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SAÚDE ÚNICA 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Cristiano Caveião 
Prof. Willian Barbosa Sales 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Atualmente, recebemos 24 por dia uma grande quantidade de 
informações sobre o mundo. Realidade esta que deflagra diferentes tipos de 
sensações, sendo o medo, a angústia e a ansiedade as que mais se destacam 
devido à pandemia do coronavírus (Covid-19), com consequências devastadoras 
que irão reverberar por décadas (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 
2021; Evans; Leighton, 2014). 
Diferentes perguntas surgem, como: Como encontrar o 
equilíbrio/homeostase necessária para o ideal convívio entre todas as formas de 
vida existes em nosso planeta? Como garantir o crescimento da agroindústria e 
do agronegócio sem causar impactos ao meio ambiente? Como garantir alimento 
seguro livre de contaminação química, física e biológica a toda a população 
mundial? Como impedir e mitigar o surgimento de doenças emergentes e 
reemergentes de cunho zoonótico capazes de deflagar tragédias iguais ou piores 
que a pandemia por Covid-19? (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; 
Evans; Leighton, 2014). 
As respostas a todas essas questões emergem do conceito de One 
Health, ou “Saúde Única”, em português. Esse conceito reconhece que a saúde 
dos seres humanos, dos animais, das plantas e do meio ambiente está 
interconectada e interdependente, assim como as questões socioeconômicas. A 
Saúde Única foi construída ao longo de muito tempo, e ganhou um lugar de fala 
nos últimos 15 anos; contudo, somente com a pandemia de Covid-19, causada 
pelo vírus SARS-CoV-2 (de origem zoonótica), esse conceito começou a ser 
aplicado no mundo todo (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; 
Evans; Leighton, 2014). 
Nosso principal objetivo nesta etapa é realizar um resgate e fazer um 
recorte histórico sobre o surgimento do pensar e agir em Saúde Única. 
Precisamos estabelecer mecanismos e processos eficazes de colaboração para 
o enfrentamento de possíveis ameaças. Somente tornando esse conceito 
elegível, conseguiremos, como sociedade, fazer grandes esforços para lidar e 
implementar a abordagem da Saúde Única (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo 
et al., 2021; Evans; Leighton, 2014). 
 
 
3 
TEMA 1 – INTERFACE MULTIPROFISSIONAL E INTERDISCIPLINAR EM 
SAÚDE ÚNICA 
O conceito de Saúde Única não é uma ideia nova. Historicamente, 
profissionais das medicinas humana e veterinária sempre trabalharam de forma 
colaborativa. Entretanto, o século XX trouxe um distanciamento entre as áreas 
e, como consequência, houve a quebra da homeostase entre as saúdes humana, 
animal e ambiental (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Evans; 
Leighton, 2014). 
Considerando a aceleração do atual desenvolvimento global, é certo que 
esforços colaborativos e parcerias sustentáveis em uma área específica devem 
contribuir com forças consistentes para resultados relevantes com aplicações 
diretas nas áreas estudadas e nas comunidades em prol da Saúde Única. Uma 
abordagem científica e interdisciplinar da saúde e do bem-estar de humanos, 
animais e do meio ambiente aliados a questões socioeconômicas em um 
ambiente equilibrado resultará na promoção da saúde no mundo, pois tudo está 
intrinsecamente interligado e inter-relacionado (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; 
Lobo et al., 2021; Evans; Leighton, 2014). 
Há, hoje, uma crescente interdependência entre seres humanos e animais 
domésticos, de produção e silvestres, principalmente devido aos produtos de 
origem animal e alimentícios em geral, e às interações entre homens e animais. 
Diferentes profissionais têm unido forças para trabalhar em conjunto, no âmbito 
dessa abordagem colaborativa de bem-estar e Saúde Única (Carneiro; Pettan-
Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Evans; Leighton, 2014). 
Como resultado, a abordagem em Saúde Única tem incentivado estudos 
para parcerias sustentáveis entre grupos inter-relacionados em diferentes 
regiões e continentes para alcançar seus objetivos (Carneiro; Pettan-Brewer, 
2021; Lobo et al., 2021; Evans; Leighton, 2014). 
Esse esforço colaborativo e essas interações de abordagem holística para 
saúde global e conservação ambiental envolve assistentes sociais, 
antropólogos, agentes comunitários de saúde e endemias, auditores em saúde, 
biólogos, biomédicos, enfermeiros, engenheiros, engenheiros biomédicos, 
engenheiros ambientais, farmacêuticos, fisioterapeutas, gerontólogos, gestores 
de saúde pública, gestores em vigilância em saúde, gestores hospitalares, 
gestores ambientais, médicos, médicos veterinários, nutricionistas, odontólogos, 
 
 
4 
psicólogos, psicanalistas, terapeutas ocupacionais, esteticistas, gastrônomos, 
massoterapeutas, podólogos, tecnólogos em práticas integrativas e 
complementares (PICs), tecnólogos em saneamento ambiental e profissionais 
de cunho interdisciplinar em saúde e áreas afins. 
Os benefícios desses esforço colaborativo entre diferentes áreas do 
conhecimento podem ser melhor contemplados na Tabela 1. 
Tabela 1 – Benefícios gerais do esforço colaborativo e interdisciplinar sobre 
Saúde Única 
• Aumento das oportunidades profissionais e de colaboração para igualdade e inclusão 
global. 
• Liderança e aprimoramento do conhecimento científico e tecnológico, criando programas 
inovadores de ensino e de parceria de pesquisa para melhorar a Saúde Única do planeta. 
• Melhora da saúde e bem-estar animal e humano diretamente associado à preservação e 
conservação do meio ambiente. 
• Novos desafios, com colaboração e parceria multi e interdisciplinar para preservação e 
conservação da fauna, flora e meio ambiente. 
• Desenvolvimento de centros de excelência em educação, formação, investigação e 
formação profissional, reforçando a colaboração entre grupos de pesquisa científica. 
Fonte: Caveião; Sales, 2022; Carneiro; Pettan-Brewer, 2021. 
TEMA 2 – CONTEXTO HISTÓRICO DA SAÚDE ÚNICA 
O termo Saúde Única pode ser definido como um conceito global de 
promoção da saúde humana com base em uma estratégia para melhor 
compreensão dos problemas de saúde atuais surgidos das interações entre 
humanos, animais, plantas e o meio ambiente. Porém, é importante ressaltar que 
todos os problemas enfrentados pela humanidade têm sua gênese na visão 
antropocêntrica (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Ryu et al., 
2017; Evans; Leighton, 2014). 
A interdependência dos seres vivos em relação aos recursos naturais (ar, 
água e terra) de nosso planeta tem sido a base da Saúde Única, com forte 
relação com a agricultura em diferentes perspectivas, incluindo antigas religiões, 
culturas, civilizações e povos indígenas. Um dos primeiros registros da relação 
da manutenção entre saúde humana e animal é datado de 304-232 a.C. na Índia, 
no reinado de Ashoka, que preconizava o tratamento de doenças que acometiam 
homens e animais, com o uso de ervas medicinas (Carneiro; Pettan-Brewer, 
2021; Lobo et al., 2021; Ryu et al., 2017; Evans; Leighton, 2014). 
 
 
5 
Registros dessa relação entre homens, animais e meio ambiente são 
encontradas nos escritos do médico grego Hipócrates, datadas entre 460-367 a. 
C., que permeavam as origens antropológicas, médicas, sociais e ecológicas do 
que denominamos hoje como Saúde Única (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; 
Lobo et al., 2021; Ryu et al., 2017; Evans; Leighton, 2014). 
Não sabemos ao certo em que momento da Revolução Industrial e com o 
avanço tecnológico do mundo foi dissolvida a importância do pensar em Saúde 
Única, mas Hipócrates identificou e descreveu a interdependência entre a saúde 
pública com o meio ambiente; como todas as formas de doenças tinham uma 
causa natural em comum, podendo surgir do ar, da água e dos lugares, suas 
ideias estavam muito além de sua época, pois naquele momento as pessoas 
atribuíam doenças à ira de deuses e a superstições (Carneiro; Pettan-Brewer, 
2021; Lobo et al., 2021;Ryu et al., 2017; Evans; Leighton, 2014 ). 
A história continua com Aristóteles, por volta de 384-322 a.C., que introduz 
o conceito de medicina comparada nos estudos de várias doenças epizoóticas 
de humanos e de outras espécies animais, mantendo uma integridade com o 
ecossistema. Contudo, seus escritos reemergiram traduzidos e publicados 
séculos depois em Zurique, entre 1551-1558 e, em 1587, tornaram-se uma 
enciclopédia intitulada Um inventário da Zoologia da Renascença, publicada pelo 
médico, naturalista, bibliógrafo e filósofo suíço Conrad Gessner (1654-1720) 
(Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Ryu et al., 2017; Evans; 
Leighton, 2014). 
Há aproximadamente quase 2 mil anos após a publicação de Aristóteles, 
o médico italiano Giovanni Maria Lancisi (1654-1720) deu início a estratégias 
epidemiológicas para controlar e prevenir doenças, como o procedimento de 
quarentena, drenagem de pântanos e proteção de vetores por meio do manejo 
para prevenção da peste bovina e da malária. Entretanto, em 1761, Claude 
Bourgelat, o fundador da primeira faculdade de medicina veterinária em Lyon 
(França), estabeleceu na Europa a interação entre a saúde animal e a humana, 
o que posteriormente ficou conhecido como saúde pública (Carneiro; Pettan-
Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Ryu et al., 2017; Evans; Leighton, 2014). 
No século XIX, Rudolf Virchow (1821-1902), médico, patologista e 
antropólogo alemão, cunhou o termo conhecido atualmente como zoonose, 
declarando que não existe uma linha divisória entre a medicina dos animais e a 
medicina humana; os objetivos de tratamento podem ser diferentes, contudo a 
 
 
6 
experiência obtida é a base de toda medicina. Essa abordagem foi proposta 
posteriormente por William Osler (1849-1919), um dos fundadores do Hospital 
Johns Hopkins em Maryland (Estados Unidos). Osler era médico veterinário e 
aluno de Virchow; ficou conhecido como o “Pai da Medicina”, estabelecendo o 
primeiro Departamento de Patologia na América do Norte, no século XIX 
(Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Ryu et al., 2017; Evans; 
Leighton, 2014). 
Virchow e Osler descreveram o termo zoonose para indicar as ligações 
de doenças infecciosas entre animais e humanos. Além de seu trabalho inovador 
em patologia celular, ele criou o campo da patologia comparada, ciência que 
compara os diferentes tipos patológicos entre diferentes espécies, mas o 
conceito de “uma medicina” traçado por Virchow não foi aceito, nem valorizado 
ao longo de sua vida (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Ryu et 
al., 2017; Evans; Leighton, 2014). 
No século XIX, dando sequência ao trabalho colaborativo de medicina 
comparativa e patologia, o médico epidemiologista Theobald Smith (1859-1934) 
e o veterinário Fred Lucious Kilboume (1858-1936) descreveram juntos o agente 
infeccioso Bebesia bigemina, que causa babesiose em bovinos, transmitida via 
carrapatos, a humanos e a outros animais. Esse estudo serviu de base para a 
descoberta da transmissão da febre amarela por mosquitos, feita pelo médico do 
exército estadunidense Major Walter Reed (1851-1902), ressaltando novamente 
a interligação existente entre as esferas da saúde humana, da saúde animal e 
da saúde ambiental (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Ryu et al., 
2017; Evans; Leighton, 2014). 
O conceito de Saúde Única foi novamente reforçado pelo médico 
veterinário do exército dos Estados Unidos, Coronel James H. Steele (1913-
2013), que estabeleceu, em 1947, a unidade de saúde pública veterinária no 
Centro de Doenças Transmissíveis, atualmente conhecido como Centro de 
Controle de Doenças e Prevenção (CDC) para prevenir que a malária não se 
espalhasse pelo país, melhorando a saúde pública globalmente. Esse 
pesquisador também foi pioneiro na integração da saúde pública veterinária na 
Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e na Organização Mundial de 
Saúde (OMS) (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Ryu et al., 2017; 
Evans; Leighton, 2014). 
 
 
7 
Embora William Osler e Rudolph Virchow tenham sido creditados pelos 
esforços interdisciplinares para reforçar o conceito da época de one medicine 
(“uma medicina”), foi Calvin W. Schwabe (1956-2006), um médico veterinário, 
parasitologista e epidemiologista, que, em 1960, estabeleceu o currículo da 
Medicina Veterinária Preventiva na Universidade da Califórnia. No entanto, no 
mesmo período, o livro Silent spring, da bióloga marinha e conservacionista 
Rachel Carson (que publicou materiais sobre o avanço do movimento ambiental 
global e da medicina conservacionista), iniciando os princípios da saúde 
ambiental (EcoHealth) e saúde planetária (Planetary Health) (Carneiro; Pettan-
Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Ryu et al., 2017; Evans; Leighton, 2014). 
Repensando profundamente o conceito de Saúde Única, Schwabe 
reconheceu e cunhou o termo em seu livro Medicina veterinária e saúde humana, 
publicado em 1976. Schwabe trabalhou com sociedades pastorais africanas 
tradicionais e comunidades concebidas e consolidadas à estreita interconexão 
de humanos e animais para nutrição, subsistência e saúde dos pastores Dinka. 
Suas experiências nessas comunidades serviram para fundamentar e consolidar 
o movimento contemporâneo para a ideia de Saúde Única (Carneiro; Pettan-
Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Ryu et al., 2017; Evans; Leighton, 2014). 
Ao longo da história, o trabalho multiprofissional e interdisciplinar tem 
colaborado para a gênese de interligação entre as saúdes humana, animal e 
ambiental. As ideias e conceitos de Saúde Única, continuaram a evoluir ao longo 
do século XX e, atualmente, são disseminados e discutidos no mundo todo por 
meio de diferentes visões e termos, como mostrado na Tabela 2. 
Tabela 2 – Diferentes visões e termos que abordam a Saúde Única 
One health Saúde humana, saúde animal, saúde ambiental 
Ecohealth Saúde ambiental 
Planetary health Saúde do planeta 
One welfare Um bem-estar 
Fonte: Caveião; Sales, 2022; Carneiro; Pettan-Brewer, 2021. 
 
 
 
8 
Tabela 3 – Linha do tempo dos eventos que ajudaram a dar forma e sustentação 
ao conceito de Saúde Única 
Século XIX Virchow reconhece a ligação entre a saúde humana e a animal. 
1947 A divisão de Saúde Pública Veterinária é estabelecida no CDC. 
1958 Em um encontro realizado por médicos e veterinários é proposta a criação de 
um novo programa em medicina comparada. 
1964 Calvin Schwabe ressalta o termo “Medicina Única”, traduzida do inglês One 
Medicine. 
2004 A Sociedade de Conservação da Vida Selvagem publica os “12 Princípios de 
Manhattan”. 
2007 A abordagem de Saúde Única é recomendada para preparação para 
pandemias. 
2008 A Saúde Única torna-se uma abordagem recomendada e uma realidade 
política. 
2009 O escritório da Saúde Única é estabelecido no CDC. 
2011 O I Congresso Internacional de Saúde Única é realizado na Austrália. 
2013 Maior conferência de Saúde Única até agora, o II Congresso Internacional de 
Saúde Única, em conjunto com a Conferência do Prêmio Príncipe Mahidol, 
conta com mais de mil participantes de mais de 70 países. 
Fonte: Caveião; Sales, 2022, com base em Lobo, 2021. 
TEMA 3 – GÊNESE DA SAÚDE ÚNICA 
Em virtude dos avanços na tecnologia e na indústria, novos padrões do 
movimento humano relacionados ao turismo, globalização e consumismo 
emergiram, originando um novo mundo altamente conectado, resultando em 
múltiplas oportunidades para a introdução e disseminação de doenças 
emergentes e reemergentes, e aumento ecológico e transformações e impactos 
ambientais (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Zinsstag et al., 
2011). 
No entanto, é importante delimitar alguns conceitos antes de pontuarmos 
a Saúde Única. Doenças emergentes são consideradas como um novo problema 
de saúde, ou seja, uma nova doença nunca antes vista, tratada ou mitigada pelos 
órgão de saúde globais, como é o caso da pandemiacausada pelo vírus SARS-
CoV-2, de origem zoonótica. Por sua vez, doenças reemergentes são aquelas 
que, por influência antropocêntrica, mudam seu comportamento epidemiológico 
de transmissão, como a dengue e a malária (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; 
Lobo et al., 2021; Zinsstag et al., 2011). 
Desde 1994, a importância da criação de procedimentos interdisciplinares 
e de preparação internacionais para surtos foi aumentada devido ao primeiro 
 
 
9 
surto de Ebola, ocorrido em Serra Leoa e descrito no livro The Hot Zone: A 
Terrifyring True Story, de Richard Preston, sobre as origens e os incidentes 
envolvendo febres hemorrágicas, particularmente devido aos vírus Ebola e 
Marburg. Nessa mesma escala temporal, o ProMED-mail foi lançado como um 
serviço de e-mail para identificar eventos incomuns de saúde relacionados a 
doenças infecciosas emergentes e toxinas reemergentes que afetam seres 
humanos, animais e meio ambiente. Essa ferramenta foi construída em torno do 
conceito de Saúde Única desde sua gênese (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; 
Lobo et al., 2021; Zinsstag et al., 2011). 
Em 1996, o Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC) em 
Atlanta (Geórgia, EUA), reuniu médicos e médicos veterinários para discussões 
sobre doenças e epidemias globais, resultando em um programa oficial de 
treinamento denominado EID Classes (Emerging Infectious Diseases). No 
mesmo ano, pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária da Tufts 
University, em colaboração com a Harvard Medical School, deram início ao 
Consortium for Conservation Medicine e à EcoHealth Alliance, anteriormente 
conhecida como Wildlife Trust, com o objetivo de unir as saúdes animal, humana 
e ambiental (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Zinsstag et al., 
2011). 
Em 2003, o veterinário William Karesh foi mencionado em um artigo do 
jornal Washington Post tratando do surto de Ebola: “A saúde humana, do gado 
ou da vida selvagem não pode mais ser discutida isoladamente. Existe apenas 
‘uma saúde’. E as soluções exigem que todos trabalhem juntos em todos os 
níveis”. Em setembro de 2004, profissionais de saúde de diversas partes do 
mundo se reuniram em Nova York para discutir o tema e o termo Saúde Única 
(Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Zinsstag et al., 2011). 
A conferência, intitulada “Um mundo, uma saúde: construindo pontes 
interdisciplinares para a saúde em um mundo globalizado”, foi organizada pela 
Wildlife Conservation Society (WCS) e pela Rockefeller University, resultando 
em doze importantes recomendações que, inicialmente, foram denominadas de 
“The Manhattan Principles” (“Os princípios de Manhattan”), que remetem à 
necessidade de se estabelecer uma abordagem mais holística e interdisciplinar 
para prever e prevenir epidemias e o aparecimento de doenças por profissionais 
de diversas áreas interdisciplinares da saúde (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; 
Lobo et al., 2021; Zinsstag et al., 2011). 
 
 
10 
Considerando inicialmente as evidências de melhoria da saúde humana e 
animal, os Conselhos da American Vetereniray Medicine Association (AVMA) e 
da American Medical Association (AMA), estabeleceram uma ação ofical para 
organizar as atividades dentro da abordagem One Health. Após uma reunião em 
14 de abril de 2007, a AVMA e a AMA organizaram a força-tarefa One Health 
Initiative (OHITF) para facilitar a colaboração e cooperação entre profissionais 
de saúde, instituições acadêmicas, agências, governo e indústria. Essa 
abordagem colaborativa teria como objetivos principais a avaliação adequada, o 
tratamento e as atividades preventivas de doenças comuns a animais e humanos 
(Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Zinsstag et al., 2011). 
O OHITF propôs recomendações e atividades que disseminaram o 
conceito de Saúde Única entre os profissionais de saúde. Tais atividades têm 
sido baseadas, principalmente, na colaboração entre diferentes áreas, e 
relacionadas com a colaboração da medicina e da medicina veterinária: saúde 
pública, zootecnia (animais domésticos, animais silvestres e meio ambiente). 
Como resultado desse trabalho conjunto, uma evidente melhora na saúde pode 
ser alcançada globalmente (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; 
Zinsstag et al., 2011). 
Com a reemergência de doenças infecciosas e o surgimento de novas 
zoonoses, profissionais de todo o mundo têm promovido o conceito de Saúde 
Única para incorporar as ciências de saúde animal, humana e ambiental e 
expandir as colaborações interdisciplinares em todos os aspectos dos cuidados 
com a saúde pública (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Zinsstag 
et al., 2011). 
Foram criados importantes jornais, como One Health, Eco Health e The 
Lancet Planetary Health, que passaram a dar espaço a importantes iniciativas 
de pesquisa realizadas nos Estados Unidos, Europa, Austrália, e em países 
emergentes. Apesar da falta de qualquer definição formal, o conceito conquistou 
muitos profissionais que buscam melhorar as saúdes humana, animal e 
ambiental por meio de uma colaboração multidisciplinar e interprofissional mais 
forte, compreendendo uma visão mais ampla dos cuidados com a saúde e que 
necessitam ser discutidos de forma mais colaborativa (Carneiro; Pettan-Brewer, 
2021; Lobo et al., 2021; Zinsstag et al., 2011). 
A One Health Umbrella, ou seja, “O Guarda-chuva da Saúde Única”, foi 
desenvolvido pela rede de parceria internacional “One Health” da Suécia e “One 
 
 
11 
Health Initiative”, ilustrando o conceito interdisciplinar da Saúde Única, como 
mostrado na Figura 1. 
Figura 1 – Guarda-chuva da Saúde Única desenvolvido como uma rede de 
parceria internacional 
 
Nos anos seguintes, a abordagem se enraizou e ganhou destaque 
reconhecendo o seu valor; o CDC estabeleceu seu escritório One Health em 
2009, promovendo o conceito globalmente no contexto da pandemia ocasionada 
pelo vírus do H1N1 para tratar as doenças infecciosas emergentes (Carneiro; 
Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Zinsstag et al., 2011). 
Durante um encontro realizado de 4 a 6 de maio de 2010, em Stone 
Mountain (Geórgia, EUA), e promovida pelo Centro Nacional de Doenças 
Infecciosas Zoonóticas e Emergentes do CDC, sob o tema “Operacionalização 
da Saúde Única: uma perspectiva política – como fazer um balanço e dar forma 
a um roteiro de implementação”, foi identificado que uma das principais 
preocupações tem sido a formação adequada dos profissionais para o 
 
 
12 
desenvolvimento de aptidões, conhecimento e competências (Carneiro; Pettan-
Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Zinsstag et al., 2011). 
TEMA 4 – SAÚDE ÚNICA NOS CURRÍCULOS ACADÊMICOS 
Um possível resultado das discussões que ocorreram na reunião em 
Stone Mountain promovida pelo CDC, seria a interação desse instituto com as 
necessidades científicas e acadêmicas, no sentido de propor um currículo 
integrado para as profissões da área da saúde, resultando na formação de 
profissionais com visão global da abordagem em Saúde Única. Esses 
profissionais devem ser capazes de integrar todos os problemas relacionados a 
um tópico específico da saúde e propor soluções racionais para organizações 
globais, considerando seu conceito holístico em Saúde Única, inter-relacionando 
às saúdes humana, animal e ambiental (Souza; Caveião; Sales, 2022; Carneiro; 
Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Milhorini et al., 2021). 
Esse tipo de formação pode ser um desafio para universidades e institutos 
científicos, considerando as possíveis limitações entre as distintas estruturas 
acadêmicas dos países. No entanto, a realidade da globalização deve ser 
considerada nesses acordos, levando em consideração, principalmente, o 
objetivo de promover a melhoria da saúde humana, animal e ambiental por meio 
de uma abordagem multidisciplinar e interprofissional (Souza; Caveião; Sales, 
2022; Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Milhoriniet al., 2021). 
Um profissional com essa formação teria permissão para lidar de forma 
adequada com problemas de saúde globalmente e apoiar a avaliação e 
elucidação de problemas de saúde caracterizados por uma diversidade de 
particularidades que permeiam a interface homem-animal-meio ambiente. O 
tema comum desses esforços tem sido baseado na melhoria da saúde global, 
enfocando a conexão indissociável da saúde humana, de animais domésticos e 
silvestres, e do meio ambiente de forma integral (Souza; Caveião; Sales, 2022; 
Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Milhorini et al., 2021). 
No ano de 2010, foi iniciada e estabelecida a colaboração entre a 
Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), a Organização Mundial da 
Saúde Animal (OIE) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), denominada 
One Health Tripartite. A União Europeia reafirmou seu compromisso de operar 
sob o guarda-chuva One Health e, em 2011, aconteceu o 1º Congresso 
Internacional One Health, na Austrália. A partir desse evento, foram construídas 
 
 
13 
políticas de disseminação da prática de Saúde Única globalmente (Carneiro; 
Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021). 
No ano de 2014, a Sociedade Internacional de Doenças Infecciosas (ISID) 
e o ProMED, com a Skoll Foundation, HealthMap, e Programas de Treinamento 
em Epidemiologia e Intervenção em Saúde Pública Network (TEPHINET), 
começou a trabalhar em outra ferramenta inovadora para a vigilância das 
doenças, o programa EpiCore (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 
2021). 
O EpiCore foi criado para construir uma rede de epidemiologistas de 
campo e profissionais de saúde que possam validar surtos notificados e 
suspeitos (Figura 2). Os moderados do ProMED enviam solicitações de 
informações (RFIs) diretamente aos membros do EpiCore de uma área 
específica do mundo (seja um país, seja uma região). As especialidades dos 
membros do EpiCORE refletem a abordagem One Health do ProMED com 
especialistas em saúde animal, ambiental e humana, todos representados. 
Desde então, outras organizações internacionais que promovem os esforços da 
One Health/EcoHealth/Planetary Health/One Health Economics/Population 
Health foram estabelecidas globalmente, inclusive em países da América Latina 
(Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021). 
Figura 2 – EpiCore 
 
Fonte: Epicore, 2022. 
 
 
14 
TEMA 5 – SAÚDE ÚNICA NA AMÉRICA LATINA 
Como em outros países, a abordagem One Health no Brasil já é aplicada 
há muito tempo. Desde o início das escolas de medicina veterinária e agricultura 
do século XX, os profissionais da agricultura e ciências da saúde têm trabalhado 
juntos com uma abordagem holística e interdisciplinar, especialmente em 
comunidades indígenas, rurais e pobres, sem acesso à assistência em saúde de 
qualidade (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Fischer; Stoekly; 
Silva, 2021; Joly; Queiroz, 2020; Cavalcante et al., 2020). 
Congressos e simpósios realizados por organizações internacionais e 
mundiais ocorreram historicamente no Brasil e na América Latina, trazendo a 
importância de ações interdisciplinares por meio de projetos de extensão em 
medicina veterinária e saúde pública. A conservação da vida selvagem, a 
preservação do habitat e a biodiversidade são áreas desenvolvidas por muitas 
instituições multicêntricas nacionais e internacionais durante os séculos XX e 
XXI (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Fischer; Stoekly; Silva, 
2021; Joly; Queiroz, 2020; Cavalcante et al., 2020). 
Em uma abordagem mais contemporânea, o conceito de Saúde Única, 
proposto já na década de 1990, remete a estratégias interdisciplinares e 
integrativas de promoção à saúde, integrando a visão de indissociabilidade da 
saúde humana, saúde animal e saúde ambiental. O valor da Saúde Única é mais 
bem apreciado do ponto de vista da saúde pública, especialmente nos países 
em desenvolvimento, nos quais recursos limitados forçam ações coordenadas 
entre médicos, médicos veterinários e conservacionistas ecológicos. Podemos, 
desse modo, crer que o conceito de Saúde Única seja uma proposta para unificar 
todas as vertentes de sua conceituação secular, além de fazer emergir o papel 
contribuinte da saúde ambiental e da saúde animal para se concretizar (Figura 
3) (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Fischer; Stoekly; Silva, 
2021; Joly; Queiroz, 2020; Cavalcante et al., 2020). 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
Figura 3 – Sistemática indissociável da Saúde Única 
 
 
 
 
 
 
 
 
A evolução e o sustento de nosso planeta dependem de uma relação 
simbiótica entre as três áreas da Saúde Única, ou seja, homem-animal-meio 
ambiente. Contudo, o domínio humano sobre a biosfera tem feito a saúde 
humana avançar, mas traz também a enorme responsabilidade da busca pela 
saúde e pela existência contínua da humanidade, o que torna os humanos 
igualmente vulneráveis aos desafios da saúde global, quebrando a visão 
antropocêntrica (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Fischer; 
Stoekly; Silva, 2021; Joly; Queiroz, 2020; Cavalcante et al., 2020). 
A convergência entre a saúde humana e animal traz benefícios e riscos, 
pois a saúde animal é altamente dependente da prática humana, principalmente 
em se tratando de animais de produção, além da sensibilidade à globalização, 
às pressões comerciais e aos ataques humanos em habitats silvestres. O 
ecossistema refere-se à flora, à fauna, a outros organismos e ao ambiente, no 
qual nós, humanos, também estamos inseridos. Nesse contexto, a saúde 
ambiental também indica a função do sistema, como disponibilidade de água 
potável, alimentos, energia limpa, polinização, entre outros fatores finitos 
(Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021; Fischer; Stoekly; Silva, 2021; 
Joly; Queiroz, 2020; Cavalcante et al., 2020). 
SAÚDE HUMANA 
SAÚDE 
ÚNICA 
SAÚDE 
AMBIENTAL 
SAÚDE 
ANIMAL 
 
 
16 
NA PRÁTICA 
O crime organizado transnacional tem causado vários impactos 
importantes em relação à homeostase preconizada pela Saúde Única. A costa 
africana, especificamente a Libéria e Serra Leoa, tem sofrido com o problema, 
especialmente com a pesca ilegal em escala industrial. Esse crime tem atingido 
de forma direta a população local desses países, impactando questões 
socioeconômicas e colocando tais comunidades que vivem da pesca em 
situação de risco por falta de peixe para consumo e para a manutenção de sua 
subsistência. 
Conforme publicado no artigo Ebola viral disease in West Africa: a threat 
to global health, economy and political stability, de Omoleke, Mohammed e 
Saidu, as questões socioeconômicas e de fome que afligiam a região obrigaram 
a população a avançar aproximadamente 1.600 km para o interior e adentrar na 
mata em busca de alimento e de subsistência pela caça, comércio e consumo 
de animais silvestres. Essa quebra da homeostase da Saúde Única causou o 
surgimento de uma das epidemias mais avassaladoras ocorridas na Libéria e em 
Serra Leoa. 
Com base na leitura do artigo e das informações, qual das epidemias 
abaixo acometeu esses países, tendo relação direta com a quebra dos conceitos 
preconizados pela Saúde Única? 
A) Vírus Ebola 
B) Vírus de Marburg 
C) Vírus monkeypox 
D) Coronavírus 
E) Febre amarela 
Obs.: a resposta está ao final desse documento. 
FINALIZANDO 
A institucionalização da Saúde Única por grandes agências internacionais 
como a FAO, OMS e OIE, que possuem objetivos como o controle de doenças 
emergentes, reemergentes e negligenciadas, propostas da ocupação dos 
ecossistemas, redução das mudanças climáticas e influenciar o presente/futuro 
da produção e disponibilidade de alimentos seguros para humanidade, 
 
 
17 
fortalecem coerentemente a bandeira da Saúde Única no mundo (Carneiro; 
Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021). 
Operacionalmente, a Saúde Única pode representar uma estratégiaracional para proteger as necessidades atuais da humanidade e das gerações 
futuras. Abrange um movimento para promover a comunicação colaborativa 
profissional dinâmica transdisciplinar global, sob o mote “um planeta, uma 
saúde”, gerenciando as abordagens de observadores, profissionais de diferentes 
áreas e pesquisadores, integrando-as para desenvolver estratégias bem-
sucedidas e sustentáveis (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021). 
Entretanto, é um processo árduo quebrar os paradigmas e fronteiras e 
promover novos relacionamentos transversais. Somente com investimentos 
públicos e privados, em estratégias e soluções prospectivas integradoras globais 
no presente, poderemos inovar e fazer a diferença frente aos desafios para a 
saúde das pessoas, dos animais e para a integridade do meio ambiente 
(Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 2021). 
Dessa forma, a Saúde Única não pode ser tratada apenas como projeto 
técnico-político, devendo ser atingida por meio de discussões filosóficas, 
políticas, sociais e econômicas (Carneiro; Pettan-Brewer, 2021; Lobo et al., 
2021). 
 
 
 
18 
REFERÊNCIAS 
CARNEIRO, L. A.; PETTAN-BREWER, C. One health: conceito, história e 
questões relacionadas – revisão e reflexão. In: MIRANDA, A. M. M. Pesquisa 
em Saúde & Ambiente na Amazônia: perspectivas para sustentabilidade 
humana e ambiental na região. Guarujá: Científica Digital, 2021. p. 219-240. 
CAVALCANTE, K. K. de S. et al. Saúde única: perspectivas para o 
enfrentamento da Covid-19. Interamerican Journal of Medicine And Health, v. 
3, p. 1-6, 2020. 
EVANS, B. R.; LEIGHTON, F. A. A history of One Health. Rev. Sci. Tech. Off. 
Int. Epiz., v. 2, n. 33, p. 413-420, 2014. 
FISCHER, M. L.; STOEKLY, G. P.; SILVA, E. M. da. Bioética ambiental e saúde 
global: o latrodectismo no estado do Paraná. Revista Conexão Ciência, v. 16, 
n. 3, p. 1-19, 2021. 
JOLY, C. A.; QUEIROZ, H. L. de. Pandemia, biodiversidade, mudanças globais 
e bem-estar humano. Estudos avançados, v. 34, n. 100, p. 67-82, 2020. 
LOBO, P. M. et al. Saúde única: uma visão sistêmica. 1. ed. Goiânia: Alta 
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OMOLEKE, S. A.; MOHAMMED, I.; SAIDU, Y. Ebola viral disease in West Africa: 
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MILHORINI, M. C. et al. Saúde única na formação do enfermeiro: análise 
documental fundamentada no pensamento complexo. III CONGRESSO 
INTERNACIONAL DE SAÚDE ÚNICA (INTERFACE MUNDIAL). Anais..., jan. 
2021. 
RYU, S. et al. One Health Perspectives on Emerging Public Health Threats. 
Journal of Preventive Medicine & Public Health, v. 50, p. 411-414, 2017. 
ZINSSTAG, J. et al. From “one medicine” to “one health” and systemic 
approaches to health and well-being. Preventive veterinary Medicine, v. 101, 
p. 148-156, 2011. 
 
 
19 
SOUZA, P.; CAVEIÃO, C.; SALES, W. B. Ensino interdisciplinar e internacional 
em Saúde Única na prevenção de zoonoses. Archives of Health, v. 3, p. 137-
143, 2022. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
GABARITO 
A) Vírus ebola

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