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Módulo 03: Resposta às Emergências em Saúde Pública
Aula 04: Apoio psicossocial
Nesta unidade, você será capaz de:
1. conhecer instrumentos de abordagem integrada para apoio psicossocial e
saúde mental em situações de emergências em saúde pública;
2. identificar a importância da inserção das ações de apoio psicossocial em
situações de Emergência em Saúde Pública; e
3. apontar ações gerais de atenção psicossocial a serem desenvolvidas em
situações de emergência.
Eventos de grandes magnitudes, como uma catástrofe ou uma pandemia, causam
ruptura no cotidiano da população afetada. Essa ruptura pode ser ocasionada por fatores
como perdas, adoecimento, desorganização social, excesso de informações, informações de
cunho duvidoso e sobrecarga nos serviços de saúde, decorrente da grande procura pela
população afetada. Dessa maneira, os efeitos psicossociais podem aparecer em curto, médio
e longo prazos.
De maneira a nos prepararmos para uma atuação oportuna diante dos aspectos
psicossociais, e à resposta a uma emergência em saúde pública, ações em níveis de apoio
complementares integrados podem ser adotadas.
O Comitê Permanente entre Agências (sigla em inglês: I-A-S-C) elaborou diretrizes
sobre saúde mental e apoio psicossocial em emergências humanitárias. Essas diretrizes
oferecem estratégias essenciais para facilitar uma abordagem integrada no tratamento das
questões de saúde mental e apoio psicossocial mais urgentes em situações de emergência.
Complementarmente, a Organização Pan-Americana da Saúde elaborou guia para
equipes de resposta para apoio psicossocial em situações de emergências e desastres.
De acordo com a OPAS: “Saúde mental e apoio psicossocial é uma expressão
composta, entendida como qualquer tipo de ação e apoio, cujo propósito seja proteger ou
promover o bem-estar psicossocial ou oferecer tratamento a transtornos de conduta.”
A abordagem integrada proposta pela IASC coloca que um princípio-chave, mesmo
nos estágios iniciais de uma emergência, é promover a capacidade local, apoiando a
autoajuda e o fortalecimento dos recursos já existentes para enfrentamento daquela
emergência.
A pirâmide de intervenções em saúde mental e apoio psicossocial possui 4 níveis,
sendo que, em cada camada da pirâmide, as principais tarefas orientadas são: identificar,
mobilizar e fortalecer as habilidades e capacidades dos indivíduos, famílias, comunidades e
sociedades locais. Isso porque, nas situações de emergências, as pessoas são afetadas de
formas diferentes e requerem diferentes tipos de apoio.
Dessa maneira, a proposta de organização de ações de saúde mental e apoio
psicossocial em um sistema em níveis de apoio complementares que atendam às
necessidades de diferentes grupos, em que todos esses níveis são igualmente importantes e
devem ser implementados simultaneamente, pode ofertar o apoio necessário para promover
a saúde e a capacidade de resiliência na população afetada.
As medidas e decisões que são realizadas nas primeiras 72 horas de uma situação de
emergência podem ser determinantes para uma resposta eficaz nas semanas seguintes.
A visita à localidade para realização de uma avaliação preliminar, de forma a se
verificar a natureza e o alcance da situação, mediante articulação com as pessoas,
trabalhadores e gestores locais, por meio da avaliação de danos e análise de necessidades
iniciais de saúde mental; o mapeamento e disponibilidade da rede de atenção psicossocial e
saúde mental; e o desenho de intervenções, conforme um plano de preparação e resposta
em saúde mental adaptado à situação, são ações recomendadas diretamente às equipes de
resposta voltadas para apoio psicossocial e saúde mental.
Os primeiros cuidados psicológicos (PCP) têm sido recomendados por muitos grupos
de especialistas nacionais e internacionais, incluindo o Comitê de Interagências e o Projeto
Esfera, sendo uma alternativa à entrevista psicológica que é feita com as pessoas afetadas
logo após a ocorrência de evento traumático, chamada de debriefing psicológico.
Os primeiros cuidados psicológicos descrevem uma resposta humana e de apoio às
pessoas em situação de sofrimento e com necessidade de apoio. Os PCP incluem os seguintes
temas:
● oferecer apoio e cuidados práticos não invasivos;
● avaliar necessidades e preocupações;
● ajudar as pessoas a suprir suas necessidades básicas (por exemplo, alimentação,
água e informação);
● escutar as pessoas sem pressioná-las a falar;
● confortar as pessoas e ajudá-las a se sentirem calmas;
● ajudar as pessoas na busca de informações, serviços e suportes sociais; e
● proteger as pessoas de danos adicionais.
Para ofertar os primeiros cuidados psicológicos, não necessariamente é preciso ser
um profissional de saúde, mas é necessária uma capacitação, de forma a orientar o
profissional a realizar o apoio com ética e responsabilidade.
Vale lembrar que:
● os PCPs não se tratam de um atendimento psicológico; e
● não é solicitado que as pessoas analisem o que aconteceu ou que relatem os
eventos ocorridos em ordem cronológica.
Os PCPs pressupõem capacidade de ouvir as histórias das pessoas, mas isso não
significa pressioná-las a falar sobre sentimentos e reações que tiveram em relação a um
evento.
Costumam ser realizados em ambientes comunitários, tais como o local do acidente
ou em lugares em que as pessoas afetadas são atendidas, como centros de saúde, abrigos,
assentamentos, escolas, áreas de distribuição de alimentos ou outros tipos de auxílio.
Idealmente, tente oferecer os PCP onde houver alguma privacidade para conversar com a
pessoa, quando apropriado.
Além dos grupos populacionais que requerem atenção em situações de emergências
em saúde pública, ações de atenção psicossocial e saúde mental para trabalhadores que
atuam diretamente na resposta às emergências devem ser adotadas. Isso deve-se ao fato de
que estão atuando sob intensa pressão e por longos períodos de tempo, a depender da
tipologia da emergência.
Na ocorrência de desastres, podem estar sujeitos às seguintes situações:
● perigo iminente;
● ter perdido um ente próximo;
● atuam sob pressão constante; e
● atuam na busca por pessoas vivas e mortas.
Em situações de emergências epidemiológicas e desassistência:
● atuam sob pressão constante, submetendo-se ao estresse agudo;
● buscam salvar vidas;
● lidam com a falta de insumos e materiais;
● lidam com perdas recorrentes;
● sentem medo da exposição a agentes infectantes;
● sentem exaustão pela carga horária de trabalho; e
● perdem pessoas próximas.
Estudos recentes, acerca dos impactos na saúde mental dos profissionais de saúde
que lidam diretamente com as pessoas e com populações infectadas pela COVID-19,
discutem a relação entre o temor pela exposição ao contágio, a situação de isolamento e
confinamento e as medidas de quarentena implementadas.
Entre os profissionais expostos diretamente aos riscos de contaminação,
especialmente aqueles que atuam em hospitais e postos de saúde, há registros de exaustão,
redução da empatia, ansiedade, irritabilidade, insônia e decaimento de funções cognitivas e
do desempenho.
● É fundamental que os trabalhadores possam confiar na sua gestão, portanto, a
comunicação clara e direta deve ser priorizada.
● O conhecimento sobre o que se vai enfrentar e o treinamento adequado para
atuar nas situações de emergências é um facilitador no processo.
● O fornecimento de EPIs adequados para sua atuação é essencial para os
trabalhadores de busca e resgate, bem como para os trabalhadores da saúde.
● A alternância de trabalhadores entre as atividades de alta e baixa tensão pode
reduzir as chances de adoecimento mental.
● A oferta de cuidados psicossociais e de saúde mental para os trabalhadores deve
ser priorizada antes, durante e após o evento.
Obrigada pela atenção e bons estudos!

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