
muito tempo do negócio jurídico viciado.
Por isso, a eficácia da declaração de nulidade retroage à data do ato e faz com que as partes 
retornem à situação anterior. É como se o negócio nunca tivesse valido, como se fosse viciado 
desde sempre.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 62/79
Hipóteses de Nulidade
Anulabilidades
Sujeito Celebrado por pessoa absolutamente incapaz.  
Objeto Quando tiver objeto:
1. Ilícito;
2. Impossível; ou
3. Indeterminável.
Causa O motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; 
ou
Tiver por objetivo fraudar lei imperativa; ou
For simulado.
Forma Não revestir a forma prescrita em lei; ou
For preterida alguma solenidade que a lei considere essencial 
para a sua validade.
Virtual A lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, 
sem cominar sanção.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 63/79
As anulabilidades são as invalidades menos graves vinculadas aos negócios jurídicos.
A ação para anulação de um ato jurídico é uma ação anulatória, ou seja, o ato é válido, mas 
pode ser invalidado por uma decisão judicial.
O rol geral das anulabilidades está no art. 171 do Código Civil. No entanto, existem inúmeras 
hipóteses de anulabilidade previstas ao longo de todo o Código.
As ações anulatórias sujeitam-se a prazos decadenciais, e não prescricionais, sempre.
Ou seja, se o interessado não se mexer, o ato, que poderia ser invalidado, não poderá mais, 
porque o direito potestativo de anular deixa de existir e o ato é convalidado pelo decurso do 
tempo.
E se a anulabilidade tiver impacto em mais de uma pessoa?
A ação de anulação aproveita exclusivamente aos que a alegarem, salvo o caso de 
solidariedade ou indivisibilidade do objeto.
Por isso, as anulabilidades caducam.
O art. 178 do Código Civil estabelece 4 anos de prazo de decadência para pleitear-se a 
anulação do negócio jurídico, contado:
I - no caso de coação, do dia em que ela cessar;
II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que 
se realizou o negócio jurídico;
III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade.
Quando, porém, a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo para 
pleitear-se a anulação, será o prazo de 2 anos, a contar da data da conclusão do ato.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 64/79
Quando for anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se 
achavam.
Hipóteses de Anulabilidades
Sujeito Por incapacidade relativa do agente
Defeitos do negócio jurídico Por vício resultante de:
1. Erro;
2. Dolo;
3. Coação;
4. Estado de Perigo;
5. Lesão; ou
6. Fraude contra Credores
Prescrição e decadência
O decurso do tempo tem grande influência na aquisição e na extinção de direitos. 
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
A prescrição e a decadência são institutos extintivos da pretensão ou de direitos, cujo 
objetivo é preservar a segurança jurídica das relações sociais. O tema está expresso no edital 
5. Direito Civil
5. Direito Civil 65/79
|key-item-6| Da Responsabilidade Civil
de Delegado da Polícia Civil e já foi cobrado em outras provas Delta. Logo, 
atenção às previsões gerais sobre o tema!
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Em linhas gerais, a prescrição consiste na perda da exigibilidade de um direito, atingindo a 
pretensão e não o direito em si. 
A seu turno, a decadência atinge o direito potestativo em si. Decorrido o prazo, há a perda 
do direito. 
Um dos critérios utilizadospela doutrina para diferenciar a prescrição da decadência é 
analisar quando o prazo começa a fluir. Se o prazo corre do momento em que o direito 
nasce, estamos falando de decadência; caso o prazo corra do momento em que o direito é 
violado, estamos tratando de prescrição.
Em regra, as causas impeditivas, suspensivas ou interruptivas da prescrição não se aplicam 
aos prazos decadenciais. Atenção pois a interrupção, segundo o art. 202, ocorrerá apenas 
uma única vez (princípio da unicidade da interrupção prescricional). 
Conforme art. 192 do Código Civil, “os prazos de prescrição não podem ser 
alterados por acordo das partes”. Atenção, pois a literalidade do dispositivo em 
questão já foi cobrada em provas anteriores de Polícia Civil elaboradas pela 
Cebraspe!
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5. Direito Civil
5. Direito Civil 66/79
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Ao contrário do que muitos imaginam, a responsabilidade não depende de culpa, mas de 
imputação. Ou seja, determinada ilicitude deve gerar imputação a alguém.
São funções da responsabilidade civil:
Ressarcitória/Indenizatória/Reparatória Compensatória
Significa recolocar, recompor, reconstruir o estado de 
coisas anterior (status quo ante) deteriorado pelo ato 
ilícito cometido
No plano extrapatrimonial, é 
impossível recolocar o sujeito na 
situação anterior, ou seja, o dano não 
comporta um dimensionamento 
econômico.
Por isso, equipara-se o dano a uma 
quantidade econômica, para fins de 
indenização
Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz 
reduzir, equitativamente, a indenização.
Quando a vítima concorre para o dano, num concurso de culpas, há mitigação da 
indenização, que será fixada se tendo em conta a gravidade de sua culpa em confronto 
com a do autor do dano.
Da Obrigação de Indenizar
 Os pressupostos do dever de indenizar são os elementos que compõem o 
dever de indenizar.
Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica 
obrigado a repará-lo.
A existência do fato e autoria não pode ser rediscutida na esfera cível, caso já discutidas no 
juízo criminal. Isso porque a responsabilidade civil é independente da criminal (art. 935). 
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5. Direito Civil
5. Direito Civil 67/79
Ato Ilícito
Entende-se que não há responsabilidade sem culpa em sentido amplo.
Assim, o ato ilícito, deverá ser, em regra, ao menos culposo.
A culpa aqui será aquela que contraria a conduta esperada do agente. Em regra, não se faz a 
distinção entre a culpa e o dolo porque desnecessária.
Na responsabilidade civil, a culpa se equipara ao dolo.
A culpa baseia-se em três fatores:
Negligência Conduta omissiva, passiva. Esperava-se que o agente tomasse 
determinada medida (omissão genérica), mas ele não toma, se omite, 
permanece passivo.
Exige-se prova da ausência de prática (omissão específica).
Exemplo é o motorista que não conserta os freios do carro, após uma 
revisão, e, posteriormente, bate o carro por falta deles; o dono não coloca 
focinheira no cachorro, que morde um pedestre no parque.
Imprudência Conduta comissiva, ativa. Esperava-se que o agente não tomasse 
determinada medida, mas ele se arrisca e a toma, age.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 68/79
A culpa também admite gradação. Quanto aos graus, a culpa pode ser classificada em:
Apesar de não ser possível estabelecer a indenização a partir do grau de culpa, o art. 944, 
parágrafo único, permite ao juiz reduzir o montante indenizatório se mínima a culpa.
Dano
O dano é o pressuposto central da responsabilidade civil.
Ele tem uma conduta contrária à exigida pelo ordenamento.
Exemplo é o motorista que dirige alcoolizado e causa acidente; o dono do 
imóvel que deixa coisas no parapeito da janela do prédio e elas caem 
sobre um passante.
Imperícia A imperícia, ou falta de perícia, é ligada às atividades técnicas, ou seja, o 
sujeito age sem a qualificação ou treinamento necessários ao ato.
Exemplo é o enfermeiro inexperiente que ministra medicamentos errados; 
o médico, sem especialização, que realiza procedimento cirúrgico contra 
as normas médicas.
Grave ou 
lata
Inobservância grave e imperdoável das regras comuns exigidas nas 
atividades, como, por exemplo, o acidente causado por motorista 
embriagado.
Leve ou 
média
Falta evitável com a atenção comum e normal esperada.
Ocorre, por exemplo, no caso de um acidente causado por motorista 
desatento que mexe no retrovisor enquanto dirige.
Levíssima Ocorre se evitável o erro apenas com uma atenção especial ou habilidade 
incomum.
Exemplo disso é o acidente no qual o motorista não desvia de um objeto 
que aparece repentinamente, batendo em outros carros.
Aqui a responsabilidade civil se diferencia da penal porque há responsabilidade ainda que 
nenhum ato ilícito tenha sido cometido, visto que um ato lícito também pode gerar danos.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 69/79
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De um lado, temos o dano patrimonial ou material.
No dano patrimonial há visível interesse econômico no fato. Por isso, verifica-se um dano 
quando uma necessidade econômica é insatisfeita, seja negativamente, seja positivamente.
Esse dano é quantificável em dinheiro, em pecúnia, em “valores econômicos”.
Os efeitos patrimoniais podem ser imediatos, presentes, ou futuros, mediatos, diminuindo ou 
impedindo o acréscimo de patrimônio do lesado.
 Se o dano for atual, ele é chamado de dano emergente, ou dano positivo, 
ou seja, é o dano que emerge do ato. Ao contrário, se forem danos futuros, 
eles são chamados de lucros cessantes, ou dano negativo, ou seja, danos 
que cessam os lucros futuros. 
Os lucros cessantes são as perdas decorrentes do que a parte deixou de lucros em razão do 
ato ilícito, nos termos do art. 402. 
Geralmente, as duas espécies de dano surgem ao mesmo tempo, havendo tanto uma perda 
quanto a cessação de um ganho.
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Por outro lado, temos o dano extrapatrimonial, imaterial, comumente chamado de dano 
moral.
Além de uma lesão ao patrimônio, pode o indivíduo sofrer danos que não podem ser 
quantificados, que não são economicamente visíveis e suscetíveis de apreciação monetária.
São os danos que perturbam a moral, a honra, o nome, a tranquilidade, os sentimentos, o afeto, 
ou seja, todos elementos subjetivos, ao contrário dos danos materiais, que são objetivamente 
verificáveis.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 70/79
Importante rememorar a Súmula 387-STJ: "É lícita a cumulação das 
indenizações de dano estético e dano moral" e a Súmula 642-STJ: "O 
direito à indenização por danos morais transmite-se com o falecimento 
do titular, possuindo os herdeiros da vítima legitimidade ativa para ajuizarou prosseguir a ação indenizatória”. 
Ainda, em regra, pessoas jurídicas de direito público não são titulares de direito à indenização 
por dano moral relacionado à ofensa de sua honra ou imagem, segundo entendimento do STJ. 
Ainda, o dano pode ser classificado como direto ou indireto:
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Dano Direto Dano Indireto
O dano direto surge do resultado 
imediato da ação danosa e causa 
imediato déficit econômico.
São os danos verificados a partir da 
conduta, que, se não tivesse 
existido, inexistiria também dano, ou 
seja, há uma ligação direta ou 
imediata com as circunstâncias.
Assim, por exemplo, sofro dano 
direto quando contrato técnico de 
informática que, ao tentar consertar 
um componente eletrônico, quebra 
minha placa-mãe, que fica inutilizada.
O dano indireto indaga as consequências indiretas, 
remotas da ação, ou seja, os efeitos dos efeitos.
Continuando o exemplo anterior, ao reconectar a 
placa-mãe ao computador, o componente quebrado 
gera um superaquecimento da máquina, que, 
consequentemente, atinge o HD, fazendo com que 
todos os dados que eu tenho nele se percam. Esse é o 
dano indireto.
Não confunda dano indireto com dano reflexo (dano por ricochete).
No dano indireto, a própria vítima é quem experimenta o dano; sofre o dano 
direto e o dano indireto (que pode não existir, claro).
Já no dano reflexo, não é a própria vítima a experimentar um segundo dano, mas 
terceira pessoa.
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Nexo de Causalidade
Para se responsabilizar um sujeito, ante um dano causado, é necessário analisar se a conduta 
por ele tomada encontra uma ligação com esse dano.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 71/79
O nexo causal, portanto, pode ser chamado de imputação.
Em relação ao nexo de causalidade, faz-se necessário atentar para a questão da culpa 
concorrente: se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento danoso, a sua 
indenização será fixada tendo-se em conta a gravidade de sua culpa em confronto com a do 
autor do dano.
Assim, se a vítima do dano concorrer com o agente causador, cada um arcará equitativamente 
com o prejuízo, na proporção de suas culpas.
No caso de homicídio, a indenização consiste no pagamento das despesas com o tratamento 
da vítima, seu funeral e o luto da família e na prestação de alimentos às pessoas a quem o 
morto os devia, levando-se em conta a duração provável da vida da vítima. O artigo não exclui 
outras reparações, como o dano moral.
Se, em vez de homicídio, tratar-se de dano à incolumidade física, o ofensor indenizará o 
ofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim do tratamento, além de 
eventuais outros prejuízos sofridos.
Por fim, se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou 
profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do 
tratamento e lucros cessantes, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para 
que se inabilitou.
Nesses três casos (homicídio, lesão à saúde e perda de capacidade laborativa), a indenização 
será devida por aquele que, no exercício de atividade profissional, por negligência, imprudência 
ou imperícia, causar a morte do paciente, agravar-lhe o mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo 
para o trabalho.
Atenção! O caso fortuito, a força maior e a culpa exclusiva da vítima afastam o dever de 
indenizar precisamente porque há rompimento do nexo de causalidade.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 72/79
Responsabilidade Objetiva e Subjetiva
A responsabilidade civil subjetiva é a regra do Direito Civil brasileiro:
Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar 
dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
E quando falaremos em responsabilidade objetiva, sem culpa? O art. 927, parágrafo único, traz 
as linhas gerais da responsabilidade objetiva:
Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em 
lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua 
natureza, risco para os direitos de outrem.
Ressalvados outros casos previstos em lei especial, os empresários individuais e as empresas 
respondem independentemente de culpa pelos danos causados pelos produtos postos em 
circulação.
Quando se tratará de responsabilidade subjetiva ou objetiva, sinteticamente?
Não há uma resposta fixa, pois, a espécie depende da lei, da atividade e mesmo da 
jurisprudência. A resposta é casuística, sem prefixação, e mutável.
Responsabilidade Contratual e Extracontratual
Há a responsabilidade civil contratual, ou negocial, com o descumprimento de uma 
obrigação, quando há a violação de deveres inerentes ao contrato, quando o contratante deixa 
de cumprir com o acordado, gerando prejuízo à contraparte.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 73/79
Já a responsabilidade civil extracontratual ou aquiliana se verifica pela ocorrência de ato 
ilícito em sentido amplo.
Atente para o art. 187 do Código Civil que trata do abuso de direito como espécie de ato ilícito, 
e não como categoria jurídica absolutamente autônoma, ainda que possa assim ser visto em 
determinados casos.
Responsabilidade por Ato Alheio
Na responsabilidade civil se responsabiliza, comumente, o causador do dano.
Já na responsabilidade civil por fato ou ato alheio, por uma série de razões, responsabiliza-se 
aquele que não causou o dano, ainda de indiretamente.
Vê-se aqui a possibilidade de não causar dano a outrem e, ainda assim, ser responsabilizado.
A lei, em situações especiais, remete a responsabilidade por um dano a terceiro, que não o 
causador do dano. Mas isso pode acontecer a qualquer um, de qualquer modo, a qualquer 
tempo? Não.
Vejamos agora esses hipóteses:
Os pais Pelos filhos menores que 
estiverem sob sua autoridade e 
em sua companhia.
O tutor e o curador Pelos pupilos e curatelados, que 
estiverem sob sua autoridade e 
em sua companhia.
O empregador ou comitente Por seus empregados, serviçais 
e prepostos, no exercício do 
trabalho que lhes competir, ou 
em razão dele.
Os donos de hotéis, hospedarias, casas ou 
estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, 
mesmo para fins de educação
Pelos seus hóspedes, moradores 
e educandos.
Os que gratuitamente houverem participado nos 
produtos do crime
Até a concorrente quantia.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 74/79
Mas a responsabilidade dessas pessoas é objetiva ou subjetiva? Segundo o art. 933 do Código 
Civil, a responsabilidade é objetiva, sequer existindo espaço para que o terceiro prove que 
tomou todas as medidas que lhe competiam para evitar o dano.
Ainda, destacamos que há a possibilidade de ação regressiva do responsável legal 
contra o causador do dano.
A exceção ocorre se o causador do dano for descendente do responsável legal, absoluta ou 
relativamente incapaz, não pode ele agir regressivamente contra o filho.
Em todos os casos supracitados, a responsabilidade do causador do dano com o responsável 
legal é solidária. Porém, o incapaz (absoluta ou relativamente) responde pelos prejuízos que 
causar de maneira subsidiária, inversamente.
Responsabilidade por Fato de Animal
A responsabilidade do dono do animal é objetiva por dano por este causado, sendo irrelevante 
se tomou as cautelas devidas e exigidas.
O Código Civil exclui a responsabilidade apenas nos casos de culpa exclusiva da vítima ou de 
força maior.
A fuga do animal, ou sua permanência em local inapropriado, portanto, importam em 
responsabilização do dono.
São os casos de animal que pula o muro, animal que morde a pessoa através de uma grade ou 
ataca alguém durante uma festa de rua.
Nesses casos, o animal deveria estar bem guardado/não deveria estar lá. Por isso, a 
vítima deve apenas apontar o dano e o nexo causal com a conduta.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 75/79
Cumprirá ao dono provar a existência de culpa exclusivada vítima ou de força maior.
O excludente de culpa exclusiva da vítima limita-se à culpa exclusiva. Se a vítima 
concorre com o dano, responde o dono, ainda assim.
Nos casos de animais selvagens ou sem dono, não há dever de indenizar, porque não há 
alguém propriamente dito para responsabilizar.
Indenização
A quantificação dos danos é talvez a maior dificuldade na responsabilidade civil.
Quando a responsabilidade é contratual, podem os contratantes prefixar no próprio contrato, 
em uma cláusula penal, os valores de ressarcimento.
Se for responsabilidade extracontratual, o ressarcimento deverá ser verificado caso a caso, 
especificamente.
Os danos patrimoniais, via de regra, devem ser provados. Apenas excepcionalmente eles 
podem ser presumidos.
Em regra, são tarifados, limitados ao montante efetivamente despendido.
Já em relação aos danos morais, sempre serão eles arbitrados pelo juiz, não havendo tarifação 
para tanto, em nenhuma hipótese.
Havendo usurpação ou esbulho do alheio, o art. 952 do Código Civil fixa que além da 
restituição da coisa, a indenização consiste no pagamento do valor das suas deteriorações e o 
devido a título de lucros cessantes. Em caso de impossibilidade de restituição, deve-se 
reembolsar o seu equivalente à vítima.
Retomando um tema de Parte Geral, a respeito da caducidade, em regra, segundo o art. 206, § 
3º, inc. V, o prazo da ação de reparação de danos é de 3 anos, contados da data do evento.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 76/79
Ainda, vale ressaltar que o direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la 
transmitem-se com a herança.
Assim, mesmo que a vítima morra, seus herdeiros podem exigir indenização; igualmente, 
se o ofensor morrer, seus herdeiros continuam obrigados a prestar a indenização, mas o 
herdeiro não responde por encargos superiores às forças da herança, claro (art. 1.792 do 
Código Civil).
Excludentes da Responsabilidade Civil
Em determinadas situações, por questões de política legislativa, o Código Civil afasta a 
excludente de responsabilidade em certas situações.
Além disso, pode haver uma excludente de responsabilidade civil que não exclui o dever de 
indenizar; indeniza-se sem ser o responsável.
O art. 936, ao tratar da responsabilidade do dono do animal, afasta o dever de indenizar em 
apenas duas hipóteses: culpa exclusiva da vítima e força maior.
Em outras palavras, se o ato foi de terceiro, mantém-se o dever de indenizar, apesar de o fato 
de terceiro ser uma excludente da responsabilidade civil.
Há situações em que a ação humana, embora cause dano, com nexo causal, não é considerada 
ato ilícito, não gerando, muitas vezes, dever de indenizar.
São as hipóteses de isenção de responsabilidade civil inscritas no art. 188 do Código Civil.
São atos legitimados pelo direito, pois exercidos com apoio em algumas das 
seguintes hipóteses:
a) legítima defesa;
b) exercício regular de direito reconhecido e
c) estado de necessidade, com destruição de coisa ou lesão a pessoa para remoção de perigo 
iminente.
Apesar de serem excludentes de responsabilidade, nem sempre excluirão o dever de indenizar.
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5. Direito Civil
5. Direito Civil 77/79
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Atenção: há uma independência do juízo cível e criminal.
Entretanto, não se pode discutir mais o autor (autoria) e existência do fato (materialidade) 
quando já há decisão na esfera criminal.
Os julgamentos cíveis e criminais são independentes, mas não devem ser contraditórios.
Não é preciso comprovar novamente na esfera cível, aquilo que já foi decidido no juízo 
criminal, assim.
Igualmente, nem sempre a exclusão da antijuridicidade na esfera penal excluirá o dever 
de indenizar no cível.
Por exemplo, se a pessoa foi inocentada na esfera penal por falta de provas, nada impede que 
no cível seja condenada a indenizar, porque o juiz visualiza meros indícios.
No cível posso ser condenado por indícios, no criminal, não. Isso porque há atipicidade da 
responsabilidade civil e tipicidade da responsabilidade criminal.
O crime visa a punir o agressor; o cível visa a tutelar a vítima. Por isso, a atuação do juiz 
criminal não limita a do juiz cível, em regra.
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5. Direito Civil
5. Direito Civil 78/79
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df22cd5311e7
5. Direito Civil
5. Direito Civil 79/79Quanto aos costumes, é importante saber o seguinte:
Analogia Legal (Legis) Analogia Jurídica (Juris)
É a aplicação de uma norma já existente 
para casos semelhantes. 
É a aplicação de um conjunto de normas 
semelhantes. 
Os costumes decorrem da prática reiterada, constante, pública e geral de determinado 
ato com a certeza de ser ele obrigatório.
Para ser considerado costume, deve preencher dois requisitos: uso continuado e a 
certeza de sua obrigatoriedade.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 10/79
Antinomias
Antinomia jurídica é a presença de duas normas conflitantes:
Pode haver um conflito entre duas normas que exija o recurso a mais de um critério de 
resolução das antinomias. A partir da necessidade ou não de recurso a apenas uma ou a mais 
de um critério, podemos classificar as antinomias aparentes em:
Conflito de leis no tempo
A Constituição Federal de 1988 (art.5°, inc. XXXVI) e a LINDB adotaram o princípio da 
irretroatividade das leis como REGRA, e o princípio da retroatividade como EXCEÇÃO. Isso 
desde que, cumulativamente, exista expressa disposição normativa nesse sentido e que tais 
efeitos retroativos não atinjam o ato jurídico perfeito, a coisa julgada e o direito adquirido.
Critério Cronológico Critério de Especialidade Critério Hierárquico
A norma posterior tem 
prevalência sobre a norma 
anterior.
A norma especial tem 
prevalência sobre a norma 
geral.
A norma superior tem 
prevalência sobre a norma 
inferior.
Antinomia de 1º grau Antinomia de 2º grau
Conflito entre normas que exige o recurso a 
apenas um dos critérios.
Conflito de normas válidas que envolve pelo 
menos dois dos critérios.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 11/79
Conflito de leis no espaço
Pelo princípio da territorialidade, quando uma lei é criada, a princípio ela tem validade e 
obrigatoriedade dentro do território do Estado (país) que a criou.
Ocorre que, esse princípio da territorialidade não é aplicado de modo ABSOLUTO, no 
Brasil, pelo que se permite, em alguns casos, a aplicação do princípio da 
extraterritorialidade.
Portanto, no Brasil adotamos a Territorialidade Temperada (moderada ou mitigada).
Ato jurídico perfeito Direito adquirido Coisa 
julgada
Ato já consumado segundo a lei 
vigente ao tempo em que se efetuou, 
regido pela Lei da época de sua 
prática.
Situações jurídicas já   incorporadas 
ao patrimônio da pessoa.
A 
decisão 
judicial 
de que 
já não 
caiba 
recurso, 
imutável.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 12/79
A aplicação de lei ou atos estrangeiros em território nacional só será possível se essa lei 
estiver de acordo com a ordem pública, os bons costumes e não ofenderem a 
soberania nacional.
Capacidade, Personalidade e Família
O art. 7° da LINDB funda-se na lex domicilli, pela qual devem ser aplicadas as regras sobre o 
começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família
Casamento
Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos 
dirimentes e às formalidades da celebração.
Destaco que a lei brasileira será aplicada (lex loci actus), ainda que os nubentes (noivos) sejam 
estrangeiros.
O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou 
consulares do país de ambos os nubentes.
Tendo os nubentes domicílio diverso, regerá os casos de invalidade do matrimônio a lei 
do primeiro domicílio conjugal.
Atualmente, segundo o Código Civil de 2002, a escolha do domicílio conjugal é feita pelo casal 
(homem e mulher).
A lei do domicílio dos nubentes vai disciplinar o regime de bens, legal ou convencional – fixado 
por vontade dos nubentes –, no casamento.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 13/79
O estrangeiro naturalizado brasileiro, com a expressa anuência de seu cônjuge, pode requerer a 
adoção do regime da comunhão parcial de bens, resguardados os direitos de terceiros.
Divórcio
O art. 7°, §6º, trata do divórcio realizado no estrangeiro. No entanto, esse dispositivo tem de ser 
lido com cautela, por força da Emenda Constitucional – EC 66/2010.
Atualmente, o art. 7°, §6º, da LINDB tem de ser lido assim:
O divórcio [consensual puro e simples] realizado no estrangeiro, se um ou ambos os 
cônjuges forem brasileiros, será reconhecido [imediatamente] no Brasil, 
[independentemente de homologação pelo] Superior Tribunal de Justiça.
Domicílio
De acordo com a literalidade da LINDB, salvo o caso de abandono, o domicílio do chefe da 
família estende-se ao outro cônjuge e aos filhos não emancipados, e o do tutor ou curador aos 
incapazes sob sua guarda.
À luz da Constituição Federal e do Código Civil (art. 1.567), a direção da sociedade conjugal 
será exercida, em colaboração, pelo marido e pela mulher, sempre no interesse do casal e dos 
filhos.
Ou seja, atualmente, esse artigo é uma aberração. Contudo, para fins de concursos públicos, é 
necessário decorar o texto de lei da LINDB.
Quando a pessoa não tiver domicílio, considerar-se-á domiciliada no lugar de sua 
residência ou naquele em que se encontre.
Morte e Sucessão
5. Direito Civil
5. Direito Civil 14/79
Em se tratando de sucessão por morte ou por ausência, deve-se obedecer à lei do país em que 
domiciliado o defunto ou o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens.
Regra geral, quando uma pessoa morre e deixa bens que deverão ser partilhados entre seus 
herdeiros, essa partilha (sucessão), obedecerá às leis do lugar onde era domiciliado o morto, 
independentemente de sua nacionalidade, do local do local de seu falecimento, bem como da 
natureza e da situação dos bens.
Vejamos a exceção:
A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para suceder.
Competência Processual
Processualmente, a LINDB consigna que há competência da autoridade judiciária brasileira 
quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 15/79
Só à autoridade judiciária brasileira compete conhecer das ações relativas a imóveis 
situados no Brasil.
Atos de Outros Países
As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, 
não terão eficácia no Brasil, quando ofenderem:
- a soberania nacional,
- a ordem pública; e
- os bons costumes
5. Direito Civil
5. Direito Civil 16/79
A Emenda Constitucional 45/2000 acrescentou ao art. 105, inc. I, da CF/88, a alínea 
“i”, estabelecendo a competência do Superior Tribunal de Justiça para a homologação 
de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias, 
anteriormente atribuída, ao art. 15 da LINDB, ao Supremo Tribunal Federal.
Diante do texto constitucional, qualquer sentença estrangeira, para produzir efeitos no 
Brasil, precisa de homologação do STJ.
Atenção! Isso é cobrado em prova e muita gente, ao ler a literalidade da LINDB, erra! É 
o STJ
Bens e Obrigações
Para qualificar e regular relações no que diz respeito aos bens e às obrigações, seguimos o 
princípio da territorialidade: estando o bem situado no Brasil, aplicam-se as leis do Brasil; 
constituindo-se obrigações no Brasil, aplicam-se as leis do Brasil.
No entanto, estando o bem situado no exterior, ou constituindo-se obrigações no exterior, 
aplicam-se as leis do exterior.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 17/79
A exceção no caso dos bens é quanto aos bens móveis trazidos ou destinados a transporte 
para outros lugares; nessa situação aplica-se a lei do domicílio.
A regra locus regit actum manda aplicar as leis do lugar em que forem celebrados os 
atos. Essa regra é válida para obrigações constituídas entre presentes, ou seja, ambas as 
partes comparecem pessoalmente ao ato.
O princípio locus regit actum está relacionado ao PLANO DE VALIDADE do negócio, 
relacionado ao ato de constituição da obrigação, ou seja, à sua FORMA.
Muita atenção aos seguintes pontos:
Provas
5. Direito Civil
5. Direito Civil 18/79
Quanto às normas processuais, a prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei 
quenele vigorar, quanto ao ônus e aos meios de se produzir.
Todavia, a LINDB deixa claro que não se admitem nos tribunais brasileiros provas que a lei 
brasileira desconheça.
Não conhecendo a lei estrangeira, poderá o juiz exigir de quem a invoca prova do texto e da 
vigência.
Do Direito Público: Decisões
A LINDB traz algumas disposições sobre segurança jurídica e eficiência na criação e 
na aplicação do direito público.
Essas disposições foram inseridas pela Lei nº 13.655/2018, que entrou em vigor na data 
de sua publicação, à exceção do art. 29, que passou a viger apenas depois de 180 dias.
Visando evitar que o julgador decida de maneira arbitrária, o art. 20 da LINDB prevê que nas 
esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos 
abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão.
Assim, na motivação, deve-se demonstrar a necessidade e a adequação da medida imposta 
ou da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face 
das possíveis alternativas.
Essas decisões, quando decretarem a invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma 
administrativa devem indicar de modo expresso suas consequências jurídicas e administrativas.
Ainda, exige-se que as decisões indiquem as condições para que a regularização ocorra de 
modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses gerais.
Não se pode, por isso, impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das 
peculiaridades do caso, sejam anormais ou excessivos.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 19/79
Interpretação
Na interpretação de normas sobre gestão pública, serão considerados os obstáculos e as 
dificuldades reais do gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos 
direitos dos administrados.
Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, ajuste, processo ou 
norma administrativa, serão consideradas as circunstâncias práticas que houverem imposto, 
limitado ou condicionado a ação do agente.
Na aplicação de sanções, serão consideradas a natureza e a gravidade da infração 
cometida, os danos que dela provierem para a administração pública, as circunstâncias 
agravantes ou atenuantes e os antecedentes do agente.
As sanções aplicadas ao agente serão levadas em conta na dosimetria das demais 
sanções de mesma natureza e relativas ao mesmo fato.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 20/79
Sanções
A aplicação de sanções deve considerar:  
A natureza e a gravidade da infração cometida;
Os danos que dela provierem para a administração pública;
As circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes do agente;
A dosimetria das demais sanções de mesma natureza relativas ao mesmo fato.
Revisões
Com o objetivo de tentar reduzir a mudança de rumos que, por vezes, torna o ambiente de 
negócios mais complexo ao parceiro privado, a LINDB prevê que a decisão administrativa, 
controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou orientação nova sobre norma de 
conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo condicionamento de direito, deverá 
prever regime de transição.
Esse regime de transição só será necessário quando indispensável para que o novo dever ou 
condicionamento de direito seja cumprido de modo proporcional, equânime e eficiente e sem 
prejuízo aos interesses gerais.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 21/79
Responsabilidade
O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões técnicas em 
caso de dolo ou erro grosseiro.
Compromisso
No âmbito da desjudicialização de conflitos, a LINDB passou a permitir a celebração de 
compromisso entre a Administração Pública e os interessados.
Assim, para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa na aplicação do 
direito público, inclusive no caso de expedição de licença, a autoridade administrativa poderá 
celebrar compromisso com os interessados.
Segurança Jurídica
Por fim, a LINDB exige que as autoridades públicas atuem para aumentar a segurança jurídica 
na aplicação das normas, inclusive por meio de regulamentos, súmulas administrativas e 
respostas a consultas.
Estendendo o raciocínio das Súmulas Vinculantes do STF, esses instrumentos terão caráter 
vinculante em relação ao órgão ou entidade a que se destinam, até ulterior revisão.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 22/79
|key-item-2| Das Pessoas Naturais e do Domicílio
[1]
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Personalidade
A personalidade é “a possibilidade de alguém participar de relações jurídicas decorrente de 
uma qualidade inerente ao ser humano, que o torna titular de direitos e deveres”.
Quanto ao início da personalidade da pessoa natural, surgem três diferentes teorias:
Teoria Natalista A Teoria Natalista é aquela à qual maior parte da doutrina brasileira é 
adepta.
Segundo ela, a personalidade começa com o nascimento com vida, daí 
o nome Teoria
Natalista.
Se o nascituro efetivamente teve respiração natural extrauterina, e, 
portanto, nasceu com vida, mas morreu na sequência, adquiriu, ainda 
que por tempo curtíssimo, personalidade plena.
O nascituro é uma “pessoa em potencial”.
Teoria 
Concepcionista
Apesar de ter menos adeptos, encontra respaldo no ordenamento.
Segundo essa teoria, a personalidade começa com a concepção.
Assim, tão logo concebido o nascituro, já é considerado pessoa para 
todos os fins, exceto determinados direitos que dependem de seu 
nascimento com vida.
Teoria da 
Personalidade 
Condicional
Trata-se de uma perspectiva híbrida da Teoria Natalista e da Teoria 
Concepcionista.
Para essa teoria, a personalidade já se iniciaria com a concepção, mas 
estaria condicionada (condição suspensiva) ao nascimento com vida. Ou 
seja, o nascituro, pessoa, já deteria direitos, pessoais e patrimoniais, 
desde a concepção, mas a aquisição desses direitos estaria 
condicionada ao nascimento com vida.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 23/79
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Em que pese parecer a teoria mais adequada, a Teoria da Personalidade 
Condicionada é sujeita a forte crítica tanto de defensores da Teoria 
Concepcionista quanto da Teoria Natalista.
Essa teoria não encontra amparo jurídico relevante.
A aplicação da Teoria Concepcionista é vista no ordenamento jurídico brasileiro a partir 
de determinados entendimentos jurisprudenciais.
Talvez o julgado mais famoso a respeito seja aquele que tratou do caso do nascituro 
falecido em acidente automobilístico.
  O STJ entendeu que a indenização seria devida pelo seguro obrigatório, DPVAT, 
mesmo que ele não tivesse ainda nascido. A base de sustentação dessa decisão é que 
o nascituro já seria considerado pessoa, ainda que a Corte não tenha deixado claro um 
posicionamento.
Dos Direitos da Personalidade
Os direitos da personalidade são direitos subjetivos e, portanto, conferem à pessoa o poder de 
defendersua personalidade no aspecto psicofísico amplo.
A base dos direitos de personalidade é o princípio reitor da CF/1988, o princípio da dignidade 
da pessoa humana.
O objetivo dos direitos de personalidade é a adequada proteção e tutela da pessoa humana.
São características dos direitos de personalidade:
Absolutos Eficazes contra todos (erga omnes).
No entanto, são os direitos da personalidade relativizados, sobretudo 
aqueles que diretamente dependem da intervenção estatal, como os 
chamados direitos subjetivos públicos (saúde, educação, meio ambiente, 
moradia etc.)
Indisponíveis Insuscetíveis de alienação.
Porém, são disponíveis os efeitos patrimoniais dos direitos de 
personalidade e os próprios direitos de personalidade são disponíveis, 
5. Direito Civil
5. Direito Civil 24/79
Dos Direitos da Personalidade em Espécie
O art. 13 do Código Civil limita atos de disposição do próprio corpo, quando eles 
importem diminuição permanente da integridade física, ou contrariarem os bons 
costumes, às situações em que há exigência médica.
desde que sejam eles dispostos de maneira relativa, apenas.
Irrenunciáveis Insuscetíveis de renúncia ou limite.
Mas são renunciáveis os efeitos patrimoniais dos direitos de personalidade.
Imprescritíveis Não há prazo para sua utilização e não deixam de existir pelo simples 
decurso do tempo.
Já os efeitos patrimoniais dos direitos da personalidade prescrevem, 
como, por exemplo, no caso da prescrição para se buscar reparação por 
dano moral.
Extrapatrimoniais Não compõem o patrimônio da pessoa.
Porém, é possível se tratar de um direito de personalidade em termos 
econômicos, como nos casos do direito à imagem, sendo também 
possível se aferir um direito de personalidade pecuniariamente em caso 
de indenização por violação.
Inatos Nascem com a pessoa e morrem com ela, independentemente de atuação.
No entanto, os direitos da personalidade se estabelecem ainda antes de a 
pessoa nascer, como é o caso da proteção da personalidade do nascituro, 
e eles continuam a irradiar efeitos mesmo depois da morte, como no caso 
da proteção do nome do falecido pelos parentes vivos.
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Excetuam-se os casos de transplante de órgãos (art. 13, parágrafo único) e de 
disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte, com 
objetivo científico ou altruístico.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 25/79
Esses atos, porém, podem ser livremente revogados a qualquer tempo.
Ainda quanto ao corpo, não se pode constranger alguém a se submeter, com risco de vida, a 
tratamento médico ou a intervenção cirúrgica.
Quanto ao nome, o direito ao nome protege também o prenome e o sobrenome (art. 16), além 
de apelidos ou pseudônimos socialmente reconhecidos, desde que lícitos (art. 19).
Por isso, o nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou 
representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção 
difamatória (art. 17).
Do mesmo modo, sem autorização, não se pode usar o nome alheio em propaganda comercial 
(art. 18).
O Enunciado 278 da IV Jornada de Direito Civil, indo além, evidencia que a publicidade 
que divulgar, sem autorização, qualidades inerentes a determinada pessoa, ainda que 
sem mencionar seu nome, mas sendo capaz de identificá-la, constitui violação a direito 
da personalidade.
Quanto à alteração do nome, o CC/2002 silencia a respeito, sendo que é a Lei 6.015/1973, a 
Lei de Registros Públicos – LRP, que regula o tema.
Permite-se ainda, conforme vasta jurisprudência a respeito do tema, a alteração do 
prenome da pessoa transexual, incluindo a alteração do assento quanto ao gênero, 
para que não seja esse o motivo de mais sofrimento à pessoa (REsp 1.626.739/RS).
O nome social, a designação pela qual a pessoa travesti ou transexual se identifica e é 
socialmente reconhecida, é igualmente protegido.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 26/79
CUIDADO!!! Atente para uma sutil diferença existente entre os arts. 12 e 20, nos parágrafos 
únicos.
Parece bobagem, mas tem prova que exige a literalidade do caput de um artigo, combinando-o 
com o parágrafo único do outro!!! Veja:
Art. 12 Art. 20
Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, 
a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, 
sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se 
necessárias à administração da 
justiça ou à manutenção da ordem 
pública, a divulgação de escritos, a 
transmissão da palavra, ou a 
publicação, a exposição ou a 
utilização da imagem de uma 
pessoa poderão ser proibidas, a seu 
requerimento e sem prejuízo da 
indenização que couber, se lhe 
atingirem a honra, a boa fama ou a 
respeitabilidade, ou se se 
destinarem a fins comerciais.
Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá 
legitimação para requerer a medida prevista neste 
artigo o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em 
linha reta, ou colateral até o quarto grau.
Parágrafo único. Em se tratando de 
morto ou de ausente, são partes 
legítimas para requerer essa 
proteção o cônjuge, os ascendentes 
ou os descendentes.
Ou seja, o art. 12 trata da ameaça ou lesão a direito de personalidade; o art. 20 trata da 
transmissão, divulgação/exposição de palavra, escrita e imagem.
São duas coisas diferentes!
No primeiro caso, os colaterais até quarto grau podem manejar a medida judicial; No 
segundo caso não, somente cônjuges, ascendentes e descendentes!!!
5. Direito Civil
5. Direito Civil 27/79
O STF, na ADI 4815, julgou que não é necessária a autorização de pessoa pública para a 
divulgação de biografia sua, mas o biógrafo responde por eventuais danos, na forma da 
lei.
Capacidade
A capacidade é a medida da personalidade. Ou seja, a capacidade é a aptidão genérica para 
ser titular de direitos e obrigações.
É possível que alguém tenha personalidade, mas não plena capacidade; ou, ao contrário, que 
alguém tenha capacidade sem plena personalidade.
Incapacidade Absoluta Incapacidade Relativa
Somente os menos de 16 anos, 
sem exceção!
Sujeitos à representação.
Maiores de 16 e menores de 18 anos;
Ébrios habituais, viciados em tóxicos;
Aqueles que, por causa transitória ou 
permanente, não puderem exprimir sua vontade;
Pródigos;
Sujeitos a assistência.
As pessoas com deficiência são plenamente capazes. Excepcionalmente, se sujeitam à 
curatela.
Presunção de Morte
5. Direito Civil
5. Direito Civil 28/79
O fim da pessoa significa o fim de sua capacidade. De acordo com o art. 6º do CC/2002, ela 
termina, no caso da pessoa natural, com a morte.
A extinção da pessoa jurídica tem regime próprio, evidentemente, pois a pessoa jurídica não 
morre.
Em qualquer caso, a declaração de morte presumida – e também a declaração de 
ausência – necessitam de sentença judicial de natureza declaratória, não havendo 
presunção de morte ou ausência sem que a competente sentença seja registrada no 
registro público, conforme exige o art. 9º do CC/2002.
O juiz, portanto, apenas declara a morte da pessoa, presuntivamente.
Comoriência
A comoriência é a presunção de morte simultânea de pessoas reciprocamente herdeiras.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 29/79
Devem-se esgotar as possibilidades de averiguar fática e cientificamente a precedência 
de quem morreu.
Se houver meio de identificar quem morreu primeiro, não se aplica a regra da 
comoriência.
Apesar de o artigo 8º do Código Civil não mencionar, uma pessoa deve ser herdeira da outra, 
ou ter outro direito patrimonial derivado dessa relação, ou a verificação da comoriência é 
irrelevante.
Em se visualizando a comoriência, a consequência daí extraída é que os comorientes não são 
considerados herdeiros entre si.
Da Ausência
Para maximizar suas revisões, veja o quadro abaixo com todo o procedimento de ausência 
resumido, desde o momento em que o Poder Judiciário é acionado para declarar a ausência de 
alguém que desapareceu do domicílio até a ultimação da sucessãodefinitiva.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 30/79
Domicílio
O domicílio é a localização espacial da pessoa, ou seja, local onde ela estabelece residência, 
com ânimo definitivo.
Como um atributo da personalidade, o domicílio é considerado a sede jurídica da pessoa, seja 
ela pessoa física/natural ou pessoa jurídica. Portanto, muda-se o domicílio, transferindo a 
residência, com a intenção manifesta de o mudar.
Requisito Objetivo Requisito Subjetivo
5. Direito Civil
5. Direito Civil 31/79
O domicílio segue três regras:
Residência Ânimo definitivo
Necessidade Todos têm domicílio, ainda que residência não tenham (art. 73 do 
CC/2002). Ou seja, o domicílio é necessário, sempre.
O domicílio é obrigatório e mesmo os que não têm residência têm 
domicílio, como os sem-teto ou os errantes, que se deslocam 
constantemente.
Em geral, como se fixa o domicílio dos que não têm residência?
Utiliza-se o local onde for encontrada a pessoa como seu domicílio, 
segundo o art. 73 do CC/2002.
Fixidez O domicílio é fixo, apesar de se permitir mutabilidade (art. 74 do 
CC/2002).
Por isso, é possível ter domicílio e residência diferentes. Como?
  Imagine que, terminada a faculdade, você resolva seguir a carreira 
policial e é aprovado num Concurso de Delegado da Polícia Federal. 
Durante um semestre, você passará um período em Brasília/DF, 
fazendo um curso de treinamento. Se você não é de Brasília, no 
período em que você estiver lá, seu domicílio continua sendo a sua 
cidade de origem, mas a sua residência será, nesse caso, Brasília.
Unidade
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Toda pessoa tem apenas um domicílio. Mas, atenção: o Direito 
brasileiro admite, excepcionalmente, a pluralidade de domicílios 
(art. 71 do CC/2002). Assim, o ator que tem uma casa em São 
Paulo/SP, uma casa no Rio de Janeiro/RJ e outra casa em sua cidade 
de origem, pode ter considerado quaisquer dessas residências como 
domicílio seu.
O tema já foi objeto de cobrança na prova de Delegado da Polícia 
Federal!
5. Direito Civil
5. Direito Civil 32/79
Atenção! O tema já foi cobrado em provas anteriores de Delegado de Polícia 
elaboradas pela Cebraspe, que é a banca normalmente responsável pelo 
concurso de Delegado de Polícia Federal. Então, atenção aos domicílios 
necessários tratados pela lei civil:
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Pessoas 
itinerantes
Art. 73: “Ter-se-á por domicílio da pessoa natural, que não tenha 
residência habitual, o lugar onde for encontrada”.
Incapazes Art. 76: “Tem domicílio necessário o incapaz”, que é "o do seu 
representante ou assistente".
Servidores 
Públicos
Art. 76: “Tem domicílio necessário o servidor público”, que é "o lugar em 
que exercer permanentemente suas funções".
Militares do 
Exército
Art. 76: "Tem domicílio necessário o militar", que é "onde servir".
Militares da 
Marinha e 
Aeronáutica
Art. 76: "Tem domicílio necessário o militar", que é, "sendo da Marinha 
ou da Aeronáutica, a sede do comando a que se encontrar 
imediatamente subordinado".
Marinha Mercante Art. 76: “Têm domicílio necessário o marítimo”, que é "onde o navio 
estiver matriculado".
Presos Art. 76: “Têm domicílio necessário o preso”, que é "o lugar em que 
cumprir a sentença".
Segundo Pontes de Miranda, somente com o trânsito em julgado torna-
se esse lugar o domicílio necessário do preso; antes disso, continua ele 
com o domicílio voluntário anteriormente fixado.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 33/79
|key-item-3| Das Pessoas Jurídicas
Agentes 
Diplomáticos
Art. 77: “O agente diplomático do Brasil, que, citado no estrangeiro, 
alegar extraterritorialidade sem designar onde tem, no país, o seu 
domicílio, poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto 
do território brasileiro onde o teve”.
Cuidado para não confundir os militares do Exército com os militares da Aeronáutica e 
da Marinha; nem os marinheiros entre si, os da Marinha Militar e os da Marinha 
Mercante!
Atente ainda para os servidores públicos, dado que seu domicílio necessário é o local 
onde exercem permanentemente suas funções; se o servidor é deslocado 
temporariamente, seu domicílio não se altera.
[2]
Das Pessoas Jurídicas
As pessoas jurídicas, coletivas, abstratas, fictas ou mesmo morais, são entidades que 
conglobam pessoas, bens ou ambos (pessoas + bens).
Elas são aptas a titularizar relações jurídicas de maneira bastante ampla e, por isso, as pessoas 
jurídicas têm personalidade jurídica, como as pessoas físicas ou naturais.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 34/79
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Classificação: Pessoas Jurídicas de Direito Público
PJ de Direito Público Interno PJ de Direito Público Externo
União;
Estados;
Municípios;
Distrito Federal;
Territórios;
Autarquias;
Associações Públicas;
Fundações Públicas;
Demais entidades de caráter público 
criadas por lei.
Estados da comunidade internacional;
Demais pessoas regidas pelo Direito 
Internacional Público.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 35/79
Cuidado com o art. 41, parágrafo único!
As pessoas jurídicas de direito público interno que tiverem estrutura de direito privado 
serão regidas pelas regras do Direito Privado. Ou seja, apesar de serem públicas são 
tratadas como se privadas fossem.
Ainda assim, há diferenças, analisadas pelo Direito Administrativo.
Classificação: Pessoas Jurídicas de Direito Privado
Personificação
A personificação se trata da existência legal das pessoas jurídicas de direito privado, ocorre 
com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro.
O direito de anular um ato com decai em três anos, contado o prazo da publicação de sua 
inscrição no registro.
Entes Despersonificados
Entes despersonificados: mero agrupamento de pessoas e/ou bens, que não chega a constituir 
pessoas jurídicas, mas que possuem direitos e obrigações muito semelhantes às pessoas 
jurídicas.
Associações Pessoas jurídicas com finalidades não econômicas.
Sociedades Reunião de pessoas e bens ou serviços com objetivo econômico e 
partilha de resultados, ou seja, têm natureza eminentemente lucrativa.
Fundações Complexo de bens.
Organizações 
Religiosas
União de leigos para o culto religioso, assistência ou caridade; não 
podem ter fim econômico.
Partidos Políticos Associações com ideologia política, cujos membros se organizam para 
alcançar o poder político e satisfazer os interesses de seus membros.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 36/79
São eles e seus respectivos representantes:
Desconsideração da Personalidade Jurídica
Despersonificação ou despersonalização da pessoa jurídica trata da extinção, dissolução da 
pessoa jurídica. Com o encerramento da liquidação, promove-se finalmente o cancelamento da 
inscrição da pessoa jurídica.
Desconsideração da personalidade jurídica: o juiz poderá, a requerimento da parte, ou do 
Ministério Público quando lhe couber intervir noprocesso, desconsiderá-la para que os efeitos 
de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de 
administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo 
abuso.
Ocorre nos casos de abuso da personalidade, caracterizado pelo:
Massa falida Administrador judicial
Herança jacente ou vacante Curador
Espólio Inventariante
Sociedade e associação irregular/de fato A quem couber a administração dos seus 
bens
Condomínio Administrador ou síndico
Outros entes organizados sem personalidade 
jurídica
A quem couber a administração dos seus 
bens
Desvio de Finalidade Confusão Patrimonial
Utilização da pessoa jurídica com o 
propósito de lesar credores e para a 
prática de atos ilícitos de qualquer 
natureza; ou
Ausência de separação de fato entre os 
patrimônios, caracterizada por:
Cumprimento repetitivo pela sociedade de 
obrigações do sócio ou do administrador ou 
vice-versa;
Transferência de ativos ou de passivos sem 
efetivas contraprestações, exceto os de valor 
proporcionalmente insignificante; e
5. Direito Civil
5. Direito Civil 37/79
Outros atos de descumprimento da 
autonomia patrimonial.
Desconsideração inversa da personalidade jurídica: há desconsideração da 
personalidade do sócio/administrador para atingir os bens da pessoa jurídica da qual ele 
faz parte.
Associações
Associações: união de pessoas que se organizem para fins não econômicos.
O objetivo da associação não pode ser a distribuição de lucro social, exatamente o contrário de 
uma sociedade.
Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos.
É regido por um Estatuto, o qual pode prever categorias de associados com vantagens 
especiais, mas todos eles devem ter iguais direitos.
A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário.
Fundações
Fundações: criadas por escritura pública ou por testamento, dotando-as o instituidor de bens 
livres, especificando o fim a que se destinam, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-
las.
Quando forem insuficientes os fundos para constituir a fundação, os bens a ela destinados 
serão, se de outro modo não dispuser o instituidor, incorporados a outra fundação que se 
proponha a fim igual ou semelhante.
Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas.
Se estenderem a atividade por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada um deles, ao 
respectivo Ministério Público.
Domicílio Das Pessoas Jurídicas
União Distrito Federal
5. Direito Civil
5. Direito Civil 38/79
|key-item-4| Dos Bens
Estados e 
Territórios
As respectivas capitais
Municípios O lugar onde funcione a administração municipal
Demais pessoas 
jurídicas
O lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou 
onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos.
Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um 
deles será considerado domicílio para os atos nele praticados.
[3]
Bens Considerados em Si Mesmos
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 39/79
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Res derelictae e coisa perdida apenas parecem a mesma coisa.
A res derelictae é apropriável e não enseja aplicação da lei penal; inversamente, a coisa
perdida é inapropriável e enseja aplicação da lei penal.
Como distinguir uma coisa da outra?
Pela intenção do dono de se despojar da coisa, ainda que não exista declaração explícita 
de vontade. Talvez o exemplo mais evidente seja jogar algo no lixo: res derelictae. Já 
deixar um objeto sobre a mesa não enseja o mesmo raciocínio, já que parece evidente 
que a pessoa esqueceu a coisa, exceto se houve manifestação de vontade em contrário.
Regra Exceção
5. Direito Civil
5. Direito Civil 40/79
Apropriabilidade dos 
bens
Inapropriação dos bens:
Razões jurídicas (corpo humano, etc...);
Justificativa na cláusula de inalienabilidade
Bens Imóveis e Bens Móveis
Bens Imóveis Bens Móveis
O solo e tudo o que 
nele se incorporar;
Os direitos reais sobre 
imóveis e as ações que 
os asseguram;
O direito à sucessão 
aberta;
As edificações que, 
separadas do solo, mas 
conservando a sua 
unidade, forem 
removidas para outro 
local;
Os materiais 
provisoriamente 
separados de um 
prédio, para nele se 
reempregarem.
Os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção 
por força alheia, sem alteração da substância ou da 
destinação econômico-social;
As energias que tenham valor econômico;
Os direitos reais sobre objetos móveis e as ações 
correspondentes;
Os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas 
ações;
Os materiais destinados a alguma construção, enquanto 
não forem empregados, conservam sua qualidade de 
móveis;
Os materiais provenientes da demolição de algum prédio.
Bens Corpóreos e Bens Incorpóreos
Bens Corpóreos Bens Incorpóreos
5. Direito Civil
5. Direito Civil 41/79
Bens corpóreos, 
também chamados de 
materiais ou tangíveis, 
são os bens que têm 
existência material, física;
São palpáveis aos 
sentidos humanos;
Exemplos: os veículos 
automotores, uma 
residência, uma pintura 
famosa, uma camiseta 
comum, uma maçã, um 
cavalo, uma coleção de 
livros etc.
Bens incorpóreos, também chamados de  imateriais ou 
intangíveis, ao contrário, não têm existência material, 
física, ainda que possam ser materializados, sem que, 
contudo, sua essência possa ser materializada;
A matéria, nesse caso, é mero instrumento do bem;
Exemplos: o direito autoral, os direitos de personalidade, 
o direito de ação, a saúde, a intimidade, o crédito, o 
débito, a liberdade etc.
Bens Consumíveis e Bens Inconsumíveis
Bens Consumíveis Bens Inconsumíveis
5. Direito Civil
5. Direito Civil 42/79
São consumíveis os bens 
móveis cujo uso importa 
destruição imediata da 
própria substância;
Essa noção é bem próxima 
dos bens não duráveis 
previstos pelo Código de 
Defesa do Consumidor;
Ao lado dessa 
consuntibilidade fática ou 
física, o CC/2002 também 
prevê o caso de 
consuntibilidade jurídica.
Desse conceito, pode-se 
perceber que existem duas 
espécies de bens 
consumíveis, os 
consumíveis de fato e os 
consumíveis de direito.
 Inconsumíveis faticamente ou 
fisicamente são os bens cujo uso 
constante possibilita o uso das suas 
utilidades sem atingir sua integridade. 
Ou seja: mesmo com a fruição, eles se 
mantêm hígidos. Atenção, pois a 
definição já foi cobrada em provas de Polícia Civil 
elaboradas pela Cebraspe!
Inconsumíveis juridicamente são os bens inalienáveis.
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Portanto, curiosamente, um mesmo bem pode ser, ao mesmo tempo, consumível e 
inconsumível.
Será consumível juridicamente um veículo comum, que pode ser alienado, mas 
inconsumível, faticamente, já que seu uso não importa destruição imediata da própria 
substância.
Por outrolado, será inconsumível juridicamente uma garrafa rara de vinho, clausulada de 
inalienabilidade, que é consumível faticamente.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 43/79
Perceba:  a classificação natural vale somente para os bens móveis, já que os bens 
imóveis são, essencialmente, inconsumíveis, já que seu uso não importará em destruição 
de sua substância. A classificação jurídica, por sua vez, se aplica tanto a bens móveis 
quanto imóveis.
Bens Divisíveis e Bens Indivisíveis
Bens Divisíveis Bens Indivisíveis
Os bens divisíveis 
são os que se 
podem fracionar 
sem alteração na 
sua substância, 
diminuição 
considerável de 
valor, ou prejuízo 
do uso a que se 
destinam;
Além disso, os 
bens naturalmente 
divisíveis podem 
tornar-se 
indivisíveis por 
determinação da 
lei ou por vontade 
das partes
Bem indivisível é aquele que perde a identidade ou o valor, 
quando fracionado;
A parte não é capaz de manter as mesmas características do 
todo. Como um diamante, que perde parte do seu valor se for 
dividido;
Os bens indivisíveis por determinação legal são aqueles que a 
lei não admite divisão (exemplos são a herança, as servidões, as 
hipotecas etc.).
A indivisibilidade pode ser oposta a um bem por escolha das 
partes, ou seja, ainda que divisível, podem as partes optar pela 
indivisibilidade, por numerosas razões. É o caso da indústria que 
escolhe receber um carregamento de tomates de vinte 
caminhões; a entrega deve ser feita numa única oportunidade, 
por razões logísticas, não se podendo dividir a entrega.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 44/79
Bens Singulares e Bens Coletivos
Bens Reciprocamente Considerados 
Os bens podem ser considerados de maneira recíproca, ou seja, uns em relação aos outros.
Bens Singulares Bens Coletivos
São singulares, ou 
individuais, os bens que, 
embora reunidos, se 
consideram de per si, 
independentemente dos 
demais;
Podem os bens 
singulares serem simples 
ou compostos;
Simples são os bens 
singulares cujos 
elementos se ligam 
naturalmente, como 
ocorre com uma árvore;
Compostos são os bens 
singulares cujos 
elementos estão unidos 
pela vontade humana, 
como um veículo.
Bens coletivos ou universais são os bens singulares – 
iguais ou diferentes – reunidos em um todo 
individualizado;
Passa-se a considerar o todo, ainda que não desapareça 
a peculiaridade individual de cada um;
Exemplos: um pomar ou uma frota de veículos;
Os bens coletivos podem obter essa característica por 
consequência fática ou jurídica;
A universalidade de fato constitui uma pluralidade de 
bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, 
tenham destinação unitária;
A universalidade de direito não constitui uma totalidade 
na prática. Porém, para efeitos jurídicos, um complexo 
de relações jurídicas de uma pessoa, dotadas de valor 
econômico, constitui uma unitariedade. Exemplo: 
herança.
Bem Principal É o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente;
Exemplos: o solo, ou um veículo automotor.
Bem Acessório Acessório é o bem  cuja existência pressupõe a existência do principal;
Exemplos: a casa que se liga ao solo ou os pneus do carro.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 45/79
Relativamente aos bens reciprocamente considerados se vê um princípio geral do Direito 
Civil: accessorium sequitur principale, ou seja, o acessório segue o principal.
Trata-se do princípio da gravitação jurídica, que determina que o bem acessório segue 
a sorte do principal, salvo disposição em contrário. Assim, quando eu vendo o terreno, 
vendo a casa; quando vendo o carro, vendo os pneus.
Seguindo a “lógica” do CC/2002, os bens acessórios se dividem em partes integrantes e 
pertenças.
As partes integrantes, por sua vez, se subdividem em benfeitorias, frutos e produtos.
Pertenças
São pertenças, também conhecidas como res annexa, os bens que, não constituindo partes 
integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de 
outro.
É o caso, por exemplo, de um rádio destacável do veículo ou de um piano numa casa.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 46/79
Uma característica das pertenças é que elas conservam sua autonomia, de modo que 
sua caracterização como acessório é de mera conveniência econômico-jurídica.
Isso porque a pertença não se incorpora ao bem principal.
Em regra, o negócio estipulado entre as partes não abrange as pertenças, salvo se o contrário 
resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das circunstâncias do caso.
Trata-se de exceção ao princípio da gravitação jurídica. Por isso, quando vendo o carro, não 
vendo o equipamento de adaptação veicular para pessoa com deficiência, ou quando vendo a 
casa não vendo o piano. Claro, se eu quiser, posso, mas isso tem de estar claramente fixado no 
negócio jurídico (no contrato de venda da casa está escrito “vai o piano”).
Lembre-se que, em regra, acessório é subordinado à existência do principal. A pertença não 
é subordinada à existência do principal, a rigor.
Partes Integrantes
São bens acessórios que se ligam de tal modo ao principal, que sua remoção tornaria o bem 
principal incompleto; estão unidos de tal modo ao bem principal que com ele formam um todo 
independente.
As partes integrantes seguem a coisa principal.
É o caso da fiação elétrica numa casa ou das rodas e pneus de um veículo. Você não pensa 
numa casa sem a fiação elétrica, nem pensa num carro sem os pneus.
Nada impede que o negócio jurídico estabeleça o inverso: “vendo o carro, mas sem as rodas”.
Frutos São os bens que se derivam periodicamente do bem principal, 
sem que ele se destrua, ainda que parcialmente, diminua sua 
substância ou quantidade.
Apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos 
podem ser objeto de negócio jurídico.
Os frutos podem ser classificados como:
5. Direito Civil
5. Direito Civil 47/79
1. Frutos naturais: decorrem da essência de um bem principal 
(como as frutas de uma árvore);
2. Industriais: decorrem da atividade humana (como os produtos 
de uma fábrica);
3. Civis: decorrem de uma situação jurídica (como o aluguel de 
um imóvel).
Os frutos ainda podem ser classificados como:
1. Pendentes (ainda ligados ao bem principal);
2. Percipiendos (poderiam ter sido percebidos, mas não o foram);
3. Percebidos (colhidos, separados do bem principal);
4. Estantes (colhidos e armazenados);
5. Consumidos (já não existem mais).
Produtos Ao contrário dos frutos, sua obtenção significa redução do 
valor, quantidade ou qualidade do bem principal, pois não são 
produzidos periodicamente, como, por exemplo, a madeira da 
árvore ou o petróleo de um campo.
Apesar de ainda não separados do bem principal, os produtos 
podem ser objeto de negócio jurídico.
Benfeitorias As benfeitorias são acréscimos realizados num bem 
preexistente, com diversas finalidades.
Ao contrário dos frutos e produtos, que se originam do bem 
principal, as benfeitorias são a ele agregadas.
As benfeitorias podem ser:
1. Voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que não aumentam 
o uso habitual do bem, ainda que o tornem mais agradável ou 
sejam de elevado valor, como, exemplificativamente, uma 
piscina residencial ou uma cornija de uma lareira;
2. Úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem, como a 
construção de uma calçada ou a substituição de esquadrias de 
ferro por esquadrias de alumínio;
5. Direito Civil
5. Direito Civil 48/79
3. Necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que 
se deteriore, como, por exemplo, a recolocação de uma viga 
deteriorada pela chuva ou a reconstrução de um muro de 
arrimo.
Acessões 
Diferentemente das benfeitorias, as acessões não agregam alguma coisa a algo preexistente, 
elas são criações – naturais ou artificiais – de bens.
É o caso, por exemplo, a edificação de uma casa num terreno baldio.
Não se consideram benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos ou acréscimos sobrevindos 
ao bem sem a intervenção do proprietário, possuidor ou detentor.
Bens Públicos 
São públicos os bens do domínio nacional pertencentesàs pessoas jurídicas de direito 
público interno.
Por exclusão, todos os demais bens são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem.
O Enunciado 287 da IV Jornada de Direito Civil, no entanto, admite que essa classificação não 
é exaustiva, dado que podem ser classificados como bens públicos aqueles pertencentes a 
pessoa jurídica de direito privado que estejam afetados à prestação de serviços públicos.
Consequência dessa distinção é que os bens públicos em geral não estão sujeitos a 
usucapião.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 49/79
|key-item-5| Dos Fatos Jurídicos
Súmula 619 do STJ: A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de 
natureza precária, insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias.
Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto 
conservarem tal qualificação.
Já os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei.
A distinção entre os bens públicos de uso comum do povo e de uso especial e bens públicos 
dominicais pode ser transposta por meio de dois institutos: a afetação e a desafetação.
Os bens públicos de uso comum do povo e os bens públicos de uso especial estão afetados a 
uma função pública. Daí serem inalienáveis e, consequentemente, impassíveis de usucapião.
Ao contrário, os bens públicos dominicais não estão afetados a uma função pública. Apesar de 
serem bens públicos, não cumprem uma função pública, por isso podem ser alienados e, 
segundo um eco da jurisprudência mais recente, são passíveis de usucapião.
O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for 
estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem.
[4]
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Classificação do Fato Jurídico
5. Direito Civil
5. Direito Civil 50/79
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Fato jurídico em sentido estrito (stricto sensu): ocorre independentemente da vontade 
humana, naturalmente. Perceba o seguinte: a conduta humana pode estar presente, mas ela não 
interessa;
Atos-fatos jurídicos (atos reais): existe uma conduta humana, mas a vontade humana não é 
relevante;
Atos jurídicos em sentido amplo (lato sensu): é o fato jurídico cujo suporte fático deve ser 
manifestado conscientemente por meio da vontade, com um objetivo possível e lícito.
Ato jurídico em sentido estrito (stricto sensu – ato não negocial): após a manifestação 
da vontade, o direito pré-determina os efeitos que a conduta terá.
Negócio jurídico (ato negocial): manifestação da vontade é exercida dentro de certos 
limites, que produzem efeitos.
a) Unilaterais: exige apenas uma manifestação de vontade para produção de efeitos;
b) Bilaterais: exige a manifestação de vontade recíproca das partes;
c) Plurilaterais: exigem uma pluralidade de manifestações de vontade.
Requisitos de Validade do Negócio Jurídico
Representação
Evidente que os poderes do representante só podem ser conferidos por lei ou pelo interessado.
Assim, por lei, o pai e a mãe representam seus filhos. Por contrato, o advogado representa seus 
clientes perante o Poder Judiciário, e assim por diante.
No caso da representação voluntária, os requisitos e os efeitos são os da Parte Especial do 
CC/2002. É o caso do agente e/ou distribuidor.  
5. Direito Civil
5. Direito Civil 51/79
Estando dentro da lei, a manifestação de vontade pelo representante, nos limites de seus 
poderes, produz efeitos em relação ao representado.
O representante é obrigado a provar às pessoas com quem tratar, em nome do 
representado, a qualidade de representante e a extensão de seus poderes. Se não o 
fizer, responde pelos atos que a eles excederem.
A manifestação de vontade emitida pelo representante, nos limites de seus poderes, 
produz efeitos em relação ao representado.
O representado é obrigado a cumprir aquilo que o representante fixou, desde que nos limites 
dos poderes.
Condição, Termo e Encargo
Pode ser que exista subordinação de um negócio jurídico a um elemento eficacial.
Seriam os elementos acidentais do negócio jurídico.
O Código Civil estabelece três elementos eficaciais que nos interessam: a condição, o termo e 
o encargo.
Condição
Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, 
subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto.
A condição se caracteriza, portanto, pela incerteza. Mas essa incerteza pode ser mais ou 
menos incerta, a depender da situação.
Por exemplo, passar num concurso público. Evento futuro e incerto. Menos incerto é dizer 
passar no concurso em X anos, porque, passado esse tempo, sabe-se que a condição ou terá 
sido preenchida ou não terá.
Condição (SE) Pode ser resolutiva ou suspensiva.
Termo (QUANDO) Pode ser inicial ou final.
Encargo (DESDE QUE) -
5. Direito Civil
5. Direito Civil 52/79
A condição pode ser suspensiva ou resolutiva:
No entanto, não é qualquer condição que pode ser estipulada pelas partes.
A condição não pode violar a lei, a ordem pública e os bons costumes.
Ainda, são proibidas as condições que privem de todo efeito o negócio jurídico, ou que o 
sujeitem ao puro arbítrio de uma das partes.
Condição Resolutiva Condição Suspensiva
A condição será resolutiva quando pôr fim 
ao negócio, extingui-lo.
Assim, por exemplo, doarei mensalmente a 
você uma quantia em dinheiro enquanto 
você estiver na faculdade. No momento em 
que você sai da faculdade, resolve-se 
(extingue-se) o negócio.
A condição suspensiva subordina a 
eficácia do negócio.
Assim, por exemplo, doarei uma 
quantia em dinheiro a você se você 
passar na prova. Enquanto você não 
passa, a doação fica suspensa, você 
nada ganha; passou, ganhou.
É a chamada condição puramente potestativa. Por deixarem a eficácia do negócio 
jurídico ao arbítrio puro de uma das partes em detrimento da outra invalidam, tornam 
nulo, o negócio.
Exemplo é o contrato de compra e venda no qual eu estipulo que “quando quiser, farei o 
pagamento” (em outras palavras, se quiser, eu pago), que é, ao fim e ao cabo, nulo.
O art. 123 do Código Civil estabelece que invalidam os negócios jurídicos que lhes são 
subordinados:
I. as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas;
II. as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita;
III. as condições incompreensíveis ou contraditórias.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 53/79
Invalidam o negócio jurídico as condições impossíveis se elas forem suspensivas; 
contrariamente se a condição for resolutiva, será tida ela simplesmente como inexistente, 
mantendo-se os efeitos do negócio.
Se a condição for suspensiva, se adquire o direito apenas quando executada a condição. Se for 
resolutiva, o direito já se adquiriu, vigorando até sua resolução.
Termo
O termo é aquilo que chamamos de prazo (na verdade, o prazo é o espaço de tempo entre 
o termo inicial e o termo final).
É, portanto,um evento futuro e certo.
É o caso em que eu estabeleço que doarei uma casa a você em 5 anos. Ou que empresto a 
casa a você pelos próximos 5 anos. Em ambos os casos, o evento, futuro, é certo.
Como se trata de evento certo, o termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do 
direito.
Aqui há uma semelhança e uma diferença importantes entre a condição e o termo.
Semelhança: a condição suspensiva se assemelha ao termo inicial e a condição 
resolutiva ao termo final.
E qual a diferença? A CERTEZA! O termo é certo; a condição, incerta.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 54/79
Se houver uma condição resolutiva, o negócio será eficaz, tornando-se ineficaz quando 
do evento. A condição resolutiva, portanto, subordina a ineficácia do negócio a um evento 
(que é futuro e incerto).
O mesmo ocorre em relação ao termo final, que subordina a ineficácia do negócio a um 
evento (que é futuro e certo, ao contrário da condição resolutiva).
Já se houver uma condição suspensiva, o negócio será ineficaz, tornando-se eficaz 
quando do evento. A condição suspensiva, portanto, subordina a eficácia do negócio a um 
evento (que é igualmente futuro e incerto).
O mesmo ocorre em relação ao termo inicial, que subordina a eficácia do negócio a um 
evento (que é futuro e certo, ao contrário da condição suspensiva).
Encargo
O encargo, também chamado de modo ou fardo, impõe ao beneficiário de uma liberalidade 
uma dada obrigação.
Por exemplo, eu doarei meu apartamento a você, desde que você cuide do cachorro da 
família até sua morte; ou eu doarei um terreno para você para que seja edificado um 
museu; ou eu doarei meu patrimônio a você com a obrigação de que você não derrube a 
casa de meus pais.
O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito.
Veja que o encargo parece a condição, mas com ela não se confunde. Na condição não há 
uma obrigação; você não tem obrigação de passar no concurso público. No encargo você tem 
um direito atrelado a uma obrigação, que, se descumprida, gera a perda do direito.
Caso se estabeleça encargo ilícito ou impossível, ele será simplesmente considerado não 
escrito. Ou seja, você ignora o encargo e o beneficiário já tem o direito.
A exceção fica para o caso de o encargo ilícito ou impossível constituir o motivo determinante 
da liberalidade. Nesse caso, será inválido o negócio jurídico será inválido. Mas atenção: faz-se 
necessária a análise do caso concreto.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 55/79
Defeitos do Negócio Jurídico
Se a vontade é exteriorizada de forma defeituosa, será inválida.
Quais são os casos de anulação do ato por imperfeição de manifestação? São os chamados 
vícios de vontade, ou seja, os casos nos quais a manifestação de vontade está contaminada, 
viciada.
São vários os casos regulados pelo Código Civil: erro, dolo, coação, estado de perigo e lesão.
O estado de perigo e a lesão são novidades do legislador de 2002, não estando esses dois 
vícios previstos no Código Civil de 1916, apenas no de 2002.
Além disso, o Código Civil ainda trata de um vício que não se vincula à vontade defeituosa, mas 
a um vício social: a fraude contra credores.
Erro
O erro, ou ignorância, nada mais é do que “a falsa representação psicológica da realidade”, 
da situação em face da qual a pessoa se encontra.
Há, portanto, uma distorção da vontade relativamente ao mundo exterior.
O ato será anulável quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que 
poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio.
O erro pode se dar de vários modos. Entretanto, o erro precisa ser substancial.
O art. 140 do Código Civil ainda adiciona mais uma situação de erro: haverá erro quando o 
motivo, falseado, for razão determinante do negócio.
Inversamente, mesmo que falso, o motivo não viciará o ato quando não for razão determinante 
do negócio jurídico.
Mesmo que a transmissão errônea da vontade não se dê por declaração direta, mas por meios 
interpostos, o ato é anulável.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 56/79
Igualmente, o erro de cálculo apenas autoriza a retificação da declaração de vontade, mas não 
comporta anulação.
Sempre que constatado o erro, o outro deverá indenizar.
Dolo
O dolo, em negócio jurídico, significa engano, embuste, traição, trapaça.
Atenção! Nada tem a ver com o dolo caracterizado como espécie de culpa em sentido amplo 
da responsabilidade civil ou do Direito Penal.
É a ação ou omissão em induzir, fortalecer ou manter o outro na falsa representação da 
realidade para beneficiar a si ou a outrem, de modo que o negócio não se realizaria se não 
fosse por essa atitude.
Ou seja, o dolo nada mais é do que induzir alguém em erro.
Veja que o dolo deve ser a causa eficiente do negócio. Exemplo: "Só fechei o negócio porque o 
outro me induziu em erro, me enganou."
No dolo, portanto, não se exige qualquer sofisticação, basta ajudar o erro alheio que já se 
configura o dolo.
Há linha tênue entre a propaganda enganosa e a exaltação das qualidades do produto, de forma 
que o espalhafato e o exagero não são dolo.
Nos negócios jurídicos bilaterais, o silêncio intencional de uma das partes a respeito 
de fato ou qualidade que a outra parte haja ignorado, constitui omissão dolosa, 
provando-se que sem ela o negócio não se teria celebrado.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 57/79
Também há dolo no caso de colaboração de terceiros.
De qualquer forma, se o negócio se realizaria mesmo que eu soubesse que o produto era mera 
réplica, mas não por aquele preço, há dolo incidental/acidental. Nesse caso, não se anula o 
negócio, apenas se indeniza o negociante prejudicado pelas perdas e danos.
Assim, se ambos sabiam do defeito, não é dolo invalidante, mas se caracteriza o dolo recíproco 
(bilateral), pelo que ninguém pode reclamar do negócio.
Coação
Existe coação quando a vontade é viciada por medo de dano a si, à família, a outrem ou aos 
bens, a partir de uma pressão física ou moral.
Se a coação for contra terceiro não pertencente à família do paciente, o juiz, com base nas 
circunstâncias, decidirá se houve coação.
Há algumas situações que não caracterizam coação, ainda que pareçam: a ameaça do exercício 
normal de um direito e o simples temor reverencial. Tal qual no dolo, o coator pode ser terceiro, 
mas a parte beneficiada, para indenizar, deveria saber ou teria o dever de saber do temor. Se 
não soubesse, o terceiro coator é quem indeniza, mas o negócio continua válido.
Ou seja, há dever de indenizar independentemente da validade do negócio.
Se o beneficiário sabia da coação, responde solidariamente com o coator, inclusive, diante do 
paciente (coato ou coagido).
Estado de Perigo
Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a 
pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação 
excessivamente onerosa.
Tal qual a coação, pode haver estado de perigo a uma pessoa que não seja de sua família. 
Nesse caso, o juiz decidirá segundo as circunstâncias do caso.
Diferentemente da coação, porém, o estado de perigo não se vincula a bens. Coação pode 
tem um bem, estado de perigo não.
Ou seja, o bandido pode dizer que vai atear fogo na minha casa se eu não fizer tal coisa 
(coação), mas atear fogo na minha casa nunca vai ser estado de perigo.
5. Direito Civil
5. Direito Civil 58/79
Para que o estado de perigo se verifique, devemos analisar 5 pressupostos:
1. Dano: deve ser pessoal, não patrimonial, por mais importante que seja, ao contrário da 
coação
2. Urgência e gravidade do dano/risco: que gera fundado temor, numa avaliação 
subjetiva (elemento subjetivo), já que a ignorância e o desespero geralmente ocasionam 
temor exagerado, como, p.ex., a mãe que vê o filho com muito sangue no rosto, mas são 
apenas machucados na região do supercílio, que habitualmente sangra bastante
3. Relação de causa e efeito entre o perigo e o negócio: fiz o negócio para evitar o 
perigo
4. Dolo da contraparte:

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